sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Tempo de promover a concórdia e a paz

         


                       Tempo de promover a concórdia e a paz
 
     “Suportemos as fraquezas dos menos fortes” (cf. Rm 15,1-3)
 
Reflexão à luz da passagem da Carta do Apóstolo Paulo aos Romanos:

“Nós que temos convicções firmes devemos suportar as fraquezas dos menos fortes e não buscar a nossa própria satisfação.
 
Cada um de nós procure agradar ao próximo para o bem, visando a edificação. Com efeito, Cristo também não procurou a Sua própria satisfação, mas, como está escrito: ‘Os ultrajes dos que te ultrajavam caíram sobre mim’”. (Rm 15,1-3)
 
Todos nós já tivemos oportunidade de viver esta realidade: uma ação impiedosa, um ato pensado e realizado por alguém, quase ou mesmo roubando nossa serenidade.
 
E isto pode ser no âmbito da comunidade, bem como em todos os níveis de relacionamentos.
 
Eis o grande desafio: “suportar as fraquezas dos menos fortes e não buscar a nossa própria satisfação”.
 
Jamais podemos perder de vista nossa missão de “edificar” a comunhão, a fraternidade, sobretudo porque somos discípulos missionários do Senhor, que nos deu a mais bela lição pelo Mistério de Sua Vida, Paixão e Morte, como nos fala o Apóstolo.
 
Não é um caminho fácil a ser percorrido, e está explícito no Sermão da Montanha (Mt 5,1-12a), que nos exorta a viver a mansidão e promover a paz, suportando, se houver, calúnias, difamação e perseguições por causa do nome de Jesus e do Evangelho, que cremos, anunciamos e testemunhamos.
 
Vivendo em comunidade, somos desafiados a dar razão de nossa fé e esperança, sem jamais faltar com a caridade que jamais passará, e é exatamente nestes momentos e situações, o apóstolo nos exorta a “suportar as fraquezas dos menos fortes e não buscar a nossa própria satisfação”.
 
Urge a edificação da unidade, um grande desafio para nossa fé e testemunho: - “Agradar ao próximo para o bem, visando a edificação”.
 
E isto somente se torna possível, se tivermos como modelo o próprio Cristo “que não procurou a Sua própria satisfação”, fazendo cair sobre Si os ultrajes todos, ainda que não merecidos, por amor de nós, quando ainda pecadores.
 
Deste modo, é sempre tempo crescer na espiritualidade cristã e:
 
- Suportar as fraquezas dos menos fortes;
- Edificar a unidade, movidos pelas virtudes divinas;
- Ter os mesmos sentimentos, pensamentos e atitudes de Jesus.
 

Oremos:
 
"Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-Vos de todo o coração, e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por N.S.J.C. Amém" (1)
 
(1) “Oração do Dia” - IV domingo do Tempo Comum (ano A)
 

Rezando com os Salmos - Sl 132 (133)

 


O amor e a comunhão fraternas

“–1 Vinde e vede como é bom, como é suave
os irmãos viverem juntos bem unidos!

–2 É como um óleo perfumado na cabeça,
que escorre e vai descendo até à barba;
– vai descendo até à barba de Aarão,
e vai chegando até à orla do seu manto.

–3 É também como o orvalho do Hermon,
que cai suave sobre os montes de Sião.
– Pois a eles o Senhor dá Sua bênção
e a vida pelos séculos sem fim.”

Com o Salmo 132(133) contemplamos e rezamos pela alegria da união fraterna, e fazemos ressoar as palavras do Evangelista – “Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus” (1Jo 4,7).

“Salmo de romaria. A alegre experiência de uma vida fraterna e solidária, num clima de paz e serenidade, é comparável ao perfume que atrai e ao orvalho que gera uma vida nova.” (1)

Renovemos, como Igreja, a graça de continuar a missão confiada por Jesus, ou seja, proclamar e testemunhar o Evangelho em todos os lugares e em todos os tempos, com a marca fundamental e que nos identifica como cristãos: o testemunho do amor.

Vivendo o Mandamento do Amor que Ele nos deixou, damos à nossa vida e à vida da Igreja, matizes Pascais, até que um dia possamos vislumbrar o novo céu e a nova terra, firmados numa sólida fé, firme esperança e vivificante caridade, porque movidos pelo Espírito de Deus que nos assiste e nos conduz nos caminhos da história.

Concluímos com as palavras de Tertuliano (séc. III) - “Vede como se amam."  Amém.

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 842

Rezando com os Salmos - SL 131 (132)

 




O Senhor é fiel às Suas promessas

“–1 Recordai-Vos, ó Senhor, do rei Davi
e de quanto vos foi ele dedicado;
–2 do juramento que ao Senhor havia feito
e de seu voto ao Poderoso de Jacó:

–3 'Não entrarei na minha tenda, minha casa,
nem subirei à minha cama em que repouso,
–4 não deixarei adormecerem os meus olhos,
nem cochilarem em descanso minhas pálpebras,
–5 até que eu ache um lugar para o Senhor,
uma casa para o Forte de Jacó!'

–6 Nós soubemos que a arca estava em Éfrata
e nos campos de Iaar a encontramos:
–7 Entremos no lugar em que Ele habita,
ante o escabelo de Seus pés o adoremos!

–8 Subi, Senhor, para o lugar de Vosso pouso,
subi Vós, com vossa arca poderosa!
–9 Que se vistam de alegria os Vossos santos,
e os Vossos sacerdotes, de justiça!
–10 Por causa de Davi, o Vosso servo,
não afasteis do vosso Ungido a Vossa face!

–11 O Senhor fez a Davi um juramento,
uma promessa que jamais renegará:
– 'Um herdeiro que é fruto do teu ventre
colocarei sobre o trono em teu lugar!

–12 Se teus filhos conservarem minha Aliança
e os preceitos que Lhes dei a conhecer,
– os filhos deles igualmente hão de sentar-se
eternamente sobre o trono que te dei!'

–13 Pois o Senhor quis para si Jerusalém
e a desejou para que fosse Sua morada:
–14 'Eis o lugar do meu repouso para sempre,
eu fico aqui: este é o lugar que preferi!'

–15 'Abençoarei suas colheitas largamente,
e os seus pobres com o pão saciarei!
–16 Vestirei de salvação seus sacerdotes,
de alegria exultarão os seus fiéis!'

–17 'De Davi farei brotar um forte Herdeiro,
acenderei ao meu Ungido uma lâmpada.
–18 Cobrirei de confusão seus inimigos,
mas sobre ele brilhará minha coroa!'”

Com o Salmo 131(132) contemplamos as promessas do Senhor à casa de Davi, como também podemos ver na passagem do Evangelho de São Lucas – “O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi” (cf. Lc 1,32):

“Salmo de Romaria, recordando a promessa do rei Davi, de preparar uma morada estável para Deus, e a dupla promessa de Deus, de manter no trono a dinastia de Davi, e fixar no monte Sião a sua morada.” (1)

 

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 841

Rezando com os Salmos - Sl 133 (134)

 


Louvemos ao Senhor

“–1 Vinde, agora, bendizei ao Senhor Deus,
vós todos, servidores do Senhor,
– que celebrais a liturgia no seu templo,
nos átrios da casa do Senhor.

–2 Levantai as vossas mãos ao santuário,
bendizei ao Senhor Deus a noite inteira!
–3 Que o Senhor te abençoe de Sião,
o Senhor que fez o céu e fez a terra!”

O Salmo 133(134) é uma Oração da noite no templo:

“Último dos salmos de romarias (120-134). Convida os sacerdotes ao louvor noturno e os exorta a orar pelos que voltam para casa. Despedindo o povo, ao terminar a liturgia, o sacerdote dá a bênção.” (1)

Em todo o tempo louvemos ao nosso Deus, como nos exorta o autor do Livro do Apocalipse – “Louvai o nosso Deus todos os seus servos e todos os que o temeis, pequenos e grandes!” (Ap 19,5).

Em todo o tempo louvemos ao Senhor, e podemos elevar esta oração, de modo especial ao terminar mais um dia que o Senhor tenha nos concedido. Amém.

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 134

Rezando com os Salmos - Sl 130 (131)

 


Confiança e Serenidade necessárias


“Jesus, manso e humilde coração,
fazei nosso coração semelhante ao Vosso”
 

“–1 Senhor, meu coração não é orgulhoso, 
nem se eleva arrogante o meu olhar;
– não ando à procura de grandezas, 
nem tenho pretensões ambiciosas!

–2 Fiz calar e sossegar a minha alma; 
ela está em grande paz dentro de mim,
– como a criança bem tranquila, amamentada 
no regaço acolhedor de sua mãe.

–3 Confia no Senhor, ó Israel, 
desde agora e por toda a eternidade!”

Com O Salmo 130(131) expressamos nossa confiança filial em Deus e n’Ele repousamos confiantes e serenos:

“Salmo de romaria. Num ato de entrega confiante a Deus, o salmista se comprara com uma criança que confia plenamente na sua mãe.” (1)

Cremos na Palavra de Jesus alcança as entranhas mais profundas de nossa alma e coração: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e Eu vos darei descanso” (Mt 11,28).

De fato, somente Jesus pode nos oferecer o verdadeiro “descanso”, porque é “manso e humilde de coração” (Mt 11,29), e nos oferece os distintivos, que haveremos de carregar e viver, para que o mundo O reconheça e O veja em nós: a Cruz e o Mandamento do amor a Deus e ao próximo. Amém.


(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p.841

Tomemos consciência da dignidade nossa natureza

 


Tomemos consciência da dignidade nossa natureza

Sejamos enriquecidos por um dos Sermões escrito pelo Papa São Leão Magno (Séc. V):

“Tendo nascido, Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro homem, que jamais deixou de ser Deus verdadeiro, iniciou em Si uma nova criação.

Na figura do Seu nascimento, Ele entregou ao gênero humano um princípio segundo o espírito.

Que inteligência poderá compreender este mistério? Que lábios o poderão contar? A iniquidade voltou à inocência, a velhice, à novidade, filhos alheios são adotados como próprios, e estranhos têm parte na herança!

Acorda, ó homem; toma consciência da dignidade de tua natureza. Recorda-te de teres sido feito à imagem de Deus que, embora corrompida em Adão, foi recriada em Cristo. Portanto, usa de modo justo das criaturas visíveis, como gozas da terra, do mar, do céu, do ar, das fontes, dos rios e tudo quanto neles achas de belo e de admirável. Por tudo dá louvor e glória ao Criador!

Aprecia com os sentidos do corpo a luz material. Com toda a intensidade do espírito abraça aquela verdadeira luz que ilumina todo homem que vem a este mundo e à qual se refere o Profeta: Aproximai-vos dele e sereis iluminados e vossos rostos não se cobrirão de confusão. Se somos templo de Deus e se o Espírito de Deus habita em nós, o que qualquer fiel possui no coração é muito maior do que tudo quanto se admira no céu.

Caríssimos, não vos estamos sugerindo ou aconselhando a desprezardes as obras de Deus ou a julgardes haver algo contrário à vossa fé nos bens criados pelo Deus de bondade.

Nós vos exortamos, porém, a usardes com medida e discernimento da beleza de toda criatura e dos valores do universo, pois Aquilo que se vê é temporário, como diz o Apóstolo, quanto ao que não se vê, é eterno. Por conseguinte, nascidos para as realidades presentes, renascidos, porém, para as futuras não nos entreguemos aos bens temporais, mas estejamos atentos aos eternos. Para percebermos mais de perto nossa esperança, pensemos sobre o que a graça divina trouxe à nossa natureza.

Ouçamos o Apóstolo: Estais mortos e vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória. Ele que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.” (1)

Somos exortados a tomar consciência da dignidade de nossa natureza, e quão precioso somos aos olhos de Deus, porque feitos à Sua imagem e semelhança.

Assim, haveremos de ver em cada homem e mulher, templos sagrados da divina presença de Deus, e esta é uma das mais belas mensagem que podemos comunicar ao mundo.

E pelo Batismo nos tornamos morada do Espírito Santo, como nos falou o Apóstolo Paulo (cf. 1 Cor 3,16-23). Amém.


(1) Liturgia das Horas- Volume I do Tempo Comum – Editora Paulus – pp.166-167

Falar somente o que for de proveito espiritual

                                        


Falar somente o que for de proveito espiritual

Assim nos falaram os Pais do Deserto em um dos ditos anônimos:

“Um dos anciãos disse: ‘No início, costumávamos reunir-nos e falar do proveito espiritual; tornamo-nos como coros, coros de anjos, e éramos elevados ao céu.

Agora nos reunimos e chegamos a caluniar, afastando-nos um aos outros para o abismo’.”  (1)

Este dito pode nos ajudar nos tempos atuais, sobretudo no mundo virtual, em que se multiplicam postagens, comentários, críticas privadas de caridade, que por vezes podem criar muros, distanciamentos e não pontes de fraternidade, comunhão e amizade sincera.

E se considerarmos o avanço da Inteligência Artificial na geração de conteúdos, pode se tornar ainda mais grave.

O problema não são as ferramentas disponíveis, mas o bom uso que delas façamos, lembrando as palavras do Papa Leão XIV:

“Por isso, a exposição mediática, o uso das redes sociais e de todos os instrumentos hoje à disposição devem ser sempre avaliados com sabedoria, tendo como paradigma de discernimento o serviço à evangelização. ‘Tudo me é lícito ! Sim, mas nem tudo convém’ (1 Cor 6,12)”. (2)

Concluo com as palavras do Papa Francisco:

“Na era da inteligência artificial, não podemos esquecer que a poesia e o amor são necessários para salvar o humano. O que nenhum algoritmo conseguirá abarcar é, por exemplo, aquele momento de infância que se recorda com ternura e que continua a acontecer em todos os cantos do planeta, mesmo com o passar dos anos.” (3)

 

(1) Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n.238 – pp. 173

(2)Carta Apostólica –“Uma fidelidade que gera futuro” de 8 de dezembro de 2025

(3)Carta Encíclica Dilexit Nous – Papa Francisco – 2024 – parágrafo n. 20

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