quinta-feira, 5 de novembro de 2026

A floresta de nossos sonhos

                                            


A floresta de nossos sonhos


Sonhos, quem não os tem? Ora belos, ora nem tanto assim.

Sonhos que ora nos movem, ora nos inquietam...

Se somados um aos outros, formam uma grande floresta.

Não haveria floresta sem a menor das sementes, das folhas e das  flores.

 

Viver é ter coragem de visitar a floresta de nossos sonhos.

Sonhos que podem ser simples devaneios,

Sem conexão com as marcas da realidade inserida;

Mas que, se relidos, podem alargar horizontes de medos e mesquinhez.

 

Sonhos de loucos, de esperanças vãs e insensatas,

De impossível realização, poderão dizer alguns;

Ou apenas o silêncio, palavras contidas,

Pela ausência da coragem, de uma sincera expressão.

 

Sonhos acordados de poetas nas florestas encantadas,

Enamorados pela vida, olhar transcendente,

Que colore o cinza triste de paisagens sombrias

E emprega a luminosidade para vencer o horror da escuridão.

 

Adentrar as florestas de nossos sonhos em todas as estações:

No verão, refrescar nas fontes revitalizantes da Palavra divina;

Na primavera, não desistir de contar as flores de suave perfume;

No inverno, aquecer-se na fogueira com o Fogo Divino.

 

No outono, coragem de contemplar folhas caídas,

Podas necessárias para um novo germinar, florescer,

Na certeza de que frutos não haverão de faltar:

Saborosos frutos do Espírito, Ele há de nos conceder.

 

Assim são as florestas de nossos sonhos, a serem visitadas.

Nelas, há por vezes, espaços desertificados ou ajardinados.

Dias difíceis, tempos de escuridão e secura da alma,

Outros, nutridos em “cascatas de leite e mel”. Adentremos...

Comuniquemos as Fagulhas do Amor Divino

 


Comuniquemos as Fagulhas do Amor Divino


Assim lemos no Livro dos  Provérbios:
“Como os carvões para as brasas e a lenha para o fogo, assim é o intrigante para atiçar as brigas.” (Pv 26,21)
Completamos com a Carta de Tiago:
“Assim também a língua, embora seja um membro pequeno, se gloria de grandes coisas. Comparai o tamanho da chama com o da floresta que ela incendeia!” (Tg 3,5)

Tempo de recolhimento e reflexão,
Acompanhado de meditação e contemplação;
Rever caminhos, posturas, pensamentos,
Reordenando paixões e sentimentos.
 
No livre-arbítrio por Deus a nós concedido,
Podemos comunicar fagulhas do bem ou do mal.
A responsabilidade é intransferível,
Temos que responder pelo bem ou pelo mal propagado.
 
Fundamental é lembrar, em todo o tempo,
Sobretudo em tempos de comunicação virtual,
Que ultrapassa as linhas imaginárias do alcance,
Gerando consolo e conforto ou situações evitáveis.
 
Comuniquemos as fagulhas do amor divino
Acesas pela presença do Espírito,
Que nos marcou como Seu Selo
No memorável dia de nosso batismo.
 
É tempo de comunicar as centelhas do amor divino,
Fazê-las crepitar no coração de quem se ama,
A inflamável e eterna chama do amor divino;
E, para nos despertar, toquem nas torres os sinos.
 
Tempos sombrios são os que atravessamos,
Urge multiplicar candentes pontos de fogo,
Para que novas relações floresçam entre as criaturas,
Em palavras e abraços, expressão da divina ternura.
 
É tempo de fagulhar chamas do amor e da verdade
Chamas da justiça e da paz, não ilusão, mas realidade;
A luz divina a muitos comunicar incansavelmente,
Com paixão pela vida, ousadia de chama incandescente. Amém.
 
 
 
 

Minhas reflexões no Youtube

 
Acesse:

https://www.youtube.com/c/DomOtacilioFerreiradeLacerd d brba 

Enamorado por Ti

                                                      


Enamorado por Ti

O sentido da vida encontrei quando Te encontrei, e quando me chamaste pelo nome, e não pude resistir à vibração de Tua voz, como que lançando fagulhas nas entranhas de meu coração, e as  águas do rio e do mar  não bastarão para apagar.

Desde aquele dia, enamorado por Ti fiquei, e não consigo mais sem Ti viver, por isto Te procuro e Te encontro na oração, quando num diálogo intenso e profundo, com desejo que interminável seja.

Tuas Palavras na Oração, não mais como fagulhas, mas como labaredas, aquecem o meu coração, e a “noite escura” de minha existência fica mais clara que o ápice da claridade de um dia de verão, ensolarado, com seus raios fustigantes.

Enamorado por Ti, já não preciso de fórmulas, espaço e tempo determinados para contigo falar, pois é próprio de quem ama não encontrar as palavras para exprimir o inexprimível: o verdadeiro amor.

Este enamoramento, como fogo devorador, me liberta de fórmulas, porque posso dizer como sou e o que sinto, sem rodeios e máscaras, e ainda que nada fale, Tu, que me amas com amor eterno, já sabes, porque conheces e sondas todas as coisas com Teu Espírito.

A Eterna Chama, que em mim acendeste, possibilita-me encontrar-Te, em todos os momentos: porque me amas, e porque Te amo, estás comigo aqui e agora, lá e em todo tempo, aonde quer que eu vá.

Este amor que nutres por mim, e sem o qual não posso viver, porque me fizeste para o mundo sinal do Teu amor, renovo no Banquete em que Te dás no Pão de Eternidade, Pão que alimenta, Vinho que dá alegria e vida, nos inebria, no Banquete da Eucaristia.

Discípulo missionário Teu, Senhor, sou e para sempre o serei, porque enamorado por Ti, apaixonado por Ti e pela Palavra que Tu nos anunciaste, e com o Espírito Santo que, com o suave sopro, nos concedeste, quando voltaste para o Teu Pai de Amor.

Estamos contigo!

                                             


Estamos contigo! 

"Já não vos chamo servos,
porque o servo não sabe o que seu senhor faz;
mas vos chamo amigos, 
porque tudo o que ouvi de meu Pai vos dei a conhecer." (1)

Faz tempo que não te vejo sorrir,
Há tempo não ouço tua voz.
Parece que mergulhou no aparente silêncio para sempre.
Quando voltará o sorriso e poderei te ouvir?
 
Mas tenha certeza, saberei esperar,
Porque amigos compreendem o tempo do outro,
Ainda que minha alma fique inquieta
Na espera de um sinal, tudo há de passar.
 
Por ora, fico em vigilância necessária,
Mãos para os céus suplicantes,
Na esperança de que, como o incenso,
Subam e alcancem a escuta divina.
 
Ainda que tuas dores sejam cortantes,
Não tão potentes que possam se eternizar.
Ainda que alma em dor dilacerante,
Deus, em Sua infinita bondade, a dor há de amenizar.
 
Haverá novo luminoso amanhecer,
Estou contigo, ainda que não me veja,
No recolhimento da minha oração,
O brilho em teu olhar voltará a resplandecer.
 
Estou contigo amigo, conte comigo,
Em momentos tranquilos, ou em turbulentos.
E Ele também conosco está, em todo o tempo.
Ele que nos chama não de servos, mas de amigos. Amém.
 

 

(1)  João 15,15

Em poucas palavras...

                                                  


Jesus e Sua conduta misericordiosa

“Jesus escandalizou, sobretudo, por ter identificado a Sua conduta misericordiosa para com os pecadores com a atitude do próprio Deus a respeito dos mesmos (Mt 9,13; Os 6,6).

Chegou, até, a dar a entender que, sentando-Se à mesa dos pecadores (Lc 15,1-2), os admitia no banquete messiânico (Lc 15,23-32). 

Mas foi muito particularmente ao perdoar os pecados que Jesus colocou as autoridades religiosas de Israel perante um dilema.

É que, como essas autoridades justamente dizem, apavoradas, «só Deus pode perdoar os pecados» (Mc 2, 7). 

Jesus ao perdoar os pecados, ou blasfema por ser um homem que se faz igual a Deus (Jo 5,18; 10,33), ou diz a verdade e a Sua pessoa torna então presente e revela o nome de Deus (Jo 17,6.26).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 589

 

O amor e o perdão divinos

                                                            

O amor e o perdão divinos

“Por isso, eu vos digo, haverá alegria entre
os Anjos de Deus por um só pecador que se converte”.

Um pouco mais sobre o Amor de Deus contemplo, envolvo-me:
Um amor solícito, um amor invencível.

Deus está sempre procurando obstinadamente cada um de nós,
Quão abrangente e indescritível é a Sua alegria quando nos encontra.

Sempre pronto para acolher, perdoar, reconciliar, renovar a criatura,
Obra de Sua mão, como a fina expressão de Seu sonho e Projeto.

Alegra-se com nosso retorno, com nossa fragilidade assumida,
Sem máscaras, desculpas, culpabilizações, disfarces, mentiras.

É próprio do Amor de Deus ser incondicionalmente acolhedor,
Para que sejamos melhores, aperfeiçoados, lapidados...

Expressa para conosco uma relação de amor e gratuidade,
Que não há nada e ninguém que se possa comparar.

Que a alegria transborde em nosso coração, estampada
Na expressão de nosso simples olhar, no menor gesto que façamos,

Alegria de sermos por Deus amados e perdoados, sem méritos,
Para o mesmo fazermos em relação ao próximo, sem créditos.

“O misericordioso, compassivo e amigo dos homens,
Senhor nosso Deus que tirais o pecado do mundo,

Aceitai a penitência dos Vossos servos e das Vossas servas,
E fazei resplandecer sobre eles a luz da vida eterna.

Perdoai-lhes, Senhor, todos os seus pecados,
Porque Vós sois bom e amigo dos homens.

Senhor nosso Deus, compassivo, lento para a ira,
Rico de misericórdia e justo, perdoai-me os meus pecados” . (1)



(1) “Da Liturgia Etíope” – cf. Leccionário Comentado – p. 725-726
Evangelho de Lucas  (Lc 15,1-10)

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG