sábado, 25 de abril de 2026

Grande graça o Senhor nos concedeu: continuar a Sua missão

                                           

Grande graça o Senhor nos concedeu: continuar a Sua missão
 
 
 “Foi elevado ao Céu e sentou-Se
à direita de Deus” (Mc 16,19)
 
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de São Marcos (Mc 16,15-20).
 
A ida de Jesus para o Céu, não é a afirmação de Sua partida e ausência, mas é a garantia de Sua eterna presença conosco, até que Ele venha pela segunda vez, como afirmamos na Missa: “anunciamos Senhor a Vossa morte e proclamamos a Vossa Ressurreição, vinde Senhor Jesus”.
 
Como discípulos missionários, o fim último de todos nós é a  comunhão com Deus, o Céu.
 
Antes, porém,  é preciso assumir com coragem, no tempo presente, a missão por Deus a nós confiada: anunciar o Evangelho a todos os povos, empenhados, decididamente, no Projeto de Salvação Divina.
 
É preciso sempre superar a passividade alienante: ir para o meio do mundo, como sal, luz e fermento; levar a humanidade a viver a comunhão querida por Deus, a fim de que todos sejamos um em Cristo Jesus.
 
À Igreja, portadora da plenitude de Cristo, nada falta para cumprir esta missão.
 
É o que contemplamos na passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos  (At 1,1-11) onde encontramos o retrato de uma comunidade que vive num contexto de crise, desilusão e frustração. O tempo vai passando e não vê realizar o Projeto Salvador. Quando será, enfim, realizado?
 
São Lucas, autor dos Atos dos Apóstolos, escreve em tons de catequese sólida, substancial, para que a comunidade não vacile na fé, não esmoreça na esperança e nem esfrie na caridade. A construção do Reino exige empenho contínuo e nisto consiste o papel da comunidade formada por aqueles que creem e se afirmam cristãos.
 
Lucas escreve a Teófilo (aqueles que são amados por Deus = amigos de Deus) apresentando o Protagonista maior da Evangelização, que é o Espírito Santo, e conta com a participação e ação dos Apóstolos.
 
O Apóstolo Paulo, escrevendo aos Efésios (Ef 1,17-23), fala da comunidade como um corpo. Cristo é a cabeça e a Igreja é o corpo. Nisto consiste o “pleroma”, ou seja, na Igreja reside a plenitude, a totalidade de Cristo.          
 
A Igreja é a habitação onde Cristo Se torna presente no mundo.     Estando Cristo presente neste Corpo, Ele enche o mundo e atrai a Si o universo inteiro, até que Ele “seja tudo em todos” (Ef 1, 23).
 
A Ressurreição/Ascensão/Glorificação de Jesus é a garantia da nossa própria ressurreição/glorificação, por isto é preciso avançar no caminho superando as dificuldades.
 
Voltando ao Evangelho, que se trata de uma conclusão, possivelmente um acréscimo posterior à redação, escrito com o intuito de afastar todo medo da comunidade, para ajudá-la a superar a sua acomodação, instalação, afastando também toda perspectiva de recuo, desistência na árdua e maravilhosa missão do anúncio da Boa-Nova.
 
Jesus voltando para o Pai, e ficando para sempre no meio dos Seus discípulos, confia a eles a continuidade da missão. Deste modo, com a Ascensão, podemos afirmar que Jesus cumpriu plenamente a Sua missão e reentrou na comunhão do Pai, e assim dá início à nossa missão.
 
Ele sentou-Se à direita do Pai para reinar sobre tudo e todos, através da missão dos discípulos.
 
É sempre tempo de tomarmos consciência do quanto Deus em nós confia.
 
Reflitamos:
 
- Tenho consciência da universalidade da missão?
- Como discípulo, procuro aprender, assimilar e viver os ensinamentos de Jesus para que a missão tenha crédito e seja uma luz para o mundo?
 
- A vida dos discípulos não está livre da desilusão, sofrimento, frustração... Mas também está presente uma certeza que alimenta a coragem do que cremos: “Eu estarei convosco até o fim dos tempos”. Tenho viva esta certeza em meu coração?
 
- No seguimento de Jesus, não podemos nos instalar. Ser cristão é ser pessoa do tempo, sem medo de novidades. Estou instalado, acomodado, de braços cruzados, ou fascinado por Cristo e pela missão confiada?
 
- Procuro a sabedoria e força do Espírito para corresponder à altura?
- Ser cristão é ser alguém que deixou se levar pelo grande sopro do Espírito; é saber que pode contar com Ele na missão.
 
- Quais são os medos que temos a enfrentar no desempenhar na missão evangelizadora?
- Sentimos a presença do Ressuscitado em nossa missão?
 
- Temos sentimentos de gratidão pela confiança de Deus em nós depositada para levar adiante a missão?
 
Como pessoas que creem, deixemos de olhar para o céu, não façamos do cristianismo uma “agência de serviços sociais”, não meçamos esforços para encontrar Cristo, tanto na Palavra como na Eucaristia e nos demais Sacramentos, para que então renovados, revigorados, nos empenhemos apaixonadamente por Cristo na construção do Reino de Deus.
 
 
PS: Festa do Evangelista São Marcos celebrada no dia 25 de abril.
 


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