sábado, 28 de fevereiro de 2026

Resiliência na travessia

 


Resiliência na travessia

Resiliência: uma palavra que tem sido cada vez mais falada, e que bem compreendida e vivida pode nos ajudar ao escrever sempre novas páginas de alegria, vida e esperança.

Uma possível definição da palavra: “habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas”. (1)

Oremos:

Concedei-nos, Senhor, resiliência no enfrentar de uma enfermidade, acompanhada da fé, de mãos dadas com a ciência: uma fé que a ciência não dispensa, uma ciência que a fé não desconsidere (renegue).

Que nos ajude no autocontrole, acompanhado da força de vontade de superação de situações embaraçosas, e que não nos sejam aniquiladas nossas forças.

Para suportar com fortaleza, sem nos deixarmos vencer pelo espírito de medo e timidez, crendo em Vós, que nos acompanha em todos os passos e nos fortalece (2)

Peregrinos de esperança sejamos, resilientes em toda e qualquer situação, confiando em Vossa presença na barca de Vossa Igreja, que nos garante o chegar à margem, em necessária travessia... (3)

Com sabedoria, remar, por vezes, contra a maré das provações e dificuldades, aguentando firme, sem jamais perder o horizonte da esperança, no bom combate da fé (4), inflamados pela chama de Vossa Caridade. Amém.

 

(1)     Dicionário Aulete

(2)    2 Tm 1,7

(3)    Mc 4,35-41

(4)   2 Tm 4,7

 

Conversão com escuta e jejum (súplica)

 


Conversão com escuta e jejum (súplica) 

Ó Deus, firmai nossos passos no itinerário quaresmal, colocando-Vos no centro de nossa vida, e que a nossa fé nos impulsione frente às inquietações do cotidiano, sem jamais vacilarmos na fé, e esmorecermos na esperança e esfriarmos na caridade. 

Ajudai-nos na escuta da Vossa Voz, renovando nossa fidelidade nos passos do Vosso Amado Filho, para que sejamos mais perfeitamente configurados ao Mistério da Sua Paixão, Morte e com Ele Ressuscitarmos. 

Concedei-nos a graça de santas Liturgias, que nos ajudem a ouvir a Vossa voz, e sejamos educados na escuta do clamor dos empobrecidos e dos que mais precisam, acompanhado de gestos de compaixão, proximidade e solidariedade.

Dai-nos a graça da prática do verdadeiro e fecundo jejum,  disciplinando nossos desejos, purificando-os para que mais livres sejamos na prática das obras de misericórdia corporais e espirituais.

Iluminai-nos, para que desarmemos a linguagem, renunciando às palavras mordazes, o juízo temerário, o falar mal de quem está ausente e não se pode defender, assim como às calúnias.

Fortalecei nossos esforços para aprendermos a medir as palavras e a cultivar a gentileza: na família, entre amigos, nos locais de trabalho, nas redes sociais, nos debates políticos, nos meios de comunicação social, nas comunidades cristãs.  

Com o Vosso Espírito, ajudai-nos, portanto, na abstinência de palavras que atingem e ferem o nosso próximo, e que nossas muitas palavras de ódio deem lugar a palavras de esperança e paz.

Que nosso jejum também passe pela língua, diminuindo as palavras ofensivas, com abertura e escuta da voz do outro, edificando espaços e comunidades que prefigurem e ajudem a construir a civilização do amor. Amém


https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/lent/documents/20260205-messaggio-quaresima.html

A Transfiguração do Senhor contemplada, compromissos sagrados renovados (IIDTQA)

                                             


A Transfiguração do Senhor contemplada, compromissos sagrados renovados 

“Este é o meu Filho amado, 
no qual Eu pus todo o meu agrado. Escutai-O” (Mt 17,5)

Uma breve reflexão sobre a Transfiguração do Senhor, à luz do parágrafo número 555 do Catecismo da Igreja Católica:

- A glória divina é precedida pela Cruz:

“Por um momento, Jesus mostra a Sua glória divina, confirmando assim a confissão de Pedro. Mostra também que, para «entrar na Sua glória» (Lc 24, 26), tem de passar pela Cruz em Jerusalém. Moisés e Elias tinham visto a glória de Deus sobre a montanha; a Lei e os Profetas tinham anunciado os sofrimentos do Messias (Lc 24,27).”

- A presença e ação da Santíssima Trindade na Transfiguração do Senhor: verdadeiramente uma teofania:

“A paixão de Jesus é da vontade do Pai: o Filho age como Servo de Deus (Is 42,1). A nuvem indica a presença do Espírito Santo: «Tota Trinitas apparuit: Pater in voce; Filius in homine; Spiritus in nube clara – Apareceu toda a Trindade: o Pai na voz; o Filho na humanidade; o Espírito Santo na nuvem luminosa» (Santo Tomás de Aquino)”

-  A Transfiguração do Senhor: Jesus viveu uma paixão voluntária e Ele é a irradiação do Pai:

«Transfiguraste-Te sobre a montanha e, na medida em que disso eram capazes, os Teus discípulos contemplaram a Tua glória, ó Cristo Deus; para que, quando Te vissem crucificado, compreendessem que a tua paixão era voluntária, e anunciassem ao mundo que Tu és verdadeiramente a irradiação do Pai» (Liturgia bizantina, Kontakion na Festa da Transfiguração: «Mênaîa toû bólou eniautoû», v. 6 (Romae 1901) p. 341).” (1)

A transfiguração do Senhor contemplada, leva-nos necessariamente à renovação de sagrados compromissos como Igreja sinodal que somos, sempre caminhando juntos, atentos na escuta e na prática do que nos diz o Filho amado do Pai, Jesus.

Oremos:

“Ó Deus, que nos mandastes ouvir o Vosso Filho amado, alimentai nosso espírito com a Vossa palavra, para que, purificado o olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão da Vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.”

 

(1)         Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 555
(2)        Oração do dia no segundo Domingo da Quaresma


Em poucas palavras... (IIDTQA)

                                                 


A finalidade da Transfiguração do Senhor (2)

“O Senhor manifesta a Sua glória na presença de testemunhas escolhidas, e de tal modo fez resplandecer o Seu corpo, semelhante ao de todos os homens, que Seu rosto se tornou brilhante como o sol e Suas vestes brancas como a neve.

A principal finalidade dessa transfiguração era afastar dos discípulos o escândalo da Cruz, para que a humilhação da Paixão, voluntariamente suportada, não abalasse a fé daqueles a quem tinha sido revelada a excelência da dignidade oculta de Cristo”. (1)

 

(1) Papa São Leão Magno (séc. V)

Transfiguração do Senhor: Do bom combate da fé à vida plena e definitiva (IIDTQA)

                                                             

Transfiguração do Senhor:
Do bom combate da fé à vida plena e definitiva 

O caminho da glória eterna
passa, inevitavelmente, pela Cruz.

Com a Liturgia do segundo Domingo da Quaresma (ano A), celebramos a Transfiguração do Senhor, dando mais um passo em nosso itinerário rumo à Páscoa.

A Transfiguração do Senhor é um convite à escuta atenta à voz de Deus e obediência total e radical ao Seu Plano, que Jesus realizou plenamente, por isto Ele é o Filho Amado que deve ser escutado no Monte Tabor e, com a força do Espírito, a Sua Palavra devemos realizar na planície do cotidiano, na história concreta, com suas alegrias e tristezas, angústias e esperanças...

Na passagem da primeira Leitura (Gn 12,1-4) é nos apresentado Abraão, que é para todos nós, o modelo de crente, modelo daquele que crê, percebe e segue, de coração confiante, o Projeto de Deus, colocando a vontade de Deus acima da própria vontade.

Abraão possui uma fé radical, confiança total e obediência incondicional às Propostas de Deus. Carrega dentro de si o sonho dos patriarcas: terra fértil e uma família numerosa, e em nenhum momento deixou de acreditar na promessa de Deus.

A mensagem que nos ilumina: Deus não desiste da humanidade e continua a construir com ela uma história de salvação, e Abraão é a pura e máxima expressão desta confiança na promessa divina.

Abraão é o homem que encontra Deus, que está atento aos Seus sinais e os interpreta, procurando responder aos desafios de Deus com total obediência e entrega.

Reflitamos:

- O que Abraão nos ensina em nossa caminhada de fé?
- Vivo um sim incondicional à vontade de Deus?
- Vivo uma fé instalada e acomodada?

- O que significa, como Abraão, pôr-se sempre a caminho e a Deus oferecer-se, e n’Ele confiar totalmente, entregando-lhe o que de melhor se possui?
- Deus vem, sempre por Amor, ao nosso encontro. Como correspondo ao Seu Amor e Projeto de Salvação?

Na passagem da segunda Leitura (2 Tm 1,8b-10), Paulo exorta Timóteo, e toda a comunidade, a manterem-se fiéis no discipulado, deixando de lado todo medo, acomodação, instalação e distração.

Na vida dos discípulos missionários não pode haver lugar para o desânimo e vacilo na fé. É preciso manter o ânimo, com fortaleza, enfrentar e superar as dificuldades, com fidelidade total no testemunho da fé n’Aquele que nos chamou, Jesus.

Tomando consciência da presença amorosa e preocupação de Deus para conosco, continuar no bom combate, no testemunho da fé. É preciso sempre levar a sério a vocação para a qual Deus nos chama, superando toda e qualquer forma de timidez, medo, insegurança...

Na passagem do Evangelho (Mt 17, 1-9), contemplamos a Transfiguração do Senhor, e a manifestação da antecipação de Sua glória, mas que é precedida pelo caminho da doação da vida, do Mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição. O caminho da glória eterna passa, inevitavelmente, pela Cruz.

A experiência vivida no Monte Tabor é a antecipação da glória eterna, para que, quando da experiência da morte de Cruz de Jesus, os discípulos não desanimem, e continuem firmes na fé, no testemunho.

Virá a inquietante pergunta: “Vale a pena seguir um Mestre que nada mais tem para oferecer do que a morte na Cruz?”.

A Transfiguração é a resposta: o aparente fracasso da Cruz é a nossa vitória. Deus Ressuscitou Seu Filho e não permitiu que a morte tivesse a última palavra.

Lembremo-nos das palavras do Apóstolo Paulo aos Gálatas – “Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo.” (Gl 6,14).

A Transfiguração é, portanto, uma teofania, ou seja, uma manifestação de Deus. Os sinais, os dados são relatos teofânicos do Antigo Testamento: monte, voz do céu, aparições, vestes brilhantes, nuvem, o medo e a perturbação dos três discípulos (João, Pedro e Tiago).

Jesus é o novo Moisés, e com Ele uma nova libertação. Com Ele Deus sela uma nova e eterna Aliança.

Moisés recebeu a Palavra, a Lei no Monte Horeb, Jesus é a própria Palavra do Pai a ser ouvida e acolhida.

A Transfiguração é uma mensagem catequética inesquecível na vida dos discípulos: Jesus é o Filho Amado de Deus, que realiza com Sua vida, doação, paixão e morte de Cruz, o Projeto de salvação divina. Ele apresenta um Projeto a quantos queiram ouvi-Lo e segui-Lo.

O caminho que Ele fará e fez é também o caminho daqueles que o seguirem. O aparente e provisório fracasso será uma eterna e verdadeira vitória.

A Transfiguração é uma mensagem de confiança e esperança – a Cruz não será a palavra final, pois no fim do caminho de Jesus, e na vida dos discípulos que O seguirem, está a Ressurreição, a vida plena, a vitória sobre a morte.

Pela Transfiguração do Senhor, testemunha-se que uma existência feita como dom não é fracassada, ainda que culmine na Cruz. A vida plena e definitiva se vislumbra no horizonte, bem no final do caminho, para todos aqueles que, como Jesus, colocarem sua vida a serviço dos irmãos.

Na planície por vezes também podemos ser tentados pelo desânimo, e é nesta hora que a Transfiguração do Senhor não permite que nos entreguemos, recuemos.

Avançar sempre para águas mais profundas. A Transfiguração é como um grito ecoado no alto do Monte Tabor: “Não desanimem, pois Deus não permite que nossa vida seja uma marca de fracasso. Creiamos na Ressurreição, busquemos a vida definitiva, a felicidade sem fim, com coragem, carregando a cruz em total fidelidade ao Senhor.”.

Escutar Sua Palavra no Monte Sagrado não basta, é preciso vivê-la na planície, no autêntico testemunho da fé. Viver a religião não como evasão, fuga, distanciamento de compromissos concretos de amor e solidariedade.

Sendo assim, a religião jamais será um ópio a nos entorpecer, mas um sagrado compromisso com Deus, e, portanto, com Sua imagem e semelhança, com a humanidade, obra de Suas mãos, e com o mundo que nos entregou para cuidar, desde as primeiras páginas da História da Salvação:

“A vida é combate. O primeiro ato do ser humano no seu nascimento é um grito. Ele deverá lutar para viver. Muitos doentes sabem que devem lutar contra o mal, o sofrimento, o desencorajamento, a lassidão.

Desistir de lutar é sintoma de uma doença que se chama depressão. Podemos lutar para nos curarmos fisicamente. Podemos lutar para nos mantermos de pé na provação. A vida espiritual também é um combate.

O Senhor é Alguém que Se deixa procurar. Segui-Lo supõe, por vezes, escolhas radicais.

Nesta semana, aceitemos conduzir um combate. Não para ser os melhores, nem para esmagar os outros, mas para viver e fazer viver.

A vitória neste combate é-nos anunciada neste domingo, em que nos juntamos ao Senhor Transfigurado. Mas Ele diz-nos que, antes de Ressuscitar, deve passar pelo combate da Paixão. A Ressurreição é a vitória do combate pela vida” (1).

A Eucaristia é, portanto, o momento em que sentimos fortemente a presença de Deus, e refazemos nossas forças, porque no Banquete Eucarístico nossa fé é nutrida, nossa esperança é dilatada e nossa caridade é fortalecida.


(1) Citação extraída do site:
http://www.dehonianos.org/portal/default.asp

Transfiguração do Senhor: A glória é precedida pela Cruz (IIDTQA)

                                                              

Transfiguração do Senhor: A glória é precedida pela Cruz

O segundo Domingo da Quaresma, identificado como “O Domingo da Transfiguração do Senhor”, é um convite a escutarmos a voz do Filho Amado, e maior obediência à vontade de Deus, na Força do Espírito.

A passagem da primeira Leitura (Gn 22,1-2.9a.10-13.15-18), fala-nos de Abraão e do sacrifício de seu filho Isaac.

O autor Sagrado nos revela um Deus que ama com Amor intenso e eterno; que revigora nossa serenidade e esperança; um Deus que não quer sacrifícios de vidas humanas, mas que todos tenham vida e vida plena.

Muitas vezes, as provações acontecem em nossa vida; e são elas ocasião para testemunharmos nossa fidelidade e revelarmos o que se passa no mais profundo de nosso coração.

Assim nos fez aprender Abraão, que não pouparia seu filho único, amado e herdeiro. Parecia que Deus iria destruir os próprios sonhos que ajudou a criar, no entanto, não é esta a mensagem, pois se Deus algo nos tira, é para nos dar algo ainda melhor.

A prontidão da resposta de Abraão revela um homem que entrega, confia, obedece... 

Sua obediência foi fonte de Bênção para todas as nações, e da mesma forma, será pelo nosso sim às coisas divinas, fazendo-nos  instrumentos da Bênção Divina para o outro.

Abraão nos ensina a confiar além da incompreensão. Com isto, é possível questionar qual a atitude que temos diante dos Mistérios de Deus em nossa vida.

Além da compreensão de tudo que somos incapazes, é preciso antes confiar e entregar-se, como Abraão, nas mãos da Divina Providência, que tudo sabe e tudo pode.

Tudo isto leva ao questionamento de nossa vida cristã, nossa fidelidade aos desígnios de Deus, de modo que a sua atitude nos convida rever nossas prioridades: fazer de Deus o valor máximo, a prioridade fundamental de nossa vida.

Não podemos servir a “deusinhos” e aos ídolos sedutores de tantos nomes, mas tão somente ao Deus Vivo e Verdadeiro, o Deus bíblico revelado por Jesus.

Deste modo, as qualidades de Abraão nos ajudam no Itinerário Quaresmal, na busca e prática da conversão necessária, para que possamos celebrar uma frutuosa e alegre Páscoa do Senhor. 

Com ele, aprendemos a crer, contra toda falta de humana esperança, e também que a obediência a Deus não é sinônimo de escravidão, mas garantia de vida, prosperidade, felicidade e realização.

Com a passagem da segunda Leitura (Rm 8,31b-34), é fortalecida a nossa espiritualidade cristã, que consiste em percorrer o caminho do amor a Deus e aos irmãos: enfrentar os sofrimentos, fazer as renúncias necessárias, suportar as incompreensões e perseguições e, sobretudo, não perder a esperança no triunfo final.

O discípulo de Jesus sabe que sua esperança não é uma ilusão, pois se relaciona com um Deus que ama a todos com Amor intenso, imenso e eterno, e por isto, mantém a serenidade, a confiança e a esperança, marcando assim, todo o seu existir.

Na aparente orfandade, ouve no mais íntimo de si mesmo: “Não tenhais medo”, pois o Amor de Deus veio ao nosso encontro por meio de Jesus, que por nós viveu um Amor, profundo, radical e total: um Amor vitorioso que passou pela Cruz para ser vencedor.

Com a passagem do Evangelho (Mc 9, 2-10),  refletimos sobre o Projeto Messiânico, que se realizará pela Cruz: com renúncias, o carregar da cruz no seguimento, escuta e obediência.

Poderiam indagar os próprios discípulos: “Vale a pena seguir alguém que nos oferece a morte na Cruz?”

O Evangelista, retratando a Transfiguração, nos assegura que sim, pois ela é um sinal antecipado da vitória, do triunfo glorioso da Ressurreição.

Assim compreendido, a Transfiguração no Monte é uma teofania – uma manifestação da força e onipotência divina que venceu a morte: não ficará morto para sempre o Filho Amado que nos amando, amou-nos até o fim.

Contemplemos algumas imagens que nos oferecem interessantes paralelos entre o Antigo e o Novo Testamento:

- O rosto transfigurado e as vestes brancas de Jesus lembram o resplendor de Moisés ao descer do Sinai, após o encontro com Deus em que receber as Tábuas da Lei;
- A nuvem na Bíblia sempre representa uma forma de falar da presença de Deus;

- Moisés e Elias, a Lei e a Profecia que se realizam;
- O temor mencionado revela a Onipotência Divina;

- As tendas lembram um novo Êxodo – passagem da escravidão à liberdade;
- Jesus é o novo Moisés, com Ele uma Nova e Eterna Aliança;
- A roupa branca também sinaliza a Ressurreição: a Cruz não terá e não será a palavra final.

O discípulo missionário do Senhor jamais poderá deixar se entorpecer por certo tipo de “anestesia espiritual”, que nos torna indiferentes diante dos outros.

No caminho de fidelidade a Jesus, não podemos esmorecer, fracassar, fugir ou abandonar a cruz que Ele nos ofereceu para ser carregada cotidianamente com renúncias necessárias.

Dando mais um passo em nosso itinerário quaresmal, ao ouvir a Palavra proclamada, seja acolhida no alto da montanha e na planície vivida.

Seja purificado o olhar de nossa fé, para que vejamos, além da transitoriedade da dor e do sofrimento, os sinais maravilhosos da Glória Celeste, e assim poderemos no final deste itinerário quaresmal, celebrar o transbordamento da alegria Pascal, a Ressurreição do Senhor.

Peregrinar iluminados pela Transfiguração do Senhor (IIDTQA)

                                          


             Peregrinar iluminados pela Transfiguração do Senhor

Aprofundemos sobre a nossa missão de discípulos missionários do Senhor, como peregrinos da esperança, à luz de Sua Transfiguração, retomando a Sagrada Escritura, o Magistério e a Tradição da Igreja.

O Apóstolo Pedro nos fala da Transfiguração em uma de suas Cartas:

“Não foi seguindo fábulas habilmente inventadas que vos demos a conhecer o poder e a vida de nosso Senhor Jesus Cristo, mas sim, por termos sido testemunhas oculares da sua grandeza.

Efetivamente, Ele recebeu honra e glória da parte de Deus Pai, quando do seio da esplêndida glória se fez ouvir aquela voz que diz: ‘Este é o meu Filho amado, n’Ele está o meu agrado. Esta voz, nós a ouvimos, vinda do céu, quando estávamos com Ele no santo monte.” (1)

Assim lemos no Catecismo da Igreja Católica:

“...Finalmente, retomando o caminho do deserto em direção ao lugar onde o Deus vivo e verdadeiro Se revelou ao Seu povo, Elias recolheu-se, como Moisés, «na cavidade do rochedo», até «passar» a presença misteriosa de Deus (1 Rs 19, 1-14; Ex 33, 19-23).

Mas será somente no monte da transfiguração que Se mostrará sem véu Aquele cuja face eles procuravam (Lc 9, 30-35): o conhecimento da glória de Deus está na face de Cristo, crucificado e ressuscitado (2 Cor 4, 6).” (2)

Com o diácono Efrém (séc. IV), contemplemos a Transfiguração do Senhor:

“Ele (Jesus) os levou até a montanha para mostrar-lhes a glória de Sua divindade, e lhes ensinar que Ele era o Redentor de Israel, tal como já tinha revelado por Seus profetas; e também para prevenir todo escândalo à vista dos sofrimentos que livremente iria sofrer por nós em Sua natureza humana.” (3)

Com o papa São Leão Magno (séc. V), reflitamos sobre a finalidade da Transfiguração do Senhor:

“O Senhor manifesta a Sua glória na presença de testemunhas escolhidas, e de tal modo fez resplandecer o Seu corpo, semelhante ao de todos os homens, que Seu rosto se tornou brilhante como o sol e Suas vestes brancas como a neve.

A principal finalidade dessa transfiguração era afastar dos discípulos o escândalo da Cruz, para que a humilhação da Paixão, voluntariamente suportada, não abalasse a fé daqueles a quem tinha sido revelada a excelência da dignidade oculta de Cristo”. (4)

Com Santo Agostinho, vemos que, assim como Pedro, na fidelidade a Jesus, precisamos descer do monte da Transfiguração para o desafiador combate da fé e testemunho na planície:

“Pedro ainda não tinha compreendido isso ao desejar viver com Cristo sobre a Montanha. Ele reservou-te isto, Pedro, para depois da morte. 

Mas agora Ele mesmo diz: Desce para sofrer na terra, para servir na terra, para ser desprezado, crucificado na terra.

A Vida desce para fazer-Se matar; o Pão desce para ter fome; o Caminho desce para cansar-Se da caminhada; a Fonte desce para ter sede; e tu recusas sofrer?” (5)  

Que Deus nos conceda a graça de rezar e viver o quarto Mistério Luminoso, a Transfiguração do Senhor, e como os discípulos Pedro, João e Tiago (6):

Subamos à montanha sagrada;

Contemplemos a glória do Senhor Transfigurado;

Escutemos o que o Filho amado tem a nos dizer;

Desçamos a montanha da contemplação;

Peregrinemos e testemunhemos as virtudes divinas (fé, esperança e caridade).

Cremos que a glória celestial passa necessariamente pela coragem e renúncias necessárias no tempo presente, no seguimento de Jesus. Amém.

 

(1) 2 Pd 1,16-18

(2)Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.2583

(3) Sermão do Diácono Santo Efrém (séc. IV)

(4) Papa São Leão Magno (séc .V)

(5) Catecismo da Igreja Católica n.556 - Santo Agostinho – Sermão 78,6; PL 38,492-493.

(6) Mt 17,1-9; Mc 9,2-8; Lc 9,28-36

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