Jesus revela a face misericordiosa de Deus
“Quem de entre nós estiver sem pecado,
atire a primeira pedra”
A passagem do Evangelho de João (Jo 8,1-11), em que Jesus perdoa a adúltera surpreendida em adultério, é uma página memorável sobre a misericórdia divina.
Os escribas e fariseus “levaram-Lhe uma mulher apanhada em flagrante delito de adultério. E raciocinavam: ‘A lei de Moisés manda-nos apedrejar as adúlteras; e Tu que dizes?’. Se respondesse: ‘Apedrejai-a’, renegaria totalmente tudo o que tinha sido constantemente proclamado e, ao mesmo tempo, perderia a autoridade que gozava junto do povo que O considerava um profeta. Se, pelo contrário, Se mostrasse clemente, a Sua oposição pública à Lei poderia conduzi-Lo a um tribunal”. (1)
A título de aprofundamento, completo com este breve comentário:
“Nunca se viu semelhante encontro da misericórdia divina com a miséria do pecado. Jesus não nega a gravidade da falta cometida.
Não procura circunstâncias atenuantes. Mas sabe que Deus concede a todos os pecadores um tempo para que se emendem. Por isso, recusa-Se a condenar: ‘Vai e, doravante, não tornes a pecar’.
Ao mesmo tempo, este Evangelho põe a questão grave e complexa, do exercício da justiça humana. Haverá o direito de pronunciar uma sentença que tira toda a possibilidade de conversão?” (2)
Quaresma, tempo de irmos ao encontro da Misericórdia divina, sobretudo através do Sacramento da Penitência, reconhecendo e confessando nossos pecados, com profundo arrependimento e propósitos sinceros no coração, para reparação dos pecados cometidos.
Quaresma, tempo de reconhecermos nossa miséria diante da misericórdia divina; reconhecermos nossas imperfeições e nos deixarmos modelar pelas mãos divinas e por Sua infinita Misericórdia.
Quaresma, tempo de “abandono das pedras”, e de reavivar a graça da acolhida e do perdão daqueles que nos ofenderam, como rezamos na oração que o Senhor nos ensinou.
Vivamos, portanto, a graça da quaresma, tornando fecundo nosso coração, acolhendo o perdão divino. E assim, a Palavra de Deus ouvida, acreditada, celebrada e vivida, produzirá os frutos desejáveis por Deus. Que não nos falte jamais a linfa vital do Espírito, o Divino Amor, o Espírito Santo de Deus.
(1) Missal Quotidiano, Dominical e Ferial – Editora Paulus – Lisboa – p.447
Idem – p.450
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