quarta-feira, 8 de abril de 2026

Olhos que se abrem, corações que ardem…

                                                             

Olhos que se abrem, corações que ardem…

“E aconteceu que, estando com eles à mesa, tomando o pão, abençoou e partiu-o, e lho deu. Abriram-se-lhes então os olhos,
e o conheceram, e Ele desapareceu-lhes. 
E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, 
e quando nos abria as Escrituras?” (Lc 24,30-32)

Naquela tarde, dois discípulos para Emaús caminhavam:
Desilusão, fracasso, sonhos frustrados, pura decepção.
Ainda não tinham acolhido, no mais profundo de si mesmos,
A graça revitalizadora da Boa Nova da Ressurreição.

É a caminhada daqueles que se dobram diante da morte;
Daqueles que da luta se retiram na perda do sentido;
Daqueles que da vida nada mais esperam,
A não ser viver apenas por ter vivido.

Cléofas e o anônimo discípulo, que para Emaús retornam,
São imagens da não vida, do vazio, escuridão e não confiança.
Daqueles para quem já não há mais esperança,
Que jamais assim façamos, e com o Senhor caminhemos...

Caminhando, redescobrem a chama que fora acesa,
Repensam o caminho e refazem seus sonhos e planos,
Acolhem na intimidade Aquele que dera Sua vida,
Para que o mundo fosse mais fraterno e humano.

Que tarde memorável daqueles discípulos,
Que no caminhar, o Verbo que fora vivo e morto,
Agora com eles, Ressuscitado para sempre está:
Âncora segura, luz resplandecente, seguro porto.

Daqueles lábios de que tantas palavras se ouviram,
Agora voltam a acolher outras belas e tantas.
Somente destes lábios saem palavras que ardem,
Pois não são vazias, porque são eternas e santas.

Corações que ardem ao acolherem aquelas memoráveis palavras,
Palavras que no dia a dia plenificam, preenchem, sustentam;
Palavras de sabedoria que revigoram, corrigem, orientam;
Palavras vivas para quem com a vida se compromete, pois por elas se deixam conduzir.

Olhos que se abrem, dos discípulos ontem e em todo tempo.
Olhos que se abrem quando o Pão Verdadeiro é partilhado,
Gesto que Ele tantas vezes com eles realizara,
Sinal profético do Banquete a ser na vida prolongado.

Só é possível reconhecer a presença do Ressuscitado,
Quem com Ele se puser, sem dúvida e medo, a caminho;
Quem deixar inflamar o coração com Sua ardente Palavra,
Suportando, com amor, dificuldades, dores e espinhos.

Só é possível reconhecer a presença do Ressuscitado,
Quem com Ele à mesa se assentar para o Pão partilhar,
Na Mesa da Eucaristia belas lições sempre aprender.
Prolongando-as na vida, vida nova há de brilhar.

Como cristãos, vivamos a experiência atualizada de Emaús.
Como homens e mulheres de Deus, para lá jamais voltaremos,
Pois sabemos que a Jerusalém é aqui mesmo,
As forças da morte com disposição enfrentaremos.

Que a graça do Amor de Deus no coração seja impressa,
Acendei Senhor, em nós, a chama do amor sedutor e eterno.
Tudo nos será mais fácil: faremos grandes coisas muito depressa,
E com pouco trabalho, faremos o mundo mais belo e fraterno.

Olhos que se abrem, corações que ardem!
Ontem, hoje e sempre, somos discípulos do Senhor também.
Olhos que se abrem, corações que ardem
No coração da Sua amada Igreja. Amém! Aleluia! Aleluia!

PS: Poesia inspirada na passagem do Evangelho dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35).

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