terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

A fé não nos dispensa de sagrados compromissos

                                   

A fé não nos dispensa de sagrados compromissos

Retomemos um trecho da Carta do Apóstolo Paulo aos Romanos, em que se refere à criação à espera da libertação da corrupção - (Rm 8,18-25):

“Sabemos que toda a criação, até ao tempo presente, está gemendo como que em dores de parto, e não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo...”.

Assim nos fala o Comentário do Missal Cotidiano:

“Os problemas levantados pela ecologia têm chamado a atenção sobre o equilíbrio natural. Também em nosso modo de ver a natureza, devemos encontrar um equilíbrio. Entre um naturalismo todo horizontal, terra-a-terra, e um angelismo todo vertical, para o qual a terra não passa de base para os pés, existem outras posições mais realistas, portanto, mais cristãs. Ciência e técnica se inclinam a um esforço de busca e transformação da criação. Mas, as energias descobertas são por si ambíguas. Nós é que lhes damos sentido: gloria do Criador ou desfrute da criatura. Num caso tem-se a expansão na liberdade; no outro, a distorção, grávida de consequências arriscadas”. (1)

Naturalismo todo horizontal e angelismo todo vertical. Termos não muito comuns ao nosso discurso, mas de pertinência incontestável.

Não somente em relação à criação, mas a outros fatos da vida (nascimento, vida, doença, saúde, emprego, relacionamentos amorosos, dimensão profissional, morte etc.) podemos transitar entre as duas atitudes.

Diante da vida podemos adotar a primeira postura, procurando respostas humanas, técnicas e científicas, prescindindo de toda dimensão espiritual, sobretudo se considerarmos o processo de dilaceramento interior aguçado da fé, da religião, da existência e da necessidade de Deus.

A busca de solução, portanto, na pura razão científica e técnica e absolutamente desvinculada da fé. Não há espaço algum para a fé!

A outra postura, prescindir da ciência, da técnica, de seus avanços. Não se utilizar daquilo que o conhecimento humano alcançou, com a inapropriada postura: Deus tudo resolverá!

Segue-se a atitude de passividade e confiança em Deus, pois cabe a Ele tudo resolver, sem fazer uso daquilo que por Ele também foi propiciado, mas que deliberadamente pela atitude pessoal dispensada. A fé que tudo resolve sem mediação alguma!

Nem uma postura, nem outra. Adotada uma postura unilateral, exclusiva teremos o que se disse acima: “Num caso tem-se a expansão na liberdade; no outro, a distorção, grávida de consequências arriscadas”.

Mais uma vez vem à mente a brilhante Encíclica do Papa São João Paulo II – “Fé e Razão”.

Como Bispo, religioso, bem como cientista social que também sou, procuro transitar entre um polo e outro:

As questões econômicas, políticas, sociais, ecológicas etc. Sejam elas quais forem somente encontrarão respostas, que as sustentem, sabendo-se fazer sabiamente este livre trânsito.

Quando a fé e a ciência procuram sincero diálogo: Deus tem o seu lugar absoluto na vida humana, e esta, por sua vez, ganha em expressão, beleza e dignidade!

A negação de Deus, Seu eclipse, é a negação e o eclipse da própria humanidade, como afirmava o Papa Bento XVI, em suas Encíclicas e pronunciamentos.

Oremos:

Livrai-nos, Senhor, da terrível “armadilha” do Naturalismo Horizontal e do Angelismo Vertical, que certamente levar-nos-ia a ofuscar e a não reconhecer Vossa soberania e  divindade, bem como fragilizaria nossa imagem que de Vós somos, estampada em nossa humanidade! 

Dai-nos, Senhor, o Fogo do Espírito, para correspondermos melhor ao Vosso Projeto de Vida plena para todos.

Dai-nos, a Sabedoria do Espírito, para iluminar a sabedoria humana, o que nos levará ao equilíbrio necessário, para agirmos como se tudo dependesse da humanidade, sem jamais prescindirmos da Força da Suprema Divindade. Amém.


(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus - p.1428

PS: Oportuno para reflexão das passagens bíblicas: Mc 5,21-43; 1 Ts 3,12-4,2

A missão do Presbítero no cuidado do rebanho

                                                              

A missão do Presbítero no cuidado do rebanho

Reflexão a partir da passagem da Carta do Apóstolo Pedro (1Pd 5,1-4), sobre a missão dos Presbíteros junto ao rebanho que lhes foi confiado pela Igreja:

“Exorto aos presbíteros que estão entre vós, eu, presbítero como eles, testemunha dos sofrimentos de Cristo e participante da glória que será revelada: Sede pastores do rebanho de Deus, confiado a vós; cuidai dele, não por coação, mas de coração generoso; não por torpe ganância, mas livremente; não como dominadores daqueles que vos foram confiados, mas antes, como modelos do rebanho. Assim, quando aparecer o Pastor Supremo, recebereis a coroa permanente da glória.”

Fundamental que o Ministério Presbiteral seja um salutar testemunho dos “sofrimentos de Cristo”, na esperança da participação de Sua “glória que será revelada”.

Quanto mais o Presbítero tiver maturidade e coragem de viver a dimensão Pascal do Ministério, aberto à graça divina, colocando sua fraqueza nas mãos divinas, mais fecundo este será, e a alegria Pascal tornar-se-á um testemunho notado e compartilhado por toda a comunidade a que serve.

Viver o Ministério na Dimensão Pascal, é viver intensamente o Mistério da Paixão e Morte do Senhor, para com Ele ressuscitar: morrer e ressuscitar todos os dias, e em todos os momentos.

Deste modo, poderá cuidar do rebanho e as exortações do Apóstolo se fazem sempre presentes em sua vida, em permanente vigilância e oração, até que mereça receber a “coroa permanente da glória”:

“sede pastores do rebanho de Deus, confiado a vós”;
- “cuidai dele, não por coação, mas de coração generoso;

- “ não por torpe ganância, mas livremente”;
- “não como dominadores daqueles que foram confiados, mas antes, como modelos do rebanho”

Note-se, que as tentações enfrentadas por Jesus no deserto, encontram-se implícitas nas palavras do Apóstolo, ou seja, as tentações do ter, poder e ser (acúmulo, domínio e privilégio, respectivamente).

Oremos por todos os Presbíteros, a fim de que as palavras do Apóstolo se façam presentes em seu Ministério, e assim, bem conduzam o rebanho do Senhor a eles confiado, contando sempre com a luz e a assistência do Espírito Santo.

Em poucas palavras...

 


Confiamos na força e o amor de Deus

“Como é errado ver Jesus numa dimensão puramente espiritual, como se sua ‘alma’ e sua ‘divindade’ tivessem habitado provisoriamente em um ‘corpo de homem, sem na realidade se ter unido a Ele; da mesma forma, é injusto pensar apenas na salvação da ‘alma’ ou do ‘corpo’, e não de toda a pessoa (pensamos em certas orações desencarnadas ou em algumas formas de fanatismo quase mágico, no angelismo ou no automatismo em relação aos sacramentos).

A cura e a ressurreição são um sinal para quem tem fé: na pessoa de Jesus (hoje nos sacramentos da Igreja) estão presentes entre nós o amor e a força de Deus.” (1)

 

(1) Comentário da Missal Cotidiano sobre a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 5,21-43) – Editora Paulus – 1998 – p. 716

Quando a vida se esvai, quando tudo parece o fim...

                        

Quando a vida se esvai, quando tudo parece o fim...

“Menina, levanta-te!”

Na Liturgia da quarta terça-feira do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 5,21-43), em que Jesus cura uma menina que estava nas últimas, e também uma mulher com hemorragia há doze anos.

Oportuno que nos voltemos para a passagem do Livro da Sabedoria (Sb 1,13-15; 2,23-24), composto um pouco antes da vinda de Jesus.

Trata-se de uma doutrina mais serena em relação aos mais antigos, e nos convida a contemplar o rosto de Deus, que ama a vida, e não é autor da morte – “Deus não fez a morte, nem tem prazer com a destruição dos vivos” (Sb 1,13). 

Ele, ao contrário, cria a vida e a entrega à humanidade, modelada à Sua imagem, e pronto a restaurá-la quando se encontra em perigo ou a se apagar – “Deus não criou o homem para que caísse na espiral do nada” (1).

Retomando a reflexão sobre a passagem do Evangelho, contemplemos, a partir da ação de Jesus, a ação de Deus que nos ama, cura, liberta e salva a humanidade, pois jamais se alegra com nosso sofrimento e morte. 

Acima de tudo, manifesta-se a ação divina, por meio de Jesus, o Verbo encarnado, a pleníssima revelação da onipotência e bondade de Deus para com quem se sente impossibilitado de viver, vendo a vida se esvair no sangue derramado daquela mulher ou nas forças exauridas daquela criança... Afinal, é próprio do Amor de Deus vir ao encontro de nosso sofrimento, fraqueza, limitações. É próprio do Amor de Deus intervir e tudo mudar, quando nada mais parece ter outra possibilidade.

A cura da mulher, meditada na perspectiva da fé: o sangue propriamente dito é a vida; a hemorragia, por sua vez, consiste na perda do sangue, logo, a perda da vida.

Entretanto, o Sangue do Senhor que jorrou no alto da Cruz, com Sua Ressurreição, tornou-se plenitude de vida para todo aquele que crê. Sangue jorrado que redime e nos devolve a vida.

Aquela mulher é a imagem de todos nós que, sem a intervenção divina, vemos nossa vida se esvair, nossas forças sendo subtraídas, nossos sonhos diminuídos, nossos propósitos retrocedidos, nossas utopias amareladas e ultrapassadas porque não mais mantêm e sustêm nossa fome de novos horizontes.

É também a imagem de todo aquele que somente em Deus tem a cura, o resgate, o reencontro, a redefinição de rumos, o revitalizar dos passos, o revigorar das forças, o renascimento dos compromissos com a vida, o imprescindível cultivar das virtudes que nos movem e nos direcionam, as delicadas e indescritíveis sementes da fé, esperança e caridade.

Aquela criança, que tida como morta, diante da Palavra do Senhor recupera a vida – “Menina, Eu te digo, levanta-te”. Diante do Senhor a morte se curvou, tudo se dobrou diante de Sua presença. Deus tem sempre a última Palavra, porque Ele é a Palavra.

A menina que nunca vimos somos nós mesmos que a cada dia escutamos Deus falar no mais profundo de nós as mesmas palavras...

Quantas vezes, vimos sonhos morrerem para novos e melhores nascerem. Quantas vezes projetos desmoronados para outros, de qualidade incomparável, aparecer.

Quantas vezes, quando tudo parecia nada, redução de cinzas fúnebres, a semente da fé brotou para que visse a esperança se transfigurar e se materializar em atos indispensáveis de amor! 

Assim é o amor de Deus: devolve-nos vida, porque é a Fonte da Vida e vida Plena (Jo 10,10), e nos chama, constantemente à vida, do princípio ao fim, na Sagrada Escritura – “... quem participa do Cristo, participa da vida. Por Cristo e pela Sua Ressurreição, quem crê, mesmo sabendo que deve morrer, vê a morte como um momento para passar a uma vida sem fim. A morte se torna ‘passagem’. Assume assim o caráter pascal de vitória.” (2) 

Oportunas as palavras de São Francisco de Assis – “Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã morte corporal, da qual nenhum homem vivo pode escapar”. (3) 

Coloquemo-nos no lugar da mulher e da criança e não seremos mais os mesmos, pois é próprio do Amor de Deus não nos permitir encurvados, derrotados, inertes, mórbidos, mortos. 

Deste modo, Deus pode realizar maravilhas em nossa vida, mas é preciso que tenhamos fé na onipotência divina, e, também, ressalte-se, que não podemos transferir para Ele nossa responsabilidade, cuidando e promovendo a vida, com recursos necessários, bem como o acesso para todos, sobretudo para os mais vulneráveis. 

A fé cristã jamais dispensa nossos sagrados compromissos no amor e cuidado com a vida, tanto das pessoas como de nosso planeta, nossa Casa Comum. 

Deus por Seu amor, pela prática de Jesus, nos recria, para vivermos como templos do Seu Espírito.

Coloquemo-nos no lugar da mulher e da criança, e não mais os mesmos seremos. Pois, é próprio do Amor de Deus não nos permitir encurvados, derrotados, inertes, mórbidos, mortos... É próprio de Seu Amor nos recriar, reviver a cada instante, e nada pode se antepor ao amor de Deus por nós.

 Oremos: 

“Ó Deus, pela Vossa graça, nos fizestes filhos da luz. Concedei que não sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas brilhe em nossas vidas a luz da Vossa verdade. Por N.S.J.C. Amém.”

 

(1) Missal Dominical – Editora Paulus – 1995 – p.945           
(2) (3) idem – p.946    

São Brás, rogai por nós!

                                                           


São Brás, rogai por nós!

Segundo a tradição, São Brás foi um bispo cristão de Sebaste (séc. IV), na Armênia (atualmente na Turquia), durante o império Romano, e sua memória é celebrada no dia 03 de fevereiro.

A devoção a ele cresceu ao longo dos séculos na tradição católica, e ele é frequentemente invocado para proteção contra problemas de garganta. Por isso, neste dia, muitos vão à Igreja em busca da "Bênção de São Brás", a bênção da garganta, para sua proteção e saúde.

São Brás, Bispo e Mártir, segundo a Tradição, morreu martirizado, durante as perseguições aos cristãos ordenadas pelo imperador Licínio.

Conta-se que foi preso e torturado por se recusar a renunciar à sua fé cristã. Em um dos relatos mais comuns, consta que ele foi flagelado com pentes de ferro (um tipo de tortura cruel) e, por fim decapitado.

Em uma das histórias, narra-se que, durante sua prisão, enquanto era levado para a execução, curou um menino que estava sufocando devido a uma espinha de peixe presa na garganta. Daí decorre a associação ao seu cuidado das doenças da garganta.

Recebamos a bênção tão necessária, mas também roguemos a Deus para que tenhamos a serenidade, coragem e amor pela Igreja, assim como o fez São Brás no testemunho de sua fé.

Roguemos a Deus, para que em todo o tempo, jamais vacilemos na fé, tampouco esmoreçamos na esperança, de tal modo que também não seja apagada a chama da caridade em nosso coração.

Supliquemos a Deus a força necessária para a resistência nas tentações, paciência nas tribulações e sentimento de gratidão na prosperidade.

Apresento Orações apropriadas:

Oremos:

- "Ó glorioso São Brás que restituístes, com uma breve oração, a perfeita saúde de um menino que, por uma espinha de peixe atravessada na garganta, esteve prestes a expirar, obtendo para nós todos, a graça de experimentarmos a eficácia do vosso patrocínio em todos os males da garganta.

 

Conservai a nossa garganta sã e perfeita para que possamos falar corretamente e assim proclamar e cantar os louvores de Deus. Amém!"

- "Senhor, pelos méritos de São Brás, peço-Vos por minha saúde e, especialmente, que me liberteis dos males da garganta.

Rogo-Vos, também, por minha vida espiritual. Liberta-me da preguiça na oração, pois é a única maneira de manter-me sempre unido a Deus. São Brás rogai por nós. Amém.”

Finalmente, a fórmula da bênção mais conhecida e rezada ao celebrar sua Memória:

Por intercessão de São Brás, Bispo e Mártir, livre-te

Deus do mal da garganta e de qualquer outra doença.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém”.

 

São Brás, rogai por nós!

“Sacrifica-te por minhas ovelhas”

                                                                

“Sacrifica-te por minhas ovelhas”

Ao Celebrar a Memória de São Brás, Bispo e Mártir (séc. IV), a Liturgia das Horas nos apresenta um dos Sermões do Bispo Santo Agostinho (Séc. V), em que nos convida a refletir sobre o zelo pastoral no cuidado do rebanho pelo Senhor confiado.

O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida como resgate em favor de muitos (Mt 20,28). Eis como o Senhor Se fez servo, eis como nos ensinou a servir. Deu a Sua vida como resgate em favor de muitos: Ele nos remiu.

Quem dentre nós tem condições para redimir alguém? Foi pelo sangue de Cristo que fomos redimidos, foi pela Sua morte que fomos resgatados da morte; estávamos caídos, e, pela sua humildade, fomos reerguidos da nossa prostração. Mas devemos também contribuir com nossa pequena parte para ajudar os Seus membros, pois nos tornamos membros d’Ele: Ele é a cabeça e nós somos o corpo.

Aliás, o apóstolo João nos exorta, em sua carta, a seguirmos o exemplo do Senhor que disse: Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor, pois o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida como resgate em favor de muitos (Mt 20,27.28). O mencionado apóstolo nos exorta, por isso, a imitar o exemplo do Salvador com estas palavras: Jesus deu a Sua vida por nós. Portanto, também nós devemos dar a vida pelos irmãos (1Jo 3,16).

O próprio Senhor, falando depois da ressurreição, perguntou: Pedro, tu me amas? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que Te amo. Por três vezes o Senhor fez a mesma pergunta e por três vezes Pedro deu idêntica resposta. Em todas as três vezes, o Senhor acrescentou: Apascenta as minhas ovelhas (Jo 21,15s).

Como podes mostrar que me amas, a não ser apascentando as minhas ovelhas? O que podes me dar com teu amor, se recebes tudo de mim? Portanto, se tu me amas, eis o que tens de fazer: Apascenta as minhas ovelhas.

Uma vez, duas, três vezes: Tu me amasAmoApascenta as minhas ovelhas. Três vezes o negara por medo. Então o Senhor logo lhe disse: Quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir. Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus (Jo 21,18-19). Anunciou-lhe Sua Cruz, predisse-lhe Sua paixão.

Prosseguindo, o Senhor lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas. Sacrifica-te por minhas ovelhas”.

Retomemos as palavras finais do Sermão: “Apascenta minhas ovelhas. Sacrifica-te por minhas ovelhas”.

Assim deve ser a vida de todos aqueles que responderam ao chamado de Deus para trabalhar na Sua messe.

Cuidar do rebanho que nos foi confiado exige de todos, sobretudo daqueles que receberam o Sacramento da Ordem, um amor incondicional como assim fizeram o Apóstolo Pedro, Paulo, São Brás e tantos outros que possam ser mencionados.

Elevemos a Deus súplicas e orações contínuas, por todos aqueles a quem foi confiado o cuidado do rebanho do Senhor, para que correspondam cada vez mais ao que Deus espera.

Somente quem vive a autenticidade do amor está pronto para os sacrifícios pelas suas ovelhas, e tudo fará para que elas sejam conduzidas a verdes pastos e águas cristalinas.

Os frutos da boa obediência


 

Os frutos da boa obediência


“Um ancião tinha seu escravo como discípulo e, desejando dominá-lo, convenceu-o a manter completa obediência.
 
Por isso, o ancião lhe disse: ‘Vai, acende o fogo no forno, toma o livro que é lido na ‘synaxis’ e lança-o no forno’.
 
Ele foi e fez sem questionar. 

E, quando o livro foi lançado, o forno se apagou.
 
Isto ocorreu para entendermos que a obediência é boa, porque é uma escada para o Reino dos Céus.” (1)
 
Somos todos eternos aprendizes da obediência,
Com Maria, José, santos e santas, quanto a aprender!
 
Aquela que coloca a vontade divina acima de tudo,
Acompanhada de renúncia dos projetos e vontades próprias.
 
Que os Pais do deserto viveram e ensinaram,
A escada para que adentremos no Reino dos Céus.
 
Não a obediência com gosto de subserviência,
Mas como expressão de sagrada liberdade.
 
Não com a miopia para outras possibilidades,
Mas docilidade aos acenos do Espírito.
 
Não como a resignação estéril e , fria,
Mas com a chama do amor que crepita e impulsiona.
 
Obediência como expressão de mansuetude,
Que floresce e frutifica com a resiliência. 
 
Suas marcas indeléveis de prontidão e solicitude,
Colocando nas mãos divinas nossa finitude.
 
Obediência que garante sagrados frutos,
Porque vivida com todas as veras do coração.
 
Acompanhada da necessária oração,
Na graça da simplicidade e da humildade.
 
Alimentado pelo Pão da Palavra e da Eucaristia,
Na Mesa Sagrada nutrido, porque peregrinar é preciso!
 
 
(1)  Ditos anônimos dos Pais do deserto – Editora Vozes – 2023 – pp.66-67
 

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG