sexta-feira, 24 de julho de 2026

Jesus, Tu és Aquele...

                                                              

Jesus, Tu és Aquele...
 
No primeiro anúncio de Sua Paixão, Jesus perguntou aos discípulos “E vós, quem dizeis que Eu sou”, e Pedro respondeu: “Tu és o Messias” (Mc 8,29). E nós o que respondemos?
 
Respondamos:
 
Tu és o Salvador do mundo, por Sua Paixão, Morte e Ressurreição, tendo nos amado, nos amaste até o fim, em amor indizível por nós, ainda que pecadores fôssemos.
 
Tu és Aquele que choraste sobre a incrédula Jerusalém e, com isto, preparavas a sua própria calamidade, predizendo sua definitiva destruição.
 
Tu és Aquele coroado de espinhos, em vez de palmas e ramos, vestido de púrpura por insano deboche, para nos revestir plenamente com Teu amor.
 
Tu és Aquele que sofreste com toda a paciência, suportando que homens desprezíveis Te batessem, mesmo assim os amaste.
 
Tu és Aquele que foi esbofeteado, cuspido, injuriado, atormentado, flagelado, e levado para a crucifixão, na humilhante morte de Cruz.
 
Tu és Aquele que permitiste ser crucificado entre dois ladrões, sendo contado entre homicidas e malfeitores, ainda que nenhum pecado tivesses cometido.
 
Tu és Aquele que degustaste o vinagre e o fel da vinha perversa, mesmo sendo a verdadeira videira do Pai, e sem o qual nada somos e nada podemos.
 
Tu és Aquele que bebeste o fel, carregando sobre Si a amargura e os desgostos desta vida, mortal e passível.
 
Tu és Aquele que bebeste vinagre, assumindo a natureza deteriorada do homem e a reintegrando ao seu estado primitivo.
 
Tu és Aquele que transformaste a púrpura em sinal de verdadeira realeza; a vara em frágil instrumento da debilidade e fragilidade do poder do diabo.
 
Tu és Aquele que transformaste as bofetadas, injúrias, golpes recebidos, e por nós merecidos, em anúncio da liberdade que nos alcançaste.
 
Tu és Aquele que do lado trespassado pela lança, ao jorrar água e sangue, permitiste que renascêssemos e do Teu Sangue fôssemos redimidos e alimentados: Batismo e Eucaristia.
 
Tu és Aquele que desceste à mansão dos mortos, pelo Pai, jamais abandonado, Ressuscitado, e junto d’Ele, nos enviaste o Teu Espírito para nos conduzir.
 
Tu és Aquele que nos enviaste em missão, para sermos sal da terra e luz do mundo, e bem sabemos, outro plano não tens, e esperamos jamais decepcionar. Amém.
 
 
Fonte inspiradora: Mc 8,27-35; Tratado sobre a Encarnação do Senhor, escrito por Teodoreto de Ciro (séc. V) – in Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp.466-4677


Apropriada reflexão para a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 9,18-24; Mt 16,13-20; Mc 10,35-45)

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE LEÃO XIV PARA O VI DIA MUNDIAL DOS AVÓS E DOS IDOSOS (síntese) (2026)

 


MENSAGEM DE SUA SANTIDADE LEÃO XIV
PARA O VI DIA MUNDIAL DOS AVÓS E DOS IDOSOS  (síntese)

“Eu nunca te esquecerei” (Is 49, 15)

A Mensagem para o VI Dia Mundial dos Avós e dos Idosos (2026), do Papa Leão XIV tem como lema a passagem do Livro do Profeta Isaías – “Eu nunca te esquecerei” (Is 49,15).

O Papa ressalta a experiência do povo de Deus que pode contar sempre com a ternura e bondade divinas, que jamais o esquece, renovando a consolação e a confiança na Sua providência.

Com isso, alerta para a dolorosa sensação de ser esquecida vivida por muitas pessoas, especialmente pelos idosos.

Ao longo da Mensagem, há exortações para multiplicarmos gestos de acolhida, atenção e ternura para com os idosos, avôs e avós, tanto na família como em outros espaços, como nos asilos onde a singularidade de cada pessoa corre o risco de ser reduzido ao número da sua cama ou à sua patologia.

Dessa forma, a celebração do Dia Mundial dos Avós e dos Idosos é uma oportunidade para redescobrir que a Igreja é chamada a ser mãe de todos e que é sempre possível, em qualquer idade, descobrir-se filhos e filhas de Deus.

O Papa também nos alerta para a cultura digital que multiplica as conexões e oferece novas possibilidades de encontro; no entanto, o coração humano conserva uma necessidade inalienável de proximidade (Carta enc. Magnifica humanitas, 239), daí a importância da proximidade exortada.

Citando Santo Agostinho, recorda que, neste novo caminho de atenção e solicitude para com os idosos, pode-se reconhecer Deus aquele que  «é mãe porque aquece, porque alimenta, porque amamenta, porque protege» (Comentário ao Salmo 26, II, 18).

Recorda as palavras do Papa Francisco que se referiu aos idosos como um “novo povo” (Catequese, 23 de fevereiro de 2022), uma vez que o número de pessoas de idade avançada nunca foi tão elevado na história da humanidade. Nela, a fragilidade se faz presente e não pode ser causa de medo.

Trata-se de viver este tempo como tempo de renascimento na velhice (Jo 3,4-6), assumindo juntos compromissos renovados para a superação da violência bélica e social, assegurando um futuro onde possam crescer os próprios netos.

A Mensagem termina agradecendo pelas orações dirigidas a ele, especialmente no  terço, e retribui pedindo que o Senhor renove a todos na fé, na esperança e na caridade, na certeza de que Deus nunca se esquece de nós.

 

Oremos pelos nossos avós e idosos

 


Oremos pelos nossos avós e idosos

Senhor Deus de ternura e bondade, a Vós que prometestes - “Eu nunca te esquecerei” (1), nós Vos pedimos: acolhei os avós e os idosos em Tua ternura e renovai neles a confiança em Vossa eterna Providência, e fazei brilhar Vossa Luz nas horas sombrias de solidão, e por vezes, até mesmo no abandono dos seus.

Concedei-nos, ó Deus, a graça de multiplicarmos gestos de acolhida e carinho para com nossos avós e idosos, e que nossas famílias sejam lares de proximidade, onde cada vida seja respeitada em sua singularidade, e a fragilidade seja vista como dom de amor e serviço, no irradiar de santa alegria.

Ajudai-nos, para que, como Igreja, sejamos como uma mãe que aquece e protege, e juntos façamos progressos na vivência da fé, esperança e caridade; convictos em Vossa presença, animados e conduzidos pela Palavra do Vosso Filho, contando com a ação e presença do Santo Espírito, que vem em socorro de nossas fraquezas (2). Amém.

(1)               Is 49,15

(2)             Rm 8, 26-27

Esperança, a virtude divina que tanto precisamos

                                                      

Esperança, a virtude divina que tanto precisamos
 
"A esperança é o sonho acordado”, afirmou há mais de dois milênios o filósofo Aristóteles. Uma grande intérprete da MPB cantou: “quero ver a esperança de óculos”.
 
Esperança, palavra que ocupou o pensamento dos filósofos, dos Profetas, dos Apóstolos, dos grandes pais espirituais da História da Igreja e luminares de todos os tempos.
 
Esperança, a segunda virtude teologal, nos move, nos impele sempre ao encontro do melhor que Deus tem para nós. Esperança é como uma âncora que atravessou o véu do Santuário e firmou-se no horizonte da eternidade: céu (cf. Hb 6,19)
 
Sem ela não sabemos aonde vamos, tampouco onde nos encontramos, no desenvolver dos emaranhados dos fatos, da teia da vida com seus entrelaçamentos e imbricamentos; por vezes em sobreposição de fatos, noutras com relações tão próximas que se confundem e nos inquietam ao descortinamento, à compreensão. 
 
Como cristãos, cremos que a esperança está ao lado de Deus, acompanhada pelo Seu olhar, para que possamos ver as coisas, o futuro, sobretudo, exatamente como Ele vê, sem inquietações fúteis e autodestrutivas, que em nada colaboram, enriquecem, para relações mais humanas, mais belas e fraternas.
 
Ela é a expectativa de algo positivo para um futuro não tão longínquo, por isto deve dar sustentação ao nosso presente, ainda que tenhamos que enfrentar os dissabores e os insucessos aparentes e provisórias perdas irreparáveis, derrotas irreversíveis...
 
Esperança é, como disse o autor do Apocalipse, ver um novo céu e uma nova terra (Ap 21,1-5a), pois as coisas antigas passaram, passarão o céu e a terra, mas a Palavra do Senhor jamais passará.
 
Esperança é, portanto, contar com o futuro no horizonte da fé, movidos no presente pela caridade, que nos faz imagem e semelhança de Deus.
 
A capacidade de amar e ser amado nos faz verdadeiramente imagens do Deus Trindade Santíssima de Amor e Comunhão.

Esperança é possuir a inquebrantável confiança de que o amanhã será melhor, ainda que hoje as lágrimas insistam em correr, mortes e lutos permaneçam invadindo e aniquilando nosso existir, deixando sombrio nosso cotidiano.
 
Não Se encontra no sepulcro Aquele que pela morte passou, porque o Pai O Glorificou, e o Espírito nos enviou para nos acompanhar nos passos firmes da história.
 
A Ressurreição do Senhor não foi o desmentido do Calvário, ao contrário o confirmou: a Inevitabilidade do calvário e da Cruz, para que a glória seja alcançada.

Encorajando os discípulos, eles os exortavam a permanecer firmes na fé, dizendo-lhes: “É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus” (At 14, 22).
 
A esperança exige audácia, tenacidade, resistência positiva e corajosa diante das dificuldades; superando toda tentação de individualismo, indiferença, niilismo, ceticismo, relativismo etc.
 
Esperança jamais pode ser a espera confiante e passiva, sem nada fazermos, sem em nada nos comprometermos com o mundo novo que há de vir. É preciso uma colaboração operosa e responsável, com gestos expressivos de solicitude e doação, organização, participação em todos os âmbitos e espaços em que vivemos.
 
Renovemos nossa esperança, inspirados nas palavras do Apóstolo Paulo, que nos exorta a imitar o comportamento exemplar de Abraão, o qual “foi com uma esperança, para além do que se podia esperar, que ele acreditou e assim se tornou pai de muitos povos, conforme o que tinha sido dito: Assim será a tua descendência” (Rm 4,18).
 
A Esperança, Virtude Divina que tanto precisamos para dar sentido a nossa vida. É preciso dar razão de nossa esperança. Amém.
 

A alegria cristã não dispensa sacrifícios

                                                      


A alegria cristã não dispensa sacrifícios
 
Viver a vocação profética é assumir a história do povo em marcha, passando da escravidão para a liberdade, olhando o mundo com os olhos de Deus, para testemunhar com fidelidade, confiança e esperança em todas as circunstâncias e em todos os momentos, abandonando, definitivamente, os óculos escuros da desesperança.
 
Com os profetas e com a Carta do Apóstolo São Tiago, aprendemos que a alegria que Deus nos oferece não nos dispensa de compromissos, empenhos, embates, passos largos a serem dados em busca de horizontes inéditos, como que reconstruindo o paraíso que foi manchado pelo pecado.
 
O Apóstolo Tiago nos exorta à paciência e ao olhar de fé que deve ser renovado, cotidianamente, em cada Banquete da Eucaristia celebrado, a fim de que a alegria e a esperança invadam nosso coração.
 
Ele também nos ensina que é sempre tempo de reavivar a confiança e paciência, na espera do Senhor que veio, vem e virá.
 
Recuperar e jamais perder os valores cristãos autênticos e cultivar a paciência, até que ocorra a intervenção final de Deus na história: confiar no Senhor não é sinônimo de cruzar os braços.
 
Urge, portanto, a cada dia, reconstruir o paraíso, não como saudade estéril, mas como esperança e confiança frutuosa. 
 
Reflitamos:

- Em um mundo marcado pela depressão, tristeza, dor, como ser sinal de alegria?
 
- Onde e quando precisamos ser profetas da alegria, portadores de uma Palavra que renova, revigora, refaz forças na construção do Reino de Deus?
 
- Qual o caminho verdadeiro para expor nossas dúvidas com toda sinceridade, diante de Deus e com quem convivemos?
 
Seja nossa vida cristã marcada pela autêntica alegria, edificada sobre a Rocha da Palavra Divina, nutridos pela força que nos vem da Santa Eucaristia.

Em poucas palavras...

 


Ingratidão para com o Senhor, jamais

“Como Ele nos ama!

Quanto sacrifício, quantas penas não passou para nos salvar, desde o presépio até à Cruz!

O que nos dizem os mistérios dolorosos do Rosário,

as estações da Via Sacra, a Cruz, os pregos e a lança,

 as feridas?

 

O Senhor sofreu tudo isso por nós, por cada um de nós, unicamente para nos abrir o acesso ao Pai (Ef 2, 18),

para nos obter o perdão dos pecados

e o direito de possuirmos a vida eterna.

 

Nós, em recompensa,

pecamos e desprezamos todos os seus sacrifícios.

 

E a dor mais aguda da agonia em Getsêmani foi esta:

Jesus previu com clarividência divina a ingratidão com que lhe iríamos corresponder” (1)

 

(1)B. Baur, En la intimidad con Dios, pág. 68 – citado em hablarcondios.org

PS: Reflexão apropriada para a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 13, 10-17)



Em poucas palavras...

 


Ser terra boa é o que importa

“A única coisa que nos importa – comenta são João Crisóstomo – é não sermos caminho, nem pedregal, nem cardos, mas terra boa (...)

O coração não seja caminho onde o inimigo arrebate, como o pássaro, a semente calcada pelos transeuntes, nem pedregal onde a pouca terra faça germinar imediatamente aquilo que o sol queimará, nem carrascal de paixões humanas e cuidados da vida.” (1)

 

(1) Hablarcondios.org

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