quinta-feira, 30 de abril de 2026

O abandono do “cântaro”

                                                         

O abandono do “cântaro”

O encontro de Jesus com a Samaritana, ao meio dia, na beira do poço... (Jo 4,5-15.19b-26.39a.40-42), possibilita inesgotáveis possibilidades de reflexão.

Por exemplo, quando o Evangelista diz que “A mulher abandonou o cântaro, foi à cidade...” (Jo 4,28) o que significa este abandono?

Um dos sentidos é o rompimento com todos os esquemas de procura de felicidade, egoístas, para abraçar a verdadeira e única proposta de vida plena trazida por Jesus. 

Ele é a fonte de vida nova, e estabelece com a Samaritana um novo modo de relacionamento.

Certamente ela foi amada como nunca fora antes; com um amor que faz enaltecer o esplendor da dignidade que todos possuímos, porque feitos à imagem e semelhança de Deus.

Também significa e representa o abandono de tudo aquilo que nos dá acesso a propostas limitadas, falíveis, incompletas de felicidade; marca um novo começo...

Se o coração está pleno do Amor de Deus, não há necessidade de “cântaros”, haja vista que o coração humano é o grande "cântaro" de Deus, onde Ele quis habitar e cumular de graças, ternura, bondade, misericórdia, sabedoria, compaixão...

O cântaro abandonado junto ao poço leva-nos a pensar que o mesmo perdera sua importância. O cântaro seria para a Samaritana um empecilho que dificultaria na ânsia de levar a boa nova da acolhida aos seus amigos. Sem ele estaria livre para correr.

Reflitamos:

- Estamos dispostos a abandonar o caminho da felicidade egoísta, parcial, incompleta, e a abrir o nosso coração ao Espírito que Jesus nos oferece e que exige uma vida nova?

- Quais são os “cântaros” que devemos abandonar para que com maior disponibilidade possamos vivenciar alegre e prontamente a missão de Discípulos Missionários do Senhor?

- Num mundo em que nos encontramos com pessoas procurando um sentido para vida, às vezes vazias de espiritualidade, de compromissos solidários, somos capazes de apontar Àquele que dá sentido a nossa vida?

- Onde e como enchemos o “cântaro” do coração para não voltarmos a procurar velhos e indesejáveis cântaros?

Concluindo, é sempre tempo de abandonar “o velho cântaro”; de esvaziar o coração de quaisquer ressentimentos, mágoas, indiferenças etc.

É sempre tempo de abertura e predisposição para acolher o que de melhor Deus tem para nos conceder, por meio do Seu Filho, a Divina Fonte, que nos assegura a Água Viva do Espírito.

Tenhamos a alma irrigada pela Água Cristalina do Senhor, para que em Seus prados divinos e viçosos, sombras, flores e frutos, possamos contemplar e saborear.

Façamos nossas passagens, nossos abandonos necessários, que são imprescindíveis para verdadeiros encontros santificantes e santificadores, pascais:

Do cântaro da vida vazia ao deleite do encontro com a Vida plena, Jesus.

Do cântaro da vida amarga vivida ao novo momento pela Misericórdia Divina concedida.

Do cântaro da mesmice, do vácuo de perspectivas à alegria da Missão de Discípulos Missionários.

Do cântaro ao cântaro do Coração de Jesus.

Do cântaro antigo ao novo cântaro, o Coração de Jesus, pleno de Amor...

Não mais o cântaro, mas o coração em sintonia com o Coração Fornalha Ardente de Amor, Jesus!

Não mais o cântaro do provisório, 
mas o Cântaro que nos ama 
e nos introduz na eternidade. 
Amém!

Em poucas palavras... (Catedral)

                                                       


A força simbólica de uma Catedral


“Pela sua força simbólica, a Catedral converte-se em casa de oração, em escola da verdade, lugar de escuta da Palavra e lugar de elevação do espírito e de encontro com Deus.

Amar e venerar a Catedral é amar a Igreja como comunidade de pessoas unidas pela mesma Fé, pela mesma Liturgia e Caridade.

É fundamental que a Catedral, presidida pelo Bispo com a participação do povo que forma a comunidade diocesana, seja expressão da Igreja Local viva e peregrina.

Espera-se também que a Catedral seja um centro modelador da Liturgia, da Evangelização, da Cultura e da Caridade sendo assim expressão e sinal de toda a vida da comunidade diocesana.” (1)

 

(1)https://diocese-braga.pt/documento/2022-08-28-o-eixo-de-uma-catedral-34709-1

Em poucas palavras...

                                                  

           “Quando a Igreja reza «Pai nosso que estais nos céus»...”

“Quando a Igreja reza «Pai nosso que estais nos céus», professa que somos o povo de Deus já sentado nos céus em Cristo Jesus (Ef 2,6) escondidos com Cristo em Deus (Cl 3,3) e que, ao mesmo tempo, «gememos nesta tenda, ansiando por revestir-nos da nossa habitação celeste» (2 Cor 5, 2; Fl 3,21; Hb 3,14):

Os cristãos «estão na carne, mas não vivem segundo a carne. Passam a vida na terra, mas são cidadãos do céu» (Epístola a Diogneto).” (1)

 

 

(1)Catecismo da Igreja Católica – n. 2796

Em poucas palavras...

                                              


“O símbolo dos céus remete-nos para o mistério da Aliança...”

“O símbolo dos céus remete-nos para o mistério da Aliança que nós vivemos, quando rezamos ao Pai. Ele está nos céus: é a sua morada.

A casa do Pai é, pois, a nossa «pátria». Foi da terra da Aliança que o pecado nos exilou (Gn 3), e é para o Pai, para o céu, que a conversão do coração nos faz voltar (Jr 3,19-4,1a; Lc 15,18.21).

Ora, foi em Cristo que o céu e a terra se reconciliaram (Is 45,8; Sl 85,12), porque o Filho «desceu do céu», sozinho, e para lá nos faz subir juntamente consigo, pela sua cruz, ressurreição e ascensão (Jo 12,32; 14,2-3; 16,28; 20,17; Ef 4,9-10; Hb 1,3; 2,13).”   (1)

  

(1) Catecismo da Igreja Católica – n. 2795

Em poucas palavras...

                                 


Os sinais realizados por Jesus

“Os sinais realizados por Jesus testemunham que O Pai O enviou (Jo 5,36; 10,25). Convidam a crer n'Ele (Jo 10,38).

Aos que se Lhe dirigem com fé, concede-lhes o que pedem (Mc 5,25-34). Assim, os milagres fortificam a fé n'Aquele que faz as obras do Seu Pai: testemunham que Ele é O Filho de Deus (Jo 10,31-38).

Mas também podem ser «ocasião de queda» (Mt 11,6). Eles não pretendem satisfazer a curiosidade nem desejos mágicos.

Apesar de os seus milagres serem tão evidentes, Jesus é rejeitado por alguns (Jo 11,47-48); chega mesmo a ser acusado de agir pelo poder dos demônios (Mc 3,22).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.548

Amar, servir e a Palavra proclamar

                                                        

Amar, servir e a Palavra proclamar

Senhor Jesus, Vós nos ensinastes, ao lavar os pés dos discípulos, que “‘O servo não está acima do seu Senhor’, e assim fizestes muito mais que um rito, mostrando-nos que o verdadeiro e definitivo sinal dos que Vos seguem é o serviço aos irmãos; preocupação e solidariedade para com os necessitados, os pequeninos que tanto amais.

Senhor Jesus, cremos que estais, de forma especialíssima, no Pão e Vinho consagrados, mas também nos ensinastes que devemos reconhecer a Vossa presença no pobre, faminto, nu, peregrino, fraco, marginalizado; naquele que mais precisa de nossa mão, carinho e solidariedade, pois seríamos míopes de Deus se assim não fizéssemos.

Senhor Jesus, queremos que a Eucaristia que celebramos jamais se torne uma mentira, sem o devido prolongamento no cotidiano, mas que seja expressa na caridade e no serviço ao próximo, cumprindo o preceito do amor que nos destes, e assim, amando intensamente, coloquemo-nos humildemente em serviço, anunciando e testemunhando a  Vossa Santa Palavra.

Senhor Jesus, renovamos o nosso compromisso como discípulos missionários Vossos, vivendo com amor, zelo e alegria a missão que nos confiastes, contando com a Luz e presença do Vosso Espírito, na mais perfeita comunhão com o Vosso Pai de Amor, pois tão somente assim, somos mergulhados e envolvidos nesta relação de amor, ternura e comunhão.

Senhor Jesus, que
 amemos intensamente como nos mandastes; sirvamos com humildade e alegria ao nosso próximo e assim proclamemos, com coragem e ardor, a Vossa Palavra, incansáveis arautos da Vossa Boa-Nova. Amém. Aleluia!

PS: Fonte inspiradora: Jo 13,16-20 – (Liturgia da quinta-feira da 4ª semana da Páscoa)

O novo Mandamento do amor

                                                     

O novo Mandamento do amor

À luz dos Tratados sobre o Evangelho de São João, do Bispo Santo Agostinho (Séc. V), reflitamos sobre o Novo Mandamento do amor que nos foi dado por Jesus Cristo.

“O Senhor Jesus afirma que dá um novo Mandamento a Seus discípulos, isto é, que se amem mutuamente: Eu vos dou um novo Mandamento: amai-vos uns aos outros (Jo 13,34).

Mas este Mandamento já não estava escrito na antiga Lei de Deus, onde se lê: Amarás o teu próximo como a ti mesmo? (Lv 19,18). Por que então o Senhor chama novo o que é evidentemente tão antigo?

Será um novo Mandamento pelo fato de nos revestir do homem novo, depois de nos ter despojado do velho? Na verdade, ele renova o homem que o ouve, ou melhor, que lhe obedece; não se trata, porém, de um amor puramente humano, mas daquele que o Senhor quis distinguir, acrescentando: Como Eu vos amei (Jo 13,34).

É este amor que nos renova, transformando-nos em homens novos, herdeiros da nova Aliança, cantores do canto novo. Foi este amor, caríssimos irmãos, que renovou outrora os antigos justos, os Patriarcas e os Profetas e, posteriormente, os Santos Apóstolos.

Ainda hoje é ele que renova as nações e reúne todo o gênero humano espalhado pelo mundo inteiro, formando um só povo novo, o corpo da nova esposa do Filho unigênito de Deus.

É dela que se diz no Cântico dos Cânticos: Quem é esta que sobe vestida de branco? (cf. Ct 8,5). Vestida de branco, sim, porque renovada; e renovada de que modo, senão pelo Mandamento novo?

Por isso os membros desta esposa sentem uma solicitude mútua. Se um membro sofre, todos sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele. Pois ouvem e praticam a palavra do Senhor: Eu vos dou um novo Mandamento: amai-vos uns aos outros. Não como se amam aqueles que vivem na corrupção da carne; nem como se amam os seres humanos apenas como seres humanos; mas como se amam aqueles que são deuses e filhos do Altíssimo.

Deste modo, se tornam irmãos do Filho unigênito de Deus, amando-se uns aos outros com aquele mesmo amor com que Ele os amou, e por Ele serão conduzidos à plenitude final, onde os seus desejos serão completamente saciados de bens. Então nada faltará à sua felicidade, quando Deus for tudo em todos.

Quem nos dá este amor é o mesmo que diz: Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Foi para isto que Ele nos amou, para que nos amássemos mutuamente. E com o Seu amor, deu-nos a graça, para que, vivendo unidos em recíproco amor, como membros ligados por tão suave vínculo, formemos o Corpo de tão sublime Cabeça”. (1)

O Mandamento do amor que Jesus nos deu é novo, pois deve ser como Ele nos amou, que tendo nos amado, nos amou até o fim.

Amou-nos dando a Sua vida, livre e incondicionalmente, para que fôssemos libertos de toda forma de jugo, escravidão.

Amou-nos para que nos sintamos e sejamos livres e amados. E tão somente por Ele amados, que nos amou primeiro, amar nosso próximo como Ele nos amou.

Eis o que nos distingue como cristãos: a prática concreta do Mandamento do amor a Deus e ao próximo: O primeiro, na ordem dos preceitos, e ao próximo, na ordem da execução.

Oremos:

Ó Deus, que restaurais a natureza humana dando-lhe uma dignidade ainda maior, considerai o Mistério do Vosso amor, conservando para sempre os dons da Vossa graça naqueles que renovastes pelo Sacramento de uma nova vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!”

(1) Liturgia das Horas - Volume II - Quaresma/Páscoa - p. 710-712

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