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domingo, 1 de novembro de 2026
Bem-Aventuranças vividas, Santidade alcançada (Todos os Santos - Homilia)
Jesus sobe ao monte para nos dar a Lei que já tinha dentro de Si, para inscrevê-la no coração da humanidade, para que esta encontre o verdadeiro caminho da felicidade, que é o caminho da santidade. Ele faz das Bem-aventuranças um programa de vida para Seus discípulos.
As Bem-aventuranças vividas nos fazem pobres, mansos, puros, misericordiosos e pacificadores. Elas portam ao mesmo tempo o fascínio e a angústia.
Da cripta ao crepitar
Da
cripta ao crepitar
“Lembrai-vos
de vossos dirigentes, que vos falaram a Palavra de Deus: considerando o fim de
sua vida, imitai-lhes a fé. Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre.” (Hb
13,7-8)
“Por
aqui passou um homem de Deus”
Foi
assim que me apresentaram Dom Felippe,
Desde
os primeiros dias à frente de nossa amada Diocese.
Hoje
a cripta da nossa Diocese recebe seus restos mortais
Ainda
que no seu silêncio receba, acompanhado de nossas orações,
Suas
palavras de amado primeiro pastor, não morrerão jamais
Jamais
nos esqueçamos de seus traços memoráveis,
Simplicidade,
proximidade, despojamento, solidariedade
Amor,
ternura, compaixão e muito mais.
Amor
pela Palavra não apenas anunciada no altar,
Mas
na vida encarnada, e nos grupos diversos,
Motivada,
ensinada, por ser luz nos caminhos obscuros.
Amor
pelos pobres de mil nomes; como Cristo, fez esta opção,
De
mãos dadas com o amor e carinho pelas juventudes,
Amor
incondicional pela Igreja, vida consumida em doação.
O
lema que marcou seu episcopado, embora por curto tempo,
“Com
a presteza de Maria”, presença discreta e silenciosa,
Mas
que para nós brilhará para sempre como uma
joia preciosa.
Na
cripta, lugar do escondimento, seus restos mortais,
Em
nossos corações, suas palavras marcadas como um selo,
Que
haverão de florescer, e delas esquecimento jamais.
Na
cripta, o escondimento dos restos mortais
Em
nossas almas, suas pregações;
Chama
que não se apaga,
a
crepitar cada vez mais. Amém.
Ajudai-nos, Senhor, a viver as Bem-Aventuranças (Todos os Santos)
Ajudai-nos,
Senhor, a viver as Bem-Aventuranças
Amado Senhor Bom Jesus,
nas Bem-Aventuranças contemplo Vosso rosto e vejo descrita Vossa inflamada
chama de caridade por toda a humanidade pecadora, da qual também faço parte,
sem qualquer mérito merecido.
Nelas medito sobre a
vocação dos fiéis associados à glória de Vossa Paixão e Ressurreição, e renovo
meu “sim” na fidelidade a Vós, com as renúncias necessárias para seguir-Vos com
liberdade e desprendimento.
Nas linhas e entrelinhas
da vida cotidiana, elas nos configuram a Vós, porque definem as atitudes e
virtudes características da vida cristã, marcando-nos com o Selo do Vosso Santo
Espírito, tornando-nos alegres discípulos missionários Vossos.
Renovai a esperança em
nossos corações, para que creiamos na luminosidade e na garantia de felicidade
que elas trazem, pois são as promessas
paradoxais que sustentam a nossa esperança em meio às tribulações.
Amado Jesus, fazei que sejamos
alegres testemunhas das Bem-Aventuranças, e que jamais recuemos no seu anúncio,
pois elas são o programa único de autêntica felicidade, nossa carteira de
identidade no mundo, para que Vós sejais reconhecido em nossas ações.
Assim vividas, Senhor,
derramai sobre nós copiosas bênçãos e concedei-nos as recompensas já
obscuramente adquiridas, que já estão inauguradas na vida da Virgem Maria e de
todos os santos e santas. Amém.
Fontes: (1)Catecismo da
Igreja Católica – parágrafo n. 1717; Passagens do Evangelho - (Lc 6,17.20-26; Mt
5,1-12)
Em poucas palavras... (Todos os Santos)
Santos e pecadores o somos
“Não há santos sem passado, nem pecadores sem futuro" (1)
(1) Frase frequentemente atribuída ao Cardeal François-Xavier Nguyên Vân Thuân, um cardeal vietnamita.
Bem-Aventuranças: a carteira de identidade do cristão (Todos os Santos)
Bem-Aventuranças: a carteira de identidade do cristão
Celebramos no dia 1º de novembro a Solenidade de todos os Santos e Santas (no Brasil é transferida para o domingo seguinte, quando dia 1º for um dia da semana).
Santidade é um caminho a ser percorrido, ou mesmo, podemos dizer como que a subida de uma escada, degrau por degrau, de modo que, não há santidade alcançada plenamente e para sempre.
Ela consiste num processo contínuo de lapidação, para que o esplendor da verdade e da caridade aconteça em nós, até o encontro com a plenitude da luz que se dá no céu!
Celebramos a memória de todos os santos e santas, canonizados ou não pela Igreja, e tantos outros que hoje cantam a Deus, no Céu, o perfeito louvor, intercedendo a Deus por nós.
Devemos venerá-los e jamais adora-los, pois tão somente a Deus se adora. “Santo é um pecador de quem Deus teve misericórdia”, conforme afirmação atribuída a Santo Agostinho.
São exemplos a serem imitados – cada santo tem uma marca forte e apaixonante no seguimento de Jesus – podemos aprender com eles.
A santidade é participar da vida de Deus, e deve ser compreendida como dom de Deus e nossa resposta a Ele:
“A santidade cristã manifesta-se, pois, como uma participação na vida de Deus, que se realiza com os meios que a Igreja nos oferece, particularmente com os sacramentos.
A santidade não é o fruto do esforço humano, que procura alcançar a Deus com suas forças, e até com heroísmo; ela é dom do amor de Deus e resposta do homem à iniciativa divina” (1)
Com o batismo, alcançamos a filiação, recebemos a semente de imortalidade, e com a Ressurreição, a imagem perfeita de Cristo, e o nosso futuro é a pertença e a semelhança de Deus – imagem perfeita de Cristo.
Deste modo, as Bem-Aventuranças (Mt 5,1-12) são caminho que leva à santidade, com uma ética própria, que renova a pessoa, a comunidade e a sociedade, porque, se vividas, provocam mudança radical de vida.
Compreendamos as Bem-Aventuranças:
- Os pobres em espírito: mais do que no sentido econômico e social, são os humildes, pecadores e abertos ao perdão. Ser pobre é ter o olhar voltado para o futuro, para a eternidade, confiando totalmente em Deus.
- Os que “choram” partilham o sofrimento do outro.
- Os “mansos” mantém a serenidade sempre!
- A prática da justiça consiste no fazer a vontade de Deus.
- A Pureza de coração é sinônimo de retidão...
- Somos como discípulos promotores da paz e impulsionados pela misericórdia divina.
- Temos a serenidade e maturidade para enfrentar as adversidades, calúnias e perseguições.
A Igreja haverá sempre de nos ensinar que, na comunhão dos santos, não caminhamos sós, e contamos com aqueles que lavaram a suas vestes no Sangue do Cordeiro, que hoje contemplam a face do Pai, continuam vivos em nosso coração, como exemplos a serem imitados, sedentos da Salvação divina, que tão somente Deus pode nos alcançar.
Sejamos santos como Deus é Santo, vivendo iluminados e conduzidos pelas Bem-Aventuranças, caminho de santidade e felicidade plena e verdadeira. Sejam as Bem-Aventuranças a carteira de identidade do cristão (cf. Papa Francisco).
(1) Missal Dominical – Editora Paulus - p. 1367
A verdadeira felicidade (Todos os Santos)
A verdadeira felicidade
A título de aprofundamento da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,17.20-26; Mt 5,1-12), sobre as Bem-Aventuranças, que Jesus Cristo apresentou como projeto de vida para Seus discípulos, retomemos esta reflexão de Pe. José David Quintal Vieira, scj:
“Desiludido pela vida, um beduíno isolou-se no deserto. Depois de muito andar entrou numa gruta tão enigmática como a sua vida.
Olhando as paredes nuas e frias, seguiu um rasto de luz.
– Entra, meu irmão – encorajou-o uma voz benévola.
Na penumbra viu então um eremita em oração.
– Tu vives aqui? – perguntou surpreso – Como consegues resistir sem conforto e longe de todos? Como podes ser feliz aqui?
O eremita sorriu:
– Eu vivo pobre mas tenho um grande tesouro. Olha para cima – E apontou para uma pequena abertura no teto da gruta – Que vês?
– Não vejo nada.
– De certeza que não descobres nada?
– Só um pedaço do céu…
– Só um pedaço de céu?! E não te parece que é um tesouro maravilhoso?
Jesus Cristo apresenta-nos hoje uma proposta de felicidade. Muitas vezes a nossa felicidade parece um projeto adiado: Só seremos felizes quando tivermos isto, quando fizermos aquilo, quando chegarmos ali… Depois ficamos frustrados porque a felicidade continua mais à frente, qual alvo móvel.
A felicidade é um caminho. Aproveite todos os momentos que tem, eles são um cantinho do céu. Não há hora melhor para ser feliz do que agora mesmo, com ou sem lágrimas. A felicidade é uma viagem, não um destino.”
Montanha (Evangelho de Mateus) ou planície (Evangelho de Lucas), de fato, as Bem-Aventuranças nos apontam um paradoxal caminho de felicidade, muitas vezes em total oposição à felicidade que o mundo propõe.
A exemplo do beduíno, tenhamos no horizonte o “pedaço do céu” para, com coragem, darmos testemunho de fé, como peregrinos de esperança, na vivência da caridade.
De fato, a felicidade é uma viagem que fazemos e não um destino, com suas renúncias, fidelidade e oração.
Importa que não nos percamos nesta viagem, e, assim, já sentiremos o gosto da verdadeira felicidade.
A verdadeira felicidade
Em poucas palavras... (Todos os Santos)
“As
bem-aventuranças retratam o rosto de Jesus”
“As bem-aventuranças retratam o rosto
de Jesus Cristo e descrevem-nos a sua caridade: exprimem a vocação dos fiéis
associados à glória da Sua Paixão e Ressurreição; definem os atos e atitudes
características da vida cristã; são as promessas paradoxais que sustentam a
esperança no meio das tribulações; anunciam aos discípulos as bênçãos e
recompensas já obscuramente adquiridas; já estão inauguradas na vida da Virgem
Maria e de todos os santos”
(1)Catecismo
da Igreja Católica – parágrafo n. 1717
Em poucas palavras... (Todos os Santos)
Santidade...
Lavemos nossas vestes no Sangue do Cordeiro (Todos os Santos)
Os Santos contemplam a glória dos céus (Todos os Santos)
De que lhes servem nossos elogios? Os Santos não precisam de nossas
homenagens, nem lhes vale nossa devoção. Se veneramos os Santos, sem dúvida nenhuma, o interesse é nosso, não deles. Eu por mim, confesso, ao recordar-me deles, sinto acender-se um desejo veemente.
Em primeiro lugar, o desejo que sua lembrança mais estimula e incita é o de gozarmos de sua tão amável companhia e de merecermos ser concidadãos e comensais dos espíritos bem-aventurados, de unir-nos ao grupo dos patriarcas, às fileiras dos Profetas, ao senado dos Apóstolos, ao numeroso exército dos mártires, ao grêmio dos confessores, aos coros das virgens, de associar-nos, enfim, à comunhão de todos os Santos e com todos nos
alegrarmos.
A assembleia dos primogênitos aguarda-nos e nós parecemos indiferentes! Os Santos desejam-nos e não fazemos caso; os justos esperam-nos e esquivamo-nos.
Enquanto isto não sucede, nossa Cabeça não como é, mas como Se fez por nós, se nos apresenta. Isto é, não coroada de glória, mas com os espinhos de nossos pecados.
- O primeiro desejo: gozar de tão amável companhia,e por isto, Ressuscitados com Cristo, busquemos as realidades celestes, com gosto pelas coisas do alto.
- O segundo desejo: que Cristo, nossa vida, tal como a eles, também apareça a nós e, nós, juntamente com Ele, apareçamos na glória.
Para tanto, exorta-nos para que cobicemos esta glória, contando com a intercessão dos Santos, e tê-los como companhia enquanto vivemos o tempo do combate, enquanto peregrinamos no tempo presente, é para nós motivo de júbilo e certeza de vitória.
Na fidelidade ao Senhor, temos Santos e Santas que viveram a graça do Batismo; lavaram suas vestes no Sangue do Cordeiro; alvejaram-nas; viveram as Bem-Aventuranças como um Projeto de Vida que o Senhor nos apresentou na montanha, e hoje veem a face de Cristo, contemplam a glória de Deus na comunhão com o Santo Espírito.
Todos somos chamados à Santidade (Todos os Santos)
Mas o que é ser santo?
Quantos degraus subi ou desci na escada da Santidade?
Santidade, dom e caminho (Todos os Santos)
Santidade, dom e caminho
Reflitamos sobre as “Bem-Aventuranças” apresentadas por Jesus na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,1-12).
Assim nos falou o Papa Francisco em memorável homilia:
“As Bem-aventuranças são de algum modo o cartão de identidade do cristão, que o identifica como seguidor de Jesus.
Somos chamados a ser bem-aventurados, seguidores de Jesus, enfrentando os sofrimentos e angústias do nosso tempo com o espírito e o amor de Jesus.
Neste sentido, poderíamos assinalar novas situações para as vivermos com espírito renovado e sempre atual: felizes os que suportam com fé os males que outros lhes infligem e perdoam de coração; felizes os que olham nos olhos os descartados e marginalizados fazendo-se próximo deles; felizes os que reconhecem Deus em cada pessoa e lutam para que também outros o descubram; felizes os que protegem e cuidam da casa comum; felizes os que renunciam ao seu próprio bem-estar em benefício dos outros; felizes os que rezam e trabalham pela plena comunhão dos cristãos… Todos eles são portadores da misericórdia e ternura de Deus, e d’Ele receberão sem dúvida a merecida recompensa.” (1)
No Ângelus, do dia 01 de novembro de 2023, assim nos falou:
“Hoje celebramos a solenidade de Todos os Santos. À luz desta festa, paremos um pouco para refletir sobre a santidade, em particular sobre duas características da verdadeira santidade: é um dom - é um dom, não se compra - e ao mesmo tempo é um caminho. Um dom e um caminho... A santidade é um caminho, é um dom. Por isso, podemos perguntar-nos: lembro-me que recebi o dom do Espírito Santo, que me chama à santidade e me ajuda a chegar lá? Agradeço ao Espírito Santo por isso, pelo dom da santidade? Sinto os santos perto de mim, falo com eles, dirijo-me a eles? Conheço a história de alguns deles? Faz-nos bem conhecer a vida dos santos e deixarmo-nos comover pelos seus exemplos. E faz-nos muito bem dirigirmo-nos a eles na oração.”
Peregrinando na esperança, como discípulos missionários de Senhor, devemos nos empenhar para correspondermos a este cartão de identidade, vivendo as Bem-Aventuranças, que Jesus nos apresentou no alto da montanha, sobretudo nas novas situações que nos apresentou o Papa Francisco, para que, de fato, vivamos a santidade como dom e um caminho a percorrer, incansáveis, com a força e ação do Santo Espírito.
Santidade, o único caminho para a felicidade plena, que tão somente Jesus Cristo pode nos conceder (cf. Jo 15)
(1) Viagem do Papa Francisco à Suécia por ocasião dos 500 anos da Reforma Protestante - Santa Missa no estádio Swedbank, em Malmo (01/11/2016)
“Presença universal” (Todos os Santos)
“Presença universal”
Ao celebramos a Solenidade de todos os Santos, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,1-12a), em que Jesus nos apresenta as Bem-Aventuranças, no alto da montanha.
Para reflexão e aprofundamento, e para bem celebrarmos, sejamos enriquecidos por este “Salmo” de Benjamin Gonzáles Buelta:
“Presença universal
Te anuncias na Palavra
e apareces no silêncio.
Manifestas Teu amor no dom da vida,
esgotas Tua entrega no dom de Tua morte.
És deslumbrante no prodígio do dia,
nos fascinas no mistério da noite.
O cume de Tua criação são os homens mais santos,
e de Tua fidelidade, os homens mais perversos.
Expressão de Tua força libertadora, os oprimidos,
e de Tua paciência e respeito os opressores.
Inesgotável artista em todo o belo,
presença calada e forte no disforme.
Tuas possibilidades sem fim nos assinalam os gênios,
Teu questionamento solidário os homens quebrados.
Só nos revelarás Tua obra quando haja girado toda a história, / mas já podes iluminar de plenitude a fugacidade do instante.
Tu nos chamas sem fim desde o horizonte,
nos enches de Tua presença em cada canto do caminho.
Nunca Te agarrarei na cobiça da perfeição,
mas já transbordas de luz e futuro todo o meu limite.” (1)
(1) Benjamin González Buelta - “Salmos para sentir e saborear as coisas internamente”



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