quinta-feira, 18 de junho de 2026

“Pai-Nosso...”

                                                               

“Pai-Nosso...”

Na Oração que o Senhor nos ensinou, em atenção ao pedido dos discípulos, invocamos a Deus como “Pai-Nosso”.

Sejamos enriquecidos por este comentário:

“É belo recordar que a oração do Senhor Jesus nos é dada pela Igreja como um dom no dia do Batismo, porque, a partir desse momento, quem se tornou cristão, não ‘deve’, mas ‘pode’ dirigir-se a Deus chamando-lhe ‘Pai’.

A vida inteira não bastará para compreendermos o Mistério da ternura escondido nesta palavra. Para o descobrirmos de verdade teremos de esperar pelo abraço definitivo com Deus que nos espera além da morte”. (1)

Como é bom podermos nos dirigir a Deus como “Pai-Nosso”, “Abba”, “Papaizinho”, como o próprio Jesus nos ensinou, em plena confiança, intimidade de relacionamento.

No entanto, isto implica que:

- Vivamos como irmãos e irmãs, estabelecendo vínculos de comunhão e fraternidade;

- Saibamos criar relacionamentos de partilha e solidariedade entre nós, porque sendo “Pai Nosso”, somos todos irmãos e irmãs;

- Estabeleçamos com Deus uma relação de confiança e intimidade plena, assim como nos ensinou e viveu Nosso Senhor;

- Sendo “Pai nosso”, devem ser superadas todas as formas de violência, exclusão ou quaisquer outras práticas que violem a sacralidade da vida de nosso próximo, pois somos irmãos e irmãs uns dos outros;

- Como “Pai nosso”, nos confiou a todos, sem exclusão, a Casa Comum, nosso Planeta, para que dele cuidemos, para que todos possam nele bem viver e habitar, de modo que ninguém fique excluído deste direito sagrado e inalienável de moradia;

Concluindo, cremos que um dia O veremos, tal qual Ele é, que nos espera sempre para o abraço definitivo, que só poderá acontecer com a passagem, a morte, e assim, nos envolver para sempre com Seu amor e ternura.

Por ora, rezemos, com amor e confiança, a Oração que o Senhor nos ensinou:

“Pai nosso que estais nos céus...”

(1) Lecionário Comentado – Vol. Quaresma/Páscoa – Editora Paulus – Lisboa -  2011 – p.75

Na Escola de Jesus aprendemos a rezar...

                                                            

Na Escola de Jesus aprendemos a rezar...

Aprofundemos a mais bela de todas as Orações, o "Pai-Nosso", a Oração que o Senhor nos ensinou.

A verdadeira oração é um diálogo face a face com Deus, que pressupõe humildade, reverência e respeito de nossa parte para com Deus acompanhado de ousadia e confiança na resposta divina, como constatamos na oração de Abraão em Gênesis (Gn 18, 20-32).

Vemos que a vontade de Deus em salvar é infinitamente maior do que a vontade de perder: se grande é a confiança abraâmica em Deus, infinita é a benevolência divina!

Abraão dialoga com amor e sem temor (medo). Uma Oração confiante, insistente, e assim ele nos revela um rosto de Deus que nos convida, inapelavelmente, à alegria e ao deleite da oração.

A oração abraâmica, como vemos é humilde, reverente, respeitosa, confiante, ousada e esperançosa.

Na passagem do Evangelho de Lucas (Lc 11,1-13), vemos que é preciso que revisitemos a Escola de Oração de Jesus para aprendermos a verdadeira oração que consiste num diálogo confiante com o Pai: insistência e confiança são evidências da madura e frutuosa oração.

O homem novo que somos tem necessidade da oração em todos os momentos, como expressão da intimidade e encontro com o Pai, em estreita relação de amor, comunhão...

Somente o homem velho fossiliza-se na autossuficiência e indiferença no relacionamento com o Seu Criador.

Na Oração do Pai Nosso, que o Senhor nos ensinou, quando dizemos: 

- “Santificado seja o Vosso nome” - afirmamos que Ele  é Salvador de todos os povos;

"Venha a nós o Vosso Reino”  - suplicamos a vinda de um mundo novo marcado por relações de amor, verdade, justiça, liberdade e paz;

"O Pão nosso de cada diz nos dai hoje" - suplicamos o pão, trata-se do pão material e do Pão espiritual;

- "Perdoai-nos as nossas ofensas..." - suplicamos perdão e liberdade nos relacionamentos.

A Oração do Pai Nosso carrega no mínimo três grandes desejos humanos:

-  Que Deus seja reconhecido como Deus;
-  Que o Projeto de Amor de Deus venha ao mundo;
 - Que os 03 pedidos sejam respondidos: pão para viver; perdão para amar; liberdade para permanecer de pé.

Finalizando, a Oração exige de nós paciência e renúncia.
Se o Espírito pedirmos, Ele nos será dado!
O que mais nos faltará?!

Na Escola de Jesus, e somente nela, aprendemos a rezar,
no Senhor de coração confiar e infinitas graças alcançar!
Amém.

“Pai-Nosso”: uma Oração íntima e confiante em Deus

                                                     


“Pai-Nosso”: uma Oração íntima e confiante em Deus

Nas passagens do Evangelho (Lc 11,1-13; Mt 6,7-15), vemos que é preciso que revisitemos a Escola de Jesus para aprendermos a verdadeira Oração, que consiste num diálogo confiante com o Pai: insistência e confiança são evidências da madura e frutuosa Oração.

O homem novo que somos tem necessidade da Oração em todos os momentos, como expressão da intimidade e encontro com o Pai, em estreita relação de amor e comunhão.

Somente o homem velho fossiliza-se na autossuficiência e indiferença no relacionamento com o Seu Criador.

Na Oração do "Pai-Nosso", que o Senhor nos ensinou, tem conteúdo indizível quando dizemos: 

-  Santificado seja o Vosso nome” - afirmamos que Ele é Salvador de todos os povos;

- “Venha o Vosso Reino” -  suplicamos a vinda de um mundo novo marcado por relações de amor, verdade, justiça, liberdade e paz;

"O Pão nosso de cada dia nos dai hoje" -  suplicamos o pão (pão material e do Pão espiritual);

- "Perdoai-nos as nossas ofensas..." - é a súplica do perdão e da liberdade nos relacionamentos.

A Oração do Pai Nosso carrega no mínimo três grandes desejos humanos:

- Que Deus seja reconhecido como Deus;
- Que o Projeto de Amor de Deus venha ao mundo;
- Que os 03 pedidos sejam respondidos: pão para viver; perdão para amar; liberdade para permanecer de pé.

Finalizando, a Oração exige de nós paciência e renúncia.
Se o Espírito pedirmos, Ele nos será dado! O que mais nos faltará?

Na Escola de Jesus, e somente nela, aprendemos a rezar,
no Senhor de coração confiar e infinitas graças alcançar!
Amém.

Em poucas palavras...

 


Viver no céu

“Viver no céu é «estar com Cristo» (Cf. Jo 14,3; Fl 1,23; 1 Ts 4,17). Os eleitos vivem «n'Ele»; mas n'Ele conservam, ou melhor, encontram a sua verdadeira identidade, o seu nome próprio (Ap 2,17):

«Porque a vida consiste em estar com Cristo, onde está Cristo, aí está a vida, aí está o Reino» (Santo Ambrósio).”  (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica n. 1025


Rezando com os Salmos - Sl 63 (64)

 


A intervenção divina em favor dos justos

 

“–1 Ao maestro do coro. Salmo de Davi.


“–2 Ó Deus, ouvi a minha voz, o meu lamento!
Salvai-me a vida do inimigo aterrador!

–3 Protegei-me das intrigas dos perversos
e do tumulto dos obreiros da maldade!

–4 Eles afiam suas línguas como espadas,
lançam palavras venenosas como flechas,

–5 para ferir os inocentes às ocultas
e atingi-los de repente, sem temor.

–6 Uns aos outros se encorajam para o mal
e combinam às ocultas, traiçoeiros,

– onde pôr as armadilhas preparadas,
comentando entre si: ‘Quem nos verá?’

–7 Eles tramam e disfarçam os seus crimes.
É um abismo o coração de cada homem!

–8 Deus, porém, os ferirá com suas flechas,
e cairão todos feridos, de repente.

–9 Sua língua os levará à perdição,
e quem os vir meneará sua cabeça;

–10 com temor proclamará a ação de Deus,
e tirará uma lição de sua obra.

=11 O homem justo há de alegrar-se no Senhor
e junto dele encontrará o seu refúgio,
e os de reto coração triunfarão.”

 

O Salmo 63(64) é um pedido de ajuda contra os perseguidores e se aplica, de modo especial, à Paixão do Senhor, como nos fala Santo Agostinho:

“O justo busca em Deus proteção e defesa contra os ímpios. Deus frustra os planos dos maus e os fere com as flechas da sua justiça; sua intervenção será compreendida e glorificada pelos justos.” (1) 

Confiemos em todo o tempo na proteção, defesa e intervenção divinas em favor dos justos, daqueles que têm fome e sede de justiça, pois assim nos falou o Senhor Jesus Cristo: 

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois eles serão saciados” (Mt 5,6). Amém.

 

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – pág. 778

Toda correção deve ser feita à luz da Caridade!

Toda correção deve ser feita à luz da Caridade!

Sejamos iluminados pela reflexão feita pelo Presbítero São Vicente Ferrer, que muito ajudará a quem tenha diante de si pessoas a educar, a corrigir...

“Nas pregações e exortações, utiliza palavras simples, em tom de conversa, quando se tratar de explicar os deveres particulares.

Na medida do possível, serve-te de exemplos, para que o pecador culpado de determinada falta se sinta interpelado como se a pregação fosse só para ele. 

No entanto, na tua maneira de falar deve transparecer claramente que as advertências não procedem de um espírito soberbo ou irascível, mas de sentimentos de caridade e amor patente, como um pai que sofre ao ver um filho que erra, gravemente enfermo ou caído no fundo do poço, e se esforça por salvá-lo e livrá-lo do perigo e cuidar dele como se fosse uma mãe.

Faze sentir ao pecador tua alegria pelo seu progresso e pela glória que o espera no paraíso.

Este modo de proceder costuma ser proveitoso para os ouvintes. Porque falar em geral sobre as virtudes e os vícios não atrai muito o interesse de quem te escuta.

Também nas confissões, quando confortais os fracos com delicadeza ou quando advertes com severidade os obstinados no mal, mostra sempre sentimentos de amor para com o pecador sinta a todo o momento que tuas palavras são ditadas unicamente pelo amor sincero.

Por isso, as palavras carinhosas e mansas antecedam sempre as que atemorizam.

Se desejas, portanto, ser útil ao próximo, recorre primeiro a Deus de todo o coração. Pede-Lhe com simplicidade que digne infundir em ti aquela caridade que é o compêndio de todas as virtudes e a melhor garantia de êxito nas tuas atividades”

Como vimos, nenhuma correção será frutuosa se não brotar de um coração orante e de profunda sintonia com o querer de Deus revelado em Sua Palavra!

Da mesma forma se não for à luz da caridade que, como belamente disse São Vicente, é o compêndio de todas as virtudes e a melhor garantia de êxito em tudo que fazemos...

Sem dúvida ainda temos um longo caminho a percorrer em matéria de educação, reconciliação, correção fraterna...

Por isto a Deus supliquemos sempre Sua ajuda indispensável:

Sabedoria, mansidão, coragem, firmeza...
Ó Luz Eterna! Amém!



PS: Liturgia das Horas pp. 1522-1523 – Vol. II

Ética, por onde andas?

Ética, por onde andas?

De tanto ouvir falar da “ética”, um homem saiu pela cidade a procurá-la. Andou por palácios, casas nobres e outras mais simples; vagueou por ruas e becos, praças e avenidas; visitou igrejas, escolas, universidades, inúmeras ONGs, entidades, enfim, em todos os lugares possíveis.

Inquieto, procurava a tal “ética”. Em alguns lugares a viu mais explicitamente, em outros como que jazendo no leito de morte, em cinzas. Teve ainda lugares que lhe disseram que há muito ela não estava mais ali, porque atrapalhava negociações ilícitas, impedindo os conchavos que possibilitariam lucros ainda maiores.

Em sua procura, um dia foi questionado: - “Não sabemos o que é esta tal de ‘ética’, falam tanto dela, mas nunca a vimos por aqui. Ela existe de fato ou é apenas algo entre tantas coisas que dizem existir, mas não fazem parte do enredo da história da humanidade?”

Instigado, revisitou seus escritos e encontrou uma definição preliminar: “ética é o conjunto de princípios que norteiam, orientam o agir das pessoas, tendo em conta a prática da liberdade, da vontade e responsabilidade.”

Num dicionário, encontrou a seguinte definição: “Ética – grego ethike, de ethikós – que diz respeito aos costumes... Diferentemente da moral, a ética está mais preocupada em detectar os princípios de uma vida conforme a sabedoria filosófica, em elaborar uma reflexão sobre as razões de se desejar a justiça e a harmonia e sobre o meio de alcançá-las” (Japiassú – Ed. Zahar).

Continuou a refletir sobre o conceito de ética e sua presença nas relações entre as pessoas, e concluiu que, sem ética, sem princípios convincentes e autênticos, a justiça e a harmonia jamais poderão ser alcançadas, pois ficam comprometidas a liberdade, as vontades e as responsabilidades, e que, portanto, é preciso uma ética corresponsável, depurada de interesses mesquinhos, do contrário teremos o perigo da desvalorizarão e banalização da vida, e, consequentemente, a promoção da cultura da morte.

Concluiu ainda que é preciso repensar a ética, o conjunto de seus princípios, para que se construa uma civilização do amor, promovendo a cultura da vida e da paz, num permanente aprendizado para humanar as relações entre nós.

Mas como ressuscitar a ética? Como tirar da pauta das discussões e  fundar novas e frutuosas relações? Ele encontrou algumas respostas.

Primeiro, é preciso palmilhar por veredas edificantes da vida, as veredas da esperança, do bem e da solidariedade, impondo silêncio às paixões avassaladoras, normalmente norteadas pelos pecados capitais (soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça).

Segundo, é preciso ter coragem de rever quais os valores que orientam nossas decisões, escolhas, caminhos, passos; rever se estes tornam a vida mais bela, humana, se nos tornam mais fraternos, solidários, promotores da defesa da vida, desde a sua concepção até o seu declínio natural.

Terceiro, professando uma fé ou não, que a ética seja a expressão do pensar, sentir e agir de pessoas de boa vontade, que promovem a paz, sem a violação da vida e o sacrifício de inocentes, sem fundamentalismos e radicalismos.

E depois de refletir as conclusões daquele homem, também nós podemos fazer a nossa própria avaliação, percebendo que assim como o sangue nada pelas veias para que a vida aconteça; assim como a linfa vital é imprescindível para o vigor e êxito da planta com suas flores e frutos; também a ética deve se fazer presente em todas as instâncias (espaços de decisões, campos diversos dos saberes e poderes), para que a vida não seja vilipendiada, mas promovida, amada, dignificada e, deste modo, possamos redescobrir e construir o Paraíso perdido, sem fúnebre saudade, mas com renovado compromisso e esperança.

Aquele homem visitou sim lugares sem conta, mas, por fim, viu que antes de tudo era preciso ter coragem de visitar a si mesmo, e ver de que modo a ética se fazia presente em sua vida, em suas decisões (família, trabalho, comunidade...).

E como cristãos, temos que ter a coragem de nos revisitar, e reconhecer, como morada do Espírito que somos, quais são os princípios éticos que norteiam nossa vida.

Como sal da terra e luz do mundo, há um princípio que não podemos jamais olvidar ou negligenciar: o Mandamento do amor a Deus, que se expressa concretamente no amor ao próximo. E tão somente assim, irradiaremos no mundo, por vezes obscuro e sombrio, um pouco mais de vida e luz, que emanam da fé que professamos e testemunhamos.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG