“Foi elevado ao Céu e
sentou-Se
à direita de Deus” (Mc 16,19)
Reflexão
à luz da passagem do Evangelho de São Marcos (Mc 16,15-20).
A
ida de Jesus para o Céu, não é a afirmação de Sua partida e ausência, mas é a
garantia de Sua eterna presença conosco, até que Ele venha pela segunda vez,
como afirmamos na Missa: “anunciamos Senhor a Vossa morte e proclamamos a
Vossa Ressurreição, vinde Senhor Jesus”.
Como
discípulos missionários, o fim último de todos nós é a comunhão com
Deus, o Céu.
Antes,
porém, é preciso assumir com coragem, no tempo presente, a missão
por Deus a nós confiada: anunciar o Evangelho a todos os povos, empenhados,
decididamente, no Projeto de Salvação Divina.
É
preciso sempre superar a passividade alienante: ir para o meio do mundo, como
sal, luz e fermento; levar a humanidade a viver a comunhão querida por Deus, a
fim de que todos sejamos um em Cristo Jesus.
À
Igreja, portadora da plenitude de Cristo, nada falta para cumprir esta missão.
É
o que contemplamos na passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos (At
1,1-11) onde encontramos o retrato de uma comunidade que vive num contexto de
crise, desilusão e frustração. O tempo vai passando e não vê realizar o Projeto
Salvador. Quando será, enfim, realizado?
São
Lucas, autor dos Atos dos Apóstolos, escreve em tons de catequese sólida,
substancial, para que a comunidade não vacile na fé, não esmoreça na esperança
e nem esfrie na caridade. A construção do Reino exige empenho contínuo e nisto
consiste o papel da comunidade formada por aqueles que creem e se afirmam
cristãos.
Lucas
escreve a Teófilo (aqueles que são amados por Deus = amigos de Deus)
apresentando o Protagonista maior da Evangelização, que é o Espírito Santo, e
conta com a participação e ação dos Apóstolos.
O
Apóstolo Paulo, escrevendo aos Efésios (Ef 1,17-23), fala da comunidade como um
corpo. Cristo é a cabeça e a Igreja é o corpo. Nisto consiste o “pleroma”, ou
seja, na Igreja reside a plenitude, a totalidade de
Cristo.
A
Igreja é a habitação onde Cristo Se torna presente no
mundo. Estando Cristo presente neste Corpo, Ele enche o
mundo e atrai a Si o universo inteiro, até que Ele “seja tudo em todos” (Ef 1,
23).
A
Ressurreição/Ascensão/Glorificação de Jesus é a garantia da nossa própria
ressurreição/glorificação, por isto é preciso avançar no caminho superando as
dificuldades.
Voltando
ao Evangelho, que se trata de uma conclusão, possivelmente um acréscimo
posterior à redação, escrito com o intuito de afastar todo medo da comunidade,
para ajudá-la a superar a sua acomodação, instalação, afastando também toda
perspectiva de recuo, desistência na árdua e maravilhosa missão do anúncio da
Boa-Nova.
Jesus
voltando para o Pai, e ficando para sempre no meio dos Seus discípulos, confia
a eles a continuidade da missão. Deste modo, com a Ascensão, podemos afirmar
que Jesus cumpriu plenamente a Sua missão e reentrou na comunhão do Pai, e
assim dá início à nossa missão.
Ele
sentou-Se à direita do Pai para reinar sobre tudo e todos, através da missão
dos discípulos.
É
sempre tempo de tomarmos consciência do quanto Deus em nós confia.
Reflitamos:
- Tenho consciência da universalidade da missão?
- Como discípulo, procuro aprender, assimilar e viver os ensinamentos de
Jesus para que a missão tenha crédito e seja uma luz para o mundo?
- A vida dos discípulos não está livre da desilusão, sofrimento,
frustração... Mas também está presente uma certeza que alimenta a coragem do
que cremos: “Eu estarei convosco até o fim dos tempos”. Tenho viva esta
certeza em meu coração?
- No seguimento de Jesus, não podemos nos instalar. Ser cristão é ser
pessoa do tempo, sem medo de novidades. Estou instalado, acomodado, de braços
cruzados, ou fascinado por Cristo e pela missão confiada?
- Procuro a sabedoria e força do Espírito para corresponder à altura?
- Ser cristão é ser alguém que deixou se levar pelo grande sopro do
Espírito; é saber que pode contar com Ele na missão.
- Quais são os medos que temos a enfrentar no desempenhar na missão
evangelizadora?
- Sentimos a presença do Ressuscitado em nossa missão?
- Temos sentimentos de gratidão pela confiança de Deus em nós depositada
para levar adiante a missão?
Como pessoas que creem, deixemos de olhar para o céu, não façamos do
cristianismo uma “agência de serviços sociais”, não meçamos esforços para
encontrar Cristo, tanto na Palavra como na Eucaristia e nos demais Sacramentos,
para que então renovados, revigorados, nos empenhemos apaixonadamente por
Cristo na construção do Reino de Deus.
PS: Festa
do Evangelista São Marcos celebrada no dia 25 de abril.
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