Dom Otacilio F. Lacerda
quinta-feira, 26 de março de 2026
Meditação Quaresmal: O que mais Deus poderia ter feito por nós?
“Creio na santa Igreja Católica”
“Creio na santa Igreja Católica”
Reflexão à luz da Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja, do Concílio Vaticano II (n.9) - (Séc. XX):
“Eis que virão dias, diz o Senhor, em que concluirei com a casa de Israel e a casa de Judá uma nova aliança... Imprimirei minha lei em suas entranhas, e hei de inscrevê-la em seu coração; serei seu Deus e eles serão meu povo... Todos me conhecerão, do menor ao maior deles, diz o Senhor (cf. Jr 31,31.33.34).
Foi essa a Aliança nova que Cristo instituiu, isto é, a nova aliança no Seu sangue, chamando judeus e pagãos para formarem um povo que se reunisse na unidade, não segundo a carne, mas no Espírito, e constituísse o novo povo de Deus.
Os que creem em Cristo, renascidos não de uma semente corruptível, mas incorruptível, pela Palavra do Deus vivo, não da carne, mas da água e do Espírito Santo, são por fim constituídos a raça escolhida, o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que Ele conquistou... que antes não eram povo, agora, porém, são povo de Deus (1Pd 2,9.10).
Este povo messiânico tem por cabeça Cristo, que foi entregue por causa de nossos pecados e foi ressuscitado para nossa justificação (Rm 4,25) e agora, tendo recebido um nome que está acima de todo nome, reina gloriosamente nos céus.
Este povo tem a dignidade e a liberdade dos filhos de Deus, em cujos corações o Espírito Santo habita como em seu templo.
Tem como lei o novo mandamento de amar como o próprio Cristo nos amou. Tem como fim o Reino de Deus, que Ele mesmo iniciou na terra, e deve desenvolver-se sempre mais, até ser no fim dos tempos consumado pelo próprio Deus, quando Cristo, nossa vida, aparecer e a criação for libertada da escravidão da corrupção e, assim, participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus (Rm 8,21).
Portanto, o povo messiânico, embora não abranja atualmente todos os homens e apareça muitas vezes como um pequeno rebanho, é entretanto, para todo o gênero humano, fecundíssima semente de unidade, de esperança e de salvação.
Constituído por Cristo para uma comunhão de vida, de amor e de verdade, e por ele assumido para ser instrumento da redenção universal, é enviado ao mundo inteiro como luz do mundo e sal da terra. Assim como Israel segundo a carne, que peregrinava no deserto, já é chamado Igreja de Deus, também o novo Israel, que caminha neste mundo em busca da cidade futura e permanente, é chamado Igreja de Cristo, pois foi Ele que a adquiriu com o seu sangue, encheu-a de seu Espírito e dotou-a de meios aptos para uma união visível e social.
Deus convocou todos aqueles que olham com fé para Jesus, autor da salvação e princípio da unidade e da paz, e com eles constituiu a Igreja, a fim de que ela seja, para todos e para cada um, o sacramento visível desta unidade salvífica.”
À luz do parágrafo mencionado, professemos nossa fé na Santa Igreja Católica, como rezamos no “Credo”.
Profissão de fé: “Cremos na Santa Igreja Católica”:
Cremos que somos irmãos e irmãs, o povo conquistado por Deus, e somos felizes por nosso Deus é o Senhor: uma nação que Deus escolheu por sua herança.
Cremos que somos agora o povo de Deus; outrora excluídos da misericórdia, agora alcançamos a graça divina.
Cremos que, como povo de Deus, temos a dignidade e a liberdade dos filhos de Deus, em cujos corações o Espírito Santo habita como em seu templo.
Cremos que temos como Lei o novo mandamento: amar como o próprio Cristo nos amou.
Cremos, também, que temos como fim o Reino de Deus, que Ele mesmo, Jesus Cristo, vivo e Ressuscitado, iniciou na terra, e deve desenvolver-se sempre mais.
Cremos que, por isto, devemos ser sedentos e comprometidos com a promoção e defesa da vida, desde a concepção até seu declínio natural, na fidelidade a Deus, fonte de Vida e Salvação.
Cremos que, como Igreja, estamos a serviço do Reino, eterno e universal: Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz. Amém.
“O poder radiante da Cruz”
N'Ele acontece o mais belo desejo humano: o que antes fora promessa, com Ele se cumpre plenamente.
A Sua Encarnação, Sua Vida, pregação, Amor e doação se consumam na cruenta Morte, e Morte de Cruz. O Pai O ressuscitando, experimentamos e testemunhamos “o poder radiante da Cruz”, como rezamos no Prefácio da Missa no Tempo da Quaresma.
Na passagem da primeira Leitura (Gn 17,3-9), refletimos sobre a Aliança que Deus selou com Abrão. Realiza-se através desta o encontro da Promessa Divina e a Esperança humana. Quando Deus promete, compromete-Se plenamente e cumpre.
Amém.
Maria, tão serena e plena de liberdade!
A Oração do Justo e Inocente: Jesus
Muito nos alegra e nos encoraja saber que Jesus ora em nós como nossa cabeça, para que não sejamos pedra de tropeço, mas pedras vivas, amadas e escolhidas no Novo Templo do Seu Corpo Místico, como refletimos no terceiro Domingo da Quaresma, quando o templo purificou, porque tomado pelo zelo do Amor de Deus, devorado pelo fogo abrasador do Amor de Deus, que não compactua com aqueles que manipulam a ação divina, com o mau uso do nome de Deus, numa prática religiosa que contradiz a sua própria essência.
Em poucas palavras...
“...Ó admirável poder da Cruz!”
“...Ó admirável poder da Cruz! Ó inefável glória da Paixão! Nela se encontra o tribunal do Senhor, o julgamento do mundo, o poder do Crucificado!
... Porque Vossa Cruz é fonte de todas as Bênçãos e origem de todas as graças. Por ela, os que creem recebem na sua fraqueza a força, na humilhação, a glória, na morte, a vida.” (1)
(1) Sermão do Papa São Leão Magno (Séc. V)
Em poucas palavras...
“É Cristo, com efeito, que, por Si só, ofereceu tudo o quanto sabia ser necessário para a nossa Redenção; Ele é ao mesmo tempo Sacerdote e Sacrifício, Templo e Deus.
Sacerdote, por quem somos reconciliados; Sacrifício, pelo qual somos reconciliados; Templo, onde somos reconciliados; Deus, com quem somos reconciliados. Entretanto, só Ele é o Sacerdote, o Sacrifício e o Templo, enquanto Deus na condição de Servo; mas na Sua condição divina, Ele é Deus com o Pai e o Espírito Santo.” (1)
(1)Tratado sobre a fé de Pedro, do Bispo São Fulgêncio de Ruspe, século IV.







