quarta-feira, 10 de junho de 2026

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Em poucas palavras...

 


A espada das lágrimas

“Ele (Abba Evágrio) disse também:

‘Se desperta um pensamento adverso no teu coração, não procures através da oração algumas coisas para substituir outras, mas afia a espada das lágrimas contra o adversário’” (1)

 

(1)  Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 697 – p. 505

 

Adoremos o Senhor no Santíssimo Sacramento

                                                       

Adoremos o Senhor no Santíssimo Sacramento

Reflexão à luz da passagem do Livro de Josué (Js 3,7-10a.11.13-17).

A Arca da Aliança do Senhor de toda a terra vai atravessar o Jordão, adiante do Povo de Deus, manifestando a presença e ação divina na condução de Seu Povo.

O Comentário do Missal  Cotidiano assim conclui a reflexão sobre a passagem:

“Venerar assiduamente a Eucaristia far-nos-ia passar a pé enxuto as águas tumultuosas das lutas espirituais, levar-nos-ia à paz”. (1)

Discípulos missionários do Senhor que somos, como Sua Igreja, precisamos venerar e adorar cada vez mais a presença de Jesus no Santíssimo Sacramento, em silêncio profundo para que possamos ouvi-Lo, pois sempre terá algo a nos dizer.

Venerar e adorar assiduamente a Eucaristia, pois cada dia tem suas inquietações, dificuldades, desafios, provações, que o comentário chamou de “águas tumultuosas das lutas espirituais”.

Somente quando soubermos fazer silêncio adorante diante do Senhor, é que reencontraremos a paz, a serenidade, a mansidão para a travessia do mar do cotidiano, enfrentando seus ventos e, por vezes, tempestades, certos de que estas jamais terão a última palavra, e, com o Senhor e Sua Divina Palavra, podemos chegar à margem do outro lado.

Com Ele, não somente atravessaremos a pé enxuto, como também não naufragaremos no mar das dificuldades e provações próprias da vida, da história de todos nós.

“Graças e louvores se deem a todo momento,
Ao Santíssimo e diviníssimo Sacramento...”

(1)         Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.1146

Praticar e ensinar a Lei do Senhor

                                                           

Praticar e ensinar a Lei do Senhor

Reflexão à luz da passagem do Evangelho (Mt 5,17-19), em que Jesus diz não ter vindo revogar à Lei, mas para dar-lhe pleno cumprimento.

Assim nos diz o Lecionário Comentado:

O crente, animado pelo fogo divino, não é levado à intolerância ou ao fanatismo, mas procura acolher as sementes do bem e de liberdade onde quer que se encontrem, e aproxima-os, acendendo neles a vida do Espírito” (p.493).

Oremos:

Ó Pai de Amor, cremos em Vosso Amado Filho,
E suplicamos o fogo divino do Vosso Santo Espírito.

Vós que sois o bem, todo o bem, o sumo bem,
Orientai nossos passos no caminho do bem.

Vosso Filho, que é o Caminho que a Vós nos conduz,
Firmai nossos passos no caminho da justiça e da paz.

Vosso Filho, que é a verdade que nos liberta,
Libertai-nos de todo mal e de tudo que nos escravize.

Vosso Filho, que é a vida e nos dá vida plena e definitiva.
Não permitais que enveredemos na cultura da morte.

Vosso Espírito, que é fogo que inflama, aquece e ilumina,
Seja-nos comunicado para orientar todo o nosso pensar e agir.

Vosso Espírito, que cura, revigora e nos salva,
Para que, refeitos de nossas fragilidades, ponhamo-nos a caminho.

Vosso Espírito de amor, a nós comunicado como sopro e fogo,
Seja nosso Advogado, o Paráclito, o fogo que queime nossos medos.

Deste modo, ó Deus, amemos e vivamos o que Vosso Filho nos ensinou,
Com a proteção e assistência do Espírito, que vive em plena comunhão,

Amemos e sigamos “Jesus que dá tudo por tudo (Deus aos homens)
E pede tudo por tudo (fidelidade plena)”.

Amemos, adoremos e sigamos Jesus, que Se entregou por amor a nós,
Totalmente, e pede que também nos doemos totalmente.

Tão somente assim, Vossa divina Lei praticando e ensinando, Seremos considerados grandes no Reino dos Céus (Mt 5,19). Amém.

Bem-Aventuranças vividas, sal e luz seremos

                                                          

Bem-Aventuranças vividas, sal e luz seremos


"Enquanto o amor humano tende
a apossar-se do bem que encontra no seu objeto,
o Amor Divino cria o bem na criatura amada" .

Na Liturgia, da Quarta-feira da 10ª Semana do Tempo comum, ouvimos a passagem do Evangelho em que Jesus diz que não veio abolir a Lei e os Profetas, mas para dar pleno cumprimento, exortando-nos à prática e ao ensinamento dos mesmos, para nos tornarmos grandes no Reino dos Céus (Mt 5, 17-19).

Vemos que Deus tem um Projeto de Salvação para a humanidade, mas somente na fidelidade a Ele e aos Seus Mandamentos é que alcançaremos vida plena e feliz.

Estamos diante de um desdobramento do Sermão da Montanha - (Mt 5, 1-12). Na continuidade Jesus com Seus ditos nos exorta à prática das Bem-Aventuranças, com seus desdobramentos no cotidiano.

Não será o cumprimento das regras externas que nos levará ao alcance da felicidade e de uma religião a Deus agradável, mas antes a atitude de adesão interior a Deus e à Sua Proposta.

O Missal Dominical afirma que “o amor é querer o bem do amado”, de modo que, viver as Bem-Aventuranças, e ser sal e luz do mundo, é viver um amor que quer e cria o bem do amado. Isto nos remete a dois grandes Santos da Igreja:

- São Tomás de Aquino: “Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada".

- São João da Cruz: "O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do Amor, tornar aquele que Ama semelhante ao amado."

Por isto, Jesus dá quatro exemplos em que o amor verdadeiro e puro tem que falar mais alto, se sobrepondo a qualquer sentimento de ódio, indiferença, ira, posse, condenação, falsidade...:

1 - As relações fraternas e a contínua necessidade da reconciliação;
2- O adultério e a necessidade de conversão, vendo no outro a imagem e templo de Deus;

3 - A confirmação da aliança indissolúvel do matrimônio, desde a criação, ratificando, assim, o Plano de Deus.

4 - A importância de nos relacionarmos na sinceridade e na confiança, tornando os relacionamentos sadios e edificantes.

A questão essencial é: para quem quiser viver na dinâmica da Boa-Nova do Reino de Deus, não basta o cumprimento rigoroso e escrupuloso da Lei, seguindo a casuística das regras da Lei.

É preciso que se tenha uma atitude interior nova, que revele um compromisso verdadeiro com Deus, envolvendo a pessoa toda, transformando seu coração, suas escolhas, seus relacionamentos, sua postura diante do Criador e Suas criaturas.

Em relação a Deus, sejamos filhos e filhas, em relação ao próximo, sejamos fraternos e solidários.

Reflitamos:

- Cumprimos os Mandamentos da Lei Divina por medo ou por amor?

- Para Jesus, “não matar” é evitar tudo aquilo que cause dano ao próximo (egoísmo, prepotência, autoritarismo, injustiça, indiferença...). O que podemos evitar para que sejamos fiéis ao Senhor?

- Em que as afirmações dos Santos da Igreja, citadas acima, nos ajudam para que vivamos as Bem-Aventuranças e sejamos sal da terra e luz do mundo?

- Fazemos dos Mandamentos Divinos sinais indicadores no caminho que conduz à vida plena?

O Sermão de Nosso Senhor foi e continua sendo ouvido na montanha, mas é preciso que desçamos à planície do cotidiano.

Eis o grande desafio: a missão de ser sal da terra e luz do mundo, iluminados pela Sabedoria Divina, a Sabedoria do Santo Espírito, para que sejamos uma Igreja no coração do mundo, e ao mesmo tempo homens e mulheres do mundo no coração da Igreja.

Somente assim não seremos sal insípido, sem gosto, que para nada serve, como já nos alertara o Senhor.

Há muito mais no Coração de Jesus (SCJ)

                                                             

Há muito mais no Coração de Jesus

Silêncio para esta contemplação...

Silêncio para recuperar as forças na Sagrada Fonte de Seu Coração, torrente de todas as graças que muito precisamos. 

Silêncio para reforçar nossos pés para passos mais dedicados e seguros.

Silêncio para revigorar nossas mãos para amar e servir com maior generosidade.

Silêncio para reforçar os princípios éticos que devem nortear nossa vida.

Silêncio para recuperar o brilho do olhar de nossa fé.

Silêncio para descansar em verdes pastagens que encontramos no Sagrado Coração de Jesus, sobretudo na Sua Palavra e na Eucaristia.

Silêncio para atender ao chamado do Senhor: Vinde a mim vós todos... Como se dissesse – Venham! Façam silêncio! E renovarão o vigor da alma para o bom combate da fé.

Há muito mais neste Coração...
Silêncio para a gratidão.

Quanto temos para agradecer. Muitas vezes percebemos tão facilmente as dificuldades, talvez porque seus ruídos sejam ensurdecedores e emudecedores.

Que não seja eterna a obscuridade das tristezas, como não o é a luminosidade das alegrias. 

Agradeçamos no silêncio de nosso “quarto”.

Façamos da Eucaristia o que ela é em sua essência: ação de graças a Deus que nos cumula de todos os bens e de tudo o que for necessário, ainda que não percebamos, ainda que não agradeçamos...

Há muito mais no Coração de Jesus...
Silêncio para o agradecimento.
Silêncio para o aprendizado da essência do ser cristão: amar como Jesus ama.

Amar na Sua medida sem medida; em Sua profundidade inesgotável; em Sua altura jamais alcançável; em largura e comprimentos que ultrapassam quaisquer medidas humanas já concebidas.

Amar como Ele ama.
Amar o outro como Ele ama.
Amar-se também como o amor com que Ele nos ama. 

Aprende-se a amar amando, aprende-se a amar sendo amado.

Há muito mais neste coração...
Silêncio mais uma vez para o mais belo de todos os aprendizados – amar.

Há muito mais neste Coração...
Silêncio para a contemplação...
De força, a recuperação;
De gratidão, nossa expressão;
Do amor, um aprendizado.

Silêncio!
Silêncio no coração diante do Mais Belo Coração -
O Coração de Jesus.

Silêncio! 
Que Ele diga, que a Ele depois digamos:
“Meu Deus, como Te amo!”

Festa ao Sagrado Coração de Jesus (SCJ)

                                                                

Festa ao Sagrado Coração de Jesus

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus tem a sua origem na própria Sagrada Escritura.

No Antigo Testamento:

Ezequiel 34,11-16 – Deus cuida do Seu rebanho.
Ezequiel 11,19-20 – Tirarei o coração de pedra e colocarei um coração de carne.

No Novo Testamento:

Mateus 11,25-30 – Jesus é manso e humilde de coração.
Lucas 15 – O Coração de Deus é Fonte de Misericórdia.           
João 19,31-37 – O Coração de Jesus é transpassado pela lança e jorra Sangue e Água: Sacramentos da Igreja – Batismo e Eucaristia

O coração é um dos modos para falar do infinito Amor de Deus por nós, e este Amor encontra seu ponto alto com a vinda de Jesus.

A devoção ao Sagrado Coração de um modo visível aparece em dois acontecimentos fortes do Evangelho: o gesto de São João, discípulo amado, encostando a sua cabeça em Jesus durante a última ceia (cf. Jo 13,23); e na Cruz, onde o soldado abriu o lado de Jesus com uma lança (cf. Jo 19,34).

Em um, temos o consolo pela dor da véspera da Sua morte, e no outro, o sofrimento causado pelos pecados da humanidade.

Estes dois exemplos do Evangelho nos ajudam a entender o apelo de Jesus feito em 1675 a Santa Margarida Maria Alacoque:

“Eis este Coração que tanto tem amado os homens... não recebo da maior parte senão ingratidões, desprezos, ultrajes, sacrilégios, indiferenças...

Eis que te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento (Corpo de Deus) seja dedicada a uma Festa especial para honrar o meu Coração, comungando neste dia e dando-lhe a devida reparação por meio de um ato de desagravo, para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares; e prometo-te que o meu Coração Se dilatará para derramar com abundância as influências de Seu divino Amor sobre os que tributem esta divina honra e que procurem que ela lhe seja prestada.”

O Papa João Paulo II sempre cultivou esta devoção, e a incentiva a todos que desejam crescer na amizade com Jesus.

Em 1980, no dia do Sagrado Coração, afirmou:

“Na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a Liturgia da Igreja concentra-se, com adoração e amor especial, em torno do Mistério do Coração de Cristo.

Quero hoje dirigir juntamente convosco o olhar dos nossos corações para o Mistério desse Coração. Ele falou-me desde a minha juventude. Cada ano volto a este Mistério no ritmo litúrgico do tempo da Igreja.”

Portanto, faz parte da tradição da Igreja esta Devoção inspirada pela Monja Santa Margarida Maria Alacoque, que nasceu em 1647 e morreu em 1690, e o Movimento do Apostolado da Oração encontra-se pelo mundo inteiro.

Esta devoção ao Sagrado Coração de Jesus está em estreita relação com a Eucaristia, e fortalece nossa fé, esperança e caridade.
        
Vejamos as consequências de uma autêntica devoção ao Sagrado Coração de Jesus:

- fortalece o amor à Igreja e às Comunidades;
- são sempre alimentados do Amor de Deus;
- leva à paixão e compromisso com os pobres, e estes têm lugar todo especial;
- fortalece o profetismo;
- exige o engajamento nas diversas pastorais e movimentos;
- torna-se participante da construção de um mundo novo.

Deste modo, não basta ter apenas Deus dentro de nosso coração, mas estar sempre dentro do Coração de Deus, de tal forma que, quando cumprimos a Lei maior de Deus que é o amor a Ele e ao próximo estamos no coração de Deus e Deus em nosso coração.

Concluindo, o Coração de Jesus é o templo do Espírito Santo que faz de nós também Seu templo, e urge fazer o nosso coração semelhante ao Coração de Jesus, aperfeiçoando a prática do Mandamento do Amor, com a intensificação de nossa devoção e contemplação do Coração de Jesus, a fim de que tal modo, vivamos uma espiritualidade essencialmente Eucarística.

Oportuno, portanto, iniciar ou fortalecer o Apostolado da Oração em nossas Paróquias.

Num mundo marcado, muitas vezes, 
pela frieza, indiferença e anonimato 
o Coração de Jesus é para nós
Fornalha Ardente de Caridade.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG