quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Pétalas/sépalas

 


Pétalas/sépalas

No jardim, as rosas se sobressaem pela beleza, perfume e cor.
Suavidade em cada pétala, por vezes desfolhadas,
Em “mal me quer, bem me quer”, brinquedo de enamorados.
 
Pétalas são conhecidas, variadas em cores e formatos,
Em poesias, músicas, entre páginas guardadas,
Suaves e doces lembranças de encontros vividos.
 
Mas não haveria as pétalas, não fossem as sépalas,
Que por um tempo as preservaram para que se abrissem
Em botões para decorações e selar puras emoções.
 
Sépalas? Quem delas poesia faria, e encanto despertaria?
Sépalas, no anonimato e escondimento, dobram-se suavemente,
Quase imperceptíveis aos olhos, mas ali estiveram e estarão.
 
Penso nas sépalas nossas de cada dia,
Não as da rosa do meu ou do teu jardim,
Mas aquelas que são fundamentais para mim.
 
Sépalas mães, que por um tempo, no ventre,
Uma vida fecundam no silêncio, por vezes na dor,
Acolhidas como sinais de bênção do Amado Senhor.
 
Sépalas pais, que em imprescindível presença, 
coragem, afeto, proteção, pão de cada dia, 
força e confiança oferecem.

Sépalas, profissionais da saúde, cultura e educação.
Outros tantos impossível  serem aqui mencionados.
Com seu suor e trabalho prolongam a obra da criação.
 
Sépalas de nossas comunidades de fé,
Que se desdobram, se curvam humildemente,
Discípulos/as do Servo que se fez Servidor.
 
Em formações, encontros, catequese,
Cantos, acolhidas, visitas, celebrações.
Palavra proclamada que arde corações.
 
Assim é a história da humanidade,
A beleza das “pétalas”, o escondimento das “sépalas”,
Em harmonia para que o Jardim do Senhor floresça.
 
Pétalas, beleza e encanto para os olhos.
Sépalas, beleza e encanto para o coração
Em perfeita sintonia, sagrado abraço e comunhão. Amém.


 
PS: Sépalas são as estruturas em forma de folha localizadas na parte mais externa de uma flor, cuja principal função é proteger o botão floral antes de ele se abrir.
Pétalas são folhas modificadas que formam a parte colorida e mais visível de uma flor.

Livrai-nos, Senhor!

                                                     

Livrai-nos, Senhor!

Livrai-nos, Senhor, das doenças e tentações que nos enfraquecem,  como Igreja, no anúncio, testemunho e construção do Vosso Reino.

Livrai-nos, Senhor, da doença do sentir-se “imortal”, “imune” ou até mesmo “indispensável” pondo de lado os controles necessários e habituais, sabendo que não somos insubstituíveis e indispensáveis, e ajudai-nos cada vez mais a termos consciência que somos apenas servos Vossos.

Livrai-nos, Senhor, da doença do “martalismo”, da excessiva operosidade, que nos condena a um ativismo que fragiliza e nos faz tão apenas cumpridores de tarefas. Que saibamos nos colocar aos Vossos pés, para escutar Vossa Palavra e tudo melhor realizar, porque, acolhidos e envolvidos pelo Vosso Amor, teremos as “mãos de Marta e o coração de Maria”

Livrai-nos, Senhor, da doença do “empedernimento” mental e espiritual, para que não tenhamos  “dura cerviz”, e um coração de pedra, frio e endurecido. Iluminai-nos para que tenhamos os Vossos pensamentos e sentimentos.

Livrai-nos, Senhor da doença da planificação excessiva e do funcionalismo. Iluminai-nos e conduzi-nos por Vosso Espírito, que é o protagonista de toda ação evangelizadora e de todo o nosso viver.

Livrai-nos, Senhor, da doença da má coordenação  e fortalecei a nossa comunhão numa maior harmonia, concórdia, para que redescubramos sempre a força do trabalho em equipe, que nos torna mais fortes e capazes.

Livrai-nos, Senhor, da doença do “alzheimer espiritual”: ou seja, o esquecimento da “história da salvação”, da história pessoal com o Senhor, do «primeiro amor» (Ap 2,4), voltando sempre àquele primeiro momento em que o Senhor nos seduziu, nos olhou nos olhos e nos chamou pelo nome.

Livrai-nos, Senhor, da doença da rivalidade e da vanglória, de modo que nada façamos por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade nos ensine a considerar os outros superiores a nós mesmos, não agindo em vista de nossos próprios interesses, mas dos outros, rivalizando-nos tão somente no amor.

Livrai-nos, Senhor, da doença da esquizofrenia existencial, e na resposta ao Vosso chamado; conduzidos por Vossa Palavra não tenhamos uma vida dupla e dissoluta, vazia de conteúdo porque um contratestemunho da pregação.

Livrai-nos, Senhor, da doença das bisbilhotices, das murmurações e do mexerico. Que de nossa boca saiam tão apenas palavras sábias e oportunas para a edificação do outro e nossa própria edificação. Lentos no falar, prontos para amar e perdoar e silenciar quando for preciso, e nunca calar o que for preciso dizer. Por isto, concedei-nos serenidade e sabedoria, Senhor.

Livrai-nos, Senhor, da doença da divinização dos chefes e superiores, para que não nos tornemos cortejadores de favores e  benefícios, e afastai toda tentação de carreirismo e oportunismo, que tenha tão apenas o desejo de promoção e reconhecimento, pois não é isto que nos propusestes ao nos oferecer a Cruz para segui-Lo.

Livrai-nos, Senhor, da doença da indiferença para com os outros, para que não pensemos tão somente em nós mesmos. Ajudai-nos a estabelecer relacionamentos sinceros e fraternos, ajudando a levantar quem deseja ser levantado, e jamais sentirmos alegria ao ver um irmão que tenha caído, pecado, ao contrário tudo fazermos para erguê-lo pela confiança em Vossa infinita misericórdia.

Livrai-nos, Senhor, da doença da cara fúnebre, para que não sejamos pessoas grosseiras e sisudas, com feições de melancolia, de severidade e assim, jamais  tratar os outros – principalmente os considerados inferiores – com rigidez, dureza e arrogância.

Livrai-nos, Senhor, da doença do acúmulo de bens que passam, para que jamais preenchamos o vazio existencial do coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas somente para nos sentirmos seguros. Dai-nos sempre sabedoria para usar os bens que passam e abraçar os que não passam.

Livrai-nos, Senhor, da doença dos círculos fechados onde a pertença ao grupinho se torna mais forte do que a pertença ao Corpo  e, em algumas situações, ao próprio Cristo. Concedei-nos a abertura ao outro, em respeito à alteridade e na vivência da gratuidade necessária em tudo que fizermos, para que mais verdadeira seja nossa comunhão fraterna.

Livrai-nos, Senhor, da doença do proveito mundano, dos exibicionismos, para que não transformemos o serviço em poder e o  poder em mercadoria para obter dividendos humanos ou mais poder. Que o poder seja a mais perfeita expressão do amor serviço, entrega e doação da própria vida e dos dons que nos concedestes, multiplicando-os quando não os enterramos, mas colocamos em comum.

Senhor, livrai-nos, enfim, de tudo aquilo que não corresponda aos Vossos desígnios e de tudo aquilo que nos afaste de Vós, porque, inevitavelmente afastado de Vós, nos afastamos uns dos outros. Amém.


PS: Inspirado no “Discurso do Papa Francisco à Cúria Romana”, que o leitor poderá conferir na íntegra acessando:


“Discurso do Papa Francisco à Cúria Romana”

                              

“Discurso do Papa Francisco à Cúria Romana”

“Catálogo das Doenças curiais.”
“São doenças e tentações que
enfraquecem o nosso serviço ao Senhor.”

Retomemos o “Discurso do Papa Francisco à Cúria Romana”, por ocasião do final do Advento de 2014.

A Curia Romana, como o corpo humano, está exposta também às doenças, ao mau funcionamento, à enfermidade. E como um “corpo”, procura, séria e cotidianamente, ser mais viva, mais sadia, mais harmoniosa e mais unida em si mesma e com Cristo

O papa descreveu 15 prováveis doenças curiais mais costumeiras, afirmando: “estas doenças e tais tentações são naturalmente um perigo para todo cristão e para toda a Cúria, Comunidade, Congregação, Paróquia, Movimento eclesial e podem atingir quer em nível individual quer comunitário”.

1. “A doença do sentir-se “imortal”, “imune” ou até mesmo “indispensável” pondo de lado os controles necessários e habituais. Uma Cúria que não faz autocrítica, que não se atualiza, que não procura melhorar é um corpo enfermo. Uma visita ordinária aos cemitérios poderia ajudar-nos a ver os nomes de tantas pessoas, algumas das quais pensassem talvez que eram imortais, imunes e indispensáveis!...”

2. A doença do “martalismo” (que vem de Marta), da excessiva operosidade: ou seja, "daqueles que mergulham no trabalho, descuidando, inevitavelmente, 'a melhor parte': sentar-se aos pés de Jesus (cf Lc 10,38-42)... o tempo do descanso, para quem levou a termo a sua missão, é necessário, obrigatório e deve ser levado a sério: no passar um pouco de tempo com os familiares e no respeitar as férias como momentos de recarga espiritual e física; é necessário aprender o que ensina Coelet que «para tudo há um tempo» (3,1-15)".

3. A doença do “empedernimento” mental e espiritual: o perigo de tornar o coração de pedra, frio e endurecido, deixando de ter os mesmos sentimentos do Senhor (Fl 2,5); ou seja, "daqueles que possuem um coração de pedra e são de 'dura cerviz' (At 7,51-60); daqueles que, com o passar do tempo, perdem a serenidade interior, a vivacidade, a audácia e escondem-se atrás das folhas de papel, tornando-se 'máquinas de práticas' e não 'homens de Deus' (cf Hb 3,12)". 

4. A doença da planificação excessiva e do funcionalismo: jamais ter como Igreja a pretensão de regulamentar e domesticar o Espírito Santo que é  frescor, fantasia, novidade - "É necessário preparar tudo bem, mas sem nunca cair na tentação de querer conter e pilotar a liberdade do Espírito Santo, que sempre permanece maior e mais generosa do que toda a planificação humana (cf. Jo 3,8)...” .

5. A doença da má coordenação: os  membros perdem a comunhão entre si e o corpo perde a sua funcionalidade harmoniosa e a sua temperança com a falta do  espírito de comunhão e de equipe.

6. A  doença do “alzheimer espiritual”: ou seja, o esquecimento da “história da salvação”, "...da história pessoal com o Senhor, do 'primeiro amor' (Ap 2,4)... É o que vemos naqueles que perderam a memória do seu encontro com o Senhor; naqueles que não têm o sentido deuteronômico da vida; naqueles que dependem completamente do seu presente, das suas paixões, caprichos e manias; naqueles que constroem em torno de si barreiras e hábitos, tornando-se, sempre mais escravos dos ídolos que esculpiram com as suas próprias mãos".

7. A doença da rivalidade e da vanglória: "...quando a aparência, as cores das vestes e as insígnias de honra se tornam o objetivo primordial da vida, esquecendo as palavras de São Paulo: 'Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus próprios interesses , e sim os dos outros» (Fl 2,3-4)'".

8. “A doença da esquizofrenia existencial: há a criação de um mundo paralelo com uma vida oculta e dissoluta e a conversão é por demais urgente e indispensável para esta gravíssima doença (cf Lc 15,11-32) - "...é a doença dos que vivem uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e do vazio espiritual progressivo que formaturas ou títulos acadêmicos não podem preencher”. 

9. A doença das bisbilhotices, das murmurações e do mexerico: É uma doença grave, que começa simplesmente, quem sabe, para trocar duas palavras e se apodera da pessoa, transformando-a em “semeadora de cizânia” (como satanás), e em tantos casos “homicida a sangue frio” da fama dos seus colegas e confrades - "É a doença das pessoas covardes que, não tendo a coragem de falar diretamente, falam pelas costas... guardemo-nos do terrorismo das maledicências!"

10. A doença de divinizar os chefes: "...é a doença dos que cortejam os Superiores, esperando obter a benevolência deles. São vítimas do carreirismo e do oportunismo, honrando as pessoas e não a Deus (cf Mt 23,8-12)...”

11. A doença da indiferença para com os outros:  Não se partilha o saber e, às vezes, por ciúme ou por astúcia, sente alegria ao ver o outro cair, ao invés de erguê-lo e encorajá-lo - "Quando alguém pensa somente em si mesmo e perde a sinceridade e o calor das relações humanas.”

12. A doença da cara fúnebre. Quer dizer, das pessoas grosseiras e sisudas que pensam que, para ser sérias, é necessário assumir as feições de melancolia, de severidade e tratar os outros – principalmente os que consideram inferiores – com rigidez, dureza e arrogância. Na realidade, a severidade teatral e o pessimismo estéril são muitas vezes sintomas de medo e de insegurança...”

13. A doença de acumular: "quando o Apóstolo procura preencher um vazio existencial no seu coração, acumulando bens materiais, não por necessidade, mas só para sentir-se seguro...”.

14. "A doença dos círculos fechados onde a pertença ao grupinho se torna mais forte do que a pertença ao Corpo  e, em algumas situações, ao próprio Cristo...".

15. “A doença do proveito mundano, dos exibicionismos, quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder e o seu poder em mercadoria para obter dividendos humanos ou mais poder; é a doença das pessoas que procuram insaciavelmente multiplicar poderes e, com esta finalidade, são capazes de caluniar, de difamar e de desacreditar os outros, até mesmo nos jornais e nas revistas...”

Como podemos perceber, estas “doenças curiais” também estão presentes em nossas comunidades, e é preciso a ajuda do Espírito Santo que, com Sua ação, dá vida nova a quem a Ele se abre.

Como bem afirmou o Papa, o restabelecimento destas enfermidades é fruto da consciência da doença, e da decisão pessoal e comunitária de tratar-se, suportando pacientemente e com perseverança a terapia com propósito de mudança.

Há esperança de cura e conversão, ele diz citando o Bispo Santo Agostinho:  «Enquanto uma parte aderir ao corpo, a sua cura não é desesperada; mas o que foi cortado não pode nem curar-se nem sarar».

Concluo afirmando que, na Cúria Romana ou em qualquer lugar, estas “doenças” podem nos tornar enfermos, e necessitados  da cura que somente Deus pode nos oferecer, em sincera abertura de coração, tomando consciência de nossos pecados, para estabelecer novas relações mais humanas e fraternas, que expressem a verdadeira presença de Deus entre nós.


PS: “Discurso do Papa Francisco à Cúria Romana”, pode ser acessado e conferido na íntegra:



Naveguemos pelo oceano de incertezas


 

Naveguemos pelo oceano de incertezas

“Coragem, sou Eu. Não tenhais medo!” (Mt 14,27)

Do alto da montanha, olho para a imensidão do mar e me pergunto sobre o que é viver.

Algumas respostas vêm de um grande antropólogo que recentemente nos deixou, Edgar Morin:

- “Por mais que acreditemos armados de certezas e programas, precisamos aprender que toda vida é um navegar num oceano de incertezas, atravessando algumas ilhas ou arquipélagos de certezas, onde nos reabastecemos.” (1)

- “A certeza e o inesperado precisam ser integrados na História humana. Nela, o imprevisto não passa de acaso, é também, como a revolução para Marx, a ‘velha toupeira que trabalha debaixo da terra para aparecer de repente’. A surpresa do inesperado não deve ser anestesiada. Ao contrário, deve nos estimular a compreendê-lo, pensá-lo e, sem poder prevê-lo, pelo menos esperá-lo” (2)

“- As grandes venturas só têm um tempo. Sua lembrança não me enche apenas de saudade, mas também de uma doce e triste alegria.” (3)

- “Em primeiro lugar, quero indicar que o risco do erro e da ilusão é permanente em toda a vida humana, pessoal, social, histórica, em toda decisão e ação e mesmo em toda abstenção, podendo conduzir a desastres.” (4)

E, por fim, a instigante afirmação de Rita Levi-Montalcini, Prêmio Nobel de Medicina:

“ Dê vida a seus dias, em vez de dar dias à sua vida.” (5)

Erros, ilusões, o impensável inesperado, certezas, incertezas, pequenas ou grandes venturas marcadas como selo na memória e no coração...

O mar, o vento, as ondas, as tempestades... Travessias para a outra margem consiste todo o viver...

Viver com intensidade e paixão pela vida, dando vida a cada dia, a cada momento, a cada instante.

Não sucumbir nem ao medo nem ao cansaço, tampouco recolher-se em amedrontada solidão do que possa devorar vorazmente a própria existência.

Descer a montanha, navegar no mar das incertezas, porque Deus, em sua infinita bondade, concede-nos, de fato, “ilhas e arquipélagos de certezas onde nos abastecemos”; e para quem crê, a Eucaristia é, por excelência, uma delas.

Deus Onipotente e misericordioso fez-se presente em nossa travessia, por meio do Seu Filho, e nos comunica o sopro suave do Seu Espírito, e que hoje arde em nossos corações como chama eterna de Amor. Amém.

 

(1)    Lições de um século de vida - Edgar Morin – Bertrand Brasil – p.33

(2)   Idem – p.36

(3)  P.42

(4)  P.91

(5)   P.37



Oração do(a) Secretário(a) Paroquial

                                           


Oração do(a) Secretário(a) Paroquial 

Ó Deus, Vos peço a assistência do Espírito Santo, para que, como secretário(a), seja sinal da presença do Vosso Filho Jesus Cristo, a quantos vierem ao nosso encontro. 

Enriquecido (a) pelos dons da Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Temor e Piedade, corresponda à missão que fui agraciado (a), sem mérito algum, mas porque sois infinitamente misericordioso. 

Que ao terminar o dia, diga apenas: fui um(a) simples servo(a) e fiz apenas o que devia fazer (cf. Lc 17,10), no pensamento, palavra e ação. Amém.

Repouso em Teu peito, Senhor!

                                                         

Repouso em Teu peito, Senhor!

“As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos,
mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Lc 9,58).

O Reino de Deus precisa ser anunciado,
Não há mais tempo a perder.
Há um mundo clamando, eu escuto...

Não podemos ficar parados,
Ele nos chama e qual nossa resposta?
Não fiquemos indiferentes, insensíveis.

Há doentes sem carinho, na fila esperando,
Crianças, pelas ruas e praças, suplicantes,
Jovens sem sentido, drogados, perdidos.

Famílias em situação de enfermidade crônica,
Ausência de perdão, de diálogo, de alegria, de compreensão;
Carentes de formação, doutrina, princípios, luz...

A criação geme em dores de parto,
Esperando também a reconciliação,
Paulo assim compreendeu e nos proclamou.

Há um caminho a ser percorrido,
Há uma meta a ser alcançada,
Coragem, firmeza, mansidão vivenciadas. 

Não fincar âncoras no passado consumado,
Inaugurar o futuro, germinando sementes,
Que no presente são, no coração, fecundadas.

Ele nos chama e nos pede confiança,
Despojamento, discernimento, prontidão...
Não há nada mais belo e sagrado a fazer, 

Ao seu chamado prontamente responder,
Carregar a cruz, renúncias são necessárias,
Amadurecimento, crescimento, alcançados.

Mas como seguir alguém que nem tem
Onde a cabeça reclinar, apesar do mundo
Por Ele ter sido feito e d’Ele ser Senhor?

De fato, não teve onde reclinar a cabeça,
Se não o duro Madeiro da Cruz.
Inclinando a cabeça disse: “tudo está consumado”.

Não tinha almofada, travesseiro, aconchego...
Despido, despojado, insultado, crucificado,
O abismo da maldade humana quis derrotá-Lo.

Quem não tinha onde reclinar a cabeça,
Porque assim livremente o quis,
Pobre Se fez para nos enriquecer. 

Descendo ao mais profundo da mansão dos mortos,
Resgatou a vida, para renascer, ressuscitar
Cheio de beleza, vigor, enfim Glorificado.

Hoje não mais reclina a cabeça sobre o Madeiro,
Está de pé, ao lado do Amado Pai, nosso Criador,
Em comunhão plena, Divino Cordeiro.

Vitorioso, glorioso, à direita do Pai Reinando,
Sua cabeça majestosamente coroada
Pelos Anjos e Santos, mártires e por tantos adorado.

Ele que nunca teve onde reclinar a cabeça
Quer tão apenas um lugar para ser acolhido:
O mais profundo do coração humano.

Ele bate, se abrirmos Ele entrará, 
E com Ele faremos a deliciosa Refeição
No Banquete Eucarístico, sinal do Banquete de Eternidade.

Ele não tinha travesseiro...
Tão pobre, tão despojado, tão simples,
Sobre o Seu ombro, quem apoio não encontrou?

Repousemos em Seu Coração!
Sacratíssimo Coração!
Amantíssimo Coração!

Aquele que não tinha onde reclinar a cabeça
Fez-Se apoio, sustento de toda a humanidade.
Deitado em Seu peito, refaço-me, sigo em frente...

PS: apropriado para a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 8,18-22; Lc 9,57-62)

O olhar e a voz da misericórdia divina: Jesus

 


O olhar e a voz da misericórdia divina: Jesus


“Naquele tempo, Jesus viu um homem chamado Mateus,

sentado na coletoria de impostos, e disse-lhe:

‘Segue-me!’’.  Ele se levantou e seguiu a Jesus.” (Mt 9,9)

 

O olhar,

A voz,

A resposta...

 

Um momento que muda uma vida.

Ontem, o olhar de compaixão do Senhor;

A Sua voz, penetrante como espada de dois gumes;

A resposta de Mateus ao chamado.

 

Hoje, Ele também passa por nós.

Seu olhar, mar de compaixão, nos envolve.

É impossível a indiferença ao fixarmos n’Ele, o nosso olhar.

Um colírio para a fé, e  para sempre nossos olhos n’Ele fixos.

 

Sua voz como suave melodia,

Envolve-nos o  corpo, a alma e o espírito.

Invade os ouvidos do coração,

Em  divino abraço de ternura.

 

“Segue-me”.

Ontem, Mateus Te seguiu,

A vida por Ti entregou,

Martírio abraçou, consumido pelo Amor.

 

“Segue-me”.

Hoje, nós discípulos missionários Teus,

Queremos por Ti a vida consumir,

Com renúncias cotidianas necessárias, a cruz assumir.

 

Ó divino olhar de misericórdia a nós dirigido.

Ó suavidade de voz que invade as veias do coração.

Que nosso coração contigo em perfeita sintonia,

Seduzido pelos mesmos sentimentos que brotam do teu coração. Amém.



PS: Passagem do Evangelho de Mateus (Mt 9,9-13)

 

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