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Dom Otacilio F. Lacerda
terça-feira, 26 de maio de 2026
MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV PARA O LX DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS – 2026 (síntese)
MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIVPARA O LX DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS – 2026 (síntese)
A
mensagem tem como título “Preservar vozes e rostos humanos”, pois de
fato, são os traços únicos e distintivos de cada pessoa e manifestam a sua
identidade irrepetível e são elemento constitutivo de cada encontro, afirma o
Papa na introdução da mensagem.
O
rosto e a voz são sagrados e nos foram dados por Deus, que nos criou à Sua
imagem e semelhança, chamando-nos à vida com a Palavra que Ele mesmo nos
dirigiu, fazendo-Se Carne e vindo habitar entre nós, e podemos ainda escutá-la
e vê-la diretamente (cf. 1 Jo 1, 1-3), porque se deixou conhecer na voz e no
Rosto de Jesus, Filho de Deus.
Citação
enriquecedora nos apresenta o Papa São Gregório de Nissa:
«Ter
sido criado à imagem de Deus significa que foi impresso no homem, desde o
momento da sua criação, um carácter régio [...]. Deus é amor e fonte de amor: o
divino Criador também colocou esta característica no nosso rosto, para que,
através do amor – reflexo do amor divino –, o ser humano reconheça e manifeste
a dignidade da sua natureza e a semelhança com o seu Criador»
Somos
criados à imagem e semelhança de Deus para dialogar com Ele, e temos impresso
em nós o Seu amor – “Não somos uma espécie feita de algoritmos bioquímicos
predefinidos antecipadamente: cada pessoa possui uma vocação insubstituível e
irrepetível, que emerge da vida e se manifesta precisamente na comunicação com
os outros.”
Desenvolve
a mensagem apresentando os aspectos positivos que nos trazem o bom uso da
inteligência artificial, bem como os aspectos que despertam preocupação e o
necessário cuidado para que não percamos nossa dignidade, identidade e desígnio
que Deus tem para cada pessoa e toda a humanidade (a perda do pensamento
crítico e criatividade em todos os âmbitos; a polarização e manipulação
emocional; a perda da criatividade, empatia e responsabilidade pessoal).
A
inteligência artificial faz parte do cotidiano, no entanto não podemos por ela
ser dominados, tornando-nos consumidores passivos de pensamentos não pensados,
de produtos anônimos, sem autoria e sem amor: estamos diante de um grande
desafio que não é apenas tecnológico, mas antropológico, ou seja, é preciso
preservar a humanidade diante de uma automação crescente.
O
desafio que nos espera não é impedir a inovação digital, mas sim orientá-la,
estando conscientes do seu caráter ambivalente. Cabe a cada um de nós levantar
a voz em defesa das pessoas, para que estas ferramentas possam realmente ser
integradas por nós como aliadas, de tal modo, que não ocorra a substituição das
relações humanas por interações artificiais; o crescimento da desinformação e a
manipulação da realidade; a multiplicação de “deepfakes” fraudes
digitais, “cyberbullying”, bem como o uso indevido da voz e da imagem, etc.
Em
sua mensagem, exorta-nos a uma necessária e possível aliança baseada em três
pilares: responsabilidade, cooperação e educação.
1
- A responsabilidade – como expressão de honestidade, transparência,
coragem, visão, dever de partilhar conhecimento, direito de ser informado, de
tal modo que, a responsabilidade é exigida de todos criadores e desenvolvedores
de modelos de IA; legisladores nacionais e reguladores supranacionais, que têm
a função de zelar pelo respeito da dignidade humana.
2
– A cooperação - todos somos chamados a cooperar – “Nenhum setor pode
enfrentar sozinho o desafio de liderar a inovação digital e governar a IA. Por
isso, é necessário criar mecanismos de salvaguarda. Todas as partes
interessadas – desde a indústria tecnológica aos legisladores, das empresas de
criação ao mundo académico, dos artistas aos jornalistas e educadores – devem
estar envolvidas na construção e na efetivação de uma cidadania digital
consciente e responsável.”
3
– A educação – “aumentar as nossas capacidades pessoais de refletir
criticamente, avaliar a credibilidade das fontes e os possíveis interesses por
trás da seleção das informações que nos chegam, compreender os mecanismos
psicológicos que elas ativam, permitir às nossas famílias, comunidades e
associações a elaboração de critérios práticos para uma cultura de comunicação
mais saudável e responsável.”
Fundamental
que favoreçamos, especialmente os jovens, a aquisição da capacidade para o
pensamento crítico e cresçam na liberdade de espírito, numa necessária
literacia (1).
Finaliza exortando para que o rosto e a voz voltem a
dizer a pessoa: “É necessário preservar o dom da comunicação como a mais
profunda verdade do ser humano, para a qual também se deve orientar toda a
inovação tecnológica.”
Não há nada que possa substituir o rosto e a voz real, preservando
a dignidade de cada pessoa e a necessária convivência fraterna nos mais
diversos espaços.
PS: Fundamental que acolhamos a mensagem, para que, como
comunicadores sociais, de modo especial, favoreçamos a preservação dos sagrados
valores da dignidade, verdade, liberdade, fraternidade e paz.
Se desejar ler a mensagem na íntegra, acesse:
https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/communications/documents/20260124-messaggio-comunicazioni-sociali.html
1 - Literacia – consiste na capacidade de ler, escrever,
compreender e aplicar informações de forma funcional no dia a dia. Mais do que
apenas saber decodificar letras (alfabetização), trata-se de usar essas
competências para aprender, comunicar-se e resolver problemas na sociedade.
A Inteligência artificial a serviço da autêntica comunicação
A Inteligência
artificial a serviço da autêntica comunicação
Oremos:
Ó Deus, Vós que nos criastes
à Vossa imagem e semelhança,
ajudai-nos a preservar a dignidade do rosto e da voz de cada pessoa com quem convivemos,
dentro e fora da
comunidade que participamos.
Ajudai-nos, para que jamais percamos
a beleza do encontro
humano,
vivendo em espaços nos quais as relações sejam fundadas
no amor, verdade,
liberdade.
Concedei-nos a Vossa
Divina sabedoria,
para o correto uso das novas
tecnologias,
e que a inteligência artificial seja instrumento do bem
e jamais substitua a empatia e fragilize a liberdade humana.
Iluminai-nos, para que
nossa comunicação favoreça
a cultura do encontro e
da vida fraterna,
colaborando no florescer
o pensamento crítico,
com a proteção dos mais
frágeis e
de toda forma de
manipulação, dominação e mentira.
Pai de ternura e
bondade, firmai nossos passos
nos passos do Vosso
Filho,
que Se fez Palavra e veio morar entre nós
Para nos comunicar com a
Vida e a Voz
a Palavra de Vida plena e eterna.
Na fidelidade à Palavra do Vosso Filho,
a Revelação do Vosso
rosto de Misericórdia,
ensinai-nos a educar e
comunicar em todos espaços,
reais e virtuais com responsabilidade, como
alegres cooperadores de esperança.
Enfim, ó Deus, para que
toda inovação
esteja a serviço da
humanidade,
Sejam nossas palavras promotoras de paz e a comunhão;
e que nossa voz e nosso rosto revelem sempre Vossa presença,
com a assistência, ação e luz do Vosso Santo Espírito. Amém.
PS: Inspirado na Mensagem do Papa para o LX Dia Mundial
das Comunicações Sociais - 2026, que poderá ser acessada na íntegra
https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/communications/documents/20260124-messaggio-comunicazioni-sociali.html
https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/communications/documents/20260124-messaggio-comunicazioni-sociali.html
São Filipe Néri: o Santo da Alegria
O tempo da peregrinação rumo à eternidade
O tempo da peregrinação rumo à eternidade
Se quiseres o Senhor seguir,
A eternidade alcançarás.
Há exigências no tempo presente,
Enquanto para lá caminhamos...
Silenciemo-nos diante da Palavra do Divino Amor:
“Recebereis cem vezes mais, já neste mundo,
Juntamente com perseguições,
E, no mundo futuro, a vida eterna”.
Os cristãos são destinatários privilegiados do Projeto Salvífico de Deus,
Por muito tempo anteriormente revelado pelos Profetas,
E por último pelo próprio Jesus.
Como não exultar imensamente de alegria?
Este privilégio não permite acomodação, mas uma vez testemunhas,
Devemos nos colocar como cristãos, em atitude de vigilância, esperança,
E num permanente caminho de conversão e santificação,
Com gestos corajosos de mortificação, renúncias, conversão.
Vivemos o precioso tempo da peregrinação,
Voltados sempre para as últimas realidades,
O que requer uma conduta irrepreensível,
Para que nosso anúncio possa ser crível.
Na fidelidade ao Senhor, a renúncia e desapegos necessários,
Mas com recompensa centuplicada prometida e, de fato, realizada.
Assegurada a eternidade no mundo futuro,
Mas com perseguições, e até mesmo o martírio e a morte.
Morrendo, silenciosamente como o grão de trigo
Para novos frutos brotar, a alegria do Reino ver acontecer,
Renovando a alegria do chamado divino que nos foi feito,
Ainda que nada tenhamos feito para merecer.
Assim é Deus: chama-nos para com Ele caminharmos.
Como discípulos missionários, renunciando a nós mesmos,
Tomando a cruz de cada dia, para segui-Lo.
Fé sólida e lúcida, ancorados e firmados na esperança e na caridade.
PS: Fonte inspiradora - Liturgia da terça-feira da 8ª Semana do Tempo Comum - ano par - (Eclo 35,1-15; Sl 49 (50); Mc 10, 28-31).
Quando abrimos a caverna escura de nossa existência
Quando abrimos a caverna escura de nossa existência
Sejamos enriquecidos pelas Confissões do bispo Santo Agostinho (Séc. V).
“Que eu Te conheça, ó conhecedor meu! Que eu também Te conheça como sou conhecido! Tu, ó força de minha alma, entra dentro dela, ajusta-a a Ti, para a teres e possuíres sem mancha nem ruga. Esta é a minha esperança e por isso falo.
Nesta esperança, alegro-me quando sensatamente me alegro. Tudo o mais nesta vida tanto menos merece ser chorado quanto mais é chorado, e tanto mais seria de chorar quanto menos é chorado. Eis que amas a verdade, pois quem a faz, chega-se à luz. Quero fazê-la no meu coração, diante de Ti, em confissão, com minha pena, diante de muitas testemunhas.
A Ti, Senhor, a cujos olhos está a nu o abismo da consciência humana, que haveria de oculto em mim, mesmo que não quisesse confessá-lo a Ti? Eu Te esconderia a mim mesmo, e nunca a mim diante de Ti.
Agora, porém, quando os meus gemidos testemunham que eu me desagrado de mim mesmo, enquanto Tu refulges e agradas, és amado e desejado, que eu me envergonhe de mim mesmo, rejeite-me e Te escolha! Nem a Ti nem a mim seja eu agradável, a não ser por Ti.
Seja eu quem for, sou a Ti manifesto e declarei com que proveito o fiz. Não o faço por palavras e vozes corporais, mas com palavras da alma e clamor do pensamento. A tudo o Teu ouvido escuta. Quando sou mau, confessá-lo a Ti nada mais é do que não O atribuir a mim.
Quando sou bom, confessá-lo a Ti nada mais é do que não O atribuir a mim. Porque Tu, Senhor, abençoas o justo, antes, porém, o justificas quando ímpio. Na verdade, minha confissão, ó meu Deus, faz-se diante de Ti em silêncio e não em silêncio porque cala-se o ruído, clama o afeto.
Tu me julgas, Senhor, porque nenhum dos homens conhece o que há no homem a não ser o espírito do homem que nele está. Há, contudo, no homem algo que nem o próprio espírito do homem, que nele está, conhece.
Tu, porém, Senhor, conheces tudo dele, pois Tu o fizeste. Eu, na verdade, embora diante de Ti me despreze e me considere pó e cinza, conheço algo de Ti que ignoro de mim.
É certo que agora vemos como em espelho e obscuramente, ainda não face a face. Por isto enquanto eu peregrino longe de Ti, estou mais presente a mim do que a Ti e, no entanto, sei que és totalmente impenetrável, ao passo que ignoro a que tentações posso ou não resistir.
Mas aí está a esperança, porque és fiel e não permites sermos tentados acima de nossas forças e dás, com a tentação, a força para suportá-la.
Confessarei aquilo que de mim conheço, confessarei o que desconheço. Porque o que sei de mim, por Tua luz o sei; e o que de mim não sei, continuarei a ignorá-lo até que minhas trevas se mudem em meio-dia diante de Tua face”. (1)
Nada há oculto aos olhos de Deus, ainda que queiramos, pois Ele nos conhece com todas as nossas perfeiçoes e imperfeições; limitações e potenciais; sombras e luzes; clamores e silêncios; quedas e levantamentos; passos firmes ou vacilantes; palavras iluminadas ou as que ofuscam a luz que no outro habita.
É próprio do amor de Deus nos aceitar como somos, para que, por Suas mãos sendo moldados, sejamos aperfeiçoados.
Conhecendo a quem ama, quer tão apenas que não nos fechemos a Ele, que não O ignoremos, pois à Sua imagem fomos pensados, criados e resgatados.
Diante de Deus, não tenhamos medo de abrir as portas da caverna de nossa existência, para que a Sua Luz nos ilumine, e luminosos sejamos.
De tal modo, seremos discípulos do amado Filho, e nas trevas jamais caminharemos, pois Ele mesmo disse – “Quem me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).
Peregrinos longe do Senhor ainda, mas Ele jamais longe de nós. Procuremos por Ele e seremos encontrados. Procuremos e O encontraremos.
(1) Liturgia das Horas - Volume III - Tempo Comum - p. 237-239







