domingo, 1 de novembro de 2026

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Bem-Aventuranças vividas, Santidade alcançada (Todos os Santos - Homilia)

                                                            

Bem-Aventuranças vividas, Santidade alcançada

A Solenidade de todos os Santos abre nosso espírito e coração às consequências da Ressurreição. Para Jesus, ela foi ao terceiro dia, para nós, seus amigos, será mais tarde.

Com esta Solenidade celebramos todos os que amaram a Deus e aos irmãos, canonizados ou não. Quer nomes inscritos no calendário litúrgico ou não, mas antes inscritos no Coração de Deus.

Fazemos sair do anonimato e vivemos aquilo que professamos toda vez que rezamos o Creio: “... Creio na comunhão dos Santos”. 

Esta Solenidade nos faz viver intensamente a realidade mais profunda e misteriosa da Igreja, que ainda peregrina na terra, saboreia e vive dos bens do céu.

Para que a santidade seja sólida, há um caminho a ser trilhado: o caminho das Bem-aventuranças, que é na exata medida, o caminho da santidade.  

Jesus sobe ao monte para nos dar a Lei que já tinha dentro de Si, para inscrevê-la no coração da humanidade, para que esta encontre o verdadeiro caminho da felicidade, que é o caminho da santidade. Ele faz das Bem-aventuranças um programa de vida para Seus discípulos.

Santos são aqueles que percorreram o caminho das Bem-aventuranças, acolheram o Cristo e o Seu Reino e agora estão na glória celeste.  

As Bem-aventuranças vividas nos fazem pobres, mansos, puros, misericordiosos e pacificadores. Elas portam ao mesmo tempo o fascínio e a angústia. 

Firmados na esperança da eternidade, firmaram passos com coragem, firmeza, fidelidade, sem vacilar na fé e no testemunho.

Assim nasceram e viveram os Santos: quanto mais perto da luz mais visíveis foram as sombras da existência. Vivendo na fragilidade da existência, abriram-se plenamente à graça divina, pois sabem que nada podemos e nada somos Sem Deus e sem a Sua força, graça, ternura, poder e bondade.

Por isto rezamos no Prefácio da Missa: “Peregrinos da cidade Santa, para ela caminhamos na fé e na alegria, ao vermos glorificados os ilustres filhos da Igreja que nos destes como exemplo para nossa fragilidade”.

Para vivermos a santidade temos de ser corajosos peregrinos do cotidiano, ou seja,  pessoas em marcha, apaixonadas pelo Evangelho que não se desviam do caminho da verdade e da liberdade, anunciando e testemunhando o que lhes faz viver, o que lhes motiva a viver: um amor por Deus, incondicional.

Com o Batismo, somos inseridos no caminho das Bem-aventuranças, e vivê-las implica em assumir riscos, alcançar a alegria, como fruto da liberdade, como podemos contemplar na passagem da primeira Leitura (Ap 7,2-4.9-14). 

Contemplamos a descrição de uma visão da condição celeste. Há esperança na provação.

Refletimos sobre o Cordeiro Imolado que é o vitorioso, o vencedor, revelando-nos que o caminho de morte dos que O seguem não é o caminho da derrota, mas daqueles que foram transformados e estão de pé diante d'Ele.

O autor de Apocalipse fala de 144.000 (12x12x1000) que significa o Novo Povo de Deus, que nasce dos doze Apóstolos de Cristo. Soma-se a multidão imensa que venceu a prova. A cor branca das túnicas reflete a glória celeste e as palmas nas mãos, o martírio, a vitória e a alegria.

Na passagem da segunda Leitura (1Jo 3,1-3) refletimos sobre o nosso futuro, que tem marca de eternidade e o nosso destino como criação divina: foi para a felicidade eterna que fomos criados. A maior glória é sermos semelhantes a Deus e um dia podermos contemplar Sua face.  

“Deus é Amor” (1Jo 4,8.16) e nós podemos amar, “mas amamos, porque Deus nos amou primeiro” (1Jo 4,19). A santidade se mede pelo amor: quem mais ama é mais Santo; quem menos ama é menos Santo; quem não ama nada, não é Santo.

Santidade! Esse é o segredo que o cristão deve ter para aproximar muitas pessoas de Deus. Jamais santidade rima, em forma e conteúdo, com coisa esquisita, rara, estranha, alienada, medonha, impossível, inalcançável.

Deste modo, santidade não é algo exterior, não é caricaturesca, rígida, sombria ou até mesmo triste. Não! O Santo é uma pessoa com uma profunda vida interior, com uma grande unidade de vida, coerente, flexível, cheia de luz e de alegria.

Uma pessoa Santa é um ser humano bem normal no seu dia a dia, que  leva dentro de si algo diferente - o Amor de Deus atuante e que faz novas todas as coisas - ou seja, uma pessoa que revela ao mundo inteiro a Face de Cristo.



PS: Fontes: www.presbiteros.com.br/, Liturgia Dominical - Ed. Vozes - Johan Konings, Missal Dominical.

Da cripta ao crepitar

 


Da cripta ao crepitar

“Lembrai-vos de vossos dirigentes, que vos falaram a Palavra de Deus: considerando o fim de sua vida, imitai-lhes a fé. Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre.” (Hb 13,7-8)

“Por aqui passou um homem de Deus”
Foi assim que me apresentaram Dom Felippe,
Desde os primeiros dias à frente de nossa amada Diocese.
 
Hoje a cripta da nossa Diocese recebe seus restos mortais
Ainda que no seu silêncio receba, acompanhado de nossas orações,
Suas palavras de amado primeiro pastor, não morrerão jamais
 
Jamais nos esqueçamos de seus traços memoráveis,
Simplicidade, proximidade, despojamento, solidariedade
Amor, ternura, compaixão e muito mais.
 
Amor pela Palavra não apenas anunciada no altar,
Mas na vida encarnada, e nos grupos diversos,
Motivada, ensinada, por ser luz nos caminhos obscuros.
 
Amor pelos pobres de mil nomes; como Cristo, fez esta opção,
De mãos dadas com o amor e carinho pelas juventudes,
Amor incondicional pela Igreja, vida consumida em doação.
 
O lema que marcou seu episcopado, embora por curto tempo,
“Com a presteza de Maria”, presença discreta e silenciosa,
Mas que para nós brilhará para sempre como uma  joia preciosa.
 
Na cripta, lugar do escondimento, seus restos mortais,
Em nossos corações, suas palavras marcadas como um selo,
Que haverão de florescer, e delas esquecimento jamais.
 
Na cripta, o escondimento dos restos mortais
Em nossas almas, suas pregações;
Chama que não se apaga,
a crepitar cada vez mais. Amém.

Ajudai-nos, Senhor, a viver as Bem-Aventuranças (Todos os Santos)

 




Ajudai-nos, Senhor,  a viver as Bem-Aventuranças

Amado Senhor Bom Jesus, nas Bem-Aventuranças contemplo Vosso rosto e vejo descrita Vossa inflamada chama de caridade por toda a humanidade pecadora, da qual também faço parte, sem qualquer mérito merecido.

Nelas medito sobre a vocação dos fiéis associados à glória de Vossa Paixão e Ressurreição, e renovo meu “sim” na fidelidade a Vós, com as renúncias necessárias para seguir-Vos com liberdade e desprendimento.

Nas linhas e entrelinhas da vida cotidiana, elas nos configuram a Vós, porque definem as atitudes e virtudes características da vida cristã, marcando-nos com o Selo do Vosso Santo Espírito, tornando-nos alegres discípulos missionários Vossos.

Renovai a esperança em nossos corações, para que creiamos na luminosidade e na garantia de felicidade que elas trazem, pois  são as promessas paradoxais que sustentam a nossa esperança em meio às tribulações.

Amado Jesus, fazei que sejamos alegres testemunhas das Bem-Aventuranças, e que jamais recuemos no seu anúncio, pois elas são o programa único de autêntica felicidade, nossa carteira de identidade no mundo, para que Vós sejais reconhecido em nossas ações.

Assim vividas, Senhor, derramai sobre nós copiosas bênçãos e concedei-nos as recompensas já obscuramente adquiridas, que já estão inauguradas na vida da Virgem Maria e de todos os santos e santas. Amém. 

 

Fontes: (1)Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1717; Passagens do Evangelho - (Lc 6,17.20-26; Mt 5,1-12)

 

Em poucas palavras... (Todos os Santos)

                                     


Santos e pecadores o somos

“Não há santos sem passado, nem pecadores sem futuro" (1)

 

(1) Frase frequentemente atribuída ao Cardeal François-Xavier Nguyên Vân Thuân, um cardeal vietnamita.

Bem-Aventuranças: a carteira de identidade do cristão (Todos os Santos)

                                                  


Bem-Aventuranças: a carteira de identidade do cristão 
 
Celebramos no dia 1º de novembro a Solenidade de todos os Santos e Santas (no Brasil é transferida para o domingo seguinte, quando dia 1º for um dia da semana).
 
Santidade é um caminho a ser percorrido, ou mesmo, podemos dizer como que a subida de uma escada, degrau por degrau, de modo que, não há santidade alcançada plenamente e para sempre.
 
Ela consiste num processo contínuo de lapidação, para que o esplendor da verdade e da caridade aconteça em nós, até o encontro com a plenitude da luz que se dá no céu!
 
Celebramos a memória de todos os santos e santas, canonizados ou não pela Igreja, e tantos outros que hoje cantam a Deus, no Céu, o perfeito louvor, intercedendo a Deus por nós.
 
Devemos venerá-los e jamais adora-los, pois tão somente a Deus se adora. “Santo é um pecador de quem Deus teve misericórdia”, conforme afirmação atribuída a Santo Agostinho.
 
São exemplos a serem imitados – cada santo tem uma marca forte e apaixonante no seguimento de Jesus – podemos aprender com eles.
 
A santidade é participar da vida de Deus, e deve ser compreendida como dom de Deus e nossa resposta a Ele:
 
“A santidade cristã manifesta-se, pois, como uma participação na vida de Deus, que se realiza com os meios que a Igreja nos oferece, particularmente com os sacramentos.
 
A santidade não é o fruto do esforço humano, que procura alcançar a Deus com suas forças, e até com heroísmo; ela é dom do amor de Deus e resposta do homem à iniciativa divina” (1)
 
Com o batismo, alcançamos a filiação, recebemos a semente de imortalidade,  e com a Ressurreição, a imagem perfeita de Cristo, e o nosso futuro é a pertença e a semelhança de Deus – imagem perfeita de Cristo.
 
Deste modo, as Bem-Aventuranças (Mt 5,1-12)  são caminho que leva à santidade, com uma ética própria, que renova a pessoa, a comunidade e a sociedade, porque, se vividas, provocam mudança radical de vida.
 
Compreendamos as Bem-Aventuranças:
 
- Os pobres em espírito:  mais do que no sentido econômico e social, são os humildes, pecadores e abertos ao perdão. Ser pobre é ter o olhar voltado para o futuro, para a eternidade, confiando totalmente em Deus.
 
- Os que “choram” partilham o sofrimento do outro.
 
- Os “mansos” mantém a serenidade sempre!
 
- A prática da justiça consiste no fazer a vontade de Deus.
 
- A Pureza de coração é sinônimo de retidão...
 
- Somos como discípulos promotores da paz e impulsionados pela misericórdia divina.
 
- Temos a serenidade e maturidade para enfrentar as adversidades, calúnias e perseguições.
 
A Igreja haverá sempre de nos ensinar que, na comunhão dos santos, não caminhamos sós, e contamos com aqueles que lavaram a suas vestes no Sangue do Cordeiro, que hoje contemplam a face do Pai, continuam vivos em nosso coração, como exemplos a serem imitados, sedentos da Salvação divina, que tão somente Deus pode nos alcançar.
 
Sejamos santos como Deus é Santo, vivendo iluminados e conduzidos pelas Bem-Aventuranças, caminho de santidade e felicidade plena e verdadeira. Sejam as Bem-Aventuranças a carteira de identidade do cristão (cf. Papa Francisco).
 
 
 
(1) Missal Dominical – Editora Paulus - p. 1367

A verdadeira felicidade (Todos os Santos)

                                                       



A verdadeira felicidade
 
A título de aprofundamento da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,17.20-26; Mt 5,1-12), sobre as Bem-Aventuranças, que Jesus Cristo apresentou como projeto de vida para Seus discípulos, retomemos esta reflexão de Pe. José David Quintal Vieira, scj:
 
 “Desiludido pela vida, um beduíno isolou-se no deserto. Depois de muito andar entrou numa gruta tão enigmática como a sua vida.
 
Olhando as paredes nuas e frias, seguiu um rasto de luz.
 
– Entra, meu irmão – encorajou-o uma voz benévola.
 
Na penumbra viu então um eremita em oração.
 
– Tu vives aqui? – perguntou surpreso – Como consegues resistir sem conforto e longe de todos? Como podes ser feliz aqui?
 
O eremita sorriu:
 
– Eu vivo pobre mas tenho um grande tesouro. Olha para cima – E apontou para uma pequena abertura no teto da gruta – Que vês?
 
– Não vejo nada.
 
– De certeza que não descobres nada?
 
– Só um pedaço do céu…
 
– Só um pedaço de céu?! E não te parece que é um tesouro maravilhoso?
 
Jesus Cristo apresenta-nos hoje uma proposta de felicidade. Muitas vezes a nossa felicidade parece um projeto adiado: Só seremos felizes quando tivermos isto, quando fizermos aquilo, quando chegarmos ali… Depois ficamos frustrados porque a felicidade continua mais à frente, qual alvo móvel.
 
A felicidade é um caminho. Aproveite todos os momentos que tem, eles são um cantinho do céu. Não há hora melhor para ser feliz do que agora mesmo, com ou sem lágrimas. A felicidade é uma viagem, não um destino.”
 
Montanha (Evangelho de Mateus) ou planície (Evangelho de Lucas), de fato, as Bem-Aventuranças nos apontam um paradoxal caminho de felicidade, muitas vezes em total oposição à felicidade que o mundo propõe.
 
A exemplo do beduíno, tenhamos no horizonte o “pedaço do céu” para, com coragem, darmos testemunho de fé, como peregrinos de esperança, na vivência da caridade.
 
De fato, a felicidade é uma viagem que fazemos e não um destino, com suas renúncias, fidelidade e oração.
 
Importa que não nos percamos nesta viagem, e, assim, já sentiremos o gosto da verdadeira felicidade. 

Em poucas palavras... (Todos os Santos)

 


“As bem-aventuranças retratam o rosto de Jesus”

“As bem-aventuranças retratam o rosto de Jesus Cristo e descrevem-nos a sua caridade: exprimem a vocação dos fiéis associados à glória da Sua Paixão e Ressurreição; definem os atos e atitudes características da vida cristã; são as promessas paradoxais que sustentam a esperança no meio das tribulações; anunciam aos discípulos as bênçãos e recompensas já obscuramente adquiridas; já estão inauguradas na vida da Virgem Maria e de todos os santos”

 

 

(1)Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1717

Em poucas palavras... (Todos os Santos)

                                


   



                                         Santidade...

Ser Santo significa ser totalmente de Deus, vivendo um cristianismo libertado, esperançoso, comprometido e exigente, numa vida espiritual sólida e permanente.



Lavemos nossas vestes no Sangue do Cordeiro (Todos os Santos)

                                                          

Lavemos nossas vestes no Sangue do Cordeiro

A Solenidade de Todos os Santos nos convida a viver intensamente a realidade mais profunda e misteriosa da Igreja, que ainda peregrina na terra (Igreja militante), saboreia e vive os bens do céu (Igreja triunfante).

Unimo-nos, pela Celebração da Eucaristia, jubilosos, com todos os santos, ou seja, com aqueles que percorreram o caminho das Bem-Aventuranças, acolheram Jesus Cristo e a Boa-Nova do Reino, lavaram as “vestes no Sangue do Cordeiro”, e agora estão na glória celeste.

Estão diante de Deus e do Cordeiro de vestes brancas (símbolo de glória celeste), e com as palmas nas mãos (símbolo de martírio, da vitória e da alegria).

Adoram a Deus e ao Cordeiro, continuamente, pois d’Eles receberam a Salvação e a eternidade, e a graça de contemplar a face divina, de alcançar o que professaram.

Celebrando esta Solenidade, renovemos a graça de também nos inserir na mesma caminhada, peregrinando na sombra da fé, até que um dia alcancemos a luminosidade eterna, vivendo as Bem-Aventuranças, sendo pobres, mansos, misericordiosos, pacificadores, corajosos nas adversidades, provações e perseguições por causa de Jesus e Seu Evangelho, como Igreja que somos.

Sejamos discípulos e missionários do Senhor; d’Ele que “foi tão pobre, que nasceu numa estrebaria; tão manso, que se propôs como modelo desta virtude (cf.Mt 11,29; 21,5); tão misericordioso, que pôde afirmar: ‘Quero misericórdia e não o sacrifício’ (Mt 9,13; cf Os 6,6); tão pacificador, que Se tornou ‘a nossa paz’ (Ef 2,14); tão puro de coração, que pôde afirmar: ‘O Meu alimento é fazer a vontade d’Aquele que Me enviou e realizar a Sua Obra’ (Jo 4,34); tão ‘perseguido’, que acabou por morrer mártir” (1)

Tenhamos o olhar fixo em Jesus, Aquele que não somente nos deu as Bem-Aventuranças como um projeto de vida, mas as viveu perfeita e plenamente.

Vivamos a vocação à santidade, que é de todos os membros da Igreja, e assim, que os pensamentos, sentimentos e atitudes de Jesus sejam para nós fonte de graça, e as Bem-Aventuranças, um caminho em direção à santidade. 

Os Santos contemplam a glória dos céus (Todos os Santos)

                                                  

Os Santos contemplam a glória dos céus

Celebrando a Solenidade de todos os Santos, reflitamos um dos Sermões do Abade São Bernardo (Séc. XII), em que nos ilumina sobre a frutuosa devoção aos Santos/as.

"Para que louvar os Santos, para que glorificá-los? Para que, enfim, esta solenidade? Que lhes importam as honras terrenas, a eles que, segundo a promessa do Filho, o mesmo Pai celeste glorifica?

De que lhes servem nossos elogios? Os Santos não precisam de nossas
homenagens, nem lhes vale nossa devoção. Se veneramos os Santos, sem dúvida nenhuma, o interesse é nosso, não deles. Eu por mim, confesso, ao recordar-me deles, sinto acender-se um desejo veemente.

Em primeiro lugar, o desejo que sua lembrança mais estimula e incita é o de gozarmos de sua tão amável companhia e de merecermos ser concidadãos e comensais dos espíritos bem-aventurados, de unir-nos ao grupo dos patriarcas, às fileiras dos Profetas, ao senado dos Apóstolos, ao numeroso exército dos mártires, ao grêmio dos confessores, aos coros das virgens, de associar-nos, enfim, à comunhão de todos os Santos e com todos nos
alegrarmos.

A assembleia dos primogênitos aguarda-nos e nós parecemos indiferentes! Os Santos desejam-nos e não fazemos caso; os justos esperam-nos e esquivamo-nos. 

Animemo-nos, enfim, irmãos. Ressuscitemos com Cristo. Busquemos as realidades celestes. Tenhamos gosto pelas coisas do alto.

Desejemos aqueles que nos desejam. Apressemo-nos ao encontro dos que nos aguardam. Antecipemo-nos pelos votos do coração aos que nos esperam. Seja-nos um incentivo não só a companhia dos Santos, mas também a sua felicidade.

Cobicemos com fervoroso empenho também a glória daqueles cuja presença desejamos. Não é má esta ambição nem de nenhum modo é perigosa a paixão pela glória deles.

O segundo desejo que brota em nós pela comemoração dos Santos consiste em que Cristo, nossa vida, tal como a eles, também apareça a nós e nós juntamente com ele apareçamos na glória.

Enquanto isto não sucede, nossa Cabeça não como é, mas como Se fez por nós, se nos apresenta. Isto é, não coroada de glória, mas com os espinhos de nossos pecados.

É uma vergonha fazer-se de membro regalado, sob uma cabeça coroada de espinhos. Por enquanto a púrpura não lhe é sinal de honra, mas de zombaria. Será sinal de honra quando Cristo vier e não mais se proclamará Sua morte, e saberemos que nós estamos mortos com Ele, e com Ele escondida nossa vida.

Aparecerá a Cabeça gloriosa e com ela refulgirão os membros glorificados, quando transformar nosso corpo humilhado, configurando-o à glória da Cabeça, que é Ele mesmo.

Com inteira e segura ambição cobicemos esta glória. Contudo para que nos seja lícito esperá-la e aspirar a tão grande felicidade, cumpre-nos desejar com muito empenho a intercessão dos Santos.

Assim, aquilo que não podemos obter por nós mesmos, seja-nos dado por sua intercessão".

O Abade confessa sentir acenderem-se desejos veementes:

- O primeiro desejo: gozar de tão amável companhia,e por isto, Ressuscitados com Cristo, busquemos as realidades celestes, com gosto pelas coisas do alto.

- O segundo desejo: que Cristo, nossa vida, tal como a eles, também apareça a nós e, nós, juntamente com Ele, apareçamos na glória.

Para tanto, exorta-nos para que cobicemos esta glória, contando com a intercessão dos Santos
, e tê-los como companhia enquanto vivemos o tempo do combate, enquanto peregrinamos no tempo presente, é para nós motivo de júbilo e certeza de vitória.

Na fidelidade ao Senhor, temos Santos e Santas que viveram a graça do Batismo; lavaram suas vestes no Sangue do Cordeiro; alvejaram-nas; viveram as Bem-Aventuranças como um Projeto de Vida que o Senhor nos apresentou na montanha, e hoje veem a face de Cristo, contemplam a glória de Deus na comunhão com o Santo Espírito.

Contemos com a intercessão dos Santos e Santas, procurando imitar suas virtudes, para não incorrermos em estéril devoção, e um dia fazermos nosso encontro definitivo na glória dos céus, onde eles já se encontram.

Todos somos chamados à Santidade (Todos os Santos)

                                                       


Todos somos chamados à Santidade

Todos somos convidados a refletir sobre a Santidade, para vivermos mais intensamente a graça do Batismo.

Deus nos predestinou a sermos Santos, de modo que a Santidade é a nossa única vocação.

Viver a Santidade não é a ausência do pecado, mas a presença da graça de Deus que nos santifica. Ele nos criou para sermos Santos, e a Santidade deve ser vista como um presente de Deus.

A Santidade é uma iniciativa de Deus e uma resposta nossa. Portanto, é impossível ser de Deus e não ser feliz.

Mas o que é ser santo?

É viver o grande milagre do amor. Sendo assim, a Santidade não é uma tarefa acabada, mas um projeto infinito, numa edificação incansável de um mundo mais justo e fraterno.

Viver a Santidade é subir uma escada com muitos degraus que não tem fim, ou melhor, leva-nos para o céu. E, através de nossas atitudes cotidianas de amor, almejamos a graça de um dia contemplar a Deus.

Santidade implica na acolhida da Graça Divina, enfrentando as dificuldades, os sofrimentos, de modo que o sofrer possa se tornar uma graça santificante, nos fortificando, ainda que não curados de uma eventual enfermidade, mas fortalecidos em todos os aspectos, e com a cura da alma que nos faz experimentar a força divina, como bem falou o Apóstolo: 

"Por isto, me comprazo nas fraquezas, nos opróbrios, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por causa de Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte" (2 Cor 12,10).

Ao final de cada dia, devemos nos perguntar: 

Quantos degraus subi ou desci na escada da Santidade?

Oremos:

“Ao celebrarmos, Ó Deus, Todos os Santos, nós Vos adoramos e admiramos, porque só Vós sois o Santo, e imploramos que a Vossa Graça nos santifique na plenitude do Vosso Amor, para que, desta mesa de peregrinos, passemos ao Banquete do Vosso Reino. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém!”

Santidade, dom e caminho (Todos os Santos)

                                                


Santidade, dom e caminho

Reflitamos sobre as “Bem-Aventuranças” apresentadas por Jesus na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,1-12).

Assim nos falou o Papa Francisco em memorável homilia:

“As Bem-aventuranças são de algum modo o cartão de identidade do cristão, que o identifica como seguidor de Jesus.

Somos chamados a ser bem-aventurados, seguidores de Jesus, enfrentando os sofrimentos e angústias do nosso tempo com o espírito e o amor de Jesus.

Neste sentido, poderíamos assinalar novas situações para as vivermos com espírito renovado e sempre atual: felizes os que suportam com fé os males que outros lhes infligem e perdoam de coração; felizes os que olham nos olhos os descartados e marginalizados fazendo-se próximo deles; felizes os que reconhecem Deus em cada pessoa e lutam para que também outros o descubram; felizes os que protegem e cuidam da casa comum; felizes os que renunciam ao seu próprio bem-estar em benefício dos outros; felizes os que rezam e trabalham pela plena comunhão dos cristãos… Todos eles são portadores da misericórdia e ternura de Deus, e d’Ele receberão sem dúvida a merecida recompensa.” (1)

No Ângelus, do dia 01 de novembro de 2023, assim nos falou:

“Hoje celebramos a solenidade de Todos os Santos. À luz desta festa, paremos um pouco para refletir sobre a santidade, em particular sobre duas características da verdadeira santidade: é um dom - é um dom, não se compra - e ao mesmo tempo é um caminho. Um dom e um caminho... A santidade é um caminho, é um dom. Por isso, podemos perguntar-nos: lembro-me que recebi o dom do Espírito Santo, que me chama à santidade e me ajuda a chegar lá? Agradeço ao Espírito Santo por isso, pelo dom da santidade? Sinto os santos perto de mim, falo com eles, dirijo-me a eles? Conheço a história de alguns deles? Faz-nos bem conhecer a vida dos santos e deixarmo-nos comover pelos seus exemplos. E faz-nos muito bem dirigirmo-nos a eles na oração.”

Peregrinando na esperança, como discípulos missionários de Senhor, devemos nos empenhar para correspondermos a este cartão de identidade, vivendo as Bem-Aventuranças, que Jesus nos apresentou no alto da montanha, sobretudo nas novas situações que nos apresentou o Papa Francisco, para que, de fato, vivamos a santidade como dom e um caminho a percorrer, incansáveis, com a força e ação do Santo Espírito.

Santidade, o único caminho para a felicidade plena, que tão somente Jesus Cristo pode nos conceder (cf. Jo 15)

 

 

(1) Viagem do Papa Francisco à Suécia por ocasião dos 500 anos da Reforma Protestante - Santa Missa no estádio Swedbank, em Malmo (01/11/2016)


“Presença universal” (Todos os Santos)

                                          

“Presença universal”

Ao celebramos a Solenidade de todos os Santos, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,1-12a), em que Jesus nos apresenta as Bem-Aventuranças, no alto da montanha.

Para reflexão e aprofundamento, e para bem celebrarmos, sejamos enriquecidos por este “Salmo” de Benjamin Gonzáles Buelta:

 

“Presença universal

Te anuncias na Palavra

e apareces no silêncio.

Manifestas Teu amor no dom da vida,

esgotas Tua entrega no dom de Tua morte.

És deslumbrante no prodígio do dia,

nos fascinas no mistério da noite.

O cume de Tua criação são os homens mais santos,

e de Tua fidelidade, os homens mais perversos.

Expressão de Tua força libertadora, os oprimidos,

e de Tua paciência e respeito os opressores.

Inesgotável artista em todo o belo,

presença calada e forte no disforme.

Tuas possibilidades sem fim nos assinalam os gênios,

Teu questionamento solidário os homens quebrados.

Só nos revelarás Tua obra quando haja girado toda a história, / mas já podes iluminar de plenitude a fugacidade do instante.

Tu nos chamas sem fim desde o horizonte,

nos enches de Tua presença em cada canto do caminho.

Nunca Te agarrarei na cobiça da perfeição,

mas já transbordas de luz e futuro todo o meu limite.” (1)

 

 

(1) Benjamin González Buelta - “Salmos para sentir e saborear as coisas internamente” 

As Bem-Aventuranças e o discipulado (Todos os Santos)

                                                     

As Bem-Aventuranças e o discipulado

Como discípulos missionários do Senhor, somos chamados a viver na planície do cotidiano as Bem-Aventuranças (Mt 5,1-12a), e assim sermos, de fato, sal da terra e luz do mundo.

As quatro primeiras Bem-Aventuranças definem a atitude fundamental do discípulo missionário de Jesus Cristo: pobre, aflito, manso e sedento de justiça.

As quatro seguintes referem-se à vida de relação com o outro: ser misericordioso, puro de coração, promotor da paz e testemunha corajosa.

Vejamos o que nos diz cada Bem-Aventurança do Sermão da Montanha:

1ª - pobres em espírito: trata-se de uma condição espiritual e não a pobreza material em si. Na linguagem hebraica pode ser entendido como devoto, fiel, aquele que coloca a sua confiança em Deus;

2ª - o discípulo é enviado não apenas para levar a Boa Notícia aos pobres, mas também consolar os aflitos, em situações difíceis, para que reencontrem a esperança, certos de que Deus intervirá e acabará com os motivos da aflição;

3ª - o discípulo viverá a mansidão na imitação de Jesus, com domínio dos instintos, e sabe que, mesmo em situações de oposição, respeita ao outro e não reage recorrendo à violência. A este é prometida a posse da terra que consiste na vida eterna no Reino dos céus, a Salvação;

4ª - o discípulo é faminto e sedento de justiça, empenha-se no cumprimento da Lei de Deus e se compromete em viver conforme a Sua vontade acima de tudo; e encontrará pleno cumprimento no Banquete Messiânico, que nos será oferecido na eternidade e que já experimentamos em cada Celebração da Eucaristia;

5ª - o discípulo se reconhece pecador e tem continuamente a necessidade da misericórdia divina, e esta acolhida o leva a viver as obras de misericórdia (corporais e espirituais);

6ª - o discípulo é puro de coração, e entende-se coração como a sede dos sentimentos e dos desejos, dos pensamentos e das ações. Ser puro de coração é ser sincero no proceder, que não pensa de um modo e age de outro. Não cultiva más intenções para com o próximo, e sua pureza diante de Deus não se obtém pela prática de alguns ritos, mas numa conduta de vida boa, sincera que se concretiza na prática do bem;

7ª - é promotor da paz em todos os âmbitos (família, comunidade e no mundo). Empenha-se concretamente no cultivo dos sentimentos de paz em atitudes de conciliação, compreensão e paciência. Sabe que a paz é dom de Deus, que nos criou à Sua imagem e semelhança, seremos chamados filhos de Deus, por isto o compromisso inadiável e irrenunciável na promoção da paz;

8ª - o discípulo pobre em espírito, aflito, com fome e sede de justiça será perseguido. Sabe que encontrará hostilidades, mas tem plena convicção da presença de Deus, sabe que o Reino e suas Bem-Aventuranças lhe pertencerão. A perseguição enfrentada é um sinal de que se está ao lado de Cristo, na vivência de seu batismo e da dimensão profética.

Oremos:

“Ó Deus, que prometestes aos pobres e aos humildes as alegrias do Vosso Reino, fazei que a Igreja não se deixe seduzir pelos poderes do mundo, mas, à semelhança dos pequenos do Evangelho, siga confiante o Seu Esposo e Senhor, para que possa experimentar a força do Vosso Espírito. Amém.”



PS: Fonte de pesquisa: Lecionário Comentado – Ed. Paulus – 2011
pp.159-160.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG