quarta-feira, 22 de abril de 2026

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Temos fome do Pão do céu e da Bebida da Salvação

                                                                     

Temos fome do Pão do céu e da Bebida da Salvação

Sejamos enriquecidos pela Catequese escrita pelo Bispo São Cirilo, extraída “Das Catequeses de Jerusalém” (séc. IV), que nos fala sobre a  Eucaristia, o Pão do céu e a Bebida da Salvação.

“Na noite em que foi entregue, nosso Senhor Jesus Cristo tomou o Pão e, depois de dar graças, partiu-o e deu-o a Seus discípulos, dizendo: “Tomai e comei: isto é o meu corpo”.

Em seguida, tomando o Cálice, deu graças e disse: “Tomai e bebei: isto é o meu sangue” (cf. Mt 26,26-27; 1Cor 11,23-24). Tendo, portanto, pronunciado e dito sobre o Pão: Isto é o meu corpo, quem ousará duvidar? E tendo afirmado e dito: Isto é o meu sangue, quem se atreverá ainda a duvidar e dizer que não é o Seu sangue?

Recebamos, pois, com toda a convicção, o Corpo e o Sangue de Cristo. Porque sob a forma de Pão é o corpo que te é dado, e sob a forma de vinho, é o sangue que te é entregue. Assim, ao receberes o Corpo e o Sangue de Cristo, te transformas com Ele num só corpo e num só sangue. 

Deste modo, tendo assimilado em nossos membros o Seu corpo e o Seu sangue, tornamo-nos portadores de Cristo; tornamo-nos, como diz São Pedro, participantes da natureza divina (2Pd 1,4).

Outrora, falando aos judeus, dizia Cristo: Se não comerdes a minha carne e não beberdes o meu sangue, não tereis a vida em vós (cf. Jo 6,53). Como eles não compreenderam o sentido espiritual do que lhes era dito, afastaram-se escandalizados, julgando estarem sendo induzidos por Jesus a comer carne humana. 

Na Antiga Aliança, havia os pães da propiciação; por pertencerem ao Velho Testamento, já não mais existem. Na Nova Aliança, porém, trata-se de um Pão do céu e de um Cálice da salvação que santificam a alma e o corpo. Assim como o pão é próprio para a vida do corpo, também o Verbo é próprio para a vida da alma.

Por isso, não consideres o Pão e o Vinho eucarísticos como se fossem elementos simples e vulgares. São realmente o Corpo e o Sangue de Cristo, segundo a afirmativa do Senhor. 

Muito embora os sentidos te sugiram outra coisa, tenha a firme certeza do que a fé te ensina. Se foste bem instruído pela doutrina da fé, acreditas firmemente que aquilo que parece pão, embora seja como tal sensível ao paladar, não é pão, mas é o Corpo de Cristo. E aquilo que parece vinho, muito embora tenha esse sabor, não é vinho, mas é o Sangue de Cristo.

Antigamente, bem a propósito, já dizia Davi nos salmos: O pão revigora o coração do homem, e o óleo ilumina a sua face (Sl 103,15). Fortifica, pois, teu coração, recebendo esse Pão espiritual e faze brilhar a alegria no rosto de tua alma. Com o rosto iluminado por uma consciência pura, contemplando como num espelho a glória do Senhor, possas caminhar de claridade em claridade, em Cristo Jesus, nosso Senhor, a quem sejam dadas honra, poder e glória pelos séculos sem fim. Amém”. (1)

Vemos quão importante e necessário que participemos da Ceia do Senhor, alimentando-nos não apenas por um pedaço de pão e um pouco de vinho, mas Transubstanciados, na Celebração Eucarística, tornam-Se, verdadeiramente, Pão do Céu e Bebida de Salvação.

Participemos cada vez mais, ativa, piedosa, conscientemente das Missas de nossas Comunidades, prolongando-as, dia a dia, em sagrados compromissos com a Boa Notícia nela Proclamada, assim como do Verdadeiro Pão e Verdadeira Comida saciados.

Seja a nossa espiritualidade essencialmente Eucarística. Sejamos perseverantes, como as primeiras comunidades, na Doutrina dos Apóstolos, comunhão fraterna, fração do Pão e oração (At 2,42-45).


(1)Liturgia das Horas - Volume Quaresma/Páscoa - Editora Paulus - p. 558-560
PS: Oportuno para a reflexão da passagem do Evangelho de João (Jo 6,35-40)

Ó Mãe e Senhora nossa

                                                                    

Ó Mãe e Senhora nossa

Ó Mãe e Senhora nossa, contemplo tua coragem ao permanecer de pé diante da Cruz do teu Filho, lembrando-se de tudo o que foi dito acerca d’Ele, na Anunciação e em outros acontecimentos.

Ó Mãe e Senhora nossa, contemplo teus passos apressados ao encontro de tua prima, na mais bela visitação, ressoando em mim, as palavras pronunciadas por Isabel: “Feliz daquela que acreditou”.

Ó Mãe e Senhora nossa, contemplo-te mergulhada em teu silêncio orante, com confiança inigualável em Deus, trazendo em si mesma a novidade radical da fé: o início da Nova Aliança por meio do teu Filho.

Ó Mãe e Senhora nossa, medito na graça de ter sido a primeira entre as criaturas humanas admitidas à descoberta de Cristo, ao lado de José, com quem vivia na mesma casa em Nazaré.

Ó Mãe e Senhora nossa, medito no que ouviste ao reencontrar teu Filho no Templo, em resposta à tua indagação de Mãe: – “Por que procedeste assim conosco?”, e obteve como resposta do teu Filho, o Menino Jesus: –“Não sabíeis que devo ocupar-me das coisas de meu Pai?”.

Ó Mãe e Senhora nossa, reflito sobre as palavras do Evangelista, que ouviste ao lado de José, ditas pelo teu Filho, e embora não as compreendendo, guardaste estas palavras no silêncio profundo do coração (Lc 2, 48-50).

Ó Mãe e Senhora nossa, medito sobre tua abertura ao Mistério da filiação divina d’Aquele que foi gerado em teu ventre, e assim, progredindo na intimidade com este Mistério, somente mediante a fé, em atitude contemplativa e confiante em Deus.

Ó Mãe e Senhora nossa, contemplo tua amável e maternal presença constantemente ao lado do teu Filho, sob o mesmo teto, e conservando fielmente a união com Ele, em genuína atitude de fé.

Ó Mãe e Senhora nossa, contemplo tua vida durante muitos anos, permanecendo na intimidade com o mistério do teu Filho, e avançando no seu itinerário de fé, na medida em que Jesus «crescia em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens» (Lc 2, 52).

Ó Mãe e Senhora nossa, contemplo tua coragem no aperto do coração, unida a uma espécie de “noite da fé”, à noite da agonia, da paixão do teu Filho, na hora derradeira do Mistério da Redenção da humanidade.

Ó Mãe e Senhora nossa, contemplo teu carinho e cuidado com teu Filho, desde o ventre até o último momento, manifestando, assim, cada vez mais, aos olhos da humanidade, a predileção que o Pai tinha por Ele, Mistério que ultrapassa nossa humana compreensão.

Ó Mãe e Senhora nossa, louvo pela graça de tê-la como Mãe de Deus e da Igreja, portanto, também nossa Mãe, no céu, Rainha coroada, e com teus filhos, presente, por mais árdua que seja nossa jornada, contamos sempre com teu carinho e ternura maternal. Amém.


Fonte inspiradora: Mater et Magistra n.17 – Papa São João Paulo II

Aprendendo com o Apóstolo Paulo: o Pastor e a Comunidade

                                                                     


Aprendendo com o Apóstolo Paulo: o Pastor e a Comunidade

Reflexão à luz da passagem da Carta aos Filipenses: “Assim, meus irmãos, a quem quero bem e dos quais sinto saudade, minha alegria, minha coroa, meus amigos, continuai firmes no Senhor.” (Fl 4,1).

Um pouco antes Paulo lamentava chorando, que alguns pelo agir comportavam-se como inimigos da Cruz de Cristo, porque tão distantes da vontade de Deus, exortando a comunidade a viver como cidadãos dos céus (Fl 3,17-4,1).

Infelizmente esta realidade é teimosamente persistente em cada tempo.

Notemos a relação do pastor com a comunidade. Vejamos como Paulo se referiu à comunidade: “... meus irmãos, a quem quero bem...” e mais ainda: “... dos quais sinto saudade...”

Como é bom viver em comunidade e escrever na Igreja uma história de amor, deixando marcas e sendo marcado pelo amor verdadeiro que se celebra em cada Eucaristia.

Reflitamos:

- De quem sentimos saudades?
- A quem queremos tão bem, ainda que não tão perto, mas mais do que perto de nós, pois é próprio do amor encurtar distâncias?
- Quem são as pessoas que poderiam ouvir de nós: vocês são “... minha alegria, minha coroa, meus amigos”?

E a parte final do versículo: “... continuai firmes no Senhor”. Quantos neste exato momento precisam ouvir esta palavra, ou melhor, esta Palavra. Porque há palavras e Palavra. Deus tem a Palavra, Ele é a Palavra que nos ilumina e nos fortalece em todos os instantes.

Bem nos disse o próprio Paulo – “tudo posso n’Aquele que me fortalece” (Fl 4,13), somente assim poderemos com ele repetir, se considerarmos tudo como perda por causa do conhecimento de Jesus.

Há muito o que aprendermos com o Apóstolo, para, a seu exemplo, termos graça de aumentar o rol de nossas alegrias e coroas: nossos amigos e amigas; termos a graça de nos ajudarmos mutuamente na firmeza da fé, porque a caridade não pode deixar de ser a mais Bela Chama Devoradora do Amor de Deus, tão pouco a esperança como âncora que assegure melhores travessias para horizonte outro: felicidade presente, glória da eternidade, céu!

Permanecer na fé é preciso!
E assim, o conhecimento e o enamoramento por Cristo
nos concederão a graça de multiplicarmos relacionamentos
que serão saudades a serem 
silenciosamente contempladas
e guardadas no mais
Belo Coração, o Coração de Jesus.
                

Coração indiviso, por Cristo seduzido: Sacerdote feliz!

                                                           

Coração indiviso, por Cristo seduzido: Sacerdote feliz!

É sempre tempo para que o Presbítero reveja a fidelidade a Cristo e à Sua Igreja, a fim de que seja mais verdadeira e profunda, mas há uma exigência indispensável e irrenunciável: que o Sacerdote tenha o coração seduzido pelo Amor de Deus, em intensa relação de apaixonamento por Cristo, e indiviso, porque plenificado pelo Amor do Espírito Santo, pelo qual foi marcado no dia da ordenação, para total entrega, disponibilidade e obediência. 

A visibilidade e o testemunho do amor do Sacerdote por Cristo contagiam de modo salutar toda a comunidade, levando-a a mesma relação.

Iluminador é o que nos dizem grandes Bispos da Igreja, para que o coração de cada Sacerdote seja inflamado de amor, na sedução querida e desejada, tornando-o homem de amor indiviso: amor à Igreja e ao Povo de Deus a ele confiado!

Com São Pedro Crisólogo (séc. V), vemos que a força do amor tudo move, tudo motiva, pois leva ao desejo maior, a contemplação da Face Divina:

“... Deus, que o mundo não pôde conter, como  olhar limitado do homem o abrangeria? Mas, o que deve ser, o que é possível, não é a regra do amor.

O amor ignora as leis, não tem regra, desconhece medida. O amor não desiste perante o impossível, não desanima diante das dificuldades.

O amor, se não alcança o que deseja, chega a matar o que ama; vai para onde é atraído, e não para onde deveria ir. O amor gera o desejo, cresce com ardor e pretende o impossível.

E que mais? O amor não pode deixar de ver o que ama. Por isso todos os santos consideravam pouca coisa toda recompensa, enquanto não vissem a Deus...”

Com Santo Anselmo (séc. XII), refletimos sobre o mesmo desejo de contemplar a Face de Deus:

“Que pode fazer, Altíssimo Senhor, que pode fazer este exilado longe de Vós? Que pode fazer este Vosso servo, sedento do Vosso Amor, mas tão longe de Vossa presença.

Deseja aproximar-se de Vós, mas Vossa morada é inacessível. Aspira encontrar-Vos, mas não sabe onde estais. Tenta procurar-Vos, mas desconhece a Vossa Face.

Senhor Vós sois o meu Deus, o meu Senhor e nunca Vos vi. Vós me criastes e me redimistes, destes-me todos os Vossos bens e ainda não Vos conheço. Fui criado para Vos ver e ainda não fiz aquilo para que fui criado...

Ensinai-me a Vos procurar e mostrai-Vos quando Vos procuro; não posso procurar-Vos se não me ensinais nem encontrar-Vos se não Vos mostrais. Que desejando eu Vos procure, procurando Vos deseje, amando Vos encontre, e encontrando Vos ame”.

Oremos por todos os Presbíteros para que vivam esta relação amorosa com Deus, e são muitos os que estão dando consistência e vivacidade a tudo que se disse.

Vivem o Ministério inspirados nos Profetas, como Jeremias, Isaías, o Apóstolo Paulo e outros luminares, com o coração seduzido pelo Amor de Deus e indivisos, totalmente entregues e consagrados pelo Sacramento da Ordem, edificando e santificando a Igreja, procurando multiplicar os sinais do Reino.

De fato, a felicidade, tanto de um Sacerdote como da comunidade que ele cuida, com coração de pastor, está na exata medida da intensidade de seu amor por Cristo.

Quanto maior o seu amor por Cristo, mais indiviso seu coração o será: somente a Paixão pelo Reino o consumirá, maior amor vivenciará e testemunhará!  

Oração ao Bom Jesus

                                        


Oração ao Bom Jesus

Senhor Bom Jesus, pela Vossa encarnação, Vós experimentastes no próprio corpo, a dor e as feridas, as chagas e os sofrimentos causados pela maldade humana. Tivestes compaixão diante da fome e do abandono do Seu povo que vivia como ovelhas sem pastor. E no mistério de Vossa Cruz, assumistes com toda a misericórdia, as dores de cada um de nós e de toda a humanidade.

      

Vós, que estais aqui de braços abertos para nos acolher, derramai sobre nós e toda a humanidade a plenitude da Vossa misericórdia. Aceitai o nosso louvor, ajudai-nos a sermos firmes na fé e na esperança a vencer todas as dificuldades; defendei-nos dos perigos e do pecado. Perdoai-nos, Senhor, e livrai-nos de todo os males do corpo e da alma. Compadecei-Vos de cada um de nós e concedei-nos a graça de que mais precisamos... (cada um em silêncio pede a graça).

 

Abençoai, ó Bom Jesus, nosso trabalho e fazei que nunca falte o pão em nossa mesa. Concedei-nos harmonia, diálogo e entendimento em todas as famílias. Convertei-nos pelo Vosso amor e tornai-nos “misericordiosos como o Pai do Céu” (Lc 6,36). E pela intercessão da Virgem Santíssima, Mãe de Deus e nossa Mãe, fazei que o Reino de Deus seja estabelecido entre nós. Amém.

 

          Reza-se um Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.

 

 

PS: Oração rezada na Comunidade Bom Jesus de Frei Lagonegro - Paróquia Santo Antônio de Coluna - MG

autoria desconhecida

Maria e Jesus: Um mistério de proximidade e separação

                                                 


Maria e Jesus: Um mistério de proximidade e separação

Quantas vezes vivi a proximidade de Tua separação, meu Filho:

 
Na fuga para o Egito, por pouco te tiraram tão cedo de mim.
 
Na apresentação, as palavras de Simeão fincaram raízes em meu coração – o que seria esta espada a trespassar meu coração?
 
Eu Te vi crescer sob minha ternura e olhar maternal, mas sabia que tinhas que partir, das coisas divinas cuidar, desde que Te perdemos e encontramos no templo quando tinhas doze anos.
 
Nas bodas, intervim, porque sabia que tão somente podias o Vinho Novo oferecer, prefigurando Teu Sangue dado em cada Eucaristia, e a sede do mundo, sede de amor, vida e paz sacia: Redenção de toda a  humanidade.
 
Teus passos na agonia, abandono dos discípulos, insana e cruenta flagelação, crudelíssima morte. Tão próximo um dia no ventre, agora corpo dilacerado, na cruz crucificado. Ó imensa dor que me consome!
 
Proximidade e separação: espada cortante o coração me trespassando.
 
Abandonar-Te, como tua Mãe, jamais o faria. Não podia Te livrar da cruz, mas poderia amenizar Tua dor com minha presença.
 
Ouvir de Teus lábios que, no discípulo amado, da humanidade Mãe seria, e ele me acompanharia para refazer sonhos, retomar os passos, na espera da madrugada da Ressurreição.
 
Agora Ressuscitado, por Tuas Chagas Gloriosas, curaste minha indescritível dor.
 
Sinto-Te Vivo, presente, glorioso, e do Alto, nos envias o fogo do Espírito em permanente Pentecostes. Amém. Aleluia!

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG