sexta-feira, 10 de julho de 2026

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Conduzi, Senhor, a Vossa Igreja!

                                                                 

Conduzi, Senhor, a Vossa Igreja!

“Prudentes como a serpente e
simples como as pombas”

Contemplo o Mistério da Igreja, com sua fragilidade, que contrasta com a força do mundo, como foi com o próprio Jesus Cristo, em Sua pessoa, quando enviou os discípulos em missão.

Contemplo o Mistério do Rei do Universo, inerme e tranquilo, tão diferente do rei que os judeus esperavam; um rei poderoso e triunfante, que se imporia pela força e violência. Ele tão frágil e indefeso.

Contemplo, em silêncio: A Palavra Viva e encarnada diante das palavras funestas ou mortais de Pilatos: “proclama-se Rei; e, no entanto, deixa-se prender, flagelar, conduzir à morte como malfeitor pelo bem de todos nós”.

Contemplo Aquele pelo qual tudo foi criado, tão pobre que não tem onde repousar a cabeça, mas dá prodigiosamente pão a milhares de pessoas, saciando a fome da multidão.

Medito sobre o Programa das Bem-Aventuranças, nada fácil para a Igreja: viver, cotidianamente, enfrentando ventos contrários, tempestades, mas, com a divina presença de Jesus na “barca”, em confiante travessia.

Suplico para que, como Igreja que somos, vençamos a contínua tentação de assumir as mesmas atitudes do mundo (fome do ter, poder e ser), aparentemente mais eficazes, mas que secam as fontes de sua ação.

Suplico para que a Igreja jamais se afaste do espírito da missão recebida, reavivando o testemunho, como o Mestre, de pobreza, simplicidade, humildade, e profecia, enriquecida com os infinitos dons e carismas do Espírito.

Rogo a Deus a assistência do Santo Espírito, para que a Igreja tenha coragem e clareza em todos os momentos, em absoluta e incondicional fidelidade ao Evangelho, com renúncias e carregando a cruz, no Mistério Pascal.

E assim, assistidos e conduzidos pelo Espírito, tenhamos prontidão para suportar, com paciência, toda injúria, sem nos calarmos diante da prática da injustiça, no permanente combate da fé, a espera de um novo céu e de uma nova terra.

Enfim, rogo para que, no realizar da missão pelo Senhor confiada, sejamos “Prudentes como as serpentes, simples como as pombas” (Mt 10,16), na construção do Reino de Deus por Ele inaugurado, como Igreja em saída, missionária e misericordiosa.
  

Fonte inspiradora: Mt 10, 16-23; Mt 10,15-22 - Missal Cotidiano - Editora Paulus -  p.1011.

Permaneçamos fiéis até o fim

                                                         

Permaneçamos fiéis até o fim

 “Não tenhais medo daqueles que matam o corpo,
mas não podem matar a alma!”

Reflexão à luz das passagens do Evangelho de Mateus (Mt 10,16-23; Mt 10,24-33), em que Jesus envia os discípulos em missão como ovelhas para o meio de lobos.

Exorta para que sejam prudentes como as serpentes e simples como as pombas, acompanhado de outras exortações, concluindo com o imperativo para que os discípulos permaneçam fiéis até o fim, vencendo as provações, perseguições, e tão somente assim serão salvos.

Refletimos sobre a solicitude e o Amor de Deus para com aqueles que Ele chama e envia em missão, uma vez que a perseguição está sempre presente no horizonte dos discípulos de Jesus.

Assim aconteceu com Jeremias e tantos outros profetas (Jr 20, 10-13). O Profeta Jeremias sofreu o abandono dos amigos, o sofrimento, a solidão e a perseguição, por isto é um paradigma do Profeta sofredor, que merece ser lembrado para nos inspirar e fortalecer na caminhada de fé e no testemunho da vocação profética.

Este fez forte apelo à conversão e a fidelidade a Deus e à Aliança, num período, da história do Povo de Deus, marcado por desgraças, infidelidade e injustiça social.

Por sua veemência e fidelidade, Jeremias é chamado de o “amargo Profeta da desgraça” e é acusado de traidor. Sua missão tem um alto preço pago: o abandono e a solidão. Ele é tratado como objeto de desprezo e de irrisão e tido como um maldito, porque não é aceita e compreendida sua mensagem em nome do Senhor.

Encontramos no Livro desabafos seus, expressando desilusão, amargura, queixas, confissões e frustração, mas mantém-se fiel, porque estava verdadeiramente apaixonado pela Palavra de Deus.

Apesar do abandono experimentado, até dos amigos mais íntimos, eleva hino de louvor, que expressa confiança em Deus, para além de todo o sofrimento e perseguição.

Bem sabemos que o caminho do Profeta é marcado pelo risco da incompreensão e da solidão, e precisamos de coragem para trilhar este caminho, com a certeza e confiança de que Deus jamais nos abandona.

Portanto, ontem e hoje, os discípulos missionários precisam superar toda a forma de desânimo e frustração decorrentes das perseguições, e nestes versículos assim como nos versículos sucessivos  encontramos uma espécie de “manual do missionário cristão”, que consiste no “discurso da missão” – “Para mostrar que a atividade missionária é um imperativo da vida cristã. Mateus apresenta a missão dos discípulos como a continuação da obra libertadora de Jesus” (1).

Três vezes aparece a expressão “Não temais”, assegurando a presença, ajuda e proteção divina para superação do medo que impeça a proclamação da Boa Nova; o medo da morte física; e neste medo se pode experimentar a solicitude de Deus, um cuidado que desconhece limites.

A mensagem é que a vida em plenitude é para quem enfrentar o medo, na fidelidade, até o fim. O medo não pode nos deixar acomodados.

A ternura, a bondade e a solicitude divina são imprescindíveis, pois fortalecem na missão. É preciso se entregar confiadamente nas mãos de Deus:

“Jesus encoraja os Seus discípulos a alargar o horizonte da vida e a avaliar os riscos vividos por Sua causa, no contexto mais amplo da vida com Deus, da vida eterna.

O cristão é chamado a viver na confiança de que o Pai não o abandona nas mãos dos perseguidores (v.28), que a sua vida, a sua salvação custou o Sangue do Filho e tem por isso, aos Seus olhos, um valor imenso (vv. 29-31).

A fidelidade e a confiança no Senhor serão recompensadas por aquele ‘reconhecimento’ que já se manifestou na Ressurreição de Cristo” (2).

No testemunho da fé, é possível a perseguição, portanto é necessária a confiança. Anunciar e testemunhar a Boa-Nova é não deixar que o medo nos paralise, pois o medo nos impede de sermos autênticos discípulos missionários:

“O cristão não é chamado a procurar o martírio como prova da sua fé, mas a viver constantemente a vida com os olhos fixos no Alto, isto é, a alargar aquele horizonte que hoje, mais do que nunca, tende a fechar-se no círculo dos benefícios desfrutáveis, aqui e agora.” (3)

Também nós precisamos ouvir a todo instante – “Não tenhais medo”. É preciso que a Palavra de Jesus ressoe em nossos ouvidos e fique entranhada no mais profundo de nosso coração:

“Impressiona a história de tantos mártires cristãos, antigos e atuais, que escolheram o caminho da coerência e da fidelidade ao Senhor a custo da própria vida.

É com eles que nos encontramos na Comunhão dos Santos, vivida, sobretudo, na Celebração Eucarística; uma companhia que a comunidade dos crentes gosta de ter ao seu redor, mesmo com as pinturas, os afrescos, os mosaicos que adornam as nossas Igrejas (hoje reduzidas muitas vezes a belas obras que se admiram em igrejas-museu) expressões artísticas surgidas para tornar humanamente visível o que vivemos na fé.” (4)

Considerando a nossa realidade existencial, marcada pela fragilidade, portanto, ela é necessitada da força e intervenção divina.

Urge que, como cristãos, levantemos o olhar para a vida a que Cristo nos chama, ou seja, “viver a força de contestação profética que viveu Jeremias, que Jesus levou perante as autoridades judaicas e romanos e conduziu os Apóstolos ao martírio.

É na relação íntima e comunitária que vivemos com  Deus, no desejo de sermos reconhecidos por Ele que se reforça a adesão a Cristo e ao seu Evangelho, com a esperança libertadora de vivermos confiando no Pai.” (5)

Oremos:

“Senhor, nosso Deus, dai-nos por toda a vida a graça de Vos amar e temer, pois nunca cessais de conduzir os que firmais no Vosso amor. Por N. S. J. C. Amém.”



(2) (3) (4) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - p. 560.
(5) Idem p. 561.

PS: Oportuno para celebrarmos a Festa de Santo Estêvão - 26 de dezembro em que se proclama a passagem do Evangelho de  Mateus (Mt 10,17-22).

“Quão grande e admirável é a caridade”

                                                       

“Quão grande e admirável é a caridade”

Sejamos enriquecidos pela arta aos Coríntios, escrita pelo Papa São Clemente I (séc. I):

Vede, diletos, quão grande e admirável é a caridade. A sua perfeição ultrapassa as palavras. Quem é capaz de possuí-la a não ser aquele que Deus quiser tornar digno?

Oremos, portanto, e peçamos-lhe misericórdia para sermos encontrados na caridade, sem culpa nem qualquer inclinação meramente humana. 

Todas as gerações, desde Adão até hoje, já passaram. Aqueles, porém, que pela graça de Deus foram consumados na caridade, alcançam o lugar dos santos e serão manifestados na parusia do Reino de Cristo.

Está escrito: Entrai nos quartos por um momento até que passe minha cólera acesa; e lembrar-me-ei dos dias bons e vos erguerei de vossos sepulcros.

Felizes de nós, diletos, se cumprirmos os preceitos do Senhor na concórdia da caridade, para que pela caridade sejam perdoados nossos pecados. Pois está escrito: Felizes aqueles cujas iniquidades foram perdoadas e cobertos os pecados. Homem feliz, a quem o Senhor não acusa de pecado nem há engano em sua boca. 

Esta felicidade pertence aos eleitos de Deus, mediante Jesus Cristo, Nosso Senhor, a quem a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

De tudo quanto faltamos e fizemos, seduzidos por alguns servos do adversário, peçamos-lhe perdão. Aqueles, porém, que se tornaram cabeças de sedição e discórdia, devem meditar sobre a comum esperança.

Quem vive no temor de Deus e na caridade, prefere o próprio sofrimento ao do próximo, prefere suportar injúrias a desacreditar a harmonia, que bela e justamente nos vem da tradição. É de fato melhor confessar o seu pecado do que endurecer o coração.

Quem entre vós é o generoso, quem o misericordioso, quem o cheio de caridade? Que esse diga: ‘Se por minha causa surgiu esta sedição, esta discórdia e divisão, então eu me retiro, vou para onde quiserdes e farei o que o povo decidir; contanto que o rebanho de Cristo tenha a paz com os presbíteros estabelecidos’.

Quem assim agir, alcançará grande glória em Cristo e será recebido em todo lugar. Do Senhor é a terra, e tudo o que contém. Assim fazem e farão aqueles que vivem a vida divina, da qual nunca se têm de arrepender”. (1)

A Carta é um convite para a reflexão sobre os Preceitos do Senhor, no fortalecimento dos laços e vínculos de concórdia e da caridade na vida de comunidade.

Sete vezes a palavra caridade é mencionada nesta Carta, e bem sabemos quão necessária ela é na vida da comunidade, para que se fortaleçam os vínculos entre seus membros.

Sem ela, a missão se fragiliza, a Igreja não se rejuvenesce, e perde o ardor da missão que o Senhor confiou.

A caridade vivida nos coloca em abertura ao sopro do Espírito, que anima e conduz Sua Igreja, para que seja aberta aos sinais dos tempos e os clamores que emergem por uma solidária e corajosa resposta.

Roguemos a Deus para que nossas comunidades sejam espaços privilegiados de aprendizado e da prática da caridade, na correção fraterna, na conversão de todos ao que delas se espera, e que jamais sejamos motivos de discórdia delas participando.

(1) Liturgia das Horas - Tempo Comum - Vol. III - Editora Paulus - p. 426-427

Uma declaração de amor à Maria

                                                                      

 Uma declaração de amor à Maria

Maria, Mãe de Deus e nossa,
Mãe de tantos nomes, podemos te invocar:

Nossa Senhora da Conceição Aparecida,
Nossa Senhora da Piedade ou das Dores...

Não importa como a ti recorramos,
Com qual titulo, a ti nos dirijamos.

És sempre Mãe, presente conosco,
Em dias sombrios, em dias de luz.

Tu és aquela que na onipotência divina sempre acreditou,
E por isto, mereces de todos nós o autêntico louvor.

Tu que és bem-aventurada pela fé em Deus,
E em ti, o Espírito, o Verbo concebeu.

Tu que nos ensinaste a ter coragem ao trilhar um caminho
Repleto de espada e de dor, mas em incondicional fidelidade.

Tu que não foste apenas ouvinte, mas praticante da Palavra,
Que emanou dos lábios do seu amado Filho.

Tu que não cedeste à maldade e à sedução da serpente,
És vitoriosa, como nos revela as Sagradas Escrituras.

Tua vida, em silêncio, humildade e disponibilidade,
Hoje, nos céus, és para toda a humanidade causa de júbilo e bênçãos.

Mãe de Deus, te veneramos!
Assunta ao céu, coroada estás, pois és Rainha dos céus.

Tu és, bendita entre todas as mulheres,
Pois foste aberta aos Mistérios de Deus sem nada antepor.

Tu és modelo para todos os crentes na missão de evangelizar,
Pois contigo aprendemos a responder, generosamente, ao chamado de Deus. 

"Salve Rainha, Mãe de Misericórdia...Amém".

Em poucas palavras... (XVDTCA)

 


A prática da meditação

“A meditação é sobretudo uma busca. O espírito procura compreender o porquê e o como da vida cristã, para aderir e corresponder ao que o Senhor lhe pede.

Exige uma atenção difícil de disciplinar. Habitualmente, recorre-se à ajuda dum livro e os cristãos não têm falta deles: a Sagrada Escritura, em especial o Evangelho, os santos ícones (as imagens), os textos litúrgicos do dia ou do tempo, os escritos dos Padres espirituais, as obras de espiritualidade, o grande livro da criação e o da história, a página do «hoje» de Deus.” (1)

 

 

(1)Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2705

Em poucas palavras... (XVDTCA)

                                               


O Espírito Santo: caminho único da oração

"Os métodos de meditação são tão diversos como os mestres espirituais. 

Um cristão deve querer meditar com regularidade; doutro modo, torna-se semelhante aos três primeiros terrenos da parábola do semeador (Mc 4,4-7.15-19). 

Mas um método não passa de um guia; o importante é avançar, com o Espírito Santo, no caminho único da oração: Cristo Jesus.”(1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2707. 

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