https://www.youtube.com/c/DomOtacilioFerreiradeLacerd d brba
Dom Otacilio F. Lacerda
quarta-feira, 8 de julho de 2026
Enviados para testemunhar a Palavra da Salvação
Enviados para testemunhar a Palavra da Salvação
“A Palavra da Salvação
Na passagem do Evangelho (Mt 10,1-7), proclamada na quarta-feira da 14ª Semana do Tempo Comum, Jesus escolhe e envia os doze Apóstolos em missão.
Bem sabemos que "doze" representa a “totalidade” da população (doze Patriarcas, doze tribos, etc.).
Bem sabemos que "doze" representa a “totalidade” da população (doze Patriarcas, doze tribos, etc.).
A eles Jesus confere a Sua autoridade, com o poder de expulsar demônios, curar enfermidades e pregar a Boa Notícia da chegada do Reino, como Apóstolos (enviados).
Jesus os envia com sua realidade existencial concreta, marcada por ímpetos de heroísmos, intuições, interrogações sinceras, renegações, fugas e, por fim, a traição.
São Enviados para comunicar a Palavra da Salvação, que tantas vezes aclamamos, quando ao terminar a proclamação do Evangelho, dizemos: –“Glória a Vós Senhor!”.
A Palavra da Salvação ouvida, acolhida, acreditada, precisa ser vivida, testemunhada e, assim, com ela, sermos sinais e instrumentos do Reino:
"A Palavra da Salvação coloca-nos a caminho, na Igreja, para a dimensão de plenitude do Reino”.(1)
A Palavra da Salvação, encarnada corajosamente em nossa vida, tornará iluminado nosso caminho, e de quantos possamos esta luz comunicar.
A fé não se vive isoladamente, como gesto intimista, porque possui dimensão comunitária, eclesial.
Alimentados e revigorados com a força da Palavra (Pão) e saciados pelo Pão de Imortalidade (Eucaristia), continuamos nossa viagem para a eternidade, comprometidos na transformação de nossa provisoriedade, até o esplendor da glória na eternidade. A Eucaristia é verdadeiramente o viático, o Alimento nesta viagem para a eternidade.
Por vezes moribundos e fracos, devido às dificuldades a serem enfrentadas, temos que nos alimentar sempre deste Pão Eucarístico, acolhendo no mais profundo de nós a Palavra de Salvação, que ilumina os recônditos mais obscuros de nossa alma e de nossa história.
A Eucaristia é, de fato, Banquete luminoso, porque é o Mistério da Fé que professamos.
Concluindo, meditemos estas Palavras que são ditas nas Missas, e que devem, com toda intensidade de piedade, nos comprometer com a Sua segunda vinda:
“Anunciamos Senhor a Vossa Morte e proclamamos a
Vossa Ressurreição, Vinde Senhor Jesus”.
(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Tempo Comum - Volume I - pág. 681
“É tempo de procurar o Senhor”
“É tempo de procurar o Senhor”
O apelo dos antigos profetas (Os 10,1-3.7-8.12), na denúncia da infidelidade e idolatria vividas, ressoa na pregação dos Apóstolos, enviados a recompor a unidade do Povo de Deus (Mt 10,1-7), como arautos da Boa-Nova do Evangelho, na construção do Reino.
Ressoe a palavra do Profeta Oseias: “É tempo de procurar o Senhor”, que consiste em deixar-se encontrar por Deus, porque é Ele que, de muitos modos e incansavelmente, toma a iniciativa da procura, como o pastor de suas ovelhas cansadas e perdidas.
Esta procura da parte de Deus já atingiu a sua finalidade, porque o Reino dos céus já está presente entre nós. Agora é o nosso tempo de Sua incansável procura.
Conforme as palavras do profeta, esta referida procura consistirá na destruição de toda a idolatria, com novas posturas – “Semeai a justiça entre vós, e colhereis amor; desbravai uma roça nova. É tempo de procurar o Senhor, até que Ele venha e derrame a justiça em vós” (Os 10,12).
Hoje, numa realidade em que até se proclama a morte de Deus, ou mesmo a indiferença diante d’Ele, em que se multiplicam sinais de dor, pranto e morte, este apelo do profeta permanece vivo.
A abissal desigualdade social; a abominável realidade de fome que assola milhões de pessoas; a iniquidade praticada em diversos âmbitos; a crise ética, moral, econômica e política, em nível nacional e internacional; e tantos outros fatos nos desafiam a reencontrar caminhos em que a justiça seja semeada, para que colhamos amor, no “desbravamento de roças novas”, e saboreemos novos frutos, em novos amanheceres de alegria, vida e paz.
Concluamos, unindo à palavra do profeta, as palavras de Santo Anselmo (séc. XII):
“Ensinai-me a Vos procurar e mostrai-Vos quando Vos procuro; não posso procurar-Vos se não me ensinais, nem encontrar-Vos se não Vos mostrais. Que desejando eu Vos procure, procurando Vos deseje, amando Vos encontre, e encontrando Vos ame”.
Eucaristia celebrada e na vida prolongada
Eucaristia celebrada e na vida prolongada
O antigo opúsculo “Doutrina dos doze Apóstolos” nos diz como a Igreja, no princípio, celebrava a Eucaristia.
“Dai graças assim, primeiro sobre o Cálice:
'Nós te damos graças, Pai nosso, pela Santa Videira de Davi, Teu servo, que nos deste a conhecer por Jesus, Teu servo; a Ti a glória pelos séculos'.
Em seguida, sobre o pão partido:
'Nós Te damos graças, ó Pai nosso, pela vida e ciência que nos deste a conhecer por Jesus, Teu servo; a Ti a glória pelos séculos.
Do mesmo modo como este Pão estava espalhado pelos montes e, colhido, tornou-se uma só coisa, assim, desde os confins da terra, se reúne Tua Igreja em Teu Reino; porque Te pertencem a glória e o poder, por Jesus Cristo, nos séculos'.
Ninguém coma ou beba da Vossa Eucaristia que não tenha sido batizado em nome do Senhor.
De fato, sobre isto disse ele: Não jogueis aos cães as coisas santas.
Refeitos, dai graças assim: 'Nós Te damos graças, Pai Santo, por Teu Santo Nome, cujo trono puseste em nossos corações, e pela ciência, pela fé e imortalidade, que nos manifestaste por Jesus, Teu servo; a Ti a glória pelos séculos'.
Senhor onipotente, Tu criaste tudo por causa de Teu nome, deste aos homens o alimento e a bebida, a fim de Te agradecerem; a nós, porém, concedeste o Alimento e a Bebida espirituais e a vida eterna, por Teu servo. Antes de tudo Te damos graças por seres poderoso; a Ti a glória pelos séculos.
Lembra-Te, Senhor, de Tua Igreja para defendê-la de todo mal e torná-la perfeita em Tua caridade; reúne-a, santificada, dos quatro ventos em Teu reino que lhe preparaste; porque Teu é o poder e a glória pelos séculos.
Venha a graça e passe este mundo! Hosana ao Deus de Davi! Quem é santo, aproxime-se; se não o for, faça penitência; Maranathá, amém.
Congregados no Dia do Senhor, parti o Pão e dai graças, depois de terdes confessado vossos pecados, a fim de ser puro vosso sacrifício.
Todo aquele, porém, que tiver uma desavença com seu companheiro, não se junte a Vós antes de se terem reconciliado, para que não seja profanado vosso sacrifício.
Pois foi o Senhor que disse:
'Em todo lugar e em todo tempo oferecer-me-eis um sacrifício puro, porque sou o Grande Rei, diz o Senhor, e é admirável o meu nome entre as nações.” (1)
Sejamos elevados a pronunciar ou a ouvir tais palavras ao celebrar e participar da Ceia Eucarística, e questionemos se temos o coração puro para recebê-La.
Participemos ativa, consciente e piedosamente na Ceia Eucarística, e redescubramos o Salutar Sacramento da Penitência (conhecido como Sacramento da Confissão) para reconciliarmo-nos com Deus e com nosso próximo.
É sempre tempo para celebrarmos o Sacramento da Penitência, com uma boa confissão de nossos pecados, e renovados pela misericórdia e perdão divinos.
Corramos, sem demora, se necessário, ao exame de consciência, contrição, confissão e compromisso de tornar mais verdadeira e frutuosa a Eucaristia que celebramos, para que ela não seja reduzida a um culto isolado, mas se prolongue em nossa vida, com gestos de acolhida, perdão, ternura, amor, solidariedade...
(1) Lit. das Horas - Vol. III - pág. 418-419.
terça-feira, 7 de julho de 2026
A Inteligência artificial a serviço da autêntica comunicação
A Inteligência artificial a serviço da autêntica comunicação
Oremos:
Ó Deus, Vós que nos criastes à Vossa imagem e semelhança,
ajudai-nos a preservar a dignidade do rosto e da voz de cada pessoa com quem convivemos,
dentro e fora da comunidade que participamos.
Ajudai-nos, para que jamais percamos
a beleza do encontro humano,
vivendo em espaços nos quais as relações sejam fundadas
no amor, verdade, liberdade.
Concedei-nos a Vossa Divina sabedoria,
para o correto uso das novas tecnologias,
e que a inteligência artificial seja instrumento do bem
e jamais substitua a empatia e fragilize a liberdade humana.
Iluminai-nos, para que nossa comunicação favoreça
a cultura do encontro e da vida fraterna,
colaborando no florescer o pensamento crítico,
com a proteção dos mais frágeis e
de toda forma de manipulação, dominação e mentira.
Pai de ternura e bondade, firmai nossos passos
nos passos do Vosso Filho,
que Se fez Palavra e veio morar entre nós
Para nos comunicar com a Vida e a Voz
a Palavra de Vida plena e eterna.
Na fidelidade à Palavra do Vosso Filho,
a Revelação do Vosso rosto de Misericórdia,
ensinai-nos a educar e comunicar em todos espaços,
reais e virtuais com responsabilidade, como alegres cooperadores de esperança.
Enfim, ó Deus, para que toda inovação
esteja a serviço da humanidade,
Sejam nossas palavras promotoras de paz e a comunhão;
e que nossa voz e nosso rosto revelem sempre Vossa presença,
com a assistência, ação e luz do Vosso Santo Espírito. Amém.
PS: Inspirado na Mensagem do Papa para o LX Dia Mundial das Comunicações Sociais - 2026, que poderá ser acessada na íntegra
https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/communications/documents/20260124-messaggio-comunicazioni-sociali.html
https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/communications/documents/20260124-messaggio-comunicazioni-sociali.html
Espiritualidade da Resistência: Desistir jamais! Resistir Sempre!
Espiritualidade da Resistência:
Desistir jamais! Resistir Sempre!
“A Palavra de Deus é um bom bocado de
pão para alimentar nossa caminhada”
A melhor definição que podemos dar à espiritualidade é viver segundo o Espírito de Jesus, revelado a nós pelas Escrituras. Toda a nossa existência (em nível, pessoal, familiar, social, cósmico) faz parte de uma autêntica espiritualidade.
Não podemos confundir espiritualidade com espiritualismo. Espiritualismos não levam ao novo do Reino inaugurado por Jesus; não criam relações amplas e geradoras de novas relações e novas configurações. Espiritualidade não é sentir e reter o Espírito no íntimo de cada um de nós, mas é favorecer que a nossa vida seja norteada pelo sopro do Espírito. Numa palavra, espiritualidade abarca toda a nossa existência e possibilidade de existência.
A realidade pós-moderna coloca aos cristãos desafios novos para a fidelidade ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. Diante de uma gama imensa de problemas e desafios, muitos pensam em desistir da luta, entregar os pontos, ceder ao domínio da exploração que pesa sobre todos nós.
Alguns já chegaram, por causa da situação, ao ato máximo do desespero: o suicídio. Mas, como cristãos, não haveremos de nos entregar. É preciso mais do que nunca alimentar nossa Espiritualidade, nossa fé e compromisso, revigorando nossa vocação profética.
A fim de revitalizar nossa mística/espiritualidade e revigorar nosso caminhar, urge que voltemos a beber da fonte Bíblica, de modo especial à luz do Evangelho.
A realidade em que vivemos, guardada as devidas proporções, não é diferente daquela que viveram as primeiras Comunidades.
À luz do novo testamento, apresento Dez motivos para não desistirmos.
Alimentemo-nos destas passagens bíblicas que, com certeza, refletidas, vividas, reorientarão nossos sonhos, lutas e compromissos:
1 - Mt 9, 35-38 – Jesus Se compadeceu da multidão, pois estavam“cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor...” - E insiste para que peçamos ao Senhor da colheita (o Pai) que envie operários para a Sua colheita. Como não nos sentirmos interpelados pela compaixão de Jesus, ontem, hoje e sempre? Deixaremos que mais e mais ovelhas venham a morrer, sem levar os “pastores” ao seu real compromisso com os pobres?
2- Lc 1, 46-56 – “Magnificat” – É o canto de Maria, o canto da esperança dos pobres. Erguer a cabeça e continuar a luta é indispensável, para que possamos perceber a alegria deste canto. Com Maria e com os pobres de ontem, hoje e sempre, buscaremos a transformação necessária (política, social e econômica). Não é o canto dos alienados, mas daqueles que, verdadeiramente, buscam a novidade do Reino!
3 - Lc 4,16-21 – “O Espírito do Senhor repousa sobre mim, me enviou para evangelizar os pobres...” – Não estamos sozinhos em nossa luta, nem na vida, sequer na morte (Bento XVI). Precisamos perceber e permitir a ação do Espírito de Deus em nosso meio, no “bom combate da fé”. Ardentemente, desejamos que se realize o ano da Graça do Senhor, para que os pobres possam recuperar aquilo que lhes fora tirado: a vida!
4 - Mt 5,1-12 – O Sermão da Montanha – Sem dúvida o programa de Jesus não é para os medíocres e ostentadores da riqueza, do domínio e da exploração e concentração... Nem de longe Jesus nos engana no Seu real seguimento. Ele nunca quis atrás de Si pessoas sem compromisso com a justiça, a partilha e a paz. Ele não Se deixa enganar com a quantidade, mas exige a qualidade da intimidade de Seus seguidores.
Urge que multipliquemos momentos de comunhão e oração, de escuta, para descobrirmos o que Ele quer de nós. Segui-Lo exige uma tomada de decisão e há riscos. Ele antecipa dizendo que o preço a ser pago poderá ser a própria vida. Mas vale a pena! Eis o caminho da verdadeira felicidade que o mundo não pode dar, mas somente Ele, que é fonte da autêntica paz que brota do compromisso com a vida, sobretudo, com a vida dos pobres!
5 - Jo 15,1-17 – Jesus é a videira e O Pai é o agricultor, nós os ramos - Jesus nos diz que sem Ele nada podemos fazer; convida-nos a ficarmos intimamente unidos a Ele, para que possamos produzir muitos frutos.
Como se desligar da verdadeira Árvore da Vida? Somente com Ele é que a alegria pode ser plena.
Vivemos um período da história, em que não percebemos os frutos aparecendo. Não estaremos passando pelo momento das podas? Certas dificuldades e inquietações por que passamos, parecem ser “a morte da videira”. Precisamos mais do que nunca nos alimentar da Seiva da Vida, sobretudo na Eucaristia, e na prática do Mandamento do Amor que nos mandou viver. Situações limite hoje só poderão ser superadas numa autêntica vivência do amor, não só nas pequenas relações, mas nas grandes relações nacionais e internacionais. Com isto, não faz sentido o individualismo, o imediatismo, a violência, a acomodação, o corporativismo. Que o amor seja expresso em nossa união e participação em grupos organizados, cooperativas, comunidades e grupos de base.
6 - At 2,42-47 – Os cristãos eram assíduos no Ensinamento dos Apóstolos, na Oração, na Comunhão Fraterna e na Partilha do Pão - são os quatro pilares básicos de uma autêntica comunidade. As comunidades que professam a fé, inclusive em outros grupos e movimentos populares, só terão sentido de existência se realmente favorecerem a comunhão fraterna, expressada na luta e conquista dos direitos, na luta pelo bem comum.
Ontem como hoje, nossa sociedade precisa aprender a grande lição da partilha. Sem este aprendizado torna-se insustentável a própria vida do planeta, pois é preciso “cuidar de nossas formas de convívio na paz, na solidariedade e na justiça. Cuidar de nosso meio ambiente para que seja um ambiente inteiro, no qual seja possível o convívio entre os diferentes. Cuidar de nossa querida e generosa mãe terra” (L.Boff).
7 - 2 Cor 4, 7-18 – Tribulações e esperanças da luta - Esta passagem é a máxima expressão do momento em que vivemos. Recorrer a ele é perceber nossa pequenez, limitações, inquietações, angústias, incertezas e situações de desespero. Porém, há um aceno maior de volta por cima, de reencontro dos caminhos. Na vivência do momento que é transitório, não podemos perder a capacidade de enxergar além das aparências, do que se pode chamar de derrota, mas que para nós é sinal de vitória: a Cruz. A morte d’Ele não foi a última palavra – A vida venceu a morte!
8 - Rm 8,31-39 – “Quem nos separará do amor de Cristo?” - Com o Apóstolo Paulo, respondemos: Nada nos separará do amor à vida, do amor à nossa terra, terra de nossos povos indígenas... Nem a tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada, nenhum problema trazido pela pós-modernidade. Unidos a Ele, lutamos e nos comprometemos para que tudo isto seja superado, a fim de que possamos voltar a sorrir.
9 - Ap 21 – “Vi um novo céu e uma nova terra” – O Livro do Apocalipse, escrito em tempo de martírio e perseguições, fortalece-nos na luta para que não haja mais morte de inocentes, luto por falta de pão e saúde, clamor por falta da terra, dor pela doença e uso de agrotóxicos, destruição do eco sistema...
10 - 1 Cor 13,1-13 – “Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos sem amor eu nada seria” - Como militantes em nossas comunidades, grupos e movimentos, precisamos reaprender o autêntico sentido do amor, da caridade. Somente na expressão e prática do amor, faremos a opção pelo Deus da Vida e não do Capital, para ser um tijolo na construção de uma possibilidade que não seja o capitalismo. Nenhum sistema tem a última palavra. A última palavra será sempre “o Amor!”.
Concluindo, a realidade pós-moderna em que vivemos, a autêntica espiritualidade nos convoca a todos a uma empreitada que ultrapasse todas as fronteiras (vivemos num mundo globalizado), para configurar uma nova realidade familiar, comunitária, social e planetária.
Toda a sociedade, alimentada pela Palavra, que é um bom bocado de Pão a ser devorado, deve fazer parte de um grande mutirão para erradicação de tudo atente contra a vida; contra tudo aquilo que se nos apresentar como desumanizador. Ninguém pode ficar fora desta jornada. A salvação de cada pessoa, passa pelo compromisso e solidariedade com o próximo.
Uma espiritualidade verdadeira não se alegra nem faz rimas com disparidades, desigualdades... Cada pessoa deve dar o melhor de si, para viver segundo o Espírito, que é sentir-se parte do Corpo Místico de Cristo: “haverá um só rebanho e um só Pastor”.
Uma Espiritualidade fonte de vida deve nos levar a um questionamento profundo: o que podemos, à luz do Espírito, fazer para que esta utopia, nova realidade, novo mundo se concretize? Acomodar-se, nada fazer é negar a razão e a essência da espiritualidade.
Viver segundo Espírito não nos conforma à miséria. Toda sociedade civil tem algo em comum a realizar, ou estaremos minando, esvaziando o sentido pleno e evangélico de “espiritualidade”. É preciso romper a barreira do possível e alcançar os horizontes do inédito”.
Ó amoroso convite, expressão da inefável bondade divina
Ó amoroso convite, expressão da inefável bondade divina
“Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo
e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração
e encontrareis descanso para as vossas almas,
pois meu jugo é suave e meu fardo é leve” (1)
O mais amoroso dos convites que possamos ouvir,
Brotam dos lábios do Senhor, manso e humilde de coração.
Ó inefável bondade divina, que se compadece de nossos humanos cansaços, e sem demora a Ele acorremos e deles nos refazemos.
“Quem será tão de pedra, quem tão teimoso que não obedeça a um convite tão bondoso?... Não vos assusteis ao ouvir ‘jugo’, porque este ‘jugo’ nem roça o pescoço nem faz abaixar a cabeça, ao contrário, ensina a pensar nas coisas do alto e forma na verdadeira filosofia” (2)
Bem sabia o Mestre o peso do jugo da dominação em que viviam,
E já dissera pouco antes, tomado de compaixão,
Que o povo que a Ele acorria, eram como ovelhas sem pastor,
Em todas as dimensões próprias da condição humana.
Hoje, também estamos cansados e fatigados por motivos diversos:
A pandemia que se manifestou numa sociedade muito antes enferma;
A insegurança, o medo que, por vezes, devora nossa coragem
E a esperança de um amanhã certo, que parece tardar acontecer.
Cansados da mentira sendo semeada e cultivada,
No canteiro dos pensamentos fecundos porque vazios;
Da hipocrisia já não mais disfarçada por falta de pudor,
Espalhando palavras e posturas de insana mediocridade.
Cansados pela violação da sacralidade da vida,
Sem limites e escrúpulos da violação do humano,
Porque curvados sob a ânsia do lucro, do acúmulo,
Subservientes do ídolo que ceifa vidas – o capital.
Embora cansados, e porque cansados, não podemos desistir
De buscar um novo céu e uma nova terra,
Construindo pontes de fraternidade e solidariedade.
Derrubando muros que separam com seus preconceitos e inimizades.
Ouçamos, em tempo, o amável convite que o Senhor nos faz.
A Ele acorramos, e aos Seus pés nos prostremos.
Tomemos o jugo da Cruz que nos oferece, e nos pede conversão,
Novas posturas, novas atitudes e mentalidades.
Cruz que, ainda que nos pese, grande ou pequena, levaremos,
Dependendo da medida da capacidade do amor que por Ele temos.
E se pesar, contemos com o sopro e a presença do Espírito,
Que não nos permite curvarmos na busca das coisas do alto.
Ó amoroso convite, expressão da inefável bondade divina.
(1) (Mt 11, 28-30).
(2) São João Crisóstomo, Bispo e Doutor da Igreja (séc. V)
Assinar:
Postagens (Atom)







