terça-feira, 12 de maio de 2026

Mães nos dão suporte e segurança (Mãe)

                                                   


 

Mães nos dão suporte e segurança


Diante do altar, um vaso com belas flores,
E era que se podia ver, porque notável,
Mas havia algo que quase imperceptível:
 
Com o olhar poético, contemplei os pés dos vasos.
Um deles, era uma pedra suporte
Dando ao vaso equilíbrio e sustentação.
 
A pedra silenciosa e ocultamente ali, diante dos olhares,
Assim acontece, por vezes, com nossas mães:
No cotidiano, imperceptíveis, e silenciosas...
 
Nos garante em muitos momentos e situações
Equilíbrio e sustentação de nossos sonhos e projetos,
E de seus lábios ouvimos: “coragem, você vai conseguir”.
 
Naquela manhã, quando parecia eternizar um problema,
Que pareceria para sempre um imenso pesadelo,
Dela ouvimos: “o pesadelo há de passar, não deixe de sonhar.”
 
E em tantos outros momentos em nossa vida,
Ali se encontra, se reinventando e dando suporte,
Porque, muitas vezes, como vasos sem os pés nos sentimos.
 
Ser mãe, no silêncio, oculta aos olhares,
Mas com o olhar que não se fecha,
Às angústias e dores de um filho.
 
Mãe é como uma “pedra que dá suporte”
A um vaso quebrado, que por vezes o somos,
Ali sempre presente, nosso carinho e gratidão. Amém. 

Fortaleçamos os vínculos da comunhão fraterna

                                     


Fortaleçamos os vínculos da comunhão fraterna

Sejamos enriquecidos pelo Comentário sobre o Evangelho de João, escrito pelo bispo São Cirilo de Alexandria (Séc. V):

“Cada vez que participamos do Corpo Sagrado de Cristo, unimo-nos a Ele corporalmente, como afirma São Paulo ao falar do mistério do amor misericordioso de Deus: Este mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo (Ef 3,5-6).

Ora, se todos nós formamos um só corpo em Cristo, não apenas uns com os outros, mas também com Aquele que habita em nós pela Sua carne, por que não vivemos plenamente esta união existente entre nós e com Cristo? Com efeito, Cristo é o vínculo da unidade, por ser ao mesmo tempo Deus e homem.

Seguindo o mesmo caminho, podemos falar da nossa união espiritual, afirmando que todos nós, ao recebermos o único e mesmo Espírito Santo, nos unimos uns com os outros e com Deus. Embora estejamos separados, somos muitos e, em cada um de nós, Cristo faz habitar o Espírito do Pai que é também o Seu.

Todavia, o Espírito é um só e indivisível e, com a Sua presença e ação, reúne os que individualmente são distintos uns dos outros, fazendo com que em Si mesmo todos sejam um só. Assim como a virtude do Corpo Sagrado de Cristo transforma num só corpo os que d’Ele participam, parece-me que o único e indivisível Espírito de Deus, habitando em cada um, vincula a todos numa unidade espiritual.

Por isso, novamente São Paulo se dirige a nós: Suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor. Aplicai-vos em guardar a unidade do espírito pelo vínculo da paz. Há um só Corpo e um só Espírito, como também é uma só a esperança à qual fostes chamados. Há uma só fé, um só Senhor, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos (Ef 4,2-6).

Se efetivamente é um só Espírito que habita em nós, também o único Deus e Pai de todos estará em nós por Seu Filho, unindo entre Si e consigo todos os que participam do mesmo Espírito.

Desde agora, torna-se evidente que, de alguma maneira, estamos unidos ao Espírito Santo por participação. De fato, se de uma vez por todas abandonamos a vida puramente natural e obedecemos às leis do espírito, é claro que, deixando de lado a nossa vida anterior e unindo-nos ao Espírito Santo, adquirimos uma configuração espiritual e, até certo ponto, transformamos em outra a nossa natureza. Assim já não somos simplesmente homens, mas filhos de Deus e habitantes do céu, pelo fato de nos termos tornado participantes da natureza divina.

Todos, portanto, somos um só no Pai, no Filho e no Espírito Santo. Um só, repito, pela identidade de condição, um só pela união da caridade, pela comunhão do Corpo Sagrado de Cristo e pela participação do único Espírito Santo.” (1)

Como vemos, o bispo nos apresenta Jesus Cristo, o vínculo da unidade: no Pai e no Espírito, com Jesus Cristo, somos um só, e esta união da caridade, nós a celebramos e nutrimos ao celebrar a Ceia Eucarística, e nos alimentamos com o Corpo Sagrado de Cristo, pela participação do único Espírito Santo.

Como Igreja Sinodal, urge que fortaleçamos os vínculos de comunhão fraterna, expressos em gestos de solidariedade e compromissos com a vida, em suas realidades mais desafiadoras, sobretudo onde a vida se encontre ameaçada.

Que ao verem nossas comunidades reunidas e evangelizando, todos possam dizer – “Vede como eles se amam”:

“Mas é justamente esta demonstração de grande amor entre nós o que nos atrai a aversão de alguns, pois dizem: ‘Vede como se amam’, enquanto eles somente se odeiam entre si. ‘Vede como estão dispostos a morrer uns pelos outros’, enquanto eles estão mais dispostos a matarem-se entre si.” (Tertuliano – séc. III).

 

(1) Liturgia das Horas - Volume II - Quaresma/Páscoa – p. 800-802

O Advento do Paráclito

                                   

O Advento do Paráclito

A poucos dias de celebrarmos a Festa de Pentecostes, vivemos como que “um breve de Advento”, como tão bem afirmou o Pe. Raniero Cantalamessa.

A partir do VI Domingo da Páscoa, “a atenção se desloca de Cristo ao Espírito Santo, do Ressuscitado ao Seu dom.

Começa uma espécie de pequeno Advento, em preparação a Pentecostes. A vida de Cristo foi preparada, durante séculos, pelo anúncio dos Profetas e apontada por João Batista; aquela do Espírito Santo foi anunciada pela promessa de Jesus, foi o mesmo Jesus, por assim dizer, o precursor do Paráclito. 

‘Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Paráclito, para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade...’” (Jo  14,15-21) (1)

As passagens do Evangelho proclamadas nestes dias têm nos levado a esta grande preparação para a acolhida do Espírito Santo, que ilumina, enriquece a Igreja com seus dons, conduz e fortalece...

Jesus fala que mais um pouco de tempo e os discípulos não O veriam, exatamente porque o Mistério da Cruz se fazia próximo, e com ele, a morte e a absurda dor da separação e do vazio que experimentariam.

Mas Ele advertiu que mais um pouco, eles O veriam de novo, ou seja, todos os que acreditam fariam a experiência do Ressuscitado que se tornariam fundamental para a continuidade da missão.

Deste modo viveriam sempre na Sua suave e desejável presença, e a tristeza da separação daria, àqueles que têm fé, lugar a uma alegria que jamais o mundo poderia tirar.

Mas, Jesus sabia que por causa dos que não acreditam, e também pelos próprios pecados da condição humana dos seguidores, deveriam passar por diversas tribulações, no entanto, por piores que sejam elas não podem vencer quem crê verdadeiramente.

Como Igreja, continuemos esta preparação, para que o Fogo do Espírito derramado em Pentecostes sobre os discípulos reunidos, seja também derramado sobre nós, e sejamos no mundo alegres discípulos missionários do Senhor, como tão bem nos exortou o Papa Francisco (cf. “Evangelii Gaudium”). 


(1) O Verbo Se fez carne – Pe. Raniero Cantalamessa - Editora Ave Maria - 2013  

Em poucas palavras...

                                     


Conduta clara, franca e serena

“A conduta clara, franca e serena dos verdadeiros discípulos do Evangelho abre fendas de dúvida na indiferença de quem vive no ateísmo prático e na superficialidade.

Exatamente por estas aberturas é que entra a fé, a um só tempo tranquilizadora e inquietante.” (1)

 

(1)          Comentário da passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos (At  16,22-34) - Missal Cotidiano  Editora Paulus -  p.452

“Fica conosco, Senhor, suplicamos...”

                                      

                  

“Fica conosco, Senhor, suplicamos...”
 
Na Liturgia das Horas, encontramos esta oração nas Vésperas, que nos remete ao Evangelho de Lucas (Lc 24, 13-35), que podemos repetir em cada entardecer, certos de que a noite cai lentamente, cede lugar ao anoitecer; como o sol poente cederá lugar à lua, em suas fases naturais:
 
“Ficai conosco, Senhor Jesus, porque a tarde cai e, sendo nosso companheiro na estrada, aquecei-nos os corações e reanimai nossa esperança, para Vos reconhecermos com os irmãos nas Escrituras e no partir do Pão. Vós, que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo”. (1)
 

Oremos:
 
Fica conosco, Senhor, e ao participarmos da Tua Mesa,  e na partilha do Pão da Eucaristia, reconheçamos Tua real presença, como os discípulos que Te reconheceram ao partir o Pão, e os olhos foram abertos.
 
Fica conosco, Senhor, e jamais nosso coração seja endurecido e tardio para entender o Mistério de Tua Paixão, Morte e Ressurreição; e que a Tua Palavra nos ilumine e faça arder nosso coração.

 
Fica conosco, Senhor, sobretudo para que solidifiquemos nossa amizade e intimidade contigo, de modo especialíssimo ao participarmos da Ceia da Eucaristia.

 
Fica conosco, Senhor, em todos os momentos, favoráveis ou adversos, obscuros ou luminosos, opacos ou radiantes de luz, alegres ou tristes, angustiados ou cheios de esperança.

 
Fica conosco, Senhor, fortaleça nossa fé, reanima nossa esperança e inflama nossos corações, na mais pura e desejável caridade para com o nosso próximo.

 
Fica conosco, Senhor, pois és nosso “companheiro na estrada”, companheiro de viagem, sobretudo quando passarmos por vales tenebrosos e montanhas de dificuldades.

 
Fica conosco, Senhor, na travessia de desertos áridos da existência, a fim de que vençamos as tentações (ter, poder e ser), porque, contigo, mais que vencedores o somos.

 
Fica conosco, Senhor, a Ti nos dirigimos confiantes, pois Tu vives e Reinas com o Teu Pai, na comunhão com o Espírito Santo, na mais perfeita comunhão de amor.  Amém. 

 

(1)   Oração das Vésperas- Liturgia das Horas (cf Lc 24,13-35)

Vive e caminha conosco, quem tanto amamos

                                              


         Vive e caminha conosco, quem tanto amamos
 
Voltávamos, trocando passos lentos com a solidão,
Cabisbaixos, abraçados com a dor da decepção.
Em quem depositávamos toda a nossa esperança,
No corpo cravado na cruz, pelas dolorosas chagas,
com Ele, para sempre mortas, nada mais a esperar.
 
Restava-nos esperar dias e noites - eternas noites escuras,
Ainda que o sol nascesse, não mais luzes teríamos,
No caminho pedras, obstáculos, fragilidade eternizada,
Tampouco o brilho da lua tornaria encantada a noite,
Nem com o brilho de todas as estrelas multiplicadas.
 
Mas Alguém conosco se pôs a caminho,
Suportando a lentidão de nossa mente,
Para compreender a novidade da Ressurreição.
Suas divinas palavras, arderam em nosso coração,
Nossos olhos descerraram no partir do Pão.
 
Solícito, atendeu ao nosso insistente convite:
“Fica conosco, pois já é tarde e o dia está declinando’!”(1)
Súplica que ora também fazemos, confiantes,
Peregrinos da esperança para viver a graça da missão:
Amar, crer, e n’Ele sempre esperar.
 
Amar, como distintivo de discípulos Seus em todo tempo.
Amar como Ele ama: amor de cruz, que ama até o fim,
Até a última gota de sangue, com gestos de  serviço e doação.
Compromissos batismais com a Boa Nova do Reino,
Como Igreja, juntos caminhando, sempre a caminho. 
 
Crer n’Ele, o Caminho, Verdade e Vida, (2)
Crer n’Ele, o Caminho que nos leva ao Pai;
Crer n’Ele, a Verdade que ilumina os povos;
Crer n’Ele, a Vida que renova o mundo.
Ele, princípio e fim de nossa vida: Alfa e Ômega. (3)
 
Esperar n’Ele e com Ele, com plena confiança,
Porque o amor de Deus foi derramado, pelo Espírito,
Em nossos corações, e a esperança não decepciona.
Memoráveis palavras do Apóstolo ressoem (4)
Para sempre ao longo do árduo caminho. Amém.
 
  
(1)             Lc 24,29
(2)             Jo 14,6
(3)             Ap 22,13
(4)             
Rm 5,5

Companheiros na travessia

                                                      

Companheiros na travessia

Todas as vezes que celebramos a Eucaristia, degustamos a Palavra, precedida por uma preparação, que se torna cada vez mais um imperativo no mundo pós-moderno, em procura da saciedade de amor, alegria, paz, luz.

A Liturgia da Palavra, inseparavelmente da Liturgia Eucarística, são imprescindíveis Mesas que nos revigoram, nos dão forças em nossas travessias, por vezes sombrias, obscuras em alguns momentos.

Viver, de fato, é uma grande travessia: 

“Tornar-se companheiro de viagem de cada homem, ser para cada homem ‘Sacramento ‘do Amor de Deus com os gestos, tal como com as palavras: é este o compromisso irrenunciável que as leituras de hoje colocam à nossa frente. 

Somos chamados a viver a responsabilidade de fazer da dupla Mesa do Pão e da Palavra o centro, o coração da vida, tornando-a disponível a quem quer que possamos encontrar: 

Somos chamados a tornar-nos companheiros de viagem, e, portanto, a tornar-nos dom, na missão que Deus nos confia, identificando-nos com essa missão sem querer nada para nós, e desaparecer nela e com ela; como o diácono Filipe, que cumpre a sua missão e logo é arrebatado pelo Espírito por ser destinado a outras missões.”  (1)

Nesta travessia, como companheiros de viagem, é fundamental que nos ajudemos reciprocamente com os dons que Deus nos concede a cada um:

“Nesta caminhada, tão profundamente humana, todos podemos descobrir-nos, companheiros de viagem e iluminar-nos reciprocamente com os dons que Deus concede a cada um” (2).

Deste modo:

Companheiros de viagem, haveremos de ser também,
Companheiros de viagem, também precisamos ter.

Companheiro é aquele que come o pão no mesmo prato;
Que partilha as alegrias, vitórias, conquistas,

Mas que também é solícito para compartilhar
Tristezas, derrotas, perdas, por vezes irreparáveis.

Que nos fala, com a palavra e com a vida,
Uma palavra, sobretudo uma Palavra Divina.

Que nos ajuda a firmar os passos na direção
De uma eternidade feliz, desde o tempo presente.

Que nos abre os olhos para o necessário,
Não permitindo que o medo nos cegue.

Que não faz média, pacto de mediocridade,
Sem conivência com o erro e a falta da verdade.

Que nos toma pelas mãos para adiante seguir,
Sem dar em nosso lugar os necessários passos.

Que sabe contar e cantar os sonhos que nos movem,
Porque de sonhos e cantos também vivemos.

Que nos ajuda a enfrentar os terríveis pesadelos,
Confiantes que não têm eles a última palavra.

Que compartilhe as dúvidas e incertezas do momento que vivemos,
Nas escolhas que haveremos de fazer, para maiores acertos.

Que nos ajuda a não trair os princípios de nossa fé,
Sobretudo os que se referem à dignidade e sacralidade da vida.

Companheiros que me ajudem a continuar esta reflexão,
Porque companheiros se enriquecem reciprocamente.

Companheiros de viagem, precisamos!
Companheiros de viagem, sejamos!

(1)     Lecionário Comentado – Volume Quaresma/Páscoa - Editora Paulus - p.470. 
(2)    Idem – Tempo Comum – Vol. II – p.476

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG