MENSAGEM DO SANTO PADRE
LEÃO XIV PARA O LIX DIA
MUNDIAL DA PAZ - 1 DE JANEIRO DE 2026 (síntese)
A Mensagem tem como título “A paz esteja com todos vós.
Rumo a uma paz desarmada e desarmante” e tem como motivação bíblica a
passagem do Evangelho de João em que Jesus Ressuscitado saúda os seus
discípulos na noite de Páscoa - “A paz esteja convosco!” ( Jo 20,
19.21):
“Do mesmo modo que, na noite de Páscoa, Jesus entrou no lugar
onde se encontravam os discípulos assustados e desanimados, assim a paz de
Cristo ressuscitado continua a atravessar portas e barreiras com as vozes e os
rostos das suas testemunhas. É o dom que permite não esquecer o bem,
reconhecê-lo como vencedor, escolhê-lo novamente e juntos.”
Na introdução, ao citar o Papa Francisco, nos fala da
importância da promoção da paz do Cristo Ressuscitado, sobretudo se
considerarmos o contexto atual: “O Ressuscitado introduziu-nos neste
horizonte. É neste sentir que vivem os promotores da paz que, no drama daquilo
que o Papa Francisco definiu como “terceira guerra mundial em pedaços”, ainda
resistem à contaminação das trevas, como sentinelas na noite”.
A paz, afirma o papa, tem o sopro da eternidade: “enquanto
ao mal se ordena ‘basta’, a paz se suplica para sempre’.
Urge uma paz desarmada, como é a paz de Jesus Ressuscitado,
porque desarmada foi a Sua luta, dentro de precisas circunstâncias históricas,
políticas e sociais.
Esta urgência é fundamental, sobretudo se considerarmos que
“... ao longo de 2024, as despesas militares a nível mundial aumentaram 9,4%
em relação ao ano anterior, confirmando a tendência ininterrupta dos últimos
dez anos e atingindo o valor de 2,72 biliões de dólares, ou seja, 2,5% do PIB
mundial.”
O cenário, afirma o Papa é de uma espiral de destruição
sem precedentes, que compromete o humanismo jurídico e filosófico do qual
qualquer civilização depende e pelo qual é protegida.
Também nos alerta para os recentes avanços tecnológicos e a
aplicação das inteligências artificiais no âmbito militar que radicalizaram a
tragédia dos conflitos armados – “Está-se a delinear até mesmo um processo
de desresponsabilização dos líderes políticos e militares devido ao crescente
“delegar” às máquinas as decisões relativas à vida e à morte das pessoas...”
Deste modo, reitera o apelo dos padres conciliares, acenando
para o diálogo como a via mais eficaz em todos os níveis.
Urge uma paz desarmante e a bondade é desarmante, afirma o
Papa, com o necessário desarmamento integral, desde há muito proclamado pelo
Magistério da Igreja
Afirma, portanto, que
com ação, é mais do que nunca necessário cultivar a oração, a espiritualidade,
o diálogo ecumênico e inter-religioso como caminhos de paz e linguagens de
encontro entre tradições e culturas; de tal modo que, cada comunidade se torne
uma “casa de paz”, onde se aprende a neutralizar a hostilidade através do
diálogo, onde se pratica a justiça e se conserva o perdão.
Mais do que nunca é preciso promover a paz que não é uma
utopia, através de uma criatividade pastoral atenta e generativa, completa o
Papa.
Acena para o caminho desarmante da diplomacia, da mediação,
do direito internacional, infelizmente contrariado por violações cada vez mais
frequentes de acordos alcançados com grande esforço, num contexto que exigiria
não a deslegitimação, mas sim o fortalecimento das instituições supranacionais.
Conclui exortando que, como um dos frutos do Jubileu
da Esperança, nos redescubramos como peregrinos, com o necessário desarmamento
do coração, da mente e da vida, certos de que Deus não tardará em responder,
cumprindo as Suas promessas:
«Ele julgará as nações, e dará as suas leis a
muitos povos, os quais transformarão as suas espadas em relhas de arados, e as
suas lanças, em foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, e não se
adestrarão mais para a guerra. Vinde, Casa de Jacob! Caminhemos à luz do
Senhor» (Is 2, 4-5).


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