quarta-feira, 12 de agosto de 2026

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Em poucas palavras... (Semana da Família)

                                           



O tempo não apaga amores verdadeiros

O tempo não apaga amores verdadeiros - assumem-se mutuamente rugas e cicatrizes: “De modo que eles já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe” (1)

(1)        cf. Mt 19,6; Mc 10,9


A prática da misericórdia na correção fraterna

                                                           

A prática da misericórdia na correção fraterna

Na quarta-feira da 19ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 18,15-20), e somos convidados a refletir sobre a correção fraterna na comunidade, fazendo desta um lugar do perdão, da reconciliação.

Com isto, exige-se que todos que dela participem, coloquem-se num caminho de empenho pela conversão, para edificar uma comunidade de fé credível e testemunha do Cristo Ressuscitado, unidas sempre pela graça e força da oração.

A Igreja não é a comunidade dos puros e santos, mas daqueles que se empenham, continuamente, contando com a graça e misericórdia divinas, para alcançar a pureza e santidade, cada vez mais, incansavelmente.

Isto nos desafia a viver como uma Igreja formada por comunidades de reconciliados com Deus e com o próximo, portanto, deve nos preocupar a secularização que leva tantos cristãos para fora das nossas Igrejas.

Entretanto, a mensagem do Evangelho nos fortalece neste empenho de construirmos comunidades mais fraternas e misericordiosas; comunidades em oração que abraçam a Cruz de Cristo, com a graça da missão de continuar a ser um sinal concreto de Salvação para todo o mundo.

Tendo abraçado a Cruz de Cristo, pomo-nos, necessariamente, no caminho de conversão, perdão dado e recebido, a fim de que sigamos os passos de Jesus, a face misericordiosa do Pai, com o amor que nos foi derramado pelo Seu Espírito.

Tendo abraçado a Cruz de Cristo, somos a comunidade dos que procuram viver a misericórdia expressa em tantos gestos, e um dos mais expressivos que irradia a luz divina: a prática do perdão e da correção fraterna.

Tendo abraçado a Cruz de Cristo, assim vivendo, tornamo-nos a Comunidade do Ressuscitado, que se alimenta do Pão da Palavra, nutre-se com o Pão da Eucaristia, para viver uma caridade em múltiplas expressões, na dimensão missionária da Igreja, sua verdadeira essência, com a missão de anunciar a Boa-Nova do perdão, da reconciliação e da construção de um mundo mais humano e fraterno.

Em poucas palavras...

                                             


Peregrinos da esperança e a correção fraterna

Vivamos a correção fraterna na comunidade, a fim de que seja um lugar do perdão, da reconciliação, de modo que todos os seus participantes, se esforcem pela necessária conversão, na edificação de uma comunidade de fé credível e testemunha do Cristo Ressuscitado, unidas sempre pela graça e força da oração.

A Igreja não é a comunidade dos puros e santos, mas daqueles que se empenham incansavelmente para alcançar a pureza e santidade,  contando sempre com a graça e misericórdia divinas.

 

(1)    Cf. Mt 18,15-20


Quem melhor que Nossa Senhora do Caminho?

                                             



Quem melhor que Nossa Senhora do Caminho?

Ó Deus, rico em misericórdia, a Vós recorremos confiantes e suplicamos, pela gloriosa Virgem Maria, Vossa Mãe e nossa, a quem invocamos como Nossa Senhora do Caminho.

Verdadeiramente Nossa Senhora do Caminho, porque seu coração é imaculado, e jamais conheceu o pecado e a desobediência à Vossa vontade e projetos.

Quem melhor que Nossa Senhora do Caminho para:

- Nos apontar Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida, e nos fazer mergulhar no Mistério profundo e imenso do Coração trespassado e ferido de amor do Seu Amado Filho?

 - Caminhar conosco, e nós, como os discípulos de Emaús, sentirmos arder nosso coração como Seu Amado Filho fez ao revelar as Sagradas Escrituras no caminho e reconhecido no partir do Pão (Lc 24,13-35)?

- Nos ensinar a falar com o coração para que no discipulado vivamos a necessária proximidade, compaixão e ternura, sobretudo com os pobres, Vossos amados e preferidos?

- Nos ensinar o caminho de conversão, para que passemos de um mundo sem coração, para uma civilização do amor, fraternidade e comunhão?

- Nos ajudar a discernir e nos comprometermos com novas posturas e mentalidades para curar a “Terra ferida” pelo nossa arrogância, consumismo e autossuficiência, comprometidos com uma necessária Ecologia integral, onde tudo está interligado?

- Nos ajudar a contemplar os Vossos Mistérios, meditando e guardando tudo no Coração, como assim Ela o fazia, pois olhava com o coração, com olhar da contemplação?

- Nos lembrar e nos ajudar a redescobrir, na era da inteligência artificial, que não podemos nos esquecer que a poesia e o amor são necessários para salvar o humano (Papa Francisco)?

- Nos ensinar a confiar em Seu Filho, que viveu um amor apaixonado, que sofreu por nós, um coração ferido de amor e por nós Se entregou para nossa redenção, e espera tão apenas que sejamos uma resposta ao Seu divino amor, como um mendicante de nosso amor?

- Nos encorajar, como peregrinos da esperança rumo à casa do Pai, mergulhados no Coração de Cristo, a obra prima do Espírito Santo (Papa São João Paulo II)?

- Fazer nosso coração bater em uníssono com seu coração e o com o Sagrado Coração do Seu Filho, o compêndio do Evangelho, para vivermos a ternura da fé e a alegria do serviço, em sagrados compromissos comunitário, social e missionário?

- Firmar nossos passos, para que sejamos discípulos missionários e irradiar as chamas do amor de Cristo, não nos perdendo com discussões secundárias, mas fazendo da vida uma agradável oferenda e sacrifício de louvor a Deus?

- Nos ajudar, para que sejamos enamorados pelo Verbo que Se fez Carne, e a missão nossa de cada dia não seja por obrigação ou dever, mas simplesmente por um amor que nos envolve e nos enche de ternura, que se torna impossível conter?

- Apontar o Caminho, ainda que marcado por renúncias e cruz carregada cotidianamente, com horizonte de eternidade, ela, que jamais nos apontaria caminhos e atalhos do abismo do sofrimento sem esperança Amém. Aleluia!

Correção fraterna é obra de amor

Correção fraterna é obra de amor

Reflitamos sobre a prática do perdão na vida da comunidade, como expressão da misericórdia divina, que nos envolve, renova e nos recria.

Somos eternos aprendizes da misericórdia divina e da prática da correção fraterna. Por isso, é oportuna a reflexão que nos é oferecida pelo Missal Dominical.

A passagem do Evangelho: Mt 18,15-20:

“...segue imediatamente a narrativa da Parábola da ovelha desgarrada, da qual se toma uma aplicação concreta. Se um irmão cometeu uma falta, deve fazer-se em primeiro lugar a correção pessoal; se não escuta, é necessário chamar em auxílio algumas testemunhas; em terceira instância, convém referir à comunidade; e se não ouve nem esta, deve-se, só então, considerá-lo como um pagão ou publicano, isto é, como um excomungado”.

Evidencia-se, no contexto do Evangelho, o convite à misericórdia e ao perdão:

“Não se trata tanto de uma ‘excomunhão’, mas da constatação de que, apesar do recurso a todos os meios possíveis para a reconciliação e o diálogo fraterno, não há no irmão a vontade eficaz de comunhão e conversão.

E, no entanto, convém lembrar que a Igreja conserva o direito de pronunciar-se contra os pecadores contumazes, para não prejudicar a comunidade, e com o fim de fazer o pecador entrar em si e converter-se. Assim se pronunciou Paulo a respeito do incestuoso de Corinto (1 Cor 5,5-6).

A práxis penitencial da Igreja primitiva testemunha a grande seriedade e coerência do esforço da conversão. O pecador só encontra o perdão de Deus na redescoberta da Sua misericórdia atuando na Igreja, especialmente na assembleia eucarística que torna atual a redenção de Cristo.

É, sobretudo no Sacramento da Penitência que a Igreja exerce e exprime a misericórdia e o perdão de Cristo; mas para muitos cristãos, infelizmente, o próprio sinal sacramental da reconciliação se tornou vazio e insignificante. O Sacramento é reduzido a gesto mágico, repetido por hábito.

Um dos aspectos que mais preocupam na atual práxis penitencial está na ruptura entre sinal sacramental e experiência da comunidade cristã”.

É preciso retomar e aprofundar o significado comunitário da penitência:

“O que dificulta a aplicação concreta dos temas contidos nas Leituras bíblicas às assembleias eucarísticas dominicais é o fato, já aceito por todos, de que em geral essas assembleias não são verdadeiras comunidades.

Isto é, falta uma verdadeira relação pessoal entre os membros, pela qual cada um se sinta responsável diante dos irmãos. Por isso, ao ensinamento da correção fraterna, do perdão pedido à comunidade e não só a Deus, falta um suporte sociológico importante.

Será preciso que se aproveitem pelo menos os elementos do rito (pedido de perdão recíproco no rito penitencial da Missa e abraço da paz), para fazer captar as riquezas da práxis penitencial da Igreja.

A confissão, além de ser conversão a Deus, é sempre também reconciliação com os irmãos; reintroduz-nos na Igreja; de membros mortos tornamo-nos membros vivos, ativos e responsáveis.

Devemos redescobrir o sentido comunitário do pecado e, portanto, da penitência; ela é o Sacramento em que toda a comunidade cristã reconstitui, sob a ação de Cristo, a unidade rompida.

Uma comunidade de amor, entre os homens, é sempre uma comunidade de reconciliação e de correção fraterna. A comunhão perfeita jamais é uma posse já adquirida; é uma conquista contínua, um dom a implorar do alto”

Na prática da misericórdia, em expressão concreta da correção fraterna, não pode ser olvidado o encorajamento para que se trilhe um novo caminho, possibilitando àquele que foi perdoado a se tornar melhor.

O perdão de Deus vivido autenticamente nos faz melhores, mais conformes aos Seus desígnios de santidade para todos nós:

“Mas o verdadeiro amor, o perdão autêntico, não deixa as pessoas como são, com seus defeitos e suas limitações. Amar um irmão significa ajudá­-lo a ‘crescer’ em todos os níveis, querer concretamente sua ‘libertação’ daquilo que é defeituoso e mau, lutar por sua plena humanização.

Por isto, corrigir é obra de amor; nunca é extinguir energias e entusiasmos; é coisa muito diferente da crítica. Juntamente com a correção fraterna, o cristão faz largo uso do encorajamento. As pessoas esperam dos outros algo diferente de um dom material; esperam que os outros se lhes tornem próximos, que entrem em contato com elas, percebam que elas existem, e lhes digam tudo isso.

Nada é tão encorajador como a atenção vigilante, o respeito não puramente formal, a palavra inesperada de congratulação, se não forem fórmulas vazias de rito ou expressões convencionais. O encorajamento, como a correção, é uma das muitas facetas da caridade”

Desde o princípio, as comunidades tiveram que aprender a lidar com o pecado, ou melhor, a vivenciar a prática da misericórdia e do perdão para com o pecador, uma vez que a comunidade é formada por pecadores que somos.

A comunidade daqueles que professam a fé no Senhor, não é a comunidade dos que se pretendem perfeitos, impecáveis, mas daqueles que reconhecem sua condição pecadora, e também do próximo, e, aprendizes do Divino Mestre da Misericórdia, permanecem em contínuo aprendizado da correção fraterna, vivendo o perdão como uma obra de amor.

Amados e perdoados por Deus para amar e perdoar, como nos disse o Senhor na bela Oração do Pai Nosso.


PS: Missal Dominical – Editora Paulus - pág. 793-794

Do amor e do perdão, somos eternos aprendizes

                                                   

Do amor e do perdão, somos eternos aprendizes

Aprofundando o tema da prática da caridade como pleno cumprimento da Lei, vejamos o que nos fala o Apóstolo Paulo:

Não devais nada a ninguém. A não ser o amor mútuo, pois quem ama o outro cumpriu a Lei.” (Rm 13,8).

De fato, há uma dívida que todos somos mais ou menos insolventes: a dívida do amor recíproco:

“Deveríamos preocupar-nos verdadeiramente com isto. Por isto sentimos que é para nós a exortação de Paulo, que apela a que vivamos o ‘amor mútuo’. Amar é entregar-se totalmente a um outro, é passar da lógica consumista do ‘tu és meu’, para a oblativa do ‘eu sou para ti’: uma experiência a que não é possível colocar limites” (1)

Mas para viver este amor a um outro (próximo) é preciso sentir-se amado por Deus, o totalmente Outro, que nos ama e quer que o mesmo façamos:  “Dou-vos um Mandamento novo: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 13,34).

Sentir-se amado por Deus leva-nos ao empenho de correspondência ao Seu amor, e isto se dá concretamente na restituição do amor na caridade fraterna, corrigindo e permitindo que sejamos corrigidos, sem marcas de presunção, rivalidade ou despeito.

Os versículos finais da passagem do Evangelho deste Domingo (Mt 18,15-20) é um encorajamento para vivermos como reconciliados; o mais belo convite para nos empenharmos na busca da paz, ajudando-nos e deixando-nos ajudar, de modo a criar vínculos mais sólidos e fraternos na comunidade em que participamos:

“Preocupemo-nos em deixar este mundo depois de termos desatado ou ajudado a desatar todos os vínculos, então as portas do Céu abrir-se-ão para nós (Mt 18,18)” (2).

Concluo com as palavras do Bispo Santo Agostinho (séc. IV), que aplicou exatamente à correção fraterna as palavras do Apóstolo Paulo sobre a caridade: 

“Ama e faze o que queres. Seja que cales, cala por amor, seja que fales, fala por amor; seja que corrijas, corrige por amor; seja que perdoes, perdoa o amor. Esteja em ti a raiz do amor, porque desta raiz não pode nascer outra coisa a não ser o bem”.

Sendo assim, que Deus nos dê um coração e espírito novos para nos tornarmos mais sensíveis para com nosso próximo, no pleno cumprimento da Lei, o Mandamento do Amor, que consiste no compêndio de toda a Lei.

Supliquemos a Ele que está no meio de nós para que jamais desistamos deste aprendizado, desta difícil e revitalizante expressão de amor que sabe corrigir sem desencorajar e lutar sem ofender.

De fato, na escola do Divino Mestre do Amor, somos todos eternos aprendizes. Há muito que aprender...


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - p.281.
(2) Idem - p.284.

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