terça-feira, 6 de outubro de 2026

Hospitalidade e acolhimento

                                                         

Hospitalidade e acolhimento

Com a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 10,38-42) que nos apresenta a visita de Jesus à casa dos Santos Marta, Maria e Lázaro, temos a possibilidade de refletir sobre a hospitalidade e o acolhimento.

Não se trata de acentuar a oposição que se faz entre ação e contemplação, antes se trata de uma advertência para que não caiamos num ativismo desenfreado que nos esgote levando ao vazio, e nem tão pouco caiamos num espiritualismo sem compromissos concretos de solidariedade para com o próximo.

Vemos que o verdadeiro encontro com Jesus, acompanhado da escuta de Sua Palavra, dará o real sentido e vigor para nossa ação e missão.  

A “escuta” de Sua Palavra torna-se o ponto de partida e nos projeta para novos compromissos, coloca-nos em perfeita sintonia com a vontade de Deus.

É preciso que aprendamos e reaprendamos a sentar aos pés do Senhor, pois somente Ele tem Palavra de Vida Eterna.

É preciso dar tempo à Oração, ao silêncio e à escuta do que Deus tem a nos dizer: é preciso ter ouvidos e coração de Maria, e mãos de Marta, para que assim façamos melhor a vontade de Deus.

Escutar o Senhor nos reenvia diferenciados para a vida cotidiana, para o muito fazer.

Reflitamos:

- O que elas nos ensinam para que tenhamos maior fidelidade ao Senhor, no testemunho uma fé autêntica?
- Qual a acolhida que Deus encontra em nosso coração?

- Qual o tempo que dedicamos à escuta de Sua Palavra?
- Quanto que sou capaz de sofrer por amor à Igreja, completando em minha carne o que falta à Paixão de Cristo por amor a Sua Igreja?

Somente enraizados, vivificados n’Ele é que frutos de vida eterna produziremos (Jo 15). Somente com a linfa vital do Seu Amor é que tornaremos a vida mais bela e fraterna.

Importa que saibamos parar e nos assentar aos pés do Senhor para O acolhermos, e consequentemente a Sua Palavra, que nos renova e revigora, prolongando-a no cotidiano, pois somente assim celebraremos e viveremos uma autêntica Eucaristia.

Recuperemos o “fôlego”

                                                        

Recuperemos o “fôlego”

Contemplemos Marta, Maria e Lázaro que acolhem o Senhor, à luz da passagem do Evangelho (Lc 10,38-42).

A cena é conhecida: Maria acolhe Jesus e se assenta aos Seus pés, para escutar o amigo e Divino Mestre, escolhendo a melhor parte que não lhe será tirada, garantiu o Senhor; de outro lado, vemos Marta agitada, inquieta, de certo modo até advertindo Aquele que havia recebido como hóspede.

Marta ainda não havia compreendido, e com ela pudemos aprender, que a atenção prestada ao Senhor não nos afasta da vida, mas ao contrário: “confere ao nosso viver um fôlego maior”. 

Ela é, na exata medida, cada um de nós esgotados, estressados pelo muito a fazer, sem parar diante do Senhor, privando-nos do essencial: o tempo da oração, e o maior de todos os momentos, o Banquete da Eucaristia, fonte e ápice da vida cristã.

A atitude de Maria nos convida a contemplar tantas pessoas muito ativas que, embora no meio de muitas ocupações, vivem interiormente em profunda paz, numa contemplação secreta, com o coração unido ao Senhor, porque assíduos na participação do Banquete da Eucaristia, ouvem e conduzem sua vida pela Palavra proclamada, ouvida, acolhida e na vida em prática colocada, com a força do Espírito que nos assiste e nos conduz.

São tantas as pessoas que no viver a fé, dando razão da esperança e na prática da caridade, fazem tudo o que devem fazer, não num desapego artificial das coisas, mas com a plena tranquilidade de quem, mesmo nos serviços mais abrangentes, ama o Senhor e O serve no próximo.

Recuperemos o “fôlego”, assentando-nos aos pés do Senhor. Ele não apenas quer ser acolhido, mas quer nos dirigir Sua Palavra, que nos reorienta, revigora, e dá um sentido ao nosso existir, pois com Ele, e somente com Ele, fazemos bem e melhor todas as coisas.

Recuperemos o “fôlego”, acolhamos o sopro do Espírito para que não esmoreçamos na missão que o Senhor nos confia, vivendo com zelo, amor e alegria, pois somente quem para diante do Senhor é capaz de ir bem mais longe, até que alcance o fim desejado, a eternidade, e a contemplação definitiva de Sua face.

Por ora, é tempo de recuperar o “fôlego”...


Fonte inspiradora: Lecionário Comentado - Ed Paulus - Lisboa Portugal - p.769.

Em poucas palavras...

                                            


Contemplativos na ação e ativos na contemplação 

Na autêntica e fecunda espiritualidade cristã, precisamos promover a integração, harmonia e equilíbrio entre as duas atitudes (escuta e serviço): “contemplativos na ação” e “ativos na contemplação”.  

Bem afirmou Santo Agostinho: “Fizeste-nos para Ti e inquieto está nosso coração enquanto não repousa em Ti.” Amém.


PS: Passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 10,38-42)

Contemplação e ação

                                                        

Contemplação e ação

Reflexão à luz da passagem do Evangelho (Lc 10,38-42), sobre a hospitalidade e o acolhimento.

O verdadeiro encontro com Jesus, acompanhado da escuta de Sua Palavra, dará o real sentido e vigor para nossa ação e missão.  

A “escuta” de Sua Palavra torna-se o ponto de partida, e nos projeta para novos compromissos, colocando-nos em perfeita sintonia com a vontade de Deus.

Esta passagem, em que Jesus visita a casa de Marta e Maria, não tem propósito para acentuar a oposição que se faz entre ação e contemplação, antes se trata de uma advertência para que não caiamos num ativismo desenfreado que nos esgote levando ao vazio, e nem tão pouco caiamos num espiritualismo sem compromissos concretos de solidariedade para com o próximo.

É preciso dar tempo à Oração, ao silêncio e à escuta do que Deus tem a nos dizer: é preciso ter ouvidos e coração de Maria, e mãos de Marta, para que assim façamos melhor a vontade de Deus.

É preciso que aprendamos e reaprendamos a sentar aos pés do Senhor, pois somente Ele tem Palavra de Vida Eterna.

Escutar o Senhor nos reenvia diferenciados para a vida cotidiana, para o muito fazer. Somente enraizados, vivificados n’Ele é que frutos de vida eterna produziremos (Jo 15). Somente com a linfa vital do Seu Amor é que tornaremos a vida mais bela e fraterna.

Reflitamos:

- O que Marta e Maria nos ensinam para que tenhamos maior fidelidade ao Senhor, no testemunho de uma fé autêntica?

- Qual a acolhida que Deus encontra em nosso coração?
- Qual o tempo que dedicamos à escuta de Sua Palavra?

- Quanto somos capazes de sofrer por amor à Igreja, completando em nossa carne o que falta à Paixão de Cristo por amor a Sua Igreja?

Urge que aprendamos a parar e nos assentarmos aos pés do Senhor para O acolhermos, e consequentemente a Sua Palavra, que nos renova e revigora, prolongando-a no cotidiano, pois somente assim celebraremos e viveremos uma autêntica Eucaristia.

"Mãos de Marta e o coração de Maria"

                                                                


"Mãos de Marta e o coração de Maria"

Reflexão à luz da passagem do Evangelho (Lc 10,38-42), sobre a hospitalidade e o acolhimento.

Jesus visita a casa de Marta e Maria não tem propósito para acentuar a oposição que se faz entre ação e contemplação, antes se trata de uma advertência para que não caiamos num ativismo desenfreado que nos esgote, levando ao vazio, e nem tão pouco caiamos num espiritualismo sem compromissos concretos de solidariedade para com o próximo.

Vemos que o verdadeiro encontro com Jesus, acompanhado da escuta de Sua Palavra, dará o real sentido e vigor para nossa ação e missão.  

A “escuta” de Sua Palavra torna-se o ponto de partida e nos projeta para novos compromissos, coloca-nos em perfeita sintonia com a vontade de Deus.

É preciso dar tempo à Oração, ao silêncio e à escuta do que Deus tem a nos dizer.

Como se afirma, é preciso ter ouvidos e coração de Maria e mãos de Marta, para que assim façamos melhor a vontade de Deus.

É preciso que aprendamos e reaprendamos a sentar aos pés do Senhor, pois somente Ele tem Palavra de Vida Eterna.

Escutar o Senhor nos reenvia diferenciados para a vida cotidiana, para o muito fazer.

Somente enraizados, vivificados n’Ele é que frutos de vida eterna produziremos (Jo 15). Somente com a linfa vital do Seu Amor é que tornaremos a vida mais bela e fraterna.

Reflitamos:

- O que elas nos ensinam para que tenhamos maior fidelidade ao Senhor, no testemunho de uma fé autêntica?
- Qual a acolhida que Deus encontra em nosso coração?

- Qual o tempo que dedicamos à escuta de Sua Palavra?
- Quanto que sou capaz de sofrer por amor à Igreja, completando em minha carne o que falta à Paixão de Cristo por amor a Sua Igreja?

Importa que saibamos parar e nos assentar aos pés do Senhor para O acolhermos, e consequentemente a Sua Palavra, que nos renova e revigora, prolongando-a no cotidiano, pois somente assim celebraremos e viveremos uma autêntica Eucaristia.

Dos lábios do Senhor, mais que simples palavras...

                                                      


Dos lábios do Senhor, mais que simples palavras...

Naquela casa de Marta, Maria e Lázaro (Lc 10,38-42), a presença de Jesus era sempre a presença do Verbo encarnado, que Se fez Carne e habitou entre nós, e fazendo-Se Carne, nos envolveu com Seus laços de ternura, alegria e misericórdia.

Mais que simples palavras, saíam de Seus lábios ao falar com Maria, que escolheu a melhor parte, e assentou-se aos Seus pés: Palavras que ninguém antes falara, porque Ele falava com autoridade, como também o fazia em todos os lugares e todos ficavam extasiados, como narram os Evangelistas.

Mais que simples palavras, saíam dos lábios do Senhor Palavras que, como labaredas, como fogo abrasador, aquecem a alma de quem as ouve, como fazia dirigindo-Se aos enfermos, pecadores, paralíticos, acorrentados da alma, porque possuídos pelo espírito do mal, devolvendo a todos a alegria de viver, porque antes mergulhados na gelidez da indiferença, da dor e da exclusão.

Mais que simples palavras, saíam de Seus lábios. Palavras como que uma luz acesa após a outra, resplandecendo luminosidade divina, porque Ele não é apenas verdadeiramente homem, é também verdadeiramente Deus.

Mais que simples palavras, saíam de Seus lábios, e haverá sempre de sair, Palavras dirigidas a cada um de nós, desde que nos predisponhamos a parar, silenciar, ouvir, acolher e em prática colocá-las.

Entretanto, não basta que as Palavras saiam dos lábios do Senhor, é preciso que elas encontrem, em cada um de nós, um coração fértil, para que, ao cair, produzam muitos frutos para a glória de Deus, através de um amor oblativo, expressão de uma esperança que não nos permite esmorecimentos e tão pouco vacilos na fé, porque sabemos em quem confiamos: no Senhor e nas Palavras que saem de Seus lábios, de modo especial quando da Celebração Eucarística participamos.

Mais que simples palavras, saíam de Seus lábios, e que elas estejam nas entranhadas em nosso coração. Amém.

Centralize Jesus em sua vida!

                                                          

Centralize Jesus em sua vida!

Naquele dia, o Senhor falou a Marta: “Andas inquieta com tantas coisas; Maria escolheu a melhor parte, e não lhe será tirada.” (Lc 10,38-42).

Ao discípulo (Mc 10,17-30), mandou-lhe que se centralizasse em uma só coisa e se abrisse e confiasse em Sua graça, que pessoalmente lhe propunha para a verdadeira felicidade e a vida eterna.

Mas era necessário para estes e todos nós, como discípulos missionários Seus, a abertura à verdadeira sabedoria, para o conhecimento de Jesus de modo espiritual, isto é, por meio do Espírito Santo, e, por meio d’Ele, o Pai.

Deste modo, o fazer a experiência de Jesus significa fazer a experiência da sabedoria e vice-versa.

Iluminadoras são as palavras de São Bernardo (séc. XII):

“Árido é todo alimento da alma se não for temperado com este óleo; insípido se não for temperado com este sal. Jesus é mel à boca, canto ao ouvido, júbilo para o coração.” (1)

A sabedoria espiritual da qual nos fala a Bíblia, é um ‘saborear e ver’ a Deus; é conhecer e saborear ao mesmo tempo.

Não se trata de um ato do intelecto, mas do coração, isto é, de toda a pessoa, incluído o corpo, e assim o deleite com a Verdade que nos foi revelada na Pessoa de Jesus, a Verdade que nos liberta.

Renunciar a tudo por causa deste conhecimento de Jesus e viver a sabedoria que nos vem do alto, que é loucura para os gregos, escândalo para os judeus (1Cor 1, 18-25).

Somente deste modo Jesus Cristo será o centro de nossa vida, e nada faremos sem que Ele ocupe esta centralidade.

Colocá-Lo no centro, é colocar ao mesmo tempo no centro de nossa vida a Verdade, o Amor, a Alegria, a Paz, a Luz, a Vida, a Salvação e quanto mais d’Ele possamos dizer...

Centralize Jesus em sua vida e seja feliz!
Centralize Jesus em sua vida, e sua família será um santuário da vida.
Centralize Jesus em sua vida, e estará empenhado num mundo mais justo e fraterno.

Centralize Jesus em sua vida, e terá a sabedoria que vem do alto.
Centralize Jesus em sua vida, e será mais humano e fraterno.

Centralize Jesus em sua vida, e terá força para enfrentar toda e qualquer dificuldade.
Centralize Jesus em sua vida, e terá um coração ardente, porque Ele tem a Palavra que abrasa o coração.

Centralize Jesus em sua vida, porque por Ele fomos criados, com Ele devemos viver e nos mover, para que também, um dia, para Deus na comunhão eterna com o Santo Espírito vivamos.

Centralize Jesus em sua vida, e as tardes gris cederão ao brilho do sol, até o seu último raio, se pondo maviosamente no horizonte, escondendo-se atrás de uma colina.

Centralize Jesus em sua vida, e cada amanhecer será precedido da certeza de que o Sol da Justiça nasce para nos aquecer, iluminar e nos conduzir por novos caminhos.

Centralize Jesus em sua vida, e saberá usar as coisas que passam e abraçar as que não passam; que nos conduzem à eternidade.

Centralize Jesus em sua vida...



(1) Serm. 15 super Cantica
PS: Fonte inspiradora: O Verbo se faz carne – Editora Ave Maria - p. 452-453

Sentemo-nos aos pés do Senhor!

                                                               


Sentemo-nos aos pés do Senhor!

O Evangelho de Lucas nos apresenta uma cena tão marcante e conhecida, mas que sempre nos traz algo novo ao coração: “Jesus visitando a casa de Marta e Maria...” (Lc 10,38-42).

Maria aos pés de Jesus, com sabedoria, escolhe a melhor parte que não lhe será tirada; Marta preocupada e mergulhada em suas atividades...

Jesus jamais teria feito apologia do espiritual em detrimento da atividade, do compromisso laboral.

Uma só coisa é necessária: acolher Sua Pessoa e escutar Sua Palavra.

Não há, porém, acolhida de Sua Pessoa sem a escuta de Sua Palavra, bem como é inseparável o imperativo de vivê-la. Não são coisas distintas!

A fecundidade da ação é consequência da intimidade que temos com o Senhor.

A escuta, a Oração, o retirar-se para nos colocarmos diante do Senhor em atitude de silêncio jamais foi ou será perda de tempo...

A escuta nos reenvia diferenciados para a vida cotidiana, algo diferente transparece em cada ato.

Cada atitude, por menor que seja, revestida da Luz Divina, tem uma dimensão de eternidade, e assim saberemos construir uma necessária hierarquia de valores.

Somente a escuta atenta do que Ele tem a nos dizer, a acolhida de Sua Pessoa e Palavra nos farão fazer bem todas as coisas, como Ele sempre o fez! 

A verdadeira hospitalidade passa necessariamente pela acolhida do outro e do Absolutamente Outro: Deus!

Roguemos, portanto, a Sabedoria Divina, colocando-nos, como Maria aos Seus pés, abrindo nossos ouvidos e coração ao que Ele tem a nos dizer e a nos oferecer!

Num mundo marcado pelo ativismo desenfreado, pelos ruídos ensurdecedores da cidade, colocarmo-nos diante do Senhor é como saciar a sede em pleno deserto e assim poder continuar o caminho...

Se como Maria nos pusermos aos pés do Senhor. faremos com novo impulso e ardor todas as coisas. Muito oportuno para nossa espiritualidade missionária, pois se não aprendermos com Maria, muito facilmente poderemos nos cansar e até mesmo desistir de o bem fazer, da Palavra pregar, do amor comunicar.

Não haverá êxito na missão, ou em qualquer coisa que façamos, se não houver antes o silêncio necessário diante do Senhor, que deseja estabelecer conosco a comunhão, o diálogo, a intimidade, a amizade verdadeira, profunda e frutuosa. 

Dentro de cada um de nós há um pouco de Marta e um pouco de Maria. Já vi não poucas pessoas darem espaço demais para a Marta, mergulhando num ativismo estressante, cansaço irreversível, desistência, abandono, indiferença, frieza, estagnação e até mesmo recuo.

Já vi “Marias” tão simplesmente num espiritualismo alienante, descomprometido; num recolhimento estéril (fuga, evasão, alienação, intimismo...)

A beleza da espiritualidade do discípulo do Senhor consiste na busca do equilíbrio: ter o coração e ouvidos de Maria e as mãos e pés de Marta, na exata harmonia.

Saibamos escolher “a melhor parte”, que só pode vir de Jesus, para fazermos bem todas as coisas, porque precedidas de uma atitude de discípulo que escuta e ama; age e se compromete. Em uma palavra: fé e luta; fé e compromisso.

Reflitamos:

- Encontro tempo para acolher e escutar o Senhor?
- Sento-me aos Seus pés para que escutando o que Ele tem a dizer, faça melhor?

- De que modo sintetizo em minha vida as mãos de Marta e os ouvidos e o coração de Maria?


- O correr muito pode levar ao vazio, ao tédio, à solidão, à falta do sentido da vida. Estou correndo este risco?
- Ativismo desenfreado aliena, massacra, asfixia e pode nos levar a lugar nenhum. Como equilibro o silêncio, a oração e a ação?

Enraizados no Amor de Cristo,
somos fortalecidos e vivificados por Ele,
na ação do Espírito que nos
cumula de todo bem e graça.
Ele é o absolutamente essencial em nossa vida.

Aos Teus pés, Senhor

                                                          

Aos Teus pés, Senhor

Aos Teus pés, Senhor, suplico que eu não entenda Tuas palavras dirigidas a Marta, como menosprezo pelo cuidado dos que acolhemos ou convivemos.

Suplico-Te, Senhor, que não me deixe enganar pelo falso enunciado de um princípio que estabelece a hierarquia entre “ação” e “contemplação”.

Aos Teus pés, Senhor, suplico que eu reconheça e valorize a riqueza das vocações e estados da vida religiosa “ativa” e “contemplativa”.

Suplico-Te, Senhor, que eu tenha, como prioridade absoluta, a escuta da Palavra, recuperando o fôlego e a coragem para fazer novas e com amor todas as coisas, e, com sabedoria, fazer as renúncias necessárias.

Suplico-Te, Senhor, que eu me assente regularmente aos Teus pés, como discípulo missionário, atento à Tua Palavra, para colocá-la em prática em meio às muitas ocupações da vida, na expressão de amor e serviço ao próximo.

Aos Teus pés, Senhor, suplico que nada, absolutamente nada (cansaço, doença, preocupações, ou quaisquer outras coisas), me impeça deste acolhimento vital e necessária adoração de Ti, primeiramente, e depois, Te servir concretamente na pessoa do irmão e irmã.

Senhor, sentado aos Teus pés, a exemplo de Maria, tenhamos o coração inflamado pelo Teu amor, que faz arder nosso coração, como fizeste também com os discípulos de Emaús, por esta Palavra nos deixemos iluminar e conduzir, até que um dia Te contemplemos, face a face, na glória de Deus Pai, na plena comunhão com Teu Espírito. Amém. (1)


Fonte inspiradora: Missal Dominical – Editora Paulus – Lisboa – p.1632.
Passagem do Evangelho: Lc 10,38-42

Assentar-se aos pés do Senhor para amar e servir

                                                      

Assentar-se aos pés do Senhor para amar e servir

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 10,38-42), em que Jesus vai à sua casa e de seus irmãos, Maria e Lázaro.

Vemos como Maria acolhe Jesus e se assenta aos Seus pés, para escutar o amigo e Divino Mestre, escolhendo a melhor parte que não lhe será tirada, como garantiu o Senhor. De outro lado, vemos Marta agitada, inquieta, de certo modo até advertindo Aquele que havia recebido como hóspede:

“Marta ainda não havia compreendido, e com ela pudemos aprender, que a atenção prestada ao Senhor não nos afasta da vida, mas ao contrário: “confere ao nosso viver um fôlego maior”. 

Marta representa cada um de nós: esgotados, estressados pelo muito a fazer, sem parar diante do Senhor, privando-nos do essencial; do tempo da oração, e o maior de todos os momentos, o Banquete da Eucaristia, fonte e ápice da vida cristã.

A atitude de Maria nos convida a contemplar tantas pessoas muito ativas que, embora no meio de muitas ocupações, vivem interiormente em profunda paz, numa contemplação secreta, com o coração unido ao Senhor, porque assíduos na participação do Banquete da Eucaristia, ouvem e conduzem sua vida pela Palavra proclamada, ouvida, acolhida e na vida em prática colocada, com a força do Espírito, que nos assiste e nos conduz.

São tantas as pessoas que no viver a fé, dando razão da esperança e na prática da caridade, fazem tudo o que devem fazer, não num desapego artificial das coisas, mas com a plena tranquilidade de quem, mesmo nos serviços mais abrangentes, ama o Senhor, servindo-O no próximo.

Recuperemos o “fôlego”, assentando-nos aos pés do Senhor. Ele não apenas quer ser acolhido, mas quer nos dirigir Sua Palavra, que nos reorienta, revigora, e dá sentido ao nosso existir, pois com Ele, e somente com Ele, fazemos bem e melhor todas as coisas.

Recuperemos o “fôlego”, acolhamos o sopro do Espírito, para que não esmoreçamos na missão que o Senhor nos confia, vivendo com zelo, amor e alegria, pois somente quem para diante do Senhor, é capaz de ir bem mais longe, até que alcance o fim desejado, a eternidade, e a contemplação definitiva de Sua face.


Fonte inspiradora: Lecionário Comentado - Ed Paulus - Lisboa Portugal - p.769.

Acolher e escutar o Senhor

                                                        

Acolher e escutar o Senhor

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 10,38-42), sobre a visita de Jesus à casa de Maria, Marta e Lázaro.

Marta acolhe o Senhor e se revela um tanto amarga, o que também pode acontecer conosco, portanto, a necessária vigilância.

De outro lado, com Maria, aprendemos que é preciso escolher a melhor parte, para seguir Jesus no caminho, sentando-se aos seus pés para a escuta de Sua Divina Palavra, pois não ficará de pé na caminhada quem não se assentar diante d’Ele para escutá-Lo.

Quem se assenta aos Seus pés, sofre menos, chora menos, age de um novo jeito: “Nós nos tornamos grandes quando nos ajoelhamos”

Maria assim o fez: Parou para escutar e não deixou de viver com intensidade a Palavra do Amado...

O caminho para ser feliz passa pela escuta da Palavra de Deus, e feliz de quem escuta a minha Palavra e a põe em prática, disse o Senhor.

Nesta escuta e prática da Palavra do Senhor é preciso que permaneçamos firmes no Senhor, como nos falou o Apóstolo Paulo: “Completo em minha carne o que falta a Paixão de Cristo, por amor à Sua Igreja.’ (Cl 1,24).

Quando o sofrimento assumido na fé é a presença de Deus em nossa vida, temos a perspectiva de vitória, configurados a Jesus Cristo, em seu Mistério de Paixão e Morte, em inseparável amor por Ele e por sua Igreja.

Acolhamos Jesus e Sua Palavra, e que se realizem em nós as transformações necessárias, acompanhadas de gestos concretos de amor, partilha e solidariedade.

Acolher o Senhor, escutar Sua Palavra,
vivê-la intensamente com a força do
Espírito, na fidelidade ao Pai!
Amém.

“Colar de pérolas”

                                                    

“Colar de pérolas”

Passagem do Evangelho: Lc 10,38-42 – Marta recebeu Jesus em sua casa, mas Maria escolheu a melhor parte:

“Só uma coisa é necessária: o amor a Deus, a santidade pessoal. Quando Cristo é o objetivo da nossa vida durante as vinte e quatro horas do dia, trabalhamos mais e melhor.

Este é o fio forte que – como num colar de pérolas finas – une todas as obras do dia; assim evitamos a vida dupla: uma para Deus e outra dedicada às tarefas no meio do mundo: às ocupações profissionais, à família, ao relacionamento com os amigos, ao descanso...” (1)

Reflexão:

Viver é como confeccionar um precioso colar de pérolas:
Quanto mais unidos ao Senhor e ao Mandamento que Ele nos deu, estivermos,
Mais pérolas teremos a acrescentar em nosso colar pessoal,
Que não é para ser exposto, mas nos alcançará algo maior, a eternidade.

Viver cada amanhecer com o intuito de unir novas pérolas ao colar,
Empenhado em viver o amor a Deus sobre todas as coisas,
de todo o coração, de toda a alma, e de todo o entendimento,
e ao próximo como a si mesmo, como nos ensinou o Senhor.

Cada pérola se unirá a outras tantas, numa obra interminável.
E assim, pérolas da paciência vivida, serenidade jamais perdida,
Fé nas provações mais que revigorada pela escuta atenta do Senhor,
Sentado aos Seus pés, como Maria, assim o fez.

Cada pérola se unirá a outras tantas, numa obra interminável.
E pérolas da esperança, no coração renovadas, utopias reavivadas,
Porque esperança é o nome da utopia cristã, que não pode morrer,
Mas reaprender a esperançar, na espera de novo céu e nova terra.

Cada pérola se unirá a outras tantas, numa obra interminável.
Pérolas de caridade eterna e inflamável, que jamais se apaga.
Pérolas do fogo abrasador do amor, que nem rios poderão apagar,
Porque assistidos pelo fogo do Espírito, que nos aquece e ilumina.

Ainda que a realidade sociopolítica nos inquiete e nos desafie,
Jamais percamos a capacidade de sonhar, mas um sonhar
Que não nos dispense desta obra por Deus confiada:
Confeccionar nossos colares até o último suspiro!




A incomparável Misericórdia Divina!

                                                        


A incomparável Misericórdia Divina!
A presença Divina como
“Porto Seguro” em nossa travessia...

No dia 06 de outubro, como Igreja,  celebramos a Memória do Presbítero São Bruno (séc. XI), e a Liturgia das Horas nos apresenta a Carta que ele enviou aos seus filhos Cartuxos:

“Tomei conhecimento do inflexível rigor de vossa ponderada e louvável disciplina, pelos frequentes e agradáveis relatos de nosso caríssimo irmão Landovino.

Ouvindo também falar de vosso santo amor e incessante empenho por tudo quanto é íntegro e honesto, exulta meu espírito no Senhor.

Verdadeiramente exulto e sou levado a transportes de louvor e de ação de graças ao Senhor, mas ao mesmo tempo suspiro amargamente.

Exulto, sim, como é justo, pelo incremento dos frutos de vossas virtudes; tenho tristeza e vergonha de jazer incapaz e covarde na lama de meus pecados.

Alegrai-vos, então, irmãos meus caríssimos, pelo quinhão de vossa felicidade e pela liberalidade da graça de Deus em vós.

Alegrai-vos por terdes fugido dos múltiplos perigos e naufrágios deste mundo agitado.

Alegrai-vos porque alcançastes o tranquilo e seguro repouso do porto mais profundo. Muitos desejam aí chegar, muitos empregaram ingentes esforços e não o conseguem. E muitos, depois de obtê-lo, foram afastados, porque a nenhum deles foi dado perseverar.

Por isso, irmãos meus, tende por certo e provado que quem possuiu este bem desejável e o perdeu de qualquer modo que seja, sentirá tristeza até o fim, se de fato sentir preocupação e cuidado pela salvação de sua alma.

A vosso respeito, diletíssimos irmãos leigos, digo: 'Minha alma engrandece o Senhor' (Lc 1,46), porque vejo a magnificência de Sua misericórdia sobre vós, através da exposição feita por Vosso prior e Pai amantíssimo, que muito Se gloria e Se alegra por vossa causa.

Alegremo-nos também nós, porque, mesmo desprovidos de instrução, poderoso é Deus, para com Seu dedo escrever em vossos corações não apenas o amor, mas também o conhecimento de Sua Santa Lei.

Na ação manifestais o que amais e o que sabeis. Pois, quando observais com toda a cautela e empenho a verdadeira obediência, torna-se evidente que também vós sabiamente recolheis o fruto suavíssimo e vital da Escritura Divina”. (1)

Destaco quatro preciosas afirmações contidas na Carta:

- “Exulto, sim, como é justo, pelo incremento dos frutos de vossas virtudes; tenho tristeza e vergonha de jazer incapaz e covarde na lama de meus pecados...”;
- “Alegrai-vos porque alcançastes o tranquilo e seguro repouso do porto mais profundo.”;
- “... porque vejo a magnificência de Sua misericórdia sobre vós...”;
- “... poderoso é Deus, para com Seu dedo escrever em vossos corações não apenas o amor, mas também o conhecimento de Sua santa Lei.”

Não fosse a magnificência da misericórdia divina, estaríamos condenados à “lama de nossos pecados”. Mas não, Deus é nosso “tranquilo e seguro repouso do porto mais profundo”!

Que Deus continue escrevendo com Seu dedo em nossos corações o amor e Sua Lei em perfeita simultaneidade, porque a Lei de Deus é Amor!

A história que Deus deseja e escreve conosco é uma ininterrupta história de amor, tirando-nos sempre do lamaçal ou da areia movediça de nossos pecados, porque Ele é misericórdia.

Com Ele, nosso Porto Seguro, temos a certeza de que a travessia serena é possível, e os voos do Espírito, as mais preciosas riquezas serão tangíveis.

Quer navegando com Ele,
Quer voando em Suas asas,
A viagem para outra margem,
a mais bela aventura do amor
Nos levará a maior fidelidade ao Senhor, 
como peregrinos de esperança 
de um novo céu e uma nova terra.
Amém.

(1) Liturgia das Horas - Volume IV - Tempo Comum - pp. 1351-1352

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