quarta-feira, 5 de agosto de 2026

A Palavra do Senhor é luz em nosso caminho

                                                               

A Palavra do Senhor é luz em nosso caminho

Reflexão à luz da passagem da Carta de São Pedro (1Pd 5,5b-7):

“Revesti-vos todos de humildade no relacionamento mútuo, porque Deus resiste aos soberbos, mas dá a sua graça aos humildes. Rebaixai-vos, pois, humildemente, sob a poderosa mão de Deus, para que, na hora oportuna, Ele vos exalte. Lançai sobre Ele toda a vossa preocupação, pois é Ele quem cuida de vós”.

À luz das palavras do Apóstolo, como discípulos missionários do Senhor, é urgente solidificar os pilares da evangelização (Palavra, Pão da Eucaristia, Caridade e Ação Missionária), rever e renovar a alegria da missão.

Assim, retomemos os verbos: “revesti-vos”, “rebaixai-vos” e “lançai sobre Ele”, numa breve reflexão.

Urge que sejamos todos revestidos de humildade no relacionamento mútuo, porque Deus resiste aos soberbos e dá a Sua graça aos humildes.

Maria também nos falou sobre esta verdade, como podemos ver no canto do Magnificat, que ela cantou quando de sua visita a Isabel (cf. Lc 1,46-55).

Da mesma forma, é necessário que nos rebaixemos humildemente, sob a poderosa mão de Deus, para que no tempo oportuno ele nos exalte.

Em vários momentos, junto aos Seus discípulos, Jesus falou da humildade necessária, do colocar-se a serviço dos pequenos, fazendo-se o último de todos e a serviço de todos.

Ressaltou atitudes de humildade, confiança e abertura à misericórdia de Deus, colocando-Se totalmente em Suas mãos.

No discipulado vivido, não são poucas as preocupações, inquietações, provações, adversidades. 

Nestes momentos, ressoem as palavras do Apóstolo – lançai sobre Ele toda a vossa preocupação, pois é Ele quem cuida de vós.”

Assim é nosso discipulado, como uma longa travessia no mar revoltoso, em que somos interpelados a vencer todo o medo, confiantes na presença da Trindade, que nos envolve com Seu amor e proteção, experimentando em nossas fraquezas e limitações, a onipotência da misericórdia e força divinas.

Sigamos em frente, como alegres e corajosos discípulos missionários do Senhor, revestidos de amor mútuo, crescendo na solidariedade e fortalecendo os vínculos de comunhão e fraternidade.

Em poucas palavras...

                                              


 


De Cristo são nossas mãos, pés e lábios
 
"Cristo não tem mãos, pois só dispõe das nossas mãos para transformar o mundo de hoje.
 
Cristo não tem pés, pois só possui os nossos pés para orientar o mundo rumo a Ele.  
 
Cristo não tem lábios, pois só dispõe dos nossos lábios para falar ao homem."
 
Fonte: Discurso do Papa São João Paulo II pronunciado no Encontro de peregrinos dos “Cursilhos de Cristandade”  (29/07/ 2000)

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A procura de um caminho de luz

                                                        

A procura de um caminho de luz

Esta "Carta de Barnabé" escrita por autor anônimo, no século II. ajuda-nos na procura de respostas para nossas "noites escuras da alma".

Eis o caminho da luz: se alguém deseja chegar a determinado lugar, que se esforce por seu modo de agir. Foi-nos dado saber como andar por este caminho: amarás quem te criou.

Terás veneração por quem te formou; darás glória a quem te remiu da morte. Serás simples de coração e rico de espírito; não te juntarás aos que andam pelo caminho da morte. Terás aversão por tudo quanto desagrada a Deus; odiarás toda simulação; não desprezes os mandamentos do Senhor.

Não te exaltes a ti mesmo, sê humilde em tudo; não procures tua glória. Não trames contra teu próximo; não te entregues à arrogância. Ama teu próximo mais do que a tua vida. Não mates o feto por aborto, nem depois do nascimento.

Não retires a mão de teu filho ou de tua filha e, desde a infância, ensina-lhes o temor do Senhor. Não cobices os bens de teu próximo nem sejas avaro; não te unas de coração aos soberbos, mas sê amigo dos humildes e justos.

Tudo quanto te acontecer, recebe-o como um bem, sabendo que nada se faz sem Deus. Não sejas inconstante nem usarás duplicidade no falar; na verdade, é laço de morte a língua dúplice.

Partilharás tudo com teu próximo e não dirás ser propriedade tua o que quer que seja; se sois coerdeiro das realidades incorruptíveis, quanto mais daquilo que se corrompe.

Não serás precipitado no falar, pois a boca é um laço de morte. Tanto quanto puderes, em favor de tua alma, sê casto. Não tenhas a mão estendida para receber e, encolhida, para dar.

Ama como a pupila dos olhos todo aquele que te dirigir palavra do Senhor. Relembra, dia e noite, o dia do juízo e procura diariamente a presença dos santos, estimulando pela palavra, exortando e meditando como salvar a alma por tua palavra ou trabalhar com tuas mãos para a remissão dos teus pecados.

Não hesites em dar nem dês murmurando; bem sabes quem é o bom remunerador da dádiva. Guarda o que recebestes, sem tirar nem por. Seja-te perpetuamente odioso o Maligno. Julgarás com justiça. Não fomentes dissídios, mas esforça-te por restituir a paz, reconciliando os contendores. Confessa teus pecados.

Não vás à Oração, de má consciência. Este é o caminho da luz.”                 
Procuramos e precisamos de um caminho de luz para as noites escuras de nossa alma, noites escuras de nossa existência; às vezes subitamente presentes; teimosamente persistentes…

Reflitamos:

- Quais as luzes que se acenderam em nosso caminho com a reflexão desta    Carta?
- Como fazer para que as luzes cheguem a quem estiver precisando?

Como discípulos missionários, 
peregrinos da esperança,
vigilantes na espera do Senhor que virá gloriosamente, 
precisamos evangelizar,
proclamar a Palavra,
 irradiando a luz divina para quem mais precisa.
Iluminados e iluminantes no mundo seremos. 
Amém.

PS: Oportuno para o 4º Domingo da Quaresma - Ano A

Ser Padre: revelar a Face de Cristo

 


                                  Ser Padre: revelar a Face de Cristo

 
Ao celebrar o Dia do padre, elevemos orações e multipliquemos gestos solidários e fraternos, para que cada Presbítero ofereça sua pobreza nas mãos da Misericórdia Divina e, assim, alimentado pela força da oração, possa conduzir muitos a Ele, o Sumo e Eterno Sacerdote, Jesus Cristo.
 
Deste modo, revelará verdadeiramente a Face do Cristo Bom Pastor, Divino Semeador, Divino Multiplicador, no tríplice munus de santificar, ensinar e reger:
 
- Na presidência da Celebração Eucarística e todos os Sacramentos; proclamar e ensinar à luz da Sagrada Escritura;
 
- No reger a Paróquia ou comunidades a ele confiadas, contando com a imprescindível colaboração e participação dos mais diversos Conselhos, em expressiva sinodalidade, na comunhão, participação e sagrada missão;
 
- Na motivação e vivência das obras de misericórdia corporais e espirituais;
 
- Na colaboração da edificação de uma cultura do encontro, na promoção da compaixão, proximidade e solidariedade;
 
- Na promoção da cultura do cuidado, na promoção do bem comum e no cuidado de todas as criaturas e da Casa Comum.
 
Concluo com as palavras de um autor do século II, na  “Carta de Barnabé”:
 
"Amemos como a pupila dos olhos aqueles que nos pregam a Palavra do Senhor". Amém.
 
 

No Senhor confiamos e a Ele suplicamos

                                                          

No Senhor confiamos e a Ele suplicamos

Na passagem do Evangelho proclamado na Quarta-feira da 18ª Semana do Tempo Comum, vemos uma pagã que suplica a Jesus para que libertasse sua filha de um espírito impuro (Mt 15,21-28), encontramos algumas mensagens iluminadoras para nosso discipulado:

Jesus Se retira para oração...
- Quantas vezes queremos ficar diante de Deus e não conseguimos meditar?
- Quantos são os apelos que nos vêm na hora em que nos colocamos em oração?
- Quantos pedidos, telefonemas, encaminhamentos, emergências, inúmeros compromissos?

Alimentar-se espiritualmente para ser presença de Deus para o outro:
Jesus nos ensina que o clamor dos sofredores deve tocar nosso coração, e não adiar a resposta solidária, expressão concreta de amor.

Cada pessoa tem que descobrir o tempo e o modo de se alimentar, espiritualmente, para não se esvaziar na missão de cada dia.

A espiritualidade nutrida é fonte de partilha e solidariedade. A falta da oração esvazia o coração e esfria a compaixão.

Com a mulher pagã, também aprendemos:
- Ela não foi indiferente quando ouviu falar de Jesus e sabia que Ele não a decepcionaria.

Vai até Jesus não para pedir para si mesma, mas para a filha. Súplica que se abre a realidade do outro, que não reza tão apenas para si mesma…

Ela dirigindo-se a Jesus cai aos Seus pés, em absoluta atitude de humildade e confiança, suplicando como que as migalhas  que caem da mesa: numa atitude de humilhação.

Mas nós não ganhamos migalhas de Deus, pois Ele não nos criou para vivermos de migalhas.

Deus sempre nos deu o melhor Pão do mundo.
Deus nos deu o melhor do melhor...
O Melhor: Jesus, o Pão da Vida!

Há muito que aprender com a atitude desta mulher que nos fala o Evangelho.

Porque Deus não quer ver ninguém na miséria, sobretudo condenado à miserável condição de pecador, excluído de Sua misericórdia e da vida plena!

Uma outra bela lição nos ilumina: quando acorremos a Deus com sinceridade, confiança e humildade, somos atendidos.

Reflitamos:

- Dirigimo-nos a Deus com humildade, confiança e sinceridade?
- Quais são os conteúdos de nossas súplicas?
- Pedimos somente para nós ou, em nossas orações, o outro ocupa lugar privilegiado?
- De que modo vivemos a atitude de agradecimento, diante de Deus, pelo Pão da Vida que nos oferece em cada Eucaristia e em todos os dias de nossas vidas?

Sejamos como aquela mulher pagã, uma estrangeira: coloquemo-nos diante de Deus e rezemos de modo que nossa oração possa tocar o coração de Deus, porque fruto da humildade, confiança e sinceridade.

Reflitamos:

- Como e onde rezamos?
- O que e para quem rezamos?

- Por que rezamos?
- Qual o valor da Celebração Eucarística em minha vida?

- Qual a consequência, em minha vida, ao me alimentar do Pão da Vida?
- Ofereço o melhor de mim mesmo, ou apenas ofereço migalhas, a quem de mim se aproxima?

Que nossa oração seja a expressão da confiança de que, com a força de Deus, tudo faremos melhor! E, assim, a liberdade e o amor se tornarão, em tudo e em todos, uma desejável realidade!

O Amor Divino rompe barreiras e cria comunhão

                                                     

O Amor Divino rompe barreiras e cria comunhão

Ouvimos na Liturgia da Palavra da quarta-feira da 18ª Semana do Tempo comum (Ano par), as passagens bíblicas: Jr 31,1-7;  Mt 15,21-28.

Sejamos enriquecidos pelos comentário do Lecionário Comentado:

A Bíblia é a narração multiforme de uma extraordinária história de amor entre Deus e os homens. E a proposta perene de relação do Parceiro Divino é diversamente acolhida ou recusada, segundo a alternância respeitante a pessoas singulares ou coletividades.

Acreditar que o Senhor é fiel àquilo que prometeu torna-se um desafio muitas vezes difícil, sobretudo porque muitas vezes os homens têm a impressão de que não notam a presença divina nas suas vidas...

Nenhuma diferença cultural nos impede de ajudar quem se encontra em dificuldades, em particular se aparece à nossa frente... 

O medo egoísta de perder espaços e recursos julgados de exclusiva posse pessoal ou coletiva, ou então o simples receio de quem é ‘diferente’ de nós levaram e levam a opções de encerramento e de entrincheiramento sociais evangelicamente injustificáveis.

O amor evangélico deve levar a responder positivamente às exigências de quem precisa, fora e para além de cálculos mesquinhos e conveniências imediatas, mediante opções quotidianas praticáveis no interesse do bem comum. Jesus morre na Cruz por todos e o Seu amor não se mede por uma lógica setorial ou sectária.

É oportuno que nos recordemos disto, todas as vezes que encontramos algum ‘cananeu’ que pede auxílio, e não somente quando corremos o risco de nos tornarmos ‘cananeus’.” (1)

Iluminados pela Palavra Divina, aprofundemos esta relação de amor com Deus, continuemos a escrever linhas, páginas no Livro da Vida, percebendo sua presença em todos os momentos, em todas as circunstâncias, inclusive nas adversas.

N’Ele confiando e crescendo nesta relação de amor, vivendo a lógica de Jesus, o amor sem limites, o amor de Cruz, rompemos barreiras que nos distanciam, quebramos muros de inimizades, construímos relações mais fraternas, para sinalizar a realidade do Reino por Ele inaugurada.

E, como tão bem enfatizou o Papa Francisco em sua participação na Jornada Mundial da Juventude, a relação de amor com Deus exige de cada um de nós maior proximidade e solidariedade com Suas criaturas, imagem e semelhança de Deus. 

Concluímos com as palavras do Papa Bento XVI:

O Amor a Deus e o amor ao próximo fundem-se num todo: no mais pequenino, encontramos o próprio Jesus e, em Jesus, encontramos Deus... o amor ao próximo é uma estrada para encontrar também a Deus, e que o fechar os olhos diante do próximo torna cegos também diante de Deus.”  (2)



(1)Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - p. 62-64)
(2) Encíclica – “Deus Caritas Est” – 2005.
 

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