sábado, 14 de março de 2026

Em poucas palavras...

 Julgamento, pecado e a súplica

“O mesmo ancião disse:

‘O homem precisa destas coisas: temer o julgamento de Deus, odiar o pecado e implorar a Deus o tempo todo.”

(1) Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 123/21.42 – p. 94

 

Quaresma: eliminemos toda murmuração, julgamento e desprezo

                                                         


                

    Quaresma: eliminemos toda murmuração,   julgamento e desprezo

"Trabalhai para a vossa salvação, com temor e tremor. Pois é Deus que realiza em vós tanto o querer como o fazer, conforme o seu desígnio benevolente.
Fazei tudo sem reclamar ou murmurar,
para que sejais livres de repreensão e ambiguidade,
filhos de Deus sem defeito." Fl 2,12b-15a
 
Ao ouvimos a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 18,9-14) proclamada no sábado da 3ª semana do Tempo da Quaresma, sejamos iluminados pela “Conferência sobre o julgamento do próximo”, escrita por São Doroteu de Gaza (séc. VI).
 
“Irmãos, se recordarmos bem as sentenças dos santos anciãos e as meditamos sem cessar, difícil será que pequemos ou que sejamos negligentes.
 
Se como eles nos dizem, não menosprezarmos o pequeno e aquilo que julgamos insignificante, não cairemos em faltas graves. O repito sempre a vocês. Por coisas ligeiras, como dizer por exemplo: ‘O que  é isto? O que é aquilo?’, nasce um mau hábito na alma, e se começa a desprezar inclusive as coisas importantes. Percebem quão grave é o pecado que se comente ao julgar o próximo? O que há de mais grave? Existe algo que Deus deteste tanto e do qual se afaste com tanto horror?
 
Os Padres disseram: ‘nada é pior do que julgar'. E, contudo, é por estas coisas que se dizem ser de pouca importância, que se chega a um mal tão grande. Se admite uma ligeira suspeita contra o próximo, se pensa: ‘O que importa se escuto o que tal irmão diz? O que importa se também eu digo somente esta palavra? O que importa se vejo o que vai fazer aquele irmão ou aquele estranho?’, e o espírito começa a esquecer os seus próprios pecados e a ocupar-se do próximo. Daí vem os juízos, murmurações e desprezos, e finalmente se cai nas faltas que se condenavam.
 
Quando alguém é negligente, a respeito de suas próprias misérias, quando alguém não chora a sua própria morte, segundo a expressão dos padres, não pode corrigir-se nunca, porque se ocupa constantemente do próximo. Entretanto, nada irrita tanto a Deus, nada despoja ao homem e lhe conduz ao abandono, como fato de murmurar do próximo, de julgá-lo e de desprezá-lo.
 
Murmurar, julgar e desprezar são coisas diferentes. Murmurar é dizer de alguém: ‘aquele mentiu’, ou: ‘enraivecer-se’, ou: ‘fornicou’. Ou outra coisa semelhante. Se murmurou dele, ou seja, se falou contra ele se revelou seu pecado, existe impulsos da paixão.
 
Julgar é dizer: ‘aquele é um mentiroso, colérico, fornicário’. Eis aí que se julga a própria disposição de sua alma e se aplica a sua vida inteira, dizendo que ele é assim, e se lhe julga como tal. Isto é grave. Porque uma coisa é dizer: ‘encolerizou-se’, e outra coisa: ‘é colérico’, pronunciando-se desta forma sobre toda a sua vida.
 
Julgar ultrapassa em gravidade a todos os pecados, de modo que Cristo mesmo disse: ‘Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás tirar o cisco do olho do teu irmão’. A falta do próximo a comparou com um cisco, e o juízo uma trave, pois o julgar é muito grave, mais grave talvez que cometer qualquer outro pecado.
 
O fariseu que orava e dava graças a Deus por suas boas ações, não mentia; mas dizia a verdade; não foi condenado por isso. Na realidade devemos dar graças a Deus pelo bem que Ele nos concede realizar, já que é com a Sua ajuda e Seu auxílio.
 
Desta forma, ele não foi condenado por ter dito: “Não sou como os demais homens’; não. Foi condenado quando, voltando-se para o publicano, acrescentou: ‘nem como esse publicano’. Foi então quando se tornou gravemente culpado, porque julgava a própria pessoa do publicano, as próprias disposições de sua alma, em uma palavra: sua vida inteira. Por isso, o publicano partiu dali justificado e ele não. Não há nada mais grave, nada mais prejudicial, e o digo com frequência, que julgar ou desprezar ao próximo”.
 
À luz da Conferência, reflitamos sobre os nossos relacionamentos cotidianos, e o quanto também podemos incorrer em graves murmurações, julgamentos e desprezos, tornando desagradáveis a Deus nossas palavras e orações.
 
Antes, é preciso que nos voltemos para nossa própria “miséria”, como o autor mesmo afirma, e sintamos a necessidade da misericórdia divina, sem nos tornarmos parâmetros de santidade e salvação para o outro.
 
É sempre tempo de aprendermos a viver a misericórdia, compreendendo a fragilidade do nosso próximo, o que não é sinônimo de conivência, cumplicidade. 

A misericórdia divina não se afasta da justiça, tão pouco da verdade, não exclui nem elimina o pecador, mas abomina o seu pecado.
 
Trilhando o itinerário quaresmal, temos um caminho para percorrer e aprender o que significa, de fato, a misericórdia querida por Deus, para que sejamos misericordiosos como o Pai (Lc 6, 36).
 
Tão somente assim nossas orações se tornarão agradáveis e chegarão ao coração de Deus,  e sendo por Ele ouvidas, alcançaremos a justificação.
 
 
(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp. 741-743
 

Sem murmurações, julgamentos e desprezo

 


Sem murmurações, julgamentos e desprezo
 
Iluminadora é a “Conferência sobre o julgamento do próximo”, escrita por São Doroteu de Gaza (séc. VI), para que vivamos sem murmurações, julgamentos e desprezo.
 
“Irmãos, se recordarmos bem as sentenças dos santos anciãos e as meditamos sem cessar, difícil será que pequemos ou que sejamos negligentes.
 
Se como eles nos dizem, não menosprezarmos o pequeno e aquilo que julgamos insignificante, não cairemos em faltas graves. O repito sempre a vocês. Por coisas ligeiras, como dizer por exemplo: ‘O que  é isto? O que é aquilo?’, nasce um mau hábito na alma, e se começa a desprezar inclusive as coisas importantes. Percebem quão grave é o pecado que se comete ao julgar o próximo? O que há de mais grave? Existe algo que Deus deteste tanto e do qual se afaste com tanto horror?
 
Os Padres disseram: ‘nada é pior do que julgar'. E, contudo, é por estas coisas que se dizem ser de pouca importância, que se chega a um mal tão grande. Se admite uma ligeira suspeita contra o próximo, se pensa: ‘O que importa se escuto o que tal irmão diz? O que importa se também eu digo somente esta palavra? O que importa se vejo o que vai fazer aquele irmão ou aquele estranho?’, e o espírito começa a esquecer os seus próprios pecados e a ocupar-se do próximo. Daí vem os juízos, murmurações e desprezos, e finalmente se cai nas faltas que se condenavam.
 
Quando alguém é negligente, a respeito de suas próprias misérias, quando alguém não chora a sua própria morte, segundo a expressão dos padres, não pode corrigir-se nunca, porque se ocupa constantemente do próximo. Entretanto, nada irrita tanto a Deus, nada despoja ao homem e lhe conduz ao abandono, como fato de murmurar do próximo, de julgá-lo e de desprezá-lo.
 
Murmurar, julgar e desprezar são coisas diferentes. Murmurar é dizer de alguém: ‘aquele mentiu’, ou: ‘enraivecer-se’, ou: ‘fornicou’. Ou outra coisa semelhante. Se murmurou dele, ou seja, se falou contra ele se revelou seu pecado, existe impulsos da paixão.
 
Julgar é dizer: ‘aquele é um mentiroso, colérico, fornicário’. Eis aí que se julga a própria disposição de sua alma e se aplica a sua vida inteira, dizendo que ele é assim, e se lhe julga como tal. Isto é grave. Porque uma coisa é dizer: ‘encolerizou-se’, e outra coisa: ‘é colérico’, pronunciando-se desta forma sobre toda a sua vida.
 
Julgar ultrapassa em gravidade a todos os pecados, de modo que Cristo mesmo disse: ‘Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás tirar o cisco do olho do teu irmão’. A falta do próximo a comparou com um cisco, e o juízo uma trave, pois o julgar é muito grave, mais grave talvez que cometer qualquer outro pecado.
 
O fariseu que orava e dava graças a Deus por suas boas ações, não mentia; mas dizia a verdade; não foi condenado por isso. Na realidade devemos dar graças a Deus pelo bem que Ele nos concede realizar, já que é com a Sua ajuda e Seu auxílio.
 
Desta forma, ele não foi condenado por ter dito: “Não sou como os demais homens’; não. Foi condenado quando, voltando-se para o publicano, acrescentou: ‘nem como esse publicano’. Foi então quando se tornou gravemente culpado, porque julgava a própria pessoa do publicano, as próprias disposições de sua alma, em uma palavra: sua vida inteira. Por isso, o publicano partiu dali justificado e ele não. Não há nada mais grave, nada mais prejudicial, e o digo com frequência, que julgar ou desprezar ao próximo”.
 
À luz da Conferência, reflitamos sobre os nossos relacionamentos cotidianos, e o quanto também podemos incorrer em graves murmurações, julgamentos e desprezos, tornando desagradáveis a Deus nossas palavras e orações.
 
Antes, é preciso que nos voltemos para nossa própria “miséria”, como o autor mesmo afirma, e sintamos a necessidade da misericórdia divina, sem nos tornarmos parâmetros de santidade e salvação para o outro.
 
É sempre tempo de aprendermos a viver a misericórdia, compadecendo-se com fragilidade do nosso próximo, o que não é sinônimo de conivência, cumplicidade. 
A misericórdia divina não se afasta da justiça, tão pouco da verdade, não exclui nem elimina o pecador, mas abomina o seu pecado.
 
Urge que aprendamos e vivamos a misericórdia querida por Deus, a fim de que sejamos misericordiosos como o Pai (Lc 6, 36), e tão somente assim, nossas orações se tornarão agradáveis e chegarão ao coração de Deus,   sendo por Ele ouvidas, e assim, alcançaremos a justificação.
 
 
(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp.741-743
 
 
 
PS: Oportuna para as passagens do Evangelho: Mt 7,1-5; Lc 6,27-38; Lc 6,39-42; Lc 18,9-14
 

Quaresma: sinceridade e pureza de coração

                                                    

Quaresma: sinceridade e pureza de coração

Com a Liturgia do sábado da 3ª semana do Tempo da Quaresma, refletimos sobre a nossa proximidade com o Altar e as exigências próprias no cotidiano, e também a nossa responsabilidade diante de Deus e da Comunidade.

A vivência da verdadeira religião consiste na fidelidade aos preceitos divinos, na defesa da vida, preferencialmente a defesa dos empobrecidos.

Contemplamos na Sagrada Escritura que Deus está sempre pronto para escutar e intervir na defesa dos empobrecidos, e por isto, a oração destes chega sempre aos Seus ouvidos e não fica sem resposta, como vemos na passagem do Livro do Eclesiástico (Eclo 35,15b-17.20-22a).

A proximidade do Altar pede confiança, generosidade, gratuidade, simplicidade, coerência e entrega da própria vida no bom combate da fé, como fez o Apóstolo Paulo (2Tm 4,6- 8.16-18).

Trilhando com coragem o caminho da fé e do discipulado, Paulo tornou-se para nós modelo de crente, que nos leva a duas atitudes: reconhecimento dos nossos próprios limites e a confiança na misericórdia divina contra toda autossuficiência.

Deste modo, na Parábola que encontramos na passagem do Evangelho, Jesus revela o rosto misericordioso de Deus, por aqueles que se reconhecem pecadores, de modo que a humildade acompanhada da confiança na misericórdia de Deus nos permite ser melhores.

Deus não Se preocupa tanto com nossos pecados, mas com a autenticidade de nossa amizade com Ele: quanto mais amigos d’Ele formos, menos pecadores o seremos!

“Tende compaixão de mim porque sou pecador” (Lc 18,9-14) há de ser nossa suplica diante de Deus. De modo poético, diz Santo Agostinho, referindo-se se ao pecador público nesta passagem mencionada: “... o remorso o afastava, mas a piedade o aproximava; o remorso o rebaixava; mas a esperança o elevava”.

Se de um lado o remorso sincero dos pecados rebaixa, por outro nos aproxima e nos eleva. Lição tão difícil de aprendermos, porém indispensável...

Aprendemos que não podemos nos colocar em relação ao outro como melhor, superior, perfeito... A atitude de pequenez, para que se possa ser justificado e alcançar a misericórdia, o amor e a bondade de Deus é mais do que desejável:

“Hoje a suficiência farisaica não é mais a observância de uma lei: toma outro nome. Em muitos ela é a convicção de que o homem pode salvar-se como homem, apelando unicamente para os seus recursos.

O homem salva o homem mediante a ciência, a política, a arte... é por isso mais do que nunca necessário que os cristãos anunciem ao mundo Cristo como Salvador. A Salvação que Ele traz não se opõe a salvação humana, mas a conduz à plenitude.

Com a celebração dos Sacramentos, especialmente da Eucaristia, os cristãos dão testemunho da necessidade da intervenção divina na vida do homem, põem-se sob a ação do Deus presente, com Seu Espírito, e fazem a experiência privilegiada da justificação obtida mediante a fé em Jesus Cristo.

Devem, por isso, estar continuamente vigilantes para não participarem dos Sacramentos com espírito farisaico”. (1)

A proximidade do Altar não significa que haja proximidade com Deus, e aqui o perigo que a Parábola revela: uma boa dose dos sentimentos do publicano, nos levará a menor farisaísmo e orações mais autênticas que agradarão ao Senhor.

Vivendo o fecundo Tempo Quaresmal, firmemos os passos na caminhada de fé, no “bom combate da fé”, alimentados pela verdadeira atitude orante.

Sintamos a presença de Jesus que caminha ao nosso lado e a glória de Deus será elevada, verdadeiramente, se não separamos o culto da vida.

Deste modo, podemos afirmar que quanto mais próximos do Altar, maior será a exigência de Deus para conosco!

(1) - Missal Dominical - Editora Paulus - p. 1276

Quaresma: levedados pelo fermento do amor

                                                  


Quaresma: levedados pelo fermento do amor

“Meu Deus, tende compaixão de mim,
que sou pecador” (Lc 18,13)

No sábado da 3ª semana do Tempo da Quaresma, a Liturgia nos apresenta a conhecida passagem da Parábola sobre a oração do fariseu e do publicano, no templo (Lc 18,9-14).

Vejamos o que nos diz o Comentário do Missal Dominical sobre um e outro:

“O fariseu diz a verdade, quando fala da sua fidelidade à Lei, em si mesma louvável. Por seu lado, o publicano é um pecador público; pelo seu ofício poder-se-ia dizer que vive ou enriquece, tal como Zaqueu – espremendo os seus concidadãos sobre quem recai o peso dos impostos para os invasores.”.

O que os diferencia é a atitude que têm diante da misericórdia divina; duas concepções distintas de religião:

“Mas o primeiro (o publicano) não só ‘batia no peito’, apelando humildemente para a misericórdia divina. Estas personagens, descritas com traços deliberadamente exagerados, encarnam duas concepções opostas de Deus e, por conseguinte, dois tipos de religião”.

A constatação de que a santidade é graça que nos vem de Deus, porque tão somente Deus é santo, e por meio do Seu Filho, nos vem graça e santificação:

“Só Deus é Santo. Se somos justos, é n’Ele e por Ele, não pelos nossos méritos”.

Deste modo, a Igreja é uma realidade santa e pecadora: santa, porque tem Jesus como seu divino fundamento; pecadora, porque formada de pecadores por Ele perdoados:

“A Igreja é uma comunidade de pecadores perdoados que dá graças pela Salvação obtida por Cristo e pelo dom do Espírito de santidade”.

Daqui decorre uma súplica do comentário, que temos que fazer constantemente por toda a Igreja, da qual somos membros pela graça do batismo:

“Que o Senhor guarde os Seus discípulos do farisaísmo que constantemente os ataca”.

Oremos:

Livrai-nos Senhor, do fermento do farisaísmo, e que sejamos levedados pelo fermento do Vosso amor, para amar como amastes a Deus e ao nosso próximo, na prática dos Mandamentos inseparáveis que nos destes, e sabemos que tão somente assim somos justificados e nossa oração Vos será sempre agradável. Amém.



PS: Citações extraídas do Missal Quotidiano, Dominical e Ferial – Editora Paulus – Lisboa –p.2145 

“Misericórdia, Senhor”

                                                        

“Misericórdia, Senhor”

“Meu Deus, tende compaixão de mim,
que sou pecador” (Lc 18,13)

Reflexão à luz da passagem da Parábola sobre a oração do fariseu e do publicano, no templo (Lc 18,9-14).

Vejamos o que nos diz o Comentário do Missal Dominical sobre um e outro:
 “O fariseu diz a verdade, quando fala da sua fidelidade à Lei, em si mesma louvável. Por seu lado, o publicano é um pecador público; pelo seu ofício poder-se-ia dizer que vive ou enriquece, tal como Zaqueu – espremendo os seus concidadãos sobre quem recai o peso dos impostos para os invasores.”.

O que os diferencia é a atitude que têm diante da misericórdia divina; duas concepções distintas de religião:
“Mas o primeiro (o publicano) não só ‘batia no peito’, apelando humildemente para a misericórdia divina. Estas personagens, descritas com traços deliberadamente exagerados, encarnam duas concepções opostas de Deus e, por conseguinte, dois tipos de religião”.

A constatação de que a santidade é graça que nos vem de Deus, porque tão somente Deus é santo, e por meio do Seu Filho, nos vem graça e santificação:
“Só Deus é Santo. Se somos justos, é n’Ele e por Ele, não pelos nossos méritos”.

Deste modo, a Igreja é uma realidade santa e pecadora: santa, porque tem Jesus como seu divino fundamento; pecadora, porque formada de pecadores por Ele perdoados:
“A Igreja é uma comunidade de pecadores perdoados que dá graças pela Salvação obtida por Cristo e pelo dom do Espírito de santidade”.

Daqui decorre uma súplica do comentário, que temos que fazer constantemente por toda a Igreja, da qual somos membros pela graça do batismo:
“Que o Senhor guarde os Seus discípulos do farisaísmo que constantemente os ataca”.

Oremos:

Livrai-nos Senhor, do fermento do farisaísmo, e que sejamos levedados pelo fermento do Vosso amor, para amar como amastes a Deus e ao nosso próximo, na prática dos Mandamentos inseparáveis que nos destes, e sabemos que tão somente assim somos justificados e nossa oração Vos será sempre agradável. Amém.



PS: Citações extraídas do Missal Quotidiano, Dominical e Ferial – Editora Paulus – Lisboa –p.2145 

A autenticidade de nossas orações

                                                           

A autenticidade de nossas orações

À luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 18,9-14), sobre a Parábola do publicano e do fariseu no templo, professemos nossa fé:

Cremos hoje com todo o coração, e professamos com toda a força, que Deus nos ama, não obstante sejamos pecadores.

Cremos e aprendemos com o publicano: “... o remorso o afastava, mas a piedade o aproximava; o remorso o rebaixava; mas a esperança o elevava” (cf. Santo Agostinho).

Cremos e aprendemos com o publicano e fariseu da Parábola: que, se publicano formos, nos encontramos ao relento precisando da acolhida divina; se fariseus, sentimo-nos seguros, paradoxalmente, em nossa casa foi construída sobre a areia.

Cremos, portanto, “que somos aqueles dois homens; um e outro ao mesmo tempo, porque, como o publicano, somos realmente pecadores e, como o fariseu, nos julgamos justos”.

Cremos que toda forma de injustiça que possamos praticar são pecados da paixão que nos desvia; assim como toda falsa justiça, é expressão de orgulho próprio, que nos afasta do amor de Deus.

Cremos que Deus nos justifica gratuitamente em Jesus Cristo, Seu Filho,  para que demos a Ele, que morreu e ressuscitou por todos nós toda a honra, glória, poder e louvor.

Cremos que, assim como Deus nos deu Seu Amado Filho, jamais nos negará o que for necessário para nos coroar na glória esta aventura maravilhosa da Salvação, em que nos inserimos dia pós dia.

Cremos que a Deus agradam nossas boas obras, feitas para responder ao Seu infinito amor, e por isto, coloca em nossas mãos os dons necessários, como se fossem méritos nossos, embora não o seja de fato.

Cremos na lógica do amor que Jesus nos ensinou, e assim devemos amar, porque antes fomos amados:– “Mas amamos, porque Deus nos amou primeiro” (1 Jo 4,19).

Cremos que é muito mais difícil manter vivas as verdades que nos movem, do que tê-las descoberto no caminhar da fé.

Cremos, portanto, que a autenticidade da fé se dá quando ela se une à caridade e faz nascer o rebento da esperança, florescendo e frutificando novos tempos, novas linhas, nova história.

Cremos que o “sim” neste testemunho da fé, é verdadeiro e profundo, e não se dá sem sofrimento e por vezes a fadiga, por isto precisamos ao Senhor recorrer, quando cansados e fadigados, pois Ele é manso e humilde de coração, e assim nos convidou também a sermos.

Cremos que precisamos nos tornar humildes e pequeninos como crianças diante de todo este Mistério, e dizer: “Sim ó Pai, porque foi do Teu agrado!”. Amém.


PS: Livre adaptação da reflexão do Frei Raniero Cantalamessa em “O Verbo Se faz Carne” - Editora Ave Maria – 2013 - pp.760-766

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