domingo, 21 de junho de 2026
“Morte, ó morte! Onde está tua vitória?” (Parte II)
A fé na Ressurreição moveu São Luiz Gonzaga (como vimos) e tantos outros no consumir-se da vida momentânea, transitória, que traz em si o germe de eternidade.
Assumir a Cruz cotidiana com a força da Oração (XIIDTCC)
Qual é o impacto de Sua Vida em nós?
A passagem da primeira leitura (Zc 12,10-11; 13,1) nos fala da figura de um Profeta trespassado, que a Igreja mais tarde identificou como o próprio Jesus Cristo, como vemos no Evangelho (Jo 19,34).
O Profeta manifesta total confiança e abertura à vontade de Deus, e o sacrifício deste mártir inocente é fonte de transformação dos corações, de modo que a sua contemplação levará o Povo de Deus a um processo de arrependimento e purificação.
A mensagem nos revela que o sofrimento profético não é em vão, e ainda, que Deus está do lado dos inocentes, perseguidos e massacrados.
Não podemos nos instalar por causa dos medos, cumprindo, com coragem e ousadia, nossos compromissos proféticos, vivendo assim o nosso Batismo, e também, que não se pode ter para com os Profetas atitudes de desprezo, arrogância, frieza e indiferença.
O Apóstolo Paulo na passagem da segunda Leitura (Gl 3,26-29) exorta para que sejamos revestidos de Jesus Cristo, colocando-nos neste caminho de amor e doação da própria vida, tornando-nos herdeiros de vida em plenitude.
A comunidade que adere ao Senhor, e d’Ele se reveste, é marcada pela liberdade e igualdade. Deste modo, é preciso que se destruam quaisquer muros que possam existir ou quaisquer atitudes que fragilizem ou restrinjam a verdadeira liberdade que o Espírito nos concede, não uma liberdade qualquer, que diminua ou escravize o outro; que lhe roube espaço e identidade.
Na passagem do Evangelho (Lc 9,18-24), Jesus começa a etapa decisiva rumo a Jerusalém. O caminho é árduo, marcado pela entrega da vida pelo Reino de Deus. A morte de Cruz está no horizonte bem próximo de Sua existência.
Os discípulos se quiserem segui-Lo, poderão ter o mesmo fim, e por isto Jesus quer saber o que pensam a Seu respeito. Ele não é um Messias que vai reinar sem passar pela Cruz, pois ela precede à glória a ser alcançada. A Cruz será o Seu Trono, como Rei e Senhor.
Tomar a cruz para segui-Lo, implica não pautar a vida pelo prestígio, poder, domínio, acúmulo. É preciso renunciar ao egoísmo e orgulho, e em total confiança em Deus, nutrido pela força da Oração, pôr-se decididamente a caminho, assumindo a cruz cotidiana com a força da Oração.
A interrogação de Jesus chega até nós: “... E vós, quem dizeis que Eu sou?”
É preciso dar resposta à Sua pergunta:
Sejamos também questionados por estas palavras:
Compreenderíamos a nossa vida como liberdade: liberdade de colocar sobre os nossos ombros a nossa cruz e a cruz dos nossos irmãos, de perdermos também a nossa vida como resposta de amor Àquele que nos ama e dá a vida por nós” .(1)
E, tão somente assim, solidificamos nossa fé, renovamos nossa esperança e crescemos na caridade, que amplia e dá sentido à liberdade e à igualdade, para seguirmos, com confiança e serenidade, no carregar da cruz, até que possamos merecer a glória eterna.
Sejamos interpelados pelo Amor d’Aquele que foi trespassado em nosso favor, pela nossa redenção, para que vivamos na liberdade do Espírito, comprometidos com o Reino de Deus.
Vençamos o medo na travessia (XIIDTCB)
sábado, 20 de junho de 2026
Em poucas palavras...
“Os caminhos da missão”
“Os caminhos da missão. «O protagonista de toda a missão eclesial é o Espírito Santo» (São João Paulo II). É Ele que conduz a Igreja pelos caminhos da missão. E esta «continua e prolonga, no decorrer da história, a missão do próprio Cristo, que foi enviado para anunciar a Boa-Nova aos pobres.
É, portanto, pelo mesmo caminho seguido por Cristo que, sob o impulso do Espírito Santo, a Igreja deve seguir, ou seja, pelo caminho da pobreza, da obediência, do serviço e da imolação de si mesma até à morte – morte da qual Ele saiu vitorioso pela ressurreição» (Vaticano II – Ad Gentes). É assim que «o sangue dos mártires se torna semente de cristãos» (Tertuliano).”(1)
(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 852
“Por fora, luta; por dentro, temores”
“Por fora, luta; por dentro, temores”
Sejamos
enriquecidos pelo comentário sobre o Salmo 118, escrito pelo bispo e doutor da
Igreja, Santo Ambrósio (séc. IV).
“Todos os que querem viver piedosamente em
Cristo, sofrerão perseguição. O apóstolo escreveu “todos”, não excluiu
nenhum. Pois quem pode ser excluído quando o próprio Senhor tolerou as
tentativas de perseguição? A avareza persegue, a ambição persegue, a luxúria
persegue, a soberba persegue e os prazeres da carne perseguem. Não esqueças que
o apóstolo disse: fugi da fornicação.
E do que tu foges, senão daquilo que te persegue? O mau espírito da luxúria, o
mau espírito da avareza, o mau espírito da soberba.
Os
temíveis perseguidores são aqueles que, sem o terror da espada, constantemente
destroem o espírito do homem; aqueles que, mais com afagos do que com pavor,
submetem as almas dos fiéis. Estes são os inimigos dos quais deves te guardar;
estes são os tiranos mais perigosos, pelos quais Adão foi vencido. Muitos,
coroados em públicas perseguições, caíram nestas perseguições ocultas. Por fora, diz o apóstolo, lutas; por dentro, temores.
Observas
quão duro é o combate que há no interior do homem, para que se debata consigo
mesmo e lute contra as suas paixões. O próprio apóstolo vacila, duvida, é
atormentado e manifesta que está sujeito à lei do pecado e reduzido por seu
corpo à morte, e não poderia escapar se não fosse libertado pela graça de
Cristo Jesus.
E
assim como há muitas perseguições, assim também há muitos martírios. Todos os
dias és testemunha de Cristo. És mártir de Cristo se sofreste a tentação do
espírito de luxúria, porém, temeroso do futuro juízo, não pensaste em profanar
a pureza da alma e do corpo. És mártir de Cristo se foste tentado pelo espírito
de avareza para apossar-te dos bens dos mais fracos ou não respeitar o direito
das viúvas indefesas, porém, julgaste que era melhor alcançar a riqueza pela
contemplação dos preceitos divinos, que cometer a injustiça.
Cristo
quer estar próximo de tais testemunhas, conforme está escrito: aprendei a realizar o bem, buscai o justo,
respeitai ao oprimido, fazei a justiça ao órfão, e amparai a viúva: vinde e
entendamo-nos. És mártir de Cristo se foste tentado pelo espírito da
soberba, mas vendo ao fraco e desvalido, te compadeceste com espírito piedoso,
e amaste a humildade mais que a arrogância. E ainda mais se deste testemunho
não somente de palavra, mas também com obras.
Pois
quem é testemunha mais fiel do que aquele que confessa que o Senhor Jesus Se
encarnou, ao mesmo tempo em que guarda os preceitos do Evangelho? Porque quem
escuta e não coloca em prática, nega a Cristo. Ainda que o confesse por
palavra, o nega por obras. Porque existem muitos que dizem: Senhor, Senhor, não profetizamos em Teu
nome? Não expulsamos demônios em Teu nome? E não fizemos o bem em Teu nome? E
Ele lhes dirá naquele dia: Apartai-vos de mim todos vós que realizais a
iniquidade. Porque é testemunha aquele que, tornando-se fiador com suas
obras, confessa a Cristo Jesus.
Quantos,
todos os dias, são mártires de Cristo em segredo, que confessam ao Senhor Jesus
com suas obras! O apóstolo conhecia este martírio e testemunho fiel de Cristo,
quando afirmava: Esta é a nossa glória: o
testemunho de nossa consciência.” (1)
Na
fidelidade ao Senhor, como discípulos missionários, desafiador é o combate que
há no mais profundo de todos nós, para que melhor correspondamos na missão,
como nos falou o bispo:
“Observas quão duro
é o combate que há no interior do homem, para que se debata consigo mesmo e
lute contra as suas paixões.”
Concluímos rogando a Deus a força e a presença do Santo
Espírito, para que vivamos a graça da missão que Jesus nos confiou, encorajados
pelas palavras do apóstolo Paulo:
“Em verdade, quando chegamos à Macedônia, nossa carne não teve repouso algum, mas sofremos toda espécie de tribulação: por fora, luta; por dentro, temores.” (2 Cor 7,5).
(1)
Lecionário Patrístico Dominical, Editora Vozes – 2013 -
pp.163-164.
Em poucas palavras...
“Os leigos realizam a sua missão profética também pela evangelização...”
“Os leigos realizam a sua missão profética também pela evangelização, «isto é, pelo anúncio de Cristo, concretizado no testemunho da vida e na palavra».
Para os leigos, «esta ação evangelizadora [...] adquire um carácter específico e uma particular eficácia, por se realizar nas condições ordinárias da vida secular» (Vaticano II – Lumen Gentium n.35).
«Este apostolado não consiste só no testemunho da vida: o verdadeiro apóstolo procura todas as ocasiões de anunciar Cristo pela palavra, tanto aos não-crentes [...] como aos fiéis» (Vaticano II Decr. Apostolicam actuositatem, 6: AAS 58 (1966) 843: cf. Id, Decr. Ad gentes, 15: AAS 58 (1966) 965.).” (1)
(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 905







