sábado, 4 de abril de 2026

Embora ainda seja noite!

                                                       

Embora ainda seja noite! 

Embora ainda seja noite, eu creio,
A escuridão cederá lugar à luz,
Não há lugar para medo e receio,
Já nos alertara Cristo Jesus.


Irromperá a luz no auge da escuridão desta noite.
A Alegria brotará em cada coração,
Na mais bela aurora, esperamos vigilantes,
O Anúncio da Boa Notícia da Ressurreição.


“Ele Ressuscitou! Não está aqui”, o anjo anuncia.
Contemplar o túmulo vazio sem lamentos e tristeza,
Pois se renova em nós a mais pura alegria,
Dúvidas, receios cedem lugar para confiança e certeza. 


Embora ainda seja noite!

Aleluia! A vida venceu a morte
Para quem na Ressurreição crer,
Bem outra será a nossa sorte,
Avançar no amor sem retroceder.


O abismo da morte foi visitado,
A mansão dos mortos foi iluminada,
Almas que jaziam nas trevas do pecado,
Das correntes, por Ele, foram libertadas.


Aleluia! A obediência e doação não foram em vão.
O
 que era aparência de fracasso e decepção,
Com Sua morte, a morte da morte, irmã e irmão:
Para nós é dinamismo de vida, é força na Missão!


Embora ainda seja noite!

O encontro dos três Amores Eternos venceu,
O Eterno Amante Pai Criador, não O abandonou.
O Eterno Amado Jesus Cristo, não esmoreceu. 
O Eterno Amor Espírito Santo jamais decepcionou.

Como Igreja que seu lado trespassado nasceu,
Por amor gerada foi, por amor alimentada é.
Água que jorrou abundante, Batismo inaugurou,
Sangue do resgate; Alimento de nossa fé.


Coração transbordante de alegria,
Escuridão do pecado cede lugar à luz da graça.
Como o coração da Mãe querida Maria,
Amor que nos envolve, Amor que jamais passa.


Embora ainda seja noite!

Sinais de morte ainda nos rodeiam,
Clamando por Páscoa, Passagem, transformação.
Sejamos Testemunhas vivas do Evangelho,
Portadores da Boa Nova da Ressurreição!


Quem ama chega primeiro,
Ensinou-nos o discípulo João.
Não percamos mais tempo.
Amor que ama é fidelidade, doação.


Nosso coração palpita mais forte:
Aleluia, irmãos e irmãs!
O Amor venceu o ódio,
A Vida venceu a morte!


Aleluia! Aleluia! 

Mistério de escuridão e luz

                                                         


Mistério de escuridão e luz
 
“No primeiro dia da semana, Maria Madalena
 foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada,
 quando ainda estava escuro, e viu que a
pedra tinha sido retirada do túmulo” (Jo 20,1)
 
Maria Madalena viu a pedra removida e, aos poucos, a Boa Nova da Ressurreição vai aquecer e iluminar seu coração, assim como o coração dos discípulos, que vão testemunhar o glorioso acontecimento que mudou o rumo da história e a condição da humanidade para sempre.
 
A escuridão da noite cedeu à luminosidade de um novo dia, o primeiro dia da semana, “Por que estais procurando entre os mortos Aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou! Lembrai-vos do que Ele vos falou quando ainda estava na Galileia” (Lc 24,5-6).
 
Ressurreição do Senhor, duelaram o ódio e o amor, a impotência da condição humana e a onipotência do amor divino, no Mistério da agonia, Paixão e Morte crudelíssima do Senhor na Cruz - “Deus amou tanto o mundo que nos deu o Seu Filho para que quem n’Ele crê não morra, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). 
 
A tenebrosa e tétrica escuridão da crueldade e morte do Justo, cedeu ao esplendor da luz da Ressurreição, d’Aquele que tendo nos amado, não poderia morto para sempre ficar, a fim de nos redimir pelo Sangue derramado, na fidelidade ao Pai, jamais abandonado, amado.
 
Não poderiam vencer os vorazes e atrozes inimigos do Redentor, da Luz que Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam. Mas, a todos que O receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que creem em Seu nome” (Jo 1,11-12).
 
Nem todas as luzes das velas, candeias e estrelas serão o bastante para resplandecer a luz que ilumina nossos caminhos, como Ele mesmo dissera – “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida’ (Jo 8,12).
 
Por vezes, caminhamos quando ainda está escuro a procura de uma luz para situações obscuras, procurando manter aceso o fogo sob as cinzas das verdades que passam, com ânsias da verdade que jamais passa, a Verdade que é Ele próprio, que uma vez conhecida nos faz livres (Jo 8,32).
 
Não há nada que nos amedronte a ponto de nos fazer submergir, devorando a coragem para enfrentar os ventos das contrariedades presentes na história em todos os seus âmbitos: – “Eu vos disse tais coisas para terdes paz em mim. No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: Eu venci o mundo!” (Jo 16,33).
 
Não há escuridão que seja para sempre, também os santos tiveram suas “Noites Escuras”, na inquieta procura sedenta e inquieta de Deus, a fim de que a luz dos olhos jamais se apague e as palavras nos lábios, de louvor, encantamento, apaixonamento pelo Senhor aos céus elevadas.
 
Trevas e luz...
Depois da escuridão da noite, a madrugada da Ressurreição.
“A Vida venceu a morte. Aleluia.
Ressuscitou como disse. Aleluia!”

A Páscoa do Senhor não dispensa nossos sacrifícios!

                                               


A Páscoa do Senhor não dispensa nossos sacrifícios!

Páscoa: nem tudo está resolvido.
Do alto vêm constantes apelos,
Para atitudes novas, somos impelidos,
Sem hesitações, letargias e atropelos.

Sacrifícios hão de ser multiplicados,
Misericórdia, humildade, louvor e paz,
Caridade ativa por todos vivenciada,
Avançar, com coragem, sem voltar atrás. 


É Páscoa: seja fecundo nosso coração,
No qual germine a semente da fé,
Floresça a fina flor da esperança,
e produza frutos Pascais de caridade.

Amém. Aleluia! Aleluia!

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, Rei da Paz!

 


Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, Rei da Paz!

Oremos:

“Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e Vos bendizemos porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.”

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, Rei da Paz, Vós que Vos oferecestes como uma “carícia para a humanidade, e Vos bendizemos porque, pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

Ó Rei da Paz, reconciliastes o mundo no abraço do Pai e derrubastes todos os muros que nos separam de Deus e do próximo, porque sois nossa paz (cf.Ef 2, 14).

Ó Rei da Paz, entrastes em Jerusalém montado num jumento, não num cavalo, cumprindo a antiga profecia que convidava a exultar pela chegada do Messias  (cf. Zc 9, 9-10).

Ó Rei da Paz, quando um dos Vossos discípulos desembainhou a espada para Vos defender e feriu o servo do sumo sacerdote, imediatamente o detivestes (cf. Mt 26, 52).

Ó Rei da Paz, enquanto éreis carregado com os nossos sofrimentos e traspassado pelas nossas culpas, Vós não abristes a boca, como um cordeiro que é levado ao matadouro, ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador (cf. Is 53, 7).

Ó  Rei da Paz, deixastes Vos cravar na cruz, para abraçar todas as cruzes erguidas em cada tempo e lugar da história da humanidade.

Ó Rei da Paz, sois um Deus que rejeita a guerra, cumprindo a palavra do Profeta -  «Podeis multiplicar as vossas preces, que Eu não as atendo. É que as vossas mãos estão cheias de sangue» (Is 1, 15).

Ó Rei da Paz, fostes crucificado por nós, e Vos vemos nos crucificados da humanidade. Nas suas chagas, vemos as feridas de tantas mulheres e homens de hoje.

Ó Rei da Paz, no Vosso último grito dirigido ao Pai ouvimos o choro de quem se encontra abatido, sem esperança, doente, sozinho.

Ó Rei da Paz, também ouvimos, sobretudo, no gemido de dor de todos aqueles que são oprimidos pela violência e de todas as vítimas da guerra, como um clamor que brada aos céus para que todas as armas sejam depostas, porque somos todos irmãos e irmãs.

Ó Rei da Paz, à Vossa Mãe, aos pés da cruz e também aos pés dos crucificados de hoje, clamamos:

«Santa Maria, mulher do terceiro dia, dá-nos a certeza de que, apesar de tudo, a morte já não terá mais poder sobre nós. Que os dias das injustiças dos povos estão contados. Que os clarões das guerras se estão a reduzir a luzes crepusculares. Que os sofrimentos dos pobres chegaram aos seus últimos suspiros. […] E que, finalmente, as lágrimas de todas as vítimas da violência e da dor em breve secarão, como a geada ao sol da primavera» (1) Amém.

 
 
(1)Maria, mulher de nossos dias – Bispo Tonino Bello, Servo de Deus
Fonte: Homilia do Papa Leão XIV dia 29 de março de 2026 – Praça São Pedro

Minhas reflexões no Youtube

 
Acesse:

https://www.youtube.com/c/DomOtacilioFerreiradeLacerd d brba 

Quando o Senhor desceu à mansão dos mortos...

                                                       

Quando o Senhor desceu à mansão dos mortos...

Sejamos iluminados pela antiga Homilia do grande Sábado Santo (Séc. IV), sobre a descida do Senhor à mansão dos mortos, com Sua morte!

“Que está acontecendo hoje? Um grande silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos.

Ele vai antes de tudo à procura de Adão, nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e Seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos.

O Senhor entrou onde eles estavam levando em Suas mãos a arma da cruz vitoriosa. Quando Adão, nosso primeiro pai, o viu, exclamou para todos os demais, batendo no peito e cheio de admiração:

'O meu Senhor está no meio de nós'. E Cristo respondeu a Adão: 'E com teu espírito'.

E tomando-o pela mão, disse: 'Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará. Eu sou o teu Deus, que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, agora digo, e com todo o meu poder, ordeno aos que estavam na prisão: ‘Saí!’; e aos que jaziam nas trevas: ‘Vinde para a luz!’; e aos entorpecidos: ‘Levantai-vos!’

Eu te ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos; eu Sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e Eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.

Por ti, Eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, Eu, o Senhor, tomei tua condição de escravo. Por ti, Eu, que habito no mais alto dos céus, desci à terra e fui até mesmo sepultado debaixo da terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, abandonado entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim do paraíso, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.

Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida original. Vê na minha face as bofetadas que levei para restaurar, conforme à minha imagem, tua beleza corrompida.

Vê em minhas costas as marcas dos açoites que suportei por ti para retirar de teus ombros o peso dos pecados. Vê minhas mãos fortemente pregadas à árvore da Cruz, por causa de ti, como outrora estendeste levianamente as tuas mãos para a árvore do paraíso.

Adormeci na Cruz, e por tua causa a lança penetrou no meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Minha lança deteve a lança que estava dirigida contra ti.

Levanta-te, vamos daqui. O inimigo te expulsou da terra do paraíso; Eu, porém, já não te coloco no paraíso, mas num trono celeste. O inimigo afastou de ti a árvore, símbolo da vida; Eu, porém, que sou a vida, estou agora junto de ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; ordeno agora que eles te adorem como Deus, embora não sejas Deus.

Está preparado o trono dos querubins, prontos e a postos os mensageiros, construído o leito nupcial, preparado o banquete, as mansões e os tabernáculos eternos adornados, abertos os tesouros de todos os bens e o Reino dos céus preparado para ti desde toda a eternidade'”. (1)

Contemplemos o Senhor falando de Si mesmo com imensa ternura sobre tudo o que passou e sofreu, por amor que ama até o fim, e por isto, não poderia ter sido vencido: Ressuscitou como celebraremos alegremente!

Verdadeiramente Jesus morreu e desceu à mansão dos mortos, para ir ao encontro dos que jaziam no leito da morte para trazê-los à vida.

Deste modo, um dia, passando pela inevitabilidade da morte, possamos ser dignos do sono provisório da morte despertar, trilhando no único Caminho que é a Verdade em nossa Vida!

Com Ele, Senhor Glorioso, 
na fidelidade morrer,
para com Ele Ressuscitar.
Aleluia haveremos de cantar. 
Amém.

(1) Liturgia das Horas - Volume Quaresma/Páscoa - Editora Paulus - p. 439-440

Páscoa do Senhor: Muito mais que sete verbos...

                                                              

Páscoa do Senhor: Muito mais que sete verbos...

Quando o Domingo de Páscoa celebrarmos,
Sete verbos aprenderemos para conjugação,
Nos tempos Pretérito, Presente e Futuro.
Para quem acredita no Mistério da Ressurreição:

Sete Verbos:
Amar, correr,
ver,  acreditar, anunciar,
testemunhar e buscar.

Amar é o primeiro verbo da Palavra Proclamada.
Amar a Deus com toda alma, força e entendimento;
Amar como resposta primeira, por Ele esperada;
Amar sempre, em íntimo e estreito relacionamento.

Amar, critério que se impõe para todo o seguidor Seu.
Amor puro, sincero, fiel, confiante, verdadeiro;
Amor que, do lado trespassado, Sangue e Água verteram;
Água para o renascimento, Sangue que nos Redime e Alimenta.

Correu Maria Madalena para contar aos discípulos
O que ainda não houvera compreendido.
A pedra fora retirada do túmulo:
Tiraram o Senhor do túmulo e não sabemos onde O colocaram”.

Correram os dois discípulos: Pedro e o discípulo que Jesus amava.
Ainda que chegando primeiro e pelo Senhor amado, não entra.
Quem ama sabe o seu lugar e humildemente sabe esperar;
Contemplando os sinais da Ressurreição, “Ele viu e acreditou”.

Ver é o terceiro verbo a ser conjugado.
Ver com olhos da alma, olhos do coração;
Ver como o pôde fazer o discípulo amado;
Ver nas aparências da ausência, a Ressurreição.

Acreditar na Vitória da Vida sobre a Morte.
Acreditar que a palavra última a Deus pertence,
E ao mundo foi alcançada nova e eterna sorte.
Acreditar que Sem Ele ninguém vence.

Anunciar que Ele Reina, Ele Vive, porque Ele é O Senhor.
Anunciar que n’Ele está nossa Esperança e Salvação.
Anunciar que, da Humanidade, Ele é o único Redentor,
Mas que não dispensa nossos compromissos e participação.

Testemunhar, como Pedro, com a palavra e a vida,
Que a prepotência humana cedeu à divina onipotência.
Testemunhar que a humanidade decaída foi reerguida.
Testemunhar sem medo, recuos, omissão ou displicência.

Buscar as coisas do alto, por Paulo, somos exortados.
Buscar os valores do Reino, as coisas celestiais:
Verdade, Amor, Justiça e Liberdade, entrelaçadas.
Quem busca as coisas divinas não se cansa jamais!

Esperá-Lo na glória futura, que há de se manifestar.
O céu é possível para quem souber amar,
Em espera vigilante e ativa, haveremos de estar,
Em espera alegre, confiante, sem desesperar!

São sete verbos, mas são muito mais que apenas sete verbos,
Porque que nos fazem aprendizes do Amado Eterno Verbo.
Sete verbos: Amar, correr, ver, acreditar, anunciar, testemunhar,
Buscar as coisas do alto, a glória esperar e alcançar.

Conjugá-los, em todos os momentos e circunstâncias,
Refaz nossa vida, acenando o Paraíso possível.
Conjugá-los e vivê-los em todas as instâncias,
Mundo novo é possível, porque por Deus crível.

Na Quaresma, contemplamos o Incrível Amor,
E na Páscoa, dizemos sem hesitações e temores:
Ó Eterno e Incrível Amor! Que maravilha de Amor!
Que nos faz, com Ele e n’Ele, mais do que Vencedores!

São sete verbos... Mas muito mais que sete verbos,
Porque nos fazem aprendizes 
do Amado e Eterno Verbo.
Aleluia! Aleluia! Aleluia!


PS: Liturgia da Palavra - At 10, 34.37-43; Sl 117; Cl 3,1-4; Jo 20,1-9

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