Dom Otacilio F. Lacerda
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
“Prepara-te para a tentação”
O protagonismo feminino na vida da Igreja
O protagonismo feminino na vida da Igreja
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 8,1-3), que nos apresenta Jesus andando por cidades e povoados, pregando e anunciando a Boa-Nova do Reino de Deus, acompanhado pelos Doze e algumas mulheres, bem como a solicitude de outras com a ajuda com os bens que possuíam.
Reflitamos sobre a notável presença das mulheres em torno de Cristo, desde o início de sua vida pública:
Assim lemos no Comentário do Missal Cotidiano:
“(Lucas) recolheu em número considerável tradições provenientes do ambiente feminino, também com relação à morte e às aparições do Ressuscitado (Lc 23,49; 24,9-11).
O fato de tais mulheres terem acompanhado Jesus desde o início de seu ministério, exatamente como os Doze (v.2), confere-lhes o título semelhante ao dos apóstolos: também a mulher é participante do anúncio apostólico da mensagem cristã.
A mulher não tem papel meramente passivo no mistério da salvação e é hoje chamada a novos encargos apostólicos, como está ilustrado no Concílio (LG 30; 33 AA9; 32; AG 17; GS 31 e em particular a ‘mensagem das mulheres’” (1)
Retomemos um parágrafo das Conclusões do Sínodo 2021-2024, com o intuito de favorecer a continuidade da reflexão sobre o protagonismo feminino na vida e ação evangelizadora da Igreja:
“Em virtude do Batismo, homens e mulheres gozam de igual dignidade no Povo de Deus. No entanto, as mulheres continuam a encontrar obstáculos para obter um reconhecimento mais pleno dos seus carismas, da sua vocação e do seu lugar nos vários sectores da vida da Igreja, em detrimento do serviço à missão comum.
As Escrituras atestam o papel de primeiro plano de muitas mulheres na história da salvação. A uma mulher, Maria de Magdala, foi confiado o primeiro anúncio da Ressurreição; no dia de Pentecostes, Maria, a Mãe de Deus, estava presente no Cenáculo, juntamente com muitas outras mulheres que tinham seguido o Senhor.
É importante que as passagens relevantes da Escritura encontrem lugar apropriado nos lecionários litúrgicos. Alguns momentos cruciais da história da Igreja confirmam o contributo essencial das mulheres movidas pelo Espírito.
As mulheres constituem a maioria daqueles que frequentam as igrejas e são frequentemente as primeiras testemunhas da fé nas famílias. São ativas na vida das pequenas comunidades cristãs e nas paróquias; dirigem escolas, hospitais e centros de acolhimento; lideram iniciativas de reconciliação e de promoção da dignidade humana e da justiça social. As mulheres contribuem para a investigação teológica e estão presentes em posições de responsabilidade nas instituições ligadas à Igreja, na Cúria diocesana e na Cúria Romana.
Há mulheres que exercem cargos de autoridade ou são responsáveis pela comunidade. Esta Assembleia convida a dar plena implementação de todas as oportunidades já previstas no direito vigente relativamente ao papel das mulheres, particularmente nos lugares onde ainda não foram concretizadas.
Não há razões que impeçam as mulheres de assumir funções de liderança na Igreja: não se pode impedir o que vem do Espírito Santo. A questão do acesso das mulheres ao ministério diaconal também permanece em aberto e é necessário prosseguir o discernimento a este respeito. A Assembleia convida também a prestar maior atenção à linguagem e às imagens utilizadas na pregação, no ensino, na catequese e na redação dos documentos oficiais da Igreja, dando mais espaço ao contributo de mulheres santas, teólogas e místicas.” (2)
Fundamental desde sempre, a participação da mulher do anúncio apostólico da mensagem cristã, e não apenas como papel “meramente passivo no mistério da salvação”.
Lembramos que uma das marcas do Pontificado do Papa Francisco, foi a valorização do protagonismo feminino na Igreja, como podemos ver em suas Mensagens, bem como e em expressivos gestos de nomeação para funções na vida da Igreja.
Há um caminho percorrido, mas há um longo caminho a percorrer, como vemos nas conclusões acima, sempre conduzidos e assistidos pelas luzes do Espírito Santo que anima e ilumina a vida da Igreja.
(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.1289
(2)Por uma Igreja Sinodal – comunhão, participação, missão – Documento final – parágrafo n. 60
A dignidade e a participação das mulheres na família e na sociedade
Em poucas palavras...
A participação da mulher na ação evangelizadora
“A mulher não tem papel meramente passivo no Mistério da Salvação e é hoje chamada a novos encargos apostólicos, como está ilustrado no Concílio (LG 30;33; AA9;10;32; Ag 17; GS 31 e em particular a ‘mensagem às mulheres’)” (1)
(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus – Comentário da passagem do Evangelho (Lc 8,1-3) – pág. 1289
Como é bom trabalhar na Vinha do Senhor! (XXVDTCA)
Reencontrar com o Senhor implica sempre em abertura, conversão, desejo sincero de mudança e fidelidade.
Não escreve de um lugar marcado pela comodidade e suntuosidade. Por isto está escrito em seu túmulo, em Roma: “Para mim, viver é Cristo e morrer é lucro” (Fl 1,21).
Nisto consistiu o fundamental para Paulo: compreende a morte, como possibilidade de encontro definitivo com Cristo.
Reflitamos:
Revela-nos o rosto e o coração de um Deus que ama a todos sem exceção; tão diferente do Deus dos escribas e fariseus, que muitas vezes se assemelha a um “Deus contabilista” que nos recompensa conforme nossas ações, como se tivesse um lápis na mão para fazer as nossas contas e nos dar o pagamento conforme nossos merecimentos.
A nós cabe o imitar a Deus amando na gratuidade! Simplesmente, amar na gratuidade, a mais bela lógica da ação divina que a Parábola nos revela.
Faltam vocações: há lugares a serem ocupados nos bancos de nossas Igrejas e salas de reuniões; há realidades externas que nos desafiam (universidades, presídios, condomínios, favelas, hospitais, bolsões de miséria e tantos outros lugares...)
Deus nos paga não pelos nossos méritos.
A bondade divina ultrapassa a justiça (XXVDTCA)
A bondade divina ultrapassa a justiça
Com a Liturgia do 25º
Domingo do Tempo Comum (ano A), refletimos sobre a lógica do Reino e as
preferências de Deus.
Na passagem da primeira Leitura (Is 55,6-9), o Senhor nos fala pelo
Profeta: "Meus pensamentos não
são os vossos pensamentos; vossos caminhos não são os meus caminhos".
De fato, a lógica de Deus é diferente da lógica dos homens; às vezes, oposta e inconciliável com ela, embora sempre superior.
Assim diz o Missal Dominical:
“Em
geral, o que é lucro para o homem, é perda para Deus; e o que para o homem está
em primeiro lugar, vem em último lugar para Deus".
A Palavra de Deus e seu juízo comportam uma radical inversão de
valores: os primeiros são os últimos (Mt 20,1-16a); felizes são os que
choram; os verdadeiros ricos são os que abandonam tudo; quem quer salvar sua
vida a perde...
A Lei do Reino parece ser o paradoxo, o inédito, o inesperado; Deus escolhe as coisas frágeis e desprezíveis deste mundo para confundir as fortes e bem consideradas.
Não escolhe o primeiro, mas o último; não o justo, mas o pecador; não o sadio, mas o doente. Faz mais festa pela ovelha perdida e reencontrada do que pelas noventa e nove que estão na segurança do aprisco.
O Deus cristão é o ‘absolutamente-Outro’, o imprevisível. Nenhuma categoria humana pode "capturá-Lo". Ele escapa a qualquer definição e revela continuamente novos aspectos do Seu Mistério" (1).
Com Sua ação, Jesus revela, com clareza e insistência, um traço da face de Deus: o Amor pelos empobrecidos, pelos últimos, pelos mais humildes.
Segundo o Teólogo Joaquim Jeremias, citado por Raniero Cantalamessa, “A Parábola não descreve um ato arbitrário, mas um gesto de uma pessoa cheia de bondade, generosa e de fina sensibilidade para com os pobres. Deus é assim! – quis dizer Jesus; é tão bom que faz participar de Seu Reino também os publicanos e pecadores” (2)
Muito enriquecedora é também a nota da nova Bíblia Pastoral:
“A chave de compreensão da Parábola está no v. 4: o dono da vinha decide pagar o que for justo. E a justiça não é definida pelo merecimento, mas pela necessidade que cada trabalhador vive.
A perturbação e o ciúme provocados por essa ação mostram como a mentalidade e a prática dominantes estão longe dos princípios que regem o Reino e a vida nele. É fundamental comprometer-se, a todo tempo, em realizar na terra a justiça de Deus” (3).
Temos muito que aprender sobre a lógica de Deus, porque a justiça paga conforme o merecido, mas a bondade olha a necessidade, e Deus tem sempre solícito olhar de compaixão para com as nossas necessidades.
Que assim seja também nosso olhar, acompanhado desta ação cheia de amor, compaixão, bondade e solidariedade, e então entenderemos o que disse o Profeta:
"Meus pensamentos não são os vossos pensamentos; vossos caminhos não são os meus caminhos".
Concluo com esta afirmação do Lecionário Comentado:
“Abandonemos as nossas perspectivas limitadas, o espírito de lucro, que aplicamos inclusive ao nosso relacionamento com o Senhor, e partilhemos sobretudo a alegria que Deus experimenta ao recompensar os últimos tal como os primeiros. O que conta, e nisto também o nosso coração de via arder, como ardia o coração de Cristo, é que todos entrem a fazer parte do Povo de Deus, herdeiros da Salvação. Por fim, não nos escandalizemos facilmente, não esqueçamos que, chegados entre os primeiros ou entre os últimos, somos todos, do mesmo modo, ‘servos inúteis’ (Lc 17,10).” (4)
De fato, a lógica do Reino vai na contramão da lógica humana, e só quem ama e se abre à sabedoria Divina poderá compreendê-la e vivê-la.
(1) Missal
Dominical - p.806
-Editora Paulus, 1995 - p.806
(2) O Verbo Se
faz Carne – Pe. Raniero Cantalamessa - p.187
(3) Bíblia Edição Pastoral – (letra grande) – 2013 - p.1706
(4) Lecionário Comentado – Tempo Comum – Volume II – p.387
“Aquele denário é a vida eterna” (XXVDTCA)
“Aquele denário é a vida eterna”
Sejamos enriquecidos pelo Sermão de Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja (séc. V), sobre a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 20,1-16a).
“Acabais de escutar a parábola evangélica dos trabalhadores da vinha, que encaixa perfeitamente com a presente estação. Pois agora nos encontramos na época da vindima material. E digo ‘material’, porque existe uma vindima “espiritual”, na qual Deus Se alegra com os frutos de Sua vinha. O Reino dos Céus se assemelha a um proprietário que saiu para contratar trabalhadores para a sua vinha.
E o que significa esse gesto de pagar a diária começando pelos últimos? Não lemos em outra passagem do Evangelho que todos receberão simultaneamente a recompensa? De fato, lemos em outro texto do Evangelho que o rei dirá àqueles que estiverem à Sua direita: Vinde, benditos de meu Pai; herdai o Reino que está preparado para vós desde a criação do mundo. Portanto, se todos receberão o denário ao mesmo tempo, como entender o que aqui se diz sobre que primeiro receberão a diária os contratados ao entardecer, e, por último, os do amanhecer? Se consigo explicar-me de modo que consigais entendê-lo, louvado seja Deus. Pois a Ele deveis agradecer pelo que vos concede pela minha mão: porque o que vos dou não o dou de minha colheita.
Se perguntas, por exemplo, quem dos dois trabalhadores recebeu o pagamento primeiro: o que recebeu depois de uma hora de trabalho ou aquele que o recebeu depois de uma jornada laboral de doze horas, todos responderão que quem o recebeu ao final de somente uma hora o recebeu antes daquele que o recebeu depois de doze horas. Assim, ainda que todos cobrassem ao mesmo tempo, contudo, como alguns receberam a diária ao final de uma hora e os outros depois de doze horas, diz-se que aqueles a receberam primeiro, posto que a receberam em breve espaço de tempo.
Os primeiros justos como Abel, Noé, que são os chamados na primeira hora, receberão ao mesmo tempo que nós a felicidade da ressurreição. Posteriormente, outros justos depois deles, tais como Abraão, Isaac, Jacó e seus contemporâneos, chamados ao meio da manhã, receberão ao mesmo tempo que nós a felicidade da ressurreição. Outros justos: Moisés, Aarão e aqueles que com eles foram chamados ao meio-dia, receberão ao mesmo tempo que nós a felicidade da ressurreição. Depois deles, os santos profetas, chamados como ao cair da tarde, receberão ao mesmo tempo que nós a felicidade da ressurreição. Ao final do mundo, todos os cristãos, como os chamados à hora undécima, receberão juntamente com eles a felicidade da ressurreição. Todos a receberão ao mesmo tempo, porém observai após quanto tempo os primeiros a receberão. Portanto, se os primeiros chamados recebem a felicidade depois de tanto tempo, ao passo que nós a recebemos depois de um breve intervalo, mesmo que todos a recebamos simultaneamente, parece como se nós a recebêssemos primeiro, porque nossa recompensa não se fará esperar.
No que se refere à retribuição, todos seremos iguais: os últimos como os primeiros, e os primeiros como os últimos, pois aquele denário é a vida eterna, e na vida eterna todos serão iguais. E apesar de que, conforme a diversidade de méritos, brilharão de forma diversa, no que se refere à vida eterna, ela será igual para todos. Não será mais longo para um e mais curto para outros o que em ambos os casos será sempiterno: o que não tem fim, não terá nem para ti nem para mim. Ali brilharão de forma diferente a castidade conjugal e a integridade virginal; um será o fruto das boas obras e a outra a coroa do martírio; porém, no que se refere a viver eternamente, nem este viverá mais que aquele, nem aquele mais do que este. Todos viverão uma vida sem fim, embora cada um com seu brilho e auréola peculiar. E aquele denário é a vida eterna.” (1)
É desejo de Deus que todos alcancemos a vida eterna, e é neste sentido que devemos compreender a parábola da passagem mencionada.
Não importa a hora que fomos chamados (prima, tercia, sexta, nona ou undécima), a bondade e compaixão divinas são para todos, por isto o pagamento de um denário: a vida eterna, e esta é para todos.
Expressemos nossa gratidão a Deus pela graça de termos sido chamados, não importa a hora. É sempre tempo de responder ao chamado de Deus e de nos colocarmos a caminho no seguimento de Jesus, como Discípulos missionários, com a presença e ação do Espírito Santo.
(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp.219-220







