quinta-feira, 15 de outubro de 2026

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A Cruz: ápice da rejeição, topo de amor

                             

A Cruz: ápice da rejeição, topo de amor

A Liturgia, da quinta-feira da 28ª Semana do Tempo Comum, apresenta Jesus a caminho de Jerusalém, para consumar a obra da redenção da humanidade (Lc 11,47-54).

Em Jerusalém, experimentará a condição de rejeitado, mas: “apesar disto, o Filho permanece fiel ao Projeto do Pai, e continua a caminhada de Amor que O levará à situação humanamente absurda da Cruz.

Jesus transforma a Cruz, ápice da rejeição em lugar de topo de amor de Deus pela humanidade, e o Seu dom torna-se perdão.” (1).

É na Cruz de Nosso Senhor que devemos nos gloriar, como tão bem expressou o Apóstolo Paulo (Gl 6, 14):

“Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo”.

Na Cruz Redentora do Senhor, contemplamos, portanto, o ápice da rejeição transformado em topo do Amor de Deus pela humanidade.

Ápice da rejeição pelo nosso pecado, topo de Amor por nós, porque pecadores, necessitados do Amor divino e da reconciliação pelo Sangue do Amado Redentor, Divina Fonte de Amor.

Ápice da rejeição pela nossa maldade, mas topo do Amor para nos ensinar que o amor é a Lei maior que haverá de reinar em todos os corações, porque o Coração de Deus assim nos ensinou e testemunhou permitindo que Seu Coração Sagrado trespassado fosse, e Água e Sangue jorrassem para vida nova nos conceber, Alimento salutar da Eucaristia nos conceder.

Na Cruz Redentora, contemplamos o ápice da rejeição humana, a mais crudelíssima morte, e a máxima expressão do Amor de Deus por nós.

Silenciemos diante do Amor de Deus, que nos convida a prolongá-lo nas relações cotidianas, sobretudo porque comungando somos comprometidos a nos transformar n’Aquele que recebemos, o próprio Jesus, nosso Redentor.

Oremos:

“Senhor Jesus, Vós fostes o Cordeiro levado ao matadouro, e agora sois Pastor eterno do rebanho.

Fostes vítima do nosso medo da morte, e agora sois vencedor sobre os infernos.

Fazei brilhar sobre nós o Vosso Rosto, iluminai as nossas trevas com a Vossa luz gloriosa, transformai as incertezas em entrega confiante à vontade do Pai.” (2)

(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - p. 573.
(2) Idem p.574.

Nossa gratidão aos professores

                          

Nossa gratidão aos professores

Comemoramos no dia 15 de outubro o Dia do Professor. Apenas para ilustrar, a palavra professor tem origem é no latim, vem de  “professus”(professar), que além de ensinar, significa “pessoa que se declara  apta a fazer determinada coisa - no caso, ensinar”.

Há professores que passaram em nossa vida comunicando seus conhecimentos. Alguns deixaram marcas memoráveis, porque além de conhecimentos professados da disciplina que lhes eram próprias, souberam estabelecer vínculos de amizade, e semearam valores que nos acompanham por toda a vida.

Há professores que não nos esqueceremos jamais, porque estão como que sempre presentes nas palavras que proferimos, nas conjugações verbais que nos acompanham por toda a vida; no escrever cada palavra, evitando ao máximo os erros, sejam de concordância, ortografia ou quaisquer outros. Aos professores da gramática agradecemos.

Há professores que não esquecemos por conta das operações matemáticas, que a muitos amedrontaram, num primeiro instante; nos cálculos dos gastos; descontos e juros; frações e porcentagens; na compreensão das fórmulas e formas geométricas; pesos e medidas; distâncias e velocidades; limites e possibilidades. Também certos erros podem comprometer a vida toda. Aos professores de matemática agradecemos;

Há professores que professaram seu conhecimento sobre a história, e nos levaram a ter gosto pela mesma; e muito mais do que o gosto; o sonho, a utopia e o compromisso de reescrever uma nova história, em todos os âmbitos; novas linhas e parágrafos; não crendo no ocaso da história, mas sempre o nascer e renascer de novas possibilidades: uma história com menos erros e mais acertos; com mais vida plena e digna para todos, sem escravidão, guerras, roubos, extermínios, genocídios ou quaisquer outras expressões de violação da vida e sua beleza. A vida em todos os sentidos amada e promovida. Aos professores de história, geografia, sociologia, filosofia, ética, moral, também agradecemos.

Há professores de línguas estrangeiras, que favorecem que criemos maior comunhão, diálogo, de outras culturas, compreensão e valorização. A estes professores também agradecemos

De modo especial, lembro aqueles que nos ensinaram a mais bela língua de todos os tempos: A linguagem do Espírito, que se expressa em gestos, acima de tudo; que faz com que criemos laços indestrutíveis de amor e comunhão. Aos educadores da fé, da Palavra Divina, que nos conduz, ilumina e orienta, também agradecemos.

Evidentemente, há outros professores que não estão aqui mencionados, mas nem por isto em nossas vidas esquecidos e não valorizados.

Enfim, a todos os professores, de todas as disciplinas, nossa singela lembrança, reconhecimento e homenagem; nosso eterno “muito obrigado!”

Somos o que somos, muito pelo que nos ensinaram, pelas mais belas sementes do conhecimento que em nós plantaram, e que tão apenas desejam que elas não sejam guardadas, mas passem pelo processo de morte, para germinação em novas folhas, flores, frutos e sementes.

Aos Professores e professoras

                                                    

Aos Professores e professoras

Comemoramos dia 15 de outubro o Dia do Professor e da Professora, mais do que uma homenagem, nossa gratidão,  reconhecimento e orações.

Embora o pouco reconhecimento recebido, cultivam a vocação, confiantes de que o saber é como semente que se lança no coração fértil dos que desejam aprender, para frutos saborosos produzir.

Com coragem, vencem estradas, distâncias, congestionamento, poeiras, ventos e atoleiros, cansaços, ausência ou precariedade de recursos de toda a ordem.

Gratidão pela teimosia e, por vezes, ousada profecia, semeiam valores e princípios que se contrapõem à cultura da morte e da violência, do individualismo e consumismo irresponsáveis.

Gratidão a Deus por todos os professores e professoras que, pela vocação vivida, professando publicamente seu saber, cumulam-nos de conhecimento, numa obra interminável.

Gratidão a Deus pela missão que eles realizam, e que nos ajuda a nunca desistir de sonhar com novos tempos, novas metas, novas configurações de relacionamentos, numa busca constante de saber que a massa levede, porque o genuíno saber é da massa precioso fermento.

Por tudo isto, e muito mais que eles nos oferecem e pela graça que significam em nossa vida, elevemos a Deus nossa indispensável oração: 

“Pai nosso que estais no céu...” 

Amados e atraídos pelo Senhor

                                                  

Amados e atraídos pelo Senhor

Sejamos enriquecidos por um dos Tratados sobre o Evangelista João, escrito por Santo Agostinho, Bispo e Doutor (Séc. V).

“Ninguém vem a mim a não ser que o Pai o atraia (Jo 6,44). Não penses ser atraído contra a vontade. A alma humana é atraída também pelo amor. Nem devemos temer que os homens que pesam as palavras e que estão muito longe da compreensão das coisas divinas nos venham talvez censurar por causa desta palavra evangélica da Escritura, e nos dizer: ‘Como é que creio por livre vontade, se sou atraído?’ Respondo eu: ‘Por livre vontade é pouco; és atraído também pelo prazer’.

Que significa ser atraído pelo prazer? Busca tuas delícias no Senhor e Ele atenderá aos pedidos de teu coração (Sl 36,4). Há um gozo do coração, seu pão delicioso é o celeste. Contudo se foi possível ao poeta dizer: ‘Cada um se deixa atrair por seu prazer, não pelo constrangimento, mas pelo prazer’, não por obrigação, mas pelo deleite, com quanto mais força temos de dizer que o homem é atraído para Cristo. O homem que se deleita com a verdade, se deleita com a felicidade, se deleita com a justiça, se deleita com a vida sempiterna, com tudo isso que é Cristo.

Se têm os sentidos do corpo sua satisfação, estará o espírito privado de suas alegrias? Se o espírito não conhece delícias, como se disse então: Os filhos dos homens abrigam-se à sombra de Tuas asas, inebriam-se com as riquezas de Tua casa e Tu lhes darás de beber da torrente de Tuas delícias, por que em Ti está a fonte da vida e à Tua luz veremos a luz? (Sl 35,8-10)

Apresenta-me alguém que ame e entenderá o que falo. Mostra um desejoso, um faminto, um sedento peregrino deste deserto que suspira pela fonte da pátria eterna, mostra alguém assim e saberá de que falo. Se, porém, falo a um indiferente, não compreenderá o que digo.

Estendes um ramo verde a uma ovelha e a atrais. Mostram-se nozes a um menino, e é atraído. E corre para onde é atraído, amando, é atraído, é atraído sem violência corporal, é atraído pelo laço do coração. Se, entre as delícias e prazeres terrenos, aqueles que se apresentam aos seus apaixonados exercem forte atração sobre eles, pois é bem verdade que ‘cada um se deixa atrair por seu prazer’, não atrairá o Cristo revelado pelo Pai? Que deseja a alma com mais veemência do que a verdade? Por isso, deve-se ter uma boca faminta. Para que deseja ele ter um paladar espiritual são, senão para discernir as coisas verdadeiras, para comer e beber a sabedoria, a justiça, a verdade, a eternidade?

Diz o Senhor: Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, cá na terra, porque serão saciados (Mt 5,6), lá no céu. Eu lhe entregarei o que ama, entregarei o que espera. Verá aquilo em que acreditou ainda sem ver. Comerá aquilo de que tem fome, será saciado por aquilo de que tem sede. Quando? Na ressurreição dos mortos porque Eu o ressuscitarei no último dia (Jo 6,54)”.

Discípulos missionários do Senhor o somos não por iniciativa pessoal, mas porque o Senhor assim o quis. Querendo, nos chamou, chamando, nos enviou, e amando-nos, nos atrai permanentemente a Si.

Sintamo-nos sempre chamados, amados e enviados pelo Senhor, de modo que nosso discipulado será uma resposta permanente de amor.

Quanto maior a adesão ao Senhor, quanto mais nos sentirmos por Ele seduzidos, maior será nosso compromisso com o Reino, maior será nossa alegria, porque expressão de uma fé cheia de vigor, com a esperança renovada a cada dia, porque também nutridos pelo amor celebrado e derramado em cada Eucaristia. 

Tenhamos nós o coração seduzido pelo Senhor, para que cada vez mais profundo, sincero sejam nossos compromissos na ação evangelizadora, fortalecendo os pilares da evangelização: Palavra, Pão, Caridade e Ação Missionária.

“Espera, ó minha alma..."

                                           


                              “Espera, ó minha alma..."

“Espera, ó minha alma, espera. Ignoras o dia e a hora. Vigia cuidadosamente, tudo passa com rapidez, ainda que tua impaciência torne duvidoso o que é certo, e longo um tempo bem curto. 

Considera que, quanto mais pelejares, mais provarás o amor que tens a teu Deus e mais te alegrarás um dia com teu Bem-Amado numa felicidade e num êxtase que não poderão jamais terminar”.   (1)

 

(1)Santa Teresa de Jesus – cf. parágrafo 1821 do Catecismo da Igreja Católica

 

Correspondamos ao Amor de Cristo, pois “... O amor pede amor!”

                                               


Correspondamos ao Amor de Cristo, pois “... O amor pede amor!”
 
 
Sejamos enriquecidos por um dos textos das Obras de Santa Teresa de Jesus (séc. XVI).
 
“Com tão bom amigo presente, com tão esforçado chefe, tudo se pode sofrer. Serve de ajuda e dá reforço; a ninguém falta. É amigo verdadeiro...
 
... E por meio deste Senhor nosso que nos vêm todos os bens. Ele ensinará o caminho: contemplemos Sua vida, porque não há modelo melhor.
 
O que mais queremos, do que ter a nosso lado tão bom amigo, que não nos deixará nos trabalhos e nas tribulações, como fazem os amigos deste mundo? Bem-aventurado quem O amar de verdade e sempre O trouxer junto de si.
 
Olhemos o glorioso São Paulo de cujos lábios, por assim dizer, não saía senão o nome de Jesus, tão bem gravado O tinha no coração.
 
Desde que entendi isto, tenho considerado atentamente alguns Santos, grandes contemplativos, tais como São Francisco, Santo Antônio de Pádua, São Bernardo, Santa Catarina de Sena.
 
Com liberdade havemos de andar neste caminho, entregues às mãos de Deus. Se Sua Majestade quiser elevar-nos à categoria de Seus íntimos e confidentes dos Seus segredos, vamos de boa vontade.
 
Quando pensarmos em Cristo, sempre nos lembremos do amor com que nos concedeu tantas graças e da grande ternura que nos testemunhou em nos dar tal penhor do muito que nos ama, pois amor pede amor.
 
Procuremos sempre ir considerando estas verdades e estimulando-nos a amar. Porque, uma vez que nos conceda o Senhor a graça de que este amor nos seja impresso no coração, tudo nos será mais fácil: faremos grandes coisas muito depressa e com pouco trabalho”.
 
A Virgem Santa Teresa de Jesus foi uma das mais sábias mulheres que a Igreja conheceu e por isto é uma das quatro Doutoras por ela reconhecida.
 
Retomo suas iluminadoras palavras:
 
“... Olhemos o glorioso São Paulo de cujos lábios, por assim dizer, não saia senão o nome de Jesus, tão bem gravado o tinha no coração.”
 
“... Quando pensarmos em Cristo, sempre nos lembremos do amor com que nos concedeu tantas graças e da grande ternura que nos testemunhou em nos dar tal penhor do muito que nos ama, pois Amor pede amor.”.
 
“... Porque, uma vez que nos conceda o Senhor a graça de que este amor nos seja impresso no coração, tudo nos será mais fácil: faremos grandes coisas muito depressa e com pouco trabalho.”
 
“O amor pede amor!”
 
Deus não quer outra coisa de nós, a não ser uma correspondência sincera e profunda de amor. Não corresponder ao Seu amor, distanciar-se d’Ele, quase O ausentando, mais ainda, O exilando de nossa existência, desfigura-nos, porque à Sua imagem nós fomos criados.
 
Não amar e, sobretudo não amá-Lo, é desconhecer nossa origem e identidade, é perder o sentido e o rumo, é perder-se na travessia da existência.
 
Com isto, mergulhamos no nada, porque do Todo amor e do Tudo, que por amor e para amar nos criou, d’Ele nos distanciamos.
 
Sem Deus, nada somos, nada podemos, nada temos, não existimos. Nada mais, absolutamente nada faz qualquer sentido! Existimos n’Ele, por Ele e para Ele.
 
Para aprofundamento, retomemos o capítulo 15 do Evangelho de São João, que nos apresenta Jesus Cristo, a videira do Pai, o Pai o agricultor e nós os ramos (cf. Jo 15,1-16)
 
Peregrinando na esperança, como discípulos missionários do Senhor Jesus, na fidelidade ao Pai, com a Seiva do Espírito, continuemos nosso caminho, iluminados e fortalecidos pela palavra desta Doutora e Santa da Igreja.
 
PS: Memória celebrada pela Igreja no dia 15 de outubro.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG