sexta-feira, 10 de janeiro de 2025
Humildade e simplicidade
Batismo de Jesus e a divina graça a nós alcançada (10/01)
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de São
Marcos (Mc 1,7-11), em que Jesus é batizado por João Batista.
Com a aceitação
do Batismo, temos a investidura messiânica oficialmente, quando o Espírito
desce sobre Jesus – “O
que foi o Batismo para Cristo? Um mistério de manifestação do poder do Espírito
na fraqueza da carne” (1).
Diferente do
nosso, o Batismo de Jesus inaugura a sua vida pública e se vislumbra o caminho
que deverá percorrer: como Cordeiro será imolado e vai tirar todo o pecado do
mundo; Sua morte o fará como primogênito do verdadeiro Povo de Deus, a pedra
angular de um mundo novo.
Pelo Batismo,
somos incorporados no edifício do Reino, e recebemos um vínculo para sempre com
Jesus, com o Batismo no Espírito. Tornamo-nos pedras vivas da Sua Igreja – “Com o dom do
Espírito, todo homem atinge na fé, a contemplação e o gosto do Mistério do
plano da Salvação” (Gaudium et spes n. 15).
Para nós,
cristãos, “...o Batismo vai
buscar força às águas do Jordão, santificadas pela intervenção de Cristo”
(2), de modo que, pelo Batismo, na concepção Paulina – “...fomos ‘cosepultados’
na Sua morte salvífica, fomos ‘co-ressuscitados’ com Ele na vida nova, com Ele
subimos ao Céu e com Ele fomos conduzidos à direita do Pai, -expressão do Seu
braço forte, erguido para a Salvação de todos” (3).
Neste sentido,
podemos compreender, mais tarde as palavras de Jesus: “Devo receber um batismo e qual não é minha angústia,
enquanto ele não se consuma!” (Lc 12,50).
De fato, o
Batismo de Jesus nas águas do Jordão e Sua morte na cruz são a prova de sua messianidade
testemunhado pelo Espírito, água e Sangue, como nos fala o São João em sua
Primeira Carta (1 Jo 5,5-13), proclamada na passagem da primeira Leitura.
Contemplemos a
presença de Cristo continuamente atualizada nos Sacramentos da Igreja,
particularmente na água do Batismo que nos introduz na Igreja e nos comunica a
vida divina, e na Eucaristia, carne e sangue de Cristo, que “fonte e ápice da
vida cristã” (Sacrosanctum
Concilium n. 10 e Presbyterorum Ordinis
n. 5).
Trilhemos, como
batizados, discípulos missionários do Senhor, o itinerário de Cristo, a fim de
que se realize nossa santificação e nos empenhemos na salvação de todos, como
Igreja Sinodal que somos, sempre caminhando juntos, na comunhão, solidariedade
criando e fortalecendo vínculos fraternos.
Oremos:
“Ó Deus, sede a luz dos vossos fiéis e
abrasai seus corações com o esplendor de vossa glória, para reconhecerem sempre
o Salvador e a Ele aderirem totalmente. Por N.S.J.C. Amém.” (4)
(1)
Lecionário Comentado – Tempo do Advento/Natal – Editora Paulus –
2011 – pág. 320
(2)
Idem p. 320
(3)
Idem p. 320
(4)
Oração do Dia – Missa antes da Epifania do Senhor
PS: fonte de pesquisa – Missal Cotidiano – Editora Paulus -1998
– pág.138-139
quinta-feira, 9 de janeiro de 2025
Compassivos, contemplativos e missionários
Compassivos, contemplativos e missionários
O Senhor nos confiou o Seu Espírito
O Senhor nos confiou o Seu
Espírito
“Assim o Pai dá ao Filho Seu
próprio Espírito,
a fim de que em Cristo também
nós O recebamos”
Sejamos enriquecidos pelo
Comentário sobre o Evangelho de São João, escrito pelo Bispo São Cirilo de
Alexandria (Séc. V), em que nos fala da efusão do Espírito Santo sobre todos
nós.
“Tendo o Criador do universo
decidido restaurar todas as coisas em Cristo, dentro da mais admirável e
perfeita ordem, e restituir à natureza humana sua condição original, prometeu,
junto com os outros dons que daria copiosamente, conceder o Espírito Santo.
Pois, de outro modo o homem não poderia ser reintegrado na posse tranquila e
permanente desses dons.
Determinou, portanto, o tempo em que o Espírito Santo desceria sobre nós, isto é, o da vinda de Cristo, prometendo com estas palavras: Naqueles dias, a saber, nos dias do Salvador, derramarei meu Espírito sobre todo ser humano (Jl 3,1).
Quando esse tempo de imensa e gratuita liberalidade trouxe ao mundo o Filho
Unigênito encarnado, isto é, como homem nascido de mulher, segundo a Sagrada
Escritura, novamente Deus Pai nos concedeu o Seu Espírito, sendo Cristo o
primeiro a recebê-Lo como primícias da natureza renovada. João Batista o
testemunhou dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu, e permanecer sobre
Ele (Jo 1,32).
Afirma-se que Cristo recebeu o
Espírito enquanto homem e enquanto convinha ao homem recebê-Lo; embora seja
Filho de Deus Pai e gerado de sua substância, mesmo antes da encarnação, e mais
ainda, antes de todos os séculos, não Se ofende ao ouvir Deus Pai declarar-lhe,
depois que Se fez homem: Tu és meu Filho, e Eu hoje Te gerei (Sl 2,7).
O Pai diz que foi gerado hoje aquele que antes dos séculos era Deus, gerado por Ele, para receber-nos em Cristo como filhos adotivos. Com efeito, toda a natureza humana se encontra em Cristo enquanto homem.
Assim o Pai dá ao Filho Seu próprio Espírito, a fim de
que em Cristo também nós O recebamos. Por esse motivo, Cristo veio em auxílio
da descendência de Abraão, como está escrito, e tornou-Se em tudo semelhante a
Seus irmãos.
O Unigênito de Deus não recebeu o Espírito Santo para Si mesmo; com efeito, esse Espírito que é Seu, nos é dado n’Ele e por Ele, como já dissemos antes, pois, tendo-Se feito homem, tinha em Si a totalidade da natureza humana, a fim de restaurá-la toda e restituir-lhe a integridade original.
Podemos ver assim – se quisermos aplicar um reto
raciocínio e os testemunhos da Escritura – que Cristo não recebeu o Espírito
Santo para Si mesmo, mas para que O recebêssemos n’Ele; pois é também por Ele
que recebemos todos os bens.”
Vemos o motivo pelo qual Jesus
Cristo foi batizado, o Filho de Deus, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade.
Embora sendo Deus, é batizado
por João Batista nas águas do rio Jordão a fim que nos seja dado n’Ele, Jesus,
e por Ele, o Espírito Santo, pois não recebeu o Espírito para Si mesmo, mas
para nos comunicá-Lo, quando da graça do batismo celebrado.
Glorifiquemos a Deus por esta graça, renovando as promessas batismais, a fim de que as vivamos mais intensa e frutuosamente a serviço do Reino de Deus, partícipes de uma Igreja verdadeiramente Sinodal, povo de Deus a caminho, na participação, comunhão e missão, peregrinando na esperança de um novo céu e uma nova terra.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2025
A força indispensável da oração (07/01)
A força indispensável da oração
Peregrinar na esperança, iluminados pela Luz do Senhor
Peregrinar na esperança,
iluminados pela Luz do Senhor
“O povo que vivia nas trevas viu
uma grande Luz...”
Tendo celebrado há poucos dias a Festa do Natal do
Senhor, e iniciado um novo ano, voltemos nosso olhar para um momento
significativo da missão de Jesus, retratado pelo evangelista Mateus e,
anteriormente, anunciado pelo profeta Isaías:
"Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho
do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos pagãos! O povo que
vivia nas trevas viu uma grande luz, e para os que viviam na região escura da
morte brilhou uma luz" (Mt
4, 15-16).
Esta Luz é o próprio Jesus que, ao Se encarnar no ventre de Maria, veio
habitar e caminhar conosco, vivenciando a nossa condição concreta, igual a nós
em tudo, exceto no pecado.
Em Sua Encarnação, Deus Se faz visível, palpável,
passível de tudo quanto possamos sentir, sobretudo nascendo num lugar real, com
problemas e dificuldades, e habitado por um povo sofrido como ovelhas sem
pastor.
A Luz, um dia anunciada, foi colocada em uma
manjedoura, em meios aos pobres, animais e seus pastores, ao lado de José e
Maria, nascido pela obra do Espírito Santo, que em Maria pousou e nos agraciou
com Sua vinda ao mundo, ao fecundá-la para ser a mãe do Salvador.
Uma Luz que brilhou radiante, e nem mesmo a morte
pôde eliminá-la, pois passando pela morte, mais tarde, brilhou eternamente na
madrugada da Ressurreição.
E esta mesma Luz, o Sol Nascente, continua
iluminando nossos caminhos, com raios que nos revigoram e não nos permitem
curvar diante dos sinais de morte: maldade, mentira, mediocridade, corrupção,
violação da vida ou de quaisquer outros sinais que atentem contra a dignidade e
sacralidade da vida, desde sua concepção até seu declínio natural.
Uma Luz que nos animará em mais um ano de caminhada
pastoral, com zelo, amor e alegria, na ação evangelizadora, sempre lançando as
redes em águas mais profundas (cf. Lc 5,1-11), em atenção e confiança à Palavra
que se fez Carne e habitou entre nós (cf. Jo 1,14).
Esperamos que esta Luz ilumine os corações daqueles
que dirigem nosso país e nossas cidades, no exercício de uma política em que
não se vise os próprios interesses, a fim de que o povo tenha uma vida plena e
feliz, com direitos sociais assegurados (alimentação, moradia, saúde,
educação, cultura e lazer).
Iluminados por esta Luz não permitiremos que morra
a esperança de que dias melhores haveremos de ver nascer, solidificando e
nutrindo nossa fé com o Pão da Palavra e da Eucaristia, alimentos
indispensáveis para os que se põem a caminho com Aquele que é o próprio
Caminho, Verdade e Vida, Jesus, a fonte inesgotável de amor que vem ao nosso
encontro em cada momento, num Natal que não se reduz a um acontecimento que
ficou escrito na página da história.
O Natal do Senhor é um fato que acontece todos os
dias, quando, conduzidos por Deus, permitimos que Ele entre em nossa história,
e assim, na plena comunhão com Seu Amado Filho, pelo qual tudo foi criado e
reconciliado, também somos assistidos e conduzidos com novo ardor, porque
inflamados pelo Fogo do Seu Santo Espírito.
Tendo celebrado o Natal, renasceu a alegria e a
coragem para sermos incansáveis e alegres discípulos missionários do Senhor,
anunciando e testemunhando Aquele que dá sentido ao nosso existir, porque nos
ama, nos acompanha e nos concede a verdadeira e plena vida, alegria e paz e
quanto mais necessitarmos, e vivemos a graça do batismo, como peregrinos da
esperança.
Peregrinar na esperança na fidelidade ao Amor de Deus
Peregrinar na esperança na fidelidade ao Amor de
Deus
Com
a passagem da primeira Carta de São João (1Jo 4,7-10), contemplamos a face de
Deus, o ser de Deus – “Deus é Amor”; portanto, a comunidade precisa deixar-se
envolver pelo amor, que é a essência de Deus: um amor incondicional, gratuito,
desinteressado, radical e total.
O
amor a ser vivido não é algo secundário, é o absolutamente essencial na vida
cristã e deve transparecer em gestos, no dia a dia, na fecunda expressão da
comunhão com Deus.
Os
discípulos, portanto, vivem no amor que os faz homens novos; empenham-se pela
libertação própria e do outro.
Quando
amamos e guardamos o Mandamento de Deus, Ele permanece em nós e nós n’Ele, e
toda a comunidade é convidada a viver o essencial: o Mandamento do Amor;
constituindo-se como a comunidade do amor e que vive do amor, anunciando,
dialogando, servindo e testemunhando a Salvação de Deus que se destina a todos
os povos.
Sentir-se
por Deus amado para amar, e tão somente comunicaremos o Amor de Deus se nos
sentirmos por Ele amados.
A
caridade vivida, dia após dia, aceitando e enfrentando as contradições da vida,
com a determinação de superação, conscientes de que somente o amor está em
condições de dar sentido e significado a cada fato, a cada momento.
Deste
modo, a comunidade deve ter um rosto, deve ser como um "cartaz vivo"
do Amor de Deus, um amor em sua expressão máxima: o amor de Cruz, da Cruz, pela
Cruz, na Cruz.
Muito
mais que uma humanidade que anseia por Deus, é Deus que anseia pela humanidade,
em compaixão, Se encontrando naquela Cruz.
Reflitamos:
- Vivenciamos o amor incondicional, gratuito, desinteressado,
comprometido e solidário para com o próximo?
- Sentimos a presença de Deus em nosso meio?
- Levamos a sério o Mandamento do Amor?
- Sentimo-nos amigos de Jesus?
- Qual é a verdade de nossa alegria, entusiasmo e paixão pelo Senhor e o
Reino por Ele inaugurado?
- Estamos comprometidos com a busca e a construção de um mundo novo?
- Somos uma comunidade que testemunha e faz transparecer o Amor de Deus?
Peregrinar na esperança e viver o Mandamento do Amor, o Amor pela Fonte
de Amor, Jesus, que em Amor incondicional, incrível, extremo, não fugiu da Cruz
(doação, entrega, fidelidade, redenção...), a mais bela de todas as lições que
devemos aprender, permanentemente.



