sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Vai nascer a flor...

                                                                  

Vai nascer a flor...

Da esperança, na planície árida dos desesperados.
Da confiança, na planície inconstante dos inseguros.
Da alegria, na planície obscurecida dos entristecidos.
Da ação, na planície inibidora de sagrados compromissos.

Vai nascer a flor...

Da pureza, no cume da montanha, no coração dos inocentes.
Da verdade, no cume da montanha dos que não se curvam à mentira.
Da liberdade, no cume da montanha dos que a nada se escravizam.
Da sinceridade, no cume da montanha, dos que são transparentes.

Vai nascer a flor... 

Da acolhida, no vale dos que são rejeitados.
Da ternura, no vale dos que suplicam atenção.
Da valorização, no vale dos que são pisoteados.
Da dignidade sagrada, no vale dos que são violados.

Vai nascer a flor... 

Da fé, no abismo profundo do coração dos que não esmorecem.
Da esperança, no abismo profundo do coração dos que não vacilam.
Da caridade, no abismo profundo do coração dos que cultivam o amor.
Das virtudes divinas, que fazem florir o mais belo jardim.

Vai nascer a flor... 

De mil nomes possíveis, no canteiro imenso do mundo,
Porque assim faz Deus com Suas sementes imensuráveis,
Se acolhidas e regadas com Oração, e por vezes com lágrimas,
Na morte das sementes, vidas novas renascidas – Ressuscitadas.

Vai nascer a flor... 

Que perdemos provisoriamente lá no belo Paraíso,
Mas que pela fidelidade à Palavra vivida,
Com o arado da Cruz, o mundo preparado,
Novo céu, nova terra floridos: esperados, realizados.

Vai nascer a flor... 

No coração dos que não fixaram âncoras no passado,
Mas que se puseram a caminho com o Senhor:
Ora atravessando o deserto com seus desafios,
Ora a turbulenta água do mar da existência.

Vai nascer a flor...

No coração dos poetas e dos Profetas
Que sonham e descrevem um mundo diferente, renovado...
Que olham para o futuro com os olhos de Deus, o mais belo olhar.
Que veem, além do horizonte do sol poente, um novo amanhecer.

Vai nascer a flor...

No coração dos que não perdem a confiança na humanidade,
Que se abrem ao Mistério do Amor 
revelado pela Santíssima Trindade,
Que nutrem e germinam, no tempo presente, flores de eternidade. Amém.

Vai nascer a flor...



PS: Oportuno para refletirmos a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 4,1-13) - onde-se lê "planície árida", podemos ler o "deserto".
Também para o Tempo do Advento, tempo de esperança, mudança e alegria pela vinda do Verbo que fez e fará morada entre nós.

Em poucas palavras...

                                             


“O caminho desta perfeição passa pela cruz...”

“O caminho desta perfeição passa pela cruz. 

Não há santidade sem renúncia e combate espiritual (2 Tm 4). 

O progresso espiritual implica a ascese e a mortificação, que conduzem gradualmente a viver na paz e na alegria das Bem-Aventuranças: 

«Aquele que sobe, nunca mais para de ir de princípio em princípio, por princípios que não têm fim. Aquele que sobe nunca mais deixa de desejar aquilo que já conhece» (São Gregório de Nissa).” (1)

 

(1)        Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.2015

Não desistir diante das provações

                                              


                                            Não desistir diante das provações

Diante da história de todos nós, com suas páginas de provações, tribulações, dificuldades, tropeços e inquietações, como fazer a necessária superação?

Precisamos, a partir da fé, escrever novas páginas de paciência, esperança, perseverança, perfeição, integridade e de verdadeira alegria.

Como Igreja Sinodal, peregrinos de esperança, sejamos iluminados e fortalecidos pela Palavra de Deus, que é luz para o nosso caminho (Sl 119,105), no bom combate da fé (2 Tm 4,7-8).

Urge firmar nossos passos, escrevendo páginas de acrisolamento, amadurecimento, aperfeiçoamento, vivendo o Mistério da Paixão e Morte do Senhor, para com Ele Ressuscitar, e com Ele, sermos mais que vencedores:

– “Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores por Aquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus” (Rm 8,37-39).

O Apóstolo São Paulo também nos ajuda neste santo propósito, como peregrinos do Senhor que somos:

-  “Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.

E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. E a esperança não decepciona, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,1-5).

Por fim, acolhamos e aprofundemos nossa reflexão, à luz das palavras do Apóstolo São Tiago:

-  “Meus irmãos, quando deveis passar por diversas provações, considerai isso motivo de grande alegria, por saberdes que a comprovação da fé produz em vós a perseverança. Mas é preciso que a perseverança gere uma obra de perfeição, para que vos torneis perfeitos e íntegros, sem falta ou deficiência alguma.” (Tg 1,2-4)


Nota-se um itinerário que o cristão precisa percorrer, na vivência da fé:

1º - A provação, como motivo de grande alegria;

2º - A comprovação da fé;

3º - A perseverança na fé;

4º - A geração da obra de perfeição;

5º - A perfeição e integridade (sem falta ou deficiência alguma).

Concluindo, vejamos o que nos diz o Catecismo da Igreja Católica sobre o caminho da perfeição que devemos trilhar:

“O caminho da perfeição passa pela Cruz. Não existe santidade sem renúncia e sem combate espiritual. O progresso espiritual envolve ascese e mortificação, que levam gradualmente a viver na paz e na alegria das bem-aventuranças.” (1)

Façamos as renúncias necessárias, tomemos nossa cruz de cada dia e sigamos o Senhor (cf. Lc 9,23), cujo fardo é leve e o jugo é suave (cf. Mt 11,28-30), revitalizando-nos com o Pão da Palavra e o Pão da Eucaristia, que são os imprescindíveis e divinos Pães de nossa vida, no tempo presente e na eternidade. Amém.

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – n. 2015 

Antes que o sol se ponha...

 


Antes que o sol se ponha...

Que a esperança jamais se ponha.
Antes que o sol se ponha atrás da montanha,
cerro meus ouvidos aos que bradam o fim da história,
que não há esperança alguma no horizonte da humanidade,
ou que em estéril saudosismo, dizem que nada é mais como antes.
 
Cerrados sejam também para os que semeiam dogmatismos,
Fundamentalismos, sectarismos que criam muros, insanas divisões.
Seja nos espaços reais da convivência cotidiana,
Seja nos espaços virtuais que semeiam discórdias e violência.
 
O sol se porá, inevitavelmente, como todos os dias,
O véu da escuridão cobrirá mais uma vez a Terra.
E, na espera dos raios de sol em nova aurora,
Peço as luzes de quem tem algo salutar a dizer.
 
Quero ouvir os que me fazem crer no novo humanismo;
que não poupam esforços para não incorrermos em barbáries,
porque se não vigilantes, ela é sempre possível,
e não podemos recuar jamais nos avanços históricos alcançados.
 
Recolhido na espera dos primeiros raios de um novo dia,
Releio, reflito e compartilho com pessoas de boa vontade,
Palavras que nos fazem reacender a esperança de um novo tempo,
Porque a fé também assim exige, expressa em fecunda caridade:
 
“Ser humanista doravante não é apenas pensar que os perigos, as incertezas e as crises (entre as quais a da democracia, a do pensamento político, a provocada pela explosão do lucro, a da biosfera e a multidimensional da pandemia) nos uniram numa comunhão de destinos.


Ser humanista não é apenas saber que somos todos humanos semelhantes e diferentes, não é apenas querer escapar das catástrofes e aspirar um mundo melhor.


Ser humanista é também sentir intimamente que cada um de nós é um momento efêmero de uma aventura extraordinária, a aventura da vida que deu origem à aventura humana, que, ao longo das criações, tormentos e desastres, chegou a uma crise gigantesca, na qual está em jogo o destino da espécie.


O humanismo regenerado, não é apenas o sentimento de comunidade humana, de solidariedade humana, é também o sentimento de estar no interior dessa aventura desconhecida e incrível, e desejar que ela continue em direção a uma metamorfose, da qual nascerá um novo devir.” (1)

Sigamos em frente... que o sol se ponha,
Mas jamais se ponha com ele a esperança.
Renovam-se as forças, novas linhas escrever,
O inédito do melhor nos desafia... Amém.

  
 
(1)
 Lições de um século de vida - Edgar Morin – Bertrand Brasil – p. 86.88

A caridade nos impele na missão

                                               

A caridade nos impele na missão

Reflitamos à luz da passagem da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios (2 Cor 13,11), na qual o Apóstolo nos faz exortações fundamentais, para que vivamos como discípulos missionários do Senhor.

“Irmãos, alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco”.

Notemos os verbos apresentados no imperativo, em apenas um versículo: “alegrai-vos”, “trabalhai”, “encorajai-vos”, “cultivai” e “vivei”.

Como tem insistido o Papa Francisco, em suas exortações e mensagens, o discípulo deve ter a marca da “alegria”, que não dispensa o trabalho, como sinônimo de esforço, aperfeiçoamento espiritual, edificação da santidade.

Não sendo poucas as dificuldades, é preciso que nos encorajemos mutuamente na fidelidade ao Senhor, para que vivamos frutuoso discipulado, a fim de que a Igreja continue a missão que foi por Ele confiada, com a assistência do Espírito Santo.

Não se pode perder de vista a concórdia, a harmonia, com a necessária abertura ao diálogo, para juntos realizarmos a missão, com a consciência de que, como Igreja, somos um só Corpo, do qual Ele, Jesus, é a Cabeça.

Tão somente assim, viveremos em paz, construindo a unidade, que se difere da uniformidade, porque edificada sobre a caridade, que cria comunhão e fortalece os vínculos fraternos.

Deste modo, teremos conosco a certeza da presença de Deus, que nos acompanha e Se faz sempre presente, atento às nossas súplicas e clamores, angústias e esperanças, alegrias e tristezas, a fim de que empenhados na construção do Seu Reino, eliminemos toda dor, pranto e sofrimento, na espera de um novo céu e uma nova terra.

Que jamais percamos...

                                                            


Que jamais percamos...

Jamais percamos...
A certeza de que podemos algo mudar, mesmo que pouco tenhamos;
A convicção de que estamos no caminho, sem desvios para abismos.

A capacidade de superação, sem precisar nada de assombroso,
Tão apenas confiando em Vossa divina presença, Glorioso;

A graça de sermos instrumentos da alegria para quantos possamos,
Ainda que sinais de tristeza e luto, dor e pranto nos rodeiem.

Jamais percamos...
A consciência de que nada podemos desperdiçar:
Esforços, inteligência, energias, a serviço da humanidade;

A sensibilidade, para não ficarmos frios e indiferentes,
Com sentimentos de inferioridade ou o seu contrário;

A contemplação de Vossa presença suave de Amor,
Que afasta todo medo que rouba nossas forças, porque inibidor.

Jamais percamos...
A fé que nos move, que nos impele, que nos faz avançar,
Recuperando os traços da imagem Vossa em cada um de nós;

A confiança na ação divina, quando parecer que nada podemos;
A esperança de superação, quando tudo parecer imutável;

O zelo necessário, para que mantenhamos acesa,
No mais profundo de nós, a chama viva da caridade. Amém.


Em poucas palavras...

                                             


Cristãos: templo do Espírito Santo

“«Justificados pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus» (1 Cor 6, 11), «santificados e chamados a serem santos» (1 Cor 1,2) os cristãos tornaram-se «templo do Espírito Santo» (1 Cor 6, 19).

Este, que é o «Espírito do Filho», ensina-os a orar ao Pai (Gl 4,6) e, tendo-Se feito vida deles, impele-os a agir (Gl 5,25) para produzirem os frutos do Espírito (Gl 5,22) mediante uma caridade ativa.

Curando as feridas do pecado, o Espírito Santo renova-nos interiormente por uma transformação espiritual (Ef 4,23), ilumina-nos e fortalece-nos para vivermos como «filhos da luz» (Ef 5, 8) «em toda a espécie de bondade, justiça e verdade (Ef 5, 9).”   (1)

 

 

(1)  Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1695

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