quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Em poucas palavras...

                                            


A graça de Deus

“A tentação de medir o progresso do Reino de Deus sempre ronda nossas comunidades: ainda com demasiada frequência, avaliamos as coisas sob o aspecto quantitativo e visível.

Quando fazemos estatísticas e levantamentos necessários, não podemos esquecer uma variável misteriosa, mas real, que pode mudar todos os valores dos nossos dados: a graça de Deus.” (1)

 

(1) Comentário do Missal Cotidiano - Editora Paulus - 1998 - p. 719

Senhor, Não nos deixeis cair em tentação

                                              

Senhor, Não nos deixeis cair em tentação

Ouvimos na Leitura da quarta-feira da quarta Semana do Tempo Comum (ano par) uma passagem do Segundo Livro de Samuel (2Sm 24,2.9-17), na qual o Rei Davi reconhece o seu pecado ao fazer o recenseamento do povo.

A tentação do poder levou Davi ao recenseamento, que era a expressão de sua dupla ambição: o cadastramento da população que contribuía com tributos (exploração econômica); o levantamento dos homens aptos para a guerra (dominação política).

Este episódio do recenseamento mostra certa "secularização" do governo de Davi, ou seja, a tendência a gerir os negócios do reino segundo os costumes dos outros poderosos, e por isto seu remorso e oração ao Senhor, por ter se comportado como se tudo não estivesse nas mãos de Deus, Senhor da vida e da morte; como se o registro do potencial humano e econômico lhe garantisse uma segurança demasiado humana, proporcionando-lhe uma sensação de êxito e poder.

Bem diferente é a ótica de Deus e do Profeta, ainda que pareça um pouco fora do comum para nós, apresenta-se como a nova visão que perpassa os acontecimentos humanos e faz da história profana uma história sagrada: o Deus da Aliança quer e deve ser o único.

No Missal Cotidiano, encontramos esta questionadora reflexão para nossas comunidades que professam a fé em Deus:

“A tentação de medir o progresso do Reino de Deus sempre ronda nossas comunidades: ainda com demasiada frequência, avaliamos as coisas sob o aspecto quantitativo e visível.

Quando fazemos estatísticas e levantamentos necessários, não podemos esquecer uma variável misteriosa, mas real, que pode mudar todos os valores dos nossos dados: a graça de Deus”. (1)

Em todos os níveis, corre-se o risco de escrever a história com dupla atitude extrema: escrevê-la como se nada dependesse de Deus, sem espaço para Sua graça, presença e ação, na absoluta negação ou indiferença em relação a Ele; de outro lado a passividade ou omissão, confiando tudo à ação divina, não fazendo o que nos é próprio, com as forças e recursos que nos são confiados e disponíveis.

Reflitamos:

- Em que sentido elas se relacionam e se completam, para que a vida seja mais humana, como expressão de vida plena para todos?

- De que modo se dá a interação entre a fé e a razão para não cairmos em estéril fideísmo ou num ativismo que prescinda de Deus e da própria fé?

- Como colocar todos os recursos disponíveis que nos são confiados para cuidar da nossa casa comum, de nosso planeta, como refletimos a partir da Encíclica do Papa Francisco – “Laudato Si”?

- De que modo a tentação e o pecado de Davi se repetem ao longo da história da humanidade, de nossas comunidades e de nossa própria história?

São questões pertinentes que nos desafiam a tomar a mesma atitude de Davi: reconhecer nosso pecado, e nos colocarmos como frágeis criaturas diante do Criador, a quem tudo pertence, e cuidar do jardim que Ele nos confiou, como responsáveis jardineiros da criação. E tão somente assim, cuidaremos de nossa casa comum, e todos teremos melhores condições de vida, assegurando também aos que virão.


(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus - 1998 - p. 719

Resiliência na travessia

 


Resiliência na travessia

Resiliência: uma palavra que tem sido cada vez mais falada, e que bem compreendida e vivida pode nos ajudar ao escrever sempre novas páginas de alegria, vida e esperança.

Uma possível definição da palavra: “habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas”. (1)

Oremos:

Concedei-nos, Senhor, resiliência no enfrentar de uma enfermidade, acompanhada da fé, de mãos dadas com a ciência: uma fé que a ciência não dispensa, uma ciência que a fé não desconsidere (renegue).

Que nos ajude no autocontrole, acompanhado da força de vontade de superação de situações embaraçosas, e que não nos sejam aniquiladas nossas forças.

Para suportar com fortaleza, sem nos deixarmos vencer pelo espírito de medo e timidez, crendo em Vós, que nos acompanha em todos os passos e nos fortalece (2)

Peregrinos de esperança sejamos, resilientes em toda e qualquer situação, confiando em Vossa presença na barca de Vossa Igreja, que nos garante o chegar à margem, em necessária travessia... (3)

Com sabedoria, remar, por vezes, contra a maré das provações e dificuldades, aguentando firme, sem jamais perder o horizonte da esperança, no bom combate da fé (4), inflamados pela chama de Vossa Caridade. Amém.

 

(1)     Dicionário Aulete

(2)    2 Tm 1,7

(3)    Mc 4,35-41

(4)   2 Tm 4,7

 

Vocação profética, um desafio

                                                      


Vocação profética, um desafio

           “Jesus lhes dizia:
'Um profeta só não é estimado em sua pátria,
entre seus parentes e familiares'.” (Mc 6,1) 

Na quarta-feira da 4ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho (Mc 6,1-6).

De fato, Deus nos chama para que sejamos Suas testemunhas apesar de nossas limitações, fragilidades, pois é, paradoxalmente, em nossa fraqueza que Ele manifesta a Sua força.

Contemplamos, através da ação e presença de Jesus, esta ação divina, mas os conterrâneos de Jesus, em Nazaré, não souberam ir ao encontro e acolher Deus na Pessoa de Jesus, o Emanuel, Deus conosco, ao contrário, tiveram uma reação totalmente oposta, de rejeição, indiferença; não conseguem reconhecer a presença de Deus naquilo que Ele diz e faz.

Embora rejeitado pelos Seus, a missão de Jesus pelo Pai a Ele confiada, não é invalidada e tão pouco interrompida. Bem dizia São Francisco, pelos caminhos da Itália: “O Amor não é amado”.

“Cristo Crucificado é o emblema do Amor infinito de Deus por nós. Embora vergados sob a Cruz, com coração obstinado, os homens desafiam a Sua onipotência; Ele permanece inerme na Cruz, mostrando um Amor indefectível, mais forte que a morte.

[...] A Cruz de Cristo revela a maldade humana, mas, mais ainda, revela o Amor de Deus. Aos pés da Cruz de Cristo confrontam-se num dramático e perene duelo, ‘a fortaleza débil’ do homem e a ‘fraqueza forte’ de Deus. A fé é que nos revela quem é o vencedor”. (1)

Podemos nós também acolher ou nos tornarmos indiferentes à proposta de Jesus, como Seus conterrâneos, fechados em nossos esquemas mentais, preconceitos diversos, que impedem o reconhecimento e acolhida d’Ele em nossa vida.

Isto também pode ocorrer na missão dos discípulos; importa não se deixar levar pelo desânimo, frustração, dificuldades.

Se grande é a incredulidade humana, bem maior é o Amor de Deus por nós.

Tenhamos um olhar mais atento aos grandes personagens da Bíblia, que viveram sua história de amor e sedução por Deus, cada um em seu tempo: Ezequiel, o Apóstolo Paulo, e tantos outros, para que na fidelidade ao Senhor, enraizemos profundamente em Seu Amor, sem o que a chama profética se apagaria totalmente, e com isto não saberíamos qual o sentido do próprio existir.

Precisa-se de Profetas autênticos, para que o mundo seja mais próximo do que Deus quer para nós. Qual é a nossa resposta?

No rosto humano de Jesus, a divindade de Deus se revela, e no rosto divino de Jesus se revela a Sua humanidade: em Jesus o humano e o divino se encontram.

A atitude de Jesus nos convida a nunca desanimar e desistir: Deus tem Seus Projetos e sabe como transformar o fracasso em êxito.

Pelo Batismo, continuamos a missão de Jesus vivendo a vocação como graça e enfrentando as possíveis dificuldades.

A missão do profeta, no seguimento do Senhor, não é a busca do prazer, sucesso, vedetismo, holofotes, mas é algo sério, profundo e que dá sentido à vida.

É Deus que nos chama para a vocação profética, apesar de nossas limitações, mas somente uma paixão profunda por Jesus nos fará profetas, aguentando o espinho na carne, enfrentando e superando incompreensões, oposições e acusações.

Tão somente enraizados no amor de Deus, nutridos pelo Pão da Imortalidade, iluminados pela Palavra do Senhor, e com a força e luz do Santo Espírito, é que poderemos realizar, com solicitude e ardor, a missão profética recebida no dia de nosso Batismo.

Quando da Eucaristia autenticamente participamos, pela Palavra de Deus somos iluminados, e pelo Pão da Imortalidade fortalecidos, renovamos e revigoramos a vocação profética que o Senhor nos concedeu.

Que Deus nos conceda a graça de uma fé humilde, disponibilidade confiante e obediência filial, para vivermos autenticamente a missão que nos confia, não por causa de nossa força e mérito, até mesmo por falta deles. 

Reflitamos:

- Qual é a minha vocação na Igreja e no mundo?

- Para onde Deus me chama e me envia?

- Como se manifesta em mim a graça divina?

- Para que Deus me chama?

- A missão do Profeta não é pelo prazer, mas em fidelidade ao Sopro do Espírito, suportando as diversas dificuldades acima mencionadas. Sei suportar estas dificuldades, provações, na vivência de minha vocação profética?

Voltemo-nos à oração depois da Comunhão da Solenidade de São Pedro e São Paulo, que muito nos fortalece no discipulado e missão, para sermos, hoje, os profetas no mundo como Deus tanto espera.

Renovemos, dia a dia, a paixão pelo Senhor e agradeçamos pela Graça Divina da Vocação profética.

Oremos:

“Concedei-nos, ó Deus, por esta Eucaristia, viver de tal modo na Vossa Igreja que, perseverando na Fração do Pão e na Doutrina dos Apóstolos, e enraizados no Vosso Amor, sejamos um só coração e uma só alma. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém!”

 

(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - pp.663-666.

PS: Oportuno para o 14º Domingo do Tempo Comum - ano B

Rezando com os Salmos - Sl 128 (129)

 



Jamais a perda da esperança em Deus

“–1 Quanto eu fui perseguido desde jovem,
que o diga Israel neste momento!
–2 Quanto eu fui perseguido desde jovem,
mas nunca me puderam derrotar!

–3 Araram lavradores o meu dorso,
rasgando longos sulcos com o arado.
–4 Mas o Senhor, que sempre age com justiça,
fez em pedaços as correias dos malvados.

–5 Que voltem para trás envergonhados
todos aqueles que odeiam a Sião!
–6 Sejam eles como a erva dos telhados,
que bem antes de arrancada já secou!

–7 Esta jamais enche a mão do ceifador
nem o regaço dos que juntam os seus feixes;
=8 para estes nunca dizem os que passam:
'Sobre vós desça a bênção do Senhor!
Em nome do Senhor vos bendizemos!'”

Ao rezar o Salmo 128(129), um salmo de romaria, o povo oprimido renova a sua esperança em Deus:

“A recordação da história do povo, feita de muitas aflições, das quais, porém, Deus sempre o libertou, inspira ao salmista um olhar confiante para o futuro: os atuais inimigos não poderão derrotá-lo” (1)

Seja a nossa confiança e esperança renovada no Senhor que nos assiste em todos os momentos, e completemos em nossa carne o que falta a paixão de Cristo, como nos fala o Apóstolo Paulo:

“Alegro-me nos sofrimentos que tenho suportado por vós e completo o que na minha carne falta às tribulações de Cristo, em favor do seu Corpo que é a Igreja.”(Cl 1,24)

 

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 840


Rezando com os Salmos - SL 127 (128)

 



Supliquemos a bênção divina para nossas famílias

“1 Feliz és tu se temes o Senhor
 e trilhas Seus caminhos!

–2 Do trabalho de tuas mãos hás de viver,
serás feliz, tudo irá bem!
–3 A tua esposa é uma videira bem fecunda
no coração da tua casa;
– os teus filhos são rebentos de oliveira
ao redor de tua mesa.

–4 Será assim abençoado todo homem
que teme o Senhor.
–5 O Senhor te abençoe de Sião,
cada dia de tua vida;

– para que vejas prosperar Jerusalém
6 e os filhos dos teus filhos.
– Ó Senhor, que venha a paz a Israel,
que venha a paz ao Vosso povo!”

O Salmo 127(128) é um salmo de romaria e com ele suplicamos a paz do Senhor para nossas famílias:

“A casa onde reina o amor de Deus é um lar feliz, que goza da paz e da alegria verdadeiras; o chefe de família é abençoado no trabalho, na casa, na esposa e nos filhos.” (1)

Este Salmo é rezado com muita frequência na celebração do Sacramento do Matrimônio, de modo que, pode  e deve ser rezado sempre pelas nossas famílias, na confiante súplica da bênção divina, para que nossas famílias sejam verdadeiras pequenas igrejas domésticas.

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 840

Rezando com os Salmos - SL 126 (127)

 


A necessária bênção divina

“–1 Se o Senhor não construir a nossa casa,
em vão trabalharão seus construtores;
– Se o Senhor não vigiar nossa cidade,
em vão vigiarão as sentinelas!

–2 É inútil levantar de madrugada,
ou à noite retardar vosso repouso,
– para ganhar o pão sofrido do trabalho,
que a seus amados Deus concede enquanto dormem.

–3 Os filhos são a bênção do Senhor,
o fruto das entranhas, sua dádiva.
–4 Como flechas que um guerreiro tem na mão,
são os filhos de um casal de esposos jovens.

–5 Feliz aquele pai que com tais flechas
consegue abastecer a sua aljava!
– Não será envergonhado ao enfrentar
seus inimigos junto às portas da cidade.”

O Salmo 126(127) é um salmo de romaria, e com ele refletimos sobre o trabalho que, sem Deus, é inútil:

“Aos que, depois do exílio, restauram a cidade lembra-se que a construção e a defesa da cidade, bem como a fecundidade e o bem-estar da família dependem da bênção divina.” (1)

O Apóstolo aos Coríntios nos ilumina para que compreendamos o verdadeiro sentido que devemos dar ao nosso existir:

“Aquele que planta e aquele que rega são a mesma coisa, mas cada qual receberá o salário correspondente ao seu trabalho, pois nós somos cooperadores de Deus; e vós lavoura de Deus, construção de Deus.” (1 Cor 3,8-9).

Roguemos as bênçãos divinas sobre nós para que tudo que façamos, seja para a Sua honra e glória. Amém.

 (1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 839

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG