domingo, 1 de fevereiro de 2026

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Bem-Aventuranças vividas, sal da terra e luz do mundo seremos (IVDTCA)

                                              


 Bem-Aventuranças vividas, sal da terra e luz do mundo seremos

 
                  “Bem-Aventurados os pobres em espírito...”
 
No quarto Domingo do Tempo Comum (Ano A), refletimos sobre o caminho dos discípulos missionários do Senhor, de modo especial contemplado nas Bem-Aventuranças que Jesus Cristo nos apresenta, no alto da Montanha.
 
Na passagem da primeira Leitura (Sf 2,3;3,12-13), o profeta Sofonias (séc. VII) denuncia o orgulho e a autossuficiência dos ricos e dos poderosos, acompanhado do convite ao Povo de Deus, para que se converta à pobreza, entregando-se nas mãos de Deus, com total confiança, abertura e fidelidade ao Seu Plano Divino.
 
Na passagem da segunda Leitura (1 Cor 1,26-31), o apóstolo exorta a comunidade a encontrar em Cristo Crucificado a verdadeira sabedoria, que conduz à Salvação e à vida plena:
 
“O cristão não tem outra missão senão dar a própria vida, deixá-la tomar gota a gota, dia a dia, reconhecendo que Cristo é o centro da vida e, fora do Seu amor, não se pode viver e nada tem valor... Paulo reconhece na disponibilidade interior de confiança e esperança para o amor de Cristo, a presença ativa do Cristo Ressuscitado. Ainda hoje, para cada comunidade nossa, como ontem para a comunidade de Corinto, nada é deveras grave senão perder o amor (cf.v.30)” (1).
 
Com a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,1-12a), refletimos sobre as Bem-Aventuranças a serem vividas como caminho para a felicidade, que é em sua exata medida, o caminho para a santidade, e tão somente assim, sal da terra e luz do mundo seremos.
 
Evidentemente, viver as Bem-Aventuranças, como projeto e desafio permanente, exige que carreguemos a cruz cotidianamente, com suas necessárias renúncias, o que somente será possível se crermos piamente que Jesus viveu, morreu e desceu à mansão dos mortos, mas Ressuscitou triunfalmente ao terceiro dia.
 
Contemplemos as quatro primeiras Bem-Aventuranças, que definem a atitude fundamental do discípulo missionário de Jesus Cristo: pobre, aflito, manso e sedento de justiça.
 
As quatro seguintes referem-se à vida de relação com o outro: ser misericordioso, puro de coração, promotor da paz e testemunha corajosa.
 
Vejamos o que nos diz cada Bem-Aventurança do Sermão da Montanha:
 
1ª - pobres em espírito: trata-se de uma condição espiritual e não a pobreza material em si. Na linguagem hebraica pode ser entendido como devoto, fiel, aquele que coloca a sua confiança em Deus;
 
2ª - o discípulo é enviado não apenas para levar a Boa Notícia aos pobres, mas também consolar os aflitos, em situações difíceis, para que reencontrem a esperança, certos de que Deus intervirá e acabará com os motivos da aflição;
 
3ª - o discípulo viverá a mansidão na imitação de Jesus, com domínio dos instintos, e sabe que, mesmo em situações de oposição, respeita ao outro e não reage recorrendo a violência. A este é prometida a posse da terra que consiste na vida eterna no Reino dos céus, a Salvação;
 
4ª - o discípulo é faminto e sedento de justiça, empenha-se no cumprimento da Lei de Deus e se compromete em viver conforme a Sua vontade acima de tudo; e encontrará pleno cumprimento no Banquete Messiânico, que nos será oferecido na eternidade e que já experimentamos em cada Celebração da Eucaristia;
 
5ª - o discípulo se reconhece pecador e tem continuamente a necessidade da misericórdia divina, e esta acolhida o leva a viver as obras de misericórdia (corporais e espirituais);
 
6ª - o discípulo é puro de coração, e entende-se coração como a sede dos sentimentos e dos desejos, dos pensamentos e das ações. Ser puro de coração é ser sincero no proceder, que não pensa de um modo e age de outro. Não cultiva más intenções para com o próximo, e sua pureza diante de Deus não se obtém pela prática de alguns ritos, mas numa conduta de vida boa, sincera que se concretiza na prática do bem;
 
7ª - é promotor da paz em todos os âmbitos (família, comunidade e no mundo). Empenha-se concretamente no cultivo dos sentimentos de paz em atitudes de conciliação, compreensão e paciência. Sabe que a paz é dom de Deus, que nos criou à Sua imagem e semelhança, seremos chamados filhos de Deus, por isto o compromisso inadiável e irrenunciável na promoção da paz;
 
8ª - o discípulo pobre em espírito, aflito, com fome e sede justiça será perseguido. Sabe que encontrará hostilidades, mas tem plena convicção da presença de Deus, sabe que o Reino e suas Bem-Aventuranças lhe pertencerão. A perseguição enfrentada é um sinal de que se está ao lado de Cristo, na vivência de seu batismo e a dimensão profética.
 
Na realização das atividades pastorais é sempre oportuno rever objetivos e estratégias para melhor anunciarmos e testemunharmos a Boa-Nova de Jesus Cristo.
 
Conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças, seremos pobres em espírito, com absoluta e incondicional confiança em Deus; possuiremos a mansidão necessária para enfrentarmos as situações adversas; viveremos as aflições cotidianas, certos de que Deus jamais nos desampara, e nos dá Seu consolo, força e proteção.
 
Nossa fome e sede de justiça serão saciadas, e não nos omitiremos nos sagrados compromissos por um novo céu e uma nova terra, com relações que expressem maior fraternidade e comunhão.
 
Viveremos a misericórdia, expressa na acolhida, no perdão, na solidariedade, capacitando-nos e nos colocando com alegria como instrumentos da paz, para sinalizar a presença do Reino em nosso meio.
 
Iluminados por elas, teremos a pureza de coração e de alma necessária, gerando e formando Cristo em nós e nos outros, com maturidade e coragem para suportar eventuais insultos, calúnias, tormentos, perseguições e, até mesmo a morte, se ela se fizer presente, ainda que indesejável, como assim testemunharam os profetas, apóstolos, mártires e tantos cristãos, nesta longa história de amor e fidelidade ao Senhor.
 
Pelas Bem-Aventuranças iluminados, evangelizaremos com amor, zelo e alegria, com a presença do Espírito do Senhor que repousa sobre nós (Lc 4,18), firmando nossos passos com coragem, firmeza, fidelidade, sem vacilar na fé e no testemunho da esperança, acompanhado da prática do mandamento do Amor a Deus e ao próximo.
 
Sejamos sempre conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças, com a convicção de que seremos julgados por Deus: “No entardecer de nossa vida seremos julgados pelo amor” (São João da Cruz).
 
Oremos:

“Ó Deus, que prometestes aos pobres e aos humildes as alegrias do Vosso Reino, fazei que a Igreja não se deixe seduzir pelos poderes do mundo, mas, à semelhança dos pequenos do Evangelho, siga confiante o Seu Esposo e Senhor, para que possa experimentar a força do Vosso Espírito. Amém.”
 
 
Fonte – dehonianos.org
(1)Missal Cotidiano – Editora Paulus – p. 1214
 

A escada que nos leva aos céus (IVDTCA)

                                                       


A escada que nos leva aos céus
 
Acolhamos o Sermão de São Cromácio de Aquileia (séc. V), em que nos apresenta os oito degraus do Evangelho (Mt 5,38-42) para chegarmos à glória dos céus.

"'Bem-aventurados sereis, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem de vós todo tipo de mal por causa da justiça.
 
Alegrai-vos e exultai, porque é grande a vossa recompensa nos céus. Assim perseguiram aos Profetas que vieram antes de vós’. É virtude perfeita, irmãos, após as obras da grande justiça, serem ultrajados pela verdade, serem afligidos com tormentos e, ao fim, feridos de morte sem deixar-vos aterrorizar, seguindo o exemplo dos Profetas que, atormentados de muitas formas por causa da justiça, mereceram ser assimilados aos sofrimentos e galardão de Cristo.

Este é o mais alto degrau, no qual Paulo, contemplando a Cristo, dizia: minha única meta é, esquecendo as coisas passadas, e fixando-me somente nas que virão, correr até a meta, para ganhar o prêmio ao qual Deus chama desde o alto por Jesus Cristo.
 
E a Timóteo diz ainda mais claramente: ‘combati o bom combate, terminei minha carreira’. E como quem subiu todos os degraus, acrescenta: ‘guardei a fé. Já me está preparada a coroa da justiça’.
 
Terminada a carreira, a Paulo não lhe restava mais que alcançar glorioso, através de tribulações e dos sofrimentos, o mais alto degrau do martírio.
 
A Palavra do Senhor nos exorta, pois, oportunamente: ‘alegrai-vos e exultai, porque grande é a vossa recompensa nos céus’; e Ele demonstra com clareza que esta recompensa aumenta na medida das perseguições.
 
Irmãos, diante de vossos olhos estão estes oito degraus do Evangelho, construídos, como dizia, com pedras preciosas. Eis aqui essa escada de Jacó que começava na terra e cujo cume atingia o céu.
 
Aquele que a sobe encontra a porta do céu e, tendo entrado por ela, estará com alegria sem fim na presença do Senhor, louvando-lhe eternamente com os santos Anjos. Este é o nosso comércio, este é o nosso mercado espiritual. 
 
Demos, benditos de Deus, o que temos; ofereçamos a pobreza de espírito para receber a riqueza do Reino dos Céus  que nos foi prometida; ofereçamos nossa mansidão, para possuir a terra e o paraíso; choremos os nossos pecados e os alheios, para merecer o consolo da bondade do Senhor; tenhamos fome e sede de justiça, para sermos saciados mais abundantemente; ofereçamos misericórdia, para receber verdadeira misericórdia; vivamos como benfeitores da paz, para sermos chamados filhos de Deus; ofertemos um coração puro e um corpo casto, para ver a Deus com consciência límpida; não temamos as perseguições por causa da justiça, para sermos herdeiros do Reino dos Céus, acolhamos com alegria e gozo os insultos, os tormentos, a própria morte – se chegasse a sobrevir – pela verdade de Deus, a fim de receber no céu uma grande recompensa com os Apóstolos e os Profetas.
 
E para que o final de meu discurso concorde com o princípio: se os comerciantes se alegram pelas frágeis ambições do momento, quanto mais temos de alegrar-nos e felicitar-nos todos juntos por ter encontrado hoje estas pérolas do Senhor, com as quais não se pode comparar nenhum bem deste mundo.
 
Para merecer comprá-las, obtê-las e possuí-las, temos de pedir o auxílio, a graça e a fortaleza ao próprio Senhor. A Ele seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém.”  (1)
 
Retomemos os oito degraus da escada que nos conduz ao céu:
 
1 - Ofereçamos a pobreza de espírito para receber a riqueza do Reino dos Céus que nos foi prometida;
 
2 - Ofereçamos nossa mansidão, para possuir a terra e o paraíso;
3 - Choremos os nossos pecados e os alheios, para merecer o consolo da bondade do Senhor;
 
4 - Tenhamos fome e sede de justiça, para sermos saciados mais abundantemente;
5 - Ofereçamos misericórdia, para receber a verdadeira misericórdia;
 
6 - Vivamos como benfeitores da paz, para sermos chamados filhos de Deus;
7 - Ofertemos um coração puro e um corpo casto, para ver a Deus com consciência límpida;
 
8 - Não temamos as perseguições por causa da justiça, para sermos herdeiros do Reino dos Céus, acolhamos com alegria e gozo os insultos, os tormentos, a própria morte – se chegasse a sobrevir – pela verdade de Deus, a fim de receber no céu uma grande recompensa com os Apóstolos e os Profetas.
 
Evidentemente, uma escada que somente poderemos subir degrau por degrau, com a cruz carregada, precedida de necessárias renúncias, cotidianamente, fazendo todo o esforço para entrarmos pela porta estreita que nos conduz aos céus.
 
Roguemos a Deus para que enriquecidos por sua graça, força e bondade, vivamos na mansidão, e tendo a pureza de coração, sejamos promotores da paz, tendo plena confiança de que tão somente Deus pode saciar plenamente nossa sede de justiça, amor, vida e paz.
 
Verdadeiramente, estes oito degraus são imprescindíveis no nosso itinerário de fé, para que vivamos a santidade como sinônimo de felicidade, que não dispensa sacrifícios, empenhos e renovados compromissos com a Boa-Nova do Reino. Tão somente assim estaremos com os pés nos chãos duro e sofrido da realidade, e buscando as coisas do alto onde habita Deus (Cl 3,1)
 
Sejamos, portanto, promotores da cultura da vida e da paz, em todo o tempo e em todas as situações.
 
 
 
(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - pp.126-127 
 

Sejamos perfeitos e inabaláveis na fé

                                                            

Sejamos perfeitos e inabaláveis na fé

“... notei como sois perfeitos na fé inabalável,
como que, de corpo e alma, presos por cravos à Cruz do
Senhor Jesus Cristo e firmes na caridade pelo Sangue de Cristo...”

Acolhamos esta Carta de Santo Inácio de Antioquia, Bispo e Mártir da Igreja, escrita no primeiro século e dirigida aos Esmirnenses, quando os cristãos começaram sua missão, anunciando por todo o mundo a Boa-Nova da Salvação que nos alcançou o Senhor Jesus.

“Inácio, o Teóforo, à Igreja de Deus Pai e de Jesus Cristo, o dileto, rica de todos os dons da misericórdia, repleta de fé e de caridade, sem que lhe falte qualquer graça, muito amada por Deus, portadora da santidade, à Igreja que está em Esmirna na Ásia, efusivas saudações no Espírito imaculado e no Verbo de Deus.

Rendo glória a Jesus Cristo, Deus, que vos deu tanta sabedoria; pois notei como sois perfeitos na fé inabalável, como que, de corpo e alma, presos por cravos à Cruz do Senhor Jesus Cristo e firmes na caridade pelo Sangue de Cristo, crendo com fé plena e segura que nosso Senhor é em verdade oriundo da estirpe de Davi segundo a carne, Filho de Deus pela vontade e poder de Deus. Crendo de igual modo que verdadeiramente nasceu da Virgem, foi batizado por João para que n’Ele se cumprisse toda a justiça.

Crendo que verdadeiramente, foi, sob Pôncio Pilatos e o tetrarca Herodes, crucificado na carne por nós – a cujo fruto nós pertencemos por Sua bem-aventurada Paixão – a fim de, por Sua Ressurreição, elevar pelos séculos a bandeira que reúne Seus Santos e Seus fiéis, judeus ou gentios, no único corpo de sua Igreja.

Tudo padeceu por nós para alcançarmos a salvação; e padeceu de verdade, como também de verdade Ressuscitou a Si mesmo.

Eu também sei que, depois da Ressurreição, vive em Seu corpo e creio estar Ele ainda agora com Seu corpo. Ao se encontrar com Pedro e seus companheiros, disse-lhes: Pegai, apalpai-me e vede que não sou um espírito incorpóreo. E logo O tocaram e creram, unidos à Sua carne e a Seu Espírito. Por esta razão, desprezaram também a morte e da morte saíram vitoriosos.

Depois da Ressurreição, comeu e bebeu com eles como qualquer ser corporal, embora, espiritualmente, unido ao Pai.

Exorto-vos, portanto, caríssimos, embora bem saiba que pensais do mesmo modo.”

São os primeiros momentos inesquecíveis e fundantes da Igreja e de sua missão de testemunhar, corajosamente, Jesus Vivo e Ressuscitado, Glorioso, para que também passando pela morte, seja alcançada a glória da imortalidade, a vida eterna.

Em poucas linhas, temos condensados o Mistério da Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição de nosso Senhor.

Reflitamos:

- Quem é Jesus para nós?
- Para que Ele nos chama?

- Como mantermos nossa fé inabalável, sobretudo, nos momentos difíceis por que possamos passar?
- Como dar razão de nossa esperança nos momentos mais adversos na história real em que estejamos inseridos?

- Qual é a nossa adesão a Jesus Cristo e a proposta do Reino que nos chamou e nos enviou a anunciar?
- Sentimo-nos presos nos cravos de nosso Senhor, como Santo Inácio o disse em sua exortação?

Renovemos nossa fidelidade e coragem para vivermos o Batismo, como sacerdotes, profetas e reis, tendo em nós a presença do Espírito Santo, que em nós habita, porque templos Seus o somos. 

Da mesma forma, renovemos nossa fidelidade no seguimento de Jesus, vivendo os sagrados compromissos batismais na participação da construção do Seu Reino, até que Ele venha gloriosamente, como aclamamos na Santa Missa:

“Anunciamos Senhor a Vossa morte,
e proclamamos a Vossa Ressurreição, vinde Senhor Jesus”.

Em poucas palavras... (IVDTCA)

                                                 


Bem-Aventuranças: “bilhete de identidade do cristão”

“Jesus explicou, com toda a simplicidade, o que é ser santo (Mt 5,3-12; Lc 6,20-23). Estas são como o bilhete de identidade do cristão. Assim, se um de nós se questionar sobre ‘como fazer para chegar a ser um bom cristão’, a resposta é simples: é necessário fazer – cada qual a seu modo – aquilo que Jesus disse no Sermão das Bem-Aventuranças. Nelas está delineado o rosto do Mestre, que somos chamados a deixar transparecer no dia a dia da nossa vida.” (1)

 

(1)             Exortação Apostólica Gaudete et exsultate do Santo Pade Francisco – sobre a chamada à santidade no mundo atual – (Março de 2018) n. 63

Resiliência na travessia

 


Resiliência na travessia

Resiliência: uma palavra que tem sido cada vez mais falada, e que bem compreendida e vivida pode nos ajudar ao escrever sempre novas páginas de alegria, vida e esperança.

Uma possível definição da palavra: “habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas”. (1)

Oremos:

Concedei-nos, Senhor, resiliência no enfrentar de uma enfermidade, acompanhada da fé, de mãos dadas com a ciência: uma fé que a ciência não dispensa, uma ciência que a fé não desconsidere (renegue).

Que nos ajude no autocontrole, acompanhado da força de vontade de superação de situações embaraçosas, e que não nos sejam aniquiladas nossas forças.

Para suportar com fortaleza, sem nos deixarmos vencer pelo espírito de medo e timidez, crendo em Vós, que nos acompanha em todos os passos e nos fortalece (2)

Peregrinos de esperança sejamos, resilientes em toda e qualquer situação, confiando em Vossa presença na barca de Vossa Igreja, que nos garante o chegar à margem, em necessária travessia... (3)

Com sabedoria, remar, por vezes, contra a maré das provações e dificuldades, aguentando firme, sem jamais perder o horizonte da esperança, no bom combate da fé (4), inflamados pela chama de Vossa Caridade. Amém.

 

(1)     Dicionário Aulete

(2)    2 Tm 1,7

(3)    Mc 4,35-41

(4)   2 Tm 4,7

 

Em poucas palavras...

                                                             

                          Santidade: revelar a Face de Cristo

Jamais Santidade poderá ser sinônimo de “beatice”, medo de viver, fuga, evasão, alienação. 

O mundo precisa de Santos e Santas que nos revelem a Face de Cristo, que nos comuniquem o Amor do Pai e nos iluminem com a Luz do Espírito.     


Em poucas palavras...(IVDTCA)

                                                  


Jesus,  o homem perfeito

“Em toda a sua vida, Jesus mostra-Se como nosso modelo (Rm 15,5; Fl 2,5): é «o homem perfeito» (Gaudium et spes n.38), que nos convida a tornarmo-nos seus discípulos e a segui-Lo; com a sua humilhação, deu-nos um exemplo a imitar (Jo 13,15); com a sua oração, convida-nos à oração (Lc 11,1); com a sua pobreza, incita-nos a aceitar livremente o despojamento e as perseguições (Mt 5,11-12).” (1)

  

(1)        Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.520 

A Santidade desejável por Deus (IVDTCA)

                                                          

A Santidade desejável por Deus

Santidade é o estar bem com Deus, por isto ela é dom e missão. Deus no-la dá, mas nós devemos realizá-la em nossa vida e irradiá-la em todos os lugares.

Santidade: Dom e Missão.
Para que seja dom precisará de corações que não estejam cheios de si mesmos. Exige empenho para que aconteça a justiça de Deus e a promoção de Sua paz. Exige, portanto, desprendimento, conversão, abandono da autossuficiência.

A Santidade não é o destino de uns poucos, mas de uma imensa multidão. Todos os que, de alguma maneira, mesmo sem o saber, aderiram à causa de Cristo e o Seu Reino.

Ser Santo significa ser totalmente de Deus, vivendo um cristianismo libertado, esperançoso, comprometido e exigente, numa vida espiritual sólida e permanente.

Jamais Santidade poderá ser sinônimo de “beatice”, medo de viver, fuga, evasão, alienação. O mundo precisa de Santos e Santas que nos revelem a Face de Cristo, que nos comuniquem o Amor do Pai e nos iluminem com a Luz do Espírito.     

A Santidade é possível a todos os membros da Igreja, ela nos ensina, pois Deus quer que todos sejamos Santos, participantes de Sua Vida e Amor. O Pai deseja que, através da ação do Espírito Santo em nós, nos pareçamos cada vez mais com o Seu Filho Jesus Cristo.

Ela é o desenvolvimento da nossa filiação divina: “Desde agora somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. Sabemos que quando isto se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto o veremos como Ele é” (1Jo 3,2).

Concluamos com as palavras do Missal Dominical:

“A Santidade cristã manifesta-se, pois, como uma participação na vida de Deus, que se realiza com os meios que a Igreja nos oferece, particularmente com os Sacramentos. A Santidade não é o fruto do esforço humano, que procura alcançar Deus com suas forças, e até com heroísmo; ela é dom do Amor de Deus e resposta do homem à iniciativa divina.” (1)

(1) Missal Dominical - Editora Paulus - 1995 - pág. 1367
Passagem do Evangelho - Mt 5,1-12a

Vocacionados para as Bem-Aventuranças (IVDTCA)

                                                                

Vocacionados para as Bem-Aventuranças

As Bem-Aventuranças estão no coração da pregação de Jesus, e o seu anúncio retorna às promessas feitas ao povo eleito, desde Abraão.

“Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos céus.
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.

Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o Reino dos céus.

Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal de vós. Alegrai-vos e exultai, pois é grande nos céus a vossa recompensa” (Mt 5, 3-12).

Elas retratam o rosto de Jesus Cristo, descrevendo Sua caridade e exprimindo a vocação dos fiéis, associados à glória da Sua paixão e Ressurreição; definem os atos e atitudes características da vida cristã.

São as promessas paradoxais que sustentam a esperança no meio das tribulações; anunciam aos discípulos as bênçãos e recompensas já obscuramente adquiridas; já estão inauguradas na vida da Virgem Maria e de todos os santos.

Elas respondem ao desejo natural de felicidade, que por sua vez, é de origem divina.

Como falou o Bispo Santo Agostinho:

- “Todos nós, sem dúvida, queremos viver felizes, e não há entre os homens quem não dê o seu assentimento a esta afirmação, mesmo antes de ela ser plenamente enunciada”.

- “Como é então, Senhor, que eu Te procuro? De facto, quando Te procuro, ó meu Deus, é a vida feliz que eu procuro. Faz com que Te procure, para que a minha alma viva! Porque tal como o meu corpo vive da minha alma, assim a minha alma vive de Ti”.

E também afirmou Santo Tomás de Aquino: 

“Só Deus sacia'.

Sobre a Bem-Aventurança “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus”, disse Santo Agostinho:

“Lá, descansaremos e veremos: veremos e amaremos; amaremos e louvaremos. Eis o que acontecerá no fim sem fim. E que outro fim temos nós, sendo chegar ao Reino que não tem fim?”

As Bem-Aventuranças nos ensinam qual o fim último a que Deus nos chama: o Reino, a visão de Deus, a participação na natureza divina, a vida eterna, a filiação, o repouso em Deus.

E os caminhos que conduzem ao Reino dos céus são: o Decálogo, o Sermão da Montanha e a catequese apostólica, pois, por eles avançamos, passo a passo, pelos atos de cada dia, amparados pela graça do Espírito Santo; fecundados pela Palavra de Cristo, pouco a pouco, damos frutos na Igreja para a glória de Deus.

Fonte: Catecismo da Igreja Católica – parágrafos números 1716-1729


PS: Passagens do Evangelho - (Lc 6,17.20-26; Mt 5,1-12)

Peregrinos da esperança, testemunhas das Bem-Aventuranças (IVDTCA)

 


Peregrinos da esperança, testemunhas das Bem-Aventuranças

Senhor Jesus, firmai nossos passos, para que, peregrinos da esperança, sejamos homens e mulheres das bem-aventuranças, de tal modo que:

- Nada esperemos do mundo, mas de Vosso Amado Pai;

- Olhemos de alto a baixo o mundo, e sem rancor, abertos  completamente a Deus, cuja face misericordiosa nos revelastes;

- Tenhamos uma existência marcada pela atitude de serviço e de amorosa disponibilidade, que Vós assumistes no momento do batismo;

- Vivamos como Vós vivestes, em total abertura para o Reino de Deus, recebendo-o, desde já, como uma profunda alegria em sua existência terrena, muitas vezes pouco atraente;

- Sejamos confortados e saciados, porque amados filhos de Deus e discípulos Vossos;.

- Jamais seremos desapontados nas promessas, pois sabemos em quem colocamos nossa confiança e esperança. Amém.

 

 

PS: Fonte – Comentário do Missal Cotidiano – Editora Paulus – passagem do Evangelho (Lc 6,20-26) – pág. 1255

Oportuno para a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,1-12a)

Em poucas palavras... (IVDTCA)

                                                       


“O povo dos pobres”

“O povo dos «pobres» (Cf. Sf 2, 3; Sl 22, 27; 34, 3; Is 49, 13; 61. 1;), dos humildes e dos mansos, totalmente entregues aos desígnios misteriosos do seu Deus, o povo dos que esperam a justiça, não dos homens mas do Messias, tal é, afinal, a grande obra da missão oculta do Espírito Santo, durante o tempo das promessas, para preparar a vinda de Cristo.

É a qualidade do seu coração, purificado e iluminado pelo Espírito, que se exprime nos salmos. Nestes pobres, o Espírito prepara para o Senhor «um povo bem disposto» (Lc 1,17).” (1)

 

(1)        Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 716

“Bem-Aventurados os pobres em espírito” (IVDTCA)

                                                      

“Bem-Aventurados os pobres em espírito”

Jesus, no Sermão da Montanha, celebrando a alegria dos pobres, aqueles a quem o Reino pertence, nos diz: – “Bem-Aventurados os pobres em espírito” (Mt 5, 3).

Assim compreendeu o Apóstolo Paulo quando diz: – “Ele fez-Se pobre por nós” (2 Cor 8, 9).

Deste modo, as Bem-Aventuranças revelam uma ordem de felicidade e de graça, de beleza e de paz, quando “pobreza em espírito” se compreende como humildade voluntária do espírito humano e à sua renúncia.

As Bem-Aventuranças respondem, portanto, ao desejo natural de felicidade, que por sua vez é de origem divina, pois Deus o pôs no coração do homem para atraí-lo a Si, o único que pode satisfazê-lo.

Elas apontam para a meta da existência humana, o fim último dos atos humanos: Deus nos chama à Sua própria felicidade, e esta vocação é dirigida a cada um, pessoalmente, mas também ao conjunto da Igreja, povo novo constituído por aqueles que acolheram a promessa e dela vivem na fé.

Iluminadoras as palavras do Bispo Santo Agostinho:

“Como é então, Senhor, que eu Te procuro? De fato, quando Te procuro, ó meu Deus, é a vida feliz que eu procuro. Faz com que Te procure, para que a minha alma viva! Porque tal como o meu corpo vive da minha alma, assim a minha alma vive de Ti”.

Na passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6, 17.20-26), o Senhor lamenta-Se dos ricos, porque eles encontram a sua consolação na abundância de bens (Lc 6,24).

O Bispo Santo Agostinho, afirmou: – “O orgulhoso procura o poder terreno, ao passo que o pobre em espírito procura o Reino dos céus”, de modo que o abandono à providência do Pai do céu liberta da preocupação pelo amanhã (cf. Mt 6,25-34).

Somente a confiança em Deus dispõe para a Bem-Aventurança dos pobres, e são estes que verão a Deus.

Assim, podemos afirmar que a prática das Bem-Aventuranças é o exclusivo caminho de nossa realização e da felicidade que todos desejamos.

Que o Espírito do Senhor venha em socorro de nossa fraqueza para que possamos vivê-las. 


Fonte de pesquisa: Catecismo da Igreja Católica - nn.1718-1719; 2546-2547
Apropriado para a passagem do  Evangelho de Lucas (Lc 6,17.20-26)

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG