Dom Otacilio F. Lacerda
sexta-feira, 17 de julho de 2026
A vida está acima da Lei
A autenticidade da oração
O Pão da Vida, dai-nos, Senhor
O Pão da Vida, dai-nos, Senhor
À luz do Tratado sobre os Mistérios, escrito pelo bispo Santo Ambrósio (Séc. IV), reflitamos sobre a Eucaristia aos neófitos.
“O povo purificado, enriquecido com estas vestes, adianta-se para o altar de Cristo, dizendo: E entrarei até o altar de Deus, do Deus que alegra a minha juventude.
Despidas as vestimentas do antigo erro, renovada a juventude como a da águia, apressa-se em ir participar do celeste banquete. Chega, e, ao ver a ornamentação do santo altar, exclama: O Senhor é meu pastor, nada me falta; levou-me a boas pastagens. Conduziu-me às águas da quietude. E mais adiante: Mesmo que caminhe em meio às sombras da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo. Teu cajado e teu bastão são meus arrimos. Preparaste diante de mim uma mesa contra aqueles que me perseguem. Ungiste com óleo minha cabeça e como é luminoso teu cálice embriagador!
Coisa admirável o ter Deus feito chover o maná para sustentar com o alimento celeste os patriarcas. Por isso se disse: O homem comeu o pão dos anjos. No entanto, aqueles que comeram deste pão, todos eles morreram no deserto; o alimento, porém, que tu recebes, pão vivo que desceu do céu, comunica a substância da vida eterna e quem quer que dele comer não morrerá eternamente, pois é o corpo de Cristo.
Considera agora qual deles é de maior valor: o pão dos anjos ou a carne de Cristo, que é o corpo da vida. Aquele maná vem do céu; este está acima do céu. Aquele, do céu; este, do Senhor dos céus. Aquele é corruptível, se guardado para o dia seguinte; este é totalmente imune de corrupção e quem o tomar piedosamente não poderá experimentar a corrupção.
Para aqueles brotou a água da pedra; para ti, o sangue de Cristo. Àqueles, por um momento, a água saciou; a ti o sangue do Senhor refresca para sempre. O povo antigo bebe e tem sede; tu, ao beberes, não podes mais sentir sede, pois, de fato, aquilo era sombra, enquanto isto é realidade.
Se já admiras a sombra, qual não será tua admiração da realidade? Escuta como é sombra o acontecido aos patriarcas: Bebiam da pedra que os seguia; a pedra era Cristo. Mas Deus não se agradou de muitos deles, pois caíram mortos no deserto. Estas coisas foram feitas em figura para nós. Conheces agora o que tem maior valor: a luz supera a sombra; a realidade, a figura; o corpo do Criador vale mais do que o maná do céu.” (1)
A Eucaristia é o alimento indispensável para que vivamos a graça do batismo, e darmos testemunhos da fé, esperança e caridade, virtudes divinas que nos movem, sobretudo para nós, peregrinos da esperança.
Neófitos (recém-batizados) ou não, todos precisamos deste alimento salutar e de eternidade.
Fundamental que participemos dominicalmente das Missas e tanto quanto possível das Missas nos dias da semana.
A Eucaristia é o ponto alto e a fonte de toda a nossa vida, para carregarmos com fidelidade nossa cruz de cada dia com suas renúncias necessárias.
(1) Liturgia das Horas - oportuna para aprofundamento da passagem do Evangelho de João (Jo 6, 24-35) proclamada no 18º Domingo do Tempo Comum.
quinta-feira, 16 de julho de 2026
Em poucas palavras...
A importância dos sacramentais
“Os
sacramentais não conferem a graça do Espírito Santo à maneira dos sacramentos;
mas, pela oração da Igreja, preparam para receber a graça e dispõem para
cooperar com ela.
«Portanto,
a liturgia dos sacramentos e sacramentais oferece aos fiéis bem dispostosa
possibilidade de santificarem quase todos os acontecimentos da vida por meio da
graça divina que deriva do mistério pascal da paixão, morte e ressurreição de
Cristo, mistério onde vão buscar a sua eficácia todos os sacramentos e
sacramentais. E assim, quase não há uso honesto das coisas materiais que não
possa reverter para este fim: a santificação dos homens e o louvor a Deus» (II
Concílio do Vaticano, Constituição Sacrosanctum Concilium, 61:
AAS 56 (1964) 116-117)”.
(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.1670
Dez compromissos ao usar o escapulário de Nossa Senhora do Carmo
Dez compromissos ao usar o
escapulário de Nossa Senhora do Carmo
1 - É preciso colocar Deus em primeiro lugar em nossa vida e buscar sempre realizar a vontade d’Ele - amá-Lo sobre todas as coisas;
2 - Escutar a Palavra de Deus na Bíblia multiplicando momentos de oração, sobretudo através da Leitura Orante;
3 - Colocar em prática a Palavra de Deus na vida;
4 - Aprofundar a comunhão com Deus por meio da oração, que é um diálogo íntimo que temos com Aquele que tanto nos ama;
5 - Viver a compaixão e proximidade com o próximo, sobretudo os que mais sofrem. solidarizando-se com ele em suas necessidades, procurando juntos a superação;
6 - Participar, com frequência, dos sacramentos da Igreja, da Eucaristia e da Confissão, para poder aprofundar o mistério de Cristo na própria vida;
7 - Viver uma autêntica devoção à Nossa Senhora na superação de um estéreo Devocionismo;
8 - Esforço em colocar em prática as virtudes e ensinamentos de Nossa Senhora;
9 - Como peregrino da esperança, contar com a presença de Nossa Senhora em todos os momentos;
10 - Não reduzir seu uso a simples modismo e tão pouco usá-lo como adorno/enfeite.
Oremos:
“Ó Senhora do Carmo, revestido de vosso escapulário,
eu vos peço que ele seja para mim
sinal de vossa maternal proteção, em todas as necessidades,
nos perigos e nas aflições da vida.
Acompanhai-me com vossa intercessão,
para que eu possa crescer na Fé, Esperança e Caridade,
seguindo a Jesus e praticando Sua Palavra.
Ajudai-me, ó mãe querida, para que,
levando com devoção vosso santo Escapulário,
mereça a felicidade de morrer piedosamente com ele,
na graça de Deus, e assim, alcançar a vida eterna. Amém.” (1)
(1) Católico Orante
Contemplo a ação da Divina Providência
Contemplo a ação da Divina naqueles que renovam e fortalecem a fé, a fim de que façamos novos discípulos missionários para o Senhor, como Ele próprio nos diz: “Ide e fazei discípulos entre as nações!” (Mt 28, 19).
Finalmente, contemplo a ação da Divina Providência, vendo Maria como modelo puríssimo de vida religiosa e de fé, pois não apenas acreditou na Palavra do Senhor, mas em todo momento, e em todas as circunstâncias, por Ela viveu e deixou-se conduzir.
As duas naturezas do Senhor no ventre de Maria
As duas naturezas do Senhor no ventre de Maria
“Uma virgem [...]; iria conceber um filho, Deus e homem,
primeiro em seu espírito, e depois em seu corpo”.
Sejamos enriquecidos pelo Sermão escrito pelo Papa São Leão Magno (séc. V):
“Uma virgem da descendência real de Davi foi escolhida para a sagrada maternidade; iria conceber um filho, Deus e homem, primeiro em seu espírito, e depois em seu corpo.
E para evitar que, desconhecendo o desígnio de Deus, ela se perturbasse perante efeitos tão inesperados, ficou sabendo, no colóquio com o Anjo, que era obra do Espírito Santo o que nela se realizaria.
Maria, pois, acreditou que, estando para ser em breve Mãe de Deus, sua pureza não sofreria dano algum. Como duvidaria desta concepção tão original, aquela a quem é prometida a eficácia do poder do Altíssimo?
A sua fé e confiança são ainda confirmadas pelo testemunho de um milagre anterior: a inesperada fecundidade de Isabel. De fato, quem tornou uma estéril capaz de conceber, pode também fazer com que uma virgem conceba.
Portanto, a Palavra de Deus, que é Deus, o Filho de Deus, que no princípio estava com Deus, por quem tudo foi feito e sem ela nada se fez (cf. Jo 1,2-3), a fim de libertar o homem da morte eterna, Se fez homem.
Desceu para assumir a nossa humildade, sem diminuir a Sua majestade. Permanecendo o que era e assumindo o que não era, uniu a verdadeira condição de escravo à condição segundo a qual Ele é igual a Deus; realizou assim entre as duas naturezas uma aliança tão admirável que, nem a inferior foi absorvida por esta glorificação, nem a superior foi diminuída por esta elevação.
Desta forma, conservando-se a perfeita propriedade das duas naturezas que subsistem em uma só Pessoa, a humildade é assumida pela majestade, a fraqueza pela força, a mortalidade pela eternidade.
Para pagar a dívida contraída pela nossa condição pecadora, a natureza invulnerável uniu-se à natureza passível; e a realidade de verdadeiro Deus e verdadeiro homem associa-se na única pessoa do Senhor.
Por conseguinte, Aquele que é um só mediador entre Deus e os homens (1Tm 2,5), como exigia a nossa salvação, morreu segundo a natureza humana e ressuscitou segundo a natureza divina.
Com razão, pois, o nascimento do Salvador conservou intacta a integridade virginal de sua mãe; ela salvaguardou a pureza, dando à luz a Verdade.
Tal era, caríssimos filhos, o nascimento que convinha a Cristo, poder e sabedoria de Deus. Por este nascimento, Ele é semelhante a nós pela sua humanidade, e superior a nós pela Sua divindade. De fato, se não fosse verdadeiro Deus, não nos traria o remédio; se não fosse verdadeiro homem, não nos serviria de exemplo.
Por isso, quando o Senhor nasceu, os Anjos cantaram cheios de alegria: 'Glória a Deus no mais alto dos céus, e anunciaram paz na terra aos homens por Ele amados'(Lc 2,14).
Eles veem, efetivamente, a Jerusalém Celeste ser construída pelos povos do mundo inteiro. Por tão inefável prodígio da bondade divina, qual não deve ser a alegria da nossa humilde condição humana, se até os sublimes coros dos Anjos se rejubilam?”
Contemplemos Maria, que concebeu o Verbo, primeiro em seu espírito e depois em seu corpo. Que também nós saibamos formar e gerar Cristo em nós, em nosso coração, para que d’Ele sejamos testemunhas credíveis e agradáveis ao Senhor.
Maria, a mãe de Jesus, a mãe da Igreja e nossa, nos ajuda a colocar em prática a Palavra do seu Filho, para que tão somente assim desta família façamos parte, pois a família de Jesus não se limita aos laços consanguíneos, mas à acolhida e prática de Sua Palavra, e do Seu Mandamento: “amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei”, somente assim seremos Seus discípulos.
Cremos que Deus quis o Salvador da humanidade, de natureza invulnerável, incapaz de sofrer qualquer desgaste, prejuízo, demérito, viesse ao mundo e Se encarnasse no ventre de uma Virgem.
Assim aconteceu. Encarnando-Se assume uma natureza passível, ou seja, capaz de sofrer as realidades temporais.
Ele que era de condição divina de tudo Se desapegou e aceitou a morte humilhante na Cruz. Lágrimas, choro, pranto, fome, abandono, indiferença, humilhação, escárnio, morte... como vemos abundantemente nos Evangelhos, Hebreus, Cartas Paulinas.
Reflitamos como o "Sim" de Maria a Deus aponta quatro belos propósitos, que devem estar no coração de todos aqueles que amam e querem seguir e servir seu Filho:
- Imitá-la, sobretudo nas suas virtudes, qualidades incontáveis;
- Ser contemplativo como Maria, cantora da esperança dos pobres. Pés no chão, coração voltado para Deus e olhos plenamente abertos para a sede do povo, como cantamos;
- Fazer a vontade do Pai sempre e acima de tudo;
- Colocar-se numa incansável atitude de conversão, para que tenhamos um coração atento e fiel ao Projeto de Deus, para que o nosso coração seja semelhante ao Coração de Jesus.
Maria não nos salva, mas melhor do que ninguém nos aponta Àquele que é Oo Caminho, a Verdade e a Vida (cf. Jo 14,6), Aquele que nos alcança a Salvação.
Reflitamos sobre o papel de Maria em nossa caminhada de fé, como peregrinos da esperança, e nos perguntemos, quem melhor do que Maria para nos:
- Ajudar a construir na terra o céu?
- Apontar o caminho que nos leva ao céu?
- Ensinar a crer na invulnerabilidade divina e passibilidade humana do Seu Filho?
Em Maria, no seu ventre:
- A natureza divina e a natureza humana encontraram-se, como que num abraço, para que ao tornar-se visível na forma de uma criança, toda a humanidade fosse abraçada;
- E desde o seu ventre, a nossa humanidade na Encarnação do Filho, para sempre foi redimida, resgatada.
Consagremo-nos a Maria, pois quanto mais consagrados a Ela, mais fiéis e próximos seremos do seu Amado Filho, e O adoraremos em espírito e verdade.
“Ó minha Senhora, e também minha mãe,
Eu me ofereço inteiramente todo a vós...”
Ave Maria cheia de graça...
PS: Oportuno para reflexão da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 1,26-38) e também ao celebramos a Festa de Nossa Senhora do Carmo (16 de julho); Nossa Senhora do Rosário (07 de outubro).







