quarta-feira, 22 de abril de 2026

Minhas reflexões no Youtube

 
Acesse:

https://www.youtube.com/c/DomOtacilioFerreiradeLacerd d brba 

Temos fome do Pão do céu e da Bebida da Salvação

                                                                     

Temos fome do Pão do céu e da Bebida da Salvação

Sejamos enriquecidos pela Catequese escrita pelo Bispo São Cirilo, extraída “Das Catequeses de Jerusalém” (séc. IV), que nos fala sobre a  Eucaristia, o Pão do céu e a Bebida da Salvação.

“Na noite em que foi entregue, nosso Senhor Jesus Cristo tomou o Pão e, depois de dar graças, partiu-o e deu-o a Seus discípulos, dizendo: “Tomai e comei: isto é o meu corpo”.

Em seguida, tomando o Cálice, deu graças e disse: “Tomai e bebei: isto é o meu sangue” (cf. Mt 26,26-27; 1Cor 11,23-24). Tendo, portanto, pronunciado e dito sobre o Pão: Isto é o meu corpo, quem ousará duvidar? E tendo afirmado e dito: Isto é o meu sangue, quem se atreverá ainda a duvidar e dizer que não é o Seu sangue?

Recebamos, pois, com toda a convicção, o Corpo e o Sangue de Cristo. Porque sob a forma de Pão é o corpo que te é dado, e sob a forma de vinho, é o sangue que te é entregue. Assim, ao receberes o Corpo e o Sangue de Cristo, te transformas com Ele num só corpo e num só sangue. 

Deste modo, tendo assimilado em nossos membros o Seu corpo e o Seu sangue, tornamo-nos portadores de Cristo; tornamo-nos, como diz São Pedro, participantes da natureza divina (2Pd 1,4).

Outrora, falando aos judeus, dizia Cristo: Se não comerdes a minha carne e não beberdes o meu sangue, não tereis a vida em vós (cf. Jo 6,53). Como eles não compreenderam o sentido espiritual do que lhes era dito, afastaram-se escandalizados, julgando estarem sendo induzidos por Jesus a comer carne humana. 

Na Antiga Aliança, havia os pães da propiciação; por pertencerem ao Velho Testamento, já não mais existem. Na Nova Aliança, porém, trata-se de um Pão do céu e de um Cálice da salvação que santificam a alma e o corpo. Assim como o pão é próprio para a vida do corpo, também o Verbo é próprio para a vida da alma.

Por isso, não consideres o Pão e o Vinho eucarísticos como se fossem elementos simples e vulgares. São realmente o Corpo e o Sangue de Cristo, segundo a afirmativa do Senhor. 

Muito embora os sentidos te sugiram outra coisa, tenha a firme certeza do que a fé te ensina. Se foste bem instruído pela doutrina da fé, acreditas firmemente que aquilo que parece pão, embora seja como tal sensível ao paladar, não é pão, mas é o Corpo de Cristo. E aquilo que parece vinho, muito embora tenha esse sabor, não é vinho, mas é o Sangue de Cristo.

Antigamente, bem a propósito, já dizia Davi nos salmos: O pão revigora o coração do homem, e o óleo ilumina a sua face (Sl 103,15). Fortifica, pois, teu coração, recebendo esse Pão espiritual e faze brilhar a alegria no rosto de tua alma. Com o rosto iluminado por uma consciência pura, contemplando como num espelho a glória do Senhor, possas caminhar de claridade em claridade, em Cristo Jesus, nosso Senhor, a quem sejam dadas honra, poder e glória pelos séculos sem fim. Amém”. (1)

Vemos quão importante e necessário que participemos da Ceia do Senhor, alimentando-nos não apenas por um pedaço de pão e um pouco de vinho, mas Transubstanciados, na Celebração Eucarística, tornam-Se, verdadeiramente, Pão do Céu e Bebida de Salvação.

Participemos cada vez mais, ativa, piedosa, conscientemente das Missas de nossas Comunidades, prolongando-as, dia a dia, em sagrados compromissos com a Boa Notícia nela Proclamada, assim como do Verdadeiro Pão e Verdadeira Comida saciados.

Seja a nossa espiritualidade essencialmente Eucarística. Sejamos perseverantes, como as primeiras comunidades, na Doutrina dos Apóstolos, comunhão fraterna, fração do Pão e oração (At 2,42-45).


(1)Liturgia das Horas - Volume Quaresma/Páscoa - Editora Paulus - p. 558-560
PS: Oportuno para a reflexão da passagem do Evangelho de João (Jo 6,35-40)

“Iluminação”

                                                              

“Iluminação”

“A este Batismo dá-se também o nome de ‘iluminação’, 
porque os iniciados nesta Doutrina são iluminados 
na sua capacidade de compreender as coisas”

Reflexão à luz da passagem extraída “Da Primeira Apologia em defesa dos cristãos”, do Mártir São Justino (séc. I), sobre a graça do Batismo, como o banho do novo nascimento, através do qual somos iluminados.

“Vamos expor de que modo, renovados por Cristo, nos consagramos a Deus.

Todos os que estiverem convencidos e acreditarem no que nós ensinamos e proclamamos, e prometer em viver de acordo com essas verdades, exortamo-los a pedir a Deus o perdão dos pecados, com Orações e jejuns; e também. nós rezaremos e jejuaremos unidos a eles.

Em seguida, levamo-los ao lugar onde se encontra água; ali renascem do mesmo modo que nós também renascemos: recebem o Batismo da água em nome do Senhor Deus Criador de todas as coisas, de nosso Salvador Jesus Cristo e do Espírito Santo.

Com efeito, foi o próprio Jesus Cristo que afirmou: Se não renascerdes, não entrareis no Reino dos Céus (cf. Jo 3,3-5). É evidente que não se trata, uma vez nascidos, de entrar novamente no seio materno.

O Profeta Isaías também diz àqueles que pecaram e se arrependem, como libertar-se das culpas. São estas as suas palavras: Tirai a maldade de vossas ações de minha frente. Deixai de fazer o mal! Aprendei a fazer o bem! Julgai a causa do órfão, defendei a viúva. Vinde, debatamos – diz o Senhor. Ainda que vossos pecados sejam como púrpura, tornar-se-ão brancos como a neve. Se não me ouvirdes, uma espada vos destruirá. Assim falou a boca do Senhor (cf. Is 1,16-20). 

Esta Doutrina, nós a recebemos dos Apóstolos. No nosso primeiro nascimento, fomos gerados por um instinto natural, na mútua união de nossos pais, sem disso termos consciência.

Fomos educados no meio de uma sociedade desonesta e em maus costumes.

Todavia, para termos também um nascimento que não seja fruto da simples natureza e da ignorância, mas sim de uma escolha consciente, e obtermos pela água o perdão dos pecados cometidos, sobre aquele que quiser renascer e fizer penitência dos pecados, é pronunciado o nome do Senhor Deus Criador de todas as coisas. Somente podemos invocar este nome sobre aquele que é levado à água do Batismo.

A ninguém é permitido pronunciar o nome inefável de Deus. Se alguém ousa afirmar ter em si este nome, não passa de um louco.

A este Batismo dá-se também o nome de ‘iluminação’, porque os iniciados nesta Doutrina são iluminados na sua capacidade de compreender as coisas. Mas a purificação daquele que é iluminado, faz-se em nome de Jesus Cristo, crucificado sob Pôncio Pilatos, e em nome do Espírito Santo que, pelos Profetas, predisse tudo quanto dizia à respeito de Jesus”. (1)

Ao participar da Vigília Pascal, Mãe de todas as Vigílias, renovamos nossas promessas Batismais e fomos aspergidos pela água sobre a qual foi invocado o Espírito Santo, acompanhada pelo canto que dizia:

Banhados em Cristo somos uma nova criatura”, e sob a luz do Círio Pascal, que fora aceso no início da celebração, com toda a sua beleza e simbolismo que nos comunica a presença do Cristo, Vivo, Glorioso e Ressuscitado.

Sejamos fortalecidos em cada Eucaristia que participarmos pela Palavra Divina, para que vivamos o Batismo, com este nome tão expressivo, como São Justino nos apresenta – “Iluminação”.

Ser batizado é ser sal da terra, fermento na massa e alguém que por Cristo iluminado, e que, ao mundo, comunica a luz nas mais adversas e sombrias situações, a fim de que todos vida plena tenhamos. Aleluia!

(1) Liturgia das Horas - Volume Quaresma/Páscoa - p.649-650

terça-feira, 21 de abril de 2026

Iluminados e iluminantes

                                                      

Iluminados e iluminantes

Em todo tempo, favorável ou adverso, é preciso irradiar a luz do Espírito que em nós habita, pela graça batismal recebida, pois o próprio Senhor nos disse que somos a luz do mundo (Mt 5,14), e disse também: 

“Eu Sou a luz do mundo, quem me segue, não anda nas trevas mas terá a luz da vida” (Jo 8,12); e no mesmo Evangelho: “Enquanto estou no mundo Eu sou a luz.” (Jo 9, 5).

Fundamentais são também as palavras do Apóstolo Paulo: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz” (Cf. Ef 5,8). Em outra passagem, novamente insiste: “Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas.” (Cf. 1Ts 5,5).

Nisto consiste a missão do discípulo missionário do Senhor: ser luz do Senhor, por Ele iluminados e d’Ele iluminantes, em todos os tempos e âmbitos (família, comunidade, trabalho, cultura, lazer, meios de comunicação; lugares reais ou também nos espaços/mídias virtuais).

De fato, quando Cristo ocupa o primeiro lugar, a fé se torna prática e resplandecemos como astros no mundo, não para um exibicionismo estéril, mas para testemunhar a Palavra Divina, Palavra de vida, e assim, frutos eternos produzir, alegria plena alcançar, como o Senhor disse e prometeu.

Somos iluminados e iluminantes quando fagulhamos o fogo do Espírito, que faz arder nosso coração para que o mundo seja mais terno, quando somos sobressaltados com a frieza diante da vida, com mortes absurdas e inadmissíveis (guerras e conflitos pelo mundo), a fome ceifando vidas de inocentes, e outros fatos que bem conhecemos, se a frieza não congelou a nossa sensibilidade, e se não tenhamos permitido que o sentimento de impotência, ou indiferença, tenha nos cegado os olhos e petrificado nosso coração.

Somos iluminados e iluminantes quando, como um pincel de luz, incansavelmente, comunicamos raios de luz em todas as situações, em todas as horas, sobretudo nas mais difíceis e sombrias, como a morte de alguém que tanto amamos. 

Importa ser sempre a luz do Senhor, noite e dia, iluminados e iluminantes, como também exortou Paulo aos Filipenses:

“Sede irrepreensíveis e sinceros filhos de Deus, inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual deveis resplandecer como astros no mundo..."  (Fl 2,15).

Quão precioso e enriquecedor é para nós os testemunhos de irmãos nossos que, vivendo em lugares tão diferentes, com realidades próprias, testemunham também uma só Palavra, um só batismo, um só Senhor, um só Espírito e o amor de Deus, que os impulsiona e acompanha para que irradiem a luz batismal, pois, como discípulos missionários do Senhor, iluminados e iluminantes somos.


PS: Apropriado para reflexão das passagens do Evangelho: Mt 5,17-37; Mc 4,21-25; Lc 8,16-18

Maria e Jesus: Um mistério de proximidade e separação

                                                 


Maria e Jesus: Um mistério de proximidade e separação

Quantas vezes vivi a proximidade de Tua separação, meu Filho:

 
Na fuga para o Egito, por pouco te tiraram tão cedo de mim.
 
Na apresentação, as palavras de Simeão fincaram raízes em meu coração – o que seria esta espada a trespassar meu coração?
 
Eu Te vi crescer sob minha ternura e olhar maternal, mas sabia que tinhas que partir, das coisas divinas cuidar, desde que Te perdemos e encontramos no templo quando tinhas doze anos.
 
Nas bodas, intervim, porque sabia que tão somente podias o Vinho Novo oferecer, prefigurando Teu Sangue dado em cada Eucaristia, e a sede do mundo, sede de amor, vida e paz sacia: Redenção de toda a  humanidade.
 
Teus passos na agonia, abandono dos discípulos, insana e cruenta flagelação, crudelíssima morte. Tão próximo um dia no ventre, agora corpo dilacerado, na cruz crucificado. Ó imensa dor que me consome!
 
Proximidade e separação: espada cortante o coração me trespassando.
 
Abandonar-Te, como tua Mãe, jamais o faria. Não podia Te livrar da cruz, mas poderia amenizar Tua dor com minha presença.
 
Ouvir de Teus lábios que, no discípulo amado, da humanidade Mãe seria, e ele me acompanharia para refazer sonhos, retomar os passos, na espera da madrugada da Ressurreição.
 
Agora Ressuscitado, por Tuas Chagas Gloriosas, curaste minha indescritível dor.
 
Sinto-Te Vivo, presente, glorioso, e do Alto, nos envias o fogo do Espírito em permanente Pentecostes. Amém. Aleluia!

Temos fome do “Pão da Vida”

                                                           

Temos fome do “Pão da Vida”

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de São João (Jo 6,30-35), em que Jesus Se apresenta para nós como “o Pão da Vida”, que nos dá a vida eterna e definitiva.

Acolher Jesus e Sua Pessoa, comer do Pão da Vida que Ele mesmo é e nos oferece, é a adesão incondicional à Sua pessoa e propostas, no mais profundo de nosso coração, certos de que somente Deus pode saciar nossa fome de transcendência, de amor, de felicidade, de justiça, de esperança, e tudo mais que for bom e necessário para a existência humana.

É uma bela lição de amor a ser aprendida, que se faz dom na partilha, na doação. Acolher a proposta de Jesus leva, inevitavelmente, à multiplicação de gestos simples em favor da vida.

Adesão à Sua pessoa e proposta, acreditar na mesma acolhendo Sua Palavra, e vivê-la com todo empenho e ardor são características do discípulo missionário do Senhor.

Não podemos seguir o Senhor como “iludidos”, mas com profunda e frutuosa convicção, superando quaisquer equívocos, do contrário não se persevera e não se vive o que Ele nos propõe e tão pouco alcançamos a felicidade, e ainda nos distanciamos do fim último que ansiamos: a eternidade.

Reflitamos:

- Nós acolhemos a Deus que vem ao nosso encontro todos os dias? 

- Corremos avidamente e decididamente para este encontro?

- Sentimos a presença de Deus que sempre caminha com Seu Povo?

- Qual a verdade da nossa adesão a Jesus, Sua Pessoa e Palavra?

- Vivemos como Homens Novos, assumindo tudo aquilo que lhe é próprio?

- Temos procurado na Mesa da Palavra e na Mesa da Eucaristia o Pão necessário para nossa vida?

- Alimentados por Cristo, Pão da Vida, Pão de eternidade, quais os nossos compromissos com aqueles que são privados do pão do cotidiano?

A adesão incondicional ao Senhor nos faz
Homens Novos, com novas 
mentalidades e atitudes.

Nisto consiste a exigência da Vida Nova em Cristo
desde o dia de nosso Batismo.
Aleluia!

Irradiemos, em todo o lugar, a luz do Senhor

                                       


Irradiemos, em todo o lugar, a luz do Senhor
 
Reflexão à luz da passagem da Carta de Paulo aos Efésios (Ef 5,8-14).
 
Ressaltamos de modo especial este versículo: “Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz” (Cf. Ef 5,8). 
 
Em outra passagem de suas cartas, insiste: “Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas.” (Cf. 1Ts 5,5).
 
Nisto consiste a missão do discípulo missionário: ser luz do Senhor, por Ele iluminado e d’Ele iluminante, em todos os tempos e âmbitos (família, comunidade, trabalho, cultura, lazer, meios de comunicação; lugares reais ou também nos espaços/mídias virtuais).
 
Quando permitimos que o Cristo ocupe o primeiro lugar em nossa vida, e O temos como o centro de nossa existência, a fé se torna prática e resplandecemos como astros no mundo, não para um exibicionismo estéril.
 
Tão somente viveremos para testemunhar a Palavra Divina, Palavra de vida, e assim, frutos eternos produziremos, alegria plena alcançaremos, como Ele mesmo nos prometeu.
 
Somos iluminados e nos tornamos iluminantes, e aquecidos pelo fogo do Espírito, que faz arder nosso coração para que o mundo seja mais terno, quando somos sobressaltados com a frieza diante da vida, com mortes absurdas e inadmissíveis, pela fome ou pela violência.
 
Não podemos permitir que a frieza congele a nossa sensibilidade, para que não nos curvemosdiante de sentimento de impotência ou indiferença; tão pouco podemos permitir que nos cegue os olhos e petrifique nosso coração.
 
Urge que sejamos iluminados e iluminantes, como um pincel de luz, comunicando raios de luz em todas as situações, em todas as horas, sobretudo nas mais difíceis e sombrias, como a morte de alguém que tanto amamos. 
 
Importa ser sempre a luz do Senhor, noite e dia, como também exortou Paulo em sua Carta aos Filipenses:
 
“Sede irrepreensíveis e sinceros filhos de Deus, inculpáveis no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual deveis resplandecer como astros no mundo..."  (Fl 2,15).
 
Vivamos, portanto, a graça batismal, irradiando a luz batismal, e assim, como discípulos missionários do Senhor,  iluminados e iluminantes seremos.


PS: Apropriado para reflexão das passagens do Evangelho: Mc 4,21-25; Lc 8,16-18
 

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG