O Senhor nos redime e ora por nós
Reflexão sobre o
“Pai-Nosso”, à luz “Do Tratado sobre a Oração do Senhor”, escrito por São
Cipriano, bispo e mártir (Séc. III):
“Não é de admirar,
irmãos caríssimos, que a oração, tal como Deus a ensinou, enfeixe, por seu
ensinamento, toda a nossa prece numa breve palavra de salvação. Já pelo profeta
Isaías isto tinha sido predito, quando, cheio do Espírito Santo, falava da
majestade e bondade de Deus: Verbo que completa e abrevia na justiça, porque
Deus fará uma palavra abreviada em todo o orbe da terra.
Pois a palavra de Deus,
nosso Senhor Jesus Cristo, veio para todos e, reunindo doutos e ignorantes,
sexos e idades, lhes deu preceitos salutares, resumindo de tal maneira seus
mandamentos, que a memória dos discípulos não sentisse dificuldade com o ensinamento
celeste, mas rapidamente aprendesse o que era necessário à simples fé.
Do mesmo modo, ao
ensinar-nos o que seja a vida eterna, condensou o mistério da vida com grande e
divina brevidade, dizendo: Esta é a vida eterna, que te conheçam a ti, único
e verdadeiro Deus, e a quem enviaste, Jesus Cristo.
E ainda, querendo
salientar os primeiros e maiores preceitos da lei e dos profetas, diz: Ouve,
Israel. O Senhor, teu Deus, é um só Senhor; e Amarás o Senhor, teu Deus, com
todo o teu coração, com toda a tua alma e com todas as tuas forças. Este é o
primeiro; e o segundo é semelhante a este: Amarás o teu próximo como a ti
mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas. E de novo:
Tudo quanto quiserdes que vos façam os homens, fazei-o a eles. Isto é a lei e
os profetas.
Deus não nos ensinou a
orar apenas com palavras, mas também com atos. Ele próprio com frequência orou
e suplicou, mostrando-nos com seu exemplo o que temos de fazer. Está escrito: Ele
se afastava para os lugares solitários e adorava. E ainda: Saiu para o
monte a fim de orar e passou a noite inteira em oração a Deus.
O Senhor orava e pedia
não para si – que pediria, o inocente, para si? – mas por nossos delitos, como
ele mesmo o declarou ao dizer a Pedro: Eis que Satanás procurava joeirar-vos
como trigo. Mas eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça. E pouco
depois rogou ao Pai por todos, dizendo: Não rogo apenas por estes, mas
também por aqueles que irão crer em mim pelas palavras deles, a fim de que
todos sejam um, como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles
estejam em nós.
Imensa benignidade e
piedade de Deus para nossa salvação! Não contente de redimir-nos com seu
sangue, ainda quis com tanta generosidade rogar por nós. Considerai o desejo
daquele que rogou, para que do mesmo modo como o Pai e o Filho são um, assim
também nós permaneçamos na mesma unidade.” (1)
Não devemos orar apenas
com palavras, mas com atos, como vemos na mensagem do Tratado.
Também uma mensagem
expressiva: O Senhor não apenas nos redimiu com Seu Sangue, bem como orou e ora
por nós em todo o tempo por meio do Seu Espírito.
Concluímos com uma das
motivações para a Oração do “Pai-Nosso”, quando celebramos a Santa Missa:
-
"Guiados pelo Espírito Santo, que ora em nós e por nós, elevemos as mãos
ao Pai e rezemos juntos a oração que o próprio Jesus nos ensinou: Pai
nosso..."
(1)
Liturgia das Horas – Tempo Comum – Vol III – Editora Paulus - p. 341-343


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