Dom Otacilio F. Lacerda
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
O Senhor revigora a nossa fé
Quaresma e sagrados compromissos com a Fraternidade – (CF 2026)
Quaresma e sagrados compromissos com a Fraternidade – (CF 2026)
Celebremos
e vivamos a Quaresma como tempo favorável de conversão e penitência, para que
bem nos preparemos para a Celebração da Páscoa do Senhor, Mistério de Morte e
Ressurreição – “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15),
disse Jesus.
Com
a Igreja, aprendemos que a Quaresma não deve ser apenas interna e
individual, mas também com dimensão externa e social.
Neste
sentido, a Igreja no Brasil realiza todo ano, na Quaresma, a Campanha da
Fraternidade (CF) que, longe de esvaziar o sentido quaresmal, dá a ele conteúdo
e fecundidade para flores e frutos pascais.
A
CF é uma iniciativa concreta para realizarmos ações que dão testemunho de
arrependimento e verdadeira conversão nos diversos âmbitos: pessoal,
comunitário, eclesial e social.
A CF 2026 tem como
Tema “Fraternidade e Moradia”, e como lema “Ele
veio morar entre nós” (cf. Jo 1,14,31).
Urge
refletir sobre a realidade de moradia, e lembramos as palavras do Papa
Francisco:
“É
bom que todos nos perguntemos: por que estão sem casa estes nossos irmãos? Não
têm um teto, por quê?”
Assim
lemos no parágrafo n. 13 do Manual da Campanha da Fraternidade deste ano:
“A
pergunta por um teto, uma digna moradia, nasce da fraternidade. Só nos incomoda
que alguém esteja privado de um teto, carente de uma moradia digna, se
reconhecemos nele um irmão...”
Destaco
o Objetivo Geral da CF 2026:
“Promover,
a partir da Boa-Nova do Reino de Deus e em espírito de conversão quaresmal, a
moradia digna como prioridade e direito, junto aos demais bens e serviços
essenciais de toda a população.”
E
tem como objetivos específicos:
1.
Analisar a
realidade da moradia precária, admitida como normal e que culpabiliza os pobres
e segrega milhões de pessoas no Brasil.
2.
Identificar
omissões do poder público e da sociedade civil frente à universalização dos
direitos à moradia e à cidade, bem como iniciativas pastorais, governamentais e
da organização popular que promovem a moradia.
3.
Conscientizar,
a partir da Palavra de Deus e do Ensino Social da Igreja, sobre a necessidade
sagrada de teto, terra e trabalho para todos.
4.
Corrigir a
compreensão da moradia como mercadoria, objeto de especulação ou mérito
individual.
5.
Fortalecer
a presença eclesial e o compromisso sociotransformador junto aos mais pobres,
caminhando com os movimentos e organizações populares que promovem a moradia.
6.
Empenhar-se
para efetivar leis e viabilizar políticas públicas de moradia em todas as
esferas sociais e políticas.
Fundamental que multipliquemos espaços e encontros para refletir, rezar
e encontrar caminhos para darmos sagrados passos para que estes sagrados
objetivos se realizem, bem como vivermos os exercícios quaresmais: oração,
jejum e esmola, como lemos na passagem do Evangelho de São Mateus (cf. Mt 6,
1-18). Amém.
Campanha no momento, compromisso sempre! (CF 2026)
Campanha no momento, compromisso sempre!
A Igreja no Brasil realiza mais uma Campanha da Fraternidade, com uma proposta
extremamente atual e de importância indiscutível.
Tema: “FRATERNIDADE E MORADIA”
Lema: “Ele veio morar entre nós ” (cf. Jo 1,14)
Exorto que nos empenhemos em acompanhar, refletir e ajudar a
desenvolver esta Campanha, que não se encerra, como se diz, indevidamente, com
a Páscoa.
Oração
da Campanha da Fraternidade 2026 – CNBB
Deus, nosso Pai,
em Jesus, vosso Filho,
viestes morar entre nós e
nos ensinastes o valor da dignidade humana.
Nós vos agradecemos
por todas as pessoas e grupos que,
sob o impulso do Espírito Santo,
se empenham em prol da moradia digna para todos.
Nós vos suplicamos:
dai-nos a graça da conversão,
para ajudarmos a construir uma sociedade mais justa e fraterna,
com terra, teto e trabalho para todas as pessoas,
a fim de, um dia, habitarmos, convosco, a casa do céu.
Amém.
PS: A Campanha da Fraternidade inicia na Quarta-feira de Cinzas.
Quaresma: tempo de conversão e compromisso com a Campanha da Fraternidade
Quaresma: tempo de
conversão e compromisso com a Campanha da Fraternidade
Como Igreja, com a
Quarta-feira de Cinzas, iniciamos o Tempo da Quaresma, tempo favorável de graça
e salvação, para todos que se põem a caminho com o Senhor.
Quaresma vem do latim:
quadragésima, e lembra, sobretudo, os quarenta anos do Povo de Deus no deserto
e os quarenta dias do Senhor, também no deserto, sofrendo as tentações do
maligno do ter (acúmulo), ser (prestígio) e poder (domínio).
A Liturgia da Palavra,
neste itinerário quaresmal rumo à Páscoa, nos propõe tomar consciência de
nossos pecados, em fecunda penitência (como nos ensina a Igreja, que ela seja
interna e individual, mas sobretudo externa e social), na prática dos exercícios
quaresmais: esmola, oração e jejum (Mt 6, 1-18).
É um tempo de quarenta dias
vividos na proximidade do Senhor, na entrega a Ele, e com ele podermos vencer
estas tentações, perfeitamente configurados ao Seu Mistério de Vida, Paixão,
Morte e Ressurreição.
E neste Tempo da
Quaresma, a Igreja no Brasil realiza, desde 1964, com gestos e compromissos
concretos, a Campanha da Fraternidade que, em 2026, traz o tema: “FRATERNIDADE
E MORADIA”, e o lema bíblico: "Ele veio morar entre nós"
(Gn 1,31).
A Campanha da Fraternidade
bem compreendida e vivida, com reflexões, aprofundamento, leva,
necessariamente, compromissos com a sacralidade da vida e os direitos
inalienáveis, dentre eles a de moradia. Fundamental que retomemos o seu
objetivo geral e objetivos específicos.
Exorto para que se
multipliquem encontros, reflexões, momentos de oração para que vivamos uma
santa Quaresma e uma corajosa e necessária participação da Campanha da
Fraternidade, para bem celebrarmos a Páscoa do Senhor, e cantarmos,
alegremente, o Aleluia.
MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV PARA O XXXIV DIA MUNDIAL DO DOENTE (síntese) (2026)
MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV PARA O
XXXIV DIA MUNDIAL DO DOENTE (síntese)
A mensagem que traz como lema: “A compaixão do samaritano: amar carregando a dor do outroˮ, à luz da passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 10,25-37), é
apresentada em 3 partes:
1ª - O dom do encontro: a alegria de oferecer
proximidade e presença:
Vivemos a cultura do
efêmero, do imediato, da pressa, bem como do descarte e da indiferença.
É preciso que aprendamos
com Jesus a nos tornarmos próximos de quem mais precisa, vivendo um amor que
não é passivo, mas vai ao encontro do outro, de tal modo que ser próximo não
depende da proximidade física ou social, mas da decisão de amar.
Este dom do encontro
nasce do vínculo com Jesus Cristo, a quem identificamos como o bom samaritano,
que nos trouxe a saúde eterna e a quem tornamos presente quando nos inclinamos
diante de um irmão ferido, afirmou o Papa.
2ª - A missão partilhada no cuidado dos doentes:
A compaixão implica numa
emoção profunda, que conduz à ação, brota do interior e leva a assumir um
compromisso com o sofrimento alheio.
Com
a parábola, vemos que a compaixão é a característica distintiva do amor ativo (aproxima-se;
cura; responsabiliza-se; cuida); e como o samaritano, a compaixão é
vivida com o outro em gestos comuns de solidariedade, de modo que estamos
chamados a convidar outros e a encontra-nos num “nós” mais forte que a soma de
pequenas individualidades:
3ª - Movidos sempre pelo amor a Deus, para nos
encontrarmos a nós mesmos e ao próximo.
Servir o próximo é amar
a Deus na prática, na expressão do duplo mandamento: «Amarás ao Senhor, teu
Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com todas as tuas forças e
com todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo» ( Lc 10, 27).
Amores distintos, mas
sempre inseparáveis, de tal modo que a primazia do amor divino implica que
nossas ações sejam realizadas sem interesse pessoal ou recompensa, mas como a
manifestação de um amor que transcende as nomas rituais e se traduz num culto
autêntico.
Citando o Papa Francisco,
nos lembra que «o verdadeiro remédio
para as feridas da humanidade é um estilo de vida baseado no amor fraterno, que
tem as suas raízes no amor de Deus».
Com isto, não pode
faltar no nosso estilo de vida cristão a dimensão fraterna, “samaritanaˮ,
inclusiva, corajosa, comprometida e solidária, que tem a sua raiz mais íntima
na nossa união com Deus, na fé em Jesus Cristo.
Deste modo, inflamados
por esse amor divino, poderemos realmente entregar-nos em favor de todos os que
sofrem, especialmente dos nossos irmãos doentes, idosos e aflitos.
Eleva à Bem-Aventurada
Virgem Maria, Saúde dos Enfermos, uma antiga oração que se rezava em família,
pelos que vivem na doença e na dor, pedindo a sua ajuda por todos aqueles que
sofrem e que precisam de compaixão, escuta e consolo:
“Doce Mãe, não vos afasteis, vossos olhos de mim não aparteis.
Vinde comigo por todo o caminho, e nunca me deixeis sozinho.
Já que me protegeis tanto como uma verdadeira Mãe,
fazei com que me abençoem o Pai, o Filho e o Espírito Santo.”
Amém.
Finaliza a
mensagem concedendo a bênção apostólica a todos os doentes, às suas famílias e
aos que cuidam deles; também aos profissionais e agentes da pastoral da saúde
e, muito especialmente, aos que participam do Dia Mundial do Doente.
PS: Se
desejar ler a mensagem na integra, acesse:
https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/sick/documents/20260113-messaggio-giornata-malato.html
Consagrados à misericórdia divina
Consagrados à misericórdia divina
“Sede misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36)
Ó Deus de misericórdia, a Vós nos consagramos, sobretudo neste tempo tão difícil, marcado pela pandemia, e Vos pedimos para que nos ajudeis a sermos misericordiosos como Vós.
Deste modo, nos colocaremos ao lado de quem sofre, num caminho de caridade, proximidade fraterna, acolhida e ternura; e como testemunhas da misericórdia divina, derramaremos sobre as feridas dos enfermos, o óleo da consolação e o vinho da esperança.
A Vós consagramos todos aqueles que se colocam a serviço da vida dos enfermos: médicos, enfermeiros, técnicos de laboratório, auxiliares e cuidadores destes, e inúmeros voluntários que doam seu tempo precioso a quem sofre, no ministério da consolação.
A Vós bendizemos pelos recentes progressos alcançados pela ciência médica, na defesa e promoção da vida; as pesquisas para vencermos velhas e novas enfermidades.
Pai eterno de misericórdia, pela dolorosa Paixão e Ressurreição do Vosso Filho, tende misericórdia de nós e do mundo inteiro. Amém!
Fonte inspiradora: Mensagem do Papa Francisco para o XXX Dia Mundial do Doente (2022)
Peregrinar conduzidos pelas virtudes divinas
Peregrinar conduzidos pelas virtudes divinas
Sejamos iluminados pelo comentário escrito pelo bispo e doutor, Santo Agostinho (séc. V), sobre a Carta aos Gálatas:
“Diz o Apóstolo: Sede como eu. Embora judeu por nascimento, desprezo em meu espírito as prescrições segundo a carne. Porque também eu, como vós, sou homem.
Em seguida, com delicadeza, ele os faz reconsiderar sua caridade, para que não o tratem como inimigo. Assim fala: Irmãos, suplico-vos, não me ofendestes em nada. Como se dissesse: ‘Não julgueis que desejo ofender-vos’.
Por isto diz ainda: Filhinhos, para que o imitem como pai. A quem, continua, dou de novo à luz até que Cristo se forme em vós. Fala principalmente na pessoa da santa mãe Igreja, pois declara em outro lugar: Tornei-me pequenino entre vós, como mãe que acalenta seus filhos.
No crente, Cristo Se forma, pela fé, no homem interior, chamado à liberdade da graça, manso e humilde de coração, que não se envaidece pelos méritos de suas obras, que são nulas. Se ele começa a ter algum mérito, deve-o à própria graça. A este pode chamar seu mínimo e identificá-lo consigo aquele que disse: O que fizestes a um dos mínimos meus, a mim o fizestes. Cristo é formado naquele que recebe a forma de Cristo. Recebe a forma de Cristo quem adere a Cristo com espiritual amor.
Disto decorre que, imitando-O, se torne o que Ele é, na medida que lhe é possível. Quem diz estar em Cristo, fala João, deve caminhar como também ele caminhou.
Visto como os homens são concebidos pelas mães para se formar e, uma vez formados, são dados à luz do nascimento, surpreendem-nos as palavras: De novo dou à luz até que Cristo se forme em vós. Temos de entender este novo parto como a aflição dos cuidados que ele suporta por aqueles pelos quais sofre até que Cristo nasça.
De novo sofre as dores do parto por causa da sedução perigosa que os perturba. Semelhante solicitude a respeito deles, que o faz dizer estar em dores do parto, pode continuar até que cheguem à medida da idade perfeita de Cristo, de maneira que já não se deixem levar por todo vento de doutrina. Não está solícito, portanto, em relação à fé inicial deles, pois já haviam nascido, mas quanto a seu fortalecimento e perfeição.
Assim é que ele diz: A quem de novo dou à luz, até que Cristo Se forme em vós. Com outras palavras refere-se ao mesmo sofrimento: Os meus cuidados de todos os dias, a solicitude por todas as Igrejas. Quem se enfraquece sem que eu também me torne fraco? Quem tropeça, que eu não me ponha a arder?” (1)
Como discípulos missionários do Senhor, devemos fazer progressos constantes na vivência das virtudes divinas (fé, esperança e caridade), para que mais configurados a Ele, sejamos.
Bem afirmou o bispo: “Disto decorre que, imitando-O, se torne o que Ele é, na medida que lhe é possível. Quem diz estar em Cristo, fala João, deve caminhar como também Ele caminhou.”.
São também de Paulo as Palavras que nos convidam a esta configuração, tendo de Cristo os mesmos sentimentos (cf. Fl 2,1-11), completando em nossa carne o que falta a Paixão de Cristo, por amor à Sua Igreja (cf. Cl 1,24).
Concluo com as palavras do Catecismo da Igreja Católica:
“A cruz é o único sacrifício de Cristo, mediador único entre Deus e os homens (1 Tm 2,5). Mas porque, na Sua Pessoa divina encarnada. «Ele Se uniu, de certo modo, a cada homem» (Gaudium et spes – GS n.22), «a todos dá a possibilidade de se associarem a este mistério pascal, por um modo só de Deus conhecido» (GS n.22).
Convida os discípulos a tomarem a sua cruz e a segui-Lo (Mt 16,24) porque sofreu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigamos os Seus passos (1 Pd 2,21).
De fato, quer associar ao Seu sacrifício redentor aqueles mesmos que são os primeiros beneficiários (Mc 10,39; Jo, 21-18-19; Cl 1,24). Isto realiza-se, em sumo grau, em Sua Mãe, associada, mais intimamente do que ninguém, ao mistério do Seu sofrimento redentor (Lc 2,35):
«Há uma só escada verdadeira fora do paraíso; fora da cruz, não há outra escada por onde se suba ao céu» (Santa Rosa de Lima).” (2)
(1) Liturgia das Horas – Volume I – Tempo Comum – pp. 162-163
(2)Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 618






