segunda-feira, 31 de março de 2025

Redescobrir o rosto de Deus

                                                          

Redescobrir o rosto de Deus

A Liturgia da segunda-feira da quarta semana da Quaresma nos apresenta a passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 65,17-21); Salmo 29, 3-6.11-13 e a passagem do Evangelho de João (Jo 4,43-54).

Somos convidados a redescobrir o rosto de Deus, que age em favor da humanidade, curando, restaurando, recriando novas expectativas, não obstante as dificuldades, provações, inquietações por que possamos passar.

Esta face divina, podemos também encontrar no Livro da Sabedoria (Sb 13,1-9), e sobre esta passagem sejamos enriquecidos pelo comentário do Missal  Cotidiano:

“As conquistas da ciência, servindo-se das leis que regulam a criação, determinaram um vertiginoso progresso, que levou o homem a sentir-se autossuficiente, dono do próprio destino, a ponto de proclamar a ‘morte de Deus’.

Os fetiches pagãos de outrora, o ar, a água, o fogo, ‘considerados deuses’ (v.3), foram substituídos pela ciência, técnica e o progresso. Vieram depois as amargas autocríticas dos cientistas, as denúncias de ‘morte do homem’ feitas pelos filósofos e a desorientação do homem contemporâneo.

‘Ao recusar frequentemente reconhecer Deus como seu princípio, o homem rompe a ordem que o orientava para o seu fim último e, ao mesmo tempo, quebra toda a harmonia, quer em relação a si mesmo, quer em relação aos outros homens e a toda a criação’ (GS 13). Para retomar o rumo certo, é preciso redescobrir Deus.”

É preciso construir um futuro sem prescindir de Deus, pois qualquer tentativa de construção, qualquer projeto sem Deus volta-se, inevitavelmente contra o próprio homem. De fato, “é preciso redescobrir Deus”.

Na Encíclica Fé e Razão, do Papa São João Paulo II, vemos a relação inseparável e necessária entre ambas.

Deste modo, as ciências humanas e divinas são degraus para chegarmos até o Absoluto de nossas vidas: Deus.

É preciso avançar no conhecimento, nas conquistas das ciências, mas sem se curvar aos novos fetiches ou ídolos.

Precisamos da ciência, da técnica e do progresso. Não há lugar para discursos retrógrados e negacionistas, mas também não podemos nos curvar aos discursos do indiferentismo religioso.

A procura do saber e a inquietação pelo saber, jamais se contrapõem à busca da sabedoria maior e necessária, a Sabedoria do Espírito, a Sabedoria Divina.

Colocando-nos diante de Deus como criaturas, voltamo-nos para o  Criador e procuramos descobrir, mergulhar nos mistérios mais profundos do próprio homem, onde Deus habita, e assim redescobrir Sua divina face de amor e presença na história.

Oremos:

Ó Deus, ajudai-nos a redescobrir Vossa face Misericordiosa, na fidelidade ao Vosso Filho, na plena comunhão com o Espírito Santo, como membros de Vossa Igreja que somos, a serviço do Vosso Reino de amor, verdade, justiça, liberdade e paz.

Ajudai-nos a redescobrir Vossa ação surpreendente, que realiza maravilhas, suscitando em nós exultação e alegria, porque sois um Deus vivo, criador e cheio de novidades, sempre tomando iniciativas para nos conduzir a uma vida plena e feliz.

Ajudai-nos a construir uma identidade cristã, que nos faça cada vez mais humanos e autênticos, sendo no mundo testemunhas de Vossa luz e salvação, ancorados e sustentados pela Vossa Palavra e pelos Sacramentos, que nos revelam e comunicam Vosso amor e presença.

Ajudai-nos a mergulhar em Vossos planos, que não podem ser contidos em nossos esquemas mentais rígidos, empobrecidos pela mesquinhez de nossos corações, nas angústias de nossos estreitos horizontes, porque movidos por valores e sentimentos que não são os Vossos.

Ajudai-nos no aprendizado do diálogo convosco, para pensarmos e agirmos em sintonia com Vossos desígnios, tendo elevados e purificados nossos desejos, tornando-os semelhantes aos Vossos, e assim trilharmos o caminho de santidade, para sermos santos como Vós sois Santo.

Ajudai-nos a firmar nossos passos nesta caminhada quaresmal, num êxodo em direção à Páscoa, o transbordamento da alegria, mas antes precedido pelo fortalecimento da fé, revigoramento da esperança, e o reavivamento da chama do amor acesa em nosso coração.

Ajudai-nos a viver intensamente este tempo de graça e salvação, para que exultemos pela novidade Pascal, a Ressurreição do Vosso Filho, que tendo nos amado, amou-nos até o fim, esperando Sua vinda gloriosa, com a realização da plenitude da alegria, no fim dos tempos.

Por fim, ó Deus, ajudai-nos a redescobrir que sois um Deus verdadeiramente surpreendente, e infinitamente maior do que o nosso coração, (1 Jo 3,20), rico em misericórdia, assim como nos revelou Vosso Amado Filho, na plena comunhão de Amor, com o Vosso Santo Espírito. Amém. 



PS: GS - Gaudium et Spes - Vaticano II

Nenhum comentário:

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG