sexta-feira, 19 de junho de 2026

Resiliência na travessia

                                                 


Resiliência na travessia

Resiliência: uma palavra que tem sido cada vez mais falada, e que bem compreendida e vivida pode nos ajudar ao escrever sempre novas páginas de alegria, vida e esperança.

Uma possível definição da palavra: “habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas”. (1)

Oremos:

Concedei-nos, Senhor, resiliência no enfrentar de uma enfermidade, acompanhada da fé, de mãos dadas com a ciência: uma fé que a ciência não dispensa, uma ciência que a fé não desconsidere.

Que nos ajude no autocontrole, acompanhado da força de vontade de superação de situações embaraçosas, e que não nos sejam aniquiladas as nossas forças.

Para suportar com fortaleza, sem nos deixarmos vencer pelo espírito de medo e timidez, crendo em Vós, que nos acompanha em todos os passos e nos fortalece, (2)

Peregrinos de esperança sejamos, resilientes em toda e qualquer situação, confiando em Vossa presença na barca de Vossa Igreja, que nos garante o chegar à outra margem, em necessária travessia... (3)

Com sabedoria, remar, por vezes, contra a maré das provações e dificuldades, aguentando firme, sem jamais perder o horizonte da esperança, no bom combate da fé (4), inflamados pela chama de Vossa Caridade. Amém.

 

(1)     Dicionário Aulete

(2)    2 Tm 1,7

(3)    Mc 4,35-41

(4)   2 Tm 4,7

 

O silêncio orante nas decisões

                                                 

O silêncio orante nas decisões

Depois daquele silêncio orante,
A confiança em Deus se renovou.
Presença de amor constante,
que jamais, os Seus escolhidos abandona.

Depois daquele silêncio orante,
o sim para uma nova missão foi dado,
Inspirando no sim de Maria para o Mistério da Encarnação,
Para viver plena fidelidade aos compromissos de minha Ordenação

Depois daquele silêncio orante,
Como indigno servo, Bispo nomeado,
Aprofundar a comunhão com o Amor, o Amante e o Amado,
Trindade Santa, a quem tudo deve ser creditado.

Depois daquele silêncio orante,
Missão de santificar, ensinar e governar;
Aprendizado e adaptação a todo instante,
Presença do Bispo Pastor, a luz divina comunicar.

Depois daquele silêncio orante,
Fortalecer vínculos de amizades conquistados,
Novos relacionamentos a serem iniciados.
Cativando e cultivando novos relacionamentos.

Depois daquele silêncio orante,
Empenho em fazer crescer, na Igreja Particular de Guanhães,
Comunhão diocesana tão importante,
Na Palavra e Eucaristia, que são as divinas fontes.

Depois daquele silêncio orante,
Um caminho que por muitos foi percorrido,
Mas há muito mais nos esperando adiante,
Com Deus, desafios serão sempre vencidos.

Depois daquele silêncio orante,
Um amor novo já nasce em meu coração:
Devoção ao Arcanjo Gabriel, mensageiro celestial,
Companheiro no bom combate, na luta contra o mal.

No silêncio, pelo sim dado,
Novos horizontes alargados foram.
À Trindade Santa toda a honra merecida!
Confiante, em Suas mãos, entrego toda a minha vida.


PS: Escrito quando de minha nomeação como Bispo da Diocese de Guanhães - MG - 19 de junho de 2019

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Porta e portais se abram ao Senhor

                                                               

Porta e portais se abram ao Senhor

“Eis que estou à porta, e bato;
se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta,
entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”. (Ap 3,20)

A Liturgia das Horas nos apresenta um Comentário sobre o Salmo 118, escrito pelo Bispo Santo Ambrósio, que nos recorda que somos templos divinos, e precisamos abrir as portas e portais ao Senhor, para que venha fazer morada.

“’Eu e o Pai viremos e faremos nele nossa morada’. Franqueia, então, a tua porta ao que vem, abre tua alma, alarga o íntimo de tua mente para veres as riquezas da simplicidade, os tesouros da paz, a doçura da graça.

Dilata o coração e corre ao encontro do sol, da eterna luz, ‘a que ilumina a todo homem’. Esta luz verdadeira brilha para todos. Mas, se alguém fecha as janelas, priva-se da eterna luz. Assim também Cristo é repelido se fechas a porta de teu espírito. Embora possa entrar, não quer ser importuno, não quer entrar à força. Recusa-Se a usar de coação!

Nascido da Virgem, Ele saiu do seio, irradiando luz sobre o mundo inteiro, refulgindo para todos. Os que desejam, acolhem a claridade inextinguível que noite alguma interrompe. Pois à do sol que vemos diariamente, sucede a noite escura; mas o sol da justiça jamais se põe, porque à sabedoria não sucede a maldade.

Feliz aquele a cuja porta Cristo bate. Nossa porta é a fé, que, quando sólida, defende a casa toda. Por esta porta Cristo entra. Daí dizer a Igreja no Cântico: ‘A voz de meu irmão bate à porta’. Escuta o que bate, escuta o que deseja entrar: ‘Abre para mim, minha irmã esposa, minha pomba, minha perfeita, porque tenho a cabeça coberta de orvalho e meus cabelos, das gotas da noite’.

Observa que o Deus Verbo bate à porta principalmente quando sua cabeça está coberta de orvalho noturno. Digna-Se visitar os atribulados e tentados, para que não sucumbam às amarguras. A cabeça cobre-se de orvalho e de gotas quando o corpo sofre. Importa, portanto, vigiar para não ficar excluído à chegada do Esposo. Se dormes e o teu coração não vigia, afasta-se antes de bater. Se o teu coração está vigilante, bate e pede ser-lhe aberta a porta.

Possuímos a porta de nossa alma, possuímos também portais sobre os quais se diz: ‘Levantai, príncipes, vossos portais, erguei-vos, portas eternas, e entrará o Rei da glória’. Se quiseres levantar os portais de tua fé, entrará em ti o Rei da glória, trazendo a vitória de Sua paixão. Tem também portas a justiça. Delas lemos o que disse o Senhor Jesus por meio de Seu profeta: ‘Abri-me as portas da justiça’.

Há quem tenha portas, há quem tenha portais. A essas portas Cristo bate, bate aos portais. Abre, então, para Ele; quer entrar, quer encontrar vigilante a Esposa”.

É preciso que abramos a porta e portais de nossa fé ao Senhor, para que nossa alma seja iluminada, e não nos percamos nos caminhos escuros que a vida nos apresenta.

Quando abrimos a caverna escura de nossa existência ao Senhor, e nos abrimos ao Seu Plano e Projeto de amor, há o encontro conosco mesmos, e ao mesmo tempo com Ele.

Da mesma forma, é preciso estar vigilantes para a chegada do Senhor, que baterá à nossa porta, para entrar e cear conosco, como nos falou o Autor do Livro do Apocalipse:

“Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”. (Ap 3,20).

Felizes seremos com a chegada do Senhor, que veio, vem e virá, e como não sabemos nem o dia e nem a hora, importa sempre vigiar.

“Que todos sejam um”

                                                                

“Que todos sejam um”

Sejamos enriquecidos pela Carta do Papa São Clemente I aos Coríntios:

“Está escrito: Uni-vos aos Santos, porque os que deles se aproximam serão santificados. E ainda em outro lugar: Com o inocente serás inocente, com o eleito serás eleito e com o perverso usarás de astúcia. Por isso nos unimos aos inocentes e aos justos; eles são eleitos de Deus. Por que há entre vós lutas, cóleras, dissensões, divisões e guerras? Porventura, não temos um só Deus, um só Cristo e um só Espírito da graça derramado sobre nós e não há uma só vocação em Cristo? Por que arrancamos e despedaçamos os membros de Cristo e nos revoltamos contra nosso próprio corpo e chegamos à loucura de esquecer que somos membros uns dos outros?

Lembrai-vos das palavras de nosso Senhor Jesus: Ai daquele homem! Melhor lhe fora não ter nascido do que escandalizar a um de meus eleitos; melhor lhe fora ser amarrado à mó de moinho e afogado no mar do que perverter um só de meus escolhidos. Vossa divisão perverte a muitos, lança a muitos no desânimo, a muitos, na hesitação, a todos nós, na tristeza, causa-nos a todos aflição, e ainda persiste vossa sedição!

Tomai da carta de São Paulo. Qual a primeira coisa que vos escreveu no início da Boa-nova? Decerto inspirado por Deus, o Apóstolo vos escreveu acerca de si mesmo, de Cefas e de Apolo, porque já então havia entre vós facções e partidos. Esta facção, porém, era o vosso menor pecado. Com efeito, vós vos inclinastes ante o ilustre testemunho dos grandes Apóstolos e da pessoa por eles autorizada.

Vamos, portanto, depressa, acabar com isto! Vamos nos ajoelhar aos pés do Senhor e implorar com lágrimas e súplicas que Ele nos seja propício e Se reconcilie conosco, fazendo-nos voltar a nosso antigo modo de viver, tão belo, casto, conforme o amor fraterno. É esta a porta da justiça aberta para a vida, segundo está escrito: Abri-me as portas da justiça; entrando por elas louvarei o Senhor; é esta a porta do Senhor, por ela entrarão os justos.

De fato, são muitas as portas abertas: esta que é da justiça, é ela também em Cristo. Felizes todos os que por ela entraram e orientaram sua caminhada na santidade e na justiça, realizando tudo com tranquilidade. Se há um fiel, se há um notável na exposição da doutrina, um sábio no discernimento das palavras, um casto em sua vida, tanto mais humilde deve ser quanto parece ser maior e procure o que é útil a todos e não o próprio interesse”.

A solidificação e a construção da Unidade nos desafia. 

Somos exortados a procurar o que for útil para todos e não o próprio interesse: Há ainda um “vírus” da discórdia que insiste em perpetuar entre nós. 

Não basta detectá-lo presente no outro; antes é preciso termos coragem de percebê-lo em cada um de nós, e, no antídoto para não morrer, remédio de imortalidade que é a Eucaristia, imunizá-lo ou mesmo extirpá-lo.

Seja na Igreja, ou em qualquer outro espaço, muitas vezes a voracidade pelo poder, ter e ser (tentações diabólicas, mãe de todas as demais que geram discórdias) corrói relações, destrói os laços de fraternidade.

Porém, se verdadeiramente enraizados no Amor de Cristo, saberemos dar largos passos nesta inadiável realização da unidade querida e rezada por Jesus em Sua Oração Sacerdotal (Jo 17).

Concluamos com este canto:

“Que seja um, é o que Eu quero mais.
Que seja um, é o que Eu quero mais.
O meu Amor é o que os torna capazes.
Sem medo algum, se amem mais.
Sem medo algum, se amem mais.
O meu Espírito é quem age e faz.”

Ps: Oportuno para reflexão da passagem da Carta de Paulo aos Coríntios (1 Cor 1,10-13.17)

“Que todos sejam um” (continuação)


“Que todos sejam um”

Completando a reflexão à luz da Carta do Papa São Clemente I aos Coríntios.

A Igreja vivia seus primeiros momentos, como Igreja nascente e fundada sobre a fé de Pedro, a quem o Senhor confiou as chaves do Reino para conduzi-la, procurando respostas aos desafios que se multiplicariam.

Uma dificuldade que ainda hoje nos desafia é o fortalecimento dos vínculos da concórdia e da paz.

São inumeráveis as passagens bíblicas que fazem resplandecer os raios luminosos, para que a obscuridade causada pela discórdia possa ser iluminada e os conflitos superados.

São Clemente, na condução da Igreja não ficou imune e indiferente a tais desafios que, de um modo ou de outro, teimam em sobreviver nos espaços internos da Igreja, e lamentavelmente em tantos outros lugares.

Acolhamos e deixemo-nos iluminar pela carta:

“Vede, diletos, quão grande e admirável é a caridade. A sua perfeição ultrapassa as palavras. Quem é capaz de possuí-la a não ser aquele que Deus quiser tornar digno? Oremos, portanto, e peçamos-lhe misericórdia para sermos encontrados na caridade, sem culpa nem qualquer inclinação meramente humana.

Todas as gerações, desde Adão até hoje, já passaram. Aqueles, porém, que pela graça de Deus foram consumados na caridade, alcançam o lugar dos santos e serão manifestados na parusia do reino de Cristo. Está escrito: Entrai nos quartos por um momento até que passe minha cólera acesa; e lembrar-me-ei dos dias bons e vos erguerei de vossos sepulcros.

Felizes de nós, diletos, se cumprirmos os preceitos do Senhor na concórdia da caridade, para que pela caridade sejam perdoados nossos pecados. Pois está escrito: Felizes aqueles cujas iniquidades foram perdoadas e cobertos os pecados. Homem feliz, a quem o Senhor não acusa de pecado nem há engano em sua boca.

Esta felicidade pertence aos eleitos de Deus, mediante Jesus Cristo, Nosso Senhor, a quem a glória pelos séculos dos séculos. Amém. De tudo quanto faltamos e fizemos, seduzidos por alguns servos do adversário, peçamos-lhe perdão. Aqueles, porém, que se tornaram cabeças de sedição e discórdia, devem meditar sobre a comum esperança.

Quem vive no temor de Deus e na caridade, prefere o próprio sofrimento ao do próximo, prefere suportar injúrias a desacreditar a harmonia, que bela e justamente nos vem da tradição. É de fato melhor confessar o seu pecado do que endurecer o coração.

Quem entre vós é o generoso, quem o misericordioso, quem o cheio de caridade? Que esse diga: “Se por minha causa surgiu esta sedição, esta discórdia e divisão, então eu me retiro, vou para onde quiserdes e farei o que o povo decidir; contanto que o rebanho de Cristo tenha a paz com os presbíteros estabelecidos”.

Quem assim agir, alcançará grande glória em Cristo e será recebido em todo lugar. Do Senhor é a terra, e tudo o que contém. Assim fazem e farão aqueles que vivem a vida divina, da qual nunca se têm de arrepender.”

Não há dúvida de que seremos felizes se cumprirmos os preceitos do Senhor, na concórdia da caridade. Se fizermos morrer no mais profundo de nós tudo aquilo que venha ferir a Unidade - e o que primeiro deve morrer é o orgulho, a soberba, a presunção, o rancor, a ira, a inveja, a indiferença, numa palavra: os vermes dos pecados capitais que nos corroem a alma e, consequentemente, corroem as relações fraternas, de modo a impedir que vejam Cristo em nós.

Urge que geremos Cristo em nós com incansável esforço de conversão, deixando-nos modelar pela Mão Divina, que quer arrancar, extirpar o que nos rouba a felicidade, a maturidade.

Somente assim nos credenciamos à eternidade, quando acolhemos a Palavra que nos purifica. Amém.


Confessemos os nossos pecados

                                                                 

Confessemos os nossos pecados

Acolhamos este texto de São Cirilo (séc. IV), Bispo de Jerusalém, extraído de suas "Catequeses", sobre a confissão dos nossos pecados no tempo propício.

“Se há aqui alguém escravo do pecado, prepare-se pela fé para o nobre renascimento de filhos por adoção. Rejeitada a péssima escravidão dos pecados e obtida a felicíssima servidão do Senhor, seja considerado digno de alcançar a herança do Reino celeste.

Portanto despi, pela confissão, o homem velho que se vai corrompendo ao sabor dos desejos maus, a fim de revestirdes o homem novo, que se renova pelo conhecimento d’Aquele que o criou.

Adquiri pela fé a segurança do Espírito Santo de serdes acolhidos nas mansões eternas.

Aproximai-vos do místico sinal para que possais ser favoravelmente reconhecidos pelo Soberano.

Juntai-vos ao santo e racional rebanho de Cristo. Postos um dia de parte à Sua direita, entrareis assim na posse da vida preparada por herança para vós.

Com a aspereza dos pecados aderentes como pelos, estão à esquerda aqueles que não se achegam à graça de Deus concedida por Cristo no banho da regeneração. Refiro-me aqui não à regeneração dos corpos, mas ao novo nascimento espiritual da alma.

Os corpos são gerados pelos pais visíveis; a alma é gerada de novo pela fé, porque o ‘Espírito sopra onde quer’. Então, se te tornares digno, poderás ouvir: ‘Muito bem, servo bom e fiel’, quando não se encontrar em ti qualquer impureza de fingimento na consciência.

Se algum dos que aqui estão espera provocar a graça de Deus, engana-se e desconhece o valor das coisas. Tem, ó homem, alma sincera e livre de disfarce, por causa d’Aquele que perscruta corações e rins.
           
O tempo agora é tempo de confissão. Confessa o que cometeste por palavra, ou ação, de noite ou de dia. Confessa no tempo propício e recebe no dia da salvação o tesouro celeste.

Limpa tua jarra para conter graça mais abundante, pois a remissão dos pecados é dada igualmente a todos, mas, a comunicação do Espírito Santo é concedida a cada um segundo a fé. Se trabalhares pouco, receberás pouco; se fizeres muito, grande será a recompensa.

Corre em teu próprio proveito, vê o que te convém. Se tens algo contra outro, perdoa. Tu te aproximas para receber o perdão dos pecados; é necessário perdoar a quem te ofendeu”.

Alguns imperativos aparecem notavelmente na Catequese, retomo o último: “Limpa tua jarra para conter graça mais abundante, pois a remissão dos pecados é dada igualmente a todos, mas, a comunicação do Espírito Santo é concedida a cada um segundo a fé...”. (1)

Reconheçamos e tomemos consciência de nossos pecados, acompanhado do arrependimento, com desejo de conversão e esforço contínuo de reparação, acompanhado da necessária vigilância para não incorrermos nos mesmos pecados.

Sejamos perdoados de nossos pecados, como ação do Espírito Santo que nos foi concedido naquele oitavo dia, quando o discípulos se encontravam, com as portas fechadas, com medo dos judeus, e enviados para comunicar o perdão dos pecados:

“E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: ‘Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos’” (Jo 20,22-23).


(1) Liturgia das Horas – Editora Paulus – Tempo comum - Vol. III – pp. 400-401.

A noite escura de nossa existência: Será ela para sempre?

                                                              

A noite escura de nossa existência:
Será ela para sempre?

 "Deus sempre está na aparente ausência."

Reflexão sobre a luta de Jacó com Deus - (cf. Gn 32,23-33).

Viver é constante processo de amadurecimento na fé. Viver amando é preparar um epílogo de eternidade, porque o amor jamais passará. Amar é condição para o alcance da eternidade, anseio mais profundo que carregamos.

Neste constante processo de amadurecimento, muitas lutas e embates prolongados fazem parte de nosso existir.

- Como combater?
- Com quem contar neste combate?

Combater contra os problemas e nunca contra Deus. Combater com Deus e não contra Ele.

Problemas existem, dificuldades também, mas é inegável e irrevogável a presença da graça de Deus em nossa vida.
       
Todo combate sem Deus se anuncia como desastrosa derrota, porque sem Ele nada podemos fazer.

Propor-se a combater sempre, com a imprescindível e soberana ajuda divina: 
                                         
- Dar o melhor de nós sempre!
- Esmorecimentos? Desistências?  Jamais!
- Hesitações e oscilações na fé? Não nos são permitidos.
- Minimização dos horizontes? Irremediavelmente inconcebível, inimaginável!
- Congelamento ou ausência da caridade? Absolutamente impensável.

Noites escuras de nossa existência são páginas, que fazem o conjunto da obra de arte que deve ser uma vida.

A mais bela história, o mais belo filme, a mais inesquecível vitória trazem consigo lembranças de momentos trágicos, dramáticos em que tudo parecia irreversível.

A mais bela história de nossa existência também comportará momentos prolongados de aparente ausência de Deus quando, de fato, Ele jamais Se fez ausente.

Deus, de fato, está sempre presente na aparente ausência:

- Quando Jó experimentou incontáveis perdas;
- Quando Jesus dormiu na barca;
- Quando gritou no alto da Cruz: “Meu Deus, meu Deus por que me abandonaste?”;
- Quando desceu à mansão dos mortos, no túmulo abismal da morte, mansão pela qual todos passaremos;
- Quando a noite escura da Sexta Maior se prolongou no sábado, para irromper em luz da aurora do Domingo da Ressurreição.

Reflitamos sobre eventuais e momentâneas noites escuras pelas quais possamos estar passando...
                 
- Será ela, a noite escura, eternizada?
- Terá, irremediavelmente, a última palavra?
- Jamais se estivermos com Deus!

Mas se ousarmos enfrentar noites escuras sem Ele ou contra Ele, inexoravelmente, ela terá a última palavra...

Sem Deus, nada tem beleza e êxito.
Sem Deus, nada tem luz e cor.
Sem Ele, nenhum esplendor!

Deus é como a luz a irromper em nossas noites escuras, frias e sombrias; como o sol que desponta em cada amanhecer!

É preciso n’Ele, sem sombra alguma de dúvida, crer em cada amanhecer até o entardecer. Noites escuras sim, para sempre jamais haverão de ser!

Com Deus, as noites escuras de nossa existência são iluminadas, e não são e nem serão para sempre.
                                    
Oremos: 

Que Tua luz, Senhor, irrompa esplendorosa, após noites escuras de nossa existência, e que e elas, Contigo, alcancem o esplendor esperado! Amém!

Quem sou eu

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