quarta-feira, 4 de novembro de 2026

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Uma fé autêntica

                        


Uma fé autêntica

Com a Catequese do Bispo São Cirilo de Jerusalém (Séc. IV), refletimos sobre o poder da fé que ultrapassa as forças humanas.

“A fé tem um só nome, mas duas maneiras de ser. Há um gênero de fé que se relaciona com o dogma e inclui a elevação de uma pessoa e seu assentimento sobre determinado assunto; diz respeito ao interesse pessoal, conforme o Senhor: Quem ouve minhas palavras e crê n’Aquele que me enviou, tem a vida eterna e não incorre em condenação (Jo 5,24); e de novo: Quem crê no Filho não será julgado, mas passa da morte para a vida (cf. Jo 3,18.24).

Ó bondade imensa de Deus para com os homens! Com efeito, os justos foram agradáveis a Deus pelo labor de muitos anos. Mas aquilo que alcançaram, entregando-se corajosamente e por dilatados anos ao serviço de Deus, isto mesmo em uma simples hora Jesus te concede. Porque se creres que Jesus Cristo é Senhor e que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo e levado ao paraíso por aquele que nele introduziu o ladrão. E não hesites em acreditar ser isto possível, pois quem salvou o ladrão neste santo Gólgota, pela fé de uma só hora, pode também salvar-te a ti, se creres.

O outro gênero é a fé que Cristo concede por graça especial. Pois a uns pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria, a outros a palavra da ciência, segundo o mesmo Espírito. A outros a fé, no mesmo Espírito, a outros o dom de curar (1Cor 12,8-9).

Este carisma da fé dado pelo Espírito não se relaciona apenas com o dogma; torna ainda capaz de realizar coisas acima das forças humanas. Quem tiver uma fé assim, dirá a este monte: Vai daqui para ali; e irá (Mt 17,20). Quando, pois, pela fé, alguém isto disser, crendo que acontecerá sem hesitar em seu coração, então é sinal de que recebeu esta graça.

Dela se disse: Se tivésseis fé como um grão de mostarda (Mt 17,20). Como o grão de mostarda, tão pequenino, possui uma força de fogo, e semeado em estreito pedaço de terra produz grandes ramos, que depois de crescidos podem dar sombra às aves do céu, assim também, num abrir e fechar de olhos, a fé realiza as maiores coisas na pessoa. Porque lhe dá uma ideia sobre Deus e o vê tanto quanto é capaz, inundada pela luz da fé. Percorre os confins da terra; e antes da consumação do mundo, já prevê o juízo e a entrega das recompensas prometidas.

Guarda então a fé que de ti depende e que te leva a Ele; para que recebas de Suas mãos também aquela que age muito além das forças humanas.”

De fato, a fé tem um só nome, mas duas maneiras de ser: a que se relaciona com o dogma e inclui a elevação de uma pessoa e seu assentimento sobre determinado assunto; e a fé que Cristo concede por graça especial.

Cabe-nos viver a fé, que depende de cada um de nós e que nos leva até Jesus, a fim de que recebamos de Suas divinas mãos a fé que age muito além das forças humanas.

Fé renovada no Senhor, é certeza de que nossa esperança será sempre frutuosa, porque expressa em gestos multiplicados de caridade, concretizando os inseparáveis Mandamentos do Amor a Deus e ao próximo (Mc 12,28b-34).

 

Para gerar Cristo em nós e nos outros...

                                                            

Para gerar Cristo em nós e nos outros...
 
São Carlos Borromeu, cuja memória celebramos no dia 4 de novembro, foi um verdadeiro pastor da Igreja.
 
Em sua missão visitou várias vezes toda a Diocese de Milão; convocou Sínodos e desenvolveu a mais intensa atividade, em todos os setores, para a salvação dos que o Senhor os confiou, promovendo todos os meios para a renovação da vida cristã.
 
À Luz do seu Sermão, feito no século XVI, por ocasião do encerramento do último Sínodo que participou, apresento algumas lições que são atualíssimas para nós, padres, e todo aquele que se faz discípulo missionário de Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre:
 
-  Para que nos fortaleçamos é preciso acolher todos os meios que o Senhor nos oferece;
-  Desejar possuir uma vida íntegra;
-  Ter um comportamento angélico: jejum, oração;
 
-  Evitar conversas nocivas, vãs;
-  Evitar perigosas familiaridades;
-  Antes do culto não deixar os pensamentos o distrair – preparar-se e fugir às distrações;
 
-  Não expor a pequena fagulha do amor divino ao vento;
-  Estudar e entregar-se ao necessário;
- Fazer primeiro o que se prega: pregar com a vida e o    comportamento;
 
-  Não negligenciar a si mesmo ao cuidar das almas –“não dês com tanta liberalidade aos outros que nada sobre para ti”;
-  Colocar-se constantemente em oração mental;
-  Meditar os sacramentos que celebra;
 
- Meditar na Missa que se oferece ou se participa;
-  Meditar o que se canta (salmos e cânticos);
-  Viver intensamente a caridade.
 
“Deste modo, as dificuldades que encontramos todos os dias, inúmeras e necessárias (para isto estamos aqui), serão vencidas com facilidade. Teremos assim força de gerar
Cristo em nós e nos outros.”
 
Reflitamos:
 
-  Destas lições, à quais estamos mais atentos?
-  Quais mereceriam mais atenção?
 
Oremos:

Senhor Deus, que, a exemplo de São Carlos Borromeu, sejamos zelosos no cuidado do rebanho, empenhados em pregar e viver o que pregamos, para que nosso testemunho seja credível e irradie Vossa luz, conduzindo o rebanho à maior fidelidade também a Vós, por meio de Jesus Cristo, Vosso Filho, na força e unidade do Vosso Santo Espírito! Amém.
 


Cristãos leigos e leigas que perseveram no amor

                                                   

Cristãos leigos e leigas que perseveram no amor

Reflitamos sobre a graça da missão realizada pelos cristãos leigos e leigas na obra da evangelização à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 14,25-33).

Assim lemos no Comentário do Missal Cotidiano:

“Hoje, junto a nós, já não existe ambiente de cristandade. Muitas vezes, até sob formas cristãs, palpita um conteúdo pagão. Acompanhar Jesus transportado pelo entusiasmo da massa é dificilmente possível em nosso clima.

Com maior razão, pois, importa levar em conta a advertência de Jesus. Viver como cristãos não é fazer passeata com o Senhor. Sua Palavra é clara. Trata-se de renunciar, construir, lutar. Exige-se separação, radicalidade, realismo.

Quem está nos postos avançados da batalha não espera ter quem lhe desdobre as cobertas à noite. Se estamos convencidos de sermos membros de um cristianismo em estado de missão, resulta daí todo um estilo de vida missionário” .(1)

Reflitamos as exigências para que tenhamos na Igreja, alegres e convictas testemunhas do Ressuscitado: renunciar, construir, lutar… e ainda, separação, radicalidade, realismo.

Sem renúncia jamais haverá fidelidade no seguimento ao Senhor. Nenhuma construção chegará ao seu termo se prescindir da luta, do empenho…

Tornam-se necessárias as separações traduzidas como desapegos, na radicalidade própria do amor que sabe elencar o que é prioritário, num realismo inadiável.

A fé cristã move-se pela virtude da esperança enraizada no chão da caridade que é o próprio coração do homem e da mulher.

Somente assim, cristãos leigos e leigas serão discípulos missionários do Reino, sem medo, mas com muita alegria, superando um cristianismo inodoro, insípido, incolor, como também o Missal Cotidiano nos ajuda a refletir, referindo-se a Carta aos Filipenses (Fl 2,12-18) (2).

Com os Ministros Ordenados e Consagrados, ponhamo-nos a caminho acolhendo as exigências acima propostas e a alegria divina, mais do que presente em nós, transbordará.

Cumpra-se a Palavra Divina, para que na fidelidade ao Senhor progridamos: “Aqueles que perseverarem no amor ficarão junto de Deus, porque a graça e a misericórdia são para Seus eleitos”, já nos dizia o autor do Livro da Sabedoria (Sb 3,9)!


(1)         Missal Cotidiano – Editora Paulus – p 1459
(2)        Idem p. l458

Cristãos leigos e leigas perseverantes no amor

                                                        

          Cristãos leigos e leigas perseverantes no amor
 
Reflitamos sobre a graça da missão realizada pelos cristãos leigos e leigas na obra da evangelização à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 14,25-33).
 
Para que tenhamos na Igreja, alegres e convictas testemunhas do Ressuscitado, são necessárias renúncias até de si mesmo, acompanhados de separação, radicalidade e realismo.
 
Tudo isto se faz na vivência dos desapegos de toda a ordem, na radicalidade própria do amor que sabe elencar o que é prioritário, num realismo inadiável, de modo que, sem renúncias, jamais haverá fidelidade no seguimento ao Senhor.
 
A fé cristã será, portanto, movida pela virtude da esperança enraizada no chão da caridade que é o próprio coração do homem e da mulher.
 
Somente assim, cristãos leigos e leigas serão discípulos missionários do Reino, sem medo, mas com muita alegria, procurando ter do Senhor Jesus os mesmos sentimentos, em total e incondicional fidelidade, com a presença e ação do Espírito Santo (Fl 2,5).
 
Cumpra-se, portanto, a Palavra Divina, para que na fidelidade ao Senhor progridamos: “Aqueles que perseverarem no amor ficarão junto de Deus, porque a graça e a misericórdia são para Seus eleitos”, já nos dizia o autor do Livro da Sabedoria (Sb 3,9).
 
Como Igreja sinodal, ponhamo-nos todos a caminho, firmados nos pilares da Palavra, Pão da Eucaristia, Caridade e Missão, vivendo a graça do batismo recebido, com o coração ardente e os pés a caminho.
 

Renúncias necessárias para o discipulado

                                                             

Renúncias necessárias para o discipulado

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 14,25-33), e sobre as exigências para seguir Jesus.

Constatamos que não se trata de um caminho marcado por facilidades, pois o caminho da Cruz exige renúncias, coragem, desapegos, desprendimentos.

Contextualizemos a passagem: Jesus está caminhando rumo a Jerusalém; caminhar com Ele e segui-Lo, não é falta de opção, ao contrário, é a melhor e a mais decisiva opção que fazemos em nossa vida.

É a mais radical das decisões, pois deve ser feita na raiz de nosso coração e de nossa vida, de modo que nossa vida é redimensionada e deverá ser pautada pela Sabedoria Divina que nos é revelada, de modo especial na Sagrada Escritura.

Esta escolha implica no fortalecimento do coração com o Amor Divino, e da nossa mente com sua mais bela e desejada Sabedoria (Sab. 9,13-18).

A Sabedoria Divina possibilita-nos o conhecimento da vontade de Deus, acompanha-nos em nossos discernimentos para viver a Sua vontade com paciência, constância e prudência.

Somente por amor e com Sabedoria Divina trilharemos o caminho da cruz, que é o único caminho da felicidade.

Neste caminho três exigências para que sejamos cristãos, de fato:

- O desapego afetivo em relação à família e até a própria vida;

- A disponibilidade para carregar a cruz, na mais perfeita e completa imitação do Sublime Mestre e Divino Salvador;

 - A renúncia de tudo, deixando absoluto espaço para Aquele que é o Absoluto em nossa vida.

Deste modo, compreenderemos e veremos confirmada a Palavra do Senhor: “Quem perder sua vida por causa de mim, ganhá-la-á” (Lc 9,22-25).

Como vemos nas Parábolas do Evangelho, aquele que se coloca a caminho com o Senhor, precisa da “sabedoria do arquiteto” e a “prudência de um rei”, para um seguimento que não seja entusiasmo momentâneo.

Sejamos realistas como o arquiteto e prudentes como o rei, evitando ilusões fáceis, não reduzindo o cristianismo apenas ao “cultivo de boa vontade”.

Sábios e criativos, saberemos enfrentar os riscos que o compromisso cristão nos apresenta a cada momento, contando com a Fonte da Sabedoria, a presença do Espírito.

Procuremos, portanto, maior tempo dedicado à oração e leitura da Palavra Divina, pedindo ao Senhor, uma vez por Ele amados e seduzidos, que jamais O desapontemos no caminhar da fé.

Tenhamos a maturidade de suportar os riscos de nossa fé cristã, com a certeza de que na fidelidade vivida na construção do Reino, nutridos provisoriamente no Banquete da Vida, um dia, no Banquete Eterno, a Coroa da Glória nos será alcançada.

Se quisermos seguir Jesus, não procuremos o caminho da facilidade, mas o verdadeiro caminho da felicidade, que passa necessariamente pela coragem de segui-Lo, carregando nossa cruz.

Sem cruz não há fidelidade no seguimento ao Senhor! Sem despojamento, desprendimento e renúncia, não há discipulado!

Como discípulos missionários do Senhor, amemos com o Amor do Amado.  Eis a fonte, princípio e meta de um autêntico, frutuoso e desejado discipulado!

Se quisermos seguir Jesus... Por onde iremos?  
Pelo caminho da facilidade ou da felicidade?
O que é necessário para que sigamos o Senhor?

Sem cruz não há fidelidade no seguimento ao Senhor!
Sem despojamento, desprendimento e
renúncia não há discipulado!

Como discípulos missionários do Senhor,
amemos com o Amor do Amado.
Eis a fonte, princípio e meta de um autêntico,
frutuoso e desejado discipulado!

Amor e ardor na fidelidade ao Senhor!

                                                       


 Amor e ardor na fidelidade ao Senhor! 

Reflitamos sobre as exigências para seguir Jesus à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 14,25-33).

Constatamos que não se trata de um caminho marcado por facilidades. Ao contrário, o caminho da Cruz exige renúncia, coragem, desapegos, desprendimentos como veremos à luz da mencionada passagem.

Caminhemos com o Senhor rumo a Jerusalém. Seguir o Senhor, não é falta de opção, ao contrário, é a melhor e a mais decisiva opção que fazemos em nossa vida. 

Trata-se da mais radical, pois deve ser feita na raiz de nosso coração, na raiz de nossa vida, de modo que nossa vida é redimensionada e deverá ser pautada pela Sabedoria Divina que nos é revelada, de modo especial na Sagrada Escritura.
 
Esta escolha implica fortalecimento do coração com o Amor Divino, e a nossa mente com sua mais bela e desejada Sabedoria (Sb. 9,13-18).
 
O amor é essencial para que se fortifique novo modo de se relacionar rompendo barreiras, superando preconceitos, numa relação de irmãos e irmãs em Cristo como nos fala o Apóstolo à Filemon ( Fm 9b-10.12-17).
 
A Sabedoria Divina possibilita-nos o conhecimento da vontade de Deus, acompanha-nos em nossos discernimentos para viver a Sua vontade com paciência, constância e prudência.
 
Assim conclui-se que só por amor e com Sabedoria Divina trilharemos o caminho da cruz que, por mais paradoxal que possa parecer, é o caminho da felicidade.
 
Neste caminho três exigências para que sejamos cristãos, de fato:
 
 Ø   O desapego afetivo em relação à família e até a própria vida;
 
 Ø   A disponibilidade para carregar a cruz, na mais perfeita e completa imitação do Sublime Mestre e Divino Salvador;
 
 Ø   A renúncia de tudo, deixando absoluto espaço para Aquele que é o Absoluto em nossa vida.
 
Deste modo, compreenderemos e veremos confirmada a Palavra do Senhor: “Quem perder sua vida por causa de mim, ganhá-la-á” (Lc 9,22-25).
 
Como vemos nas Parábolas do Evangelho, aquele que se coloca a caminho com o Senhor, precisa da “sabedoria do arquiteto” e a “prudência de um rei”, para um seguimento que não seja entusiasmo momentâneo.
 
Sejamos realistas como o arquiteto e prudentes como o rei evitando ilusões fáceis, não reduzindo o cristianismo apenas ao “cultivo de boa vontade”.
 
Sábios e criativos, saberemos enfrentar os riscos que o compromisso cristão nos apresenta a cada momento, contando com a Fonte da Sabedoria, a presença do Espírito.
 
Por isto, concluamos com compromisso de mais tempo dedicado à oração e leitura da Palavra Divina, pedindo ao Senhor, uma vez por Ele amados e seduzidos, que jamais O desapontemos no caminhar da fé.
 
Tenhamos a maturidade de suportar os riscos de nossa fé cristã, com a certeza de que na fidelidade vivida na construção do Reino, nutridos provisoriamente no Banquete da Vida, um dia no Banquete Eterno a Coroa da Glória nos será alcançada.
 
Se quisermos seguir Jesus... Por onde iremos?  
Pelo caminho da facilidade ou da felicidade?
O que é necessário para que sigamos o Senhor?
Sem cruz não há fidelidade no seguimento ao Senhor!
Sem despojamento, desprendimento e
renúncia não há discipulado!
 
Como discípulos missionários do Senhor,
amemos com o Amor do Amado.
Eis a fonte, princípio e meta de um autêntico,
frutuoso e desejado discipulado!

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