segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Rezando com os Salmos - Sl 54(55),2-15.17-24

 



A súplica  do injustiçado que sobe aos céus

“–2 Ó meu Deus, escutai minha prece,
não fujais desta minha oração!
 –3 Dignai-Vos me ouvir, respondei-me:
a angústia me faz delirar!

 –4 Ao clamor do inimigo estremeço,
e ao grito dos ímpios eu tremo.
– Sobre mim muitos males derramam,
contra mim furiosos investem.

 –5 Meu coração dentro em mim se angustia,
e os terrores da morte me abatem;
 –6 o temor e o tremor me penetram,
o pavor me envolve e deprime!

 =7 É por isso que eu digo na angústia:
 Quem me dera ter asas de pomba
e voar para achar um descanso!
 –8 Fugiria, então, para longe,
e me iria esconder no deserto.

– 9 Acharia depressa um refúgio
contra o vento, a procela, o tufão.
 =10 Ó Senhor, confundi as más línguas;
dispersai-as, porque na cidade
só se vê violência e discórdia!

 =11 Dia e noite circundam seus muros,
 12 dentro dela há maldades e crimes,
a injustiça, a opressão moram nela!
– Violência, imposturas e fraudes
já não deixam suas ruas e praças.

 –13 Se o inimigo viesse insultar-me,
poderia aceitar certamente;
– se contra mim investisse o inimigo,
poderia, talvez, esconder-me.

 –14 Mas és tu, companheiro e amigo,
tu, meu íntimo e meu familiar,
 –15 com quem tive agradável convívio
com o povo, indo à casa de Deus!

–17 Eu, porém, clamo a Deus em meu pranto,
e o Senhor me haverá de salvar!
–18 Desde a tarde, à manhã, ao meio-dia,
faço ouvir meu lamento e gemido.

 –19 O Senhor há de ouvir minha voz,
libertando a minh’alma na paz,
 – derrotando os meus agressores,
porque muitos estão contra mim!

 –20 Deus me ouve e haverá de humilhá-los,
porque é Rei e Senhor desde sempre.
– Para os ímpios não há conversão,
pois não temem a Deus, o Senhor.

 –21 Erguem a mão contra os próprios amigos,
violando os seus compromissos;
–22 sua boca está cheia de unção,
mas o seu coração traz a guerra;
 – suas palavras mais brandas que o óleo,
na verdade, porém, são punhais.

 –23 Lança sobre o Senhor teus cuidados,
porque ele há de ser teu sustento,
 – e jamais ele irá permitir
que o justo para sempre vacile!

–24 Vós, porém, ó Senhor, os lançais
no abismo e na cova da morte.
– Assassinos e homens de fraude
não verão a metade da vida.
– Quanto a mim, ó Senhor, ao contrário:
ponho em Vós toda a minha esperança!”

O Salmo 54(55),2-15.17-24 é uma Oração depois da traição de um amigo:

“Vivendo no meio dos ímpios que o perseguem e, além disso, traído por um amigo, o salmista é tentado a fugir da cidade dominada pela malícia e pela falsidade. Uma voz celeste o conforta e reanima sua esperança.” (1)

Também Jesus começou a sentir medo e angústia, como vemos na passagem do Evangelho de São Marcos (Mc 14,32-33):

“Chegaram a um lugar chamado Getsêmani. Jesus disse aos discípulos: ‘Sentai-vos aqui, enquanto eu vou orar’. Levou consigo Pedro, Tiago e João, e começou a sentir pavor e angústia.”  

Também podemos passar por momentos de pavor e angústia, bem como passar por situações de injustiça e traição.

Como o Salmista, na fidelidade ao Senhor, elevemos com confiança a nossa súplica, e seremos confortados e reanimados em nossa esperança, pois ela jamais nos decepciona (Cf. Rm 5,5).

 

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – pág. 771

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Vida, força e coragem

                                                       

Vida, força e coragem

“E Ele me disse: Profetiza sobre estes ossos e dize: Ossos ressequidos, escutai a Palavra do Senhor! Eu mesmo vou fazer entrar um espírito em vós e voltareis à vida.” (Ez 37,4)

Ó Bom Jesus, Vós bem sabeis que por vezes podemos contemplar a realidade como “monte de ossos ressequidos”, como nos falou o Profeta Ezequiel, num tempo de desolação e reconstrução, renovando a fina flor da esperança do Povo de Deus, por isto pedimos, dai-nos vida, força e coragem.

Ó Bom Jesus, que estais sentado à direita do Pai, porque sois Rei Senhor de todo o Universo, enviai o Vosso Espírito, a fim de nos restituir a vida a cada um de nós e às nossas famílias e comunidades, e que jamais nos curvemos diante de situações de morte, desagregações e aridez.

Ó Bom Jesus, fortalecei nossos vínculos fraternos, como Igreja Sinodal que somos, caminhando todos juntos, na comunhão, participação e missão, pois sozinhos não suportamos o peso da cruz, e fragilizados não seremos testemunhas Vossas.

Ó Bom Jesus, firmai nossos passos em direção à vida plena que tão somente Vós podeis nos alcançar, renovando em nossos corações a fé, esperança e caridade, vencendo todas as dificuldades, tribulações e ventos contrários pela vida apresentados.

Ó Bom Jesus, contemplando Vosso coração trespassado, contemplo o Novo Nascimento pelo Batismo, no sinal da água jorrada, e no sangue que também jorrou, a Eucaristia, Alimento que revigora nossas forças para vivermos sagrados compromissos com o Reino por Vós inaugurado. Amém.

 

Fonte: Livro do Profeta Ezequiel (EZ 37,1-14)

“O coro dos Apóstolos Vos louva, Senhor!”

                                

O coro dos Apóstolos Vos louva, Senhor!”

Quando a Igreja celebra a Festa de um Apóstolo, nas Laudes, são feitas orações a partir da herança celeste recebida dos Apóstolos, acompanhada de agradecimento a Deus por todos os dons que Ele nos concede.

Deste modo, em seguida, são feitas quatro aclamações acompanhadas do refrão: O coro dos Apóstolos Vos louva, Senhor!”

A primeira aclamação, ou seja, o primeiro louvor ao Senhor: pela Mesa do Seu Corpo e Sangue, que recebemos por intermédio dos Apóstolos, somos alimentados e vivemos. 

O segundo louvor ao Senhor, devido ao fato de que, pela Mesa de Sua Palavra, preparada para nós pelos apóstolos, recebemos luz e alegria. 

O terceiro motivo de louvor ao Senhor é que, por Sua Igreja edificada sobre o fundamento dos Apóstolos, formamos um só Corpo. 

O último louvor ao Senhor é feito pelos Sacramentos do Batismo e da Penitência
confiados aos Apóstolos, pelos quais somos lavados de todo o pecado. 

Assim, contemplamos o imensurável amor de Deus à luz destas orações:

- somos alimentados e vivemos do Pão da Eucaristia;
- recebemos luz e alegria divinas;
- como Igreja, formamos um só Corpo;
- pelos Sacramentos do Batismo e Penitência, somos lavados de todo o pecado.

Unamo-nos ao coro dos Apóstolos e louvemos ao Senhor, que faz sempre maravilhas em nosso favor em todo o tempo: ontem, hoje e sempre.

Peregrinos de esperança, revigoremos nossas forças para continuar nosso discipulado, fiéis aos ensinamentos dos Apóstolos, em total fidelidade ao Senhor, que nos chama e nos envia em missão; alimenta-nos com o Seu Corpo e Sangue, acompanha-nos e nos fortalece com O Seu Espírito, para que nos empenhemos, a cada dia, com a Boa- Nova do Reino de Deus.

Em poucas palavras...

                                         




“A fé nos ajuda a explorar as dimensões da história...”

“A fé ajuda-nos a explorar as dimensões da história: dimensão de profundidade, ajudando-nos a nos elevar até à única fonte, Cristo Ressuscitado; dimensão da largura, ajudando-nos a inscrever o Evangelho na história dos homens; dimensão de altura, revelando-nos nos outros as capacidades criadoras escondidas para juntos conhecermos o amor de Cristo (cf. Ef 3,18s).” (1)

 

 

(1)               Missal Cotidiano - Editora Paulus - pag. 1224 - Comentário da passagem da Carta de Paulo aos Coríntios (1 Cor 2,10b-16)

Retiro Presbiteral: saciar a sede na Fonte das fontes!

                                                          

Retiro Presbiteral: saciar a sede na Fonte das fontes!

Todos os Retiros Espirituais para Presbíteros têm sua beleza, sua riqueza, dependendo da abertura e acolhida que damos ao Espírito, renovamos nossas forças e somos revigorados para a missão que a Igreja nos confiou no dia da Ordenação.

O Retiro Espiritual é obrigatório para a vida dos Presbíteros, como nos diz o Direito Canônico através do cânon nº 276§ 2 n. 4 - "são igualmente obrigados a participar dos retiros espirituais, de acordo com as prescrições do direito particular", e ainda no nº 533 § 2 "... o pároco dedica, uma vez por ano, aos exercícios espirituais...".

No entanto, mais que obrigatório, é uma necessidade vital e uma graça que Deus nos concede, um privilégio que não pode ser desperdiçado para renovação do ardor em nossa missão evangelizadora.

O retiro é ocasião para três encontros: com Deus, com o outro e consigo mesmo. O Presbítero deve voltar sempre ao “Primeiro Amor”, àquele chamado de Deus, que nos ama, logo deve cultivar a intimidade com Jesus Cristo.

É preciso viver o presente com paixão por Jesus Cristo, viver apaixonadamente por Jesus Cristo: "Não basta conhecer Jesus é preciso amá-Lo; e isto não basta, é preciso imitá-Lo".

O Presbítero em virtude de sua consagração é configurado a Jesus Cristo, não apenas um mensageiro/representante, mas age na pessoa de Cristo Cabeça, doando-se ao rebanho por Deus confiado, alimentando-se da Eucaristia.

Deste modo, a caridade pastoral deve estar presente na vida do Presbítero, que é dom do Espírito Santo e ao mesmo tempo uma missão: dom de si mesmo, no amor de Cristo pelo rebanho a ele confiado. Como Cristo amou e Se entregou pelo Seu povo, o Presbítero também deve fazer o mesmo, numa espiritualidade de comunhão.

Num caminho de santificação e aperfeiçoamento espiritual, verá no pecado o desamor, logo, o Presbítero é testemunha do Amor de Deus, da Misericórdia do Pai (Lc 15), o  homem do perdão, da reconciliação: chamado a perdoar e também buscar o perdão divino (Hebreus 5,14).

E ainda mais, na escola de Maria aprende sobre a vida profundamente Eucarística, tendo a Missa como o ponto central, fonte e ápice de toda a nossa vida, a força grande para a nossa santificação.

Uma autêntica devoção consiste em imitar as virtudes de Maria, logo o Presbítero, como a Mãe de Deus, deve escutar e colocar em prática a Palavra de Deus.

Contemplar as virtudes de Maria e vivê-las é certeza de um Ministério feliz, realizado e realizador.

Retiro espiritual é momento privilegiado para subirmos à montanha com Jesus e, consequentemente, o compromisso de descer à planície do cotidiano de sua existência.  

Presbítero: "Homem da Montanha" no encontro pessoal com Deus e da "Planície" no encontro e cuidado do “rebanho”- o próximo.

Rezando com os Salmos - Sl 101 (102)

                                             


O Senhor nos consola em todas as aflições

 

“–1 Súplicas de um aflito que, prostrado,

expõe seu lamento diante do Senhor.

–2 Ouvi, Senhor, e escutai minha oração,
e chegue até Vós o meu clamor!
–3 De mim não oculteis a Vossa face
no dia em que estou angustiado!
– Inclinai o Vosso ouvido para mim,
ao invocar-Vos atendei-me sem demora!

 –4 Como fumaça se desfazem os meus dias,
estão queimando como brasas os meus ossos.
–5 Meu coração se tornou seco igual à erva,
até esqueço de tomar meu alimento.
–6 À força de gemer e lamentar,
tornei-me tão somente pele e osso.

 –7 Eu pareço um pelicano no deserto,
sou igual a uma coruja entre ruínas.
 –8 Perdi o sono e passo a noite a suspirar
como a ave solitária no telhado.
–9 Meus inimigos me insultam todo o dia,
enfurecidos lançam pragas contra mim.

 –10 É cinza em vez de pão minha comida,
minha bebida eu misturo com as lágrimas.
–11 Em Vossa indignação, em Vossa ira
me exaltastes, mas depois me rejeitastes;
–12 os meus dias como sombras vão passando,
e aos poucos vou murchando como a erva.
–13 Mas Vós, Senhor, permaneceis eternamente,
de geração em geração sereis lembrado!
–14 Levantai-Vos, tende pena de Sião,
já é tempo de mostrar misericórdia!
–15 Pois Vossos servos têm amor aos seus escombros
e sentem compaixão de sua ruína.

 –16 As nações respeitarão o Vosso nome,
e os reis de toda a terra, a Vossa glória;
–17 quando o Senhor reconstruir Jerusalém
e aparecer com gloriosa majestade,
–18 ele ouvirá a oração dos oprimidos
e não desprezará a sua prece.

 –19 Para as futuras gerações se escreva isto,
e um povo novo a ser criado louve a Deus.
–20 Ele inclinou-Se de seu templo nas alturas,
e o Senhor olhou a terra do alto céu,
–21 para os gemidos dos cativos escutar
e da morte libertar os condenados.

 –22 Para que cantem o seu nome em Sião
e louve ao Senhor Jerusalém,
–23 quando os povos e as nações se reunirem
e todos os impérios o servirem.

–24 Ele abateu as minhas forças no caminho
e encurtou a duração da minha vida.
= Agora eu Vos suplico, ó meu Deus;
25 não me leveis já na metade dos meus dias,
Vós, cujos anos são eternos, ó Senhor!

 –26 A terra no princípio Vós criastes,
por Vossas mãos também os céus foram criados;
–27 eles perecem, Vós porém permaneceis;
como veste os mudais e todos passam;
– ficam velhos todos eles como roupa,
28 mas Vossos anos não têm fim, sois sempre o mesmo!

 =29 Assim também a geração dos Vossos servos
terá casa e viverá em segurança,
e ante Vós se firmará sua descendência.”

 O Salmo 101(102) é uma súplica de um aflito que confia na força e bondade divinas, e a Deus revela seus anseios – “Bendito seja Deus que nos consola em todas as nossas aflições!” (2Cor 1,4):

“O salmista implora o socorro divino, descrevendo com imagens pungentes a sua infelicidade. Pede também com firme confiança a reconstrução de Jerusalém destruída.” (1)

Também podemos passar por momentos de aflição e façamos deste Salmo nossa súplica com toda a confiança na onipotência e bondade divina que vem em socorro de nossas fraquezas, como expressou o Apóstolo Paulo:

“Da mesma forma, o Espírito vem em socorro de nossa fraqueza, pois não sabemos o que pedir. É o próprio Espírito que intercede em nosso favor, com gemidos inexprimíveis.” (Rm 8,26). Amém.

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 811

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