segunda-feira, 13 de abril de 2026

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Vivamos segundo o Espírito

                                                                                   

                                     Vivamos segundo o Espírito

A Liturgia da 2ª segunda-feira da Páscoa nos apresenta a passagem do Evangelho que retrata a conversa de Jesus com o fariseu chamado Nicodemos, o príncipe dos judeus (Jo 3,1-8).

Vemos a preocupação do Evangelista em apresentar uma nova oposição entre o velho e o novo, sobre a condição do homem diante de Deus.

O homem velho é o homem do Antigo Testamento, o homem que vive segundo a lei, escravo do pecado e da morte e, portanto, vive segundo a carne.

O homem velho que se deixa guiar pelos sentimentos inferiores, como o egoísmo, individualismo, buscando apenas os seus interesses, com sentimentos de insensibilidade diante do sofrimento do outro, de modo que gestos de solidariedade não são concebíveis.

Com facilidade transforma o outro em objeto para a satisfação de seus instintos e de sua maldade.

O homem novo, entretanto, é o homem que participa da Nova Aliança, tornando-se um cidadão do Reino de Deus, e tem a vida movida segundo o Espírito.

E assim, não é mais movido segundo a lei, mas segundo a luz do Novo Mandamento do Amor.

Deste modo, não é mais escravo do pecado e, como filho de Deus, é livre e vive segundo a graça e não é mais prisioneiro da morte, porque tem a Vida Nova em Cristo, lembrando o que Paulo também afirmará: “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5,1).

Tendo a vida marcada pelo amor, estabelece vínculos de comunhão e de fraternidade, firma os passos num caminho de humanização, abrindo o coração e a mente para que Deus possa agir.

Na participação da construção do Reino Deus inaugurado por Jesus é necessário que se renasça do Espírito, fazendo renascer uma nova humanidade.

Nascendo de novo e vivendo segundo o Espírito, nos enriquecemos com os frutos da Ressurreição, e testemunhamos no mundo uma fé verdadeiramente Pascal, onde o medo cede lugar à coragem, a tristeza à alegria, o desânimo à esperança, a imobilidade e letargia ao dinamismo e prontidão da missão, a escuridão à luz, as gélidas relações entre as pessoas em relações mais humanas e fraternas, a  noite escura da alma cede lugar ao esplendor da madrugada da Ressurreição. 

Enfim, 
a morte cede lugar à vida. 
É Páscoa! 
Aleluia!

Em poucas palavras...

                                            


Jesus, rosto radiante da misericórdia de Deus

“Sobre nós permanecem pousados os olhos misericordiosos da Santa Mãe de Deus. Ela é a primeira que abre a procissão e nos acompanha no testemunho do amor.

A Mãe da Misericórdia reúne a todos sob a proteção do seu manto, como a quis frequentemente representar a arte.

Confiemos na sua ajuda materna e sigamos a indicação perene que nos dá de olhar para Jesus, rosto radiante da misericórdia de Deus.” (1)

  

(1) Parágrafo n 22 - Carta Misericórdia et mísera - Papa Francisco

A Palavra, a Ceia e o seguimento...

                                              


A Palavra, a Ceia e o seguimento...


Quando na Palavra cremos,
as redes do nosso coração ficam cheias.

Quando o Senhor conosco parte e reparte o Pão
Alegra-se nossa alma, refazem-se as nossas fibras,
Sangue novo jorra nas veias de nosso coração.

E, assim, amor professado e renovado,
Quem será capaz de impedir o ardor na missão?

A presença do Ressuscitado, ontem e hoje, é a comunicação da paz, do “shalom”, da plenitude de todos os dons para que vivamos a missão sem medo, desânimo, lentidão, omissão.

Nada pode impedir a manifestação do Ressuscitado, e como o Pai O Enviou, Ele nos comunica o Seu Espírito para levarmos adiante a Sua missão (Jo 20,19-31).

Como não sentirmos Sua presença caminhando e falando conosco Sua Palavra, fazendo arder nossos corações?

Como não abrir nossos olhos e não O reconhecermos no partir do Pão, na vivência da comunhão, do amor fraterno, da partilha?

Como ouvir Sua Palavra e não lançarmos as redes exatamente onde Ele manda, para que a noite de nossos fracassos se torne uma pesca abundante (Jo 21, 1-19)?

Como não oferecermos a Ele o melhor de nós, os frutos de nosso trabalho, o pouco ou muito que tenhamos, em cada Banquete Eucarístico, para que o milagre do amor e da partilha leve à superação de toda forma de dor, sofrimento, miséria, tornando a vida mais bela e Pascal?

Como não responder sim, como Pedro o fez três vezes quando Ele o interrogou se O amava mais do que todos, para com fidelidade, coragem e muito amor conduzir a barca, a Igreja de Cristo, não mais pescando peixes, mas resgatando a humanidade do mar da escravidão, do egoísmo, do sofrimento e da morte.

É Tempo Pascal e, somente na atenta escuta à Sua Palavra é que nossas Eucaristias farão o vínculo mais estreito e desejável entre a fé e a vida, para fidelidade incondicional no seguimento.

Fidelidade na cruz, alegria na glória alcançada. Combatendo o bom combate da fé, completando nossa corrida, como nos falou o Apóstolo (2Tm 4, 1-8) é que alcançaremos a coroa da glória.

No encontro com o Senhor:

-  a confiança se renova e frutifica, pois cremos em Sua palavra.

-  a familiaridade da ceia no Pão partilhado nos nutre e nos inebria.

- o coração inflamado de amor, febris de amor nos pomos alegremente em missão.

Façamos nossas as palavras do Salmista:“Maravilhas fez e faz conosco o Senhor, exultemos de alegria!”  (Sl 125):

Cremos no Mistério da Páscoa, 
da Ressurreição do Senhor, em cada novo amanhecer.
Aprendamos com Pedro, o discípulo amado,
e tantos que deram testemunhos da fé,
febris de amor sejamos, para que jamais nos sintamos
enfraquecidos a ponto de não dar a razão de nossa esperança.
Aleluia!  

Medos paralisantes?! Jamais!

                                                     

                                                              

Medos paralisantes?!

Jamais!


Medos que nos submetem à inércia.

Medos que nos fazem inoperantes,

Longe daquilo que mais ansiamos: a própria liberdade,

Por falta de objetivos, submersos na mediocridade.

 

Medos paralisantes?!

Jamais!


Medo do congelamento da ética e dos bons princípios,

Que faz sucumbir vorazmente humanidade e planeta.

Medo que rarefaz as mais belas utopias;

Que faz naufragar belos sonhos e fantasias.

 

Medos paralisantes?!

Jamais!


Medos mórbidos que enfraquecem a luta.

Medos sórdidos que fazem perder o brilho da alma.

Medos que nos apequenam e nos fazem decrépitos.

Medos a serem vencidos, se formos intrépidos.

 

Medos paralisantes?!

Jamais!


Medos que desde o ventre nos acompanham,

Enfrentados, cotidianamente, permitem crescimento,

Com a virtude da fé, divina virtude por Deus concedida,

Exorciza o que nos paralisa, tornando bela a vida.

 

Medos paralisantes?!

Jamais!


Medos existem para serem enfrentados.

Se presente a virtude da fé, última palavra, medo, não será!

Se presente a esperança, mais do que superável;

Concretiza-se a caridade mais que desejável: indispensável!

 

Medos paralisantes?!

Jamais!

Com Ele a Palavra, a última Palavra:

“Não tenhais medo!”

(Mt 10,26-33). 



PS: apropriado para reflexão da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 10, 24-33; Mt 14,22-33; Mc 4,35-41; Lc 21,5-19; Jo 6,16-21; Jo 20,19-31) 

Pássaro solitário

                                          

Pássaro solitário

“Espere no Senhor. Seja forte! Coragem!
Espere no Senhor.”
(Sl 27,14)

Como que sem vontade de voar,
Olhar fixo no horizonte do nada,
Por algum tempo, um pássaro ali parado.
E meu olhar fixo nele, à distância

Não queria que ele voasse.
Não por mais um instante.
Aquela solidão, um céu cinza de fundo,
Reportam à solidão de muitos,

Que também fixam o olhar
No horizonte do nada,
Sem mais esperança alguma:
Por que resistir? Melhor se entregar...

A solidão e o pássaro imóvel,
Um breve instante que soou como uma eternidade.
Assim, por vezes, alguém pode se sentir.
Mas é preciso bater asas,

Crer que o céu para sempre cinza, não ficará.
Mais cedo ou mais tarde, voltará o azul,
E também os voos em busca do melhor.
Forças revigoradas, asas bater, voar...

O pássaro e o cinza do céu,
Cenário do cotidiano que me fez pensar:
Se preciso, pousar e silenciar,
Ainda que por um instante.

Se dos olhos tristes lágrimas verterem,
Que não seja expressão de esforços em vão;
De ações multiplicadas inúteis e desgastantes.

O cinza do céu, apenas uma passagem,
Que na vida de todos presente pode estar,
Mas não para sempre, assim cremos.

Viver sem perder a fé e a esperança,
virtudes que se cultivam no coração,
de mãos dadas com a virtude maior:

O amor necessariamente renovado,
Novos céus há que se esperar e buscar...

A solidão e a aparente tristeza do pássaro,
O cinza do céu, o silêncio
O recolhimento, a oração...

Voemos nas asas do Espírito,
Que renova nossas forças,
Comunica graça e paz,

E derrama, copiosamente, o amor divino;
para voos mais altos e para o eterno,
Haveremos de, incansavelmente, buscar.

Amém. Aleluia! Aleluia!

Misericórdia, Senhor!

                                                        

Misericórdia, Senhor!

Ao celebrar o 2º Domingo da Páscoa, retomamos as palavras do Papa São João Paulo II, no dia 30 de abril de 2000, quando canonizou Santa Faustina:

“É importante, então, que acolhamos inteiramente a mensagem que nos vem da Palavra de Deus neste segundo Domingo de Páscoa, que de agora em diante na Igreja inteira tomará o nome de ‘Domingo da Divina Misericórdia’”.

Ato de consagração do destino do mundo à Misericórdia Divina
(Papa São João Paulo II)

“Deus, Pai misericordioso que revelaste o Teu amor no Teu Filho Jesus Cristo e O derramaste sobre nós no Espírito Santo, Consolador; confiamos-Te hoje o destino do mundo e de cada homem.

Inclina-Te sobre nós, pecadores; cura a nossa debilidade, vence o mal e faz com que todos os habitantes da terra conheçam a tua misericórdia para que em Ti, Deus Uno e Trino encontrem sempre a esperança.

Pai eterno, pela dolorosa Paixão e Ressurreição do Teu Filho, tem misericórdia de nós e do mundo inteiro. Amém!”

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