sábado, 5 de setembro de 2026

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Misericórdia acima de tudo

                                                              

Misericórdia acima de tudo

No sábado da 22ª semana do Tempo Comum e na segunda-feira da 23ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,1-5 e Lc 6,6-11, respectivamente).

O Evangelista nos apresenta dois episódios na vida de Jesus: em dia de sábado Seus discípulos colhem espigas para comer, e Ele cura um homem que tinha a mão seca.

Na conclusão, vemos que os escribas e fariseus encheram-se de raiva e começaram a discutir sobre o que fariam contra Jesus.

Sejamos enriquecidos por este Comentário do Missal Dominical:

“Nas mãos dos doutores da Lei e dos escribas, o sábado se transformara numa série de minuciosa e pesada de prescrições e proibições, a ponto de se tornar sinal de nova escravidão, a de um culto formalista e exterior.

Mas Jesus vem corrigir todas essas inúteis e opressoras prescrições. Ele não Se coloca contra o sábado eliminando-o ou transtornando-lhe o sentido, Observa o sábado, mas vai diretamente ao essencial, afirmando duas ideias:

- o primado da misericórdia sobre as exigências culturais e as prescrições relativas ao repouso sabático (cura o homem da mão paralítica):

- o primado da consciência sobre a regra, do homem sobre a Lei (o sábado é feito para o homem e não o homem para o sábado).”

Para Jesus, o mais importante é que o bem seja feito em todo o tempo, o mal jamais.

A prática da misericórdia ressalta o valor sagrado da vida humana, que está acima de toda prescrição legalista e fria que não gera vida, empobrecendo, assim, o sentido da Lei e sua prática.

Fundamental que, como Igreja, aprendamos com Jesus o primado da misericórdia e da consciência, para nos colocarmos sempre a serviço da vida plena e definitiva.

  
Missal Dominical – Editora Paulus – 1995 – pp.918-919

A Lei a serviço da vida

                                                        

A Lei a serviço da vida

No sábado da 22ª semana do Tempo Comum e na segunda-feira da 23ª Semana do Tempo Comum,  ouvimos a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,1-5 e Lc 6,6-11 - respectivamente).

À luz destes acontecimentos, refletimos sobre o Dia do Senhor (sábado para os judeus, domingo para os cristãos), que devemos guardar a fim de fazer memória da ação criadora e redentora de Deus com Seu Povo que somos.

Voltemos à passagem do Livro do Deuteronômio (Dt 5,12-15), que nos recorda o preceito do terceiro Mandamento, de guardar o sábado para santificá-lo, sugerindo que seja um dia que exprime a unidade do Povo que celebra a ação libertadora de Deus, sem qualquer tipo de desigualdades.

Temos a enunciação do Mandamento, uma explicação didática de como devemos praticá-lo e uma fundamentação teológica para essa mesma prática.

O referido Mandamento funciona como um símbolo dos deveres para com Javé (Dt 5,6.15) e para com o próximo (Dt 5,14.21).

Urge regressar aos fundamentos da celebração do Dia do Senhor, tomando a sério o valor do verbo “santificar”.

Santificar o Dia do Senhor implica em adorá-lo, acima de tudo e de todos, mas também implica em viver relações mais justas e fraternas com o próximo, para não incorrermos em nova escravidão.

Voltando aos fundamentos da celebração do Dia do Senhor, viveremos o sábado (ou Domingo), como memorial da libertação do Pecado na Páscoa de Cristo, que atualiza a obra libertadora de Deus da escravidão do Egito.

A celebração do Dia do Senhor tem uma grande dimensão social, sendo dia de descanso para todos, garantindo esse direito, sobretudo aos pobres que se veem assim protegidos pela Lei divina, como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica:

“O agir de Deus é o modelo do agir humano. Se Deus ‘descansou’ no sétimo dia, o homem deve também ‘descansar’ e deixar que os outros, sobretudo os pobres, ‘tomem fôlego’. O sábado faz cessar os trabalhos quotidianos e concede uma folga. É um dia de protesto contra as servidões do trabalho e o culto do dinheiro” (n. 2172).

O Papa Bento XVI nos ajuda a compreender a importância do Domingo para os cristãos:

“Precisamos do Pão da vida para enfrentar as fadigas e o cansaço da viagem. O Domingo, Dia do Senhor, é a ocasião propícia para haurir a força d'Ele, que é o Senhor da vida.

Por conseguinte, o preceito festivo não é um dever imposto pelo exterior, um peso sobre os nossos ombros. Ao contrário, participar na Celebração dominical, alimentar-se do Pão eucarístico e experimentar a comunhão dos irmãos e irmãs em Cristo é uma necessidade para o cristão, é uma alegria, e assim pode encontrar a energia necessária para o caminho que devemos percorrer todas as semanas.

Um caminho, aliás, não arbitrário: a via que Deus nos indica na sua Palavra vai na direção inscrita na própria essência do homem, a Palavra de Deus e a razão caminham juntas. Seguir a Palavra de Deus e caminhar com Cristo significa para o homem realizar-se a si mesmo; perdê-la equivale a perder-se a si próprio”. (1)

Voltemos à passagem do Evangelho em que se retoma a temática do terceiro preceito do Decálogo, nos episódios em que os discípulos colhem espigas para comer e um homem com uma mão atrofiada curado - ambos os episódios em dia de sábado.

A mensagem central: quando se faz uma interpretação demasiado rigorista dos preceitos da Lei, esta deixa de cumprir a sua missão de estar ao serviço do homem em cada tempo.

Jesus nos convida, por isso, a posicionar-nos ao serviço dos necessitados, tendo em conta que o Dia do Senhor foi feito para o homem, não para fazer do homem um escravo.

O Evangelista nos convida a centrar nas palavras de Jesus que ajudam a interpretar a sua liberdade diante da instituição do sábado judaico: "O Filho do homem é senhor do sábado" (Lc 6,5):


“Diante do poder de Jesus e das necessidades humanas, as coisas sagradas não têm um valor próprio (nem o pão do santuário, no caso de David, nem o sábado, no caso dos discípulos de Jesus ou do homem com a mão atrofiada), mas existem para o bem da humanidade (os pães da proposição para alimentar David e os seus homens, o sábado para o homem e para Jesus); na interpretação de Jesus, é fundamental que o que é sagrado esteja ao serviço do homem...

Jesus escolheu fazer o bem e colocar-Se ao serviço das necessidades humanas, satisfazendo-as, mesmo se isso lhe acarreta a decisão do conluio das autoridades políticas e religiosas contra Ele, para O condenarem à morte” (2)

Não se trata, portanto, da interpretação libertina ou relativista do sábado, mas de fazer dele o dia da relação com Deus, que vem em auxílio de quem está em necessidade.

As interpretações rigoristas da Lei – como são as dos fariseus no nosso texto – cegam e não deixam ver as necessidades humanas que, na perspectiva de Jesus, são o verdadeiro critério para manter uma atitude livre diante da Lei, sendo assim o cristão prolonga a existência da vida de Cristo, e no Dia Maior, o Domingo, a Ele consagrado, não pode perder de vista os que foram os Seus prediletos, com gestos de amor, solidariedade e partilha.

Por fim, concluímos que todas as instituições, sejam elas religiosas ou civis, devem estar ao serviço da vida humana, para que possam realizar a missão para a qual nasceram, do contrário, perderão a razão de existir.


PS: Citações extraídas de www.Dehonianos.org/portal 

Em poucas palavras... (XXIIIDTCA)

                                            


Reconciliação com Deus e com a Igreja são inseparáveis

“As palavras ligar e desligar significam: aquele que vós excluirdes da vossa comunhão, ficará também excluído da comunhão com Deus; aquele que de novo receberdes na vossa comunhão, também Deus o acolherá na sua. A reconciliação com a Igreja é inseparável da reconciliação com Deus.” (1)

 

(1)               Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1445

Em poucas palavras... (XXIIIDTCA)

                                                




                                          Ligar de desligar

“Jesus confiou a Pedro uma autoridade específica: «Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desligares na terra será desligado nos céus» (Mt 16, 19). O «poder das chaves» designa a autoridade para governar a Casa de Deus, que é a Igreja. Jesus, o «bom Pastor» (Jo 10, 11), confirmou este cargo depois da sua ressurreição: «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21, 15-17).

O poder de «ligar e desligar» significa a autoridade para absolver os pecados, pronunciar juízos doutrinais e tomar decisões disciplinares na Igreja. Jesus confiou esta autoridade à Igreja pelo ministério dos Apóstolos e particularmente pelo de Pedro, o único a quem confiou explicitamente as chaves do Reino.”(1)

 

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 553

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Sentinelas/Profetas (XXIIIDTCA)

                                                      

Sentinelas/Profetas

 À luz da passagem da Sagrada Escritura (Ez 33, 7-9), graça reacendamos a chama do amor a Deus para que vivamos a dimensão profética que recebemos no dia de nosso Batismo.
 
A exemplo do Profeta Ezequiel, urge que sejamos Profetas da esperança, desterrados da Pátria Celeste, porque ainda peregrinos longe do Senhor, sentindo a Sua divina presença, que se expressa bondade e amor para conosco.
 
Com isto faz-se necessário que venhamos a dar razão de nossa esperança a quantos dela precisarem, convictos de que Deus jamais nos abandona, sobretudo diante dos que nada mais creem.
 
Sejamos aprendizes dos Profetas Ezequiel, Habacuc, Isaías, Jeremias, Oseias, e sejamos sentinelas/profetas de Deus, na escuta atenta dos apelos de Deus, para que não sejamos envolvidos e consumidos pelos perigos que aparecem no horizonte da comunidade.
 
Profetas/sentinelas são vigilantes e atentos, enquanto tantos descansam; perscrutam o horizonte, detectam o perigo que ameaça a vida, e, ao pressentir o perigo, dão o sagrado alarme, evitando catástrofes possíveis.
 
Sejamos Profetas/Sentinelas eficientes iluminados e sedentos da Palavra Divina, que nos consome como um fogo devorador, prontos para descobrir e anunciar a vontade divina para a humanidade e para o mundo.
 
Profetas/Sentinelas, são homens e mulheres de nosso tempo, mergulhados na realidade e nos desafios da sociedade em que estamos inseridos, de modo que sejamos capazes de conhecer e ler as linhas da história, com perspectiva crítica, seus problemas, dramas e infidelidades.
 
Tão somente assim não nos fecharemos num mundo cômodo, ignorando as infidelidades aos Projetos de Deus, sem nos demitirmos de nossas responsabilidades, incomodando-nos com as escolhas erradas que nos afastem da vida plena e feliz.
 
Viveremos a graça do mandato que nos concedeis, alertando a comunidade para os perigos que a ameaça, pagando o custo que for preciso, para que não trilhemos caminhos que conduzam à infelicidade, ao sofrimento e à morte.
 
Seremos um sinal vivo, um sinal do Amor de Deus pelo Seu Povo; enviados em missão, com coragem para testemunhar Seus desígnios, sobretudo em momentos de crise, de desilusão e de solidão…
 
Daremos provas de que Deus, cada dia, não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva, trilhando caminhos de Salvação e Vida.
 
O mundo precisa de Profetas/Sentinelas.
 
Oremos:
Eis-nos aqui, Senhor, colocamo-nos ao Vosso dispor, portanto, conduzi, iluminai, fortalecei e guardai nossos passos, para que convictos e corajosas Profetas/Sentinelas sejamos.
 
Concedei, Senhor, a Vossa luz e sabedoria:
 
-    Aos sacerdotes, na condução das Comunidades que lhes foram confiadas;
 
- Aos pais e mães, para que sejam zelosas Profetas/Sentinelas de suas famílias, pequeninas Igrejas Domésticas;
 
-  Aos Agentes de Pastoral, discípulos missionários do Senhor, vivendo a graça da missão de uma Igreja sinodal, que se renova na comunhão, participação;
 
- A tantos quantos receberam a graça do Batismo, para que como Profetas/Sentinelas, sejam no mundo, sal, fermento e luz. Amém.
 


“A caridade é a plenitude da Lei” (XXIIIDTCA) (Homilia)

                                                          

“A caridade é a plenitude da Lei”

“O amor não faz nenhum mal contra o próximo.
Portanto, o amor é o cumprimento perfeito da Lei.” (Rm 13,10)

Com a Liturgia do 23º Domingo do Tempo comum (Ano A), refletimos sobre a nossa responsabilidade para com nosso próximo.

É inadmissível ao discípulo missionário do Senhor ficar indiferente de tudo que possa ameaçar a vida e felicidade do outro, de modo que é preciso viver a corresponsabilidade.

Na passagem da primeira Leitura (Ez 33,7-9), o Profeta Ezequiel é apresentado como uma sentinela, colocado por Deus, sempre atento ao Projeto Divino, alertando a comunidade para os perigos que a cerca.

“O Profeta é um homem do seu tempo, mergulhado na realidade e nos desafios da sociedade em que está integrado; conhece o mundo e é capaz de ler, numa perspectiva crítica, os problemas, os dramas e as infidelidades dos seus contemporâneos.” (1)

O Profeta recebe de Deus o mandato da missão, e torna-se um sinal vivo do Amor de Deus pelo Seu povo:

“Deus que o chama, que o envia em missão, que lhe dá a coragem de testemunhar, que apoia nos momentos de crise, de desilusão e de solidão... O Profeta/sentinela é a prova de que Deus, cada dia, continua a oferecer ao Seu Povo caminhos de salvação e vida. O Profeta/sentinela demonstra sem margem para dúvidas, que Deus não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva.” (2)

Reflitamos:

- Como vivemos a missão profética que recebemos no dia de nosso Batismo?

- Qual o tempo que dedicamos para o encontro com Deus na Oração, para falar com Ele, ouvir e meditar a Sua Palavra?

- Quais são as situações do mundo em que vivemos, que, à luz da fé, exige que vivamos a missão profética?

Na passagem da segunda Leitura (Rm 13,8-10), o Apóstolo Paulo nos exorta a colocar no centro da vida cristã o Mandamento do Amor, uma dívida que jamais será plenamente saldada.

Em nossa experiência cristã somente o amor é essencial, e as demais coisas são secundárias.

É preciso orientar a vida pelo Mandamento do Amor, porque cristianismo sem amor se torna uma mentira, e como cristãos jamais podemos deixar de amar nossos irmãos. 

O amor está no centro de toda a nossa experiência religiosa. No Mandamento do Amor, resume-se toda a Lei e todos os preceitos. Os diversos Mandamentos não passam, aliás, de especificações da exigência do amor. A ideia de que toda a Lei se resume no amor não é uma ‘invenção’ de Paulo, mas é uma constante na tradição bíblica (Mt 22,34-40).” (3)

A comunidade tem sempre à frente um desafio: multiplicar as marcas do amor, diminuindo, ou melhor ainda, eliminar toda marca de insensibilidade, egoísmo, confronto, ciúme, inveja, opressão, indiferença, ódio.

Esta dívida do amor nos pede sempre algo novo para com o próximo:

“Podemos, todos os dias, realizar gestos de partilha, de serviço, de acolhimento, de reconciliação, de perdão... mas é preciso, neste campo, ir sempre mais além.

Há sempre mais um irmão que é preciso amar e acolher; há sempre mais um gesto de solidariedade que é preciso fazer; há sempre mais um sorriso que podemos partilhar; há sempre mais uma palavra de esperança que podemos oferecer a alguém. Sobretudo, é preciso que sintamos que a nossa caminhada de amor nunca está concluída.” (4)

Na passagem do Evangelho (Mt 18,15-20), Jesus nos ensina que o caminho para a correção fraterna não passa pela humilhação ou condenação de quem tenha falhado.

É imperativo o diálogo fraterno, leal, amigo, precedido e acompanhado da vivência do Mandamento do Amor, que é nosso distintivo como discípulos do Senhor.

Toda comunidade tem suas tensões e problemas de convivência, e Jesus nos apresenta os caminhos que precisamos percorrer para a superação.

Sejamos Profetas/sentinelas do Reino, envolvidos e acolhidos pela Misericórdia divina, vivenciando-a concretamente em gestos de acolhida e perdão, para que nossas comunidades sejam mais fraternas e credíveis da presença do Senhor Ressuscitado.

Aprendamos o caminho que Jesus nos propõe: ser misericordioso como Deus é misericordioso, buscando nossa perfeição e santificação e também de nosso irmão e irmã. E para tanto, a vivência do Mandamento do Amor é a máxima expressão de nossa fé no Senhor, e de nosso compromisso como discípulos missionários do Reino que Ele inaugurou.

O caminho é longo! Iluminados pela Palavra divina e revigorados pelo Pão da Eucaristia, continuemos passo a passo, sem jamais desistir.   



(1) (2) (3) (4) – cf. www.Dehonianos.org/portal

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG