Jesus
Cristo, sumo-sacerdote de nossa propiciação
“Meus filhinhos,
escrevo isto para que não pequeis. No entanto, se alguém pecar, temos junto do
Pai um Defensor: Jesus Cristo, o Justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos
pecados” (1Jo
2,1-2).
Sejamos
enriquecidos por uma das homilias escritas pelo presbítero Orígenes (Séc. III),
sobre o Livro do Levítico:
“Uma
vez por ano o sumo sacerdote, afastando-se do povo, entra no lugar onde estão o
propiciatório, os querubins, a arca da aliança e o altar do incenso; ninguém
pode entrar aí, exceto o sumo sacerdote. Mas consideremos o nosso verdadeiro
sumo sacerdote, o Senhor Jesus Cristo.
Tendo
assumido a natureza humana, ele estava o ano todo com o povo – aquele ano do
qual Ele mesmo disse: O Senhor enviou-me
para anunciar a boa-nova aos pobres; proclamar um ano da graça do Senhor e o
dia do perdão (cf. Lc 4,18.19) – e uma só vez durante esse ano, no dia da
expiação, Ele entrou no santuário, isto é, penetrou nos céus, depois de cumprir
Sua missão redentora, e permanece diante do Pai, para torná-Lo propício ao
gênero humano e interceder por todos os que n’Ele creem.
Conhecendo
esta propiciação que reconcilia os homens com o Pai, diz o apóstolo João: Meus filhinhos, escrevo isto para que não
pequeis. No entanto, se alguém pecar, temos junto do Pai um Defensor: Jesus
Cristo, o Justo. Ele é a vítima de expiação pelos nossos pecados (1Jo
2,1-2).
Paulo
lembra igualmente esta propiciação, ao falar de Cristo: Deus O destinou a ser, por Seu próprio sangue, instrumento de expiação
mediante a realidade da fé (Rm 3,25). Por isso, o dia da expiação continua
para nós até o fim do mundo.
Diz
a palavra divina: Na presença do Senhor
porá o incenso sobre o fogo, de modo que a nuvem de incenso cubra o
propiciatório que está sobre a arca da aliança; assim não morrerá. Em seguida,
pegará um pouco do sangue do bezerro, e com o dedo, aspergirá o lado oriental
do propiciatório (cf. Lv 16,13-14).
Ensinou
assim aos antigos como havia de ser celebrado o rito de propiciação, oferecido
a Deus em favor dos homens. Tu, porém, que te aproximaste de Cristo, o
verdadeiro sumo sacerdote que, com o Seu sangue, tornou Deus propício para
contigo e te reconciliou com o Pai, não fixes tua atenção no sangue das vítimas
antigas.
Procura
antes conhecer o sangue do Verbo e ouve o que Ele mesmo te diz: Isto é o meu sangue, que será derramado por
vós, para remissão dos pecados (cf. Mt 26,28).
Também
a aspersão para o lado do oriente tem o seu significado. Do oriente nos vem a
propiciação. É de lá que vem aquele homem cujo nome é Oriente e que foi
constituído mediador entre Deus e os homens.
Por
esse motivo és convidado a olhar sempre para o oriente, de onde nasce para ti o
Sol da justiça, de onde a luz se levanta sobre ti, para que nunca andes nas
trevas, nem te surpreenda nas trevas o último dia; a fim de que a noite e a
escuridão da ignorância não caiam sorrateiramente sobre ti, mas vivas sempre na
luz da sabedoria, no pleno dia da fé e no fulgor da caridade e da paz.” (1)
Cremos
que a propiciação é o sacrifício de
Jesus Cristo que, através de Sua morte na cruz, nos alcançou o perdão e a reconciliação entre a humanidade e
Deus.
De
fato, por meio de Jesus, fomos reconciliados, restaurados, para uma vida nova,
que começa no dia de nosso batismo.
Seja
o Tempo da Quaresma, tempo favorável para nos configuramos cada vez mais a
Jesus Cristo, no mistério de Sua Paixão e Morte, para com júbilo, celebrarmos a
Páscoa do Senhor.
Concluo
com as palavras do Apóstolo Paulo:
-
“Alegro-me nos sofrimentos que tenho suportado por vós e completo o que na
minha carne falta ás tribulações de Cristo, em favor do Seu Corpo que é a
Igreja” (Cl 1,24).
-
“Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus” (Fl 2,5).
(1)
Liturgia das Horas – Volume Quaresma/Páscoa – Editora Paulus - pág.
255-256
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