quarta-feira, 2 de abril de 2025

Dobremos nossos joelhos diante da Misericórdia divina (VDTQC)

                                          

Dobremos nossos joelhos diante da Misericórdia divina

Quem de nós não
precisa receber e dar o perdão?

O Papa Francisco, em sua Carta Apostólica “Misericordia et misera”, por ocasião do encerramento do Ano Santo da Misericórdia (2016), apresentou-nos um trecho da passagem do Evangelho sobre a adúltera perdoada (Jo 8,1-11).

Convidou-nos a aprofundar sobre a desafiadora e necessária experiência do perdão, para que sintamos a alegria que o mesmo nos propicia, pois toda experiência de ser amado e perdoado gera uma alegria com gosto de Páscoa.

Assim foi com a pecadora adúltera perdoada por Jesus, como nos apresenta esta expressiva passagem do Evangelho.

Assim diz o Missal Cotidiano:  "A adúltera representa os membros da Igreja. Para lá de nossos pecados aceitamos o encontro e o diálogo de fé com Cristo, que deve desaguar no 'não peques mais', não por mera obediência à lei, mas para responder às exigências de uma consciência que encontrou o Amor." (1)

A misericórdia de Deus não condena, não elimina, não julga e não mata. A lógica divina é sempre a possibilidade de uma nova vida, de um novo recomeço.

Quando Cristo é a nossa riqueza, tudo é lixo (Fl 3,8). Abandona-se a vida do pecado, para um mergulho na vida da graça: “Vá e não peques mais” (Jo 8,11).

O que Cristo escreve no chão de nossa história para que o descubramos como nossa riqueza, e busquemos uma nova vida?

Se formos de má índole precisamos nos corrigir. 

Se formos acompanhados de pessoas de má índole, devemos nos cercar de pessoas que nos retire da areia movediça de nossos pecados.

Se for toda uma estrutura que gera situações de pecados, devemos nos empenhar na transformação desta estrutura, sobretudo quando nossa vida parecer, às vezes, um árido deserto.

Deus que é fonte de Água Viva, por Seu amor, faz surgir um rio de água viva em pleno deserto de nossa existência, a partir da experiência mais edificante que consiste em amar e ser amado.

A lógica de Deus não é a mesma lógica da sociedade, pois Ele reeduca, de outro lado, a sociedade elimina.

Diante da atitude de exclusão o Amor divino propõe a inclusão daquele (a) que pecou, e a  sua lógica é a do Amor que nos faz perceber nossos telhados de vidros:

“Atire a primeira pedra quem não tiver pecado algum” (Jo 8,7).

A lógica humana é simplista: errou, pagou! A lógica de Deus é infinitamente superior e criativa e nos desafia a mesma criatividade: Errou, dê conta do erro e não peque mais! Entre num caminho comunitário de conversão e compromisso com o próximo.

O amor liberta, renova e gera uma nova vida. A pecadora adúltera somos nós, a Igreja, frágeis, pequenos, que suplicamos a Deus a Sua misericórdia.

A Igreja deve sempre ser no mundo sinal de quem experimentou a ternura de Deus e descobriu na prática da ternura de Jesus o que existe de mais humano em Deus e o que há de divino no homem.

Jesus nos faz um forte convite: desarmarmo-nos de nossas pedras e nos armarmos com a arma do cristão que é o amor.

Quais são as pedras que devemos depor?
Quais são as pedras que atiramos com nossas línguas, gestos no dia a dia?

Somente a partir da experiência de ser acolhido, amado e perdoado que poderemos fazer o mesmo.

Prenúncio de uma nova realidade! Serão os sinais visíveis da Vinda do Senhor em nossa vida, para  aqueles que se nutriram do horizonte do amor, que é verdadeiramente infinito, inaugurado e realizado por Cristo Jesus, celebrado em cada Banquete Eucarístico, até que Ele venha! Amém!


PS: Missal Cotidiano - Editora Paulus - pág. 293.

Nenhum comentário:

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG