domingo, 31 de maio de 2026

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O Amor Trinitário (Santíssima Trindade)

                                                       

O Amor Trinitário

Amemos o Amante, o Amor, o Amado.
Amemos a Trindade Santa.

Amemos o Pai que nos ama, ainda que não O amemos.
Amemos o Filho Amado que, por amor, 
teve o coração trespassado, 
o Sangue por nós derramado.

Amemos o Amor, que se dá a todos, 
e ainda tudo tem para dar.

Ó Santo Espírito de Amor, sabedoria e paz,
envolvei-nos, com Vossa chama eterna de Amor. 
Amém!

Santíssima Trindade: Mistério de Amor e Comunhão (Santíssima Trindade Ano A)

                                                      

Santíssima Trindade: Mistério de Amor e Comunhão (Ano A)

Ao celebrar a Solenidade da Santíssima Trindade, contemplamos a ação de Deus Uno e Trino que é amor, família, comunidade e nos convida a participar deste Mistério pleno de amor. Trata-se, portanto, de uma impressionante e incomparável história de amor.

Na passagem da primeira Leitura (Ex 34,4b-6.8-9), Deus se manifesta a Moisés estabelecendo uma Aliança, revelando Sua verdadeira face, com desproporcional misericórdia, que é infinita, ilimitada: Deus Se revela cheio de amor, bondade, ternura e de fidelidade incondicional, clemente, compassivo, lento para a ira e rico em misericórdia.

Espera que o Povo que lhe pertence, corresponda com escuta atenta, comunhão e intimidade através da oração, da escuta de Sua Palavra, tão somente assim, ouvindo Sua voz, teremos a vida pautada pelos Seus valores, e poderemos vencer os desafios. É preciso, cotidianamente, subir ao Monte da Aliança para fortalecer esta comunhão.

Reflitamos:

- Experimentamos a presença do Deus de amor, bondade, ternura, misericórdia, fidelidade e comunhão em nossa vida de fé?
- De que modo vivemos esta Aliança de amor com Deus?

Na passagem da segunda Leitura (2 Cor 13,11-13), o Apóstolo Paulo nos apresenta Deus que é comunhão, família, envolvendo-nos nesta dinâmica de amor, o que aparece claramente em suas palavras, que se tornaram uma das fórmulas litúrgicas de saudação, no início da Missa: “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco”.

Diante das dificuldades, tensões e conflitos vividos, o Apóstolo pede para que os membros da comunidade sejam alegres e não desistam na busca da perfeição, fortalecendo os vínculos fraternos, com mesmos sentimentos, vivendo em harmonia, uma vez que pertencem à família Trinitária.

Devido a esta pertença, o relacionamento dos membros deverá refletir o amor, a ternura, a misericórdia, a bondade, o perdão e  o serviço.

Reflitamos:

- Sentimo-nos como membros da comunidade pertencentes à família Trinitária?
- Somos e vivemos como família de Deus?
- Os relacionamentos de nossa comunidade refletem o que acima foi mencionado?
- De que modo acolhemos e vivemos a saudação acima citada (graça, amor e comunhão)?

Na passagem do Evangelho (Jo 3,16-18), contemplamos o amor de Deus por nós, enviando Seu filho único ao mundo, que em pleno cumprimento do Plano do Pai, fez de Sua vida total doação, até a morte, e morte de Cruz, a fim de que tenhamos vida plena e definitiva. Verdadeiramente uma história de amor que revela a imensidão do coração de Deus, que tanto nos ama.

O Evangelista é abismado na contemplação do amor de um Deus que não hesitou em enviar ao mundo o Seu Filho Único, a fim de oferecer à humanidade a salvação, vida plena e definitiva.

A passagem está contida na conversa de Jesus com Nicodemos apresentada em três etapas ou fases, tratando-se da terceira, na qual Jesus descreve o Projeto de salvação divina, que Ele realiza por Sua morte na Cruz, e com Sua exultação:

“Esse Homem que vai ser levantado na Cruz, veio ao mundo, encarnou-Se na nossa história humana, correu o risco de assumir a nossa fragilidade, partilhou a nossa humanidade; e, como consequência de uma vida gasta a lutar contra as forças das trevas e da morte que escravizam os homens, foi preso, torturado e morto numa Cruz. A Cruz é o último ato de uma vida vivida no amor, na doação, na entrega” (1).

De fato, a Cruz é “a expressão suprema do amor de Deus pelos homens” (2). A vinda do Filho único ao encontro dos homens é o cumprimento de dois objetivos:

- Libertar a humanidade da escravidão, da alienação, da morte. A morte de Jesus na cruz revela que a vida definitiva, encontramos na obediência aos planos do Pai e no dom total da própria vida;

- Veio porque o Pai nos ama e quer a nossa salvação: veio oferecer vida definitiva, ensinando-nos a amar sem medida, e comunicando-nos o Espírito, que nos transforma em novas criaturas.

Deste modo temos responsabilidade pela vida definitiva ou pela morte eterna, pois podemos aceitar a proposta de Jesus, com adesão a Ele e recebendo Seu Espírito, vivendo no amor e na doação; ou ficarmos escravos de esquemas de egoísmo e autossuficiência, que excluem a possibilidade de salvação.

Em resumo, Deus enviou o Seu Filho único ao mundo, porque ama a humanidade, e esta oferta nunca é retirada, e continua aberta e à espera de nossa resposta:

“Diante da oferta de Deus, o homem pode escolher a vida eterna, ou pode excluir-se da salvação” (3).

Reflitamos:

- Nossa comunidade dá testemunho do amor Trinitário?
- Como acolho a Proposta de Deus?
- Como nossas famílias vivem o amor Trinitário?

Finalizemos com esta afirmação de Santo Agostinho: “Deus é tão inexaurível que quando encontrado ainda falta tudo para encontrá-Lo”.

De fato, todo aprofundamento da ideia de Deus equivale a um novo nascimento, porque o Mistério de Deus não é um Mistério de solidão, mas de convivência, criatividade, conhecimento, amor, doação e recebimento, e por isto, somos o que somos, como vemos no Missal Dominical:

“Quem quer viver com Deus não se encontra diante de uma conclusão, mas sempre diante de um início novo como cada dia”.


Mergulhemos um pouco mais no Mistério da Trindade Santa! (Santíssima Trindade)

                                                 

Mergulhemos um pouco mais no Mistério da Trindade Santa!
 
Meditemos sobre a Carta do Bispo Santo Atanásio (séc. IV), que nos fala sobre a luz, o esplendor e a graça da Trindade derramadas, copiosamente, sobre nós.
 
“Não devemos perder de vista a tradição, a doutrina e a fé da Igreja Católica, tal como o Senhor ensinou, tal como os Apóstolos pregaram e os Santos Padres transmitiram. De fato, a tradição constitui o alicerce da Igreja, e todo aquele que dela se afasta deixa de ser cristão e não merece mais usar este nome.
 
Ora, a nossa fé é esta: cremos na Trindade Santa e Perfeita, que é o Pai, o Filho e o Espírito Santo; n’Ela não há mistura alguma de elemento estranho; não Se compõe de Criador e criatura; mas toda ela é potência e força operativa; uma só é a Sua natureza, uma só é a Sua eficiência e ação. O Pai cria todas as coisas por meio do Verbo, no Espírito Santo; e deste modo, se afirma a unidade da Santíssima Trindade.
 
Por isso, proclama-se na Igreja um só Deus, que reina sobre tudo, age em tudo e permanece em todas as coisas (cf. Ef 4,6). Reina sobre tudo como Pai, princípio e origem; age em tudo, isto é, por meio do Verbo; e permanece em todas as coisas no Espírito Santo.
 
São Paulo, escrevendo aos coríntios acerca dos dons espirituais, tudo refere a Deus Pai como princípio de todas as coisas, dizendo: Há diversidade de dons, mas um mesmo é o Espírito. Há diversidade de ministérios, mas um mesmo é o Senhor. Há diferentes atividades, mas um mesmo Deus que realiza todas as coisas em todos (1Cor 12,4-6).
 
Os dons que o Espírito distribui a cada um vêm do Pai por meio do Verbo. De fato, tudo o que é do Pai é do Filho; por conseguinte, as graças concedidas pelo Filho, no Espírito Santo, são dons do Pai.
 
Igualmente, quando o Espírito está em nós, está em nós o Verbo, de quem recebemos o Espírito; e, como o Verbo, está também o Pai. Assim se cumpre o que diz a Escritura: Eu e o Pai viremos a Ele e n’Ele faremos a nossa morada (Jo 14,23). Pois onde está a luz, aí também está o esplendor da luz; e onde está o esplendor, aí também está a Sua graça eficiente e esplendorosa.
 
São Paulo nos ensina tudo isto na segunda Carta aos coríntios, com as seguintes palavras: A graça do Senhor Jesus Cristo, o Amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós (2Cor 13,13).
 
Com efeito, toda a graça que nos é dada em nome da Santíssima Trindade, vem do Pai, pelo Filho, no Espírito Santo. Assim como toda a graça nos vem do Pai por meio do Filho, assim também não podemos receber nenhuma graça senão no Espírito Santo.
 
Realmente, participantes do Espírito Santo, possuímos o Amor do Pai, a graça do Filho e a comunhão do mesmo Espírito.”
 
Mergulhemos neste mar de misericórdia, de profundezas insondáveis, e descubramos os imensos Mistérios que Deus quer nos revelar.
 
Revela-nos aos poucos, porque incapazes o somos de acolher tamanhos Mistérios, pois ultrapassam nossas limitações. Assim é o Amor de Deus, que coração algum jamais poderá conter, Amor que a humanidade há de aprender a viver e corresponder...
 
Luz, esplendor e graça da Trindade é o que acolhemos ao celebrar Festa tão rica em ressonâncias em nosso caminhar, em nosso evangelizar.
 
Assim são os Mistérios de Deus:
 
- Quanto mais falamos ainda não o dissemos;
- Quanto mais contemplamos, mais ainda há para contemplar;
 
- Quanto mais se nos revela, muito mais e imensuravelmente ainda há para ser revelado;
- Quanto mais bebemos na fonte pura e cristalina que nos fala das coisas maravilhosas de Deus, mais ainda queremos beber; com uma sede inexplicável, indizível que apenas deve ser deliciosamente sentida;
 
- Quanto mais nos saciamos mais e muito mais ainda há para nos saciar;
- Quanto mais nos falam, à luz da Fonte inexaurível da Sagrada Escritura, como Santo Atanásio, mais queremos ler, ouvir, meditar, contemplar, rezar e agir impulsionados pela força do Espírito que move a História e que faz novas todas as coisas...
 
Continuemos este mergulho maravilhoso no Mistério do Amor da Santíssima Trindade, a mais bela e perfeita comunhão de três Pessoas e um só Deus: Deus que é Pai, e não apenas nos cria e recria; Deus que é Filho e nos redime pelo Sangue na Cruz derramado; que é Espírito Santo e nos acompanha com Sua força, luz, graça, sabedoria e quanto mais se possa dizer.
 
Não estamos sós, estamos acompanhados com as três pessoas da Trindade Santa, um só Deus, que amamos com o mesmo amor, adoramos na mesma intensidade e servimos com a mesma vivacidade.
 
Concluo com o mais belo sinal que identifica o cristão em qualquer lugar no imenso universo; gesto tão simples, tão inesgotável de beleza e conteúdo: Em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo. Amém - O sinal da Cruz.

O Senhor Jesus é a nossa alegria e salvação

 




O Senhor Jesus é a  nossa alegria e salvação

“Em nenhum outro há salvação, pois não existe debaixo do céu outro nome dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos.” (At 4,12)

Na passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 4, 8-12), os discípulos são testemunhas do Ressuscitado, com o selo do Espírito Santo, que garante o êxito no aparente fracasso da Cruz por Jesus proposto, de modo que nada pode calar nem parar a missão da Igreja.

De fato, o Espírito Santo está presente na Igreja, e é Ele quem anima nessa missão e dá coragem para o enfrentamento das oposições pelas forças de opressão que recusam esta Proposta.

Deste modo, a missão da Igreja consiste em comunicar ao mundo a Salvação que vem somente de Jesus, cabe aos discípulos levar esta Proposta libertadora a todos.

Jesus é a pedra base deste Projeto de vida nova e plena, e os discípulos são testemunhas desta salvação que Ele vem nos oferecer.

Há muito que ser feito ainda para que a Boa-Nova do Reino seja anunciada e vejamos sinais de uma nova realidade, porque ainda vemos genocídios, feminicídios, atos bárbaros de terrorismo, guerras religiosas, o avassalador capitalismo selvagem e suas vítimas multiplicadas.

Assim como foi com Pedro, hoje a Igreja precisa ter um anúncio corajoso e coerente, acompanhado do testemunho, confiante na presença do Espírito de Jesus Ressuscitado, e assim, nos momentos de crise, desânimo ou frustração, tomar consciência desta presença amorosa, que renova a nossa esperança para o necessário testemunho da fé n’Ele.

Com o Espírito Santo de Deus, jamais vacilaremos na fé, bem como não esmoreceremos na esperança, de tal modo que o fogo abrasador do Santo Espírito arderá e purificará nossos corações, com a inflamável chama do Seu Divino Amor. Amém.

sábado, 30 de maio de 2026

O Mistério da Trindade na vida do Presbítero

                                                     

 

O Mistério da Trindade na vida do Presbítero
                             
Mistério, algo intransponível e inesgotável para a razão humana, e assim definiu Santo Agostinho: “Deus é um Mistério tão grande, que uma vez encontrado, ainda falta tudo para encontrá-Lo”.
 
Santíssima Trindade: assim como quanto mais profundo for o mergulho na imensidão das águas do mar, maior será a descoberta e o encantamento.
 
Do mesmo modo, o nosso mergulho nas delícias imensuráveis do Mistério da Trindade Santa, alcançaremos maior encantamento diante deste amor que nos envolve e dá sentido à nossa vida.
 
Também o ministério presbiteral encontrará sua realização numa profunda e intensa relação com a Trindade: Três Pessoas, um só Deus; comunhão profunda de amor, solidariedade, alegria e ternura.
 
Na Pessoa de Deus Pai, o presbítero descobre o mistério de um Deus que Se revela Misericordioso, Criador, ternura e bondade; que Se dá a conhecer nas relações de fraternidade e verdade.
 
Deus Pai nunca será um Deus distante, será mais íntimo a nós do que nós mesmos, de modo que, esta intimidade com Deus leva o presbítero a ser o homem da comunhão, do amor à vida, por tudo que foi criado, de modo especial contempla a presença de Deus em cada criatura criada por Deus a Sua imagem e semelhança.
 
Na Pessoa de Deus Filho, relaciona-se com Jesus Cristo: Verdadeiramente Homem, verdadeiramente Deus, e assim, possibilita que venha a viver Sua humanidade, redimida e acolhida no mistério de Seu amor por todos nós.
 
Quem bem definiu esta humanidade/divindade de Jesus foi o Bispo São Pedro Crisólogo (séc. V): 

“Talvez vos perturbe a enormidade de meus sofrimentos por vós. Não tenhais medo. Estes cravos não Me provocam dor, mas cravam mais profundamente em mim o amor por vós.
 
Estas Chagas não me fazem soltar gemidos, mas vos introduzem ainda mais intimamente em Meu coração. O meu corpo, ao ser estirado na Cruz, não aumenta o meu sofrimento, mas dilata espaços do coração para vos acolher. Meu Sangue não é uma perda para mim, mas é o preço do vosso resgate”.
 
Na Pessoa de Deus Espírito, tem a certeza de não estar só. No mistério de Deus Espírito, sente o coração plenificado pelo amor; a mente iluminada pela luz do Espírito, e em sua boca as próprias palavras que Ele prometeu colocar em nossa boca; além de empunhar a espada do Espírito.
 
Com o Espírito Santo, Deus Se faz presente em sua vida; o Evangelho uma letra viva; A Igreja espaço da comunhão.
 
A ação do Espírito é a demonstração do serviço incansável de dedicação ao povo que lhe foi confiado. Sua missão é revestida da grandeza confiada por Jesus.
 
As inúmeras Missas e Celebrações são sinais vivos e eficazes da presença terna de Deus, levando-o, e a toda a comunidade, à realização de ações incontáveis que revelam e testemunham a glória de Deus.
 
Concluindo, quanto mais o presbítero mergulhar no Amor Trinitário, mais feliz será seu ministério, possibilitando ao rebanho descobrir e participar desta mesma alegria.
 
 
PS: O leitor (a) poderá reler o texto trocando a palavra “Presbítero” por “Cristão”, pois esta reflexão se aplica a todos os batizados. 
 

Glorifiquemos a Trindade Santa (Santíssima Trindade)

                                                                

Glorifiquemos a Trindade Santa

Nós Vos glorificamos, ó Deus, porque sois nosso Criador e a quem pertence a Salvação.

Nós Vos glorificamos, ó Cordeiro Imolado, Vós que estais sentado glorioso no Trono à direita de Deus.

Nós Vos glorificamos, ó Espírito de Deus, fogo de amor e ternura, fogo abrasador, que nos aquece e nos ilumina.

Nós Vos glorificamos, ó Trindade Santa, a quem pertence o louvor, a glória e a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força para sempre. 

“Demos glória ao Deus Pai Onipotente e a Seu Filho, Jesus Cristo, Senhor nosso, e ao Espírito que habita em nosso peito, pelos séculos dos séculos. Amém.”


PS: Fonte inspiradora ( Ap 7,10b-12 )

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG