Dom Otacilio F. Lacerda
terça-feira, 4 de agosto de 2026
São João Maria Vianney, ensinai-nos a orar e amar
São João Maria Vianney, ensinai-nos a orar e amar
Sejamos enriquecidos pelos escritos do Catecismo escrita pelo Presbítero São João Maria Vianney (séc. XIX):
“Prestai atenção, meus filhinhos: o tesouro do cristão não está na terra, mas nos céus. Por isso, o nosso pensamento deve estar voltado para onde está o nosso tesouro. Esta é a mais bela profissão do homem: rezar e amar. Se rezais e amais, eis aí a felicidade do homem sobre a terra. A Oração nada mais é do que a união com Deus.
Quando alguém tem o coração puro e unido a Deus, sente em si mesmo uma suavidade e doçura que inebria, e uma luz maravilhosa que o envolve. Nesta íntima união, Deus e a alma são como dois pedaços de cera, fundidos num só, de tal modo que ninguém pode mais separar.
Como é bela esta união de Deus com Sua pequenina criatura! É uma felicidade impossível de se compreender.
Nós nos havíamos tornado indignos de rezar. Deus, porém, na Sua bondade, permitiu-nos falar com Ele. Nossa oração é o incenso que mais lhe agrada.
Meus filhinhos, o vosso coração é por demais pequeno, mas a oração o dilata e torna capaz de amar a Deus. A Oração faz saborear antecipadamente a felicidade do céu; é como o mel que se derrama sobre a alma e faz com que tudo nos seja doce.
Na Oração bem feita, os sofrimentos desaparecem, como a neve que se derrete sob os raios do sol.
Outro benefício que nos é dado pela oração: o tempo passa tão depressa e com tanta satisfação para o homem, que nem se percebe sua duração. Escutai: certa vez, quando eu era pároco em Bresse, tive que percorrer grandes distâncias para substituir quase todos os meus colegas que estavam doentes; nessas intermináveis caminhadas, rezava ao bom Senhor e – podeis crer! – o tempo não me parecia longo.
Há pessoas que mergulham profundamente na oração, como peixes na água, porque estão inteiramente entregues a Deus. Não há divisões em seus corações. Ó como eu amo estas almas generosas! São Francisco de Assis e Santa Clara viam nosso Senhor e conversavam com Ele do mesmo modo como nós conversamos uns com os outros.
Nós, ao invés, quantas vezes entramos na Igreja sem saber o que iremos pedir. E, no entanto, sempre que vamos ter com alguém, sabemos perfeitamente o motivo por que vamos.
Há até mesmo pessoas que parecem falar com Deus deste modo: 'Só tenho duas palavras para Vos dizer e logo ficar livre de Vós.'. Muitas vezes penso nisto: quando vamos adorar a Deus, podemos alcançar tudo o que desejamos, se o pedirmos com fé viva e coração puro.” (1)
São João Maria Vianney, Presbítero, também conhecido como Cura d’Ars, nasceu em 8 de maio de 1786 e faleceu em 4 de agosto de 1859, quando neste dia, como Igreja, celebramos sua Memória.
Padroeiro dos Párocos e responsáveis pelas paróquias. por mais de quarenta anos serviu a paróquia que lhe foi confiada na aldeia de Ars, perto de Belley, na Gália, com pregação ativa, oração e exemplo de penitência.
Catequizava diariamente crianças e adultos, reconciliava penitentes e, brilhando com ardente caridade retirada da Sagrada Eucaristia, avançou tanto que seus conselhos se espalharam amplamente, conduzindo muitos sabiamente a Deus.
Com palavras tão simples nos diz coisas tão profundas e salutares para alma. Como poucos, tinha a palavra certa para tantos quantos o procuraram, vindo de lugares tão diferentes e tão distantes.
São homens como Cura D’ars, como ele era chamado, que ficarão para sempre como luminares para a humanidade, pela configuração a Cristo, por quem a vida consagrou.
Oremos e multipliquemos gestos solidários e fraternos para que cada Presbítero ofereça sua pobreza nas mãos da Misericórdia Divina e, assim, alimentados pela força da oração, possa muitos conduzir a Ele, o Sumo e Eterno Sacerdote, Jesus Cristo. Amém!
Deste modo, é verdadeiramente a Face do Cristo Bom Pastor, Divino Semeador, Divino Multiplicador, que todos Presbíteros devem ser.
Como disse um autor do século II, na “Carta de Barnabé”, "Amemos como a pupila dos olhos aqueles que nos pregam a Palavra do Senhor".
(1) Liturgia das Horas – Volume IV – Editora Paulus – p.1145-1147
Amemos como Deus nos ama
Amemos como Deus nos ama
“Para colaborar com Deus é
necessário amar muito, como Cristo”.
Assim diz o Missal na reflexão da primeira Leitura (Jr 30,1-2.12-15.18-22), proclamada na terça-feira da 18ª Semana do Tempo Comum (ano par):
“Ainda hoje, enquanto os homens odeiam e destroem, Deus ama sempre e está em ação para reconstruir; enquanto forças ou tendências antagônicas se digladiam, Deus faz sempre algo novo, porque Sua obra é obra de amor. Para colaborar com Deus é necessário amar muito, como Cristo”.
Isto nos remete às palavras do Papa Francisco ao longo da XXXI Jornada Mundial da Juventude (Cracóvia):
“Uma só palavra gostaria de dizer para esclarecer. Quando eu falo de “guerra”, falo de guerra seriamente, não de “guerra de religiões”: não.
Existe guerra de interesses, existe guerra pelo dinheiro, existe guerra pelos recursos da natureza, existe guerra pelo domínio dos povos: esta é a guerra.
Alguém pode pensar: 'Está falando de guerra de religiões': não!
Todas as religiões, queremos a paz.
A guerra, a querem os outros. Entendido?”.
Por tudo isto, a Boa-Nova de Jesus e o Mandamento do amor a Deus e ao próximo, por Ele dado e também vivido, é o caminho para a construção de uma nova civilização, a “civilização do amor”.
É preciso repensar as relações e fortalecer tudo quanto possa criar elos entre as pessoas, edificação de “pontes de fraternidade” e não muros que isolam ou "trincheiras de guerra", seja de que nome for.
Portanto, ou pomos o fim a todas as guerras, ou colocamos em risco o próprio futuro da humanidade, e podemos contar com o irrenunciável amor de Deus e Sua ação que faz novas todas as coisas, porque, verdadeiramente a Sua obra é uma obra de amor, e o amor jamais passará (1 Cor 13).
Rezemos pela paz, comprometamo-nos com ela, a partir dos pequenos gestos cotidianos, em nível local, até em sua máxima expressão, em nível global, com matizes mundiais.
Em poucas palavras...
Contemplemos e fixemos nosso olhar de fé em Jesus
“A contemplação é o olhar da fé, fixado em Jesus. «Eu olho para Ele e Ele olha para mim» – dizia, no tempo do seu santo Cura, um camponês d'Ars em oração diante do sacrário. Esta atenção a Ele é renúncia ao «eu». O seu olhar purifica o coração.
A luz do olhar de Jesus ilumina os olhos do nosso coração; ensina-nos a ver tudo à luz da sua verdade e da sua compaixão para com todos os homens.
A contemplação dirige também o seu olhar para os Mistérios da vida de Cristo. E assim aprende «o conhecimento íntimo do Senhor» para mais O amar e seguir (Santo Inácio de Loyola).” (1)
(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2715
O amor é a fonte da Oração
O amor é a fonte da Oração
“A Oração... É como mel que se derrama
sobre a alma e faz com que tudo nos seja doce.”
Em Escola de tantos seguidores do Mestre, fiquemos com estes ensinamentos que rompem um pouco nossa surdez, fazem recuperar a visibilidade de caminhos e horizontes, às vezes, perdidos, que refazem nossa imperativa escuta da voz Divina, que falam aos ouvidos, mas, sobretudo ao coração de quem crê e ama.
No silêncio da Oração, mais que multiplicação das palavras, é a sua exata ausência, para que a Palavra possa ser ouvida e a Palavra é Ele mesmo: Jesus!
Na aparente ausência da Sua presença, reconhecê-Lo, ouvi-Lo; falar-Lhe; com Ele dialogar... Diálogo que se começa e não há desejo de findar: Isto é oração! Tão mais necessária é a Oração, quanto maior for o nosso amor pelo Amor.
Santo Ambrósio:
“Procurai pela leitura e encontrareis meditando, batei orando e vos será aberto pela contemplação”.
Santo Ambrósio:
“A Deus falamos quando rezamos; a Ele ouvimos quando lemos os divinos Oráculos”.
São João Damasceno:
“A Oração é a elevação da alma a Deus ou o pedido a Deus dos bens convenientes”.
Bispo e Doutor Santo Agostinho:
“Ele ora por nós como nosso Sacerdote, ora em nós como nossa cabeça, e recebe a nossa oração como nosso Deus. Reconheçamos n’Ele a nossa voz, e em nós a Sua voz”.
Santa Teresa do Menino Jesus:
“Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria”.
São João Maria Vianney – Presbítero (séc. XIX):
“A mais bela realidade do homem: rezar e amar. Se rezais e amais, eis aí a felicidade do homem sobre a terra.
A Oração nada mais é do que a união com Deus. Quando alguém tem o coração puro e unido a Deus sente em si mesmo uma suavidade e doçura que inebria, e uma luz maravilhosa que o envolve...
Nós nos havíamos tornado indignos de rezar. Deus, porém, na Sua bondade, permitiu-nos falar com Ele. Nossa Oração é o incenso que mais lhe agrada.
Meus filhinhos, o vosso coração é por demais pequeno, mas a Oração o dilata e torna capaz de amar a Deus.”
“A Oração faz saborear antecipadamente a felicidade do céu; é como mel que se derrama sobre a alma e faz com que tudo nos seja doce.
Na Oração bem feita, os sofrimentos desaparecem como a neve que se derrete sob os raios do sol.
Outro benefício que nos é dado pela Oração: o tempo passa tão depressa e com tanta satisfação para o homem, que nem se percebe sua duração...”.
Concluindo, com a Oração, apesar da aridez de nosso coração, Deus poderá fazer nascer a teimosa flor que traz consigo um anúncio: A vida vence a morte.
A Oração é o regar de toda semente,
para que floresça e dê seus frutos...
Jesus Misericordioso, ouvi-nos
Jesus Misericordioso, ouvi-nos
“Observavam, para verem
se Jesus curaria em dia de sábado”.
Jesus manso e humilde de coração,
Rosto vivo da misericórdia divina,
Contemplo a Vossa divina missão,
Quando passastes entre nós
Ensinando e curando nossas enfermidades.
Vosso olhar voltado para os enfermos,
Os envolvia, os libertava de toda a enfermidade.
Vossas palavras, com ternura e mansidão,
Ao mesmo tempo plenas de vigor e autoridade.
Qual Deus viveu tão imensa proximidade?
Jesus, cheio de compaixão pelos pequenos,
Conhecias o coração de cada um, bem como seus pensamentos.
Na mais imensa e indizível profundidade,
Conhecias toda a malícia e, também, a bondade;
Pleno cumpridor da Lei, sem jamais ferir a caridade.
Jesus, estendei para nós Vossas divinas mãos,
Ensinai-nos a viver a solidariedade e a fraternidade,
Firmai nossos passos na graça do discipulado,
Ajudai-nos a viver a fidelidade aos Vossos ensinamentos.
Em Vos colocamos toda a nossa vida, com toda confiança. Amém.
Fonte inspiradora: Passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,6-11);
Comentário do Missal Cotidiano – Editora Paulus – pp.1246-1247
apropriado para a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 2,23-3,6)
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