quinta-feira, 2 de abril de 2026

Missa Crismal: conhecer bem para celebrar melhor (Quinta-feira Santa)

 


Missa Crismal: conhecer bem, para celebrar melhor

Para bem celebrarmos a Missa Crismal, conhecida como Missa do Crisma, ou ainda Missa da Unidade, retomemos um parágrafo do Cerimonial dos Bispos:

“Esta Missa, que o Bispo concelebra com o seu presbitério e dentro da qual consagra o santo crisma e benze os outros óleos, é como que a manifestação da comunhão dos presbíteros com o seu bispo.

Com o santo crisma consagrado pelo bispo, são ungidos os recém-batizados e são marcados com o sinal da cruz os que vão ser confirmados, são ungidas as mãos dos presbíteros e a cabeça dos bispos, bem como a igreja e os altares na sua dedicação. Com o óleo dos catecúmenos, estes preparam-se e dispõem-se para o Batismo. Por fim, com o óleo dos enfermos, estes recebem alívio na doença.

Para esta Missa se congregam e nela concelebram os presbíteros, uma vez que, na confecção do crisma, são testemunhas e cooperadores do seu bispo, de cujo múnus sagrado participam, na edificação, santificação e condução do povo de Deus.

E deste modo se manifesta claramente a unidade do sacerdócio e do sacrifício de Cristo continuado na Igreja.

Para que se exprima o melhor possível esta unidade do presbitério, procure o Bispo que estejam presentes presbíteros concelebrantes, vindos das diversas regiões da diocese.

Os que, porventura, não concelebrem podem, nesta Missa crismal, comungar sob as duas espécies.” (1)

Assim também lemos no Pontifical Romano:

“O bispo deve ser considerado como sumo sacerdote de sua grei; dele decorre e depende de certo modo a vida cristã dos fiéis ( Sacrosanctum Concilium, n.42).

A Missa do Crisma, que concelebra com os presbíteros das diversas regiões da diocese e na qual consagra o santo crisma e benze os outros óleos, é considerada uma das principais manifestações da plenitude do seu sacerdócio e sinal da estreita união dos presbíteros com ele. De fato, com o santo crisma consagrado pelo bispo são ungidos os recém-batizados e assinalados os que vão receber a confirmação. Pelo óleo dos catecúmenos, são eles preparados e encaminhados para o Batismo. O óleo dos enfermos, finalmente, alivia-os em suas enfermidades.

A Liturgia cristã adotou o uso do Antigo Testamento de ungir com o óleo da consagração os reis, os sacerdotes e os profetas, porque prefiguravam o Cristo, cujo nome significa Ungido do Senhor.

Do mesmo modo, manifesta-se pelos agrado crisma que os cristãos, tendo sido inseridos pelo Batismo no mistério pascal de Cristo, com ele mortos, sepultados e ressuscitados (Sacrosanctum  Concilium, n.6), participam de seu sacerdócio real e profético e recebem pela Confirmação a unção espiritual do Espírito Santo que lhes é dado.

O efeito dos exorcismos é aumentado pelo óleo dos catecúmenos, pois os batizandos se fortalecem para poderem renunciar ao demônio e ao pecado antes de se aproximarem da fonte da vida e renascer.

O óleo dos enfermos, cujo uso é atestado por São Tiago (Tg 5,14), proporciona aos doentes remédio para as enfermidades da alma e do corpo, a fim de poderem suportar e superar com fortaleza os sofrimentos e alcançar o perdão de seus pecados.” (2)

Vejamos o que nos diz o Comentário do Missal Dominical:

“O bispo e os sacerdotes concelebram na catedral. Constituídos, na última Ceia, ‘servos do Mistério’: realizam eles a unidade do seu sacerdócio no único grande Sacerdote, Jesus Cristo.

Nesta missa manifesta-se o mistério do sacerdócio de Cristo, participado pelos ministros constituídos em cada Igreja local, que renovam hoje seu compromisso ao serviço do povo de Deus.

O bispo, cercado pelos outros sacerdotes, abençoa os óleos, que serão usados nos diversos sacramento: o crisma (óleo misturado com perfumes), para significar o dom do Espírito no batismo, na crisma, na ordem; o óleo para os catecúmenos e o óleo para os enfermos, sinal da força que liberta do mal e sustenta na provação da doença.

Através de uma realidade terrena já transformada pelo trabalho do homem (o óleo) e de um gesto simples e familiar (a unção), exprime-se a riqueza de nova existência em Cristo, que o Espírito continua a transmitir à Igreja até o fim dos tempos.” (3)

Quanto ao dia da bênção, assim lemos no Pontifical Romano:

“A bênção do óleo dos enfermos e do óleo dos catecúmenos e a consagração do crisma são feitas de costume pelo bispo na Quinta-feira da Semana Santa, na Missa própria, que deve ser celebrada pela manhã.

Se for difícil reunir o clero e o povo neste dia com o bispo, pode-se antecipar esta bênção, sempre, porém, nas proximidades da Páscoa e sempre com Missa própria.” (4)

Com tudo isto, conhecendo bem, poderemos celebrar muito melhor esta bela e fecunda Santa Missa, com sua riqueza inexprimível. Deste modo, imperdível para quem participa da vida da Igreja, e de modo especial, para quem desempenha alguma atividade pastoral ou ministério na Igreja.

 
(1) Cerimonial dos Bispos – Cerimonial da Igreja – Editora Paulus – 1988 – parágrafo n. 274 – p. 93
(2)Pontifical Romano – Editora Paulus – 2000 – parágrafos nn.1 e 2 – p. 524
(3)Missal Dominical – Editora Paulus – 1995 – p. 288
(4)Pontifical Romano - Editora Paulus - 2000 - parágrafos 
– nn.9-10 – p. 526

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG