terça-feira, 12 de maio de 2026

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Não estamos sós!

                                                                  


Não estamos sós!

“Se Eu não for, o Paráclito
não virá a vós” (Jo 16,5-11)

Dentro de poucos dias celebraremos a Festa de Pentecostes: nascimento e missão da Igreja com a presença e ação do Espírito Santo que a acompanha e acompanhará por todo o tempo, enriquecendo-a com a plenitude dos Dons, e a passagem do Evangelho (Jo 16,5-11) nos ajuda nesta preparação.

Num contexto de despedida, Jesus assegura que Sua partida se faz necessária, com dores e sofrimentos por um momento, mas alegria para sempre, pois vai para nos enviar do Pai, o Paráclito, o Defensor, o Advogado, o Espírito Santo para acompanhar e assistir a Sua Igreja.

É o Espírito que iluminará a mente e o coração do discípulo para não sucumbir diante da lógica do mundo (ter, poder e ser), com sua iniquidade e falta de solidez, intrigas e falsas salvações, soluções simplistas e imediatas.

É Ele, que num processo perene, iluminará o coração daquele que crê, para viver a lógica que fundamentou a vida de Jesus: doação, serviço, amor, entrega, fidelidade, obediência...

Viver esta lógica implica em suportar as provações, perseguições, incompreensões, confiante porque sabe que pode contar com a presença e ação do Espírito que ajudará e fortalecerá, para que se permaneça firme na fidelidade ao Evangelho, na construção do Reino.

Assim prometeu Jesus, assim se cumpriu. Temos como Igreja a presença e a força do Espírito e podemos afirmar: como é bom sermos a Igreja por Ele fundada, e contar com a presença do Espírito Santo que nos acompanha a cada instante, em toda e qualquer situação.

Acolhamos sempre a presença do Espírito em suas múltiplas formas de manifestações: fogo, sopro, dom, força, luz, graça, amor, ternura, coragem, diversidade, comunhão...

O Advento do Paráclito

                                   

O Advento do Paráclito

A poucos dias de celebrarmos a Festa de Pentecostes, vivemos como que “um breve de Advento”, como tão bem afirmou o Pe. Raniero Cantalamessa.

A partir do VI Domingo da Páscoa, “a atenção se desloca de Cristo ao Espírito Santo, do Ressuscitado ao Seu dom.

Começa uma espécie de pequeno Advento, em preparação a Pentecostes. A vida de Cristo foi preparada, durante séculos, pelo anúncio dos Profetas e apontada por João Batista; aquela do Espírito Santo foi anunciada pela promessa de Jesus, foi o mesmo Jesus, por assim dizer, o precursor do Paráclito. 

‘Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade...’” (Jo  14,15-21) (1)

As passagens do Evangelho proclamadas nestes dias têm nos levado a esta grande preparação para a acolhida do Espírito Santo, que ilumina, enriquece a Igreja com seus dons, conduz e fortalece...

Jesus fala que mais um pouco de tempo e os discípulos não O veriam, exatamente porque o Mistério da Cruz se fazia próximo, e com ele, a morte e a absurda dor da separação e do vazio que experimentariam.

Mas Ele advertiu que mais um pouco, eles O veriam de novo, ou seja, todos os que acreditam fariam a experiência do Ressuscitado que se tornariam fundamental para a continuidade da missão.

Deste modo viveriam sempre na Sua suave e desejável presença, e a tristeza da separação daria, àqueles que têm fé, lugar a uma alegria que jamais o mundo poderia tirar.

Mas, Jesus sabia que por causa dos que não acreditam, e também pelos próprios pecados da condição humana dos seguidores, deveriam passar por diversas tribulações, no entanto, por piores que sejam elas não podem vencer quem crê verdadeiramente.

Como Igreja, continuemos esta preparação, para que o Fogo do Espírito derramado em Pentecostes sobre os discípulos reunidos, seja também derramado sobre nós, e sejamos no mundo alegres discípulos missionários do Senhor, como tão bem nos exortou o Papa Francisco (cf. “Evangelii Gaudium”). 


(1) O Verbo Se fez carne – Pe. Raniero Cantalamessa - Editora Ave Maria - 2013  

Ser Mãe, uma graça divina

 


Ser mãe, uma graça divina

 

Uma mãe abraça o filho com o olhar,

O envolve de ternura,

ainda que não o toque fisicamente.

 

Mãe, com uma palavra dita,

Acende no horizonte

uma luz no coração do filho que ama.

 

Mãe ouve o grito das lágrimas de um filho,

Aquelas que gritam, ainda que no silêncio.

Divina sensibilidade para a escuta.

 

A mãe, melhor que ninguém, conhece

Os limites e imperfeições dos filhos,

ainda que tente ocultar.

 

Mãe acende luzes na escuridão da noite,

Com a Palavra da Luz Divina,

Luz a iluminar passos comuns, juntos.

 

Mãe ajuda a reencontrar

a beleza do sol que nos cobre,

Ou do lumiar da lua em noites sombrias.

 

Mãe, como anjo, empresta as asas aos filhos

Para alcançarem a luz das estrelas,

E jamais ao precipício se atirarem.

 

Mãe é uma voz pela qual Deus nos fala.

Louvado seja Deus por tua sagrada vocação.

Para ti, carinho, eterna gratidão. Amém.

Mãe nos comunica o amor de Deus

 


Mãe nos comunica o amor de Deus

Ser mãe é ser um instrumento criado por Deus para nos comunicar a Sua presença.

Deste modo, a mãe nos possibilita a visibilidade do Amor divino.

Oremos pelas nossas mães, quer estejam ao nosso lado ou já na glória de Deus.

Ave Maria, cheia de graça...

Fortaleçamos os vínculos da comunhão fraterna

                                     


Fortaleçamos os vínculos da comunhão fraterna

Sejamos enriquecidos pelo Comentário sobre o Evangelho de João, escrito pelo bispo São Cirilo de Alexandria (Séc. V):

“Cada vez que participamos do Corpo Sagrado de Cristo, unimo-nos a Ele corporalmente, como afirma São Paulo ao falar do mistério do amor misericordioso de Deus: Este mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo (Ef 3,5-6).

Ora, se todos nós formamos um só corpo em Cristo, não apenas uns com os outros, mas também com Aquele que habita em nós pela Sua carne, por que não vivemos plenamente esta união existente entre nós e com Cristo? Com efeito, Cristo é o vínculo da unidade, por ser ao mesmo tempo Deus e homem.

Seguindo o mesmo caminho, podemos falar da nossa união espiritual, afirmando que todos nós, ao recebermos o único e mesmo Espírito Santo, nos unimos uns com os outros e com Deus. Embora estejamos separados, somos muitos e, em cada um de nós, Cristo faz habitar o Espírito do Pai que é também o Seu.

Todavia, o Espírito é um só e indivisível e, com a Sua presença e ação, reúne os que individualmente são distintos uns dos outros, fazendo com que em Si mesmo todos sejam um só. Assim como a virtude do Corpo Sagrado de Cristo transforma num só corpo os que d’Ele participam, parece-me que o único e indivisível Espírito de Deus, habitando em cada um, vincula a todos numa unidade espiritual.

Por isso, novamente São Paulo se dirige a nós: Suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor. Aplicai-vos em guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança à qual fostes chamados. Há uma só fé, um só Senhor, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos (Ef 4,2-6).

Se efetivamente é um só Espírito que habita em nós, também o único Deus e Pai de todos estará em nós por Seu Filho, unindo entre Si e consigo todos os que participam do mesmo Espírito.

Desde agora, torna-se evidente que, de alguma maneira, estamos unidos ao Espírito Santo por participação. De fato, se de uma vez por todas abandonamos a vida puramente natural e obedecemos às leis do espírito, é claro que, deixando de lado a nossa vida anterior e unindo-nos ao Espírito Santo, adquirimos uma configuração espiritual e, até certo ponto, transformamos em outra a nossa natureza. Assim já não somos simplesmente homens, mas filhos de Deus e habitantes do céu, pelo fato de nos termos tornado participantes da natureza divina.

Todos, portanto, somos um só no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Um só, repito, pela identidade de condição, um só pela união da caridade, pela comunhão do Corpo Sagrado de Cristo e pela participação do único Espírito Santo.” (1)

Como vemos, o bispo nos apresenta Jesus Cristo, o vínculo da unidade: no Pai e no Espírito, com Jesus Cristo, somos um só, e esta união da caridade, nós a celebramos e nutrimos ao celebrar a Ceia Eucarística, e nos alimentamos com o Corpo Sagrado de Cristo, pela participação do único Espírito Santo.

Como Igreja Sinodal, urge que fortaleçamos os vínculos de comunhão fraterna, expressos em gestos de solidariedade e compromissos com a vida, em suas realidades mais desafiadoras, sobretudo onde a vida se encontre ameaçada.

Que ao verem nossas comunidades reunidas e evangelizando, todos possam dizer – “Vede como eles se amam”:

“Mas é justamente esta demonstração de grande amor entre nós o que nos atrai a aversão de alguns, pois dizem: ‘Vede como se amam’, enquanto eles somente se odeiam entre si. ‘Vede como estão dispostos a morrer uns pelos outros’, enquanto eles estão mais dispostos a matarem-se entre si.” (Tertuliano – séc. III).

 

(1) Liturgia das Horas - Volume II - Quaresma/Páscoa – p. 800-802

"Eu não tenho outros planos" (Ascensão do Senhor)

                                            

"Eu não tenho outros planos"

Sejamos enriquecidos por uma mensagem fictícia, oportuno para refletirmos sobre a graça da missão que o Senhor nos confia, como discípulos missionários Seus.

“Conta-se que Jesus, no dia da sua Ascensão aos céus, se encontrou com S. Gabriel Arcanjo que vinha, caminho contrário, cumprir alguma missão aqui na terra.

Gabriel, ao ver o Senhor subindo aos céus e que a terra ficaria sem Ele, olhou também para o planeta e observou um cenário curioso: a terra estava coberta por uma nuvem negra e o contraste negro-azul não resultava muito agradável a não ser por uns poucos, pouquíssimos, pontos de luz.

Chamou a atenção do Arcanjo o ambiente desolador, mas chamou-lhe mais imperiosamente a atenção a existência desses poucos pontos de luz.

O Arcanjo perguntou então ao Senhor: “e aqueles pontos de luz? O que são? Jesus respondeu: “são a minha mãe e os meus outros discípulos. Eles vão iluminar toda a terra”.

Gabriel, conhecendo a debilidade humana, depois de pensar um pouco, disse: “Senhor, excetuando a tua mãe, e se eles falharem”. Ao que Jesus respondeu: “Eu não tenho outros planos”. Dito isso, Jesus continuou ascendendo rumo ao Pai.”

Tendo Ele subido aos céus, nos confiou a continuidade de sua missão. A Ascensão é, na exata medida, a festa de nossa missão, de nossa entrada nos céus...

- Mas como realizar com êxito esta missão?
- Como não temer ao assumi-la?

- Como não sucumbir diante da hesitação da fé, no enfraquecimento da esperança que inevitavelmente congela o fogo da caridade que deve arder em nossos corações, sobretudo quando acolhemos a Palavra Divina e nos nutrimos do Pão do Amor, o Pão da Eucaristia?

A missão só será possível e acompanhada de êxito, porque a promessa do Senhor se cumpriu, o Espírito Santo, o Paráclito nos foi enviado.

Não tendo Ele outros planos, apenas confiando em nossa participação, sabia muito bem que precisaríamos de “Alguém” que nos acompanhasse, nos assistisse. Por isto, voltando para o Pai, nos enviou o Seu Espírito.

Que a Festa de Pentecostes que se aproxima seja a Festa da Alegria da presença do Espírito Santo que nos enriquece com Seus dons, e assim, fortalecidos levemos adiante a missão evangelizadora, como ardorosos, corajosos e apaixonados Discípulos Missionários do Senhor.

“A nós descei Divina Luz...”

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG