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Dom Otacilio F. Lacerda
domingo, 22 de março de 2026
sábado, 21 de março de 2026
Os amigos do Senhor não morrem para sempre (VDTQA)
Suplico-Vos, Senhor! Água, Luz e Vida! (súplica)
Suplico-Vos, Senhor! Água, Luz e Vida!
Palavras e atos para bem celebrar a Páscoa do Senhor (VDTQA)
Palavras e atos para bem celebrar a Páscoa do Senhor
Sejamos enriquecidos por uma das Cartas Pascais escritas pelo Bispo Santo Atanásio (Séc. IV), em que nos convida a Celebrar, com palavras e atos, a Festa do Senhor que se aproxima, e que esperamos de coração contrito e humilhado (cf. Sl 50).
“Está próximo de nós o Verbo de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, que Se fez tudo por nós, e promete estar conosco para sempre. Ele o proclama com estas palavras: ‘Eis que Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo’ (Mt 28,20).
E porque quis fazer-Se tudo para nós, Ele é o nosso Pastor, Sumo Sacerdote, caminho e porta; e é também a nossa festa e solenidade como diz o Apóstolo: ‘O nosso Cordeiro Pascal, Cristo, já está imolado’ (1Cor 5,7).
Cristo, esperança dos homens, veio ao nosso encontro, dando novo sentido às palavras do salmista: ‘Vós sois a minha alegria; livrai-me daqueles que me cercam’(cf. Sl 31,7).
Esta é a verdadeira alegria, esta é a verdadeira solenidade: vermo-nos livres do mal. Para tanto, que cada um se esforce por viver em santidade e medite interiormente na paz e no temor de Deus.
Os Santos, enquanto viviam neste mundo, estavam sempre alegres, como em contínua festa. Um deles, o bem-aventurado Davi, levantava-se de noite, não uma, mas sete vezes, para atrair com suas preces a benevolência de Deus.
Outro, o grande Moisés, exprimia a sua alegria entoando hinos e cânticos de louvor a Deus pela vitória alcançada sobre o Faraó e sobre todos os que tinham oprimido o povo hebreu. Outros, ainda, dedicavam-se alegremente ao exercício contínuo do culto sagrado, como o grande Samuel e o bem-aventurado Elias.
Todos eles, pelo mérito das suas obras, já alcançaram a liberdade e celebram no céu a festa eterna. Alegram-se com a lembrança da sua peregrinação terrena, vivida entre as sombras do que havia de vir e, passado o tempo das figuras, contemplam agora a verdadeira realidade.
E nós, que nos preparamos para a grande solenidade, que caminho havemos de seguir? Ao aproximarem-se as festas pascais, a quem tomaremos por guia? Certamente nenhum outro, amados irmãos, senão Aquele a quem chamamos nosso Senhor Jesus Cristo, e que disse: ‘Eu sou o caminho’ (Jo 14,6).
É Ele, como diz São João, ‘que tira o pecado do mundo’ (Jo 1,29); é Ele que purifica nossas almas, como declara o profeta Jeremias: ‘Parai um pouco na estrada para observar, e perguntai sobre os antigos caminhos, e qual será o melhor, para seguirdes por ele; assim ficareis mais tranquilos em vossos corações’ (Jr 6,16).
Outrora, era com sangue de bodes e a cinza de novilhas que se aspergiam os que estavam impuros, mas só os corpos ficavam purificados. Agora, pela graça do Verbo de Deus, alcançamos a purificação total. Se seguirmos a Cristo, poderemos sentir-nos desde já nos átrios da Jerusalém celeste e saborear de antemão as primícias daquela Festa eterna.
Assim fizeram os Apóstolos, que foram e continuam a ser os mestres desta graça divina, porque seguiram o Salvador; diziam eles: ‘Nós deixamos tudo e Te seguimos’ (Mt 19,17).
Sigamos também nós o Senhor; preparemo-nos para celebrar a Festa do Senhor, não apenas com palavras, mas também com nossos atos.”
Nossas comunidades multiplicam, nestes dias, reuniões para a devida preparação da Semana Santa, o que é absolutamente necessário: roteiros, proclamações, reflexões, cantos, pequenos e grandes detalhes, que não podem ser esquecidos e que não devem ser improvisados.
Também se multipliquem momentos sagrados, como Vigílias, Sacramento da Penitência, Vias-Sacras, Grupos de Reflexão (novena) sobre a temática da Campanha da Fraternidade, momentos de oração em família, Missas e Celebrações.
Tudo isto é fundamental, mas como o Bispo exorta, “preparemos não apenas com palavras, mas também com nossos atos”. Aqui é oportuno lembrar a vivência fecunda dos exercícios quaresmais que a Igreja nos propõe, de modo especial neste Tempo da Quaresma: oração, jejum e esmola.
Verdadeiros discípulos missionários do Senhor que desejam segui-Lo, portanto, jamais poderão:
- Separar palavra do ato, o crer do viver, o anúncio do testemunho, as verdades professadas das ações acompanhadas;
- Reduzir a fé a discursos teóricos, vazios de conteúdo, porque não acompanhado das obras, o que os condenaria à morte, como nos lembra São Tiago em sua Carta (Tg 2,26);
- Ser sinal de esperança no mundo, se esta não for acompanhada da ação, da participação, em total confiança em Deus, que não nos infantiliza em imobilismos estéreis;
- Reduzir o Mandamento do Amor, que o Senhor nos ordenou, a meros e passageiros sentimentos do coração, mas fogo abrasador que não se apaga, que inflama a alma, o coração e todo o nosso ser, dando matizes Pascais ao nosso existir.
Vivendo a fé, dando razão de nossa esperança contra toda falta de esperança, e amando o nosso próximo como Jesus nos ama, caminhamos para a eternidade.
Concluamos com as palavras do Papa Francisco, na introdução de sua Mensagem para a Quaresma de 2017, uma exortação à prática da misericórdia e solidariedade para com o outro, vendo neste, um dom de Deus, para ser amado, acolhido, valorizado e promovido:
“A Quaresma é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola.
Na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui queria deter-me, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31).
Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como temos de agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, incitando-nos a uma sincera conversão”.
Quaresma: tempo favorável para aprendermos com os que nos antecederam (patriarcas, Profetas, Santos e Mártires) a entrelaçar mais intensamente o que celebramos e o que vivemos, para exultar de alegria na Páscoa do Senhor que se aproxima.
Em poucas palavras... (VDTQA)
A oração de Jesus na ressurreição de Lázaro
Na segunda oração referida por São João (Jo 11,41-42), antes da ressurreição de Lázaro:
“A ação de graças precede o acontecimento: «Pai, Eu Te dou graças por Me teres escutado», o que implica que o Pai atende sempre o que Lhe pede; e Jesus acrescenta logo: «Eu bem sabia que Tu Me atendes sempre», o que implica, por seu turno, que Jesus pede constantemente.
Assim, apoiada na ação de graças, a oração de Jesus revela-nos como devemos pedir: Antes de Lhe ser dado o que pede, Jesus adere aquele que dá e se dá nos seus dons.
O Doador é mais precioso do que dom concedido, é o «tesouro», e é n'Ele que está o coração do Filho; o dom é dado «por acréscimo» (Mt 6,21.33).” (1)
(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2604
Em poucas palavras... (VDTQA)
“Cremos
na Ressurreição da carne”
“Nós cremos e esperamos firmemente que, tal como Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos e vive para sempre, assim também os justos, depois da morte, viverão para sempre com Cristo ressuscitado, e que Ele os ressuscitará no último dia (Jo 6,39-40).
Tal como a
d'Ele, também a nossa ressurreição será obra da Santíssima Trindade:
«Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou
Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de
entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito
que habita em vós» (cf. Rm 8, 11; 1 Ts 4,14; 1 Cor 6,14; 2 Cor 4,14; Fl 3,10-11).”
(1) Catecismo
da Igreja Católica – parágrafo 989
Em poucas palavras... (VDTQA)
A Ressurreição de Cristo
“A Ressurreição de Cristo não foi um regresso à vida terrena, como no caso das ressurreições que Ele tinha realizado antes da Páscoa: a filha de Jairo, o jovem de Naim e Lázaro.
Esses fatos eram acontecimentos milagrosos, mas as pessoas miraculadas reencontravam, pelo poder de Jesus, uma vida terrena «normal»: em dado momento, voltariam a morrer.
A Ressurreição de Cristo é essencialmente diferente. No Seu corpo ressuscitado, Ele passa do estado de morte a uma outra vida, para além do tempo e do espaço.
O corpo de Cristo é, na ressurreição, cheio do poder do Espírito Santo; participa da vida divina no estado da Sua glória, de tal modo que São Paulo pode dizer de Cristo que Ele é o «homem celeste» (1 Cor 15,35-50).”(1)
(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 646







