sexta-feira, 15 de maio de 2026

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Tristezas momentâneas, alegrias eternas...

                                                                 

Tristezas momentâneas, alegrias eternas...

A Liturgia da sexta-feira da 6ª Semana da Páscoa nos apresenta como Leituras: a passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos (18,9-18), Sl 46 (47) e Evangelho de São João (Jo 16, 20-23a).

Na passagem da primeira Leitura, vemos as dificuldades encontradas pelo Apóstolo Paulo em sua missão evangelizadora na Cidade de Corinto. 

Retomo a Palavra do Senhor a Paulo numa visão: “Não tenhas medo; continua a falar e não te cales, porque eu estou contigo. Ninguém te porá a mão para fazer mal. Nesta cidade há um povo numeroso que me pertence” (v.10).

A fé cristã não consiste numa vida tranquila, como que um relacionamento idílico, como se não houvesse mais problemas a serem enfrentados.

Diante das adversidades é preciso manter a serenidade e a confiança, contando com a assistência do Espírito Santo que nos acompanha, encoraja e esclarece nos momentos mais cruciais e difíceis de nossa vida, como nos assegura o Senhor no Evangelho, quando de Sua despedida aos discípulos – “Também vós agora sentis tristeza, mas Eu hei de ver-vos novamente e o vosso coração se alegrará, e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria” (Jo 16, 2).

Nenhuma força humana pode barrar o caminho da Palavra de Deus, a fim de que ela ressoe até os confins da terra. A verdadeira alegria cristã nasce das tribulações, de um parto doloroso. Assim diz o Missal – “Assim como das dores de parto nasce para a mulher uma nova vida, assim dos sofrimentos e da obscuridade da Sexta-feira Santa brotará a alegria da Páscoa” (1).

E completa: “O sofrimento não é querido em si mesmo, mas torna-se um momento ineliminável porque a instalação do Reino de Deus se dá sempre numa dialética de luta e de oposição desencadeadas pelas forças do mal. A vitória, bem sabemos, é sempre precedida de luta, até luta mortal, e esta não é nunca um inócuo exercício de ginástica, mas é agonia e choque de adversários” (2).

Preparando-nos para a Festa da Ascensão e de Pentecostes, procuremos perceber a manifestação e a ação do Espírito Santo, o Paráclito, o Defensor, que nos comunica a presença do Ressuscitado, para vivermos intensamente nossa fé, com viva esperança, entrelaçada com o vigor da caridade.

Abramo-nos à presença e manifestação do Espírito Santo, que nos acompanha em todos os momentos. Não estamos órfãos. O Espírito Santo nos protege, ensina e recorda tudo o que o Senhor ensinou.

Do mesmo modo, nos conduz à luz da verdade, e cria laços de comunhão e fraternidade, porque o Espírito é o Amor do Pai, revelado por Jesus, e nos faz criativos, corajosos na missão do anúncio da Boa Nova, enriquecendo-nos com os sete dons.

Ter fé no Senhor é saber que a tristeza de Sua ausência é momentânea e incomparavelmente menor do que a alegria imensurável de Sua eterna presença, Ressuscitado, Glorioso, como podemos sentir pela ação e vida do Espírito que nos foi enviado do Pai, em Seu nome.


(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - p. 465.
(2) Idem. 

Não ficamos órfãos

                                                         


Não ficamos órfãos

Preparemos o nosso coração para as próximas Solenidades que nos encherão de alegria (Ascensão do Senhor e Pentecostes) e esperança, apesar das situações que ainda nos entristecem em nosso contexto de pecado e morte de tantos nomes.

Renovemos a confiança de que Deus está conosco, e por isso, não desistimos jamais da missão de continuar anunciando e testemunhando Sua Palavra e Seu Reino, mesmo que encontremos oposições, dúvidas, resistências, e polarizações de múltiplas expressões.

Verdadeiramente Deus está conosco, e nos envia o dom do Espírito Santo, que nos cumula com os sete dons: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, temor e piedade.

Vinde, Espírito Santo, “...com o amor entranhado de um irmão mais velho: vem para salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar, iluminar a alma de quem O recebe, e, depois por meio desse, a alma dos outros....” Amém. Aleluia! (1)

 

PS: Fonte inspiradora - Jo 16,20-23a
(1)São Cirilo de Jerusalém, Bispo -  (séc. IV)

Em busca da eternidade

                                                   

Em busca da eternidade

“Agora suportam-se os males deste mundo,
na terra dos mortais. Depois, contemplaremos
os bens do Senhor, na terra dos vivos.”

Sejamos enriquecidos pelo Tratado escrito pelo Bispo Santo Agostinho (séc V), para nos ajudar na compreensão de duas vidas conhecidas pela Igreja.

“A Igreja conhece duas vidas, que lhe foram anunciadas por Deus; uma é vivida na fé; a outra, na visão. Uma, no tempo da caminhada; outra, na mansão eterna. Uma, no trabalho; outra, no descanso. Uma no exílio; outra, na pátria. Uma, no esforço da atividade; outra, no prêmio da contemplação.

A primeira é representada pelo Apóstolo Pedro; a segunda, pelo Apóstolo João. A primeira desenvolve-se completamente sobre a terra até que o mundo acabe, e então encontrará o fim; a outra se prolonga para além do fim dos tempos, e nunca acabará no mundo que há de vir. Por isso foi dito a Pedro: Segue-me (Jo 21,19); mas a João diz-se: Se eu quero que ele permaneça até que Eu venha, o que te importa isso? Tu, segue-me! (Jo 21,22).

‘Segue-me tu, imitando minha paciência em suportar os males temporais. E ele permaneça até que Eu venha, para conceder os bens eternos’. Ou ainda mais claramente: ‘Siga-me a atividade que, a exemplo de minha Paixão, já terminou. Mas a contemplação, que apenas começou, permaneça assim até que Eu venha para levá-la à perfeição’.

Portanto, quem segue a Cristo, acompanha-O na santa plenitude da paciência, até à morte. Permanece até a vinda de Cristo, para lhe manifestar a plenitude da ciência. Agora suportam-se os males deste mundo, na terra dos mortais. Depois, contemplaremos os bens do Senhor, na terra dos vivos.

As palavras de Cristo: Quero que ele permaneça até que Eu venha, não devem ser interpretadas como se quisesse dizer: ‘permanece até o fim’ ou ‘fica assim para sempre’, mas ‘permanece na esperança’; pois o que João representa não atinge agora a sua plenitude, mas apenas quando Cristo vier.

Pelo contrário, o que Pedro representa, a quem o Senhor disse: Segue-me, deve cumprir-se agora, para podermos alcançar o que esperamos.

Contudo, ninguém ouse separar estes dois insignes Apóstolos. Ambos se encontravam na situação representada por Pedro e ambos haviam de se encontrar na situação representada por João.

No plano do símbolo, Pedro seguiu e João ficava; mas no plano da fé, ambos suportavam os males da vida presente, ambos esperavam os bens da felicidade futura.

O que sucedeu com eles, sucede com toda a santa Igreja, esposa de Cristo: também ela lutará no meio das tentações do mundo para alcançar a felicidade futura.

Pedro e João representavam as duas vidas, cada um simbolizando uma delas; mas ambos viveram esta vida temporal, animados pela fé, e agora já se alegram eternamente na outra vida, pela contemplação.

Pedro, o primeiro Apóstolo, recebeu as chaves do Reino dos céus, com o poder de ligar e desligar os pecados, para que fosse timoneiro de todos os Santos, unidos inseparavelmente ao corpo de Cristo, em meio às tempestades desta vida. E João, o Evangelista, reclinou a cabeça sobre o peito de Cristo, para exemplo dos mesmos Santos, a fim de lhes indicar o porto seguro daquela vida divinamente tranquila e feliz.

Todavia, não é somente Pedro, mas a Igreja universal, que liga e desliga os pecados. E não é só João que bebe da fonte do coração do Senhor, para ensinar com sua pregação que, no princípio, a Palavra era Deus junto de Deus, e outros ensinamentos profundos a respeito da divindade de Cristo, da Trindade e da Unidade de Deus.

No Reino dos céus, estas verdades serão por nós contempladas face a face, mas na terra nos limitamos a vê-las como num espelho e obscuramente, até que o Senhor venha.

Não foi só ele que descobriu estes tesouros do coração de Cristo, mas a todos foi aberta pelo mesmo Senhor a fonte do Evangelho, a fim de que por toda a face da terra todos bebessem dele, cada um segundo sua capacidade.”.

Algumas conclusões: 

- A diferença entre Pedro e João não empobrece a evangelização, pelo contrário a enriquece;

- Como Deus sabe trabalhar com nossas diferenças para um bem maior, e quanto ainda temos que aprender a conviver e trabalhar com o diferente para o enriquecimento mútuo;

- A Igreja avança na história de cada um: na história de fidelidade de Pedro, no ato extremado do martírio na cruz, e no amor intenso e imenso do discípulo amado que tornou o nome de Jesus conhecido, acreditado;

- A relação intensa de amizade e amor que Jesus quer estabelecer conosco, sem relacionamentos marcados pela superficialidade;

- A prontidão, a lucidez necessária de Pedro para se abrir permanentemente aos Mistérios de Deus;

- A tríplice relação que deve existir entre a prontidão, o amor e a lucidez aos Mistérios de Deus que se revela na História da  humanidade e na história de cada um de nós.

Na busca da eternidade, como Pedro e João, testemunhemos o Cristo Vivo e Ressuscitado até que um dia possamos contemplar a Sua face na glória da eternidade, acolhendo no tempo presente o sopro do Espírito, na fidelidade e abertura plena ao Projeto Salvador de Deus Pai. Amém.

Continuemos a Missão do Ressuscitado, tendo e sendo em nós um pouco de Pedro e João, duas pessoas tão distintas, mas tão complementares.

Sejam nossas marcas a prontidão, lucidez, coragem, relação de amor profundo e intenso com o Senhor, e deste modo, cada um de nós escreva uma história de vida memorável como Pedro e João

Sejamos, de fato, amigos e amados do Senhor para testemunhá-lo com toda firmeza e coragem.

Como João, reclinemo-nos no porto seguro do coração de Jesus, e mais do que isto, continuemos nascendo e nos alimentando do Seu coração trespassado, do qual Água e Sangue jorraram. Vida e Alimento para sempre ao mundo foi oferecido. Aleluia. 

Autênticos discípulos missionários do Senhor

                                                           

Autênticos discípulos missionários do Senhor

“Não tenhas medo; continua a falar e não te cales,
 porque Eu estou contigo. Ninguém te porá a mão
para fazer mal. Nesta cidade há um povo
numeroso que me pertence.”
(At 18,9-10)

Na passagem dos Atos dos Apóstolos (At 18, 9-18), o Ressuscitado Se dirige mais uma vez ao Apóstolo Paulo, para encorajá-lo e confirmá-lo na missão de anunciar e testemunhar a Sua Palavra.

Apresento algumas exigências que aparecem nesta passagem e que devem marcar o discípulo missionário do Ressuscitado, para a autenticidade e fecundidade da ação evangelizadora, na graça do Batismo recebido:

1 – As Palavras que Jesus dirigiu a Paulo e a nós são, ao mesmo tempo, um dom e uma missão. Somos porta-vozes da Palavra que ilumina e que acolhe, dá a conhecer o dom de Deus a homens e mulheres que já O procuram.

2 – Somos confirmados e enviados pelo Senhor na caminhada missionária para evangelizar um povo que já existe e a Deus pertence.

3 – O discípulo missionário não age por iniciativa própria, mas em obediência a Jesus Ressuscitado.

4 – A convicção e a determinação do discípulo missionário apoiam-se na fidelidade de Jesus, exatamente porque dom do próprio Senhor que não Se afasta dos que chama e envia.

5 – “Não tenhas medo” – o discípulo missionário é aquele que, antes de mais nada e em primeiro lugar, anuncia a Palavra, e a ninguém é conferido o direito e o poder de o fazer calar, e nenhum obstáculo justifica o seu silêncio – “se calarem a voz dos Profetas, as pedras falarão”.

6 – Tendo recebido uma Palavra Divina, não pode retê-la, sufocá-la, deve anunciar, sempre e em qualquer parte, sobretudo nas realidades mais difíceis, edificando uma “Igreja em estado permanente de missão”, uma Igreja em saída, como exortava o Papa Francisco.

7 – Se, por alguém ou por muitos, for rejeitado, não pode parar, e numa avaliação, revigoramento, continuar a missão, dirigindo-se a outros lugares e pessoas mais disponíveis ao acolhimento do anúncio. Precisa seguir em frente, porque sabe que há um povo que o espera, um povo numeroso e preparado.

8 – Ter a convicção de que mesmo quando rejeitado, sempre fica nesse lugar alguém que acolheu a Boa Notícia. Aqui, podemos lembrar a Parábola do semeador e as quatro possíveis situações da acolhida da Palavra: beira do caminho, entre as pedras, ou entre os espinhos ou a terra boa e fértil.

9 – A sua única e indispensável certeza é a presença do Ressuscitado que nos comunica Seu Espírito, para que tenha coragem e fortaleza para vencer os momentos decisivos e adversos que marcam radicalmente a sua vida. 

10 - Como o Apóstolo Paulo, nunca falar em sua própria defesa, embora várias acusações tenham sido formuladas contra ele: basta-lhe a certeza da Palavra que não desilude.

Celebraremos a Festa da Ascensão do Senhor, sua subida aos céus, e com isto já celebraremos a nossa vitória, preparando-nos para a grande Solenidade de Pentecostes, dia do nascimento da Igreja e do envio do Espírito Santo sobre os Apóstolos.

Renovaremos a alegria de sermos membros do Povo de Deus, reavivando a chama do discipulado, na fidelidade ao Senhor, com a força e presença do Espírito Santo.

Supliquemos:

Vem Espírito Santo suavemente  sobre a Tua Igreja!
Como uma chama que nunca se apaga, 
vem nos salvar, curar, ensinar, 
aconselhar, fortalecer, 
consolar e iluminar! 
Amém. Aleluia!


Fonte: Lecionário Comentado – Sexta-feira da VI Semana da Páscoa – Ed. Paulus – Portugal – p. 600-603.

A Festa da Ascensão é a Festa da nossa Missão! (Ascensão do Senhor)

                                                   

A Festa da Ascensão é a Festa da nossa Missão!

Com a Solenidade da Ascensão do Senhor aos Céus, celebramos a elevação do Senhor, que não significa subida no sentido literal, mas que entrou em plena comunhão com Deus: Jesus subiu aos céus para ficar bem perto de nós.

Foi elevado junto de Deus para caminhar conosco até o fim do mundo.

Por fidelidade absoluta à missão, amor até as últimas consequências, entrega de Sua vida, por amor de nós, o Pai O glorificou e O fez entrar em Sua glória, por isto está sentado a Sua direita, exercendo o senhorio da história.

Ao subir ao céu, que é o amor sem limites, fica cada vez mais perto de nós com a presença e ação do Espírito Santo.

Jesus é a Cabeça, a Igreja Seu corpo. A Igreja jamais se sentirá desamparada, abandonada... Será sempre sinal de salvação para o mundo.

Numa perfeita comunhão a Igreja continua sua missão, com a assistência do Espírito, até que Cristo seja tudo em todos, na fidelidade ao que o Filho começou e que o Pai desejou para todos nós: A construção do Reino.

Portanto, somos cumulados de Bênçãos nesta alegre e irrenunciável Missão de Evangelizar.

Evidentemente que, por tudo isto, não há lugar na Igreja para apáticos, desanimados, derrotados... Quaisquer sinais de inércia são eliminados de nossa vida.

A Ascensão é um alegre anúncio, mais do que isto, é irradiação de alegria, porque a Vida venceu a Morte, um novo céu e uma nova terra devem ser inaugurados, como dom de Deus e empenho nosso.
Seja extirpada qualquer experiência espiritualista desencarnada e descomprometida com a realidade, com a vida.

Não há religião verdadeira, quando os braços se cruzam, mas quando as mãos se juntam em oração e se estendem, efetivamente, com empenho e compromissos solidários com a justiça e a paz, na construção da Jerusalém Celeste, a Cidade da Paz.

A fé cristã é encarnação na realidade, confronto com as culturas, fermentação de um mundo novo, e lembramos o Papa São Leão Magno (séc. V):

“... nem assim vacile a fé, esmoreça a esperança ou esfrie a caridade...”

A Festa da Ascensão aumenta a nossa fé e, é sempre momento profundo e eficaz para que a Igreja avalie e reveja sua presença no mundo, sobretudo em nossa realidade Latino Americana e Caribenha, marcada por tantos sinais de morte que clamam por vida.

Ascensão é, enfim, a Festa da nossa Missão na fidelidade a Deus; na continuidade da prática de Jesus com a Assistência do Espírito Santo.

Temos, com esta Solenidade, 
a maravilhosa oportunidade
de revigorar nosso compromisso batismal,
para sermos da massa o  fermento,
do mundo a luz 
e da terra o imprescindível sal.
Amém. Aleluia.

Ascensão do Senhor: continuemos a Sua missão (Ascensão do Senhor - Ano A)

                                                            

Ascensão do Senhor: continuemos a Sua missão
 
    “Ide pelo mundo e ensinai todas as nações, batizando-os em         nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19)
 
Com a Festa da Ascensão do Senhor (Ano A), renovamos a alegria de crermos que, após um caminho percorrido com amor e doação, desabrochamos na eternidade, plena comunhão com Deus, assim como foi a vida de Jesus Cristo.
 
A Solenidade da Ascensão aponta para o fim último de todos nós, a comunhão com Deus, o Céu, e nos convida a renovar a alegria de sermos continuadores da missão que Ele realizou, e a nós confiou, enviando-nos do Pai o Espírito Santo de Deus, o Paráclito, fato que celebraremos com a Festa de Pentecostes.
  
A ida de Jesus para o Céu, não é a afirmação de Sua partida e ausência, mas é a garantia de Sua eterna presença conosco até que Ele venha pela segunda vez, como afirmamos na Missa: “anunciamos Senhor a Vossa morte e proclamamos a Vossa Ressurreição, vinde Senhor Jesus”.
 
Antes é preciso assumir, com coragem, no tempo presente, a missão por Deus a nós confiada: anunciar o Evangelho a todos os povos, empenhados decididamente no Projeto de Salvação Divina, superando a passividade alienante indo para o meio do mundo, como sal, luz e fermento. 
 
Nada falta à Igreja, portadora da plenitude de Cristo, para cumprir esta missão, portanto renovemos a alegria de crermos que, após um caminho percorrido com amor e doação, desabrocharemos na eternidade, pela comunhão com Deus, assim como foi a vida de Jesus Cristo.
 
Na passagem da primeira Leitura (At 1,1-11), Jesus depois de ter apresentado ao mundo o Projeto do Reino, entrou na comunhão plena e definitiva do Pai, e este é também o destino daqueles que percorrem o mesmo caminho. Fica com isto, afastada toda possibilidade de passividade alienante, imobilismo estéril.
 
A comunidade vivia um contexto de crise (anos 80 dC), marcado pela desilusão e frustração, e se fazia necessário manter-se firme no testemunho do Ressuscitado, sem jamais vacilar na fé, esmorecer na esperança e tão pouco esfriar na caridade.
 
O tempo vai passando e não vemos realizar o Projeto Salvador. Quando será enfim realizado?
 
Lucas escreve a Teófilo (aqueles que são amados por Deus = amigos de Deus) apresentando o Protagonista maior da Evangelização que é o Espírito Santo e conta com a participação e ação dos Apóstolos na construção do Reino que exige empenho contínuo e nisto consiste o papel da comunidade formada por aqueles que creem e se afirmam cristãos.
 
Os sinais e palavras tem mensagens próprias: 
 
- A elevação aos céus - trata-se do culminar de uma vida;
- A nuvem - sempre um sinal teofânico (manifestação de Deus);
- Olhar para o céu - acena para a segunda vinda de Cristo, que não devemos esperar de braços cruzados;
- Dois homens vestidos de branco - anunciam o mundo de Deus.

Jesus, depois de ter apresentado ao mundo o Projeto do Reino, entrou na comunhão plena e definitiva do Pai, e este é também o destino daqueles que percorrem o mesmo caminho. Fica com isto, afastada toda possibilidade de passividade alienante, imobilismo estéril.
 
Ele nos apresenta a Ascensão quarenta dias depois da Ressurreição: quarenta é um número simbólico, define o tempo necessário para que um discípulo possa aprender e repetir com fidelidade e coragem as lições do Mestre.
 
A descrição da elevação de Jesus ao céu, assim como a nuvem, os discípulos a olhar para o céu, os homens vestidos de branco têm uma mensagem própria: os discípulos, animados pelo Espírito, devem continuar no mundo a história e obra de Jesus, aguardando a Sua segunda vinda definitiva e gloriosa.
 
A comunidade não pode ficar “olhando para o alto e de braços cruzados”, precisa seguir o caminho que é o próprio Jesus, com olhar para o futuro, renovando cotidianamente os compromissos com o Projeto de Salvação que Deus tem para a humanidade.
 
Deste modo podemos afirmar que a Ressurreição e Ascensão de Jesus, nos garante uma vida vivida na fidelidade ao projeto do Pai: “Uma vida destinada à glorificação, à comunhão definitiva com Deus. Quem percorre o mesmo ‘caminho’ de Jesus subirá, com Ele, à vida plena”. (1)
  
Reflitamos:
 
- Tenho sido fiel à missão que o Senhor me confiou?
- O que gero com o meu testemunho nos diversos âmbitos em que vivo?
- Quais são meus compromissos solidários na transformação do mundo?
- Fico a olhar para o céu ou me comprometo com a transformação em todos os níveis?
 
Com a passagem da segunda Leitura (Ef 1,17-23), acolhemos uma mensagem de confiança e esperança, em que a comunidade é exortada a pôr-se a caminho, numa comunhão sólida, formando um só Corpo, que é a Igreja, cuja cabeça é o próprio Cristo.
 
Trata-se de uma síntese da teologia paulina, e o Apóstolo Paulo fala da comunidade como um corpo. Cristo é a cabeça e a Igreja é o corpo - “o corpo de Cristo” – formado por muitos membros, e que Paulo já havia dito em outras Cartas, mas agora escreve da prisão, e faz parte das “cartas do cativeiro”.
 
Temos uma mensagem de confiança e esperança, em que a comunidade é exortada a pôr-se a caminho, numa comunhão sólida: Cristo sendo cabeça e a comunidade um corpo, juntos forma-se uma comunidade indissolúvel, da qual Cristo está no centro, e nada falta a Igreja para levar a diante a missão por Ele confiada:
 
“Dizer que a Igreja é a 'plenitude' ('pleroma') de Cristo significa dizer que nela reside a ‘plenitude’”, a ‘totalidade’ de Cristo.
 
Ela é o receptáculo, a habitação, onde Cristo Se torna presente no mundo; é através desse 'corpo' onde reside que Cristo continua todos os dias a realizar o Seu Projeto de salvação em favor dos homens. Presente nesse ‘corpo’, Cristo enche o mundo e atrai a Si o universo inteiro, até que o próprio Cristo ‘seja tudo em todos’ (vers. 23)”. (2)
 
Com isto, a Igreja é chamada a testemunhar Cristo, torná-Lo presente no mundo, comprometida com o Projeto de Libertação que Ele inaugurou em favor da humanidade. Esta missão só findará, quando pelo testemunho, fidelidade, ação daqueles que creem, Cristo seja 'um em todos'.
 
A Ressurreição/Ascensão/Glorificação de Jesus garantem a nossa própria ressurreição/glorificação, por isto é preciso avançar no caminho, superando as dificuldades.
 
Na passagem do Evangelho (Mt 28,16-20), encontramos a descrição do encontro final de Jesus com Seus discípulos, no monte da Galileia.
 
Além de reconhecer Jesus como Senhor, a comunidade recebe d’Ele a missão de continuar o Seu Projeto de Libertação da humanidade, no testemunho do Reino por Ele inaugurado.
 
O Evangelista Mateus, por três momentos significativos, nos fala da montanha:
 
- A tentação de se atirar do alto monte (Mt 4,8);
- No Monte Tabor, com a Transfiguração (Mt 17,1)
- E finalmente na Sua Ascensão. No Antigo Testamento, de modo especial, monte é sempre o lugar onde Deus se revela às pessoas (Moisés, Elias etc.).
 
E ainda mais, foi na Galileia que Jesus viveu quase toda a Sua vida; foi onde começou a anunciar o Evangelho do Reino (Mt 4,12-22). É também lá que se recomeça a missão. Onde tudo começou foi onde tudo recomeçou...

Deste modo, celebrar a Ascensão de Jesus é:
 
- Tomar consciência da missão que foi confiada por Jesus aos discípulos e sentir-se responsável pela presença do “Reino” na vida dos homens;
 
- Tomar consciência também de que, como Igreja, comunidade dos discípulos de Jesus, somos a presença libertadora e salvadora de Jesus no meio dos homens;
 
- Rever como procuramos testemunhar o Reino de Deus em todos os âmbitos da vida;
 
- Assumir a missão que Jesus confiou aos discípulos, que consiste numa missão universal: as fronteiras, as raças, a diversidade de culturas, não podem ser obstáculos para a presença de Sua Proposta libertadora no mundo.
 
 Deste modo, com a Ascensão, podemos afirmar que Jesus cumpriu plenamente a Sua missão e reentrou na comunhão do Pai, e assim dá início a nossa missão, sentando-Se à direita do Pai para reinar sobre tudo e todos, através da missão dos discípulos.
 
Urge não ficarmos apenas admirando, mas nos colocarmos constantemente a caminho, com renovados compromissos com o Projeto da Salvação; de modo que é preciso viver o Batismo,  inseridos na mais perfeita comunidade de comunhão e amor, a comunidade Trinitária: Pai, filho e Espírito Santo.
 
Vivendo a Boa-Nova anunciada, em confronto com o mundo, pode gerar desilusão, sofrimento e frustração. Mas é exatamente aqui que o discípulo deve dar razão da esperança que possui, testemunho de n’Aquele em quem confia, Jesus, com a força e ação do Espírito Santo Paráclito, o Defensor, o Espírito da Verdade que estará conosco até o fim dos tempos.
 
Urge levar a humanidade a viver a comunhão querida por Deus, a fim de que todos sejamos um em Cristo Jesus, de modo que celebrar a Solenidade da Ascensão do Senhor é afirmar uma bela verdade de nossa fé, pois a Ascensão do Senhor liga-se necessariamente à Sua Encarnação, e comunica o seu significado autêntico: O Filho de Deus tornou-Se como nós para nos tornar como Ele.
 
Exultemos de alegria por sermos continuadores da missão que Ele realizou, e a nós confiou, enviando-nos do Pai o Espírito Santo de Deus, o Paráclito, fato que celebraremos com a Festa de Pentecostes. De fato, o Espírito Santo é derramado, como dom de Amor do Pai, para continuarmos, fiéis na Missão do Cristo, na mais profunda e frutuosa vivência do Amor e da Vida Trinitária.
 
Como pessoas que creem, deixemos de olhar para o céu, não façamos do cristianismo uma “agência de serviços sociais”, não meçamos esforços para encontrar Cristo, tanto na Palavra como na Eucaristia e nos demais Sacramentos, para que então renovados, revigorados, nos empenhemos apaixonadamente por Cristo na construção do Reino de Deus.
 
Que esta certeza alimente a nossa coragem para que testemunhemos o que acreditamos e professamos; o que nos move e nos direciona rumo ao encontro definitivo com Deus, na mais perfeita e plena comunhão de amor, empenhados, por ora, na construção do Reino de amor, vida, alegria, luz e paz.
 
Reflitamos:
 
- Tenho consciência da universalidade da missão?
- Como discípulo, procuro aprender, assimilar e viver os ensinamentos de Jesus para que a missão tenha crédito e seja uma luz para o mundo?
 
- A vida dos discípulos não está livre da desilusão, sofrimento, frustração... Mas também está presente uma certeza que alimenta a coragem do que cremos: “Eu estarei convosco até o fim dos tempos”. Tenho esta certeza em meu coração?
 
- No seguimento de Jesus não podemos nos instalar. Ser cristão é ser pessoa do tempo, sem medo de novidades. Estou instalado, acomodado, de braços cruzados, ou fascinado por Cristo e pela missão a nós confiada?
 
- Procuro a sabedoria e força do Espírito para corresponder à altura?
- Ser cristão é ser alguém que deixou se levar pelo grande sopro do Espírito; é saber que pode contar com Ele na missão.
 
- Quais são os medos que temos a enfrentar no desempenhar na missão evangelizadora?
- Sentimos a presença do Ressuscitado em nossa missão?
 
- Temos sentimentos de gratidão pela confiança de Deus em nós depositada para levar adiante a missão?
 
Seja a Festa do Envio, da continuidade da missão que Jesus nos confia –“Ide pelo mundo e ensinai todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19).
Missão é graça divina, e é preciso que a vivamos como uma resposta permanente, confiante e perseverante.


(1) (2) www.Dehonianos.org/portal

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