quinta-feira, 6 de agosto de 2026

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Transfiguração: ao Monte Tabor, corramos com ardor e alegria!

                                             


Transfiguração: ao Monte Tabor, corramos com ardor e alegria!

A Transfiguração do Senhor é celebrada no dia 06 de agosto e somos enriquecidos pelo Sermão do Bispo Anastásio, o Sinaíta (Séc. VII):

“Jesus manifestou a Seus discípulos este mistério no monte Tabor. Havia andado com eles, falando-lhes a respeito de Seu Reino e da segunda vinda na glória. Mas talvez não estivessem muito seguros daquilo que lhes anunciara sobre o Reino.

Para que tivessem firme convicção no íntimo do coração e, mediante as realidades presentes, cressem nas futuras, deu-lhes ver maravilhosamente a divina manifestação do monte Tabor, imagem prefigurada do Reino dos céus.

Foi como se dissesse: Para que a demora não faça nascer em vós a incredulidade, logo, agora mesmo, Eu vos digo, alguns dos que aqui estão não provarão a morte antes de verem o Filho do homem vindo na glória de Seu Pai (cf. Mt 16, 28).

Mostrando o Evangelista ser um só o poder de Cristo com Sua vontade, acrescentou: E seis dias depois, tomou Jesus consigo Pedro, Tiago e João e levou-os a um monte alto e afastado. E transfigurou-Se diante deles; seu rosto brilhou como o sol, as vestes se fizeram alvas como a neve. E eis que apareceram Moisés e Elias a falar com Ele (cf. Mt 17,1-3).

São estas as maravilhas da presente Solenidade, é este o Mistério de Salvação para nós que agora se cumpriu no monte: ao mesmo tempo, congregam-nos agora a morte e a festa de Cristo. Para penetrarmos junto àqueles escolhidos dentre os discípulos, inspirados por Deus, na profundeza destes inefáveis e sagrados Mistérios, escutemos a voz divina que do alto, do cume da montanha, nos chama instantemente.

Para lá, cumpre nos apressarmos, ouso dizer, como Jesus, que agora nos céus é nosso chefe e precursor, com quem refulgiremos aos olhos espirituais – renovadas de certo modo as feições de nossa alma – conformados à Sua imagem; e à semelhança d’Ele, incessantemente transfigurados, feitos consortes da natureza divina e prontos para as alturas.

Para lá, corramos cheios de ardor e de alegria; entremos na nuvem misteriosa, semelhantes a Moisés e Elias ou Tiago e João. Sê tu também como Pedro, arrebatado pela divina visão e aparição, transfigurado por esta linda Transfiguração, erguido do mundo, separado da terra. Deixa a carne, abandona a criatura e converte-te para o Criador a quem Pedro, fora de si, diz: Senhor, é bom para nós estarmos aqui (Mt 17,4).

Sim, Pedro, verdadeiramente é bom para nós estarmos aqui com Jesus e aqui permanecermos pelos séculos. Que pode haver de mais delicioso, de mais profundo, de melhor do que estar com Deus, conformar-se a Ele, encontrar-se na luz?

De fato, cada um de nós, tendo Deus em si, transfigurado em Sua imagem divina, exclame jubiloso: É bom para nós estarmos aqui, onde tudo é luminoso, onde está o gáudio, a felicidade e a alegria. Onde no coração tudo é tranquilo, sereno e suave. Onde se vê a Cristo, Deus. Onde Ele junto com o Pai tem Sua morada e ao entrar, diz:

Hoje chegou a salvação para esta casa (Lc 19,9). Onde com Cristo estão os tesouros e se acumulam os bens eternos. Onde as primícias e figuras dos séculos futuros se desenham como em espelho”.

A meditação atenta do Sermão nos leva a esta Montanha Sagrada, e também podemos ter os mesmos sentimentos do Apóstolo: “É bom nós estarmos aqui...”.

A experiência dos três Apóstolos (João, Pedro e Tiago) foi tão divina que levou Pedro a dizer: “É bom nós estarmos aqui, se queres, vou fazer três tendas...” (cf. Mt 17,1-9).

O convite feito pelo Bispo é irrecusável e precisamos aceitar sem demora: “Para lá, corramos cheios de ardor e de alegria”.

Precisamos, como os Apóstolos, fazer a experiência da Montanha Sagrada, contemplar a glória da presença de Deus, em sua beleza e esplendor, para descermos à planície, onde somos chamados a viver nossa fé com coragem, dando razão de nossa esperança, sem jamais deixar apagar, em nosso coração, a inflamada e necessária chama da da caridade.

Somente nos colocando diante da presença do Senhor, contemplando Sua glória, ouvindo, acolhendo e vivendo a Sua Palavra é que nos tornaremos alegres discípulos missionários Seus.

Para lá, corramos sim, sem demora. Mas da mesma forma não podemos perder nenhum tempo para anunciar e testemunhar a Palavra do Divino Mestre.

Ponhamo-nos sempre a caminho, como sinal e presença d’Aquele que é o próprio Caminho, que nos conduz a Deus, pautando nossa vida pela Verdade do Evangelho que nos faz verdadeiramente livres (cf. Gl 5,1).

Caminhemos libertos e iluminados por Ele, a Verdade Plena e Eterna, bebendo da inesgotável Divina Fonte de amor, vida, alegria e paz: Jesus.

Num mundo tão desfigurado, com tantos sinais de morte, é preciso que nos tornemos instrumentos de sua Transfiguração, amando e servindo Àquele que Se transfigurou aos olhos dos discípulos, antecipando sinais da glória eterna, o desígnio que Deus tem para todos nós: esplendor de amor e alegria, plenitude de vida. 

Celebremos a Transfiguração do Senhor e renovemos nossa coragem para o bom combate da fé. Amém!  


PS: Apropriado para o 2º Domingo da Quaresma, quando a Liturgia nos convida a refletir sobre a Transfiguração do Senhor.

Transfiguração do Senhor: descer à planície e irradiar a luz divina

                                                          


Transfiguração do Senhor: descer à planície e irradiar a luz divina

Contemplemos Jesus, que Se transfigura diante de Pedro, Tiago e João, a fim de conceder aos discípulos um suporte da fé, quando virem, pouco depois, o aparente fracasso da Sua morte na Cruz, sejamos enriquecidos pelo Sermão do Diácono Santo Efrém (séc. IV):

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E foi transfigurado diante deles; o Seu rosto brilhou como o sol e as Suas roupas ficaram brancas como a luz.

Ele os levou até a montanha para mostrar-lhes a glória de Sua divindade, e lhes ensinar que Ele era o Redentor de Israel, tal como já tinha revelado por Seus profetas; e também para prevenir todo escândalo à vista dos sofrimentos que livremente iria sofrer por nós em Sua natureza humana.

Eles, de fato, o conheciam como homem, mas ignoravam que fosse Deus; conheciam-nos como filho de Maria, um homem que vivia com eles no mundo, mas sobre a montanha revelou-lhes que era o Filho de Deus, e o próprio Deus.

Eles O tinham visto comer e beber, fatigar-Se e descansar, cochilar e dormir, apavorar-Se até gotejar de suor, coisas que não pareciam estar em harmonia com Sua natureza divina, nem convir à Sua humanidade. Por isso os trouxe sobre a montanha, para que o Pai O chamasse de Seu Filho, e lhes mostrasse que Ele era realmente Filho d’Ele, e que Ele era Deus.

Ele os levou sobre a montanha e mostrou-lhes Sua realeza antes de sofrer, Seu poder antes de morrer, Sua glória antes de ser ultrajado, e Sua honra antes de sofrer a ignomínia. Assim, quando fora tomado e crucificado pelos judeus, Seus apóstolos compreendessem que não foi por fraqueza, mas por consentimento e de plena vontade para a salvação do mundo.

Ele os levou sobre a montanha e mostrou-lhes, antes de Sua ressurreição, a glória da Sua divindade. Deste modo, quando ressuscitasse dentre os mortos na glória de Sua divindade, Seus discípulos reconheceriam que não recebia esta glória em recompensa de Suas aflições, como se precisasse delas, mas porque já Lhe pertencia bem antes dos séculos, com o Pai e para o Pai, assim como Ele mesmo lhe disse ao aproximar-se voluntariamente de Sua Paixão: Pai, glorifica-me junto de Ti, concedendo-me a glória que tive contigo antes que o mundo fosse criado.

E então, na montanha, Ele mostrou aos Seus apóstolos a glória de Sua divindade, oculta e escondida por Sua humanidade. Porque eles viram o Seu rosto brilhante, como um relâmpago, e Suas roupas brancas como a luz.

Eles viram dois sóis, um no céu, como de costume, e um incomum; um visível no firmamento e iluminando o mundo, e outro, a Sua face, visível somente a eles”. (1)

Contemplando a Transfiguração do Senhor no Monte Tabor, não fixemos tendas, mas desçamos à desafiadora planície, no seguimento de Jesus, com plena confiança e incondicional fidelidade ao chamado que Ele nos fez, carregando nossa cruz com coragem e ousadia.

Também nós podemos, em cada Eucaristia que celebramos, contemplar dois sóis, um no céu, sem maiores dificuldades, e o outro, o Sol Nascente, que nos veio visitar, Aquele que Se Transfigurou no alto do Tabor, revelando toda a Sua glória, a plena realização da Lei e da Profecia: Jesus.

Assim como precisamos da luz e do calor do sol, muito mais precisamos da radiante Luz que nos vem do Senhor, para nos aquecer e iluminar, sobretudo em nossas noites escuras, frias e aparentemente intermináveis, marcadas pelas dificuldades, provações, inseguranças, tentações, fragilidades.

Contemplemos  o Cristo glorioso, como um sinal do que poderemos contemplar eternamente, mas não sem antes viver o Mistério de Sua Paixão e Morte na Planície, assim como fizeram Pedro, João, Tiago e muitos outros ao longo da história.


(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes 2013 - pp. 59-60

Transfiguração do Senhor: o caminho da glória eterna passa pela Cruz

                                                         

 Transfiguração do Senhor:
o caminho da glória eterna passa pela Cruz

Ao celebrar, no dia 6 de agosto, a Transfiguração do Senhor, somos convidados à escuta atenta à voz de Deus e obediência total e radical ao Seu Plano, que Jesus realizou plenamente, por isto Ele é o Filho Amado que deve ser escutado no Monte Tabor e, com a força do Espírito, a Sua Palavra devemos realizar na planície do cotidiano, na história concreta, com suas alegrias e tristezas, angústias e esperanças...

Contemplamos a Transfiguração do Senhor, como a manifestação da antecipação de Sua glória, mas que é precedida pelo caminho da doação da vida, do Mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição. O caminho da glória eterna passa, inevitavelmente, pela Cruz.

A experiência vivida no Monte Tabor é a antecipação da glória eterna, para que, quando da experiência da morte de Cruz de Jesus, os discípulos não desanimem, e continuem firmes na fé, no testemunho.

Interrogamos: “Vale a pena seguir um Mestre que nada mais tem para oferecer do que a morte na Cruz?”.

A Transfiguração é a resposta: o aparente fracasso da Cruz é a nossa vitória. Deus Ressuscitou Seu Filho e não permitiu que a morte tivesse a última palavra.

Lembremo-nos das palavras do Apóstolo Paulo aos Gálatas – “Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo.” (Gl 6,14).

A Transfiguração é, portanto, uma teofania, ou seja, uma manifestação de Deus. Os sinais, os dados são relatos teofânicos do Antigo Testamento: monte, voz do céu, aparições, vestes brilhantes, nuvem, o medo e a perturbação dos três discípulos (João, Pedro e Tiago).

Jesus é o novo Moisés, e com Ele uma nova libertação. Com Ele Deus sela uma nova e eterna Aliança.

Moisés recebeu a Palavra, a Lei no Monte Horeb, Jesus é a própria Palavra do Pai a ser ouvida e acolhida.

A Transfiguração é uma mensagem catequética inesquecível na vida dos discípulos: Jesus é o Filho Amado de Deus, que realiza com Sua vida, doação, paixão e morte de Cruz, o Projeto de salvação divina. Ele apresenta um Projeto a quantos queiram ouvi-Lo e segui-Lo.

O caminho que Ele fará e fez é também o caminho daqueles que o seguirem. O aparente e provisório fracasso será uma eterna e verdadeira vitória.

A Transfiguração é uma mensagem de confiança e esperança – a Cruz não será a palavra final, pois no fim do caminho de Jesus, e na vida dos discípulos que O seguirem, está a Ressurreição, a vida plena, a vitória sobre a morte.

Pela Transfiguração do Senhor, testemunha-se que uma existência feita como dom não é fracassada, ainda que culmine na Cruz. A vida plena e definitiva se vislumbra no horizonte, bem no final do caminho, para todos aqueles que, como Jesus, colocarem sua vida a serviço dos irmãos.

Na planície por vezes também podemos ser tentados pelo desânimo, e é nesta hora que a Transfiguração do Senhor não permite que nos entreguemos, recuemos.

Avancemos para águas mais profundas, fortalecidos pela experiência vivida pelos apóstolos, como um grito ecoado no alto do Monte Tabor: “Não desanimem, pois Deus não permite que nossa vida seja uma marca de fracasso. Creiamos na Ressurreição, busquemos a vida definitiva, a felicidade sem fim, com coragem, carregando a cruz em total fidelidade ao Senhor.”.

Escutar Sua Palavra no Monte Sagrado não basta, é preciso vivê-la na planície, no autêntico testemunho da fé. Viver a religião não como evasão, fuga, distanciamento de compromissos concretos de amor e solidariedade.

Sendo assim, a religião jamais será um ópio a nos entorpecer, mas um sagrado compromisso com Deus, e, portanto, com Sua imagem e semelhança, com a humanidade, obra de Suas mãos, e com o mundo que nos entregou para cuidar, desde as primeiras páginas da História da Salvação:

“A vida é combate. O primeiro ato do ser humano no seu nascimento é um grito. Ele deverá lutar para viver. Muitos doentes sabem que devem lutar contra o mal, o sofrimento, o desencorajamento, a lassidão.

Desistir de lutar é sintoma de uma doença que se chama depressão. Podemos lutar para nos curarmos fisicamente. Podemos lutar para nos mantermos de pé na provação. A vida espiritual também é um combate.

O Senhor é Alguém que Se deixa procurar. Segui-Lo supõe, por vezes, escolhas radicais.

Nesta semana, aceitemos conduzir um combate. Não para ser os melhores, nem para esmagar os outros, mas para viver e fazer viver.

A vitória neste combate é-nos anunciada neste domingo, em que nos juntamos ao Senhor Transfigurado. Mas Ele diz-nos que, antes de Ressuscitar, deve passar pelo combate da Paixão. A Ressurreição é a vitória do combate pela vida” (1)

A Eucaristia é, portanto, o momento em que sentimos fortemente a presença de Deus, e refazemos nossas forças, porque no Banquete Eucarístico nossa fé é nutrida, nossa esperança é dilatada e nossa caridade é fortalecida.


(1) Citação extraída do site:


Fontes: cf. Dn 7,9-10.13-14; Mt 17,1–9, Mc 9,2–8; Lc 9,28–36; 2 Pd 1,16-19

Para você, pai, um pouco de poesia...

Para você, pai, um pouco de poesia...

Há algum tempo, mais um poeta nos deixou... 
Embora pouco conhecido, lamento.
Sua poesia e beleza de suas músicas que tocam a alma,
e nos possibilitam ver o mundo com olhar de esperança, 
no sentido de que podemos recriar novos espaços 
e novas relações entre as pessoas.
Retomo duas pequenas estrofes, 
que todos os pais poderiam tomar emprestados para si:

“Alma nua”

 “Ó meu Pai, dá-me o direito
De dizer coisas sem sentido
De não ter que ser perfeito
Pretérito, sujeito, artigo definido

De me apaixonar todo dia
E ser mais jovem que meu filho
De ir aprendendo com ele
A magia de nunca perder o brilho”.
(Vander Lee)

Reflitamos:

Ser pai não é ser portador de uma perfeição irretocável. Ser pai é uma construção permanente: não existe “pai pronto”, portanto é preciso que os compreendamos em suas imperfeições, celebremos suas limitações, sem cobranças injustas, como se nós, filhos, fôssemos a medida da perfeição.

Ser pai é ter a graça do apaixonamento cotidiano pela família, e neste apaixonamento, renovar em Deus todas as forças para que não haja desânimo, mesmice, retrocessos nos sagrados compromissos que nutrem no coração. Presente no mundo, ser sinal de que possui uma família que é seu tesouro, e assim, somando-se com outros, construir um mundo mais humano, solidário e fraterno.

Ser pai é não envelhecer nunca, ainda que inevitavelmente a velhice chegue; permitir o não envelhecimento das ideias, dos sonhos, das metas, dos anseios mais puros e edificantes que movam sua vida. É viver intensamente cada momento, com sabedoria e graça, e embora as perdas inevitáveis, com ganhos que somente com o passar do tempo, aprendendo com seus erros e acertos, vivendo contínuo crescimento e amadurecimento a que somos todos desafiados.

Ser pai, por fim, é ser mestre dos filhos, mas também deles aprendizes, porque assim é a vida: uma mútua troca de conhecimentos, para que o alcancemos, e uma vez alcançado, novamente buscado, numa sede eterna do saber. Não há quem tudo saiba que nada tenha que aprender, como não há ninguém que não tenha algo a ensinar. Logo, não há pais que tudo saibam e filhos que nada tenham aos pais a dizer.

A todos os pais e a todos os filhos, um pouco de bela música e poesia fará muito bem...

Ao Senhor, oremos pelos nossos pais!

Ao Senhor, oremos pelos nossos pais!

Senhor, que nossos pais vejam cristãmente com Vossos olhos: Um olhar de ternura, bondade, misericórdia, esperança, reencantamento pela vida, que se manifesta na compaixão e solidariedade para com aqueles que se sentem encurvados pelo fardo do cotidiano. Vós que tendes o fardo leve e jugo suave, e por isto nos dissestes: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados...” (cf. Mt 11,28-30)

Senhor, que nossos pais saibam cuidar do sentido do paladar para o cultivo do bom gosto, para aprenderem a saborear as delícias que nos ofereceis todos os dias, de modo especialíssimo e supremo, o Pão da Eucaristia, Vinho Novo de Eternidade. Não só os ensine a saborear Vossas delícias, mas que também tenham a alegria e o compromisso de oferecer aos filhos uma Palavra de Luz e Vida que possa também ser saboreada, tornando-se alimento na travessia até o encontro convosco na outra margem da eternidade.

Senhor, que os ouvidos de nossos pais sejam sempre atentos para escutar Vossa voz, que os convida a um encontro pessoal que se renova a cada instante. Que também seus ouvidos, em perfeita sintonia convosco, jamais se fechem aos clamores que sobem aos céus suplicando amor e solidariedade, e que se fechem a tantas vozes e cantos das sereias que nos afastem de Vós e de Vosso Plano de Amor, sem individualismo, intimismo e autossuficiência.

Senhor, que o olfato de nossos pais dê a eles a prudência e o discernimento para se afastarem de tudo aquilo que não cheire bem, porque acompanhado do odor que o pecado exala no mais profundo da alma e coração. Que saibam sentir o odor do Vosso Amor em permanente presença, e que assim também possam exalar Vosso suave aroma pelo mundo, por todos os lugares que passarem; a todas as pessoas com quem conviverem e de modo especial na própria família.

Senhor, que o sentido do tato de nossos pais dê a eles a  sensibilidade para se deixarem tocar por Vossa presença, que os envolva em terno abraço, e que tenham coragem de tocar nas feridas de tantos quantos a eles acorrerem, suplicando um pouco de carinho e atenção, estabelecendo uma relação de amor e respeito, edificação e santificação.

Senhor, aguçai a inteligência de nossos pais para que, como os pobres e simples, se abram à Vossa sabedoria, e, assim  também ouçam de Vossos lábios louvores a Deus – “Eu Te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, por que escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos.” (Mt 11, 25)

Enfim, Senhor, que a vontade de nossos pais seja sempre a Vossa vontade, somente assim, felizes serão, pois, sem Vós, nada têm, nada podem e nada são, e tão somente assim poderão não apenas rezar a Oração que nos ensinastes, mas vivê-la como o mais belo Projeto de Amor, porque Projeto Divino a ser realizado pela frágil humanidade, quando os dons, com amor e alegria são partilhados, por Vós multiplicados. Amém!



PS: Inspirado sobre a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 14, 13-21). 

Você, pai, que está na glória de Deus...

Você, pai, que está na glória de Deus...

 “Então os justos brilharão
como o sol no Reino de seu Pai.” (Mt 13, 43) 

Você, pai, está brilhando como o sol no Reino do Pai,
Porque foi a presença viva do Senhor:
Soube partilhar o pão com quem tinha fome;
Saciou a própria sede saciando a do próximo;
Acolheu com afeto e ternura a quantos precisaram.

Você, pai, está brilhando como o sol no Reino do Pai,
Porque foi a presença viva do Senhor:
Vestiu e protegeu do frio aos que nus e desprotegidos estavam;
Teve a coragem de viver quebrando correntes,
Construindo pontes, em vez de muros que separam;
Soube curar almas com palavras, carinho e perdão.

Você, pai, está brilhando como o sol no Reino do Pai,
Por tudo que foi, fez, viveu e testemunhou.
E, mesmo na hora de sua partida para a outra margem,
Naquele dia em que nossas lágrimas de dor verteram,
Verteu também a esperança na eternidade,
Porque acreditou e nos ensinou a confiar na Palavra do Senhor:
“Coragem! Sou Eu. Não tenhais medo” (Mt 14,24).

Você, pai, está brilhando como o sol no Reino do Pai,
Porque, nas portas do céu, ouviu dos lábios do Senhor Ressuscitado,
O convite para o Banquete da Eternidade:
“Vinde, benditos de meu Pai!
Recebei em herança o Reino que meu Pai vos preparou
desde a criação do mundo” (Mt 25, 34).

Você, pai, está brilhando como o sol no Reino do Pai,
Mas está sempre comigo, através dos preciosos ensinamentos que me transmitiu 
para que, com coragem, eu combata o bom combate.
E que Deus nos conceda a graça de um dia nos reencontrarmos,
E que eu também mereça brilhar ao seu lado
Como um sol no Reino do Pai. Amém.

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