sábado, 21 de março de 2026

Minhas reflexões no Youtube

 
Acesse:

https://www.youtube.com/c/DomOtacilioFerreiradeLacerd d brba 

Os amigos do Senhor não morrem para sempre (VDTQA)

                                                   

Os amigos do Senhor não morrem para sempre

A Liturgia do 5º Domingo da Quaresma (ano A) nos convida a refletir sobre a ressurreição de Lázaro, contemplando a ação e o poder de Jesus Cristo sobre tudo, inclusive sobre a própria morte.

Somente Deus pode nos dar uma vida que ultrapasse a vida biológica: a vida eterna, que vence a morte pela Ressurreição de Jesus Cristo.

Com este sinal, renovamos e professamos nossa fé em Cristo, que é Ressurreição para a nossa vida: “Eu sou a Ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra, viverá” (Jo 11,25).

A primeira Leitura é uma passagem do Livro do Profeta Ezequiel. Em um contexto de dor, sofrimento, lágrimas, luto, Ezequiel, o Profeta da esperança, enfrenta o exílio, a deportação, a desolação, com o desafio de plantar a esperança no coração de quem em nada mais cria, nada mais esperava (Ez 37,12-14).

Os “ossos ressequidos”, que voltarão a ter vida, mencionados ao longo capítulo, sinalizam que ainda há esperança:

“Ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas e conduzir-vos para a terra de Israel” (Ez 37, 12). E ainda: “Porei em vós o meu espírito, para que vivais e vos colocarei em vossa terra. Então sabereis que Eu, o Senhor, digo e faço – oráculo do Senhor” (Ez 37, 14).

Reflitamos:

- De que modo sou um sinal de esperança, assim como foi o Profeta Ezequiel?
- Quais são as realidades de morte que clamam pela ação profética, como Igreja que somos?

Com a passagem da segunda Leitura (Rm 8,8-11), o Apóstolo Paulo reacende, também em nós, a esperança e vida eterna, pois o Espírito de Deus tudo vivifica:

“Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo Seu Espírito que habita em vós.” (Rm 8,11). De fato, Deus tem um Projeto de salvação e vida plena para todos.

Deste modo, o batizado deve ser coerente em suas atitudes, para realizar as obras de Deus e viver segundo o Espírito, plenamente aberto aos desígnios divinos, na obediência e adesão a Jesus Cristo; na acolhida da graça; na acolhida do Espírito Santo, que comunica vida nova plena e definitiva. Todo o batizado é alguém que escolheu identificar-se com Cristo.

A mensagem é um convite a viver segundo o Espírito, numa vida pautada pelos valores da caridade, da alegria, da paz, da fidelidade e da temperança. É preciso abandonar as obras da carne (autossuficiência, ciúmes, ódio, ambição, inveja, libertinagem), como vemos também na Carta aos Gálatas (cf. Gl 5,1-12).

Reflitamos:

- Vivemos segundo as obras da carne ou do Espírito?
- Abrimo-nos à ação do Espírito que nos renova e vivifica?

Na passagem do Evangelho (Jo 11,1-45), com a ressurreição de Lázaro, amigo do Senhor, vemos que Jesus tem poder sobre a vida e a morte, e a ressurreição do amigo é o grande sinal deste poder.

A compaixão de Jesus para com Lázaro, ressuscitando-o, revela-nos, também, que ser amigo de Jesus, é aderir à Sua proposta, numa vida de entrega e obediência ao Pai, como Ele assim o fez:

Ser amigo de Jesus é saber que Ele é Ressurreição e a vida e que dá aos Seus a vida plena, em todos os momentos. Ele não evita a morte física; mas a morte física é, para os que aderiram a Jesus; apenas a passagem (imediata) para a vida verdadeira e definitiva. Para os ‘amigos’ de Jesus – para aqueles que acolhem a sua proposta e fazem da sua vida uma entrega a Deus e um dom aos irmãos – não há morte... Podemos chorar a saudade pela partida de um irmão, mas temos de saber que, ao deixar este mundo, ele encontrou a vida plena, na glória de Deus” (1).

Há uma questão fundamental que se sobressai neste Domingo: “não há morte para os ‘amigos’ de Jesus – isto é, para aqueles que acolhem a sua proposta e que aceitam fazer da sua vida uma entrega ao Pai e um dom aos irmãos. Os ‘amigos’ de Jesus experimentam a morte física; mas essa morte não é destruição e aniquilação: é, apenas, a passagem para a vida definitiva. Mesmo que estejam privados da vida biológica, não estão mortos: encontram a vida plena junta de Deus.” (2)

Além da morte de alguém muito querido e da própria morte, como expressão máxima de dor, muitas vezes, em nossa existência, passamos por situações de desespero em que tudo parece ruir, a vida parece perder todo o seu sentido.

Pode ser o enfraquecimento de laços familiares; a indesejável e sofrível traição de um amigo ou de alguém que tenhamos em alta estima; a perda de um emprego; a solidão devoradora, que se prolonga com as horas; a falta de perspectivas e objetivos; o vazio da alma; o desencanto com o outro; e outras inúmeras situações com “matizes sepulcrais”.

Quando parece não haver mais esperança, Deus lança a mais preciosa semente da vida e tudo então se renova, floresce, frutifica.

Em Deus e com Deus, há esperança de que as coisas novas virão: a morte cederá lugar à vida, a violência à paz, a dor ao prazer, o luto à Ressurreição, o sacrifício, acompanhado de eternos louvores, à eternidade!

É preciso sair do sepulcro e avançar, dando um decidido passo ao encontro da Vida Plena, que somente Jesus pode nos oferecer (cf. Jo 10,10).

É n’Ele que esta promessa se cumpre, é n’Ele que somos arrancados das sepulturas da vida e da sepultura da morte; é no Seu Espírito Santo, derramado sobre nós, que o Pai nos vivifica. Jesus nos devolve o sentido derradeiro de nossa existência.

Não podemos sucumbir, curvar-nos diante da morte e, muito menos, nos fecharmos num sepulcro, sem futuro e sem esperança.

Bem sabemos que vivemos num mundo que procura desesperadamente a vida, a felicidade...

Urge neste tempo favorável de conversão e salvação, renovar nossos compromissos com a construção do Reino, amando e servindo a Jesus, Senhor da vida e da morte, a fim de que Ele reine em nosso coração e em todo o Universo.

Da mesma forma, que sementes de justiça e paz sejam lançadas, para que todos tenham vida, e a tenham em abundância.

Numa época como a nossa, em que se tem sede de um sentido para a existência, Jesus Se apresenta a nós como a própria Vida,  Ressurreição e Aquele que tem coração, rosto, voz e Amor sem fim!

Entreguemo-nos ao Espírito que habita em nós, para nos comprometermos com a plenitude de vida, que somente Deus pode nos alcançar.

Reflitamos:

- Como é a nossa amizade com o Senhor?
- Quais são os sinais de morte que clamam por vida, e nos desafiam aos compromissos concretos de solidariedade em sua transformação?

- Cremos em Jesus, Ressurreição e Vida, n’Ele vivendo e crendo, com a esperança da promessa da vida eterna?

A vida tem sentido quando não perdemos a esperança, cultivamos a fé, com gestos multiplicados de caridade, e cada passo deve ser dado com plena confiança em Deus, que jamais nos abandona e jamais nos decepciona.

Nem a vida nem a morte podem nos separar de Deus e dos Seus planos para nós, como tão bem expressou o Apóstolo Paulo:

“Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada?” (Rm 8, 35)

  

(1) Citação extraída do site: http://www.dehonianos.org/portal/default.asp

(2) Idem

Em poucas palavras... (VDTQA)

 


A ressurreição do amigo Lázaro

“Sendo Ele verdadeiro homem, chorou o amigo Lázaro e, Deus eterno, do túmulo o tirou.

Compadecido da humanidade, leva-nos à vida nova pelos mistérios pascais" (1)

(1)        Prefácio do Quinto Domingo da Quaresma – quando for proclamado o Evangelho de Lázaro

 

Oração da 5ª Romaria das Águas e da Terra da Bacia do Rio Doce

                                                        

        Oração da 5ª Romaria das Águas e da Terra da Bacia do Rio Doce 

Ó Bom Jesus, aos Vossos pés, colocamo-nos, confiantes, celebrando a 5ª Romaria das Águas e da Terra da Bacia do Rio Doce. Acolhidos em Vosso Santuário, em Conceição do Mato Dentro, trazemos a dor e o sofrimento de nossos irmãos e irmãs, diante dos desmandos da mineração, do agro e hidronegócio, dos monocultivos e do consumismo desenfreado, que ceifam vidas, levam à exaustão os bens da natureza, poluem a terra, destroem matas e rios, escravizam a mão de obra humana e fortalecem uma economia a serviço do lucro e não da vida e dos povos.
 
Sob a Vossa graça e bênção, fortalecem nossas esperanças e lutas, o testemunho de tantos profetas e profetizas, de ontem e de hoje, de perto e de longe, quais discípulos missionários que doaram suas vidas no anúncio do Evangelho da Vida, na defesa dos povos e do meio ambiente.
 
Dai-nos coragem, discernimento e perseverança, para respondermos, à altura, aos muitos desafios a serem enfrentados no compromisso com a vida, a dignidade e a justiça.
 
Fazei-nos, ó Bom Jesus, instrumentos Vossos a serviço da ecologia integral, guardiões da Casa Comum, para realizar Vosso Plano de Amor, no cuidado com a Mãe Terra, com as Águas e com a Vida, em prol da recuperação de nossa Bacia do Rio Doce e da construção da sociedade do bem viver e do conviver, sinal do Vosso Reino de Vida, Verdade, Justiça e Paz. Amém.
 
PS: Realizada dia 4 de setembro de 2022 em Conceição do Mato Dentro - MG

Bendito seja Deus pela água…

                                                      

Bendito seja Deus pela água…

Amanhã, Dia Mundial da Água, cabe a nós sem nenhuma possibilidade de omissão, por uma espiritualidade bíblica e ecológica resgatar a beleza da criação, onde a água é elemento vital e perpassa toda a Sagrada Escritura.

Retomo uma Oração que não deve ficar guardada em nossos arquivos, mas que seja sempre forte apelo de conversão para que este bem tão precioso jamais nos falte e também às gerações futuras.

Oração da Campanha da Fraternidade – 2004

"Bendito sejais, ó Deus Criador, pela água, criatura Vossa,
Fonte de vida para a Terra e os seres que a povoam.
Bendito sejais, ó Pai Providente, pelos rios e mares imensos,
pela bênção das chuvas, pelas fontes refrescantes
e pelas águas secretas do seio da terra.

Bendito sejais, ó Deus Salvador, pela água feita vinho em Caná,
pela bacia do lava-pés e pela fonte regeneradora do Batismo.
Perdoai-nos, Senhor Misericordioso,
pela contaminação das águas, pelo desperdício e pelo egoísmo
que privam os irmãos desse bem tão necessário à vida.

Dai-nos, ó Espírito de Deus, um coração fraterno e solidário,
para usarmos a água com sabedoria e prudência
e para não deixar que ela falte a nenhuma de Vossas criaturas.
Ó Cristo, Vós que também tivestes sede,
ensinai-nos a dar de beber a quem tem sede.

E concedei-nos com fartura a Água Viva
que brota de Vosso Coração e jorra para a Vida Eterna.
Amém.”

Bendito seja Deus pela água, 
e que ela não falte para milhões de irmãs e irmãos nossos. 
Amém.

Enriquecidos e fortalecidos pelos Prefácios da Quaresma

        

    

Enriquecidos e fortalecidos pelos Prefácios da Quaresma

 
A fim de vivermos mais intensamente o itinerário quaresmal que iniciamos com a Quarta-feira de cinzas, sejamos enriquecidos por parte dos Prefácios, pela Igreja oferecidos neste Tempo (devendo ser escolhido conforme a indicação litúrgica do dia, de acordo com o Evangelho proclamado):

Prefácio da Quaresma I – O sentido espiritual da Quaresma:

“Todos os anos concedeis a vossos fiéis a graça de se prepararem para celebrar os sacramentos pascais, na alegria de um coração purificado, para que, dedicando-se mais intensamente à oração e às obras de caridade e celebrando os mistérios pelos quais renasceram, alcancem a plenitude da filiação divina."

 Prefácio da Quaresma II – A penitência espiritual:

"Pois estabelecestes este tempo privilegiado de salvação, para que vossos filhos e filhas, livres dos afetos desordenados, recuperem a pureza do coração, e, usando as coisas que passam, dediquem-se mais às que não passam."

Prefácio da Quaresma III – Os frutos da abstinência:

"Vós quisestes que vos rendêssemos graças, por meio da abstinência, para que, por ela, nós pecadores, moderemos nossos excessos, e, partilhando o alimento com os necessitados, sejamos imitadores da vossa bondade."

Prefácio da Quaresma IV – Os frutos do Jejum:

“Pelo jejum quaresmal, corrigis nossos vícios, elevais nosso espírito, e nos dais força e recompensa, por Cristo, Senhor nosso."

Prefácio da Quaresma V – O Êxodo no deserto Quaresmal:

'Vós reabris para a Igreja, durante esta Quaresma, a estrada do êxodo, para que ela, aos pés da montanha sagrada, humildemente tome consciência de sua vocação de povo da Aliança, convocado para cantar vossos louvores, escutar Vossa Palavra e experimentar os vossos prodígios."

Prefácio do Primeiro Domingo da Quaresma – A tentação do Senhor:

"Jejuando quarenta dias, Jesus consagrou a observância quaresmal, e desarmando as ciladas da antiga serpente, ensinou-nos a vencer o fermento da maldade, para que, pela digna celebração do mistério pascal, passemos, um dia, à Páscoa eterna."

Prefácio do Segundo Domingo da Quaresma – A Transfiguração do Senhor:

"Tendo predito aos discípulos a própria morte, Jesus lhes mostra, na montanha sagrada, todo o Seu esplendor. E com o testemunho da Lei e dos Profetas, nos ensina que, pela paixão, chegará à glória da ressurreição."

Prefácio do Terceiro Domingo da Quaresma – quando for proclamado o Evangelho da Samaritana:

“Ao pedir a Samaritana que lhe desse de beber, Jesus suscitava nela o dom da fé; e tão grande era sua sede pela fé dessa mulher, que acendeu nela o fogo do vosso amor."

Prefácio do Primeiro Quarto Domingo da Quaresma – quando for proclamado o Evangelho do cego de nascença:

“Pelo mistério da encarnação, Jesus conduziu à luz da fé a humanidade que caminhava nas trevas, e elevou à dignidade de filhos e filhas os nascidos da escravidão do pecado, fazendo-os renascer das águas do Batismo.”
 
Prefácio do Quinto Domingo da Quaresma – quando for proclamado o Evangelho de Lázaro:
 

“Sendo Ele verdadeiro homem, chorou o amigo Lázaro e, Deus eterno, do túmulo o tirou. Compadecido da humanidade, leva-nos à vida nova pelos mistérios pascais"
 
Os Prefácios fundamentados nas páginas dos Evangelhos nos inserem profundamente no Mistério da Paixão e Morte do Senhor, para com Ele também ressuscitarmos.

Muito oportuno retomá-los, no silêncio de nosso quarto, conforme lemos na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 6,1-18).

Sejamos fortalecidos no bom combate da fé, vencendo as tentações que se apresentarem em nossa caminhada penitencial, ressoando em nossas vidas a Liturgia celebrada e em nosso coração mais que entranhada, para frutos pascais produzirmos. Amém.

Morte: o eterno descanso

                                                      

Morte: o eterno descanso

A morte nos inquieta e nos acompanha, irremediavelmente, desde a concepção: nascemos e inevitavelmente morreremos.

A morte consiste no fim da vida terrena, mas, para quem no Senhor vive e crê, prolonga-se na eternidade: d’Ele viemos, nos movemos e somos, e para Ele haveremos de voltar.

A morte é o apagar das luzes. Porém, ainda que vivamos sob as sombras da morte, um dia na luminosidade plena estaremos: céu.

Quando fugirem os últimos lampejos da vida, a morte, então será o eterno descanso para quem viveu em permanente combate, sem cansaços e esmorecimentos.

Ainda que do leito de morte não possamos nos livrar, poderemos viver o último sono, o sono dos mortos, mas despertos ao passar pela porta do céu.

Morrer é não mais estar submetido aos dias da semana, mas viver o “sábado eterno” do descanso em Deus, quando tudo foi consumado, a última cortina foi fechada, porque se exalou o derradeiro alento.

Quando sentirmos as asas da morte roçar-nos, frias, pela fronte, que seja o nosso ir para o céu; e indo para Deus, o desejado encontro no Seu tempo, orante e, vigilantemente, preparado.

Há o tempo de viver, há o tempo de morrer... Há o tempo para alar-se rumo à mansão celeste, tendo caído no seio frio da morte, e dormido o sono da noite sem hora, o sono do verdadeiro repouso, na mansão dos justos.

Que na hora da morte, no soar da hora fatal, durmamos em Deus e descansemos em paz, rumando para o céu, tendo todo esforço feito para não termos trilhado para o inferno, o lugar do não amor, da não vida, da não luz.

Cientes de que teremos que comparecer perante o tribunal de Deus, que não tenhamos vivido dias avaramente contados, empobrecidos e empobrecedores.

Quando a derradeira pulsação de vida se der com a morte, que o Senhor Se compadeça de nossa alma.

Quando tudo for consumado, e o canto do cisne seja o início de um canto de que não conhece fim, com todos os Anjos e Santos na eternidade, com palmas nas mãos, louvaremos e glorificaremos Aquele que tem poder sobre a vida e a morte: Jesus. Amém.

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG