domingo, 3 de agosto de 2025

Com os Presbíteros, avancemos para águas mais profundas

Com os Presbíteros, avancemos para águas mais profundas

Em tempo de mudança de época, qual o modelo de Padre que precisamos?

Sem levar incorrer em rotulações, urge construirmos juntos um modelo de Padre que venha a responder aos inúmeros desafios e apelos que as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora do Brasil nos apresentam, para lançar, com a comunidade, as  redes em águas mais profundas; renovando a vocação batismal; sem fixar morada nas margens; superando toda tentação de acomodação e medo.

Vejamos alguns possíveis “modelos de Padres”, desenvolvendo seu ministério, no contexto de globalização em que vivemos.

Padre-pastor – talvez o mais comum; envolvido, intensamente, nas atividades pastorais; muito dedicado ao serviço da comunidade; mas esta generosidade tem seu risco ou limites.

São inúmeras as solicitações, atividades sociais, atendimento de casos pessoais, o abundante e rotineiro programa de Missas e celebrações dos Sacramentos. Não poucas vezes a consequência é o estresse, prejudicando o equilíbrio pessoal, físico, emocional e espiritual.

O cansaço muitas vezes o impedirá de dar, a devida, atenção aos seus fiéis, podendo cair na tentação de recusar tudo o que é novo, em nome do “não tenho tempo para mais nada”. Ativismo sem controle pode levar ao pouco estudo, oração, aprofundamento, perdendo assim a capacidade de escuta aos anseios e clamores que o cercam.

É preciso repartir as atividades pastorais, ministérios diversos, equipes de colaboradores, animadores de comunidades, equipes de liturgia, pastorais sociais...

Não podemos esquecer que o Padre tem o ministério da síntese, mas não é a síntese de todos os ministérios...

Padre “light” - aquele que ama a Igreja viva e serve aos seus irmãos e irmãs, cultivando honestamente a espiritualidade, a oração e o estudo; empenha-se no trabalho para superação das limitações e fraquezas; divide com o presbitério e comunidade suas riquezas, preocupações e projetos pessoais.

Tem um bom relacionamento com as pessoas, assumindo a causa dos pobres. Mas, falta algo mais, é uma pessoa dividida entre a coragem e o medo de arriscar-se para dentro do que escolheu e quer ser.

Não se trata de Padres em crise, frustrados e infelizes; fala-se do Padre comum, do “bom Padre”, que por causa das circunstâncias tensas e dos desafios da cultura urbana entra em “stress” espiritual, pastoral e psíquico.

Padre-midiático-carismático ou “pop star” - São aqueles que vêm ocupando os espaços nos areópagos modernos da mídia.

Como anunciar Cristo através dos meios de comunicação social, sobretudo através da TV, que penetra na quase totalidade das casas?

Como não trair a autêntica mensagem do Evangelho, sem cair em extremismos emocionais e espetáculos?

Segundo um grande teólogo, “a imagem pública desses presbíteros “pop star” deve mexer com a cabeça de muitos seminaristas e induzir à imitação.

Os próprios fiéis, fascinados por esse tipo de culto e de linguagem, vividos com alta intensidade emocional passam a cobrar dos outros presbíteros mudanças na maneira de celebrar e de se comunicar.”

O ministério presbiteral tradicional: Padres que se inspiram no sacerdócio antes do último Concílio, recuperando formas exteriores que marcaram esta experiência pré-Conciliar.

Buscam formas seguras e certas, diante das incertezas em que estão mergulhados. Caracterizaram-se como sujeitos frágeis; necessitados de certezas, num universo de inúmeras propostas e modelos em processo de contínua mudança, fechando-se a tudo o que se apresenta como novidade.

Com isto possuem dificuldades de relacionamento, com o consequente empobrecimento na Homilia, catequese, sem o sentido de colaboração e comunhão com o outro, sobretudo com o Presbitério.

Padre com competência profissional - Talvez o termo mais próximo fosse especialista em determinado campo específico, não somente pelo gosto pessoal, mas tendo em consideração as necessidades da Diocese, sem cair no subjetivismo, que empobreceria o sentido eclesial. 

É também necessário que o Padre, no exercício de seu Ministério, seja incansável no lançar da semente da Palavra Divina no chão do coração dos membros da comunidade que deve conduzir, para que tão somente assim todos solidifiquem a fé, renovem a esperança na prática irrevogável da caridade.

É sempre tempo favorável para rever o caminho feito, e todos colaborarmos mutuamente para que o Presbítero, na fidelidade a Jesus Cristo, o Bom Pastor, a Ele se configure mais perfeitamente.

Ser Padre - A Missão de ser Profeta e Poeta do Reino!

Ser Padre - A Missão de ser Profeta e Poeta do Reino!

Anos passados, no Encontro Presbiteral Regional Sul I, refletimos o seguinte tema: “Missionariedade e profetismo do Presbítero, na Igreja e no mundo, à luz do Concílio Vaticano II”.

Na ocasião, o Monsenhor Tarcisio Loro da Arquidiocese de São Paulo nos ajudou a compreender os desafios da cidade em tempo de pós-modernidade, fundamentalismo religioso e outras questões muito interessantes.

Voltamos às fontes bíblicas e dos Documentos da Igreja, sobretudo os Documentos do Vaticano II (que teve quatro grandes objetivos: a Igreja procurou tomar consciência de si mesma; a atual necessidade de renovação, restauração da unidade do rebanho; tratar da presença da Igreja no mundo moderno). Para que isto aconteça é preciso levar em conta seis pilares sustentadores da missão eclesial:

1 – Uma Igreja comunhão (eclesiologia de comunhão): É preciso construir a comunhão à luz do Mistério da comunhão da Santíssima Trindade, da Celebração Eucarística e da prática da Caridade.

2 – Igreja é uma realidade sempre em construção: A Igreja foi prefigurada desde o início da criação; fundada no tempo do Jesus histórico e termina de nascer em Pentecostes.

3 – Uma Igreja que se abre para o diálogo com o mundo e as religiõesNão é fechada em si mesma; está em relação com o mundo humano (família, política, trabalho, mídia, cultura, economia etc.). Ela assume as realidades terrestres: as alegrias e tristezas, as angústias e esperanças, pecado e graça...

4 – Igreja sacramento universal de salvação: A Igreja é sinal visível da graça invisível. Sinal de salvação por meio da santidade, em que os traços do justo sofredor e glorioso são expressos em seu rosto.

5 – Igreja povo missionário: A missão é própria do ser Igreja. Ela existe para evangelizar, continuar a missão de Jesus, o Servo Sofredor, o Justo Glorificado, Salvador da humanidade.

6 – Igreja a serviço de seus membros e de todos os seres humanos: Uma Igreja que se coloca a caminho a serviço das pessoas, até conduzi-las à participação da glória divina.

É neste contexto que podemos compreender a missão do Presbítero, como missionário e Profeta.

Como missionário, junto com o Povo de Deus, leva adiante a missão confiada por Jesus, não a serviço de si mesmo, mas, sobretudo a serviço dos pobres, na luta pela sua defesa; na busca da realização do Reino.

Num mundo marcado pelo pecado, pela desigualdade social, sofrimentos inumeráveis, desencanto e desalento, o Presbítero deve ser uma voz profética a denunciar e anunciar o mundo querido por Deus.

Como missão profética, ungido de Deus, unir o culto e a prática da justiça. A profecia é componente de sua missão, deve ser um poeta por excelência!

Um poeta que sonha, mas que não sonha só, porque é parte de um povo que a Deus se consagra. Como poeta escreve a poesia e o canto de um mundo novo, onde todos possam viver como irmãos e filhos de um mesmo Pai.

“Padre elementar”?

                                                                       

 “Padre elementar”?

Anos passados participeo do 13º Encontro Nacional de Presbíteros, com o tema “Celebrando e fortalecendo a comunhão presbiteral” e o lema: “Eu me consagro por eles” (Jo 17,19a).

Participaram Padres representantes das Dioceses de todo o Brasil, num grande momento de comunhão na diversidade, ao redor da Mesa da Palavra e da Eucaristia, com reflexões e aprofundamentos, permitindo a volta para as dioceses com preciosas reflexões que animam e fortalecem a vida ministerial.      
                
O texto preparatório, riquíssimo por sinal, fala da existência de um novo tipo de Padre: o Padre elementar (é exatamente esta a expressão usada). Em primeiro momento todos nos perguntamos: o que é um Padre elementar?

Se entendermos elementar como noção primária de qualquer forma de conhecimento, de fácil entendimento, o Padre elementar há de possuir uma conduta simples, de fácil identificação tendo sua vida marcada por Aquele que o chamou e a quem sua vida entregou: Jesus Cristo.

A vida do Padre deve ser de tal modo que Cristo seja gerado, formado e percebido em suas palavras, pensamentos, comportamentos, atitudes, compromissos, angústias e esperanças, alegrias e tristezas, que fazem parte do cotidiano. Esta deve ser a verdadeira identidade presbiteral na pós-modernidade! 

O texto base nos oferece algumas características fundamentais do Padre elementar:

 -   Não se apropria nem tira vantagens de ser possuidor de virtudes e dons extraordinários – tem consciência de que os dons e virtudes que possui são belos se colocados, de forma simples, em favor do povo sofrido;

 -  Tem o dom de “elementarizar” a fé no meio dos desacreditados e daqueles que não acreditam mais em si mesmos, ou seja, faz renascer a esperança no coração das pessoas;

 -   Possui o dom e a força de abraçar aquela parte da humanidade que o mundo competitivo considera descartável;

 -   Usa o bom senso movendo-se pela lei maior do Evangelho: a lei do amor, vínculo da perfeição;

 -   É teologicamente perspicaz, bem informado, inteiro e livre. Sabe ler os sinais dos tempos, conhece seu lugar social e sua missão. Com a comunidade abraça alegremente a missão, dentro e fora do âmbito da Igreja, sendo sal e luz;

 -   É livre no acolhimento e vivência de sua vocação na fidelidade ao Senhor e no serviço à Igreja, abraçando o celibato, a obediência e a pobreza sempre contando com a graça de Deus;

 -   Sua vida solidária o faz homem contemporâneo com o povo que carrega um fardo pesado e com todos que buscam um sentido de vida – é o homem da compaixão;

 -   Anda na contramão da cultura das conveniências, porque apaixonado pelo Reino que lhe confere uma espiritualidade com raízes vitalícias, pés fincados na realidade e asas inquebráveis, vivendo o Batismo e a vocação sacerdotal, como dom e graça divina.

Que Sacerdotes e comunidades sejam a mais pura expressão destas palavras: Mergulho nas profundidades divinas, voos mais altos nas asas do Espírito! Compromissos mais solidários e efetivos, somente assim se alcança santos objetivos!"

Presbítero: construtor de unidade e paz

 


Presbítero: construtor de unidade e paz

Reflexão à luz da Mensagem para o Dia Mundial pela Santificação do Clero, na qual o Papa Leão XIV exorta os padres a viverem o dom total de si mesmos no serviço ao povo santo, em resposta ao chamado que de Deus procedeu, de tal modo que sejam construtores de unidade e de paz, num mundo marcado por crescentes tensões, inclusive no seio das famílias e das comunidades eclesiais.

Nesta construção de unidade e paz, que os presbíteros sejam:

- Pastores capazes de discernimento;

- Hábeis na arte de compor os fragmentos de vida que lhes são confiados;

- Pessoas que ajudem as pessoas a encontrar a luz do Evangelho no meio das tribulações da existência;

- Leitores sábios da realidade, indo para além das emoções do momento, dos medos e das modas;

- Promotores de propostas pastorais que gerem e regenerem a fé, construindo boas relações, laços de solidariedade e comunidades, onde brilha o estilo da fraternidade;

- Servidores que jamais se imponham;

- Promotores da fraternidade sacerdotal para que tornem crível a presença do Senhor Ressuscitado entre nós;

- Plasmados pela graça, para manter o fogo do Espírito recebido no dia da Ordenação;

- Unidos ao Sagrado Coração de Jesus, para sagrados compromissos com a vida plena e feliz, na construção do Reino de amor e justiça;

- Peregrinos de esperança, para que seu ministério seja cada vez mais fecundo, enraizado na oração, no perdão, na proximidade com os pobres, as famílias e os jovens em busca da verdade.

Deste modo, é fundamental que o padre encontre tão somente no Coração de Jesus a verdadeira humanidade de filho de Deus.

Oremos:

Ó Deus, ao contemplarmos o Coração de Cristo, trespassado por amor, carne viva e vivificante que nos acolhe, elevemos orações pela santificação dos sacerdotes, para que os transforme à imagem do Cristo Bom Pastor.

Concedei-lhes a graça de serem ardentes da Vossa divina misericórdia, e sejam testemunhas alegres do Vosso amor que cura, acompanha e redime.

Ó Deus, confiando cada presbítero a Maria, a Rainha do apostolado e mãe dos sacerdotes, recordai-lhes sempre que um sacerdote santo faz florescer, à sua volta, a santidade. Amém.

 

Confira a Mensagem na íntegra:

https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/pont-messages/2025/documents/20250627-messaggio-santificazione-sacerdotale.html

O contínuo processo de formação Presbiteral

O contínuo processo de formação Presbiteral

“Não Fostes vós que me escolhestes,
mas fui Eu que vos escolhi.” 
(Jo 15,16)

Todos os Presbíteros devem sentir-se encorajados, com a palavra e com o exemplo do seu Bispo e dos seus irmãos no Sacerdócio, a assumir a responsabilidade da sua própria formação, sendo o primeiro formador de si mesmo.

De modo que, pelo testemunho da fé, devem possuir uma vida espiritual sólida, alimentada pela intimidade com Jesus Cristo, em Sua Palavra e Eucaristia, e pelo amor à Igreja, a quem devemos também amar e com, alegria e generosidade, servir.

Esta formação permanente compreende todas as dimensões de nossa vida, por isto deve ser completa: humana, espiritual, intelectual, pastoral, sistemática e personalizada.

Como pessoa, o Presbítero é chamado à prática da bondade de coração, paciência, amabilidade, com força de ânimo, amor à justiça, tendo equilíbrio em tudo, assim como viver a fidelidade à palavra dada, em total coerência com os compromissos livremente assumidos, numa autêntica maturidade humana e afetiva, sem jamais esquecer os valores fundamentais aprendidos na família, berço precioso das vocações.

Como homem espiritual, ter paixão pela Palavra divina, com sede de aprofundamento da mesma, bebendo na fonte da Patrística, da vida e escritos dos Santos, tendo sempre em mãos bons livros, para que lendo e assimilando e vivendo o que se lê e estuda, o Espírito do Senhor fale por sua boca. 

Acrescente-se a isto, como homem de oração, amor incondicional e incomparável pelos Sacramentos que celebra, e de modo especial, a Eucarística, fonte e ápice de toda a vida da Igreja e do seu Ministério.

Como homem espiritual, deve ter um plano de vida pessoal, para que, em nome do tanto fazer, não acabe sufocando momentos imprescindíveis do refazer-se da força e da graça divinas, por meio da vida de recolhimento, silêncio, intimidade e amizade com o Senhor, em longo e sincero diálogo.

Como homem da ciência, não pode descuidar de dialogar com as diversas ciências, para que a pregação e o anúncio sejam raios luminosos na condução do rebanho e no diálogo com o mundo, para que ele se identifique cada vez mais com os desígnios de Deus.

Na leitura, aprofundamento do conhecimento humano, aliado ao conhecimento divino, terá a verdadeira sabedoria, degraus para alcançar as coisas do alto.

Homem da fé, mas também homem da razão, do discurso lógico, fundamentado, pertinente e questionador dos contravalores que ferem e destroem a vida, para que, com coragem, saiba defender os valores que não podem jamais serem esquecidos, para que a vida não seja diminuída ou violada, da concepção ao seu declínio natural.

Como homem da ciência, deve estar sempre atualizado e pronto a dar razão da sua esperança, como nos falou o Apóstolo Pedro (1 Pd 3,15) diante das interrogações que os fiéis e o mundo apresentam. Por isto, deve se aproveitar das inúmeras possibilidades que os meios de comunicação social oferecem para se formar, e neste espaço também ser um agente formador, sem jamais trair a doutrina e os princípios da Igreja a qual serve.

Como pastor, em comunhão com o Bispo e Presbitério, viver a diocesaneidade, pois sozinho não conseguirá enfrentar os desafios da pós-modernidade, com o perigo do isolamento e, ao mesmo tempo, enfraquecimento da vitalidade ministerial. É inconcebível o Ministério Presbiteral vivido isoladamente.

Como pastor, educador da fé, deve ter um zelo muito especial para que o rebanho conheça a Doutrina da Igreja, por seus Documentos diversos, dentre eles, o Catecismo da Igreja Católica, um tesouro sempre em mãos.

A formação permanente assim, em suas dimensões: humana, espiritual, intelectual, e pastoral, de modo orgânico e completo, deve ser procurada por cada presbítero, incansavelmente, de forma personalizada, considerando sua história e carismas.

Urge empenharmos esforços e multiplicar orações, para que tenhamos Presbíteros verdadeiramente felizes e zelosos do Ministério pela Igreja confiado. 

Luzes serão acesas no coração de cada Presbítero!

Luzes serão acesas no coração de cada Presbítero!

O Presbítero em tempo de crise paradigmática,
Contempla o emergir de uma figura sem precisão matemática. 

Traz em si imprescindíveis marcas, 
Para não ser submergido no mar da vida, 
Na outra margem ancorar sua barca. 
Sem medo, não se fixando às margens conhecidas, 
Superando as superficialidades já exauridas.

Luzes serão acesas no coração do Presbítero!
Se tiver mãos de semeador, para o chão preparar e a semente lançar, 
Sem medo do resultado que se há de alcançar.
Se tiver a audácia de pescador, 

Que atira suas redes não mais para peixes pescar; 
Atira suas redes no mar da vida, para vidas resgatar, 
E a sacralidade da vida e dignidade humana preservar.
Se tiver o coração e zelo de um pastor, 

Saberá cuidar de cada ovelha que se extraviou… 
Sobretudo, aquela ferida, machucada, 
Quebrada, por ser sofrida, por toda e qualquer dor.

Se tiver olhar e alma de um poeta, 
Terá a boca e coração de profeta. 
Que acredite num novo horizonte, 
Que o caminho novo à humanidade aponte.

Luzes serão acesas no coração do Presbítero!
Se homem de oração dialogal abrir-se ao Espírito, 
Na adoração, no silêncio, de coração contrito. 
A Missão é de todos nós! 

Urge que volte, mais do que nunca, aos sem vez e voz.
Nutrido pela força da Eucaristia, 
Incansável, noite e dia. 
Homem da mística, sem a perda da utopia, 
Vivendo a fé e a caridade incansável, esperando a grande parusia.

Reapaixonado sempre por Aquele que nos quis e nos chamou, 
Retomando a conduta de outrora, 
Missão assumida em espírito e verdade, 
Prenúncio de uma nova aurora!

Luzes serão acesas no coração do Presbítero!
Se trouxer em si as marcas do semeador,
Pescador, pastor e agricultor, 
Profeta, homem orante, militante, sonhador... 

Luzes serão acesas em seu coração, 
Se não curvar-se ao jugo e ao jogo tirano e opressor. 
Que seja testemunha crível e corajosa de Nosso Senhor, 
Reavivando a chama do primeiro Amor!

A cidade, seus clamores e a missão presbiteral

                                                    

A cidade, seus clamores e a missão presbiteral

 

As grandes cidades enfrentam os inúmeros problemas de nosso tempo, principalmente porque vivemos em mudança de época, muito mais do que uma época de mudanças.

 

Diante disto, uma questão fundamental: qual a missão do presbítero na cidade, bem como das comunidades que lhes são confiadas?

 

Não é uma resposta simples de ser dada, porém não podemos ceder à falta de coragem de buscar e de nos abrirmos ao Espírito para novas e necessárias respostas.

 

Na realidade, por vezes, árida e sórdida da cidade é missão do Presbítero primeiramente construir comunidades verdadeiramente eucarísticas, que se nutram do Pão da Palavra e da Eucaristia, o que consequentemente possibilitará que ele e todos façam uma profunda experiência de comunhão e amizade com o Senhor, em intimidade e apaixonamento visível pela Palavra que anuncia e denuncia, pelos exemplos, sinais no mundo de vitalidade e profecia.

 

O encontro com o Senhor não é apenas o conhecimento d’Ele e de Suas ideias, mas a configuração da vida a Ele e ao conteúdo de Seu ensinamento e vivência, alcançando a maturidade paulina:

 

“Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim.” (Gl 2,20), e ainda: “Tenham em vocês os mesmos sentimentos que havia em Jesus Cristo.” (Fl 2,5).

 

Em decorrência desta espiritualidade eucarística, o Presbítero ajudará a comunidade no processo de santificação e de solidificação da família, a fim de que esta seja como uma escola dos valores cristãos, dos valores humanos e universais, e nela se formem excelentes cristãos e também excelentes cidadãos.

 

Colocando-se solidariamente ao lado dos mais empobrecidos, em alegre acolhida do outro, em constante processo de conversão pessoal, comunitária e social, o presbítero não deve se restringir aos espaços internos da comunidade, pois a evangelização desconhece limites e fronteiras.

 

Neste sentido, não pode ele se omitir no anúncio do Verbo nos diversos meios de comunicação social, rádio TV, jornal, Internet, enfim, nos novos areópagos...

 

Numa cidade, muitas vezes marcada pelo sofrimento, com famintos, dependentes químicos, moradores de rua, prostituição infantil, vítimas do tráfico e da violência, falta de condição digna de moradia…

 

Diante de tantos rostos empalidecidos, com rugas precoces pelo sofrimento, o Presbítero deve ser aquele que com a comunidade, em frutuosa pastoral de conjunto e em comunhão com toda a Igreja, faz resplandecer o rosto de Cristo.

 

O Presbítero deve contribuir para que a comunidade, uma vez saciada a sede pela água cristalina da Palavra, nutrida pelo pão eucarístico e inebriada pelo vinho novo da Eucaristia, viva a nova e eterna aliança sendo um “oásis no deserto da cidade”, não como refúgio do bom combate da fé (2Tm 4), mas como lugar de revigoramento, favorecendo atitudes de serviço, anúncio, diálogo e testemunho de que o Reino de Deus se encontra em nosso meio.

 

Sem a pretensão de esgotar as respostas, vejo o presbítero na cidade como aquele que realiza a missão pelo amor que é Cristo Jesus.

 

E, na estreita relação de amor com Ele, tornará a Igreja mais crível e um novo mundo, mais do que desejável, possível. Um mundo marcado pela verdade e abundância de vida, porque fundado em relações de amor e justiça que faz brotar a paz.

 

É missão do Presbítero não permitir que a sordidez da cidade devore o rebanho, colocando nossa vida totalmente a serviço dele, tornando mais bela a cidade, até que um dia possamos entrar na Cidade Celestial.

 

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG