domingo, 31 de maio de 2026

O Mistério da Trindade na vida do Presbítero

                                                     

 

O Mistério da Trindade na vida do Presbítero
                             
Mistério, algo intransponível e inesgotável para a razão humana, e assim definiu Santo Agostinho: “Deus é um Mistério tão grande, que uma vez encontrado, ainda falta tudo para encontrá-Lo”.
 
Santíssima Trindade: assim como quanto mais profundo for o mergulho na imensidão das águas do mar, maior será a descoberta e o encantamento.
 
Do mesmo modo, o nosso mergulho nas delícias imensuráveis do Mistério da Trindade Santa, alcançaremos maior encantamento diante deste amor que nos envolve e dá sentido à nossa vida.
 
Também o ministério presbiteral encontrará sua realização numa profunda e intensa relação com a Trindade: Três Pessoas, um só Deus; comunhão profunda de amor, solidariedade, alegria e ternura.
 
Na Pessoa de Deus Pai, o presbítero descobre o mistério de um Deus que Se revela Misericordioso, Criador, ternura e bondade; que Se dá a conhecer nas relações de fraternidade e verdade.
 
Deus Pai nunca será um Deus distante, será mais íntimo a nós do que nós mesmos, de modo que, esta intimidade com Deus leva o presbítero a ser o homem da comunhão, do amor à vida, por tudo que foi criado, de modo especial contempla a presença de Deus em cada criatura criada por Deus a Sua imagem e semelhança.
 
Na Pessoa de Deus Filho, relaciona-se com Jesus Cristo: Verdadeiramente Homem, verdadeiramente Deus, e assim, possibilita que venha a viver Sua humanidade, redimida e acolhida no mistério de Seu amor por todos nós.
 
Quem bem definiu esta humanidade/divindade de Jesus foi o Bispo São Pedro Crisólogo (séc. V): 

“Talvez vos perturbe a enormidade de meus sofrimentos por vós. Não tenhais medo. Estes cravos não Me provocam dor, mas cravam mais profundamente em mim o amor por vós.
 
Estas Chagas não me fazem soltar gemidos, mas vos introduzem ainda mais intimamente em Meu coração. O meu corpo, ao ser estirado na Cruz, não aumenta o meu sofrimento, mas dilata espaços do coração para vos acolher. Meu Sangue não é uma perda para mim, mas é o preço do vosso resgate”.
 
Na Pessoa de Deus Espírito, tem a certeza de não estar só. No mistério de Deus Espírito, sente o coração plenificado pelo amor; a mente iluminada pela luz do Espírito, e em sua boca as próprias palavras que Ele prometeu colocar em nossa boca; além de empunhar a espada do Espírito.
 
Com o Espírito Santo, Deus Se faz presente em sua vida; o Evangelho uma letra viva; A Igreja espaço da comunhão.
 
A ação do Espírito é a demonstração do serviço incansável de dedicação ao povo que lhe foi confiado. Sua missão é revestida da grandeza confiada por Jesus.
 
As inúmeras Missas e Celebrações são sinais vivos e eficazes da presença terna de Deus, levando-o, e a toda a comunidade, à realização de ações incontáveis que revelam e testemunham a glória de Deus.
 
Concluindo, quanto mais o presbítero mergulhar no Amor Trinitário, mais feliz será seu ministério, possibilitando ao rebanho descobrir e participar desta mesma alegria.
 
 
PS: O leitor (a) poderá reler o texto trocando a palavra “Presbítero” por “Cristão”, pois esta reflexão se aplica a todos os batizados. 
 

Em poucas palavras... (Santíssima Trindade)

                                              


Santíssima Trindade: Amante, Amado e Amor

“Com efeito, são Três: o Amante, o Amado, o Amor.” (1)

“E não mais que Três: um que ama aquele que procede dele, um que ama aquele do qual procede, e o amor mesmo.” (2)

 

(1)De Trinitate – Santo Agostinho – citado em Teologia da Ternura – m “evangelho” a descobrir - Carlo Rochetta - Editora Paulus – p. 318

 

Venha sobre nós o Espírito Santo

                                                     


Venha sobre nós o Espírito Santo

Vivendo o itinerário Pascal, nos preparando para a Celebração da Festa de Pentecostes, a descida do Espírito Santo sobre a Sua Igreja, elevemos esta Oração suplicando ao Senhor Jesus Cristo, para que o Pai nos envie o Espírito Santo, o Advogado, o Paráclito, nosso Defensor, sobretudo para que a Ele, “Caminho, Verdade e Vida”, sejamos fiéis, e venha socorro às nossas inquietações e perturbações, sobretudo nestes dias tão difíceis que estamos vivendo,

“Senhor Jesus Cristo,
enviai também sobre nós o Espírito Santo,
Que nos dá o conhecer e o querer,
e concedei-nos cooperar, 
em quanto nos for possível,
com tudo o que depende de nós.

Enviai-nos o Paráclito, o Consolador,
por meio do qual podemos reconhecer-Vos e amar-Vos,
De modo a sermos dignos de chegar a Vós,
Que sois bendito pelos séculos dos séculos. Amém”.(1)

Pai Nosso que estais nos céus...

(1)  Oração ao Espírito Santo atribuída a Santo Antônio de Lisboa

Súplica Trinitária: Fortalecidos pela Santíssima Trindade (Santíssima Trindade)

                                                       


Súplica Trinitária: Fortalecidos pela Santíssima Trindade

 

Ao amanhecer, o sol adentra pela janela,

Rezo ao Pai, pelo Filho, no Espírito,

Por você e por mim,

Para que tenhamos um abençoado dia.

 

Quando a luz dos olhos vai perdendo o brilho,

Rezo ao Pai, pelo Filho, no Espírito,

E a Trindade do Amor renova meu olhar,

Para a luz divina, incansável, irradiar.

 

Quando as palavras me faltam para consolar,

Rezo ao Pai, pelo Filho, no Espírito,

É-me concedida a Sabedoria que nos acompanha,

E pela Palavra divina, feridas do outro cicatrizadas.

 

Naquele dia que recebi triste notícia,

Rezei ao Pai, pelo Filho, no Espírito,

Para que jamais me entregasse,

Com a força da Trindade, revigorado.

 

Quando as provações se fazem presentes,

Rezo ao Pai, pelo Filho, no Espírito,

Para que fortaleça a semente da fé,

Desabrochando em flores de superação.

 

Quando os objetivos parecem inatingíveis,

Rezo ao Pai, pelo Filho, no Espírito,

Para que renove meu olhar de confiança,

E faça mais viva a chama da esperança.

 

Quando a chama do amor parecer querer se apagar,

Rezo ao Pai, pelo Filho, no Espírito,

Que não permita que tal fato aconteça,

Que a chama do amor seja renovada, forte a crepitar.

Amém.

“As duas mãos do Pai” (Santíssima Trindade)

                                                              

“As duas mãos do Pai”

Inesgotável a reflexão sobre o Mistério da Santíssima Trindade, que consiste no Mistério de um só Deus e três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.

Conhecemos as Pessoas divinas naquilo que as distingue pessoalmente, mediante missões específicas: Deus Pai enviou, juntamente, o Filho e o Espírito Santo, na história (cf. Jo 3, 16-17 e 14-26), para que Se fizessem presentes na humanidade.

Na Cruz, o Filho, Jesus Cristo, manifesta ao homem e mulher de todos os tempos o eterno dom que Deus faz de Si mesmo, revelando em Sua morte a íntima dinâmica de Seu Amor que une as três Pessoas, inseparáveis.

Santo Irineu (séc. II) afirmou que o Filho e o Espírito são como as duas mãos do Pai que abraçam os homens e mulheres de todos os tempos, para levá-los ao seio do Pai.

Crer no Mistério da Santíssima Trindade é empenho constante de viver inseridos nesta comunhão trinitária de amor, e, na fidelidade à primeira mão, ter de Jesus mesmos pensamentos e sentimentos, como discípulos missionários d’Ele, mas conduzidos e assistidos pela segunda mão do Pai, o Espírito Santo, que em nós fez morada no dia do nosso Batismo, e por Ele, somos cumulados dos sete dons, no Sacramento da Confirmação (sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, temor e piedade).

O Pai, o Filho e o Espírito são eternas mãos que se inter-relacionam em uma comunhão intensa e fecunda de diálogo, ternura, comunhão. Cabe a nós colocarmos nas mãos do Pai, em total fidelidade, todo o nosso ser, a nossa história.

Roguemos para que estas divinas mãos nos acompanhem, com o Ressuscitado caminhando conosco, e nas asas do Espírito que em nós habita, fazer voos na busca das coisas do alto, para que testemunhemos a fé, com coragem e ardor, e alegres partícipes na construção do Reino de Deus sempre sejamos. 

Glorifiquemos a Trindade Santa (Santíssima Trindade)

                                                                

Glorifiquemos a Trindade Santa

Nós Vos glorificamos, ó Deus, porque sois nosso Criador e a quem pertence a Salvação.

Nós Vos glorificamos, ó Cordeiro Imolado, Vós que estais sentado glorioso no Trono à direita de Deus.

Nós Vos glorificamos, ó Espírito de Deus, fogo de amor e ternura, fogo abrasador, que nos aquece e nos ilumina.

Nós Vos glorificamos, ó Trindade Santa, a quem pertence o louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força para sempre. 

“Demos glória ao Deus Pai Onipotente e a Seu Filho, Jesus Cristo, Senhor nosso, e ao Espírito que habita em nosso peito, pelos séculos dos séculos. Amém.”


PS: Fonte inspiradora ( Ap 7,10b-12 )

Santíssima Trindade: Mistério de Amor e Comunhão (Santíssima Trindade Ano A)

                                                      

Santíssima Trindade: Mistério de Amor e Comunhão (Ano A)

Ao celebrar a Solenidade da Santíssima Trindade, contemplamos a ação de Deus Uno e Trino que é amor, família, comunidade e nos convida a participar deste Mistério pleno de amor. Trata-se, portanto, de uma impressionante e incomparável história de amor.

Na passagem da primeira Leitura (Ex 34,4b-6.8-9), Deus se manifesta a Moisés estabelecendo uma Aliança, revelando Sua verdadeira face, com desproporcional misericórdia, que é infinita, ilimitada: Deus Se revela cheio de amor, bondade, ternura e de fidelidade incondicional, clemente, compassivo, lento para a ira e rico em misericórdia.

Espera que o Povo que lhe pertence, corresponda com escuta atenta, comunhão e intimidade através da oração, da escuta de Sua Palavra, tão somente assim, ouvindo Sua voz, teremos a vida pautada pelos Seus valores, e poderemos vencer os desafios. É preciso, cotidianamente, subir ao Monte da Aliança para fortalecer esta comunhão.

Reflitamos:

- Experimentamos a presença do Deus de amor, bondade, ternura, misericórdia, fidelidade e comunhão em nossa vida de fé?
- De que modo vivemos esta Aliança de amor com Deus?

Na passagem da segunda Leitura (2 Cor 13,11-13), o Apóstolo Paulo nos apresenta Deus que é comunhão, família, envolvendo-nos nesta dinâmica de amor, o que aparece claramente em suas palavras, que se tornaram uma das fórmulas litúrgicas de saudação, no início da Missa: “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”.

Diante das dificuldades, tensões e conflitos vividos, o Apóstolo pede para que os membros da comunidade sejam alegres e não desistam na busca da perfeição, fortalecendo os vínculos fraternos, com mesmos sentimentos, vivendo em harmonia, uma vez que pertencem à família Trinitária.

Devido a esta pertença, o relacionamento dos membros deverá refletir o amor, a ternura, a misericórdia, a bondade, o perdão e  o serviço.

Reflitamos:

- Sentimo-nos como membros da comunidade pertencentes à família Trinitária?
- Somos e vivemos como família de Deus?
- Os relacionamentos de nossa comunidade refletem o que acima foi mencionado?
- De que modo acolhemos e vivemos a saudação acima citada (graça, amor e comunhão)?

Na passagem do Evangelho (Jo 3,16-18), contemplamos o amor de Deus por nós, enviando Seu filho único ao mundo, que em pleno cumprimento do Plano do Pai, fez de Sua vida total doação, até a morte, e morte de Cruz, a fim de que tenhamos vida plena e definitiva. Verdadeiramente uma história de amor que revela a imensidão do coração de Deus, que tanto nos ama.

O Evangelista é abismado na contemplação do amor de um Deus que não hesitou em enviar ao mundo o Seu Filho Único, a fim de oferecer à humanidade a salvação, vida plena e definitiva.

A passagem está contida na conversa de Jesus com Nicodemos apresentada em três etapas ou fases, tratando-se da terceira, na qual Jesus descreve o Projeto de salvação divina, que Ele realiza por Sua morte na Cruz, e com Sua exultação:

“Esse Homem que vai ser levantado na Cruz, veio ao mundo, encarnou-Se na nossa história humana, correu o risco de assumir a nossa fragilidade, partilhou a nossa humanidade; e, como consequência de uma vida gasta a lutar contra as forças das trevas e da morte que escravizam os homens, foi preso, torturado e morto numa Cruz. A Cruz é o último ato de uma vida vivida no amor, na doação, na entrega” (1).

De fato, a Cruz é “a expressão suprema do amor de Deus pelos homens” (2). A vinda do Filho único ao encontro dos homens é o cumprimento de dois objetivos:

- Libertar a humanidade da escravidão, da alienação, da morte. A morte de Jesus na cruz revela que a vida definitiva, encontramos na obediência aos planos do Pai e no dom total da própria vida;

- Veio porque o Pai nos ama e quer a nossa salvação: veio oferecer vida definitiva, ensinando-nos a amar sem medida, e comunicando-nos o Espírito, que nos transforma em novas criaturas.

Deste modo temos responsabilidade pela vida definitiva ou pela morte eterna, pois podemos aceitar a proposta de Jesus, com adesão a Ele e recebendo Seu Espírito, vivendo no amor e na doação; ou ficarmos escravos de esquemas de egoísmo e autossuficiência, que excluem a possibilidade de salvação.

Em resumo, Deus enviou o Seu Filho único ao mundo, porque ama a humanidade, e esta oferta nunca é retirada, e continua aberta e à espera de nossa resposta:

“Diante da oferta de Deus, o homem pode escolher a vida eterna, ou pode excluir-se da salvação” (3).

Reflitamos:

- Nossa comunidade dá testemunho do amor Trinitário?
- Como acolho a Proposta de Deus?
- Como nossas famílias vivem o amor Trinitário?

Finalizemos com esta afirmação de Santo Agostinho: “Deus é tão inexaurível que quando encontrado ainda falta tudo para encontrá-Lo”.

De fato, todo aprofundamento da ideia de Deus equivale a um novo nascimento, porque o Mistério de Deus não é um Mistério de solidão, mas de convivência, criatividade, conhecimento, amor, doação e recebimento, e por isto, somos o que somos, como vemos no Missal Dominical:

“Quem quer viver com Deus não se encontra diante de uma conclusão, mas sempre diante de um início novo como cada dia”.


Em poucas palavras... (Santíssima Trindade)

 


Nossa fé na Trindade

“Os cristãos são batizados «em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28, 19). Antes disso, eles respondem «Creio» à tríplice pergunta com que são interpelados a confessar a sua fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo: «Fides omnium christianorum in Trinitate consistit – A fé de todos os cristãos assenta na Trindade») (São Cesário de Arles).” (1)

 

(1)  Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 233

 


Em poucas palavras... (Santíssima Trindade)

                               


“Santíssima Trindade: mistério central da fé e da vida cristã”

“O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério de Deus em si mesmo. E, portanto, a fonte de todos os outros mistérios da fé e a luz que os ilumina.

É o ensinamento mais fundamental e essencial na «hierarquia das verdades da fé» . «Toda a história da salvação não é senão a história do caminho e dos meios pelos quais o Deus verdadeiro e único, Pai, Filho e Espírito Santo, Se revela, reconcilia consigo e Se une aos homens que se afastam do pecado»”  (1)

 

 

(1)Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n. 234

 

Sinais do Amor Trinitário (Santíssima Trindade)

                                                            

Sinais do Amor Trinitário

Como discípulos missionários do Senhor, elevemos esta Oração, renovando a graça de sermos Igreja e a ela pertencermos, para que, na vivência do Novo Mandamento do Amor que Ele nos deu, possamos produzir os frutos esperados, à luz da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 11,11-26), mergulhando no intenso movimento de amor da Santíssima Trindade.

Oremos:

Senhor, afastai de nós tudo que seja contrário aos Vossos ensinamentos proclamados no Sermão da Montanha, na Oração do Pai Nosso, e em outros momentos memoráveis, que nos fazem iluminados e iluminantes, comunicadores de Vossa Divina Luz, num mundo tão marcado por sombras e escuridão, como expressão do pecado e morte, que teimosamente insistem em sobreviver.

Senhor, livrai-nos da tentação de fazer da Vossa Igreja lugar de posturas e práticas que têm por finalidade, tão somente, a promoção pessoal, o lucro, a competição e a concorrência entre as pessoas, a busca do prestígio, da fama; pouco importando se fazemos multiplicar sentimentos que não estão em sintonia com o Vosso Evangelho, como ciúmes, rancor, raiva, ira, inveja...

Senhor, que a Vossa Igreja, por Vós edificada, seja para nós um local privilegiado para o encontro pessoal com o Vosso Pai, envolvidos pelo Vosso Espírito Santo de Amor, de modo que possamos fazer progressos na fé, sempre revigorados na esperança e reavivados na prática da caridade, vivendo maior comunhão e verdadeiro amor fraterno, correspondendo, de maneira sublime, ao Projeto do Reino por Vós inaugurado. Amém!

Em poucas palavras... (Santíssima Trindade)

  


Sobre o Mistério da Santíssima Trindade 

“Dou-vos uma só Divindade e Poder, que existe Uma nos Três, e que contém os Três de maneira distinta. Divindade sem diferença de substância ou de natureza, sem grau superior que eleve ou grau inferior que rebaixe... 

A infinita conaturalidade é de três infinitos. Cada um considerado em Si mesmo é Deus todo inteiro... 

Deus os Três considerados juntos. Nem comecei a pensar na Unidade, e a Trindade me banha em Seu esplendor. Nem comecei a pensar na Trindade, e a unidade toma conta de mim”” (1) 

 

(1)São Gregório Nazianzeno, (séc. IV), sobre o Mistério da Santíssima Trindade.

 

 

Oração à Santíssima Trindade – Papa São João Paulo II (Santíssima Trindade)

                                                    



Oração à Santíssima Trindade – Papa São João Paulo II

Preparando-nos para a celebração da Solenidade da Santíssima Trindade, rezemos esta oração do Papa São João Paulo II, e ao rezarmos, como no mais maravilhoso mergulho, sejamos inseridos no Mistério de Amor da Trindade, contemplando, em silêncio fecundo, a ação de um Deus que Se revela na plena comunhão de três Pessoas, a quem damos toda a honra, glória, poder e louvor.

"Bendito sejais, ó Pai,
porque, no Vosso amor infinito,
nos destes o Vosso Filho Unigênito,
que encarnou por obra do Espírito Santo
no seio puríssimo da Virgem Maria
e nasceu em Belém há dois mil anos.

Ele fez-Se nosso companheiro de viagem
e deu novo significado à História,
que é um caminho a percorrer unidos
na aflição e no sofrimento,
na fidelidade e no amor,
rumo àqueles novos céus e nova terra
onde, vencida a morte, Vós sereis tudo em todos.

Louvor e glória a Vós, Trindade Santíssima,
único Deus altíssimo!

Pela Vossa graça, ó Pai, que o Ano Jubilar
seja tempo de conversão profunda
e feliz regresso a Vós;
seja tempo de reconciliação entre os homens
e progressiva concórdia entre as nações;
tempo em que as lanças se transformem em foices
e o fragor das armas dê lugar ao cântico da paz.

Fazei-nos, ó Pai, viver o Ano Jubilar
dóceis à voz do Espírito,
fiéis no seguimento de Cristo,
assíduos na escuta da Palavra
e na frequência das fontes da graça.

Louvor e glória a Vós, Trindade Santíssima,
único Deus altíssimo!

Sustentai, ó Pai, com a força do Espírito
o empenho da Igreja em prol da nova evangelização
e guiai os nossos passos pelas sendas do mundo,
para anunciarmos Cristo com a vida
orientando a nossa peregrinação terrena
para a Cidade da luz.

Resplandeçam os discípulos de Jesus pelo Seu amor
para com os pobres e os oprimidos;
sejam solidários com os necessitados
e magnânimos nas obras de misericórdia;
sejam indulgentes com os irmãos
para poderem eles próprios
obter de Vós indulgência e perdão.

Louvor e glória a Vós, Trindade Santíssima,
único Deus altíssimo!

Concedei, ó Pai, que os discípulos do Vosso Filho,
purificada a memória
e reconhecidas as próprias culpas,
sejam todos um só, para que o mundo creia.
Cresça o diálogo
entre os seguidores das grandes religiões,
e todos os homens descubram
a alegria de serem Vossos filhos.

À voz suplicante de Maria, Mãe dos povos,
unam-se as vozes em oração
dos apóstolos e dos mártires cristãos,
dos justos de todos os tempos e povos,
a fim de que o Ano Santo seja
para os indivíduos e para a Igreja
motivo de renovada esperança e de júbilo no Espírito.

Louvor e glória a Vós, Trindade Santíssima,
único Deus altíssimo!

A Vós, Pai onipotente,
origem do mundo e do homem,
por Jesus Cristo, o Vivente,
Senhor do tempo e da História,
no Espírito que santifica o universo,
louvor, honra e glória,
hoje e pelos séculos sem fim. Amem!"



(1) Oração de sua santidade João Paulo II pelo bom êxito da celebração do grande jubileu do ano 2000.

Santíssima Trindade: amados e recriados por Seu Amor (Santíssima Trindade)

Santíssima Trindade: amados e recriados por Seu Amor

Contemplemos o Pai Criador, e Vossa atividade vivificadora, fonte divina de vida.
Contemplemos Jesus Cristo, o Filho Redentor, caminho que nos conduz ao Pai.
Contemplemos o Espírito Santo, que nos santifica pelo amor derramado.

Adoremos a Trindade Una e Santa, que acolhe e envolve toda a humanidade,
Em Sua indizível e profunda entranha de misericórdia por todos nós:
Misericórdia por nós pecadores, amor por Seus amigos, caridade com os pobres.

Glorificamos a Trindade Santa, que nos coloca no centro de Sua criação,
Para conosco Se relacionar em aliança indissolúvel de amor, selada na Cruz,
Pelo sangue e água do Sagrado Coração trespassado, por nós derramados.

Agradecemos a Santíssima Trindade por voltar o olhar de amor para nós,
Vindo ao encontro de nossa fragilidade e miséria; caídos, por vezes sem força,
Resgatando-nos, reconciliando-nos, colocando-nos de pé, sempre a caminho.

Voltemos nosso olhar para a Santíssima Trindade, mistério imensurável de amor,
Que nos coloca como criaturas na centralidade de Seu projeto de amor,
Para que também coloquemos Deus na centralidade de nosso agir e história.

Fixemos nosso olhar na Trindade, Una e Santa,
Que nos envolve e nos coloca em Suas mãos, com a divina proteção.
Restaura e acolhe nossa humanidade decaída, pela fraqueza e pecado.

Contemplemos e adoremos as três Pessoas da Trindade,
Trindade misericordiosa, que nos envolve plenamente,
Voltando para nós toda a atenção, todo amor e cuidado.

Adoremos o Pai, carinhosamente inclinado, com joelho em terra,
Esforço notável para nos levantar, com sentimentos acompanhados
de ternura e bondade,  beijando os feridos nos caminhos da vida.

A bela Imagem do pai amoroso que, na parábola da misericórdia,
espera o filho, e  ao vê-lo voltar, corre ao seu encontro,
Ainda que roto e sujo, cobre-o de beijos, devolvendo-lhe a dignidade.

Adoremos o Filho, ajoelhado e profundamente inclinado,
Que assumiu a condição humana, fazendo-Se semelhante a nós,
Exceto no pecado, para destruí-lo para sempre, humanidade renovada.

É Jesus Cristo, o Filho amado do Pai que, com palavras e obras,
Nos tomou pela mão, curando nossas tantas feridas da alma e do corpo,
Lavando e beijando nossos pés, em atitude de servo humilde e obediente.

Adoremos o Espírito Santo, como pomba ou chamas que vêm do alto,
Que se aproxima do ferido, comunicando um Sopro de amor e de vida,
Sopro que redime, restaura, cura, liberta e reconduz para um novo caminho.

Chama que nos remete à Pentecostes, que acontece todos os dias,
A chama do amor divino que nos aquece e nos ilumina,
Os Sete Dons nos comunica, e cheios do Espírito, do Pai e Filho, testemunhas.

Renovemos, portanto, nosso amor pela Santíssima Trindade.
Coloquemo-nos a caminho da construção da comunhão de amor e vida,
Recriando e reforçando entre nós laços de fraternidade fortalecidos.

Envolvidos e acolhidos pelo Mistério de amor da Trindade Santa,
Nossos olhares se abrem para novos e sagrados compromissos;
Nutridos pelo Pão da Palavra e Eucaristia, caridade e missão vividas dia a dia.

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG