terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Sejamos testemunhas visíveis da Compaixão Divina (06/01)

                                                           

Sejamos testemunhas visíveis da Compaixão Divina

Mais uma vez, contemplamos o Amor e o zelo de Deus com Seu Povo; Sua misericórdia, ternura e compaixão com Seu rebanho, que parece ovelhas sem pastor.

Com isto, entendemos o nascimento das mais diversas pastorais e serviços dentro da comunidade: cuidar da vida do rebanho.

Deus é tomado da compaixão por quem enfrenta todo tipo de sofrimento, suscitando Profetas, discípulos para cuidar com carinho do Seu rebanho. Ninguém pode ficar excluído do pão, da alegria, da vida.

Há um só Deus, um só povo, um só Senhor, como bem diz São Paulo na Carta aos Efésios (Ef 4,1-6).

Com Jesus os “muros” foram derrubados. Ele gerou o homem novo com vida plena. Não podemos ficar desanimados e desorientados à mercê dos ventos e das marés. Ele mesmo nos devolve a paz, a alegria e a serenidade.

Para que nossa missão seja plena de êxito, é necessário intimidade e confiança em Deus, e a certeza de que é o Espírito Santo o Protagonista da história.

A comunidade tem que ser sinal e instrumento da compaixão, do Amor e da ternura divina. Coração e mente sensibilizados aos clamores do povo e à busca de evangélicas respostas.

Reflitamos:

- Quando estou cansado e desanimado onde me reabasteço para continuar a missão evangelizadora?
- Tenho sido como discípulo missionário uma testemunha visível da compaixão e Amor de Deus?

- Sou agente de Pastoral na minha comunidade? Sirvo a Deus com entusiasmo e empenho?
- Tenho consciência de que continuo a missão do Senhor Jesus?

Oremos: 

"Ó Deus, sede generoso para com os Vossos filhos e filhas e multiplicai em nós os dons da Vossa graça, para que, repletos de esperança e caridade, guardemos fielmente os Vossos mandamentos. Por N.S.J.C. na unidade do Espírito Santo. Amém"



PS: Liturgia 16º Domingo  do Tempo Comum (ano B):  (Jr 23,1-6; Sl 23;  Ef 2,13-18; Mc 6,30-34); dia 07 de janeiro, após a Epifania do Senhor (Mc 6,34-44), 4º Sábado do Tempo Comum.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

A radiante luz do Senhor ilumina nossos passos(05/01)

                                               

A radiante luz do Senhor ilumina nossos passos

“O povo que vivia nas trevas viu uma grande Luz...” (Mt 4,16)

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 4,12-17.23-25).

Iniciando um novo ano, voltemos nosso olhar para um momento significativo da missão de Jesus, retratado pelo evangelista Mateus e, anteriormente, anunciado pelo profeta Isaías: "Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galileia dos pagãos! O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz, e para os que viviam na região escura da morte brilhou uma luz". (Mt 4, 15-16).

Esta Luz é o próprio Jesus que, que Se encarnou no ventre de Maria, vindo habitar e caminhar conosco, vivenciando a nossa condição concreta, igual a nós em tudo, exceto no pecado.

Em Sua Encarnação, Deus Se faz visível, palpável, passível de tudo quanto possamos sentir, sobretudo nascendo num lugar real, com problemas e dificuldades, e habitado por um povo sofrido como ovelhas sem pastor.

A Luz, um dia anunciada, foi colocada em uma manjedoura, em meio aos pobres, animais e seus pastores, ao lado de José e Maria, nascido pela obra do Espírito Santo, que em Maria pousou e nos agraciou com Sua vinda ao mundo, ao fecundá-la para ser a mãe do Salvador.

Uma Luz que brilhou radiante, e nem mesmo a morte pôde eliminá-la, pois passando pela morte, mais tarde, brilhou eternamente na madrugada da Ressurreição.

E esta mesma Luz, o Sol Nascente, continua iluminando nossos caminhos, com raios que nos revigoram e não nos permitem curvar diante dos sinais de morte: maldade, mentira, mediocridade, corrupção, violação da vida ou de quaisquer outros sinais que atentem contra a dignidade e sacralidade da vida, desde sua concepção até seu declínio natural.

Uma Luz que nos animará em mais um ano de caminhada pastoral, com zelo, amor e alegria, na ação evangelizadora, sempre lançando as redes em águas mais profundas, em atenção e confiança à Palavra que se fez Carne e habitou entre nós.

Esperamos que esta Luz ilumine os corações daqueles que dirigem nosso país e nossas cidades, no exercício de uma política em que não se vise os próprios interesses, a fim de que o povo tenha uma vida plena e feliz, com direitos sociais assegurados (alimentação, moradia, saúde, educação, cultura e lazer).

Iluminados por esta Luz não permitiremos que morra a esperança de que dias melhores haveremos de ver nascer, solidificando e nutrindo nossa fé com o Pão da Palavra e da Eucaristia, alimentos indispensáveis para os que se põem a caminho com Aquele que é o próprio Caminho, Verdade e Vida, Jesus, a fonte inesgotável de amor que vem ao nosso encontro em cada momento.

Conduzidos por Deus, permitamos que Ele entre em nossa história, e assim, na plena comunhão com Seu Amado Filho, pelo qual tudo foi criado e reconciliado, também sejamos assistidos e conduzidos com novo ardor, porque inflamados pelo Fogo do Seu Santo Espírito. 

Em cada Eucaristia que celebramos, renasça e alegria e a coragem para sermos incansáveis e alegres discípulos missionários do Senhor, anunciando e testemunhando Àquele que dá sentido ao nosso existir, porque nos ama, nos acompanha e nos concede a verdadeira e plena vida, alegria e paz e quanto mais necessitarmos.

“Vida Líquida” Urge encontrar caminhos para um mundo novo possível (Introdução)

“Vida Líquida”
Urge encontrar caminhos para um mundo novo possível

É preocupação constante da Igreja, e há de ser de todos nós que, pela graça do Batismo, somos chamados a construir o novo e a nova terra queridos por Deus para toda a humanidade, saber que “a criação está gemendo em dores de parto” (Rm 8,23).

Neste pensamento, ofereço uma síntese, acompanhada da minha reflexão pessoal, de um livro que li recentemente: “Vida Líquida”, que retrata o tema da fluidez da existência contemporânea.

O autor do mesmo é Zygmunt Bauman, um sociólogo polonês que, de forma clara e objetiva, nos conduz à compreensão da pós-modernidade, que vive uma verdadeira mudança de época.

Impressionante sua capacidade de percepção e análise da vida social, chamando a atenção para os reais problemas que a atual condição do sistema capitalista multiplica como desafios para a condição humana.

Leva-nos a repensar a necessidade do encontro de caminhos para superação do ritmo criativo e alucinante do mercado, entretanto destrutivo, e com o consequente temor que nos acompanha de ficarmos ultrapassados, descartados.

O autor apresenta o desafio de vivermos nos dias atuais, numa sociedade onde há o imperativo permanente do consumo, que o autor denomina de “modernidade líquida” e a configuração da “vida líquida”: há sempre o risco de se tornar descartável, dejeto, lixo, um ninguém.

Como ele próprio diz “’A vida líquida’e a ‘modernidade líquida’ estão intimamente ligadas. A ‘vida líquida’ é uma forma de vida que tende a ser levada adiante numa sociedade ‘líquido-moderna’.

‘Líquido-moderna’ é uma sociedade em que as condições sob as quais agem seus membros mudam num tempo mais curto do que aquele necessário para a consolidação, em hábitos e rotinas, das formas de agir.

A liquidez da vida e da sociedade se alimentam e se revigoram mutuamente. A ‘vida líquida’, assim como a sociedade líquida-moderna, não pode manter a forma ou permanecer por muito tempo” (p. 7).

Neste contexto, mostra a necessidade de procurarmos caminhos para a construção de um mundo mais hospitaleiro para a humanidade. Vê na educação e na autoeducação formas para influenciar a mudança de eventos que nos levem a tal objetivo.

Um antigo provérbio chinês pode expressar melhor este caminho a ser feito, como ele cita aludindo ao Programa “Aprendizagem por toda a vida”, que baliza as atividades da Comissão das Comunidades Europeias (séc. XXI):

“Planejando para um ano, plante milho. Planejando para
uma década, plante árvores. Planejando para a vida,
treine e eduque pessoas”.

Vida Líquida (I,II,III)

                                                               


Capítulo I – “O indivíduo sitiado”

Destaco esta citação, que expressa o drama da existência de uma vida líquida:

“Em nossa sociedade de indivíduos que buscam desesperadamente sua individualidade, não há escassez de auxílios, consagrados ou autoproclamados, que (pelo preço certo, é claro) se mostrarão totalmente dispostos a nos guiar pelos calabouços sombrios de nossas almas, onde os nossos autênticos ‘eus’ permanecem supostamente aprisionados, lutando para escapar em busca da luz” (p. 28).

Não há mais autoevidência incontestável e a transparência que permitia travessias livres de encruzilhadas e obstáculos a serem evitados, negociados ou forçados.

Ø Por onde caminhar?
Ø Qual a nossa singularidade?
Ø O que aprender com jangadeiros e marinheiros para construirmos nossa identidade e fazermos nossa travessia?

O autor, a partir desta metáfora, procura as respostas: “Jangadeiros que descem o rio sobre troncos de árvores só fazem seguir a corrente. Não precisam de bússola – ao contrário de marinheiros em mar aberto, que não navegam sem uma.

Os jangadeiros se deixam levar pela força do rio, ocasionalmente auxiliando-a com os remos ou afastando a jangada das rochas e cachoeiras, evitando bancos de areia e margens pedregosas.

Os marinheiros, porém, estariam perdidos se confiassem sua trajetória ao sabor dos ventos e às mudanças das correntes. Eles não podem deixar de controlar os movimentos do barco. Devem decidir para onde ir e por isso precisam de uma bússola que lhes diga quando e onde virar com o intuito de chegar ao destino” (p. 31).

Temas muito pertinentes são abordados neste capítulo: a procura da identidade; o alcance da liberdade; a questão gravíssima de repensar o consumo responsável para não destruirmos o planeta (se a população mundial vivesse o conforto do norte-americano, precisaríamos de mais três planetas); os efeitos negativos da globalização excludente e o repensar um novo caminho.

Capítulo II – “De mártir a herói e de herói a celebridade”

O autor afirma que a sociedade de consumo “líquido-moderna”, na parte rica do planeta, não tem espaço para mártires ou heróis, porque não há espaço para sacrifício das satisfações imediatas em função de objetivos distantes e não há porque sacrificar satisfações individuais em nome de uma causa ou do bem-estar de um grupo:

“À medida que avança a sociedade “líquido-moderna”, com seu consumismo endêmico, mártires e heróis vão batendo em retirada...

A sociedade-líquido-moderna de consumidores considera os feitos dos mártires, heróis e todas as suas versões híbridas quase incompreensíveis e irracionais, e, portanto, ultrajantes e repulsivos...” (p. 64-65).

Nesta sociedade há lugar para as “celebridades” que aparecem do nada e facilmente podem cair no esquecimento. Há a possibilidade de numerosas celebridades, bem como suas combinações: “O culto a uma celebridade (ao contrário da adoração de mártires e heróis, que limita a liberdade de escolha dos adoradores) não tem aspirações monopolistas.

Por mais que as celebridades sejam competitivas elas não estão realmente competindo. O culto a uma delas não exclui, muito menos proíbe, que alguém se junte à comitiva de outra... ”(p.69).

A sociedade “líquido-moderna” precisa da multiplicação das celebridades, mais que mártires e heróis.

Capítulo III – “Cultura rebelde e ingovernável”

A cultura “líquido-moderna” não se apresenta mais como a cultura do aprendizado e do acúmulo, como nos revelam historiadores e etnógrafos. Surge uma nova cultura do desengajamento, da descontinuidade e do esquecimento.

Nesta cultura o tempo flui, não “marcha mais” – “Há mudança, sempre mudança, nova mudança, mas sem destino, sem ponto de chegada e sem a previsão de uma missão cumprida. Cada momento vivido está prenhe de um novo começo e de um novo fim...” (p.88).


Vida Líquida (IV) (V)

                                            


Capítulo IV - “Buscar abrigo na Caixa de Pandora” 
- o medo, a segurança e a cidade - 

Encontramo-nos profundamente identificados, pois consegue descrever com extrema precisão o mundo em que vivemos marcados por relações de medo e insegurança, necessidade cada vez maior de investirmos em recursos que nos garantam um pouco mais de privacidade e segurança.

Citando Ray Surette, afirma: “... o mundo visto pela TV parece um de ‘cidadãos-ovelhas’ sendo protegidos de ‘criminosos-lobos’ por ‘policiais-cães pastores” e citando Diken e Laustsen – “A vida urbana se transforma num estado de natureza caracterizado pelo domínio do terror, acompanhado pelo medo onipresente” (p. 96).

Há uma procura pela invisibilidade planejada, bem como a intimidação (guaritas, fortalezas e outras formas de garantir a segurança...).

Na sociedade “líquido-moderna” vemos a arquitetura do medo e da intimidação se espalhando por todos os espaços públicos urbanos abrindo espaço para a inventividade e o consumo pela segurança desejada.

Algumas questões pertinentes sobressaem ao longo de todo o capítulo:

Ø Insegurança e medo, como superar?
Ø Qual o caminho para um urbanismo integral em que seja possível a conexão, a comunicação e a celebração do existir em espaços sem medo e sem o tédio do isolamento?

Capítulo V
“Os consumidores na sociedade ‘líquido-moderna’”

A sociedade de consumo torna permanente a insatisfação, e uma das formas é a depreciação e desvalorização dos produtos de consumo logo depois de terem sido alçados ao universo do desejo do consumidor (o leitor vai também se identificando na percepção e descrição do autor).

Outra forma é o método de satisfazer toda necessidade/desejo/vontade de uma forma que não pode deixar de provocar novas necessidades/desejos/vontades (p. 105).

A síndrome consumista degradou a duração e promoveu a transitoriedade – “colocou o valor da novidade acima do valor da permanência...

A síndrome consumista é uma questão de velocidade, excesso e desperdício” e, deste modo, a sociedade de consumo não é nada além de uma sociedade de excesso e da fartura, e, portanto, da redundância e do lixo farto, conclui o autor (p.110).

Tudo isto também vai influenciar relacionamentos e inclusive os casamentos pouco duradouros (p.114ss).

Em longas páginas, de modo muito pertinente, descreve sobre o quanto a sociedade “líquido-moderna” fomenta o consumo em nome da preservação do corpo, da boa forma, como o corpo se torna fonte de lucro. Em diversos momentos nos encontraremos profundamente identificados com a problemática apresentada.

Também nos apresenta as crianças ocupando espaço fundamental como destinatários imediatos e futuros na sociedade consumo. Como elas influenciam nas decisões de seus pais.

Citando Allen Kanner, um psicoterapeuta de Berkeley sintetiza muito bem uma preocupação: “O consumismo dirigido pelas corporações tem amplos efeitos psicológicos não apenas sobre as pessoas, mas também sobre o planeta...

Com muita frequência, a psicologia individualiza exageradamente os problemas sociais. Ao fazê-lo, acabamos culpando a vítima, neste caso localizando o materialismo basicamente na pessoa, ignorando a cultura das grandes corporações que está invadindo uma parte tão grande de nossas vidas” (p.149/150).

Inquietante a conclusão do autor, e nos provoca a repensar e buscar novos caminhos:

“A espiritualidade pode ser um dom de nascença da criança, mas foi confiscada pelos mercados de consumo e reapresentada como um lubrificador das rodas da economia de consumo.

A infância, como sugere Kiku Adatto, se transforma numa ‘preparação para venda do ser’, à medida que as crianças são treinadas ‘para ver todos os relacionamentos em termos de mercado’ e encarar os outros seres humanos, incluindo os amigos e membros da família, pelo prisma das percepções e avaliações geradas pelo mercado” (p.150).

Vida Líquida (V)

                                  


Concluindo, deixo claro que não tive a pretensão de expor exaustivamente o conteúdo do livro, mas de apresentar algumas ideias que absorvi entre tantas que o autor oferece sobre os vários aspectos da “vida-líquida”, para que tenhamos melhor compreensão da sociedade “líquido-moderna” na qual nos encontramos inseridos.

Como o autor mesmo o disse, somos como aqueles que procuram “janelas” para contemplar novas perspectivas para os dias de hoje. Somente compreendendo a realidade, e tomando consciência do presente, é que podemos lançar sementes de um novo futuro, de um mundo mais agradável, habitável. Somente assim, como afirmo sempre, o Paraíso não será uma saudade estéril, mas um compromisso de todos, porque generoso e solidário.

Volto às palavras de Zygmunt Bauman: “Como tornar o mundo humano, um pouco mais hospitaleiro para a humanidade”. Não há possibilidade de omissão para ninguém, por isto me propus a também oferecer minha reflexão.

Como leitores ávidos de um mundo novo, continuemos nossas leituras e reflexões, pois todos temos sempre algo a ensinar, e, certamente, muito mais a aprender...

Concluo citando um trecho da música sempre atual de Beto Guedes – “O sal da terra” –
“...vamos precisar de todo mundo
porque um mais um é sempre mais que dois...”



PS: Vida Líquida - Zygmunt Bauman - Editora Zahar - 2ª Edição – 2009.

Vida Lìquida (VI)

                                         


Capítulo VI – “Aprendendo a andar sobre a areia movediça
Para repensar um novo modo de existir, uma educação e treinamento para um consumo responsável e sustentável para nós e para os que virão.

Temas como a relação consumidor x cidadão; passividade dos cidadãos somada a apatia e perda do interesse pelo processo político e outras permeiam este capítulo e que tão facilmente percebemos ao nosso redor:

“O consumidor é inimigo do cidadão. Em toda parte ‘desenvolvida’ e abastada do planeta, abundam sinais de pessoas dando costas à política, de uma crescente apatia e da perda de interesse pelo processo político.

Mas a democracia não pode sobreviver por muito tempo diante da passividade dos cidadãos em função da ignorância e da indiferença políticas.

A liberdade dos cidadãos não é propriedade adquirida de uma vez por todas; não está a salvo quando trancada em cofres privados...

Não são as habilidades técnicas que precisam ser continuamente renovadas, nem é somente a educação voltada para o mercado de trabalho que precisa ocorrer ao longo da vida.

O mesmo é exigido, e com mais urgência ainda, pela educação para a cidadania” (p. 164).

Estas são algumas questões que emergem na leitura e que precisam de respostas.

Ø Como educar para a cidadania?
Ø Como alcançar o domínio do presente para podermos sonhar com o controle do futuro?
Ø Como superar a ignorância que produz a paralisia da vontade?
Ø No que consiste a educação permanente em longo prazo?

Capítulo VII – “O pensamento em tempos sombrios (Arendt e Adorno revisitados)”

Somos desafiados depois desta revisita tão bem feita pelo autor a buscar caminhos para a solidariedade necessária que consiste no  imperativo do momento para todos nós:

“Embora todos os habitantes do planeta estejam, por assim dizer, no merco barco, do ponto de vista de suas perspectivas de sobrevivência (só podendo optar entre navegar ou afundar juntos), suas tarefas imediatas, e, portanto, seus destinos preferidos, diferem amplamente, tornando as ações e os propósitos que os informam dissonantemente deslocados, e alimentando antagonismos em que a solidariedade é o imperativo do momento” (p. 193).

Também somos desafiados a repensar o preceito de Adorno: “a tarefa do pensamento crítico não é a conservação do passado, mas a redenção da esperança do passado”.

Ø O que precisa ser feito para que a esperança atinja um equilíbrio aceitável entre liberdade e segurança, que são condições indispensáveis da sociedade humana?

Ø Entre as esperanças do passado que precisam ser mais prontamente realizadas, qual é a metaesperança, ou seja, aquela esperança que torna possíveis todas as demais esperanças?

Esperar que as coisas, tanto as pequenas como as grandes, mudem, exige compromisso de todos, afirma o autor:

“Com as armas – benditas ou malditas – do conhecimento do bem e do mal, nós seres humanos, somos julgados e permanecemos em julgamento – sobre o que aconteceu o que fizemos ou deixamos de fazer.

Colocamos o ‘devia’ na banca de jurados e o ‘é’ no banco de réus. Levamos o juiz (comumente chamado de ‘consciência’ conosco (dentro de nós) aonde quer que vamos e no quer que façamos.

E acreditamos que chegar a uma sentença faz sentido: tem o poder de nos transformar e de transformar o mundo a nossa volta em algo melhor ou, no mínimo, menos mau” p.194).

Antes de sermos criaturas que pensam, somos criaturas com esperança.

São confortantes e iluminadoras as palavras finais do autor, que também merecem citação: precisamos construir um novo espaço público e global: “uma política que seja genuinamente planetária (que é diferente de ‘internacional’) e um palco planetária viável.

Trata-se de uma responsabilidade verdadeiramente planetária: o reconhecimento do fato de que todos nós que compartilhamos o planeta dependemos uns dos outros para o nosso presente e futuro, que nada que façamos ou deixemos de fazer pode ser indiferente para o destino de todos os outros, e que nenhum de nós pode mais procurar e encontrar um refúgio privado para tormentas que podem originar em qualquer parte do globo” (p. 196).

E ainda: “A lógica da responsabilidade planetária visa, ao menos em princípio, a confrontar os problemas gerados globalmente de maneira direta – no seu próprio nível... deve-se buscar um novo tipo de ambiente global em que os itinerários das iniciativas econômicas tomadas em qualquer lugar do planeta não sejam mais extravagantes, guiadas apenas pelos ganhos momentâneos, sem prestar atenção aos efeitos indesejados e às ‘baixas colaterais’, nem dar importância ás dimensões sociais dos cálculos de custo benefício” (p. 196).

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