quinta-feira, 11 de abril de 2024

No Fogo do Espírito, no lagar da Cruz...

                                                            

No Fogo do Espírito, no lagar da Cruz...

O Tratado sobre a Eucaristia do Bispo de Brecha (séc. V), São Gaudêncio, é indispensável para meditarmos sobre o Mistério da Eucaristia: Alimento de nossa caminhada, Pão de eternidade!

“O sacrifício celeste instituído por Cristo é verdadeiramente um dom do Novo Testamento concedido como herança; é o dom que Ele nos deixou como garantia da Sua presença, na noite em que foi entregue para ser crucificado.

Este é o viático da nossa peregrinação. É o alimento que nos sustenta nos caminhos desta vida até o dia em que, partindo deste mundo, formos ao encontro do Senhor.

Pois Ele mesmo disse: Se não comerdes a minha Carne e não beberdes o meu Sangue, não tereis a vida em vós (cf. Jo 6,53).

Ele quis efetivamente com Seus dons permanecer junto de nós; quis que as almas, remidas com o Seu sangue precioso, se santificassem continuamente pelo memorial de Sua Paixão.

Por esse motivo, ordenou aos Seus discípulos fiéis, constituídos como primeiros sacerdotes de Sua Igreja, que sem cessar celebrassem estes mistérios da vida eterna.

É necessário, portanto, que estes Sacramentos sejam celebrados por todos os sacerdotes em cada Igreja do mundo inteiro, até que Cristo desça novamente dos céus.

Deste modo, tanto os sacerdotes como todo o povo fiel, tendo diariamente ante os olhos o Sacramento da Paixão de Cristo, tomando-o nas suas mãos e recebendo-o na boca e no coração, guardem indelével a memória de nossa redenção.

Com razão se considera o pão como uma imagem inteligível do Corpo de Cristo.

De fato, assim como para fazer o pão é necessário reunir muitos grãos de trigo, transformá-los em farinha, amassar a farinha com água e cozê-la ao fogo, assim também o Corpo de Cristo reúne a multidão de todo o gênero humano e o leva à perfeita unidade de um só corpo por meio do Fogo do Espírito Santo.

Cristo nasceu pelo poder do Espírito Santo.E porque convinha que n’Ele se cumprisse toda a justiça, penetrou nas águas do Batismo para santificá-las, e saiu do rio Jordão cheio do Espírito Santo que tinha descido sobre Ele em forma de pomba.

O evangelista dá testemunho disso dizendo: Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão (Lc 4,1).

Do mesmo modo, o vinho do Seu sangue, proveniente de muitos cachos, quer dizer, feito das uvas da videira por Ele plantada, espremido no lagar da Cruz, fermenta por si mesmo em amplos recipientes que são os corações dos fiéis.

Todos vós, pois, que fostes libertados do Egito e do poder do Faraó, isto é, do demônio, recebei com santa avidez de coração junto conosco, este sacrifício pascal portador de salvação.

E assim, sejamos santificados até o mais íntimo de nosso ser por Jesus Cristo nosso Senhor, que cremos estar presente em Seus Sacramentos.
Seu poder inestimável permanece por todos os séculos.”

Para que nossa espiritualidade seja mais Eucarística, precisamos viver compromissos inadiáveis com a fraternidade e solidariedade.

No Fogo do Espírito, no lagar da Cruz... 

Cada vez que comungamos, como disse um diácono da Igreja, comemos o fogo, o Fogo do Espírito.

Sentimos inflamar nosso coração com o amor, com o fogo do Espírito Santo, que é invocado sobre a Eucaristia, quando consagrada na Missa, e quando anunciamos a morte do Senhor na Cruz, proclamamos a Sua Gloriosa Ressurreição: Vinde Senhor Jesus e do Pão de Imortalidade comungamos.

No Fogo do Espírito, no lagar da Cruz... Quis Deus, que nos amou como Amor infinito, Amor que ama até o fim, que o Fogo do Espírito nos fosse enviado no Mistério da doação, entrega e Morte de Cruz!

No lagar da Cruz foi amassado, dilacerado, crudelissimamente assassinado!

Alegremo-nos! No Fogo do Espírito, para sempre vivo, conosco está Ressuscitado! Amém! Aleluia!

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG