segunda-feira, 22 de julho de 2024

Sete verbos a conjugar e viver...

                                                 


Sete verbos a conjugar e viver...

A Palavra proclamada no Domingo de Páscoa:
At 10,34a.37-43; Sl 117; Cl 3,14; Jo 20,1-9

Sete verbos:
Amar, correr, ver, acreditar, anunciar, testemunhar e buscar.

A sequência das ações narrada no Evangelho:
Diante na notícia dada por Maria Madalena sobre o não encontro do corpo de Jesus, João, o discípulo que Jesus amavacorreu mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro. Depois de Pedro, ele entrou, viu e acreditou.

Como Pedro, na primeira leitura, João e os discípulos puseram-se a anunciar e a testemunhar a Ressurreição do Senhor.

Finalmente, o Apóstolo Paulo, na segunda Leitura, nos exorta a fazer todo esforço para buscarmos as coisas do alto, onde Deus habita.

Refletindo:
Quem ama corre, vai ao encontro do Amado, Jesus. Vê e acredita piamente que Ele Vive. Coloca a vida toda a serviço do Amado, porque tem o Amor, Seu Santo Espírito, para anunciar e testemunhar o Projeto de Amor e Vida que Deus tem para nós.

Nisto consiste o buscar as coisas do alto: pés no chão, olhar para o horizonte da eternidade onde Deus habita, irradiando a luz divina, aqui e agora, sobretudo nas situações mais sombrias e difíceis que possamos enfrentar, sendo sinal da misericórdia divina, multiplicando as obras de misericórdia corporais e espirituais.

Concluindo:

Sete verbos no imperativo, portanto, para nós, como discípulos missionários do Ressuscitado:

Ame, corra, veja, acredite, anuncie, testemunhe e busque as coisas do alto, com alegria, coragem e esperança! Pois, quando conjugamos estes sete verbos, e os expressamos com gestos concretos no quotidiano, é certeza de que a paz reinará em nossos corações, no coração da Igreja e do mundo. Amém. Aleluia! Aleluia!


PS: Apropriado para a Celebração da Festa de Santa Maria Madalena dia 22 de julho 

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Santa Maria Madalena: “Apóstola dos Apóstolos”

                                                                 


Santa Maria Madalena: “Apóstola dos Apóstolos”

Na Carta Apostólica “Mulieris Dignitatem”, escrita pelo Papa São João Paulo II (15/08/1988), na Solenidade da Assunção de Maria Santíssima, há uma menção à Santa Maria Madalena que ora retomamos, quando ouvimos a passagem do Evangelho em que ela tem papel fundamental como testemunha da Ressurreição do Senhor.

De fato, as mulheres são as primeiras testemunhas da Ressurreição, como vemos nas passagens dos Evangelhos: Mt 28,1-10; Lc 24,8-11; Jo 20,16-18.

Maria Madalena, é chamada de a “Apóstola dos Apóstolos”, segundo Santo Tomás de Aquino (séc XIII).

“Por isso ela é chamada também ‘a apóstola dos apóstolos’ Maria Madalena foi a testemunha ocular do Cristo ressuscitado antes dos Apóstolos e, por essa razão, foi também a primeira a dar-lhe testemunho diante dos apóstolos.

Este acontecimento, em certo sentido, coroa tudo o que foi dito em precedência sobre o ato de Cristo de confiar as verdades divinas às mulheres, de igual maneira que aos homens” (1).

A exemplo de Maria Madalena, que se pôs a caminho para comunicar a mais bela notícia, a Ressurreição do Senhor, assim também o façamos, sem demora.

Glorifiquemos a Deus, também, pelo protagonismos feminino na missão evangelizadora da Igreja, acompanhado de nossas orações.

Oremos:

“Ó Deus, o Vosso filho confiou a Maria Madalena o primeiro anúncio da alegria Pascal; dai-nos, por suas preces e a seu exemplo, anunciar também que o Cristo vive e contemplá-Lo na glória de Seu Reino. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.”


(1) Carta Apostólica “Mulieris Dignitatem”, n. 16 - Papa São João Paulo II (15/08/1988),

Maria Madalena, amiga e testemunha do Senhor

                                                              

Maria Madalena, amiga e testemunha do Senhor

Ele Vive! Aleluia!

No dia 22 de julho, celebramos a Festa de Santa Maria Madalena e ouvimos na Proclamação do Evangelho, a passagem do Evangelho de São João (Jo 20,1-2.11-18), em que Maria Madalena vai ao túmulo onde Jesus Se encontrava morto, para chorar a Sua ausência.

Neste relato, encontramos uma tríplice dimensão das narrativas de aparições: iniciativa, reconhecimento e missão.

Madalena procura um morto. Entretanto, o conhecimento do Ressuscitado não se dá no mero encontro com Jesus, que ainda permanece desconhecido, o encontro acontece quando Sua presença se torna apelo "pessoal": Maria!

Iluminadora a citação do Lecionário comentado:

Nesta página evangélica Maria Madalena passa da condição inicial de imobilidade e de choro junto do sepulcro, para jubiloso movimento conclusivo com o qual anuncia aos discípulos a sua experiência do Ressuscitado...

A estada de Maria junto do sepulcro é o sinal do seu apego a Jesus, e o seu pranto é determinado pela ausência do corpo do Mestre no túmulo” (1)

Somente quando ela faz o gesto de deter Jesus, temos a revelação do pleno sentido do acontecimento: a volta de Jesus ao Pai e a investidura para a missão do anúncio aos irmãos. Da iniciativa ao reconhecimento, do reconhecimento à missão!

O propósito do Evangelista é levar-nos a compreender o novo modo de presença do Senhor, bem como um o novo modo de entrar em contato com Ele.

Também tem o claro propósito de nos indicar que o novo modo de presença do Senhor entre nós, funda-se a Seu novo modo de "estar com o Pai", glorioso, ainda que não tenha subido para junto do Pai (v. 17):

“Maria não deve deter Jesus, como se Ele tivesse regressado à vida terrena. O Filho, pelo contrário, entrara na comunhão com o Pai, e ela é enviada a anunciar que esta comunhão é oferecida também aos discípulos.

A estes Maria proclama agora a sua fé: ‘Vi o Senhor’ e leva-lhes a mensagem Pascal'” (2)

Sendo nossa fé Pascal, é sempre tempo de exultarmos de alegria, porque a tristeza, o desânimo e o medo cederam lugar à alegria, à esperança e à coragem.

Urge que sejamos alegres testemunhas de Jesus Cristo Ressuscitado, renovando compromissos com uma humanidade nova, pacificadora e justa.

Redescubramos sempre a presença do Ressuscitado que caminha conosco, vivo e vitorioso. Prantos e lamentos não ocuparão lugar, em nosso coração, cedendo lugar para a alegria, a exultação.

Trocaremos palavras e gestos de mútua ajuda, para que jamais recuemos na fé, e assim renovemos nossos sagrados compromissos batismais.

Aprendamos com Maria Madalena a passar da procura ao reconhecimento, e deste à missão de testemunhar que Ele Vive, Ele Reina. Eis a nossa missão!


PS: Fonte de pesquisa: Missal Cotidiano - Editora Paulus - pp. 338-339
(1)          Lecionário Comentado - Volume Tempo Comum - Editora Paulus - Lisboa - p. 378.
(2)         idem - p. 379.

A Graça de anunciar a Palavra Divina

A Graça de anunciar a Palavra Divina

 “... a pregação é múnus apostólico,
angélico, cristão, divino”

Sejamos enriquecidos com este trecho de um dos Sermões do Presbítero São Lourenço de Bríndisi (Séc. XVI), Doutor da Igreja, Pregador assíduo e eficaz, cuja memória celebramos no dia 21 de julho.

“Para mantermos a vida espiritual, que nos é comum com os anjos do céu e os espíritos divinos, feitos eles e nós à imagem e semelhança de Deus, é necessário, sem dúvida, o Pão da Graça do Espírito Santo e da Caridade de Deus.

Mas a Graça e a Caridade sem a fé são nulas, porque sem fé é impossível agradar a Deus. E a fé também não nasce sem a pregação da Palavra de Deus: A fé vem pelo ouvido, pela audição da Palavra de Deus (cf. Rm 10,17).

Por conseguinte, a pregação da Palavra de Deus é necessária para a vida espiritual, assim como semear o é para manter a vida corporal.

Por isto Cristo diz: sai o que semeia a semear sua semente (Lc 8,5). Sai o que semeia, o pregoeiro da justiça; este pregoeiro lemos ser às vezes Deus que de viva voz dá do céu a todo o povo no deserto a lei da justiça; às vezes, um Anjo do Senhor, que no lugar do pranto censura o povo pela transgressão da Lei Divina e, ouvindo a advertência do anjo, todos os filhos de Israel de coração contrito elevaram a voz chorando com veemência; também Moisés pregou a todo o povo a Lei do Senhor, nos campos de Moab, como se lê no Deuteronômio.

Em seguida, veio Cristo, Deus e homem, para anunciar a Palavra do Senhor e enviou para isto os Apóstolos, assim como enviara antes os Profetas.

Portanto, a pregação é múnus apostólico, angélico, cristão, divino. A Palavra de Deus possui imenso valor, por ser como que o tesouro de todos os bens.

Pois daí vêm a fé, a esperança, a caridade, daí todas as virtudes, todos os Dons do Espírito Santo, todas as Bem- aventuranças Evangélicas, todas as boas obras, os méritos todos da vida, toda a glória do paraíso: Acolhei a Palavra inserida que pode salvar vossas almas (Tg 1,21).

A Palavra de Deus é Luz para a inteligência, Fogo para a vontade para que o homem possa conhecer e amar a Deus; para o homem interior, que no Espírito de Deus vive pela graça, é Pão e Água; porém pão mais doce que o mel e o favo; água melhor que o vinho e o leite.

É Tesouro Espiritual de méritos para a alma, por isto diz-se ouro e pedra preciosíssima. É Martelo contra a dura obstinação do coração nos vícios e contra a carne, o mundo e o demônio, Espada que mata todo pecado”.

Oremos para que se renove em cada Presbítero a graça de anunciar, proclamar, testemunhar a Palavra de Deus, pois não pregam a si mesmos, mas a Palavra d'Aquele que fala por nós e em nós!

Também  para que cada batizado faça o mesmo: acolher a Pessoa do Senhor, escutar Sua Palavra e vivê-la com toda intensidade e ardor.

Renovemos a graça que recebemos de ser sal da terra e luz do mundo, e participar da construção do Reino.

Oremos:

“Ó Deus, que, para a Vossa glória e salvação da humanidade destes a São Lourenço de Bríndise o Espírito de conselho e fortaleza, concedei-nos, pelo mesmo Espírito, conhecer o que devemos praticar, e por suas preces, realizá-lo.
Por N. S. J. C. Amém”.

PS : Liturgia das Horas – Vol.III – Pág. 1433-1434.

As mulheres e as virtudes cardeais

As mulheres e as virtudes cardeais

Em nossas comunidades, encontramos inúmeras mulheres discípulas missionárias do Senhor que, como Maria Madalena, a “Apóstola dos Apóstolos”, segundo Santo Tomás de Aquino, testemunham a fé no Cristo Ressuscitado, fazendo renascer, a cada dia, a esperança, porque inflamadas pela caridade.

Também, as encontramos em lares, escolas, hospitais, universidades, meios de comunicação, e em tantos outros lugares...

São elas movidas pelas virtudes cardeais (prudência, justiça, fortaleza e temperança); amantes da justiça, cujo fruto do trabalho são as virtudes, porque ensinam a temperança e a prudência, a justiça e a fortaleza (Sb 8, 7).

Mulheres prudentes, que dispõem da razão prática para discernir, em qualquer circunstância, o verdadeiro bem e para escolher os justos meios para atingi-lo; sem jamais confundir prudência com a timidez ou o medo, a duplicidade ou dissimulação.

Mulheres sedentas de justiça, movidas e comprometidas pela virtude moral da constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido.

Deste modo, desejam e lutam pelos direitos de todos estabelecendo harmonia nas relações humanas, objetivando a promoção do bem comum, vivendo com retidão de pensamentos e conduta.

Mulheres fortes, que em meio às dificuldades, enfrentando-as com coragem e ousadia, asseguram a firmeza e a constância na realização do bem; resistem às tentações de desistir e evadir do mundo, pondo-se quotidianamente de pé na superação dos obstáculos, vencendo os medos, mesmo da morte, enfrentando provações e, por vezes, perseguições e discriminações.

Vivem a renúncia de si mesmas, com o sacrifício da  própria vida, na defesa de uma causa justa, porque creem no Senhor e em Sua Palavra, e assim rezam – “O Senhor é a minha fortaleza e a minha glória” (Sl 118, 14); “No mundo haveis de sofrer tribulações: mas tende coragem! Eu venci o mundo!” (Jo 16, 33).

Mulheres que agem com Temperança, moderando a atração dos prazeres, encontram equilíbrio no uso dos bens criados; vivendo o domínio da vontade sobre os instintos, mantêm os desejos nos limites da honestidade, guardando sã discrição e não se deixando arrastar pelas paixões do coração.

São verdadeiramente Pascais, testemunhas corajosas do Ressuscitado, a quem dedico estas palavras do Bispo Santo Agostinho: “Viver bem é amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todo o proceder [...], de tal modo que se lhe dedica um amor incorrupto e íntegro (pela temperança), que mal algum poderá abalar (fortaleza), que a ninguém mais serve (justiça), que cuida de discernir todas as coisas para não se deixar surpreender pela astúcia e pela mentira (prudência)” .



PS: Publicado no jornal Folha Diocesana – Diocese de Guarulhos - Ed. n.264

A sagrada amizade de Maria Madalena com o Senhor

                                                   

A sagrada amizade de Maria Madalena com o Senhor

No dia 22 de julho, celebramos a Festa de Santa Maria Madalena, e a Liturgia da Palavra nos apresenta a passagem do Evangelho (Jo 20, 1-2.11-18).

Através da Homilia do Papa São Gregório Magno (séc. VI), vemos como Maria Madalena sentia o desejo de encontrar a Cristo, que julgava ter sido roubado, e assim renovemos mesmo amor pelo Cristo Ressuscitado.

“Maria Madalena, tendo ido ao sepulcro, não encontrou o corpo do Senhor. Julgando que fora roubado, foi avisar aos discípulos. Estes vieram também ao sepulcro, viram e acreditaram no que a mulher lhes dissera.

Sobre eles está escrito logo em seguida: Os discípulos voltaram então para casa (Jo 20,10). E depois acrescenta-se: Entretanto, Maria estava do lado de fora do túmulo chorando (Jo 20,11).

Este fato leva-nos a considerar quão forte era o amor que inflamava o espírito dessa mulher, que não se afastava do túmulo do Senhor, mesmo depois de os discípulos terem ido embora.

Procurava a quem não encontrara, chorava enquanto buscava e, abrasada no fogo do seu amor, sentia ardente saudade d'Aquele que julgava ter sido roubado. Por isso, só ela O viu então, porque só ela O ficou procurando.

Na verdade, a eficácia das obras está na perseverança, como afirma também a voz da Verdade: Quem perseverar até o fim, esse será salvo (Mt 10,22).

Ela começou a procurar e não encontrou nada; continuou a procurar, e conseguiu encontrar.

Os desejos foram aumentando com a espera, e fizeram com que chegasse a encontrar. Pois os desejos santos crescem com a demora; mas se diminuem com o adiamento, não são desejos autênticos.

Quem experimentou este amor ardente, pode alcançar a verdade. Por isso afirmou Davi: 'Minha alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus?' (Sl 41,3). Também a Igreja diz no Cântico dos Cânticos: 'Estou ferida de amor' (Ct 5,8). E ainda: 'Minha alma desfalece' (Ct 5,6).

'Mulher, por que choras? A quem procuras?' (Jo 20,15). É interrogada sobre o motivo de sua dor, para que aumente o seu desejo e, mencionando o nome de quem procurava, se inflame ainda mais o seu amor por Ele.

Então Jesus disse: 'Maria' (Jo 20,16). Depois de tê-la tratado pelo nome comum de mulher sem que ela o tenha reconhecido abertamente: 'Reconhece Aquele por quem és reconhecida. Não é entre outros, de maneira geral, que te conheço, mas especialmente a ti'.

Maria, chamada pelo próprio nome, reconhece quem lhe falou; e imediatamente exclama: 'Rabuni', que quer dizer Mestre (Jo 20,16).

Era Ele a quem Maria Madalena procurava exteriormente; entretanto, era Ele que a impelia interiormente a procurá-Lo.” (1)

Maria Madalena foi mencionada entre os discípulos de Cristo, esteve presente ao pé da Cruz e mereceu ser a primeira a ver o Redentor Ressuscitado, na madrugada da Ressurreição (Mc 16,9).

Santa Maria Madalena: que amor, que amizade!
Imitemos Maria Madalena, procuremos o Senhor!

Que nosso amor e amizade pelo Senhor
seja de tamanha intensidade e profundidade,
que O testemunhemos Vivo e Ressuscitado,
com renúncias quotidianas necessárias,
na fidelidade plena do carregar de nossa cruz!

Eis o verdadeiro amor que haveremos de
testemunhar por Cristo Jesus!


 (1) Lit. Horas – Vol. III - pág. 1435-1436.

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