sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

MENSAGEM DO SANTO PADRE LEÃO XIV PARA O LIX DIA MUNDIAL DA PAZ - 1 DE JANEIRO DE 2026 (síntese)

 


MENSAGEM DO SANTO PADRE LEÃO XIV PARA O  LIX DIA MUNDIAL DA PAZ - 1 DE JANEIRO DE 2026 (síntese)

A Mensagem tem como título “A paz esteja com todos vós. Rumo a uma paz desarmada e desarmante” e tem como motivação bíblica a passagem do Evangelho de João em que Jesus Ressuscitado saúda os seus discípulos na noite de Páscoa - “A paz esteja convosco!” ( Jo 20, 19.21):

“Do mesmo modo que, na noite de Páscoa, Jesus entrou no lugar onde se encontravam os discípulos assustados e desanimados, assim a paz de Cristo ressuscitado continua a atravessar portas e barreiras com as vozes e os rostos das suas testemunhas. É o dom que permite não esquecer o bem, reconhecê-lo como vencedor, escolhê-lo novamente e juntos.”

Na introdução, ao citar o Papa Francisco, nos fala da importância da promoção da paz do Cristo Ressuscitado, sobretudo se considerarmos o contexto atual: “O Ressuscitado introduziu-nos neste horizonte. É neste sentir que vivem os promotores da paz que, no drama daquilo que o Papa Francisco definiu como “terceira guerra mundial em pedaços”, ainda resistem à contaminação das trevas, como sentinelas na noite”.

A paz, afirma o papa, tem o sopro da eternidade: “enquanto ao mal se ordena ‘basta’, a paz se suplica para sempre’.

Urge uma paz desarmada, como é a paz de Jesus Ressuscitado, porque desarmada foi a Sua luta, dentro de precisas circunstâncias históricas, políticas e sociais.

Esta urgência é fundamental, sobretudo se considerarmos que “... ao longo de 2024, as despesas militares a nível mundial aumentaram 9,4% em relação ao ano anterior, confirmando a tendência ininterrupta dos últimos dez anos e atingindo o valor de 2,72 biliões de dólares, ou seja, 2,5% do PIB mundial.”

O cenário, afirma o Papa é de uma espiral de destruição sem precedentes, que compromete o humanismo jurídico e filosófico do qual qualquer civilização depende e pelo qual é protegida.

Também nos alerta para os recentes avanços tecnológicos e a aplicação das inteligências artificiais no âmbito militar que radicalizaram a tragédia dos conflitos armados – “Está-se a delinear até mesmo um processo de desresponsabilização dos líderes políticos e militares devido ao crescente “delegar” às máquinas as decisões relativas à vida e à morte das pessoas...”

Deste modo, reitera o apelo dos padres conciliares, acenando para o diálogo como a via mais eficaz em todos os níveis.

Urge uma paz desarmante e a bondade é desarmante, afirma o Papa, com o necessário desarmamento integral, desde há muito proclamado pelo Magistério da Igreja

 Afirma, portanto, que com ação, é mais do que nunca necessário cultivar a oração, a espiritualidade, o diálogo ecumênico e inter-religioso como caminhos de paz e linguagens de encontro entre tradições e culturas; de tal modo que, cada comunidade se torne uma “casa de paz”, onde se aprende a neutralizar a hostilidade através do diálogo, onde se pratica a justiça e se conserva o perdão.

Mais do que nunca é preciso promover a paz que não é uma utopia, através de uma criatividade pastoral atenta e generativa, completa o Papa.

Acena para o caminho desarmante da diplomacia, da mediação, do direito internacional, infelizmente contrariado por violações cada vez mais frequentes de acordos alcançados com grande esforço, num contexto que exigiria não a deslegitimação, mas sim o fortalecimento das instituições supranacionais.

Conclui exortando que, como um dos frutos do Jubileu da Esperança, nos redescubramos como peregrinos, com o necessário desarmamento do coração, da mente e da vida, certos de que Deus não tardará em responder, cumprindo as Suas promessas:

«Ele julgará as nações, e dará as suas leis a muitos povos, os quais transformarão as suas espadas em relhas de arados, e as suas lanças, em foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, e não se adestrarão mais para a guerra. Vinde, Casa de Jacob! Caminhemos à luz do Senhor» (Is 2, 4-5).

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