segunda-feira, 22 de junho de 2026
Dificuldades e tentações na oração
Em poucas palavras...
Julgamento, pecado e a súplica
“O mesmo ancião disse:
‘O homem precisa destas coisas: temer o julgamento de Deus, odiar o pecado e implorar a Deus o tempo todo.” (1)
(1) Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 123/21.42 – p. 94
“O cristão, outro Cristo”
Ó Bom Jesus, dai-me um olhar puro e misericordioso (Bom Jesus)
Ó Bom Jesus, dai-me um olhar puro e misericordioso
Jesus nos adverte na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 7,1-5), como discípulos missionários seus: “Tira primeiro a trave do teu próprio olho, e então enxergarás bem para tirar o cisco do olho do teu irmão” (1).
Oremos:
Senhor Bom Jesus, ajudai-me para que jamais desista do esforço para viver esta advertência, que procedeu de Vosso coração manso e pleno de ternura.
Senhor Bom Jesus, ajudai-me a superar a contínua tentação de olhar em torno de mim mesmo, estabelecendo diferenças que podem me reduzir à fiel condição do fariseu, orando no templo em pé e olhando com olhos de superioridade em relação ao pobre publicano.
Senhor Bom Jesus, sois a Verdade, que diante da qual jamais posso me esconder, e bem conheceis o mais profundo de meu coração, libertai-me de toda máscara, ou aparência de santidade e autenticidade.
Senhor Bom Jesus, concedei-me a graça de não julgar para não ser julgado; mas que eu faça progressos contínuos para amar, respeitar e ajudar pela conversão própria e de meus semelhantes.
Senhor Bom Jesus, que eu jamais me esqueça de que o julgamento final será sem misericórdia para quem não praticou a misericórdia: “a misericórdia, porém, triunfa sobre o julgamento” (2). Amém.
(1) Mt 7,5
(2)Tg 2,13
Sem murmurações, julgamentos e desprezo
Sem murmurações, julgamentos e desprezo Iluminadora é a “Conferência sobre o julgamento do próximo”, escrita por São Doroteu de Gaza (séc. VI), para que vivamos sem murmurações, julgamentos e desprezo. “Irmãos, se recordarmos bem as sentenças dos santos anciãos e as meditamos sem cessar, difícil será que pequemos ou que sejamos negligentes. Se como eles nos dizem, não menosprezarmos o pequeno e aquilo que julgamos insignificante, não cairemos em faltas graves. O repito sempre a vocês. Por coisas ligeiras, como dizer por exemplo: ‘O que é isto? O que é aquilo?’, nasce um mau hábito na alma, e se começa a desprezar inclusive as coisas importantes. Percebem quão grave é o pecado que se comete ao julgar o próximo? O que há de mais grave? Existe algo que Deus deteste tanto e do qual se afaste com tanto horror? Os Padres disseram: ‘nada é pior do que julgar'. E, contudo, é por estas coisas que se dizem ser de pouca importância, que se chega a um mal tão grande. Se admite uma ligeira suspeita contra o próximo, se pensa: ‘O que importa se escuto o que tal irmão diz? O que importa se também eu digo somente esta palavra? O que importa se vejo o que vai fazer aquele irmão ou aquele estranho?’, e o espírito começa a esquecer os seus próprios pecados e a ocupar-se do próximo. Daí vem os juízos, murmurações e desprezos, e finalmente se cai nas faltas que se condenavam. Quando alguém é negligente, a respeito de suas próprias misérias, quando alguém não chora a sua própria morte, segundo a expressão dos padres, não pode corrigir-se nunca, porque se ocupa constantemente do próximo. Entretanto, nada irrita tanto a Deus, nada despoja ao homem e lhe conduz ao abandono, como fato de murmurar do próximo, de julgá-lo e de desprezá-lo. Murmurar, julgar e desprezar são coisas diferentes. Murmurar é dizer de alguém: ‘aquele mentiu’, ou: ‘enraivecer-se’, ou: ‘fornicou’. Ou outra coisa semelhante. Se murmurou dele, ou seja, se falou contra ele se revelou seu pecado, existe impulsos da paixão. Julgar é dizer: ‘aquele é um mentiroso, colérico, fornicário’. Eis aí que se julga a própria disposição de sua alma e se aplica a sua vida inteira, dizendo que ele é assim, e se lhe julga como tal. Isto é grave. Porque uma coisa é dizer: ‘encolerizou-se’, e outra coisa: ‘é colérico’, pronunciando-se desta forma sobre toda a sua vida. Julgar ultrapassa em gravidade a todos os pecados, de modo que Cristo mesmo disse: ‘Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás tirar o cisco do olho do teu irmão’. A falta do próximo a comparou com um cisco, e o juízo uma trave, pois o julgar é muito grave, mais grave talvez que cometer qualquer outro pecado. O fariseu que orava e dava graças a Deus por suas boas ações, não mentia; mas dizia a verdade; não foi condenado por isso. Na realidade devemos dar graças a Deus pelo bem que Ele nos concede realizar, já que é com a Sua ajuda e Seu auxílio. Desta forma, ele não foi condenado por ter dito: “Não sou como os demais homens’; não. Foi condenado quando, voltando-se para o publicano, acrescentou: ‘nem como esse publicano’. Foi então quando se tornou gravemente culpado, porque julgava a própria pessoa do publicano, as próprias disposições de sua alma, em uma palavra: sua vida inteira. Por isso, o publicano partiu dali justificado e ele não. Não há nada mais grave, nada mais prejudicial, e o digo com frequência, que julgar ou desprezar ao próximo”. À luz da Conferência, reflitamos sobre os nossos relacionamentos cotidianos, e o quanto também podemos incorrer em graves murmurações, julgamentos e desprezos, tornando desagradáveis a Deus nossas palavras e orações. Antes, é preciso que nos voltemos para nossa própria “miséria”, como o autor mesmo afirma, e sintamos a necessidade da misericórdia divina, sem nos tornarmos parâmetros de santidade e salvação para o outro. É sempre tempo de aprendermos a viver a misericórdia, compadecendo-se com fragilidade do nosso próximo, o que não é sinônimo de conivência, cumplicidade. A misericórdia divina não se afasta da justiça, tão pouco da verdade, não exclui nem elimina o pecador, mas abomina o seu pecado. Urge que aprendamos e vivamos a misericórdia querida por Deus, a fim de que sejamos misericordiosos como o Pai (Lc 6, 36), e tão somente assim, nossas orações se tornarão agradáveis e chegarão ao coração de Deus, sendo por Ele ouvidas, e assim, alcançaremos a justificação. (1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp.741-743 PS: Oportuna para as passagens do Evangelho: Mt 7,1-5; Lc 6,27-38; Lc 6,39-42; Lc 18,9-14
Em poucas palavras...
O humilde não julga
“Ele disse também:
‘Assim como um cadáver não come, da mesma forma o humilde é incapaz de julgar um homem, mesmo que o veja adorando ídolos.” (1)
(1)Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 559 – p. 366






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