sábado, 12 de setembro de 2026

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O coro dos Profetas

                                                          

O coro dos Profetas

A Liturgia da quarta-feira da 12ª semana do Tempo Comum apresenta a passagem do Evangelho (Mt 7,15-20), que nos remete à reflexão sobre o verdadeiro e o falso profeta.

O verdadeiro Profeta é aquele que, lendo a História e a interpretando à luz da Palavra de Deus, consegue provocar a conversão das pessoas com quem estabelece relacionamentos, através das palavras e ações o acompanham, e que podem ser traduzidas em frutos, conforme nos fala o Evangelho.

Assim lemos no Lecionário Comentado:

“É muito humana e viva a imagem do falso profeta, que se apresenta com garbo e agrado, procurando obter a complacência das massas para lhes contentar as aspirações mais baixas.

E é também muito atual: os meios de comunicação social, que manipulam as mentes e os comportamentos dos seus utentes, servem-se da ‘captatio benevolentiae’, conseguindo obter consensos e sequazes e modelando a sociedade.

Mais fácil é seguir os falsos profetas, os magos, os adivinhos e os corruptores dos costumes, os quais, servindo-se das pulsões mais baixas da pessoa, satisfazem-lhes as necessidades superficiais, estimulam-lhes as ambições, as falsas seguranças, e não as ajuda a crescer.

A vida cristã não se constrói sobre as seguranças humanas, pelo contrário, comporta aceitar o risco, a aventura, a aposta na única Palavra eficaz e vencedora.” (1)

De fato, vivemos numa sociedade em que existem profetas que falam o que as pessoas gostam de ouvir, e, felizmente, temos também Profetas que falam o que deve ser dito.

Devemos sempre ficar atentos e vigilantes para os falsos profetas, pois sua palavra não provoca mudança de vida, não produz fruto algum, ao contrário, condena as pessoas à solidificação de uma espiritualidade estéril; vivendo em conformidade com a situação que for mais favorável e realizadora das satisfações e interesses próprios.

Urge que se multipliquem entre nós os verdadeiros Profetas, para que, com coragem, com o discernimento do Espírito, falemos o que precisa ser ouvido para alcançarmos mutuamente a conversão, mudança de vida, numa verdadeira metanoia, produzindo frutos que permaneçam.

Urge, também,  entre nós Profetas que não se conformem com a situação atual, quando marcada por privilégios e pecados, mas com ânsia de transformação desta, porque têm interesse de que o Reino de Deus aconteça, com um modo de viver marcado por novas relações, fundadas e alicerçadas nos valores da fraternidade, da comunhão, da alegria, da solidariedade, da paz.

A História da Humanidade nos apresenta inúmeros Profetas, e o último deles foi João Batista, o maior de todos os homens nascidos de mulher, segundo o próprio Jesus; o maior de todos os Profetas, João Batista, que apontou Aquele que anunciou, e, vivendo sua missão, levou muitos à conversão, ainda que fosse uma voz solitária clamando no deserto.

Sendo a nossa vida uma grande travessia no deserto, urge que nossa voz se una a de João, para também anunciarmos a Vida Nova que o Senhor Jesus veio nos trazer.

É preciso que cresça o número do coro dos Profetas que plantem sementes de um mundo novo, enquanto é dia, sonhem acordados também enquanto seja dia, e continuem sonhando na noite da história, até acordar num novo, belo e indescritível amanhecer da chegada do Reino, de um novo céu e de uma nova terra, porque as coisas antigas já terão passado.  


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - pp. 590-591.

PS: Oportuno para reflexão da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,43-49)

Ouvintes e praticantes da Palavra do Senhor

                                                      

Ouvintes e praticantes da Palavra do Senhor

"Quem ouve estas minhas palavras e as põe em prática,
é como um homem prudente, que construiu
sua casa sobre a rocha" (Mt 7,24)

Ouvimos na quinta-feira da 12ª Semana do Tempo Comum a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 7,21-29).

A vida cristã é edificação de nossa vida sobre o fundamento que é o próprio Jesus, Sua Palavra e Projeto do Reino, do qual somos instrumentos.

Refletimos sobre o modo como edificamos a nossa vida; sobre a base em que construímos nossos projetos, que alavancam sonhos cultivados no mais profundo de nós, sempre regados pela graça da vigilância ativa e Oração.

Sonhos, utopias, desejos, metas, conquistas, novos horizontes... O Reino de Deus presente já em nosso meio, e ainda não plenamente. O novo céu e nova terra, a Jerusalém Celeste, sempre haverão de nos acompanhar, e se renovar.

É preciso pensar no juízo de Deus, que será como uma tempestade violenta que só deixará em pé as construções sólidas, as que estiverem fundadas, diz Jesus, sobre a Sua Palavra, sobre os valores por Ele propostos, sobre as Suas Bem-Aventuranças, um Projeto de vida e felicidade.

Não ficar submerso num verbalismo religioso, individual, comunitário ou até mesmo litúrgico, profundamente lamentável e abominável pelo Senhor, porque seria uma piedosa ilusão.

Construir nossa vida sobre a Rocha Consistente, que jamais será abalada, a Palavra de Deus que ouvimos, lemos, meditamos; Palavra que se faz Pão, Vida, Luz, Libertação, se vivida, garantia de Salvação.  Ele é a Rocha Consistente, nós uma pedra viva e preciosa aos Seus olhos.

Venham os ventos, as adversidades, as provações, as inquietações, as seduções, que aparentemente nos roubam forças e nos aniquilam, mas, se com fé enfrentadas, com o Esplendor e Vigor da Palavra e da Eucaristia, nada ruirá, nada sucumbirá, porque Deus fala, promete e cumpre.

Somente n’Ele uma vida solidificada, as tramas da existência entrelaçadas; páginas do cotidiano com a Tinta do Amor do Santo Espírito escrita, é que alcançaremos o desejo universal inerente a todo ser humano: a felicidade, que somente encontramos na Divina Fonte da Felicidade, Jesus, se ouvirmos e pusermos em prática a Sua Palavra.

Oportuno para a reflexão da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,43-49).

Vivamos a Palavra do Senhor

                                                                

Vivamos a Palavra do Senhor

“Por seus frutos podereis conhecê-los.”
(Mt 7,15-20)

Ressoem, Senhor, em nosso coração as palavras do Vosso Apóstolo:

"Ponde em prática a Palavra! Não vos contenteis só de ouvir; para não vos enganardes a vós mesmos. Se alguém se limita a ouvir a Palavra sem a pôr em prática, assemelha-se a alguém que se mira ao espelho, depois sai e se esquece de sua fisionomia” (Tg 1,22-23).

Oremos:

Senhor, concedei-nos a divina sabedoria para redescobrirmos sempre a força e luminosidade de Vossa Palavra no caminho a ser trilhado.

Não permitais que vivamos uma “religião do livro”, porém da fidelidade à Vossa Palavra e Pessoa que muda nossa vida, dando-lhe novo sentido, horizontes se alargam.

Ajudai a nos colocarmos sempre em comunicação com a Vossa Pessoa, configurando plenamente nossa vida, pensamentos, palavras e ação a Vós.

Enviai sobre nós Vosso Espírito, para que façamos da Sagrada Escritura não apenas um livro, mas o indispensável Livro da Vida, Palavra de Vida.

Não permitais que releguemos a Sagrada Escritura ao nível de cultura, erudição, conhecimento estéril, ou simples audição, esvaziando sua natureza íntima, sem o acompanhamento de frutuosa prática.

Não permitais que reduzamos nossa fé cristã a um cristianismo de tão apenas doutrina, que se deve conhecer, mas uma nova forma de viver, de modo que sejamos, de fato, sal, fermento e luz.

Senhor, que ao pôr em prática Vossa Palavra, tenhamos coragem de nos pormos em crise necessária, como expressão de discernimento e corajosa decisão de Vos amar, temer e, com fidelidade, seguir.

Iluminai os ângulos mais ocultos de nossa alma, aclarai com a Divina Luz do Vosso Espírito, a fim de que sejam mais serenas e autênticas nossas relações com nosso próximo.

Enfim, Senhor, por Vós e Vossa Palavra, pelo Espírito Santo conduzidos, assistidos e iluminados, tenhamos coragem de lançar fora os ídolos de tantos nomes que nos desviam do Deus Vivo e Verdadeiro, Vosso Pai que nos revelastes.


PS: Livre adaptação do Missal Cotidiano - Editora Paulus - pp. 940-941.943.

Oportuno para a reflexão da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,43-49).



Em poucas palavras... (XXIVDTCA)

                                                  


 

   “Um santo...”

        “Um santo é um pecador de quem Deus teve misericórdia” (1)

 

 

(1)Frase tradicionalmente atribuída a Santo Agostinho, embora a fonte exata não seja conhecida


Perdão sem limites, um eterno aprendizado ” (XXIVDTCA)

                                                            

Perdão sem limites, um eterno aprendizado

“Se cada um não perdoar
a seu irmão, o Pai não vos perdoará”

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 18,21-19,1), em que o Senhor nos convida a viver o perdão sem limites, um eterno aprendizado:

“Qualquer que seja o motivo que leva Pedro a fazer sua pergunta uma coisa é certa; ele quer que Jesus confirme a existência de um limite no exercício da caridade cristã.

É confortador saber quando e onde se pode, com tranquila consciência, ignorar as injunções da caridade cristã (pois é mais interessante saber quando cessam do que onde começam tais obrigações).

Parece de fato mais que justo que em certo momento possamos dizer: “Basta! afinal somos homens!” Queremos ser o eco do nosso ambiente…

Jesus, porém, nos diz que devemos ser o eco daquilo que Deus fez por nós. Ninguém é homem pelo fato de poder “explodir”, mas pelo fato de poder desenvolver em si e transmitir aos outros aquilo que Deus nos deu.

A lei do perdão é vinculante não facultativa; é como um contrato firmado com o Sangue de Cristo. Ora, depende de mim ratificá-lo derramando sobre os meus semelhantes aquilo que Deus me deu: “Eis como meu Pai celeste agirá convosco…” (v.35) (1)

A segunda fonte, sobre o perdão, afirma:

"Temos uma ideia tão elevada do perdão que nunca a utilizamos realmente... As pessoas perdoam ou então fingem: no máximo pensam que não querem vingar-se.

É verdade, humanamente não é possível perdoar. O perdão é somente dom de Deus, um dom intenso. Por isso a palavra perdão deriva duma palavra utilizada na Idade Media, per-dom, a qual significa precisamente ‘dom profundo’... podemos e devemos perdoar porque fomos perdoados.

Assim escreveu Graham Greene – “ninguém suporta não ser perdoado: só Deus é capaz disso”. Mas perdoar é possível graças ao dom de Deus que previne qualquer iniciativa nossa e como resposta a um amor maior...

Só num percurso de fé podemos exercer o perdão na vida concreta, por exemplo, para com quem não consegue considerá-lo na sua vida de homem: o perdão não é a fraqueza de quem não sabe fazer valer as suas razões, mas a novidade que rompe as cadeias que tornam a pessoa amarrada a si mesma” (2)

É sempre tempo para dar e pedir perdão; e somente é possível porque antes por Deus fomos perdoados, por um perdão e Amor sem medida e sem méritos.

Porque amados e perdoados, podemos e devemos  amar e perdoar, pois sem o quê,  não poderíamos rezar a Oração que o Senhor nos ensinou.

Somente a prática do perdão nos faz verdadeiramente livres, rompendo as amarras que nos reduzem horizontes e movimentos.

O perdão é algo que não se aprende e se vive totalmente. Sempre teremos algo a aprender na escola do perdão com o Divino Mestre da Misericórdia que nos amou e nos perdoou. Somos, nesta escola maravilhosa, eternos aprendizes.

Quanto mais perdoarmos e formos perdoados, mais livres seremos e mais semelhantes ao Divino Mestre o seremos. Não podemos nos dizer cristãos sem a graça do perdão recebido e partilhado.

Bem sabemos o quanto difícil o é. Haverá algo mais belo que um perdão dado e recebido, um relacionamento restaurado?

A leveza e a alegria do Espírito, só alcança quem vive a graça do perdão.

Temos muito a aprender. Não recuemos! Avancemos, pois assim é a vida de fé.


PS: Liturgia da terça-feira do 3ª semana da Quaresma: Dn 3,25.34-43; Sl 25 (24); Mt 18,21-35. 

(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - pág. 238
(2) cf. Lecionário Comentado - Tempo da Quaresma

O perdão vivido recria vínculos fraternos ” (XXIVDTCA)

                                                      

O perdão vivido recria vínculos fraternos

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 18,21-35), que nos fala sobre a prática do perdão, presente nos relacionamentos fraternos, dentro e fora da Comunidade.

Assim nos falou o Apóstolo Paulo sobre a vivência da caridade, como pleno cumprimento da Lei: “Não devais nada a ninguém. A não ser o amor mútuo, pois quem ama o outro cumpriu a Lei.” (Rm 13,8).

De fato, há uma dívida que todos somos mais ou menos insolventes: a dívida do amor recíproco:

“Deveríamos preocupar-nos verdadeiramente com isto. Por isto sentimos que é para nós a exortação de Paulo, que apela a que vivamos o ‘amor mútuo’. Amar é entregar-se totalmente a um outro, é passar da lógica consumista do ‘tu és meu’, para a oblativa do ‘eu sou para ti’: uma experiência a que não é possível colocar limites” (1)

Mas para viver este amor a um outro (próximo) é preciso sentir-se amado por Deus, o totalmente Outro, que nos ama e quer que o mesmo façamos:  “Dou-vos um Mandamento novo: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 13,34).

Sentir-se amado por Deus leva-nos ao empenho de correspondência ao Seu amor, e isto se dá concretamente na restituição do amor na caridade fraterna, corrigindo e permitindo que sejamos corrigidos, sem marcas de presunção, rivalidade ou despeito.

Vejamos o que nos diz o Lecionário Comentado:

“Não podemos estar em relação com a infinita riqueza de Deus se não estivermos em relação com a pobreza do irmão” (2)

Somos encorajados a viver como reconciliados; empenhados na busca da paz, ajudando-nos e deixando-nos ajudar, de modo a criar vínculos mais sólidos e fraternos na comunidade em que participamos:

“Preocupemo-nos em deixar este mundo depois de termos desatado ou ajudado a desatar todos os vínculos, então as portas do Céu abri-se-ão para nós (Mt 18,18)” (3).

Oportunas são as palavras do Bispo Santo Agostinho (séc. IV), que aplicou exatamente à correção fraterna as palavras do Apóstolo Paulo sobre a caridade: 

“Ama e faze o que queres. Seja que cales, cala por amor, seja que fales, fala por amor; seja que corrijas, corrige por amor; seja que perdoes, perdoa o amor. Esteja em ti a raiz do amor, porque desta raiz não pode nascer outra coisa a não ser o bem”.

Sendo assim, que Deus nos conceda coração e espírito novos, para nos tornarmos mais sensíveis ao nosso próximo, no pleno cumprimento da Lei, o Mandamento do Amor, que consiste no compêndio de toda a Lei.

Supliquemos a Ele, para que jamais desistamos deste aprendizado, desta difícil e revitalizante expressão de amor, que sabe corrigir sem desencorajar e lutar sem ofender.

De fato, na escola do Divino Mestre do Amor, somos todos eternos aprendizes. Há muito que aprender, sem cansaços, recuos e desistências.

Somente deste modo, não veremos o perdão como a fraqueza de quem não sabe fazer valer as suas razões, mas como a novidade que rompe as cadeias, que tornam a pessoa amarrada a si mesma (4).

  
(1)  Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa -  p.281.
(2)  Idem – p. 157
(3)  Idem - p.284.
(4)  Idem – p. 158

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