sábado, 9 de maio de 2026

Que os sonhos não morram jamais

                                                               

Que os sonhos não morram jamais

“Nunca deixe seus sonhos morrerem,
porque a vida sem sonhos
é como um pássaro com a asa quebrada
que não pode voar”. (Martin Luther King)

Sonhos adormecidos, outros esquecidos, alguns motivadores.
Sonhos que com paciência, empenho renovado, realizados serão.

Sonhos que nos movem ao encontro do Absoluto: Deus,
Na mais bela dedicação, a serviço do Reino de Deus, sem omissão.

Sonhos que nos permitem voos mais altos,
Ao encontro das coisas sagradas onde Deus habita.

Sonhos que nos permitem voos que possibilitam
Ultrapassar as montanhas das dificuldades, terríveis empecilhos.

Sonhos que nos levam ao reencontro conosco mesmo,
E que nos orientam para que a vida siga suavemente seu curso.

Sonhos que, silenciosamente vividos, nos humanizam:
Um mundo sem violência, guerras, dominação, mais irmão.

Sonhos que se somam a sonhos de outros,
Passo indispensável para que realidade se tornem.

Sonhar sozinho é preciso, mas não para sempre.
Sonhar com o outro no milagre da multiplicação.

Sonhos que a outros se somam, maravilhosamente multiplicam.
Sonhos que outros subtraem, indesejável fragilização.

Sonhemos, busquemos, avancemos,
Curemos as asas se for preciso.

Quando alimentados pela Santa Palavra e pela Eucaristia,
Nada faz morrer nossos sonhos, nada impedirá nossos voos.

Sonhemos! Avancemos! Jamais recuemos...
Com a presença do Santo Espírito que nos conduz em todos os momentos.

Minhas reflexões no Youtube

 
Acesse:

https://www.youtube.com/c/DomOtacilioFerreiradeLacerd d brba 

Resquiescat in pace - Descanse em paz!

                                          


Resquiescat in pace  - Descanse em paz!

O sol escondido sob as nuvens, dia sombrio, como ficaram os dias sem você, desde quando partiu, e meus olhos nadam em lágrimas vertentes.

Hoje, uma lembrança com misto de tristeza suave e dilacerante me consome, e volto meus olhos para o passado, procurando preencher o vácuo que você deixou, que por vezes parece impreenchível.

Não fosse a fé na ressurreição da carne, ficaria apenas a sombra do túmulo, eterna sombra da morte; eterno descanso; ocaso sem esperança; derradeira pulsação da vida, sem desabrochar na outra margem.

Não fosse a fé na ressurreição da carne, aquele momento supremo da vida, seria um eterno sábado; o véu da morte ficaria para sempre posto, e não reconheceríamos os sinais do Ressuscitado, “os panos dobrados e colocados à parte” desde aquela memorável madrugada (cf. Jo 20, 7).

Mas creio na ressurreição da carne, e a morte é o descansar no regaço do Senhor; o dormir o sono da noite, sem horas após o último suspiro e o cerrar dos olhos à luz; o sentimento do frio pelas asas da morte a roçar a fronte; o fugir dos últimos lampejos da vida.

RIP – Resquiescat in pace – Descanse em paz amigo/a. Que o Senhor se compadeça de sua alma e o tenha para sempre em Sua glória, até que um dia também faça a necessária e derradeira passagem e viveremos o epílogo da eternidade e comunhão na glória dos céus, com os anjos e santos. Assim creio. Assim espero. 

Tenho que seguir em frente, lembrando com carinho de cada momento que vivemos; cada sorriso compartilhado; cada lágrima enxugada; cada dificuldade superada...

Descanse em paz! O brilho do Sol nascente vem nos iluminar, até que um dia possamos nos céus nos encontrar. Amém.

Coragem e fidelidade no discipulado

                                                     


Coragem e fidelidade no discipulado

No 5º sábado do Tempo da Páscoa, ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 15,18-21), em que Jesus afirma que Seus discípulos não são do mundo, porque por Ele, foram escolhidos e apartados do mundo:

“Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro me odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo gostaria daquilo que lhe pertence. Mas porque não sois do mundo, porque Eu vos escolhi e apartei do mundo, o mundo por isso vos odeia.” (Jo 15,18-19).

Sejamos enriquecidos pelas palavras de H. Van den Bussche:

 “O tema da amizade e da intimidade induz, pela analogia dos opostos, ao tema do ódio e do desconhecimento que o pequeno rebanho dos discípulos sofrerá por parte do mundo.

O cristão é testemunha da Cruz, pelo amor que consagra aos irmãos, pelo ódio que sofre do mundo. Porque o mundo não cessará nunca de odiar os cristãos.

Não se poderia confiar nos discípulos que buscassem a simpatia do mundo ou dela gozassem. Não que o cristão deva afastar esta simpatia, nem tampouco cultivar o sofrimento com misticismos mórbidos.

Sem ir atrás das provações, bastar-lhe-á aceitar as que vierem; toda complacência nelas é suspeita. Deve, porém, estar pronto, e isto basta, a sofrer as perseguições do mundo, por sua fidelidade ao Senhor. Porque o ódio do mundo é inseparável de sua condição de discípulo.” (1)

Todo discípulo missionário do Senhor, no testemunho da amizade, intimidade e fidelidade a Ele, não está isento do ódio, incompreensão, perseguição ou indiferença do mundo, até mesmo o ato extremo do martírio, como a história testemunha:

“Os acontecimentos de Jesus iluminam e colocam na sua justa perspectiva as perguntas dos discípulos: a perseguição faz parte da história da Salvação. Mais precisamente: é a Via-Sacra que continua. Com dois aspectos: a perseguição não significa a ausência de Deus, mas o Seu modo de estar presente ao contrário das expectativas humanas; além disso a caminhada do discípulo é acompanhada pela certeza de que a última palavra é a de Deus: ‘Se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa’ (Cf. Jo 15,20)” (1)

Conduzida e assistida pelo Espírito, nossas comunidades devem ser a comunhão de pessoas livres e disponíveis para o discipulado, sem projetos teológicos-pastorais preestabelecidos, de modo que vivam na fecunda e desejada sinodalidade e fidelidade à Doutrina e ao Magistério da Igreja, com sua palavra e ensinamentos.

Assim lemos no Lecionário Comentado:

“Se as nossas comunidades proclamam pouco a novidade evangélica, se correm o risco de propor uma notícia pouco alegre e prevista, não é porventura porque se fecharam nos seus projetos, aos quais quereriam que o próximo Senhor se adequasse?” (3)

Roguemos a Deus para que vivamos incondicional fidelidade ao Evangelho, e seja a nossa vida por Ele iluminada e conduzida, determinando nossos pensamentos e ações, sem medo ou omissões.

Oremos:

“Ó Deus, que dais força aos débeis e perseverança a quem em Vós confia, dai-nos a comunhão de fé e amor com o Vosso Filho crucificado e ressuscitado, para partilharmos a alegria perfeita do Vosso Reino” (4). Amém.

 

(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus – 1998 - p.447

(2) Lecionário Comentado – Volume Quaresma/Páscoa - Editora Paulus – Lisboa – 2009 – p.563

(3) (4) idem – pp.563-564

 

Acolhidos pela Mãe da Piedade

                                     



Acolhidos pela Mãe da Piedade

Em 2018, tivemos a graça da Peregrinação das Paróquias da Região Episcopal Nossa Senhora Aparecida – RENSA – ao Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade – Caeté – MG.

Aproximadamente, 1500 peregrinos (padres, religiosos, religiosas, seminaristas, cristãos leigos e leigas), numa alegre, piedosa, frutuosa e orante participação, acompanhada do encontro de irmãos e irmãs de caminhada, num lugar que encanta nossos olhos, enche nosso coração de paz pelas maravilhas criadas pelas mãos divinas, além de sentirmos a presença de nossa Mãe, sob o título de Nossa Senhora da Piedade, Padroeira de Minas Gerais.

Subimos a Serra da Piedade, como que subindo ao Monte Tabor, e contemplamos a face e presença do Senhor, de modo especial, ao lado de Sua amantíssima Mãe.

O ponto ápice da nossa peregrinação foi, indubitavelmente, a Santa Missa, em que a Liturgia do 5º sábado do Tempo da Páscoa nos ofereceu a passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 16,1-10); Salmo 99 e o a passagem do Evangelho de João (Jo 15,18-21).

Na Homilia, destaquei alguns pontos, à luz da Palavra proclamada:

- precisamos ser uma Igreja decididamente missionária, uma Igreja em saída para as periferias existenciais, como tem insistido o Papa Francisco, com a presença e ação do Espírito Santo, revigorando cada dia a nossa fé e fidelidade ao Senhor;

- somos enviados a proclamar a Boa-Nova a todos os povos, em todo o tempo e em todo lugar, pois nisto consiste a missão dos discípulos missionários do Senhor, como nos fala o final da passagem da primeira leitura, em perfeita sintonia com a 5ª Assembleia da Arquidiocese de Belo Horizonte – MG, com seu objetivo maior de proclamar a Palavra oportuna e inoportunamente, à luz da Palavra do Apóstolo Paulo a Timóteo - “prega a Palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instrui” (2 Tm 4,2).

Esta missão é possível e necessária, porque o próprio Senhor nos escolheu e nos enviou, como Ele mesmo nos diz na passagem do Evangelho.

Alegremo-nos e exultemos por esta escolha que o Senhor fez, não pelos nossos merecimentos, antes, porque nos ama e em nós depositou Sua confiança.

No entanto, poderemos, a exemplo d’Ele, ser pelo odiados e perseguidos, mas não poderemos jamais temer ou recuar diante dos desafios da evangelização. Assim nos ensinaram os santos e mártires de nossa Igreja. Assim também haveremos de ser e fazer, contando com a presença e ação do Espírito, como amigos do Senhor, na fidelidade ao Projeto do Reino, que o Pai nos confia e nos convida a participar de sua construção.

Após os ritos finais da Santa Missa, tendo ouvido e acolhido a Palavra do Senhor, voltamos para casa renovados, revigorados e motivados a dar continuidade à nossa missão; descemos à planície do cotidiano, para viver a fé, cultivar a esperança, a fim de florescer em frutos Pascais, de quem se move pela caridade, porque amados discípulos do Senhor o somos.

Maria e Jesus: Um mistério de proximidade e separação

                                                


Maria e Jesus: Um mistério de proximidade e separação

Quantas vezes vivi a proximidade de Tua separação, meu Filho:

 
Na fuga para o Egito, por pouco te tiraram tão cedo de mim.
 
Na apresentação, as palavras de Simeão fincaram raízes em meu coração – o que seria esta espada a trespassar meu coração?
 
Eu Te vi crescer sob minha ternura e olhar maternal, mas sabia que tinhas que partir, das coisas divinas cuidar, desde que Te perdemos e encontramos no templo quando tinhas doze anos.
 
Nas bodas, intervim, porque sabia que tão somente podias o Vinho Novo oferecer, prefigurando Teu Sangue dado em cada Eucaristia, e a sede do mundo, sede de amor, vida e paz sacia: Redenção de toda a  humanidade.
 
Teus passos na agonia, abandono dos discípulos, insana e cruenta flagelação, crudelíssima morte. Tão próximo um dia no ventre, agora corpo dilacerado, na cruz crucificado. Ó imensa dor que me consome!
 
Proximidade e separação: espada cortante o coração me trespassando.
 
Abandonar-Te, como tua Mãe, jamais o faria. Não podia Te livrar da cruz, mas poderia amenizar Tua dor com minha presença.
 
Ouvir de Teus lábios que, no discípulo amado, da humanidade Mãe seria, e ele me acompanharia para refazer sonhos, retomar os passos, na espera da madrugada da Ressurreição.
 
Agora Ressuscitado, por Tuas Chagas Gloriosas, curaste minha indescritível dor.
 
Sinto-Te Vivo, presente, glorioso, e do Alto, nos envias o fogo do Espírito em permanente Pentecostes. Amém. Aleluia!

Aleluia! Louvemos ao Senhor!

                                                     

Aleluia! Louvemos ao Senhor!


Voltemo-nos para um dos Comentários sobre os Salmos, do Bispo Santo Agostinho (séc. V) que nos dará o sentido mais profundo do “Aleluia Pascal”:

“Toda a nossa vida presente deve transcorrer no louvor de Deus, porque louvar a Deus será também a alegria eterna de nossa vida futura.

Ora, ninguém pode tornar-se apto para a vida futura se, desde já, não se prepara para ela. Agora louvamos a Deus, mas também rogamos a Deus. Nosso louvor está cheio de alegrias, e nossa Oração, de gemidos.

Foi-nos prometido algo que ainda não possuímos; porém, por ser feliz quem o prometeu, alegramo-nos na esperança; mas, como ainda não estamos na posse da promessa, gememos de ansiedade.

É bom perseverarmos no desejo, até que a promessa se realize; então acabará o gemido e permanecerá somente o louvor.

Assim podemos considerar duas fases da nossa existência: a primeira, que acontece agora em meio às tentações e dificuldades da vida presente; e a segunda, que virá depois na segurança e alegria eterna.

Por isso, foram instituídas para nós duas celebrações: a do Tempo antes da Páscoa e a do Tempo depois da Páscoa.

O Tempo antes da Páscoa representa as tribulações que passamos nesta vida. O que celebramos agora, depois da Páscoa, significa a felicidade que alcançamos na vida futura.

Portanto, antes da Páscoa celebramos o que estamos vivendo; depois da Páscoa celebramos e significamos o que ainda não possuímos. Eis porque passamos o primeiro Tempo em jejuns e Orações; no segundo, porém, que estamos celebrando, deixando os jejuns, nos dedicamos ao louvor de Deus. É este o significado do Aleluia que cantamos.

Em Cristo, nossa cabeça, ambos os tempos foram figurados e manifestados. A Paixão do Senhor mostra-nos as dificuldades da vida presente, em que é preciso trabalhar, sofrer e por fim morrer. A Ressurreição e glorificação do Senhor nos revelam a vida que um dia nos será dada.

Agora, pois, irmãos, vos exortamos a louvar a Deus. É isto o que todos nós exprimimos mutuamente quando cantamos: Aleluia. Louvai o Senhor, dizemos nós uns aos outros.

E assim todos põem em prática aquilo que se exortam mutuamente. Mas louvai-O com todas as vossas forças, isto é, louvai a Deus não só com a língua e a voz, mas também com a vossa consciência, vossa vida, vossas ações.

Na verdade, louvamos a Deus agora que nos encontramos reunidos na Igreja. Mas logo ao voltarmos para casa, parece que deixamos de louvar a Deus. Não deixes de viver santamente e louvarás sempre a Deus. Deixas de louvá-Lo quando te afastas da justiça e do que lhe agrada.

Mas, se nunca te desviares do bom caminho, ainda que tua língua se cale, tua vida clamará; e o ouvido de Deus estará perto do teu coração. Porque assim como nossos ouvidos escutam nossas palavras, assim os ouvidos de Deus escutam nossos pensamentos.”

Aleluia!”

Crente ou não, quem nunca pronunciou esta palavra? Palavra de origem hebraica que no seu sentido mais exato quer dizer: “louvai ao Senhor”.

“Aleluia!” quando do coração provindo, pelos lábios pronunciado, ou mesmo cantado, com conteúdo de vida acompanhado, nos mergulha na intensidade e beleza de uma Fé Pascal.

Damos a cada momento, fato, dificuldade, tribulação, perda ou ganho vivido, um matiz de Mistério Pascal.

Louvemos ao Senhor em todos os momentos, porque já temos em nós a semente da Eternidade; já podemos experimentar as delícias no tempo presente e plenamente nos céus.

Depende de como pautamos e vivemos nossa vida; de como iluminamos nossa consciência e coração, para que vida e ação correspondam ao desejo de Deus: nossa santificação e felicidade.

Que vivendo o Amor de Cruz, pelo Filho Amado testemunhado, já experimentemos a plena alegria prometida (Jo 15, 9-17).

Vivendo o Amor de Cruz, nossos “aleluias!” ganhem cada vez mais beleza de conteúdo e intensidade de compromissos com o Reino.

Do coração para os lábios; dos lábios para a vida; da vida para a eternidade.

Aleluia! Aleluia! Aleluia!


PS: Cf. Liturgia das Horas - Vol. II - Quaresma/Páscoa - p. 778-780.

Jesus prometeu e cumpriu: enviou-nos um Defensor (VIDTPA)

                                                                

Jesus prometeu e cumpriu: enviou-nos um Defensor

 “O Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de
receber, porque não O vê nem O conhece”

No 6º Domingo da Páscoa (ano A), a Liturgia nos convida a contemplar a proximidade e paternidade de Deus, que não nos deixa órfãos.

A presença divina é sempre discreta, mas de eficácia tranquilizadora na história da Igreja. O que Jesus disse aos discípulos, num contexto de despedida, tornou-se uma verdade para sempre – “Não vos deixarei órfãos; voltarei a vós” (Jo 14,18).

Na passagem da primeira Leitura (At 8,5-8.14-17), vemos a ação da comunidade cristã testemunhando a Boa Nova de Jesus, numa presença libertadora e salvadora da vida humana.

A mensagem é explícita: O Espírito Santo somente se manifestará e atuará se a comunidade se propuser a viver uma fé integrada, numa família de irmãos que se reúnem em comunhão com o Pai e o Filho:

Para que uma comunidade se constitua como Igreja, não basta uma aceitação superficial da Palavra, nem manifestações humanas (por muito impressionantes que sejam).

Ao mesmo tempo, é preciso que qualquer comunidade cristã tenha consciência de que não é uma célula autônoma, mas que é convidada a viver a sua fé integrada na Igreja universal, em comunhão com a Igreja universal.

Toda a comunidade que quer fazer parte da família de Jesus deve, portanto, acolher a autoridade e buscar o reconhecimento dos pastores da Igreja universal. Só então se manifestará nela o Espírito, a vida de Deus” (1)

A passagem da segunda Leitura (1Pd 3,15-18) é uma exortação para que a comunidade permaneça confiante, apesar das hostilidades e dificuldades encontradas. É ocasião favorável para o testemunho sereno da fé, num autêntico amor, até mesmo pelos seus perseguidores, assim como o próprio Cristo, que fez da Sua vida um dom de Amor a todos:

“Os cristãos devem, também, estar sempre dispostos a apresentar as razões da sua fé e da sua esperança – isto é, a dar testemunho daquilo em que acreditam (vers. 15b).

No entanto, devem fazê-lo sem agressividade, com delicadeza, com modéstia, com respeito, com boa consciência, mostrando o seu amor por todos, mesmo pelos seus perseguidores.

Dessa forma, os perseguidores ficarão desarmados e sem argumentos; e todos perceberão mais facilmente de que lado está a verdade e a justiça (vers. 16).

Os cristãos devem, ainda, em qualquer circunstância – mesmo diante do ódio e da hostilidade dos perseguidores – preferir fazer o bem do que fazer o mal (vers. 17)”. (2)

A comunidade dos que creem em Deus deve pautar a vida pela lógica de Jesus e não pela lógica do mundo, fazendo a doação da vida, por amor, alcançando assim, a glória da Ressurreição. Deve manter viva a confiança, a alegria, a fidelidade, a esperança...

Na passagem do  Evangelho (Jo 14,15-21), numa ceia de despedida, Jesus assegura aos discípulos, inquietos e assustados com Sua eminente partida para junto do Pai, a vinda do Paráclito.

Sua missão será conduzir a comunidade em direção à verdade, à comunhão cada vez mais profunda, íntima e intensa com Ele. Tão somente assim a comunidade se tornará a morada de Deus no mundo, no fiel testemunho da Salvação oferecida por Deus à humanidade.

Vivendo o Mandamento do Amor, permanecerão com Ele, e junto do Pai enviará o Defensor, o Paráclito:

“Se me amais, guardareis os meus Mandamentos, e Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: O Espírito da Verdade, que o mundo não é capaz de receber, porque não O vê nem O conhece” (Jo 14,  15.17a).

Após a missão de Jesus, caberá ao Paráclito assistir a comunidade que dará continuidade a esta:

Enquanto esteve com os discípulos, Jesus ensinou-os, protegeu-os, defendeu-os; mas, a partir de agora, será o Espírito que ensinará e cuidará da comunidade de Jesus.

O Espírito desempenhará, neste contexto, um duplo papel: em termos internos, conservará a memória da pessoa e dos ensinamentos de Jesus, ajudando os discípulos a interpretar esses ensinamentos à luz dos novos desafios; por outro, dará segurança aos discípulos, guiá-los-á e defendê-los-á quando eles tiverem de enfrentar a oposição e a hostilidade do mundo.

Em qualquer dos casos, o Espírito conduzirá essa comunidade em marcha pela história, ao encontro da verdade, da liberdade plena, da vida definitiva”. (3)

Renovemos a alegria de continuar a missão de Jesus, contando com a força e presença do Paráclito, do Espírito Santo, que conduz, ilumina, orienta, fortalece a Igreja, como tão bem vamos celebrar, em breve, na Festa de Pentecostes.

Também, hoje, a Evangelização coloca à nossa frente desafios, provações, inquietações. Não podemos estacionar, menos ainda recuar no testemunho da fé. Dar razão da esperança é preciso, pois Deus habita em nós e na Sua Igreja.

A razão de nossa esperança passa necessariamente pela qualidade do testemunho do nosso amor, que torna válida, frutuosa a nossa fé, fecundando o mundo novo, como instrumento da realização do Reino por Jesus inaugurado.


A indispensável presença do Paráclito (VIDTPA)

                                                        


A indispensável presença do Paráclito

"Não vos deixarei órfãos. 

Eu virei a vós." (Jo 14,18)

 

No 6º Domingo da Páscoa, quando ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 14,15-21), em que Jesus nos promete a vinda do Paráclito, a fim de que não fiquemos desamparados, sejamos enriquecidos pelo Sermão de São João Crisóstomo (séc. V):

Se me amais, guardareis os meus Mandamentos. Eu vos dei um Mandamento: que vos amei mutuamente e façais uns aos outros como Eu fiz convosco. Nisto consiste o amor: em cumprir os Mandamentos e colocar-se a serviço do amado. E Eu pedirei ao Pai que vos dê outro Defensor. São palavras de despedida. E como ainda não O conheciam bem, era muito provável que eles teriam de buscar ansiosamente a companhia do ausente, Suas palavras, Sua presença física, e que não teriam de aceitar, uma vez que Ele tivesse partido, nenhum tipo de consolo. E o que Ele diz? Eu pedirei ao Pai que vos dê outro Defensor, isto é, outro como Eu.

Depois de tê-los purificado com o Seu sacrifício, então sobrevoou o Espírito Santo. Por que não veio quando Jesus estava com eles? Porque ainda não se tinha oferecido o sacrifício. Mas uma vez que o pecado foi apagado e eles, enviados aos perigos, se disporiam para a luta, era necessário o envio do Consolador. E por que o Espírito não veio imediatamente depois da Ressurreição? Justamente para que, avivados por um desejo mais ardente, O recebessem com maior fruto.

De fato, enquanto Cristo estava com eles, não conheciam a aflição; mas quando Ele Se foi, ao ficarem sozinhos e tomados de temor, haveriam de recebê-Lo com um maior anelo. Que permaneça sempre convosco, isto é, não vos abandonará nem mesmo depois da morte. E para que, ao ouvir falar do Defensor, não pensassem em uma nova encarnação e acolhessem a esperança de vê-Lo com seus próprios olhos, a fim de afastar semelhante suspeita, diz: O mundo não pode recebê-Lo porque não O vê.

Porque não viverá convosco como Eu, mas sim habitará em vossas almas, pois é isso que quer dizer permaneça convosco. O chama Espírito da verdade, ligando assim as figuras da antiga Lei. Para que permaneça convosco. Que significa permaneça convosco? O mesmo que disse de si mesmo: Eu estou convosco. Mas ainda insinua outra coisa: Não vai padecer o que Eu padeci, nem se ausentará.

O mundo não pode recebê-Lo porque não O vê. Mas como? É porque o Espírito se contava entre as coisas visíveis? Em absoluto. O que acontece é que Cristo Se refere aqui ao conhecimento, pois acrescenta: nem O conhece, já que habitualmente se chama visão ao conhecimento penetrante. Realmente, sendo a vista o mais destacado dos sentidos, mediante ela sempre designa o conhecimento penetrante. Ele chama aqui ‘mundo’ aos perversos, e desta forma consola aos Seus discípulos, oferecendo-lhes este precioso dom. Vede como exalta a grandeza deste dom. Diz que é distinto d’Ele; acrescenta: ‘não vos deixará’; insiste: virá unicamente a eles, como também Eu vim. Disse: Permaneça em vós; mas nem mesmo assim dissipou sua tristeza. Ainda O buscavam, queriam Sua companhia. Para tranquilizá-los diz: Tampouco Eu vos deixarei desamparados, voltarei. Ele diz: Não temais; não disse que vos enviarei outro Defensor, porque Eu vou deixar-vos para sempre; nem disse: vive em vós, como se não tenha de voltar a vê-los. Na realidade, também Eu virei a vós. Não vos deixarei desamparados.”

Alegremo-nos, não caminhamos sozinhos e desamparados, o Senhor prometeu e cumpriu e nos enviou, junto do Pai, o Espírito Santo, o Paráclito, o Advogado, o Defensor.

Inúmeros são os desafios na ação evangelizadora, e como somos fortalecidos e animados, em saber que podemos contar com a presença e a ação do Espírito Santo que nos ilumina.

Concluímos com as palavras do Bispo São Cirilo (séc. V): 

 

“A Sua chegada é precedida por esplêndidos raios de luz e ciência. Ele vem com o amor entranhado de um irmão mais velho: Vem para salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar, iluminar a alma de quem O recebe, e, depois por meio desse, a alma dos outros.”

 

Alegremo-nos, de fato, pois não estamos órfãos. O Espírito por Jesus prometido nos foi enviado. Aleluia!

 

 

(1): Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 - p. 105-106.

 

A vinda do Paráclito: fiel amigo e companheiro (VIDTPA)

                                                               

A vinda do Paráclito: fiel amigo e companheiro

A Liturgia do 6º Domingo da Páscoa (Ano A) tem como mensagem a promessa de Deus que se cumpre sempre: a vinda do Paráclito, que é nosso Advogado e Defensor, o Espírito Santo.

Não estamos sozinhos na caminhada cristã. O Senhor nos acompanha, com a presença e a ação do Espírito Santo, nos possibilitando a atenção aos apelos da realidade na qual nos inserimos.

Na passagem do Evangelho (Jo 14,15-21), Jesus nos fala da Sua ida para o Pai e a vinda do Paráclito, o Espírito Santo que assistirá a caminhada da Igreja.

Jesus é o Caminho que nos leva ao Pai. Ele está ao nosso lado e nos promete a presença do Paráclito, o Defensor.

O Paráclito assegura a fidelidade e a dinâmica no caminhar de fé, superando todo temor, garantindo a serenidade necessária; acompanha-nos no testemunho de uma vida marcada pela doação, entrega e amor.

O Defensor é fiel amigo e companheiro que habita sempre com os discípulos – “habita convosco e está em vós” (Jo 14,17b). é o Espírito da Verdade que nos introduz no pleno conhecimento do Filho. É o Espírito que faz compreender a perene atualidade da revelação cristã, leva ao arrependimento de quem está afastado e também faz entrar na unidade do amor entre o pai e Jesus e nela introduz os discípulos, porque é ele que move todas as coisas boas na vida de quem crê e de toda a Igreja (1).

Não somente o Pai e o Filho querem habitar nos discípulos, mas também o Espírito Santo habitará neles para ensinar, recordar e iluminar. A ação do Espírito se manifesta de muitos modos.

Se bons ouvintes e praticantes da Palavra do Senhor formos, Ele, em nós, faz a Sua morada e nos tornamos hospedeiros do mais belo Hóspede, o Espírito Santo, e prisioneiros do mais belo Amor, Cristo Ressuscitado, em incondicional fidelidade a Deus Pai.

A morte de Jesus na Cruz, por Amor ao Pai e Amor à humanidade, leva a uma ausência que não é definitiva. A Ressurreição e o envio do Espírito são garantias de que Sua vida e missão não se constituíram em fracasso, mas na nossa vitória, na nossa redenção, trazendo-nos a paz que nasce da Cruz.

É preciso que a Igreja se coloque em constante atitude de acolhida ao Espírito para responder aos apelos e desafios deste mundo, iluminando a realidade com a Luz do Espírito Santo, que afasta todo e qualquer sentimento de orfandade, para que venhamos a dar os passos necessários na construção de um novo céu e uma nova terra, a Jerusalém Celeste.

Entretanto, somente nutridos pela Eucaristia, edificaremos a Igreja, como sinal e instrumento do Reino, procurando estabelecer e fortalecer relações de amor, perdão, doação, serviço e solidariedade.

Celebrar a Eucaristia é vislumbrar um pedaço do céu que se abre sobre a terra, em que os raios da glória da Jerusalém Celeste atravessam as nuvens da história e vêm iluminar nossos caminhos, como bem falou o Papa São João Paulo II.

Em cada Eucaristia, a Palavra de Deus ganha vitalidade e esplendor para nos revigorar.

Como discípulos missionários do Senhor, assistidos pelo Paráclito, renovemos no coração a chama do primeiro amor, ouvindo e guardando Sua Palavra, amando e sempre aprendendo amar.

Abertos ao Espírito Santo, atentos à Sua voz,
Acolhendo o Seu Sopro de vida, luz e força,
Renovemos nossa fidelidade ao Senhor Ressuscitado,
Para que multipliquemos e renovemos compromissos,
Já aqui na terra, de justiça, de fraternidade, de amor e de paz.

Esperando a vinda da Cidade Santa,
A Jerusalém Celeste, o novo céu e a nova terra,
A Face de Deus contemplemos, com os irmãos,
Em comunhão de amor e vida plena para sempre vivamos.

Não estamos sós.
A promessa do Paráclito o Senhor nos fez:
O Espírito Santo nos foi enviado!
Amém. Aleluia! 



(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – 2011 – p. 569

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