quarta-feira, 20 de maio de 2026

Acolhamos a chama do Santo Espírito

                                                     

Acolhamos a chama do Santo Espírito
 
Fogo que nos queima e nunca nos consome;
fogo que nos aquece e mais calor queremos...
 
Preparando-nos para a Celebração da Solenidade de Pentecostes, sejamos enriquecidos pelo Comentário do Evangelho de São João, escrito pelo Bispo São Cirilo de Alexandria (séc. V), sobre a ida de Jesus para junto do Pai e a vinda do Espírito Santo sobre a Igreja:
 
“Cristo tinha cumprido a Sua missão sobre a terra, e para nós havia chegado o momento de entrarmos em comunhão com a natureza divina do Verbo. Era preciso que a nossa vida anterior fosse transformada em outra diferente, começando um novo estilo de vida em santidade. Ora, isto só podia ser realizado pela participação do Espírito Santo.
 
O tempo mais oportuno para o envio do Espírito Santo e sua descida sobre nós foi o que se seguiu à Ascensão de Cristo nosso Salvador.
 
De fato, enquanto Cristo vivia visivelmente entre os Seus fiéis, Ele mesmo, segundo julgo, dispensava-lhes todos os bens. Mas quando chegou o momento estabelecido para subir ao Pai celeste, era necessário que Ele continuasse presente no meio de Seus fiéis por meio do Espírito e habitasse pela fé em nossos corações, a fim de que pudéssemos clamar com toda confiança: ”Aba - ó Pai!’ (Rm 8,15). E ainda nos tornássemos capazes de progredir sem demora no caminho da perfeição, superando com fortaleza invencível as ciladas do demônio e as perseguições dos homens, graças à assistência do Espírito todo-poderoso.
 
Não é difícil demonstrar, com o testemunho das Escrituras, tanto do Antigo como do Novo Testamento, que o Espírito transforma e comunica uma vida nova àqueles em quem habita.
 
O servo de Deus, Samuel, dirigindo-se a Saul, diz: ‘O Espírito do Senhor virá sobre ti e tu te tornarás outro homem’ (cf. 1Sm 10,6). E São Paulo afirma: ‘Todos nós, porém, com o rosto descoberto, contemplamos e refletimos a glória do Senhor, e assim seremos transformados à sua imagem, pelo seu Espírito. Pois o Senhor é Espírito’ (2Cor 3,18.17).
Vês como o Espírito transforma noutra imagem aqueles em quem habita? Facilmente Ele os faz passar do amor das coisas terrenas à esperança das realidades celestes, e do temor e da indecisão à firme e generosa fortaleza de alma. Foi o que sucedeu com os discípulos: animados e fortalecidos pelo Espírito, nunca mais se deixaram intimidar pelos seus perseguidores, permanecendo inseparavelmente unidos e fiéis ao amor de Cristo.
 
É verdade, portanto, o que diz o Salvador: ‘É bom para vós que Eu volte para os céus (cf. Jo 16,7), porque tinha chegado o tempo de o Espírito Santo descer sobre Eles." (1)
 
Acolhamos a chama do Espírito Santo, na fidelidade a Jesus, Caminho, Verdade e Vida, a Palavra da Verdade que nos liberta e santifica:
 
"A Palavra da Verdade santifica o discípulo, afasta-o da lógica mundana e o faz missionário. A consagração na verdade, a libertação e a proteção contra o Maligno não são realidades adquiridas de uma vez para sempre, mas requerem uma fidelidade constante...
 
O Espírito é sempre imprevisível e soberanamente livre. Subverte os planos humanos, inclusive os de Paulo, que deu tudo de si a serviço do Evangelho. É como um fogo devorador que entra na vida de cada um de nós e não deixa para nós um ângulo sequer ou uma dobra do nosso espírito.
 
Só assim, porém, quando formos transpassados pelo fogo do Espírito, nos tornamos transparentes à Sua Palavra e toda a nossa vida se torna testemunho”.   (2)
 
Urge refletir sobre a “fidelidade constante”, que jamais o seria sem a força, presença e ação do Espírito, que age em cada um de nós como fogo devorador que jamais se apaga, e quanto mais nos consome, nos irradia a chama de Seu fogo de Amor, mais felizes nos faz.
 
Acolhamos a chama ardente de Amor do Espírito, sobretudo ao celebrar a Solenidade de Pentecostes.
 
Oremos:
 
Senhor Deus, enviai sobre nós, o Espírito Santo prometido pelo Vosso Filho, quando estava ainda conosco, e nos incendeia com o fogo do Vosso amor!
 
Que o Santo Espírito nos ajude a passar do amor das coisas terrenas à esperança das realidades celestes; do temor e da indecisão à firme e generosa fortaleza de alma, e sejamos conduzidos pela Chama viva do eterno e inflamado Amor Divino, o fogo devorador.
 
Com Ele e por Ele assistidos, como os primeiros discípulos, sejamos animados e fortalecidos na missão evangelizadora, e jamais nos intimidemos por perseguições, provações e dificuldades, permanecendo unidos e fiéis ao amor de Cristo, que nos amou e por nós Se entregou. Amém. Aleluia!
 



(1) Liturgia das Horas – Volume Quaresma/Páscoa Editora Paulus – p. 896-898 
(2)Missal Cotidiano – Editora Paulus


O Espírito Santo presente na missão evangelizadora

                                                            

O Espírito Santo presente na missão evangelizadora

Reflitamos à luz da passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 61, 1-2a.10-11).

O Profeta é ungido pelo Senhor, e sobre ele repousa o Espírito Santo, sem o que sua missão seria um fracasso. 

Num período muito difícil (pós-exílio) e incerto, o Profeta tem a missão, ungido pelo Espírito, de anunciar um tempo novo para o Povo de Deus, suscitando a confiança e a esperança adormecidas, pois este se encontra desanimado e sem esperança, não obstante, é preciso reconstruir Jerusalém.

O Profeta se dirige aos pobres, pacíficos, humildes, simples, piedosos, os que temem a Deus, porque é através destes que Deus reescreverá a história de amor e vida plena.

Estes, ontem e hoje, se entregam com confiança nas mãos de Deus, com fé, humildade e confiança para participarem da obra de Deus, superando toda forma de racismo, exclusão, violência, exploração, terrorismo, imperialismos, prepotências...

Também nós, pelo Batismo, precisamos viver a vocação profética e ser uma voz de Deus, um sinal vivo do Amor de Deus pelos pobres, com renovado empenho e com coragem para construirmos um mundo melhor.

É preciso corresponder à presença amorosa de Deus em nossa vida, em sérios e inadiáveis compromissos, com confiança e esperança de um novo céu e uma nova terra.

Contemos com a ação e presença do Espírito Santo que nos acompanha e nos conduz como Igreja que somos, na realização da missão que Jesus Cristo nos confiou, a fim de que vivendo o batismo, como profetas, sacerdotes e reis, nos empenhemos, com toda a fidelidade, a serviço do Reino de Deus, com amor, confiança e alegria.

Evangelizar com a ação e presença do Espírito Santo

                                                                

                Evangelizar com a ação e presença do Espírito Santo

Alegrai-vos! O Espírito Santo repousa sobre nós!

 

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 4,14-22a).

 

Na Sinagoga de Nazaré, a Palavra de Deus se cumpriu: “O Espírito do Senhor repousa sobre mim e me enviou para Evangelizar os pobres” (Lc 4,18), e para que esta mesma Palavra continue sendo anunciada, o mesmo Espírito continua repousando sobre a Igreja.

 

Urge a renovação de nossas forças e que sejamos enriquecidos com as luzes divinas, para que anunciemos a Boa-Nova na Cidade em que habitamos.

 

Invoquemos a Sabedoria do Espírito, para que correspondamos ao querer de Deus Pai de Misericórdia; para continuarmos, com alegria e dedicação, a missão realizada pelo Seu Filho Jesus, com a mesma fidelidade e compromisso, ao mundo sinalizando as alegrias do Reino.

 

Permaneçamos na  Cidade e Proclamemos a Boa Nova, ungidos pelo azeite da humana ternura e inebriados com o vinho da alegre esperança, numa atualização de Pentecostes, reaprendendo a linguagem do Espírito que sopra na Sua Igreja, comunicando o fogo do Amor, para sermos, com renovado ardor, portadores desta Boa-Nova.

 

Mesmo apostolado, mas não mesmos apóstolos; mesmo discipulado, novos discípulos; mesma missão, embora tempos e realidades diferentes. No entanto, sempre o mesmo Evangelho, e o mesmo Cristo, ontem, hoje e sempre (Hb 12,14).

A escuridão do palco

                                               

A escuridão do palco

A escuridão do palco parece um vazio.
A tela do meu celular ficou toda preta.
Ledo engano! Aos poucos, as luzes e seus efeitos,
Que não seriam os mesmos, se as luzes acesas.

Cada efeito da luminosidade, um deleite;
Uma sensação da alma em elevação,
Ao som das cordas da guitarra e do baixo,
A melodia, o palco, perfeita combinação.

Luzes, sons, melodia, a voz de quem canta,
Invadem em doce e harmoniosa sintonia,
Levando a voos a quem se encanta,
Para ver o mundo com esperança e poesia.

A escuridão do palco parece um vazio,
A escuridão da vida, também assim me parece.
Ledo engano, também, aos poucos surgem a Luz e seu efeito:
A Luz de Deus em nossa escura travessia.

O cenário político, a realidade social,
Uma escuridão que teima em persistir.
Corrupção, violência, tráfico, agressões,
Destruição, depredação, insana ganância.

E ainda outras, sombrias e obscuras realidades,
Permanentemente, a nossa fé desafiam:
Como ser luz do mundo em contextos assim?
Como ser sinal de esperança com caridade e ousadia?

A escuridão do palco é como a vida:
Reencontrar a necessária harmonia
Da voz, do canto, dos sons, da música,
Um grito pela edificante, dia pós dia.

Enamorados por Jesus, a Luz que veio ao mundo,
Para aqueles que nas trevas jaziam,
Iluminando o palco escuro da história.
A Ele, rendemos toda a honra, poder, louvor e glória.

O palco escuro da vida nos desafia.
Revigoremos nossas forças no Sagrado Banquete,
No Divino Banquete da Eucaristia: pela Palavra, iluminados;
Pelo Pão de Imortalidade, revigorados. Amém. 

Liberta-me, Senhor, de todo o medo!

                                        

Liberta-me, Senhor, de todo o medo!

Senhor, ofereço-Te meus medos, ânsias, angústias, temores, complexos, traumas psicológicos....

Quero arrancá-los do coração, como braceletes e correntes de ouro, e dizer-Te:
Toma, Senhor. Não quero mais que meu coração fique cheio de medo, mas  pleno de Ti, de Tua graça, ternura e amor.

Arranca, Senhor, todo o medo, ou me ajude a enfrentá-lo e assim poder vencê-lo; livra-me de todo o mal, de modo especial do mal que me corrói a alma e me fragiliza na conquista de meus sonhos.

Obrigado, Senhor, porque me libertas da necessidade de ter medo, e me dirige a Tua Santa Palavra:“ Não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino” (Lc 12,32); e ainda: “Coragem, Eu venci o mundo” (Jo 16,33).

Gratidão a Ti, Senhor, pelo Teu Espírito concedido, que é princípio de liberdade interior, luz que dissipa todos os medos; bálsamo indispensável e indizível que dá paz ao coração.

Por fim, Senhor, com Teu Apóstolo, agradeço porque não nos deste um espírito de timidez, mas de fortaleza, de amor e de sabedoria (2 Tm 1,7).


PS: Livre adaptação – O Verbo Se faz Carne – Raniero Cantalamessa – Editora Ave Maria - 2013 - p.793.

Nossa cruz de cada dia

                                                                          

Nossa cruz de cada dia

Caminho desafiador nos é proposto em todo o tempo,
Que consiste no caminho da entrega da vida nas mãos do Senhor:
“A Cruz às costas, com um sorriso nos lábios, com uma luz na alma.” (1)

Cruz às costas, precedida das renúncias necessárias,
Para que, com desprendimento e liberdade,
Ponhamo-nos sem medo no caminho com o Senhor.

Cruz às costas que possui muitos nomes e faces;
Ora mais pesada, até parecendo insuportável,
Ora nem tanto. Mas sempre a cruz com amor carregar.
Cruz às costas na fidelidade Àquele que nos disse:
“Vinde a mim vós que estais cansados e fatigados
Meu fardo é leve e o meu jugo é suave” (cf. Mt 11,28-29)

Cruz às costas, mas que um dia a deitaremos pelo chão,
Para fazermos a desejada travessia sobre a mesma,
Ao encontro d’Aquele que amamos e que nos acompanha: Jesus.

Com um sorriso nos lábios, um grande desafio,
Quando as dificuldades de múltiplas expressões
Dão o matiz à nossa vida, ora nem tão colorido.

Com um sorriso nos lábios, um profético testemunho:
Sorrir nas adversidades, como expressão de quem sabe
Que a Deus pode se entregar e plenamente confiar.

Com um sorriso nos lábios, quando se acolhe uma nova vida,
E também quando nos despedimos de quem amamos.
Sorriso fundado na promessa da imortalidade: Ressurreição.

Paradoxalmente, o mais puro e verdadeiro sorriso,
Precedido de lágrimas vertidas, mas o coração consolado,
Como foi o de Marta e Maria ao ver o irmão ressuscitado.

Não sorrir com a morte, porque ela, humanamente,
Não pode arrancar sorrisos, mas sorrir na esperança
De que, como grão, morrerá e desabrochará na eternidade.

Com uma luz na alma, iluminados pelo Espírito,
Confiantes na Palavra do Senhor: “Eu sou a luz do mundo,
quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,1-12).

Com uma luz na alma, irradiando a luz de Deus
A quantos de luz precisam, porque, por vezes,
Mergulhados na escuridão da dor e do abandono.

Com uma luz na alma, iluminar os horizontes,
E jamais deixar de sonhar e se comprometer
Com um novo céu e uma nova terra.

Com uma luz na alma para não se perder no caminhar
Rumo à meta final que ansiamos e buscamos: a eternidade,
O céu como plenitude de amor e plenitude de luz.

Cruz às costas sem reclamar, mas em Deus confiando,
Sorriso nos lábios, mesmo se lágrimas forem derramadas,
Sinal de confiança, esperança, portanto, almas iluminadas...


(1) Homilia de São Josemaria Escrivá, (Via Sacra, 11ª estação).

Inflamados pelo Fogo do Espírito

                                                     


Inflamados pelo Fogo do Espírito

 

Oremos: 

Senhor, que o Fogo do Espírito nos inflame, para correspondermos melhor ao Projeto Divino. 

Com a Sabedoria a nós comunicada, seja nossa alma inflamada, e acompanhados pela Vossa presença e envolvidos pela Vossa infinita misericórdia, bondade e ternura. 

Como peregrinos da esperança, com a Sabedoria do Espírito, contemplemos os insondáveis Mistérios Divinos que dão um novo e salutar sentido à nossa vida. Amém.

 

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG