Antes que o sol se ponha...
Antes
que o sol se ponha...
Que
a esperança jamais se ponha
Antes
que o sol se ponha atrás da montanha,
cerro
meus ouvidos aos que bradam o fim da história,
que
não há esperança alguma no horizonte da humanidade,
ou
que em estéril saudosismo, dizem que nada é mais como antes.
Cerrados
sejam também para os que semeiam dogmatismos,
Fundamentalismos,
sectarismos que criam muros, insanas divisões.
Seja
nos espaços reais do convivência cotidiana,
Seja
nos espaços virtuais que semeiam discórdias e violência.
O
sol se porá, inevitavelmente, como todos os dias,
O
véu da escuridão cobrirá mais uma vez a Terra.
E,
na espera dos raios sol em nova aurora,
Peço
as luzes de quem tem algo salutar a dizer.
Quero
ouvir os que me fazem crer no novo humanismo;
que não poupam esforços para não incorrermos em barbáries,
porque se não
vigilantes, ela é sempre possível,
e não podemos
recuar jamais nos avanços históricos alcançados.
Recolhido na
espera dos primeiros raios de um novo dia,
Releio, reflito e
compartilho com pessoas de boa vontade,
Palavras que nos
fazem reacender a esperança de um novo tempo,
Porque a fé
também assim exige, expressa em fecunda caridade:
“Ser humanista doravante não é apenas pensar que os
perigos, as incertezas e as crises (entre as quais a da democracia, a do
pensamento político, a provocada pela explosão do lucro, a da biosfera e a
multidimensional da pandemia) nos uniram numa comunhão de destinos.
Ser humanista não é apenas saber que somos todos humanos semelhantes e
diferentes, não é apenas querer escapar das catástrofes e aspirar um mundo
melhor.Ser humanista é também sentir intimamente que cada um de nós é um momento
efêmero de uma aventura extraordinária, a aventura da vida que deu origem à
aventura humana, que, ao longo das criações, tormentos e desastres, chegou a
uma crise gigantesca, na qual está em jogo o destino da espécie.
O humanismo regenerado, não é apenas o sentimento de comunidade humana, de
solidariedade humana, é também o sentimento de estar no interior dessa aventura
desconhecida e incrível, e desejar que ela continue em direção a uma
metamorfose, da qual nascerá um novo devir.” (1)Sigamos em frente... que o sol se ponha,
Mas jamais se ponha com ele a esperança.
Renovam-se as forças, novas linhas escrever,
O inédito do melhor nos desafia... Amém.
(1) Lições de um século de vida - Edgar
Morin – Bertrand Brasil – p. 86.88
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