quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Sem murmurações, julgamentos e desprezo

                                                    


Sem murmurações, julgamentos e desprezo
 
Iluminadora é a “Conferência sobre o julgamento do próximo”, escrita por São Doroteu de Gaza (séc. VI), para que vivamos sem murmurações, julgamentos e desprezo.
 
“Irmãos, se recordarmos bem as sentenças dos santos anciãos e as meditamos sem cessar, difícil será que pequemos ou que sejamos negligentes.
 
Se como eles nos dizem, não menosprezarmos o pequeno e aquilo que julgamos insignificante, não cairemos em faltas graves. O repito sempre a vocês. Por coisas ligeiras, como dizer por exemplo: ‘O que  é isto? O que é aquilo?’, nasce um mau hábito na alma, e se começa a desprezar inclusive as coisas importantes. Percebem quão grave é o pecado que se comete ao julgar o próximo? O que há de mais grave? Existe algo que Deus deteste tanto e do qual se afaste com tanto horror?
 
Os Padres disseram: ‘nada é pior do que julgar'. E, contudo, é por estas coisas que se dizem ser de pouca importância, que se chega a um mal tão grande. Se admite uma ligeira suspeita contra o próximo, se pensa: ‘O que importa se escuto o que tal irmão diz? O que importa se também eu digo somente esta palavra? O que importa se vejo o que vai fazer aquele irmão ou aquele estranho?’, e o espírito começa a esquecer os seus próprios pecados e a ocupar-se do próximo. Daí vem os juízos, murmurações e desprezos, e finalmente se cai nas faltas que se condenavam.
 
Quando alguém é negligente, a respeito de suas próprias misérias, quando alguém não chora a sua própria morte, segundo a expressão dos padres, não pode corrigir-se nunca, porque se ocupa constantemente do próximo. Entretanto, nada irrita tanto a Deus, nada despoja ao homem e lhe conduz ao abandono, como fato de murmurar do próximo, de julgá-lo e de desprezá-lo.
 
Murmurar, julgar e desprezar são coisas diferentes. Murmurar é dizer de alguém: ‘aquele mentiu’, ou: ‘enraivecer-se’, ou: ‘fornicou’. Ou outra coisa semelhante. Se murmurou dele, ou seja, se falou contra ele se revelou seu pecado, existe impulsos da paixão.
 
Julgar é dizer: ‘aquele é um mentiroso, colérico, fornicário’. Eis aí que se julga a própria disposição de sua alma e se aplica a sua vida inteira, dizendo que ele é assim, e se lhe julga como tal. Isto é grave. Porque uma coisa é dizer: ‘encolerizou-se’, e outra coisa: ‘é colérico’, pronunciando-se desta forma sobre toda a sua vida.
 
Julgar ultrapassa em gravidade a todos os pecados, de modo que Cristo mesmo disse: ‘Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás tirar o cisco do olho do teu irmão’. A falta do próximo a comparou com um cisco, e o juízo uma trave, pois o julgar é muito grave, mais grave talvez que cometer qualquer outro pecado.
 
O fariseu que orava e dava graças a Deus por suas boas ações, não mentia; mas dizia a verdade; não foi condenado por isso. Na realidade devemos dar graças a Deus pelo bem que Ele nos concede realizar, já que é com a Sua ajuda e Seu auxílio.
 
Desta forma, ele não foi condenado por ter dito: “Não sou como os demais homens’; não. Foi condenado quando, voltando-se para o publicano, acrescentou: ‘nem como esse publicano’. Foi então quando se tornou gravemente culpado, porque julgava a própria pessoa do publicano, as próprias disposições de sua alma, em uma palavra: sua vida inteira. Por isso, o publicano partiu dali justificado e ele não. Não há nada mais grave, nada mais prejudicial, e o digo com frequência, que julgar ou desprezar ao próximo”.
 
À luz da Conferência, reflitamos sobre os nossos relacionamentos cotidianos, e o quanto também podemos incorrer em graves murmurações, julgamentos e desprezos, tornando desagradáveis a Deus nossas palavras e orações.
 
Antes, é preciso que nos voltemos para nossa própria “miséria”, como o autor mesmo afirma, e sintamos a necessidade da misericórdia divina, sem nos tornarmos parâmetros de santidade e salvação para o outro.
 
É sempre tempo de aprendermos a viver a misericórdia, compadecendo-se com fragilidade do nosso próximo, o que não é sinônimo de conivência, cumplicidade. 
A misericórdia divina não se afasta da justiça, tão pouco da verdade, não exclui nem elimina o pecador, mas abomina o seu pecado.
 
Urge que aprendamos e vivamos a misericórdia querida por Deus, a fim de que sejamos misericordiosos como o Pai (Lc 6, 36), e tão somente assim, nossas orações se tornarão agradáveis e chegarão ao coração de Deus,   sendo por Ele ouvidas, e assim, alcançaremos a justificação.
 
 
(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp.741-743
 
 
 
PS: Oportuna para as passagens do Evangelho: Mt 7,1-5; Lc 6,27-38; Lc 6,39-42; Lc 18,9-14
 

Fidelidade na provação

                                            


Fidelidade na provação

Reflexão à luz da passagem do Livro de Tobias (Tb 1,3;2,11a-8).

Tobias (quer dizer – “Deus é bom”) andava no caminho da verdade e da justiça em total fidelidade a Deus a todo custo, como rezamos no refrão do Salmo da Missa (Sl 111/112):

“Feliz o homem que respeita o Senhor e que ama com carinho a sua Lei...”

Tobias viveu a fidelidade desde a sua juventude. Mesmo desterrado (sob o domínio dos assírios), manteve-se fiel a seus compromissos religiosos; tornando-se rico, servia-se do que tinha em favor dos outros. Mesmo colocando em risco a própria vida, dava sepultura aos justiçados e assassinados.

A cena descrita na passagem, bem como em todo o livro, coloca em evidência a sua generosidade.

Tobias mesmo dando tudo, Deus lhe pede tudo:

“Quando menos o esperamos, pode vir a ‘provação’ decisiva, a confirmar a própria doação e é o pressuposto da retribuição de Deus.” (1)

A preocupação e interesse pelos seus irmãos que padecem, exigiu sacrifícios, renúncia às próprias comodidades, afastamento das vozes da própria razão – “Só indigência do irmão dá a medida de seu interesse.” (2)

Reflitamos:


- Quais são as lições a aprender com Tobias?

- Qual a autenticidade da fidelidade à Lei Divina em nossa vida?


- Qual é o nosso compromisso solidário com os que mais precisam?

- Como enfrentamos as provações em nosso cotidiano?

Peçamos a Deus: “Dai-nos força para resistir à tentação, paciência na tribulação, e sentimentos de gratidão na prosperidade”.

Oremos:

“Senhor Deus, que nos convocais para a mesa santa, sinal de unidade e de amor, concedei-nos a graça de cumprirmos com confiança a obra que nos confiastes, para atendermos às necessidades da vida e cooperarmos na edificação do vosso Reino.” Amém.

 

(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus – 1988 – pág. 844-845.

(2)Lecionário Comentado – Tempo Comum – Volume I – Editora Paulus – Lisboa - p.427

Da cripta ao crepitar

 


Da cripta ao crepitar

“Lembrai-vos de vossos dirigentes, que vos falaram a Palavra de Deus: considerando o fim de sua vida, imitai-lhes a fé. Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre.” (Hb 13,7-8)

“Por aqui passou um homem de Deus”
Foi assim que me apresentaram Dom Felippe,
Desde os primeiros dias à frente de nossa amada Diocese.
 
Hoje a cripta da nossa Diocese recebe seus restos mortais
Ainda que no seu silêncio receba, acompanhado de nossas orações,
Suas palavras de amado primeiro pastor, não morrerão jamais
 
Jamais nos esqueçamos de seus traços memoráveis,
Simplicidade, proximidade, despojamento, solidariedade
Amor, ternura, compaixão e muito mais.
 
Amor pela Palavra não apenas anunciada no altar,
Mas na vida encarnada, e nos grupos diversos,
Motivada, ensinada, por ser luz nos caminhos obscuros.
 
Amor pelos pobres de mil nomes; como Cristo, fez esta opção,
De mãos dadas com o amor e carinho pelas juventudes,
Amor incondicional pela Igreja, vida consumida em doação.
 
O lema que marcou seu episcopado, embora por curto tempo,
“Com a presteza de Maria”, presença discreta e silenciosa,
Mas que para nós brilhará para sempre como uma  joia preciosa.
 
Na cripta, lugar do escondimento, seus restos mortais,
Em nossos corações, suas palavras marcadas como um selo,
Que haverão de florescer, e delas esquecimento jamais.
 
Na cripta, o escondimento dos restos mortais
Em nossas almas, suas pregações;
Chama que não se apaga,
a crepitar cada vez mais. Amém.

Uma fé autêntica

                          

Uma fé autêntica

Com a Catequese do Bispo São Cirilo de Jerusalém (Séc. IV), refletimos sobre o poder da fé que ultrapassa as forças humanas.

“A fé tem um só nome, mas duas maneiras de ser. Há um gênero de fé que se relaciona com o dogma e inclui a elevação de uma pessoa e seu assentimento sobre determinado assunto; diz respeito ao interesse pessoal, conforme o Senhor: Quem ouve minhas palavras e crê n’Aquele que me enviou, tem a vida eterna e não incorre em condenação (Jo 5,24); e de novo: Quem crê no Filho não será julgado, mas passa da morte para a vida (cf. Jo 3,18.24).

Ó bondade imensa de Deus para com os homens! Com efeito, os justos foram agradáveis a Deus pelo labor de muitos anos. Mas aquilo que alcançaram, entregando-se corajosamente e por dilatados anos ao serviço de Deus, isto mesmo em uma simples hora Jesus te concede. Porque se creres que Jesus Cristo é Senhor e que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo e levado ao paraíso por aquele que nele introduziu o ladrão. E não hesites em acreditar ser isto possível, pois quem salvou o ladrão neste santo Gólgota, pela fé de uma só hora, pode também salvar-te a ti, se creres.

O outro gênero é a fé que Cristo concede por graça especial. Pois a uns pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria, a outros a palavra da ciência, segundo o mesmo Espírito. A outros a fé, no mesmo Espírito, a outros o dom de curar (1Cor 12,8-9).

Este carisma da fé dado pelo Espírito não se relaciona apenas com o dogma; torna ainda capaz de realizar coisas acima das forças humanas. Quem tiver uma fé assim, dirá a este monte: Vai daqui para ali; e irá (Mt 17,20). Quando, pois, pela fé, alguém isto disser, crendo que acontecerá sem hesitar em seu coração, então é sinal de que recebeu esta graça.

Dela se disse: Se tivésseis fé como um grão de mostarda (Mt 17,20). Como o grão de mostarda, tão pequenino, possui uma força de fogo, e semeado em estreito pedaço de terra produz grandes ramos, que depois de crescidos podem dar sombra às aves do céu, assim também, num abrir e fechar de olhos, a fé realiza as maiores coisas na pessoa. Porque lhe dá uma ideia sobre Deus e o vê tanto quanto é capaz, inundada pela luz da fé. Percorre os confins da terra; e antes da consumação do mundo, já prevê o juízo e a entrega das recompensas prometidas.

Guarda então a fé que de ti depende e que te leva a Ele; para que recebas de Suas mãos também aquela que age muito além das forças humanas.”

De fato, a fé tem um só nome, mas duas maneiras de ser: a que se relaciona com o dogma e inclui a elevação de uma pessoa e seu assentimento sobre determinado assunto; e a fé que Cristo concede por graça especial.

Cabe-nos viver a fé, que depende de cada um de nós e que nos leva até Jesus, a fim de que recebamos de Suas divinas mãos a fé que age muito além das forças humanas.

Fé renovada no Senhor, é certeza de que nossa esperança será sempre frutuosa, porque expressa em gestos multiplicados de caridade, concretizando os inseparáveis Mandamentos do Amor a Deus e ao próximo (Mc 12,28b-34).

 

Cristãos leigos e leigas que perseveram no amor

                                                   

Cristãos leigos e leigas que perseveram no amor

Reflitamos sobre a graça da missão realizada pelos cristãos leigos e leigas na obra da evangelização à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 14,25-33).

Assim lemos no Comentário do Missal Cotidiano:

“Hoje, junto a nós, já não existe ambiente de cristandade. Muitas vezes, até sob formas cristãs, palpita um conteúdo pagão. Acompanhar Jesus transportado pelo entusiasmo da massa é dificilmente possível em nosso clima.

Com maior razão, pois, importa levar em conta a advertência de Jesus. Viver como cristãos não é fazer passeata com o Senhor. Sua Palavra é clara. Trata-se de renunciar, construir, lutar. Exige-se separação, radicalidade, realismo.

Quem está nos postos avançados da batalha não espera ter quem lhe desdobre as cobertas à noite. Se estamos convencidos de sermos membros de um cristianismo em estado de missão, resulta daí todo um estilo de vida missionário” .(1)

Reflitamos as exigências para que tenhamos na Igreja, alegres e convictas testemunhas do Ressuscitado: renunciar, construir, lutar… e ainda, separação, radicalidade, realismo.

Sem renúncia jamais haverá fidelidade no seguimento ao Senhor. Nenhuma construção chegará ao seu termo se prescindir da luta, do empenho…

Tornam-se necessárias as separações traduzidas como desapegos, na radicalidade própria do amor que sabe elencar o que é prioritário, num realismo inadiável.

A fé cristã move-se pela virtude da esperança enraizada no chão da caridade que é o próprio coração do homem e da mulher.

Somente assim, cristãos leigos e leigas serão discípulos missionários do Reino, sem medo, mas com muita alegria, superando um cristianismo inodoro, insípido, incolor, como também o Missal Cotidiano nos ajuda a refletir, referindo-se a Carta aos Filipenses (Fl 2,12-18) (2).

Com os Ministros Ordenados e Consagrados, ponhamo-nos a caminho acolhendo as exigências acima propostas e a alegria divina, mais do que presente em nós, transbordará.

Cumpra-se a Palavra Divina, para que na fidelidade ao Senhor progridamos: “Aqueles que perseverarem no amor ficarão junto de Deus, porque a graça e a misericórdia são para Seus eleitos”, já nos dizia o autor do Livro da Sabedoria (Sb 3,9)!


(1)         Missal Cotidiano – Editora Paulus – p 1459
(2)        Idem p. l458

Renúncias necessárias para o discipulado

                                                             

Renúncias necessárias para o discipulado

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 14,25-33), e sobre as exigências para seguir Jesus.

Constatamos que não se trata de um caminho marcado por facilidades, pois o caminho da Cruz exige renúncias, coragem, desapegos, desprendimentos.

Contextualizemos a passagem: Jesus está caminhando rumo a Jerusalém; caminhar com Ele e segui-Lo, não é falta de opção, ao contrário, é a melhor e a mais decisiva opção que fazemos em nossa vida.

É a mais radical das decisões, pois deve ser feita na raiz de nosso coração e de nossa vida, de modo que nossa vida é redimensionada e deverá ser pautada pela Sabedoria Divina que nos é revelada, de modo especial na Sagrada Escritura.

Esta escolha implica no fortalecimento do coração com o Amor Divino, e da nossa mente com sua mais bela e desejada Sabedoria (Sab. 9,13-18).

A Sabedoria Divina possibilita-nos o conhecimento da vontade de Deus, acompanha-nos em nossos discernimentos para viver a Sua vontade com paciência, constância e prudência.

Somente por amor e com Sabedoria Divina trilharemos o caminho da cruz, que é o único caminho da felicidade.

Neste caminho três exigências para que sejamos cristãos, de fato:

- O desapego afetivo em relação à família e até a própria vida;

- A disponibilidade para carregar a cruz, na mais perfeita e completa imitação do Sublime Mestre e Divino Salvador;

 - A renúncia de tudo, deixando absoluto espaço para Aquele que é o Absoluto em nossa vida.

Deste modo, compreenderemos e veremos confirmada a Palavra do Senhor: “Quem perder sua vida por causa de mim, ganhá-la-á” (Lc 9,22-25).

Como vemos nas Parábolas do Evangelho, aquele que se coloca a caminho com o Senhor, precisa da “sabedoria do arquiteto” e a “prudência de um rei”, para um seguimento que não seja entusiasmo momentâneo.

Sejamos realistas como o arquiteto e prudentes como o rei, evitando ilusões fáceis, não reduzindo o cristianismo apenas ao “cultivo de boa vontade”.

Sábios e criativos, saberemos enfrentar os riscos que o compromisso cristão nos apresenta a cada momento, contando com a Fonte da Sabedoria, a presença do Espírito.

Procuremos, portanto, maior tempo dedicado à oração e leitura da Palavra Divina, pedindo ao Senhor, uma vez por Ele amados e seduzidos, que jamais O desapontemos no caminhar da fé.

Tenhamos a maturidade de suportar os riscos de nossa fé cristã, com a certeza de que na fidelidade vivida na construção do Reino, nutridos provisoriamente no Banquete da Vida, um dia, no Banquete Eterno, a Coroa da Glória nos será alcançada.

Se quisermos seguir Jesus, não procuremos o caminho da facilidade, mas o verdadeiro caminho da felicidade, que passa necessariamente pela coragem de segui-Lo, carregando nossa cruz.

Sem cruz não há fidelidade no seguimento ao Senhor! Sem despojamento, desprendimento e renúncia, não há discipulado!

Como discípulos missionários do Senhor, amemos com o Amor do Amado.  Eis a fonte, princípio e meta de um autêntico, frutuoso e desejado discipulado!

Se quisermos seguir Jesus... Por onde iremos?  
Pelo caminho da facilidade ou da felicidade?
O que é necessário para que sigamos o Senhor?

Sem cruz não há fidelidade no seguimento ao Senhor!
Sem despojamento, desprendimento e
renúncia não há discipulado!

Como discípulos missionários do Senhor,
amemos com o Amor do Amado.
Eis a fonte, princípio e meta de um autêntico,
frutuoso e desejado discipulado!

Amor e ardor na fidelidade ao Senhor!

                                                       


 Amor e ardor na fidelidade ao Senhor! 

Reflitamos sobre as exigências para seguir Jesus à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 14,25-33).

Constatamos que não se trata de um caminho marcado por facilidades. Ao contrário, o caminho da Cruz exige renúncia, coragem, desapegos, desprendimentos como veremos à luz da mencionada passagem.

Caminhemos com o Senhor rumo a Jerusalém. Seguir o Senhor, não é falta de opção, ao contrário, é a melhor e a mais decisiva opção que fazemos em nossa vida. 

Trata-se da mais radical, pois deve ser feita na raiz de nosso coração, na raiz de nossa vida, de modo que nossa vida é redimensionada e deverá ser pautada pela Sabedoria Divina que nos é revelada, de modo especial na Sagrada Escritura.
 
Esta escolha implica fortalecimento do coração com o Amor Divino, e a nossa mente com sua mais bela e desejada Sabedoria (Sb. 9,13-18).
 
O amor é essencial para que se fortifique novo modo de se relacionar rompendo barreiras, superando preconceitos, numa relação de irmãos e irmãs em Cristo como nos fala o Apóstolo à Filemon ( Fm 9b-10.12-17).
 
A Sabedoria Divina possibilita-nos o conhecimento da vontade de Deus, acompanha-nos em nossos discernimentos para viver a Sua vontade com paciência, constância e prudência.
 
Assim conclui-se que só por amor e com Sabedoria Divina trilharemos o caminho da cruz que, por mais paradoxal que possa parecer, é o caminho da felicidade.
 
Neste caminho três exigências para que sejamos cristãos, de fato:
 
 Ø   O desapego afetivo em relação à família e até a própria vida;
 
 Ø   A disponibilidade para carregar a cruz, na mais perfeita e completa imitação do Sublime Mestre e Divino Salvador;
 
 Ø   A renúncia de tudo, deixando absoluto espaço para Aquele que é o Absoluto em nossa vida.
 
Deste modo, compreenderemos e veremos confirmada a Palavra do Senhor: “Quem perder sua vida por causa de mim, ganhá-la-á” (Lc 9,22-25).
 
Como vemos nas Parábolas do Evangelho, aquele que se coloca a caminho com o Senhor, precisa da “sabedoria do arquiteto” e a “prudência de um rei”, para um seguimento que não seja entusiasmo momentâneo.
 
Sejamos realistas como o arquiteto e prudentes como o rei evitando ilusões fáceis, não reduzindo o cristianismo apenas ao “cultivo de boa vontade”.
 
Sábios e criativos, saberemos enfrentar os riscos que o compromisso cristão nos apresenta a cada momento, contando com a Fonte da Sabedoria, a presença do Espírito.
 
Por isto, concluamos com compromisso de mais tempo dedicado à oração e leitura da Palavra Divina, pedindo ao Senhor, uma vez por Ele amados e seduzidos, que jamais O desapontemos no caminhar da fé.
 
Tenhamos a maturidade de suportar os riscos de nossa fé cristã, com a certeza de que na fidelidade vivida na construção do Reino, nutridos provisoriamente no Banquete da Vida, um dia no Banquete Eterno a Coroa da Glória nos será alcançada.
 
Se quisermos seguir Jesus... Por onde iremos?  
Pelo caminho da facilidade ou da felicidade?
O que é necessário para que sigamos o Senhor?
Sem cruz não há fidelidade no seguimento ao Senhor!
Sem despojamento, desprendimento e
renúncia não há discipulado!
 
Como discípulos missionários do Senhor,
amemos com o Amor do Amado.
Eis a fonte, princípio e meta de um autêntico,
frutuoso e desejado discipulado!

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