domingo, 8 de fevereiro de 2026

Peregrinos da esperança e da consolação divinas

                                                 


Peregrinos da esperança e da consolação divinas

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação.

Ele nos consola em todas as nossas aflições, para que, com a consolação que nós mesmos recebemos de Deus, possamos consolar os que se acham em toda e qualquer aflição.” (2 Cor 1,3-4)

Peregrinos da esperança, aprendemos, como filhos e filhas, ao experimentar a bondade do Pai que tanto nos ama, a sermos bondosos com os irmãos e irmãs, com quem angústias e esperanças, alegrias e tristezas compartilhamos.

Aprendamos com o Apóstolo Paulo que, por Deus, não só foi consolado, mas também soube a muitos, nas provações, consolar, animar e pôr-se no caminho do discipulado, perfeitamente configurados ao Senhor, na fidelidade em carregar a cruz cotidiana.

Como precisamos do calor da caridade de Deus derramada em nossos corações, por meio do Seu Espírito, a fim de que comuniquemos aos outros a experiência de amor vivida, que nos impele na missão de discípulos missionários do Senhor.

Tão somente assim nossa experiência será convincente, porque transmitirá algo de vivo e pessoal, na maturidade de sofrermos com Cristo, aprofundando a solidariedade que nos faz alcançar a perfeita e plena alegria, tão somente com Ele, como nos falou (cf. Jo 15).

Peregrinos da consolação e da esperança sejamos, e assim, livres para amar e servir, de tal modo que se a dor vier, perderá sua força  obsessiva e opressora, experimentando a misericórdia, bondade e consolação divinas, e nosso sofrimento será embebido de amor e serenidade. Amém.

Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus – p. 874 – Comentário sobre a passagem da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios (2Cor 1,1-7)

Sejamos Sal e luz na planície do cotidiano (VDTCA)

                                                             

Sejamos Sal e luz na planície do cotidiano

"... quando atraímos o olhar de todos para Deus, e não para nós mesmos, é que somos sal da terra e luz do mundo."

A Liturgia do 5º Domingo do tempo Comum (Ano A) nos convida a refletir sobre o compromisso que abraçamos no dia de nosso Batismo, quando nos tornamos cristãos, discípulos missionários do Senhor.

Fazer brilhar a luz de Deus na noite do mundo, e como sal dar gosto e sentido de Deus a todo o existir, é a nossa grande missão.

Na passagem da primeira Leitura, o Profeta Isaías (Is 58,7-10), em tempos difíceis do pós-exílio, mantém viva a chama da esperança de um tempo novo, expressando a reclamação de Deus contra aqueles que praticam um culto vazio e estéril: de nada adianta a prática de leis externas, que não saem do coração, sem a necessária correspondência na vida.

O Profeta faz, portanto, um convite ao Povo para que respeite a santidade da Lei, colocando-a em prática. De modo especial, retrata na passagem o jejum, que no contexto do capítulo aparece sete vezes.

A prática do jejum deve ser feita com humildade diante de Deus, como expressão da dependência, do abandono e amor para com Ele, a renúncia a si próprio, a eliminação do egoísmo e da autossuficiência.

Jejum é voltar-se para o Senhor, manifestando a entrega confiante em Suas mãos, em total disponibilidade de acolher a ação e o dom de Deus, em gestos concretos de amor e solidariedade.

Deste modo, o jejum jamais pode ser compreendido como uma tentativa de colocar Deus do nosso lado, captando Sua benevolência a fim de que realize prontamente nossos interesses e desejos egoístas.

Somente a prática do jejum autêntico é que levará a comunidade a ser e contemplar a luz de Deus no mundo.

Reflitamos:

- Qual é a relação entre os gestos cultuais e gestos reais de nossa vida. Expressam ambos em sintonia a misericórdia e o Amor de Deus?

De que modo o que celebramos tem determinado a nossa vida?
Que matiz o Amor Divino tem dado as nossas ações?

- Somos uma luz acesa na noite do mundo, em solidariedade expressiva?
   - Somos como Isaías, Profetas do amor e servidores da reconciliação para um mundo novo justo e fraterno?

O Apóstolo Paulo, na passagem segunda Leitura (1Cor 2,1-5), nos exorta a identificação com Cristo, interiorizando a “loucura da Cruz”, que é dom e vida. Deus age através de nossa fragilidade e debilidade, como agiu através dele, um homem frágil e pouco brilhante.

Diante da comunidade de Corinto, o Apóstolo se apresentou consciente de sua fraqueza, assustado e cheio de temor.

O que levou os coríntios a abraçar a fé não foi a sedução de sua personalidade, nem suas brilhantes qualidades de pregador (que não possuía), e tão pouco a coerência de sua exposição, que ao contrário foi acolhida com ironia e indiferença.

O que levou os coríntios a aderirem à proposta de Jesus foi a força de Deus que se impõe, muito além dos limites de quem apresenta ou ouve a Sua proposta.

O Espírito de Deus está sempre presente e age no coração daquele que crê, de forma que a sabedoria humana é suplantada e, assim, somos tocados e elevados pela sabedoria divina.

É preciso que nos coloquemos sempre como humildes instrumentos nas mãos de Deus, para que se realize Seu Projeto de Salvação para o mundo todo.

Com isto, não quer dizer que Deus dispense nossa entrega, doação, técnicas, meios de comunicação, ao contrário, é o Espírito de Deus que potencia e torna eficaz a Palavra que anunciamos.

A mensagem da passagem do Evangelho (Mt 5,13-16) é o desdobramento do Sermão da Montanha que, se verdadeiramente vivido na planície, nos faz sal da terra e luz do mundo.

Seguidores do Senhor não podem se instalar na mediocridade, jamais se acomodar, mas pôr-se sempre a caminho, sem nenhuma possibilidade para comodismo e facilidades.

Ser sal e luz implica em total fidelidade dos discípulos ao programa anunciado por Jesus nas Bem-Aventuranças: ser pobre em espírito, sedento de justiça e paz, misericordioso, puro e capaz de sofrer toda forma de incompreensão, calúnia e perseguição.

Ser cristão é um compromisso sério, profético, exigente no testemunhar do Reino em ambientes adversos. 

Não se pode viver um cristianismo “morno” instalado, cômodo, reduzindo a algumas práticas de Oração e de culto (até mesmo de uma Missa apenas aos domingos, como simples expressão de preceito cumprido).

Somente somos sal da terra e luz do mundo quando:

- O nosso agir revela a ação e o compromisso com o Projeto Divino  e apresentamos Jesus como a Luz de todos os Povos, de todas as nações;

- Atraímos o olhar de todos para Deus, e não para nós mesmos.

Discípulos missionários do Senhor devem se preocupar permanentemente em não atrair sobre si o olhar de todos, mas deve, antes e sempre, se preocupar em conduzir o olhar e o coração de todos para Deus e à Proposta de Seu Reino de Amor, Vida e Paz.

Sendo sal, que jamais percamos o gosto, do contrário para nada serviremos. Sendo luz, que jamais permitamos que ela se apague, não obstante as dificuldades próprias da existência.

Que tenhamos a coragem de comunicar a luz de Deus na escuridão do cotidiano, sem jamais perder o gosto do sal de Deus: gosto da partilha, do acolhimento, da misericórdia, da caridade.  Tão somente assim a luz de Deus, que em nós habita pelo Seu Espírito, comunicará luz aos que se encontram ao nosso redor.

Sal e luz, sejamos sempre! Sermão da Montanha ouvido e acolhido, na planície da vida anunciado, testemunhado e corajosamente vivido. Amém!  

Sal e luz (VDTCA)

                                                        

Sal e luz

Na missão de ser sal da terra e luz do mundo, à luz da passagem do Evangelho de São Mateus (Mt 5,13-16), destacam-se quatro características do testemunho cristão:

1 – A publicidade: a luz, por sua natureza, existe para iluminar, para se mostrar visível e pública, e não para ficar escondida. Não se pode ficar no anonimato.

2 – A universalidade: sal da terra e luz do mundo. No entanto, esta universalidade que Jesus anuncia deve começar pelos últimos, a fim de que os primeiros também sejam incluídos: os últimos devem ser os primeiros, e assim não haverá nenhuma possibilidade de exclusão.

3 – A consistência: o testemunho se dá pelas obras e não pelas palavras ou teorias. Não se pode incorrer na tentação das palavras em excesso. É preciso as obras de misericórdia (Mt 25,31), pela partilha realizada, pela Palavra de Deus colocada em prática (Mt 7,21).

4 – Transparência: o discípulo, na prática das boas obras, não concentra a atenção sobre ele próprio, mas leva os outros a dirigirem o olhar para Deus, que é nosso Pai – “Vendo as vossas boas obras, glorifiquem Vosso Pai que está nos Céus” (M 5,16). De fato, Jesus foi a verdadeira transparência do Pai pelas palavras, obras e na Sua própria Pessoa – “Quem me viu, viu o Pai” (Jo 14, 9). (1)

Somente com as obras de misericórdia (corporais e espirituais), seremos, de fato, sal e luz.  Não seremos também pelas obras do poder, da riqueza ou do sucesso, mas do amor vivido concretamente em solidariedade concreta com os empobrecidos.

Este é o caminho que todo o discípulo de Jesus deve fazer, assim como o Apóstolo Paulo e tantos outros, o caminho da fraqueza da Cruz e não o caminho do poder ou da glória.

Supliquemos a Deus que estas características: publicidade, universalidade, consistência e transparência, estejam presentes em nosso agir, assim como em todas as nossas atividades pastorais. E assim, na fidelidade ao Senhor, confiando em Sua Palavra, Pessoa e presença, seremos da terra o sal e do mundo a luz.


(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – 2010 – pp. 206-207

Resplandeçamos a luz divina (VDTCA)

                                                                       

Resplandeçamos a luz divina

Ao ouvirmos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,13-16), sejamos enriquecidos com esta Catequese batismal escrita por São João Crisóstomo, bispo e doutor da Igreja (séc. V).

“Realmente, assim como aqueles que ao mostrarem sobre as vestes na altura do peito as insígnias imperiais destacam-se diante de todos, da mesma forma nós, que de uma vez por todas fomos revestidos de Cristo e considerados dignos de tê-Lo morando em nós, se verdadeiramente O queremos, mediante uma vida perfeita, até mesmo silenciando, poderemos mostrar a força d’Aquele que reside em nós.

E da mesma forma que agora a desenvoltura de vosso vestuário e o brilho das vestimentas atrai todos os olhares, assim também, e para sempre – contanto que o queirais e conserveis o resplendor de vossa régia vestimenta –, podereis com muito mais rigor que agora, por meio de uma conduta perfeita segundo Deus, atrair a todos os que observam um mesmo zelo e para a glorificação do Senhor.

Por essa razão, Cristo dizia de forma incontestável: brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus. Observa como Ele exorta a que brilhe a luz que existe em nós, não através das vestes, mas mediante as obras?

De fato, ao dizer: brilhe vossa luz, acrescentou: para que vejam as vossas boas obras. Esta luz não se detém nos limites dos sentidos corporais, mas sim ilumina as almas e as mentes dos que observam, e, após dissipar a treva da maldade, persuade aos que a recebem para que iluminem com luz própria e imitem a virtude.

Brilhe, diz, a vossa luz diante dos homens. E disse bem: diante dos homens. ‘Vossa luz seja tão grande que não somente ilumine a vós, mas que ilumine também diante dos homens que necessitam da sua abundância’.

Portanto, como esta luz sensível afugenta a obscuridade e faz que caminhem corretamente os que tomaram este caminho sensível, assim também a luz espiritual que provém da conduta louvável ilumina aos que têm a vista da mente enturvada pela obscuridade do erro, e são incapazes de ver com precisão o caminho da virtude, limpa a remela dos olhos de suas mentes, os guia para o bom caminho e faz que de agora em diante caminhem pelo caminho da virtude.

Para que vejam vossas obras e glorifiquem ao vosso Pai que está nos céus. ‘Vossa virtude, diz, vossa perfeição na conduta e o êxito de vossas boas obras desperte aos que observam a glorificar ao comum Senhor de todos’.

Assim, cada um de vós, vo-lo suplico, coloque todo o seu empenho em viver com tal perfeição que eleve para o Senhor o louvor de todos os que vos contemplam.” (1)

Somos exortados a fazer resplandecer a luz divina que em nós habita, através de nossa conduta, expressa em boas obras, para a honra e glória de Deus.

Como discípulos missionários do Senhor, urge que façamos progressos contínuos na perfeição de conduta, deixando-nos iluminar e guiar pela Palavra de Deus, tendo-a na mente e no coração, de tal modo que também poderá ser vista em nossas obras.

Fazemos a luz de Deus brilhar, quando não dissociamos a Palavra de Deus do Pão da Eucaristia, e movidos pela chama da Caridade, pomo-nos a caminho, em atitude missionária, em todos os âmbitos da existência.

Eis a missão da Igreja, portanto, eis a missão de todos nós.

(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - pp.129-130
Oportuna reflexão para a passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 8,16-18)

Em poucas palavras... (VDTCA)

                                                          


As Obras de Misericórdia 

Na fidelidade a Jesus e ao Evangelho, é preciso viver as Obras de Misericórdia: 

- Corporais (dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos); 

- Espirituais (aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as fraquezas do próximo, rezar a Deus pelos vivos e defuntos).

 

Sal e luz na planície do cotidiano (VDTCA)

                                                         

Sal e luz na planície do cotidiano

... quando atraímos o olhar de todos para Deus, e não para nós mesmos, 
é que somos sal da terra e luz do mundo.

A Liturgia da terça-feira da 10ª Semana do Tempo Comum nos convida a refletir sobre o compromisso de nosso Batismo, quando nos tornamos cristãos, discípulos missionários do Senhor, vivendo de modo especial a Proposta que Jesus nos fez no Sermão da Montanha (Mt 5, 1-12).

Fazer brilhar a luz de Deus na noite do mundo, e como sal dar gosto e sentido de Deus a todo o existir, é a nossa grande missão.

A mensagem do Evangelho (Mt 5,13-16) é o desdobramento do Sermão da Montanha que, se verdadeiramente vivido na planície, nos faz sal da terra e luz do mundo.

Seguidores do Senhor não podem se instalar na mediocridade, jamais se acomodar, mas pôr-se sempre a caminho, sem nenhuma possibilidade para comodismo e facilidades.

Ser sal e luz implica em total fidelidade dos discípulos ao programa anunciado por Jesus nas Bem-Aventuranças: ser pobre em espírito, misericordioso, puro, sedento de justiça e paz e capaz de sofrer toda forma de incompreensão, calúnia e perseguição.

Ser cristão é um compromisso sério, profético, exigente no testemunhar do Reino em ambientes adversos. Não se pode viver um cristianismo “morno” instalado, cômodo, reduzindo a algumas práticas de Oração e de culto (até mesmo de uma Missa apenas aos domingos, como simples expressão de preceito cumprido).

Somente quando o nosso agir revela a ação e o compromisso com o Projeto Divino é que somos sal da terra e luz do mundo, anunciando e testemunhando Jesus como a Luz de todos os Povos, de todas as nações.

Somente quando atraímos o olhar de todos para Deus, e não para nós mesmos, é que somos sal da terra e luz do mundo.

Discípulos missionários do Senhor devem se preocupar permanentemente em não atrair sobre si o olhar de todos, mas deve, antes e sempre, se preocupar em conduzir o olhar e o coração de todos para Deus e à Proposta de Seu Reino de Amor, Vida e Paz.

Sendo sal, que jamais percamos o gosto, do contrário para nada serviremos. Sendo luz, que jamais permitamos que ela se apague, não obstante as dificuldades próprias da existência.

Que tenhamos a coragem de comunicar a luz de Deus na escuridão do cotidiano, jamais perdendo o gosto do sal de Deus: gosto da partilha, do acolhimento, da misericórdia, da caridade.  Tão somente assim a luz de Deus, que em nós habita pelo Seu Espírito, comunicará luz aos que se encontram ao nosso redor.

Sal e luz, sejamos sempre! Sermão da Montanha ouvido e acolhido, na planície da vida anunciado, testemunhado e corajosamente vivido. Amém!   

Sejamos luz! (VDTCA)

                                                             


Sejamos luz!

Sejamos enriquecidos pelo “Tratado sobre o Evangelho de São Mateus”, do Bispo São Cromácio (séc. IV), para o aprofundamento do capítulo 5 deste Evangelho, em que Jesus nos diz que somos a luz do mundo.

“Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa (Mt 5,14-15).

O Senhor chamou Seus discípulos de sal da terra, porque eles deviam dar um novo sabor, por meio da sabedoria celeste, aos corações dos homens que o demônio tornara insensatos. E também os chamou de luz do mundo porque, iluminados por Ele, verdadeira e eterna luz, tornaram-se também eles luz que brilha nas trevas.

O Senhor é o Sol da justiça; é, por conseguinte, com toda razão que chama Seus discípulos luz do mundo; pois é por meio deles que irradia sobre o mundo inteiro a luz do Seu próprio conhecimento. Com efeito, eles afugentaram dos corações dos homens as trevas do erro, manifestando a luz da verdade.

Iluminados por eles, também nós passamos das trevas para a luz, como afirma o Apóstolo: Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz (Ef 5,8). E noutra passagem: Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas (1Ts 5,5).

Com razão diz também São João numa Epístola sua: Deus é luz (1Jo 1,5); e quem permanece em Deus está na luz, da mesma forma como Ele próprio está na luz. Portanto, uma vez que temos a felicidade de estar libertos das trevas do erro, devemos caminhar sempre na luz, como filhos da luz. A esse propósito, diz ainda o Apóstolo: Vós brilhais como astros no universo. Conservai com firmeza a Palavra da vida (Fl 1,15-16). 

Se não procedemos assim, ocultaremos e obscureceremos com o véu da nossa infidelidade, para prejuízo tanto nosso como dos outros, uma luz tão útil e necessária.

Eis o motivo por que incorreu em merecido castigo aquele servo que, recebendo o talento para dar juros no céu, preferiu escondê-lo a depositá-lo no banco.

Assim, aquela lâmpada resplandecente, que foi acesa para nossa salvação, deve sempre brilhar em nós. Pois temos a lâmpada dos Mandamentos de Deus e da graça espiritual a que se refere Davi: Vosso Mandamento é uma luz para os meus passos, é uma lâmpada em meu caminho (cf. Sl 118,105). E Salomão também diz acerca dela: O preceito da Lei é uma lâmpada (cf. Pr 6,23).

Por isso, não devemos ocultar esta lâmpada da Lei e da fé, mas colocá-la sempre no candelabro da Igreja para a salvação de todos. Então gozaremos da luz da própria verdade e serão iluminados todos os que creem.” (1)

No testemunho da Fé, estas palavras iluminam nosso caminhar, para que a solidifiquemos, com coragem e ousadia, inflamados pelo fogo do Espírito, e assim,  luz do mundo sejamos em todos os momentos, sobretudo nas situações mais sombrias, adversas e obscuras, como um raio da luz divina, com nossas palavras e ações, comuniquemos a esperança de novos tempos, de novas possibilidades.

As palavras do Bispo nos incentivam, de modo muito contundente e irrefutável, a não deixar a chama da caridade, para que, nas situações de desamor sejamos um sinal do Amor divino; nas situações de ódio e rancores, sinais do perdão, ternura e da bondade divinas.

Ontem, hoje e sempre, o mundo precisa de pessoas iluminadas pela Palavra e pela Luz do Santo Espírito. 

Que a luz acesa no dia do nosso Batismo jamais seja apagada pelo vento das contrariedades e das dificuldades, das circunstâncias não favoráveis, ao contrário,  sejam elas, paradoxalmente, porque temos fé no Senhor, a certeza de que Deus não permitirá que a nossa luz se apague.

Nada pode apagar em nós a luz que Deus, um dia, acendeu, nada pode destruir em nós o que Deus, um dia, tenha feito. Sejamos luz! 

(1) Liturgia das Horas - Volume Tempo comum - pp. 1350-1351

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