quarta-feira, 1 de abril de 2026

Em poucas palavras... (Quinta-feira Santa)

                                           


Celebremos piedosamente o Tríduo Pascal

Partindo do Tríduo Pascal, como da sua fonte de luz, o tempo novo da Ressurreição enche todo o ano litúrgico da sua claridade.

Progressivamente, dum lado e doutro desta fonte, o ano é transfigurado pela liturgia.

Ele é realmente o ano da graça do Senhor (Lc 4,19). A economia da salvação realiza-se no quadro do tempo, mas a partir do seu cumprimento na Páscoa de Jesus e da efusão do Espírito Santo, o fim da história é antecipado, pregustado, e o Reino de Deus entra no nosso tempo.” (1)

 

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.1168

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Itinerário Quaresmal vivido, Alegria Pascal celebrada! (Quinta-feira Santa)

                                                         


Itinerário Quaresmal vivido, Alegria Pascal celebrada!

Como a Liturgia Quaresmal nos enriquece numa autêntica espiritualidade Pascal, levando-nos cada dia a um mergulho no Mistério do Amor de Deus vivenciado e celebrado em cada Banquete da Eucaristia e, na vida, expresso com palavras e ações, sem o que esvaziaremos a beleza do Mistério!

Como Igreja, estamos em permanente travessia do deserto, enfrentando as tentações do Maligno (ter, ser, poder), mas subindo ao Monte Tabor para escutar o que o Filho Amado de Deus, Jesus, tem a nos dizer para sua Palavra na planície vivermos.

Também como Igreja presente na Cidade, com seus inúmeros clamores e desafios, nos sentamos à beira do poço para saciar nossa sede de eternidade, ouvindo o que o Senhor tem a nos dizer.

Sua Palavra acolhida é o colírio de nossa fé, para que nosso olhar não se desvie e deixemos de perceber os sinais de morte que estão diante de nossos olhos e clamam por uma resposta. O Senhor é a Ressurreição e a Vida, n’Ele vivendo e crendo teremos a vida eterna.

Com o Domingo de Ramos, iniciaremos a Semana Santa, firmando nossos passos no fortalecimento de nossa fé em Jesus Cristo que, por amor a nós,  Sua vida entregou; Seu Sangue derramou para nos redimir e nos reconciliar com Deus.

No Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, O acolhemos não mais em Jerusalém, mas em nosso coração, em nossos lares e em todos os lugares; aclamaremos que Jesus: “Bendito o que vem em nome do Senhor. Hosana nas alturas!”. Um Rei diferente, que ama doando a vida e Se entregando por todos nós por amor, no crudelíssimo Sacrifício da Cruz, enfrentando toda maldade humana.

Na Quinta-Feira Santa iniciaremos o Tríduo Pascal, celebrando a Instituição da Eucaristia, na qual Jesus nos dá o Mandamento do amor e nos ensina, com o lava-pés, a atitude de serviço em favor da vida de nosso semelhante, num gesto supremo de humildade.

Na Sexta-Feira Santa, celebraremos o Mistério de Sua Paixão e Morte na Cruz, por amor extremo e infinito por todos nós, e mergulharemos em intenso e profundo silêncio, contemplando imensurável Mistério que se prolongará até a noite do Sábado. A Celebração no recolhimento, o vermelho da Liturgia, o silêncio profundo... Tudo se cala diante do Mistério do Amor que ama até o fim. Amor, que incrível o Amor de Deus por nós!

E começando lentamente a Celebração na noite da Vigília do Sábado Santo, celebraremos, ainda que seja noite, a Sua gloriosa Ressurreição, e então voltaremos a dar glória a Deus, com exultação e alegria, os sinos voltarão a soar, as flores embelezarão nossos altares, o branco da Liturgia nos convidará a sentir a leveza da paz, alcançada pela Vitória da Vida que venceu a morte. O Aleluia! cantado com júbilo será a expressão grandiosa de tudo isto.

E, quando a manhã do Domingo irromper, já estaremos dentro do longo e alegre Tempo Pascal.

Itinerário Quaresmal percorrido com fidelidade, Páscoa celebrada, amor e alegria, no coração, transbordados. Aleluia aclamaremos! 

Riquezas infinitas do Tríduo Pascal (Quinta-feira Santa)

                                               


Riquezas infinitas do Tríduo Pascal

O Tríduo Pascal nos envolve completamente, e se vivido intensamente algo muda substancialmente na vida de quem o celebra ativa, consciente, piedosamente, para que seja abundante em frutos de alegria, vida e paz!

Com a Missa do Crisma, agradecemos a Deus a graça da Instituição do Sacerdócio, e somos enriquecidos com a bênção dos Santos Óleos dos Catecúmenos para o Sacramento do Batismo, o Óleo dos Enfermos e a Consagração do Óleo do Santo Crisma para também ser usado nas Ordenações Presbiterais, Episcopais, dedicação de altar e igrejas.

Na noite de quinta-feira, iniciando o Tríduo Pascal, celebrando a Missa da Ceia do Senhor, agradecemos a Deus de infinita bondade, a Instituição da Eucaristia, como memorial da Sua Nova e Eterna presença; recebemos o Mandamento Novo do Amor e aprendemos com Jesus, numa lição de humildade, a nos colocarmos sempre a serviço, quando lavou os pés dos discípulos.

Nessa Missa, a Palavra de Deus nos convida a refletir sobre a Eucaristia, ponto alto e fonte da vida cristã. Eucaristia celebrada no altar para no cotidiano ser vivida.

A Missa não tem fim em si mesma, continua em todo o nosso existir. Somos a presença d’Aquele que recebemos no mundo. Transformamo-nos n’Aquele que recebemos, vivendo o Novo Mandamento que Ele nos deu, criando laços mais humanos, belos e fraternos em atitude de servidores do Reino da Vida.

Em resumo, há um estreito vínculo indissolúvel entre a Eucaristia, a fraternidade universal, o amor e o serviço. Eucarísticos que somos, testemunhas críveis do amor também o seremos quando nossa vida for marcada por compromissos solidários em favor da vida, sobretudo dos mais empobrecidos – “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que Eu fiz...” (Jo 13,15).

Após a Missa, a Igreja fica em Vigília, em intensa adoração, recolhidos diante do Amor visível e tangível no Santíssimo Sacramento, a ser transladado para lugar oportuno.

As portas dos Sacrários ficam abertas e vazias, assim como Ele aniquilou-Se, despojou-Se de tudo para nos enriquecer de todos os bens e de toda graça, nos devolvendo a condição filial perdida, fazendo resplandecer a face sem brilho pelo pecado de nossos primeiros pais.

Quando a tarde de Sexta-Feira anunciar quinze horas, num silêncio profundamente tocante, sensíveis diante do incrível Mistério do Amor de Deus que nos amou até o fim, celebraremos a Paixão e Morte do Senhor.

A Palavra anunciada nos leva a refletir sobre o incrível Amor de Deus, que não sabe fazer outra coisa senão nos amar e nos amar até o fim, dando Sua vida em nosso favor.

Aprenderemos com o Servo Sofredor no que consiste o verdadeiro Amor que se concretiza na obediência filial, fidelidade incondicional e na sinceridade e transparência vivida contra todo abandono, traição, negação, ultraje, humilhação, aniquilamento, desfiguração “... – tão desfigurado Ele estava que nem parecia ser um homem ou ter aspecto humano...” (Is 52,14).

Contemplaremos Seu Coração trespassado: “... mas um soldado abriu-lhe o lado com uma lança e logo saiu Sangue e Água.” (Jo 19,34) – Água e Sangue jorram simbolizando o nascimento e o alimento, o Batismo e a Eucaristia. De onde nascemos jorra também o nosso Alimento. Deus não somente quis nos fazer renascer, mas quis Se fazer e Se dar em Alimento no Seu Corpo e Sangue: a Santa Eucaristia!

A Via Sacra completará nossa configuração com Jesus. Se com Ele vivemos, caminhamos, padecemos as múltiplas faces da Paixão, da dor, do sofrimento, do pranto, do luto, com Ele também Ressuscitaremos.

A Via Sacra, com sua extrema profundidade, nos traz à mente e ao coração os momentos máximos do Amor. Jesus leva-nos inevitavelmente a um clima de intensa oração, ao mergulho nas profundidades da Misericórdia Divina, às lágrimas, ao recolhimento, e silêncio orante.

Cada momento nos leva a pensar e rezar por tantos outros rostos que vivem verdadeiras “vias sacras”, não como algo do passado, mas memória da Verdadeira Paixão e Morte do Senhor.

Sábado Santo! Parece que as horas não passam... Estaremos aguardando a grande Vigília Pascal – a mãe de todas as vigílias, por ser a mais antiquíssima delas.

A grande Vigília tem sua beleza própria: a fogueira, o fogo novo, o Círio pascal, a proclamação da passagem, a nossa Páscoa, a riqueza da Palavra de Deus, a bênção da água e a renovação batismal de todos os fiéis, a Santa Eucaristia.

Que chegue a noite escura tão esperada! O Fogo novo do Círio Pascal, Palavra Proclamada, Água santificada e aspergida, batismo renovado, Eucaristia comungada – Será a Páscoa tão desejada, após um rico e longo Itinerário Quaresmal, e o culminar de um Santo Tríduo Pascal.

Que chegue a noite escura tão esperada!
Pois quando o sol se puser e a luz da lua vier iluminar a noite,  
celebraremos a Verdade que ilumina todas as noites escuras de nossa existência. Pouco a pouco, a alegria da Boa-Nova da Ressurreição
 vai aparecendo em nossos corações,  olhos e lábios, 
porque, de fato, Ele Ressuscitou! 
Então cantaremos o Aleluia!

Celebremos ativa e piedosamente a Semana Santa, a Semana Maior (Semana Santa)

                                                   


Celebremos ativa e piedosamente a Semana Santa, a Semana Maior
 
Como Igreja, celebremos a Semana Santa, chamada também de a Semana Maior (por seu conteúdo, importância e riqueza para a fé que professamos), como um tempo forte de silêncio e oração, de tal modo que poderemos rever como testemunhamos nossa fé e como nos relacionamos com nosso próximo, pois a fé sem obras é morta, como nos fala o Apóstolo em sua Carta (Tg 2, 14-18).
 
São dias memoráveis, que começam com o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, e, de modo especial, o Tríduo Pascal, que inicia com a Missa da Quinta-feira Santa, quando celebramos a Instituição da Eucaristia, Mandamento Novo do Amor e o Sacramento da Ordem; a Sexta-Feira Santa da Paixão e Morte do Senhor; o Sábado Santo culminando com a mais antiquíssima e bela Vigília Pascal, ao anoitecer; e chegando ao ápice do Domingo da Páscoa e da Ressurreição do Senhor.
 
A fé, para que seja autêntica, deve ser operativa, ou seja, levar ao compromisso social e comunitário. Belos discursos não bastam; é preciso uma bela prática, pois a religião autêntica transparece nos gestos concretos de amor e solidariedade, fraternidade, serviço, partilha, perdão, para que não façamos da religião uma mentira, um engano, uma evasão, uma omissão nos sagrados compromissos de solidariedade e misericórdia com nosso próximo, sobretudo no cumprimento do Novo Mandamento que Ele nos deu: “Amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (cf. Jo 15,12).
 
Com a Celebração da Semana Santa, nos unimos mais intensamente ao Mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Ele configurados, como peregrinos da esperança, testemunhas de sua ternura, compaixão, proximidade e misericórdia, no cuidado e promoção da vida humana, no cuidado da criação e da nossa Casa Comum.
 

Semana Santa: “entrega-traição, entrega-amor-dom”

                                                            

Semana Santa: “entrega-traição, entrega-amor-dom”

Na Quarta-feira da Semana Santa, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 26, 14-25).

Significativo é o uso teológico do verbo “entregar”, em alusão à traição de Judas Iscariotes e à entrega de Jesus.

A primeira, trata-se de uma “entrega-traição”, da parte dos homens, e a segunda, de Jesus, de uma “entrega-­dom”, da parte do Pai, que entrega o Filho, e da parte do Filho que Se entrega a Si mesmo até à morte na Cruz (Jo 19, 30).

A entrega de Jesus é a entrega de Si mesmo – “A traição torna-se ocasião para o dom voluntário e total de Jesus. A Sua morte torna-se fonte de vida. O Seu Coração vence a morte e transforma-a em vida para o mundo”. (1)

Nela, temos a entrega de Si mesmo, num contexto do anúncio da entrega-traição, de modo que os discípulos mergulham num clima de insegurança e de desconfiança.

Jesus deseja ardentemente celebrar a Ceia e comê-la com os discípulos, pois, nela, o antigo memorial dará lugar ao novo, deixando-nos o Seu Corpo e o Seu Sangue como Alimento e Bebida.

Nas interrogações dos discípulos sobre quem O trairia, os discípulos chamam Jesus de “Senhor” (Kyrios), enquanto Judas O chama simplesmente de “Mestre” (Rabi).

No entanto, Jesus é, de fato, Senhor, e conhece o traidor e reconhece que nele se cumprem as Escrituras.

Na insegurança dos discípulos, vemos representada a nossa própria insegurança perante a possibilidade de também nós atraiçoarmos e negarmos a Jesus.

Vivendo a Semana Santa, contemplando o Mistério da Paixão e Morte do Senhor, é tempo favorável para rever o modo como estamos vivendo nosso discipulado: na “entrega-doação” como Jesus o fez, por amor a Deus e ao nosso próximo, ou se vivemos uma “entrega-traição”, como fez Judas, e da qual não estamos imunes.

Oremos:

Ó Deus, concedei-nos a graça de imitar Vosso Amado Filho, vivendo o amor-doação, amor-entrega de si mesmo, em favor de nosso próximo. Pois, tão somente assim, seremos verdadeiramente discípulos missionários do Senhor, com a presença e ação do Vosso Espírito. Amém.
  

(1)         www.dehonianos.org

Semana Santa: fidelidade plena ao Servo Sofredor, Jesus

                                               

Semana Santa: fidelidade plena ao Servo Sofredor, Jesus

“Contemplemos e fiquemos abismados diante
da mais bela História do Amor de Deus por nós:
Jesus Cristo, 0 Filho Amado do Pai.”


Na primeira Leitura da quarta-feira da Semana Santa, ouvimos a passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 50,4-9a):

"O Senhor abriu-me os ouvidos; não lhe resisti nem voltei atrás. Ofereci as costas para me baterem e as faces para me arrancarem a barba; não desviei o rosto de bofetões e cusparadas. Mas o Senhor Deus é meu Auxiliador, por isso não me deixei abater o ânimo, conservei o rosto impassível como pedra, porque sei que não sairei humilhado." (cf. Is 50,5-7).

O Profeta nos apresenta a figura do Servo de Javé (terceiro Cântico do Servo de Javé), no contexto do final do exílio.

Ele tem a difícil missão de consolar os exilados anunciando um novo êxodo e a reconstrução de Jerusalém. Sofre, confia, é amado por Deus e não perde a serenidade, porque possui n’Ele total confiança.

Convida o povo a superar a tentação das facilidades, do comodismo, do medo de arriscar rumo ao novo.

É preciso confiar somente em Deus, a nossa rocha segura; viver livre do medo, seguros e protegidos pela mão divina.

O Servo sofredor escuta, sofre, resiste e confia na intervenção de Deus que jamais abandona aqueles a quem chama. O Profeta tem convicção de que não está só, e que a força de Deus é sempre mais forte que a dor, o sofrimento e a perseguição, e que jamais ficará decepcionado.

Quem é este Servo de Javé? Por vezes é identificado com um Profeta desconhecido, com o povo exilado, como uma recordação histórica (dos Patriarcas, Moisés, Davi, Profetas), e a releitura do Antigo Testamento vê nesta figura o próprio Jesus, que viveu o Mistério da Paixão e Morte:

“A vida de Jesus realiza plenamente esse destino de dom e entrega da vida em favor de todos; e a sua glorificação mostra que uma vida vivida deste jeito não termina no fracasso, mas na Ressurreição que gera vida nova”. (1)

Reflitamos:

- Temos coragem de fazer da nossa vida uma total entrega ao Projeto de Deus, no compromisso de libertação de tudo que seja sinal de morte e opressão?
- De que modo vivemos a vocação profética que Deus nos concedeu pela graça do Batismo?

- Temos confiança na força de Deus, como o Servo sofredor que é o próprio Senhor?
- Como vivemos a radicalidade de nossa entrega nas mãos de Deus?

- O que fazemos para gerar uma vida nova para todos?
- Temos plena confiança na presença e ação de Deus?

Vivendo a Semana Santa, a Semana Maior, renovemos nossa  fidelidade ao Senhor, o Servo Sofredor e Vitorioso.

Somente n’Ele, e com Ele, a alegria, a vida, a realização, a paz, porque  Ele é a nossa mais bela e inesgotável Divina Fonte de Amor.


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