quinta-feira, 23 de julho de 2026

Não duvide, apenas em Deus confie

 


Não duvide, apenas em Deus confie


Não duvide em nenhum momento que Ela está contigo.

Se chorar, ela ouvirá teu choro, enxugará tuas lágrimas.

Maria, com Maria sempre poderás contar.

 

Mergulhe teu olhar no olhar de Maria,

Inexplicavelmente sentirás que só não estás.

Chore, grite, clame: ela, como Mãe, te ouvirá.

 

Apenas não duvide, sequer por um instante,

De que estás só, e que ninguém está contigo,

Se no bem, na verdade e na caridade estiveres a trilhar.

 

Não duvide que Ele já veio, vem e há de vir,

Para nossa cegueira do coração curar,

Para vislumbrar novo horizonte em cada amanhecer.

 

Que Ele virá trazer a cura de nossa surdez,

Para ouvir mais que o canto dos pássaros na janela:

O canto dos profetas e poetas a anunciar um mundo novo.

 

Não duvide que Ele virá nos tirar de nossos túmulos,

Da mentira, hipocrisia, autossuficiência, egoísmo,

Para vida nova e plena nos oferecer, se n’Ele crermos.

 

Não duvide de Sua Palavra, Palavra de vida eterna

E não há outro a quem recorrermos ou seguirmos:

Somente Ele, Jesus, tem Palavras de vida eterna.

 

Não regue as sementes das dúvidas inúteis,

N’Ele confie, com joelhos fortalecidos e mãos solidárias,

Criai ânimo, jamais desista de teus sonhos.

 

Não duvide, liberte-se de todas as correntes,

Dê asas à tua fidelidade, com renúncias necessárias,

A Cruz te levará bem mais longe do que possas pensar.


É Tempo do Advento a celebrar e a viver,

Limpemos nossos corações de todas as tralhas,

Para que n’Ele o Verbo venha e faça Sua Divina morada. Amém.

 

 

PS: Fontes – Is 35,1-6ª.10; Sl 145, Tg 5,7-10; Lc 11,2-11

Com Santa Brígida, contemplemos o indizível Amor do Senhor!

                                                                 

Com Santa Brígida, contemplemos
o indizível Amor do Senhor!

Santa Brígida (Séc. XIV), Princesa sueca, esposa e mãe exemplar de oitos filhos, aos quais educou na fé cristã, tem memória celebrada em 23 de julho.

Ela nos deixou riquezas escritas para edificação dos fiéis, além da própria história de vida, consagrando sua viuvez à Igreja.

“Bendito sejas Tu, Senhor meu, Jesus Cristo, que com antecedência predisseste Tua morte, e na última ceia maravilhosamente consagraste em Teu precioso Corpo o pão material; aos Apóstolos o entregaste por amor em memória de Tua digníssima Paixão e, lavando-lhes humildemente os pés com Tuas mãos preciosas, demonstraste a máxima humildade.

Honra a Ti, meu Senhor, Jesus Cristo que, no temor do sofrimento e da morte, fizeste correr de Teu corpo inocente Sangue como suor, e, mesmo assim, realizaste até o fim nossa redenção, objeto de Teu desejo, e deste modo revelaste de modo claríssimo a Caridade que tens pelo gênero humano.

Bendito sejas Tu, Senhor meu, Jesus Cristo, que foste levado a Caifás, e Tu, o juiz de todos, permitiste a humilhação de seres entregue ao julgamento de Pilatos.

Glória a Ti, Senhor meu, Jesus Cristo, pelas zombarias que suportaste quando, revestido de púrpura, coroado de agudíssimos espinhos, permaneceste de pé; e sofreste em tua gloriosa face ser cuspido, ter os olhos vendados e com a máxima paciência ser duramente batido no rosto e no peito pelas infelizes mãos dos perversos.

Louvor a Ti, Senhor meu, Jesus Cristo, que Te deixaste ser atado à coluna, flagelado desumanamente e coberto de sangue, ser conduzido a Pilatos e mostrando-Te qual cordeiro inocente.

Honra a Ti, Senhor meu, Jesus Cristo, que, ensanguentado em todo o Teu corpo, foste condenado à morte de cruz, e a carregaste com dores em Teus sagrados ombros; conduzido com fúria ao lugar da Paixão, despojado das vestes, assim quiseste ser pregado no lenho da Cruz.

Honra perpétua a Ti, Senhor Jesus Cristo, que, em tanta angústia, humildemente olhaste com Teus benignos olhos amorosos Tua excelente mãe, que nunca pecou nem jamais consentiu no mínimo pecado; e, consolando-a, a entregaste a Teu discípulo para ser fielmente protegida.

Bênção eterna a Ti, Senhor meu, Jesus Cristo, que, na agonia da morte, deste a todos os pecadores a esperança do perdão, quando ao ladrão voltado para Ti prometeste misericordiosamente a glória do paraíso.

Louvor eterno a Ti, Senhor meu, Jesus Cristo, por todas as horas em que na Cruz suportaste as máximas amarguras e angústias por nós, pecadores; pois as dores agudíssimas nascidas de Tuas Chagas penetravam barbaramente em Tua bem-aventurada alma e atravessavam cruelmente Teu Sacratíssimo Coração, até que com um grito rendeste o espírito e, de cabeça inclinada, o entregaste humildemente às mãos de Deus, Teu Pai; e então morto, ficaste com Teu corpo todo frio.

Bendito sejas Tu, meu Senhor Jesus Cristo, que com Teu precioso Sangue e Morte Sacratíssima remiste nossas almas e as levaste em Tua misericórdia deste exílio para a vida eterna.

Glória a Ti, meu Senhor, Jesus Cristo, que quiseste que Teu bendito corpo fosse descido da Cruz por Teus amigos e reclinado nas mãos de Tua mãe dolorosa; e aceitaste ser envolto por ela em lençóis, depositado no sepulcro e ali ser guardado por soldados.

Honra eterna a Ti, meu Senhor, Jesus Cristo, que ressuscitaste ao terceiro dia e àqueles que escolheste Te manifestaste; depois de quarenta dias, subiste ao céu à vista de muitos, e lá colocaste honrosamente Teus amigos que havias libertado dos infernos.

Júbilo e louvor eterno a Ti, Senhor Jesus Cristo, que enviaste o Espírito Santo aos corações dos discípulos e neles aumentaste o imenso Amor Divino.

Bendito sejas Tu, louvável e glorioso pelos séculos, meu Senhor Jesus, que Te assentas no trono em Teu Reino dos céus, na glória de Tua divindade, vivendo no corpo com todos os santíssimos membros que recebeste da carne da Virgem. E deste modo, voltarás no dia do juízo para julgar as almas de todos os vivos e mortos; que vives e reinas com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos. Amém.” (1)

Esta Oração eleva nossos pensamentos, levando-nos à contemplação de Jesus Cristo e Seu indizível Amor por nós.

Contemplando o Amor de Cristo, somos também levados a contemplá-Lo na pessoa de nosso próximo para que não incorramos em estéril contemplação.

Contemplamos para prolongá-lo em nossa existência, completando em nossa carne o que falta à Paixão de Cristo por amor a Sua Igreja, como nos exortou o Apóstolo Paulo ao se dirigir aos Colossenses (Cl 1,24).

Contemplemos seu amor em plena fidelidade ao Senhor, como discípulos missionários do Senhor, vivamos, com a força e presença do Espírito Santo na comunhão de amor com o Pai.


(1) Liturgia das Horas – Vol. III – p. 1440-1443.

“Somente...”

                                                       


“Somente...”

Somente a água que damos de beber ao próximo poderá saciar nossa sede.

Somente a roupa que doamos poderá vestir nossa nudez. 

Somente o doente que visitamos poderá nos curar.

Somente o pão que oferecemos ao irmão poderá nos satisfazer.

Somente a palavra que suaviza a dor poderá nos consolar.

Somente o prisioneiro que libertamos poderá nos libertar”. (1)

 

(1)             Autor desconhecido

 

Em poucas palavras...

 


Ingratidão para com o Senhor, jamais

“Como Ele nos ama!

Quanto sacrifício, quantas penas não passou para nos salvar, desde o presépio até à Cruz!

O que nos dizem os mistérios dolorosos do Rosário,

as estações da Via Sacra, a Cruz, os pregos e a lança,

 as feridas?

 

O Senhor sofreu tudo isso por nós, por cada um de nós, unicamente para nos abrir o acesso ao Pai (Ef 2, 18),

para nos obter o perdão dos pecados

e o direito de possuirmos a vida eterna.

 

Nós, em recompensa,

pecamos e desprezamos todos os seus sacrifícios.

 

E a dor mais aguda da agonia em Getsêmani foi esta:

Jesus previu com clarividência divina a ingratidão com que lhe iríamos corresponder” (1)

 

(1)B. Baur, En la intimidad con Dios, pág. 68 – citado em hablarcondios.org

PS: Reflexão apropriada para a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 13, 10-17)



quarta-feira, 22 de julho de 2026

No declínio do dia e sempre, ficai conosco Senhor

                                               



No declínio do dia e sempre, ficai conosco Senhor

Senhor Jesus Cristo, Vós que iluminastes o mundo com a glória de Vossa ressurreição, ficai conosco, pois já é tarde e dia drclina, como assim disseram os discípulos de Emaús (1).

Vós que Vos fizestes companheiro de viagem dos dois discípulos a caminho de Emaús, permanecei sempre com Vossa Igreja, peregrina da esperança sobre a terra, na espera e compromisso com o novo céu e a nova terra,

Não permitais, jamais,  que sejamos lentos para crermos, mas, com alegria e ardor, proclamemos Vosso triunfo sobre a morte, desde aquela madrugada da Ressurreição, em que Vos revelastes Ressuscitado à Apóstola dos Apóstolos.

Ficai conosco e olhai com bondade para aqueles que ainda não Vos reconhecem no caminho de suas vidas e, por vezes, enveredam por atalhos que conduzem a abismos da desesperança e não vida, revelai-lhes o Vosso Rosto para que reencontrem a luz no escuro caminho.

Vós, que, pela cruz, reconciliastes toda a humanidade, reunindo-a num só corpo,
concedei a paz e a unidade a todas as nações, e ficai conosco, para que se refaçam nossas forças com o Pão da Eucaristia, Pão de Imortalidade, e aquecei  nosso coração com Vossa Palavra de Vida Eterna. Amém.


(1) Lc 24,11-35

O ilimitado amor de Deus por nós

                                                       

O ilimitado amor de Deus por nós

Vejamos o que nos disse o teólogo bizantino medieval Nicolau Cabásilas (1322-1392) a fim de melhor entendermos sobre a qual a novidade da Cruz de Cristo, de Sua Paixão e Morte:

"Duas características revelam o amante e o fazem triunfar: a primeira consiste em fazer o bem ao amado em tudo o que é possível, a segunda em escolher sofrer por ele e sofrer coisas terríveis se necessário. Esta última prova de amor muito superior à primeira não podia, no entanto, concordar com Deus que é impassível a todo o mal [...]. Portanto, para nos dar a experiência do seu grande amor e para mostrar que nos ama com um amor ilimitado, Deus inventa a sua aniquilação, realiza-a e fá-lo de modo a tornar-se capaz de sofrer e de sofrer coisas terríveis. Assim, com tudo o que Ele suporta, Deus convence os homens do seu extraordinário amor por eles e fá-los voltar para Si”.

Podemos falar, portanto, em duas formas de amor: o amor de beneficência e o amor de sofrimento.

Na Cruz, Jesus testemunha o amor em sua expressão sublime e máxima: o amor de sofrimento.

Imitá-lo em nossa vida, implica em muito mais do que fazer tantas coisas por Cristo e pela Igreja, é ser capaz de sofrer por Ele e por sua Igreja, com a maturidade necessária de suportar incompreensões, abandonos, cansaços, dificuldades que possam se fazer presentes em nosso discipulado.

Precisamos permanentemente fazer este salto qualitativo, do amor beneficente ao amor em sua expressão máxima, “o amor de sofrimento”.

E isto somente poderemos fazer se abraçarmos nossa Cruz com fidelidade e viver a loucura da Cruz como falou o Apóstolo Paulo aos Coríntios:

"Uma vez que na sabedoria de Deus o mundo não o reconheceu pela sabedoria, Deus quis servir-se da loucura da pregação para salvar os que creem. Enquanto os judeus pedem sinais, e os gregos procuram sabedoria, nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gregos, mas poder e sabedoria de Deus para os chamados, quer judeus, quer gregos. Porque o que se julga loucura de Deus é mais sábio do que os homens; e o que se julga fraqueza de Deus é mais forte do que os homens." (I Cor 1,21-25).

Viver e testemunhar o “amor de sofrimento” como o fez Nosso Senhor, implica em reconhecer seu poder que se revelou na impotência, a sabedoria que se revelou na loucura, e a glória que se revelou na sua ignomínia, e finalmente, a riqueza que se revelou em sua pobreza.

Concluo com as palavras do Papa São Leão Magno (séc. V):

“Através d’Ele (Jesus Cristo morto na Cruz) é dado aos crentes a força na fraqueza, a glória na humilhação, a vida na morte”.

A sagrada amizade de Maria Madalena com o Senhor

                                                 

A sagrada amizade de Maria Madalena com o Senhor
 
Através da Homilia do Papa São Gregório Magno (séc. VI), vemos como Maria Madalena sentia o desejo de encontrar a Cristo, que julgava ter sido roubado, e assim renovemos mesmo amor pelo Cristo Ressuscitado.
 
“Maria Madalena, tendo ido ao sepulcro, não encontrou o corpo do Senhor. Julgando que fora roubado, foi avisar aos discípulos. Estes vieram também ao sepulcro, viram e acreditaram no que a mulher lhes dissera.
 
Sobre eles está escrito logo em seguida: Os discípulos voltaram então para casa (Jo 20,10). E depois acrescenta-se: Entretanto, Maria estava do lado de fora do túmulo chorando (Jo 20,11).
 
Este fato leva-nos a considerar quão forte era o amor que inflamava o espírito dessa mulher, que não se afastava do túmulo do Senhor, mesmo depois de os discípulos terem ido embora.
 
Procurava a quem não encontrara, chorava enquanto buscava e, abrasada no fogo do seu amor, sentia ardente saudade d'Aquele que julgava ter sido roubado. Por isso, só ela O viu então, porque só ela O ficou procurando.
 
Na verdade, a eficácia das obras está na perseverança, como afirma também a voz da Verdade: Quem perseverar até o fim, esse será salvo (Mt 10,22).
 
Ela começou a procurar e não encontrou nada; continuou a procurar, e conseguiu encontrar.
 
Os desejos foram aumentando com a espera, e fizeram com que chegasse a encontrar. Pois os desejos santos crescem com a demora; mas se diminuem com o adiamento, não são desejos autênticos.
 
Quem experimentou este amor ardente, pode alcançar a verdade. Por isso afirmou Davi: 'Minha alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face de Deus?' (Sl 41,3). Também a Igreja diz no Cântico dos Cânticos: 'Estou ferida de amor' (Ct 5,8). E ainda: 'Minha alma desfalece' (Ct 5,6).
 
'Mulher, por que choras? A quem procuras?' (Jo 20,15). É interrogada sobre o motivo de sua dor, para que aumente o seu desejo e, mencionando o nome de quem procurava, se inflame ainda mais o seu amor por Ele.
 
Então Jesus disse: 'Maria' (Jo 20,16). Depois de tê-la tratado pelo nome comum de mulher sem que ela o tenha reconhecido abertamente: 'Reconhece Aquele por quem és reconhecida. Não é entre outros, de maneira geral, que te conheço, mas especialmente a ti'.
 
Maria, chamada pelo próprio nome, reconhece quem lhe falou; e imediatamente exclama: 'Rabuni', que quer dizer Mestre (Jo 20,16).
 
Era Ele a quem Maria Madalena procurava exteriormente; entretanto, era Ele que a impelia interiormente a procurá-Lo.” (1)
 
Maria Madalena foi mencionada entre os discípulos de Cristo, esteve presente ao pé da Cruz e mereceu ser a primeira a ver o Redentor Ressuscitado, na madrugada da Ressurreição (Mc 16,9).
 
Santa Maria Madalena: que amor, que amizade!
Imitemos Maria Madalena, procuremos o Senhor!
 
Que nosso amor e amizade pelo Senhor seja de tamanha intensidade e profundidade, que O testemunhemos Vivo e Ressuscitado, com renúncias cotidianas necessárias, na fidelidade plena do carregar de nossa cruz!
 
Eis o verdadeiro amor que haveremos de testemunhar por Cristo Jesus! Amém. Aleluia!
 
 
 
(1) Liturgia das Horas – Vol. III – Editora Paulus - pág. 1435-1436. 
 
PS: Oportuno para a terça-feira da oitava da Páscoa (Jo 20,11-18);  e dia 22 de julho, quando celebramos a Memória de Santa Maria Madalena (Jo 20, 1-2.11-18).

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