O valor sagrado do trabalho humano
“O trabalho humano como participação na obra do Criador"
Reflexão
à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 13,54-58), sobre a sacralidade do
trabalho, desde o princípio.
Voltemos
à passagem do Livro do Gênesis (Gn 1,26-2,3), onde encontramos o Projeto de
Deus Criador: que o homem e a mulher continuem a obra da criação, através de
seu trabalho.
Pelo
trabalho humano, há um prolongamento e aperfeiçoamento da obra do Criador. Deus
não concluiu a Sua obra, nos permitindo continuá-la, através das atividades
humanas, dentre elas destaca-se o trabalho.
O
mundo está em contínuo processo de criação, como Obra prima de Deus. É fato que
muitas vezes o trabalho foi apresentado como maldição, fruto da desobediência -
uma espécie de penalidade.
O
Magistério tem ensinado, nos últimos tempos que esta concepção é errônea
(sobretudo com o Papa Leão XIII - Encíclica “Rerum Novarum”, até os dias
de hoje com o Papa Leão XIV)
Na
passagem do Evangelho mencionada, contemplamos Cristo que foi trabalhador,
filho de operário: São José.
Trabalhando
com Suas mãos, participou ativamente da vida de Seu tempo. Com Sua encarnação e
atividade testemunhou a santificação pelo trabalho.
Sim,
verdadeiramente, o trabalho deve ser caminho de santificação, pois é cocriar o
mundo. O trabalho deve ser visto como Bênção e não maldição.
A
Sagrada Família foi a Escola onde aprendemos a beleza da lição do trabalho
humano, com tão belos Mestres: Jesus, Maria e José...
Hoje,
muitos são os sinais que clamam por justiça no mundo do trabalho: desemprego,
insegurança no mundo do trabalho; falta de perspectivas para os jovens,
trabalho infantil, perda da seguridade social, etc.
-
O que é possível propor como espiritualidade para o mundo do trabalho?
A Igreja nos propõe caminhos:
- Solidariedade;
- Manifestações coletivas em prol da vida;
-
Trabalho como vocação;
-
Trabalho como prolongamento da obra do criador; bem como do seu
aperfeiçoamento;
- O trabalho como caminho de santidade;
- O resgate do Domingo como Dia do Senhor e de
encontro pessoal com Deus, com a família e amigos.
Quanto à comunidade política junto ao Estado deve:
-
Assegurar o exercício dos deveres e direitos para que haja dignidade no mundo
do trabalho;
- Garantir trabalho e salário justo para todos;
-
Garantir a seguridade social para todos.
Que
o trabalho não sirva apenas para a multiplicação do lucro de alguns, mas
assegure o bem comum. Enfim, que o trabalho seja para o homem e não o homem
para o trabalho.
Celebrar a Eucaristia é:
-
Colocar no Altar de Deus nossa existência: angústias e esperanças; cansaço e
suor, sonhos e pesadelos; toda atividade humana, como o trabalho do dia a dia.
-
Colocar em Deus a confiança de um dia alcançar um emprego, uma nova perspectiva
na realidade em que se vive.
Urge
que como Igreja, sejamos uma presença evangelizadora no vasto e complicado
mundo da política, da economia, da cultura e em todos os níveis da vida.
Que Deus nos conceda a graça do trabalho, para que sejamos
cocriadores, trilhando o caminho de santificação, e finalizando, fiquemos com
as palavras de Santo Agostinho:
“O Amor à verdade busca o descanso. A necessidade do amor acolhe o trabalho justo...Quando o amor e a verdade se encontram:Vida, trabalho e dignidade também celebramum doce encontro e a vida fica bem maisperto de tudo aquilo que Deus espera:Crescei, multiplicai-vos e dominai a terra". Amém.
PS: Reflexão oportuna
para a 17ª sexta-feira do Tempo Comum e também par ao dia 1º de Maio
celebraremos o Dia Internacional do Trabalho, e todos trabalhadores e
trabalhadoras têm São José Operário como Padroeiro, cuja Festa Litúrgica foi
instituída pelo Papa Pio XII em 1955.
“O Amor à verdade busca o descanso.


Nenhum comentário:
Postar um comentário