A necessária discrição em todo o viver
“Perguntaram a um ancião: ‘Como encontrarei a Deus?’ Ele disse: ‘No jejum, nas vigílias, nas labutas, nos atos de misericórdia e, sobretudo, também com discrição.
Digo-vos: muitos mortificaram sua carne sem discrição e saíram vazios, sem realizar nada.
Nossa boca cheira mal por causa do jejum; aprendemos as Escrituras de cor; aperfeiçoamos nosso conhecimento dos Salmos de Davi e, no entanto, não possuímos o que Deus busca: amor e humilhação.” (1)
Na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 6,1-18), Jesus nos convida à prática da esmola, da oração e do jejum, e também nos ensina a oração do “Pai-Nosso”.
As três práticas mencionadas devem ser feitas no segredo do coração, e Deus, que é Pai, nos dará a retribuição (Mt 6,4.6.18).
Vemos quão necessária a discrição, acompanhada do “amor e humilhação”.
Se assim fizermos, crescerá nossa paixão pelo Senhor Jesus, e fascinados por Sua Pessoa e Palavra, seremos autênticos e apaixonados discípulos missionários do Reino.
Fundamental que tenhamos a necessária sensibilidade contemplativa, para a percepção dos clamores de nossos irmãos e irmãs, bem como de nossa Casa Comum, e seremos revigorados para a sensibilidade oblativa, renovando os sagrados compromissos com a Boa Nova do Reino de Deus, como tão bem expresso no Prefácio da Missa da Solenidade de Cristo Rei:
“Com óleo de exultação, consagrastes Sacerdote Eterno e Rei do universo Vosso Filho único, Jesus Cristo, Senhor nosso. Ele, oferecendo-Se na Cruz, vítima pura e pacífica, realizou a redenção da humanidade. Submetendo ao Seu poder toda criatura, entregará à Vossa infinita majestade um Reino eterno e universal: Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz...”
Oremos:
Ó Deus, nós Vos suplicamos a necessária discrição, para que nossa vida seja marcada pelo “amor e humilhação”, de tal modo que, mais que enraizados em nosso coração, sejamos libertos de toda petrificação da sensibilidade, e não nos sejam roubadas a ternura e a Paixão pelo Reino. Amém.
(1) Ditos anônimos dos Padres do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n.222 – p.166


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