segunda-feira, 20 de abril de 2026

Santo Estêvão, protomártir do Senhor, “sua arma era a caridade...”

                                                     

         Santo Estêvão, protomártir do Senhor, “sua arma era a caridade...”

Sejamos enriquecidos por um dos Sermões de um dos  Sermões escrito pelo Bispo São Fulgêncio de Ruspe  (Séc. VI):

Ontem, celebrávamos o nascimento temporal de nosso Rei eterno; hoje celebramos o martírio triunfal do seu soldado.

Ontem o nosso Rei, revestido de nossa carne e saindo da morada de um seio virginal, dignou-Se visitar o mundo; hoje o soldado, deixando a tenda de seu corpo, parte vitorioso para o céu.

O nosso Rei, o Altíssimo, veio por nós na humildade, mas não pôde vir de mãos vazias. Trouxe para Seus soldados um grande dom, que não apenas os enriqueceu imensamente, mas deu-lhes uma força invencível no combate: trouxe o dom da caridade que leva os homens à comunhão com Deus.

Ao repartir tão liberalmente o que trouxera, nem por isso ficou mais pobre: enriquecendo do modo admirável a pobreza dos Seus fiéis, Ele conservou a plenitude dos Seus tesouros inesgotáveis.

Assim, a caridade que fez Cristo descer do céu à terra, elevou Estêvão da terra ao céu. A caridade de que o Rei dera o exemplo logo refulgiu no soldado.

Estêvão, para alcançar a coroa que seu nome significa, tinha por arma a caridade e com ela vencia em toda parte. Por amor a Deus não recuou perante a hostilidade dos judeus, por amor ao próximo intercedeu por aqueles que o apedrejavam. 

Por esta caridade, repreendia os que estavam no erro para que se emendassem, por caridade orava pelos que o apedrejavam para que não fossem punidos.

Fortificado pela caridade, venceu Saulo, enfurecido e cruel, e mereceu ter como companheiro no céu aquele que tivera como perseguidor na terra.  Sua santa e incansável caridade queria conquistar pela Oração, a quem não pudera converter pelas admoestações.

E agora Paulo se alegra com Estêvão, com Estêvão frui da glória de Cristo, com Estêvão exulta, com Estêvão reina. Aonde Estêvão chegou primeiro, martirizado pelas pedras de Paulo,  chegou depois Paulo, ajudado pelas Orações de Estevão.

É esta a verdadeira vida, meus irmãos, em que Paulo não se envergonha mais da morte de Estêvão, mas Estevão se alegra pela companhia de Paulo, porque em ambos triunfa a caridade. Em Estêvão, a caridade venceu a crueldade dos perseguidores, em Paulo, cobriu uma multidão de pecados; em ambos, a caridade mereceu a posse do Reino dos céus.

A caridade é a fonte e origem de todos os bens, é a mais poderosa defesa, o caminho que conduz ao céu.  Quem caminha na caridade não pode errar nem temer.  Ela dirige, protege, leva a bom termo.

Portanto, meus irmãos, já que o Cristo nos deu a escada da caridade pela qual todo cristão pode subir ao céu, conservai fielmente a caridade verdadeira, exercitai-a uns para com os outros e, subindo por ela, progredi sempre mais no caminho da perfeição.”

Reflitamos sobre o martírio do diácono Santo Estêvão, a quem a Sagrada Escritura chama de "homem cheio de fé e do Espírito Santo". 

Os Santos Padres tecem grandes elogios a Santo Estêvão, pondo em relevo suas virtudes: pureza, zelo apostólico, firmeza e constância, grande amor ao próximo, verdadeiramente heroico, rezar pelos próprios assassinos. 

Chamado de protomártir por ter sido o primeiro a derramar seu sangue em testemunho da fé em Jesus Cristo. 

Seu nome em grego significa "coroa", e evoca a ideia de martírio, porque nos séculos a seguir a coroa foi símbolo do martírio. Sua paixão é de fundamental importância por não ter nada de fabuloso ou lendário. 

Sua Oração com certeza mereceu a conversão de São Paulo, pois, como disse Santo Agostinho, "Se Estêvão não tivesse rezado, a Igreja não teria o grande São Paulo!".

Somos convidados a aprender com os Santos e mártires, que deram corajoso testemunho da fé. Santo Estêvão é, por tudo que se disse, um exemplo para que cresçamos em maior fidelidade ao Senhor.

Talvez não tenhamos que viver semelhante martírio, mas cada um em sua própria história pode também desenvolver virtudes tão invejáveis e desejáveis.

Sejamos como Estêvão, homens e mulheres cheios de fé e do Espírito Santo no testemunho do Ressuscitado, em incondicional amor ao Pai.

Santo Estêvão, um exemplo para o nosso discipulado.

O mundo e a Igreja precisam de “Estêvãos”.

 

PS: No dia 26 de dezembro, proclama-se Atos dos Apóstolos (At 6,8-10;7,54-59), e na segunda-feira da terceira semana da Páscoa (At 6,8-15)

Proclamemos as maravilhas do Senhor

                                               

Proclamemos as maravilhas do Senhor

        Vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que Ele conquistou para proclamar as obras admiráveis d’Aquele que vos chamou.

Reflexão à luz da passagem da Primeira Carta de São Pedro (1 Pd 2,2-5.9-12).

Reflitamos sobre a missão da Igreja, que nasce de Jesus na fidelidade ao Pai, é vivificada com a presença e ação do Espírito Santo, continuando o caminho que é o próprio Jesus: Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14,6).

O Apóstolo nos apresenta Jesus como o fundamento, a Pedra  Angular, a Pedra principal da Igreja, no qual os cristãos são pedras vivas.

Como Igreja se constitui um povo sacerdotal, com a missão de viver uma obediência incondicional aos Planos do Pai, no amor aos irmãos, e nisto consiste o verdadeiro culto agradável a Deus.

Deste modo, a Igreja precisa crescer na fé para alcançar a Salvação, vencendo todas as dificuldades, hostilidades, incompreensões e perseguições, consciente de sua missão no testemunho do Ressuscitado, com a força vivificante do Espírito Santo, infundida no coração dos discípulos.

Como comunidade da Nova Aliança, a Igreja precisa oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus e, como Povo de Sacerdotes, ofertar uma vida santa, vivida na entrega a Deus e no dom da vida aos irmãos, com amor total e incondicional, superando todo medo em total fidelidade e confiança em Deus.

A comunidade não pode se contentar com um verniz cristão que a torne indiferente a todos os problemas que cercam a vida humana.

Sendo Cristo o fundamento da Igreja, e o amor o distintivo dos cristãos, a missão da Igreja será colocar-se em todos os âmbitos, profeticamente, como instrumento da vida plena e definitiva.

Sejamos cristãos alegres, corajosos, convictos a caminho do céu, vivendo no tempo presente a nossa fé em Jesus Cristo, que nos conduz ao Pai, com a força, presença e ação do Seu Espírito.

Renovemos em nosso coração, o Amor de Deus infundido em nós pela ação do Espírito, firmando nossos passos no Bom Caminho que nos conduz aos céus, que consiste na comunhão plena e eterna de Amor.

Rezando com os Salmos - Sl 62(63),2-9

 



A minha alma tem sede Deus

“– Sois Vós, ó Senhor, o meu Deus!
Desde a aurora ansioso Vos busco!
= A minh'alma tem sede de Vós,
minha carne também Vos deseja,
como terra sedenta e sem água!

– Venho, assim, contemplar-Vos no templo,
para ver Vossa glória e poder.
– Vosso amor vale mais do que a vida:
e por isso meus lábios Vos louvam.

– Quero, pois, Vos louvar pela vida,
e elevar para Vós minhas mãos!
– A minh'alma será saciada,
como em grande banquete de festa;
– cantará a alegria em meus lábios,
ao cantar para Vós meu louvor!

– Penso em Vós no meu leito, de noite,
nas vigílias suspiro por Vós!
– Para mim fostes sempre um socorro;
de Vossas asas à sombra eu exulto!
– Minha alma se agarra em Vós;
com poder Vossa mão me sustenta.”

O Salmo 62(63),2-9 nos fala sobre a sede de Deus, que deve nos acompanhar em todos os momentos:

“Com a imagem do deserto que precisa da chuva para encher-se de vida, o salmista mostra como sem Deus não existe verdadeira vida. Enquanto viver quer sentir a proteção divina e cantar os louvores de Deus.” (1)

Concluímos com um trecho da Catequese do Papa São João Paulo II (25/04/01):

“No que diz respeito a este tema, a oração do Salmo 62 relaciona-se com o cântico de outro Salmo maravilhoso: ‘Assim como a corça suspira pelas correntes de água, assim também a minha alma suspira por Vós, ó meu Deus. A minha alma tem sede do Senhor, do Deus vivo’ (41, 2-3).

Assim como o Salmista, cremos que tão somente Deus pode saciar nossa sede de vida, amor, paz e fraternidade. No entanto, saciados pelo Pão da Palavra e da Eucaristia, é tempo de também saciar a fome e sede de vida, amor, paz e fraternidade de nossos irmãos e irmãs, nos mais diversos espaços em que vivemos.

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB - pág. 777


Ó Mãe, nós te pedimos...

                                                      


Ó Mãe, nós te pedimos...

Maria, discípula mais perfeita do Senhor, rogai por nós. 

Maria, interlocutora do Pai, em Seu projeto de enviar Seu Verbo para a Salvação da humanidade, rogai por nós.
 
Maria, figura de mulher livre e forte, rogai por nós.
 
Maria, Virgem de Nazaré com uma missão única na História da Salvação, rogai por nós.
 
Maria, que nos favorece o encontro com o Cristo, com o Pai e com o Espírito Santo, rogai por nós.
 
Maria, presente em nossas comunidades, rogai por nós.
 
Maria, artífice de comunhão, rogai por nós.
 
Maria, a seguidora mais radical de Cristo, rogai por nós.
 
Maria, Virgem pura e sem mancha do pecado original, rogai por nós.
 
Maria, a mais bela flor da criação, rogai por nós. 
 
Mãe da fidelidade, rogai por nós.
 
Mãe da disponibilidade, rogai por nós.
 
Mãe da Igreja missionária, rogai por nós.
 
Mãe servidora, rogai por nós.
 
Mãe da alegria, rogai por nós.
 
Mãe da esperança, rogai por nós.
 
Mãe da humildade, rogai por nós.
 
Mãe da solidariedade, rogai por nós.
 
Mãe que fortalece os vínculos fraternos entre todos, rogai por nós.
 
Mãe boa pastora, rogai por nós.
 
Mãe do amor pelos últimos, rogai por nós.
 
Mãe de todos nós, presente ao pé da Cruz, rogai por nós.
 
Mãe da paciência, rogai por nós.
 
Mãe lutadora, rogai por nós.
 
Mãe do Perpétuo Socorro, rogai por nós.

“À vossa proteção recorremos, santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita”. (1) 


Amém.

 
(1)  A mais antiga Oração à Nossa Senhora: 
https://www.vaticannews.va/pt/oracoes/a-vossa-protecao.html 


PS: Livre adaptação dos parágrafos 266-272 da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe – Aparecida

“Morramos...” (IVDTPA)

                                                     

  “Morramos...” 

Morramos como grãos de trigo no campo da Igreja...
Morramos como grãos de trigo...
Morramos...

Sejamos enriquecidos por esta reflexão que o Missal Dominical nos oferece para aprofundamento da Liturgia do IV Domingo da Páscoa, Dia do Bom Pastor:

“Cabe aqui uma consideração a respeito do rebanho, isto é, da comunidade e de cada um dos que creem; não devem eles unicamente ser exigentes com seus pastores, como magistério, com a Igreja como instituição (o que corresponde à correção fraterna); devem também sentir e manifestar-lhes seu profundo amor, impregnado de franqueza, caridade e obediência.

Ao lado do Espírito de crítica e de rebelião, que grassa mesmo no seio da Igreja, não faltam os testemunhos. O cardeal Newman, que se tornou católico por devoção à Igreja, vê-se, em certo momento, impedido de trabalhar pela própria Igreja.

Menosprezado pelos protestantes, mal interpretado por muitos católicos, olhado com desconfiança por certos bispos, suspeito de heresia, carregou sua cruz com paciência heroica, até o momento em que pôde retomar a atividade apostólica que era o objetivo de sua vida.

"Será necessário superarmos a nós mesmos, morrendo como grãozinhos de trigo no campo da Igreja, em lugar de morrermos como revolucionários diante de suas portas" (K. Rahner).

São exaltados, na reflexão, o valor e a beleza da exigência e da criticidade para com os pastores que cuidam do rebanho, mas também exaltadas as atitudes que devem impregnar a vida do rebanho, como o amor, a franqueza, a caridade e a obediência.

A criticidade e a exigência para com os pastores serão sempre bem-vindas, mas feitas com caridade e numa relação de lealdade e transparência. A mesma postura também será exigida dos pastores em relação ao rebanho, sem a qual, não serão ouvidos, e se ouvidos, o serão pelo medo e não pela relação de amor, maturidade e fraternidade que deve construir com o rebanho.

Atitudes que devem ser vividas também entre o próprio rebanho; entre aqueles que conduzem as Pastorais, quer coordenando, quer coordenados...

A ausência destas atitudes, a saber: criticidade com caridade, lealdade acompanhada da caridade, obediência acompanhada do desejo de se colocar no caminho do crescimento e amadurecimento, muitas vezes leva ao desânimo, afastamento, esfriamento, esmorecimento, cansaço, falta de horizontes, desculpas multiplicadas, forças subtraídas, experiências negativadas somadas, comunidade dividida: falta da liberdade nas coisas possíveis, enfraquecimento da unidade necessária, e esfriamento da caridade que, acima de tudo, há de sempre estar...

Deste modo, a afirmação de K. Rahner é providencialíssima e oportuna:

"Será necessário superarmos a nós mesmos, morrendo como grãozinhos de trigo no campo da Igreja, em lugar de morrermos como revolucionários diante de suas portas".

Bem sabemos que nossa Igreja é santa e pecadora. Por isto iniciamos a Santa Missa confessando nossos pecados diante da misericórdia de Deus e também reconhecemos nossas limitações e imperfeições ao rezar o Prefácio da Oração Eucarística V:

“E a nós, que agora estamos reunidos e somos povo santo e pecador, dai força para construirmos juntos o Vosso Reino que também é nosso”.

Na fidelidade ao Cristo Bom Pastor, renovemos a alegria de pertencermos a Igreja e façamos nossa declaração de amor a Jesus, que nos confiou o cuidado do Seu rebanho, ainda que não mereçamos.

Jamais nos extraviemos do rebanho. Importa darmos o melhor de nós, para que nenhuma ovelha se perca, e também saibamos ir ao encontro das ovelhas extraviadas.

Não nos acomodemos por sermos e pertencermos ao rebanho, pois seremos cobrados por aquela que se extraviou e que o Senhor jamais se esqueceu ou desprezou, conforme vemos na Parábola da Misericórdia (Lc 15).

Dai-nos Senhor a docilidade necessária.
Afastai de nós toda rebeldia inútil e estéril.
Fazei-nos membros apaixonados e vivos do
Seu amado e querido rebanho. 

Morramos como grãos de trigo no campo da Igreja,
Morramos como grãos de trigo.
Morramos!

Fecundemos um mundo novo!
Semeemos o essencial: amor, verdade, justiça, liberdade...
Frutifiquemos! Glorifiquemos! Ressuscitemos!

Amemos e sigamos o Bom Pastor, por amor a Ele, 
amando Sua Igreja.

Eis a grande revolução:
Amar e um mundo novo construir,
gerado pelo e no Coração que nos acolheu,
fez-nos nascer e nos alimentou.
Amém. Aleluia!

“Dai graças ao Senhor...”

                                                       

“Dai graças ao Senhor...”

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, eterna é a sua misericórdia”, por nos constituir Seu Povo, com características que o distingue nitidamente de todos os agrupamentos religiosos, étnicos, políticos ou culturais da história.

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, eterna é a Sua misericórdia”, por sermos Seu Povo, e, ao mesmo tempo, não ser propriedade de nenhum povo; mas adquiriu para Si um povo constituído por aqueles que outrora não eram um povo, mas agora somos “raça eleita, sacerdócio real, nação santa” (1 Pd 2, 9).

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, eterna é a Sua misericórdia”, por nos fazer membro deste Povo, não pelo nascimento físico, mas pelo “nascimento do Alto”, ‘da água e do Espírito’ (Jo 3, 3-5), isto é, pela fé em Cristo e pelo Batismo.

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, eterna é a Sua misericórdia”, e constituiu Jesus Cristo, o Ungido, o Messias, a Cabeça da Igreja, com a unção do Espírito santo, iluminando todo o Corpo, como um “Povo messiânico”.

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, eterna é a Sua misericórdia”, porque concedeu, à condição deste Povo, a dignidade da liberdade dos filhos de Deus, residindo em nossos corações, como num templo, o Espírito Santo.

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, eterna é a Sua misericórdia”, por nos firmar na fidelidade à Sua Lei, que é o Mandamento Novo, de amar como o próprio Cristo nos amou, na Lei Nova do Espírito Santo.

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, eterna é a Sua misericórdia”, por nos confiar à missão de ser sal da terra e a luz do mundo, constituindo-nos no mais forte germe de unidade e esperança e salvação para todo o gênero humano.

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom, eterna é a Sua misericórdia”, por conceder como destino final o Reino de Deus, começado na terra, e dilatando-se cada vez mais, até ser no fim dos séculos, por Ele consumado. Amém. Aleluia!


Fonte: Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.782

A fraqueza do rebanho e a fortaleza do Pastor (IVDTPA)

                                                                

A fraqueza do rebanho e a fortaleza do Pastor

Reflexão à luz da passagem dos Atos dos Apóstolos (At 2, 14a.36-41), um discurso catequético sobre a atitude correta para que se acolha a proposta de Salvação que Deus nos faz, por meio de Jesus Cristo.

Professar a fé em Cristo, o Bom Pastor, requer conversão, para que se viva o Batismo como vida nova: adesão, seguimento, acolhida do Espírito Santo para deixar recriar, vivificar e se transformar por esta  presença divina em nós.

A conversão (metanoia) é consequência de ter sentido “pontadas no coração”, a aflição e o remorso por ter feito algo contrário à justiça, e implica na atitude que conduz ao arrependimento. É o primeiro passo para a mudança de vida:

“É a atitude de quem reconhece a verdade das acusações que lhe são imputadas, de quem admite os seus erros e limitações e de quem está verdadeiramente disposto a reequacionar a vida, a corrigir os esquemas errados que têm orientado, até aí, a sua existência [...]

Significa a mudança radical da mente, dos comportamentos, dos valores, de forma a que o coração do crente se volte de novo para Deus [...]

É a renúncia ao egoísmo e a autossuficiência, e o aceitar a proposta de Salvação que Deus faz através de Jesus. Implica o acolher Jesus como o Salvador e segui-Lo, no caminho do amor, da entrega, do dom da vida.” (1)

Por isto, dirigem a pergunta a Pedro e aos outros Apóstolos: “O que havemos de fazer, irmãos?” (At 2,37).

Ao que Pedro responde – “Convertei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos vossos pecados. E vós recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2, 38).

Receber o Batismo implica no desejo de conversão e receber o Espírito Santo, optando por Cristo, acolhendo-O no coração, de modo que a vida daquele que crê ganha um dinamismo divino, e a cada instante é recriado, vivificado e transformado.

Deus, que deseja nossa mudança, acredita no bom propósito de nossa conversão. É preciso tomar consciência dos caminhos errados que possam ter sido trilhados, da ausência de sentido em certas opções que se tenha feito.

A “metanoia” nos pede atitude corajosa, porque é mais fácil viver comodamente instalados, na autossuficiência, do que com humildade reconhecer os erros, “dar o braço a torcer”.

Ela exige a eliminação dos preconceitos mais diversos, de esquemas mentais; admissão das falhas, limites e incoerências que marcam a condição humana.  E trata-se de um processo ininterrupto.

Na passagem da segunda Leitura (1 Pd 2, 20b-25), Pedro  nos diz como deve agir aquele que segue o Bom Pastor, respondendo à injustiça com o amor, ao mal com o bem.

O contexto vivido pela comunidade na década de 80 era de perseguição, dificuldades, hostilidade por parte daqueles que defendiam a ordem romana:

“O autor da carta conhece perfeitamente a situação de debilidade em que estas comunidades estão e prevê que, num futuro próximo, o ambiente se vá tornar menos favorável ainda.

Recorda, pois, aos destinatários da carta, o exemplo de Cristo, que sofreu e morreu, antes de chegar à Ressurreição. É um convite à esperança: apesar dos sofrimentos que têm de suportar, os crentes estão destinados a triunfar com Cristo; por isso, devem viver com alegria e coragem o seu compromisso batismal.” (2)

Jesus é o modelo para os que creem, conduz e guarda a todos que n’Ele confiam. O cristão segue e testemunha a fidelidade a este Jesus que sofreu sem culpa e que suportou os sofrimentos com Amor, rejeitando absolutamente o recurso da violência, com total mansidão, porque tão somente o amor gera a vida nova e transforma o mundo:

'Ele sofreu (v. 21) sem ter feito mal nenhum (v. 22); maltratado pelos inimigos, não respondeu com agressão e vingança (v. 23); pelo dom da Sua vida, eliminou o pecado que afastava os homens de Deus e uns dos outros (vs. 24); por isso, Ele é o Pastor que conduz e guarda os crentes (v. 25)’" (3)

A passagem do Evangelho (Jo 10,1-10): Jesus é o Bom Pastor que conduz a humanidade às pastagens verdejantes e às fontes cristalinas de onde brota vida em plenitude.

A imagem do Bom Pastor, que nos remete ao Livro do Profeta Ezequiel (Ez 34), é a mensagem catequética de que a promessa de Deus se cumpriu em Jesus Cristo: o Bom Pastor, esperado e prometido por Deus, agora presente no meio da humanidade.

No entanto, esta presença é recusada pelas autoridades de Seu tempo, quando Jesus cura o cego de nascença (cf. Jo 9).

As autoridades religiosas não somente preferiram continuar nas trevas da autossuficiência, como também impediram o Povo que lhes foi confiado de descobrir a luz libertadora que Jesus tinha para oferecer:

“Jesus não usa meias Palavras: os dirigentes judeus são ladrões e bandidos (cf. Jo 10,1), que se servem das suas prerrogativas para explorar o povo (ladrões) e usam a violência para o manter sob a sua escravidão (bandidos).

Aproximam-se do Povo de Deus de forma abusiva e ilegítima, porque Deus não lhes confiou essa missão (“não entram pela porta”): foram eles que a usurparam. O seu objetivo não é o bem das “ovelhas”, mas o seu próprio interesse”. (4)

Diferentemente, Jesus estabelece com as pessoas uma relação pessoal de Amor e proximidade: Suas ovelhas reconhecem a Sua voz e O seguem, porque encontram segurança, liberdade e vida plena e definitiva (Jo 10,10).

Jesus não somente caminha diante das ovelhas, mas Se fez o próprio Caminho (Jo 14, 6).

Estabelece uma relação de respeito à dignidade de cada um, à sua individualidade. Relaciona-Se de forma humana, tolerante, amorosa e que também deve ser vivida pelo Seu rebanho, no cumprimento do Mandamento do Amor a Deus e ao próximo, de tal modo que se possa dizer: “tal Cristo, tal Pastor...”, numa coerência entre o crer, pregar e viver.

O rebanho reconhece a Sua voz e não se deixa seduzir pelo “canto da sereia”.

Jesus também diz que Ele é a “Porta”, e quem por ela entrar será salvo. Passar por esta "Porta" é encontrar a liberdade desejada e a vida em plenitude, numa total e incondicional adesão a Ele e seguimento até o fim, acolhendo e vivendo a Sua proposta, numa vida marcada pela doação, entrega e serviço por amor.

Ao celebrarmos o Dia do Bom Pastor, como Igreja Sinodal, Povo de Deus caminhando juntos, renovemos a alegria de pertencermos ao rebanho do Senhor, com maior solicitude e fidelidade à Sua Voz para que nos empenhemos no caminho da santidade a serviço no mundo, cada vez mais comprometidos com a ação evangelizadora.

Oremos:

“Deus eterno e Todo-Poderoso, conduzi-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor. Por N. S. J. C. Amém”.

(1) (2) (3) (4) www.Dehonianos.org/portal


PS: Apropriado para o Domingo do Pastor (IVDTPA) e terça-feira da oitava da Páscoa, quando se proclama a passagem dos Atos dos Apóstolos (At 2,36-41)

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG