quinta-feira, 31 de julho de 2025
“Cuidemos de nossa casa comum”
“Cuidemos de nossa casa comum”
Com estas ações, que não exigem grande esforço, ao mesmo tempo em que cuidamos do Planeta, estaremos fazendo bem a nós mesmos e aos outros, e, com isto, exercitando a caridade fraterna.
A esperança da vida plena e feliz
A esperança da vida
plena e feliz
Sejamos
iluminados pelo início da chamada Carta de Barnabé (Séc. II), em que nos fala
da esperança da vida como o início e o fim de nossa fé.
“Saúdo-vos na paz, filhos e
filhas, em nome do Senhor que nos ama.
Por serem grandes e preciosas as
liberalidades que Deus vos concedeu, mais que tudo e intensamente me alegro por
vos saber felizes e esclarecidos. Pois assim acolhestes a graça do dom
espiritual, enxertada na alma. Por isto ainda mais me felicito com a esperança
de ser salvo, ao ver realmente derramado sobre vós o Espírito vindo da copiosa
fonte do Senhor.
Estou plenamente convencido e
consciente de que ao falar convosco vos ensinei muitas coisas, porque o Senhor
me acompanhou no caminho da justiça; e sinto-me fortemente impelido a amar-vos
mais do que a minha vida, porque são grandes a fé e a caridade que existem em
vós pela esperança da vida.
Tendo em consideração que, se é de
meu interesse por vossa causa partilhar convosco algo do que recebi, será minha
paga servir a tais pessoas. Decidi, então, escrever-vos poucas palavras, para
que, junto com a fé, tenhais perfeita ciência.
São três os preceitos do Senhor: a
esperança da vida, início e fim de nossa fé; a justiça, início e fim do
direito; caridade alegre e jovial, testemunho das obras de justiça.
Pelos profetas, o Senhor fez-nos
conhecer as coisas passadas, as presentes e deu-nos saborear as primícias das
futuras. Ao vermos tudo acontecer por ordem, tal como falou, devemos nós, mais
ricos e seguros, assimilar o Seu temor.
Quanto a mim, não como mestre, mas
como um de vós, mostrarei alguns poucos pontos, pelos quais vos alegrareis nas
circunstâncias atuais.
Nestes dias maus, Ele mostra Seu
poder; empenhemo-nos, pois, de coração em perscrutar os Mandamentos do Senhor.
Nossos auxiliares são o temor e a paciência; apoiam-nos a generosidade e a
continência que, aos olhos do Senhor, permanecem castas, no convívio da
sabedoria, inteligência, ciência e conhecimento.
Todos os profetas nos revelaram
não ter Ele necessidade de sacrifícios nem de holocaustos nem de oblações,
dizendo: ‘Que tenho a ver com a multidão de vossos sacrifícios? diz o Senhor.
Estou farto de holocaustos, de gorduras dos cordeiros; não quero o sangue de
touros e de cabritos, mesmo que venhais à minha presença. Quem exige isto de
vossas mãos? Não pisareis mais em meus átrios. Trazeis oblações de farinha?
Será em vão. O incenso me é abominável; vossos novilúnios e solenidades, não as
suporto (cf. Is 1,11-13)”.
Como
discípulos missionários do Senhor, empenhemo-nos em viver os três preceitos do
Senhor que Barnabé nos apresenta:
- “a esperança da vida, início e
fim de nossa fé”;
- “a justiça, início e fim do
direito”;
- “a caridade alegre e jovial,
testemunho das obras de justiça”.
Oremos:
Ó Deus de bondade,
ajudai-nos a fazer progresso no temor de Vós, com a paciência necessária
para que vejamos florir e frutificar frutos de amor e justiça no mundo em que
vivemos.
Concedei-nos a
generosidade e a continência, e que elas permaneçam puras, vivendo com
sabedoria, inteligência, ciência e conhecimento dos Vossos desígnios, ontem,
hoje e sempre.
Fortalecei a
esperança da vida plena e feliz, que é o início e o fim de nossa fé, quando
parecer não mais haver sinais de esperança, e não tenha a última palavra a
cultura da morte.
Ajudai-nos a buscar
primeiro o Vosso Reino e a justiça, e tudo o mais nos será acrescentado, fiéis
à fé que professamos e à Doutrina que nos conduz.
Revigorai em nossos
corações a caridade alegre e jovial, a fim de que elas sejam testemunhos
credíveis das obras de justiça dentro e fora da Igreja, em todos os âmbitos, na
fidelidade a Jesus e com o Santo Espírito. Amém.
O Reino dos céus é como uma rede lançada ao mar
O Reino dos céus é como uma rede lançada ao mar
Na quinta-feira da 17ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 13,47-53), em que Jesus nos apresenta mais uma parábola, exclusiva deste Evangelista, sobre o Reino dos Céus: a parábola da rede lançada ao mar, e que recolhe todo tipo de peixe.
O Evangelista tinha diante de si uma comunidade imersa na monotonia, na falta de empenho, numa vivência morna da fé, logo, pouco exigente e comprometida.
Deste modo, era necessário buscar uma Palavra do Senhor, para que ela perseverasse diante das perseguições e hostilidades, enfrentando as dificuldades que vão se apresentando na caminhada da comunidade.
Nisto consiste a beleza das Parábolas: revigoram o ânimo, o entusiasmo, ajudam no discernimento e fortalecem no seguimento de Jesus.
A comunidade deve ver no Reino a grande pérola ou tesouro, pelo qual todo sacrifício deve ser feito e toda renúncia não será em vão.
É preciso rever a escala de valores que pautam nossa vida: o que nos seduz, o que consome nossas forças, nosso tempo; bem como refletir sobre a alegria que devemos ter por sermos instrumentos, colaboradores na realização do Reino.
A Parábola da rede e dos peixes leva a comunidade a refletir, mais uma vez, sobre a necessidade da paciência para ver o Reino de Deus acontecer (joio e trigo).
Deus não tem pressa de condenar e destruir. Ele não quer a morte do pecador, por isso, dá ao homem o tempo necessário e suficiente para amadurecer as suas opções e fazer suas escolhas.
Refletimos sobre a Misericórdia de Deus, que se manifesta na tolerância, paciência, sempre desejoso de que em nós aconteça a conversão e o amadurecimento.
Na conclusão da passagem do Evangelho, os discípulos são chamados a compreender e acolher o novo ensinamento proposto, num renovado compromisso e empenho.
Reflitamos:
- O que pedimos quando dizemos: “Venha a nós o Vosso Reino”?
- Como vivemos a paciência a serviço do Reino?
- Como Igreja, estamos a serviço do Reino. Temos consciência desta missão?
- Sentimos alegria contagiante ao trabalhar para que o Reino de Deus aconteça?
O melhor Ele já nos deu: O Espírito Santo e os sete Dons (Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor de Deus). Empenhemo-nos, decididamente, na construção do Reino, o Espírito nos assiste, a Sabedoria nos é comunicada, incessantemente.
Como discípulos missionários do Senhor, renovemos nossa alegria de participar da realização do Reino de Deus, como herdeiros da graça em Cristo Jesus, pelo Espírito Santo, no amor do Pai.
Não nos curvemos diante das dificuldades...
Não nos curvemos diante das dificuldades...
Olhando ao nosso redor, as múltiplas atividades cotidianas, as menores e maiores ações, podemos afirmar sem medo de errar que a correspondência ao amor divino é a garantia da transposição de todos os obstáculos: Quando se ama como Deus ama, são vencidas as dificuldades.
De outro lado, sem amor as mínimas dificuldades ganham novo tamanho, dimensão, e até mesmo se tornam insuperáveis e insuportáveis.
Quão necessária é a correspondência ao Amor de Deus em perfeita união e sintonia com Seu mais profundo e imensurável Amor por nós!
Bem se expressou o Bispo Santo Agostinho:
“Todas estas coisas, não obstante, parecem difíceis aos que não amam; aos que amam, pelo contrário, isso mesmo lhes parece leve. Não há padecimento, por mais cruel e insolente que seja, que o amor não torne fácil ou quase inexistente”.
A alegria deve ser mantida em meio às dificuldades sendo o sinal mais cristalino e indiscutível de que o Amor de Deus inflama e motiva nossas ações:
“Naquilo que se ama, ou não se sente a dificuldade ou ama-se a própria dificuldade [...]. Os trabalhos dos que amam nunca são penosos" (Santo Agostinho).
Esta reflexão é um convite a revermos o modo como realizamos nossas atividades cotidianas e qual a intensidade com que fazemos as coisas que nos são confiadas nos mais diversos espaços em que convivemos.
Iluminado pelas palavras do Bispo, contemplo neste momento tantas situações que são a mais pura expressão do que ele disse:
Contemplo mães/pais que amam seus filhos, embora muitas vezes incompreendidos e até mesmo convivendo com a ingratidão;
Contemplo filhos que cuidam com carinho de seus pais, mesmo quando o declínio natural se manifesta com as limitações próprias da existência;
Contemplo profissionais que cuidam da vida do outro, enfrentando realidades humanas por vezes tão desafiadoras, mas o que conta é o amor com que realizam...
Contemplo agentes de pastorais que não se curvam diante das dificuldades que vão surgindo no desenvolver dos trabalhos; que não recuam, mas avaliam, reorientam, redimensionam, relativizam em nome de um bem maior, do valor absoluto do Reino; que amam a Pastoral e a Igreja, inseparavelmente, que amam as alegrias e as tristezas; amam no êxito, amam no fracasso daquilo que poderia ter sido diferente...
Contemplo outras tantas situações, pessoas de tantos nomes... Contemplo os que não fazem por fazer; não vivem por viver.
Continuemos esta contemplação...
Movidos pelo amor e pela oração, seremos verdadeiramente contemplativos na ação, como muito bem disse Santo Inácio de Loyola, e retomemos uma afirmação a ele atribuída:
“Aja como se tudo dependesse de você, sabendo bem que, na realidade, tudo depende de Deus.” (1)
Jamais nos curvemos diante das dificuldades. Amando como Deus nos ama, o que nos poderá reter, recuar, desistir?
Concluímos com as palavras do Apóstolo Paulo “Tudo posso n’Aquele que me fortalece.” (Fl 4,13).
(1) (cf. Pedro de Ribadeneira, Vida de S. Inácio de Loyola, Milão, 1998)
Santa Missa: centro, fonte, cume e coração de nossa vida
Santa Missa: centro, fonte, cume e coração de nossa vida
“Se, com a ajuda da graça, nos esforçarmos, a Santa Missa será
o centro para o qual
convergirão todas as nossas práticas de piedade, os deveres familiares e
sociais, o trabalho, o apostolado...;
converter‑se‑á também na fonte onde recuperaremos diariamente as forças para prosseguir
a nossa caminhada;
no cume para
o qual dirigiremos os nossos passos, as nossas obras, os nossos anseios
apostólicos, os mais íntimos desejos da alma;
será também o coração onde
aprenderemos a amar os outros, com os seus defeitos, parecidos aos nossos, e
com as suas facetas menos agradáveis.” (1)
(1)
Fonte: http://www.hablarcondios.org
Sejamos contemplativos na ação
Em
tempos difíceis que estamos vivendo, em quarentena, devido a pandemia do novo
coronavírus, muito oportuna esta reflexão do Papa Bento XVI, no Ângelus
do dia 17 de junho de 2012, na Praça de São Pedro, em que reflete a passagem do
Evangelho de Marcos (Mc 4,26-34):
“Queridos
irmãos e irmãs,
A
liturgia de hoje nos oferece duas breves parábolas de Jesus: a da semente que
cresce por si próprio e da semente de mostarda (cfr Mc 4,26–34). Através de
imagens referentes ao mundo da agricultura, o Senhor apresenta o mistério da
Palavra e do Reino de Deus, e indica as razões da nossa esperança e do nosso
empenho.
Na
primeira parábola, a atenção é colocada sobre o dinamismo da semeação: a
semente que é lançada sobre a terra, enquanto o agricultor dorme e acorda,
germina e cresce sozinha.
O
homem semeia com a confiança que o seu trabalho não será infecundo. Aquilo que
sustenta o agricultor nos seus afazeres cotidianos é justamente a confiança na
força da semente e na bondade do terreno.
Esta
parábola se refere ao mistério da criação e da redenção, da obra fecunda de Deus
na história. Ele é o Senhor do Reino, o homem é seu humilde colaborador, que
contempla e aprecia a ação criadora divina e espera pacientemente os frutos.
A
colheita final nos faz pensar na intervenção final de Deus no fim dos tempos,
quanto Ele realizara plenamente o seu Reino. O tempo presente é o tempo de
semear e o crescimento da semente é assegurado pelo Senhor.
Cada
cristão, então, sabe bem que pode fazer tudo aquilo que puder, mas que o
resultado final depende de Deus: esta consciência é o sustenta no cansaço de
cada dia, especialmente nas situações difíceis.
A
tal propósito escreve Santo Inácio de Loyola: ‘Aja como se tudo dependesse de
você, sabendo bem que, na realidade, tudo depende de Deus’ (cfr Pedro de
Ribadeneira, Vida de S. Inácio de Loyola, Milão, 1998).
Também
a segunda parábola utiliza a imagem da semente. Aqui, porém, se trata de uma
semente específica, o grão de mostarda, considerada a menor de todas as
sementes.
Embora
tão miúda, no entanto, é plena de vida, desde sua ruptura, vem um rebento capaz
de quebrar o solo, e chegar até a luz do sol e crescer até se tornar ‘maior de
todas as plantas da horta’ (cfr Mc 4,32): a fragilidade é a força da semente, a
ruptura é sua potência: assim é o Reino de Deus: uma realidade humanamente
pequena, composta por quem é pobre de coração, por quem não confia na própria
força, mas naquela do amor de Deus, por quem não é importante aos olhos do
mundo; e ainda, justamente através da ruptura deles, explode a força de Cristo
e transforma aquilo que é aparentemente insignificante.
A
imagem da semente é particularmente querida para Jesus, porque expressa bem o
mistério do Reino de Deus. Nas duas parábolas de hoje, isso representa um ‘crescimento’
e um ‘contraste’: o crescimento que vem graças a um dinamismo inserido na
própria semente e o contraste que existe entre a pequenez da semente e a
grandeza daquilo que produz.
A
mensagem é clara: o Reino de Deus, também exige nossa colaboração, é antes de
tudo, dom do Senhor, graça que precede o homem e suas obras. A nossa pequena
força, aparentemente impotente diante dos problemas do mundo, se colocada
naquela de Deus, não teme obstáculos, porque certa é a vitória do Senhor.
É
o milagre do amor de Deus, que faz germinar e crescer cada semente de bem
lançada na terra. E a experiência deste milagre de amor nos faz otimistas,
apesar das dificuldades, sofrimentos e o mal que encontramos.
A
semente germina e cresce, porque o que a faz crescer é o amor de Deus. A Virgem
Maria, que acolheu como ‘terra boa’ a semente da Palavra divina, reforça em nós
essa fé e esta esperança”.
Reflitamos
sobre a graça do Reino de Deus que Jesus inaugurou, e que nos chama para sermos
colaboradores e trabalhar pelo mesmo.
“...Venha a nós o
Vosso Reino, seja feita a Vossa vontade...”,
assim rezamos na Oração que o Senhor nos ensinou.
O
Reino cresce no silêncio e na aparente insignificância de nossos trabalhos. No
entanto, são preciosos aos olhos de Deus, se feitos com amor.
Retomemos as palavras de Santo Inácio de Loyola (séc. XVI) ao
longo destes dias de recolhimento e oração:
“Aja como se tudo dependesse de você, sabendo bem que, na
realidade, tudo depende de Deus”.
(1) (cf. Pedro de Ribadeneira, Vida
de S. Inácio de Loyola, Milão, 1998).
PS: Escrito em 23 de março de 2020
quarta-feira, 30 de julho de 2025
A comunhão das mesas e a Mesa da Comunhão!
A comunhão das mesas e a Mesa da Comunhão!
Jesus Ressuscitado está em perfeita comunhão com o Espírito. Cremos também piamente que depois veio juntar-se a Ele Sua querida Mãe... Poderemos ter o mesmo destino.
Ele foi o primeiro que conquistou o Reino. Com Sua morte, Jesus demonstrou que a entrada no Reino é um privilégio que não se restringe a alguns, impossibilitando que outros o tenham também.
No entanto, depende do quanto nos empenhamos em amá-Lo e segui-Lo, do quanto estamos dispostos a morrer por Ele e com Ele.
O convite se destina a todos e a passagem se deu pela Sua morte, morte de Cruz. Estreita porta da eternidade que se abriu na morte de Cruz!
Destruiu a morte abrindo-nos acesso aos céus, onde a vida não conhece o ocaso, onde o sol jamais se põe, onde o amor jamais se ausenta.
Não há outra forma de nos credenciarmos para a eternidade a não ser amar e viver como Jesus viveu!
A comunhão que criamos com o próximo no tempo presente, em mesas passageiras, é indispensável para que entremos na alegria do Reino e sejamos partícipes da Mesa do Banquete Eterno que se prefigura na Mesa da Eucaristia.
O que ora experimentamos já nos dá um sinal, uma pequena amostra do que será o Banquete dos céus.
Como não desejá-lo e não buscá-lo?
Por outro lado, como o fazemos e fazem nossas comunidades?
Concluindo:
Assim é a lógica da vida: comunhão de mesas que se voltam para a Mesa da Eucaristia, que aponta para a Mesa do Banquete Eterno.
Há mesas e Mesas!
O convite à Mesa do Banquete Eterno
tem uma única resposta:
Dar a vida a exemplo de Cristo!
Somente com Ele se assentará quem a vida por amor viver,
por amor consumir, por amor se entregar,
por amor ao próximo em gestos multiplicar. Amém.
PS: Oportuno para a reflexão da passagem do Livro de Neemias (Ne 8,2-4a.5-6.8-10)
Com a Sabedoria do Espírito, busquemos o Reino de Deus
Com a Sabedoria do Espírito, busquemos o Reino de Deus
Enquanto oração foi perfeita, leva-nos a refletir sobre o que pedimos, o que recebemos de Deus e o que fazemos com o que recebemos.
Temos um valor maior, sermos instrumentos do Reino vale muito mais do que tudo isto.
- O que pedimos quando dizemos: “Venha a nós o Vosso Reino”?
Na Liturgia da Palavra da quarta-feira da 17ª Semana do Tempo Comum, ouviremos as Parábolas da pérola, do tesouro escondido, sobre o Reino de Deus, questionando nossas prioridades diante de Jesus.
É preciso que o Reino seja para nós o valor supremo e que, a exemplo de Salomão, peçamos a sabedoria para fazer as devidas escolhas, sem nos prendermos aos valores efêmeros, passageiros, mas aos valores eternos.
A súplica de Salomão (1 Rs 3,5.7-12), questiona nossas súplicas: ele pediu um coração sábio para governar com justiça.
Enquanto oração foi perfeita, leva-nos a refletir sobre o que pedimos, o que recebemos de Deus e o que fazemos com o que recebemos.
A Salomão, Deus acrescentou riqueza, glória, longa vida. Deus nunca deixará faltar nada, mas bem sabemos que Salomão foi seduzido pelos valores passageiros, e é para nós, em todos os tempos, um sinal de advertência para que não incorramos no mesmo erro.
Vivemos numa constante decisão entre o ilusório ou real, passageiro ou eterno, sendo assim podemos nos questionar sobre o que, de fato, fundamenta nossa felicidade.
Voltando às Parábolas exclusivas de Mateus que tinha diante de si uma comunidade imersa na monotonia, na falta de empenho, numa vivência morna da fé, logo, pouco exigente e comprometida.
Colocava-se uma questão fundamental: como perseverar diante das perseguições e hostilidades, dificuldades que vão se apresentando na caminhada da comunidade?
Aqui está a beleza das Parábolas: revigoram o ânimo, reavivam o entusiasmo, ajudam no discernimento e fortalecem no seguimento.
A comunidade deve ver no Reino a grande pérola ou tesouro pelo qual todo sacrifício deve ser feito e toda renúncia não será em vão.
É preciso rever a escala de valores que pautam nossa vida, o que nos seduz, o que consome nossas forças, nosso tempo; bem como refletir sobre a alegria que devemos ter por sermos instrumentos, colaboradores na realização do Reino.
Na conclusão do Evangelho os discípulos são chamados a compreender, acolher o novo ensinamento proposto, num renovado compromisso e empenho.
Deste modo, o Reino de Deus é o nosso maior tesouro. Participemos de sua realização como herdeiros da graça em Cristo Jesus pelo Espírito Santo no amor do Pai.
Renúncias, relativizações, discernimentos são para nós pedidos, para que não nos percamos no que é efêmero, passageiro, ilusório, buscando o que é eterno.
É preciso buscar e se abrir a Sabedoria divina para acolher e compreender e se comprometer com o Reino.
Devemos renunciar de modo absoluto ao pecado, como assim prometemos no dia de nosso Batismo, e para melhor servir ao Reino renunciar àquilo que não é mal em si (riquezas, prestígio, poder).
Temos um valor maior, sermos instrumentos do Reino vale muito mais do que tudo isto.
Reflitamos:
- O que pedimos quando dizemos: “Venha a nós o Vosso Reino”?
- Qual tem sido o conteúdo de nossas súplicas?
- Temos consciência de nosso papel na realização do Reino?
- Como Igreja, estamos a serviço do Reino?
- Sentimos alegria contagiante ao trabalhar para que o Reino de Deus aconteça?
O melhor Ele já nos deu: O Espírito Santo e os sete Dons: Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e Temor de Deus.
Empenhemo-nos alegremente na construção do Reino, o Espírito nos assiste, a Sabedoria nos é comunicada incessantemente. Saibamos fazer as renúncias necessárias pelo mais Belo Tesouro - Jesus.
Deus é misericordioso e paciente conosco
Deus é misericordioso e paciente conosco
“Como o joio é recolhido e queimado ao fogo,
assim também acontecerá no fim dos tempos”
(Mt 13,40)
Reflitamos sobre a Parábola do joio e do trigo, apresentada por Jesus para nos falar Reino de Deus, na passagem do Evangelho proclamada na terça-feira da 17ª Semana do Tempo Comum (Mt 13,36-43).
A Parábola do joio e do trigo é um apelo à humildade e à misericórdia que se irradia. É um compromisso concreto que assumimos ao celebrar a Eucaristia neste Domingo, dentro e fora da comunidade:
“Se há alguém que errou, que no próximo encontro ele possa ver em nossos olhos que estamos reconciliados com ele, que não o condenamos mais, porque a Palavra de Deus nos fez cair o gadanho da mão.” (1)
Segundo o Bispo Santo Agostinho, “Os maus existem no mundo ou para que se convertam, ou para que por eles, os bons, exercitem a paciência.”
Tomemos consciência de que todos nós somos trigo e joio ao mesmo tempo. Apenas Jesus foi o puro trigo, sem joio algum, ou seja, não conheceu o pecado, ao contrário, o destruiu.
Jesus é o grão que um dia caiu na terra e morreu. Um grão que foi transformado em Pão Eucarístico que vem a nós e Se entrega por nós como Salutar Alimento, para que nos tornemos trigos de Deus.
(1) “O Verbo Se faz Carne” – Pe Raniero Cantalamessa - Editora Ave Maria - 2013 - p. 157
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