segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

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A graça do Sacramento da Penitência



A graça do Sacramento da Penitência

“Homem, teus pecados estão perdoados”
(Lc 5,20)


Senhor Jesus, contemplando a cura e o perdão dado ao paralítico, como fizestes naquele dia, conforme nos narrou Vosso Evangelista Lucas (Lc 5,17-26), compreendemos que o perdão, que nos comunicais, é gratuito e precede nosso arrependimento.

Senhor Jesus, ao aproximarmo-nos do Sacramento da Reconciliação, quereis muito mais de que sintamos vergonha de nossas misérias, mas quereis celebrar e nos comunicar Vosso amor incondicional, revelando-nos a face misericordiosa de Vosso Pai, redimidos pelo Vosso Espírito de amor.

Senhor Jesus, ao ouvirmos Vossa Palavra, que cura nossa paralisia, a mais crudelíssima de todas, a  paralisia espiritual, sejamos perdoados e purificados de nossos pecados, que nos fragiliza e nos distancia de Vós e de nosso próximo, acolhidos e envolvidos pelo Vosso abraço de ternura, que nos acolhe tal como somos.

Senhor Jesus, ensinai-nos a perdoar gratuitamente, como fizestes e fazeis, ainda que seja aparentemente fatigante e arriscado, porque se corre o risco de desilusões e de abusos, mas convosco aprendemos que somente o amor e o perdão desarmam, e vale a pena arriscar, como sempre o fazeis.

Senhor Jesus, vivendo este Tempo do Advento, saibamos valorizar os momentos que nos ofereceis para a graça do Sacramento da penitencia, “aplainando todas as montanhas e preenchendo todos os vales de nossa existência”, para que, purificados pela Vossa misericórdia, possamos celebrar dignamente Vosso Natal. Amém.


Fonte inspiradora: Lecionário Comentado – Tempo do Advento/Natal – Editora Paulus – Lisboa – 2011 – p.99

“Que o vosso amor cresça sempre mais...”


“Que o vosso amor cresça sempre mais...”

Retomemos a passagem da Carta de Paulo aos Filipenses (Fp 1,4-6.8-11), em que ele exorta a comunidade ao testemunho da caridade, na superação das divisões, enquanto espera a segunda vinda do Senhor, Sua vinda gloriosa.

É notável o carinho do Apóstolo Paulo para com a comunidade, e seu encorajamento para que ela cresça na fidelidade e na solidariedade, a fim de que, sempre em processo de construção, ela não desanime, aprendendo a acolher o Senhor que vem, e deixar que Ele nos conduza à plenitude de vida e do amor.

Como Igreja, vivendo o Tempo do Advento, somos exortados a romper todas as escravidões, fortalecendo os vínculos de comunhão fraterna, de modo que seja notável a alegria reinante pela espera da vinda certa de Deus (Ele veio, vem e virá!).

É tempo de renovação das esperanças em cada amanhecer, solidificando nossa na fé em Deus, fazendo progressos cada vez maiores na santidade a ser vivida, procurando em tudo fazer a vontade de Deus.

Acompanhe-nos a súplica do Apóstolo em nosso favor – “E isto eu peço a Deus: que o vosso amor cresça sempre mais em todo o conhecimento e experiência, para discernirdes o que é melhor. E assim ficareis puros e sem defeito para o dia de Cristo, cheios do fruto da justiça que nos vem por Jesus Cristo, para a glória e o louvor de Deus” (Fl 4,9-11).

Nestes versículos (Fl 4,8-11), o Apóstolo exprime a doçura de seu amor especial para com esta Igreja, que ele sente próxima, num momento de dor, devido à sua prisão (Fl 4,7) – “Paulo retribui essa solidariedade infundindo o seu coração na oração para que os seus irmãos cresçam na justiça e na caridade” (1).

Importa que o amor cresça, não apenas conhecimento do amor, mas em sua experiência concreta. Não apenas discursos sobre o amor, mas que seja vivido concretamente, em gestos multiplicados de solidariedade, partilha, amor, perdão, acolhida, compreensão e motivações trocadas, para que sejamos desertores da fé.


(1) Lecionário Comentado – tempo do Advento e Natal – Editora Paulus – Lisboa – 2011 – p.95

“Senhor, suplico Vosso perdão!”

“Senhor, suplico Vosso perdão!”

A Liturgia da Palavra, da segunda-feira da 2ª Semana do Advento, nos apresenta a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 5, 17-26), em que Jesus cura e perdoa os pecados de um paralítico.

Trata-se de um convite para que reflitamos sobre o poder que Jesus tem, não somente de perdoar os pecados da humanidade, bem como de libertá-la das possíveis paralisias físicas, e também de outras com maiores consequências: a paralisia espiritual.

Jesus é a manifestação da misericórdia de Deus que pode ser experimentada de diversos modos, e um deles é através do Sacramento da Penitência, com uma sincera, válida, e frutuosa confissão junto a um Presbítero da Igreja.

Há aqueles que não gostam de se confessar, por vezes pela dificuldade de como e o que confessar.

Evidentemente, que podemos confessar diretamente com Deus, mas não podemos prescindir e ignorar a forma salutar da confissão individual; quando o penitente reconhece a sua miséria, com seus limites e imperfeições, e curva-se diante da misericórdia de Deus.

Confessar é no mínimo um ato de humildade e de coragem; de colocar-se diante de si mesmo, do outro e de Deus, numa abertura necessária para reconhecer os pecados cometidos, as faltas que possam ter prejudicado os relacionamentos com o outro e com Deus.

Quanto ao paralítico curado, pensemos nas múltiplas manifestações de paralisias das quais podemos estar acometidos.

Lembremo-nos também de tantos que, pelas dificuldades enfrentadas, e a maior dela, a morte de um ente querido, são levados até mesmo à perda do sentido e da razão de viver.

A falta de perdão, dado ou recebido, paralisa relacionamentos, congela-os, quando não os aniquila, mata.

Não podemos paralisar nem mesmo diante da morte de um ente querido, ainda que esposo/esposa, mãe/pai, filho/filha, irmão/irmã, e mesmo um amigo que tenhamos apreço como a um irmão.

Os Apóstolos não ficaram paralisados diante da morte de Jesus, ao contrário, fazendo a experiência de Sua Ressurreição, contemplando Sua nova presença, redimensionaram e reorientaram os passos da Igreja nascente.

A fé na Ressurreição, a força do Ressuscitado rompe as portas fechadas do medo que nos paralisa, fragiliza, e nos faz sucumbir em possíveis mediocridades dos recuos.

Há uma forma de paralisia que brota da ausência do perdão, matando amizades, amores, convivências, lares, projetos, sonhos, conquistas...

Medito sobre a misericórdia de Deus e a nossa realidade incontestável de pecadores que somos, assim como sobre as paralisias das quais temos que ser libertos.

Oremos:

Ó Deus, fonte de Misericórdia,
Suplico o Vosso divino perdão,
Reconhecendo meus pecados:
atos, pensamentos, palavras e omissão.

Coloco-me em Vossas mãos,
Para que a Vossa misericórdia penetre as fibras mais íntimas do meu ser.
Renovai-me, Senhor, revesti-me com Vosso Amor.
Fazei-me uma nova criatura, para a Vossa imagem melhor refletir.

Libertai-me, Senhor, de toda e qualquer paralisia,
Que me impeça sinceros compromissos com o Vosso Reino.
Ressoe Vossa Palavra no mais profundo de mim,
Para que a vocação profética do Batismo se reacenda.

Alegre-me em ser Vossa presença, Vossa voz,
A tantos que precisam de Vossa Palavra ouvir.
Quero tão apenas, Senhor, por Vós ser perdoado e liberto.
E a quem precisar ser um sinal de Vossa misericórdia e poder.
Amém! 


“Perdoai-nos, Senhor!”

“Perdoai-nos, Senhor!”

 “Homem, teus pecados estão perdoados” (Lc 5,20)

Ó Pai de Misericórdia, por meio de Vosso Amado Filho que no-la revelou de modo maravilhoso, suplicamos-Vos que por Vosso Santo Espírito nos seja concedida a remissão de nossos pecados.

Reconhecemos nossa condição humana e pecadora diante de Vossa condição divina e reconciliadora, que nos renova em profundidade, como o bem mais importante que só vem de Vós.

Ó Pai, como precisamos de Vosso olhar misericordioso voltado para cada um de nós, pois somente o Amor derramado do Sagrado
Coração do Vosso Filho destrói nossos pecados.

Que redimidos por Vosso Santo Espírito sejamos envolvidos pelo Vosso Amor indizível sempre pronto a nos acolher e a nos perdoar, para a mais desejável comunhão de vida e amor.

Comunhão que nos coloca numa relação mais profunda, sincera e frutuosa convosco, porque também nos leva à mesma relação
com nosso próximo, a quem devemos amar e perdoar.

Que correspondamos à graça do Espírito, que em nós foi infundido pelo Santo Batismo para a remissão de nossos pecados,
para que fossemos então regenerados e iluminados.

Que não nos afastemos do Vosso Sagrado Cálice da Eucaristia,
onde encontramos o Sangue Sagrado por Vós derramado
para também remir nossos pecados.

Aumentai, Senhor, em nosso coração o amor necessário para
perdoar nosso próximo, e também a humildade
para que saibamos pedir o perdão.

E assim, ó Trindade Santa de Amor e comunhão, perdoados
e libertos, sejamos no mundo construtores da paz,
como alegres testemunhas de Vosso Amor. Amém!


Jesus: divina fonte de amor, perdão e liberdade

Jesus: divina fonte de amor, perdão e liberdade

A Liturgia da Palavra, da segunda-feira da 2ª Semana do Advento, nos apresenta a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 5, 17-26), em que Jesus cura e perdoa os pecados de um paralítico.

Através da ação de Jesus, contemplamos o Projeto de Salvação que Deus tem para toda a humanidade, entretanto, é preciso acolher este Projeto com fé.

O tema fundamental é o perdão dos pecados, a verdadeira doença da humanidade que Jesus combate e derrota ao cuidar da pessoa humana em sua totalidade

Jesus é a manifestação da bondade, da misericórdia e do Amor divino que liberta o homem de toda paralisia, de todo pecado.

Por meio d’Ele – o caminho, a verdade e  a vida – a humanidade pode se voltar novamente para Deus (reconciliação).

Em cada um de nós existe uma profunda necessidade de libertação do exílio de nós mesmos, das nossas múltiplas paralisias, do nosso afastamento de Deus (pecado).

Começa a ser desenhado um conflito que o levará à Cruz, por ação e rejeição das autoridades constituídas.

Um paralítico é levado por quatro homens e introduzido pelo telhado na casa onde Jesus Se encontrava. Ele será liberto e perdoado manifestando o poder que Jesus possuía, pelo Pai confiado.

Quatro homens significa a humanidade solidária com quem sofre, e vai ao encontro d'Aquele que tem a última Palavra, a resposta, a libertação.

O paralítico sem nome é a mesma humanidade sedenta de vida, liberdade, movimento, dinamismo, enfim, de uma nova possibilidade.

Também revela que a Salvação de Jesus não é somente para a comunidade judaica, mas para a humanidade inteira. Os esforços feitos para que o paralítico chegasse até Jesus retratam os esforços que devemos fazer para chegarmos até Jesus.

Nada pode impedir nosso encontro com a Fonte da Vida e da Liberdade. Tudo se torna nada, para conhecê-Lo, encontrá-Lo.

Os esforços são a revelação da ânsia por libertação. Normalmente Jesus Se revela precisamente em nossas fraquezas, temores, cansaços, incertezas.

Ele tem a Palavra e a resposta. Ele é a própria Palavra que cura, liberta, perdoa, porque a plena manifestação do Amor de Deus.

O perdão que Jesus nos concede, é a oportunidade do começo de uma nova vida, ao mesmo tempo revela o poder divino que possui, pois é Deus, e somente Deus pode perdoar (aqui o grande conflito: as autoridades reagem dizendo tratar-se de blasfêmia).

A grande mensagem catequética do Evangelista: Jesus tem autoridade para trazer a vida em plenitude. N’Ele, Deus Se revelou como misericórdia, bondade, amor e perdão.

A humanidade que percorre diariamente as estradas de sofrimento e angústia encontra em Jesus uma resposta, uma palavra de Libertação e Vida plena. Somente Ele pode colocar a humanidade numa órbita de vida nova, e sem Ele nada pode ser feito.

O pecado redimido deixa a lembrança no coração do pecador perdoado, não para imobilizá-lo, mas para que relembre sempre a história de um amor vivenciado, de uma nova oportunidade encontrada.

Recorda-se como uma História de Salvação, como que um sigilo de um amor que foi e continua a ser maior do que qualquer enfermidade, qualquer pecado, quaisquer deslizes ou infidelidades.

O perdão purifica e renova, de modo que, no coração de quem foi perdoado, por um pecado cometido, fica a  lembrança do amor vivido; força impulsionadora para um novo modo de ser e agir, para a não repetição indesejável das mesmas faltas.

Reflitamos:
- Cremos em Jesus que por meio de palavras e gestos ama, salva, perdoa, liberta?
- Como testemunhamos Jesus e Seu poder?

- Quem nós conduzimos até Jesus?
- Quem recebe da Igreja a solidariedade necessária para o encontro da vida digna e plena?

- Procuramos superar a cada instante o perigo de uma forma de vida cômoda, instalada, medíocre?
- Testemunhamos nossa fé com coragem para a transformação em todos os níveis?

- Quais são as paralisias que nos roubam o compromisso com a construção do Reino?
- Quais são os pecados assumidos, para que confessados diante da misericórdia de Deus mereçam o perdão?

- Antes de nosso pedido de perdão chegar até Deus, quais são os esforços que fazemos para alcançá-lo?

Contemplemos, na ação e Pessoa de Jesus, a Face misericordiosa de Deus, que Se revela em Sua ternura, solidariedade, fidelidade, perdão, liberdade e vida plena para todos.


Advento: o Senhor é a fonte de nossa alegria

Advento: o Senhor é a fonte de nossa alegria


A Liturgia, da segunda-feira da 2ª Semana do Tempo do Advento, nos convida à alegria, sobretudo porque se aproxima uma das maiores Festas do cristianismo: o Natal do Senhor.

A alegria pela libertação chegou e a esperança está acesa: “Alegrai-vos no Senhor...” é o refrão que sentimos ressoar no mais profundo de nossa alma, iluminados pela passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 35,1-10).

O Profeta Isaías tem uma única intenção: despertar a esperança e a confiança dos exilados.

Nada de desânimo, nada de covardia, nada de abaixar os braços, pois Deus vem para salvar e libertar o Seu povo...  O profeta é aquele que planta no mais profundo de quem precisa a semente da esperança que se concretiza na confiança e na coragem de lutar, no empenho do bom combate da fé.

O Profeta, como portador da Palavra de Deus, é aquela voz que nos acompanha, nos fortalece no irrenunciável empenho com o Projeto libertador de Deus que é a ação de gerar vida em abundância.

O Profeta assume a história de seu povo, coloca-se com ele em marcha, da escravidão para a liberdade, olhando o mundo com o olhar da esperança, levando todos a abandonar os óculos escuros do desespero.

Urge que acolhamos, como os Profetas, a proposta libertadora de Deus em nossa vida, remando contra a maré  das ideias dominantes, nem sempre coincidentes com o pensamento divino. Deste modo, o profeta olha o mundo com os olhos de Deus para testemunhar com fidelidade, confiança e esperança em todas as circunstâncias e em todos os momentos.

Com os profetas, e também com o Apóstolo São Tiago, no Novo Testamento (Tg 5,7-10), vemos que a alegria de Deus não nos dispensa de compromissos, empenhos, embates, passos largos a serem dados em busca de horizontes inéditos, como que reconstruindo o paraíso que foi manchado pelo pecado.

São Tiago nos exorta à paciência e ao olhar de fé, que deve ser renovado quotidianamente em cada Banquete da Eucaristia celebrado, a fim de que a alegria e a esperança invadam nosso coração.

Ele nos ensina que é sempre tempo de reavivar a confiança e a paciência na espera do Senhor que veio, vem e virá. Recuperar e jamais perder os valores cristãos autênticos e cultivar a paciência, até que ocorra a intervenção final de Deus na história: confiar do Senhor não é sinônimo de cruzar os braços.

Cada dia é tempo para reconstruir o paraíso, não como saudade estéril, mas como esperança e confiança frutuosa.

Assim compreendemos a ação de Jesus, que veio ao nosso encontro para que os desesperados recuperassem a esperança, os surdos voltassem a escutar a Palavra, os cegos enxergassem um novo horizonte além do sol poente; os coxos reconquistassem a liberdade; os pobres se abrissem para a solidariedade e o amor de Deus.

Num mundo marcado pela mentira e fingimento, urge a necessidade da sinceridade, como nos motiva o testemunho de João Batista que exerce sua missão com fidelidade, sinceridade e sem medo.

Com Isaías, João Batista e todos os profetas, aprendemos uma salutar lição: a força divina começa no exato momento em que reconhecemos a nossa fragilidade e nos abrimos à manifestação de Deus, à ação de Sua graça e abertura para o Seu perdão.

Somente deste modo a alegria e a esperança invadirão e transbordarão em nosso coração: “irromperá no coração dos que creem a alegria da luz do Natal!”.

Reflitamos:

- Num mundo marcado pela depressão, tristeza, dor, como ser sinal de alegria?
- Onde e quando precisamos ser profetas da alegria, portadores de uma Palavra que renova, revigora, refaz forças na construção do Reino de Deus?
- Qual o caminho verdadeiro para expor nossas dúvidas com toda sinceridade diante de Deus e com quem convivemos?

Preparemos o Natal para que vivamos uma vida cristã mais autêntica e a alegria verdadeira será mais que desejável em nosso coração; será transbordamento, porque edificada sobre o fundamento e fonte da verdadeira alegria: Jesus!


PS: Aos que estiverem enfraquecidos, desanimados... Convido que retome e leia na própria Bíblia Isaías 35.  O Profeta fala nas entranhas de nosso coração...


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Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte - MG