sábado, 5 de setembro de 2026

Uma conversa hipotética e interminável...

                                                                   

Uma conversa hipotética e interminável...

Livre pensar sem pretensão alguma mais, 
a não ser de ajudar a crescer e amadurecer 
no que há de essencial do cristianismo: Amar!

Livre pensar para evangelicamente amar!
Livre pensar para o Mandamento Maior vivenciar.

Livre pensar para melhor viver e proclamar.
Livre pensar para o amor anunciar e testemunhar!

Apóstolo Paulo, diga-me duas palavras apenas sobre o amor:

O amor é a plenitude da lei” e “O amor jamais passará”
(muito mais do que três você poderia dizer com suas Cartas).

E permita-me pedir a terceira:

“Nada fiqueis devendo, a não ser o amor mútuo”.

Santo Agostinho, diga-me duas palavras também:

A medida do amor é amar sem medida."
 “Ame e faça o que quiseres”.

E uma terceira, se também eu puder pedir:

“Tarde Te amei, ó beleza tão antiga e tão nova...”

Transcorridos séculos pergunto a um cantor/poeta:

 Qual é o sinônimo de amor e ele me responderá:
“Sinônimo de amor é amar!”

E um outro assim cantou:

"Por ser exato, o amor não cabe em si. Por ser encantado, o amor revela-se. Por ser amor, invade e fim".

Hipotética e interminável conversa, 
por que o amor é indizível!

Quanto se diga, quanto se há de viver...
Quanto há de se amar, dívida salutar...
A dívida de amor é amar!

Ó maravilhosa dívida que a todos nos enriquece,
Quanto mais a pagamos,
Mais a vida de teias consistentes se tece!

Em poucas palavras... (XXIIIDTCA)

 




A comunidade dos discípulos missionários do Senhor

“Eis aqui como as novas relações devem ser vividas no interior da comunidade cristã:

- relações fundadas na verdade, ou seja, saber dizer “sim” e saber dizer “não” e não basear-se em suposições;

- relações de encontro: assumir os problemas cara a cara, sem escamoteá-los;

-  relações de liberdade: comunidade onde reine a liberdade de palavra;

-  relações de amabilidade e compreensão: face a face, mas com amor e ternura;

- relações de contínuo desbloqueio: não guardar as coisas, porque nos fecham ao próximo, e quando explodem, causam danos recíprocos;

-  relações de esperança: não perder nunca a esperança no outro, não se encastelar nunca, não desistir de reconstruir a amizade com ele; 

- relações de amor vigoroso: ajuda e exigência mútua.” (1)

 

(1)Reflexão sobre a passagem do Evangelho (Mt 18,15-20) - Pe Adroaldo Palaoro - SJ

 

“A caridade é a plenitude da Lei” (XXIIIDTCA) (Homilia)

                                                          

“A caridade é a plenitude da Lei”

“O amor não faz nenhum mal contra o próximo.
Portanto, o amor é o cumprimento perfeito da Lei.” (Rm 13,10)

Com a Liturgia do 23º Domingo do Tempo comum (Ano A), refletimos sobre a nossa responsabilidade para com nosso próximo.

É inadmissível ao discípulo missionário do Senhor ficar indiferente de tudo que possa ameaçar a vida e felicidade do outro, de modo que é preciso viver a corresponsabilidade.

Na passagem da primeira Leitura (Ez 33,7-9), o Profeta Ezequiel é apresentado como uma sentinela, colocado por Deus, sempre atento ao Projeto Divino, alertando a comunidade para os perigos que a cerca.

“O Profeta é um homem do seu tempo, mergulhado na realidade e nos desafios da sociedade em que está integrado; conhece o mundo e é capaz de ler, numa perspectiva crítica, os problemas, os dramas e as infidelidades dos seus contemporâneos.” (1)

O Profeta recebe de Deus o mandato da missão, e torna-se um sinal vivo do Amor de Deus pelo Seu povo:

“Deus que o chama, que o envia em missão, que lhe dá a coragem de testemunhar, que apoia nos momentos de crise, de desilusão e de solidão... O Profeta/sentinela é a prova de que Deus, cada dia, continua a oferecer ao Seu Povo caminhos de salvação e vida. O Profeta/sentinela demonstra sem margem para dúvidas, que Deus não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva.” (2)

Reflitamos:

- Como vivemos a missão profética que recebemos no dia de nosso Batismo?

- Qual o tempo que dedicamos para o encontro com Deus na Oração, para falar com Ele, ouvir e meditar a Sua Palavra?

- Quais são as situações do mundo em que vivemos, que, à luz da fé, exige que vivamos a missão profética?

Na passagem da segunda Leitura (Rm 13,8-10), o Apóstolo Paulo nos exorta a colocar no centro da vida cristã o Mandamento do Amor, uma dívida que jamais será plenamente saldada.

Em nossa experiência cristã somente o amor é essencial, e as demais coisas são secundárias.

É preciso orientar a vida pelo Mandamento do Amor, porque cristianismo sem amor se torna uma mentira, e como cristãos jamais podemos deixar de amar nossos irmãos. 

O amor está no centro de toda a nossa experiência religiosa. No Mandamento do Amor, resume-se toda a Lei e todos os preceitos. Os diversos Mandamentos não passam, aliás, de especificações da exigência do amor. A ideia de que toda a Lei se resume no amor não é uma ‘invenção’ de Paulo, mas é uma constante na tradição bíblica (Mt 22,34-40).” (3)

A comunidade tem sempre à frente um desafio: multiplicar as marcas do amor, diminuindo, ou melhor ainda, eliminar toda marca de insensibilidade, egoísmo, confronto, ciúme, inveja, opressão, indiferença, ódio.

Esta dívida do amor nos pede sempre algo novo para com o próximo:

“Podemos, todos os dias, realizar gestos de partilha, de serviço, de acolhimento, de reconciliação, de perdão... mas é preciso, neste campo, ir sempre mais além.

Há sempre mais um irmão que é preciso amar e acolher; há sempre mais um gesto de solidariedade que é preciso fazer; há sempre mais um sorriso que podemos partilhar; há sempre mais uma palavra de esperança que podemos oferecer a alguém. Sobretudo, é preciso que sintamos que a nossa caminhada de amor nunca está concluída.” (4)

Na passagem do Evangelho (Mt 18,15-20), Jesus nos ensina que o caminho para a correção fraterna não passa pela humilhação ou condenação de quem tenha falhado.

É imperativo o diálogo fraterno, leal, amigo, precedido e acompanhado da vivência do Mandamento do Amor, que é nosso distintivo como discípulos do Senhor.

Toda comunidade tem suas tensões e problemas de convivência, e Jesus nos apresenta os caminhos que precisamos percorrer para a superação.

Sejamos Profetas/sentinelas do Reino, envolvidos e acolhidos pela Misericórdia divina, vivenciando-a concretamente em gestos de acolhida e perdão, para que nossas comunidades sejam mais fraternas e credíveis da presença do Senhor Ressuscitado.

Aprendamos o caminho que Jesus nos propõe: ser misericordioso como Deus é misericordioso, buscando nossa perfeição e santificação e também de nosso irmão e irmã. E para tanto, a vivência do Mandamento do Amor é a máxima expressão de nossa fé no Senhor, e de nosso compromisso como discípulos missionários do Reino que Ele inaugurou.

O caminho é longo! Iluminados pela Palavra divina e revigorados pelo Pão da Eucaristia, continuemos passo a passo, sem jamais desistir.   



(1) (2) (3) (4) – cf. www.Dehonianos.org/portal

Sentinelas/Profetas (XXIIIDTCA)

                                                      

Sentinelas/Profetas

 À luz da passagem da Sagrada Escritura (Ez 33, 7-9), graça reacendamos a chama do amor a Deus para que vivamos a dimensão profética que recebemos no dia de nosso Batismo.
 
A exemplo do Profeta Ezequiel, urge que sejamos Profetas da esperança, desterrados da Pátria Celeste, porque ainda peregrinos longe do Senhor, sentindo a Sua divina presença, que se expressa bondade e amor para conosco.
 
Com isto faz-se necessário que venhamos a dar razão de nossa esperança a quantos dela precisarem, convictos de que Deus jamais nos abandona, sobretudo diante dos que nada mais creem.
 
Sejamos aprendizes dos Profetas Ezequiel, Habacuc, Isaías, Jeremias, Oseias, e sejamos sentinelas/profetas de Deus, na escuta atenta dos apelos de Deus, para que não sejamos envolvidos e consumidos pelos perigos que aparecem no horizonte da comunidade.
 
Profetas/sentinelas são vigilantes e atentos, enquanto tantos descansam; perscrutam o horizonte, detectam o perigo que ameaça a vida, e, ao pressentir o perigo, dão o sagrado alarme, evitando catástrofes possíveis.
 
Sejamos Profetas/Sentinelas eficientes iluminados e sedentos da Palavra Divina, que nos consome como um fogo devorador, prontos para descobrir e anunciar a vontade divina para a humanidade e para o mundo.
 
Profetas/Sentinelas, são homens e mulheres de nosso tempo, mergulhados na realidade e nos desafios da sociedade em que estamos inseridos, de modo que sejamos capazes de conhecer e ler as linhas da história, com perspectiva crítica, seus problemas, dramas e infidelidades.
 
Tão somente assim não nos fecharemos num mundo cômodo, ignorando as infidelidades aos Projetos de Deus, sem nos demitirmos de nossas responsabilidades, incomodando-nos com as escolhas erradas que nos afastem da vida plena e feliz.
 
Viveremos a graça do mandato que nos concedeis, alertando a comunidade para os perigos que a ameaça, pagando o custo que for preciso, para que não trilhemos caminhos que conduzam à infelicidade, ao sofrimento e à morte.
 
Seremos um sinal vivo, um sinal do Amor de Deus pelo Seu Povo; enviados em missão, com coragem para testemunhar Seus desígnios, sobretudo em momentos de crise, de desilusão e de solidão…
 
Daremos provas de que Deus, cada dia, não quer a morte do pecador, mas que ele se converta e viva, trilhando caminhos de Salvação e Vida.
 
O mundo precisa de Profetas/Sentinelas.
 
Oremos:
Eis-nos aqui, Senhor, colocamo-nos ao Vosso dispor, portanto, conduzi, iluminai, fortalecei e guardai nossos passos, para que convictos e corajosas Profetas/Sentinelas sejamos.
 
Concedei, Senhor, a Vossa luz e sabedoria:
 
-    Aos sacerdotes, na condução das Comunidades que lhes foram confiadas;
 
- Aos pais e mães, para que sejam zelosas Profetas/Sentinelas de suas famílias, pequeninas Igrejas Domésticas;
 
-  Aos Agentes de Pastoral, discípulos missionários do Senhor, vivendo a graça da missão de uma Igreja sinodal, que se renova na comunhão, participação;
 
- A tantos quantos receberam a graça do Batismo, para que como Profetas/Sentinelas, sejam no mundo, sal, fermento e luz. Amém.
 


Em poucas palavras... (XXIIIDTCA)

                                            


Reconciliação com Deus e com a Igreja são inseparáveis

“As palavras ligar e desligar significam: aquele que vós excluirdes da vossa comunhão, ficará também excluído da comunhão com Deus; aquele que de novo receberdes na vossa comunhão, também Deus o acolherá na sua. A reconciliação com a Igreja é inseparável da reconciliação com Deus.” (1)

 

(1)               Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1445

A misericórdia e a correção fraterna (XXIIIDTCA)

                                                       

A misericórdia e a correção fraterna

Com a  Liturgia do 23º Domingo do Tempo Comum (ano A), refletimos sobre a Comunidade do Ressuscitado, onde deve se viver a misericórdia expressa no amor para com outro, fazendo de tudo para redimi-lo de seu pecado, para fortalecimento dos vínculos fraternos.

A Igreja há de ser por excelência uma comunidade de amor, marcada pela comunhão fraterna, no entanto,  por causa da condição humana, das fraquezas, os pecados também nela se fazem presentes.

Não há Igreja onde reine a suprema perfeição, por isto a necessidade da prática da misericórdia para renovar as pessoas, fortalecer os laços de fraterna amizade; afinal, somos um só Corpo, um só Espírito.

Já no Antigo Testamento, o Profeta Ezequiel nos convidava a sermos como que sentinelas para com o nosso próximo, caso este tenha errado; vigilantes para os sinais que possam destruir a vida do Povo de Deus.

É preciso ser vigilantes na misericórdia que edifica, sem a indiferença e a apatia diante do erro; e deste modo, sentinelas do Senhor seremos quando nos tornamos Seus preciosos instrumentos de bondade e reconciliação (Ez 33,7-9).

Na passagem do Evangelho (Mt 18,15-20) nos fala do caminho da correção fraterna, como degraus ou passos que devem ser dados para reintegrar o irmão que pecou contra a comunidade.

Poderíamos chamar de “escada da correção fraterna”. Sempre motivados pelo amor e pela verdade, tudo fazermos para resgatar o irmão que se extraviou, pois afinal, somos a Igreja que nasceu do Coração da Divina Misericórdia, Jesus.

O primeiro passo ou degrau:
Falar pessoalmente e diretamente com o irmão que tenha pecado contra nós ou a comunidade, em atitudes ou palavras inconvenientes. Talvez o passo mais difícil, pois implica coragem, sinceridade, desejo de ver o bem do outro acontecer. Jamais devemos falar de alguém se não pudermos antes falar ao primeiro interessado. Em caso de impossibilidade, melhor aumentar a oração, o silêncio, o recolhimento para que se diga no tempo oportuno, se necessário for.

O segundo degrau:
Falar com o irmão que pecou com mais uma, duas ou três pessoas que tenham sensibilidade e sabedoria. Sempre movidos pela reta intenção, verdade e caridade, sem o quê não terá sentido. Tanto neste como em outros passos, nunca dizer porque se ouviu dizer, sem fatos, provas. Não falar tão apenas a partir de boatos, “nuvens” sem consistência...

O terceiro degrau:
Dizer à Igreja. Afinal, a Igreja na pessoa de Pedro recebeu de Jesus a autoridade de ligar e desligar; atar e desatar; reconciliar, reintegrar.(Mt 16,19). Sempre movidos pela misericórdia, todo empenho multiplicado para que se restaure a comunhão, o pecador, abominando seu pecado. Assim é Deus conosco, ama-nos embora pecadores, nos salva por sermos pecadores, não ama nossos pecados.

O quarto degrau:
Sem o êxito da correção alcançado, considerá-lo como gentio, como pagão. A Igreja, de fato, não exclui o infrator, pois na verdade, a própria pessoa que se fechou à proposta do Reino e se autoexcluiu da comunidade. Mesmo assim ficará este nas orações da comunidade reunida em nome do Senhor.

Acrescentemos à reflexão a  Carta de Paulo aos Romanos (Rm 13,8-10), que afirma: “A caridade é o pleno cumprimento da Lei” e que “não devemos ficar devendo nada um ao outro a não ser o amor mútuo”.

O amor se vivido não nos permitirá violação e ignorância da Lei Divina, dos preceitos divinos, que são a garantia de convivência e de vínculos fraternos eucaristizados no Altar do Senhor, iluminados pela Palavra proclamada em cada Missa que participamos.

O Apóstolo nos recorda que temos uma dívida eterna que deve ser quitada cotidianamente: o amor mútuo. Paradoxalmente uma dívida que quanto mais se paga mais se tem. Quanto mais se ama, mais amor se tem. Amar é multiplicar o amor que no coração foi semeado. Não amar é desertificar o coração onde Deus quis morar. Não tornemos desertos áridos nosso coração!

Saldar alegremente esta dívida com pequenos gestos: um abraço, um sorriso, uma palavra, um reconhecimento, uma atividade pastoral, um trabalho social, um texto postado, uma mensagem enviada, um telefonema, um olhar carinhoso, um minuto de atenção, um pouco da presença, o partilhar e um brinde pela graça da amizade.

Andar pelas ruas e praças, enviar uma mensagem, uma sadia conversa, uma partilha sobre um bom livro ou uma poesia, sobre uma música ou um filme, assistir a uma partida de futebol...

Saldemos alegremente esta dívida com grandes gestos de compromissos sociais, políticos, ecológicos, eclesiais...

Desejar a perfeição, é empenhar-se no fortalecimento da comunhão, procurando caminhos de correção e superação dos conflitos, sem jamais ferir ou esquecer a prática da caridade, como expressão da misericórdia.

Em poucas palavras... (XXIIIDTCA)

                                                




                                          Ligar de desligar

“Jesus confiou a Pedro uma autoridade específica: «Dar-te-ei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que desligares na terra será desligado nos céus» (Mt 16, 19). O «poder das chaves» designa a autoridade para governar a Casa de Deus, que é a Igreja. Jesus, o «bom Pastor» (Jo 10, 11), confirmou este cargo depois da sua ressurreição: «Apascenta as minhas ovelhas» (Jo 21, 15-17).

O poder de «ligar e desligar» significa a autoridade para absolver os pecados, pronunciar juízos doutrinais e tomar decisões disciplinares na Igreja. Jesus confiou esta autoridade à Igreja pelo ministério dos Apóstolos e particularmente pelo de Pedro, o único a quem confiou explicitamente as chaves do Reino.”(1)

 

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 553

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