terça-feira, 24 de março de 2026

Minhas reflexões no Youtube

 
Acesse:

https://www.youtube.com/c/DomOtacilioFerreiradeLacerd d brba 

Campanha no momento, compromisso sempre! (CF 2026)

 


Campanha no momento, compromisso sempre!


A Igreja no Brasil realiza mais uma Campanha da Fraternidade, com uma proposta extremamente atual e de importância indiscutível.
 
Tema: “FRATERNIDADE E MORADIA”

Lema: “Ele veio morar entre nós ” (cf. Jo 1,14)

Exorto que nos empenhemos em acompanhar, refletir e ajudar a desenvolver esta Campanha, que não se encerra, como se diz, indevidamente, com a Páscoa.

 

Oração da Campanha da Fraternidade 2026 – CNBB

Deus, nosso Pai,

em Jesus, vosso Filho,

viestes morar entre nós e

nos ensinastes o valor da dignidade humana.

 

Nós vos agradecemos

por todas as pessoas e grupos que,

sob o impulso do Espírito Santo,

se empenham em prol da moradia digna para todos.

 

Nós vos suplicamos:

dai-nos a graça da conversão,

para ajudarmos a construir uma sociedade mais justa e fraterna,

com terra, teto e trabalho para todas as pessoas,

a fim de, um dia, habitarmos, convosco, a casa do céu.

Amém.

 

PS: A Campanha da Fraternidade inicia na Quarta-feira de Cinzas.

 

Contemplo-Te

                                                     

Contemplo-Te

Contemplo-Te, Senhor, Unigênito do Pai,
Desde a concepção no ventre de Maria,
Quando ela deu aquele inesquecível sim,
Que mudou o rumo da história da humanidade.

Contemplo-Te não apenas revestido de carne,
Pois assumiste nossa condição: tiveste corpo verdadeiro,
Tornaste verdadeiramente homem e ao mesmo tempo
Sendo, eu creio com minha Igreja, verdadeiramente Deus.

Contemplo-Te assumindo nossa condição humana,
Fazendo-Se um de nós, exatamente como nós,
Exceto por não conhecer o pecado que gera morte,
Por isto vieste destruí-lo com Sua vida, morte e Ressurreição.

Contemplo Teu coração tão pleno de divinos sentimentos,
Sentimentos que também devemos ter, para imagem Sua ser.
Emoções tantas que sentiste, porque Te fizeste homem,
E emoções tantas que também assumimos, sentimos.

Contemplo-Te homem das paixões múltiplas
Pelos pobres, pequenos, sofredores, excluídos;
Paixão maior, imensurável e indizível, que revelaste
Por Palavras e obras, vida e entrega: de Deus o Reino.

Contemplo-Te homem de tantas ânsias e sonhos
De um mundo mais belo, mais fraterno e solidário,
Mais perto, muito mais do que perto do querido por Deus,
Que em incondicional fidelidade ao Pai com o Espírito realizou.

Contemplo-Te homem que suportaste tantas dores,
Incontáveis humilhações da maldade, ignorância humana.
Também enfrentaste o próprio medo, angústia e solidão,
Mas no Pai confiante, jamais infidelidade, abandono e decepção.

Contemplo-Te sempre envolvido nos planos e sonhos do Pai.
Contemplo-Te numa relação vitoriosa e eterna de Amor
Com o Pai e o Espírito, Rei Eterno e Universal glorioso,
Sobre o mundo e o coração da humanidade reinando!

Contemplo-Te tão apenas me amando e perdoando.
Contemplo-Te, Senhor, envolto na Oração, por Ti iluminado.
Sinto Tua presença, escuto Tuas Palavras, silencio,
Renovo minha fidelidade, vocação, graça e dom divino.

Contemplo-Te, ouço-Te, amo-Te.
Ouço-Te, contemplo-Te, amo-Te.
Amo-Te, por isto Te contemplo, Te ouço,
E Tua presença, carinho e ternura sinto.

Contemplo-Te...

Ó admirável poder da Cruz Redentora

                                                                         

Ó admirável poder da Cruz Redentora
 
“Quanto a mim, 
não aconteça gloriar-me 
senão na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, 
por quem o mundo está crucificado para mim 
e eu para o mundo” (Gl 6, 14)
 
Reflexão à luz do Sermão escrito pelo Papa São Leão Magno (Séc. V), em que nos apresenta a Cruz de Cristo como a fonte de todas as Bênçãos e a origem de todas as graças para todos nós.
 
“Que a nossa inteligência, iluminada pelo Espírito da Verdade, acolha com o coração puro e liberto, a glória da Cruz que se irradia pelo céu e a terra; e perscrute, com o olhar interior, o sentido destas Palavras do Senhor, ao falar da iminência de Sua Paixão: Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado (Jo 12, 23). E em seguida: Agora me sinto angustiado. E que direi? “Pai, livra-me desta hora!”? Mas foi precisamente para esta hora que Eu vim. Pai, glorifica o teu Filho! (Jo 12, 27). 
 
E tendo vindo do céu a voz do Pai que dizia: Eu O glorifiquei e O glorificarei de novo! (Jo 12, 28), Jesus continuou, dirigindo-Se aos presentes: Esta voz que ouvistes não foi por causa de mim, mas por causa de vós. É agora o julgamento deste mundo. Agora o chefe deste mundo vai ser expulso, e Eu, quando for elevado da terra, atrairei tudo a mim (Jo 12,30-32).
 
Ó admirável poder da Cruz! Ó inefável glória da Paixão! Nela se encontra o tribunal do Senhor, o julgamento do mundo, o poder do Crucificado!
 
Atraístes tudo a Vós, Senhor, para que o culto divino fosse celebrado, não mais em sombra e figura, mas num Sacramento perfeito e solene, não mais no templo da Judeia, mas em toda parte e por todos os povos da terra.
 
Agora, com efeito, é mais ilustre a ordem dos levitas, maior a dignidade dos sacerdotes e mais santa a unção dos pontífices. Porque Vossa Cruz é fonte de todas as Bênçãos e origem de todas as graças. Por ela, os que creem recebem na sua fraqueza a força, na humilhação, a glória, na morte, a vida.
 
Agora, abolida a multiplicidade dos sacrifícios antigos, toda a variedade das vítimas carnais é consumada na oferenda única do Vosso Corpo e Vosso Sangue, porque sois o verdadeiro Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo (Jo 1,29).
 
E assim realizais em Vós todos os Mistérios, para que todos os povos formem um só Reino, assim como todas as vítimas são substituídas por um só Sacrifício.
 
Proclamemos, portanto, amados filhos, o que o Santo Doutor das nações, o Apóstolo Paulo, proclamou solenemente: Segura e digna de ser acolhida por todos é esta palavra: Cristo veio ao mundo para salvar os pecadores (1Tm 1,15).
 
E é ainda mais admirável a misericórdia de Deus para conosco, porque Cristo não morreu pelos justos, nem pelos santos, mas pelos pecadores e pelos ímpios. E como a natureza divina não estava sujeita ao suplício da morte, Ele assumiu, nascendo de nós, o que poderia oferecer por nós.
 
Outrora Ele ameaçava nossa morte como poder de Sua morte, dizendo pelo profeta Oseias: Ó morte, Eu serei a tua morte; inferno, Eu serei a tua ruína (cf. Os 13,14).
 
Na verdade, morrendo, Ele Se submeteu às leis do túmulo, mas destruiu-as, ressuscitando. Rompeu a perpetuidade da morte, transformando-a de eterna em temporal. Pois, como em Adão todos morrem, assim também em Cristo todos reviverão (1Cor 15,2)". (1)
 
Contemplemos o imenso amor de Deus por nós, embora pecadores, e por vezes não compreender e tão pouco ao Seu Amor corresponder.
 
Oremos:
 
Ó admirável poder da Cruz Redentora!
Ó inefável glória da Paixão,
que no Mistério da morte do Filho Amado na Cruz,
em fidelidade total a Deus Pai,
nos revelais quão infinita é a misericórdia de Deus para conosco.
 
Contemplo-Vos, Diviníssimo Redentor da Humanidade,
Vós que Morrendo na Cruz, Jesus,
vencestes a morte e rompestes sua perpetuidade
para que ao morrermos nos tornemos eternos.
 
A Vós, que agora estais glorioso junto do Pai,
Suplicamos que nos envieis o Vosso Santo Espírito,
Para continuarmos a carregar nossa cruz
com amor, fidelidade, coragem e fortaleza,
E um dia possamos alcançar a glória da Ressurreição. 
Amém! 



(1) Liturgia das Horas - Volume Tempo da Quaresma/Páscoa - pp. 321-323

MENSAGEM DO SANTO PADRE LEÃO XIV PARA O LIX DIA MUNDIAL DA PAZ - 1 DE JANEIRO DE 2026 (síntese)

 


MENSAGEM DO SANTO PADRE LEÃO XIV PARA O  LIX DIA MUNDIAL DA PAZ - 1 DE JANEIRO DE 2026 (síntese)

A Mensagem tem como título “A paz esteja com todos vós. Rumo a uma paz desarmada e desarmante” e tem como motivação bíblica a passagem do Evangelho de João em que Jesus Ressuscitado saúda os seus discípulos na noite de Páscoa - “A paz esteja convosco!” ( Jo 20, 19.21):

“Do mesmo modo que, na noite de Páscoa, Jesus entrou no lugar onde se encontravam os discípulos assustados e desanimados, assim a paz de Cristo ressuscitado continua a atravessar portas e barreiras com as vozes e os rostos das suas testemunhas. É o dom que permite não esquecer o bem, reconhecê-lo como vencedor, escolhê-lo novamente e juntos.”

Na introdução, ao citar o Papa Francisco, nos fala da importância da promoção da paz do Cristo Ressuscitado, sobretudo se considerarmos o contexto atual: “O Ressuscitado introduziu-nos neste horizonte. É neste sentir que vivem os promotores da paz que, no drama daquilo que o Papa Francisco definiu como “terceira guerra mundial em pedaços”, ainda resistem à contaminação das trevas, como sentinelas na noite”.

A paz, afirma o papa, tem o sopro da eternidade: “enquanto ao mal se ordena ‘basta’, a paz se suplica para sempre’.

Urge uma paz desarmada, como é a paz de Jesus Ressuscitado, porque desarmada foi a Sua luta, dentro de precisas circunstâncias históricas, políticas e sociais.

Esta urgência é fundamental, sobretudo se considerarmos que “... ao longo de 2024, as despesas militares a nível mundial aumentaram 9,4% em relação ao ano anterior, confirmando a tendência ininterrupta dos últimos dez anos e atingindo o valor de 2,72 biliões de dólares, ou seja, 2,5% do PIB mundial.”

O cenário, afirma o Papa é de uma espiral de destruição sem precedentes, que compromete o humanismo jurídico e filosófico do qual qualquer civilização depende e pelo qual é protegida.

Também nos alerta para os recentes avanços tecnológicos e a aplicação das inteligências artificiais no âmbito militar que radicalizaram a tragédia dos conflitos armados – “Está-se a delinear até mesmo um processo de desresponsabilização dos líderes políticos e militares devido ao crescente “delegar” às máquinas as decisões relativas à vida e à morte das pessoas...”

Deste modo, reitera o apelo dos padres conciliares, acenando para o diálogo como a via mais eficaz em todos os níveis.

Urge uma paz desarmante e a bondade é desarmante, afirma o Papa, com o necessário desarmamento integral, desde há muito proclamado pelo Magistério da Igreja

 Afirma, portanto, que com ação, é mais do que nunca necessário cultivar a oração, a espiritualidade, o diálogo ecumênico e inter-religioso como caminhos de paz e linguagens de encontro entre tradições e culturas; de tal modo que, cada comunidade se torne uma “casa de paz”, onde se aprende a neutralizar a hostilidade através do diálogo, onde se pratica a justiça e se conserva o perdão.

Mais do que nunca é preciso promover a paz que não é uma utopia, através de uma criatividade pastoral atenta e generativa, completa o Papa.

Acena para o caminho desarmante da diplomacia, da mediação, do direito internacional, infelizmente contrariado por violações cada vez mais frequentes de acordos alcançados com grande esforço, num contexto que exigiria não a deslegitimação, mas sim o fortalecimento das instituições supranacionais.

Conclui exortando que, como um dos frutos do Jubileu da Esperança, nos redescubramos como peregrinos, com o necessário desarmamento do coração, da mente e da vida, certos de que Deus não tardará em responder, cumprindo as Suas promessas:

«Ele julgará as nações, e dará as suas leis a muitos povos, os quais transformarão as suas espadas em relhas de arados, e as suas lanças, em foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, e não se adestrarão mais para a guerra. Vinde, Casa de Jacob! Caminhemos à luz do Senhor» (Is 2, 4-5).

Quaresma: tempo de conversão e compromisso com a Campanha da Fraternidade (CF 2026)

 


Quaresma: tempo de conversão e compromisso com a Campanha da Fraternidade
 
Como Igreja, com a Quarta-feira de Cinzas, iniciamos o Tempo da Quaresma, tempo favorável de graça e salvação, para todos que se põem a caminho com o Senhor.
 
Quaresma vem do latim: quadragésima, e lembra, sobretudo, os quarenta anos do Povo de Deus no deserto e os quarenta dias do Senhor, também no deserto, sofrendo as tentações do maligno do ter (acúmulo), ser (prestígio) e poder (domínio).
 
A Liturgia da Palavra, neste itinerário quaresmal rumo à Páscoa, nos propõe tomar consciência de nossos pecados, em fecunda penitência (como nos ensina a Igreja, que ela seja interna e individual, mas sobretudo externa e social), na prática dos exercícios quaresmais: esmola, oração e jejum (Mt 6, 1-18).
 
É um tempo de quarenta dias vividos na proximidade do Senhor, na entrega a Ele, e com ele podermos vencer estas tentações, perfeitamente configurados ao Seu Mistério de Vida, Paixão, Morte e Ressurreição.
 
E neste Tempo da Quaresma, a Igreja no Brasil realiza, desde 1964, com gestos e compromissos concretos, a Campanha da Fraternidade que, em 2026, traz o tema: “FRATERNIDADE E MORADIA”, e o lema bíblico: "Ele veio morar entre nós" (Jo 1,14).
 
A Campanha da Fraternidade bem compreendida e vivida, com reflexões, aprofundamento, leva, necessariamente, compromissos com a sacralidade da vida e os direitos inalienáveis, dentre eles a de moradia. Fundamental que retomemos o seu objetivo geral e objetivos específicos.
 
Exorto para que se multipliquem encontros, reflexões, momentos de oração para que vivamos uma santa Quaresma e uma corajosa e necessária participação da Campanha da Fraternidade, para bem celebrarmos a Páscoa do Senhor, e cantarmos, alegremente, o Aleluia.

Quaresma e sagrados compromissos com a Fraternidade – (CF 2026)

 


Quaresma e sagrados compromissos com a Fraternidade – (CF 2026)

Celebremos e vivamos a Quaresma como tempo favorável de conversão e penitência, para que bem nos preparemos para a Celebração da Páscoa do Senhor, Mistério de Morte e Ressurreição – “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15), disse Jesus.

Com a Igreja, aprendemos que  a Quaresma não deve ser apenas interna e individual, mas também com dimensão externa e social.

Neste sentido, a Igreja no Brasil realiza todo ano, na Quaresma, a Campanha da Fraternidade (CF) que, longe de esvaziar o sentido quaresmal, dá a ele conteúdo e fecundidade para flores e frutos pascais.

A CF é uma iniciativa concreta para realizarmos ações que dão testemunho de arrependimento e verdadeira conversão nos diversos âmbitos: pessoal, comunitário, eclesial e social.

A CF 2026 tem como Tema  “Fraternidade e Moradia”, e  como lema “Ele veio morar entre nós (cf. Jo 1,14).

Urge refletir sobre a realidade de moradia, e lembramos as palavras do Papa Francisco:

“É bom que todos nos perguntemos: por que estão sem casa estes nossos irmãos? Não têm um teto, por quê?”

Assim lemos no parágrafo n. 13 do Manual da Campanha da Fraternidade deste ano:

“A pergunta por um teto, uma digna moradia, nasce da fraternidade. Só nos incomoda que alguém esteja privado de um teto, carente de uma moradia digna, se reconhecemos nele um irmão...”

Destaco o Objetivo Geral da CF 2026:

“Promover, a partir da Boa-Nova do Reino de Deus e em espírito de conversão quaresmal, a moradia digna como prioridade e direito, junto aos demais bens e serviços essenciais de toda a população.”

E tem como objetivos específicos:

1.   Analisar a realidade da moradia precária, admitida como normal e que culpabiliza os pobres e segrega milhões de pessoas no Brasil.

 

2.     Identificar omissões do poder público e da sociedade civil frente à universalização dos direitos à moradia e à cidade, bem como iniciativas pastorais, governamentais e da organização popular que promovem a moradia.

 

3.     Conscientizar, a partir da Palavra de Deus e do Ensino Social da Igreja, sobre a necessidade sagrada de teto, terra e trabalho para todos.

 

4.     Corrigir a compreensão da moradia como mercadoria, objeto de especulação ou mérito individual.

 

5.     Fortalecer a presença eclesial e o compromisso sociotransformador junto aos mais pobres, caminhando com os movimentos e organizações populares que promovem a moradia.

 

6.     Empenhar-se para efetivar leis e viabilizar políticas públicas de moradia em todas as esferas sociais e políticas.

Fundamental que multipliquemos espaços e encontros para refletir, rezar e encontrar caminhos para darmos sagrados passos para que estes sagrados objetivos se realizem, bem como vivermos os exercícios quaresmais: oração, jejum e esmola, como lemos na passagem do Evangelho de São Mateus (cf. Mt 6, 1-18). Amém.

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG