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Dom Otacilio F. Lacerda
quarta-feira, 4 de novembro de 2026
“Fagulhas do amor divino”
“Fagulhas do amor divino”
Sejamos enriquecidos
pelo o Sermão proferido no último sínodo pelo Bispo São Carlos (Séc. XVI):
“Somos todos fracos,
confesso, mas o Senhor Deus nos entregou meios com que, se quisermos, poderemos
ser fortalecidos com facilidade.
Tal sacerdote desejaria
possuir uma vida íntegra, que dele é exigida, ser continente e ter um
comportamento angélico, como convém, mas não se resolve a empregar estes meios:
jejuar, orar, fugir das más conversas e de nocivas e perigosas familiaridades.
Queixa-se de que, ao
entrar no coro para a salmodia, ao dirigir-se para celebrar a missa, logo mil
pensamentos lhe assaltam a mente e o distraem de Deus. Mas, antes de ir ao coro
ou à missa, que fez na sacristia, como se preparou, que meios escolheu e
empregou para fixar a atenção?
Queres que te ensine a
caminhar de virtude em virtude e como seres mais atento ao ofício, ficando
assim teu louvor mais aceito de Deus? Escuta o que digo.
Se ao menos uma fagulha
do amor divino já se acendeu em ti, não a mostres logo, não a exponhas ao
vento!
Mantém encoberta a
lâmpada, para não se esfriar e perder o calor; isto é, foge, tanto quanto
possível, das distrações; fica recolhido junto de Deus, evita as conversas vãs.
Tua missão é pregar e
ensinar? Estuda e entrega-te ao necessário para bem exerceres este encargo.
Faze, primeiro, por
pregar com a vida e o comportamento. Não aconteça que, vendo-te dizer uma coisa
e fazer outra, zombem de tuas palavras, abanando a cabeça.
Exerces cura de almas?
Não negligencies por isso o cuidado de ti mesmo, nem dês com tanta liberalidade
aos outros que nada sobre para ti. Com efeito, é preciso te lembrares das almas
que diriges, sem que isto te faça esquecer da tua.
Entendei, irmãos, nada
mais necessário aos eclesiásticos do que a oração mental que precede, acompanha
e segue todos os nossos atos: Salmodiarei, diz o Profeta, e entenderei (cf. Sl
100,1Vulg.).
Se administras os sacramentos,
ó irmão, medita no que fazes; se celebras a missa, medita no que ofereces; se
salmodias no coro, medita a quem e no que falas; se diriges as almas, medita no
sangue que as lavou e, assim, tudo o que é vosso se faça na caridade
(1Cor16,14).
Deste modo, as
dificuldades que encontramos todos os dias, inúmeras e necessárias (para isto
estamos aqui), serão vencidas com facilidade. Teremos, assim, a força de gerar
Cristo em nós e nos outros.” (1)
Com o Sermão, somos
exortados a não ser alguém que diz uma coisa e faz outra. Portanto, mais do que
necessária a vigilância, coerência entre o que se prega e vive, em fecundo
testemunho na missão que o Senhor nos confia.
Que jamais
a “fagulha do amor divino” se apague em nossos corações, como
alegres discípulos missionários do Senhor:
“Vinde, Espírito Santo! Enchei os corações dos vossos fiéis...”
(1) Liturgia das Horas – Tempo Comum - Volume IV – p. 1436-1437
Dez características do Discípulo Missionário do Senhor Jesus
Sejamos Luz do Senhor
Enamorado por Ti
Enamorado por Ti
Para gerar Cristo em nós e nos outros...
Para gerar Cristo em nós e nos outros...
São Carlos Borromeu, cuja memória celebramos no dia 4 de novembro, foi um verdadeiro pastor da Igreja.
Em sua missão visitou várias vezes toda a Diocese de Milão; convocou Sínodos e desenvolveu a mais intensa atividade, em todos os setores, para a salvação dos que o Senhor os confiou, promovendo todos os meios para a renovação da vida cristã.
À Luz do seu Sermão, feito no século XVI, por ocasião do encerramento do último Sínodo que participou, apresento algumas lições que são atualíssimas para nós, padres, e todo aquele que se faz discípulo missionário de Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre:
- Para que nos fortaleçamos é preciso acolher todos os meios que o Senhor nos oferece;
- Desejar possuir uma vida íntegra;
- Ter um comportamento angélico: jejum, oração;
- Evitar conversas nocivas, vãs;
- Evitar perigosas familiaridades;
- Antes do culto não deixar os pensamentos o distrair – preparar-se e fugir às distrações;
- Não expor a pequena fagulha do amor divino ao vento;
- Estudar e entregar-se ao necessário;
- Fazer primeiro o que se prega: pregar com a vida e o comportamento;
- Não negligenciar a si mesmo ao cuidar das almas –“não dês com tanta liberalidade aos outros que nada sobre para ti”;
- Colocar-se constantemente em oração mental;
- Meditar os sacramentos que celebra;
- Meditar na Missa que se oferece ou se participa;
- Meditar o que se canta (salmos e cânticos);
- Viver intensamente a caridade.
Reflitamos:
- Destas lições, à quais estamos mais atentos?
- Quais mereceriam mais atenção?
Concluo com suas palavras para nos motivar no discipulado, em maior fidelidade ao Senhor:
“Deste modo, as dificuldades que encontramos todos os dias, inúmeras e necessárias (para isto estamos aqui), serão vencidas com facilidade. Teremos assim força de gerar Cristo em nós e nos outros.”
Oremos:
Senhor Deus, que, a exemplo de São Carlos Borromeu, sejamos zelosos no cuidado do rebanho, empenhados em pregar e viver o que pregamos, para que nosso testemunho seja credível e irradie Vossa luz, conduzindo o rebanho à maior fidelidade também a Vós, por meio de Jesus Cristo, Vosso Filho, na força e unidade do Vosso Santo Espírito! Amém.
Falar com sabedoria, ensinar com amor
Falar com sabedoria, ensinar com amor
Ó Deus, fortalecei nossa paciência e tolerância, como discípulos do Vosso Filho, com a presença do Santo Espírito, na espera da Parusia, do novo céu e da nova terra, comprometidos com um mundo mais fraterno, justo e solidário, em que não haverá mais dor, luto, morte e sofrimento.
Concedei-nos a graça de sermos sábias e corajosas testemunhas da Vossa Misericórdia e compaixão, que recompensa os pacientes e perseverantes no carregar da cruz de cada dia, com suas renúncias necessárias.
Dai-nos o dom da perseverança para o testemunho de uma fé adulta, edificando uma comunidade marcada pelas relações fraternas, superando todas as sombras de murmurações e lamentações de uns contra os outros.
Ajudai-nos a viver uma caridade operosa, com dedicação e alegria, assim como fizeram Vossos profetas e amigos, Jeremias, Jó e tantos outros, ao longo de toda a História da Salvação.
Concedei-nos a mansidão para não nos lamentarmos uns dos outros, pois quem julga e condena será por sua vez julgado e condenado, e o juiz está à porta, Vosso Filho, que veio, vem e virá gloriosamente.
Inspirai-nos para falarmos com sabedoria e ensinarmos com amor (cf. Pr 31,26), com sinceridade e clareza e necessária transparência na vida comunitária, no testemunho de cada palavra pronunciada.
Iluminai nossas palavras e o diálogo, pois são os instrumentos mais oportunos para construir relações verdadeiras e duradouras, mas que podem, também, destruir aquilo que se construiu com muito tempo e muito sacrifício.
Conduzi-nos, para que a verdade de nossas palavras e ações dispensem os juramentos, de modo que quem ouvir um “sim” ou um “não” saberá que nada há a ser acrescentado, tirado ou subentendido, como já nos alertara o Vosso Amado Filho (Mt 5,33-38). Amém.
Fonte inspiradora: Carta de São Tiago (Tg 5,9-12)






