Da mesma forma, jamais desistirá de trilhar seu caminho, porque sabe que com Ele, Jesus, o Caminho, é bem sabido o nosso mais desejado destino, não deixando a vida à deriva sem horizonte, sem rumo... (cf. Jo 14,6).
Sejamos levedados pela lógica eucarística
“‘Levedados’ pela ‘lógica eucarística’ da partilha/solidariedade para com todos, os cristãos são verdadeira e realmente ‘gerados’ pela ‘Palavra da verdade’ que é o Evangelho, ou seja, o próprio Cristo.
Na medida em que aceitaram permanecer com Ele na barca, embora com as fadigas e a dificuldade de compreender e de viver, têm a garantia de uma Humanidade nova (Tg 1,12-18), que vive na escuta da Palavra do Senhor e a ela adequa os seus passos, como fez Noé, o justo (Gn 6,5-8; 7,1-5.10).” (1)
(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – Volume I – Lisboa – pp. 279-280
Com o Senhor, serenidade nas travessias
Sejamos enriquecidos pelo Sermão n.63,1-3, de Santo Agostinho:
“Subiu Ele a uma barca com seus discípulos. De repente, desencadeou-se sobre o mar uma tempestade tão grande, que as ondas cobriam a barca. Ele, no entanto, dormia.
Os discípulos achegaram-se a ele e o acordaram, dizendo: Senhor, salva-nos, nós perecemos! E Jesus perguntou: Por que este medo, gente de pouca fé?
Então, levantando-se, deu ordens aos ventos e ao mar, e fez-se uma grande calmaria. Admirados, diziam: Quem é este homem a quem até os ventos e o mar obedecem?” (Mt 8,23-27).
Vamos comentar, com a ajuda de Deus, a leitura que o Santo Evangelho nos propõe hoje, não aconteça que tenham a fé adormecida nos vossos corações, no meio das tempestades e ondas deste tempo.
Cristo não teve poder sobre a morte ou o sono? Ou por acaso o sono pôde dominar a vontade do Navegador Todo-Poderoso? Se pensardes assim, sem dúvida, Cristo e a fé estão adormecidos em vossos corações. Mas se Cristo vela em vós, a vossa fé também está acordada. ‘Que Ele faça Cristo habitar em vossos corações pela fé’ (Ef 3,17), disse o Apóstolo.
O sono de Cristo é sinal de mistério. Os ocupantes da barca representam as almas que atravessam a vida deste mundo agarradas ao madeiro da cruz. Por outro lado, a barca é símbolo da Igreja. Sim, verdadeiramente […] o coração de cada fiel é uma barca que navega no mar e que não se afundará se o espírito mantiver bons pensamentos.
Insultaram-te: é o vento que te fustiga. Encolerizaste-te: é a onda que se levanta. Surgiu a tentação: é o vento que sopra. A tua alma está perturbada: são as vagas que se elevam. Insultaram-te e desejas vingança; castigaste sem temperança e estás caído. E por quê? Porque Cristo dorme no teu coração. O que significa que Cristo dorme? Que tu te esqueceste dele. Acorda Cristo, deixa que Ele te fale.
O que querias? Vingança. Não te lembras de que quando o crucificaram, ele disse: ‘Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’(Lc 23,34)? O que dormiu em teu coração não quis vingar-se. Acorda-o! Contempla-o. A sua memória são as suas palavras; a sua memória é a sua Lei. E se Cristo cuida de ti, te dirás: Quem sou eu, para querer punir? Quem, para ameaçar a alguém? Talvez eu morra antes de me vingar. E se morrer, inflamado pela ira, com anseio e sede de vingança, aquele que não quis punir me receberá? Aquele que disse: ‘Perdoai, e sereis perdoados, dai, e dar-se-vos-á’ (Lc 6,36-38)? Portanto, reprimirei a minha ira e pacificarei o meu coração. Cristo deu ordem ao mar e este ficou calmo (cf. Mt 8,27).
O que disse acima sobre a ira, aplicai-o a todos os tipos de tentações. És tentado e estás perturbado: são o vento e as ondas que se levantam. Desperta Cristo e fala com ele. ‘Quem é Este, a quem até o vento e o mar obedecem?’ (Mt 8,26) Quem é Ele? ‘Dele é o mar, pois foi Ele quem o formou’ (Sl 95,5): ‘por Ele é que tudo começou a existir’ Jo 1,3).
Imita, pois, os ventos e o mar: obedece ao Criador. O mar mostra-se dócil à voz de Cristo e tu continuas surdo? O mar obedece, o vento acalma-se e tu continuas a soprar? Que queremos dizer com isso? Falar, agitar-se, meditar na vingança: não será tudo isto continuar a soprar e não querer ceder diante da palavra de Cristo? Quando o teu coração está perturbado, não te deixes submergir pelas vagas.
No entanto, se o vento nos virar — porque somos apenas humanos — e acicatar as emoções más do nosso coração, não desesperemos. Acordemos Cristo, para que possamos prosseguir a nossa viagem por mares mais calmos.”
Nossa vida consiste numa constante travessia pelo mar da vida, e por vezes os mares são agitados pelos ventos.
Precisamos confiar na presença do Senhor na barca de nosso coração, e confiantes em Sua Palavra, superar todo o medo, vivendo a fé, em atitude orante, confiantes, suplicantes na mais autêntica relação com o Senhor que jamais nos abandona.
Creiamos que Ele está em nossa barca seja de nosso coração, como na barca de Sua Igreja em todo o tempo: e a última e poderosa Palavra somente Ele tem a nos dirigir e a serenidade nos devolver nas travessias cotidianas. Amém.
PS: Sermão apropriado para a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 6,24-34).
Nosso auxílio, confiança e esperança estão no Senhor
“–1 Ao maestro do coro. De Davi. Para lembrar.
“–2 Vinde, ó Deus, em meu auxílio, sem demora,
apressai-Vos, ó Senhor, em socorrer-me!
–3 Que sejam confundidos e humilhados
os que procuram acabar com minha vida!
– Que voltem para trás envergonhados
os que se alegram com os males que eu padeço!
–4 Que se retirem, humilhados, para longe,
todos aqueles que me dizem: 'É bem feito!'
–5 Mas se alegrem e em vós se rejubilem
todos aqueles que procuram encontrar-Vos;
– e repitam todo dia: 'Deus é grande!'
os que buscam Vosso auxílio e salvação.
–6 Quanto a mim, eu sou um pobre e infeliz;
socorrei-me sem demora, ó meu Deus!
– Sois meu Deus libertador e meu auxílio:
não tardeis em socorrer-me, ó Senhor!”
O Salmo 69(70) é uma súplica para que Deus venha em nosso auxílio:
“Este salmo repete o final do Salmo 40. É uma súplica urgente a Deus, defensor do pobre, para que salve o justo perseguido e confunda seus adversários, para alegria dos que buscam a Deus (Sl 40,14-18).”(1)
Esta realidade, vemos expressa na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 8,23-27), sobre a tempestade acalmada:
“Eles se dirigiram a Jesus e o despertaram, dizendo: ‘Senhor, salva-nos, estamos perecendo’ ‘Por que tendes medo, fracos na fé?’, respondeu ele (Jesus). Então, levantou-se e repreendeu o ventos e o mar, e se fez grande calmaria.” (Mt 8,25-26).
Esteja no Senhor nosso auxílio e esperança, pois Ele vem sempre em auxílio dos que O procuram com incondicional confiança:
“Na realidade, é difícil muitas vezes compreender porque acontecem certos fatos, mas o cristão sabe que Deus o vê e n’Ele confia, não fica inerte, se esforça, reza, porém, acima de tudo tem grande esperança, põe sua confiança em Deus.” (2)
Oremos:
(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – pág. 784
(2) Comentário do Missal Cotidiano - Editora Paulus - passagem do Evangelho de Mateus (Mt 8,23-27) - p.969
Em Deus, nossa confiança e esperança
“Na realidade, é difícil muitas vezes compreender porque acontecem certos fatos, mas o cristão sabe que Deus o vê e n’Ele confia, não fica inerte, se esforça, reza, porém, acima de tudo tem grande esperança, põe sua confiança em Deus.” (1)
(1) Comentário do Missal Cotidiano - Editora Paulus - passagem do Evangelho Mt 8,23-27 - pág. 969