Vocação profética, um desafio
“Jesus lhes dizia:
'Um profeta só não é estimado em sua pátria,
entre seus parentes e familiares'.” (Mc 6,1)
Na quarta-feira da 4ª
Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho (Mc 6,1-6).
De fato, Deus nos chama
para que sejamos Suas testemunhas apesar de nossas limitações, fragilidades,
pois é, paradoxalmente, em nossa fraqueza que Ele manifesta a Sua força.
Contemplamos, através da
ação e presença de Jesus, esta ação divina, mas os conterrâneos de Jesus, em
Nazaré, não souberam ir ao encontro e acolher Deus na Pessoa de Jesus, o
Emanuel, Deus conosco, ao contrário, tiveram uma reação totalmente oposta, de rejeição,
indiferença; não conseguem reconhecer a presença de Deus naquilo que Ele diz e
faz.
Embora rejeitado pelos
Seus, a missão de Jesus pelo Pai a Ele confiada, não é invalidada e tão pouco
interrompida. Bem dizia São Francisco, pelos caminhos da Itália: “O
Amor não é amado”.
“Cristo Crucificado é o
emblema do Amor infinito de Deus por nós. Embora vergados sob a Cruz, com
coração obstinado, os homens desafiam a Sua onipotência; Ele permanece inerme
na Cruz, mostrando um Amor indefectível, mais forte que a morte.
[...] A Cruz de Cristo
revela a maldade humana, mas, mais ainda, revela o Amor de Deus. Aos pés da
Cruz de Cristo confrontam-se num dramático e perene duelo, ‘a fortaleza débil’
do homem e a ‘fraqueza forte’ de Deus. A fé é que nos revela quem é o vencedor”. (1)
Podemos nós também
acolher ou nos tornarmos indiferentes à proposta de Jesus, como Seus
conterrâneos, fechados em nossos esquemas mentais, preconceitos diversos, que
impedem o reconhecimento e acolhida d’Ele em nossa vida.
Isto também pode ocorrer
na missão dos discípulos; importa não se deixar levar pelo desânimo,
frustração, dificuldades.
Se grande é a
incredulidade humana, bem maior é o Amor de Deus por nós.
Tenhamos um olhar mais
atento aos grandes personagens da Bíblia, que viveram sua história de amor e
sedução por Deus, cada um em seu tempo: Ezequiel, o Apóstolo Paulo, e tantos
outros, para que na fidelidade ao Senhor, enraizemos profundamente em Seu Amor,
sem o que a chama profética se apagaria totalmente, e com isto não saberíamos
qual o sentido do próprio existir.
Precisa-se de Profetas
autênticos, para que o mundo seja mais próximo do que Deus quer para nós. Qual
é a nossa resposta?
No rosto humano de
Jesus, a divindade de Deus se revela, e no rosto divino de Jesus se revela a
Sua humanidade: em Jesus o humano e o divino se encontram.
A atitude de Jesus nos
convida a nunca desanimar e desistir: Deus tem Seus Projetos e sabe como
transformar o fracasso em êxito.
Pelo Batismo,
continuamos a missão de Jesus vivendo a vocação como graça e enfrentando as
possíveis dificuldades.
A missão do profeta, no
seguimento do Senhor, não é a busca do prazer, sucesso, vedetismo, holofotes,
mas é algo sério, profundo e que dá sentido à vida.
É Deus que nos chama
para a vocação profética, apesar de nossas limitações, mas somente uma paixão
profunda por Jesus nos fará profetas, aguentando o espinho na carne,
enfrentando e superando incompreensões, oposições e acusações.
Tão somente enraizados
no amor de Deus, nutridos pelo Pão da Imortalidade, iluminados pela Palavra do
Senhor, e com a força e luz do Santo Espírito, é que poderemos realizar, com
solicitude e ardor, a missão profética recebida no dia de nosso Batismo.
Quando da Eucaristia
autenticamente participamos, pela Palavra de Deus somos iluminados, e pelo Pão
da Imortalidade fortalecidos, renovamos e revigoramos a vocação profética que o
Senhor nos concedeu.
Que Deus nos conceda a
graça de uma fé humilde, disponibilidade confiante e obediência
filial, para vivermos autenticamente a missão que nos confia, não por
causa de nossa força e mérito, até mesmo por falta deles.
Reflitamos:
- Qual é a
minha vocação na Igreja e no mundo?
- Para
onde Deus me chama e me envia?
- Como se
manifesta em mim a graça divina?
- Para que
Deus me chama?
- A missão
do Profeta não é pelo prazer, mas em fidelidade ao Sopro do Espírito,
suportando as diversas dificuldades acima mencionadas. Sei suportar estas
dificuldades, provações, na vivência de minha vocação profética?
Voltemo-nos à oração
depois da Comunhão da Solenidade de São Pedro e São Paulo, que muito nos
fortalece no discipulado e missão, para sermos, hoje, os profetas no mundo como
Deus tanto espera.
Renovemos, dia a dia, a paixão
pelo Senhor e agradeçamos pela Graça Divina da Vocação profética.
Oremos:
“Concedei-nos,
ó Deus, por esta Eucaristia, viver de tal modo na Vossa Igreja que,
perseverando na Fração do Pão e na Doutrina dos Apóstolos, e enraizados no
Vosso Amor, sejamos um só coração e uma só alma. Por Cristo, Nosso Senhor.
Amém!”
(1) Lecionário
Comentado - Editora Paulus - pp.663-666.
PS:
Oportuno para o 14º Domingo do Tempo Comum - ano B