segunda-feira, 2 de novembro de 2026

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A fé na ressurreição e a vida eterna (Finados)

A fé na ressurreição e a vida eterna

Celebramos no dia 02 de novembro o dia de Finados, dia de recolhimento e oração pelos por todos os falecidos.

Reflitamos à luz da passagem da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios (1 Cor 15,20-26.28), em que o Apóstolo se dirige a uma comunidade viva e fervorosa, mas que não deixa de ter problemas de ordem moral, com suas querelas, disputas e lutas, sedução à sabedoria filosófica.

Sendo uma cidade portuária, traz consigo problemas próprios desta realidade; sofrem a influência da cultura grega e, com isto, a dificuldade de aceitar a Ressurreição. 

Paulo fala sobre o fim último da caminhada daquele que crê: participar plenamente no Reino de Deus e a fé na Ressurreição,  âncora, e o “selo de garantia”.

O Reino deve impulsionar aquele que crê, não deixando lugar para o medo que paralisa. Crendo na Ressurreição, tudo ganha um novo sentido, um novo impulso. Com Jesus, serão desatados os nós de uma tragédia sem saída, porque através de nossa história em Sua história inserida, serão reatados os “fios quebrados”, que nos desfiguram e nos desorientam. 

Com Sua Morte e Ressurreição, fomos reconciliados e reatados no Amor do Pai; a Nova e Eterna Aliança de Amor foi selada e nada poderá quebrá-la, rompê-la. Assim é o irrenunciável e eterno Amor de Deus. 

Desde a alvorada ao ocaso da vida, haveremos de ser fecundados pela graça e pela força da Ressurreição, superando o horizonte limitado pela vida terrena. A fé na Ressurreição é a maior possibilidade de ampliação de qualquer horizonte de nossa existência. 

Continuemos a reflexão à luz da passagem do Evangelho (Mt 25,31-46),  na qual Jesus nos fala do juízo final, de como será o fim daqueles que se mantiveram ou não vigilantes e preparados para a Sua vinda vitoriosa “... para que Deus seja tudo em todos)” (1Cor 15,28).

Importante lembrar que o contexto da comunidade de Mateus é de desinteresse, instalação, acomodação, rotina. É preciso despertá-la para uma atitude vigilante e comprometida, na espera do Senhor que vem: vigilância para o juízo final. 

O critério de julgamento será o amor ou a indiferença vivida para com os pobres (famintos, sedentos, doentes, presos, estrangeiros, nus). Somente o amor concreto e a solidariedade ativa nos credenciam para a eternidade. Somente o amor na simplicidade e na gratuidade nos eterniza. Quem vive a misericórdia, o amor, a solidariedade ativa não tem motivo para temer o julgamento final (Tg 2,12-13). 

Os discípulos têm que amar Cristo e viver como Ele. Deus não quer condenar ninguém. A autoexclusão de Seu amor está em nossas mãos. Não há lugar para egoísmo e indiferença na construção do Reino de Deus. 

Sendo Jesus Cristo, Rei e Senhor do Universo, é preciso que vivamos autenticamente nossa fé, dando corpo e conteúdo à caridade no coração inflamada.

Movidos pela fé na Ressurreição, vivamos a solidariedade, a fraternidade, o amor à vida, a paixão pelo Reino.

Renovemos em nós o fascínio por Sua Palavra e, pelo nosso anúncio e testemunho, provocando o mesmo fascínio, trilhando o caminho que nos conduz aos céus, lembrando-nos sempre que seremos julgados pelo amor anunciado, e muito mais, pelo amor vivido em relação ao próximo, sobretudo os empobrecidos, com os quais o Senhor quis Se identificar.

A dor cortante da ausência (Finados)

                                         


A dor cortante da ausência
 
Quando alguém parte,
Por um tempo nada parece ter sentido.
Nem sonhos, nem projetos, nada mais...
 
Parece morrermos com quem se foi,
Suaves lembranças de palavras, momentos,
Na memória, enraizados e eternizados.
 
Estilhaçados como um cristal sobre o chão,
O que poderá nos refazer e nos colocar em pé,
Se não a fé, como pequeno grão de mostarda?
 
Mas o amor de Cristo nos impele (1)
E somos alimentados pelo Seu Divino Alimento,
Pão da Vida e de Eternidade. (2)
 
“Levanta-te e come”, assim falou o anjo ao Profeta.
Por duas vezes, pois uma não foi o bastante:
“Levanta-te e come, porque o caminho é longo.” (3)
 
No canto dos olhos, aparece uma pequena luz.
E com a esperança na Ressurreição, caminhamos,
Até que um dia na eternidade nos reencontremos. Amém.

 

(1)           Cf. 2 Cor 5,14

(2)           Cf. Jo 6,41-51

(3)           Cf. 1 Rs 19,4-8

A Ressurreição do Senhor dá novo sentido à nossa vida (Finados)

                                                          

A Ressurreição do Senhor dá novo sentido à nossa vida

Na Carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios, encontramos a passagem em que ele se dirige a comunidade de Corinto (1Cor 15,20-26.28).

A comunidade é viva e fervorosa, mas não deixa de ter problemas de ordem moral, com suas querelas, disputas e lutas, sedução à sabedoria filosófica.

Sendo uma cidade portuária (Corinto), traz consigo problemas próprios desta realidade. Sofrem a influência da cultura grega e com isto a dificuldade de aceitar a Ressurreição.

Paulo fala sobre o fim último da caminhada daquele que crê: participar plenamente no Reino de Deus e a fé na Ressurreição, é esta a âncora, é este o “selo de garantia”.

O Reino como meta deve impulsionar aquele que crê, não deixando lugar para o medo que paralisa.

Aqueles que integram a comunidade, crendo na Ressurreição, redescobrem novo sentido para tudo, e adquirem um novo impulso.

Com Jesus, serão desatados os nós de uma tragédia sem saída, a História será redimida, porque através de nossa história em Sua história inserida, serão reatados os “fios quebrados” que nos desfiguram e nos desorientam.

Com Sua Morte e Ressurreição, fomos reconciliados e reatados no Amor do Pai, a Nova e Eterna Aliança de Amor foi selada e nada poderá quebrá-la, rompê-la. Assim é o irrenunciável e eterno Amor de Deus.

Desde a alvorada ao ocaso da vida, haveremos de ser fecundados pela graça e pela força da Ressurreição, superando o horizonte limitado pela vida terrena.

De fato, a fé na Ressurreição é a maior possibilidade ampliação de qualquer horizonte de nossa existência, e nos encoraja no testemunho como discípulos missionários, a fim de que sejamos mais filhos de Deus e fraternos. 

A vigilância e a caridade vivida (Finados)

                                                           


A vigilância e a caridade vivida

“Levai o azeite convosco...”

Reflexão sobre a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 25,1-13), em que nos apresenta a parábola das dez virgens.

Sejamos enriquecidos pelo Sermão n.93 ao Evangelho feito pelo Bispo e Doutor da Igreja Santo Agostinho (354-430), em seu Ser, bispo de Hipona (Norte de África).

“Todas aquelas virgens despertaram, então, e aprontaram as lamparinas. «A meio da noite, ouviu-se um brado». Que brado é este senão aquele de que fala o apóstolo Paulo: «Num instante, num abrir e fechar de olhos, ao som da trombeta final»? «Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados» (1Co 15,52).

Depois deste brado, que soará a meio da noite, que acontecerá? «Todas despertaram». Que quer isto dizer? O próprio Senhor nos diz: «É chegada a hora em que todos os que estão nos túmulos hão de ouvir a Sua voz e sairão» (Jo 5,28) […].

Que querem dizer estas palavras: «Não levaram azeite consigo»? Consigo, quer dizer nos seus corações. […] As virgens insensatas, que não levaram azeite com elas, procuraram agradar aos homens pela sua continência e pelas suas boas obras, simbolizadas pelas candeias.

Ora, se o motivo das suas boas obras é agradar aos homens, elas não levam azeite com elas. Mas vós, levai o azeite convosco; levai-o no vosso interior, onde penetra o olhar de Deus; trazei aí o testemunho de uma boa consciência. […] Se evitais o mal e se fazeis o bem para recolher lisonjas dos homens, então não tendes azeite no interior das vossas almas […].

Antes de estas virgens terem adormecido, não se disse que as suas candeias estivessem apagadas. As candeias das virgens prudentes brilhavam com um vivo fulgor, alimentadas pelo azeite interior, pela paz da consciência, pela glória secreta da alma, devido à caridade que a abrasa.

As candeias das virgens insensatas também brilhavam. E porquê? Porque a sua luz era mantida pelos louvores humanos. Quando se levantaram, isto é, na ressurreição dos mortos, começaram a pegar nas candeias, ou seja, a preparar as contas que deviam prestar a Deus pelas suas obras. Mas, nessa altura, já não haverá ninguém para as elogiar. […] Elas tentarão, como sempre tinham feito, brilhar com o azeite alheio, viver das lisonjas dos homens: «Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas candeias estão a apagar-se»”.

Urge que levemos o azeite no interior de nosso coração, o qual somente Deus pode ver:

“Mas vós, levai o azeite convosco; levai-o no vosso interior, onde penetra o olhar de Deus; trazei aí o testemunho de uma boa consciência”. 

Ressoa aqui as palavras do Senhor, apresentadas por Mateus no desenvolvimento das Bem-Aventuranças:

“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus”. (Mt 5,16).

Na vigilância, esperando o Senhor que virá gloriosamente, é preciso que mantenhamos acesas nossas lâmpadas, vivendo a nossa fé que age pela caridade, como falou o Apóstolo Paulo (Gl 5,6).

Levemos, portanto, o “azeite” conosco, no mais profundo de nós, e que nossas obras, discipulado sejam a mais pura expressão do amor de Deus que foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (Rm 5,5).


PS: Apropriado para a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 12,35-40)

Memória, avaliação e esperança (Finados)

                                                  


Memória, avaliação e esperança

Na espera do Senhor Jesus, que virá em Sua glória nos julgar a todos nós, no juízo final.

Sejamos, portanto,  conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças (Mt 5,1-12) na prática da misericórdia (Mt 25,31-46), bem como nos falou o presbítero São João da Cruz (séc. XVI) - “No entardecer de nossa vida seremos julgados pelo amor”, e o bispo e doutor da Igreja Santo Ambrósio: - “Somente a misericórdia nos serve de companheira” rumo à eternidade.

Nada levaremos, quando desta vida partirmos, a não ser a misericórdia vivida, que nos acompanhará para a passagem definitiva: nem dinheiro, nenhum bem, nem título, nem glória humana alguma alcançada, absolutamente nada que se possa tocar.

Fundamental que retomemos e aprofundemos sobre as obras de misericórdia corporais e espirituais:

Obras de misericórdia corporais: Dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; dar pousada aos peregrinos; assistir aos enfermos; visitar os presos; enterrar os mortos. 

Obras de misericórdia espirituais: Dar bom conselho; ensinar os ignorantes; corrigir os que erram; consolar os aflitos; perdoar as injúrias; sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; rogar a Deus por vivos e defuntos.  

Seja, portanto, este dia de recolhimento e oração, fazendo memória daqueles que nos antecederam na glória de Deus, elevando aos céus nossas orações, fazendo avaliação de nossa vida, discipulado e testemunho sobre o mundo que estamos deixando para aqueles que virão depois de nós. E, por fim, esperança de que um dia nos encontremos na eternidade na plenitude do amor, vida e luz divinas. Amém.

Não morre para sempre quem tanto amamos (Finados)

                                         

Não morre para sempre quem tanto amamos
 
“Não se perturbe o vosso coração!
Credes em Deus, crede também em mim.
 Na Casa de meu Pai há muitas moradas.
Se não fosse assim, Eu vos teria dito,
porque vou preparar um lugar” (Jo 14,1-2)
 
Ela veio, não pediu licença, e levou quem eu tanto amava.
Assim ela já fez com tantos que amamos em vida, e a dor deixou.
 
Tentamos nos reerguer e continuar nossa história,
Redescobrindo a beleza das cores das flores,
com seu perfume exalado,
Convidando-nos a, também,
A redescobrir a beleza da melodia.
 
Ela veio, sem pedir licença,
porque sabe que jamais permitiríamos
Que ela levasse quem conosco sorrisos partilhava,
Ou, em outros momentos,
nossas lágrimas, com ternura, secava;
Comia conosco o mesmo pão, no mesmo prato,
Por vezes saboroso, e ainda que não o fosse, também o faria.
 
Ela vem, e leva pessoas que para nós são como anjos;
Que nos falam de Deus, mais que com as palavras, com a vida,
Gestos e exemplos, que continuam falando para sempre,
Em suave e doce lembrança, que nos acompanha em todos os momentos.
Alívio para dores, bem como, em pequenos e grandes sofrimentos.
 
Ela veio, vem ou virá, em qualquer momento, inevitavelmente.
Ora para levar quem tanto amamos,
ora também para nos levar.
Que ela não venha e nos encontre distantes
d’Aquele que nos prometeu, no céu,
uma divina e eterna morada,
e que não fiquemos perturbados.
Assim cremos, esperamos com Ele
e com todos os que partiram, nos encontrar.
 
Ela veio e levou sem pedir licença. Levou?
Não, ela não pode levar para sempre quem tanto nos amou.
Ficará para sempre no coração quem tanto amamos,
Até que, no céu, se possa reencontrar, num abraço celestial,
louvores e cantos com todos os anjos e santos. Amém. Aleluia!
 

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG