sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Em poucas palavras...

 


Não julgar o pecador

“Ao ver outra pessoa pecando, um santo homem chorou dizendo:

‘É ele hoje e sem dúvida serei eu amanhã’.

Se acontecer que alguém comete um pecado em tua presença, não o julgues.

De preferência, desde que ele não tenha ofendido a Deus, considera-te mais pecador do que ele, mesmo que ele seja um mundano.” (1)

 

(1) Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 432 – p. 273

Rezando com os Salmos - Sl 138(139),1-18.23-24

 


Quem nos conhece melhor do que Deus?

“–1 Senhor, Vós me sondais e conheceis,
2 sabeis quando me sento ou me levanto;
= de longe penetrais meus pensamentos,
3 percebeis quando me deito e quando eu ando,
os meus caminhos Vos são todos conhecidos. –

–4 A palavra nem chegou à minha língua,
e já, Senhor, a conheceis inteiramente.
–5 Por detrás e pela frente me envolveis;
pusestes sobre mim a Vossa mão.
–6 Esta Verdade é por demais maravilhosa,
é tão sublime que não posso compreendê-La.

–7 Em que lugar me ocultarei de Vosso espírito?
E para onde fugirei de Vossa face?
–8 Se eu subir até os céus, ali estais;
se eu descer até o abismo, estais presente.

–9 Se a aurora me emprestar as suas asas,
para eu voar e habitar no fim dos mares;
–10 mesmo lá vai me guiar a Vossa mão
e segurar-me com firmeza a Vossa destra.

–11 Se eu pensasse: ‘A escuridão venha esconder-me
e que a luz ao meu redor se faça noite!’
=12 Mesmo as trevas para Vós não são escuras,
a própria noite resplandece como o dia,
e a escuridão é tão brilhante como a luz.

–13 Fostes Vós que me formastes as entranhas,
e no seio de minha mãe Vós me tecestes.
=14 Eu Vos louvo e Vos dou graças, ó Senhor,
porque de modo admirável me formastes!
Que prodígio e maravilha as Vossas obras!

– Até o mais íntimo, Senhor, me conheceis;
15 nenhuma sequer de minhas fibras ignoráveis,
– quando eu era modelado ocultamente,
era formado nas entranhas subterrâneas.

–16 Ainda informe, os Vossos olhos me olharam,
e por Vós foram previstos os meus dias;
– em Vosso livro estavam todos anotados,
antes mesmo que um só deles existisse.

–17 Quão insondáveis são os Vossos pensamentos!
Incontável, ó Senhor, é o seu número!
–18 Se eu os conto, serão mais que os grãos de areia;
se chego ao fim, ainda falta conhecer-vos.

–23 Senhor, sondai-me, conhecei meu coração,
examinai-me e provai meus pensamentos!
–24 Vede bem se não estou no mau caminho,
e conduzi-me no caminho para a vida!””

Com o Salmo 138(139),1-18.23-24 elevamos a Deus nossa prece, Ele que tudo vê e que nos conhece em tudo:

“Lindo poema sobre a presença de Deus: Ele vê tudo e nada Lhe é oculto, e Ele está em toda parte. Conhece o coração de cada um e sabe seu destino antes que nasce.”(1)

Com as palavras do Apóstolo Paulo professamos também nossa fé em Deus que é soberano em poder e sabedoria:

“Quem conheceu o pensamento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro?” (Rm 11,34).

Deste modo, expressemos nossas angústias e esperanças, alegria e tristezas, medos e inseguranças a Deus, que nos conhece e volta para nós o Seu olhar, porque nos criou e nos salva por amor, e quer tão apenas nossa resposta de amor a Ele.

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 846

Rezando com os Salmos - Sl 144 (145)

 


                   Somos envolvidos pela ternura divina

“–1 Ó meu Deus, quero exaltar-Vos, ó meu Rei,
e bendizer o Vosso nome pelos séculos.

–2 Todos os dias haverei de bendizer-Vos,
hei de louvar o Vosso nome para sempre.
–3 Grande é o Senhor e muito digno de louvores,
e ninguém pode medir Sua grandeza.

–4 Uma idade conta à outra Vossas obras
e publica os Vossos feitos poderosos;
–5 proclamam todos o esplendor de Vossa glória
e divulgam Vossas obras portentosas!

–6 Narram todos Vossas obras poderosas,
e de Vossa imensidade todos falam.
–7 Eles recordam Vosso amor tão grandioso
e exaltam, ó Senhor, Vossa justiça.

–8 Misericórdia e piedade é o Senhor,
ele é amor, é paciência, é compaixão.
–9 O Senhor é muito bom para com todos,
Sua ternura abraça toda criatura.

–10 Que Vossas obras, ó Senhor, Vos glorifiquem,
e os Vossos santos com louvores Vos bendigam!
–11 Narrem a glória e o esplendor do Vosso reino
e saibam proclamar Vosso poder!

–12 Para espalhar Vossos prodígios entre os homens
e o fulgor de Vosso reino esplendoroso.
–13 O Vosso reino é um reino para sempre,
Vosso poder, de geração em geração.

–13b O Senhor é amor fiel em Sua palavra,
é santidade em toda obra que Ele faz.
–14 Ele sustenta todo aquele que vacila
e levanta todo aquele que tombou.

–15 Todos os olhos, ó Senhor, em Vós esperam
e Vós lhes dais no tempo certo o alimento;
–16 Vós abris a Vossa mão prodigamente
e saciais todo ser vivo com fartura.

–17 É justo o Senhor em Seus caminhos,
é santo em toda obra que ele faz.
–18 Ele está perto da pessoa que o invoca,
de todo aquele que O invoca lealmente.

–19 O Senhor cumpre os desejos dos que O temem,
ele escuta os seus clamores e os salva.
–20 O Senhor guarda todo aquele que O ama,
mas dispersa e extermina os que são ímpios.

=21 Que a minha boca cante a glória do Senhor †
e que bendiga todo ser Seu nome santo
desde agora, para sempre e pelos séculos.”

Com o Salmo 144(145) louvamos a grandeza de Deus, por meio de Jesus Cristo, Nosso Senhor, Aquele que é e que era, o Santo (cf. Ap 16,5):

“O último dos salmos ‘alfabéticos’. O salmista bendiz o Senhor porque é bom, lento para a ira, rico de graça, fiel e providente, justo e amável; proclama que o Reino de Deus é glorioso e eterno.” (1)

Louvemos a Deus também por Sua infinita bondade e grandeza, e que seu amor e graça sejam abundantemente derramadas em nossos corações para que perseveremos como peregrinos de esperança. Amém.

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 850

Rezando com os Salmos - Sl 143 (144)

 


Feliz quem a Deus se confia


“=1 Bendito seja o Senhor, meu rochedo,
que adestrou minhas mãos para a luta,
e os meus dedos treinou para a guerra!

–2 Ele é meu amor, meu refúgio,
libertador, fortaleza e abrigo;
– é meu escudo: é n’Ele que espero,
ele submete as nações a meus pés.

=3 Que é o homem, Senhor, para Vós?
Por que dele cuidais tanto assim,
e no filho do homem pensais?
–4 Como o sopro de vento é o homem,
os seus dias são sombra que passa.

–5 Inclinai Vossos céus e descei,
tocai os montes, que eles fumeguem.
–6 Fulminai o inimigo com raios,
lançai flechas, Senhor, dispersai-o!

=7 Lá do alto estendei Vossa mão,
retirai-me do abismo das águas,
e salvai-me da mão dos estranhos;
–8 sua boca só tem falsidade,
sua mão jura falso e engana.

–9 Um canto novo, meu Deus, vou cantar-Vos,
nas dez cordas da harpa louvar-Vos,
–10 a Vós que dais a vitória aos reis
e salvais Vosso servo Davi.
–11 Da espada maligna livrai-me
e salvai-me da mão dos estranhos;
– sua boca só tem falsidade,
sua mão jura falso e engana.

–12 Que nossos filhos, quais plantas viçosas,
cresçam sadios, e fortes floresçam!
– As nossas filhas, colunas robustas,
que um artista esculpiu para o templo.

–13 Nossos celeiros transbordem de cheios,
abastecidos de todos os frutos!
– Nossas ovelhas em muitos milhares
se multipliquem nas nossas campinas!

=14 O nosso gado também seja gordo!
Não haja brechas em nossas muralhas,
nem desterro ou gemido nas praças!
–15 Feliz o povo a quem isto acontece,
e que tem o Senhor por seu Deus!”

O Salmo 143(144) é uma Oração pela vitória e pela paz:

“Um rei agradece a vitória, obtida não com sua força, mas com o auxílio divino; reconhece sua indignidade diante de Deus, pede a graça de novos triunfos e de uma era de paz e de prosperidade para o povo.” (1)

O Apóstolo Paulo faz ressoar estas palavras na passagem aos Filipenses:

“Tudo posso naquele que me dá força” (cf. Fl 4,13).

 

Tenhamos também mesma atitude na prosperidade, acompanhado da gratidão a Deus que caminha conosco e nos assiste em todo o tempo.


(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 849

Rezando com os Salmos - Sl 139(140),1-9.13-14

 


O Senhor é nosso refúgio e proteção

“–1 Ao maestro do coro. Salmo de Davi.

–2 Livrai-me, ó Senhor, dos homens maus,
dos homens violentos defendei-me,
–3 dos que tramam só o mal no coração
e planejam a discórdia todo o dia!
–4 Como a serpente eles afiam suas línguas,
e em seus lábios têm veneno de uma víbora.

=5 Salvai-me, ó Senhor, das mãos do ímpio,
defendei-me contra o homem violento,
contra aqueles que planejam minha queda!
=6 Os soberbos contra mim armaram laços,
estenderam-me uma rede sob os pés
e puseram em meu caminho seus tropeços.

–7 Mas eu digo ao Senhor: 'Vós sois meu Deus,
inclinai o Vosso ouvido à minha prece!'
–8 Senhor meu Deus, sois meu auxílio poderoso,
Vós protegeis minha cabeça no combate!
–9 Não atendais aos maus desejos dos malvados!
Senhor, fazei que os seus planos não se cumpram!

–13 Sei que o Senhor fará justiça aos infelizes,
defenderá a causa justa de seus pobres.
–14 Sim, os justos louvarão o Vosso nome,
e junto a vós habitarão os homens retos.”

Com o Salmo 139(140),1-9.13-14, o salmista professa sua confiança em Deus, pois tão somente Ele é seu refúgio e proteção:

“Oprimido por homens violentos que o caluniam, o salmista manifesta sua confiança de encontrar em Deus refúgio e libertação. A certeza do justo juízo de Deus é seu consolo na provação.” (1)

Assim também viveu Jesus no Mistério de Sua Vida, Paixão e Morte na fidelidade ao Projeto de Deus, na redenção de toda a humanidade:

“O Filho do Homem é entregue nas mãos dos pecadores.” (cf. Mt 26,45).

Vivamos também incondicional confiança em Deus que é o nosso refúgio e proteção, e nos liberta de todo o mal, e de todo o pecado, por Sua Morte e Ressurreição. Amém.

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 847

Rezando com os Salmos - Sl 141 (142)

 


“A Vós grito, Senhor, a Vós clamo...”


 “–1 Poema de Davi, quando estava na caverna. Oração.

–2 Em voz alta ao Senhor eu imploro,
em voz alta suplico ao Senhor!
=3 Eu derramo na Sua presença
o lamento da minha aflição,
diante dele coloco minha dor!

–4 Quando em mim desfalece a minh'alma,
conheceis, ó Senhor, meus caminhos!
– Na estrada por onde eu andava
contra mim ocultaram ciladas.

–5 Se me volto à direita e procuro,
não encontro quem cuide de mim,
– e não tenho aonde fugir;
não importa a ninguém minha vida!

=6 A Vós grito, Senhor, a Vós clamo
e Vos digo: 'Sois Vós meu abrigo,
minha herança na terra dos vivos'.
–7 Escutai meu clamor, minha prece,
porque fui por demais humilhado!

–8 Arrancai-me, Senhor, da prisão,
e em louvor bendirei Vosso nome!
– Muitos justos virão rodear-me
pelo bem que fizestes por mim.”

Rezando o Salmo 141(142) nós renovamos nossa confiança em Deus, nosso refúgio e proteção:

“Perdido todo socorro do humano, só em Deus o salmista encontra refúgio no momento do perigo. Oprimido pela angústia, reza, confiando que Deus o libertará – São Francisco de Assis morreu rezando este salmo.” (1).

Segundo Santo Hilário, tudo o que este salmo descreve, se realizou no Senhor durante a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Seja também, por nós rezado, em total e incondicional confiança em Deus, para que sejamos mais perfeitamente configurados a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus, completando em nossa carne por amor à Sua Igreja (cf. Cl 1,24). Amém.

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 848

"Como é grande, ó Pai, a Vossa Misericórdia!” Dela nos revistamos!

                                                          

"Como é grande, ó Pai, a Vossa Misericórdia!”
Dela nos revistamos!
 
O Profeta Joel falou que é tempo de rasgar os corações e não as roupas (cf. Jl 2,12-18).
 
Somente depois de corações rasgados é que, pela Misericórdia Divina, seremos purificados, reconciliados, restaurados e revestidos…
 
Revestir-se da Misericórdia Divina interiormente para que os atos a expressem exteriormente, e para que o duelo que acontece dentro de nós tenha o seu vencedor.
 
Duelam dentro de cada coração humano o bem e o mal. A misericórdia de Deus nos acompanha neste duelo interior que nos leva muitas vezes a fazer o que não queremos, e a não fazer o que queremos, como o Apóstolo Paulo mencionou em suas Cartas.
 
Deus, em Sua infinita Misericórdia, vem ao nosso encontro, nos fortalecendo para sermos vencedores neste duelo, para maior fidelidade ao Seu Projeto de vida e de amor.
 
O Profeta Ezequiel (Ez 18,21-28) exorta a quem se achar justo a ser perseverante, atento, constante, sem jamais retroceder. Não há retrocessos no caminho de Deus.
 
A Misericórdia Divina sempre nos impulsiona a caminhar para frente. Não devemos recuar jamais, nem abandonar a prática do bem e da justiça, para que nossa memória não seja apagada e venhamos a morrer.
 
Também exorta o pecador, para que, com a ajuda do justo, se converta e viva, voltando-se para Deus. Com Sua Misericórdia, se tornará uma criatura nova.
 
Alegra o coração de Deus que o pecador se converta e viva, mas jamais o contrário.
 
Muito melhor é alguém que reencontrou o caminho de Deus, abandonando a prática do pecado e procurando revestir-se da Misericórdia Divina, do que alguém que um dia O “conheceu” e O abandonou. 
As “aspas” são para dizer que, uma vez O tendo conhecido, jamais  d’Ele teria se desviado; para dizer que quem se sentiu revestido pela Misericórdia Divina não consegue d’Ele se afastar.
 
Na Oração Eucarística da Reconciliação que a Igreja nos oferece, há uma bela exclamação que a assembleia repete: Como é grande, ó Pai, a Vossa Misericórdia!”
 
É sempre tempo de nos revestirmos da Misericórdia Divina para sermos sinal de Seu Amor no mundo. E, incansavelmente aclamar com toda a Igreja: “Como é grande, ó Pai, a Vossa Misericórdia”!
 
Não nos cansemos exclamar: “Como é grande, ó Pai, a Vossa Misericórdia”! 
 
Oremos: 
 
Como é grande, ó Pai, a Vossa Misericórdia por nós pecadores!
 
Por nós que não merecemos o Teu amor…
Por nós que nos fechamos ao Seu Projeto de felicidade…
 
Por nós que atravessamos o deserto seduzidos pelas propostas de Satanás…
Por nós que ainda não aprendemos a vivenciar o amor entre nós…
 
Por nós que temos a tentação de recuar…
Por nós que às vezes nos cansamos do duelo para que o bem possa imperar…
 
Por nós que nos insensibilizamos aos gritos dos pequenos e inocentes…
Por nós que nos fazemos surdos aos clamores dos pobres e sofredores…
 
Por nós que não saboreamos com intensidade o Pão e o Vinho, Corpo e Sangue de Teu Filho em cada Eucaristia…
Por nós que acolhemos palavras que passam, e nos fechamos a Tua Palavra que nos eterniza…
 
Por nós que não acolhemos, que sucumbimos aos ventos do mundo, e não confiamos na leve brisa e sopro do Teu Espírito…
 
Como é grande, ó Pai, a Vossa Misericórdia também:
 
Com aqueles que com Teu Reino de Amor, Verdade e Vida se comprometem…
Com aqueles que não esmorecem em teimosa e ousada profecia…
 
Com aqueles que Te servem na pessoa do próximo…
Com aqueles que não perdem o encanto da vida…
 
Com aqueles que descobriram a alegria que nasce do perdão…
Com aqueles que se saciam porque sabem partilhar o pão…
 
Com aqueles que não tomam Seu nome em vão…
Com aqueles que cantam Teu amor e o traduz em músicas e poesias…
 
Com aqueles que acreditam que o mundo novo nasce da cruz e não de vãs filosofias…
Com aqueles que não se entregam às superstições, ilusões e magias…
 
Com aqueles que suportam o peso da cruz de cada dia…
Com aqueles que Te chamam de Pai porque membros e filhos de uma mesma e universal família…
 
Com aqueles que Te suplicam, Te invocam, Te clamam, em Ti confiam…
Com aqueles que suportam as Dores da Sexta Maior, na certeza de que a Aurora da Páscoa acontecerá trazendo esplendor e alegria!
 
Com aqueles que descem da Montanha Sagrada para a Palavra de Teu Filho Amado escutar e testemunhar...
 
Que revestidos por Tua Misericórdia, na Eucaristia que celebramos e comungamos, nossa fé seja nutrida, nossa esperança incentivada, nossa caridade fortalecida! Amém.
 


Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG