quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Antes que o sol se ponha...

 


Antes que o sol se ponha...

Que a esperança jamais se ponha
Antes que o sol se ponha atrás da montanha,
cerro meus ouvidos aos que bradam o fim da história,
que não há esperança alguma no horizonte da humanidade,
ou que em estéril saudosismo, dizem que nada é mais como antes.
 
Cerrados sejam também para os que semeiam dogmatismos,
Fundamentalismos, sectarismos que criam muros, insanas divisões.
Seja nos espaços reais do convivência cotidiana,
Seja nos espaços virtuais que semeiam discórdias e violência.
 
O sol se porá, inevitavelmente, como todos os dias,
O véu da escuridão cobrirá mais uma vez a Terra.
E, na espera dos raios sol em nova aurora,
Peço as luzes de quem tem algo salutar a dizer.
 
Quero ouvir os que me fazem crer no novo humanismo;
que não poupam esforços para não incorrermos em barbáries,
porque se não vigilantes, ela é sempre possível,
e não podemos recuar jamais nos avanços históricos alcançados.
 
Recolhido na espera dos primeiros raios de um novo dia,
Releio, reflito e compartilho com pessoas de boa vontade,
Palavras que nos fazem reacender a esperança de um novo tempo,
Porque a fé também assim exige, expressa em fecunda caridade:
 
“Ser humanista doravante não é apenas pensar que os perigos, as incertezas e as crises (entre as quais a da democracia, a do pensamento político, a provocada pela explosão do lucro, a da biosfera e a multidimensional da pandemia) nos uniram numa comunhão de destinos.

Ser humanista não é apenas saber que somos todos humanos semelhantes e diferentes, não é apenas querer escapar das catástrofes e aspirar um mundo melhor.Ser humanista é também sentir intimamente que cada um de nós é um momento efêmero de uma aventura extraordinária, a aventura da vida que deu origem à aventura humana, que, ao longo das criações, tormentos e desastres, chegou a uma crise gigantesca, na qual está em jogo o destino da espécie.

O humanismo regenerado, não é apenas o sentimento de comunidade humana, de solidariedade humana, é também o sentimento de estar no interior dessa aventura desconhecida e incrível, e desejar que ela continue em direção a uma metamorfose, da qual nascerá um novo devir.” (1)Sigamos em frente... que o sol se ponha,

Mas jamais se ponha com ele a esperança.
Renovam-se as forças, novas linhas escrever,
O inédito do melhor nos desafia... Amém.
  
 
(1)
 Lições de um século de vida - Edgar Morin – Bertrand Brasil – p. 86.88

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