domingo, 12 de julho de 2026

Em poucas palavras...

                                                       


 

Contemplemos o indizível Amor na Cruz de Cristo 

“Não aconteça que perante a Cruz de Cristo as pedras e os sepulcros sejam mais sensíveis que os vossos corações” (1)

 

 

(1) Papa São Leão Magno (séc. V)

Que o nosso coração seja fecundo (XVDTCA)

                                                             

Que o nosso coração seja fecundo

“Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem.
O campo é o mundo. A boa semente são
os que pertencem ao Reino.”

A Liturgia do 15º Domingo do Tempo Comum (Ano A) nos convida a refletir sobre a importância e a centralidade da Palavra de Deus na vida daqueles que creem.

A passagem da primeira Leitura (Is 55,10-11) é um pequeno trecho do “Livro da Consolação”, e retrata a fase final do exílio (anos 550-540 a.C.).

O Povo de Deus encontra-se farto de belas palavras e promessas de libertação, que tardam em se realizar, e com isto a impaciência, a dúvida e o ceticismo enfraquecem a resistência dos exilados.

O Profeta, para evidenciar a eficácia da Palavra de Deus, utiliza o exemplo da chuva e da neve que, vindas do céu, tornam fecunda a terra, multiplicando a vida nos campos.

Uma imagem muito sugestiva, considerando que os judeus exilados na Babilônia devem se lembrar da chuva que cai no norte de Israel e da neve no monte Hermon. A água alimenta o rio Jordão, correndo por todo Israel, e por onde passa gera vida e fecundidade.

A mensagem que se comunica é de que a Palavra de Deus não falha, pois indica sempre caminhos de vida plena, verdadeira, expressa na liberdade e paz sem fim, não necessariamente segundo a lógica do tempo dos homens, dos seus desejos, projetos, interesses e critérios.

É necessário que se aprenda e respeite o ritmo e o tempo de Deus. E também, a eficácia da Palavra divina não dispensa compromissos e indica os caminhos que devem ser percorridos, renovando o ânimo para a intervenção no mundo. A Palavra divina não adormece a ação humana, mas impele para a transformação e renovação do mundo.

Com a passagem da segunda Leitura (Rm 8,18-23), continuamos a refletir sobre a vida segundo o Espírito, que consiste em deixar-se conduzir pela Palavra de Deus, e isto só é possível quando se acolhe a salvação como dom de Deus, que nos é alcançada por meio de Jesus Cristo, na ação do Espírito, que é derramado sobre todos os que aderem ao Seu Projeto e fazem parte de Sua comunidade.

A vida segundo o espírito consiste também em viver atentamente na escuta da Palavra de Deus, em plena obediência ao Projeto que Ele tem para nós, com renúncia ao egoísmo, aos interesses mesquinhos, ao comodismo, ao orgulho. É um caminho de doação da própria vida a Deus e aos outros.

A vida segundo o Espírito implica em maturidade para viver os sofrimentos, as renúncias, as dificuldades, que nada representam se comparadas com a felicidade sem fim que aqueles que creem encontrarão no fim do caminho.

A vida segundo a carne é, por sua vez, marcada por uma vida onde impera o egoísmo, o orgulho e a autossuficiência, que conduz ao pecado, à morte, à infelicidade total.

Viver consiste em saber fazer escolhas: viver segundo a carne, ou viver segundo o Espírito. Sendo pelo Espírito, pautar a vida pela Palavra divina e por ela ser conduzido.

Na proclamação do Evangelho (Mt 13,1-23), em que nos apresenta a Parábola do semeador, somos convidados a refletir sobre o modo como acolhemos a Palavra de Deus, e como comunicamos a Boa-Nova do Reino, que jamais pode ser interrompida, e que aos poucos vai revelando seu esplendor e fecundidade, a vida que Deus quer para a humanidade.

Neste capítulo, encontramos sete Parábolas de Jesus: do semeador; do grão de mostarda; do fermento; do trigo e do joio; do tesouro escondido; da pérola valiosa e da rede.

A linguagem em forma de Parábolas mexe com os ouvintes, arma controvérsia, e é um método pedagógico de reflexão em busca da verdade.

O Evangelista Mateus tem como sua preocupação a vida da comunidade, de modo que nas sete Parábolas, e na interpretação das mesmas, apresenta Jesus como o Pastor que exorta, anima, ensina e fortalece a fé dos que creem.

Sejamos fortalecidos em nosso itinerário de fé, trilhando caminhos, ainda que difíceis e desafiadores, mas sempre iluminados pela Palavra Divina proclamada, acolhida, meditada, partilhada, celebrada e testemunhada.

Empenhemo-nos para que a Palavra caia num chão fértil, que deve ser nosso coração, para que produza os frutos por Deus esperados: justiça, paz, amor, alegria, felicidade...

A Palavra de Deus é eficaz; é preciso que tornemos nosso coração mais fecundo, em séria e atenta escuta e vivência desta Palavra.

Nutridos pela força da Eucaristia, inebriados pelo Vinho Novo, a nós oferecidos no Cálice da Salvação, sejamos cada vez mais comprometidos com a mesa de nossos irmãos no cotidiano, até que sejamos merecedores de ser partícipes do Banquete Eterno, na glória da eternidade. Amém. 

Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

Parábolas do cotidiano

                                                       


Parábolas do cotidiano

Uma história que traz uma mensagem essencial, sobretudo para os tempos em que vivemos.

“Há muito tempo, a Verdade, a Mentira, o Fogo e a Água estavam viajando e chegaram a um rebanho de gado. Discutiram o assunto e chegaram à conclusão de que seria melhor dividir o rebanho em quatro partes iguais para que cada um pudesse levar consigo uma quantidade igual de animais.

Mas a Mentira era gananciosa e arquitetou um plano para ficar com uma parte maior.

- Ouça o meu conselho - sussurrou ela, puxando a Água para um canto. - O Fogo está planejando queimar toda a relva e as árvores das suas margens para conduzir seu gado pelas planícies e ficar com os animais para si. Se eu fosse você, acabaria com ele logo agora, e assim repartiríamos a parte dele entre nós.

A Água foi tola o suficiente para acatar o conselho da Mentira e lançou-se sobre o Fogo, apagando-o.

E a Mentira dirigiu-se em seguida para a Verdade, sussurrando-lhe:

- Veja só o que fez a Água! Acabou com o Fogo para ficar com o gado dele. Não deveríamos associar-nos a alguém assim. Deveríamos pegar todo o gado e partir para as montanhas.

A Verdade acreditou nas palavras da Mentira e concordou com seu plano. E, juntas, levaram o gado para as montanhas.

- Esperem por mim - disse a Água, correndo no seu encalço, mas é claro que não conseguiu correr morro acima. E foi deixada para trás, no vale.

Ao chegarem no topo da montanha mais alta, a Mentira virou-se para a Verdade e pôs-se a rir.

- Consegui enganá-la, sua idiota! - disse ela, soltando uma risada estridente. - Agora você vai me dar todo o gado e será minha escrava, ou eu a destruirei.

- Ora essa! Você me enganou - admitiu a Verdade. - Mas eu jamais serei sua escrava.

E as duas brigaram; e enquanto se batiam, os trovões ecoavam pelas montanhas. As duas se agrediram como o quê, mas nenhuma conseguiu destruir a outra.

Acabaram decidindo chamar o Vento para decidir quem seria a vencedora da disputa. E o Vento subiu a montanha a toda velocidade, e escutou o que ambas tinham a dizer. E por fim falou:

- Não me cabe apontar a vencedora. A Verdade e a Mentira estão fadadas à disputa. Às vezes, a Verdade ganhará; outras vezes a Mentira prevalecerá; neste caso, a Verdade deverá se erguer e tornar a lutar. Até o fim do mundo, a Verdade deverá combater a Mentira e jamais buscar o descanso ou baixar a guarda; caso contrário, será aniquilada para sempre.

Assim é que a Verdade e a Mentira continuam lutando até hoje”.

De fato, a Verdade e a Mentira continuam lutando até hoje, e esta luta ganhou dimensões imensuráveis no mundo digital, haja vista toda problemática de “Fake News”, com seus promotores e vítimas incontáveis.

Quanto sofrimento, perdas, amizades destruídas, e injustiças realizadas, e a morte em sua expressão máxima: morte de indivíduos, mas também a morte de nossa Casa Comum.

Também em nossos relacionamentos este duelo se faz presente, na família, na comunidade eclesial que participamos, ou qualquer outra forma de comunidade, e mesmo no emaranhado dos pensamentos e atitudes de cada pessoa.

Vigilantes sejamos, para não sermos envolvidos pelas tramas diabólicas da mentira, cujo pai é “Satanás”, como lemos na passagem do Evangelho (Jo 8,44):

“Vós sois do diabo, vosso pai, e quereis realizar os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque nele não há verdade: quando ele mente, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira”.

 

(1)  O Livro das Virtudes - William J. Bennett - Editora Nova Fronteira

Minhas reflexões no Youtube

 
Acesse:

https://www.youtube.com/c/DomOtacilioFerreiradeLacerd d brba 

Em poucas palavras... (XVDTCA)

 


A prática da meditação

“A meditação é sobretudo uma busca. O espírito procura compreender o porquê e o como da vida cristã, para aderir e corresponder ao que o Senhor lhe pede.

Exige uma atenção difícil de disciplinar. Habitualmente, recorre-se à ajuda dum livro e os cristãos não têm falta deles: a Sagrada Escritura, em especial o Evangelho, os santos ícones (as imagens), os textos litúrgicos do dia ou do tempo, os escritos dos Padres espirituais, as obras de espiritualidade, o grande livro da criação e o da história, a página do «hoje» de Deus.” (1)

 

 

(1)Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2705

A esperança em Deus jamais nos decepciona

                                                            

A esperança em Deus jamais nos decepciona

Em tempos difíceis por que passamos, são iluminadoras e providenciais as palavras do Apóstolo Paulo aos Romanos: 

“Gloriamo-nos também de nossas tribulações, sabendo que a tribulação gera a constância, a constância leva a uma virtude provada, a virtude provada desabrocha em esperança; e a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5, 3-5).

Urge caminharmos com o Senhor, contando com o Seu Espírito, a fim de edificar uma Igreja misericordiosa e missionária, confessando o Seu nome.

Há um longo caminho a percorrer, e em cada Eucaristia, renovamos nossas forças para superar as tribulações, inerentes ao caminho daqueles que se põem a seguir o Senhor com fidelidade, coragem, firmeza e generosidade.

Sejam derramadas no coração de todos de nossas comunidades eclesiais missionárias torrentes de graças que nos vêm do Coração de Jesus, fornalha ardente de caridade, em virtude provada, não deixando morrer a esperança, porque sabem e confirmam as palavras do Apóstolo, “a esperança não decepciona” (cf. Rm 5,5).

Porém, a solidificação da fé e a renovação da esperança exigem que cresçamos cada vez na caridade, pois amamos a Deus nos irmãos e irmãs, e amamos os irmãos e irmãs em Deus, vivendo um amor de compaixão, sobretudo para com os que mais precisam – “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34).

O Apóstolo também disse aos Romanos: “Não fiqueis devendo nada um aos outros a não ser o amor mútuo, pois quem ama o outro cumpriu a Lei” (Rm 13, 8).

Deste modo, quanto mais nos abrirmos à ação do Espírito Santo, muito mais o amor de Deus será derramado sobre nós, e também, que eventuais prantos vespertinos se tornarão alegrias matutinas, porque a madrugada da Ressurreição foi precedida pelas tardes da escuridão e do vazio sepulcral, mas a vida venceu, de fato, a morte. Aleluia!

Em poucas palavras... (XVDTCA)

                                                  


A Sagrada Escritura

"Se conforme o Apóstolo Paulo, Cristo é o poder de Deus e a sabedoria de Deus, e quem ignora as Escrituras ignora o poder de Deus e Sua Sabedoria, ignorar as Escrituras é ignorar Cristo”. (1)

 

(1) São Jerônimo: Presbítero e Doutor da Igreja (340-420)  tradutor da Bíblia para o Latim, que até então era em hebraico e grego, por longos 35 anos.

Citado no parágrafo n.133 do Catecismo da Igreja Católica

 

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG