sexta-feira, 22 de maio de 2026

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Sejamos um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus

                                                 

Sejamos um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus

“Pela misericórdia de Deus...”

As palavras do Apóstolo Paulo, revigoram e iluminam nosso discipulado, a fim de que sejamos peregrinos da esperança, em plena  fidelidade à missão que Jesus nos confiou:

“Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: Este é o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito”. (Rm 12,1-2)

A vida do apóstolo Paulo é a história de um coração extremamente apaixonado e seduzido por Deus, e exorta-nos a assumir atitudes coerentes com a fé que professamos.

Também nos exorta para que assumamos  atitudes coerentes com a fé que professamos, tornando nossa vida um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, não nos conformando ao mundo em que vivemos, mas configurando-nos ao Senhor e Seu Evangelho, oferecendo nossa vida inteiramente a Deus.

Portanto, exige de nós transformação e conversão de nossa maneira de pensar e julgar, não nos deixando moldar pela lógica do mundo, mas pela lógica do Evangelho, procurando sempre o que é agradável a Deus.

O Apóstolo exorta em nome da misericórdia divina, para que façamos progressos espirituais cada vez maiores, e alguns verbos são expressivos nos ajudam a fortalecer nossos passos em processo contínuo de conversão e de configuração ao Senhor, como sacrifícios a Ele agradáveis:

1º – “a vos oferecerdes” - urge que sejamos sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, pois nisto consiste o verdadeiro e frutuoso culto espiritual. Fazer da vida uma eterna e agradável oferenda a Deus, sobretudo colocando nossa vida no Cálice Sagrado do Senhor, configurados a Ele no Seu Mistério de Paixão e Morte, celebrando piedosa, ativa e frutuosamente a Sua Memória.

2º – “Não vos conformeis com o mundo” – ou seja, não compactuar com a mentalidade do mundo, para que sal, luz e fermento sejamos, como bem nos falou o Senhor, nas passagens evangélicas, e próprio Apóstolo Paulo na Carta aos Filipenses, sobre ter os mesmos sentimentos de Jesus (Fl 2,5).

3º – “transformai-vos” – implica viver em permanente atitude de conversão, para que melhor correspondamos aos desígnios de Deus, dando passos sucessivos na escala da perfeição e santidade.

4º – “renovando vossa maneira de pensar e julgar” – a fim de que sejamos moldados pela mão de Deus, porque obras imperfeitas e inacabadas somos.

5º – “distinguir o que é a vontade de Deus” – discernir entre bem e o mal; a mentira e o ódio; o justo e desejável por Deus; o pecado e a graça; o que conduz à vida ou à morte; enfim, fazer o bom uso da liberdade de arbítrio, que por Ele nos foi concedida.

Deste modo, viver um culto agradável a Deus, consiste em viver no amor, no serviço, na doação em entrega a Deus e aos irmãos; e urge, pois, rever o grande sinal que nos identifica, o Sinal da Cruz, que tantas vezes fazemos, e, por vezes, sem pensar no que o gesto implica: carregar a cruz com fé, coragem e fidelidade, como ponte necessária para a eternidade. Sem cruz, não há como conceber e alcançar a eternidade.

Urge que integremos o culto e a vida, fortalecendo os pilares de nossas comunidades, como tão bem expressam as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora do Brasil – Conferência Nacional do Brasil – CNBB – 2019-2023): os pilares da Palavra, do Pão, da Caridade e da Ação Missionária.

Quando o culto e a vida andam de mãos dadas, tornam-se agradáveis a Deus, e Jesus Cristo é, verdadeiramente, Senhor de nossa vida e Rei do Universo.

Reflitamos:

 - O que precisamos rever em nossa vida de fé (pensamentos, palavras e ações), para melhor correspondermos aos desígnios de Deus, de tal modo, que nossa vida seja um culto agradável ao Senhor?

 - Como estamos carregando nossa cruz de cada dia?

- Quais as renúncias necessárias?

- Como vivemos as  palavras que o Senhor nos ensinou, na Oração do “Pai-Nosso”  – “Seja feita a Vossa vontade...”?

Concluindo, se necessário e possível, procuremos o Sacramento da Penitência, para confessarmos nossos pecados.  

Absolvidos, iniciemos um novo caminho, com santos propósitos de progressos maiores ainda no caminho de santidade, a vocação de todos nós, vivendo a vida nova que recebemos no dia do Batismo, e assim irradiaremos a luz divina em todo tempo e em todo o lugar.

 

Sejamos discípulos do Senhor, e não há outro caminho, senão o caminho da cruz; viver corajosamente a “A loucura da Cruz”, de tal modo que o sacrifício vivo seja acompanhado da necessária conversão.

 

Fonte: Lecionário comentado – Tempo Quaresma e Páscoa – Editora Paulus – 2011 – p. 202

PS: Oportuno para o Tempo da Quaresma e em todo o tempo.

“Se me amares, cuidarás do meu rebanho”

                                                 

“Se me amares, cuidarás do meu rebanho” 
“Sua própria renegação é uma lição:
não esqueceu o Amor de Cristo, aprendeu o temor
de si, não renunciou à caridade, mas encontrou a humildade”
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de João (Jo 21,15-19), sobre a tríplice indagação do Senhor a Pedro sobre o seu amor por Ele, para que seja confirmado no apascentar do rebanho.

Não é por acaso que Jesus pergunta três vezes a Pedro se ele O ama, pois quem quiser participar da missão evangelizadora da Igreja,  deve se questionar constantemente sobre o seu verdadeiro e incondicional amor a Jesus.

Este amor é condição fundamental e imprescindível  para que possamos participar da missão evangelizadora da Igreja, pois qualquer outra motivação é insuficiente, e está fadada ao fracasso, por vezes mais rápido do que se possa pensar.

Oportuno o comentário do Missal Cotidiano sobre este diálogo de Jesus com o Apóstolo:

“Para dirigir os outros é necessário antes de tudo dar provas de amor maior. Mas é facílimo dizer: ‘Amo-te’. Pode ser uma declaração vazia, pode ser também uma declaração sincera, nascida, porém do entusiasmo e da presunção pessoal.

Pedro, a quem Jesus reserva uma função que exige, sobretudo, grande amor e grande fidelidade, era levado com demasiada facilidade a tais compromissos, jurando uma fidelidade e um amor que, diante dos fatos, se mostraram frágeis e  incertos.

Jesus não pretende, com suas perguntas, lembrar a Pedro um episódio desagradável. Pedro deve saber que sua vocação ao primado pastoral não depende de seu mérito, nem está ligada a ele, e sim à eleição de Deus; por isso, deverá ter maior amor. Sua própria renegação é uma lição: não esqueceu o Amor de Cristo, aprendeu o temor de si, Não renunciou à caridade, mas encontrou a humildade.”.(1)

Como discípulos missionários do Senhor, no cuidado do rebanho a nós confiado, precisamos renovar este amor a cada dia, buscando formas múltiplas para o seu aprofundamento.

O momento ápice é através da participação na Eucaristia, acompanhada da leitura e meditação da Palavra, na prática cotidiana da “Leitura Orante”; somando-se à celebração e vivência dos Sacramentos, que nascem e se voltam para a Eucaristia, como a Penitência e todos os outros.

É preciso o cultivo da vida interior e a vivência cada vez maior do amor para com os pobres e necessitados, reconhecendo neles a presença do próprio Jesus, a quem devemos amar, cuidar, acolher e servir, como Ele tão bem Se expressou sobre o julgamento final (Mt 25, 31-46).

Renovemos, também nós, nosso tríplice sim de amor às perguntas de Jesus. E, assim, prisioneiros do Espírito, inflamados por Seu Amor, vivamos total liberdade no trilhar as veredas da história, na fidelidade ao Projeto que Deus tem para nós.


(1) Missal Dominical, Editora Paulus, 1995
PS: Reflexão apropriada para a passagem do Evangelho de João (Jo 20,1-19)

Santíssima Trindade: adorar, amar e imitar...

 


Santíssima Trindade: adorar, amar e imitar...
 
“A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.” (2 Cor 13,13)
 
Reflexão sobre o Tratado Sobre a Trindade, do Bispo Santo Hilário (Séc. IV:
 
"O Senhor mandou batizar em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, quer dizer, professando a fé no Criador, no Filho e no que é chamado Dom de Deus.
 
Um só é o Criador de todas as coisas. Pois um só é Deus Pai, de quem tudo procede; um só é o Filho Unigênito, nosso Senhor Jesus Cristo, por quem tudo foi feito; e um só é o Espírito, que foi dado a todos nós.
 
Todas as coisas são ordenadas segundo suas capacidades e méritos: um só é o Poder, do qual tudo procede; um só é o Filho, por quem tudo começa; e um só é o Dom, que é penhor da esperança perfeita. Nada falta a tão grande perfeição.
 
Tudo é perfeitíssimo na Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo: a infinidade no Eterno, o esplendor na Imagem, a atividade no Dom. Escutemos o que diz a palavra do Senhor sobre a ação do Espírito em nós:
 
Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não sois capazes de compreendê-las agora (Jo 16,12). É bom para vós que Eu parta: se Eu me for, vos mandarei o Defensor (cf. Jo 16,7).
 
Em outro lugar: Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará um outro Defensor, para que permaneça sempre convosco: o Espírito da Verdade (Jo 14,16-17). Ele vos conduzirá à plena verdade. Pois Ele não falará por Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará. Ele me glorificará porque receberá do que é meu (Jo 16,13-14).
 
Estas palavras, entre muitas outras, foram ditas para nos dar a conhecer a vontade d'Aquele que confere o Dom e a natureza e a perfeição do mesmo Dom.
 
Por conseguinte, já que a nossa fraqueza não nos permite compreender nem o Pai nem o Filho, o Dom que é o Espírito Santo estabelece um certo contato entre nós e Deus, para iluminar a nossa fé nas dificuldades relativas à encarnação de Deus. Assim, o Espírito Santo é recebido para nos tornar capazes de compreender.
 
Como o corpo natural do homem permaneceria inativo se lhe faltassem os estímulos necessários para as suas funções – os olhos, se não há luz ou não é dia, nada podem fazer; os ouvidos, caso não haja vozes ou sons, não cumprem seu ofício; o olfato, se não sente nenhum odor, para nada serve; não porque percam a sua capacidade natural por falta de estímulo para agir – assim é a alma humana: se não recebe pela fé o Dom que é o Espírito, tem certamente uma natureza capaz de conhecer a Deus, mas falta-lhe a luz para chegar a esse conhecimento.
 
Este Dom de Cristo está inteiramente à disposição de todos e encontra-Se em toda parte; mas é dado na medida do desejo e dos méritos de cada um. Ele está conosco até o fim do mundo; Ele é o Consolador no tempo da nossa espera; Ele, pela atividade dos Seus Dons, é o penhor da nossa esperança futura; Ele é a  Luz do nosso espírito; Ele é o Esplendor das nossas almas”.
 
Nas três Pessoas da Trindade contemplamos, respectivamente (Pai, Filho e Espírito Santo):
 
“... a infinidade no Eterno, o esplendor na Imagem, a atividade no Dom”;
 
“... o Espírito Santo é recebido para nos tornar capazes de compreender.”;
 
“Ele está conosco até o fim do mundo; Ele é o Consolador no tempo da nossa espera;
 
Ele, pela atividade dos Seus Dons, é o penhor da nossa esperança futura;
 
Ele é a Luz do nosso espírito; Ele é o Esplendor das nossas almas”.
 
Assim falou Santo Agostinho: “Vês a Trindade se vês o Amor”.
E ainda: “Deus é um Mistério tão grande, que uma vez encontrado, ainda falta tudo para encontrá-Lo”.
 
Bem afirmou Santo Irineu (séc. II): O Filho e o Espírito são “as duas mãos do Pai”, que nos acolhem, envolvem, abraçam e nos impelem para a missão.
 
Crer na Santíssima Trindade, mistério de comunhão, amor, partilha e esperança, nos compromete em transformar um mundo dividido, individualista e sem esperança.
 
Contemplemos, adoremos a ação da Trindade Santa e renovemos sagrados compromissos, como Igreja Sinodal: ser  no mundo, sinal e instrumento do Amor Trinitário.
 
Adoremos, amemos e imitemos a Santíssima Trindade: vida, luz e paz teremos, e um dia nesta comunhão plena e eterna viveremos.
 
Concluímos com a palavra do Evangelista São João: “Deus amou tanto o mundo, que deu o Seu Filho unigênito, para que não morra todo o que n’Ele  crer, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16).
 
Exultemos de alegria com a ação do Espírito em nós, e a Ele rezemos:
 
“Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o Fogo do Vosso Amor...”
 

Fortalecei a fidelidade de todos os Presbíteros (súplica)

                                                     


Fortalecei a fidelidade de todos os Presbíteros (súplica)

“Uma fidelidade que gera futuro”

Senhor, dai-nos a graça de viver uma fidelidade que gere futuro, vivendo com zelo de Pastor a identidade presbiteral, para que sejamos sacerdotes segundo o amor do Coração de Jesus.

Renovai a chama do primeiro amor do encontro pessoal com Cristo, que deu um novo horizonte e um rumo decisivo em nossas vidas; aquele memorável encontro que o Senhor nos amou, escolheu, chamou e nos confiou a graça da vocação de discípulos Seus.

Nos passos do Bom Pastor, a Ele configurados, firmemos os passos na familiaridade com Ele, envolvendo toda a nossa pessoa, coração e inteligência, sem cansaço ou desânimo indesejáveis.

Senhor, que a cada dia, na fidelidade e serviço,  nossa vida seja oferecida ao celebrar o Sacrifício de Cristo na Eucaristia; no anúncio da Palavra de Deus; na absolvição dos pecados;  na generosa dedicação a serviço da comunhão e no necessário cuidado dos que mais sofrem e passam necessidades.

Concedei-nos sabedoria, para viver o chamado ao Ministério Ordenado como dom livre e gratuito de Deus e que nossa vida seja uma resposta marcada pela graça, gratidão e gratuidade, envolvidos pela divina ternura que sabe trabalhar com nossas fragilidades e limitações.

Abertos ao sopro do Espírito, que conduz a Igreja que amamos e servimos, como alegres discípulos missionários do Senhor, cuidemos da formação permanente, acompanhada da conversão cotidiana  e da vigilância necessária, para que não caiamos na tentação do imobilismo ou o fechamento.

Fortalecei-nos na fidelidade à fraternidade, estabelecendo vínculos de comunhão com os bispos e presbíteros, superando toda tentação de individualismo; de tal modo que a fraternidade presbiteral seja elemento constitutivo do Ministério a nós, pela Igreja confiado; jamais mergulhados na empobrecedora solidão ou reclusão em si mesmo.

Sejam a concórdia e harmonia na caridade um hino a Jesus Cristo, na vida em comum, unidade irrepreensível, para que cada vez mais sejamos inseridos na fecunda comunhão de Amor da Vida Trinitária.

Na fidelidade e sinodalidade, abertos ao sopro do Espírito, que conduz e anima a Igreja, vivamos sadia e fecunda relação no cuidado de nossas comunidades, sem jamais concentrar tudo nas mãos ou cair na tentação de trabalhar sozinho; para que, então, vivamos o Ministério da síntese e não a síntese de todos os Ministérios; edificando assim uma Igreja sinodal e missionária e ministerial.

Na fidelidade e missão, exalemos o odor do óleo que ungiu as nossas mãos em alegre atitude de doação, serviço, com humildade e mansidão; vivendo a compaixão, proximidade e coerência, sem cair na tentação da eficiência expressa na preocupação com a quantidade de atividades e projetos realizados, ou em empobrecedor quietismo, fechado em si mesmos, assustados pelos contextos nos quais inseridos.

Na graça da missão, o fogo da caridade pastoral garanta o equilíbrio e a unificação da vida de todo presbítero, concedendo o equilíbrio na vida cotidiana e a missão alcance todas as dimensões da sociedade, em particular a cultura, a economia e a política, para que tudo seja recapitulado em Cristo (cf. Ef 1,10).

Dai-nos sabedoria para vivermos a harmonia entre a contemplação e a ação, afastando toda a tentação do individualismo e a celebração de si mesmo, em empobrecedora autorreferencialidade; e com João Batista, aprendamos a nos fazer pequenos para que Ele, Jesus, cresça e seja conhecido e glorificado (cf. Jo 3,30).

Na necessária presença no mundo midiático, que o uso das redes sociais e todos seus instrumentos à disposição sejam sempre avaliados e usados com sabedoria, sem perder o paradigma do discernimento para ver o que de fato contribui para a sadia evangelização, lembrando as palavras do Apóstolo Paulo – “Tudo me é lítico! Sim, mas nem tudo convém.” (1 Cor 6,12).

Que a cada dia, a fidelidade e futuro se façam presentes em nossa vida Ministerial, empenhados num renovado Pentecostes vocacional dentro da Igreja, cuidando das pastorais e dentre elas a pastoral familiar e juvenil, sem jamais nos esquecermos que “não há futuro sem cuidar de todas as vocações!”.

Contamos e confiamos na intercessão da Virgem Imaculada, Mãe do Bom Conselho, e de São João Maria Vianey, padroeiro dos párocos, para que vivamos “um amor tão forte que dissipa as nuvens da rotina, do desânimo e da solidão: um amor total que nos é dado em plenitude na Eucaristia. Amor Eucarístico, amor sacerdotal.” Amém.

 

PS: Oração para os Presbíteros inspirada na Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro” – Papa Leão XIV -8/12/25 – Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria.

“A tríplice confissão apaga a tríplice negação...”

                                          


“A tríplice confissão apaga a tríplice negação...”

“A força do amor vence o temor da morte”

À luz dos Tratados sobre o Evangelho de São João, do Bispo Santo Agostinho (Séc. V), reflitamos sobre a força do amor que vence o temor da morte.

“O Senhor interroga sobre o que já sabia, não só uma vez, mas duas e três vezes: se Pedro o ama. De todas as vezes, ouve uma só resposta, que Pedro o ama. E, em todas elas, confia a Pedro o pastoreio de suas ovelhas.

A tríplice confissão apaga a tríplice negação, para que a língua não sirva menos ao amor do que ao temor; e não pareça que a iminência da morte o obrigou a falar mais do que a presença da vida. Seja serviço de amor apascentar o rebanho do Senhor, como foi prova de temor negar o pastor.

Quem apascenta as ovelhas de Cristo, como se fossem suas, não ama a Cristo mas a si mesmo.

Contra esses, que também o Apóstolo censura dizendo que procuram os próprios interesses e não os de Cristo, estas palavras que o Senhor repete insistentemente são uma séria advertência.

Então que quer dizer: Tu me amas? Apascenta as minhas ovelhas (Jo 21,17) senão: Se me amas, não penses em te apascentar a ti mesmo, mas as minhas ovelhas; apascenta-as, considerando minhas, não tuas; procura nelas minha glória, não a tua; meus interesses, não os teus; não sejas daqueles que nos tempos de perigo só amam a si mesmos e tudo o que deriva deste princípio, que é a raiz de todo mal.
 
Os que apascentam as ovelhas de Cristo, não amem a si mesmos; não as apascentem como sendo próprias, mas como pertencentes a Cristo.

O defeito que mais devem evitar os que apascentam as ovelhas de Cristo consiste em procurar os próprios interesses e não os de Jesus Cristo, destinando ao proveito próprio aqueles por quem Cristo derramou o seu sangue.

O amor de Cristo deve crescer até atingir tal grau de ardor espiritual naquele que apascenta as suas ovelhas, que supere até mesmo o natural medo da morte, que nos leva a não querer morrer, ainda que queiramos viver com Cristo.

Contudo, por maior que seja o temor da morte, deve vencê-lo a força do amor com que se ama Aquele que, sendo nossa vida, quis sofrer até a morte por nós.

Na verdade, se não houvesse ou fosse insignificante o mal da morte, não seria tão grande a glória dos mártires. Mas, se o Bom Pastor, que deu a vida por suas ovelhas, suscitou tantos mártires entre as suas ovelhas, quanto mais não devem lutar pela verdade até à morte, e até o sangue, contra o pecado, aqueles que receberam o encargo de apascentá-las, isto é, de instruí-las e dirigi-las?

Por este motivo, diante do exemplo da paixão de Cristo, e ao pensar em tantas ovelhas que já o imitaram, quem não compreende que os pastores devem ser os primeiros a imitar o Pastor? Na verdade, os mesmos pastores são também ovelhas do único rebanho, governado pelo único Pastor. De todos nós ele fez suas ovelhas, por todos nós padeceu; para padecer por todos nós, ele mesmo se fez ovelha”. (1)
 
“A tríplice confissão apaga a tríplice negação”, assim aconteceu com Pedro. Também nós precisamos permanentemente declarar nosso amor pelo Senhor, superando possível “negação”, com nossas infidelidades e pecados.

Urge rever nossos caminhos, palavras, pensamentos e atitudes, a fim de que sejamos autênticas testemunhas do Cristo Ressuscitado.

Renovemos em nós a força do amor que vence o temor da morte, bem como a nossa fé no Senhor, que conosco caminha, ainda que não percebamos.

A exemplo de Pedro, renovemos em nós a chama do primeiro amor, para vencermos as dificuldades e tentações do cotidiano, em plena fidelidade ao Senhor, como rezamos na oração que Ele mesmo nos ensinou:

“Pai Nosso, que estais nos céus... Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.”

 

(1) Liturgia das Horas (Volume Advento Natal – pp. 1032-1033)  ao celebrar a Memória de São Nicolau, no dia 06 de dezembro. Bispo de Mira, na Lícia (hoje Turquia). Morreu em meados do século IV e, sobretudo a partir  do século X, é venerado em toda a Igreja

PS: Apropriado para o Tempo do Advento, a fim de revermos nossos caminhos, palavras, pensamentos e atitudes, para que na vigilância e na oração, estejamos melhor preparados para celebrar a vinda do Salvador, na tão esperada Noite de Natal. 

Apropriado, também,  para refletirmos a passagem do Evangelho de São João (Jo 21,1-14).

Sejamos febris de amor pelo Senhor!

                                                           

Sejamos febris de amor pelo Senhor!

“Simão, filho de João, tu me amas mais que estes?” (Jo 21, 15)

Ressoa em meu coração aquela conversa séria, profunda, impactante,
que marcou a vida, o rumo do Apóstolo Pedro, e de toda a Igreja.

A tríplice interrogação do Senhor, a tríplice resposta de Pedro,
A tristeza que por um instante pareceu corroer seu coração.

Aborrecível sim, inegável, mas foi necessário,
Para que não O negasse nas horas que viriam.

A gloriosa manifestação do Ressuscitado (terceira aparição),
Marcada pela pesca, refeição e o primado da missão.

Quero mais que uma conversa sincera contigo, Pedro,
Quero também maviosas lições de ti aprender

Para apascentar o rebanho, pelo Senhor, a mim confiado,
Não pelos meus méritos, mas por Seu infinito amor e bondade.

Vejo-te, admiro-te, amo-te, Pedro, ontem.
Vejo-te, admiro-te, amo-te, Papa Leão XIV hoje.

Tiveste o coração trespassado pelas interrogações; a Palavra do Verbo
Para suportar outras chagas preanunciadas, reais, consumadas.

O Senhor, três vezes te indagando, comunica-te o perdão,
Porque também três vezes tu fizeste d’Ele a negação.

O Senhor tocou em tuas feridas ainda abertas,
Daquela noite inesquecível da tríplice indagação.

O Senhor quis curá-las, para que elas não te devorassem,
Quando tivesse que levar adiante a divina missão.

Pedro, navegarás por outros mares, outras redes lançarás,
Mas, na fidelidade à Palavra, pesca abundante sempre terás.

Enfrentarás os mares revoltosos da vida,
Não naufragarás no mar tempestuoso das paixões.

Não naufragarás neste e em outros mares,
Porque foste salvo no mar da misericórdia do Senhor.

O Senhor te chamou e perdoou, porque muito te amou,
O primado da missão, as chaves do Reino a ti confiou.

Não sucumbirás no mar das angústias que te cercarão,
Pela incompreensão, calúnias, cadeias e perseguição.

Pedro, terás que amar mais do que todos ao Senhor,
Mais do que o próprio discípulo amado que lá se encontrava.

Sem amor incondicional, fracasso na missão recebida;
Fracasso na condução do rebanho por Ele confiado.

Serás enamorado do Verbo, ao lado do discípulo amado,
Enamoramento iniciado, crescente, eternizado...

Terás que ter sabedoria divina para vencer todo medo,
Confiante na ação do Espírito, Divina Fonte de Sabedoria.

Sentirás tristezas momentâneas, inevitáveis,
Mas transformar-se-ão em alegrias eternas.

Suportarás fráguas, infortúnios incontáveis, tribulações,
Dificuldades, asperezas, incômodos, vicissitudes e tormentas.

Terás dias sombrios e difíceis, horas amargas de incompreensão,
Calúnia, perseguição, mas, do Senhor, terás consolo, confirmação.

Enfrentarás ventos contrários, muitas vezes
Nadarás em seco, remarás contra a maré.

Jamais nenhuma nuvem tenebrosa ofuscará o brilho
Que o Senhor te conferiu, porque sinal da Sua Luz te fez.

Ocupar-te-ás com o maravilhoso, com o ainda não visto,
Com a Novidade do Reino: novo céu e nova terra.

Terás a alma em suave e incomparável deleite,
Porque testemunha crível e amada do Senhor.

Terás fascínio indescritível pelo Senhor, porque tens
Um coração ardente em lavras vulcânicas de amor.

E serás intrépido e febril de amor pelo Senhor,
Amor incandescente que rios jamais poderão apagar.

Febricitante pela causa do Evangelho a anunciar,
Impulsionado pelo mesmo Evangelho a viver.

O zelo pelas coisas do Senhor te consumirá invejavelmente,
Nada mais te importará a não ser o Amado jamais desapontar.

Serás consumido em indescritível martírio de morte e dor,
Envolvido pelo suave odor do Amor do Senhor.

A paixão te levará no Senhor totalmente confiar,
Sem nenhuma resistência e oposição, bela expressão de amor.

Sim, terás o céu na terra, absorto em contemplação,
Sem desviar do caminho da entrega, da cruz, com convicção.

Terás que te entregar de corpo e alma à missão,
Apaixonado, eternamente feliz e apaixonado.

Verás que a felicidade é diretamente proporcional
Ao amor pelo Senhor testemunhado, também na cruz morrendo.

Terás prelibação em cada instante da vida pela causa assumida,
Mas não estarás livre da libação de teu sangue, anunciado martírio.

Tua impetuosidade, agora mais do que nunca necessária, será
Para não ruir na fidelidade à missão pelo Divino Mestre confiada.

Serás veemente convicto, irremovível pela causa do Evangelho,
Sem sucumbir à arrogância, à petulância pela graça da missão.

Se a chama inflamável da Palavra estava em teus lábios,
Porque antes a chama de Amor d’Ele em teu coração estava.

Pedro, assim é teu coração, que também o meu seja:
Tomado pela chama, fogo, labaredas de amor pelo Senhor.

Pedro, és para nós modelo de Fé e a Igreja nos convida
A aprender com aqueles que a fé testemunharam.

Pedro, quanto temos que aprender contigo,
Quanto temos que o mesmo amor viver!

Ontem o Senhor te interrogou sobre teu amor,
Agora é a mim que ele interroga, Pedro.

Que eu aprenda contigo a resposta com sabedoria dar,
Que também meu coração seja como o teu, Pedro:

Um coração inflamado de amor,
Febril de amor pelo Senhor.

Somente corações enternecidos pelo Senhor
É que se comprometem em criar um mundo novo.

Somente corações envolvidos pela ternura do Senhor
É que se comprometem em criar laços indestrutíveis de amor.

Obrigado, Pedro, por tão belas e eternas lições;
Aprendizes delas sejamos, mais que felizes seremos.

Amém. Aleluia! 

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG