sábado, 1 de agosto de 2026

Motivações para o Ministério Presbiteral Diocesano

 


Motivações para o Ministério Presbiteral Diocesano

“Eles mostravam-se assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações.” (At 2,42)

Apresento dez motivações para o revigoramento e um frutuoso Ministério Presbiteral:

1 – Formação Permanente – participar das formações, encontros diversos - “Ensinamento dos Apóstolos”

2 – Viver e fortalecer a comunhão com toda a Igreja – “comunhão fraterna”.

3 – Crer numa Igreja Sinodal – caminharmos juntos com a presença do Cristo Ressuscitado – Lc 24,13-35

4 – Viver o espírito de diocesaneidade – 1 Cor 12

5 – Assumir uma Pastoral de Conjunto com seus Organismos e Pastorais.

6  – Nutrir-se de uma Espiritualidade Eucarística – Jo 6

7 – Ter Momentos fortes de oração pessoal e com os irmãos do Ministério, sobretudo o Retiro anual com todo o Clero.

8 – Promover e fortalecer a amizade e fraternidade presbiteral.

9 – Revigorar-se cotidianamente no cuidado da saúde para servir com amor e alegria.

10 – Não há Presbítero feliz sozinho – cultivo de uma afetividade integrada e integradora.

Oremos por todos os Presbíteros para que tenham acesa e fortalecida a chama do primeiro amor da vocação, e sejam zelosos pastores do rebanho a eles confiados (1 Pd 5). Amém.

 

 

Com o Senhor, somos mais que vencedores! (XVIIIDTCA)

                                                       

Com o Senhor, somos mais que vencedores!

A Liturgia da sexta-feira da 27ª Semana do Tempo Comum nos apresenta a passagem em que Jesus expulsou os demônios pelo dedo de Deus, anunciando a chegada do Reino (Lc 11,15-26).

Muitas dificuldades encontramos para o testemunho de uma vida cristã autêntica, porque muitas são as forças que se contrapõem ao Reino de Deus.

Entretanto, se forte e poderosa é a força demoníaca, muito mais forte e incomparável é a força de Deus atuando em cada um de nós, em permanente vigilância:

“A batalha do Messias exige uma decisão clara a favor ou contra Ele. Não é possível neutralidade alguma. Além disso, quem foi libertado da presença de Satanás não se deve julgar inatacável e completamente seguro. Sem vigilância, mesmo que se converter pode ficar pior do que antes (Hb 6,4-6).” (1)

Para que vençamos as forças satânicas, que nos fragilizam e nos desviam de uma relação sincera e amorosa com Deus e com nosso próximo, é preciso o dom da fé, para que façamos o devido discernimento da presença de Deus em nossa vida.

Ao dom da fé, se some:

- A escuta orante da Palavra de Deus, de modo especial no aprendizado do exercício da Leitura Orante, insistentemente motivado pelo Papa Francisco (leitura, meditação, Oração, contemplação e ação);

-   A vivência dos Sacramentos e sua riqueza imensurável;

- Uma vida litúrgica ativa, piedosa, consciente e frutuosa: participação nas Missas dominicais e feriais, e quanto mais se possa, para que sejamos nutridos pelo Pão de Imortalidade, antídoto contra todos os males.

Ressoem as palavras de Santo Tomás de Aquino: 

- “Poderia haver algo de mais admirável que este Sacramento? De fato, nenhum outro Sacramento é mais salutar do que este; nele os pecados são destruídos, crescem as virtudes e a alma é plenamente saciada de todos os dons espirituais”;

solidariedade concreta em favor dos que mais precisam nos revigora, e revitaliza nossos sonhos e compromissos com o Reino de Deus. Enquanto houver uma centelha de bondade e disponibilidade dentro de nós, podemos nos empenhar contra o domínio do Maligno, sobretudo se batizados e enxertados em Cristo, a Videira do Pai, deixando-nos revitalizar sempre com a Seiva do Amor do Santo Espírito, em fidelidade incondicional a Deus.

O Missal Cotidiano expressa de maneira contundente:

“Existem homens quase totalmente possuídos pelo espírito maligno, mas não temos o poder nem o direito de julgar os homens. Uma centelha de bondade e disponibilidade, portanto de contato com Cristo, pode ainda existir sob as cinzas em muitas vidas aparentemente rebeldes, egoístas e depravadas. E Jesus certamente não apagará a centelha.” (2) 

Acolhamos a Palavra do Senhor renovando sagrados compromissos com o Reino e agradecendo a Deus a sua misericórdia e paciência conosco:

“Ele não quebrará o caniço rachado, nem apagará o pavio que ainda fumega, até que leve o julgamento à vitória. E no Seu nome as nações terão esperança” (Mt 12,20-21).

Concluo com as palavras do Apóstolo Paulo:

“Mas em todas essas coisas somos bem mais que vencedores, graças Àquele que nos amou.

Pois estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes, nem a altura nem a profundeza, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do Amor de Deus, manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,37-39).


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - p.527.
(2) Missal Cotidiano - Editora Paulus - p.1368.

Rezando com a matemática (XVIIIDTCA)

                                                         

Rezando com a matemática

Um discípulo voltava de suas aulas matinais com a fome própria de um jovem, mas inquieto até que pudesse fazer uma pergunta ao mestre: “Como falar de Deus a partir das operações matemáticas (adição, subtração, multiplicação e divisão)?”

O mestre propôs um itinerário que deveria ser percorrido ao final de quatro tardes, para melhor proveito e assimilação. Outros discípulos também manifestaram desejo de acompanhar este caminhar vespertino. E assim aconteceu em quatro pores do sol.

Por volta das dezessete horas, mestre e discípulos saíram e,  pouco a pouco, o aprendizado da primeira operação: adição. Talvez porque seja de mais fácil aprendizado, mas tão bela e indispensável quanto as demais.

Primeira tarde: como falar de Deus a partir da adição?
Olhando para uma floresta encantadora pela diversidade de árvores, plantas, pequenos animais silvestres, entraram pela trilha adentro. Em determinado momento, o mestre disse: “assim é a floresta, não composta apenas de uma árvore ou espécie animal, isoladamente, mas a soma de todos eles, numa perfeita harmonia.

Assim fez Deus ao criar ao mundo: na soma das parcelas, das unidades, das diferenças, a totalidade de Sua obra. A folha que se soma a outra, forma a copa da árvore; o pequeno animal que soma ao outro, a fauna, e assim, o ecossistema é garantido”.

Pouco mais adiante, uma encantadora cachoeira. O mestre apontou para a mesma e disse: “vejam a água que cai abundantemente e encanta nossos olhos. Nada veríamos se cada gota não se somasse à outra, em gotas incontáveis que formam este pequeno lago, no qual agora vamos molhar nossos pés, porque hoje está frio, mas se verão fosse...”

Voltando à última palavra do mestre sobre a operação em questão: assim é a convivência entre nós. Quando estamos juntos, em ajuda mútua, somando nossos esforços, tudo fica mais fácil, menos tempo consumimos no alcance de objetivos traçados. Somemos sonhos, esperanças, forças, dons e o que de melhor Deus possa em nós ter colocado. Juntemos nossas histórias como parcelas de uma grande somatória, que possa ser a escrita de uma bela história a ser lembrada e contada com o deleite de quem soube somar, ousar, buscar, sonhar...

Segunda tarde: como falar de Deus a partir da subtração?
Durante o dia, os discípulos retomavam o que ouviram na véspera, e ansiavam a segunda tarde e a operação da subtração.

O mestre levou-os a um ateliê, onde um artista esculpia a estátua de um notável da cidade, para ser colocada no centro da praça que tinha seu nome, como reconhecimento e homenagem.

Cinzel e martelo em mãos, lentamente o escultor ia tirando partes da grande pedra. Ainda na metade do trabalho. O mestre observou: “vejam como ele vai tirando pedacinhos milimetricamente. Vai subtraindo com absoluto cuidado, até que a peça ganhe forma, beleza e expressão dos traços de quem se queria representar. Sem que a grande pedra se submetesse à subtração, jamais a obra poderia ser completada.

Assim também somos nós, a cada dia, precisamos ter a coragem de subtrair, da mente e do coração, o que não nos permite ser quem de fato somos; de nos tornarmos uma obra de arte em permanente acabamento, para que imagem de Deus o sejamos.

Temos que subtrair sentimentos que não edifiquem; manias e caprichos que destroem relacionamentos e crescimentos humanos, afetivos, psicológicos, espirituais, intelectuais, e quanto mais se possa dizer.

Os bens que possuímos também não podem nos cegar. O desapego e o desprendimento de coisas materiais são operações de subtração que nos aproximam mais de Deus”.

Ao voltar, o jardineiro ainda cuidava do jardim, podando corretamente as flores, no tempo e na medida. O mestre parou e o apontou aos discípulos dizendo: “Estão vendo o jardineiro podando a roseira? Sem estes cortes, podas, subtrações de galhos não haverá rosas, e não havendo rosas, não haverá beleza para nosso olhar e odor exalado para nossos sentidos, e tão pouco para expressão de amor entre amados e amantes, pais e filhos e tantos outros que veem na troca de flores uma expressão de carinho, respeito, reconhecimento e afeto.”

Um discípulo indagou: “Mas que Deus tem a ver com isto?” Mal formulada a pergunta, o mestre lembrou a passagem do Evangelho sobre a videira (Jo 15, 1-17), com a qual Jesus Cristo Se identifica, e lhes falou das podas necessárias, como dolorosas subtrações para que a videira dê seus frutos: “assim é a nossa vida: também feita de subtrações, de perdas que se tornam ganhos. De podas doloridas que, se relidas a partir da fé, são certeza de um novo florescer e frutificar”.

Voltaram para casa, todos recolhidos em profundo silêncio. Talvez lembrando o som do martelo do escultor, o barulho da tesoura do jardineiro, as perdas que cada um de nós temos que passar para que se tornem ganhos. Talvez, ainda, da subtração da própria vida, como Jesus o fez: subtraídas Sua beleza e todas Suas forças na Cruz, expirou. Morrendo, Ressuscitou!

Terceira tarde: como falar de Deus a partir da multiplicação?
Aonde levaria os discípulos para lhes falar da multiplicação? Primeiramente, passaram numa pequena Igreja local, no momento em que terminava um retiro espiritual. O mestre se dirigindo ao coordenador do mesmo, perguntou como fora o lanche e o almoço daquele dia.

A resposta foi a mesma que muitas vezes vimos acontecer: estavam todos felizes com o dia de oração, e ninguém com fome, porque o almoço foi comunitário; todos colocaram em comum o que levaram. Todos comeram e ainda sobrou. Aliás, enquanto conversavam, rapidamente, uma mesa foi preparada com os alimentos que sobraram. Os discípulos e todos puderam fazer um lanche para seguir adiante.

O mestre caminhando para o retorno, enfatizou: “quando se multiplica o que temos, sempre sobra. Quando retemos o que temos sempre nos falta e sempre insatisfeitos ficamos. Assim fez Jesus naquele dia num lugar deserto, em que um menino tinha cinco pães e dois peixes e Ele fez o sinal da multiplicação, e todos comeram e ficaram saciados. Foi a mais bela lição da multiplicação que possuímos para que ninguém morra de fome, pois a Sua Palavra tem poder e é garantia de êxito: ‘Dai-lhes vós mesmos de comer’.

Assim acontece em cada Eucaristia que celebramos: aprendemos que ninguém pode viver isoladamente, para si, pois assim empobreceria o seu viver e jamais saberia o gosto da saciedade e da felicidade. Somente sabe a beleza e o gosto da alegria quem sabe multiplicar os dons e talentos que o Senhor nos confiou, e nunca dizer que nada tem para oferecer; que nada pode fazer”.

O discípulo completou: “aprendamos que, com Deus, o que temos, ainda que pouco, com amor partilhado, é multiplicado e ainda haverá sobra, jamais desperdício. Que se recolha o que sobrou, para que ninguém fique privado do melhor que Deus tem à humanidade oferecer”.

Não puderam ir a mais lugar algum, a não ser o propósito de relerem na oração da noite, a passagem que o mestre se referira: Jo 6,1-21.

Quarta tarde: como falar de Deus a partir da divisão?
Naquela última tarde, o mestre levou-os a uma casa muito simples. Uma família sentada ao redor da mesa (as famílias precisam voltar a se encontrar ao redor da mesma para a refeição tanto quanto possível).

Mas a casa era tão pequena, como haveria de colocar todos lá dentro? Fizeram uma escolha entre eles de quem acompanharia o mestre e este descreveria os fatos lá vistos e sentidos.

Assim se fez. O discípulo lhes contou, ao retornarem, que, antes de comerem, o pai fez uma oração breve, agradecendo a Deus a comida servida, como bênção divina concedida. Pediu que Deus abençoasse aquele alimento, e que ele jamais faltasse na mesa de tantas outras famílias. Como a família era de poucos recursos econômicos, não tinha tanta comida na panela, como se previra, disse o discípulo:

“Chamou-me a atenção que a mãe serviu dividindo igualmente a quantidade de comida em cada prato. Todos comeram. Em seguida a mãe trouxe algumas frutas colhidas no quintal, dividiu entre todos, e disse: ‘Leve para os amigos de vocês estas frutas. Ficaremos felizes se levarem’”.

O mestre assim completou: “Quando aprendemos dividir o que temos nada nos falta. Quando a mesquinhez, ambição desmedida toma conta de nós, tornamo-nos insatisfeitos, consumistas, insaciáveis.

De fato somente o pão que partilhamos sacia nossa fome; somente a água que partilhamos sacia nossa sede; somente a roupa que partilhamos nos veste e nos protege do frio; somente a lágrima que secamos, faz secar as que em nós também vertem; somente os sonhos que ressuscitamos afastam de nós pesadelos; somente a poesia e o canto que exalta a beleza da vida divulgamos, devolve a poesia e encanto a vida que temos... somente...”

E assim, mestre e discípulos continuaram: “somente...”.
Quase chegando em sua casa, completou o mestre: “Assim aconteceu com Jesus Ressuscitado,  que no partir do Pão, na casa de Cléofas e o outro discípulo, os discípulos de Emaús (Lc 24,13-34), que somente Se tornou reconhecido no partir do pão.

Assim acontece com o Pão partilhado no Banquete da Eucaristia: reconhecemos a presença de Jesus, vivo e presente no Pão Consagrado e na Mesa: dividido, partilhado, comungado. Ele que pouco antes faz arder nosso coração quando a Palavra é proclamada”.

Quinta tarde:
Houve quinta tarde?
Mas não são quatro as operações fundamentais da matemática?
Então...
A quinta tarde acontece se quisermos.
A quinta tarde acontece se nos propusermos.

Que a quinta tarde sejam todas as tardes que virão depois, como tardes que não se repetem e que têm sua beleza própria. Em cada tarde, voltemos às quatro tardes e retomemos as operações da matemática em nossa vida.

Há tardes que nos levam a meditar sobre outras:
- Aquela tarde que nos falou o salmista – “Se à tarde nos vem o pranto visitar, a alegria pela manhã nos vem saudar” ( Sl 29, 6).

- Aquela tarde da Paixão – da morte do Senhor, que mudou a nossa vida. Aquela tarde em que o Amor foi crucificado, para que Ressuscitasse na madrugada da Ressurreição: porque o Amor é eterno, e com Amor eterno Deus nos amou.

- Aquela tarde em que Jesus caminhou com os discípulos de Emaús explicando-lhes as escrituras e, por fim, ouvindo dos mesmos – “Fica conosco Senhor”.

Rezar a partir da matemática é possível. Quando assim acontecer nos tornaremos mais humanos, fraternos, expressões vivas da misericórdia e ternuras divinas, e misericordiosos como o Pai, que não Se cansa de fazer todas as operações para que vida plena e feliz todos tenhamos, o seremos. 


PS: apropriado para a reflexão da passagem de Marcos (Mt 14,13-21; Mc 8,1-10; Jo 6,1-15; Lc 9,11b-17)

Em poucas palavras... (XVIIIDTCA)

                                                      


“Os milagres da multiplicação dos pães...”

“Os milagres da multiplicação dos pães, quando o Senhor disse a bênção, partiu e distribuiu os pães pelos seus discípulos para alimentar a multidão, prefiguram a superabundância deste pão único da sua Eucaristia (Mt 14,13-21; 15,32-39).

O sinal da água transformada em vinho em Caná (Jo 2,1-11) já anuncia a «Hora» da glorificação de Jesus. E manifesta o cumprimento do banquete das núpcias no Reino do Pai, onde os fiéis beberão do vinho novo (Mc 14,25) tornado Sangue de Cristo”.(1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1335

Apropriado para as passagens do Evangelho: (Mt 14,13-21; Mc 8,1-10; 6, 30-34; Lc 9,10-17; Jo 6,1-6)

Temos fome do Pão Celeste (XVIIIDTCA)

                                                


Temos fome do Pão Celeste

Uma reflexão sobre a Eucaristia, à luz do parágrafo n. 2837 do Catecismo da Igreja Católica.

Eucaristia designa diretamente o Pão da Vida, o Corpo de Cristo, “remédio de imortalidade”, conforme nos diz Santo Inácio de Antioquia, sem a qual não temos vida em nós (Jo 6,53-56).

Em cada Eucaristia, participamos antecipadamente do Banquete do Reino que, por sua vez, é o antegozo do Reino que vem, e deste modo é conveniente que ela seja celebrada cada dia.

Vejamos o que nos diz Santo Agostinho sobre a Eucaristia:

“A Eucaristia é o nosso pão de cada dia […]. A virtude própria deste alimento é a de realizar a unidade a fim de que, reunidos no corpo de Cristo, tornados seus membros, sejamos o que recebemos. […] E também são pão de cada dia as leituras que em cada dia ouvis na Igreja; e os hinos que escutais e cantais, são pão de cada dia. Estes são os mantimentos necessários para a nossa peregrinação”.

Na Oração que o Senhor nos ensinou, pedimos o Pão Celeste, o “Pão nosso de cada dia”, como filhos do céu; e este Pão é Ele mesmo, o Cristo (Jo 6,51), e O Pai celeste nos exorta a pedirmos como filhos do céu.

Concluo com as palavras do Bispo e Doutor da Igreja, São Pedro Crisólogo (séc. V), sobre este Pão Celeste que é o próprio Cristo:

“...é Ele mesmo o Pão que, semeado na Virgem, levedado na carne, amassado na paixão, cozido no forno do sepulcro, guardado em reserva na Igreja, levado aos altares, fornece cada dia aos fiéis um alimento celeste”.

Sejamos, portanto, alimentados pelo Pão da Palavra e da Eucaristia, para que assim, vivamos uma fé inquebrantável, uma esperança viva e uma caridade generosa, como discípulos missionários do Senhor que o somos.

Sejamos testemunhas visíveis da Compaixão Divina (XVIIIDTCA)

                                                      

 

Sejamos testemunhas visíveis da Compaixão Divina
 
A passagem do Evangelho de Marcos (Mc 6,30-34) nos revela a humanidade de Jesus, que ultrapassa quaisquer parâmetros, e não há adjetivos para descrevê-la.
 
Mais uma vez, contemplamos o Amor e o zelo de Deus com Seu Povo; Sua misericórdia, ternura e compaixão com Seu rebanho, que parece ovelhas sem pastor.
 
O Evangelista Marcos retrata um dia do Mestre e dos Apóstolos: ficam entre a necessidade do repouso e a atenção às necessidades dos outros.
 
Este é o modelo para todos e para sempre, não importa o tempo ou o lugar onde a Igreja se faça presente.
 
Na passagem, também contemplamos o notável entusiasmo dos Apóstolos, ansiosos por narrar o resultado da sua primeira missão: “Os Apóstolos reuniram-se com Jesus e contaram tudo que haviam feito e ensinado (Mc 6,30).
 
A escuta de Jesus se deu com afeto e compreensão, de modo que os convida paternalmente a descansar: “Vinde sozinhos para um lugar deserto, e descansai um pouco (Mc 6,31).
 
Com este convite, Jesus nos revela a importância do repouso aos agentes de pastoral, sempre a correr, sobrecarregados por tanto a fazer, bem como todo cristão, que precisa muito se ‘desligar’ de suas atividades, a fim de recuperar a serenidade e a força, recolocando-se, prontamente, a serviço da evangelização, em todas as suas dimensões e desafios.
 
A passagem nos apresenta a multidão reunida, sedenta de uma Palavra, atenção, por isto Jesus Se comove diante dela, pois estavam como ovelhas sem pastor: “Jesus viu uma multidão e teve compaixão, porque eram como ovelhas sem pastor. Começou, pois, a ensinar-lhes muitas coisas” (Mc 6,34), e, assim, a ela restitui a serenidade e a esperança.
 
Quanta humanidade nas palavras e no agir de Jesus! Somente Ele, o Senhor, tem Palavra de vida eterna, dirá o Apóstolo, e somente Ele nos assegura a serenidade, força e esperança.
 
Com isto, entendemos o nascimento das mais diversas pastorais e serviços dentro da comunidade: cuidar da vida do rebanho.
 
Deus é tomado da compaixão por quem enfrenta todo tipo de sofrimento, suscitando Profetas, discípulos para cuidar com carinho do Seu rebanho. Ninguém pode ficar excluído do pão, da alegria, da vida.
 
Há um só Deus, um só povo, um só Senhor, como bem diz São Paulo na Carta aos Efésios (Ef 4,1-6).
 
Com Jesus os “muros” foram derrubados. Ele gerou o homem novo com vida plena. Não podemos ficar desanimados e desorientados à mercê dos ventos e das marés. Ele mesmo nos devolve a paz, a alegria e a serenidade.
 
Para que nossa missão seja plena de êxito, é necessário intimidade e confiança em Deus, e a certeza de que é o Espírito Santo o Protagonista da história.
 
A comunidade tem que ser sinal e instrumento da compaixão, do Amor e da ternura divina. Coração e mente sensibilizados aos clamores do povo e à busca de evangélicas respostas.
 
Reflitamos:
 
- Quando estou cansado e desanimado onde me reabasteço para continuar a missão evangelizadora?
- Tenho sido como discípulo missionário uma testemunha visível da compaixão e Amor de Deus?
 
- Sou agente de Pastoral na minha comunidade? Sirvo a Deus com entusiasmo e empenho?
- Tenho consciência de que continuo a missão do Senhor Jesus?
 
Renovemos a graça da missão de discípulos missionários do Senhor, na fidelidade a Ele, Divino Mestre da serenidade, da força e da esperança.
 
Oremos: 
 
"Ó Deus, sede generoso para com os Vossos filhos e filhas e multiplicai em nós os dons da Vossa graça, para que, repletos de esperança e caridade, guardemos fielmente os Vossos mandamentos. Por N.S.J.C. na unidade do Espírito Santo. Amém"
  
PS: Liturgia 16º Domingo  do Tempo Comum (ano B):  (Jr 23,1-6; Sl 23;  Ef 2,13-18; Mc 6,30-34); dia 07 de janeiro, após a Epifania do Senhor (Mc 6,34-44), 4º Sábado do Tempo Comum. 
Fonte: Lecionário Comentado – Vol I – Editora Paulus – Lisboa – pp.762-763

Apropriado para reflexão da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 14,13-21).

Oração dos sentidos (XVIIIDTCA)

                                                          


Oração dos sentidos

A passagem do Evangelho de Mateus (Mt 14, 13-21) nos apresenta um sinal realizado por Jesus: a primeira multiplicação dos cinco pães e dois peixes.

Nas mãos de Deus, coloquemos nossos sentidos, e supliquemos ao Senhor que os coloquemos a serviço do Reino, com a convicção de que tudo que partilhamos se multiplica, porque acompanhado com o fermento do amor, que leveda o mundo novo.

Senhor, que vejamos cristãmente, com Vossos olhos: Um olhar de ternura, bondade, misericórdia, esperança, reencantamento pela vida, que se manifesta na compaixão e solidariedade para com aqueles que se sentem encurvados pelo fardo do cotidiano. Vós tendes o fardo leve e jugo suave, e por isto nos dissestes: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados...”.

Senhor, que saibamos cuidar do sentido do paladar para o cultivo do bom gosto, para aprendermos a saborear as delícias que nos ofereceis todos os dias, de modo especialíssimo e supremo, o Pão da Eucaristia, Vinho Novo de Eternidade. Não só nos ensine a saborear Vossas delícias, mas que também tenhamos a alegria e o compromisso de oferecer ao outro uma Palavra de Luz e Vida que possa também ser saboreada, tornando-se alimento na travessia que todos fazemos, até o encontro convosco na outra margem da eternidade.

Senhor, que nossos ouvidos sejam sempre atentos para escutar Vossa voz, que nos convida a um encontro pessoal que se renova a cada instante. Que também nossos ouvidos, em perfeita sintonia convosco, jamais se fechem aos clamores que sobem aos céus suplicando amor e solidariedade, e que se fechem a tantas vozes e cantos das sereias que nos afastem de Vós e de Vosso Plano de Amor, e nos levem ao individualismo, intimismo e autossuficiência.

Senhor, que nosso olfato nos dê a prudência e discernimento para nos afastarmos de tudo aquilo que não cheire bem, porque acompanhado do odor que o pecado exala no mais profundo de nossa alma e coração. Que saibamos sentir o odor do Vosso Amor em permanente presença, e que assim também possamos exalar Vosso suave aroma pelo mundo, por todos os lugares que passemos; a todas as pessoas com quem convivemos.

Senhor, que nosso sentido do tato nos dê a sensibilidade para nos deixarmos tocar por Vossa presença, que nos envolve em terno abraço, e que tenhamos coragem de tocar nas feridas de tantos quantos a nós acorrem, suplicando um pouco de carinho e atenção, estabelecendo uma relação de amor e respeito, edificação e santificação.

Senhor, aguçai nossa inteligência para que, como os pobres e simples, nos abramos à Vossa sabedoria a eles revelada, e, assim como eles, também ouçamos de Vossos lábios louvores a Deus – Eu Te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, por que escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos.” (Mt 11, 25)

Enfim, Senhor, que a nossa vontade seja sempre a Vossa vontade, somente assim, felizes seremos, pois sem Vós nada temos, nada podemos e nada somos, e tão somente assim poderemos não apenas rezar a Oração que nos ensinastes, mas vivê-la como o mais belo Projeto de Amor, porque Projeto Divino a ser realizado pela nossa frágil humanidade, quando os dons, com amor e alegria são partilhados, por Vós multiplicados. Amém!

PS: Apropriado para a passagem o Evangelho de Marcos (Mc 8,1-10)

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