sábado, 14 de fevereiro de 2026

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Só Deus nos garante a verdadeira felicidade (VIDTCA)

                                                             

Só Deus nos garante a verdadeira felicidade

"Enquanto o amor humano tende
a apossar-se do bem que encontra no seu objeto,
o Amor Divino cria o bem na criatura amada" .

Com a Liturgia do 6º Domingo do Tempo Comum (Ano A) refletimos o desdobramento do Sermão da Montanha, apresentado nos primeiros versículos do quinto capítulo do Evangelho de Mateus.

Vemos que Deus tem um Projeto de Salvação para a humanidade, mas somente na fidelidade a Ele e aos Seus Mandamentos é que alcançaremos vida plena e feliz.

Na passagem da primeira Leitura (Eclo 15, 16-21) encontramos uma mensagem clara e incontestável: Deus nos concede liberdade para escolhas. Se escolhermos Sua proposta, no cumprimento de Seus Mandamentos, teremos vida e felicidade. Porém, bem diferente será o que alcançaremos se d’Ele e de Sua Lei nos afastarmos, encontraremos o pecado e a morte.

O Povo de Deus, no século a. C, vivia um contexto de abandono da fé, com fortes influências da cultura helênica. O autor sagrado exorta a fidelidade a Deus e à Sua Palavra para que não perca a sua identidade, e com isto o afastamento da felicidade.

É explícito o tema: temos sempre que fazer escolhas: ou o caminho da vida e da felicidade, ou o caminho da morte, da desgraça (orgulho, egoísmo, autossuficiência, isolamento...).

Fomos criados por Deus e Ele nos concedeu o livre arbítrio, temos que saber escolher. Somos eternamente responsáveis pelas nossas escolhas, pela proximidade ou afastamento de Deus que elas trarão.

Reflitamos:

- De que modo usamos a liberdade que Deus nos concedeu?
Quais são nossas escolhas? Serão elas acertadas, conforme a vontade de Deus?

- Qual caminho trilhamos: da fidelidade ou indiferença à Proposta de Deus?

- Quais são as consequências de nossas escolhas? 
- Somos capazes de assumi-las sem atribuir culpas a Deus, em caso de resultados adversos?

Na passagem da segunda Leitura (1 Cor 2,6-10), mais uma vez o Apóstolo nos exorta a viver nossa fidelidade ao Senhor que, por amor sem medida, não evitou a Cruz. Nela Jesus viveu a doação total, o Amor que ama até o fim.

É na Cruz de Nosso Senhor Jesus que se encontra a mais bela história de Amor, em que Ele, o Filho Amado, vai até o extremo de Sua doação e Amor por nós; e como discípulos missionários do Senhor, haveremos de fazer o mesmo caminho.

Abraçar a Cruz, por amor, consiste na verdadeira sabedoria divina, infinitamente superior à sabedoria humana.

A verdadeira sabedoria vem, paradoxalmente, da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Apóstolo é convicto de que Jesus Cristo é o único Mestre e que a verdadeira sabedoria não é aquela que nasce do brilho e elegância das palavras, nem mesmo pela coerência dos sistemas filosóficos.

Na identificação total com Cristo, é o Espírito que nos anima e nos conduz, para que jamais recuemos na vida de fé, mas avancemos sempre para as águas mais profundas, na travessia do mar da vida.

A prática de Jesus nos revela que Deus não força ninguém a esta identificação, não força ninguém a segui-Lo, mas se quisermos segui-Lo, é preciso renúncias cotidianas, tomando a cruz e pondo-nos a caminho, na fidelidade total aos Mandamentos Divinos que nos conduzem nesta opção, sempre enamorados e apaixonados por Ele, Jesus, Nosso Senhor.

O cristianismo não é um conjunto de ideias, mas o encontro pessoal com Jesus Cristo que transformou  a nossa vida para sempre. Quem se encontrou com o Senhor, de fato, nunca mais será a mesma pessoa, e se torna impossível viver sem Ele e o Seu Amor.

Na passagem do Evangelho (Mt 5,17-37), Jesus com Seus ditos nos exorta à prática das Bem-Aventuranças, com seus desdobramentos no cotidiano.

Não será o cumprimento das regras externas que nos levará ao alcance da felicidade e de uma religião a Deus agradável, mas antes a atitude de adesão interior a Deus e à Sua Proposta.

O Missal Dominical afirma que “o amor é querer o bem do amado”. E com esta expressão sintetizamos a mensagem do Evangelho deste Domingo.

Viver as Bem-Aventuranças, e ser sal da terra e luz do mundo, é viver um amor que quer e cria o bem do amado. Isto nos remete a dois grandes Santos da Igreja, São Tomás de Aquino e São João da Cruz que, respectivamente, assim disseram:

“Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada" .

"O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do Amor, tornar aquele que Ama semelhante ao amado."

Por isto, Jesus dá quatro exemplos em que o amor verdadeiro e puro tem que falar mais alto, se sobrepondo a qualquer sentimento de ódio, indiferença, ira, posse, condenação, falsidade...:

1 - As relações fraternas e a contínua necessidade da reconciliação;
2- O adultério e a necessidade de conversão, vendo no outro a imagem e templo de Deus;
3 - A confirmação da aliança indissolúvel do matrimônio, desde a criação, ratificando, assim, o Plano de Deus;
4 - A importância de nos relacionarmos na sinceridade e na confiança, tornando os relacionamentos sadios e edificantes.

Em resumo, a questão essencial é: para quem quiser viver na dinâmica da Boa Nova do Reino de Deus, não basta o cumprimento rigoroso e escrupuloso da Lei, seguindo a casuística das regras da Lei.

É preciso que se tenha uma atitude interior nova, que revele um compromisso verdadeiro com Deus, envolvendo a pessoa toda, transformando seu coração, suas escolhas, seus relacionamentos, sua postura diante do Criador e Suas criaturas: em relação a Deus sejamos filhos e filhas, em relação ao próximo sejamos fraternos e solidários.

Reflitamos:

- Cumprimos os Mandamentos da Lei Divina por medo ou amor?

- Para Jesus, “não matar” é evitar tudo aquilo que cause dano ao próximo (egoísmo, prepotência, autoritarismo, injustiça, indiferença...). O que podemos evitar para que sejamos fiéis ao Senhor?

- Fazemos dos Mandamentos Divinos sinais indicadores no caminho que conduz à vida plena?

- Em que as afirmações dos Santos da Igreja, citadas acima, nos ajudam para que vivamos as Bem-Aventuranças e sejamos sal da terra e luz do mundo?

O Sermão de Nosso Senhor foi e continua sendo ouvido na montanha, mas é preciso que desçamos à planície do cotidiano. Eis o grande desafio para todos nós.

Temos a missão de ser sal da terra e luz do mundo. Por isto, se faz necessária a invocação da Sabedoria Divina, a Sabedoria do Santo Espírito, para que sejamos uma Igreja no coração do mundo, e ao mesmo tempo homens e mulheres do mundo no coração da Igreja.

Somente assim não seremos sal insípido, sem gosto, que para nada serve, como já nos alertara o Senhor.

Temos sede da Palavra de Deus (VIDTCA)

                                                       

Temos sede da Palavra de Deus

“O Senhor coloriu com muitos tons Sua Palavra.”

Sejamos enriquecidos pelo Comentário sobre o Diatéssaron, escrito pelo Diácono Santo Efrém (Séc. IV), em que nos apresenta a Palavra de Deus como fonte inexaurível de vida.

“Que inteligência poderá penetrar uma só de Vossas Palavras, Senhor? Como sedentos a beber de uma fonte, ali deixamos sempre mais do que aproveitamos.

A Palavra de Deus, diante das diversas percepções dos discípulos, oferece múltiplas facetas. O Senhor coloriu com muitos tons Sua Palavra. Assim, quem quiser conhecê-La, pode nela contemplar aquilo que lhe agrada. Nela escondeu inúmeros tesouros, para que neles se enriqueçam todos os que a eles se aplicarem.

A Palavra de Deus é a árvore da vida a oferecer-te por todos os lados o fruto abençoado, à semelhança do rochedo fendido no deserto que, por todo lado, jorrou a bebida espiritual. Comiam, diz o Apóstolo, do alimento espiritual e bebiam da bebida espiritual.

Se, portanto, alguém alcançar uma parcela desse tesouro, não pense que este seja o único conteúdo desta Palavra, mas considere que encontrou apenas uma porção do muito nela contido. Se só esta parcela esteve a seu alcance, não diga que essa Palavra seja pobre e estéril, nem a despreze. Pelo contrário, visto que não pode abraçá-La totalmente, dê graças por sua riqueza.

Alegra-te por seres vencido, não te entristeças por te ultrapassar. O sedento enche-se de gozo ao beber e não se aborrece por não poder esgotar a fonte. Vença a fonte a tua sede, mas não vença a tua sede a fonte.

Pois, se tua sede se sacia sem que a fonte se esgote, quando estiveres novamente sedento, dela poderás beber. Se, porém, saciada tua sede também se secasse a fonte, tua vitória redundaria em mal.

Dá graças, então, pelo que recebeste. Pelo que ainda restou e transbordou não te entristeças. Aquilo que recebeste e a que chegaste é a tua parte. O que sobrou é tua herança. Se, por fraqueza tua, em uma hora não consegues entender, em outras horas, se perseverares, poderás recebê-lo.

Não te esforces, com maligna intenção, por beber de um só trago aquilo que não pode ser tomado de uma vez. Não desistas, por indolência, de tomá-lo aos poucos”. (1)

Nisto consiste a riqueza da Palavra de Deus, e que a diferencia de todas as palavras e de todos os demais livros: a Palavra é sempre uma Boa-Nova, se lida com a luz e sabedoria do Espírito, e se  acolhida no mais profundo de nossos corações.

Bebamos desta fonte inesgotável, e uma vez saciada nossa sede, voltemos novamente a Ela, pois sempre nos enriquecerá e nos comunicará realidades novas.

A Palavra de Deus é viva e eficaz (Hb 4,12) e jorra abundantemente, para que não morramos de sede na travessia do deserto de nossa existência. Ela é fonte inesgotável de água cristalina para quem tem sede de amor, vida, verdade, paz, justiça e fraternidade.

(1) Liturgia das Horas - Volume I - Tempo Comum - pp. 173-174

O amor cristão

                                                               

O amor cristão

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração,
de toda tua alma, de todo teu entendimento,
e com toda a tua força. O segundo é este:
 Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
 Não existe outro Mandamento
maior do que este”
(Mc 12,30-31)

O amor cristão tem endereço, destino.
Ora aponta para o sentido vertical,
Ora desafiadoramente para o horizontal,
Ambos de forma total e incondicional.

O amor cristão tem dupla dimensão:
A Deus que não se vê e ao próximo que se vê.
Ama-se a Deus em cada próximo,
Ama-se o próximo em Deus.

O amor cristão tem um brilho próprio
Que irradia luz nas situações mais obscuras,
Porque procede da Divina Fonte de Luz,
Que é Aquele que tanto amamos: Jesus.

O amor cristão ressoa sempre como Boa Nova,
Para criar e recriar relacionamentos
Na mais bela e madura expressão:
A graça de dar e receber o perdão.

O amor cristão é o fermento indispensável
De um mundo novo que deve ser anunciado;
De relações justas e fraternas a serem restabelecidas,
Tornando a vida mais plena e mais bela.

O amor cristão tem um referencial
Que nos ama com amor imensurável:
A medida sem medida do Amor de Deus,
Que máxima expressão na Cruz aconteceu.

Amar como o Apóstolo Paulo cantou,
Infinitamente superior a quaisquer outros dons,
Porque o amor jamais passará,
Que dá novo sentido ao que somos e fazemos.

O amor cristão tem endereço, destino.
Volto à primeira de todas as afirmações sobre o amor cristão:
Urge endereçar nosso amor, concretizá-lo,
Para que nos credenciemos à eternidade.

Em poucas palavras...

                                                       


“Ama e faze o que queres...” 

“Ama e faze o que queres. Seja que cales, cala por amor, seja que fales, fala por amor; seja que corrijas, corrige por amor; seja que perdoes, perdoa por amor. Esteja em ti a raiz do amor, porque desta raiz não pode nascer outra coisa a não ser o bem”. (1)

 

(1) Santo Agostinho (séc. V) 

Santidade, um caminho a percorrer... (VIDTCA)

                                                           


Santidade, um caminho a percorrer...

Santidade:
Dom de Deus, missão nossa.
Iniciativa Divina, resposta nossa. 

Santidade não se alcança tão apenas com o esforço humano, mas por outro lado não o dispensa, em nenhum momento...

Contando com a graça e a força do Espírito, podemos alcançar a Santidade querida por Deus para todos nós, e oxalá também por nós desejada!

Santidade alcança-se pelo esforço por Jesus exortado: "... fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita." (Lc 13,24)

A Santidade vivida é certeza de salvação, mas “estreita” é a porta que nos conduz aos céus!

Trilhar o genuíno caminho da Santidade é viver o que o Sublime Mestre nos ensinou, as Bem-Aventuranças (Mt 5,1-12)

No Senhor revigoremos nossas forças,
e assim jamais da Santidade nos distanciemos,
neste caminho de graça e luz, trilhemos...

“O amor é o pleno cumprimento da Lei” (VIDTCA)

                                              


“O amor é o pleno cumprimento da Lei”

“Ouvistes o que foi dito... Eu, porém, digo-vos...”

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,17-37),  encontramos quatro antíteses apresentadas por Jesus Cristo, que não vem para abolir a Lei, mas para dar a ela o pleno cumprimento.

1ª - “Não matarás (Mt 5,21-26) – o Evangelista refere-se a nova interpretação de Jesus: não basta o não matar uma pessoa, é preciso abafar o mal na sua origem, impedi-lo que nasça e habite em nosso coração. A condenação não se limita ao momento de matar, mas é alargada a quem cultiva momentos de ira no coração, ou quem investe contra o seu próximo com ofensas. Não se pode ofender ninguém, e deve-se cultivar o máximo respeito de uns pelos outros.

2ª - Adultério (Mt 5,27-30) – Jesus não somente condena o adultério, como convida a cortar o mal pela raiz, condenando os pensamentos e desejos já presentes no coração. É preciso fazer todos os esforços para controlar e submeter os maus desejos ou desejos desonestos, bem como as paixões.

3ª - Divórcio (Mt 5,31-32) – Jesus afirma que o divórcio não pode dissolver a união abençoada por Deus, e com isto não se restitui aos cônjuges separados a liberdade de desposar outra pessoa, de modo que, aquele que repudia a esposa expõe ao adultério a si mesmo, a esposa, e quem quer que se case com ela.

4ª - Perjúrio (juramento) (Mt 5,33-37) – O juramento é uma prova de que as relações entre as pessoas são falsas. Se a mentira não existisse, não haveria motivo para recorrer ao juramento. Deste modo, Jesus vai à raiz do problema e afirma a não necessidade de se recorrer ao juramento, porque a linguagem de todos nós deve ser sempre sincera e reta – “Sim, sim; não, não”.

Dando pleno cumprimento à Lei, Jesus exige dos Seus seguidores um amor atento, profundo, capaz de perceber o espírito da Lei, porque parte do mais profundo do coração humano; trata-se, portanto de um espírito novo.

Deste modo o amor é o critério principal que deve caracterizar o discípulo de Jesus, pois ele vem primeiro que a observância da Lei, e até mesmo, antes do próprio culto oferecido a Deus. Se não houver amor, de nada adiantam a Lei e o Culto.

Portanto, é possível que não amemos de fato, e isto acontece quando:

- nos julgamos maiores que os outros;
- exigimos um respeito que destrói a própria fraternidade;
- nos tornamos mordazes, amargos, cáusticos matando, sobretudo com palavras;
- desonramos o irmão, ou o humilhamos com gestos ou com palavras;
- somos impacientes e demasiadamente exigentes, sem a atitude de misericórdia.

Ressoem as palavras do Apóstolo Paulo aos Romanos:

Não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor que deveis uns aos outros; pois quem ama o próximo, cumpre plenamente a Lei. De fato, os mandamentos: ‘Não cometerás adultério, não cometerás homicídio, não roubarás, não cobiçarás’, e qualquer outro mandamento, se resumem neste: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. O amor não faz nenhum mal contra o próximo. Portanto, o amor é o pleno cumprimento da Lei” (Rm 13,8-10).

Oremos:

Ó Deus, derramai sobre nós o Vosso amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo, para que amemos como Jesus amou e não sejamos escravos da Lei, e assim pautemos todo o nosso pensar e viver. Amém.


Fonte: Lecionário Comentado – Editora Paulus – Volume I – Tempo comum – pp.254-256

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