quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Um hino de louvor a Deus

                                                 

Um hino de louvor a Deus 

Na passagem da Carta de Paulo aos Romanos (Rm 11,33-36), o Apóstolo eleva a Deus um hino de louvor; faz uma exaltação do desígnio salvador de Deus, que possui toda riqueza, sabedoria e ciência (v.33): 

“Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Como são inescrutáveis os seus juízos e impenetráveis os seus caminhos! De fato, quem conheceu o pensamento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem se antecipou em dar-lhe alguma coisa, de maneira a ter direito a uma retribuição? Na verdade, tudo é dele, por ele, e para ele. A ele, a glória para sempre. Amém!” (1)

Como o Apóstolo, fiquemos abismados diante de Deus e nos entreguemos com toda a confiança em Suas mãos, acolhendo humildemente Sua Palavra e seguindo, com simplicidade e amor, o caminho que Ele nos propõe.

Mergulhemos na infinita grandeza de Deus, na contemplação de Seu Mistério, precedido pela reflexão e reconhecimento de Sua riqueza, sabedoria e ciência.

Deste modo, veremos a Deus não como um concorrente, mas como um Pai cheio de amor, afastando de nós toda autossuficiência, autorreferencialidade e orgulho.

Correspondamos, em todo o tempo,  com gratidão, aos tantos dons com os quais Deus nos enriquece, e a Ele glorifiquemos, por meio do Seu Filho, em comunhão com o Seu Espírito. Amém.


(1) Leitura breve das Vésperas do quarto sábado do Tempo Comum

Confesso...

                                                            

Confesso...
“Confessai, pois, uns aos
outros os vossos pecados” (Tg 5,16)

Quando fico sozinho com meu mal, fico totalmente só, apesar da devoção e oração comum, apesar de toda comunhão no servir.

É possível que eu não sinta romper aquela última barreira que nos separa da comunhão, porque vivemos juntos como pessoas crentes e piedosas, e não como pessoas descrentes e pecadoras.

A comunhão piedosa não permite que eu me sinta pecador, por isto preciso esconder o pecado de mim mesmo e da comunidade.

É inimaginável o pavor que sentiria, como cristão piedoso, se visse aparecer de repente um pecador de verdade diante de mim. Contento-me em ficar sozinho com meu pecado, na mentira, na hipocrisia.

Tenho dificuldade de compreender a Sagrada Escritura quando diz: “Tu és pecador, um grande pecador incurável; e agora, como pecador que tu és, chega-te a teu Deus que te ama. Ele te quer tal como és. Não quer nada de ti, nem sacrifício nem obra. Ele quer a ti somente. ‘Meu filho, dá-me o teu coração” (Pv 23,26).

Mas Deus veio a mim para me salvar, porque pecador sou. Diante de Deus não posso me ocultar. Diante d’Ele, nada vale a máscara que uso perante as pessoas.

Deus quer ver-me assim como sou, quer ser misericordioso comigo. Já não tenho necessidade de mentir para mim mesmo nem para o irmão, como se não tivesse pecado: sou pecador e agradeço a Deus por isso, pois Ele ama o pecador, mas odeia o pecado.

Cristo tornou-se nosso irmão na carne, para que crêssemos n’Ele. N’Ele veio o amor de Deus ao pecador: a miséria do pecador e a misericórdia de Deus – eis a verdade do Evangelho de Jesus Cristo.

Por esta razão autorizou os seus a ouvir a confissão dos pecados e a perdoá-los em Seu nome: “Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; aqueles aos quais retiverdes ser-lhes-ão retidos” (Jo 20,23).

O irmão-ministro que perdoa está no lugar de Cristo e perante ele já não preciso fingir. Perante ele, e mais ninguém no mundo, posso ser o pecador que sou, pois neste momento reina, de modo sublime, a verdade de Jesus e Sua misericórdia.

Cristo tornou-se nosso irmão para nos ajudar; e agora o irmão se tornou um Cristo, age “in persona Christi”, no poder de sua missão.
O irmão está diante de mim como o sinal da verdade e da graça de Deus: ajuda-me, ouve minha confissão em lugar de Cristo e em lugar d’Ele me perdoa; guarda o segredo de confissão tão bem como Deus o guarda. Assim, quando me confesso ao irmão, confesso-me a Deus.

Na confissão que faço acontecem irrompimentos:

a) o irrompimento (reconstrução, resgate, restauração) da comunhão: o pecado queria ficar a sós comigo para me afastar da comunhão, pois quanto mais solitário a pessoa o for, mais destruidor será o poder do pecado em sua vida, e quanto mais profundo o envolvimento com o pecado, mais desesperadora se torna a solidão. Assim é o pecado, faz questão de permanecer no anonimato, por isto teme a luz. Na confissão, à luz do Evangelho, sinto irromper nas trevas e no fechamento do coração. Todas as coisas ocultas que tinha, agora ficam manifestas. O pecado uma vez expresso e confessado, já não tem poder, pois foi manifesto como pecado e julgado como tal, e já não tem o poder de dilacerar a comunhão. Sinto que o mal foi tirado e agora me encontro na comunhão dos pecadores que vivem na graça de Deus, e sinto que reencontrei a comunhão justamente na confissão.

b) o irrompimento para a cruz (abertura, aceitação): sendo a soberba a raiz de todo pecado, quero viver para mim mesmo, tendo direito a mim mesmo, a meu ódio e minha cobiça, minha vida e minha morte. A confissão a um irmão é a mais profunda humilhação, pois machuca, torna-me pequeno, abate a soberba horrivelmente. Por esta humilhação ser tão amarga, creio que posso evitar a confissão diante do irmão.

Mas foi o próprio Jesus Cristo que sofreu publicamente em nosso lugar a morte vergonhosa do pecador. Não Se envergonhou de ser crucificado como malfeitor. E nesta Cruz temos a destruição de toda soberba; na confissão sinto irromper a autêntica comunhão da Cruz de Jesus Cristo e nela aceito a minha cruz.

Experimento na confissão a Cruz de Cristo como salvação e bem-aventurança. Morre em mim o homem velho, tenho parte na Ressurreição de Cristo e na vida eterna.

c) o irrompimento (inauguração) para a nova vida: “Passaram-se as coisas antigas; eis que se fez uma realidade nova” (2 Cor 5,17). Pela confissão sinto que Cristo fez um novo começo. Ao confessar entrego tudo para seguir o Senhor como fizeram os primeiros discípulos. A partir deste momento alcanço vitória sobre vitória, e na confissão, renova-se o que aconteceu no dia do Batismo: fui salvo das trevas para o Reino de Jesus Cristo. Sinto-me envolvido por uma mensagem de imensa alegria. Sinto que a confissão é a renovação da alegria batismal –“De tarde vem o pranto nos visitar, de manhã gritos de alegria vem nos saudar” (Sl 30,6).

d) o irrompimento (abertura) para a certeza: Muitas vezes me parece mais fácil confessar perante Deus do que diante de um irmão; é que Deus é santo e sem pecado e o irmão pecador como eu, conhece tanto quanto eu a noite do pecado secreto por experiência própria. Muitas vezes vivo na auto-absolvição e não na real absolvição dos pecados; a primeira não leva o rompimento com o pecado. Na presença do irmão, o pecado deve vir à luz. Deste modo a confissão dos pecados ao irmão é graça. Quando ouço o irmão dizer “Eu te absolvo”, sinto que a confissão foi feita e pela absolvição dada pelo Senhor tenho a certeza do perdão divino.

Concluindo: numa confissão bem feita sinto a oferta da graça, da ajuda divina a mim que sou um pecador. Sinto que a confissão é um ato em nome de Cristo, completo em si mesmo, sendo praticado na comunidade, sempre que exista sincero desejo.

Reconciliado com Deus e com as pessoas, quero receber o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, lembrando as Palavras do Senhor, segundo as quais não posso me apresentar diante do Altar se o coração não estiver reconciliado com o irmão. Esta ordem se aplica a cada culto, a cada oração e muito mais para a autêntica participação da Santa Ceia do Senhor.

Para participar da Ceia do Senhor devo afastar de mim toda ira, discórdia, inveja, conversa maliciosa e atitudes desleais, uma vez que, a Celebração da Eucaristia é festa para a comunidade cristã da qual faço parte.

Reconciliada no coração com Deus e com os irmãos, a comunidade recebe a dádiva do Corpo e Sangue de Jesus Cristo, e nela, o perdão, a nova vida e a Bem-Aventurança, expressão da comunhão cristã. Por ora, unidos no Corpo e Sangue na Mesa do Senhor.

  
PS: Livre Adaptação do Texto “Vida em Comunhão” (D. Bonhoeffer). 

Antes que o sol se ponha...

 


Antes que o sol se ponha...

Que a esperança jamais se ponha
Antes que o sol se ponha atrás da montanha,
cerro meus ouvidos aos que bradam o fim da história,
que não há esperança alguma no horizonte da humanidade,
ou que em estéril saudosismo, dizem que nada é mais como antes.
 
Cerrados sejam também para os que semeiam dogmatismos,
Fundamentalismos, sectarismos que criam muros, insanas divisões.
Seja nos espaços reais do convivência cotidiana,
Seja nos espaços virtuais que semeiam discórdias e violência.
 
O sol se porá, inevitavelmente, como todos os dias,
O véu da escuridão cobrirá mais uma vez a Terra.
E, na espera dos raios sol em nova aurora,
Peço as luzes de quem tem algo salutar a dizer.
 
Quero ouvir os que me fazem crer no novo humanismo;
que não poupam esforços para não incorrermos em barbáries,
porque se não vigilantes, ela é sempre possível,
e não podemos recuar jamais nos avanços históricos alcançados.
 
Recolhido na espera dos primeiros raios de um novo dia,
Releio, reflito e compartilho com pessoas de boa vontade,
Palavras que nos fazem reacender a esperança de um novo tempo,
Porque a fé também assim exige, expressa em fecunda caridade:
 
“Ser humanista doravante não é apenas pensar que os perigos, as incertezas e as crises (entre as quais a da democracia, a do pensamento político, a provocada pela explosão do lucro, a da biosfera e a multidimensional da pandemia) nos uniram numa comunhão de destinos.

Ser humanista não é apenas saber que somos todos humanos semelhantes e diferentes, não é apenas querer escapar das catástrofes e aspirar um mundo melhor.Ser humanista é também sentir intimamente que cada um de nós é um momento efêmero de uma aventura extraordinária, a aventura da vida que deu origem à aventura humana, que, ao longo das criações, tormentos e desastres, chegou a uma crise gigantesca, na qual está em jogo o destino da espécie.

O humanismo regenerado, não é apenas o sentimento de comunidade humana, de solidariedade humana, é também o sentimento de estar no interior dessa aventura desconhecida e incrível, e desejar que ela continue em direção a uma metamorfose, da qual nascerá um novo devir.” (1)Sigamos em frente... que o sol se ponha,

Mas jamais se ponha com ele a esperança.
Renovam-se as forças, novas linhas escrever,
O inédito do melhor nos desafia... Amém.
  
 
(1)
 Lições de um século de vida - Edgar Morin – Bertrand Brasil – p. 86.88

“Tudo é vaidade”

                                                      

 “Tudo é vaidade”

“Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade” (Ecl 1,2)

Reflexão à luz à luz da passagem do Livro do Eclesiastes (Ecl 1,2-11) sobre o tema da vaidade.

O autor do Livro, por seu caráter sapiencial, convida-nos a rever nosso modo de pensar e conduta, questionando nossas falsas seguranças e saberes:

“Não é um Livro onde se vão procurar respostas, mas onde se denuncia o fracasso da sabedoria tradicional e onde ecoa o grito de angústia de uma humanidade ferida e perdida, que não compreende a razão de viver”. (1)

A mensagem é explícita: somente Deus dá sentido à nossa existência. A vida somente pelos bens materiais conduz à falência, quem vive por si e para si não encontra saída e sentido para sua vida.

Deste modo, ninguém deve se deixar levar pelas paixões e ilusões perniciosas, porque é vã tanta atividade febril, pois tudo se move, tudo passa, tudo flui sobre a face imóvel da terra, uma vã agitação, sem finalidade, que a nada leva, ou seja, um movimento pendular que recomeça continuamente. (1)

É preciso colher com simplicidade e medida os bens que a vida oferece, de modo que precisamos aprender a nos contentar com o justo meio termo, sem que corramos inutilmente a procura de uma felicidade inatingível. (2)

É preciso o humilde reconhecimento de nossa impotência diante da onipotência divina, que se manifesta como misericórdia, amor, bondade, alegria, vida e paz.

Não podemos colocar a nossa esperança em coisas falíveis e passageiras: “A nossa caminhada nesta terra está, na verdade, cheia de limitações, de desilusões, de imperfeições; mas nós sabemos que esta vida caminha para a sua realização plena, para a vida eterna: só aí encontraremos o sentido pleno do nosso ser e da nossa existência”. (3)

Somente assim compreenderemos a Páscoa de Cristo: “Jesus foi ao fundo da vaidade do homem para nos abrir à esperança de Deus. Celebrando a Eucaristia, celebramos a liberdade trazida por Deus à humanidade, não obstante os determinismos e ‘necessidades’ do mundo, abrindo-a à vida sem fim” (4).

Oremos:

Livrai-nos Senhor de toda a vaidade, a fim de não enveredarmos por caminhos que nos distancie de vós, a fim de que não corramos inutilmente atrás de enganos, absurdos, cujo preço é o tédio e o desencontro conosco mesmos.

Fortalecei nossos passos no seguimento dos vossos, despidos de toda ambição desmedida, vivendo na simplicidade e humildade, tendo tão somente Vós como nossa maior riqueza, e assim revigorados na missão de discípulos missionários, como Igreja, a serviço do Reino, sob a ação e assistência de Vosso Espírito. Amém…




(1) (2) cf. Missal Cotidiano – Editora Paulus – p. 1308-1309
(3) (4) cf. www.dehonianos.org.br 

O caminho da fé

                                                       

                                           O caminho da fé

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 9,7-9), em que Herodes manifesta o desejo de ver Jesus – “‘Quem é esse, portanto, de quem ouço tais coisas?’ E queria vê-Lo” (v.9).
 
Assim, lemos no Lecionário Comentado:
 
“Aquilo que se diz que Ele faz e prega precisa de uma explicação. Por isso Herodes deseja vê-Lo, para ficar com uma ideia acerca d’Ele. Mas, para compreender quem é Jesus não basta falar com Ele ou ver as Suas obras, sem que isso dê em discussão. O único meio para O conhecer é o da fé.” (1)
  
De fato, o único caminho para conhecermos Jesus é o caminho da fé, que nos leva, necessariamente, a uma comunidade concreta, a Sua Igreja, onde Ele Se deixa encontrar. E, de fato, não era este o propósito de Herodes.
 
Deste modo, o caminho da fé:
 
- Nos faz participantes de uma comunidade, onde amadurecemos na prática da caridade, reavivamos a esperança de um novo céu e uma nova terra;
 
- Autenticamente vivenciado, é imprescindível, para que sejamos uma Igreja Sinodal, caminhando juntos, na alegria e na tristeza, na angústia e esperança, em plena fidelidade a Jesus, fortalecendo os vínculos de comunhão fraterna, participação ativa, afetiva e consciente, na expressão da missão assumida com alegria e ardor;
 
- Não se separa da celebração da Eucaristia, porque da Mesa da Palavra participamos, para ouvi-la e colocá-la em prática no dia a dia, nutridos e fortalecidos pelo Pão da Eucaristia, na segunda mesa, que não se separa da primeira, nutridos pelo Corpo e Sangue de Cristo, verdadeira Comida, verdadeira Bebida;
 
- Alarga o horizonte de compromissos com a vida, desde sua concepção até seu declínio natural, e com a nossa Casa Comum, a fim de que todos tenham vida, e a tenham plenamente (Jo 10,10).
 
Na espera do Senhor Jesus, que virá em Sua glória nos julgar a todos nós, sejamos conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças (Mt 5,1-12) na prática da misericórdia (Mt 25,31-46), bem como nos falou São João da Cruz (séc. XVI): “No entardecer de nossa vida seremos julgados pelo amor”.


 
(1)Lecionário Comentado – Tempo Comum – Volume II - Editora Paulus – Lisboa – 2011 – p.421

Correspondamos ao Amor de Deus!

                                                           

Correspondamos ao Amor de Deus!

Exigências no seguimento de Jesus...

Na Missa da quarta Sexta-feira do Tempo comum (ano ímpar) é proclamada a passagem de Hebreus (Hb 13, 1-8), e do Evangelho de Marcos (Mc 6,14-29), em que nos é apresentado o martírio de João Batista em tramas de um banquete de morte, que se opõe absolutamente ao Banquete de Jesus, o Banquete da Vida.

Cremos que “Jesus é o mesmo, ontem, hoje e por toda a eternidade” (Hb 13,8), e nos acompanha vivo e Ressuscitado, enquanto aguardamos Sua vinda gloriosa!

Na fidelidade ao Senhor, partícipes do Seu Banquete, ao contrário do banquete de Herodes, urge que perseveremos no amor fraterno, pois este tem primazia sobre tudo, porque é a essência do cristianismo.

Há um caminho a percorrer, e não há porque recuar e esforços por fazer para viver o acolhimento mútuo na comunidade e além de suas fronteiras, sendo mais acolhedores, fraternos. 

A solidariedade sempre seja expressa na ajuda mútua, de modo que exercida para com o outro é feita ao próprio Deus (Mt 25 e o julgamento final) com quem quis se identificar e fazer presença;

A santidade matrimonial também é uma exortação do autor da Epístola. Fidelidade, família como santuário da vida, espaço do aprendizado dos princípios e valores da fé... Escola de inesquecíveis e imprescindíveis aprendizados; eliminação de toda forma de imoralidade e adultério...

A vida simples, sem avareza, materialismos, consumismos – “Que o amor ao dinheiro não inspire a vossa conduta. Contentai-vos com o que tendes”.

A confiança no amor e presença divina. É próprio do amor de Deus jamais nos abandonar – “Eu nunca te deixarei, jamais te abandonarei”, de modo que podemos dizer – “O Senhor é meu auxílio, jamais temerei; que poderá fazer-me o homem?”, ou como o Salmista dizer “O Senhor é minha luz e salvação, a quem temerei?”;

Imitar aqueles que nos antecederam na fé no que eles deixaram de bom, seguindo as pegadas de pessoas que deixaram santos rastros luminosos. Quantas pessoas temos na memória e no coração, já não mais ao nosso lado, mas no mais profundo de nós, na comunhão dos santos, em saudosa e fecunda lembrança...

A coragem, a confiança, a coerência de João Batista são outras qualidades invejáveis que devem nos iluminar na fidelidade a Jesus. João não se curvou aos interesses de Herodes e sua corte. Prevaleceu a fidelidade aos preceitos divinos, a fidelidade à Aliança... Foi decapitado, mas sem trair a Lei Divina.

João Batista é sempre um exemplo admirável e encorajador, para que também firmemos nossos passos na missão de discípulos missionários do Senhor, sobretudo retomando nossas atividades pastorais e os compromissos com a Boa-Nova do Reino.

Renovemos também nossa fidelidade e correspondência ao amor de Deus, assumindo com coragem as exigências da missão. 

PS: Apropriado para a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 9,7-9)

“Se calarem a voz dos Profetas...”

                                                        

“Se calarem a voz dos Profetas...”
 
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 14,1-12), em que Herodes manda cortar a cabeça de João Batista, num ímpio banquete de morte.
 
“Também na morte o Batista é ‘precursor’, e Jesus o põe em relevo. Esta morte é um típico exemplar do que muitas vezes acontece no mundo: a supressão violenta dos inocentes, dos verdadeiros heróis, por parte dos seres abjetos, cobertos de prestígio e poder, e por motivos inconfessáveis: ambição, cálculo, inveja, ciúme, falsa moral...
 
Triste espetáculo é ver-se a opinião pública (os convidados) assistir impassível, se não divertida, ao fato de exatamente o honesto, que corajosamente denuncia o adultério e a expoliação, ser trucidado pelos desonestos e delinquentes.
 
Cumpre criar uma opinião pública contrária, ter a coragem de desmascarar o erro de quem julga tudo lícito, porque pode fazê-lo com franqueza.
 
João não era inimigo de Herodes e este o estimava (Mc 6,20); no entanto, por covardia, fá-lo calar para sempre. Engano! Aquele martírio jamais se calará” (1)
 
João foi o último dos Profetas, e o Precursor do Senhor, tanto do nascimento, como de sua morte, ao derramar sangue por causa da Verdade e da incondicional fidelidade à Palavra do Senhor.
 
Ontem como hoje, Deus suscita profetas para falarem em seu nome, para serem a sua divina voz a denunciar tudo quanto fira a vida, roubando-lhe a beleza e a sua sacralidade, desde sua concepção ao seu declínio natural.
 
Vozes proféticas no campo e na cidade, em defesa de princípios éticos dos quais não podemos prescindir; denúncia de tudo aquilo que fomenta o consumismo, bem como a exploração de nossa Casa Comum, a Terra; vozes que não se calam em tantas outras situações que possam ser mencionadas.
 
Renovemos a graça da vocação profética, que Deus nos concedeu no dia de nosso Batismo, para termos a coragem de João Batista, em amor e fidelidade incondicional à vontade divina.
 
Lembremos as palavras de Santo Agostinho: João é a voz no tempo; Cristo é, desde o princípio, a Palavra eterna.”
 
Um canto para finalizar: “Se calarem a voz dos profetas, as pedras falarão...”
 
 
(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.1099
PS: Proclamado no sábado do 17º sábado do Tempo Comum, e oportuno para a Celebração da Memória do Martírio de São João Batista, quando se proclama a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 6,14-29); bem como quando se proclama a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 14,1-12)
 

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