terça-feira, 21 de julho de 2026

Motivações para o Ministério Presbiteral Diocesano

 


Motivações para o Ministério Presbiteral Diocesano

“Eles mostravam-se assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações.” (At 2,42)

Apresento dez motivações para o revigoramento e um frutuoso Ministério Presbiteral:

1 – Formação Permanente – participar das formações, encontros diversos - “Ensinamento dos Apóstolos”

2 – Viver e fortalecer a comunhão com toda a Igreja – “comunhão fraterna”.

3 – Crer numa Igreja Sinodal – caminharmos juntos com a presença do Cristo Ressuscitado – Luc 24,13-35

4 – Viver o espírito de diocesaneidade – 1 Cor 12

5 – Assumir uma Pastoral de Conjunto com seus Organismos e Pastorais.

6  – Nutrir-se de uma Espiritualidade Eucarística – Jo 6

7 – Ter Momentos fortes de oração pessoal e com os irmãos do Ministério, sobretudo o Retiro anual com todo o Clero.

8 – Promover e fortalecer a amizade e fraternidade presbiteral.

9 – Revigorar-se cotidianamente no cuidado da saúde para servir com amor e alegria.

10 – Não há Presbítero feliz sozinho – cultivo de uma afetividade integrada e integradora.

Oremos por todos os Presbíteros para que tenham acesa e fortalecida a chama do primeiro amor da vocação, e sejam zelosos pastores do rebanho a eles confiados (1 Pd 5). Amém.

 

 

Em poucas palavras...

                                             


Libertar-se de sentimentos estranhos

“Um dos pais costumava dizer:

‘Da mesma maneira que é impossível alguém ver seu rosto na água turva, assim a alma é incapaz de oração se não foi purificada de todos os sentimentos estranhos’”  (1)

 

 

(1) Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 379 – p.247

Em poucas palavras...

                                           


Pureza de alma e coração

“Um ancião disse: ‘A ausência de preocupação (Mt 6,25-34), o silêncio e a meditação oculta produzem pureza’” (1)

 

(1)Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 127 – p. 95

A Graça de anunciar a Palavra Divina

                                                          

A Graça de anunciar a Palavra Divina

 “... a pregação é múnus apostólico,
angélico, cristão, divino”

Sejamos enriquecidos com este trecho de um dos Sermões do Presbítero São Lourenço de Bríndisi (Séc. XVI), Doutor da Igreja, Pregador assíduo e eficaz, cuja memória celebramos no dia 21 de julho.

“Para mantermos a vida espiritual, que nos é comum com os anjos do céu e os espíritos divinos, feitos eles e nós à imagem e semelhança de Deus, é necessário, sem dúvida, o Pão da Graça do Espírito Santo e da Caridade de Deus.

Mas a Graça e a Caridade sem a fé são nulas, porque sem fé é impossível agradar a Deus. E a fé também não nasce sem a pregação da Palavra de Deus: A fé vem pelo ouvido, pela audição da Palavra de Deus (cf. Rm 10,17).

Por conseguinte, a pregação da Palavra de Deus é necessária para a vida espiritual, assim como semear o é para manter a vida corporal.

Por isto Cristo diz: sai o que semeia a semear sua semente (Lc 8,5). Sai o que semeia, o pregoeiro da justiça; este pregoeiro lemos ser às vezes Deus que de viva voz dá do céu a todo o povo no deserto a lei da justiça; às vezes, um Anjo do Senhor, que no lugar do pranto censura o povo pela transgressão da Lei Divina e, ouvindo a advertência do anjo, todos os filhos de Israel de coração contrito elevaram a voz chorando com veemência; também Moisés pregou a todo o povo a Lei do Senhor, nos campos de Moab, como se lê no Deuteronômio.

Em seguida, veio Cristo, Deus e homem, para anunciar a Palavra do Senhor e enviou para isto os Apóstolos, assim como enviara antes os Profetas.

Portanto, a pregação é múnus apostólico, angélico, cristão, divino. A Palavra de Deus possui imenso valor, por ser como que o tesouro de todos os bens.

Pois daí vêm a fé, a esperança, a caridade, daí todas as virtudes, todos os Dons do Espírito Santo, todas as Bem- aventuranças Evangélicas, todas as boas obras, os méritos todos da vida, toda a glória do paraíso: Acolhei a Palavra inserida que pode salvar vossas almas (Tg 1,21).

A Palavra de Deus é Luz para a inteligência, Fogo para a vontade para que o homem possa conhecer e amar a Deus; para o homem interior, que no Espírito de Deus vive pela graça, é Pão e Água; porém pão mais doce que o mel e o favo; água melhor que o vinho e o leite.

É Tesouro Espiritual de méritos para a alma, por isto diz-se ouro e pedra preciosíssima. É Martelo contra a dura obstinação do coração nos vícios e contra a carne, o mundo e o demônio, Espada que mata todo pecado”.

Oremos para que se renove em cada Presbítero a graça de anunciar, proclamar, testemunhar a Palavra de Deus, pois não pregam a si mesmos, mas a Palavra d'Aquele que fala por nós e em nós!

Também  para que cada batizado faça o mesmo: acolher a Pessoa do Senhor, escutar Sua Palavra e vivê-la com toda intensidade e ardor.

Renovemos a graça que recebemos de ser sal da terra e luz do mundo, e participar da construção do Reino.

Oremos:

“Ó Deus, que, para a Vossa glória e salvação da humanidade destes a São Lourenço de Bríndise o Espírito de conselho e fortaleza, concedei-nos, pelo mesmo Espírito, conhecer o que devemos praticar, e por suas preces, realizá-lo.
Por N. S. J. C. Amém”.

PS : Liturgia das Horas – Vol.III – Pág. 1433-1434.

O Perdão e as três dimensões do tempo

                                                      

O Perdão e as três dimensões do tempo

Reflexão à luz da passagem do Livro de Miqueias (Mq 7,14-15.18-20), em que nos apresenta as últimas palavras do Livro de Miqueias, com tom de súplica e louvor dirigidos ao Senhor, e note-se que primeiro Deus é invocado como Pastor (vv.14-15), e depois como tão somente Aquele que pode perdoar.

A primeira invocação aparece em várias passagens bíblicas (Sl 23; Ez 34; Jo 10). 

Voltemo-nos para a segunda: Deus não somente é Pastor, mas o Profeta revela que o “o perdão é prodígio maior por ser capaz de extirpar o mal do coração do homem” (1).

O salmista no Salmo responsorial (Sl 84,2-8), por sua vez, retrata em poucos versículos a consciência do pecado do povo. Note-se que nos apresenta as três dimensões do tempo: “o passado dos benefícios realizados por Deus; o presente da súplica para que cesse a ira do Senhor; e o futuro da esperança numa vida e numa alegria renovada” (2).

Assim é Deus: um Pastor que ama, cuida, ouve a prece do rebanho, e Seu perdão é sempre imenso e gratuito e ampara nossa esperança de dias melhores, porque envolvidos e renovados por Sua misericórdia.

Assim acontece quando pecamos: se tomarmos consciência de nosso pecado, imediatamente nos acompanhará a memória de inumeráveis sinais que expressam a bondade e o amor de Deus para conosco; sentimo-nos com a consciência contrita, e suplicamos o perdão de Deus, como possibilidade de uma nova vida, um novo modo de ser e de se relacionar.

Uma vez que o autêntico perdão de Deus é buscado, e acompanhado de compromissos sinceros de conversão permanente e novas atitudes (sobretudo no Sacramento da Penitência, um dos Sacramentos de Cura que a Igreja nos oferece), sentimos o transbordar de uma indizível e incontida alegria, como encontramos nas três Parábolas da misericórdia, do Evangelho de São Lucas (Lc 15).

Como vemos, o autêntico perdão divino nos faz viver as três dimensões do tempo, e somente Deus pode assim fazer. 

Somente um Deus que nos ama assim, com fidelidade irrenunciável, sempre pronto a perdoar e acreditar, nos permite construir um novo amanhecer, sem guerras, atentados, banalização da vida, corrupção, violência, ou quaisquer outros sinais menores ou maiores que firam e maculem a beleza da vida, de sua sacralidade, quer da humanidade (de sua concepção ao seu declínio natural), quer do mundo em que habitamos, o planeta terra, nossa casa comum.

(1) (2) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - p.780.

Quando pertencemos à família do Senhor!

                                                       


Quando pertencemos à família do Senhor!

“Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, 
esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”
(Mt 12,50)

Reflexão à luz da passagem do Evangelho (Mt 12,46-50), em que Jesus nos ensina que Sua família é constituída por todos aqueles que fazem a vontade de Deus, e não tão apenas pelos laços de sangue.

É condição indispensável, portanto um compromisso com o Evangelho e com o Reino de Deus, sem jamais fazer a separação entre que o se crê e o que se vive, o que se celebra e o que se traduz no cotidiano, nos mais diversos âmbitos da vida.

Deste modo, para Jesus há algumas exigências indispensáveis para que alguém se torne importante para Ele, e de Sua família faça parte:

- ouvir a Palavra de Deus, colocando em prática;
- pautar toda existência pelo Mandamento maior do Amor a Deus e ao próximo; amando como Ele nos ama – “amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 13,34);
- saber perdoar, e procurar o perdão, quando necessário, como expressão de que todos somos passíveis de erros e necessitados do perdão do outro, para vivermos a autêntica misericórdia que Ele nos ensinou;
- ter a alegria de partilhar o melhor que possui, para que o milagre da multiplicação continue a ser realizado, de modo que não haja necessitados entre nós;
- aprender que na acolhida do outro, se acolhe o próprio Jesus, sobretudo se for um pequenino, pobre, doente, marginalizado;
- saber se esforçar, quando preciso, em ser sinal de consolo, compreensão e solidariedade, como a mais bela expressão da compaixão divina com expressões concretas;
- ser comprometido com a Boa Nova do Reino, com coragem e profecia, sem deixar-se submergir no medo, na omissão e na indiferença;
- viver a doação pura e simples, sem nada esperar em troca, na mais perfeita alegria;
- saber ser feliz com os que são felizes, mas também saber chorar com os que choram,
- não somente se encontrar e se reunir para celebrar, orar, mas fazer o necessário prolongamento no dia a dia, jamais separando a Mesa da Palavra e do Altar das incontáveis mesas do cotidiano .

Evidentemente que poderíamos apresentar outras exigências, mas estas já são o bastante para avaliarmos o quanto somos, de fato, membros da família de Jesus.

Neste sentido, contemplamos Maria, Sua Mãe, como a mais perfeita e integrada em Sua família, porque não somente foi Mãe da Salvador, pela ação do Espírito Santo, mas em todo o seu viver sempre colocou a vontade Deus acima da própria vontade.

Maria é por excelência modelo de escuta à prática da Palavra, e nos ensina o mesmo fazer, e mais: com ela também podemos contar, para que o mesmo façamos, ressoando em nosso coração suas palavras que não emanaram de seus lábios apenas, mas de um coração pleno do amor e graça divina:

“Fazei tudo o que o Ele vos disser” (Jo 2,5)


PS: Oportuno para a Celebração da Festa em louvor a Nossa Senhora do Carmo no dia 16 de julho

Dar a cada um o que lhe pertence

                               


Dar a cada um o que lhe pertence

Sejamos enriquecidos pelo Sermão escrito por São Lourenço de Brindisi (1559-1619), capuchinho, doutor da Igreja, para a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 22, 15-21).

“«Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus». É preciso dar a cada um o que lhe pertence. Eis uma palavra verdadeiramente cheia de sabedoria e de ciência celestial.

Porque nos ensina que há duas espécies de poder: um humano e terreno, outro divino e celeste. […] Ensina-nos que devemos estar sujeitos a uma dupla obediência: às leis dos homens e às leis divinas. […]

Temos de pagar a César a moeda que tem a efígie e a inscrição de César, e a Deus o que recebeu o sinete da imagem e semelhança divinas: «Resplandeça sobre nós, Senhor, a luz da Tua face!» A luz da Tua face deixou em nós a Tua marca, Senhor (Sl 4,7).

Fomos criados à imagem e semelhança de Deus (cf Gn 1,26). Tu és homem, ó cristão. És, portanto, moeda do tesouro divino, uma moeda que tem a efígie e a inscrição do Imperador divino.

Assim, pergunto com Cristo: «De quem é esta imagem e esta inscrição?» Tu respondes: «De Deus». E eu digo-te: «Então porque não dás a Deus o que é de Deus?»

Se queremos realmente ser imagem de Deus, devemos assemelhar-nos a Cristo, pois Ele é a imagem da bondade de Deus e «imagem fiel da Sua substância» (Hb 1,3). E Deus, «àqueles que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem uma imagem idêntica à do Seu Filho» (Rm 8,29).

Cristo deu verdadeiramente a César o que era de César e a Deus o que era de Deus. Ele observou da maneira mais perfeita os preceitos contidos nas duas tábuas da lei divina, «tornando-Se obediente até à morte e morte de Cruz» (Fp 2,8), e por isso foi elevado ao mais alto grau de todas as virtudes visíveis e invisíveis.”

Somos verdadeiramente imagem e semelhança de Deus, assim o cremos, portanto, devemos dar a César o que é de César e a Deus o que a Ele pertence.

Dar a Deus a nossa vida, a vida do povo, de modo que tudo coloquemos em Suas mãos, ciente de nossas responsabilidades, como cidadãos, obrigações e direitos, mas que tudo seja revertido em prol do povo que a Deus pertence.

Urge que a vida humana seja promovida em todos os seus âmbitos, a fim de que possamos amá-Lo e adorá-Lo sobre todas as coisas, sobre todos os poderes, e cientes de que tudo a Ele pertence: toda honra, glória, poder e louvor. Amém.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG