sábado, 23 de maio de 2026

Venha sobre nós o Espírito Santo (Pentecostes)

                                                     


Venha sobre nós o Espírito Santo

Vivendo o itinerário Pascal, nos preparando para a Celebração da Festa de Pentecostes, a descida do Espírito Santo sobre a Sua Igreja, elevemos esta Oração suplicando ao Senhor Jesus Cristo, para que o Pai nos envie o Espírito Santo, o Advogado, o Paráclito, nosso Defensor, sobretudo para que a Ele, “Caminho, Verdade e Vida”, sejamos fiéis, e venha socorro às nossas inquietações e perturbações, sobretudo nestes dias tão difíceis que estamos vivendo,

“Senhor Jesus Cristo,
enviai também sobre nós o Espírito Santo,
Que nos dá o conhecer e o querer,
e concedei-nos cooperar, em quanto nos for possível,
com tudo o que depende de nós.

Enviai-nos o Paráclito, o Consolador,
por meio do qual podemos reconhecer-Vos e amar-Vos,
De modo a sermos dignos de chegar a Vós,
Que sois bendito pelos séculos dos séculos. Amém”.(1)

Pai Nosso que estais nos céus...

(1)  Oração ao Espírito Santo atribuída a Santo Antônio de Lisboa

Pentecostes: O inextinguível Fogo do Espírito! (Pentecostes)

                                                                 

Pentecostes: O inextinguível Fogo do Espírito!

Espírito Santo: Fogo que ilumina,
vento que purifica, Amor que cria Comunhão.

A Festa de Pentecostes era no Antigo Testamento (séc. I a.C) a comemoração dos 50 dias após a Páscoa, quando Moisés recebeu o Decálogo, os Dez Mandamentos Divinos.

Muito antes, uma festa agrícola na qual se agradecia a Deus a colheita da cevada e do trigo.

No Novo Testamento, 50 dias após a Ressurreição, o Espírito vem sobre os Apóstolos comunicando a Nova Lei, A Lei do Amor.

Celebramos na Festa de Pentecostes o nascimento da Igreja no Mistério do Coração trespassado de Jesus, e deste mesmo Coração nos vem o Alimento Salutar: A Eucaristia.

Não somente somos alimentados pela Eucaristia, mas somos assistidos pelo Espírito que também nela Se encontra.

Se na Páscoa se dá o nosso Batismo, recebendo o Espírito em Pentecostes se dá o nosso Crisma.

Quando somos enriquecidos imensuravelmente com a plenitude dos Dons do Espírito Santo.

Dons recebidos e derramados sobre todos, de modo que não há  relação de dominação e monopólio do Espírito, muito menos ainda relações de superioridade e inferioridade.

Sendo o Espírito dispensador de todos os Dons, cada pessoa tem a sua importância.

Todos os Dons procedem de Deus e estão a serviço da comunidade.

Sem o Espírito Santo não há Igreja, Liturgia, Palavra e Missão como nos disse o Patriarca Atenágoras, um autor da Igreja.

Com o Espírito Santo nossos medos são afastados; revigora-se nossa coragem.

Não há lugar para covardia e omissão; e os horizontes da Missão são alargados.

Nosso mutismo se rompe num alegre anúncio, a chama da audácia profética é reacesa em nossos corações e, renascidos pelo Sopro do Espírito, sonhamos um Mundo Novo; o aparentemente inatingível se torna possível, crível, exequível.

O mundo precisa deixar de ser uma Babel (onde as pessoas não se entendem), e tornar-se uma Nova Jerusalém, a Cidade da Paz!

Lá fora o mundo nos espera... É preciso manifestar a Ação do Espírito, como fogo para abrasar e aquecer os corações.

Como vento para varrer a maldade e iniquidade, revelando a Onipotência Divina com a Linguagem de Seu Amor.

Lá fora o mundo precisa aprender a língua universal, a Língua do Amor, a Língua do Espírito.

Deus é Amor e somente quem ama permanece em Deus. O não amor condena-nos, inexoravalmente, ao analfabetismo pior: o nada entender das coisas de Deus, não saber ler Suas linhas na História da Humanidade.

Sendo, da humanidade, o desejo mais profundo de amar e ser amado, eis a Missão da Igreja:

Com a Força, o Sopro e Ação do Espírito ensinar e reaprender sempre a Linguagem do Amor.

“A Igreja que evangeliza se evangeliza” nos disse o Papa São Paulo VI, em memorável Documento da Igreja.

E como disse Santo Agostinho: “que nas coisas certas haja a unidade, nas duvidosas, a liberdade, mas acima de tudo e em tudo a caridade”.

Concluindo, Pentecostes é a Festa do Nascimento da Igreja, do  reaprendizado da Linguagem do Amor, da acolhida do Espírito e da riqueza dos Dons, profusamente, sobre a Igreja derramados.

Exultemos de alegria por sermos Igreja, mais ainda por contarmos com o Paráclito que nos defende, consola, ilumina, aconselha, fortalece, santifica...

Com Pentecostes a Igreja nunca mais conhecerá
o ocaso de sua Missão, até que Ele venha,
com a força do Espírito, na fidelidade ao
Projeto de Deus Pai.

Pentecostes: a efusão do Espírito Santo (Pentecostes)

 


Pentecostes: a efusão do Espírito Santo

No dia de Pentecostes, a Páscoa de Cristo se completou com a efusão do Espírito Santo que Se manifestou, Se deu e Se comunicou como Pessoa divina: da Sua plenitude, Cristo Senhor derrama em profusão o Espírito (At 2,33-36).

Neste dia, revelou-Se plenamente a Santíssima Trindade, e a partir deste dia, o Reino anunciado por Cristo abriu-se aos que n'Ele creem.

Na humildade da carne e na fé, eles participam já na comunhão da Santíssima Trindade.

Pela vinda do Espírito, que não cessará jamais, faz entrar no mundo nos «últimos tempos», no tempo da Igreja, no Reino já herdado, mas ainda não consumado:

«Nós vimos a verdadeira Luz, recebemos o Espírito celeste, encontramos a verdadeira fé: adoramos a Trindade indivisível, porque foi Ela que nos salvou» (Liturgia Bizantina).

De fato, o Espírito da promessa foi derramado sobre os discípulos, «reunidos no mesmo lugar» (At 2,1), enquanto O esperavam, «todos [...] perseveravam unânimes na oração» (At 1,14), e é Ele que vai ensinar a Igreja e recordar tudo quanto Jesus disse (Jo 14,26) vai também formá-la na vida de oração.

Vejamos quem é o Espírito Santo e a finalidade de Sua Missão.

O Espírito Santo é «o princípio de toda a ação vital e verdadeiramente salvífica em cada uma das diversas partes do Corpo» (Pio XII, e realiza, de múltiplas maneiras, a edificação de todo o Corpo na caridade (Ef 4,16):

- pela Palavra de Deus, «que tem o poder de construir o edifício» (At 20, 32);

- mediante o Batismo, pelo qual forma o Corpo de Cristo (1 Cor 12,13);

-  pelos sacramentos, que fazem crescer e curam os membros de Cristo;

- pela «graça dada aos Apóstolos que ocupa o primeiro lugar entre os seus dons» (Lumen Gentium n.7);

- pelas virtudes que fazem agir segundo o bem; enfim, pelas múltiplas graças especiais (chamadas «carismas») pelos quais Ele torna os fiéis «aptos e disponíveis para assumir os diferentes cargos e ofícios proveitosos para a renovação e cada vez mais ampla edificação da Igreja» (Lumen Gentium 12).

Quanto à finalidade, a missão do Espírito Santo em toda a ação litúrgica é nos colocar em comunhão com Cristo, para formarmos o Seu corpo.

Deste modo, o Espírito Santo é como que a seiva da Videira do Pai, que dá fruto nos ramos (Jo 15,1-17; Gl 5,22); e é na liturgia, que se realiza a mais íntima cooperação do Espírito Santo com a Igreja, pois o Espírito de comunhão, permanece indefectivelmente na Igreja, e é por isso que a Igreja é o grande sacramento da comunhão divina que reúne os filhos de Deus dispersos.

Assim acontece, e o fruto do Espírito na liturgia é, inseparavelmente, comunhão com a Santíssima Trindade e comunhão fraterna (1 Jo 1,3-7), e epiclese é também oração pelo pleno efeito da comunhão da assembleia no mistério de Cristo.

Concluindo, «A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo» (2 Cor 13, 13) devem estar sempre conosco para dar frutos, para além da celebração eucarística.

Como Igreja, é fundamental que peçamos ao Pai que envie o Espírito Santo, para que faça da vida dos fiéis uma oferenda viva para Deus pela transformação espiritual à imagem de Cristo, pela preocupação com a unidade da Igreja e pela participação na sua missão, mediante o testemunho e o serviço da caridade, como Igreja Sinodal que somos, caminhando sempre juntos, com a presença e a ação do Espírito Santo.

 

Fontes: Parágrafos do Catecismo da Igreja Católica – nn.731-732; 798; 1108-1109; 2623

Vinde, Espírito Santo, com o amor entranhado em nossos corações... (Pentecostes)

                                                                          

Vinde, Espírito Santo, com o amor entranhado em nossos corações...

Retomemos a Catequese do Bispo São Cirilo de Jerusalém (Séc. IV), sobre o Espírito Santo, em preparação da Festa de Pentecostes, quando Ele foi enviado à Igreja reunida.

“A água que Eu lhe der se tornará nele fonte de água viva, que jorra para a vida eterna (Jo 4,14). Água diferente, esta que vive e jorra; mas jorra apenas sobre os que são dignos dela. Por que motivo o Senhor dá o nome de "água" à graça do Espírito Santo? Certamente porque tudo tem necessidade de água; ela sustenta as ervas e os animais.

A água das chuvas cai dos céus; e embora caia sempre do mesmo modo e na mesma forma, produz efeitos muito variados. De fato, o efeito que produz na palmeira não é o mesmo que produz na videira; e assim em todas as coisas, apesar de sua natureza ser sempre a mesma e não poder ser diferente de si própria.

Na verdade, a chuva não se modifica a si mesma em qualquer das suas manifestações. Contudo, ao cair sobre a terra, acomoda-se às estruturas dos seres que a recebem, dando a cada um deles o que necessita.

Com o Espírito Santo acontece o mesmo. Sendo único, com uma única maneira de ser e indivisível, distribui a graça a cada um conforme lhe apraz. E assim como a árvore ressequida, ao receber água, produz novos rebentos, assim também a alma pecadora, ao receber do Espírito Santo o dom do arrependimento, produz frutos de justiça. O Espírito tem um só e o mesmo modo de ser; mas, por vontade de Deus e pelos méritos de Cristo, produz efeitos diversos.

Serve-se da língua de uns para comunicar o dom da sabedoria; ilumina a inteligência de outros com o dom da profecia. A este dá o poder de expulsar os demônios; àquele concede o dom de interpretar as Sagradas Escrituras.

A uns fortalece na temperança, a outros ensina a misericórdia; a estes inspira a prática do jejum e como suportar as austeridades da vida ascética; e àqueles o domínio das tendências carnais; a outros ainda prepara para o martírio. Enfim, manifesta-se de modo diferente em cada um, mas permanece sempre igual a Si mesmo, como está escrito: A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum (1Cor 12, 5).

Branda e suave é a Sua aproximação; benigna e agradá­vel é a Sua presença; levíssimo é o Seu jugo! A Sua chegada é precedida por esplêndidos raios de luz e ciência. Ele vem com o amor entranhado de um irmão mais velho: vem para salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar, ilu­minar a alma de quem o recebe, e, depois, por meio desse, a alma dos outros.

Quem se encontra nas trevas, ao nascer do sol recebe nos olhos a sua luz, começando a enxergar claramente coisas que até então não via. Assim também, aquele que se tornou digno do Espírito Santo, recebe na alma a Sua luz e, elevado acima da inteligência humana, começa a ver o que antes ignorava”.

Oremos:

Vinde, Espírito Santo, pois nada somos ou podemos sem Vós.
Vinde e derramai sobre nós os Vossos sete dons: sabedoria, entendimento, conselho, ciência, fortaleza, temor e piedade.

Vinde, Espírito Santo, com o amor entranhado em nossos corações,
para nos salvar, e que a triste mansão dos mortos não seja nossa última possibilidade de permanência, mas a luminosidade divina.

Vinde, Espírito Santo, com o amor entranhado em nossos corações,
Para nos curar de nossas enfermidades, físicas ou espirituais,
E então curados, vivamos total fidelidade ao Projeto divino.

Vinde, Espírito Santo, com o amor entranhado em nossos corações,
Para nos ensinar os sagrados preceitos a serem vividos, para que
Tornemos a vida mais humana, bela e fraterna.

Vinde, Espírito Santo, com o amor entranhado em nossos corações,
Para nos aconselhar, sobretudo quando parecer não haver saídas,
E a vida parecer uma eterna noite sem perspectiva de novo dia.

Vinde, Espírito Santo, com o amor entranhado em nossos corações,
Para nos fortalecer nos sagrados compromissos de nosso Batismo,
Para que profetas, sacerdotes e reis sejamos, sem medo ou omissão. 

Vinde, Espírito Santo, com o amor entranhado em nossos corações,
Para nos consolar, quando não virmos acontecer o desabrochar de
Projetos pelos quais nos empenhamos, e novos caminhos refazer.

Vinde, Espírito Santo, com o amor entranhado em nossos corações,
Para nos iluminar, sobretudo nestes dias difíceis por que passamos,
Em que se matam valores e princípios que jamais poderiam ser sacrificados.

Vinde, Espírito Santo, com o amor entranhado em nossos corações.
Vinde com a Vossa força e graça, para que realizemos fielmente a Vossa vontade e a manifestemos por uma vida santa. Amém! Aleluia!

Espírito Santo de Deus, vinde em nosso auxílio (Pentecostes)

 


Espírito Santo de Deus, vinde em nosso auxílio

Fundamental que reflitamos sobre a ação e a presença do Espírito Santo na Igreja, para que edifiquemos uma Igreja verdadeiramente sinodal, com a participação ativa de todos os seus membros:

“Neste ponto o Novo Testamento é bastante claro: o Espírito Santo é princípio constituinte da Igreja, a saber, sem Ele não haveria simplesmente Igreja, pois não teríamos fé em Jesus Cristo  (1 Cor 12,30), nem haveria Batismo (1 Cor 12,13), ministérios ordenados(1Tm 4,14; 2 Tm 1,6), perdão dos pecados (Jo 20,22s), tampouco saberíamos rezar como se deve (Rm 8,26), viver como cristãos (Gl 5,25) ou esperar uma vida eterna (Rm 8,11). Sendo assim, a adesão na fé, a escuta da Palavra de Deus como tal, a oração, a recepção dos sacramentos, a vida cristã, a missão da Igreja, tudo isso depende da ação do Espírito Santo. A Igreja não foi fundada somente em sua origem, porque Deus a constrói ativamente sem cessar.” (1)

Somos remetidos às palavras do Patriarca Atenágoras (1886-1972), acerca do Espírito Santo:

“Sem o Espírito Santo, Deus está distante, o Cristo permanece no passado, o Evangelho é uma letra morta, a Igreja uma simples organização, a autoridade um poder, a missão uma propaganda, o culto um arcaísmo, e a ação moral uma ação de escravos.

Mas no Espírito Santo o cosmos é enobrecido pela geração do Reino, o Cristo Ressuscitado está presente, o Evangelho se faz força do Reino, a Igreja realiza a Comunhão Trinitária, a autoridade se transforma em serviço, a Liturgia é memorial e antecipação, a ação humana se diviniza”.

Oremos:

Enviai, ó Deus, Vosso Espírito Santo, para que edifiquemos uma Igreja em que a sinodalidade vivida não seja apenas força de expressão, mas fato real e visto pela ativa participação de todos os seus membros, na mais perfeita sintonia e conexão entre o que se celebra e o que se vive nas orações e sacramentos.

Iluminai-nos, para que sejamos alegres discípulos missionários do Senhor, comprometidos com o Deus do Reino, um Deus de misericórdia e ternura, com sagrados compromissos de compaixão, proximidade e solidariedade para com todos e, de modo especial, com os que mais precisarem.

Dai-nos, ó Deus,  abertura de mente e coração, para que, com coragem, sejamos uma Igreja missionária, em saída, em permanente atitude de conversão e aberta ao sopro do Espírito, para anunciar e testemunhar a Palavra que Se fez Carne e habitou entre nós. Amém.

 

(1) A Igreja em transformação: razões atuais e perspectivas futuras – Mario de França Miranda – Edições Paulinas – 2020 – p.94

Em poucas palavras... (Pentecostes)

 


Com o Espírito Santo, esperança renovada

“O Pentecostes, enquanto quinquagésimo dia é o cume e o selo do Tempo Pascal.

O dom do Espírito feito por Jesus ressuscitado leva a cumprimento as promessas de Deus, mas é também primícias, penhor e garantia do cumprimento da esperança dos cristãos e do mundo.

Também perante o escândalo do mal e do sofrimento absurdo, quantos receberam as primícias do Espírito colocam-se à escuta dos gemidos que preludiam o nascimento do mundo novo.”  (1)

 

 

(1) Lecionário Comentado – Volume Quaresma/Páscoa – Editora Paulus – Lisboa – pág. 654-655

Em poucas palavras... (Pentecostes)

                                            


“Sinais sacramentais”

“Depois do Pentecostes, é através dos sinais sacramentais da sua Igreja que o Espírito Santo opera a santificação. 

Os sacramentos da Igreja não vêm abolir, mas purificar e assumir, toda a riqueza dos sinais e símbolos do cosmos e da vida social. 

Além disso, realizam os tipos e figuras da Antiga Aliança, significam e realizam a salvação operada por Cristo, e prefiguram e antecipam a glória do céu”. (1)


(1)Catecismo da Igreja Católica n. 1152

 

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