sábado, 14 de fevereiro de 2026

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Só Deus nos garante a verdadeira felicidade (VIDTCA)

                                                             

Só Deus nos garante a verdadeira felicidade

"Enquanto o amor humano tende
a apossar-se do bem que encontra no seu objeto,
o Amor Divino cria o bem na criatura amada" .

Com a Liturgia do 6º Domingo do Tempo Comum (Ano A) refletimos o desdobramento do Sermão da Montanha, apresentado nos primeiros versículos do quinto capítulo do Evangelho de Mateus.

Vemos que Deus tem um Projeto de Salvação para a humanidade, mas somente na fidelidade a Ele e aos Seus Mandamentos é que alcançaremos vida plena e feliz.

Na passagem da primeira Leitura (Eclo 15, 16-21) encontramos uma mensagem clara e incontestável: Deus nos concede liberdade para escolhas. Se escolhermos Sua proposta, no cumprimento de Seus Mandamentos, teremos vida e felicidade. Porém, bem diferente será o que alcançaremos se d’Ele e de Sua Lei nos afastarmos, encontraremos o pecado e a morte.

O Povo de Deus, no século a. C, vivia um contexto de abandono da fé, com fortes influências da cultura helênica. O autor sagrado exorta a fidelidade a Deus e à Sua Palavra para que não perca a sua identidade, e com isto o afastamento da felicidade.

É explícito o tema: temos sempre que fazer escolhas: ou o caminho da vida e da felicidade, ou o caminho da morte, da desgraça (orgulho, egoísmo, autossuficiência, isolamento...).

Fomos criados por Deus e Ele nos concedeu o livre arbítrio, temos que saber escolher. Somos eternamente responsáveis pelas nossas escolhas, pela proximidade ou afastamento de Deus que elas trarão.

Reflitamos:

- De que modo usamos a liberdade que Deus nos concedeu?
Quais são nossas escolhas? Serão elas acertadas, conforme a vontade de Deus?

- Qual caminho trilhamos: da fidelidade ou indiferença à Proposta de Deus?

- Quais são as consequências de nossas escolhas? 
- Somos capazes de assumi-las sem atribuir culpas a Deus, em caso de resultados adversos?

Na passagem da segunda Leitura (1 Cor 2,6-10), mais uma vez o Apóstolo nos exorta a viver nossa fidelidade ao Senhor que, por amor sem medida, não evitou a Cruz. Nela Jesus viveu a doação total, o Amor que ama até o fim.

É na Cruz de Nosso Senhor Jesus que se encontra a mais bela história de Amor, em que Ele, o Filho Amado, vai até o extremo de Sua doação e Amor por nós; e como discípulos missionários do Senhor, haveremos de fazer o mesmo caminho.

Abraçar a Cruz, por amor, consiste na verdadeira sabedoria divina, infinitamente superior à sabedoria humana.

A verdadeira sabedoria vem, paradoxalmente, da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. O Apóstolo é convicto de que Jesus Cristo é o único Mestre e que a verdadeira sabedoria não é aquela que nasce do brilho e elegância das palavras, nem mesmo pela coerência dos sistemas filosóficos.

Na identificação total com Cristo, é o Espírito que nos anima e nos conduz, para que jamais recuemos na vida de fé, mas avancemos sempre para as águas mais profundas, na travessia do mar da vida.

A prática de Jesus nos revela que Deus não força ninguém a esta identificação, não força ninguém a segui-Lo, mas se quisermos segui-Lo, é preciso renúncias cotidianas, tomando a cruz e pondo-nos a caminho, na fidelidade total aos Mandamentos Divinos que nos conduzem nesta opção, sempre enamorados e apaixonados por Ele, Jesus, Nosso Senhor.

O cristianismo não é um conjunto de ideias, mas o encontro pessoal com Jesus Cristo que transformou  a nossa vida para sempre. Quem se encontrou com o Senhor, de fato, nunca mais será a mesma pessoa, e se torna impossível viver sem Ele e o Seu Amor.

Na passagem do Evangelho (Mt 5,17-37), Jesus com Seus ditos nos exorta à prática das Bem-Aventuranças, com seus desdobramentos no cotidiano.

Não será o cumprimento das regras externas que nos levará ao alcance da felicidade e de uma religião a Deus agradável, mas antes a atitude de adesão interior a Deus e à Sua Proposta.

O Missal Dominical afirma que “o amor é querer o bem do amado”. E com esta expressão sintetizamos a mensagem do Evangelho deste Domingo.

Viver as Bem-Aventuranças, e ser sal da terra e luz do mundo, é viver um amor que quer e cria o bem do amado. Isto nos remete a dois grandes Santos da Igreja, São Tomás de Aquino e São João da Cruz que, respectivamente, assim disseram:

“Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada" .

"O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do Amor, tornar aquele que Ama semelhante ao amado."

Por isto, Jesus dá quatro exemplos em que o amor verdadeiro e puro tem que falar mais alto, se sobrepondo a qualquer sentimento de ódio, indiferença, ira, posse, condenação, falsidade...:

1 - As relações fraternas e a contínua necessidade da reconciliação;
2- O adultério e a necessidade de conversão, vendo no outro a imagem e templo de Deus;
3 - A confirmação da aliança indissolúvel do matrimônio, desde a criação, ratificando, assim, o Plano de Deus;
4 - A importância de nos relacionarmos na sinceridade e na confiança, tornando os relacionamentos sadios e edificantes.

Em resumo, a questão essencial é: para quem quiser viver na dinâmica da Boa Nova do Reino de Deus, não basta o cumprimento rigoroso e escrupuloso da Lei, seguindo a casuística das regras da Lei.

É preciso que se tenha uma atitude interior nova, que revele um compromisso verdadeiro com Deus, envolvendo a pessoa toda, transformando seu coração, suas escolhas, seus relacionamentos, sua postura diante do Criador e Suas criaturas: em relação a Deus sejamos filhos e filhas, em relação ao próximo sejamos fraternos e solidários.

Reflitamos:

- Cumprimos os Mandamentos da Lei Divina por medo ou amor?

- Para Jesus, “não matar” é evitar tudo aquilo que cause dano ao próximo (egoísmo, prepotência, autoritarismo, injustiça, indiferença...). O que podemos evitar para que sejamos fiéis ao Senhor?

- Fazemos dos Mandamentos Divinos sinais indicadores no caminho que conduz à vida plena?

- Em que as afirmações dos Santos da Igreja, citadas acima, nos ajudam para que vivamos as Bem-Aventuranças e sejamos sal da terra e luz do mundo?

O Sermão de Nosso Senhor foi e continua sendo ouvido na montanha, mas é preciso que desçamos à planície do cotidiano. Eis o grande desafio para todos nós.

Temos a missão de ser sal da terra e luz do mundo. Por isto, se faz necessária a invocação da Sabedoria Divina, a Sabedoria do Santo Espírito, para que sejamos uma Igreja no coração do mundo, e ao mesmo tempo homens e mulheres do mundo no coração da Igreja.

Somente assim não seremos sal insípido, sem gosto, que para nada serve, como já nos alertara o Senhor.

Temos sede da Palavra de Deus (VIDTCA)

                                                       

Temos sede da Palavra de Deus

“O Senhor coloriu com muitos tons Sua Palavra.”

Sejamos enriquecidos pelo Comentário sobre o Diatéssaron, escrito pelo Diácono Santo Efrém (Séc. IV), em que nos apresenta a Palavra de Deus como fonte inexaurível de vida.

“Que inteligência poderá penetrar uma só de Vossas Palavras, Senhor? Como sedentos a beber de uma fonte, ali deixamos sempre mais do que aproveitamos.

A Palavra de Deus, diante das diversas percepções dos discípulos, oferece múltiplas facetas. O Senhor coloriu com muitos tons Sua Palavra. Assim, quem quiser conhecê-La, pode nela contemplar aquilo que lhe agrada. Nela escondeu inúmeros tesouros, para que neles se enriqueçam todos os que a eles se aplicarem.

A Palavra de Deus é a árvore da vida a oferecer-te por todos os lados o fruto abençoado, à semelhança do rochedo fendido no deserto que, por todo lado, jorrou a bebida espiritual. Comiam, diz o Apóstolo, do alimento espiritual e bebiam da bebida espiritual.

Se, portanto, alguém alcançar uma parcela desse tesouro, não pense que este seja o único conteúdo desta Palavra, mas considere que encontrou apenas uma porção do muito nela contido. Se só esta parcela esteve a seu alcance, não diga que essa Palavra seja pobre e estéril, nem a despreze. Pelo contrário, visto que não pode abraçá-La totalmente, dê graças por sua riqueza.

Alegra-te por seres vencido, não te entristeças por te ultrapassar. O sedento enche-se de gozo ao beber e não se aborrece por não poder esgotar a fonte. Vença a fonte a tua sede, mas não vença a tua sede a fonte.

Pois, se tua sede se sacia sem que a fonte se esgote, quando estiveres novamente sedento, dela poderás beber. Se, porém, saciada tua sede também se secasse a fonte, tua vitória redundaria em mal.

Dá graças, então, pelo que recebeste. Pelo que ainda restou e transbordou não te entristeças. Aquilo que recebeste e a que chegaste é a tua parte. O que sobrou é tua herança. Se, por fraqueza tua, em uma hora não consegues entender, em outras horas, se perseverares, poderás recebê-lo.

Não te esforces, com maligna intenção, por beber de um só trago aquilo que não pode ser tomado de uma vez. Não desistas, por indolência, de tomá-lo aos poucos”. (1)

Nisto consiste a riqueza da Palavra de Deus, e que a diferencia de todas as palavras e de todos os demais livros: a Palavra é sempre uma Boa-Nova, se lida com a luz e sabedoria do Espírito, e se  acolhida no mais profundo de nossos corações.

Bebamos desta fonte inesgotável, e uma vez saciada nossa sede, voltemos novamente a Ela, pois sempre nos enriquecerá e nos comunicará realidades novas.

A Palavra de Deus é viva e eficaz (Hb 4,12) e jorra abundantemente, para que não morramos de sede na travessia do deserto de nossa existência. Ela é fonte inesgotável de água cristalina para quem tem sede de amor, vida, verdade, paz, justiça e fraternidade.

(1) Liturgia das Horas - Volume I - Tempo Comum - pp. 173-174

O amor cristão

                                                               

O amor cristão

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração,
de toda tua alma, de todo teu entendimento,
e com toda a tua força. O segundo é este:
 Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
 Não existe outro Mandamento
maior do que este”
(Mc 12,30-31)

O amor cristão tem endereço, destino.
Ora aponta para o sentido vertical,
Ora desafiadoramente para o horizontal,
Ambos de forma total e incondicional.

O amor cristão tem dupla dimensão:
A Deus que não se vê e ao próximo que se vê.
Ama-se a Deus em cada próximo,
Ama-se o próximo em Deus.

O amor cristão tem um brilho próprio
Que irradia luz nas situações mais obscuras,
Porque procede da Divina Fonte de Luz,
Que é Aquele que tanto amamos: Jesus.

O amor cristão ressoa sempre como Boa Nova,
Para criar e recriar relacionamentos
Na mais bela e madura expressão:
A graça de dar e receber o perdão.

O amor cristão é o fermento indispensável
De um mundo novo que deve ser anunciado;
De relações justas e fraternas a serem restabelecidas,
Tornando a vida mais plena e mais bela.

O amor cristão tem um referencial
Que nos ama com amor imensurável:
A medida sem medida do Amor de Deus,
Que máxima expressão na Cruz aconteceu.

Amar como o Apóstolo Paulo cantou,
Infinitamente superior a quaisquer outros dons,
Porque o amor jamais passará,
Que dá novo sentido ao que somos e fazemos.

O amor cristão tem endereço, destino.
Volto à primeira de todas as afirmações sobre o amor cristão:
Urge endereçar nosso amor, concretizá-lo,
Para que nos credenciemos à eternidade.

Em poucas palavras...

                                                       


“Ama e faze o que queres...” 

“Ama e faze o que queres. Seja que cales, cala por amor, seja que fales, fala por amor; seja que corrijas, corrige por amor; seja que perdoes, perdoa por amor. Esteja em ti a raiz do amor, porque desta raiz não pode nascer outra coisa a não ser o bem”. (1)

 

(1) Santo Agostinho (séc. V) 

Santidade, um caminho a percorrer... (VIDTCA)

                                                           


Santidade, um caminho a percorrer...

Santidade:
Dom de Deus, missão nossa.
Iniciativa Divina, resposta nossa. 

Santidade não se alcança tão apenas com o esforço humano, mas por outro lado não o dispensa, em nenhum momento...

Contando com a graça e a força do Espírito, podemos alcançar a Santidade querida por Deus para todos nós, e oxalá também por nós desejada!

Santidade alcança-se pelo esforço por Jesus exortado: "... fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita." (Lc 13,24)

A Santidade vivida é certeza de salvação, mas “estreita” é a porta que nos conduz aos céus!

Trilhar o genuíno caminho da Santidade é viver o que o Sublime Mestre nos ensinou, as Bem-Aventuranças (Mt 5,1-12)

No Senhor revigoremos nossas forças,
e assim jamais da Santidade nos distanciemos,
neste caminho de graça e luz, trilhemos...

“O amor é o pleno cumprimento da Lei” (VIDTCA)

                                              


“O amor é o pleno cumprimento da Lei”

“Ouvistes o que foi dito... Eu, porém, digo-vos...”

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,17-37),  encontramos quatro antíteses apresentadas por Jesus Cristo, que não vem para abolir a Lei, mas para dar a ela o pleno cumprimento.

1ª - “Não matarás (Mt 5,21-26) – o Evangelista refere-se a nova interpretação de Jesus: não basta o não matar uma pessoa, é preciso abafar o mal na sua origem, impedi-lo que nasça e habite em nosso coração. A condenação não se limita ao momento de matar, mas é alargada a quem cultiva momentos de ira no coração, ou quem investe contra o seu próximo com ofensas. Não se pode ofender ninguém, e deve-se cultivar o máximo respeito de uns pelos outros.

2ª - Adultério (Mt 5,27-30) – Jesus não somente condena o adultério, como convida a cortar o mal pela raiz, condenando os pensamentos e desejos já presentes no coração. É preciso fazer todos os esforços para controlar e submeter os maus desejos ou desejos desonestos, bem como as paixões.

3ª - Divórcio (Mt 5,31-32) – Jesus afirma que o divórcio não pode dissolver a união abençoada por Deus, e com isto não se restitui aos cônjuges separados a liberdade de desposar outra pessoa, de modo que, aquele que repudia a esposa expõe ao adultério a si mesmo, a esposa, e quem quer que se case com ela.

4ª - Perjúrio (juramento) (Mt 5,33-37) – O juramento é uma prova de que as relações entre as pessoas são falsas. Se a mentira não existisse, não haveria motivo para recorrer ao juramento. Deste modo, Jesus vai à raiz do problema e afirma a não necessidade de se recorrer ao juramento, porque a linguagem de todos nós deve ser sempre sincera e reta – “Sim, sim; não, não”.

Dando pleno cumprimento à Lei, Jesus exige dos Seus seguidores um amor atento, profundo, capaz de perceber o espírito da Lei, porque parte do mais profundo do coração humano; trata-se, portanto de um espírito novo.

Deste modo o amor é o critério principal que deve caracterizar o discípulo de Jesus, pois ele vem primeiro que a observância da Lei, e até mesmo, antes do próprio culto oferecido a Deus. Se não houver amor, de nada adiantam a Lei e o Culto.

Portanto, é possível que não amemos de fato, e isto acontece quando:

- nos julgamos maiores que os outros;
- exigimos um respeito que destrói a própria fraternidade;
- nos tornamos mordazes, amargos, cáusticos matando, sobretudo com palavras;
- desonramos o irmão, ou o humilhamos com gestos ou com palavras;
- somos impacientes e demasiadamente exigentes, sem a atitude de misericórdia.

Ressoem as palavras do Apóstolo Paulo aos Romanos:

Não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor que deveis uns aos outros; pois quem ama o próximo, cumpre plenamente a Lei. De fato, os mandamentos: ‘Não cometerás adultério, não cometerás homicídio, não roubarás, não cobiçarás’, e qualquer outro mandamento, se resumem neste: ‘Amarás o teu próximo como a ti mesmo’. O amor não faz nenhum mal contra o próximo. Portanto, o amor é o pleno cumprimento da Lei” (Rm 13,8-10).

Oremos:

Ó Deus, derramai sobre nós o Vosso amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo, para que amemos como Jesus amou e não sejamos escravos da Lei, e assim pautemos todo o nosso pensar e viver. Amém.


Fonte: Lecionário Comentado – Editora Paulus – Volume I – Tempo comum – pp.254-256

Cortemos o rancor pela raiz (VIDTCA)

                                                                   

Cortemos o rancor pela raiz

“...extirpai vossas paixões enquanto são jovens,
antes que se endureçam em vós e que não tenhais que sofrer”.

A Conferência sobre o rancor, escrita por São Doroteu de Gaza (séc. VI), muito nos enriquece ao celebramos o 6º Domingo do Tempo Comum, em que ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,17-37).

“Evágrio disse: ‘Encolerizar-se e contristar a alguém são coisas impróprias ao monge’. E também: ‘Quem tem triunfado da cólera, tem triunfado dos demônios. Porém, aquele que é presa desta paixão está em absoluta oposição à vida monástica’.

Que há que dizer de nós que, sem limitar-nos à irritação e a cólera, chegamos às vezes ao rancor? O que temos de fazer a não ser chorar nosso estado tão lastimoso e indigno do homem? Sejamos vigilantes, irmãos, cooperemos com Deus, para preservar-nos do amargor desta funesta paixão.

Talvez alguém se desculpe com seu irmão pela perturbação causada ou a ferida infligida, porém, mesmo depois da desculpa, permanece incomodado e conserva pensamentos contra seu irmão. Ele não deve dar importância a esses pensamentos e rechaçá-los imediatamente. Isso é o rancor, e para não colocar-se em perigo detendo-se nele é preciso, como disse, muita vigilância; é necessária a desculpa e é imperativo o combate.

Ao pedir desculpas simplesmente para cumprir com o preceito, curou-se da cólera momentaneamente, mas não lutou ainda contra o rancor: conserva-se o rancor contra o seu irmão. Uma coisa é o rancor, outra a cólera, a irritação, e outra a desavença.

Vou dar-vos um exemplo que vos fará compreender: alguém acende um fogo. A princípio não consegue mais do que um pequeno carvão. Isso representa a palavra do irmão que nos ofende. Vede, não é mais do que um pequeno carvão, porque, o que é uma simples palavra de vosso irmão? Se a suportais, extinguis o carvão. Se, ao contrário, começas a pensar: ‘Por que disse isso? Posso bem responder-lhe! Se não quisesse ofender-me, não teria me falado assim! Que ele saiba que eu também posso prejudicá-lo’.

Como alguém que acende um fogo, vós estais lançando ali raminhos ou qualquer outra coisa e produzis fumaça, que é a perturbação. A perturbação não é mais que o movimento e a afluência de pensamentos que despertem e inquietam o coração. E essa excitação, chamada também ira, impulsiona a vingar-se do ofensor. Como disse o abade Marcos: ‘A malícia introduzida nos pensamentos excita o coração; mas, dissipada com a oração e a esperança, perece’.

Suportando uma simples palavra de vosso irmão, vocês podem extinguir o pequeno carvão antes que a perturbação apareça. Porém, inclusive esse ânimo perturbado ainda podeis acalmá-lo facilmente enquanto nasce, com o silêncio, com a oração, com uma simples satisfação que brote do coração. Se, ao contrário, continuais a produzir fumaça, ou seja, exaltando e excitando o vosso coração, pensando:

“Por que me disse aquilo? Eu também posso lhe responder!”, a afluência e o entrechoque dos pensamentos avivando e ebulindo o coração provocam a chama da exasperação. Esta, segundo Basílio, é somente a ebulição do sangue em torno ao coração. Isso é a irritação, chamada também rancor. Se quiserdes, ainda podeis extingui-la antes que se transforme em cólera. Mas se continuais a perturbar-vos e a perturbar aos demais, fazeis como o que joga troços de madeira à fogueia para avivar o fogo: a lenha se transforma em brasas, e isto é a cólera.

É o mesmo que dizia o abade Zósimo quando lhe pediram que explicasse esta sentença: ‘Onde não há irritação, não há combate’. Se ao começo da perturbação, assim como aparecem a fumaça e as chispas, alguém se adianta e acusa a si mesmo e oferece uma satisfação, antes que se eleve a chama da irritação, permanece em paz.

Mas se, provocada a irritação, esta não se acalma e persiste na perturbação e na exaltação, se parece ao que lança madeira ao fogo e continua a alimentá-lo até que se torne em brasas vivas. Como as brasas, feitas carvão e postas de lado, subsistem anos sem se corromper, mesmo que se lance água em cima, assim a cólera que se prolonga se converte em rancor e já não é possível livrar-se dele a não ser vertendo sangue.

Disse-vos a diferença dos quatro graus: compreendam-nos bem. Agora sabeis o que é a primeira perturbação, o que é a exasperação, o que é a cólera e o que é o rancor. Percebeis como uma só palavra chega a produzir um mal tão grande? Se desde o começo se tivesse censurado a si mesmo, se tivesse suportado pacientemente a palavra do irmão, sem querer se vingar, nem responder duas ou cinco palavras por uma só, e responder ao mal com o mal, se teriam evitado todos esses males.

Por isso não cesso de recomendar-vos, extirpai vossas paixões enquanto são jovens, antes que se endureçam em vós e que não tenhais que sofrer. Pois uma coisa é arrancar uma planta pequena e outra desarraigar uma grande árvore”. (1)

Em nossos relacionamentos, pode acontecer que vivamos experiências semelhantes. No entanto, urge que o rancor seja cortado na raiz para que não cresça e fique impossível de ser extirpado de nosso coração, como São Doroteu nos ensinou.

É preciso sempre dar um passo adiante na fraternidade, no amor e na sinceridade de nossa fé, e tão somente assim, seremos sal da terra e luz do mundo.

Se não cultivarmos o rancor e ressentimentos em coração, poderemos rezar com amor e confiança a oração que o Senhor nos ensinou: – “O Pai Nosso”, sobretudo a súplica do perdão:

“Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nos perdoamos a quem nos tem ofendido...”.

(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp. 135-137

Em poucas palavras... (VIDTCA)

                                                        

                                " Os Dez Mandamentos..."

“Os Dez Mandamentos enunciam as exigências do amor de Deus e do próximo. Os três primeiros referem-se mais ao amor de Deus: os outros sete, ao amor do próximo:

‘Como a caridade abrange dois preceitos, nos quais o Senhor resume toda a Lei e os Profetas, [...] assim também os Dez Mandamentos estão divididos em duas tábuas. Três foram escritos numa tábua e sete na outra’ (Santo Agostinho).” (1)

 

(1)Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2067

Iluminados pelo Decálogo Divino (VIDTCA)

                                             

Iluminados pelo Decálogo Divino

Decálogo da Lei Divina, dádiva de Deus ao Povo que lhe pertence.
Sua observância, fonte genuína e inesgotável de prosperidade.

Decálogo da Lei Divina, luz que vem do alto para iluminar toda a humanidade.
Sua desobediência e transgressão, ruína, sofrimento, desolação, exílio, dor e morte.

Decálogo da Lei Divina, orienta caminhos, projetos e sonhos nossos.
Quanto maior a fidelidade, maiores realizações e felicidade alcançada.

Decálogo da Lei Divina, garantia de vida, fraternidade, alegria e paz.
Arrependimento, empenho em viver, presentes em todo o momento.

Decálogo da Lei Divina, alimenta e fortalece nossa espiritualidade,
Testemunhando fé integra, esperança firme, caridade perfeita.

Decálogo da Lei Divina, sintetizado nos Mandamentos do Senhor:
Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Amém.

A santidade matrimonial (VIDTCA)

                                                       

A santidade matrimonial

“Do divórcio do coração, livrai-nos Senhor”

Reflexão à luz da passagem do Evangelho (Mt 5,17-37), em que Jesus ratifica a indissolubilidade do Sacramento do Matrimônio (cf. também Mt 19, 1-9, Mc 10,1-12 ).

Uma reflexão para os casais e a quantos possa interessar, para acender uma fagulha de luz, iluminando a sagrada missão de santificar nossas famílias, e redescobrir caminhos para menos divórcios do coração, e assim, a família cumpra sua missão, não obstante todas as dificuldades e ventos contrários.

Quantos casais, neste sentido, vivem há anos num divórcio prático, ratificado e consumado, isto é, querido e atuado? Quando, por exemplo, entre marido e mulher não se tem nem a vontade de se perdoar, de se reconciliar, quando reina a indiferença, é divórcio de fato, do coração. É o repúdio sem formulações legais! O mandamento de Deus está violado, não se é mais ‘uma só carne’.

Fala-se muito dos terríveis males do divórcio jurídico: mulheres condenadas à solidão, filhos destruídos psicologicamente pela escolha penosa que devem fazer entre a própria mãe e o próprio pai.

Conheço uma criança nesta situação; depois que vi seus olhos, não preciso mais ouvir conferências sobre os males do divórcio: os vi todos estampados naqueles olhos de passarinho ferido.

Mas os males deste outro divórcio são, talvez, muito menores para a sociedade e para os filhos? Há tantos meninos desnorteados, drogados, violentos que não são filhos de divorciados casados de novo; são filhos de pais que vivem no divórcio do coração, que brigam, se ofendem ou se calam obstinadamente, reduzindo assim a família a um tenebroso inferno.

‘O homem não separe’ significa sim: a lei humana não separe; mas significa também, e antes de tudo: o marido não separe a mulher de si, a mulher não separe de si o marido.

É bem pouco o que se pode fazer depois que este divórcio aconteceu há anos. Mas muito, porém, se pode fazer no início para impedir que o divórcio aconteça.

Jesus lembra a unidade: ‘não serão senão uma só carne’, isto é, quase uma só pessoa, com a concórdia nos mesmos projetos e sentimentos; implicitamente inculca a construir sobre a unidade e renová-la cada dia. Como?

Procurando resolver logo que surgem os problemas, as incompreensões, as friezas. ‘Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento’ (Ef 4,26); esta recomendação do apóstolo, aplicada para os cônjuges, soa assim: antes do sol se deitar fazei as pazes; significa que não se pode deitar sem ser perdoados, nem que seja só com um olhar.

Depois a confiança recíproca; esta é como um lubrificante: falar, comunicar as próprias dificuldades e também as próprias tentações. Se a gente dissesse ao próprio cônjuge aquilo ou parte daquilo que se diz ao confessor ou se escreve ao diretor de certas revistas, quantos problemas seriam resolvidos! Enquanto há confiança recíproca, o divórcio fica longe.

A expressão ‘uma só carne’ lembra veladamente e outro meio humano para evitar o divórcio do coração: fazer da união sexual um momento de autêntica doação, abandono, humildade, de modo que sirva para restabelecer a paz e a confiança recíproca.

Continuar a ver sempre na mulher, como sugere a Bíblia, também depois que passaram os anos ‘ a mulher da própria juventude’ e no marido o homem da própria juventude, isto é, o ser que te deu sua juventude (cf. Pr 5,18).

Devemos nos convencer de que tudo isto não basta e que são necessários os meios espirituais: sacrifício e oração. Se o matrimônio encontra tanta dificuldade de se manter unido, é porque enfraqueceu o espírito de sacrifício e se quer só receber do outro, antes de dar ao outro.

A Oração! A melhor é aquela feita juntos,  marido e mulher. Mas a ela acrescentemos hoje também a oração comunitária: rezemos pelos casais e para aqueles que estão se encaminhando ao matrimônio; que o Senhor afaste deles o divórcio do coração”. (1)

Elevemos a Deus orações para que todos os lares sejam candelabros, onde a luminosidade divina não falte, ainda que a família passe por momentos difíceis, provações, inquietações.

Unamo-nos em oração e nos diversos trabalhos realizados pela Igreja em prol da Família, como tão bem nos exortou o Papa Francisco na Exortação – “Amoris Laetitia”.

Tenhamos sempre a Sagrada Família como modelo, inspiração e a ela recorramos sempre, para santificar e solidificar nossas famílias na rocha da Palavra, que é o próprio Jesus, Nosso Senhor (Mt 7, 21-27).


(1) O Verbo Se faz Carne -  Raniero Cantalamessa - Editora Ave Maria - 2013 - pp.447-448

O milagre do amor e da partilha

                               

O milagre do amor e da partilha

Na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 15,29-37), vemos Jesus curando os enfermos e fazendo o sinal da multiplicação dos pães.

Oremos:

Cristo Jesus, contemplamos na multiplicação dos pães a representação e o pré-anúncio do Vosso Banquete Eucarístico, mais tarde celebrados com Seus Apóstolos, e por nós para sempre até que volteis gloriosamente.

Cristo Jesus, neste Vosso Banquete tiveram lugar, principalmente, os pobres, doentes, desamparados, humildes e todos aqueles que ajudam os necessitados, com gestos de amor, partilha e solidariedade.

Cristo Jesus, também queremos dele participar, procurando a Vós com humildade, conscientes de nossa miséria, e acolhidos pela Vossa infinita misericórdia, que nos convida e nos acolhe, não pelos nosso méritos.

Cristo Jesus, por Vós somos curados, de modo especial através dos Sacramentos da Penitência e da Eucaristia, principalmente, na mais estreita e desejada relação e interação.

Cristo Jesus, com poucos pães e poucos peixes, Vos revelastes como nossa divina fonte de vida e Salvação, no sinal do amor, partilha e comunhão.

Cristo Jesus, que a oferta de nossas ações, sofrimentos e alegrias, e de nosso trabalho, se tornem para nós matéria por Vós assumida e eucaristizada, como parte integrante do Vosso Divino Sacrifício Redentor.

Cristo Jesus, convosco, neste sinal, aprendemos a recolher os fragmentos, cuidando das minúcias, dos pormenores, com atenção às pequenas coisas, as únicas que podemos oferecer para que nada a ninguém venha a faltar.

Cristo Jesus, seja também para nós uma advertência à nossa civilização de abundância e do consumo de poucos e a fome e a miséria de muitos, para um mais generoso desinteresse no uso dos bens, de modo que ninguém fique excluído do essencial para uma vida digna e feliz.

Cristo Jesus, que partícipes do Vosso Banquete, aprendamos com a mais bela lição que nos destes neste sinal, o mesmo a fazer, em alegre e generosa doação de tudo que temos e somos, de modo especial aos que nada possuem. Amém.



Fonte de Inspiração: Comentário do Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.21.

Apropriado para a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 8,1-10; Lc 9,11b-17)

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