Dom Otacilio F. Lacerda
terça-feira, 22 de setembro de 2026
Depois daquele silêncio orante...
Oração ao Arcanjo São Miguel
“Creio na Santa Igreja Católica...”
“Creio na Santa Igreja Católica...”
Cremos que ser una é a própria essência da Igreja: «Que admirável mistério! Há um só Pai do universo, um só Logos do universo e, também, um só Espírito Santo, idêntico em toda a parte; e há também uma só mãe Virgem, à qual me apraz chamar Igreja» (São Clemente de Alexandria).
Cremos que a Igreja é una, graças à sua fonte: «O supremo modelo e princípio deste mistério é a unidade na Trindade das pessoas, dum só Deus, Pai e Filho no Espírito Santo».
Cremos que a Igreja é una graças ao seu fundador: «O próprio Filho encarnado [...] reconciliou todos os homens com Deus pela sua Cruz, restabelecendo a unidade de todos num só povo e num só Corpo».
Cremos que a Igreja é una graças à sua «alma»: «O Espírito Santo que habita nos crentes e que enche e rege toda a Igreja, realiza esta admirável comunhão dos fiéis e une-os todos tão intimamente em Cristo que é o princípio da unidade da Igreja».
Fonte: Livre adaptação do parágrafo n.813 do Catecismo da Igreja Católica
Da primavera provisória à eterna Primavera de Deus
Escutar e pôr em prática a Palavra de Deus
Da família do Senhor seremos se...
Da família do Senhor seremos se...
“Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus
e a põem em prática” (Lc 8,21)
Na passagem do Evangelho ser proclamado na Missa da terça-feira
da 25ª Semana do Tempo Comum, Jesus nos ensina que Sua família é constituída
por todos aqueles que fazem a vontade de Deus, e não tão apenas pelos laços de
sangue (Lc 8, 19-21).
É condição indispensável, portanto, um compromisso com o
Evangelho e com o Reino de Deus, sem jamais fazer a separação entre que o se
crê e o que se vive, o que se celebra e o que se traduz no cotidiano, nos mais
diversos âmbitos da vida.
Deste modo, para Jesus há algumas exigências indispensáveis para
que alguém se torne importante para Ele, e de Sua família faça parte:
- Ouvir a Palavra de Deus, colocando em prática;
- Pautar toda existência pelo Mandamento maior do Amor a Deus e
ao próximo; amando como Ele nos ama – “amai-vos uns aos outros, assim como eu
vos amei” (Jo 13,34);
- Saber perdoar, e procurar o perdão, quando necessário, como
expressão de que todos somos passíveis de erros e necessitados do perdão do
outro, para vivermos a autêntica misericórdia que Ele nos ensinou;
- Ter a alegria de partilhar o melhor que possui, para que o
milagre da multiplicação continue a ser realizado, de modo que não haja
necessitados entre nós;
- Aprender que na acolhida do outro, se acolhe o próprio Jesus,
sobretudo se for um pequenino, pobre, doente, marginalizado;
- Saber se esforçar, quando preciso, em ser sinal de consolo,
compreensão e solidariedade, como a mais bela expressão da compaixão divina com
expressões concretas;
- Ser comprometido com a Boa Nova do Reino, com coragem e
profecia, sem deixar-se submergir no medo, na omissão e na indiferença;
- Viver a doação pura e simples, sem nada esperar em troca, na
mais perfeita alegria;
- Saber ser feliz com os que são felizes, mas também saber
chorar com os que choram;
- A prática da misericórdia para com os pecadores,
caridade com os pobres, amor aos amigos
- A partilha e a solidariedade do melhor que temos
- A acolhida do outro – prática das obras de misericórdia
- Viver na graça, gratidão e gratuidade
- Viver o Programa das Bem-Aventuranças
- Não somente se encontrar e se reunir para celebrar, orar, mas
fazer o necessário prolongamento no dia a dia, jamais separando a Mesa da
Palavra e do Altar das incontáveis mesas do cotidiano.
Evidentemente que poderíamos apresentar outras exigências, mas
estas já são o bastante para avaliarmos o quanto somos, de fato, membros da
família de Jesus.
Neste sentido, contemplamos Maria, Sua Mãe, como a mais perfeita
e integrada em Sua família, porque não somente foi Mãe do Salvador, pela ação
do Espírito Santo, mas em todo o seu viver sempre colocou a vontade de Deus
acima da própria vontade.
Maria é por excelência modelo de escuta e prática da Palavra, e
nos ensina o mesmo fazer, e mais: com ela também podemos contar, para que o
mesmo façamos, ressoando em nosso coração suas palavras que não emanaram de
seus lábios apenas, mas de um coração pleno do amor e graça divinas:
“Fazei tudo
o que Ele vos disser” (Jo 2, 5).
Naveguemos pelo oceano de incertezas
Naveguemos pelo oceano de incertezas
“Coragem, sou Eu. Não tenhais medo!” (Mt
14,27)
Do alto da montanha, olho para a imensidão do mar e me pergunto
sobre o que é viver.
Algumas respostas vêm de um grande antropólogo que recentemente
nos deixou, Edgar Morin:
- “Por mais que acreditemos armados de certezas e programas,
precisamos aprender que toda vida é um navegar num oceano de incertezas,
atravessando algumas ilhas ou arquipélagos de certezas, onde nos
reabastecemos.” (1)
- “A certeza e o inesperado precisam ser integrados na História
humana. Nela, o imprevisto não passa de acaso, é também, como a revolução para
Marx, a ‘velha toupeira que trabalha debaixo da terra para aparecer de
repente’. A surpresa do inesperado não deve ser anestesiada. Ao contrário, deve
nos estimular a compreendê-lo, pensá-lo e, sem poder prevê-lo, pelo menos
esperá-lo” (2)
“- As grandes venturas só têm um tempo. Sua lembrança não me
enche apenas de saudade, mas também de uma doce e triste alegria.” (3)
- “Em primeiro lugar, quero indicar que o risco do erro e da
ilusão é permanente em toda a vida humana, pessoal, social, histórica, em toda
decisão e ação e mesmo em toda abstenção, podendo conduzir a desastres.” (4)
E, por fim, a instigante afirmação de Rita Levi-Montalcini,
Prêmio Nobel de Medicina:
“ Dê vida a seus dias, em vez de dar dias à sua vida.” (5)
Erros, ilusões, o impensável inesperado, certezas, incertezas,
pequenas ou grandes venturas marcadas como selo na memória e no coração...
O mar, o vento, as ondas, as tempestades... Travessias para a
outra margem consiste todo o viver...
Viver com intensidade e paixão pela vida, dando vida a cada dia,
a cada momento, a cada instante.
Não sucumbir nem ao medo nem ao cansaço, tampouco recolher-se em
amedrontada solidão do que possa devorar vorazmente a própria existência.
Descer a montanha, navegar no mar das incertezas, porque Deus,
em sua infinita bondade, concede-nos, de fato, “ilhas e arquipélagos de
certezas onde nos abastecemos”; e para quem crê, a Eucaristia é, por excelência,
uma delas.
Deus Onipotente e misericordioso fez-se presente em nossa travessia,
por meio do Seu Filho, e nos comunica o sopro suave do Seu Espírito, e que hoje
arde em nossos corações como chama eterna de Amor. Amém.
(1) Lições de um século de vida - Edgar Morin –
Bertrand Brasil – p.33
(2) Idem – p.36
(3) P.42
(4) P.91
(5) P.37







