sexta-feira, 3 de abril de 2020

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Virtudes divinas vividas para vencer as turbulências


Virtudes divinas vividas para vencer as turbulências

Estamos numa barca, e os ventos são assustadores. Inquietos, recolhidos, revendo atitudes, valores, passos dados. Tempo de se rever como se vivia, para novos caminhos redescobrir.

São lições que estamos todos aprendendo, por um preço muito alto: vida de tantos e tantas, assim como a vida de nossa casa comum.

Tempo de revigorar a fé em nosso coração, de renovar o mais profundo de nós e plenificar o coração do absolutamente essencial: o amor, o amor que jamais passará.

Reflitamos sobre as virtudes divinas que nos ajudam nesta travessia em meio às turbulências a serem enfrentadas, conscientes de que estamos todos na mesma barca, e o Senhor conosco e nos diz – “Por que sois tão medrosos, ainda não tendes fé?” (Mc 4, 35-41).

Passagem do Evangelho -  Lc 17,5-6: sobre a virtude da fé:
“Os apóstolos disseram ao Senhor: ‘Aumenta a nossa fé!’ O Senhor respondeu: ‘Se tivésseis fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria”.

Todo o tempo e de modo especial, temos que testemunhar nossa fé, confiantes na Palavra do Senhor, e crer na  onipotência do amor de Deus e de seu poder, que veio, vem e virá sempre ao nosso encontro, por meio do Seu Espírito.

Tempo de crer no melhor de Deus para todos nós, pois Deus é fiel à Sua Aliança de amor com a humanidade, e nunca nos abandonou e jamais nos abandonará.

Deus que tanto nos ama, espera que nos voltemos para Ele de coração puro e sincero, reconciliados com Ele e conosco, em novas relações mais humanas, justas, simples, fraterna; sem marcas de egoísmo, inveja, maldade, arrogância, prepotência, petulância que tão apenas nos afasta da vida e da felicidade querida por Ele para todos nós.

Passagem da Sagrada Escritura - (1 Pd 3,15): sobre a virtude da esperança:

“Antes, ‘santificai o Senhor Jesus Cristo’ em vossos corações e estais sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que a pedir”.

Esperança como virtude divina, jamais poderá ser compreendida com uma espera passiva, mas acompanhada de sagrados compromissos no testemunho da fé, em gestos multiplicados de amor, a virtude maior que nos conduz.

Esperança, portanto, é somar com o outro para o milagre do amor multiplicar; ousar na busca do inédito do melhor de Deus para todos nós; é não desistir jamais dos sonhos, das metas, das utopias, da alegria da contemplação do Reino já presente no meio de nós.

Passagem da Sagrada Escritura – 1 Cor 13, 1-13 – sobre a virtude divina do amor:

“Se eu falasse as línguas dos homens e a dos anjos, mas não tivesse amor; eu seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine...”

O Apóstolo nos apresenta o Hino ao amor-caridade, que a humanidade tem que reaprender e está reaprendendo, sobretudo neste momento tão obscuro, inquietante que a todos nos envolve.

É tempo de acolhermos e vivermos a essência da fé cristã, o novo Mandamento do Amor que Nosso Senhor nos ordenou:

“Eu vos dou um novo Mandamento: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisso conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns para com os outros”. (Jo 13, 34-35).

Sigamos em frente, iluminados e fortalecidos pelas palavras divinas fazendo nossa travessia, ora em mar agitado, ora deserto. Ambas as imagens representam bem o momento que todos estamos vivendo.

Se em mar agitado, ventos e tempestades não serão capazes de nos naufragar; urge que tenhamos fé na Palavra e Presença do Senhor, que dá sentido à nossa esperança e nos envolve com seu amor e sua presença por meio do Seu Espírito, enviado pelo Pai, em Seu nome.

Se no deserto, provação, aridez, privação se fizerem presentes,  tenhamos fé, supliquemos ao Senhor o colírio da fé, para ver o amanhecer com esperança, fazendo cada dia um tempo favorável e irrenunciável para amar, solidarizar e novas relações com o outro e com o planeta estabelecer. O Senhor sempre nos concederá um oásis, para saciarmos nossa sede de água viva de amor, vida e paz.

Mar ou deserto, Ele está conosco: coragem! Tenhamos fé, esperança e caridade.

Um refrão para concluir:

“Eu confio em Nosso Senhor, com fé, esperança e amor...”


Crer, esperar e amar

Crer, esperar e amar

Eucaristia é o Mistério maior de nossa fé, pois dela vivemos, nos alimentamos e nos refazemos de nossos cansaços, renovamos nossas forças para avançar adiante nos sagrados compromissos que dela emanam.

Oportuno voltar ao que nos ensina o Catecismo da Igreja:

'A Eucaristia é ‘fonte e ápice de toda a vida cristã'. 'Os demais Sacramentos, assim como todos os ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, se ligam à sagrada Eucaristia e a ela se ordenam. Pois a santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa’’’ (1)

A Eucaristia bem celebrada redimensiona as virtudes divinas que nos movem:

“Antes de agirmos, a Eucaristia convida-nos a viver as três dimensões mais pessoais e íntimas da experiência cristã, ou seja, crer, esperar e amar. É uma questão de sangue, de corpo, de vida e de morte.

A Eucaristia abrange o homem todo, não é apenas um rito ou uma aspiração, mas sim um sinal que recorda e exige a realidade: Um Sacramento” (2)

Crer, esperar e amar:

Crer num novo mundo possível, sem jamais perder a esperança. Manter viva a fé, dando razão de nossa esperança vivendo a essência do ser cristão, amar;

Amar a Deus e ao próximo, inseparavelmente, como nos ensinou e o Mandamento o Senhor nos deu;

Crer como mais bela expressão de fé em Deus e em Sua onipotência;

Esperar no Senhor, mas não nos omitirmos do que a nós for próprio.
Amar sempre; amor intenso e profundo, amor de Cruz, como o Senhor viveu.

Crer, esperar e amar, somente possível, quando da Eucaristia partícipes e nutridos, e sagrados compromissos com o Reino, mais do que renovados, assumidos e fortalecidos.



(1)         - Catecismo da Igreja Católica - (§1324).
(2)        - Lecionário Comentado – Editora Paulus – 2011 – p.881

Oração pela nossa saúde


Oração pela nossa saúde

Oremos:

“Senhor Jesus, Salvador do mundo, esperança que não conhece a desilusão, tende piedade de nós e livrai-nos do mal!

A Vós imploramos a vitória sobre o flagelo deste vírus que se alastra, a cura dos infectados, a proteção dos que estão sãos, o auxílio para quem presta os cuidados de saúde.

Mostrai-nos o Vosso Rosto de Misericórdia e salvai-nos com o Vosso grande amor.

Tudo isto Vos pedimos por intercessão de Maria, Vossa e nossa Mãe, que fielmente nos acompanha! Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amém.  (1)


(1) Adaptação da oração composta por Dom Jorge Ortiga, Arcebispo Primaz de Braga.

“Deus amou tanto o mundo...”


“Deus amou tanto o mundo...”

Com a Liturgia do Domingo de Ramos, iniciaremos a Semana Santa, contemplando a imensidão do Amor de Deus por nós, não poupando o próprio Filho – “Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o Seu Filho único, para que todo o que n’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).

Neste contexto, acolhamos o Tratado sobre a fé de Pedro, do Bispo São Fulgêncio de Ruspe, século IV.

“Os sacrifícios das vítimas materiais, que a própria Santíssima Trindade, Deus único do Antigo e do Novo Testamento, tinha ordenado que nossos antepassados lhe oferecessem, prefiguravam a agradabilíssima oferenda daquele sacrifício em que o Filho unigênito de Deus feito carne iria, misericordiosamente, oferecer-Se por nós.

De fato, segundo as palavras do Apóstolo, Ele Se entregou a Si mesmo a Deus por nós, em oblação e sacrifício de suave odor (Ef 5,2). É Ele o verdadeiro Deus  e o verdadeiro sumo-sacerdote que por nossa causa entrou de uma vez para sempre no santuário, não com o sangue de touros e bodes, mas com o Seu próprio Sangue. Era isto que outrora prefigurava o sumo-sacerdote, quando, uma vez por ano, entrava no santuário com o sangue das vítimas.

É Cristo, com efeito, que, por Si só, ofereceu tudo o quanto sabia ser necessário para a nossa redenção; Ele é ao mesmo tempo sacerdote e sacrifício, Deus e templo. Sacerdote, por quem somos reconciliados; sacrifício, pelo qual somos reconciliados; templo, onde somos reconciliados; Deus, com quem somos reconciliados. Entretanto, só Ele é o sacerdote, o sacrifício e o templo, enquanto Deus na condição de servo; mas na Sua condição divina, Ele é Deus com o Pai e o Espírito Santo.

Acredita, pois, firmemente e não duvides que o próprio Filho Unigênito de Deus, a Palavra que Se fez carne, Se ofereceu por nós como sacrifício e vítima agradável a Deus. A Ele, na unidade do Pai e do Espírito Santo, eram oferecidos sacrifícios de animais pelos patriarcas, Profetas e sacerdotes do Antigo Testamento. E agora, no tempo do Novo Testamento, a Ele, que é um só Deus com o Pai e o Espírito Santo, a santa Igreja Católica não cessa de oferecer em toda a terra, na fé e na caridade, o sacrifício do pão e do vinho.

Antigamente, aquelas vítimas animais prefiguravam o Corpo de Cristo, que Ele, sem pecado, ofereceria pelos nossos pecados, e Seu Sangue, que Ele derramaria pela remissão desses mesmos pecados. Agora, este sacrifício é ação de graças e memorial do Corpo de Cristo que Ele ofereceu por nós, e do Sangue que o mesmo Deus derramou por nós. A esse respeito, fala São Paulo nos Atos dos Apóstolos: Cuidai de vós mesmos e de todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos colocou como guardas, para pastorear a Igreja de Deus, que Ele adquiriu com o Sangue do Seu próprio Filho (At 20,28). Antigamente, aqueles sacrifícios eram figura do dom que nos seria feito; agora, este sacrifício manifesta claramente o que já nos foi doado.

Naqueles sacrifícios anunciava-se de antemão que o Filho de Deus devia sofrer a Morte pelos ímpios; neste sacrifício anuncia-se que Ele já sofreu essa morte, conforme atesta o Apóstolo: Quando éramos ainda fracos, Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado (Rm 5,6). E ainda: Quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com Ele pela Morte do Seu Filho (Rm 5,10).”

Contemplemos o Amor que por nós Se doa e Se entrega na crudelíssima Morte de Cruz, para nos ensinar o Caminho que nos conduz ao Pai. Fará da Cruz um sinal aparente de derrota, o caminho da nossa vitória, quando for Ressuscitado na madrugada das madrugadas, precedida pela noite sombria, da Sua descida à mansão dos mortos, para libertar os que jaziam na sombra da morte e todos quantos vierem a n’Ele crer.

Mergulhemos na compreensão do Mistério do Amor de Deus, da oferenda de Cristo por Amor de cada um de nós, Mistério que não compreendemos, Mistério de Amor que não merecemos.

“Deus amou tanto o mundo...” (Continuação)



“Deus amou tanto o mundo...” 

Retomo um parágrafo do Tratado sobre a fé de Pedro, escrita pelo Bispo São Fulgêncio de Ruspe (séc IV), para que meditado, sejamos fortalecidos em nosso Itinerário Quaresmal, e introduzidos no Mistério da Semana Santa que se aproxima: 

“É Cristo, com efeito, que, por Si só, ofereceu tudo o quanto sabia ser necessário para a nossa redenção; Ele é ao mesmo tempo sacerdote e sacrifício, Deus e templo.

Sacerdote, por quem somos reconciliados;
Sacrifício, pelo qual somos reconciliados;
Templo, onde somos reconciliados;
Deus, com quem somos reconciliados.

Entretanto, só Ele é o sacerdote, o sacrifício e o templo, enquanto Deus na condição de servo; mas na Sua condição divina, Ele é Deus com o Pai e o Espírito Santo.”

Cremos em Jesus Cristo ao mesmo tempo: Sacerdote e Sacrifício, Deus e Templo, Altar e Cordeiro, completo.

Qual deus, qual rei procuraria reconciliação com seus súditos?
Qual deus, qual rei suportaria sacrifício pelos seus súditos?
Qual deus, qual rei abriria sua morada para acolher os seus súditos?
Qual deus, qual rei se preocuparia em reintegrar seus súditos?
Qual deus, qual rei suportaria por a mesa para seus súditos?
Qual deus, qual rei ofereceria o melhor de si para seus súditos?

Nenhum, a não ser o Deus Uno e Trino que cremos e amamos: Pai, Filho e Espírito Santo, um só Deus, três Pessoas, a quem rendemos, honra, glória, poder e louvor.

Imagem de Deus que somos, vivendo intensamente a Semana Santa, configuremo-nos ao Senhor, sejamos semelhantes a Cristo Jesus no Mistério de Sua Paixão e Morte, para também com Ele alcançarmos a glória da Ressurreição.

Vivendo intensamente a Semana Santa nos renovemos,
Nos revigoremos para no mundo a diferença fazer:
Sal, fermento e luz, como Jesus nos enviou,
Corajosamente haveremos de ser.

E o Aleluia ressoará em nossos lábios,
Porque o Mistério Pascal, no mais profundo de nós,
Luz nova da Ressurreição,
Haverá de resplandecer.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, Amém! 

Jesus - O Deus que Se fez homem

Jesus - O Deus que Se fez homem

A Liturgia da 6ª feira da Quinta Semana da Quaresma nos apresenta, na primeira Leitura, a confissão do Profeta Jeremias como que em forma de Oração (Jr 20,10-13).

O contexto é dificílimo: o Profeta foi açoitado, preso durante uma noite, mas fica irremovível na confiança em Deus – “O Senhor, porém, está ao meu lado como valente guerreiro”

O Profeta enfrenta as adversidades olhando para o Alto, e tem confiança presença de Deus, ainda que se esteja sozinho, pelos amigos abandonado.

Jeremias viveu a incompreensão, o abandono, teve que viver a dramaticidade de lutar sozinho e firmar passos contra a corrente. No entanto, não se curvou, não desistiu. 

Do seu coração, porque crê, brota um cântico de alegria e louvor (Jr 20,13).

Reflitamos:

- Será esta a nossa atitude diante das dificuldades?
- Será também inabalável e serena a nossa confiança em Deus?

- Será este o cântico que sai de nossos lábios, nos momentos das adversidades, perseguições, abandonos, incompreensões, difamações?

Urge que nossa súplica seja acompanhada da confiança, que será seguida do louvor e gratidão pela ação d’Aquele que nunca nos abandona, é o que nos ensina o Profeta Jeremias e que podemos rezar com o Salmo (Sl 17, 2-7).

Na passagem do Evangelho (Jo 10,31-43) continua a perseguição dos judeus contra Jesus. 

Querem apedrejá-Lo por não reconhecerem que Ele é o Messias no meio dos homens, e O acusam de blasfemo:

“Os judeus, interrogados por Jesus, procuram justificar a explosão do seu ódio dando-lhe uma aparência aceitável: ‘Não queremos apedrejar-Te por boas obras, mas por blasfêmia? Tu és apenas um homem e fazes-Te passar por Deus (Jo 8,33).

Mas a verdade é completamente contrária: enquanto Jesus não é um homem que Se faz Deus, mas é Deus que Se faz homem; quem é cego aos sinais e às obras de Deus, quem pensa só em salvaguardar sem escrúpulos a própria segurança, eliminando tudo o que se lhe opõe, não pode perceber o Mistério maravilhoso da Encarnação” (1).

Jesus não foi um homem que Se fez Deus, mas exatamente o contrário, um Deus que Se fez homem, que Se fez carne, que habitou em nosso meio, que viveu nossa condição humana

É este Deus que Se Encarnou em nosso meio que amamos e queremos seguir. Este Deus que Se fez exatamente como nós, exceto no pecado que queremos conhecer, amar, seguir, anunciar, testemunhar.

De fato, o cristianismo não é uma ideologia que passa, mas uma Boa Nova Eterna que seduziu, e há de seduzir muitos, por causa do poder radiante da Cruz que nos acompanha em todo tempo.

Assim fez Jeremias antes da Encarnação do Verbo, assim fizeram todos os que aceitaram o chamado do Senhor desde o princípio, e o farão para sempre.

Aquele que existiu desde sempre, Se encarnou e veio morar entre nós, e morando, amando, a humanidade redimiu, a Salvação nos alcançou.

Não foi um homem que veio e Se fez Deus para nos salvar, mas o contrário, Deus que Se encarnou e veio, por Amor incondicional, extremo e total, nos salvar. Amém.



(1) Lecionário Comentado - Vol. Quaresma – Ed. Paulus – p. 253. 

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