sábado, 17 de outubro de 2026

Um hino de louvor a Deus

                                                  

Um hino de louvor a Deus 

Na passagem da Carta de Paulo aos Romanos (Rm 11,33-36), o Apóstolo eleva a Deus um hino de louvor; faz uma exaltação do desígnio salvador de Deus, que possui toda riqueza, sabedoria e ciência (v.33): 

“Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus! Como são inescrutáveis os seus juízos e impenetráveis os seus caminhos! De fato, quem conheceu o pensamento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem se antecipou em dar-lhe alguma coisa, de maneira a ter direito a uma retribuição? Na verdade, tudo é dele, por ele, e para ele. A ele, a glória para sempre. Amém!” (1)

Como o Apóstolo, fiquemos abismados diante de Deus e nos entreguemos com toda a confiança em Suas mãos, acolhendo humildemente Sua Palavra e seguindo, com simplicidade e amor, o caminho que Ele nos propõe.

Mergulhemos na infinita grandeza de Deus, na contemplação de Seu Mistério, precedido pela reflexão e reconhecimento de Sua riqueza, sabedoria e ciência.

Deste modo, veremos a Deus não como um concorrente, mas como um Pai cheio de amor, afastando de nós toda autossuficiência, autorreferencialidade e orgulho.

Correspondamos, em todo o tempo,  com gratidão, aos tantos dons com os quais Deus nos enriquece, e a Ele glorifiquemos, por meio do Seu Filho, em comunhão com o Seu Espírito. Amém.


(1) Leitura breve das Vésperas do quarto sábado do Tempo Comum

Em poucas palavras... (XXIXDTCA)

                                                 


                      

                       "A César o que é de César..."
 
"‘Mostrai-me a moeda’. Mostraram-na para Ele.
 ‘De quem, disse, é a imagem e a inscrição?’ 
 
Responderam: ‘De César’. 
 
E Ele:
 
‘Dai a César o que é de César e a  Deus o que é de Deus.’ 
 
Como César busca a sua imagem em  sua moeda, 
assim Deus busca a Sua em tua alma". (1)
 
 
(1)  Bispo e Doutor Santo Agostinho (Séc. V)
 

“A Deus o que é de Deus” (XXIXDTCA)

                                        

“A Deus o que é de Deus”

A Liturgia do 29º Domingo do Tempo Comum (ano A) tem como tema principal a subordinação de nossa existência a Deus, num compromisso efetivo com o mundo novo. 

É preciso entregar nossa existência nas mãos de Deus que é o Senhor da história (Is 45,1.4-6). Somos instrumentos preciosos em Suas mãos, porque assim Ele o quis.

O Profeta Isaías fala de um momento muito importante na história do Povo de Deus, ou seja, o final do Exílio, entre 550 e 539 a.C.

O texto que meditamos pertence ao “Livro da Consolação”. Nesta passagem, o Profeta nos fala da ação de Ciro possibilitando que o Povo de Deus retorne a sua terra. Por desígnio de Deus, o libertador é um rei estrangeiro. 

Deus não hesita em suscitar um “messias estrangeiro”, um rei persa que adora outros deuses. Nem por isto o povo deverá adorar “Marduk” (ídolo dos povos babilônicos), mas deverá manter e crescer em sua fé e fidelidade a Javé.

Ciro é um instrumento para que Deus atue no mundo e na História. Muitas vezes parece que Deus está distante, mas o Profeta revela a presença, a ação e a intervenção divina. 

Deus jamais Se faz indiferente e passivo frente à nossa história. É preciso que nos entreguemos em Suas mãos e compreendamos a Sua lógica. Deus age por meio de nós, apesar de não merecermos, apesar de nossas fraquezas ou até mesmo por causa delas. Ele é totalmente livre para chamar a quem bem quiser.

Reflitamos:

- Como nos tornarmos preciosos instrumentos na mão de Deus?
- Nossas comunidades são abertas a ação do outro?

- Respeitamos a liberdade da ação divina?
- Sabemos valorizar os instrumentos por Deus escolhidos?

Na passagem da segunda Leitura (1Ts 1,1-5b), o Apóstolo Paulo se dirige à comunidade de Tessalônica; uma comunidade numerosa, entusiasta e formada por pagãos convertidos. 
Apesar das perseguições e provações, ela deve progredir na fidelidade ao Evangelho, convertendo-se em alguns aspectos, todavia encontra nela as virtudes teologais: Fé, Esperança e Caridade. 

A comunidade não caminha à deriva e condenada ao naufrágio, e o Apóstolo tem consciência de que a formação doutrinal da comunidade ainda ficou a desejar quando por ela passou.

Renovemos aprofundemos nosso entusiasmo e empenho na evangelização, apesar de encontrarmos hostilidades, dificuldades, provocações e incompreensões, na vivência das virtude divinas:
Fé: adesão ao Evangelho em constante conversão e transformação, vivendo uma fé ativa, que não se acomoda e tampouco permite a evasão de reais compromissos.
Esperança: uma comunidade que seja firme, marcada pela entrega, partilha e doação, mantendo acesa a chama da esperança, mesmo quando ela parecer não existir, em meio às dificuldades, perseguições, incompreensões.
Caridade: uma comunidade que se esforça para viver o amor, efetivamente, pois quem ama empenha-se em fazer sempre o melhor para Deus e pelo próximo.
Reflitamos:

- Quais são os testemunhos de Fé, Esperança e Caridade que estão ao nosso lado? É preciso que em nossas comunidades vejamos a presença amorosa de Deus no outro.
- Alegramo-nos e sabemos glorificar a Deus pelo bem que o outro faz em nome da fé, sobretudo por meio da mesma fé que professamos, na mesma comunidade em que vivemos?

Na passagem do Evangelho (Mt 22,15-21), Jesus se encontra em Jerusalém, aonde vai se desenrolar o confronto final entre Ele e o judaísmo, e mais uma vez Jesus está diante de seus opositores (dirigentes judeus, herodianos e saduceus). 

Depois das Parábolas que Ele dirigiu aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, as autoridades procuram um pretexto para matá-Lo. Preparam-lhe uma armadilha: é lícito compactuar com um sistema de exploração? É lícito ou não pagar tributos ao Imperador de Roma?

A conclusão a que se chega é que se deve contribuir para o bem comum, mas tendo Deus como único Senhor.
O Homem sendo imagem de Deus somente a Ele pertence. Deus é seu único Senhor (Gn 1, 26-27). Logo,  “Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”: a César o tributo. Mas a Deus, a vida do Povo. Jesus dá a entender que pagar o tributo à autoridade imperial é lícito, entretanto o que mais Lhe interessa é que seja dado a Deus aquilo que Lhe pertence: a vida do povo.

Assim como na primeira Leitura, no Evangelho há uma mensagem transparente: os grandes da terra devem se colocar a serviço dos pequeninos, glorificando o verdadeiro Senhor, porque somos imagem de Deus e a Ele pertencemos.

Reflitamos: 

- Como devolver a Deus um povo sem vida, abandonado, famélico?
- Qual a alegria que sentimos como discípulos em saber que a nossa glória consiste em a Deus pertencer, adorando-O e o servindo na pessoa do outro?

Para Jesus a submissão deve se dar única e exclusivamente a Deus. O homem e a sua vida pertencem a Deus. É preciso, portanto, redescobrir a centralidade de Deus em nossa existência, pois não há felicidade sem Deus.

Somos imagem de Deus, e a Ele pertencemos, de modo que nos perguntamos:
- Como está esta imagem em cada criatura que convivemos?
- Reconhecemos no outro a imagem e presença de Deus?
- O que fazemos para regastar a dignidade do outro?
- Damos a César o que é de César e a Deus o que é de Deus?

Como discípulos missionários do Senhor não podemos nos omitir na construção de um mundo melhor; conquistando direitos e cumprindo deveres. 

O compromisso com o novo céu e a nova terra, com o mundo futuro, não nos dispensa de compromissos irrenunciáveis no tempo presente. Portanto, a esperança é uma só: a esperança do céu se dá na construção de um mundo novo, a partir deste exato momento da história que vivemos, com renovados compromissos sociais e políticos. 


Jamais devemos nos omitir na construção e promoção da cultura da vida, da dignidade, da paz, como instrumentos que somos nas mãos de Deus, pois a fé cristã não é evasão, alienação, fuga, o abrir mão de compromissos, muito pelo contrário.

Oremos: 

Ó Deus Uno e Trino, que jamais abusemos do poder que nos é confiado, e que toda autoridade constituída sirva para o bem de todos, com a força do Espírito e conforme a Palavra do Verbo Encarnado, para que todos os povos Vos reconheçam como o único Deus a ser adorado, amado e servido. Amém!

MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV PARA O 100º DIA MUNDIAL DAS MISSÕES (síntese)

 


MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV
PARA O 100º DIA MUNDIAL DAS MISSÕES (síntese)

Celebraremos dia 18 de outubro de 2026 o 100º Dia Mundial das Missões de 2026, marcando o centenário desta celebração, instituída por PIO XI, com o tema “Um em Cristo, unidos na missão”.

Faz-se necessário que os corações sejam unificados em Cristo, as comunidades sejam reconciliadas e, em todos, haja a disponibilidade para colaborar com generosidade e confiança.

Na primeira parte, o Papa nos convida a refletir sobre o fato de sermos um em Cristo, como discípulos missionários unidos n’Ele e com os irmãos e irmãs, tendo no centro da missão o Mistério da nossa união com Cristo, e assim mantermos sempre o olhar voltado para o Senhor para que Ele esteja verdadeiramente no centro da vida pessoal e comunitária, de cada palavra, ação, relação interpessoal, como tão bem expressou o Apóstolo Paulo - «Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim» (Gl 2, 20).

Deste modo, ser cristão, afirma o Papa, não é, em primeiro lugar, um conjunto de práticas ou ideias: é uma vida em união com Cristo, na qual nos tornamos participantes da relação filial que Ele vive com o Pai no Espírito Santo.

Assim temos a primeira responsabilidade missionária da Igreja de renovar e manter viva a unidade espiritual e fraterna entre os seus membros, e consequentemente, a necessidade de intensificar o compromisso ecumênico com todas as Igrejas cristãs.

Reitera com as palavras de São Paulo VI - «Não haverá nunca evangelização verdadeira se o nome, a doutrina, a vida, as promessas, o reino, o mistério de Jesus de Nazaré, Filho de Deus, não forem anunciados» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 22); e deste modo, quanto mais estivermos unidos em Cristo, mais poderemos realizar juntos a missão que Ele nos confia.

Na segunda parte, exorta-nos a viver unidos na missão para o que o mundo creia em Cristo Senhor.

Sendo assim, nenhum batizado é estranho ou indiferente à missão: todos, cada um segundo a sua vocação e condição de vida, participam na grande obra que Cristo confia à sua Igreja.

Lembra as palavras do Papa Francisco que afirmava: o anúncio do Evangelho é sempre uma ação conjunta, comunitária, sinodal.

Ressalta que unidade missionária não deve se confundir com uniformidade; mas a necessária convergência dos diferentes carismas para o mesmo objetivo, que consiste em tornar visível o amor de Cristo e convidar todos a um encontro com Ele.

A evangelização realiza-se quando as comunidades locais colaboram entre si exercem com criatividade formas concretas de colaboração; e quando as diferenças culturais, espirituais e litúrgicas se expressam plena e harmoniosamente na mesma fé.

Agradece ao precioso trabalho das  Pontifícias Obras Missionárias pelo serviço à cooperação missionária para a vida de toda a Igreja (como ele mesmo experimentou no Peru - afirma), com suas quatro obras:  – Propagação da Fé, Infância Missionária, São Pedro Apóstolo e União Missionária.

As quatro Obras são um sinal vivo da unidade e da comunhão missionária eclesial, e é fundamental que colaboremos com elas com espírito de gratidão, através de orações e concretamente com a oferta.

Na terceira parte apresenta-nos a Missão do amor: que consiste em anunciar, viver e partilhar o amor fiel de Deus.

Se de um lado a unidade é condição da missão, o amor é a sua essência, afirma o Papa; portanto, a missão dos discípulos e de toda a Igreja é a continuação, no Espírito Santo, da missão de Cristo: uma missão que nasce do amor, que se vive no amor e que conduz ao amor.

Agradece experiências de missionários ad gentes: pessoas que, como São Francisco Xavier, deixaram a sua terra, a sua família e as seguranças para anunciar o Evangelho, levando Cristo e o seu amor a lugares muitas vezes difíceis, pobres, marcados por conflitos ou culturalmente distantes.

Também faz referência a São Francisco de Assis, ao celebrarmos oitocentos anos de seu trânsito para o céu, e sua preocupação expressa em suas palavras - «o Amor não é amado».

Também é lembrada Santa Teresinha do Menino Jesus, que se propôs continuar a sua missão mesmo depois da morte.

Enfatiza a importância de nossas orações e apoio concreto, especialmente por ocasião do Dia Mundial das Missões, que são uma grande ajuda para levar o Evangelho do amor de Deus a todos, especialmente aos mais pobres e necessitados.

Conclui nos concedendo a bênção,  acompanhada desta oração:

“Pai santo,
concedei-nos ser um em Cristo,
enraizados no seu amor que une e renova.
 
Fazei que todos os membros da Igreja sejam unidos na missão,
dóceis ao Espírito Santo,
corajosos no testemunho do Evangelho,
anunciando e encarnando todos os dias
o vosso amor fiel por cada criatura.
 
Abençoai os missionários e as missionárias,
sustentai-os no seu esforço,
guardai-os na esperança!

Maria, Rainha das missões,
acompanhai a nossa obra evangelizadora em todos os cantos da terra:
tornai-vos instrumentos de paz
e fazei que o mundo inteiro reconheça em Cristo a luz que salva.
Amém.”


https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/mission/documents/20261007-videomessaggio-gmm.html


Em poucas palavras... (XXIXDTCA)

 


As Virtudes divinas na travessia em tempos difíceis

“As virtudes teologais são vistas com uma intensidade que demonstra as condições enfrentadas pelos fiéis, os quais respondem ao desafio com uma fé ativa (‘a atividade da vossa fé’), uma caridade concreta e assídua (‘o esforço da vossa caridade’), e uma esperança que sustenta a carga pesada da expectativa perseverante do Senhor Jesus (‘a firmeza da vossa esperança’)...

Quanto mais séria é a crise, tanto mais os cristãos devem tomar consciência de que o Evangelho continua a ir ao seu encontro e a tornar possível a ‘atividade na fé’, o ‘esforço na caridade’ e a ‘firmeza da esperança (1 Ts 1,3), com  energia igual, senão superior aos desafios do tempo.” (1)

 

(1) Lecionário Comentado – Tempo Comum – Vol. II – p. 587.591


Adoremos somente a Deus (XXIXDTCA)

                                       

Adoremos somente a Deus
 
A Liturgia do 29º Domingo do Tempo Comum (ano A) tem como tema principal a subordinação de nossa existência a Deus, num compromisso efetivo com o mundo novo. 
 
É preciso entregar nossa existência nas mãos de Deus que é o Senhor da história (Is 45,1.4-6). Somos instrumentos preciosos em Suas mãos, porque assim Ele o quis.
 
Na passagem do Evangelho (Mt 22,15-21), mais uma vez Jesus está diante de Seus opositores (dirigentes judeus, herodianos e saduceus). 
Encontra-Se em Jerusalém, onde vai se desenrolar o confronto final entre Ele e o judaísmo.
 
Depois das Parábolas que Ele dirigiu aos sumos sacerdotes e aos anciãos do povo, as autoridades procuram um pretexto para matá-Lo.
 
Preparam-lhe uma armadilha: é lícito compactuar com um sistema de exploração? É lícito ou não pagar tributos ao Imperador de Roma?
 
A conclusão a que se chega é que se deve contribuir para o bem comum, mas tendo Deus como único Senhor.
O homem sendo imagem de Deus somente a Ele pertence. Deus é seu único Senhor (Gn 1, 26-27). Logo “Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”: a César o tributo. Mas a Deus, a vida do Povo. Jesus dá a entender que pagar o tributo à autoridade imperial é lícito, entretanto o que mais Lhe interessa é que seja dado a Deus aquilo que Lhe pertence: a vida do povo.
 
Há uma mensagem transparente: os grandes da terra devem se colocar a serviço dos pequeninos, glorificando o verdadeiro Senhor. 
 
Reflitamos: 
 
- Como devolver a Deus um povo sem vida, abandonado, famélico?
- Qual a alegria que sentimos, como discípulos, em saber que a nossa glória consiste em a Deus pertencer, adorando-O e servindo-O na pessoa do outro?
 
Para Jesus, a submissão deve se dar única e exclusivamente a Deus. O homem e a sua vida pertencem a Deus. É preciso, portanto, redescobrir a centralidade de Deus em nossa existência, pois não há felicidade sem Deus, pois somos imagem de Deus, e a Ele pertencemos.
 
Reflitamos:
 
- Como está esta imagem em cada criatura que convivemos?
- Reconhecemos no outro a imagem e presença de Deus?
 
- O que fazemos para regatar a dignidade do outro?
- Damos a César o que é de César e a Deus o que é de Deus?
 
Como discípulos missionários do Senhor, não podemos nos omitir na construção de um mundo melhor; conquistando direitos e cumprindo deveres. 
O compromisso com o novo céu e a nova terra, com o mundo futuro, não nos dispensa de compromissos irrenunciáveis no tempo presente. Portanto, a esperança é uma só: a esperança do céu se dá na construção de um mundo novo, a partir deste exato momento da história que vivemos, com renovados compromissos sociais e políticos. 
Jamais devemos nos omitir na construção e promoção da cultura da vida, da dignidade, da paz, como instrumentos que somos nas mãos de Deus, pois a fé cristã não é evasão, alienação, fuga, o abrir mão de compromissos.
 
Oremos: 
Ó Deus Uno e Trino, que jamais abusemos do poder que nos é confiado, e que toda autoridade constituída sirva para o bem de todos, com a força do Espírito e conforme a Palavra do Verbo Encarnado, para que todos os povos Vos reconheçam como o único Deus a ser adorado, amado e servido. Amém!
 



 
PS: oportuno para a terça-feira da 9ª Semana do Tempo Comum, em que se proclama a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 12,13-17).

Dar a cada um o que lhe pertence (XXIXDTCA)

                                         


Dar a cada um o que lhe pertence

Sejamos enriquecidos pelo Sermão escrito por São Lourenço de Brindisi (1559-1619), capuchinho, doutor da Igreja, para a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 22, 15-21).

“«Então, dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus». É preciso dar a cada um o que lhe pertence. Eis uma palavra verdadeiramente cheia de sabedoria e de ciência celestial.

Porque nos ensina que há duas espécies de poder: um humano e terreno, outro divino e celeste. […] Ensina-nos que devemos estar sujeitos a uma dupla obediência: às leis dos homens e às leis divinas. […]

Temos de pagar a César a moeda que tem a efígie e a inscrição de César, e a Deus o que recebeu o sinete da imagem e semelhança divinas: «Resplandeça sobre nós, Senhor, a luz da Tua face!» A luz da Tua face deixou em nós a Tua marca, Senhor (Sl 4,7).

Fomos criados à imagem e semelhança de Deus (cf Gn 1,26). Tu és homem, ó cristão. És, portanto, moeda do tesouro divino, uma moeda que tem a efígie e a inscrição do Imperador divino.

Assim, pergunto com Cristo: «De quem é esta imagem e esta inscrição?» Tu respondes: «De Deus». E eu digo-te: «Então porque não dás a Deus o que é de Deus?»

Se queremos realmente ser imagem de Deus, devemos assemelhar-nos a Cristo, pois Ele é a imagem da bondade de Deus e «imagem fiel da Sua substância» (Hb 1,3). E Deus, «àqueles que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem uma imagem idêntica à do Seu Filho» (Rm 8,29).

Cristo deu verdadeiramente a César o que era de César e a Deus o que era de Deus. Ele observou da maneira mais perfeita os preceitos contidos nas duas tábuas da lei divina, «tornando-Se obediente até à morte e morte de Cruz» (Fp 2,8), e por isso foi elevado ao mais alto grau de todas as virtudes visíveis e invisíveis.”

Somos verdadeiramente imagem e semelhança de Deus, assim o cremos, portanto, devemos dar a César o que é de César e a Deus o que a Ele pertence.

Dar a Deus a nossa vida, a vida do povo, de modo que tudo coloquemos em Suas mãos, ciente de nossas responsabilidades, como cidadãos, obrigações e direitos, mas que tudo seja revertido em prol do povo que a Deus pertence.

Urge que a vida humana seja promovida em todos os seus âmbitos, a fim de que possamos amá-Lo e adorá-Lo sobre todas as coisas, sobre todos os poderes, e cientes de que tudo a Ele pertence: toda honra, glória, poder e louvor. Amém.

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