terça-feira, 22 de setembro de 2026

Naveguemos pelo oceano de incertezas


 

Naveguemos pelo oceano de incertezas

“Coragem, sou Eu. Não tenhais medo!” (Mt 14,27)

Do alto da montanha, olho para a imensidão do mar e me pergunto sobre o que é viver.

Algumas respostas vêm de um grande antropólogo que recentemente nos deixou, Edgar Morin:

- “Por mais que acreditemos armados de certezas e programas, precisamos aprender que toda vida é um navegar num oceano de incertezas, atravessando algumas ilhas ou arquipélagos de certezas, onde nos reabastecemos.” (1)

- “A certeza e o inesperado precisam ser integrados na História humana. Nela, o imprevisto não passa de acaso, é também, como a revolução para Marx, a ‘velha toupeira que trabalha debaixo da terra para aparecer de repente’. A surpresa do inesperado não deve ser anestesiada. Ao contrário, deve nos estimular a compreendê-lo, pensá-lo e, sem poder prevê-lo, pelo menos esperá-lo” (2)

“- As grandes venturas só têm um tempo. Sua lembrança não me enche apenas de saudade, mas também de uma doce e triste alegria.” (3)

- “Em primeiro lugar, quero indicar que o risco do erro e da ilusão é permanente em toda a vida humana, pessoal, social, histórica, em toda decisão e ação e mesmo em toda abstenção, podendo conduzir a desastres.” (4)

E, por fim, a instigante afirmação de Rita Levi-Montalcini, Prêmio Nobel de Medicina:

“ Dê vida a seus dias, em vez de dar dias à sua vida.” (5)

Erros, ilusões, o impensável inesperado, certezas, incertezas, pequenas ou grandes venturas marcadas como selo na memória e no coração...

O mar, o vento, as ondas, as tempestades... Travessias para a outra margem consiste todo o viver...

Viver com intensidade e paixão pela vida, dando vida a cada dia, a cada momento, a cada instante.

Não sucumbir nem ao medo nem ao cansaço, tampouco recolher-se em amedrontada solidão do que possa devorar vorazmente a própria existência.

Descer a montanha, navegar no mar das incertezas, porque Deus, em sua infinita bondade, concede-nos, de fato, “ilhas e arquipélagos de certezas onde nos abastecemos”; e para quem crê, a Eucaristia é, por excelência, uma delas.

Deus Onipotente e misericordioso fez-se presente em nossa travessia, por meio do Seu Filho, e nos comunica o sopro suave do Seu Espírito, e que hoje arde em nossos corações como chama eterna de Amor. Amém.

 

(1)    Lições de um século de vida - Edgar Morin – Bertrand Brasil – p.33

(2)   Idem – p.36

(3)  P.42

(4)  P.91

(5)   P.37



Depois daquele silêncio orante...

                                                     

Depois daquele silêncio orante...

Depois daquele silêncio orante...
Deus mais uma vez Se manifestou
Como o Deus de amor nunca bastante.
Em nenhum momento me abandonou.

Depois daquele silêncio orante...
Em que o sim para uma nova Paróquia foi dado,
Sua presença, graça e luz sinto em todo instante,
Em comunhão com o Povo de Deus a mim confiado.

Depois daquele silêncio orante...
Como indigno servo, pároco nomeado...
Aprofundar a comunhão com o Amor, Amado, Amante,
Trindade Santa a quem tudo deve ser creditado.

Depois daquele silêncio orante...
Novos relacionamentos a serem construídos,
No êxito, por Deus prometido, sempre confiante.
Hoje, confesso jamais ter me arrependido.

Depois daquele silêncio orante...
Missas, batizados, unções, casamentos...
Aprendizado e adaptação a todo instante,
Presença em eventos e em todos os Sacramentos.

Depois daquele silêncio orante...
Velórios, almoços, Encontros, amizades, poemas,
Voz Viva, pastorais e tantos momentos marcantes.
Uma voz no coração me diz sempre: “Nada temas!”

Depois daquele silêncio orante...
Trabalho Social, Fé e Política, grupos e movimentos,
Procurando edificar amizades em todo instante
Em sinceros e frutuosos relacionamentos.

Depois daquele silêncio orante...
Assembleia Paroquial e novos horizontes,
A comunhão diocesana tão importante,
Na Palavra e Eucaristia divinas fontes.

Depois daquele silêncio orante...
Com a comunidade crescimento da espiritualidade
Com mensagens tão atuais e instigantes,
De nossos amigos santos, quanta novidade!

Depois daquele silêncio orante...
Pe. Tito, hoje na glória do céu.
Pe. Frizzo, Pe Berardo, Pe. Paulo, e novamente o primeiro aqui conosco
Presenças diferenciadas e para mim tão importantes.

Depois daquele silêncio orante...
Um amor novo nasceu no meu coração.
Uma doce, terna, criatura apaixonante:
Nossa Senhora de Sion, minha nova devoção!

Depois daquele silêncio orante...
Um caminho foi por muitos percorrido,
Mas há muito mais nos esperando adiante,
Com Deus desafios serão sempre vencidos.

Dez anos de Paróquia! Deus seja louvado!
Há silêncios que mudam nossa vida...
Aquele mudou, e ainda há muito para ser mudado!
À Trindade Santa toda honra merecida!
Bendito seja Deus que vive eternamente!


PS: Escrito em 23 de setembro de 2009.

Em poucas palavras... (XXVIDTCA)

                                                             

 

Uma súplica para o discipulado

Oremos:

Senhor nosso Deus,

Vós sois o refúgio na tribulação,

Força na fraqueza e conforto no sofrimento.

Nós Vos pedimos, 

como membros do Vosso rebanho 

e discípulos missionários do Senhor, 

a prudência e sabedoria necessárias para o discipulado.

Cumulai-nos de coragem, para o bom combate da fé,

E um dia, a glória da eternidade alcançar,

E a Vossa glória celestial para sempre contemplar.

Amém. 

Oração ao Arcanjo São Miguel

                                                             

Oração ao Arcanjo São Miguel

Ó Deus, pela intercessão do Arcanjo São Miguel, Padroeiro de nossa Diocese, protegei-a assim como as nossas cidades. 

Ajudai-nos na luta contra o pecado do egoísmo, da indiferença e do desânimo, para maior fidelidade a Vós.

Libertai-nos de toda maledicência e murmuração; expulsai de nosso meio tudo que gera divisão. 

Colocai em nosso coração muita coragem para lutar contra as forças do mal.

Fazei de nós ardentes discípulos missionários do Vosso Filho Jesus, iluminados e apaixonados pelo Evangelho, a fim de vivermos a fraternidade, a justiça, o amor e a solidariedade.

Alimentados pelo Pão da Palavra e da Eucaristia, a Vós confiamos e entregamos nossas paróquias, comunidades, famílias,  trabalhadores e enfermos.

Ensinai-nos a viver plenamente a vossa vontade, acolhendo no coração o que o Arcanjo São Miguel nos revela por sua missão: “Quem como Deus?”.

Tudo isso Vos pedimos por meio do Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém! 

Autores:
Pe. Hermes Firmiano Pedro – Diocese de Guanhães - MG
Dom Otacilio F. Lacerda

“Creio na Santa Igreja Católica...”

 


 

“Creio na Santa Igreja Católica...”

Cremos que ser una é a própria essência da Igreja: «Que admirável mistério! Há um só Pai do universo, um só Logos do universo e, também, um só Espírito Santo, idêntico em toda a parte; e há também uma só mãe Virgem, à qual me apraz chamar Igreja» (São Clemente de Alexandria).

Cremos que a Igreja é una, graças à sua fonte: «O supremo modelo e princípio deste mistério é a unidade na Trindade das pessoas, dum só Deus, Pai e Filho no Espírito Santo».

Cremos que a Igreja é una graças ao seu fundador: «O próprio Filho encarnado [...] reconciliou todos os homens com Deus pela sua Cruz, restabelecendo a unidade de todos num só povo e num só Corpo».

Cremos que a Igreja é una graças à sua «alma»: «O Espírito Santo que habita nos crentes e que enche e rege toda a Igreja, realiza esta admirável comunhão dos fiéis e une-os todos tão intimamente em Cristo que é o princípio da unidade da Igreja».

 

Fonte: Livre adaptação do parágrafo n.813 do Catecismo da Igreja Católica


Da primavera provisória à eterna Primavera de Deus

                                                           

Da primavera provisória à eterna Primavera de Deus

“Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra,
nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis
acordarão as cores e os perfumes e a alegria
de nascer, no espírito das flores” –
 Cecília Meireles

Com as poetisas, nossos ouvidos ficam mais sensíveis aos sons que não ouvimos, às conversas que jamais imaginaríamos.

Com as inesquecíveis poetisas, nosso olfato ganha maior capacidade de captação, assim como nossos olhos conseguem ver um pouco mais longe ou mesmo enxergar os pequenos detalhes muitas vezes despercebidos.

Com as notáveis poetisas, somos despertados para falar de algo que devolva o reencantamento ao mundo, como numa alegre ciranda de crianças em pureza de coração, embora já não se veja tanto assim, reavivando as mais belas utopias...

Por onde andam as verdadeiras poetisas e poetas que o mundo precisa, que se aliam à voz da profecia, para que não percamos a força, o ardor no compromisso com a Boa-Nova do Reino?

Por onde ecoam as vozes que falam não apenas aos nossos ouvidos, mas conseguem nos desinstalar para avançarmos em águas mais profundas, descobrindo os doces e suaves mistérios da existência?

Por onde andam as mães e os pais que poetizando reinventam a linguagem, aprendendo a linguagem do Espírito, para comunicar aos filhos valores que não podem jamais ser esquecidos e ignorados?

Por onde andam os Bispos, Sacerdotes, Ministros e Discípulos missionários do Senhor, enamorados por Ele, em íntima comunhão e amizade, a Ele totalmente configurados, testemunhando uma fé luminosa, esperança renovada, impelidos pela caridade que não passa?

Por onde andam profissionais éticos e virtuosos, que não se curvam às tentações do ter, poder e ser, sem a busca dos privilégios desmedidos, sem escrúpulos, que venham multiplicar a dor e o sofrimento dos empobrecidos?

Se formos capazes de ainda captar a confidência das raízes neste tempo de primavera tão inspirador, se não deixarmos o brilho de nossos olhos ofuscar, e se nossos ouvidos, sintonizados com a voz do Santo Espírito que sopra onde bem quer, os veremos.

Veremos bem perto de nós, em nossas ruas e praças, comunidades e lugares por onde circulamos. Também serão vistos em cada um de nós pelo nosso modo de ser e viver, pensar e agir.
             
É preciso que a primavera das praças e jardins, bosques e alamedas não seja apenas nestes espaços.

É preciso que em todo lugar, onde vivemos, nos movemos e somos, seja uma primavera querida e sonhada por Deus, até que possamos adentrar no Jardim da Eternidade, o céu, onde as flores não morrem e jamais deixam de exalar o suave odor de amor, com os anjos e santos, no festim da eternidade, na plena comunhão com Deus. 

Escutar e pôr em prática a Palavra de Deus

                                                         

Escutar e pôr em prática a Palavra de Deus

Ouvimos na terça-feira da 25ª Semana do Tempo Comum a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 8, 19-21).

Vejamos o que nos diz o Lecionário Comentado sobre Maria, a Mãe de Jesus:

“É Mãe do Senhor não só porque lhe deu uma vida humana, mas também porque escutou e cumpriu a Palavra de Deus” (1).

Para Jesus o mais importante é escutar a Palavra de Deus e fazer com que produza frutos na vida concreta, e Maria assim o fez, e nos deu o “Bendito Fruto do Seu Ventre”, Jesus, na fidelidade a Deus por meio da ação do Espírito Santo.

De fato, o que mais se faz necessário hoje são “pessoas que, com sua virtude quotidiana, deem testemunho de que da adesão à fé no Deus de Jesus Cristo, nasce uma Humanidade nova, mais capaz de ir ao encontro e de acolher o homem e a mulher sofredores de nosso tempo. É na relação pessoal entre pessoa e pessoa que tudo se joga e também a Palavra de Deus, muitas vezes entendida como algo de obscuro e distante da vida, pode ser apresentada como fonte de esperança, no meio da companhia dos homens” (2).

A Igreja sempre nos motiva para que não sejamos apenas assíduos ouvintes da Palavra de Deus, mas praticantes.

Agradecemos a Deus pelos inúmeros testemunhos desta relação inseparável entre a escuta e a prática da Palavra de Deus proclamada, ouvida, meditada e na vida concretamente vivida.

Roguemos a Deus, para que membros da família do Senhor sejamos, na escuta atenta e prática da Palavra Divina que é luz para nosso caminho.

Aprendamos com Maria, Mãe, Mestra e Discípula do Senhor, para que assim também sejamos, pois ela melhor do que ninguém assim o fez, e assim membros da família do Senhor seremos, e poderemos dizer que Jesus é Senhor de nossa vida, e ela é, verdadeiramente nossa amantíssima mãe, que tanto nos ama e deseja que sejamos cumpridores da Palavra do Seu diviníssimo Filho.

Num mundo tão obscuro, com a fragilização da esperança, perda de princípios vitais que garantem uma nova humanidade, mais do que nunca, é tempo de ouvir e por em prática a Palavra de Deus, para que nossa fé seja frutuosa e acompanhada de gestos multiplicados de caridade.



(1) (2) Lecionário Comentado – Ed. Paulus – Vol. II – p. 412

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG