terça-feira, 31 de março de 2026

Rezando com os Salmos - Sl 142(143),1-11

 


Jamais percamos a confiança e esperança no Senhor


“–1 Ó Senhor, escutai minha prece,
ó meu Deus, atendei minha súplica!
– Respondei-me, ó Vós, Deus fiel,
escutai-me por Vossa justiça!

=2 Não chameis Vosso servo a juízo,
pois diante da Vossa presença
não é justo nenhum dos viventes.

–3 O inimigo persegue a minha alma,
ele esmaga no chão minha vida
– e me faz habitante das trevas,
como aqueles que há muito morreram.
–4 Já em mim o alento se extingue,
o coração se comprime em meu peito!

=5 Eu me lembro dos dias de outrora
e repasso as Vossas ações,
recordando os Vossos prodígios.
=6 Para Vós minhas mãos eu estendo;
minha alma tem sede de Vós,
como a terra sedenta e sem água.

–7 Escutai-me depressa, Senhor,
o espírito em mim desfalece!
= Não escondais Vossa face de mim!
Se o fizerdes, já posso contar-me
entre aqueles que descem à cova!

–8 Fazei-me cedo sentir Vosso amor,
porque em Vós coloquei a esperança!
– Indicai-me o caminho a seguir,
pois a Vós eu elevo a minha alma!
–9 Libertai-me dos meus inimigos,
porque sois meu refúgio, Senhor!

–10 Vossa vontade ensinai-me a cumprir,
porque sois o meu Deus e Senhor!
– Vosso Espírito bom me dirija
e me guie por terra bem plana!

–11 Por Vosso nome e por Vosso amor
conservai, renovai minha vida!
– Pela Vossa justiça e clemência,
arrancai a minha alma da angústia!”

O Salmo 142(143),1-11 é uma prece na aflição:

“Diante de Deus que tanto fez por seu povo, o salmista invoca a misericórdia divina, pois sente-se culpado. Espera o auxílio divino para conseguir uma vida renovada.” (1)

O Apóstolo Paulo afirma que ninguém é justificado por observar a Lei de Moisés, mas por crer em Jesus Cristo (Gl 2,16).

Em todos os momentos, de modo especial nas aflições, renovemos nossa confiança e esperança no Senhor, pois a esperança jamais nos decepciona, porque o Amor de Deus foi derramado em nossos corações (cf. Rm 5,5).

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p 849

Rezando com os Salmos - Sl 70 (71)

                                              


Vós sois minha esperança, ó Senhor

“–1 Eu procuro meu refúgio em Vós, Senhor:
que eu não seja envergonhado para sempre!
–2 Porque sois justo, defendei-me e libertai-me!
Escutai a minha voz, vinde salvar-me!

–3 Sede uma rocha protetora para mim,
um abrigo bem seguro que me salve!
– Porque sois a minha força e meu amparo,
o meu refúgio, proteção e segurança!

–4 Libertai-me, ó meu Deus, das mãos do ímpio,
das garras do opressor e do malvado!
–5 Porque sois, ó Senhor Deus, minha esperança,
em Vós confio desde a minha juventude!

=6 Sois meu apoio desde antes que eu nascesse,
desde o seio maternal, o meu amparo:
para Vós o meu louvor eternamente!

–7 Muita gente considera-me um prodígio,
mas sois Vós o meu auxílio poderoso!
–8 Vosso louvor é transbordante de meus lábios,
cantam eles Vossa glória o dia inteiro.

–9 Não me deixeis quando chegar minha velhice,
não me falteis quando faltarem minhas forças!
–10 Porque falam contra mim os inimigos,
fazem planos os que tramam minha morte
–11 e dizem: 'Deus o abandonou, vamos matá-lo;
agarrai-o, pois não há quem o defenda!'

–12 Não fiqueis longe de mim, ó Senhor Deus!
Apressai-Vos, ó meu Deus, em socorrer-me!
–13 Que sejam humilhados e pereçam
os que procuram destruir a minha vida!
– Sejam cobertos de infâmia e de vergonha
os que desejam a desgraça para mim!
–14 Eu, porém, sempre em Vós confiarei,
sempre mais aumentarei Vosso louvor!
–15 Minha boca anunciará todos os dias
Vossa justiça e Vossas graças incontáveis.
–16 Cantarei Vossos portentos, ó Senhor,
lembrarei Vossa justiça sem igual!

–17 Vós me ensinastes desde a minha juventude,
e até hoje canto as Vossas maravilhas.
–18 E na velhice, com os meus cabelos brancos,
eu Vos suplico, ó Senhor, não me deixeis!

–19 Ó meu Deus, Vossa justiça e Vossa força
são tão grandes, vão além dos altos céus!
– Vós fizestes realmente maravilhas.
Quem, Senhor, pode convosco comparar-se?

=20 Vós permitistes que eu sofresse grandes males,
mas vireis restituir a minha vida
e tirar-me dos abismos mais profundos.
–21 Confortareis a minha idade avançada,
e de novo me havereis de consolar.

–22 Então, Vos cantarei ao som da harpa,
celebrando Vosso amor sempre fiel;
– para louvar-Vos tocarei a minha cítara,
glorificando-Vos, ó Santo de Israel! –

–23 A alegria cantará sobre meus lábios,
e a minha alma libertada exultará!
–24 Igualmente a minha língua todo o dia,
cantando, exaltará Vossa justiça!
– Pois ficaram confundidos e humilhados
todos aqueles que tramavam contra mim.”

O Salmo 70(71) é uma súplica ao Senhor, no qual se deposita toda a confiança desde a juventude, e descreve as maravilhas realizadas por Ele:

“O salmista afirma que sua vida foi um louvor contínua a Deus. Agora, velho e é perseguido, não sente abalada sua confiança em Deus, cujo poder e justiça deseja cantar à geração seguinte.” (1)

O Apóstolo Paulo, na Carta aos Romanos, exorta que sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação e perseverantes na oração (Rm 12,12).

Concluo com as palavras de Santo Agostinho:

Ó Senhor! Sem ti, nada; contigo, tudo [...].
Sem nós, Ele pode muito ou, melhor, tudo;
nós sem Ele, nada”.

 

 

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p.784

Semana Santa: Contemplemos e imitemos o Servo sofredor

                                                    

Semana Santa: Contemplemos e imitemos o Servo sofredor

Na primeira Leitura da terça-feira da Semana Santa, ouvimos a passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 49,1-6).

Trata-se de uma parte do segundo canto do Servo sofredor de Javé, em que retrata o final do exílio e, à luz da Palavra, pode-se afirmar que a missão profética brota e se sustenta do próprio Deus. Sendo eleito vive da Palavra e para a Palavra de Deus.

O Profeta Isaías anuncia a ação divina, que fará do Servo Sofredor a luz das nações, para que seja a Salvação de Deus oferecida a toda a humanidade. 

A vocação do profeta é vivida como dom de Deus, pois é Ele quem toma a iniciativa, portanto, ele conta o derramamento de graça, bondade, amor divinos.

Vive uma especial relação de amizade e intimidade com Deus, tornando visível Sua ação salvadora, que fará nascer uma luz que iluminará todos os povos.

A Tradição cristã viu sempre nesta página o anúncio profético do Messias, que veio ao mundo como luz e Salvação para a Humanidade: Jesus Cristo.

Reflitamos:

- Como vivo a vocação profética que recebi no dia do meu Batismo?
- Qual tem sido a intimidade/amizade que vivo com Deus, para Sua Palavra com credibilidade anunciar?

- Como sinto a presença e a força de Deus no viver da vocação profética que me confiou?
- O que sou capaz de suportar para viver esta vocação?

Urge acolher, nas entranhas de nosso coração, o Amor de Deus e viver com ardor a vocação profética, reavivando a chama do Batismo que um dia foi acesa, e que jamais se apagando nos levará à plenitude da luz divina: Céu.

Fixemos nosso olhar na Cruz de Nosso Senhor (Semana Santa)

                                                         

Fixemos nosso olhar na Cruz de Nosso Senhor

Celebremos a Semana Santa, a semana do indizível e imenso amor de Deus por nós, e o poder radiante da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, como rezamos no Prefácio da Missa da Paixão do Senhor (I):

“Pois, pela paixão salvadora do vosso Filho, o mundo inteiro recebeu a missão de proclamar a vossa glória.

A força radiante da cruz, manifesta o julgamento do mundo e o poder de Jesus Crucificado.”(1)

Fixemos nossos olhos no Senhor, que é sempre uma graça que eleva nossos pensamentos e revigora nossas forças, e meditemos as palavras do Apóstolo Paulo aos Coríntios:

“Deus escolheu o que o mundo considera como fraco, para assim confundir o que é forte; Deus escolheu o que para o mundo é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante, para que ninguém possa gloriar-se diante dele. É graças a Ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual Se tornou para nós, da parte de Deus: sabedoria, justiça, santificação e libertação,” 
(1Cor 1,27b-30).

Oportunas as palavras do Papa São Leão Magno (séc V):

“Através d’Ele (Jesus Cristo morto na Cruz) é dado aos crentes a força na fraqueza, a glória na humilhação, a vida na morte”.

Olhos fixos no Senhor e vemos que em Sua “fraqueza”, deixou-se atraiçoar e crucificar, revelando e confiando no Seu amor oblativo e o amor do Pai que não O abandonará, mas O Ressuscitará.

Olhos fixos no Senhor, para ficar com Ele até o fim, no indizível amor que testemunha em nosso favor, ainda que imerecidamente.

Mantenhamos os olhos da alma fixos no Senhor e o coração em plena sintonia com o Seu Sagrado Coração trespassado e dilatado para que nele coubéssemos, como tão bem expressou São Pedro Crisólogo (séc V), na contemplação  da humanidade/divindade de Jesus:

“Talvez vos perturbe a enormidade de meus sofrimentos por vós. Não tenhais medo. Estes cravos não Me provocam dor, mas cravam mais profundamente em mim o amor por vós.

Estas Chagas não Me fazem soltar gemidos, mas vos introduzem ainda mais intimamente em Meu coração. O Meu corpo, ao ser estirado na Cruz, não aumenta o Meu sofrimento, mas dilata espaços do coração para vos acolher. Meu Sangue não é uma perda para mim, mas é o preço do vosso resgate”.

No silêncio e no recolhimento permaneçamos. Com os olhos e o coração fixos no Senhor, pois quem nos amou tanto assim?

Concluo com as palavras do Papa Francisco que assim falou:

“Há tanto barulho no mundo. Aprendamos a estar em silêncio dentro de nós mesmos e diante de Deus”.

(1) Missal Romano - Edição antiga

Olhos fixos no Senhor (Semana Santa)

                                                             

Olhos fixos no Senhor

Olhos fixos no Senhor, é sempre uma graça que eleva nossos pensamentos e revigora nossas forças.

Olhos fixos no Senhor, meditando as palavras do Apóstolo Paulo aos Coríntios (cf. 1Cor 1,27b-30):

“Deus escolheu o que o mundo considera como fraco, para assim confundir o que é forte; Deus escolheu o que para o mundo é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante, para que ninguém possa gloriar-se diante dele. É graças a ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual se tornou para nós, da parte de Deus: sabedoria, justiça, santificação e libertação”. 

Mais uma vez lembramos as palavras do Papa São Leão Magno (séc V):

“Através d’Ele (Jesus Cristo morto na Cruz) é dado aos crentes a força na fraqueza, a glória na humilhação, a vida na morte”.

Olhos fixos no Senhor e vemos que em Sua “fraqueza”, deixou-se atraiçoar e crucificar, revelando e confiando no Seu amor oblativo e o amor do Pai que não O abandonará, mas O Ressuscitará.

Olhos fixos no Senhor, para ficar com Ele até o fim, no indizível amor que testemunha em nosso favor, ainda que imerecidamente.

Mantenhamos os olhos da alma fixos no Senhor e o coração em plena sintonia com o Seu Sagrado Coração trespassado e dilatado para que nele coubéssemos, como tão bem expressou São Pedro Crisólogo (séc. V), na contemplação  da humanidade/divindade de Jesus:

“Talvez vos perturbe a enormidade de Meus sofrimentos por vós. Não tenhais medo. Estes cravos não Me provocam dor, mas cravam mais profundamente em Mim o amor por vós.

Estas Chagas não Me fazem soltar gemidos, mas vos introduzem ainda mais intimamente em Meu coração. O Meu corpo, ao ser estirado na Cruz, não aumenta o Meu sofrimento, mas dilata espaços do coração para vos acolher. Meu Sangue não é uma perda para Mim, mas é o preço do vosso resgate”.

No silêncio e no recolhimento permaneçamos com os olhos e o coração fixos no Senhor, pois quem nos amou tanto assim?

A serpente e a Cruz de Nosso Senhor! (14/04)

                                                                  

A serpente e a Cruz de Nosso Senhor!
 
 "Como Moisés ergueu na haste a serpente no deserto,
o Filho do Homem há de ser levantado numa cruz;
e, assim, quem nele crer, não pereça para sempre,
mas possua a vida eterna." (1)

Como fazer a relação entre estes versículos, perguntou uma assídua leitora:
 
“A serpente que foi uma maldição para o povo, foi depois levantada ao alto e todos que a olhavam eram libertos (cf. Nm 21,8).
 
A cruz  que era sinal de vergonha quando Cristo, nela, foi elevado tornou-se,  por Sua morte e Ressurreição, sinal de libertação (cf. Jo 3,14-15).
Procurei a resposta diante de um crucifixo e diante da Palavra Divina, inspirando-me na passagem do Evangelho de São João ( Jo 3,16):
 
“Pois Deus amou tanto o mundo que deu o Seu Filho Unigênito, para que não morra todo o que n'Ele crer, mas tenha a vida eterna”.
 
Outra passagem é a Carta de São Paulo aos Gálatas (Gl 6,14):
 
“Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do qual o mundo foi crucificado para mim e eu para o mundo.” 
 
Contemplando a imagem da serpente e da Cruz de Nosso Senhor refletimos sobre seu simbolismo e significado na vida do Povo de Deus.
 
O que era sinal de morte tornou-se fonte de cura, libertação: a serpente. O que era ignomínia, escândalo, terror... Deus, por amor sem limite, aceitando nela ser morto, tornou-se para a humanidade fonte de Salvação: CRUZ.
 
Somente Deus tem poder, pelo amor sem medida, de transformar aquilo que é sinal de morte em sinal de vida. 
A serpente levantada, o Filho levantado: que amor incrível, que incrível AMOR!
 
É próprio do amor transformar sinais de morte em sinais de vida, assim como é próprio do amor autêntico amar até o fim, até o extremo, até as últimas consequências.
Deus nos amou no deserto, no Calvário, e em todo lugar, pois Deus nos amou, ama e nos amará sempre porque o amor é ETERNO. 
 
Coloquemo-nos diante do Senhor, evidentemente, não da cruz palpável e visível, mas naquela em que acreditamos, em que por amor, Ele morreu em favor de nós, simplesmente por amor, para nossa redenção, sinal de fidelidade, de um amor que ama até o fim. 
 
Abramo-nos às “Delícias do Espírito”, que acontece sempre que nos colocamos a refletir a Sagrada Escritura, e mergulhamos neste mar imenso de sabedoria e luminosidade.
 
(1) Antífona da Liturgia das Horas – Semana Santa
PS: Apropriado para reflexão da passagem do Evangelho de São João (Jo 3,7b-15)
 


Imitar Jesus na vida e na morte sempre!

                                                           

Imitar Jesus na vida e na morte sempre!

Sejamos iluminados pelo texto “Do Livro sobre o Espírito Santo”, de São Basílio Magno, Bispo (Séc. IV).

"O desígnio de nosso Deus e Salvador em relação ao homem consiste em levantá-lo de sua queda e fazê-lo voltar, do estado de inimizade ocasionado por sua desobediência, à intimidade divina.

A vinda de Cristo na carne, os exemplos de Sua vida apresentados pelo Evangelho, a Paixão, a Cruz, o Sepultamento e a Ressurreição não tiveram outro fim senão salvar o homem, para que, imitando a Cristo, ele recuperasse a primitiva adoção filial.

Portanto, para atingir à perfeição, é necessário imitar a Cristo, não só nos exemplos de mansidão, humildade e paciência que Ele nos deu durante a Sua vida, mas também imitá-Lo em Sua morte, como diz São Paulo, o imitador de Cristo:

'Tornando-me semelhante a Ele na Sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos' (Fl 3,10).

Mas como poderemos assemelhar-nos a Cristo em Sua morte?
Sepultando-nos com Ele por meio do Batismo.

Em que consiste este sepultamento e qual é o fruto dessa imitação?

Em primeiro lugar, é preciso romper com a vida passada. Mas ninguém pode conseguir isto se não nascer de novo, conforme a Palavra do Senhor, porque o renascimento, como a própria palavra indica, é o começo de uma vida nova. Por isso, antes de começar esta vida nova, é preciso por fim à antiga.

Assim como, no estádio, os que chegam ao fim da primeira parte da corrida, costumam fazer uma pequena pausa e descansar um pouco, antes de iniciar o retorno, do mesmo modo, era necessário que nesta mudança de vida interviesse a morte, pondo fim ao passado para começar um novo caminho.

E como imitar a Cristo na Sua descida à mansão dos mortos?
Imitando no Batismo o Seu sepultamento. Porque os corpos dos batizados ficam, de certo modo, sepultados nas águas.

O Batismo simboliza, pois, a deposição das obras da carne, segundo as palavras do Apóstolo:

'Vós também recebestes uma circuncisão, não feita por mão humana, mas uma circuncisão que é de Cristo, pela qual renunciais ao corpo perecível. Com Cristo fostes sepultados no Batismo' (Cl 2,11-12).

Ora, o Batismo, por assim dizer, lava a alma das manchas contraídas por causa das tendências carnais, conforme está escrito:

'Lavai-me e mais branco do que a neve ficarei'(Sl 50,9). 

Por isso, reconhecemos um só Batismo de salvação, já que é uma só a morte que resgata o mundo e uma só a ressurreição dos mortos, das quais o Batismo é figura”.

Somos convidados a imitar Cristo na mansidão, humildade e paciência que são atitudes que marcaram Sua vida. 

Imitá-Lo na Sua morte, assumindo o Mistério da Paixão e Cruz, de modo que se morrermos com Ele, com Ele também ressuscitaremos e poderemos celebrar a verdadeira Páscoa do Senhor em nossa vida. 

Eis a Boa Nova do Batismo que um dia recebemos: A semente de imortalidade, e deste modo, urge que O imitemos, num amor incondicional e fidelidade expressa da mesma forma!

Reflitamos:

-  Quais são as atitudes de Jesus que devo intensificar mais em minha vida?

--- De que modo me configuro a Cristo no Mistério de Sua Paixão e Morte?

- -  O que significa morrer com Cristo para ressuscitar com Ele concretamente na vivência do meu Batismo?
- 
- - O que me falta ainda para uma rica e frutuosa preparação para a Celebração da Páscoa do Senhor?

Oremos:

"Concedei, ó Deus, ao vosso povo que desfalece, por sua fraqueza, recobrar novo alento pela Paixão do Vosso Filho. Que Convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo. Amém".

O Olhar do Amado...

                                                      


O Olhar do Amado...

“Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e
colocou-a como sinal sobre uma haste.
Quando alguém era mordido por uma serpente,
e olhando para a serpente de bronze, ficava curado”
(Nm 21,9)

Contemplo os olhares cheios de confiança,
Olhares suplicantes, silenciosos,
Acompanhados de dor e esperança,
À Misericórdia Divina que não nos ignora.

Contemplo os mesmos olhares no Calvário,
Diante do Corpo mutilado, dilacerado
Da Divina Fonte, agora sem vida,
Pela maldade morto, Coração trespassado...

Contemplo Jesus erguido entre o céu e a terra,
Tendo como causa, incompreendida e última,
A salvação do mundo, a humanidade redimida.
Como suportar dor assim tão grande, na Cruz vivida?

Contemplo o próprio Olhar de Jesus,
Enquanto ainda vida tinha,
Antes de dizer: “tudo está consumado, 
Pai, em Tuas mãos entrego meu Espírito”.

Aquele Olhar que se volta para cada um de nós
Em meio à dor, gemidos, prantos incontidos,
Como também incontida Sua manifestação
De Amor e tão grande ternura.

Um pouco antes, de Seus doces lábios
Aquelas palavras que atravessarão séculos,
Milênios, até o fim da humanidade:
“Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem”.

Seu Olhar, enquanto pôde, cruzou amavelmente
Com nossos olhares, ainda que não o tenhamos feito,
Comunicou-nos a riqueza do Seu Amor,
Haverá quem nos ame tanto assim?

Que nosso olhar não se desvie de Seu olhar
Reconhecendo em Sua humanidade lapidada
A divindade, ainda que não possa ser vista,
Ali presente, para nossa humanidade redimida.

Ó Senhor, como não Te contemplar?
Como meu olhar de Ti desviar?
“Se trouxeste o Céu à terra,
E elevaste a terra ao céu”?

Ó Senhor, como não Te amar?
Como Teu Amor não testemunhar?
Quero ser Teu servo indigno, mas com ardor,
E minha vida consumir em chama eterna de amor. Amém!

Em poucas palavras...

                                                               

Gloriemo-nos na Cruz de Nosso Senhor

“Suspenso da Cruz, elevado da terra, o Filho de Deus atrai tudo a Si. O aniquilamento coincide com Sua exaltação, a Sua Morte ignominiosa com a Sua glorificação. 

Já não é a serpente de bronze que dá a cura, mas é o Crucificado que dá a vida a todos os que se dirigem a Ele com fé. Cá embaixo e lá em cima, encontram-se na Cruz, não por uma explosão, mas por um abraço”. (1) 

 

(1) Bispo Santo Ambrósio (séc. IV)

A Árvore de todas as árvores: A vivificante Cruz de Cristo!

                                                      

A Árvore de todas as árvores: A vivificante Cruz de Cristo!

Sejamos enriquecidos por um dos Sermões de São Teodoro Estudita (séc. IX), no qual nos convida, como o Apóstolo Paulo, a nos gloriarmos na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo (Gl 6,14).

“Ó preciosíssimo dom da Cruz! Vede o esplendor de sua forma!
Não mostra apenas uma imagem mesclada de bem e de mal, como aquela árvore do paraíso, mas totalmente bela e magnífica para a vista e o paladar.

É uma Árvore que não gera a morte, mas a vida, que não difunde as trevas, mas a luz; que não expulsa do paraíso, mas nele introduz.

A esta Árvore subiu Cristo, como um rei que sobe no carro triunfal, e venceu o demônio, detentor do poder da morte, para libertar o gênero humano da escravidão do tirano.

Sobre esta Árvore o Senhor, como um valente guerreiro, ferido durante o combate em Suas mãos, em Seus pés e em Seu lado divino, curou as chagas dos nossos pecados, isto é, curou a nossa natureza ferida pela serpente venenosa.

Se antes, pela árvore, fomos mortos, agora, pela Árvore recuperamos a vida; se antes, pela árvore fomos enganados, agora, pela Árvore, repelimos a astúcia da serpente.  

Sem dúvida, novas e extraordinárias mudanças!
Em vez da morte, nos é dada a vida; em lugar da corrupção, incorrupção; da vergonha, a glória.

Não é sem razão que o Apóstolo exclama: 'Quanto a mim, que eu me glorie somente na Cruz do Senhor Nosso, Jesus Cristo. Por Ele, o mundo está crucificado para mim, como eu estou crucificado para o mundo' (Gl 6,14).

Pois aquela suprema sabedoria que floresceu na Cruz, desmascarou a presunção e a arrogante loucura da sabedoria do mundo; toda a espécie de bens maravilhosos, que brotaram da Cruz, extirparam inteiramente a raiz da maldade e do pecado.

Já desde o começo do mundo, houve figuras e alegorias desta árvore que anunciavam e indicavam realidades verdadeiramente admiráveis. Repara bem, tu que sentes um grande desejo de saber. Não é verdade que Noé, com seus filhos e esposas e os animais de toda espécie, escapou da morte do dilúvio, por ordem de Deus numa frágil arca de madeira? E o que dizer da vara de Moisés?

Não era figura da Cruz quando transformou a água em sangue, quando devorou as falsas serpentes dos magos, quando separou as águas do mar com o poder do seu golpe, quando as fez voltar ao seu curso normal, afogando os inimigos e salvando aqueles que eram o Povo de Deus?

Símbolo da Cruz foi também a vara de Aarão, quando se cobriu de folhas num só dia para indicar quem devia ser o sacerdote legítimo.

Abraão também prenunciou a Cruz, quando colocou seu filho amarrado sobre o feixe de lenha. Pela Cruz, a morte foi destruída e Adão recuperou a vida. Pela Cruz, todos os Apóstolos foram glorificados e todos os mártires coroados e todos os que creem, santificados. Pela Cruz, fomos revestidos de Cristo ao nos despojarmos do homem velho. Pela Cruz, nós, ovelhas de Cristo, fomos reunidos num só rebanho e destinados às moradas celestes”.

Meditemos sobre a Árvore de todas as árvores:

A Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por ela nos veio a Salvação, no Corpo que nela foi elevado, sacrificado.

Aos seus pés, nasceu a Igreja, e para sempre de Seu lado trespassado se nutriu.

Foi do lado de Cristo, adormecido na Cruz, que nasceu o admirável Sacramento de toda a Igreja.

Oremos:

Senhor, em Vossa morte, a morte do Verbo na Cruz, a morte da morte para a perene Páscoa, que nos abriu as portas da eternidade, para convosco viver, na comunhão de amor com Vosso Pai e o Espírito Santo para sempre. Amém. Aleluia!

Fidelidade e amor ao Senhor

                                                       

Fidelidade e amor ao Senhor

A Liturgia, da terça-feira da Semana Santa, nos apresenta a passagem do Evangelho, em que Jesus, à mesa com Seus discípulos, prediz a negação de Pedro e a traição de Judas (Jo 13, 21-33.36-38).

Vejamos o que nos diz Comentário do Missal Cotidiano:

“Enquanto Jesus revela, com os gestos e Palavras da Ceia, a plenitude do Seu Amor, ganha um relevo extremo, pelo contraste, a fragilidade do homem.

A traição de Judas e a de Pedro são muito diferentes em sua motivação moral e em seu resultado. Ambas são, entretanto, sinal da fraqueza da carne em face da lógica do Reino de Deus.

Pode ser que Judas fosse dominado por interesses ignóbeis, como o dinheiro, ou por outros menos ignóbeis, como o nacionalismo fanático. Sua memória faz jus a toda a nossa capacidade de execrar!

Mas será que o entusiasmo puramente afetivo tem força para introduzir o homem no Mistério de Deus? Pedro tinha entusiasmo, mas aquela noite para ele foi noite de traição.

O que vale, portanto, é somente a fé. Só a fé pode compreender que para Jesus noite de traição é noite de glorificação, e o patíbulo da Cruz é já um trono de glória.

Entrar nesta ‘impossível’ identidade é milagre da fé. Observando que era noite, não pretende João dar indicações de tempo; quer sim dizer que Judas agora caiu, sem esperança de salvação, em poder das trevas (Lc 22,52). Agora veio a noite que pôs termo à ação de Jesus (Lc 9,4; 11,10; 12,35)". (1)

São duas traições distintas: Judas trai por ação, enquanto Pedro pela palavra, pela negação de conhecer Jesus.

Também distintas são as atitudes de ambos diante da Misericórdia de Deus que nos faz novas criaturas, pois Deus está sempre pronto a perdoar, a destruir o pecado e jamais o pecador: Judas não suporta o peso da traição. O vazio e o amargo da traição, o levaram ao suicídio.

Pedro, de outro lado, faz um salto qualitativo de reconhecimento de sua condição pecadora, e por três vezes também terá que confirmar o seu amor incondicional por Jesus, antes de lhe ser confiado o cuidado do rebanho (cf. Jo 21, 15-17).

Semana Santa é tempo de reflexão, de oração e de revermos também nossas atitudes diante de Jesus e do Evangelho; também nós podemos, de um modo ou de outro, negar e trair o Senhor.

É simplismo estéril lançarmos pedras em Judas e mesmo em Pedro, execrando suas fraquezas.

Trata-se de vermos o quanto as atitudes de ambos podem estar presentes dentro de nós, e erradicá-las totalmente, extirpando qualquer possibilidade de trair o Amor extremo e incondicional de Deus por nós, para que celebremos verdadeiramente a Páscoa do Senhor. 

(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - p. 323

Coração fortalecido, rosto iluminado

                                                                       

Coração fortalecido, rosto iluminado

Reflitamos sobre pequeno trecho da “Catequese de Jerusalém” (séc. IV):

“Se foste bem instruído pela doutrina da fé, acreditas firmemente que aquilo que parece pão, embora seja como tal sensível ao paladar, não é pão, mas é O Corpo de Cristo. E aquilo que parece vinho, muito embora tenha esse sabor, não é vinho, mas é o Sangue de Cristo.

Antigamente, bem a propósito, já dizia Davi nos Salmos: O pão revigora o coração do homem e o óleo ilumina a sua face (Sl 104,15). Fortifica, pois, teu coração, recebendo esse pão espiritual e faze brilhar a alegria no rosto de tua alma.

Com o rosto iluminado por uma consciência pura, contemplando como num espelho a glória do Senhor, possas caminhar de claridade em claridade, em Cristo Jesus, Nosso Senhor, a quem sejam dadas honra, poder e glória pelos séculos sem fim. Amém!”.

Voltemo-nos ao Salmo citado:

 “De vossa casa as montanhas irrigais,
Com vossos frutos saciais a terra inteira;
Fazeis crescer os verdes para o gado
E as plantas que são úteis para o homem;

Para da terra extrair o seu sustento
E o vinho que alegra o coração,
O óleo que ilumina a sua face
E o pão que revigora suas forças”.

Relacionando o Salmo com a Eucaristia, que Jesus instituiu como sinal permanente do Seu Amor por nós, concluímos:

Nela, na Palavra Proclamada, somos iluminados... Nosso coração arde! Nela, com o Pão e o Vinho, somos fortalecidos, revigorados, nutridos, inebriados… Nossos olhos se abrem! Na Eucaristia recebemos a força, a alegria e a luz!

Tenhamos, como eucarísticos que devemos ser, a alegria no rosto de nossa alma, porque não nos alimentamos de um pão qualquer, mas do Pão que não passa: o Pão da Eternidade!

O grande teólogo e Doutor da Igreja, Santo Tomás de Aquino, afirmou: 

“Não há outro Sacramento mais salutar do que este, pois nele, os nossos pecados são destruídos (nos renovamos e reconciliamos com a Trindade Santa); nossas virtudes crescem, bem como nossa alma é plenamente saciada, enriquecida de todos os dons espirituais.”

Santo Inácio de Antioquia definia o Pão eucarístico como “remédio de imortalidade e antídoto para não morrer”.

Tenhamos sempre o coração fortalecido e o rosto iluminado, como é próprio de quem acolheu a Luz do Santo Espírito. Amém.

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG