quinta-feira, 26 de março de 2026

Meditação Quaresmal: O que mais Deus poderia ter feito por nós?

                                                         

Meditação Quaresmal: O que mais Deus poderia ter feito por nós?

“ Deus, que não poupou Seu próprio Filho,
mas O entregou por todos nós, como é que,
com Ele, não nos daria tudo?”
(Rm 8,32).

A Liturgia da Quinta-feira da 5ª Semana do Tempo da Quaresma nos apresenta, como antífona da Comunhão, o versículo acima, que compreendemos dentro do contexto da passagem da Carta que o Apóstolo Paulo escreveu aos Romanos (Rm 8,31b-39).

O cristão, como discípulo missionário do Senhor, confiando no  amor de Deus, que se manifestou na Salvação realizada por meio de Jesus, o Filho de Deus, poderá enfrentar toda prova e tentação no testemunho de sua fé.

Assim como a vida cristã não está isenta de dificuldades externas e internas, terá que enfrentá-las e com a força divina, e assim poderá triunfar plenamente sobre elas.

Deste modo, o cristão sabe que nenhuma força e nenhum acontecimento podem superar o amor de Deus, e assim, nas situações mais tristes ou desafiadoras, não poderá perder a esperança, porque sabe que tem a garantia do amor, que o envolve e o acompanha em todo instante.

Este amor foi revelado por Jesus Cristo, e assim, inserido e envolvido pela complexidade, por vezes, obscura e monótona do cotidiano, manterá acesa a luz ardente da confiança.

Deus, que não poupou Seu Filho, e por meio d’Ele, por amor a nós, nada nos deixa faltar, e nada, absolutamente, poderá nos separar do Seu amor, como testemunhou o Apóstolo Paulo.


Fonte de pesquisa: Missal Cotidiano – Editora Paulus - pp.1435-1436.

“Creio na santa Igreja Católica”

                                                 


“Creio na santa Igreja Católica”

Reflexão à luz da Constituição Dogmática Lumen Gentium sobre a Igreja, do Concílio Vaticano II (n.9) - (Séc. XX):

Eis que virão dias, diz o Senhor, em que concluirei com a casa de Israel e a casa de Judá uma nova aliança... Imprimirei minha lei em suas entranhas, e hei de inscrevê-la em seu coração; serei seu Deus e eles serão meu povo... Todos me conhecerão, do menor ao maior deles, diz o Senhor (cf. Jr 31,31.33.34).

Foi essa a Aliança nova que Cristo instituiu, isto é, a nova aliança no Seu sangue, chamando judeus e pagãos para formarem um povo que se reunisse na unidade, não segundo a carne, mas no Espírito, e constituísse o novo povo de Deus.

Os que creem em Cristo, renascidos não de uma semente corruptível, mas incorruptível, pela Palavra do Deus vivo, não da carne, mas da água e do Espírito Santo, são por fim constituídos a raça escolhida, o sacerdócio do Reino, a nação santa, o povo que Ele conquistou... que antes não eram povo, agora, porém, são povo de Deus (1Pd 2,9.10).

Este povo messiânico tem por cabeça Cristo, que foi entregue por causa de nossos pecados e foi ressuscitado para nossa justificação (Rm 4,25) e agora, tendo recebido um nome que está acima de todo nome, reina gloriosamente nos céus.

Este povo tem a dignidade e a liberdade dos filhos de Deus, em cujos corações o Espírito Santo habita como em seu templo.

Tem como lei o novo mandamento de amar como o próprio Cristo nos amou. Tem como fim o Reino de Deus, que Ele mesmo iniciou na terra, e deve desenvolver-se sempre mais, até ser no fim dos tempos consumado pelo próprio Deus, quando Cristo, nossa vida, aparecer e a criação for libertada da escravidão da corrupção e, assim, participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus (Rm 8,21).

Portanto, o povo messiânico, embora não abranja atualmente todos os homens e apareça muitas vezes como um pequeno rebanho, é entretanto, para todo o gênero humano, fecundíssima semente de unidade, de esperança e de salvação.

Constituído por Cristo para uma comunhão de vida, de amor e de verdade, e por ele assumido para ser instrumento da redenção universal, é enviado ao mundo inteiro como luz do mundo e sal da terra. Assim como Israel segundo a carne, que peregrinava no deserto, já é chamado Igreja de Deus, também o novo Israel, que caminha neste mundo em busca da cidade futura e permanente, é chamado Igreja de Cristo, pois foi Ele que a adquiriu com o seu sangue, encheu-a de seu Espírito e dotou-a de meios aptos para uma união visível e social.

Deus convocou todos aqueles que olham com fé para Jesus, autor da salvação e princípio da unidade e da paz, e com eles constituiu a Igreja, a fim de que ela seja, para todos e para cada um, o sacramento visível desta unidade salvífica.”

À luz do parágrafo mencionado, professemos nossa fé na Santa Igreja Católica, como rezamos no “Credo”.

Profissão de fé: “Cremos na Santa Igreja Católica”:

Cremos que somos irmãos e irmãs, o povo conquistado por Deus, e somos felizes por nosso Deus é o Senhor: uma nação que Deus escolheu por sua herança.

Cremos que somos agora o povo de Deus; outrora excluídos da misericórdia, agora alcançamos a graça divina.

Cremos que, como povo de Deus, temos a dignidade e a liberdade dos filhos de Deus, em cujos corações o Espírito Santo habita como em seu templo.

Cremos que temos como Lei o novo mandamento: amar como o próprio Cristo nos amou.

Cremos, também, que temos como fim o Reino de Deus, que Ele mesmo, Jesus Cristo, vivo e Ressuscitado, iniciou na terra, e deve desenvolver-se sempre mais.

Cremos que, por isto, devemos ser sedentos e comprometidos com a promoção e defesa da vida, desde a concepção até seu declínio natural, na fidelidade a Deus, fonte de Vida e Salvação.

Cremos que, como Igreja, estamos a serviço do Reino, eterno e universal: Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz. Amém.

“O poder radiante da Cruz”

                                                                

“O poder radiante da Cruz”

A Promessa Divina e
a esperança humana se realizam...

Ouvimos na Quinta-feira da 5ª Semana do Tempo da Quaresma as passagens bíblicas que nos falam do poder radiante da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo.

N'Ele acontece o mais belo desejo humano: o que antes fora promessa, com Ele se cumpre plenamente. 

A Sua Encarnação, Sua Vida, pregação, Amor e doação se consumam na cruenta Morte, e Morte de Cruz. O Pai O ressuscitando, experimentamos e testemunhamos “o poder radiante da Cruz”, como rezamos no Prefácio da Missa no Tempo da Quaresma.

O Amor que fora descrito, ensaiado, experimentado, ainda que em sombras, agora se revela plenamente em raios de luz.

Na passagem da primeira Leitura (Gn 17,3-9), refletimos sobre a Aliança que Deus selou com Abrão. Realiza-se através desta o encontro da Promessa Divina e a Esperança humana. Quando Deus promete, compromete-Se plenamente e cumpre.

Vemos que é próprio de Deus, por Seu Amor eterno e desde sempre, entrar nos desejos e nos sonhos da humanidade, sem jamais sufocá-la. Por ser Amor não cabe em Si, portanto, dilata e eleva a alto grau, que ultrapassa a compreensão e categorias do pensamento humano.

A Aliança selada por Deus com Abrão não é um fato jurídico, com direitos e deveres estabelecidos; é muito mais do que isto: trata-se de uma relação de amor, “um fluxo e refluxo de gratuidade e gratidão”.

Deus Se dá por inteiro e por Amor, assegura descendência, prosperidade, felicidade, e de nossa parte a resposta de compromisso, fidelidade e gratidão.

Deus anseia desde os primeiros dias do Éden por uma relação de Amor, amizade e felicidade com o homem e a mulher, por isto os criou à Sua imagem e semelhança, mas nem sempre assim compreendemos e correspondemos. É a história do pecado, da ruptura, da desobediência, do pecado de nossos pais que perpetua em cada um de nós – o desejo de sermos deuses.

Ressoa a Palavra proclamada com o Salmo (Sl 104,4-9) em que se canta a fidelidade de Deus e Seu perene Amor.

Na passagem do Evangelho (Jo 8,51-59) acentua-se a polêmica e a rejeição das autoridades da pessoa e missão de Jesus. É extremamente forte a reação dos judeus manifestada em desprezo, ironia, sarcasmo e confronto cada vez mais evidente.

Jesus Se apresenta como Aquele que existiu desde o princípio – “Garanto-vos: antes que Abraão existisse, Eu sou” (Jo 8,58). E segundo o autor aos Hebreus (Hb 13,8) – “Jesus é o mesmo, ontem, hoje e será sempre”.

Jesus é a Promessa do Pai realizada. Encarna-Se para a redenção da humanidade, ainda que enfrente rejeição, condenação e Morte, mais que Abraão, Davi, Salomão, Moisés, João Batista.

“Jesus não é um entre os grandes, é o Deus feito homem por Amor! Entrando com humildade no mundo transforma-o em ‘casa de Deus’, fazendo parte da nossa história contingente torna-a história da Salvação divina, tomando sobre Si a natureza humana eleva-a a esfera divina. Ele é o maior dom que o Senhor deu à Humanidade”. (1)

Silenciemo-nos por um instante diante da Cruz de nosso Senhor, diante da qual devemos nos gloriar: “Quanto a mim, não aconteça gloriar-me senão na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gl 6,14).

Experimentemos e testemunhemos a força renovadora que emana do Senhor, do Seu Coração trespassado, agora Ressuscitado, à direita do Pai sentado, gloriosa e soberanamente.

Experimentemos o poder radiante da Cruz! 
Amém.


(1) Leccionário Comentado - Vol. Quaresma – Ed. Paulus pp. 246 – 249.

Maria, tão serena e plena de liberdade!

                                                 

Maria, tão serena e plena de liberdade!

Maria, tão serena e plena de liberdade!
Seja assim a Igreja, seja assim a nossa comunidade.
Seja assim também nossa família,
Na harmonia, diálogo, ternura e fidelidade.

Olhemos sempre para Maria, silenciosamente.
Contemplemos sua serena e plena liberdade
Na realização da vontade divina,
Com alegria e disponibilidade sem igual.

Maria, tão serena e plena de liberdade:
Na manhã da memorável Anunciação,
Na tarde da dolorosa Paixão,
Na manhã da Gloriosa Ressurreição.
No belo Dia de Pentecostes.

Maria, tão serena e plena de liberdade!
Meditemos o seu Sim, que ecoou em cada momento,
Sempre com confiança, esperança, coragem,
Irradiando amor e luz, sem desespero, crises ou estéreis lamentos.

Maria, tão serena e plena de liberdade!
Mais que rezar à Maria, rezemos como Maria.
Mais que pedir à Maria, ouçamos o que ela disse:
“Fazei tudo o que Ele Vos disser” (Jo 2, 5).

E assim, serenos e plenos de liberdade também seremos. 

A Oração do Justo e Inocente: Jesus

                                             

A Oração do Justo e Inocente: Jesus

“Ele ora por nós como nosso Sacerdote; ora em nós
como nossa cabeça e recebe a nossa Oração como nosso Deus”

Sejamos enriquecidos pelo Comentário sobre os Salmos, do Bispo Santo Agostinho (séc. V) sobre a oração do justo e inocente: Jesus Cristo:
“Deus não poderia conceder dom maior aos homens do que dar-lhes como Cabeça a Sua Palavra, pela qual criou todas as coisas, e a ela uni-los como membros, para que o Filho de Deus fosse também filho do homem, um só Deus com o Pai, um só homem com os homens. 

Por conseguinte, quando dirigimos a Deus nossas súplicas, não separemos d'Ele o Filho; e, quando o Corpo do Filho orar, não separe de si Sua Cabeça. Deste modo, o único salvador de Seu corpo, nosso Senhor Jesus Cristo, é o mesmo que ora por nós, ora em nós e recebe a nossa Oração.

Ele ora por nós como nosso Sacerdote; ora em nós como nossa cabeça e recebe a nossa Oração como nosso Deus. Reconheçamos n’Ele a nossa voz, e em nós a Sua voz. (...).

Ele ora na Sua condição de servo, e recebe a nossa Oração na Sua condição de Deus; ali é criatura, aqui o Criador; sem sofrer mudança, assumiu a condição mutável da criatura, fazendo de nós, juntamente com Ele, um só homem, cabeça e corpo. Nossa Oração, pois, se dirige a Ele, por Ele e n'Ele; oramos juntamente com Ele e Ele ora juntamente conosco.”

Não oramos aos ventos, mas a um Deus que, como homem em nosso meio, ao Pai súplicas e preces dirigiu com fortes gritos e lágrimas (Hb 5,7). A Oração do justo, do inocente, atravessa os céus e chega até Deus.

Como é bom sabermos que Jesus ora em todo momento por nós, como nosso Sumo e Eterno Sacerdote, como nosso Divino Intercessor junto do Pai, para que nos seja enviada a força, a luz e a sabedoria do Espírito. Não estamos sós, não ficamos órfãos. 

Não nos sentimos sozinhos em nossas “noites escuras”, no derramar das lágrimas no silêncio de nossa alma, no crepúsculo de uma esperança que cede lugar a uma nova. Pois é próprio do Amor de Deus ressuscitar em nosso coração a esperança, quando movidos pela fé autêntica que se visibiliza na prática da caridade bíblica, cantada pelo Apóstolo Paulo na Carta aos Coríntios.

Muito nos alegra e nos encoraja saber que Jesus ora em nós como nossa cabeça, para que não sejamos pedra de tropeço, mas pedras vivas, amadas e escolhidas no Novo Templo do Seu Corpo Místico, como refletimos no terceiro Domingo da Quaresma, quando o templo purificou, porque tomado pelo zelo do Amor de Deus, devorado pelo fogo abrasador do Amor de Deus, que não compactua com aqueles que  manipulam a ação divina, com o mau uso do nome de Deus, numa prática religiosa que contradiz a sua própria essência.

Não estamos desligados um dos outros. Somos Igreja, somos comunidade, somos membros uns dos outros. A alegria de um seja alegria do outro, da mesma forma, a vitória, os fracassos e os pecados chorados e reconciliados, para que todo o corpo vida nova tenha. Promover o bem da Igreja é missão de todos nós, assim como toda atividade evangelizadora.

Deste modo, Jesus acolhe nossa Oração porque é Deus, porque Se fez homem e conhece as nossas debilidades, fragilidades, limitações, mas também o nosso desejo profundo de santidade, sinceridade; desejo corajoso de ser como grão de trigo que morre para não ficar só, mas frutos abundantes produzir.

A Oração dos que padecem tribulações inocentemente não fica sem a resposta divina. Ele, Jesus, é Deus, e por Ele tudo foi criado e reconciliado. Deste modo jamais poderia se tornar indiferente e surdo ao clamor de quem a Ele recorrer, suplicar e as mãos elevar, se de coração puro e sincero.

Não ficaria indiferente à Oração Aquele que por nós Amor sem limites viveu e a glória da eternidade alcançou, vida plena e feliz nos possibilitou, porque não só apontou o caminho da eternidade, mas Se fez Caminho.

Não somente ensinou a Verdade, mas morreu por ela. Não só amou a Vida, mas entregou a Sua própria, em doação total, incondicional, em fidelidade abismal para que todos vida plena tenhamos, para que a vida fosse mais bela; fosse como deveria ser.

“Paraíso saudade” de nada adianta. Sejamos discípulos d'Aquele que ora por nós, em nós e recebe a nossa Oração; que nos faz comprometidos com o Paraíso que um dia haverá de acontecer, movidos pelas Virtudes Teologais  Fé, Esperança e Caridade  nos movam.

PS: Liturgia das Horas – Vol. II – pp. 329-330.
Oportuno para a Celebração da Memória de Nossa Senhora das Dores  15 de setembro, quando se proclama a Carta aos Hebreus (Hb 5,7-9)

Em poucas palavras...

                                                        

“...Ó admirável poder da Cruz!” 

“...Ó admirável poder da Cruz! Ó inefável glória da Paixão! Nela se encontra o tribunal do Senhor, o julgamento do mundo, o poder do Crucificado! 

... Porque Vossa Cruz é fonte de todas as Bênçãos e origem de todas as graças. Por ela, os que creem recebem na sua fraqueza a força, na humilhação, a glória, na morte, a vida.” (1)

 

 

(1) Sermão do Papa São Leão Magno (Séc. V)

Em poucas palavras...

                                                  


                            Jesus: Sacerdote, Sacrifício, Templo e Deus

“É Cristo, com efeito, que, por Si só, ofereceu tudo o quanto sabia ser necessário para a nossa Redenção; Ele é ao mesmo tempo Sacerdote e Sacrifício, Templo e Deus. 

Sacerdote, por quem somos reconciliados; Sacrifício, pelo qual somos reconciliados; Templo, onde somos reconciliados; Deus, com quem somos reconciliados. Entretanto, só Ele é o Sacerdote, o Sacrifício e o Templo, enquanto Deus na condição de Servo; mas na Sua condição divina, Ele é Deus com o Pai e o Espírito Santo.”  (1) 

 

(1)Tratado sobre a fé de Pedro, do Bispo São Fulgêncio de Ruspe, século IV.

 

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