quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Eleições: o que nos diz a Igreja

                                                


Eleições: o que nos diz a Igreja

“Examinai tudo e guardai o que for bom” (1Ts 5, 21).

A Igreja não indica candidatos nem partidos, mas movida pelo Evangelho tem a missão de anunciá-Lo, para a promoção da vida, da dignidade humana, à serviço da construção e promoção do bem comum.

Ela assim o faz a partir da fé em Jesus Cristo e da convicção, reafirmada pela Doutrina Social da Igreja, de que a política, quando orientada pela ética, constitui uma das mais elevadas formas de caridade.

As eleições são oportunidades privilegiadas para o exercício da cidadania e da corresponsabilidade social; portanto, mais do que escolher governantes e representantes, somos chamados a renovar nosso compromisso com os valores que sustentam a convivência democrática, a justiça social e a fraternidade.

Como Igreja, não podemos, à luz do Evangelho, nos silenciar diante da escandalosa desigualdade social, da corrupção, da compra de votos, da utilização indevida dos recursos públicos e da disseminação deliberada de mentiras (fake news).

É impossível aceitar o abuso do poder econômico e político e as formas de violência que ameaçam a convivência social, enfraquecendo a confiança nas instituições democráticas.

A democracia é sólida quando a divergência legítima não é transformada em hostilidade permanente, pois o adversário político não pode ser tratado como inimigo.

A democracia, além de eleições periódicas, requer respeito às instituições da República, especialmente à Constituição Federal, ao Estado Democrático de Direito, à interdependência dos Poderes, à liberdade de expressão responsável e à participação cidadã;

A democracia também exige a confiança nos mecanismos legítimos de apuração da vontade popular, respeito aos resultados das urnas e à Lei da Ficha Limpa.

Conduzidos pelo Santo Espírito, como eleitores e eleitoras, temos que assumir nossa responsabilidade; de tal modo que a abstenção não tem lugar, pois não é a melhor escolha;

O discernimento cristão exige olhar não apenas para promessas de campanha, mas, principalmente, para a história de vida dos candidatos e as consequências dos compromissos assumidos.

Como nação, precisamos reforçar a capacidade de construir pontes e não muros, promovendo encontros e o cultivo da amizade social.

A esperança cristã não é ingenuidade nem otimismo superficial; e que esperar significa participar, construir, dialogar, resistir ao desânimo, defender a verdade, proteger a democracia e trabalhar pela justiça.

Os homens e mulheres de boa vontade têm que ser testemunhas da cultura do encontro, promotores da paz social e construtores da fraternidade.

Invoquemos a luz do Santo Espírito, para que façamos sábias escolhas nas eleições que se aproximam, tornando mais humana e fraternas nossas cidades, oferecendo condições melhores de vida para todos, sem feridas insanas de desigualdade, pobreza, violência e exclusão.

Oremos:

Senhor, dai-nos o dom da SABEDORIA, para que aprendamos e nos comprometamos decididamente com um Projeto de vida e paz, e assim sejamos iluminados para governar nossa vida segundo os desígnios divinos, revelados pelos sagrados Mandamentos,  sentindo e dando gosto de Deus à vida.

Dai-nos, o dom do ENTENDIMENTO, para discernir o que é justo e bom, sem ilusões e erros, de modo que nossos pensamentos e sentimentos e ações se tornem a expressão do viver para Deus, que conosco sempre estais, jamais nos desamparando.

Senhor, dai-nos o dom do CONSELHO, para que nos empenhemos na correspondência à vossa vontade, vivendo e ensinando sagrados valores com sinceridade, pureza e retidão de coração, participando da realização do plano divino de salvação, na mais perfeita sintonia entre o que celebramos e vivemos, jamais separando a fé da vida cotidiana.

Sejamos enriquecidos pelo dom da FORTALEZA, e cumulado de graça divina, intensificando e aprofundando nossos momentos de intimidade Convosco, na oração, mas de modo especialíssimo no sublime Sacramento da Eucaristia, fonte e ápice da vida cristã; vivendo com fidelidade o Mandamento do Amor, que se expressa concretamente no amor ao próximo; testemunhando a fé, com serenidade e firmeza.

Senhor, agraciados pelo dom da CIÊNCIA, busquemos o conhecimento pleno da verdade do Evangelho do Reino, com docilidade ao Espírito nas mais diversas situações, agradáveis ou não, favoráveis ou adversas, sem lamentações estéreis, mas com olhar e compromisso renovados, porque acompanhados da fina flor da esperança.

Renove em nós o dom da PIEDADE, para que correspondamos ao Vosso amor, numa profunda comunhão Convosco, acompanhado de maior fidelidade às Sagradas Escrituras, tornando-nos mais fraternos e solidários, comprometidos com a promoção da justiça e da paz, para que misericordiosos como o Pai o sejamos.

Finalmente, Senhor, com o dom do TEMOR, solidifiquemos nossa relação filial para com Deus, adorando-O em espírito e verdade, buscando, em primeiro lugar, o Seu Reino e a Sua justiça, e assim, tudo mais nos será acrescentado. Amém.

Que a nossa fé no Deus Uno e Trino nos inspire a assumir nossos deveres de cidadãos em sintonia com os ensinamentos da Igreja. Contamos com a companhia de Nossa Senhora Aparecida, Mãe e Padroeira do povo brasileiro e a ela recorremos, para que nos ajude a percorrer caminhos de justiça, verdade e paz.

 

Fonte: MENSAGEM DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL
AO POVO BRASILEIRO POR OCASIÃO DAS ELEIÇÕES DE 2026.

Reconciliados pelo Sangue de Cristo

                                           


Reconciliados pelo Sangue de Cristo

Sejamos enriquecidos pelo comentário sobre os salmos, escrito pelo bispo Santo Ambrósio (séc. IV), em que nos apresenta Jesus Cristo, que por Seu Sangue reconciliou o mundo com Deus.

“Se Cristo reconciliou o mundo com Deus, então não necessitava Ele de reconciliação. Por qual pecado Seu expiaria, se não conheceu pecado algum? E ainda, ao pedirem os judeus a didracma que, pela lei, se dava pelo pecado, disse a Pedro: Simão, de quem os reis da terra recebem tributos ou impostos, de seus filhos ou dos estranhos? Respondeu Pedro: Dos estranhos, e o Senhor: Logo, os filhos estão livres. Mas para não lhes causarem embaraço, lança o anzol e tira o primeiro peixe que apanhar, abre-lhe a boca e encontrarás um estáter; toma-o e paga-o por mim e por ti (Mt 17,25-27).

Demonstrou, assim, não ser obrigado à expiação de pecados; não era servo do pecado, mas livre de todo erro o Filho de Deus. O Filho liberta, o servo é réu. Logo, livre de tudo, não tem Ele de dar o preço de redenção de Sua alma; o preço de Seu Sangue pode derramar-se pelo universo para redimir o pecado de todos. Com justiça liberta a outros, quem nada deve por Si.

Digo mais. Não apenas Cristo não tem preço a pagar por Sua redenção ou expiação pelo pecado, mas, a respeito de qualquer homem, pode-se entender não deva cada um pagar o próprio resgate. Porque a expiação de todos é Cristo, é a redenção do universo.

De que homem será o sangue capaz de alcançar sua redenção, se pela redenção de todos Cristo já derramou Seu Sangue? Haverá sangue comparável ao Sangue de Cristo? ou que homem tão poderoso que possa dar algo pela própria expiação, de maior valor do que a expiação que Cristo ofereceu em Si mesmo, Ele, o único a reconciliar por Seu Sangue o mundo com Deus? Que maior Hóstia, que sacrifício mais excelente, que melhor advogado do que Aquele que pelo pecado de todos Se fez súplica e entregou a vida como redenção por nós?

Não se cogita da expiação ou redenção de cada um, porque o preço de todos é o Sangue de Cristo, com o qual o Senhor Jesus nos redimiu e só ele nos reconciliou com o Pai, e trabalhou até o fim, pois assumiu nossas tarefas ao dizer: Vinde a mim, todos vós que lutais, e Eu vos aliviarei (Mt 11,28).” 

Glorifiquemos a Deus que, pelo Sangue de Seu Filho, nos alcançou a reconciliação, para que com a presença do Espírito, vivamos a vida nova que alcançamos pela graça do Batismo.

Reconciliados com Deus, podemos estabelecer vínculos de comunhão e fraternidade, superando toda e qualquer forma de violação da vida.

Reconciliados pelo Sangue de Cristo, como novas criaturas, somos chamados, como discípulos missionários, a buscar sempre as coisas do alto (Cl 3,1-3).

Glorifiquemos ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Amém.

Em poucas palavras...

                                                                


As cicatrizes do Ressuscitado

“O Senhor não podia ressuscitar sem as cicatrizes? Sem dúvida, mas sabia que no coração de seus discípulos ficavam feridas que haveriam de ser curadas pelas cicatrizes conservadas em seu corpo.” (1)

(1) Sermão de Santo Agostinho (séc. V).

Retiro Presbiteral: saciar a sede na Fonte das fontes!

                                                          

Retiro Presbiteral: saciar a sede na Fonte das fontes!

Todos os Retiros Espirituais para Presbíteros têm sua beleza, sua riqueza, dependendo da abertura e acolhida que damos ao Espírito, renovamos nossas forças e somos revigorados para a missão que a Igreja nos confiou no dia da Ordenação.

O Retiro Espiritual é obrigatório para a vida dos Presbíteros, como nos diz o Direito Canônico através do cânon nº 276§ 2 n. 4 - "são igualmente obrigados a participar dos retiros espirituais, de acordo com as prescrições do direito particular", e ainda no nº 533 § 2 "... o pároco dedica, uma vez por ano, aos exercícios espirituais...".

No entanto, mais que obrigatório, é uma necessidade vital e uma graça que Deus nos concede, um privilégio que não pode ser desperdiçado para renovação do ardor em nossa missão evangelizadora.

O retiro é ocasião para três encontros: com Deus, com o outro e consigo mesmo. O Presbítero deve voltar sempre ao “Primeiro Amor”, àquele chamado de Deus, que nos ama, logo deve cultivar a intimidade com Jesus Cristo.

É preciso viver o presente com paixão por Jesus Cristo, viver apaixonadamente por Jesus Cristo: "Não basta conhecer Jesus é preciso amá-Lo; e isto não basta, é preciso imitá-Lo".

O Presbítero em virtude de sua consagração é configurado a Jesus Cristo, não apenas um mensageiro/representante, mas age na pessoa de Cristo Cabeça, doando-se ao rebanho por Deus confiado, alimentando-se da Eucaristia.

Deste modo, a caridade pastoral deve estar presente na vida do Presbítero, que é dom do Espírito Santo e ao mesmo tempo uma missão: dom de si mesmo, no amor de Cristo pelo rebanho a ele confiado. Como Cristo amou e Se entregou pelo Seu povo, o Presbítero também deve fazer o mesmo, numa espiritualidade de comunhão.

Num caminho de santificação e aperfeiçoamento espiritual, verá no pecado o desamor, logo, o Presbítero é testemunha do Amor de Deus, da Misericórdia do Pai (Lc 15), o  homem do perdão, da reconciliação: chamado a perdoar e também buscar o perdão divino (Hebreus 5,14).

E ainda mais, na escola de Maria aprende sobre a vida profundamente Eucarística, tendo a Missa como o ponto central, fonte e ápice de toda a nossa vida, a força grande para a nossa santificação.

Uma autêntica devoção consiste em imitar as virtudes de Maria, logo o Presbítero, como a Mãe de Deus, deve escutar e colocar em prática a Palavra de Deus.

Contemplar as virtudes de Maria e vivê-las é certeza de um Ministério feliz, realizado e realizador.

Retiro espiritual é momento privilegiado para subirmos à montanha com Jesus e, consequentemente, o compromisso de descer à planície do cotidiano de sua existência.  

Presbítero: "Homem da Montanha" no encontro pessoal com Deus e da "Planície" no encontro e cuidado do “rebanho”- o próximo.

Minhas reflexões no Youtube

 
Acesse:

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O Banquete Nupcial e a veste própria

                                                        

O Banquete Nupcial e a veste própria
Ouvimos na Liturgia da quinta-feira da 20ª semana do Tempo Comum, a passagem do Evangelho de São Mateus (Mt 22,1-14).

Jesus se apropria de uma imagem muito bela para nos falar como deve ser o mundo que Deus deseja para nós: a imagem do “Banquete”.

Esta mesma imagem foi fortemente utilizada pelo Profeta Isaías, quando em meio a sinais de morte e desolação, comunicou o desejo de Deus, um horizonte  esperançoso e promissor: um Banquete de amor e vida a toda humanidade oferecido. O Profeta, com sua palavra, exorta à confiança e à esperança, numa nova era de paz e de felicidade sem fim, porque Deus vai destruir a morte para sempre e vai enxugar as lágrimas de todas as faces, eliminando assim, o opróbrio que pesa sobre o Seu povo.

Esta feliz imagem de esperança do Banquete perpassará os discursos proféticos e se verá realizada na pessoa e missão de Jesus.

Deus está sempre nos convidando para participarmos de Seu Banquete de: Amor, vida, felicidade, alegria, paz. Mas de outro lado respeita a nossa liberdade, sem nos dispensar da veste nupcial necessária para dele participar: amor, partilha, serviço, misericórdia e o dom da vida.

Precisamos viver a gratuidade, a solidariedade e a partilha com os que mais precisam, procurando nos revitalizarmos da força indispensável que só pode vir de Deus – “tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4,13).

Participar do Banquete de Deus implica em estarmos na mais perfeita e profunda comunhão, amizade e intimidade com Ele e com nosso próximo. Como batizados, fomos revestidos por Cristo e, deste modo, somos sinais de comunhão com o outro, para que nossa comunhão com Deus seja credível, agradável e sinal do Banquete Eterno que prefiguramos em cada Eucaristia que celebramos e participamos.

Quanto mais a comunidade vivenciar as exigências mencionadas, mais ela dará espaço para a intervenção divina, abrindo-se à ação da força que o Senhor nos comunica pela ação e presença do Espírito.

Quanto mais o cristão tiver o coração aberto à partilha e ao dom de si mesmo, em atitude de despojamento, de entrega e de empenho, mais poderá sentir a manifestação divina.

Quanto maior a alegria de colaborar na missão, mais comprometido com ela se sente.

Que nossas comunidades sejam mais solícitas, generosas, solidárias e missionárias.

Não há exclusão no Banquete do Reino, mas há uma exigência: a veste; que consiste na prática da justiça, da qual as autoridades do tempo de Jesus estavam  desprovidas, tanto que O rejeitaram e O condenaram à morte. Diferentemente, os publicanos, pecadores, prostitutas, os que se encontravam “nas encruzilhadas à beira do caminho” O aceitaram e responderam positivamente ao seu convite, pondo-se num caminho de abertura e conversão à Sua Boa Nova.

Tanto a aceitação do convite do Profeta à conversão como o convite de Jesus, implica em dar prioridade e corresponder à altura do Amor de Deus, em compromissos incansáveis com os valores do Reino.

Com o Batismo se dá o início desta aceitação e compromisso para uma vida em  comunidade. Nesta vivência da fé, tanto o batizado como a própria comunidade corre o grande perigo de perder seu entusiasmo inicial, com consequente instalação e acomodação, esvaziando assim as exigências do Evangelho. É preciso eliminar toda autossuficiência e viver em total atitude de humildade, de pobreza e de simplicidade, numa dinâmica de constante conversão, uma vez que a Salvação não é conquista findada.

Reflitamos:

- Tenho aceitado este convite do Senhor?
- Tenho me comprometido com este Banquete?
- Estou devidamente “vestido” para dele participar?
- Deus nos ama apesar e por causa de nossas fraquezas e nos convida para nos assentarmos à mesa com Ele. Qual é a nossa resposta?

Que saibamos dar um alegre SIM a este convite. Por ora, participantes do Banquete da Eucaristia, até que um dia possamos participar do Banquete da Eternidade que o Senhor nos preparou e que só poderemos participar quando a morte irromper no horizonte de nossa existência, mas vencida, rompida, superada, com a fé na Ressurreição que nos garante a imortalidade e eternidade de amor o Céu que tanto falamos, cremos e desejamos. Façamos por merecê-lo!

Oremos:

Ó Deus, Pai Santo, Vós que sois tão misericordioso, que desejais a Salvação do mundo inteiro, convidando para as núpcias do Vosso Filho Amado,

Nós vos pedimos, embora sem nenhum mérito, mas com toda confiança, que envieis a cada um de nós e a toda Igreja o Vosso Espírito, para que enriquecidos dos sete dons (sabedoria, entendimento, ciência, conselho, fortaleza, piedade e temor de Deus), testemunhemos com alegria, esperança e confiança a fé que abraçamos, vivendo com ardor a missão por Vós confiada.

Que sejamos sempre revestidos da veste nupcial, para sermos dignos de participar de Vosso Banquete de Amor, vida, paz, felicidade, até que um dia possamos nos inebriar no Banquete da Eternidade, porque saciados e nutridos pelo Pão e Vinho de imortalidade. Amém!

A veste nupcial da caridade

                                                       

A veste nupcial da caridade

“Muitos são os chamados,
mas poucos os escolhidos” (Mt 22,14)

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 22,1-14), na qual Jesus nos fala sobre o convite ao Banquete Nupcial.

Vejamos parte do Sermão do Papa e Doutor da Igreja São Gregório Magno (séc. VI), sobre o que devemos entender por “veste nupcial”,  que nos fala a parábola.

“O que significa, irmãos, a veste nupcial? Não podemos dizer que signifique o batismo nem a fé, porque quem pode entrar sem eles nestas bodas?... Portanto, o que devemos entender por veste nupcial, senão a caridade? Entra, pois, nas bodas, mas não leva a veste nupcial, aquele que pertencendo à Igreja Católica tem fé, mas lhe falta a caridade.

Com fundamento se chama caridade a veste nupcial, visto que nosso Criador a teve quando foi para as bodas desposar-Se com a Igreja. De fato, somente o amor de Deus pode fazer que Seu Filho Unigênito una a Si as almas dos eleitos. Por isso diz São João: ‘Deus amou tanto o mundo que deu o Seu Filho primogênito’.

Logo, Aquele que veio aos homens por caridade deu a conhecer que a veste nupcial não era outra coisa que a própria caridade. Portanto, todo aquele que recebeu o Batismo e crê em Deus, entrou nas bodas, porém não vai com a veste nupcial se não conserva o dom da caridade...

'Porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos’. Terrível é, caríssimos irmãos, o que acabamos de ouvir... É preciso, portanto, que todos nos humilhemos, tanto mais que ignoramos se estaremos entre os escolhidos.

Existem alguns que nunca deram início às boas obras; outros começaram a realizar o bem, mas não persistiram neste caminho. Há quem quase toda a vida foi mau, porém ao final se afasta de seus erros pela dor de uma verdadeira penitência; mas há, pelo contrário, quem parece viver uma vida santa, porém até o fim de seus dias cai no erro da maldade. Outros começam bem e terminam melhores; outros, pelo contrário, desde a sua juventude se precipitam no abismo dos vícios e terminam agindo do mesmo modo, piores cada vez mais.

Tema, por isso, cada um, já que ignora o que lhe resta, pois não deve esquecer: pelo contrário, deve repetir continuamente as Palavras do Evangelho: ‘Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos’” (1)

A participação no Banquete Eucarístico exige de nós esta “veste nupcial da caridade”. Por isso, é sempre oportuno revermos de que modo vivemos o essencial da fé cristã, o Mandamento do amor a Deus ao próximo, sendo que o amor a Deus está em primeiro lugar na ordem dos preceitos, e o amor ao próximo na ordem da execução, como lembra-nos o Bispo e Doutor Santo Agostinho (séc. V).

Oremos:

“Pai Santo, que convidais o mundo inteiro para as núpcias do Vosso Filho, concedei-nos a sabedoria do Vosso Espírito, para que possamos testemunhar qual é a esperança do nosso chamamento, e que nenhum homem recuse o Banquete da Vida Eterna ou a entrar nele sem a veste nupcial” (2)


(1)         Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – p.232
(2)        Lecionário Comentado – Vol. II – p.539

PS: Aprofundando ainda mais a nossa reflexão, sugiro que retomemos o Hino da Caridade do Apóstolo Paulo aos Coríntios (1 Cor 13).

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