terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

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Conduzidos pelas Obras de Misericórdia

 


                                         Conduzidos pelas Obras de Misericórdia
 
Tão certo quanto o rio que deságua no mar,
A alegria no coração quando não se cansa de amar.
 
A Igreja, perita em humanidade, tem algo a nos ensinar.
Da Sagrada Tradição luzes a nos conduzir e iluminar.
 
Obras de Misericórdia corporais e espirituais,
Em prática postas, quaresma santa e fecunda.
 
Sete obras de misericórdia corporais:
Dar de comer a quem tem fome; 
dar de beber a quem tem sede; 
vestir os nus; 
dar pousada aos peregrinos; 
assistir aos enfermos; 
visitar os presos; 
enterrar os mortos. 
 
Sete obras de misericórdia espirituais:
Dar bom conselho; 
ensinar os ignorantes; 
corrigir os que erram; 
consolar os aflitos;
perdoar as injúrias; 
sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; 
rogar a Deus por vivos e defuntos.  
 
Primeiros passos de um santo itinerário,
Com o Senhor mais perfeitamente configurados,
d’Ele mesmos sentimentos tenhamos,
Aprendizes do Verbo, fortalecidos e encorajados sejamos.
 
Ao Seu Divino Amor correspondamos:
O mesmo do presépio, barca, cruz e sepultura.
Na glória Ressuscitado, entre nós caminha.
E na Páscoa, cantemos exultantes o Aleluia. Amém.

Tempo favorável de conversão

 


 Tempo favorável de conversão


Itinerário quaresmal percorramos.
Exercícios quaresmais a viver:
Oração, jejum e esmola.
 
Tempo de quaresmar com empenho,
Santos propósitos de conversão,
À vida se preciso, nova direção.
 
Olhos alçados para o céu,
E as coisas do alto buscar,
Luz divina irradiar em todo lugar.
 
A graça do discipulado revigorada,
Pela Palavra iluminados, conduzidos.
Peregrinos de esperança em todo o tempo.
 
A Palavra com ardor anunciamos,
Ela que veio entre nós morar (cf. Jo, 1,14),
Para com Deus também nos reconciliar.
 
Reconciliação expressa em ações concretas:
Vínculos de fraternidade fortalecidos,
Na Espera de um  novo céu e nova terra.
 
Terra, Teto, Trabalho para todos,
Sagrados sonhos nos movam,
No sagrado chão do cotidiano.
 
Partícipes da Mesa Sagrada,
Pelo Pão da Palavra e da Eucaristia nutridos,
De quaresma em quaresma à glória da Ressurreição. Amém.

Em poucas palavras...

                                                          


“Não se dialoga com o demônio...” 

“Não se dialoga com o demônio […] A vida cristã é uma luta permanente. Requer-se força e coragem para resistir às tentações do demônio e anunciar o Evangelho. […] 

Não pensemos que é um mito, uma representação, um símbolo, uma figura ou uma ideia.  

Este engano leva-nos a diminuir a vigilância, a descuidar-nos e a ficar mais expostos. O demônio não precisa de nos possuir. 

Envenena-nos com o ódio, a tristeza, a inveja, os vícios. E assim, enquanto abrandamos a vigilância, ele aproveita para destruir a nossa vida, as nossas famílias e as nossas comunidades, porque, ‘como um leão a rugir, anda a rondar-vos, procurando a quem devorar’” (1Pd 5,8)”  (1)

 

(1) Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate - Papa Francisco - 2018 -   n.158.161


A Oração bem feita dá um novo sentido ao nosso existir

                                                            

A Oração bem feita dá um novo sentido ao nosso existir

Sejamos enriquecidos pelo Tratado escrito pelo Bispo e Mártir São Cipriano (séc. III):

“Os preceitos evangélicos, irmãos caríssimos, não são outra coisa que ensinamentos divinos, fundamentos para edificar a esperança, bases para consolidar a fé, alimento para revigorar o coração, guias para mostrar o caminho, garantias para obter a salvação. Enquanto instruem na terra os espíritos dóceis dos que creem, eles os conduzem para o Reino dos céus.

Outrora quis Deus falar e fazer-nos ouvir de muitas maneiras pelos Profetas, Seus servos. Mas muito mais sublime é o que nos diz o Filho, a Palavra de Deus, que já estava presente nos Profetas e agora dá testemunho pela Sua própria voz.

Ele não manda mais preparar o caminho para Aquele que há de vir, mas vem, Ele próprio, mostrar-nos e abrir-nos o caminho para que nós, outrora cegos e imprevidentes, errantes nas trevas da morte, iluminados agora pela luz da graça, sigamos o caminho da vida, sob a proteção e guia do Senhor.

Entre as exortações salutares e os preceitos divinos com que orienta Seu povo para a salvação, o Senhor ensinou o modo de orar e nos instruiu e aconselhou sobre o que havemos de pedir.

Quem nos deu a vida, também nos ensinou a orar com a mesma bondade com que Se dignou conceder-nos tantos outros benefícios, a fim de que, dirigindo-nos ao Pai com a súplica e Oração que o Filho nos ensinou, sejamos mais facilmente ouvidos.

Jesus havia predito que chegaria a hora em que os verdadeiros adoradores adorariam o Pai em espírito e em verdade. E cumpriu o que prometera. De fato, tendo nós recebido por Sua graça santificadora o Espírito e a verdade, podemos adorar a Deus verdadeira e espiritualmente segundo os Seus ensinamentos.

Pode haver, com efeito, oração mais espiritual do que aquela que nos foi ensinada por Cristo, que também nos enviou o Espírito Santo? Pode haver prece mais verdadeira aos olhos do Pai do que aquela que saiu dos lábios do próprio Filho que é a Verdade?

Assim, orar de maneira diferente da que o Senhor nos ensinou não é só ignorância, mas também culpa, pois Ele mesmo disse: Anulais o Mandamento de Deus a fim de guardar as vossas tradições (cf. Mc 7,9).

Oremos, portanto, irmãos caríssimos, como Deus, nosso Mestre, nos ensinou. A Oração agradável e querida por Deus é a que rezamos com as Suas próprias palavras, fazendo subir aos Seus ouvidos a oração de Cristo.

Reconheça o Pai as palavras de Seu Filho, quando oramos. Aquele que habita interiormente em nosso coração, esteja também em nossa voz; e já que O temos junto ao Pai como advogado por causa de nossos pecados, digamos as palavras deste nosso Advogado quando, como pecadores, suplicarmos por nossas faltas.

Se Ele disse que tudo o que pedirmos ao Pai em Seu nome nos será dado (cf. Jo 14,13), quanto mais eficaz não será a nossa súplica para obtermos o que pedimos em nome de Cristo, se pedirmos com Sua própria Oração!”

No Tempo da Quaresma, a Igreja, à luz do Evangelho de Mateus (Mt 6,1-6.16-18), nos convida à prática da Oração, do jejum e da caridade, intensificando a nossa intimidade com Deus vivenciada na autêntica oração.

Sendo a Quaresma, Tempo favorável de nossa salvação, reconciliação, conversão, urge que nos convertamos sinceramente ao Amor de Deus. 

Deste modo, é Tempo de intensificar a aprofundar nossa vida de oração, e de modo especial a Oração que o Senhor Jesus nos ensinou, a Oração do "Pai-Nosso".

Deste modo, não nos é permitido rezar o "Pai-Nosso" de qualquer modo, pois são as próprias palavras do Verbo, do Filho amado que além de, por nós, ter dado Sua divina vida, também nos ensinou a orar, para estabelecermos o mais perfeito vínculo com a Fonte da vida.

Assim rezando, nossa alma é elevada até Deus, e nos introduz nas entranhas de Sua misericórdia, fortalecendo a certeza de que não estamos sós, e que, por Ele, somos amados. E bem sabemos que é próprio do Amor de Deus nos escutar, tanto em nossos clamores e súplicas como em nossos louvores e agradecimentos. É próprio também do Seu Amor querer falar conosco...

É Tempo, portanto, de corresponder melhor a este Amor, na Oração e com a vida, pois a Oração bem feita dá um novo sentido ao nosso existir.

"Pai Nosso que estais nos céus..." 

“Perdoai-nos as nossas ofensas”

                                                

“Perdoai-nos as nossas ofensas”

Ao rezarmos a Oração do "Pai-Nosso”, comumente, dizemos: – “... Perdoai as nossas ofensas...”.

No entanto, na fórmula que traz o Missal (Dominical e Cotidiano), temos: – “... Perdoai-nos as nossas ofensas...”.

Sobre isto, a Professora Jamilia Elias Piera, afirma que ambas as formas estão corretas, uma vez que o verbo “perdoar” contempla três argumentos: o sujeito (quem perdoa), o complemento direto (o que se perdoa) e complemento indireto (a quem se perdoa).

Deste modo, quando se diz a segunda forma, “perdoai-nos as nossas ofensas” — ambos os complementos do verbo estão presentes; tanto o complemento direto — “as nossas ofensas” como também o indireto — “nos”.

Na primeira frase — "perdoai as nossas ofensas" —  a omissão do complemento indireto é legitimada pela presença do possessivo “nossas”, que nos dá essa informação (“perdoai as nossas ofensas” = “perdoai as ofensas a nós”).

O fundamental é que não rezemos apenas repetindo as palavras, sem a devida atenção e conteúdo.

Quando pedirmos perdão, que seja de coração sincero, para que o perdão, a Deus pedido e alcançado, frutifique, em nosso coração e em nossa vida, sinais de amor, alegria, partilha, comunhão, solidariedade.

Vale ressaltar, porém, que devemos optar pela forma que o Missal nos apresenta, por tratar-se de uma ação litúrgica: – “... Perdoai-nos as nossas ofensas...”.

Conferir: https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a sintaxe-do-verbo-perdoar/23746

“As três ou quatro Palavras” que o Senhor nos ensinou..."

                                                           

“As três ou quatro Palavras” que o Senhor nos ensinou..."

Nas passagens bíblicas do Evangelho (Mt 6,7-15; Lc 11,1-4), Jesus ensina os discípulos a rezar.

Para o aprofundamento da referida passagem, ofereço esta reflexão do poeta e cristão Charles Péguy (1873-1914):

"Eu sou o Pai deles, diz Deus.
Pai nosso que estais nos céus (...)
Sabia bem o que fazia aquele dia meu Filho que os ama muito.
Quando colocou esta barreira entre eles e mim.

Pai nosso que estais nos céus, estas três ou quatro Palavras.
Esta barreira que minha cólera e talvez a minha justiça não transpõem nunca.
Bem-aventurado aquele que adormece sob a proteção destas 
três ou quatro Palavras.
Essas Palavras que caminham na frente de qualquer oração,
como as mãos de quem suplica caminham diante de Sua face...

Estas três ou quatro Palavras que avançam como uma ponta aguda
na frente de um pobre navio.
E que fendem a onda da minha cólera
E quando essa ponta aguda passou, o navio passa, e atrás dele toda a frota.

Agora, diz Deus, é assim que os vejo...
Como a esteira de um belo barco vai se alargando até desaparecer e perder-se.
Mas começa com uma ponta que é a ponta mesma do barquinho.
Assim a esteira imensa dos pecadores se alarga até 
desaparecer e perder-se.
Mas começa com uma ponta, e é esta ponta que vem na minha direção...
E o barquinho é o meu mesmo Filho, 
carregado de todos os pecados do mundo.
E a ponta do barquinho são as duas mãos juntas de meu Filho.

E diante do olhar da minha cólera e diante do olhar da minha justiça, esconderam-se todos atrás dele.
E todo este imenso cortejo de orações, toda esta esteira imensa se alarga até desaparecer e se perder.
Mas começa com uma ponta e é esta ponta que está voltada para mim.
Que avança em minha direção.

E esta ponta são estas três ou quatro Palavras:
Pai nosso que estais nos céus;
Meu Filho na verdade sabia o que fazia...
Pai nosso que estais nos céus.
Evidentemente quando um homem assim começou...
Depois pode continuar, pode me dizer o que quiser.
Vós compreendeis, estou desarmado.
E meu Filho o sabia bem.
Ele que tanto amou estes homens”. (1)

A Oração do "Pai-Nosso", quando rezada com o coração sincero, alcança imediatamente o coração de Deus, pois são as Palavras ditas pelo próprio Filho, e nós suplicamos em comunhão com o Espírito Santo e por meio d’Ele, pois “O Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8, 26).

Bem afirmou Santo Agostinho, grita em vão “Abbá” qualquer pessoa sem o Espírito Santo.

Agora, rezemos juntos as “três ou quatro Palavras” que o Filho nos ensinou:

“Pai nosso que estais nos céus...”

(1) O Verbo Se faz Carne - Raniero Cantalamessa - Editora Ave Maria - 2013 - pp. 692-693 - 

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