quarta-feira, 22 de julho de 2026

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A sagrada amizade de Maria Madalena com o Senhor

                                                 

A sagrada amizade de Maria Madalena com o Senhor
 
Através da Homilia do Papa São Gregório Magno (séc. VI), vemos como Maria Madalena sentia o desejo de encontrar a Cristo, que julgava ter sido roubado, e assim renovemos mesmo amor pelo Cristo Ressuscitado.
 
“Maria Madalena, tendo ido ao sepulcro, não encontrou o corpo do Senhor. Julgando que fora roubado, foi avisar aos discípulos. Estes vieram também ao sepulcro, viram e acreditaram no que a mulher lhes dissera.
 
Sobre eles está escrito logo em seguida: Os discípulos voltaram então para casa (Jo 20,10). E depois acrescenta-se: Entretanto, Maria estava do lado de fora do túmulo chorando (Jo 20,11).
 
Este fato leva-nos a considerar quão forte era o amor que inflamava o espírito dessa mulher, que não se afastava do túmulo do Senhor, mesmo depois de os discípulos terem ido embora.
 
Procurava a quem não encontrara, chorava enquanto buscava e, abrasada no fogo do seu amor, sentia ardente saudade d'Aquele que julgava ter sido roubado. Por isso, só ela O viu então, porque só ela O ficou procurando.
 
Na verdade, a eficácia das obras está na perseverança, como afirma também a voz da Verdade: Quem perseverar até o fim, esse será salvo (Mt 10,22).
 
Ela começou a procurar e não encontrou nada; continuou a procurar, e conseguiu encontrar.
 
Os desejos foram aumentando com a espera, e fizeram com que chegasse a encontrar. Pois os desejos santos crescem com a demora; mas se diminuem com o adiamento, não são desejos autênticos.
 
Quem experimentou este amor ardente, pode alcançar a verdade. Por isso afirmou Davi: 'Minha alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus?' (Sl 41,3). Também a Igreja diz no Cântico dos Cânticos: 'Estou ferida de amor' (Ct 5,8). E ainda: 'Minha alma desfalece' (Ct 5,6).
 
'Mulher, por que choras? A quem procuras?' (Jo 20,15). É interrogada sobre o motivo de sua dor, para que aumente o seu desejo e, mencionando o nome de quem procurava, se inflame ainda mais o seu amor por Ele.
 
Então Jesus disse: 'Maria' (Jo 20,16). Depois de tê-la tratado pelo nome comum de mulher sem que ela o tenha reconhecido abertamente: 'Reconhece Aquele por quem és reconhecida. Não é entre outros, de maneira geral, que te conheço, mas especialmente a ti'.
 
Maria, chamada pelo próprio nome, reconhece quem lhe falou; e imediatamente exclama: 'Rabuni', que quer dizer Mestre (Jo 20,16).
 
Era Ele a quem Maria Madalena procurava exteriormente; entretanto, era Ele que a impelia interiormente a procurá-Lo.” (1)
 
Maria Madalena foi mencionada entre os discípulos de Cristo, esteve presente ao pé da Cruz e mereceu ser a primeira a ver o Redentor Ressuscitado, na madrugada da Ressurreição (Mc 16,9).
 
Santa Maria Madalena: que amor, que amizade!
Imitemos Maria Madalena, procuremos o Senhor!
 
Que nosso amor e amizade pelo Senhor seja de tamanha intensidade e profundidade, que O testemunhemos Vivo e Ressuscitado, com renúncias cotidianas necessárias, na fidelidade plena do carregar de nossa cruz!
 
Eis o verdadeiro amor que haveremos de testemunhar por Cristo Jesus! Amém. Aleluia!
 
 
 
(1) Liturgia das Horas – Vol. III – Editora Paulus - pág. 1435-1436. 
 
PS: Oportuno para a terça-feira da oitava da Páscoa (Jo 20,11-18);  e dia 22 de julho, quando celebramos a Memória de Santa Maria Madalena (Jo 20, 1-2.11-18).

A escuridão do palco

                                                          

A escuridão do palco

A escuridão do palco parece um vazio.
A tela do meu celular ficou toda preta.
Ledo engano! Aos poucos, as luzes e seus efeitos,
Que não seriam os mesmos, se as luzes acesas.

Cada efeito da luminosidade, um deleite;
Uma sensação da alma em elevação,
Ao som das cordas da guitarra e do baixo,
A melodia, o palco, perfeita combinação.

Luzes, sons, melodia, a voz de quem canta,
Invadem em doce e harmoniosa sintonia,
Levando a voos a quem se encanta,
Para ver o mundo com esperança e poesia.

A escuridão do palco parece um vazio,
A escuridão da vida, também assim me parece.
Ledo engano, também, aos poucos surgem a Luz e seu efeito:
A Luz de Deus em nossa escura travessia.

O cenário político, a realidade social,
Uma escuridão que teima em persistir.
Corrupção, violência, tráfico, agressões,
Destruição, depredação, insana ganância.

E ainda outras, sombrias e obscuras realidades,
Permanentemente, a nossa fé desafiam:
Como ser luz do mundo em contextos assim?
Como ser sinal de esperança com caridade e ousadia?

A escuridão do palco é como a vida:
Reencontrar a necessária harmonia
Da voz, do canto, dos sons, da música,
Um grito pela edificante, dia pós dia.

Enamorados por Jesus, a Luz que veio ao mundo,
Para aqueles que nas trevas jaziam,
Iluminando o palco escuro da história.
A Ele, rendemos toda a honra, poder, louvor e glória.

O palco escuro da vida nos desafia.
Revigoremos nossas forças no Sagrado Banquete,
No Divino Banquete da Eucaristia: pela Palavra, iluminados;
Pelo Pão de Imortalidade, revigorados. Amém. 

Sejamos um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus

                                                            

Sejamos um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus

“Pela misericórdia de Deus...”

As palavras do Apóstolo Paulo, revigoram e iluminam nosso discipulado, a fim de que sejamos peregrinos da esperança, em plena  fidelidade à missão que Jesus nos confiou:

“Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: Este é o vosso culto espiritual. Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito”. (Rm 12,1-2)

A vida do apóstolo Paulo é a história de um coração extremamente apaixonado e seduzido por Deus, e exorta-nos a assumir atitudes coerentes com a fé que professamos.

Também nos exorta para que assumamos  atitudes coerentes com a fé que professamos, tornando nossa vida um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, não nos conformando ao mundo em que vivemos, mas configurando-nos ao Senhor e Seu Evangelho, oferecendo nossa vida inteiramente a Deus.

Portanto, exige de nós transformação e conversão de nossa maneira de pensar e julgar, não nos deixando moldar pela lógica do mundo, mas pela lógica do Evangelho, procurando sempre o que é agradável a Deus.

O Apóstolo exorta em nome da misericórdia divina, para que façamos progressos espirituais cada vez maiores, e alguns verbos são expressivos nos ajudam a fortalecer nossos passos em processo contínuo de conversão e de configuração ao Senhor, como sacrifícios a Ele agradáveis:

1º – “a vos oferecerdes” - urge que sejamos sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, pois nisto consiste o verdadeiro e frutuoso culto espiritual. Fazer da vida uma eterna e agradável oferenda a Deus, sobretudo colocando nossa vida no Cálice Sagrado do Senhor, configurados a Ele no Seu Mistério de Paixão e Morte, celebrando piedosa, ativa e frutuosamente a Sua Memória.

2º – “Não vos conformeis com o mundo” – ou seja, não compactuar com a mentalidade do mundo, para que sal, luz e fermento sejamos, como bem nos falou o Senhor, nas passagens evangélicas, e próprio Apóstolo Paulo na Carta aos Filipenses, sobre ter os mesmos sentimentos de Jesus (Fl 2,5).

3º – “transformai-vos” – implica viver em permanente atitude de conversão, para que melhor correspondamos aos desígnios de Deus, dando passos sucessivos na escala da perfeição e santidade.

4º – “renovando vossa maneira de pensar e julgar” – a fim de que sejamos moldados pela mão de Deus, porque obras imperfeitas e inacabadas somos.

5º – “distinguir o que é a vontade de Deus” – discernir entre bem e o mal; a mentira e o ódio; o justo e desejável por Deus; o pecado e a graça; o que conduz à vida ou à morte; enfim, fazer o bom uso da liberdade de arbítrio, que por Ele nos foi concedida.

Deste modo, viver um culto agradável a Deus, consiste em viver no amor, no serviço, na doação em entrega a Deus e aos irmãos, com a revisão do grande sinal que nos identifica, o Sinal da Cruz, que tantas vezes fazemos, e, por vezes, sem pensar no que o gesto implica: carregar a cruz com fé, coragem e fidelidade, como ponte necessária para a eternidade. Sem cruz, não há como conceber e alcançar a eternidade.

Fundamental que integremos o culto e a vida, fortalecendo os pilares de nossas comunidades, como tão bem expressaram as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora do Brasil – Conferência Nacional do Brasil – CNBB – 2019-2023): os pilares da Palavra, do Pão, da Caridade e da Ação Missionária.

Quando o culto e a vida andam de mãos dadas, tornam-se agradáveis a Deus, e Jesus Cristo é, verdadeiramente, Senhor de nossa vida e Rei do Universo.

Reflitamos:

 - O que precisamos rever em nossa vida de fé (pensamentos, palavras e ações), para melhor correspondermos aos desígnios de Deus, de tal modo, que nossa vida seja um culto agradável ao Senhor?

 - Como estamos carregando nossa cruz de cada dia?

- Quais as renúncias necessárias?

- Como vivemos as  palavras que o Senhor nos ensinou, na Oração do “Pai-Nosso”  – “Seja feita a Vossa vontade...”?

Concluindo, se necessário e possível, procuremos o Sacramento da Penitência, para confessarmos nossos pecados.  

Absolvidos, iniciemos um novo caminho, com santos propósitos de progressos maiores ainda no caminho de santidade, a vocação de todos nós, vivendo a vida nova que recebemos no dia do Batismo, e assim irradiaremos a luz divina em todo tempo e em todo o lugar.

Sejamos discípulos do Senhor, e não há outro caminho, senão o caminho da cruz; viver corajosamente a “A loucura da Cruz”, de tal modo que o sacrifício vivo seja acompanhado da necessária conversão.

 

Fonte: Lecionário comentado – Tempo Quaresma e Páscoa – Editora Paulus – 2011 – p. 202

PS: Oportuno para o Tempo da Quaresma e em todo o tempo.

“Alegria transbordante em toda a tribulação”

                                                         

“Alegria transbordante em toda a tribulação”

“É próprio de quem ama queixar-se de não ser amado e,
ao mesmo tempo, temer que, excedendo-se
na acusação, venha a magoar”

Sejamos enriquecidos pela Homilia sobre a Segunda Carta aos Coríntios, do Bispo São João Crisóstomo (Séc. IV), que nos fala do transbordamento da alegria em toda a tribulação, na fidelidade a Jesus Cristo.

“Paulo de novo fala sobre a caridade, refreando a dureza da advertência. Depois de tê-los censurado e repreendido porque, amados, não haviam correspondido ao seu amor, mas haviam-se separado de seu afeto para se ligar a homens perniciosos, de novo suaviza a acerba repreensão, dizendo:

Acolhei-nos em vossos corações, como quem diz: ‘Amai-nos’. Não é pesada a graça que pede, e é de maior vantagem para quem dá, do que para quem recebe. Não disse ‘Amai’, mas algo que transpira compaixão: ‘Acolhei-nos em vossos corações’.

Quem foi que nos arrancou de vossos corações? Quem nos expulsou? Qual a causa de tanta estreiteza em vós? Acima dissera: Tendes vossos corações apertados; aqui declara abertamente o mesmo: Acolhei-nos em vossos corações. Assim, com isso os atrai de novo a si. Não é de somenos importância, quando se solicita o amor, que o amado entenda ser sua afeição de grande valia para quem ama.

Já o disse: Estais em nossos corações para a vida e para a morte. A força máxima do amor está em que, mesmo desprezado, quer morrer e viver juntamente com eles. Ora, não de qualquer modo estais em nossos corações, mas como declarei. Pode acontecer que alguém ame, mas fuja dos perigos. Conosco não é assim.

Estou repleto de consolação. Que consolação? Aquela que me vem de vós. Convertidos a melhores sentimentos, por vossas obras me consolais. É próprio de quem ama, queixar-se de não ser amado e, ao mesmo tempo, temer que, excedendo-se na acusação, venha a magoar. Por isto acrescenta: Estou repleto de consolação, transborda minha alegria. Como se dissesse: ‘Senti grande tristeza por vós; contudo me enchestes de satisfação e me consolastes; não só tirastes a causa da tristeza, mas me cobristes com muito maior alegria’.

Em seguida manifesta sua grandeza não apenas ao dizer: Minha alegria transborda; como também no que segue: Em toda tribulação nossa. Foi tão grande o prazer que me causastes que não poderia ser obscurecido pela grande aflição. Tão imenso que reduziu a nada todos os sofrimentos que nos acometeram e não nos permitiu que fôssemos abatidos pelo desgosto”.

A vida é tecida de acontecimentos que se entrelaçam e que nem sempre tão bons e agradáveis e facilmente contornáveis.

Da mesma forma, na fidelidade e no testemunho da fé, podemos passar por momentos difíceis, momentos em que sentimos como que se pode dizer “secura da alma”, “noite escura”, com suas provações e inquietações.

Nestes momentos, porém, é que temos que manter firme nossa fé, crendo contra toda falta de esperança, confiando plenamente no poder e na Palavra divina, com a força do Espírito Santo, que vem nos assistir, socorrendo nossa fraqueza, dando-nos firmeza em novos passos que precisam ser dados.

Deus que tanto nos ama, espera esta resposta de amor, em total confiança e entrega a Ele, em Suas mãos, como tão bem expressou o Bispo: “É próprio de quem ama, queixar-se de não ser amado”.

Aprendamos com o Apóstolo que, mesmo incompreendido pela comunidade, jamais deixou de amá-la e exortá-la para que crescesse na fidelidade ao Senhor, na máxima expressão da caridade ativa e frutuosa, pois sabia a quem servia e de quem a Palavra anunciava e testemunhava, com todo ardor e coragem.

Eucaristia: A força de que tanto precisamos…

                                                         

Eucaristia: A força de que tanto precisamos…

Vida: mistério de alegria e dor, angústia e esperança. 
Morte: mistério que nos desafia e nos acompanha,.
Não só na maturidade, medo presença no coração da criança. 
Morte e Vida, Vida e Morte, duelo de força tamanha.

Nascimento de uma criança, obra do Deus da vida,
Seu crescimento: um Projeto que se realiza. 
Intimidade, amizade divina sempre amadurecida,
Que mais a criatura aberta ao Criador precisa?

Enfermidades, dificuldades, obstáculos, fracassos, corrupções,
Ausências, carências, demências que às vezes nos rodeiam,
Objetivos não alcançados, horizontes estreitados, decepções, 
Êxitos alcançados, certezas na vida que nos norteiam.

Para que a vida não seja apenas um mero existir, 
E tão pouco, para sempre, um fardo  a carregar.
Uma causa boa para morrer é preciso descobrir, 
Por esta mesma causa, na vida, com alegria se entregar.

Força, luz, princípio, impulso a humanidade contemplou:
A Vida Nova irradiada na Madrugada da Ressurreição. 
O Verbo que Se Encarnara, na Cruz morrera: Ressuscitou
E o Amor vivido até o fim tornou-se força e motivação.

A Ressurreição, força dos pobres em espírito, 
Que somente em Deus se entregam e confiam;
Sonham, lutam de coração simples e contrito. 
Ressurreição que os horizontes ampliam.

Assim como a Ressurreição é a força dos pobres, em Deus tementes, 
A vida dos pobres é nas mãos de Deus Sua força evangelizadora. 
Com pescadores, pecadores humildes, lançou as primeiras sementes, 
Do anúncio da Boa Nova, a comunidade se fez portadora.

Há uma força que no Evangelho, rezamos e contemplamos (Lc 8,1-3) 
Maria Madalena, Joana, Suzana, por Jesus chamadas,
Muitas outras mulheres, excluídas da religião do templo, 
Mas por Jesus acolhidas, amadas, valorizadas e reintegradas...

Boa Nova da Ressurreição, força que nos sustenta. 
Que é a âncora para quem da vida não foge e se compromete;
Força que misteriosamente nos revigora e alimenta,
Vitória certa porque Deus cumpre o que ao crente promete.

A fé na Ressurreição não é saudosismo inútil do paraíso. 
Fé na Ressurreição é o alargamento de horizontes.
Sim, alargar horizontes e com o Reino revigorar compromissos,
Por amor à humanidade edificar novas pontes.

No silêncio da inesquecível madrugada se anunciou, 
Que foram vencidas as horríveis trevas do pecado,
E da mansão dos mortos, por amor nos resgatou, 
Para que de todas correntes fôssemos libertados.

Contemplemos o duelo na Cruz em favor da vida, 
Naquela Arvore da vida o paraíso foi reaberto,
O inferno derrotado, diabo ferido, morte vencida,
Prisões dos infernos arrebentadas, estejamos certos.

Contemplemos o lado do Crucificado e Ressuscitado, 
Do qual Sangue e Água abundantes jorraram, 
Para que o mundo, do pecado, fosse lavado e recriado. 
E mais: Nascimento e Alimento de Seu coração brotaram!

Na madrugada da Ressurreição somente o silêncio viu a vida vencer a morte. 
À toda humanidade se conferiu nova aurora de alegria e esperança; 
A maldade, pecado, condenação e Cruz foram caladas, o amor falou mais forte, 
Naquela aurora se anunciou em quem devemos colocar nossa confiança.

Não houvesse Cristo Ressuscitado, nossa fé seria nula e vazia. 
Amor, verdade, justiça e paz discursos nada convincentes,
Evangelho palavra morta, vida sem luz, música sem melodia,
Suas testemunhas inexistentes, no vale de morte padecentes.

Ressurreição: de Deus é a Palavra última que se ouviu. 
Jesus que ao fundo da miséria humana desceu porque morreu, 
Porta para a eternidade à humanidade reabriu. 
À direita do Pai, com e no Espírito, a Vida a Morte Venceu!

No eterno encontro amoroso da Trindade Santa, 
Há algo que ressoa em nosso íntimo mais profundo,
Com os anjos e arcanjos toda humanidade canta, 
O Amor que nos amou até o fim é a Salvação do mundo.


PS: Texto inspirador da música “A força de que tanto precisamos” do CD Suave Brisa Divina.

“Graça, misericórdia e paz”

                                                   

“Graça, misericórdia e paz”

Reflexão à luz da passagem da Carta do Apóstolo Paulo a Timóteo (1 Tm 1, 1-2.12-14).

Retomo os dois primeiros versículos:

Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, por ordem de Deus, nosso Salvador, e de Cristo Jesus nossa esperança, a Timóteo, verdadeiro filho na fé: a graça, a misericórdia e a paz de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor”.

Sobre estes versículos, o Lecionário Comentado nos enriquece com estas palavras:

“Ao filho Timóteo, que ele gerou na fé e com o qual partilha o ministério, Paulo augura que possa experimentar a ‘graça’, ou seja a presença do Espírito, infundido pelo Pai e pelo Filho; a ‘misericórdia’, isto, é o perdão de Deus (só nas Cartas a Timóteo é que Paulo augura também a misericórdia); a ‘’paz’, ou seja, a reconciliação com Deus, consigo mesmo, com o seu serviço, com os irmãos e com o mundo” (1)

Esta saudação Paulina pode ser repetida por nós a quantos pudermos: “Graça, misericórdia e paz”, pois todos precisamos da graça que nos vem pelo Espírito que em nós habita; da misericórdia, porque imperfeitos que somos, pecadores consequentemente o somos, e colocamos nossa miséria nas mãos de Deus que nos ama e nos perdoa e nos faz uma nova criatura, e por fim, somos plenificados pela paz, pelo “shalon”, plenitude de bens e dons, pela gloriosa presença do Ressuscitado em nosso meio, que conosco caminha, desde aquela aurora, em que se manifestou o Sol Nascente a Maria Madalena e aos primeiros Apóstolos.

Que também possamos ouvir de nossos irmãos e irmãs a mesma saudação: “graça, misericórdia e paz”, para que nossa vida cristã esteja inteiramente situada entre a experiência da misericórdia de Deus por nós, que somos pecadores, e a solicitude misericordiosa pelos nossos irmãos e irmãs, como expressão de quem foi amado e perdoado por Deus, que espera o mesmo de cada um de nós em relação ao nosso próximo.


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - p.322
PS: Apropriado para a passagem - 2Tm 1,1-3.6-12

Em poucas palavras...

                      


Prefácio da Festa de Santa Maria Madalena

“Na verdade, é digno e justo, é nosso dever e salvação louvar-vos em tudo, ó Pai onipotente, cuja misericórdia não é menor que o poder, por Cristo, Senhor nosso.

No jardim, Jesus se manifestou visivelmente a Maria Madalena, que tanto o tinha amado enquanto ele vivia na terra. Ela presenciou sua morte na cruz e, depois de tê-lo procurado no sepulcro, foi a primeira a adorá-lo ressuscitado dos mortos.

Para que a boa notícia da vida nova chegasse até os confins da terra, ela foi honrada com a missão de Apóstola dos Apóstolos...” (1)

 

(1) Prefácio da Festa de Santa Maria Madalena - 22 de julho

Santa Maria Madalena, privilegiada testemunha do Ressuscitado

                                                        

Santa Maria Madalena, privilegiada testemunha do Ressuscitado

Quem tu és, Maria Madalena?

Sou aquela da qual Jesus expulsou sete demônios, como falaram os Evangelistas Marcos e Lucas (Mc 16,9; Lc 8,2). Crendo n’Ele e em Sua Palavra, desde então me senti liberta das amarras do pecado, porque em Seu coração encontrei acolhida, afeto, ternura, e somente Ele tem a Palavra que liberta, porque, de fato, é para a liberdade que Ele nos libertou, e somente Ele tem Palavra de vida eterna, assim como afirmaram os Apóstolos Paulo e Pedro, respectivamente.

Erroneamente, identificam-me com a pecadora que Lucas menciona (Lc 7, 36-50). Ela teve a graça de ungir os pés de Jesus, secá-los com seus cabelos, beijar Seus pés, além de ter recebido do Senhor o perdão de seus pecados, porque muito O amou, como Ele próprio explicitou na casa de Simão.

Quando caminhava com Jesus, eu e outras mulheres garantíamos os bens necessários para que Ele e Seus discípulos pudessem realizar a missão do anúncio da Boa-Nova.

Fui testemunha de Sua crucifixão, como falaram os Evangelistas (Mt 27,61; Mc 15,40; Jo 19,25), assim como do Seu sepultamento (Mt 28,1-10; Mc 16,1-8; Lc 24,10).

Finalmente, tive a graça de contemplá-Lo Ressuscitado (Mc 16,9; Jo 20,1-18). Confesso que fui à espera de encontrar o corpo de Jesus, como fora posto, mas qual surpresa não tê-Lo encontrado.

Quando inclinei para o interior do sepulcro, vi dois anjos vestidos de branco, sentados exatamente no lugar em que o corpo d’Ele fora colocado, sendo um à cabeceira e o outro aos pés.

Perguntaram-me a razão do meu choro, e respondi imediatamente: “Porque levaram o meu Senhor e não sei onde O puseram!” (Jo 20,13).

Não sabia que foi o próprio Jesus que me perguntou – “Mulher, por que choras? A quem procuras?”.

Confesso que O confundi com um jardineiro e lhe disse – “Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o puseste e eu o irei buscar!” (Jo 20, 15).

Mas naquele momento, Ele me chamou pelo nome –“Maria”. Imediatamente reconheci Sua voz que estava nas entranhas de minha alma, porque Ele era o Senhor de minha vida. Imediatamente respondi –“Rabbuni!”, que quer dizer “Mestre”.

Em seguida, falou de Sua volta gloriosa ao Pai para ficar conosco para sempre, e me enviou para anunciar aos discípulos, e assim o fiz: –“Vi o Senhor” e tudo o que Ele disse.

Antes d’Ele morrer, quando com Ele estava lado a lado, Sua presença e Palavra nos faziam voar mais alto, na busca das coisas divinas, onde o Seu Pai e nosso Pai de Amor, de que falava, habitava, e isto era possível porque não estava só, o Espírito Santo com Ele estava, em todos os momentos, em todo o Seu agir.

Também nos fazia correr ao encontro da meta do Reino, pelo qual a vida entregou. Corríamos incansavelmente, certos de que era possível alcançar, pois acreditávamos em Suas palavras, críamos piamente no que anunciava, e não apenas, já antecipava. Com Ele, vimos os sinais do Reino acontecendo: pobres sendo evangelizados, a vista devolvida aos cegos, coxos libertos, leprosos curados, mortos ressuscitados e muito mais...

Também com Ele caminhávamos, com os pés no chão, com passos largos e firmes. Sabíamos de onde vínhamos e para onde íamos. Caminhávamos com segurança, pois sabíamos em quem a confiança depositávamos.

E quando não caminhávamos, com Ele nos retirávamos para a  meditação, o recolhimento, o silêncio, e para as forças refazer, porque árdua era a missão. Mas não reclamávamos, porque é próprio de quem ama, tudo fazer com alegria, pois sabe que cada palavra e gesto é uma semente que cai, morre e frutos saborosos e abundantes produz.

Com Ele, ainda que rastejando por um instante, como O vi, carregando a Cruz, aprendemos que é para frente que se caminha, sem jamais recuar; a fé viva e ativa mantendo, porque a âncora da esperança é Ele mesmo, e não desiste quem por Ele um dia sentiu-se acolhido, envolvido e amado.

E agora, Ele está Vivo! Meu Senhor e meu Deus, como Tomé o disse. Ele continua presente em nosso meio, sentimos Sua presença de modo especialíssimo quando nosso coração arde ao ouvir a Sua Palavra; no Banquete da Eucaristia, no Pão e no Vinho, Seu Corpo e Seu Sangue, são partilhados: Alimento Salutar que nos fortalece e nos inebria.

Continuamos sempre em frente. Há um mundo sedento de Sua Palavra. Há muitos que não O conhecem e precisam conhecê-Lo. Há “Marias Madalenas” a serem libertas de sete espíritos que roubam sua alegria, vida, liberdade.

O mundo marcado ainda pelas nódoas do pecado, da ambição, da corrupção, do desânimo, da tristeza, da violência e da morte, precisa ser transformado. E isto é possível, desde que não desistamos da missão que Ele nos confiou.

Ele voltou para junto do Pai para ficar para sempre conosco, e temos certeza de Sua presença, pois podemos senti-La, anunciá-La e testemunhá-La.

Quem por Ele se sentiu amado, é n’Ele e com Ele uma nova criatura. Amado para amar, acolhido para ser enviado a quem precisa ser amado e também enviado. Eis a missão que nos confiou o meu amado, Jesus, Aquele que vive e Reina; a quem damos toda honra, glória, poder e louvor. Amém. Aleluia.

Em poucas palavras...

                                        


Santa Maria Madalena, a Apóstola dos Apóstolos

“Ó Deus, o vosso Filho Unigênito confiou a Maria Madalena a missão de ser a primeira a anunciar a alegria pascal; concedei, nós vos pedimos, por sua intercessão e exemplo, proclamar que Cristo ressuscitou e contemplá-lo no seu Reino glorioso. Ele, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.”  (1)

 

 

(1) Oração da Coleta - Missa da Festa de Santa Maria Madalena

Maria Madalena, amiga e testemunha do Senhor

                                                    

Maria Madalena, amiga e testemunha do Senhor

Ele Vive! Aleluia!

No dia 22 de julho, celebramos a Festa de Santa Maria Madalena e ouvimos na Proclamação do Evangelho, a passagem do Evangelho de São João (Jo 20,1-2.11-18), em que Maria Madalena vai ao túmulo onde Jesus Se encontrava morto, para chorar a Sua ausência.

Neste relato, encontramos uma tríplice dimensão das narrativas de aparições: iniciativa, reconhecimento e missão.

Madalena procura um morto. Entretanto, o conhecimento do Ressuscitado não se dá no mero encontro com Jesus, que ainda permanece desconhecido, o encontro acontece quando Sua presença se torna apelo "pessoal": Maria!

Iluminadora a citação do Lecionário comentado:

Nesta página evangélica Maria Madalena passa da condição inicial de imobilidade e de choro junto do sepulcro, para jubiloso movimento conclusivo com o qual anuncia aos discípulos a sua experiência do Ressuscitado...

A estada de Maria junto do sepulcro é o sinal do seu apego a Jesus, e o seu pranto é determinado pela ausência do corpo do Mestre no túmulo” (1)

Somente quando ela faz o gesto de deter Jesus, temos a revelação do pleno sentido do acontecimento: a volta de Jesus ao Pai e a investidura para a missão do anúncio aos irmãos. Da iniciativa ao reconhecimento, do reconhecimento à missão!

O propósito do Evangelista é levar-nos a compreender o novo modo de presença do Senhor, bem como um o novo modo de entrar em contato com Ele.

Também tem o claro propósito de nos indicar que o novo modo de presença do Senhor entre nós, funda-se a Seu novo modo de "estar com o Pai", glorioso, ainda que não tenha subido para junto do Pai (v. 17):

“Maria não deve deter Jesus, como se Ele tivesse regressado à vida terrena. O Filho, pelo contrário, entrara na comunhão com o Pai, e ela é enviada a anunciar que esta comunhão é oferecida também aos discípulos.

A estes Maria proclama agora a sua fé: ‘Vi o Senhor’ e leva-lhes a mensagem Pascal'” (2)

Sendo nossa fé Pascal, é sempre tempo de exultarmos de alegria, porque a tristeza, o desânimo e o medo cederam lugar à alegria, à esperança e à coragem.

Urge que sejamos alegres testemunhas de Jesus Cristo Ressuscitado, renovando compromissos com uma humanidade nova, pacificadora e justa.

Redescubramos sempre a presença do Ressuscitado que caminha conosco, vivo e vitorioso. Prantos e lamentos não ocuparão lugar, em nosso coração, cedendo lugar para a alegria, a exultação.

Trocaremos palavras e gestos de mútua ajuda, para que jamais recuemos na fé, e assim renovemos nossos sagrados compromissos batismais.

Aprendamos com Maria Madalena a passar da procura ao reconhecimento, e deste à missão de testemunhar que Ele Vive, Ele Reina. Eis a nossa missão!


PS: Fonte de pesquisa: Missal Cotidiano - Editora Paulus - pp. 338-339
(1)          Lecionário Comentado - Volume Tempo Comum - Editora Paulus - Lisboa - p. 378.
(2)         idem - p. 379.

Santa Maria Madalena: “Apóstola dos Apóstolos”

                                                              


Santa Maria Madalena: “Apóstola dos Apóstolos”

Na Carta Apostólica “Mulieris Dignitatem”, escrita pelo Papa São João Paulo II (15/08/1988), na Solenidade da Assunção de Maria Santíssima, há uma menção à Santa Maria Madalena que ora retomamos, quando ouvimos a passagem do Evangelho em que ela tem papel fundamental como testemunha da Ressurreição do Senhor.

De fato, as mulheres são as primeiras testemunhas da Ressurreição, como vemos nas passagens dos Evangelhos: Mt 28,1-10; Lc 24,8-11; Jo 20,16-18.

Maria Madalena, é chamada de a “Apóstola dos Apóstolos”, segundo Santo Tomás de Aquino (séc XIII).

“Por isso ela é chamada também ‘a apóstola dos apóstolos’ Maria Madalena foi a testemunha ocular do Cristo ressuscitado antes dos Apóstolos e, por essa razão, foi também a primeira a dar-lhe testemunho diante dos apóstolos.

Este acontecimento, em certo sentido, coroa tudo o que foi dito em precedência sobre o ato de Cristo de confiar as verdades divinas às mulheres, de igual maneira que aos homens” (1).

A exemplo de Maria Madalena, que se pôs a caminho para comunicar a mais bela notícia, a Ressurreição do Senhor, assim também o façamos, sem demora.

Glorifiquemos a Deus, também, pelo protagonismos feminino na missão evangelizadora da Igreja, acompanhado de nossas orações.

Oremos:

“Ó Deus, o Vosso filho confiou à Maria Madalena o primeiro anúncio da alegria Pascal; dai-nos, por suas preces e a seu exemplo, anunciar também que o Cristo vive e contemplá-Lo na glória de Seu Reino. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.”


(1) Carta Apostólica “Mulieris Dignitatem”, n. 16 - Papa São João Paulo II (15/08/1988)

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