segunda-feira, 22 de junho de 2026

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Sem murmurações, julgamentos e desprezo

                                                    


Sem murmurações, julgamentos e desprezo
 
Iluminadora é a “Conferência sobre o julgamento do próximo”, escrita por São Doroteu de Gaza (séc. VI), para que vivamos sem murmurações, julgamentos e desprezo.
 
“Irmãos, se recordarmos bem as sentenças dos santos anciãos e as meditamos sem cessar, difícil será que pequemos ou que sejamos negligentes.
 
Se como eles nos dizem, não menosprezarmos o pequeno e aquilo que julgamos insignificante, não cairemos em faltas graves. O repito sempre a vocês. Por coisas ligeiras, como dizer por exemplo: ‘O que  é isto? O que é aquilo?’, nasce um mau hábito na alma, e se começa a desprezar inclusive as coisas importantes. Percebem quão grave é o pecado que se comete ao julgar o próximo? O que há de mais grave? Existe algo que Deus deteste tanto e do qual se afaste com tanto horror?
 
Os Padres disseram: ‘nada é pior do que julgar'. E, contudo, é por estas coisas que se dizem ser de pouca importância, que se chega a um mal tão grande. Se admite uma ligeira suspeita contra o próximo, se pensa: ‘O que importa se escuto o que tal irmão diz? O que importa se também eu digo somente esta palavra? O que importa se vejo o que vai fazer aquele irmão ou aquele estranho?’, e o espírito começa a esquecer os seus próprios pecados e a ocupar-se do próximo. Daí vem os juízos, murmurações e desprezos, e finalmente se cai nas faltas que se condenavam.
 
Quando alguém é negligente, a respeito de suas próprias misérias, quando alguém não chora a sua própria morte, segundo a expressão dos padres, não pode corrigir-se nunca, porque se ocupa constantemente do próximo. Entretanto, nada irrita tanto a Deus, nada despoja ao homem e lhe conduz ao abandono, como fato de murmurar do próximo, de julgá-lo e de desprezá-lo.
 
Murmurar, julgar e desprezar são coisas diferentes. Murmurar é dizer de alguém: ‘aquele mentiu’, ou: ‘enraivecer-se’, ou: ‘fornicou’. Ou outra coisa semelhante. Se murmurou dele, ou seja, se falou contra ele se revelou seu pecado, existe impulsos da paixão.
 
Julgar é dizer: ‘aquele é um mentiroso, colérico, fornicário’. Eis aí que se julga a própria disposição de sua alma e se aplica a sua vida inteira, dizendo que ele é assim, e se lhe julga como tal. Isto é grave. Porque uma coisa é dizer: ‘encolerizou-se’, e outra coisa: ‘é colérico’, pronunciando-se desta forma sobre toda a sua vida.
 
Julgar ultrapassa em gravidade a todos os pecados, de modo que Cristo mesmo disse: ‘Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás tirar o cisco do olho do teu irmão’. A falta do próximo a comparou com um cisco, e o juízo uma trave, pois o julgar é muito grave, mais grave talvez que cometer qualquer outro pecado.
 
O fariseu que orava e dava graças a Deus por suas boas ações, não mentia; mas dizia a verdade; não foi condenado por isso. Na realidade devemos dar graças a Deus pelo bem que Ele nos concede realizar, já que é com a Sua ajuda e Seu auxílio.
 
Desta forma, ele não foi condenado por ter dito: “Não sou como os demais homens’; não. Foi condenado quando, voltando-se para o publicano, acrescentou: ‘nem como esse publicano’. Foi então quando se tornou gravemente culpado, porque julgava a própria pessoa do publicano, as próprias disposições de sua alma, em uma palavra: sua vida inteira. Por isso, o publicano partiu dali justificado e ele não. Não há nada mais grave, nada mais prejudicial, e o digo com frequência, que julgar ou desprezar ao próximo”.
 
À luz da Conferência, reflitamos sobre os nossos relacionamentos cotidianos, e o quanto também podemos incorrer em graves murmurações, julgamentos e desprezos, tornando desagradáveis a Deus nossas palavras e orações.
 
Antes, é preciso que nos voltemos para nossa própria “miséria”, como o autor mesmo afirma, e sintamos a necessidade da misericórdia divina, sem nos tornarmos parâmetros de santidade e salvação para o outro.
 
É sempre tempo de aprendermos a viver a misericórdia, compadecendo-se com fragilidade do nosso próximo, o que não é sinônimo de conivência, cumplicidade. 
A misericórdia divina não se afasta da justiça, tão pouco da verdade, não exclui nem elimina o pecador, mas abomina o seu pecado.
 
Urge que aprendamos e vivamos a misericórdia querida por Deus, a fim de que sejamos misericordiosos como o Pai (Lc 6, 36), e tão somente assim, nossas orações se tornarão agradáveis e chegarão ao coração de Deus,   sendo por Ele ouvidas, e assim, alcançaremos a justificação.
 
 
(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp.741-743
 
 
 
PS: Oportuna para as passagens do Evangelho: Mt 7,1-5; Lc 6,27-38; Lc 6,39-42; Lc 18,9-14
 

Em poucas palavras...

                                                          


O humilde não julga

“Ele disse também:

‘Assim como um cadáver não come, da mesma forma o humilde é incapaz de julgar um homem, mesmo que o veja adorando ídolos.” (1) 

 

(1)Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 559 – p. 366

 

Não nos cabe julgar, mas orar e amar

 


                 Não nos cabe julgar, mas orar e amar
 
“Não faleis mal dos outros, irmãos. Quem fala mal de seu irmão ou o julga, fala mal da Lei e julga-a. Ora, se julgas a Lei, não és cumpridor da Lei,  mas sim, seu juiz.
Um só é o legislador e juiz:   Aquele que é capaz de salvar e de fazer perecer. Tu, porém, quem és,
para julgares o teu próximo?”   (1)
 
Na alegria de sermos Discípulos Missionários do Reino do Senhor, sinais e instrumentos de um Amor exigente, porque se funda e se nutre no Amor Trinitário, que se expressa na misericórdia, com feições de amor, testemunhado em gestos incontáveis de caridade, renovemos nossos sagrados compromissos na fidelidade incondicional ao Senhor.
 
Misericordiosos como o Pai (cf. Lc 6,36) não implica que, como discípulos do Senhor, vivamos um amor conivente que nada questiona e nada muda, porque antes falam os interesses mesquinhos e egoístas.
 
Como discípulos missionários do Senhor,  urge que vivamos um Amor exigente, jamais coniventes com o pecado!
 
Como seguidores do Senhor que somos, um só caminho é possível, mais do que evidente, que consiste no Caminho do amor que ama o pecador, que elimina todo pecado, porque puro e verdadeiro.
 
Assim ama o Senhor! Assim também devemos amar. Não como juízes do próximo, mas testemunhas do autêntico amor, pois quem o vive, cumpre plenamente a Lei (cf. Rm 13,10). Amém.
 
 
(1) Leitura breve das vésperas da segunda-feira da 27ª semana do Tempo Comum.
Apropriado para a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 7,1-5)
 

Dificuldades e tentações na oração

                                                               

Dificuldades e tentações na oração

Às vezes, ouvimos alguns dizerem que encontram dificuldades na oração, e que as tentações se fazem presentes neste momento.

No Catecismo da Igreja Católica, encontramos a apresentação de duas dificuldades principais na oração, que consistem na distração e na aridez.

As tentações frequentes são a falta de fé e a acídia, ou seja, uma forma de depressão devida ao relaxamento da ascese, que leva consequentemente ao desânimo.

Diante da dificuldade da distração, é preciso persistir, sem jamais desanimar, numa atitude de vigilância na procura da sobriedade do coração, reorientando para Deus nossos pensamentos e sentidos, colocando-nos totalmente em Suas mãos.

Quanto à dificuldade da aridez, esta acontece quando nosso coração se encontra desanimado, sem gosto com relação aos pensamentos, às lembranças e aos sentimentos, mesmo os espirituais – “é o momento da fé pura que se mantém fielmente com Jesus na agonia e no túmulo. ‘Se o grão de trigo que cai na terra morrer, produzirá muito fruto’ (Jo 12,24)”  (CIC n. 2731).

Se esta aridez for por falta de raiz, exigirá o combate no propósito da conversão, porque a Palavra de Deus terá caído sobre as pedras, afirma o Catecismo (CIC n.2731).

Quanto à tentação da falta de fé, é a mais comum e a mais oculta, e que se exprime não tanto por uma incredulidade declarada, quanto por uma opção de fato. Ao começar a orar, vem a preocupação com os trabalhos, que julgamos urgentes, prioritários, mas revelam que ainda não temos a disposição de coração humilde que reconheça as palavras que o Senhor nos disse – “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5).

Finalmente, a tentação da acídia (também chamada de “preguiça”), que se trata de uma porta aberta pela presunção: uma forma de depressão devida ao relaxamento da ascese; diminuição da vigilância; e negligência do coração. Com humildade, precisa-se reconhecer a própria miséria, passando-se a ter mais confiança, com perseverança na constância.

Concluindo, é sempre tempo favorável para a oração, vencendo as distrações e tentações possíveis.

Fazer da oração momento de profunda intimidade e amizade com Deus, em Suas mãos depositando nossas alegrias e tristezas, angústias e esperanças; fracassos e vitórias; o “dia mais belo e iluminado bem como as noites escuras de nossa fé”.

Vigiar e orar na espera do Senhor que vem ao nosso encontro.
Vigiar e orar na espera do Amado que vem e bate em nossa porta, a porta do coração. 


Fonte de pesquisa: Catecismo da Igreja Católica (CIC) nn.2729-2733; 2754-2755

“A Couraça de São Patrício”

                                               


“A Couraça de São Patrício”

Segundo a tradição, São Patrício (padroeiro da Irlanda), teria escrito "Couraça de São Patrício", por volta do ano 433 a fim de invocar a proteção divina, depois de ter convertido com êxito do paganismo ao cristianismo, o rei irlandês e seus súditos.

Embora nos pareça incomum, o termo “couraça” se refere a uma peça de armadura que se usa para uma batalha; em sentido simbólico.

E é deste modo que ele se refere a essa oração como uma verdadeira couraça espiritual de proteção na luta contra o mal, e também podemos rezá-la a fim de vivermos, com coragem, o bom combate da fé.

Oremos:

“Levanto-me, neste dia que amanhece,
Por uma grande força, pela invocação da Trindade,
Pela fé na Tríade,
Pela afirmação da unidade
Do Criador da Criação.
 
Levanto-me neste dia que amanhece,
Pela força do nascimento de Cristo em Seu batismo,
Pela força da crucificação e do sepultamento,
Pela força da ressurreição e ascensão,
Pela força da descida para o Julgamento Final.
 
Levanto-me, neste dia que amanhece,
Pela força do amor dos Querubins,
Em obediência aos Anjos,
A serviço dos Arcanjos,
Pela esperança da ressurreição e da recompensa,
Pelas orações dos Patriarcas,
Pelas previsões dos Profetas,
Pela pregação dos Apóstolos
Pela fé dos Confessores,
Pela inocência das Virgens santas,
Pelos atos dos Bem-aventurados.
 
Levanto-me neste dia que amanhece,
Pela força do céu:
Luz do sol,
Clarão da lua,
Esplendor do fogo,
Pressa do relâmpago,
Presteza do vento,
Profundeza dos mares,
Firmeza da terra,
Solidez da rocha.
 
Levanto-me neste dia que amanhece,
Pela força de Deus a me empurrar,
Pela força de Deus a me amparar,
Pela sabedoria de Deus a me guiar,
Pelo olhar de Deus a vigiar meu caminho,
Pelo ouvido de Deus a me escutar,
Pela palavra de Deus em mim falar,
Pela mão de Deus a me guardar,
Pelo caminho de Deus à minha frente,
Pelo escudo de Deus que me protege,
Pela hóstia de Deus que me salva,
Das armadilhas do demônio,
Das tentações do vício,
De todos que me desejam mal,
Longe e perto de mim,
Agindo só ou em grupo.
 
Conclamo, hoje, tais forças a me protegerem contra o mal,
Contra qualquer força cruel que ameace meu corpo e minha alma,
Contra a encantação de falsos profetas,
Contra as leis negras do paganismo,
Contra as leis falsas dos hereges,
Contra a arte da idolatria,
Contra feitiços de bruxas e magos,
Contra saberes que corrompem o corpo e a alma.
Cristo guarde-me hoje,
Contra veneno, contra fogo,
Contra afogamento, contra ferimento,
Para que eu possa receber e desfrutar a recompensa.
Cristo comigo, Cristo à minha frente, Cristo atrás de mim,
Cristo em mim, Cristo em baixo de mim, Cristo acima de mim,
Cristo à minha direita, Cristo à minha esquerda,
Cristo ao me deitar,
Cristo ao me sentar,
Cristo ao me levantar,
Cristo no coração de todos os que pensarem em mim,
Cristo na boca de todos que falarem em mim,
Cristo em todos os olhos que me virem,
Cristo em todos os ouvidos que me ouvirem.
 
Levanto-me, neste dia que amanhece,
Por uma grande força, pela invocação da Trindade,
Pela fé na Tríade,
Pela afirmação da Unidade,
Pelo Criador da Criação.”

 

PS: Fonte de pesquisa – “Estudos recentes sugerem que o autor desta oração não seria de fato São Patrício, mas, de qualquer modo, ela reflete muito bem o espírito com que o Apóstolo da Irlanda levou a fé católica a esse país.” – www.aleteia.org

Em poucas palavras...

                                             


A virtude moral da justiça

“A justiça é a virtude moral que consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. A justiça para com Deus chama-se «virtude da religião».

Para com os homens, a justiça leva a respeitar os direitos de cada qual e a estabelecer, nas relações humanas, a harmonia que promove a equidade em relação às pessoas e ao bem comum.

O homem justo, tantas vezes evocado nos livros santos, distingue-se pela retidão habitual dos seus pensamentos e da sua conduta para com o próximo. «Não cometerás injustiças nos julgamentos. 

Não favorecerás o pobre, nem serás complacente para com os poderosos. Julgarás o teu próximo com imparcialidade» (Lv 19, 15). «Senhores, dai aos vossos escravos o que é justo e equitativo, considerando que também vós tendes um Senhor no céu» (Cl 4, 1).” (1)

 

(1)               Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.1807.

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