“Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo,tome sua cruz de cada dia e siga-me" (Lc 9,23)
quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Fidelidade e perseverança no carregar da cruz
Fortaleçamos os “pilares” da comunidade
Batismo: desposados pelo Senhor (XXXIIDTCA)
Batismo:
desposados pelo Senhor
Sejamos
enriquecidos pela Catequese batismal do Bispo e Doutor da Igreja, São João
Crisóstomo (séc. IV):
“Hoje é o último dia
da catequese, por isso eu, o último de todos, também cheguei ao último dia,
porém chego ao final com o anúncio de que o esposo virá dentro de dois dias.
Mas levantai-vos,
acendei as vossas lâmpadas e recebei com luz resplandecente o rei dos céus!
E de fato, este é o
costume do cortejo nupcial: que as esposas sejam entregues aos esposos ao
anoitecer. Porém, não vos façais de surdos ao escutar a voz de que chega o
esposo, porque é uma voz realmente potente, e está cheia de bondade.
Não ordenou que na
natureza dos homens fosse para Ele, mas Ele pessoalmente veio junto a nós, e
acontece que, na realidade, a lei de núpcias é esta: que o esposo venha à esposa, mesmo que ele seja riquíssimo e ela, por outro lado, pobre e
menosprezada.
Entretanto, nada há
de estranho que isso aconteça entre os homens. Na realidade, se em questão de
mérito a diferença pode ser muita, a diferença de natureza, porém, é nula: por rico
que seja o esposo, e por indigente e pobre que seja a esposa, ambos são,
contudo, da mesma natureza.
Porém, tratando-se
de Cristo e da Igreja, a maravilha está em que Ele, apesar de ser Deus e
possuir aquela bem-aventurada e puríssima substância – e sabeis quanto se
diferencia dos homens! -, dignou-Se descer a nossa natureza e, deixando a Sua
casa paterna, correu para a Esposa, não com um simples deslocamento, mas pela
ação da Encarnação.
Conhecedor,
portanto, disto, e admirado do excesso de solicitude e de estima, o próprio
bem-aventurado Paulo proclamava dizendo: ‘Por isto o homem deixará ao seu pai e
a sua mãe e se unirá a sua mulher: este mistério é grande, mas me refiro a
Cristo e à Igreja’.
E o que tem de
admirável que tenha vindo à esposa, quando nem sequer se negou a dar a sua vida
por ela?
Contudo, nenhum
esposo dispõe sua vida por sua esposa, e acontece que ninguém, nenhum
enamorado, por louco que esteja, abra-se tanto no amor de sua amada, como Deus
se consome pela Salvação de nossas almas:
‘Mesmo que tenha que
ser cuspido – diz -, ser espancado e subir à própria cruz, não me negarei a ser
crucificado, contanto que possa acolher a esposa’”. (1)
Roguemos a Deus a divina Sabedoria para vivermos o Batismo que é dom, graça e
missão.
Urge que nos coloquemos como Igreja, num caminho sinodal,
mergulhando no mar da proximidade, compaixão, solidariedade fortalecendo os
vínculos da comunhão e da caridade, na vivência das virtudes divinas que nos movem:
fé, esperança e caridade.
(1)
Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013- pág.
249-250
Enquanto o Senhor não vem! (4) (XXXIIDTCA)
Enquanto o Senhor não vem! (3) (XXXIIDTCA)
Enquanto o Senhor não vem!
Assim falou o Bispo e Doutor da Igreja Santo Agostinho (séc. V):
“São estes os sacrifícios mais aceitos por Deus: Misericórdia, humildade, louvor, paz, caridade. Ofereçamo-los com confiança e esperemos a vinda do juiz que julgará o orbe da terra com equidade, e os povos em sua verdade (Sl 95,13)”.
Reflitamos:
Cinco sacrifícios pelo Senhor mais aceitos,
Expressam verdade, justiça, liberdade, direito.
Cinco sacrifícios pelo Senhor mais aceitos,
Na vigilância, a serem vividos pelo povo eleito!
Cinco sacrifícios pelo Senhor mais aceitos,
Que bem vividos nos fazem mais perfeitos.
Portanto:
Enquanto o Senhor não vem...
Misericórdia há de se viver, nos convém!
Enquanto o Senhor não vem...
Humildade no relacionar, é que nos mantém!
Enquanto o Senhor não vem...
Paz, missão de todos, não apenas de alguém!
Enquanto o Senhor não vem...
Caridade, gestos que Mistério de Deus contém!
Enquanto o Senhor não vem...
Louvor à Trindade, Amém”
Maranatha!
Vem, Senhor Jesus!
Enquanto o Senhor não vem! (2) (XXXIIDTCA)
Enquanto o Senhor não vem!
Na Missa, após a consagração do pão e do vinho, temos a anamnese que é a memória dos acontecimentos da Salvação, nomeadamente Paixão, Morte, Ressurreição e Glorificação de Cristo:
“Anunciamos Senhor a Vossa morte e proclamamos a Vossa Ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”
O Bispo Santo Agostinho refletindo o Salmo 95,13, que trata do julgamento divino e os sacrifícios agradáveis ao Senhor, muito nos ajuda a entender a anamnese que dizemos
“... Amamos e temos medo da Sua vinda. Será que amamos? Ou amamos muito mais nossos pecados? Odiemos, portanto, estes mesmos pecados e amemos Aquele que virá castigar os pecados. Ele virá, quer queiramos, quer não. Se ainda não veio, não quer dizer que não virá.
Virá na hora que não sabes; se te encontrar preparado, não haverá importância de saberes... Porque és injusto, não será justo o juiz? Ou porque és mentiroso, não será veraz a verdade? Se queres, porém encontrar o Misericordioso, sê tu misericordioso, antes de Sua chegada: perdoa, se algo foi feito contra ti, dá daquilo de que tens em abundância.
Donde vem aquilo que dás, não é d’Ele? Se desses do que és teu, seria liberalidade, quando dás do que é Dele, é devolução. Que tens que não recebeste? (1 Cor 4,7). São estes os sacrifícios mais aceitos por Deus: Misericórdia, humildade, louvor, paz, caridade. Ofereçamo-los com confiança e esperemos a vinda do juiz que julgará o orbe da terra com equidade, e os povos em sua verdade (Sl 95,13)”.
Ele veio, vem e virá.
Veio a primeira vez, virá pela segunda: glorioso! Enquanto Ele não vem, estamos alegremente vigilantes, em Oração e ação. Comprometidos com Sua chegada. Quando? Não sabemos, nem nos cabe saber, somente o Pai o sabe. Importa que estejamos preparados.
Caminhando para o final de mais um ano, é sempre tempo fecundo de avaliação...
- Como estamos preparando a vinda do Senhor?
- Quais os sacrifícios agradáveis ao Senhor que se notabilizam em nossa vida?
- O que precisamos colocar em ordem para que a vinda do Senhor não nos surpreenda?
Encerro com o refrão do canto pós-comunhão:
“Vigia esperando a aurora,
“Qual noiva esperando o amor.
É assim que o servo espera
A vinda do seu Senhor...”
Enquanto o Senhor não vem! (1) (XXXIIDTCB)
“Eschaton” consiste no sentido e no destino final da história. E, é esta a tonalidade das Leituras dos últimos Domingos do Tempo Comum, e para ela se volta nosso olhar. Esperamos a “parusia” (o regresso glorioso, a segunda vinda definitiva do Senhor no fim dos tempos).







