A autenticidade de nossas orações
À luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 18,9-14), sobre a Parábola do publicano e do fariseu no templo, professemos nossa fé:
Cremos hoje com todo o coração, e professamos com toda a força, que Deus nos ama, não obstante sejamos pecadores.
Cremos e aprendemos com o publicano: “... o remorso o afastava, mas a piedade o aproximava; o remorso o rebaixava; mas a esperança o elevava” (cf. Santo Agostinho).
Cremos e aprendemos com o publicano e fariseu da Parábola: que, se publicano formos, nos encontramos ao relento precisando da acolhida divina; se fariseus, sentimo-nos seguros, paradoxalmente, em nossa casa construída sobre a areia.
Cremos, portanto, “que somos aqueles dois homens; um e outro ao mesmo tempo, porque, como o publicano, somos realmente pecadores e, como o fariseu, nos julgamos justos”.
Cremos que toda forma de injustiça que possamos praticar são pecados da paixão que nos desvia; assim como toda falsa justiça, é expressão de orgulho próprio, que nos afasta do amor de Deus.
Cremos que Deus nos justifica gratuitamente em Jesus Cristo, Seu Filho, para que demos a Ele, que morreu e ressuscitou por todos nós toda a honra e glória.
Cremos que, assim como Deus nos Deus Seu Filho, jamais nos negará o que for necessário para coroarmos na glória esta aventura maravilhosa da Salvação, em que nos inserimos dia pós dia.
Cremos que a Deus agradam nossas boas obras, feitas para responder ao Seu infinito amor, e por isto, coloca em nossas mãos os dons necessários, como se fossem méritos nossos, embora não o seja de fato.
Cremos na lógica do amor que Jesus nos ensinou, e assim devemos amar, porque antes fomos amados:– “Mas amamos, porque Deus nos amou primeiro” (1 Jo 4,19).
Cremos que é muito mais difícil manter vivas as verdades que nos movem, do que tê-las descoberto no caminhar da fé.
Cremos, portanto, que a autenticidade da fé se dá quando ela se une à caridade e faz nascer o rebento da esperança, florescendo e frutificando novos tempos, novas linhas, nova história.
Cremos que o “sim” neste testemunho da fé, é verdadeiro e profundo, e não se dá sem sofrimento e por vezes a fadiga, por isto precisamos ao Senhor recorrer, quando cansados e fadigados, pois Ele é manso e humilde de coração, e assim nos convidou a sermos.
Cremos que precisamos nos tornar humildes e pequenos como crianças diante de todo este Mistério, e dizer: “Sim ó Pai, porque foi do Teu agrado!”. Amém.
PS: Livre adaptação da reflexão do Frei Raniero Cantalamessa em “O Verbo Se faz Carne” - Editora Ave Maria – 2013 - pp.760-766
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