domingo, 28 de junho de 2026

Em poucas palavras... (São Pedro e São Paulo)

 


São Pedro e São Paulo: Amigos de Deus

“Eis os santos que, vivendo neste mundo,

Plantaram a Igreja,

Regando-a com seu sangue.

Beberam do cálice do Senhor

E se tornaram amigos de Deus.”  (1)

 

(1)        Antífona de entrada da Missa do dia – Solenidade São Pedro e São Paulo, Apóstolos.

 

Paulo: um Apóstolo apaixonado por Cristo

                                                        



Paulo: um Apóstolo apaixonado por Cristo

O Apóstolo Paulo, escrevendo aos Gálatas (Gl 6,14-18), nos exorta ao testemunho radical que passa pela cruz, para alcançarmos a glória, e assim possa nascer em nós a vida do Homem Novo.

O Apóstolo declara que, no centro da sua glória, encontra-Se o Cristo crucificado e não a observância rigorosa da Lei:

“Paulo acreditou tanto nisso que apostou a sua vida inteira nesta certeza, até sentir-se crucificado com Cristo (cf v. 14), trazendo ‘no seu corpo’ os sinais de uma permuta existencial de participação no Mistério da Paixão de Cristo.

A conformidade com a Cruz marcou o seu próprio corpo, como testemunham ‘os estigmas’ dos sofrimentos provocados pelo seu ministério apaixonado”. (1)

Deste modo, para que vivamos o discipulado com fidelidade, precisamos ser gerados e alimentados pela Divina Fonte da Eucaristia, a fim de que sejamos “novas criaturas”, carregando com fidelidade nossa cruz, cotidianamente.

Na saudação final, invoca a “graça de Cristo” sobre a comunidade, pois esta é fundamental para que se viva a comunhão e a solidariedade na missão, e em todos os momentos, não obstante às dificuldades e incompreensões que tenhamos que suportar.

Oremos:

“Senhor Deus, que na vocação batismal nos chamais a estar plenamente disponíveis para o anúncio do Vosso Reino, concedei-nos a coragem apostólica e a liberdade evangélica, para que levemos a todos os ambientes da vida a Vossa Palavra de amor e de paz. Amém” (2)



(1)         Lecionário Comentado – Editora Paulus – Vol. I do Tempo Comum – p.669
(2)        Idem p.672

Minhas reflexões no Youtube

 
Acesse:

https://www.youtube.com/c/DomOtacilioFerreiradeLacerd d brba 

“O apostolado nasce do amor e exerce-se no amor” (São Pedro e São Paulo)

                                                     


“O apostolado nasce do amor e exerce-se no amor”

Na Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, refletimos sobre o exemplo de fidelidade a Jesus e o corajoso testemunho do Projeto Libertador de Deus que os impulsionou.

Consumiram a própria vida por Cristo, consumaram pelo martírio, tamanho amor vivido, tiveram o coração por Cristo plenamente conquistado.

A passagem da primeira Leitura (At 12, 1-11) nos revela o Amor zeloso de Deus àqueles a quem chama, ama e envia, bem como o carinho, a Oração e a solidariedade da comunidade pelos líderes da Igreja e por toda a Igreja.

Numa bela catequese, Lucas retrata o cuidado que Deus tem para com a Sua Igreja. Não foram fáceis os primeiros momentos da Igreja nascente: perseguição, incompreensão e martírio.

Os Apóstolos, como Tiago, beberam do mesmo cálice, como o Senhor anunciara (Mc 10,38). Estes continuam a missão de Jesus que, por Sua presença, agindo e libertando, é o selo da autenticidade da missão realizada.

Assim acontecerá com toda comunidade que viver a fidelidade e a radicalidade do Evangelho, em todo lugar e em qualquer tempo.

A passagem da segunda Leitura (2Tm 4,6-8.17-18) é um texto comovente e questionador, pois reflete sobre a pessoa, a missão e o caminho feito por Paulo, marcado pelo entusiasmo, entrega, fidelidade e radicalidade no seguimento do Senhor. Paulo é dom total da sua vida, para que a Salvação chegue a todos os povos.

O Apóstolo Paulo tem a preocupação de que a comunidade não se desvie pelas falsas doutrinas, mas fique firme no Evangelho por ele anunciado.

Neste sentido, exorta para que Timóteo reavive a chama da fé, renovando o entusiasmo na fidelidade ao Senhor. Paulo sabe que percorreu um caminho difícil e que vale a pena; um caminho que conduz, necessariamente, à vida plena.

Por tudo isto, se apresenta como modelo de testemunho, e inspirador para todo aquele que quiser o Senhor seguir, anunciar, testemunhar; pois combateu o bom combate da fé.

Se nos deixarmos conquistar totalmente pelo Amor de Cristo, também cumpriremos atos de heroísmo, como estas duas colunas da Igreja.

Jamais nos falte a graça deste amor, para que superemos e afastemos toda e qualquer forma de presunção, acolhendo a força de Deus em nossa fragilidade.

A passagem do Evangelho (Mt 16,13-19), apresenta na primeira parte, uma instigante pergunta “quem é Jesus para nós?”. A resposta de Pedro é a mais bela possível: “ Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”; e, na segunda, nos apresenta a missão da Igreja na pessoa de Pedro.

Jesus não quis averiguar Seu “índice de popularidade”, mas desejava que os discípulos tivessem a verdadeira compreensão de Sua identidade: quem é Jesus e qual é a Sua missão, considerando que, na passagem proclamada, Ele tem no Seu horizonte o destino da Cruz.

As respostas superficiais levam ao seguimento na mesma medida, e até mesmo ao abandono. É preciso captar a profundidade do Mistério de Jesus: unidade e intimidade com o Pai para realizar o Projeto Salvador com a força do Santo Espírito.

Por isto, edifica a Igreja sobre a fé de Pedro para continuar a Sua missão. Jesus confia a Pedro as chaves para ligar e desligar, acolher ou excluir, porque não há admissão à comunidade sem a adesão às Suas propostas.

Assim como a tríplice negação de Pedro foi acompanhada de um triplo ato e profissão de amor, também nós o façamos, para não recuarmos em nossa missão e fidelidade ao Projeto que Deus tem para cada um de nós realizar.

Do amor que nos consome por sermos conquistado por Cristo, nasce o serviço que devemos cumprir, amando a Igreja com suas sombras e luzes, pecado e graça, alegrias e tristezas...

Nesta Solenidade, não sejamos econômicos em rezar por toda a Igreja, e de modo especial pelo Papa, que continua a missão de Pedro, confiada por Jesus. 

O amor à Igreja e ao Papa devem caminhar sempre juntos em nosso Apostolado, haja vista que:

“O que vale para Pedro, vale para cada Papa e para cristão. Exercemos já talvez atividades na Paróquia; façamos com que sejam feitas com amor. Ou então, poderíamos cumpri-las, mas ainda não nos decidimos: esforcemo-nos para que isso aconteça o mais depressa possível, preparemo-nos, atuemos por amor.

O apostolado nasce do amor e exerce-se no amor. É o que nos dizem, na sua atividade concreta, os dois Santos que  festejamos. [...] A Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo quer despertar em nós o compromisso pelo apostolado no amor.” (1)

Reflitamos:

- Qual é o lugar que Jesus ocupa em minha existência?
- Quem é Jesus Cristo para mim?

- Por que sou e estou na Igreja?
- Sinto-me membro vivo de uma comunidade estruturada para amar e servir na fidelidade ao Divino Mestre?

- O que a fé testemunhada de Pedro e Paulo me inspira, questiona, para melhor seguir o Senhor e viver mais plenamente o Evangelho?
- Sinto meu apostolado nascer do amor e por amor a Jesus?

- Quanto e quando rezo pela Igreja e pelo Papa?

Pai Nosso que estais nos céus...


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - 2011 - p.925.

“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (São Pedro e São Paulo)

                                                     

“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”

Eis a resposta de Pedro à pergunta que Jesus fez sobre Sua identidade: “E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16)

O Bispo Santo Irineu (séc. II), com poucas palavras  descreve o que significa o nome de Cristo:

“É, aliás, o que indica Seu próprio nome, pois no nome de Cristo está subentendido Aquele que ungiu, Aquele que foi ungido e a própria Unção com que Ele foi ungido: Aquele que ungiu é o Pai, Aquele que foi ungido é o Filho, e o foi no Espírito, que é a Unção” (1).

No Mistério da Santíssima Trindade, contemplamos a comunhão de três Pessoas e um só Deus: o Pai ungiu, o Filho foi ungido e a Unção é o próprio Espírito.

Esta definição nos remete à afirmação do Bispo e Doutor da Igreja, Santo Agostinho (séc. V): “Com efeito, são Três: o Amante, o Amado, o Amor.”; “E não mais que Três: um que ama aquele que procede dele, um que ama aquele do qual procede, e o amor mesmo.” (2)

Pelo Batismo somos ungidos pelo óleo, e também no Sacramento da Crisma, quando recebemos a plenitude dos dons do Espírito, quando na unção se diz, ao assinalar a fronte do crismando: “Recebe por este sinal + o Espírito Santo, o dom de Deus”.


Deste modo, também somos ungidos, marcados pelo selo do Espírito para ser sinal de Deus no mundo, proclamando e testemunhando a Boa-Nova que o Senhor nos anunciou e ao mundo nos enviou para continuar a Sua missão.

Contemplemos a Santíssima Trindade, e mergulhemos no Mistério imenso e intenso de amor destas três Pessoas.


(1) Catecismo da Igreja Católica – n. 438
(1)De Trinitate – Santo Agostinho – citado em Teologia da Ternura – um “evangelho” a descobrir - Carlo Rochetta - Editora Paulus – pág. 318 
Reflexão apropriada para a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 9,18-24)

Oliveiras e candelabros do Senhor (São Pedro e São Paulo)

                                         


Oliveiras e candelabros do Senhor 

Apóstolos, Pedro e Paulo,
“São duas oliveiras
Diante do Senhor,
Brilhantes candelabros
De esplêndido fulgor.”(1)
 
Selaram a missão com o martírio,
Vidas configuradas a quem tanto amaram:
Jesus Cristo, Nosso Senhor,
Da humanidade, Divino Redentor
A Ele, toda honra, glória, poder e louvor.
 
Vidas modeladas pela Palavra divina,
Mais que cortante e penetrante
Do que a espada nas Escrituras mencionada,
Dividindo a alma e o espírito,
Seguiram passos firmes e confiantes.
 
Despojamento incondicional testemunhado,
Sem pompas nem acastelamentos enganadores,
Pois tão somente no Senhor depositavam a esperança,
Fé autêntica na Divina Fonte do Amor:
Corações seduzidos pelo Fogo Abrasador.
 
Duas histórias de paixão pelo Senhor,
Coragem vivida sob a luz das estrelas,
Iluminados pela Luz do Sol Nascente,
Fidelidade provada em todo tempo,
Acrisolada, pelo fogo do amor purificador.
 
Sacrifício, combate e empenho -
Em cada linha da história de ambos,
Foram escritas para sempre:
Um o Martírio pela cruz, o outro pela espada,
Na glória celestial, vidas eternizadas. Amém.


(1) Ofício das Leituras - Hino da Solenidade de São Pedro e São Paulo

Pedro e Paulo, o Amor de Cristo os seduziu (São Pedro e São Paulo)

                                                             

Pedro e Paulo, o Amor de Cristo os seduziu
 
Celebramos a Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, que viveram total fidelidade e testemunho de Jesus Cristo Vivo e Ressuscitado, e chegaram gloriosamente à pátria celeste: Pedro pela cruz e Paulo pela espada.
 
Com a passagem da primeira Leitura (At 12,1-11), refletimos sobre a missão e o testemunho do Apóstolo Pedro, e renovamos a certeza de que Deus cuida daqueles que chamou, ama e envia. 
 
Pedro foi chamado por Jesus Cristo e com Ele conviveu, e do Divino Mestre, recebeu todos os ensinamentos, bem como lhe foram confiadas as chaves do Reino dos Céus para ligar e desligar, para conduzir o rebanho do Senhor.
 
Deste modo, com a passagem, mais que uma descrição histórica, temos uma catequese de como Deus cuida de Sua Igreja, de modo que as portas do inferno não prevalecerão contra ela, como bem foi dito no Evangelho pelo Senhor. É como um selo da autenticidade da missão dos Discípulos Missionários do Senhor.
 
O caminho feito por Pedro, em muito se assemelha ao d’Aquele pelo qual teve o coração seduzido: Jesus Cristo.
 
Bem disse o Senhor – “Bem aventurados sois vós quando vos injuriarem, caluniarem, perseguirem e disserem todo nome por causa de mim. Alegrai-vos e regozijai-vos, porque será grande a vossa recompensa nos céus” (Mt 5,11-12), e ainda: “Não temais pequeno rebanho do meu Pai, porque a vosso Pai agradou dar-vos o Reino” (Lc 12,32).
 
Os discípulos de Jesus devem testemunhar com sinceridade e coragem os valores que acreditam, contra todas as dificuldades, incompreensões, perseguições e calúnias.
 
Também contemplamos uma comunidade solidária e solícita na oração; unida na alegria e na dor; na perseguição e na vitória, e vemos como é  necessária a Oração da comunidade em favor daqueles que dela cuidam, e hoje de modo especial, elevamos orações pelo nosso Papa Leão XIV, sucessor de Pedro.
 
A passagem da segunda Leitura (2Tm 4,5-8;17-18), como que um Testamento de Paulo, um discurso final, uma avaliação de todo seu apostolado, é uma luz que se acende para o encorajamento da comunidade,  e que será muito propício para o reavivamento de seu ardor evangelizador e ânimo pastoral.
 
Paulo não conviveu com o Senhor, mas teve aquele encontro com o Ressuscitado que reorientou todo o seu existir. Não propriamente uma conversão, porque ele era zeloso no cumprimento da Lei Divina, mas aquela experiência a caminho de Damasco transformou todos os seus planos e projetos, tornando-o Doutor das Nações, o grande missionário evangelizador em suas impressionantes viagens missionárias.
 
Ele se apresenta como um “atleta” de Cristo, empenhado no bom combate da fé, suportando o martírio; ora silencioso, ora extremado, culminado em sua morte pela espada.
 
Na passagem, temos o lamento desiludido de um homem cansado, como é próprio da condição humana. Mas tem algo mais: sabe em quem confiou, sabe que Deus jamais o desamparou. Entenda-se lamento desiludido, não como decepção, mas como a extrema confiança da missão que abraçou e se dedicou.
 
Assim pode acontecer conosco, podemos até nos decepcionarmos nos espaços internos da Igreja ou fora dela, mas jamais com Deus. E, por isto, jamais desistir da missão. 
 
Se há algo que nos entristeça, há muitíssimo mais que nos alegra. Mistério da Cruz, Mistério Pascal que deve ser vivido com toda fé, esperança e caridade.
 
Mesmo no cárcere, escrevendo a Timóteo, Paulo encontra palavras de ânimo, de exortação. 
 
Acolhamos estas palavras, sobretudo nos momentos difíceis por que possamos passar, na obscuridade dos fatos, nos quais Deus mais do que nunca Se revela com todo Seu esplendor, com todo Seu amor.
 
Paulo testemunha de quem confia no Senhor, e nunca se sente só, jamais se sente desamparado. Ele mesmo disse aos Filipenses –“Tudo posso n’Aquele que me fortalece” (Fl 4,13).
 
Na passagem do Evangelho (Mt 16,13-19), temos a interrogação de Jesus sobre a Sua identidade. 
 
Não se trata de conferir índice de ibope, mas a compreensão da Sua verdadeira identidade para que configure Seus discípulos a Ele.
 
Que saibam a quem seguem, e a quem vão testemunhar. Respostas superficiais e inconsequentes não agradam o Coração do Senhor. Pedro pela revelação divina dá a verdadeira resposta: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”.
 
Por isto, assim como negara três vezes na paixão e morte do Redentor, por três vezes teve que responder a inquietante interrogação de Nosso Senhor: “Simão, filho de Jonas, tu me amas mais do que estes?”.
 
Como já mencionei, a Pedro são confiadas as chaves. Não para ser guardião nas portas dos céus, mas para conduzir, organizar, orientar o rebanho do Senhor a Ele confiado. Esta é a sua missão. Esta é a missão de nosso Papa Leão XIV, por quem não devemos poupar Orações.
 
Reflitamos:
 
- Qual é o lugar que Jesus ocupa em nossa existência?
- O que os  Apóstolos Pedro e Paulo  tem a nos ensinar?
 
- Por que estamos na Igreja?
- Somos uma comunidade estruturada para amar e servir, como comunidade do Ressuscitado?
 
- Temos consciência da dimensão profética e missionária da Igreja?
- De que modo procuramos entender e rezar pela missão de nosso Papa?

Empenhemos mais intensamente e apaixonadamente no bom combate da fé, com o coração por Jesus mais que seduzido; e também nos empenhemos para alcançar a merecida Coroa da Glória, para os justos reservada.
 
Cremos que as duas colunas alcançaram, e nós como pedras vivas da Igreja pelo Batismo, desejemos e façamos por também merecer e alcançar. 


Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG