terça-feira, 3 de março de 2026

Em poucas águas...

 


“Nascentes, lençóis de água e pântanos”

“Em nosso percurso existencial encontramos, muitas vezes, pessoas que são verdadeiras nascentes. São límpidas e transparentes, inspiradoras e mobilizadora, habitualmente delicadas. Estar na presença delas é saciar nossa sede, saímos renovados. São pessoas-fonte que despertam em nós o desejo de acessar nosso manancial interior de desejos, criatividade e busca… É ali, na fonte interior, que a vida se renova.

Outras vezes nos encontramos com pessoas que são verdadeiros lençóis de água. Subterrâneas, circulam debaixo da terra, discretas, silenciosas, mas surpreendentemente criativas. Trabalham no silêncio e fazem mover a engrenagem do mundo com seus gestos escondidos, simples, mas eficazes; suas presenças fazem a diferença. Sem elas não seria possível a vida.

É certo que também há as pessoas pântano, pessoas charco, pessoas “águas paradas” ou águas poluídas, pessoas “enxurrada” que tudo destroem. Claramente, nem todas as águas são boas!” (1)

 

(1) Comentário sobre a passagem do Evangelho de João (Jo 4,5-42) – Adroaldo Palaoro, SJ

 

 

Quaresma: tempo de nossa purificação

                                                          

Quaresma: tempo de nossa purificação

Nas Laudes, do primeiro sábado da Quaresma, rezamos estes versículos do Livro do Profeta Isaías: 

"Lavai-vos, purificai-vos. Tirai a maldade de vossas ações de minha frente. Deixai de fazer o mal! Aprendei a fazer o bem! Procurai o direito, corrigi o opressor. Julgai a causa do órfão, defendei a viúva. Vinde, debatamos - diz o Senhor. Ainda que vossos pecados sejam como púrpura, tornar-se-ão brancos como a neve. Se forem vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como lã" (Is 1, 16-18).

Retomando atentamente o versículo 18, veremos que o Profeta nos ensina, a partir de onze verbos, a nos purificarmos de nossos pecados, e deste modo, ainda que sejam como púrpura se tornem brancos como a neve, ou se vermelho como o carmesim, se tornem como lã: 

1 - Lavai-vos.
2 - Purificai-vos.
3 - Tirai a maldade de vossas ações de minha frente.
4 - Deixai de fazer o mal!
5 - Aprendei a fazer o bem!
6 - Procurai o direito.
7 - Corrigi o opressor.
8 - Julgai a causa do órfão.
9 - Defendei a viúva.
10- Vinde.
11 - Debatamos - diz o Senhor.

A vivência intensa da Quaresma requer de nós o reconhecimento de nossa condição pecadora, diante da misericórdia divina: reconhecer nossos pecados e confessá-los, sobretudo no Sacramento da Penitência, como expressão maior desta misericórdia.

Como breve roteiro, ele possa nos ajudar nesta atitude penitencial, para nossa reflexão a fim de vivermos este tempo favorável de reconciliação, graça e salvação, como o Apóstolo Paulo nos exorta em memorável passagem (2 Cor 5,20-6,2). 
 


PS: Apropriada para a 2ª terça-feira da Quaresma, quando se proclama na primeira Leitura - Is 1,10.16-20

Oração para a 6ª Semana Social Brasileira – Leste II

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Oração para a 6ª Semana Social Brasileira – Leste II

Ó Deus, Pai de infinita bondade,
Vos adoramos em comunhão com Vosso Filho, Jesus de Nazaré,
E em sua Encarnação por meio do Espírito Santo,
Palavra que se fez Carne no seio de uma mulher
E se fez classe na oficina de um operário.

Vós que sois tão grande e habitais nas alturas,
Por meio do Vosso Filho que se fez tão pequeno,
Carícia infinita nas mãos de um operário,
Com pés de peregrino pelas ruas e praças,
Ao lado dos sem terra, sem teto e sem trabalho.

Por meio do Vosso Filho entre nós,
Inaugurastes uma nova história,
Senhor de nossa vida num mundo sem fronteiras,
Caminhando conosco no mutirão pela vida.

Com O Verbo ao fazer-Se Pão partilhado na Eucaristia
Saciastes não com migalhas de amor,
Mas tornastes companheiro e uma fonte inesgotável
De coragem, fortaleza, comunhão e esperança
Num mundo com Terra, Teto e Trabalho para todos.

Ó Deus, por meio do Vosso Filho Jesus,
Glorificamos por nos ter assegurado as moradas celestiais,
E pedimos a sabedoria do Vosso Espírito
Para que sejamos fortalecidos em nossa luta
Por trabalho, moradia e terra para todos
Com dignidade, justiça e vida plena.

Ó Deus, derramai sobre nós Vossa graça,
Para que com coragem construamos
Uma sociedade politicamente democrática,
Economicamente justa, ecologicamente sustentável
E culturalmente plural.

Cremos que, por meio do Vosso Filho Ressuscitado,
As forças da morte foram vencidas,
Tudo foi reconciliado e vida nova inaugurada,
Sinais de um novo céu e nova terra,
Sem pranto, dor, lágrima, luto e sofrimento.

Partícipes do Reino por Vosso Filho inaugurado,
Firmemos nossos passos nesta direção,
Até que todo nome, toda raça, toda carne e todo credo
Culminem numa criação redimida
E possam cantar glória a Deus nas alturas
E paz na terra aos seus amados. Amém!


Autores: Pe. Nelito Nonato Dornelas – Diocese de Governador Valadares

Dom Otacilio Ferreira de Lacerda - Bispo da Diocese de Guanhães – MG Referencial da Ação Sócio Transformadora do Regional Leste 2

Culto e profecia

                                                            

Culto e profecia

“Vossas mãos estão cheias de sangue!
Lavai-vos e purificai-vos”  (Is 1,15-16).

À luz da passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 1,16-18), oremos:

Senhor, fazei com que o brado de Isaías, tão carregado de dramaticidade, nos sensibilize, para não apresentarmos a Vós ofertas inúteis, acompanhadas de incenso, pois seria abominável.

Senhor, dirigi nossos passos, para que o amor e a verdade se encontrem em nosso ser e agir, pensamentos e palavras, no relacionamento cotidiano com nosso próximo.

Senhor, que jamais Vos ofereçamos sacrifícios, louvores e orações com as mãos gotejadas de sangue, e, assim, jamais nos descuidemos da promoção da justiça.

Senhor, não apenas queremos participar assiduamente das Missas, e nela rezar pelas necessidades dos pobres, órfãos, mas nos empenharmos concretamente em favor deles.

Senhor, ajudai-nos a viver uma fé comprometida, oferecendo nossas mãos, força, inteligência e voz, para que a paz e a justiça floresçam e reinem em todo o mundo. Amém!


Fonte de inspiração: Comentário do Missal Cotidiano, Editora Paulus, 1997, p.1019.
Apropriada para reflexão da passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 1,10.16-20) proclamada na terça-feira da segunda semana da Quaresma.

Reconheçamos nossos pecados

                                            

Reconheçamos nossos pecados

“O pecado é fratura, divisão, dilaceramento.
Ele pode insinuar-se em nossa vida de fé
e separar a fé da vida”.

Na segunda terça-feira da Quaresma, ouvimos as seguintes passagens: Is 1, 10.16-20; Sl 49; Mt 23,1-12, e refletimos sobre nossa conduta, para que tenhamos uma prática religiosa mais sincera e autêntica, revendo nossas atitudes e, sobretudo, reconhecendo nossos pecados.

Mas o que é o pecado?
No comentário do Missal Cotidiano, assim lemos: “O pecado é fratura, divisão, dilaceramento. Ele pode insinuar-se em nossa vida de fé e separar a fé da vida”.(1)

À luz das Leituras, podemos dizer que o pecado é quando dissociamos o que cremos e ensinamos do que vivemos: quando cresce a distância entre o Evangelho que anunciamos e as linhas da história que escrevemos, nos mais diversos âmbitos.

Pecado é a não realização da vontade divina, que encontramos em Sua Palavra, Leis e Mandamentos a serem vividos, expressos no Decálogo, ou nos dois maiores Mandamentos que o Senhor nos deu: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.

Deste modo, quando o pecado cria raízes em nosso coração, produz frutos que não nos permitem a realização dos desígnios divinos, e de modo especial, a vocação à santidade para a qual nos predestinou. Ao contrário, são produzidos frutos amargos, que roubam a alegria, o gosto e o sentido do existir, a beleza do viver.

Pecado, deste modo, é fratura, divisão e dilaceramento, porque nos fragiliza, cria animosidades, fomenta rivalidades, cega-nos diante de Deus e do outro e do mundo em que vivemos.

Pecados cometidos, sem penitência, conversão, confissão e novos compromissos com a promoção do bem comum, da vida dos empobrecidos (como nos fala o Profeta), é a perda da graça e do amor, que são derramados abundantemente em nosso coração pelo Espírito Santo (cf. Rm 5,5).

A Quaresma é tempo de reconhecermos nossa condição finita, frágil e pecadora, e de pedirmos a Deus que nos ajude a nos libertarmos das amarras dos pecados.

Tão somente reconciliados com Deus e com os irmãos, não desperdiçaremos este Tempo favorável de nossa salvação, como nos exortou o Apóstolo Paulo em sua Carta: – “Em nome de Cristo, nós vos suplicamosdeixai-vos reconciliar com Deus... Como colaboradores de Cristo, nós vos exortamos a não receberdes em vão a graça de Deus” (2Cor 5,20-6,2).

Reconheçamos nossos pecados e os confessemos diante da misericórdia divina. Porém a confissão de pecados requer sempre novas atitudes, novas posturas, um novo começo, afinal, Deus pode fazer novas todas as coisas.

Coloquemo-nos, portanto, diante da misericórdia de Deus, que veio ao nosso encontro na Pessoa de Jesus, e com Sua Morte e Ressurreição, o Espírito nos foi enviado, para o perdão de nossos pecados.

Evidentemente que, amados e perdoados por Deus, novos compromissos com o Reino se renovam em nosso coração, e nos empenhamos por mundo mais justo, fraterno, dando verdadeiro conteúdo à nossa prática religiosa. 

(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - 1998 - p, 207

MINISTÉRIO DE CATEQUISTAS: GRAÇA E MISSÃO


 

MINISTÉRIO DE CATEQUISTAS: GRAÇA E MISSÃO


Com a Carta Apostólica em forma de “Motu Proprio – Antiquum Ministerium” (03/12)21), o Papa Francisco  nos agraciou com a possibilidade da Instituição de Ministério de Catequistas.


Lembra-nos que o  bispo é o primeiro catequista com os presbíteros e conta com os catequistas para que a mensagem do Evangelho seja anunciada, recorda as palavras do Papa São Paulo VI:


“Os catequistas são preciosos para a implantação, a vida e o crescimento da Igreja e para a sua capacidade de irradiar a própria mensagem à sua volta  e para aqueles que estão distantes.” (São Paulo VI – EN – n. 73)


O Ministério de Catequista é um ministério estável, sem desmerecer a missão de tantos catequistas que continuam, ainda que sem a instituição, e que também devem viver mesmas exigências, e não se trata de maior ou menor importância na missão evangelizadora.


Algumas exigências para recebê-lo são apresentadas pelo Papa:


- Testemunha de uma fé profunda;
- Mestre para os que lhe são confiados;
 
- Mistagogo (instrutor dos mistérios divinos, enraizado na didática litúrgica);
- Acompanhador;
 
- Instrui em nome da Igreja;
- Possui maturidade humana;
 
- São colaboradores dos padres;
- Possuem atitude de acolhimento;
 
- Vivem a generosidade de vida;
- São instrumentos de comunhão fraterna;
 
- Possuem mínima formação bíblica, pastoral e pedagógica.
 

As exigências para manter vivo o Ministério:


- Oração (Sobretudo a Eucaristia);
- Estudo;
- Participação ativa da comunidade;
- Coerência de vida;
- Responsabilidade.

Fundamentais as Palavras do Papa São João Paulo II, na "Catechesi Tradendae" (1979), convidando os catequistas confiarem na ação do Espírito Santo e com a intercessão de Maria, Mãe e discípula de Jesus, um Catecismo vivo, a primeira catequista e modelo para os/as Catequistas.



PS: Parte da homilia da Missa celebrada dia 22 de fevereiro de 2026, na Catedral de Guanhães, quando foi Instituído o Ministério de Catequista para 19 catequistas de nossas paróquias da Diocese de Guanhães.

Ó Maria, mãe e modelo de discípula/o (súplica)

                                                         

Ó Maria, mãe e modelo de discípula/o (súplica)


Ó  Virgem Santíssima do Pentecostes, Vós que vistes vosso Filho Jesus crescer «em sabedoria, em estatura e em graça» (1), confiamos totalmente em vossa intercessão e vos louvamos, ó Mãe de Deus e Senhora nossa: 

- Pela maternidade do Verbo que Se fez Carne e veio morar entre nós (2), e tivestes a graça de tê-Lo sobre os vossos joelhos e ouvi-Lo, pleno de graça e de verdade, durante a sua vida oculta em Nazaré;

- Por serdes a primeira dos Seus discípulos quanto ao tempo, pois já  no encontro do vosso Filho no templo, acolhestes humildemente Suas lições e as conservastes no coração (3);

- Por ser a primeira também, sobretudo, em grau de profundidade, pois ninguém foi assim «ensinado por Deus» (4);

- Por que fostes  «Mãe e discípula ao mesmo tempo», mas para vós, ser discípula foi mais importante do que ser mãe (5).

Nós vos louvamos e expressamos todo o nosso carinho, porque sois «um catecismo vivo», «mãe e modelo dos catequistas», totalmente aberta à vontade e presença divinas, pela ação do Espírito Santo.

Nós, Catequistas, contamos com a vossa intercessão para que como Mãe da Igreja, avancemos na catequese que favoreça a iniciação à vida cristã de todas as pessoas, na fidelidade à missão inalienável e universal recebida do vosso Filho e Senhor Nosso:  «Ide e ensinai todas as gentes» (6). Amém.

 

(1)    Lc 2,52

(2)   Jo 1,14

(3)  Lc 2,51

(4)  Jo 6,45)

(5)   Santo Agostinho Cf. Sermão 25,7: PL 46,937-938

(6)  Mt 28,19

 

Fonte: Exortação Apostólica  «CATECHESI TRADENDAE» de Sua Santidade João Paulo II, ao Episcopado, ao Clero e aos fiéis de toda a Igreja sobre a Catequese do nosso tempo (1979) n. 73

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