sábado, 7 de fevereiro de 2026

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Sejamos Sal e luz na planície do cotidiano (VDTCA)

                                                             

Sejamos Sal e luz na planície do cotidiano

"... quando atraímos o olhar de todos para Deus, e não para nós mesmos, é que somos sal da terra e luz do mundo."

A Liturgia do 5º Domingo do tempo Comum (Ano A) nos convida a refletir sobre o compromisso que abraçamos no dia de nosso Batismo, quando nos tornamos cristãos, discípulos missionários do Senhor.

Fazer brilhar a luz de Deus na noite do mundo, e como sal dar gosto e sentido de Deus a todo o existir, é a nossa grande missão.

Na passagem da primeira Leitura, o Profeta Isaías (Is 58,7-10), em tempos difíceis do pós-exílio, mantém viva a chama da esperança de um tempo novo, expressando a reclamação de Deus contra aqueles que praticam um culto vazio e estéril: de nada adianta a prática de leis externas, que não saem do coração, sem a necessária correspondência na vida.

O Profeta faz, portanto, um convite ao Povo para que respeite a santidade da Lei, colocando-a em prática. De modo especial, retrata na passagem o jejum, que no contexto do capítulo aparece sete vezes.

A prática do jejum deve ser feita com humildade diante de Deus, como expressão da dependência, do abandono e amor para com Ele, a renúncia a si próprio, a eliminação do egoísmo e da autossuficiência.

Jejum é voltar-se para o Senhor, manifestando a entrega confiante em Suas mãos, em total disponibilidade de acolher a ação e o dom de Deus, em gestos concretos de amor e solidariedade.

Deste modo, o jejum jamais pode ser compreendido como uma tentativa de colocar Deus do nosso lado, captando Sua benevolência a fim de que realize prontamente nossos interesses e desejos egoístas.

Somente a prática do jejum autêntico é que levará a comunidade a ser e contemplar a luz de Deus no mundo.

Reflitamos:

- Qual é a relação entre os gestos cultuais e gestos reais de nossa vida. Expressam ambos em sintonia a misericórdia e o Amor de Deus?

De que modo o que celebramos tem determinado a nossa vida?
Que matiz o Amor Divino tem dado as nossas ações?

- Somos uma luz acesa na noite do mundo, em solidariedade expressiva?
   - Somos como Isaías, Profetas do amor e servidores da reconciliação para um mundo novo justo e fraterno?

O Apóstolo Paulo, na passagem segunda Leitura (1Cor 2,1-5), nos exorta a identificação com Cristo, interiorizando a “loucura da Cruz”, que é dom e vida. Deus age através de nossa fragilidade e debilidade, como agiu através dele, um homem frágil e pouco brilhante.

Diante da comunidade de Corinto, o Apóstolo se apresentou consciente de sua fraqueza, assustado e cheio de temor.

O que levou os coríntios a abraçar a fé não foi a sedução de sua personalidade, nem suas brilhantes qualidades de pregador (que não possuía), e tão pouco a coerência de sua exposição, que ao contrário foi acolhida com ironia e indiferença.

O que levou os coríntios a aderirem à proposta de Jesus foi a força de Deus que se impõe, muito além dos limites de quem apresenta ou ouve a Sua proposta.

O Espírito de Deus está sempre presente e age no coração daquele que crê, de forma que a sabedoria humana é suplantada e, assim, somos tocados e elevados pela sabedoria divina.

É preciso que nos coloquemos sempre como humildes instrumentos nas mãos de Deus, para que se realize Seu Projeto de Salvação para o mundo todo.

Com isto, não quer dizer que Deus dispense nossa entrega, doação, técnicas, meios de comunicação, ao contrário, é o Espírito de Deus que potencia e torna eficaz a Palavra que anunciamos.

A mensagem da passagem do Evangelho (Mt 5,13-16) é o desdobramento do Sermão da Montanha que, se verdadeiramente vivido na planície, nos faz sal da terra e luz do mundo.

Seguidores do Senhor não podem se instalar na mediocridade, jamais se acomodar, mas pôr-se sempre a caminho, sem nenhuma possibilidade para comodismo e facilidades.

Ser sal e luz implica em total fidelidade dos discípulos ao programa anunciado por Jesus nas Bem-Aventuranças: ser pobre em espírito, sedento de justiça e paz, misericordioso, puro e capaz de sofrer toda forma de incompreensão, calúnia e perseguição.

Ser cristão é um compromisso sério, profético, exigente no testemunhar do Reino em ambientes adversos. 

Não se pode viver um cristianismo “morno” instalado, cômodo, reduzindo a algumas práticas de Oração e de culto (até mesmo de uma Missa apenas aos domingos, como simples expressão de preceito cumprido).

Somente somos sal da terra e luz do mundo quando:

- O nosso agir revela a ação e o compromisso com o Projeto Divino  e apresentamos Jesus como a Luz de todos os Povos, de todas as nações;

- Atraímos o olhar de todos para Deus, e não para nós mesmos.

Discípulos missionários do Senhor devem se preocupar permanentemente em não atrair sobre si o olhar de todos, mas deve, antes e sempre, se preocupar em conduzir o olhar e o coração de todos para Deus e à Proposta de Seu Reino de Amor, Vida e Paz.

Sendo sal, que jamais percamos o gosto, do contrário para nada serviremos. Sendo luz, que jamais permitamos que ela se apague, não obstante as dificuldades próprias da existência.

Que tenhamos a coragem de comunicar a luz de Deus na escuridão do cotidiano, sem jamais perder o gosto do sal de Deus: gosto da partilha, do acolhimento, da misericórdia, da caridade.  Tão somente assim a luz de Deus, que em nós habita pelo Seu Espírito, comunicará luz aos que se encontram ao nosso redor.

Sal e luz, sejamos sempre! Sermão da Montanha ouvido e acolhido, na planície da vida anunciado, testemunhado e corajosamente vivido. Amém!  

Em poucas palavras... (VDTCA)

                                                          


As Obras de Misericórdia 

Na fidelidade a Jesus e ao Evangelho, é preciso viver as Obras de Misericórdia: 

- Corporais (dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos); 

- Espirituais (aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as fraquezas do próximo, rezar a Deus pelos vivos e defuntos).

 

Em poucas palavras... (VDTCA)

 


Evangelizar é missão de todos nós

“ «Cristo [...] realiza a sua missão profética não só através da hierarquia [...], mas também por meio dos leigos. Para isso os constituiu testemunhas, e lhes concedeu o sentido da fé e a graça da Palavra» (1):

«Ensinar alguém, para o trazer à fé, [...] é dever de todo o pregador e, mesmo, de todo o crente» (2).” (3)

(1) II Concílio do Vaticano, Const. dogm. Lumen Gentium, 35: AAS 57 (1965) 40.

(2)São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 3 q. 71, a. 4, ad 3: Ed. Leon. 12, 124.

(3)Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 904

Em poucas palavras... (VDTCA)

                                         


Jesus,  o homem perfeito

“Em toda a sua vida, Jesus mostra-Se como nosso modelo (Rm 15,5; Fl 2,5): é «o homem perfeito» (Gaudium et spes n.38), que nos convida a tornarmo-nos seus discípulos e a segui-Lo; com a sua humilhação, deu-nos um exemplo a imitar (Jo 13,15); com a Sua oração, convida-nos à oração (Lc 11,1); com a Sua pobreza, incita-nos a aceitar livremente o despojamento e as perseguições (Mt 5,11-12).” (1)

  

(1)        Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.520 

Bem-Aventuranças e Santidade (VDTCA)

 


Bem-Aventuranças e Santidade
 
Senhor, nesta Montanha Santa, sento-me aos Vossos pés para aprender convosco, Sublime Mestre, o caminho para a felicidade, sonho e desejo de toda pessoa, cultivado no mais profundo de nosso ser (cf. Mt 5,13-16)
 
Aprendo convosco que a felicidade é, na exata medida, o caminho da santidade, o caminho das Bem-Aventuranças, que ao mesmo tempo  nos fascina e angustia, porque exige de nós renúncia e coragem.
 
Senhor, quero viver as Bem-Aventuranças, fazer delas um projeto de vida, mais que um santo propósito, um caminho a ser trilhado, com suas exigências. Que eu seja pobre, manso, misericordioso, pacificador.
 
Fixo meu olhar em Vós, Senhor, que não apenas anunciastes, mas praticastes de forma perfeita e plena as Bem-Aventuranças, com amor, um amor total ao Pai, com a unção do Espírito, e no-las ensinou.
 
Vós que fostes tão pobre, que nascestes numa estrebaria; tão manso, que Vos propusestes como modelo desta virtude (cf. Mt 11,29; 21,5); tão misericordioso, que pudestes afirmar: “Quero misericórdia e não sacrifício” (Mt 9,13; cf. Os 6,6).
 
Vós que fostes tão pacificador, que Vos tornastes “a nossa paz”’ (Ef 2,14); tão puro de coração, tão orientado para Deus totalmente e sempre, que pudestes afirmar: “O meu Alimento é fazer a vontade d’Aquele que me enviou e realizar a Sua obra!” (Jo 4,34).
 
Vós que fostes tão perseguido, que acabastes por morrer mártir, e muito mais que mártir, derramastes no alto da Cruz, do coração transpassado, a Água que nos renova e o Sangue que nos redime – “Mas um dos soldados transpassou-lhe o lado com a lança e imediatamente saiu Sangue e Água” (Jo 19,34).
 
Senhor, acolho Vossas Palavras nesta Santa Montanha, como fonte de graça, com o firme propósito de vivê-las na planície do cotidiano, fazendo da mensagem das Bem-Aventuranças o caminho em direção à santidade. 
 
Alimentado e nutrido pelos Vossos Sacramentos, que nos unem à Sua Pessoa e à Sua obra, de modo especialíssimo no Santo Banquete da Eucaristia, vivendo a vocação à santidade que é para todos os membros de vossa diletíssima Igreja. Amém.
 
 
 
PS: Fonte inspiradora - Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – 2010 -pp. 928-927.

PS: Passagens do Evangelho - (Lc 6,17.20-26; Mt 5,1-12)

A suavidade da sincera caridade (VDTCA)

                                                                 

A suavidade da sincera caridade

Para a reflexão da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,13-16), acolhamos o Sermão escrito por São Cesário de Arles (séc. V).

“O bem-aventurado patriarca José, movido pela suavidade de uma sincera caridade, tratou de repelir, com a graça de Deus, de seu coração, o veneno da inveja, da qual sabia estar infeccionado o coração de seus irmãos.

Portanto, ao povo cristão não lhe é lícito estar cioso, não lhe está permitido invejar, apoiando-se na humildade eleva-se ao cume da virtude.

Escuta o bem-aventurado Apóstolo João em sua Carta: Aquele que odeia ao seu irmão é um homicida; e novamente: Quem diz que está na luz e abomina ao seu irmão ainda está nas trevas, caminha nas trevas, e não sabe aonde via, porque as trevas cegaram os seus olhos.

Aquele que abomina, diz, ao seu irmão, caminha nas trevas e não sabe aonde vai; pois sem perceber desce ao inferno e, como cego que é, precipita-se na pena, apartando-se da luz de Cristo que nos admoesta e nos diz: Eu sou a luz do mundo, e aquele que crê em mim não caminha nas trevas, mas terá luz da vida.

De fato, como vai possuir a paz do Senhor ou a caridade o que, dominado pelos ciúmes, é incapaz de permanecer na paz e segurança?

Quanto a nós, irmãos, fujamos, com a graça de Deus, da peçonha dos ciúmes e da inveja, e levemos a suavidade da caridade para nossas relações não só com os bons, mas também com os maus; assim Cristo não nos reprovará pelo pecado da inveja, antes nos felicitará e nos convidará ao prêmio dizendo-nos: Vinde, benditos, herdai o Reino.

Tenhamos nas mãos a Sagrada Escritura, e no espírito o pensamento do Senhor; que jamais cesse a oração contínua, e persevere sempre a operação salvadora, de maneira que, quantas vezes o inimigo se aproxime para tentar-nos, nos encontre sempre ocupados nas boas obras.

Examine, pois, cada qual a sua própria consciência, e se descobrir-se afetado pelo veneno da inveja frente à prosperidade de seu irmão, arranque de seu peito os espinhos e abrolhos, para que nele a semente do Senhor, como em campo fértil, produza um fruto multiplicado e a divina e espiritual colheita se traduza em messe fertilíssima.

Que cada um pense nas delícias do paraíso e anseie o Reino celestial, no qual Cristo somente admite aos que têm um só coração e uma só alma. Pensemos, irmãos, que ‘filhos de Deus’ somente podem ser chamados aos que trabalham pela paz, conforme o que está escrito: 
Nisto conhecerão que sois meus discípulos: em que vos ameis uns aos outros.

Que o piedoso Senhor vos conduza sob a proteção e pelo caminho das boas obras a este amor. A Ele a honra e a glória juntamente com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.” (1)

Como discípulos missionários do Senhor, devemos aspirar alcançar o cume da virtude, movidos pela sincera caridade, repelindo de nossa mente e coração todo sentimento de inveja ou ciúmes.

Isto é possível quando a vigilância permanente é acompanhada da oração, tendo nas mãos e no coração a Sagrada Escritura, empenhados em realizar as boas obras que somos chamados a multiplicar todos os dias, na realização da vontade de Deus, assim na terra como no céu.

Deste modo, arrancaremos de nosso peito os espinhos e abrolhos, para que, como falou São Cesário, “nele a semente do Senhor, como em campo fértil, produza um fruto multiplicado e a divina e espiritual colheita se traduza em messe fertilíssima”.

Oremos:

Ó Deus que alcancemos o cume da virtude, movidos pela suavidade da sincera caridade, assistidos por Vós e iluminados e libertos por Vossa Santa Palavra, expulsemos de dentro de nós todo sentimento de ciúme e inveja, e deles livres, sejamos sal e luz, instrumentos de boas obras, levando muitos a Vos glorificar pelos séculos dos séculos. Amém.

(1) Lecionário Patrístico Dominical –Editora Vozes – 2013 - pp.131-132

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG