terça-feira, 8 de setembro de 2026

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Em poucas palavras...

                                           

              

“A verdadeira devoção...” 

A verdadeira devoção não consiste num estéril e transitório afeto, nem numa certa vã credulidade, mas procede da fé verdadeira pela qual somos levados a reconhecer a excelência da Mãe de Deus, excitados a um amor filial para com a nossa Mãe e à imitação de suas virtudes” (1).

 

(1)               Lumen Gentium - LG 67

Maria: Templo criado do Criador de tudo!

                                                          

Maria: Templo criado do Criador de tudo!

No dia 08 de setembro a Igreja celebra a Festa da Natividade de Nossa Senhora, e para celebrarmos o aniversário de nossa querida mãe, apresento uma parte do Sermão de Santo André de Creta, (séc.VIII):                 

“Este é o sentido da solenidade de hoje, que tem início na natividade da Mãe de Deus, cuja conclusão perfeita é a predestinada união do Verbo com a carne.

Agora a virgem nasce, é alimentada com leite, plasmada e preparada como mãe para o Deus e Rei de todos os séculos...

Nossa solenidade está na fronteira entre a letra e a graça, unindo a realidade que chega aos símbolos que a figuravam, substituindo o antigo pelo novo.

Portanto, cante e exulte toda a criação e contribua com algo digno para a alegria deste dia.

É um só o júbilo dos céus e da terra; juntos festejem tudo quanto está unido no mundo e acima do mundo.

Pois, hoje se construiu o templo criado do Criador de tudo, e pela criatura, de forma nova e bela, preparou-se a nova morada para o Seu Autor”.

Oremos:

Maria, templo criado do Criador de tudo,
Templo privilegiado de Deus para acolher o Redentor,
Hoje celebramos com alegria teu feliz nascimento,
Na Mesa do Altar com Aquele que em Ti Se fez rebento.

Maria, templo criado do Criador de tudo,
Tu que és a Arca da Nova e Eterna Aliança,
Hoje ao celebrarmos a Santa Eucaristia,
Compartilhamos contigo todo carinho e alegria.

Maria, mulher e mãe, tão bela e formosa,
Tu que és bendita entre todas as mulheres,
Que nossa devoção por Ti seja profunda, fecunda e sincera;
Compromissos com a justiça e a paz é o que de nós, Tu esperas! 
Amém.

Ave Maria, cheia de graça...

Maria nos ensina a comunicar a Boa Nova do Reino

                                              

 

Maria nos ensina a comunicar a Boa Nova do Reino
 
Contigo, Ó Amantíssima Maria,  contamos, pois não houve na história, ninguém melhor do que tu, que tenha dialogado com Deus, aberta à voz do Espírito, para acolher no ventre a Palavra, Jesus Cristo, o Verbo que Se fez Carne e habitou entre nós (Jo 1,14).
 
Contigo, queremos ser féis à missão da Igreja, confiada pelo Teu Amado Filho: anunciar a Boa Notícia do Reino até o fim do mundo, até o fim dos tempos, como Ele nos disse – “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura” (cf. Mc 16, 15).
 
Contigo, que tiveste a mente e o coração abertos à ação do Espírito e te tornaste a perfeita comunicadora do Pai, pedimos que nos ajude neste desafio de sermos instrumentos para resplandecer a luminosidade da Palavra de Jesus, assim como fizeste incansavelmente, sobretudo na inesquecível visita à sua prima Isabel.
 
Contigo, haveremos de aprender a usar todos os meios de comunicação social para informar, favorecer o desenvolvimento dos povos, superar os distanciamentos sociais, promover o bem comum, fundados nos valores da verdade, liberdade, justiça e solidariedade, respeito e caridade.
 
Contigo, enfim, aprendamos que a comunicação verdadeira somente se alcança quando se promove o bem comum e se fortalece os vínculos da paz, e o diálogo com Aquele que é a Fonte de nossa vida, introduzindo-nos na mais perfeita comunhão de amor, a comunhão da Santíssima Trindade. Amém.

Amados e perdoados para amar e perdoar! (XXIVDTCA)

                                                       

Amados e perdoados para amar e perdoar!

A Liturgia do 24º Domingo do Tempo Comum (Ano A), trata do tema do perdão.

Contemplamos a Face de Deus que ama sem cálculos, sem limites e sem medida. Feitos à Sua imagem, somos convidados a amar na mesma medida, sobretudo na vivência do perdão.

A lógica do Amor de Deus muitas vezes nos questiona, desestabiliza, pois é totalmente contrária à lógica humana, por vezes movida pelo rancor, ressentimento.

À luz da primeira leitura do Livro do Eclesiástico (Eclo 27,33-28,9), aprendemos a arte de viver bem e sermos felizes, contemplando a Sabedoria Divina que está acima de toda e qualquer sabedoria; revendo nossas posturas e atitudes.

A comunidade cristã, segundo a Carta de Paulo aos Romanos (Rm 14,7-9), há de ser o espaço do aprendizado e da vivência desta lógica do amor – a comunidade tem que ser o lugar do amor, superando quaisquer atitudes de intolerância, incompreensão, despeito pela diversidade e uniformidade pela fé.

A passagem do Evangelho (Mt 18,21-35) traz uma verdadeira catequese sobre a Misericórdia de Deus: o Perdão Divino é ilimitado e universal  e se contrapõe a mesquinhez humana.

A provisoriedade da vida e a morte nos fazem repensar e rever nossos conceitos, sentimentos e ressentimentos. A vida é breve, por que guardar rancores e ódio? A consequência é dor, sofrimento, estresse...

Urge que a comunidade aprenda a perdoar as ofensas e viver a compaixão. Uma vez experimentado o Perdão Divino devemos expressá-lo mutuamente no perdão humano.

Superar a lógica do olho por olho, dente por dente e eliminar quaisquer posturas de vinganças, rancor e ódio. É preciso ter um coração não endurecido, não violento e não agressivo.

Perdão que não é jamais sinônimo de conivência e pacto com a mediocridade. Perdão é ir ao encontro do outro possibilitando reconciliação, novas atitudes, novos caminhos.

Perdão dado e recebido é sinal de uma vida nova, relacionamento novo, pacto de alegria, reencontro, superação, crescimento, amadurecimento.

Perdão jamais poderá ser entendido também como a permissão e persistência contumaz no pecado. Perdão exige esforço e empenho de mudança, sem o que esvaziaremos uma das palavras mais bela do cristianismo.

O amor na prática do perdão é nosso mais belo distintivo: contemplemos quantas vezes da Divina Fonte do Amor e Perdão, Jesus, ecoaram Palavras de misericórdia e perdão.

Em Sua missão e até na Sua consumação no alto da Cruz – “Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem...” e ao ladrão arrependido –“ainda hoje estarás comigo no paraíso”.

Perdão não é também sinônimo de passividade, alienação, conformismo, covardia e indiferença. Perdoar é estar sempre disposto a ir ao encontro daquele que nos ofendeu, estendendo a mão, abrindo o coração, recomeçando o diálogo, abrindo janelas (se não conseguir de imediato as portas), darmos, enfim, nova oportunidade...

É preciso recordar e dar conteúdo ao que rezamos no Pai Nosso – “Perdoai-nos, as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido...”

Perdoados sempre por Deus devemos ter a mesma atitude para com o outro, do contrário seremos instrumentos da prática dos “dois pesos e duas medidas”.

Devemos carregar as marcas de quem perdoa: compreensão, misericórdia, acolhimento, amor, o desejo de ver o outro melhor.

Santo Agostinho, pensando no pecado de Judas Iscariotes, assim escreveu: “Se ele tivesse orado em nome de Cristo teria pedido perdão, se tivesse pedido perdão teria esperança, se tivesse esperança teria esperado na misericórdia e não teria se enforcado desesperadamente”.

São Máximo de Turim nos fala também da maravilha do perdão e o que podemos esperar do Amor de Deus: “se o ladrão obteve a graça do paraíso, por que o cristão não há de obter o perdão?”.

Reine na comunidade o amor, o respeito pelo outro, a aceitação das diferenças, a partilha e o perdão. Nela precisa haver o discernimento, para que não nos percamos em discussões de coisas secundárias esquecendo o que é essencial:

Discutimos se se deve receber a comunhão na mão ou na boca, se se deve ou não ajoelhar à consagração, se determinado cântico é litúrgico ou não, se os Padres devem ou não casar, se a procissão do santo padroeiro da paróquia deve fazer este ou aquele percurso… e, algures durante a discussão, esquecemos o amor, o respeito pelo outro, a fraternidade, e que todos vivemos à volta do mesmo Senhor. É preciso descobrir o essencial que nos une e não absolutizar o secundário que nos divide.”

Finalizando, perdão é eterno recomeço e aprendizado, se nos faltarem palavras e coragem de pedir perdão e de perdoar coloquemo-nos prolongadamente e silenciosamente diante do Coração trespassado do Senhor, a Divina Fonte de Misericórdia. Contemplemos Seu Coração terno, pleno de Amor e perdão, mansidão, doçura, ternura e bondade...

Quanto mais soubermos amar e perdoar, mais felizes o seremos. Podemos perdoar porque antes fomos amados e perdoados.

A graça de ser perdoado e perdoar (XXIVDTCA)

                                                   


A graça de ser perdoado e perdoar


“Perdoai-nos, Senhor, os nossos pecados...”

Aprofundando sobre o perdão que devemos viver nas relações com nosso próximo, voltemo-nos para o parágrafo (n.2843) do Catecismo da Igreja Católica:

“Assim ganham vida as palavras do Senhor sobre o perdão, sobre este amor que ama até ao extremo do amor (Jo 13,1).

A parábola do servo desapiedado, que conclui o ensinamento do Senhor sobre a comunhão eclesial (Mt 18,23-35), termina com estas palavras: ‘Assim procederá convosco o meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar a seu irmão do fundo do coração’.

É aí, de fato, ‘no fundo do coração’, que tudo se ata e desata. Não está no nosso poder deixar de sentir e esquecer a ofensa; mas o coração que se entrega ao Espírito Santo muda a ferida em compaixão e purifica a memória, transformando a ofensa em intercessão”.

Oremos:

Senhor, Vós Sois o Deus de Amor e Verdade, que amamos e adoramos e queremos amar e servir vivendo a graça do Batismo.

“Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como perdoamos a quem nos tem ofendido” do fundo do coração, onde tudo se ata e se desata.

Como não está em nosso poder deixar de sentir ou esquecer a ofensa, libertai-nos de todas as amarras, ressentimentos, mágoas e dureza de coração, para que semelhante ao Coração Sagrado do Vosso Filho seja.

Entregamos nosso coração ao Vosso Espírito, para que toda ferida seja curada e transformada em compaixão; nossa memória é purificada de toda lembrança que nos consome e destrói; transformando cada ofensa recebida em contínua oração de intercessão.

“Meu Senhor e meu Deus, tirai-me tudo o que me afasta de Vós.
Meu Senhor e meu Deus, dai-me tudo o que me aproxima de Vós.
Meu Senhor e meu Deus, desprendei-me de mim mesmo, 
para doar-me por inteiro a Vós”. Amém. (1)

 (1) - São Nicolau de Flue

A parábola do servo sem compaixão ” (XXIVDTCA)

                                                


A parábola do servo sem compaixão

 

Aprofundando a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 18,21-35); voltemo-nos para a Bula Misericordiae Vultus”, do Papa Francisco, quando da declaração do Ano da Misericórdia (08/12/15 - 20/11/16). 

“Temos depois outra parábola da qual tiramos uma lição para o nosso estilo de vida cristã.

Interpelado pela pergunta de Pedro sobre quantas vezes fosse necessário perdoar, Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete» (Mt 18, 22) e contou a parábola do «servo sem compaixão».

Este, convidado pelo senhor a devolver uma grande quantia, suplica-lhe de joelhos e o senhor perdoa-lhe a dívida. Mas, imediatamente depois, encontra outro servo como ele, que lhe devia poucos centésimos; este suplica-lhe de joelhos que tenha piedade, mas aquele recusa-se e fá-lo meter na prisão.

Então o senhor, tendo sabido do fato, zanga-se muito e, convocando aquele servo, diz-lhe: «Não devias também ter piedade do teu companheiro, como eu tive de ti?» (Mt 18, 33). E Jesus concluiu: «Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do íntimo do coração» (Mt 18, 35).

A parábola contém um ensinamento profundo para cada um de nós. Jesus declara que a misericórdia não é apenas o agir do Pai, mas torna-se o critério para individuar quem são os Seus verdadeiros filhos.

Em suma, somos chamados a viver de misericórdia, porque, primeiro, foi usada misericórdia para conosco. O perdão das ofensas torna-se a expressão mais evidente do amor misericordioso e, para nós cristãos, é um imperativo de que não podemos prescindir.

Tantas vezes, como parece difícil perdoar! E, no entanto, o perdão é o instrumento colocado nas nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração.

Deixar de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança são condições necessárias para se viver feliz. Acolhamos, pois, a exortação do Apóstolo: «Que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento» (Ef 4, 26). E sobretudo escutemos a palavra de Jesus que colocou a misericórdia como um ideal de vida e como critério de credibilidade para a nossa fé«Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5, 7) é a bem-aventurança a que devemos inspirar-nos, com particular empenho, neste Ano Santo.

Na Sagrada Escritura, como se vê, a misericórdia é a palavra-chave para indicar o agir de Deus para conosco. Ele não Se limita a afirmar o Seu amor, mas torna-o visível e palpável. Aliás, o amor nunca poderia ser uma palavra abstrata. Por sua própria natureza, é vida concreta: intenções, atitudes, comportamentos que se verificam na atividade de todos os dias.

A misericórdia de Deus é a Sua responsabilidade por nós. Ele sente-Se responsável, isto é, deseja o nosso bem e quer ver-nos felizes, cheios de alegria e serenos. E, em sintonia com isto, se deve orientar o amor misericordioso dos cristãos. Tal como ama o Pai, assim também amam os filhos. Tal como Ele é misericordioso, assim somos chamados também nós a ser misericordiosos uns para com os outros.”

Contemplamos a misericórdia divina através da parábola, em que Jesus nos apresenta a pergunta de Pedro, sobre quantas vezes se deve perdoar um irmão: deve-se perdoar setenta vezes sete, ou seja, o perdão se expressa em plenitude ilimitada.

Jesus, de fato, é o rosto da misericórdia divina:

“Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. O mistério da fé cristã parece encontrar nestas palavras a sua síntese. Tal misericórdia tornou-se viva, visível e atingiu o seu clímax em Jesus de Nazaré” (Misericodiae vultus” – Papa Francisco).

Sejam nossas comunidades lugar do aprendizado e da vivência do perdão, que deverá ser vivido em todos os âmbitos e em todo o tempo, como sinal do Reino de Deus.

 

PS: A dívida do servo perdoado era exorbitante (10.000 talentos; sendo que um talento equivale a 6000 denários; 1 denário equivalente a um dia de trabalho). Seriam necessários mais de 165.000  anos para pagamento de sua dívida. De outro lado, a dívida não perdoada por ele em relação ao seu devedor era de apenas 100 denários, ou seja, menos de um terço de dias de trabalho de um ano: conclusão – de fato, o amor de Deus por nós é pleno e ilimitado (exorbitante). De acordo com a nota da Bíblia de Jerusalém, 10.000 talentos equivale a 174 toneladas de ouro; 100 denários a 0,30 gramas de ouro.

 

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