sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Humildade e simplicidade

                                                               


Humildade e simplicidade

‘Aquele que se fizer pequeno como esta criança,
esse será o maior no Reino dos céus’.

Com o Sermão de São Máximo de Turim (séc. V), somos exortados à humildade necessária para chegarmos ao Reino de Deus, e a simplicidade entramos no Céu.

“Se escutastes com atenção a Leitura Evangélica podereis compreender o respeito que se deve aos Ministros e Sacerdotes de Deus e a humildade com que os próprios clérigos devem prevenir-se uns aos outros.

De fato, tendo os Seus discípulos perguntado ao Senhor quem deles seria o maior no Reino dos Céus, aproximando a uma criança, a colocou no meio deles e lhes disse: ‘Aquele que se fizer pequeno como esta criança, esse será o maior no Reino dos céus’. De onde deduzimos que pela humildade se chega ao Reino, pela simplicidade se entra no Céu.

Portanto, quem deseje escalar o cume da divindade empenhe-se por alcançar os abismos da humildade; quem deseje preceder ao seu irmão no Reino, deve antes antecipar-se no amor, como diz o Apóstolo:

'Estimando aos demais mais do que a si mesmo’. Supere-se na afabilidade, para poder vencer-lhe em santidade. Pois se o irmão não te ofendeu é credor ao dom de teu amor; e se talvez tiver te ofendido, é ainda mais credor a dádiva de tua superação. Esta é realmente a quintessência do cristianismo: devolver amor por amor e responder com a paciência a quem nos ofende.

Assim, quem for mais paciente em suportar as injúrias, mais potente será no Reino. Porque ao império dos céus não se chega mediante um brilhante título abonado pela faustuosidade das riquezas, mas mediante a humildade, a pobreza, a mansidão. ‘Quão estreita é a porta e quão apertado o caminho que conduz à vida!’.

Em consequência, quem estiver rompante de honras e carregado de ouro, qual jumento sobrecarregado, não conseguirá passar pelo apertado caminho do Reino. E no preciso momento em que acreditar ter chegado à porta estreita, ao não dar espaço a sua carga, lhe impedirá de entrar e se lhe obrigará a retroceder.

A porta do céu é para o rico tão apertada como estreita é ao camelo o furo de uma agulha. ‘É mais fácil um camelo passar pelo furo de uma agulha que um rico entrar no Reino dos Céus’”. (1)

Aspirando o cume da divindade, urge que nos empenhemos em viver a humildade, sem o que nos distanciamos do Reino e não entraremos no Céu, como tão bem expressou São Máximo.

É sempre necessário que nos despojemos do supérfluo, provisório, para nos enriquecermos do essencial e dos valores eternos que dão sentido ao nosso existir.

Enriquecidos pela graça de Deus, nosso Sumo Bem, seremos mais fiéis ao Senhor, e por esta porta estreita poderemos passar, porque também conduzidos e cumulados das riquezas do Santo Espírito que em nós habita.

Como a santidade não é um processo acabado, é preciso que nos coloquemos sempre num contínuo esforço de vivermos na humildade e simplicidade de coração, com absoluta confiança em Deus, que age em nós e por meio de nós.


(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes – pp.470-471

Batismo de Jesus e a divina graça a nós alcançada (10/01)

 


           Batismo de Jesus e a divina graça a nós alcançada

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de São Marcos (Mc 1,7-11), em que Jesus é batizado por João Batista.

Com a aceitação do Batismo, temos a investidura messiânica oficialmente, quando o Espírito desce sobre Jesus – “O que foi o Batismo para Cristo? Um mistério de manifestação do poder do Espírito na fraqueza da carne” (1).

Diferente do nosso, o Batismo de Jesus inaugura a sua vida pública e se vislumbra o caminho que deverá percorrer: como Cordeiro será imolado e vai tirar todo o pecado do mundo; Sua morte o fará como primogênito do verdadeiro Povo de Deus, a pedra angular de um mundo novo.

Pelo Batismo, somos incorporados no edifício do Reino, e recebemos um vínculo para sempre com Jesus, com o Batismo no Espírito. Tornamo-nos pedras vivas da Sua Igreja – “Com o dom do Espírito, todo homem atinge na fé, a contemplação e o gosto do Mistério do plano da Salvação” (Gaudium et spes n. 15).

Para nós, cristãos, “...o Batismo vai buscar força às águas do Jordão, santificadas pela intervenção de Cristo” (2), de modo que, pelo Batismo, na concepção Paulina – “...fomos ‘cosepultados’ na Sua morte salvífica, fomos ‘co-ressuscitados’ com Ele na vida nova, com Ele subimos ao Céu e com Ele fomos conduzidos à direita do Pai, -expressão do Seu braço forte, erguido para a Salvação de todos” (3).

Neste sentido, podemos compreender, mais tarde as palavras de Jesus: “Devo receber um batismo e qual não é minha angústia, enquanto ele não se consuma!” (Lc 12,50).

De fato, o Batismo de Jesus nas águas do Jordão e Sua morte na cruz são a prova de sua messianidade testemunhado pelo Espírito, água e Sangue, como nos fala o São João em sua Primeira Carta (1 Jo 5,5-13), proclamada na passagem da primeira Leitura.

Contemplemos a presença de Cristo continuamente atualizada nos Sacramentos da Igreja, particularmente na água do Batismo que nos introduz na Igreja e nos comunica a vida divina, e na Eucaristia, carne e sangue de Cristo, que “fonte e ápice da vida cristã” (Sacrosanctum Concilium n. 10 e Presbyterorum Ordinis n. 5).

Trilhemos, como batizados, discípulos missionários do Senhor, o itinerário de Cristo, a fim de que se realize nossa santificação e nos empenhemos na salvação de todos, como Igreja Sinodal que somos, sempre caminhando juntos, na comunhão, solidariedade criando e fortalecendo vínculos fraternos.

Oremos:

“Ó Deus, sede a luz dos vossos fiéis e abrasai seus corações com o esplendor de vossa glória, para reconhecerem sempre o Salvador e a Ele aderirem totalmente. Por N.S.J.C. Amém.” (4)

 

 

(1)         Lecionário Comentado – Tempo do Advento/Natal – Editora Paulus – 2011 – pág.  320

(2)        Idem p. 320

(3)        Idem p. 320

(4)        Oração do Dia – Missa antes da Epifania do Senhor

PS: fonte de pesquisa – Missal Cotidiano – Editora Paulus -1998 – pág.138-139

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Compassivos, contemplativos e missionários

                                                                     


Compassivos, contemplativos e missionários

Reflexão à luz da passagem do Evangelho em que Jesus cura a sogra de Pedro, à porta da casa deste, faz curas e expulsa demônios ao cair da tarde, e ainda quando era escuro, retira-Se para rezar em lugar deserto (Mc 1, 29-29).

Oportunas as palavras de São Pedro Crisólogo (séc. V), em que nos apresenta a ação de Deus, incansável na busca dos homens e mulheres para amá-los e não as coisas dos homens.

“A Leitura evangélica de hoje ensina ao ouvinte atento porque o Senhor do céu e restaurador do universo entrou nos domicílios terrenos de Seus servos. Mesmo que nada tenha de estranho que se tenha mostrado afavelmente próximo a todos, ele que com grande clemência tinha vindo para socorrer a todos.

Já conheceis o que moveu Cristo a entrar na casa de Pedro: com certeza não o prazer de recostar-se à mesa, mas a enfermidade daquela que se encontrava na cama; não a necessidade de comer, mas a oportunidade de curar; a obra do poder divino, não a pompa do banquete humano. Na casa de Pedro não se servia vinho, somente se derramavam lágrimas. Por isso Cristo entrou ali, não para banquetear, mas para vivificar. Deus busca aos homens, não as coisas dos homens; deseja dispensar bens celestiais, não espera conseguir as terrenas. Em resumo: Cristo veio buscar-nos, e não buscar as nossas coisas.

Ao chegar Jesus à casa de Pedro, encontrou sua sogra na cama com febre. Entrando Cristo na casa de Pedro, viu ao que vinha buscando. Não se fixou na qualidade da casa, nem na afluência de pessoas, nem nas cerimoniosas saudações, nem na reunião familiar; também não pensou no adorno dos preparativos: Fixou-se nos gemidos da enferma, dirigiu sua atenção ao ardor daquela que estava sob a ação da febre. Viu o perigo daquela que estava para além de toda esperança, e imediatamente coloca mãos para obra de Sua santidade: Cristo nem se sentou para tomar alimento humano, antes que a mulher que jazia se levantasse para as coisas divinas.

Tomou sua mão e sua febre passou. Vês como a febre abandona a quem segura a mão de Cristo. A enfermidade não resiste, onde o Autor da saúde assiste; a morte não tem acesso algum onde entrou o Doador da vida.

Ao anoitecer, levaram-lhe muitos endemoniados; Ele expulsou os espíritos. O anoitecer acontece ao acabar o dia do século, quando o mundo pende para entardecer da luz dos tempos. Ao cair da tarde vem o Restaurador da luz para introduzir-nos o dia sem ocaso, a nós que viemos da noite secular do paganismo.

Ao anoitecer, ou seja, no último momento, a piedosa e solene devoção dos Apóstolos nos oferece a Deus Pai, a nós que somos procedentes do paganismo: são expulsos de nós os demônios, que nos impunham o culto aos ídolos. Desconhecendo ao único Deus, cultuávamos a inumeráveis deuses em nefanda e sacrílega servidão.

Como Cristo já não vem a nós na carne, vem na Palavra: e aonde quer que a fé nasça da mensagem, e a mensagem consiste em falar de Cristo, ali a fé nos liberta da servidão do demônio, enquanto que os demônios, de ímpios tiranos, converteram-se em prisioneiros. Por isso os demônios, submetidos a nosso poder, são atormentados a nossa vontade. O único que importa, irmãos, é que a infidelidade não volte a reduzir-nos a sua servidão: coloquemos antes em nosso ser e nosso fazer, nas mãos de Deus, entreguemo-nos ao Pai, confiemo-nos a Deus: porque a vida do homem está nas mãos de Deus; em consequência, como Pai dirige as ações de Seus filhos, e como Senhor não deixa de preocupar-se por Sua família.” (1)

Esta passagem do Evangelho nos apresenta a identidade de Jesus, três adjetivos que exprimem sua identidade: compassivo, contemplativo e missionário.
             
Compassivo, Se compadece da sogra de Pedro e a cura da febre, para que esta se coloque a serviço, como também curou todos que vieram ao Seu encontro, à porta da casa, bem como expulsou muitos demônios.

Contemplativo, retira-Se antes do amanhecer para colocar-Se em Oração, em diálogo íntimo com o Pai, para continuar a missão que lhe foi confiada, na presença do Espírito que pousa sobre Ele (Lc 4,16-21). A Oração de Jesus revela a Sua perfeita comunhão com o Pai e o Espírito Santo. A Oração é para Ele o que será para Seus discípulos, fonte e cume para que continue a missão.

Missionário, não Se instala nem Se acomoda com a possível acolhida na casa da sogra de Pedro, mas, aos discípulos, diz que é preciso continuar a missão em outros lugares.

Assim também é a Igreja, anunciando a Palavra de Deus, realizando a missão do Senhor, com a força e presença do Espírito, verdadeiro protagonista da missão na construção do Reino.

Anunciar e testemunhar o Senhor e Sua Boa-Nova exige que sejamos como o Divino Mestre: compassivos, contemplativos e missionários.

(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes - 2013 - pp.380-382

O Senhor nos confiou o Seu Espírito

                                             


O Senhor nos confiou o Seu Espírito

 

“Assim o Pai dá ao Filho Seu próprio Espírito,

a fim de que em Cristo também nós O recebamos” 

Sejamos enriquecidos pelo Comentário sobre o Evangelho de São João, escrito pelo Bispo São Cirilo de Alexandria (Séc. V), em que nos fala da efusão do Espírito Santo sobre todos nós.

“Tendo o Criador do universo decidido restaurar todas as coisas em Cristo, dentro da mais admirável e perfeita ordem, e restituir à natureza humana sua condição original, prometeu, junto com os outros dons que daria copiosamente, conceder o Espírito Santo. Pois, de outro modo o homem não poderia ser reintegrado na posse tranquila e permanente desses dons.

Determinou, portanto, o tempo em que o Espírito Santo desceria sobre nós, isto é, o da vinda de Cristo, prometendo com estas palavras: Naqueles dias, a saber, nos dias do Salvador, derramarei meu Espírito sobre todo ser humano (Jl 3,1). 

Quando esse tempo de imensa e gratuita liberalidade trouxe ao mundo o Filho Unigênito encarnado, isto é, como homem nascido de mulher, segundo a Sagrada Escritura, novamente Deus Pai nos concedeu o Seu Espírito, sendo Cristo o primeiro a recebê-Lo como primícias da natureza renovada. João Batista o testemunhou dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu, e permanecer sobre Ele (Jo 1,32).

Afirma-se que Cristo recebeu o Espírito enquanto homem e enquanto convinha ao homem recebê-Lo; embora seja Filho de Deus Pai e gerado de sua substância, mesmo antes da encarnação, e mais ainda, antes de todos os séculos, não Se ofende ao ouvir Deus Pai declarar-lhe, depois que Se fez homem: Tu és meu Filho, e Eu hoje Te gerei (Sl 2,7).

O Pai diz que foi gerado hoje aquele que antes dos séculos era Deus, gerado por Ele, para receber-nos em Cristo como filhos adotivos. Com efeito, toda a natureza humana se encontra em Cristo enquanto homem. 

Assim o Pai dá ao Filho Seu próprio Espírito, a fim de que em Cristo também nós O recebamos. Por esse motivo, Cristo veio em auxílio da descendência de Abraão, como está escrito, e tornou-Se em tudo semelhante a Seus irmãos.

O Unigênito de Deus não recebeu o Espírito Santo para Si mesmo; com efeito, esse Espírito que é Seu, nos é dado n’Ele e por Ele, como já dissemos antes, pois, tendo-Se feito homem, tinha em Si a totalidade da natureza humana, a fim de restaurá-la toda e restituir-lhe a integridade original. 

Podemos ver assim – se quisermos aplicar um reto raciocínio e os testemunhos da Escritura – que Cristo não recebeu o Espírito Santo para Si mesmo, mas para que O recebêssemos n’Ele; pois é também por Ele que recebemos todos os bens.”

Vemos o motivo pelo qual Jesus Cristo foi batizado, o Filho de Deus, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

Embora sendo Deus, é batizado por João Batista nas águas do rio Jordão a fim que nos seja dado n’Ele, Jesus, e por Ele, o Espírito Santo, pois não recebeu o Espírito para Si mesmo, mas para nos comunicá-Lo, quando da graça do batismo celebrado.

Glorifiquemos a Deus por esta graça, renovando as promessas batismais, a fim de que as vivamos mais intensa e frutuosamente a serviço do Reino de Deus, partícipes de uma Igreja verdadeiramente Sinodal, povo de Deus a caminho, na participação, comunhão e missão, peregrinando na esperança de um novo céu e uma nova terra.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2025

A força indispensável da oração (07/01)

                                                 


 A força indispensável da oração


Ó Deus, rico em misericórdia, muitas vezes nossa vida é uma “luta”, como lemos nas Sagradas Escrituras, quando contemplamos a figura de Jó, exemplo de coragem, fé e fidelidade, e podemos repetir, que de fato, “A vida do homem é uma luta” (Jó 7,1).

Ó Deus, consolação dos aflitos, contemplamos Vosso Filho que, em diálogo contínuo convosco encontrou força para aceitar a incompreensão, as humilhações, traições, sofrimentos, que lhe ofereceram em paga de Seu amor.

Ó Deus, divina fonte de ternura, contemplamos Vosso Filho, sempre confortado pela oração, e refeito por esta comunhão íntima convosco, comunica coragem aos discípulos e os tornam prontos e disponíveis para o Reino, a fim de que não naufraguem na travessia do mar da vida.

Ó Deus, refúgio e proteção, Adoramos e aprendemos com Vosso Filho que orava constantemente, para que, como nosso Divino Mestre, não apenas nos dando exemplo, mais ainda, porque Se sentia verdadeiro homem, necessitado, portanto, desse contato permanente Convosco.

Ó Deus, plenitude de bondade, quantas vezes nos sentimos fatigados pela labuta cotidiana, pela desilusão, desconfiança, incompreensões, provocações que a vida nos reserva, sacudidos pelo vento de tendências opostas, ideologias contrárias, paixões violentas...

Ó Deus, a quem recorremos em todos os momentos, agora suplicamos a presença constante do Vosso Filho na barca de Vossa Igreja, e que ouçamos de Seus lábios as palavras pronunciadas naquele dia, hoje e sempre: “Coragem, sou Eu, não tenhais medo!” (Mc 6,50).

Ó Deus, que estais nos céus, queremos santificar Vosso nome, pedindo para que não nos deixeis cair em tentação, nem nos deixeis naufragar no mar dos perigos e adversidades, e tenhamos sempre as mãos estendidas do Vosso Filho e a presença do Santo Espírito, que vem em nosso socorro de nossa fraqueza. Amém.


Fonte inspiradora: Comentário do Missal Cotidiano – Editora Paulus – pp.152-153 – sobre a passagem do Evangelho de Marcos  (Mc 6,45-52) proclamada na quarta-feira, após a Epifania do Senhor.

Peregrinar na esperança, iluminados pela Luz do Senhor

 


Peregrinar na esperança, iluminados pela Luz do Senhor

 

“O povo que vivia nas trevas viu uma grande Luz...”

 

Tendo celebrado há poucos dias a Festa do Natal do Senhor, e iniciado um novo ano, voltemos nosso olhar para um momento significativo da missão de Jesus, retratado pelo evangelista Mateus e, anteriormente, anunciado pelo profeta Isaías: 

 

"Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos pagãos! O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz, e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz" (Mt 4, 15-16).

 

Esta Luz é o próprio Jesus que, ao Se encarnar no ventre de Maria, veio habitar e caminhar conosco, vivenciando a nossa condição concreta, igual a nós em tudo, exceto no pecado.

 

Em Sua Encarnação, Deus Se faz visível, palpável, passível de tudo quanto possamos sentir, sobretudo nascendo num lugar real, com problemas e dificuldades, e habitado por um povo sofrido como ovelhas sem pastor.

 

A Luz, um dia anunciada, foi colocada em uma manjedoura, em meios aos pobres, animais e seus pastores, ao lado de José e Maria, nascido pela obra do Espírito Santo, que em Maria pousou e nos agraciou com Sua vinda ao mundo, ao fecundá-la para ser a mãe do Salvador.

 

Uma Luz que brilhou radiante, e nem mesmo a morte pôde eliminá-la, pois passando pela morte, mais tarde, brilhou eternamente na madrugada da Ressurreição.

 

E esta mesma Luz, o Sol Nascente, continua iluminando nossos caminhos, com raios que nos revigoram e não nos permitem curvar diante dos sinais de morte: maldade, mentira, mediocridade, corrupção, violação da vida ou de quaisquer outros sinais que atentem contra a dignidade e sacralidade da vida, desde sua concepção até seu declínio natural.

 

Uma Luz que nos animará em mais um ano de caminhada pastoral, com zelo, amor e alegria, na ação evangelizadora, sempre lançando as redes em águas mais profundas (cf. Lc 5,1-11), em atenção e confiança à Palavra que se fez Carne e habitou entre nós (cf. Jo 1,14). 

 

Esperamos que esta Luz ilumine os corações daqueles que dirigem nosso país e nossas cidades, no exercício de uma política em que não se vise os próprios interesses, a fim de que o povo tenha uma vida plena e feliz, com direitos sociais assegurados (alimentação, moradia, saúde, educação, cultura e lazer).

 

Iluminados por esta Luz não permitiremos que morra a esperança de que dias melhores haveremos de ver nascer, solidificando e nutrindo nossa fé com o Pão da Palavra e da Eucaristia, alimentos indispensáveis para os que se põem a caminho com Aquele que é o próprio Caminho, Verdade e Vida, Jesus, a fonte inesgotável de amor que vem ao nosso encontro em cada momento, num Natal que não se reduz a um acontecimento que ficou escrito na página da história.

 

O Natal do Senhor é um fato que acontece todos os dias, quando, conduzidos por Deus, permitimos que Ele entre em nossa história, e assim, na plena comunhão com Seu Amado Filho, pelo qual tudo foi criado e reconciliado, também somos assistidos e conduzidos com novo ardor, porque inflamados pelo Fogo do Seu Santo Espírito. 

 

Tendo celebrado o Natal, renasceu a alegria e a coragem para sermos incansáveis e alegres discípulos missionários do Senhor, anunciando e testemunhando Aquele que dá sentido ao nosso existir, porque nos ama, nos acompanha e nos concede a verdadeira e plena vida, alegria e paz e quanto mais necessitarmos, e vivemos a graça do batismo, como peregrinos da esperança.

 

Peregrinar na esperança na fidelidade ao Amor de Deus

 


Peregrinar na esperança na fidelidade ao Amor de Deus

 

Com a passagem da primeira Carta de São João (1Jo 4,7-10), contemplamos a face de Deus, o ser de Deus – “Deus é Amor”; portanto, a comunidade precisa deixar-se envolver pelo amor, que é a essência de Deus: um amor incondicional, gratuito, desinteressado, radical e total.

 

O amor a ser vivido não é algo secundário, é o absolutamente essencial na vida cristã e deve transparecer em gestos, no dia a dia, na fecunda expressão da comunhão com Deus.

 

Os discípulos, portanto, vivem no amor que os faz homens novos; empenham-se pela libertação própria e do outro. 


São, por natureza, alegres e entusiasmados. É preciso que nos sintamos amados por Deus, que é a fonte inesgotável de Amor, como discípulos missionários, amigos de Jesus.

 

Quando amamos e guardamos o Mandamento de Deus, Ele permanece em nós e nós n’Ele, e toda a comunidade é convidada a viver o essencial: o Mandamento do Amor; constituindo-se como a comunidade do amor e que vive do amor, anunciando, dialogando, servindo e testemunhando a Salvação de Deus que se destina a todos os povos.

 

Sentir-se por Deus amado para amar, e tão somente comunicaremos o Amor de Deus se nos sentirmos por Ele amados.

 

A caridade vivida, dia após dia, aceitando e enfrentando as contradições da vida, com a determinação de superação, conscientes de que somente o amor está em condições de dar sentido e significado a cada fato, a cada momento.

 

Deste modo, a comunidade deve ter um rosto, deve ser como um "cartaz vivo" do Amor de Deus, um amor em sua expressão máxima: o amor de Cruz, da Cruz, pela Cruz, na Cruz.

 

Muito mais que uma humanidade que anseia por Deus, é Deus que anseia pela humanidade, em compaixão, Se encontrando naquela Cruz. 


Não é a humanidade que procura e ama a Deus, mas é, antes, e desde sempre, Deus quem procura apaixonadamente a humanidade, vai ao seu encontro, descendo ao abismo da mansão dos mortos para nos resgatar. O Amor de Deus tudo suporta.

 

Reflitamos:

- Vivenciamos o amor incondicional, gratuito, desinteressado, comprometido e solidário para com o próximo?

 

- Sentimos a presença de Deus em nosso meio?

- Levamos a sério o Mandamento do Amor?

 

- Sentimo-nos amigos de Jesus?

- Qual é a verdade de nossa alegria, entusiasmo e paixão pelo Senhor e o Reino por Ele inaugurado?

 

- Estamos comprometidos com a busca e a construção de um mundo novo?

- Somos uma comunidade que testemunha e faz transparecer o Amor de Deus?

 

Peregrinar na esperança e viver o Mandamento do Amor, o Amor pela Fonte de Amor, Jesus, que em Amor incondicional, incrível, extremo, não fugiu da Cruz (doação, entrega, fidelidade, redenção...), a mais bela de todas as lições que devemos aprender, permanentemente. 




 

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG