terça-feira, 29 de setembro de 2026

A missão da Igreja à luz da Lumen Gentium (Parte I)

                                      


A missão da Igreja à luz da Lumen Gentium 

A Lumen Gentium (LG) - Luz dos Povos - é um dos Documentos do Concílio Vaticano II que ora retomo, dada a sua importância fundamental para a caminhada evangelizadora da Igreja.

Dentre os oito capítulos, dois tratam respectivamente, da Missão da Igreja e da Vocação à santidade na Igreja.

A Lumen Gentium começa proclamando que Jesus Cristo é a luz dos Povos e não ela, na qual o Reino de Deus ocupa o horizonte maior.

“A Igreja existe em função do Reino, para anunciá-lo, antecipá-lo em si mesma, reconhecê-lo atuando fora dela. E conhece-se o Reino postando-se no seguimento de Jesus” – (Pe. JB Libânio).

A Igreja é apresentada como Mistério a ser realizado entre os povos, como uma vontade salvífica do Pai, realizada na missão do Filho e vivificada pelo Espírito Santo (LG n.4).

Mistério Trinitário: A igreja vem da Trindade, vive da Trindade e caminha para a Trindade, o que chamamos de Comunhão Trinitária. A "Trindade é a melhor comunidade”.

“A Igreja, espelhando-se na Trindade de que é participação, tende a manter as distinções, as diferenças de ministérios e carismas. Eles, por sua vez, entrelaçam-se de tal modo em comunhão que constituem uma unidade na diferença.

E para cuidar dessa dialética está o ministério ordenado como primeiro responsável. Cabe respeitar a diferença, movendo-se nas águas da unidade batismal” – completa Pe. J.B. Libânio.
       
A Missão da Igreja é tornar-se lugar, espaço e comunidade onde a humanidade pode encontrar Deus em Jesus Cristo e ser santificada no Seu Espírito Santo.

Há um resgate de imagens que desde as origens do cristianismo representaram a Igreja: rebanho, lavoura de Deus, edifício, Jerusalém do alto, templo do Espírito Santo e Corpo de Cristo com diferentes membros e guiados pela única cabeça que é Cristo, a Luz dos Povos.

Ser Padre: Missão de resplandecer a luz de Cristo no rosto da Igreja

                                                             

Ser Padre: 
Missão de resplandecer a luz de Cristo no rosto da Igreja

“O Concílio deseja ardentemente iluminar todos os homens com a claridade de Cristo, luz dos povos, que brilha na Igreja, para que o Evangelho seja anunciado a todas as criaturas (cf. Mc 16,15)”. (1)

De modo especial, através do Ministério Presbiteral verdadeiramente, a luz de Cristo resplandece no rosto da Igreja, bem como na vida de todo cristão.

Quando foram ordenados presbíteros, foi dito pelo bispo: “Tu és Sacerdote para sempre, segundo a ordem do Rei Melquisedec”, para fazer resplandecer a luz de Cristo no rosto da Igreja.

Renovem dia pós dia esta imensa graça, com uma vida em que o anúncio da Palavra seja acompanhado do indispensável testemunho.

Procurem viver o que celebram, em perfeita sintonia, levando muitos a contemplarem o resplandecer da luz de Cristo no rosto da Igreja, a que devem estar sempre a serviço.

Sejam instrumentos da publicidade da luz, numa vida simples, coerente, pois a luz não existe para ser escondida, como nos falou o Senhor no Evangelho. Quando se possui a luz de Deus, quando ela foi acesa no coração é impossível guardá-la para si.

Jamais escondam ou permitam apagar a chama do amor de Deus acesa, comunicando a universalidade da luz do amor pelos últimos, sem se esquecer dos primeiros; a luz do amor pelos pobres, pelos pequeninos, pelos humildes, enfermos, e outros tantos rostos com quem Ele Se identificou (Mt 25).

Comuniquem a consistência da luz da Palavra Divina, que não se reduz às palavras, teorias, discursos, discussões, mas em obras concretas de amor, justiça, perdão, fraternidade, humildade, compaixão, proximidade  e solidariedade.

Nesta comunicação da transparência da luz divina, façam de tal modo que não atraiam ninguém para si, mas para Aquele que nos chama e envia: Jesus, o Bom Pastor.

Seja a transparência de suas vidas, como Presbíteros, por causa de suas obras, motivação para que muitos glorifiquem o Pai que está nos céus (Mt 5, 16).

Sejam instrumentos da perfeita comunhão, na fidelidade a Jesus, Divino Mestre da unidade e da paz, fortalecendo a família do Senhor, que se une pelo laço da fé e da prática da Palavra Divina.

Sejam alegres servidores numa Igreja ministerial, misericordiosa e missionária, como nos exortava o Papa Francisco, levando a Boa-Nova e luz do Senhor ao mundo todo.

Comuniquem esta luz, na noite sombria de um mundo marcado por tantos sinais de morte e exclusão.

Vivam o Ministério numa crescente devoção a Nossa Senhora e ao Sagrado Coração de Jesus, que os tornará cada vez mais compadecidos e solidários com a dor dos pobres, verdadeiramente Sacerdotes conforme o Coração de Jesus.

Que a luz de Cristo resplandeça no rosto da Igreja pelas suas vidas e Ministério Presbiteral, em comunhão com todos os cristãos leigos e leigas da Igreja.

Sejam, portanto, sal da terra e luz do mundo, contando sempre com a força indispensável que nos vem da oração sincera, pura e confiante. Amém.


Fonte inspiradora: Primeiros parágrafos da Constituição “Lumen Gentium” – Luz dos Povos - sobre a Igreja (1)

A missão da Igreja à luz da Lumen Gentium – Parte II

                                                            

A missão da Igreja à luz da Lumen Gentium – Parte II

Todos são chamados à santidade por vocação. É um chamado que é universal a partir de Cristo: A missão essencial da Igreja é a santificação, pois ela é santa e todos são chamados à santidade e deve ser vivida nos diversos estados de Vida que compõem o povo de Deus (LG 40).

“Retomando a ideia patrística de Igreja, ‘povo congregado na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo (LG 4), o Vaticano II lembra que todos os batizados e batizadas têm dignidade, liberdade, formam a comunidade dos filhos e filhas de Deus e são templos do Espírito Santo (LG 9).

Todo o Povo de Deus, por causa do sacerdócio comum dos fiéis, é chamado à plena participação e a uma vida santa ( LG 10). Aliás, não só os católicos, mas também os demais cristãos e toda a humanidade são destinados a ser Povo de Deus (LG 13)”, nos diz o Pe. José Lisboa Moreira de Oliveira no artigo da VP. P.15.

Muitas vezes a santidade é confundida com atitudes de beatice ou carolice. No linguajar comum, especialmente dos grupos fundamentalistas atuais, das comunidades neoconservadoras que estão surgindo ultimamente no interior da nossa Igreja, a santidade é relacionada com atitudes alienadas e com comportamentos desequilibrados e totalmente distantes do mundo real, afirma o Pe. José Lisboa.

A santidade, segundo a LG, está profundamente relacionada com o cotidiano e com a prática concreta da vida de cada dia: para ser santa a pessoa não precisa fugir do seu estado de vida:

“A santidade não se dá nas nuvens, em outro planeta, fora da realidade, mas no quotidiano da vida. A santidade é um dom que deve ser acolhido e cultivado no tempo, no espaço, nas ocupações e nas circunstâncias em que nos situamos” (LG 41).

“No tocante à santidade dos cristãos leigos e leigas, o Vaticano II destaca o significado do trabalho, da participação na construção do bem comum e da cidadania, do labor quotidiano, com suas alegrias e também com suas cruzes.

A vida matrimonial ganha especial destaque, uma vez que é considerada um exemplo para a construção da fraternidade” (Pe. José Maria – p. 17).

A santidade é um presente de Deus: a Igreja é santa porque a Trindade é santa, porque a sua origem e a sua fonte são santas (LG 39). Ela não é uma exclusividade de determinadas pessoas ou de certos grupos. Santidade não é propriedade privada de ninguém.

De modo que ninguém pode se santificar isoladamente. Santifica-se enquanto é pertencente a uma comunidade. A santidade constitui-se num chamado que o Pai, pelo Filho, na ação do Espírito, dirige a toda a humanidade e, de modo particular, a todas as pessoas batizadas.

A santidade tem prerrogativa exclusiva de Deus, pois só Deus é Santo, não é algo adquirido pelos esforços e méritos das pessoas, mas uma dádiva, um dom divino,  tem três elementos básicos:

- a pertença
- a missão
- o testemunho.

A missão da Igreja à luz da Lumen Gentium (III)

                                                     


A missão da Igreja à luz da Lumen Gentium 

Há algumas marcas que a LG acentua sobre a Igreja:

- é universal
- é histórica
- ela está a serviço do Reino de Deus
- tem sua raiz na Sagrada Escritura
- Igreja é Sacramental e dos Sacramentos
- é colegial    
- é laical
- Igreja é santa e pecadora
- a Igreja tem que abolir todo triunfalismo, centralismo, clericalismo, jurisdicismo
- a Igreja é Ecumênica – aberta ao diálogo
- a Igreja move-se pelo sopro e ação do Espírito.

Urge fortalecer nossos passos no caminho da santidade:

- Na prática do Mandamento do Amor – a vocação de toda pessoa humana é um convite a amar – nós somos criados no amor e para o amor (LG 16);

- No cultivo dos mesmos sentimentos e pensamentos que havia em Cristo Jesus para sermos sal e luz (LG 42).

- Crencendo e frutificando, rutificar alimentados pela Palavra de Deus e pela Eucaristia e por todos os Sacramentos

- No fortalecimento da vida de Oração – leitura orante

- No Amor aos empobrecidos, como a maior expressão concreta de amor a Deus – comunhão, fraternidade e a partilha.

- E cada um vivendo a sua vocação naquilo que ela tiver de próprio, de específico.

- O testemunho de unidade - pelo seu testemunho a Igreja torna presente (visível) o Ausente (invisível) Jesus: eis a nossa Missão.

Vivendo a vocação à santidade, partiremos sempre em missão, na fidelidade ao Verbo que Se fez Carne e nos revelou o Amor do Pai, na força e na comunhão do Espírito. Esta é a nossa missão.

“Ai de mim se eu não evangelizar” (1Cor 9,16). 

Minhas reflexões no Youtube

 
Acesse:

https://www.youtube.com/c/DomOtacilioFerreiradeLacerd d brba 

Em poucas palavras... (Anjos)

                                                


Os anjos nos protegem e nos guiam

“Desde o seu começo (Mt 18,10) até à morte (Lc 16,22), a vida humana é acompanhada pela sua assistência (Sl 34,8; 91,10-13) e intercessão (Jó 33,23-24; Zc 1,12; Tb 12,12).

«Cada fiel tem a seu lado um anjo como protetor e pastor para o guiar na vida» (São Basílio Magno).

Desde este mundo, a vida cristã participa, pela fé, na sociedade bem-aventurada dos anjos e dos homens, unidos em Deus.” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n. 336

cf. 1 Rs 19,4-8

Com a proteção dos Arcanjos, contemos

                                                   

Com a proteção dos Arcanjos, contemos 

Batalha, cura e missão 

No dia 29 de setembro, a Igreja celebra a Festa dos Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael, tendo como textos bíblicos: Dn 7,9.13-14 (ou Ap 12,7-12a); Sl 137 (138); (Jo 1,47-51). 

Os nomes dos arcanjos revelam uma missão, e no Missal Romano, temos o comentário que nos apresenta cada Arcanjo com uma missão específica: 

Miguel: nome hebraico que significa – “Quem é como Deus?”. 

É o Arcanjo que se insurgiu contra satanás e seus seguidores (Jd 9; Ap 12,7; Zc 13,1-2); é o defensor dos amigos de Deus (Dn 10,12.21), e protetor do Seu povo (Dn 12,1). 

No Novo testamento, encontramos na Carta de São Judas (v.9), em que ele é nos apresentado numa luta contra Satanás pelo corpo de Moisés. 

Também encontramos no Livro do Apocalipse (Ap 12,7), em que Miguel e os anjos combatem contra o dragão. 

Celebra-se, no dia 29 de setembro, em Roma, o aniversário da dedicação de uma Igreja a este Arcanjo. 

Cedo se tornou muito popular no culto cristão; inclusive na Liturgia dos mortos é pedido ao mesmo que acompanhe as almas, ao céu. 

Gabriel: significa - “A força de Deus”.

É um dos espíritos que estão junto de Deus (Lc 1,19), e revela a Daniel os segredos do Plano de Deus (Dn 8,16; 9,21-22); anuncia a Zacarias o nascimento de João Batista (Lc 1,11-20); anuncia a Maria o Nascimento do Salvador, Jesus Cristo, Lc 1,26-38). 

Rafael: significa – “Deus curou”.

Está entre os sete Anjos que estão diante do Trono de Deus (Tb 12,15; Ap 8,2); acompanha e protege Tobias nas peripécias de sua viagem como portador de salvação e cura-lhe o pai cego. 

O Evangelista São Lucas apresenta muitas vezes a intervenção dos anjos nas origens da Igreja, porque com a vinda de Cristo, a humanidade entrou num novo tempo, no qual Deus Se faz próximo da humanidade e o céu está unido a terra. 

Na passagem da Epístola aos Hebreus (Hb 1,14), os anjos vêm de Deus, como “enviados a serviço, para vantagem daqueles que devem ser salvos”. 

Afirma o Missal Romano, especialmente na Liturgia Eucarística, que a Igreja, peregrina sobre a terra, associa-se às multidões dos Anjos que, na Jerusalém Celeste, cantam a glória de Deus (Ap 5,11; SC 8). 

Na primeira Oração da Missa, reconhecemos a bondade divina que nos colocou seus Anjos que servem a Deus no céu, como nossos protetores aqui na terra. 

Na Oração sobre as Oferendas, pedimos que os Anjos levem à presença de Deus, nossas oferendas de louvor, apresentadas com humildes preces, e que sejam por Deus recebidas com agrado, por meio de Cristo, que é Nosso Senhor. 

Na última Oração, uma vez alimentados pela força do Pão do Céu, a Eucaristia, pedimos a Deus que, sob a proteção dos Seus Anjos, progridamos no caminho da Salvação, pelo mesmo Cristo e Senhor Nosso. 

Finalmente, no Prefácio dos Anjos desta Missa, assim rezamos:

“... É a Vós que glorificamos (Deus Pai Santo, Deus eterno e todo-poderoso), ao louvarmos os Anjos, que criastes e que foram dignos do Vosso amor. A admiração que eles merecem nos mostra como sois grande e como deveis ser amado acima de todas as criaturas...”. 

Contemos sempre com suas presenças, ainda que não os vejamos, para experimentarmos, em todos os momentos, a força de Deus, curados de nossas enfermidades, fraquezas, para que assim sejamos, também, alegres anunciadores da Boa Notícia do Reino, sobretudo aos que mais precisarem. 

Concluindo, contemos sempre com a presença e a companhia dos anjos e arcanjos, a fim de que vivamos o bom combate da fé, sobretudo quando surgirem dificuldades e provações, na realização de nossa missão por Deus confiada, como discípulos missionários do Senhor, pois também precisamos da cura, para que, sãos de corpo e espírito, não esmoreçamos em nosso testemunho de fé, rejuvenescendo nossa esperança no fortalecimento da caridade. 

Oremos: 

“Ó Deus, que organizais de modo admirável o serviço dos Anjos e dos homens, fazei que sejamos protegidos na terra por aqueles que Vos servem no céu. Por N.S.J.C. Amém”.


Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.1752-1754


Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG