Dom Otacilio F. Lacerda
quarta-feira, 4 de março de 2026
Quaresma: “Tempo de combate e suores”
Em poucas palavras... (IIIDTQA)
Matrimônio cristão: Sacramento da Aliança de Cristo com a Igreja
“Toda a vida cristã tem a marca do amor esponsal entre Cristo e a Igreja.
Já o Batismo, entrada no povo de Deus, é um mistério nupcial: é, por assim dizer, o banho de núpcias (Ef 5,26-27) que precede o banquete das bodas, a Eucaristia.
O Matrimônio cristão, por sua vez, torna-se sinal eficaz, sacramento da Aliança de Cristo com a Igreja.
E uma vez que significa e comunica a graça desta aliança, o Matrimônio entre batizados é um verdadeiro sacramento da Nova Aliança (Concílio de Trento).” (1)
(1) Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n. 1617
terça-feira, 3 de março de 2026
Em poucas palavras...
“Nascentes, lençóis de água e pântanos”
“Em nosso
percurso existencial encontramos, muitas vezes, pessoas que são
verdadeiras nascentes. São límpidas e transparentes,
inspiradoras e mobilizadora, habitualmente delicadas. Estar na presença delas é
saciar nossa sede, saímos renovados. São pessoas-fonte que despertam em nós o
desejo de acessar nosso manancial interior de desejos, criatividade e busca… É
ali, na fonte interior, que a vida se renova.
Outras
vezes nos encontramos com pessoas que são verdadeiros lençóis de
água. Subterrâneas, circulam debaixo da terra, discretas,
silenciosas, mas surpreendentemente criativas. Trabalham no silêncio e fazem
mover a engrenagem do mundo com seus gestos escondidos, simples, mas eficazes;
suas presenças fazem a diferença. Sem elas não seria possível a vida.
É certo
que também há as pessoas pântano, pessoas charco, pessoas “águas
paradas” ou águas poluídas, pessoas “enxurrada” que tudo destroem. Claramente,
nem todas as águas são boas!” (1)
(1)
Comentário sobre a passagem
do Evangelho de João (Jo 4,5-42) – Adroaldo Palaoro, SJ
Mulher da montanha, mulher da planície
Mulher da montanha, mulher da planície
“Este é o meu Filho amado; ouvi-O” (Mc 9,7)
À luz da Transfiguração do Senhor (Mc 9,2-20), uma reflexão sobre o protagonismo das mulheres na Igreja e na sociedade.
Quantas são incansáveis na subida da montanha para ouvir a voz do Filho Amado e contemplar a Sua glória, a fim de que na planície do cotidiano, sejam alegres mensageiras do Verbo, plantando no coração de seus filhos aquilo que ouviram e creem.
São mulheres que contemplam o Cristo Glorioso e escutam Sua Voz, mas descem para carregar sua cruz de cada dia, participando da transfiguração do mundo, em inúmeros compromissos com tantos rostos desfigurados.
Muitas são as mulheres da montanha e da planície; mulheres de Deus a serviço da vida, com ousadia, sem esmorecimentos, cansaços e apatias.
Quem estas mulheres, presenças vivas de Deus, atentas à voz do Filho amado, que conosco convivem?
São as que fazem o milagre da multiplicação do tempo, cuidando da família, comprometidas em semear a semente do Verbo em tantos corações confiados, e alargam, incansáveis, os horizontes da caridade nas pastorais e serviços diversos da comunidade...
São as que lavam, passam, cozinham, limpam... E, na hora de descansar, pulam subitamente para cobrir com carinho o filho, a filha em seu sono puro e inocente...
São as que não fixam tendas eternas na montanha, mas nos revelam a presença de Deus com seu carinho, ternura, paciência, mansidão, esperança, confiança, vitalidade de uma criança...
São as que acreditam que a família é santuário da vida. Como sacerdotisas, ministras sagradas de seus lares, promotoras da comunhão, da partilha, da fantasia, do sonho, da poesia, da reconciliação e de perdão, portadoras de sãs utopias...
São as que se revitalizam com a força que vem da Eucaristia, e assim prolongam a presença do Cristo em visitas aos enfermos, cuidado de crianças vulneráveis ou em qualquer outra situação que clame por solidariedade e compaixão.
São as que se abrem à novidade do Espírito que faz novas todas as coisas, que não permitem que a vida se torne fadiga, incansável monotonia, e assim reinventam cada dia, sem mesmice e indesejável rotina.
São as que procuram a perfeita sintonia entre a fé e a vida, assumindo no mundo compromisso com a paz, que é fruto da justiça, também no mundo da política.
São as anônimas que não dão ibope na programação da TV, mas que no cenário do cotidiano, no mais profundo de nosso coração, ocupam todo espaço e tempo, porque são incansáveis em sua santa missão.
São mulheres de tantos nomes, que não se acomodam diante da realidade dura, nua e crua da fome.
Com ousadia e profecia, não se curvam à crueldade que ceifa vidas inocentes, quer pelo aborto ou qualquer coisa que atente contra a beleza e a sacralidade da vida.
Que não se calam quando precisam falar, que falam quando não se pode calar. Que escutam quando precisam ouvir, mas que falam quando precisam denunciar...
Mulheres da montanha e da planície, contigo, nós homens:
- queremos o mundo transformar, transfigurar...;
- aprender contigo: a beleza do choro, da sensibilidade, da ternura, do encantamento, do sonho, da fragilidade que se transforma em força transformadora...;
- queremos esforços somar, para machismos e preconceitos envelhecidos superar...;
- empenho multiplicamos, na promoção da cultura da Vida e da Paz!
Oremos:
Ó Maria, que és por excelência modelo para todas as mulheres, ajudai tantas mulheres que ainda não se descobriram como tu, que andam mergulhadas na planície da mediocridade, da vulgaridade; que são instrumentalizadas, exploradas como objeto sexual, fontes de lucro e prazer, miseravelmente manipuladas, comercializadas, dessacralizadas, desfiguradas.
Que nós, homens, reconheçamos, em cada mulher, traços perfeitos que, abundantemente, em ti encontramos, para um mundo novo e transformado, desejo de Deus, contemplado na perfeita alegria e na mais bela sintonia.
Ó Deus, volvei Vosso olhar para as mulheres da montanha, orantes e atentas à voz do Filho Amado, para que, na planície, sejam fiéis praticantes da Divina Palavra, com a presença e ação do Santo Espírito. Amém.
Em poucas palavras...
“Sede misericordiosos, como o vosso Pai é misericordioso”
(Lc 6, 36)
Um programa de vida para quem desejar ser verdadeiramente discípulo missionários de Jesus, pois é rico de alegria e paz:
“O imperativo de Jesus é dirigido a quantos ouvem a sua voz (cf. Lc 6, 27). Portanto, para ser capazes de misericórdia, devemos primeiro pôr-nos à escuta da Palavra de Deus.
Isso significa recuperar o valor do silêncio, para meditar a Palavra que nos é dirigida. Deste modo, é possível contemplar a misericórdia de Deus e assumi-la como próprio estilo de vida.” (1)
(1) Papa Francisco - Misericordiae Vultus - Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia – 8/12/2015-20/112016
Quaresma: tempo de nossa purificação
Retomando atentamente o versículo 18, veremos que o Profeta nos ensina, a partir de onze verbos, a nos purificarmos de nossos pecados, e deste modo, ainda que sejam como púrpura se tornem brancos como a neve, ou se vermelho como o carmesim, se tornem como lã:
2 - Purificai-vos.
3 - Tirai a maldade de vossas ações de minha frente.
4 - Deixai de fazer o mal!
5 - Aprendei a fazer o bem!
6 - Procurai o direito.
7 - Corrigi o opressor.
8 - Julgai a causa do órfão.
9 - Defendei a viúva.
10- Vinde.
A vivência intensa da Quaresma requer de nós o reconhecimento de nossa condição pecadora, diante da misericórdia divina: reconhecer nossos pecados e confessá-los, sobretudo no Sacramento da Penitência, como expressão maior desta misericórdia.
Como breve roteiro, ele possa nos ajudar nesta atitude penitencial, para nossa reflexão a fim de vivermos este tempo favorável de reconciliação, graça e salvação, como o Apóstolo Paulo nos exorta em memorável passagem (2 Cor 5,20-6,2).







