domingo, 22 de março de 2026

sábado, 21 de março de 2026

Os amigos do Senhor não morrem para sempre (VDTQA)

                                                   

Os amigos do Senhor não morrem para sempre

A Liturgia do 5º Domingo da Quaresma (ano A) nos convida a refletir sobre a ressurreição de Lázaro, contemplando a ação e o poder de Jesus Cristo sobre tudo, inclusive sobre a própria morte.

Somente Deus pode nos dar uma vida que ultrapasse a vida biológica: a vida eterna, que vence a morte pela Ressurreição de Jesus Cristo.

Com este sinal, renovamos e professamos nossa fé em Cristo, que é Ressurreição para a nossa vida: “Eu sou a Ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá” (Jo 11,25).

A primeira Leitura é uma passagem do Livro do Profeta Ezequiel. Em um contexto de dor, sofrimento, lágrimas, luto, Ezequiel, o Profeta da esperança, enfrenta o exílio, a deportação, a desolação, com o desafio de plantar a esperança no coração de quem em nada mais cria, nada mais esperava (Ez 37,12-14).

Os “ossos ressequidos”, que voltarão a ter vida, mencionados ao longo capítulo, sinalizam que ainda há esperança:

“Ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas e conduzir-vos para a terra de Israel” (Ez 37, 12). E ainda: “Porei em vós o meu espírito, para que vivais e vos colocarei em vossa terra. Então sabereis que Eu, o Senhor, digo e faço – oráculo do Senhor” (Ez 37, 14).

Reflitamos:

- De que modo sou um sinal de esperança, assim como foi o Profeta Ezequiel?
- Quais são as realidades de morte que clamam pela ação profética, como Igreja que somos?

Com a passagem da segunda Leitura (Rm 8,8-11), o Apóstolo Paulo reacende, também em nós, a esperança e vida eterna, pois o Espírito de Deus tudo vivifica:

“Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo Seu Espírito que habita em vós.” (Rm 8,11). De fato, Deus tem um Projeto de salvação e vida plena para todos.

Deste modo, o batizado deve ser coerente em suas atitudes, para realizar as obras de Deus e viver segundo o Espírito, plenamente aberto aos desígnios divinos, na obediência e adesão a Jesus Cristo; na acolhida da graça; na acolhida do Espírito Santo, que comunica vida nova plena e definitiva. Todo o batizado é alguém que escolheu identificar-se com Cristo.

A mensagem é um convite a viver segundo o Espírito, numa vida pautada pelos valores da caridade, da alegria, da paz, da fidelidade e da temperança. É preciso abandonar as obras da carne (autossuficiência, ciúmes, ódio, ambição, inveja, libertinagem), como vemos também na Carta aos Gálatas (cf. Gl 5,1-12).

Reflitamos:

- Vivemos segundo as obras da carne ou do Espírito?
- Abrimo-nos à ação do Espírito que nos renova e vivifica?

Na passagem do Evangelho (Jo 11,1-45), com a ressurreição de Lázaro, amigo do Senhor, vemos que Jesus tem poder sobre a vida e a morte, e a ressurreição do amigo é o grande sinal deste poder.

A compaixão de Jesus para com Lázaro, ressuscitando-o, revela-nos, também, que ser amigo de Jesus, é aderir à Sua proposta, numa vida de entrega e obediência ao Pai, como Ele assim o fez:

Ser amigo de Jesus é saber que Ele é Ressurreição e a vida e que dá aos Seus a vida plena, em todos os momentos. Ele não evita a morte física; mas a morte física é, para os que aderiram a Jesus; apenas a passagem (imediata) para a vida verdadeira e definitiva. Para os ‘amigos’ de Jesus – para aqueles que acolhem a sua proposta e fazem da sua vida uma entrega a Deus e um dom aos irmãos – não há morte... Podemos chorar a saudade pela partida de um irmão, mas temos de saber que, ao deixar este mundo, ele encontrou a vida plena, na glória de Deus” (1).

Há uma questão fundamental que se sobressai neste Domingo: “não há morte para os ‘amigos’ de Jesus – isto é, para aqueles que acolhem a sua proposta e que aceitam fazer da sua vida uma entrega ao Pai e um dom aos irmãos. Os ‘amigos’ de Jesus experimentam a morte física; mas essa morte não é destruição e aniquilação: é, apenas, a passagem para a vida definitiva. Mesmo que estejam privados da vida biológica, não estão mortos: encontram a vida plena junta de Deus.” (2)

Além da morte de alguém muito querido e da própria morte, como expressão máxima de dor, muitas vezes, em nossa existência, passamos por situações de desespero em que tudo parece ruir, a vida parece perder todo o seu sentido.

Pode ser o enfraquecimento de laços familiares; a indesejável e sofrível traição de um amigo ou de alguém que tenhamos em alta estima; a perda de um emprego; a solidão devoradora, que se prolonga com as horas; a falta de perspectivas e objetivos; o vazio da alma; o desencanto com o outro; e outras inúmeras situações com “matizes sepulcrais”.

Quando parece não haver mais esperança, Deus lança a mais preciosa semente da vida e tudo então se renova, floresce, frutifica.

Em Deus e com Deus, há esperança de que as coisas novas virão: a morte cederá lugar à vida, a violência à paz, a dor ao prazer, o luto à Ressurreição, o sacrifício, acompanhado de eternos louvores, à eternidade!

É preciso sair do sepulcro e avançar, dando um decidido passo ao encontro da Vida Plena, que somente Jesus pode nos oferecer (cf. Jo 10,10).

É n’Ele que esta promessa se cumpre, é n’Ele que somos arrancados das sepulturas da vida e da sepultura da morte; é no Seu Espírito Santo, derramado sobre nós, que o Pai nos vivifica. Jesus nos devolve o sentido derradeiro de nossa existência.

Não podemos sucumbir, curvar-nos diante da morte e, muito menos, nos fecharmos num sepulcro, sem futuro e sem esperança.

Bem sabemos que vivemos num mundo que procura desesperadamente a vida, a felicidade...

Urge neste tempo favorável de conversão e salvação, renovar nossos compromissos com a construção do Reino, amando e servindo a Jesus, Senhor da vida e da morte, a fim de que Ele reine em nosso coração e em todo o Universo.

Da mesma forma, que sementes de justiça e paz sejam lançadas, para que todos tenham vida, e a tenham em abundância.

Numa época como a nossa, em que se tem sede de um sentido para a existência, Jesus Se apresenta a nós como a própria Vida,  Ressurreição e Aquele que tem coração, rosto, voz e Amor sem fim!

Entreguemo-nos ao Espírito que habita em nós, para nos comprometermos com a plenitude de vida, que somente Deus pode nos alcançar.

Reflitamos:

- Como é a nossa amizade com o Senhor?
- Quais são os sinais de morte que clamam por vida, e nos desafiam aos compromissos concretos de solidariedade em sua transformação?

- Cremos em Jesus, Ressurreição e Vida, n’Ele vivendo e crendo, com a esperança da promessa da vida eterna?

A vida tem sentido quando não perdemos a esperança, cultivamos a fé, com gestos multiplicados de caridade, e cada passo deve ser dado com plena confiança em Deus, que jamais nos abandona e jamais nos decepciona.

Nem a vida nem a morte podem nos separar de Deus e dos Seus planos para nós, como tão bem expressou o Apóstolo Paulo:

“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada?” (Rm 8, 35)

  

(1) Citação extraída do site: http://www.dehonianos.org/portal/default.asp

(2) Idem

Suplico-Vos, Senhor! Água, Luz e Vida! (súplica)

                                                       


Suplico-Vos, Senhor! Água, Luz e Vida!

Senhor, a Vós, que sois a Palavra que Se fez Carne,
suplico-Vos:

Vós, que sois a Divina Fonte de Água Viva da humanidade,
Dai-me, neste dia, a água cristalina que possuís
Para a sede de minha alma saciar.

Vós, que sois a Luz que não se apaga, 
que ilumina a escuridão do viver,
Dai-me o colírio da fé para minha cegueira curar.

Vós, que sois a Ressurreição e a Vida plena,
Fortalecei-me para enfrentar os sinais de morte.
Suplico-Vos, Senhor, porque em Vós eu piamente creio. Amém.

Palavras e atos para bem celebrar a Páscoa do Senhor (VDTQA)

                                                 

Palavras e atos para bem celebrar a Páscoa do Senhor 

Sejamos enriquecidos por uma das Cartas Pascais escritas pelo Bispo Santo Atanásio (Séc. IV), em que nos convida a Celebrar, com palavras e atos, a Festa do Senhor que se aproxima, e que esperamos de coração contrito e humilhado (cf. Sl 50). 

“Está próximo de nós o Verbo de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, que Se fez tudo por nós, e promete estar conosco para sempre. Ele o proclama com estas palavras: ‘Eis que Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo’ (Mt 28,20). 

E porque quis fazer-Se tudo para nós, Ele é o nosso Pastor, Sumo Sacerdote, caminho e porta; e é também a nossa festa e solenidade como diz o Apóstolo: ‘O nosso Cordeiro Pascal, Cristo, já está imolado’ (1Cor 5,7). 

Cristo, esperança dos homens, veio ao nosso encontro, dando novo sentido às palavras do salmista: ‘Vós sois a minha alegria; livrai-me daqueles que me cercam’(cf. Sl 31,7). 

Esta é a verdadeira alegria, esta é a verdadeira solenidade: vermo-nos livres do mal. Para tanto, que cada um se esforce por viver em santidade e medite interiormente na paz e no temor de Deus. 

Os Santos, enquanto viviam neste mundo, estavam sempre alegres, como em contínua festa. Um deles, o bem-aventurado Davi, levantava-se de noite, não uma, mas sete vezes, para atrair com suas preces a benevolência de Deus. 

Outro, o grande Moisés, exprimia a sua alegria entoando hinos e cânticos de louvor a Deus pela vitória alcançada sobre o Faraó e sobre todos os que tinham oprimido o povo hebreu. Outros, ainda, dedicavam-se alegremente ao exercício contínuo do culto sagrado, como o grande Samuel e o bem-aventurado Elias. 

Todos eles, pelo mérito das suas obras, já alcançaram a liberdade e celebram no céu a festa eterna. Alegram-se com a lembrança da sua peregrinação terrena, vivida entre as sombras do que havia de vir e, passado o tempo das figuras, contemplam agora a verdadeira realidade. 

E nós, que nos preparamos para a grande solenidade, que caminho havemos de seguir? Ao aproximarem-se as festas pascais, a quem tomaremos por guia? Certamente nenhum outro, amados irmãos, senão Aquele a quem chamamos nosso Senhor Jesus Cristo, e que disse: ‘Eu sou o caminho’ (Jo 14,6). 

É Ele, como diz São João, ‘que tira o pecado do mundo’ (Jo 1,29); é Ele que purifica nossas almas, como declara o profeta Jeremias: ‘Parai um pouco na estrada para observar, e perguntai sobre os antigos caminhos, e qual será o melhor, para seguirdes por ele; assim ficareis mais tranquilos em vossos corações’ (Jr 6,16). 

Outrora, era com sangue de bodes e a cinza de novilhas que se aspergiam os que estavam impuros, mas só os corpos ficavam purificados. Agora, pela graça do Verbo de Deus, alcançamos a purificação total. Se seguirmos a Cristo, poderemos sentir-nos desde já nos átrios da Jerusalém celeste e saborear de antemão as primícias daquela Festa eterna. 

Assim fizeram os Apóstolos, que foram e continuam a ser os mestres desta graça divina, porque seguiram o Salvador; diziam eles: ‘Nós deixamos tudo e Te seguimos’ (Mt 19,17). 

Sigamos também nós o Senhor; preparemo-nos para celebrar a Festa do Senhor, não apenas com palavras, mas também com nossos atos.”

Nossas comunidades multiplicam, nestes dias, reuniões para a devida preparação da Semana Santa, o que é absolutamente necessário: roteiros, proclamações, reflexões, cantos, pequenos e grandes detalhes, que não podem ser esquecidos e que não devem ser improvisados. 

Também se multipliquem momentos sagrados, como Vigílias, Sacramento da Penitência, Vias-Sacras, Grupos de Reflexão (novena) sobre a temática da Campanha da Fraternidade, momentos de oração em família, Missas e Celebrações. 

Tudo isto é fundamental, mas como o Bispo exorta, “preparemos não apenas com palavras, mas também com nossos atos”. Aqui é oportuno lembrar a vivência fecunda dos exercícios quaresmais que a Igreja nos propõe, de modo especial neste Tempo da Quaresma: oração, jejum e esmola.

Verdadeiros discípulos missionários do Senhor que desejam segui-Lo, portanto, jamais poderão:

-  Separar palavra do ato, o crer do viver, o anúncio do testemunho, as verdades professadas das ações acompanhadas;

- Reduzir a fé a discursos teóricos, vazios de conteúdo, porque não acompanhado das obras, o que os condenaria à morte, como nos lembra São Tiago em sua Carta (Tg 2,26);

-  Ser sinal de esperança no mundo, se esta não for acompanhada da ação, da participação, em total confiança em Deus, que não nos infantiliza em imobilismos estéreis;

- Reduzir o Mandamento do Amor, que o Senhor nos ordenou, a meros e passageiros sentimentos do coração, mas fogo abrasador que não se apaga, que inflama a alma, o coração e todo o nosso ser, dando matizes Pascais ao nosso existir. 

Vivendo a fé, dando razão de nossa esperança contra toda falta de esperança, e amando o nosso próximo como Jesus nos ama, caminhamos para a eternidade.  

Concluamos com as palavras do Papa Francisco, na introdução de sua Mensagem para a Quaresma de 2017, uma exortação à prática da misericórdia e solidariedade para com o outro, vendo neste, um dom de Deus, para ser amado, acolhido, valorizado e promovido: 

“A Quaresma é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola.  

Na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui queria deter-me, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). 

Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como temos de agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, incitando-nos a uma sincera conversão”.       

Quaresma: tempo favorável para aprendermos com os que nos antecederam (patriarcas, Profetas, Santos e Mártires) a entrelaçar mais intensamente o que celebramos e o que vivemos, para exultar de alegria na Páscoa do Senhor que se aproxima. 


Em poucas palavras... (VDTQA)

                                                        


A oração de Jesus na ressurreição de Lázaro

Na segunda oração referida por São João (Jo 11,41-42), antes da ressurreição de Lázaro:

“A ação de graças precede o acontecimento: «Pai, Eu Te dou graças por Me teres escutado», o que implica que o Pai atende sempre o que Lhe pede; e Jesus acrescenta logo: «Eu bem sabia que Tu Me atendes sempre», o que implica, por seu turno, que Jesus pede constantemente.

Assim, apoiada na ação de graças, a oração de Jesus revela-nos como devemos pedir: Antes de Lhe ser dado o que pede, Jesus adere aquele que dá e se dá nos seus dons.

O Doador é mais precioso do que dom concedido, é o «tesouro», e é n'Ele que está o coração do Filho; o dom é dado «por acréscimo» (Mt 6,21.33).” (1)

 

(1)  Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2604

Em poucas palavras... (VDTQA)

 


“Cremos na Ressurreição da carne”

“Nós cremos e esperamos firmemente que, tal como Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos e vive para sempre, assim também os justos, depois da morte, viverão para sempre com Cristo ressuscitado, e que Ele os ressuscitará no último dia (Jo 6,39-40). 

Tal como a d'Ele, também a nossa ressurreição será obra da Santíssima Trindade:

«Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós» (cf. Rm 8, 11; 1 Ts 4,14; 1 Cor 6,14; 2 Cor 4,14; Fl 3,10-11).

 

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo 989

Em poucas palavras... (VDTQA)

                                           


A Ressurreição de Cristo

“A Ressurreição de Cristo não foi um regresso à vida terrena, como no caso das ressurreições que Ele tinha realizado antes da Páscoa: a filha de Jairo, o jovem de Naim e Lázaro. 

Esses fatos eram acontecimentos milagrosos, mas as pessoas miraculadas reencontravam, pelo poder de Jesus, uma vida terrena «normal»: em dado momento, voltariam a morrer.

A Ressurreição de Cristo é essencialmente diferente. No Seu corpo ressuscitado, Ele passa do estado de morte a uma outra vida, para além do tempo e do espaço. 

O corpo de Cristo é, na ressurreição, cheio do poder do Espírito Santo; participa da vida divina no estado da Sua glória, de tal modo que São Paulo pode dizer de Cristo que Ele é o «homem celeste» (1 Cor 15,35-50).”(1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 646

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