domingo, 1 de março de 2026

Sigamos os passos de Jesus Cristo

                                                       

Sigamos os passos de Jesus Cristo

Reflitamos sobre a passagem da Primeira Carta de Pedro (1Pd 2,21-24), em que o Apóstolo nos diz  como deve agir aquele que segue o Bom Pastor, respondendo à injustiça com o amor, ao mal com o bem.

“O Cristo por nós padeceu, deixou-nos o exemplo a seguir. Sigamos, portanto, Seus passos! Pecado nenhum cometeu, nem houve engano em Seus lábios.

Insultado, Ele não insultava; ao sofrer e ao ser maltratado, Ele não ameaçava vingança; entregava, porém, Sua causa Àquele que é justo juiz.

Carregou sobre Si nossas culpas em Seu corpo, no lenho da Cruz,  para que, mortos aos nossos pecados, na justiça de Deus nós vivamos. Por Suas chagas nós fomos curados”.

Por volta dos anos 80 d.C, a comunidade vivia um contexto de perseguição, dificuldades, hostilidade por parte daqueles que defendiam a ordem romana.

A comunidade vivia um momento de fragilidade diante das provações e dificuldades, e a tendência seria de que se tornaria menos favorável ainda.

Deste modo, o Apóstolo exorta a comunidade para que siga o exemplo de Jesus Cristo, que sofreu e morreu, antes de alcançar a Ressurreição.

Trata-se, portanto, de um convite à peregrinar na esperança: apesar dos sofrimentos a serem suportados, todos que se mantiverem firmes estarão destinados a triunfar com Cristo; por isso, devem viver com alegria e coragem a graça do compromisso batismal.

Deste modo, “Jesus é o modelo para os que creem, conduz e guarda a todos que n’Ele confiam. O cristão segue e testemunha a fidelidade a este Jesus que sofreu sem culpa e que suportou os sofrimentos com amor, rejeitando absolutamente o recurso da violência, com total mansidão, porque tão somente o amor gera a vida nova e transforma o mundo: ‘“Ele sofreu (v. 21) sem ter feito mal nenhum (v. 22); maltratado pelos inimigos, não respondeu com agressão e vingança (v. 23); pelo dom da Sua vida, eliminou o pecado que afastava os homens de Deus e uns dos outros (vers. 24); por isso, Ele é o Pastor que conduz e guarda os crentes (v. 25)’.” (1)

Contemplemos a Paixão voluntária de Jesus Cristo, o Servo de Deus, a Ele unidos e configurados, sobretudo vivendo intensamente este Tempo Quaresmal, preparando-nos para celebrar a Sua Gloriosa Ressurreição.

Com coragem e fidelidade sigamos os passos de Jesus Cristo, o Servo de Deus.

Trilhemos o itinerário quaresmal, cientes de que o caminho da glória passa, inevitavelmente, pela cruz. Amém.



A Transfiguração do Senhor nos fortalece no caminho da fé (IIDTQA)

 


A Transfiguração do Senhor nos fortalece no caminho da fé

“Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo meu agrado. Escutai-O” (Mt 17,5)

O caminho da fé é um abrir-se à vontade divina, tendo que sair da zona de conforto, como vemos na Liturgia do segundo Domingo da Quaresma:

- Abrão: “deixa a tua terra…” (primeira Leitura);

- Apóstolo Paulo: “sofre comigo pelo Evangelho…” (segunda Leitura);

- João, Pedro e Tiago: Jesus “levou-os, em particular, a um alto monte…” (Evangelho).

Também nós, no testemunho de nossa fé, somos chamados a viver estes santos apelos da Liturgia.

Peregrinos de esperança não conhecem facilidades, e as necessárias renúncias nos acompanham dia a dia, para que tomemos nossa cruz, e sigamos o Senhor, em total disponibilidade e confiança.

Ao celebrar o segundo domingo da quaresma, seja para nós a experiência do Monte da Transfiguração, verdadeira experiência teofânica.

Precisamos ouvir a voz do Filho Amado, acompanhado de um convite para nós sintonizarmos nossa voz à escuta do Filho Amado –“Este é o meu Filho amado, no qual eu pus todo o meu agrado. Escutai-O.” (Mt 17,5).

Seja para nós a Transfiguração um antegozo da glória da eternidade, que passa inevitavelmente pela Cruz, de tal modo que, não se pode separar o Monte da Transfiguração do Monte do Calvário e sua consumação no escuro de uma sepultura, onde sepultaram o Seu Corpo.

No entanto, o Amor de Deus falou mais forte e Ressuscitou Seu Filho, e Ele, glorioso, caminha conosco, para que renovemos sagrados compromissos para transfigurar nossa realidade, marcada por tantos sinais de dor, sofrimento e morte.

Transfiguração do Senhor: há um mundo a ser transfigurado. Eis a nossa missão na abertura da vontade divina.

Sejam para nós exemplares: Abraão, Paulo, Timóteo, Pedro, João, Tiago... Não podemos recuar jamais, apesar dos desafios e provações a serem enfrentados. Amém.


PS: Passagens bíblicas da Liturgia – Gn 12,1-4ª; Sl 32; Mt 17,1-9

Transfiguração do Senhor: Do bom combate da fé à vida plena e definitiva (IIDTQA)

                                                             

Transfiguração do Senhor:
Do bom combate da fé à vida plena e definitiva 

O caminho da glória eterna
passa, inevitavelmente, pela Cruz.

Com a Liturgia do segundo Domingo da Quaresma (ano A), celebramos a Transfiguração do Senhor, dando mais um passo em nosso itinerário rumo à Páscoa.

A Transfiguração do Senhor é um convite à escuta atenta à voz de Deus e obediência total e radical ao Seu Plano, que Jesus realizou plenamente, por isto Ele é o Filho Amado que deve ser escutado no Monte Tabor e, com a força do Espírito, a Sua Palavra devemos realizar na planície do cotidiano, na história concreta, com suas alegrias e tristezas, angústias e esperanças...

Na passagem da primeira Leitura (Gn 12,1-4) é nos apresentado Abraão, que é para todos nós, o modelo de crente, modelo daquele que crê, percebe e segue, de coração confiante, o Projeto de Deus, colocando a vontade de Deus acima da própria vontade.

Abraão possui uma fé radical, confiança total e obediência incondicional às Propostas de Deus. Carrega dentro de si o sonho dos patriarcas: terra fértil e uma família numerosa, e em nenhum momento deixou de acreditar na promessa de Deus.

A mensagem que nos ilumina: Deus não desiste da humanidade e continua a construir com ela uma história de salvação, e Abraão é a pura e máxima expressão desta confiança na promessa divina.

Abraão é o homem que encontra Deus, que está atento aos Seus sinais e os interpreta, procurando responder aos desafios de Deus com total obediência e entrega.

Reflitamos:

- O que Abraão nos ensina em nossa caminhada de fé?
- Vivo um sim incondicional à vontade de Deus?
- Vivo uma fé instalada e acomodada?

- O que significa, como Abraão, pôr-se sempre a caminho e a Deus oferecer-se, e n’Ele confiar totalmente, entregando-lhe o que de melhor se possui?
- Deus vem, sempre por Amor, ao nosso encontro. Como correspondo ao Seu Amor e Projeto de Salvação?

Na passagem da segunda Leitura (2 Tm 1,8b-10), Paulo exorta Timóteo, e toda a comunidade, a manterem-se fiéis no discipulado, deixando de lado todo medo, acomodação, instalação e distração.

Na vida dos discípulos missionários não pode haver lugar para o desânimo e vacilo na fé. É preciso manter o ânimo, com fortaleza, enfrentar e superar as dificuldades, com fidelidade total no testemunho da fé n’Aquele que nos chamou, Jesus.

Tomando consciência da presença amorosa e preocupação de Deus para conosco, continuar no bom combate, no testemunho da fé. É preciso sempre levar a sério a vocação para a qual Deus nos chama, superando toda e qualquer forma de timidez, medo, insegurança...

Na passagem do Evangelho (Mt 17, 1-9), contemplamos a Transfiguração do Senhor, e a manifestação da antecipação de Sua glória, mas que é precedida pelo caminho da doação da vida, do Mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição. O caminho da glória eterna passa, inevitavelmente, pela Cruz.

A experiência vivida no Monte Tabor é a antecipação da glória eterna, para que, quando da experiência da morte de Cruz de Jesus, os discípulos não desanimem, e continuem firmes na fé, no testemunho.

Virá a inquietante pergunta: “Vale a pena seguir um Mestre que nada mais tem para oferecer do que a morte na Cruz?”.

A Transfiguração é a resposta: o aparente fracasso da Cruz é a nossa vitória. Deus Ressuscitou Seu Filho e não permitiu que a morte tivesse a última palavra.

Lembremo-nos das palavras do Apóstolo Paulo aos Gálatas – “Quanto a mim, que eu não me glorie, a não ser na Cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio do qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo.” (Gl 6,14).

A Transfiguração é, portanto, uma teofania, ou seja, uma manifestação de Deus. Os sinais, os dados são relatos teofânicos do Antigo Testamento: monte, voz do céu, aparições, vestes brilhantes, nuvem, o medo e a perturbação dos três discípulos (João, Pedro e Tiago).

Jesus é o novo Moisés, e com Ele uma nova libertação. Com Ele Deus sela uma nova e eterna Aliança.

Moisés recebeu a Palavra, a Lei no Monte Horeb, Jesus é a própria Palavra do Pai a ser ouvida e acolhida.

A Transfiguração é uma mensagem catequética inesquecível na vida dos discípulos: Jesus é o Filho Amado de Deus, que realiza com Sua vida, doação, paixão e morte de Cruz, o Projeto de salvação divina. Ele apresenta um Projeto a quantos queiram ouvi-Lo e segui-Lo.

O caminho que Ele fará e fez é também o caminho daqueles que o seguirem. O aparente e provisório fracasso será uma eterna e verdadeira vitória.

A Transfiguração é uma mensagem de confiança e esperança – a Cruz não será a palavra final, pois no fim do caminho de Jesus, e na vida dos discípulos que O seguirem, está a Ressurreição, a vida plena, a vitória sobre a morte.

Pela Transfiguração do Senhor, testemunha-se que uma existência feita como dom não é fracassada, ainda que culmine na Cruz. A vida plena e definitiva se vislumbra no horizonte, bem no final do caminho, para todos aqueles que, como Jesus, colocarem sua vida a serviço dos irmãos.

Na planície por vezes também podemos ser tentados pelo desânimo, e é nesta hora que a Transfiguração do Senhor não permite que nos entreguemos, recuemos.

Avançar sempre para águas mais profundas. A Transfiguração é como um grito ecoado no alto do Monte Tabor: “Não desanimem, pois Deus não permite que nossa vida seja uma marca de fracasso. Creiamos na Ressurreição, busquemos a vida definitiva, a felicidade sem fim, com coragem, carregando a cruz em total fidelidade ao Senhor.”.

Escutar Sua Palavra no Monte Sagrado não basta, é preciso vivê-la na planície, no autêntico testemunho da fé. Viver a religião não como evasão, fuga, distanciamento de compromissos concretos de amor e solidariedade.

Sendo assim, a religião jamais será um ópio a nos entorpecer, mas um sagrado compromisso com Deus, e, portanto, com Sua imagem e semelhança, com a humanidade, obra de Suas mãos, e com o mundo que nos entregou para cuidar, desde as primeiras páginas da História da Salvação:

“A vida é combate. O primeiro ato do ser humano no seu nascimento é um grito. Ele deverá lutar para viver. Muitos doentes sabem que devem lutar contra o mal, o sofrimento, o desencorajamento, a lassidão.

Desistir de lutar é sintoma de uma doença que se chama depressão. Podemos lutar para nos curarmos fisicamente. Podemos lutar para nos mantermos de pé na provação. A vida espiritual também é um combate.

O Senhor é Alguém que Se deixa procurar. Segui-Lo supõe, por vezes, escolhas radicais.

Nesta semana, aceitemos conduzir um combate. Não para ser os melhores, nem para esmagar os outros, mas para viver e fazer viver.

A vitória neste combate é-nos anunciada neste domingo, em que nos juntamos ao Senhor Transfigurado. Mas Ele diz-nos que, antes de Ressuscitar, deve passar pelo combate da Paixão. A Ressurreição é a vitória do combate pela vida” (1).

A Eucaristia é, portanto, o momento em que sentimos fortemente a presença de Deus, e refazemos nossas forças, porque no Banquete Eucarístico nossa fé é nutrida, nossa esperança é dilatada e nossa caridade é fortalecida.


(1) Citação extraída do site:
http://www.dehonianos.org/portal/default.asp

Presbítero: homem da imersão e da emersão... (IIDTQA)

                                                          

Presbítero: homem da imersão e da emersão...

“Imerso no Amor para fazer emergir a vida...”

Em todo tempo, mas de modo especial na Quaresma, vivemos, como Igreja, o Tempo da graça e reconciliação; tempo de revisão e revigoramento de nossa fé na fidelidade ao Senhor, configurados a Ele, com renúncias necessárias, para carregarmos a nossa cruz de cada dia, rumo à Páscoa.

Eis o Itinerário que Presbíteros e fiéis são chamados a percorrer, tendo como meta a Ressurreição, pois se com Ele vivemos e morremos, com Ele também Ressuscitaremos.

Retomando as palavras do Papa Bento XVI, na Mensagem Quaresmal 2011, detenhamo-nos nesta afirmação:

 “A Transfiguração é o convite a distanciar-se dos boatos da vida quotidiana para se imergir na presença de Deus...”.  

Indubitavelmente, não poucos são os “boatos da vida quotidiana”, que podem nos afastar dos fatos que clamam a nossa solicitude, na fidelidade ao Cristo Bom Pastor, no exercício de nosso ministério. 

Convém ressaltar, que boatos aqui não são meramente fofocas, como se possa pensar, mas ruídos que interferem na escuta dos clamores do rebanho por Deus confiado.

Por “boatos”, também podemos entender a ditadura do relativismo, que o Papa tanto denunciou, onde as verdades se tornam transitórias, valores se tornam relativos, esvaziando de sentido os princípios, que deveriam nortear a existência da humanidade.

No início do Itinerário Quaresmal com o Senhor, vimos que “boatos” podem ser as propostas satânicas, que nos desviam do Projeto Divino, na realização de nossa vocação, quer Presbíteros ou não. 

São as tentações que Jesus venceu no deserto: ter, ser, poder – abundância, prestígio e domínio, respectivamente. 

Ceder a elas nos afastaria da graça de sermos instrumentos de Deus na construção do Reino, pois como bem disse o Bispo Santo Irineu (séc. I): 

“a nossa glória é perseverar e permanecer no serviço de Deus”.

Evidentemente, muitos outros “boatos” podem seduzir e enfraquecer a missão. Portanto, é sempre bom lembrar que somos anunciadores da Boa-Nova e não ouvintes e multiplicadores de “boatos”, que esvaziam o existir, destruindo a vida em todos os níveis.

Sem ouvidos a “boatos”, com distanciamentos necessários dos mesmos, o Papa nos convida para a imersão na presença de Deus. 

Quanto mais mergulharmos nos Mistérios de Deus, mais místicos o seremos, mais encarnada e densa de conteúdo será nossa espiritualidade, no compromisso com os empobrecidos desfigurados pelo caminho.

Como Presbíteros, com toda a comunidade, urge que nos coloquemos na presença de Deus, para que nosso coração seja configurado ao coração do Cristo  Bom Pastor, no cuidado do rebanho.

A imersão no Amor Divino é diretamente proporcional à emersão que somos chamados a realizar com toda a comunidade.

Imersos no Amor para fazer emergir a vida, vir à tona uma nova existência, uma nova Igreja, um Planeta mais bem cuidado e, consequentemente, mais amado.

Mais do que nunca, o Presbítero precisa ser o homem da imersão cotidiana e constante; o homem da Oração, do silêncio, da contemplação. 

Um homem que permita que a luz divina ilumine a caverna escura de sua existência, enfim, um homem imerso neste mar de misericórdia e luz; somente assim poderá ajudar a comunidade a fazer e viver a mesma experiência e realidade.

Uma das exigências que o povo tem para conosco, mais do que perceptível, é que sejamos homens imersos no Mistério do Amor de Deus, pois só assim conseguiremos ajudá-lo a encontrar luz também para sua existência.

O Povo de Deus não quer respostas prontas, mas quer ter a certeza de que o Presbítero é um homem que a Deus encontrou na pessoa de Jesus Cristo, por Ele vive uma paixão que se renova em cada instante de sua vida, deixando-se guiar pela luz do Santo Espírito. Que seja um homem de Deus e do povo, sem separação, distanciamentos e dicotomias.

Reflitamos:

- Em que consiste o Ministério Presbiteral, à luz da transfiguração do Senhor?
O que podemos compreender por “distanciar-se dos boatos da vida quotidiana”?

Como Presbíteros, o que é “imergir na presença de Deus”?

Homem do deserto e do oásis revigorante e saciador; homem do céu e da terra simultaneamente; homem da montanha e da planície corajosamente; homem da imersão e da emersão incansavelmente... 

Numa palavra: homem itinerante e Pascal.


PS: Texto escrito quando exercia o Ministério Presbiteral na Diocese de Guarulhos-SP

Vi meu Amado Glorioso (IIDTQA)

                                                      

Vi meu Amado Glorioso

“... Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha
para rezar. Enquanto rezava, Seu rosto mudou de aparência
e Sua roupa ficou muito branca e brilhante.” (Lc 9,28-29)

A Transfiguração do Senhor é um encontro inesquecível com o Amado, Jesus. 
Com Pedro, João e Tiago podemos também dizer:

Vi meu Amado Glorioso,
Com um rosto tão diferente,
Com roupas tão claras,
Tão transparentes.

Vi meu Amado Glorioso,
Numa pequena antecipação
Do que será o nosso destino:
Com Ele na glória também estar.

Vi meu Amado Glorioso,
Que me encorajará nos momentos difíceis
Para eu jamais me entregar, recuar, pois
A glória se alcança sem a cruz recusar.

Vi meu Amado Glorioso,
Escutei aquela voz tão forte e suave:
‘Este é o meu Filho escolhido,
Escutai o que Ele diz’.

Vi meu Amado Glorioso,
Sozinho, sem Moisés e Elias,
Porque agora é o Tempo da Graça,
Somente o Senhor nos basta.

Vi meu Amado Glorioso,
Em quem devo confiar sempre,
Sem lágrimas de decepção arrancar
Daqueles que em mim confiam.

Vi meu Amado Glorioso,
Que quer ser apenas amado,
Não apenas na Montanha Santa,
Mas na planície fria do cotidiano.

Vi meu Amado Glorioso,
Que também quer ser amado
Na vida e na história dos pequenos,
Dos sofridos, dos entristecidos, dos desfigurados.

Vi meu Amado Glorioso,
Nada mais será como antes.
Sinto Sua presença aqui e agora,
Em cada fração de segundo, em todo instante...

Vivamos como filhos da Luz

                                                            

Vivamos como filhos da Luz

É Quaresma, tempo de graça e salvação, tempo de reconciliação com Deus e com nossos irmãos, como a Igreja nos convida, com oração, jejum e esmola, salutares exercícios de nossa santificação.

É tempo de voltarmos nosso olhar para o oriente, de onde nasce para nós o Sol da justiça, Jesus Cristo, Nosso Senhor, o Sol Nascente, que nos veio visitar, ontem, hoje e sempre.

Porque é de lá que se levanta sobre nós a luz, para que nunca andemos nas trevas, nem sejamos surpreendidos nas trevas no último dia, vivendo com empenho e ardor a graça do Batismo.

Porque é também de lá que nos vem a luz, a fim de que a noite e a escuridão da ignorância não caiam sorrateiramente sobre nós, e continuemos firmes e solícitos no eterno bom combate da fé.

Tão somente assim, viveremos sempre na luz da sabedoria, no pleno dia da fé, e no fulgor da caridade e da paz, celebrando o Mistério da Paixão e Morte do Senhor, para celebrar com júbilo a Sua Ressurreição. Amém.


PS: Livre Adaptação de um trecho da Homilia sobre o Levítico, escrita pelo Presbítero Orígenes   (Séc.III).

Se...

                                                       

Se...
 
Se te faltares a força.
Se te roubarem a poesia.
Se te sequestrarem a utopia.
 
Se perderes a alegria de amar e servir.
Se teu coração deu lugar à idolatria.
Se perderes a força e o vigor da profecia.
 
Se te rasgarem a fantasia.
Se te escravizarem com a mentira.
Se não vislumbrares horizonte.
 
Se nada esperares do amanhã.
Se macularem a pureza da alma.
Se não apoiarem teus projetos.
 
Se não mais crês e nem vives o perdão.
Se vires tua vida como uma tela cinza.
Se te sentires sozinho como numa ilha.
 
Se sentires a fé enfraquecer.
Se quiserem amarelar tua esperança.
Se os desafios apagarem o crepitar da chama da caridade.
 
Se não mais nas pessoas acreditares.
Se nem em ti mais acreditares.
Se a morte levar quem tu tanto amas.
 
Se te sentires inquieto e sem paz.
Se te sentires para o essencial, incapaz.
Se não suportares o peso de tua cruz.
 
Tens que te reinventar e refazer.
Tens que aprender a recomeçar.
Tens que em Deus confiar.
 
Tens que buscar n’Aquele que nos renova,
Por sua Vida, Paixão, Morte e Ressurreição,
A graça, sabedoria, luz e forças necessárias.
 
Tens que retomar o combate da fé,
No carregar da cruz cotidiana, força reencontrarás,
Do Pão da Palavra e da Eucaristia te revigorarás.
 
Tens que o mar da vida, com coragem, atravessar.
E assim haverá de ser, com Ele e nada sem Ele, Jesus.
Ventos, tempestades não te submergirão.
 
Do outro lado do aparentemente impossível,
Seja no tempo presente ou na eternidade,
Com os que não se entregam, te encontrarás. Amém.


Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG