quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Vocação profética, um desafio

                                                      


Vocação profética, um desafio

           “Jesus lhes dizia:
'Um profeta só não é estimado em sua pátria,
entre seus parentes e familiares'.” (Mc 6,1) 

Na quarta-feira da 4ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho (Mc 6,1-6).

De fato, Deus nos chama para que sejamos Suas testemunhas apesar de nossas limitações, fragilidades, pois é, paradoxalmente, em nossa fraqueza que Ele manifesta a Sua força.

Contemplamos, através da ação e presença de Jesus, esta ação divina, mas os conterrâneos de Jesus, em Nazaré, não souberam ir ao encontro e acolher Deus na Pessoa de Jesus, o Emanuel, Deus conosco, ao contrário, tiveram uma reação totalmente oposta, de rejeição, indiferença; não conseguem reconhecer a presença de Deus naquilo que Ele diz e faz.

Embora rejeitado pelos Seus, a missão de Jesus pelo Pai a Ele confiada, não é invalidada e tão pouco interrompida. Bem dizia São Francisco, pelos caminhos da Itália: “O Amor não é amado”.

“Cristo Crucificado é o emblema do Amor infinito de Deus por nós. Embora vergados sob a Cruz, com coração obstinado, os homens desafiam a Sua onipotência; Ele permanece inerme na Cruz, mostrando um Amor indefectível, mais forte que a morte.

[...] A Cruz de Cristo revela a maldade humana, mas, mais ainda, revela o Amor de Deus. Aos pés da Cruz de Cristo confrontam-se num dramático e perene duelo, ‘a fortaleza débil’ do homem e a ‘fraqueza forte’ de Deus. A fé é que nos revela quem é o vencedor”. (1)

Podemos nós também acolher ou nos tornarmos indiferentes à proposta de Jesus, como Seus conterrâneos, fechados em nossos esquemas mentais, preconceitos diversos, que impedem o reconhecimento e acolhida d’Ele em nossa vida.

Isto também pode ocorrer na missão dos discípulos; importa não se deixar levar pelo desânimo, frustração, dificuldades.

Se grande é a incredulidade humana, bem maior é o Amor de Deus por nós.

Tenhamos um olhar mais atento aos grandes personagens da Bíblia, que viveram sua história de amor e sedução por Deus, cada um em seu tempo: Ezequiel, o Apóstolo Paulo, e tantos outros, para que na fidelidade ao Senhor, enraizemos profundamente em Seu Amor, sem o que a chama profética se apagaria totalmente, e com isto não saberíamos qual o sentido do próprio existir.

Precisa-se de Profetas autênticos, para que o mundo seja mais próximo do que Deus quer para nós. Qual é a nossa resposta?

No rosto humano de Jesus, a divindade de Deus se revela, e no rosto divino de Jesus se revela a Sua humanidade: em Jesus o humano e o divino se encontram.

A atitude de Jesus nos convida a nunca desanimar e desistir: Deus tem Seus Projetos e sabe como transformar o fracasso em êxito.

Pelo Batismo, continuamos a missão de Jesus vivendo a vocação como graça e enfrentando as possíveis dificuldades.

A missão do profeta, no seguimento do Senhor, não é a busca do prazer, sucesso, vedetismo, holofotes, mas é algo sério, profundo e que dá sentido à vida.

É Deus que nos chama para a vocação profética, apesar de nossas limitações, mas somente uma paixão profunda por Jesus nos fará profetas, aguentando o espinho na carne, enfrentando e superando incompreensões, oposições e acusações.

Tão somente enraizados no amor de Deus, nutridos pelo Pão da Imortalidade, iluminados pela Palavra do Senhor, e com a força e luz do Santo Espírito, é que poderemos realizar, com solicitude e ardor, a missão profética recebida no dia de nosso Batismo.

Quando da Eucaristia autenticamente participamos, pela Palavra de Deus somos iluminados, e pelo Pão da Imortalidade fortalecidos, renovamos e revigoramos a vocação profética que o Senhor nos concedeu.

Que Deus nos conceda a graça de uma fé humilde, disponibilidade confiante e obediência filial, para vivermos autenticamente a missão que nos confia, não por causa de nossa força e mérito, até mesmo por falta deles. 

Reflitamos:

- Qual é a minha vocação na Igreja e no mundo?

- Para onde Deus me chama e me envia?

- Como se manifesta em mim a graça divina?

- Para que Deus me chama?

- A missão do Profeta não é pelo prazer, mas em fidelidade ao Sopro do Espírito, suportando as diversas dificuldades acima mencionadas. Sei suportar estas dificuldades, provações, na vivência de minha vocação profética?

Voltemo-nos à oração depois da Comunhão da Solenidade de São Pedro e São Paulo, que muito nos fortalece no discipulado e missão, para sermos, hoje, os profetas no mundo como Deus tanto espera.

Renovemos, dia a dia, a paixão pelo Senhor e agradeçamos pela Graça Divina da Vocação profética.

Oremos:

“Concedei-nos, ó Deus, por esta Eucaristia, viver de tal modo na Vossa Igreja que, perseverando na Fração do Pão e na Doutrina dos Apóstolos, e enraizados no Vosso Amor, sejamos um só coração e uma só alma. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém!”

 

(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - pp.663-666.

PS: Oportuno para o 14º Domingo do Tempo Comum - ano B

Nenhum comentário:

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG