quinta-feira, 18 de junho de 2026

Em poucas palavras... (Eucaristia)

                                                           


A Santíssima Eucaristia

 

“A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço do céu que se abre sobre a terra – é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da história e vem iluminar nosso caminho.” (1)

 

(1)Papa São João Paulo II, Ecclesia de Eucharistia – 2003.

 

 

 

Em poucas palavras... (Pai-Nosso)

                                                   


Meditação sobre o "Pai-Nosso"

"É entrando no santo nome do Senhor Jesus que podemos acolher, desde dentro, a oração que Ele nos ensina: «Pai nosso!».

A sua oração sacerdotal inspira, a partir de dentro, as grandes petições do Pai-nosso: a preocupação com o nome do Pai  (Jo 17,6,11,12,26), a paixão pelo seu Reino (a glória) (Jo 17, 1.5.10.22.23-26.42), o cumprimento da vontade do Pai, do seu desígnio de salvação (Jo 17, 2.4.6.9.11.12.24) e a libertação do mal (Jo 17,15)." (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n.2750

A necessária discrição em todo o viver

                                                    


A necessária discrição em todo o viver

“Perguntaram a um ancião: ‘Como encontrarei a Deus?’ Ele disse: ‘No jejum, nas vigílias, nas labutas, nos atos de misericórdia e, sobretudo, também com discrição.

Digo-vos: muitos mortificaram sua carne sem discrição e saíram vazios, sem realizar nada.

Nossa boca cheira mal por causa do jejum; aprendemos as Escrituras de cor; aperfeiçoamos nosso conhecimento dos Salmos de Davi e, no entanto, não possuímos o que Deus busca: amor e humilhação.” (1)

Na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 6,1-18), Jesus nos convida à prática da esmola, da oração e do jejum, e também nos ensina a oração do “Pai-Nosso”.

As três práticas mencionadas devem ser feitas no segredo do coração, e Deus, que é Pai, nos dará a retribuição (Mt 6,4.6.18).

Vemos quão necessária a discrição, acompanhada do “amor e humilhação”.

Se assim fizermos, crescerá nossa paixão pelo Senhor Jesus, e fascinados por Sua Pessoa e Palavra, seremos autênticos e apaixonados discípulos missionários do Reino.

Fundamental que tenhamos a necessária sensibilidade contemplativa, para a percepção dos clamores de nossos irmãos e irmãs, bem como de nossa Casa Comum, e seremos revigorados para a sensibilidade oblativa, renovando os sagrados compromissos com a Boa Nova do Reino de Deus, como tão bem expresso no Prefácio da Missa da Solenidade de Cristo Rei:

“Com óleo de exultação, consagrastes Sacerdote Eterno e Rei do universo Vosso Filho único, Jesus Cristo, Senhor nosso. Ele, oferecendo-Se na Cruz, vítima pura e pacífica, realizou a redenção da humanidade. Submetendo ao Seu poder toda criatura, entregará à Vossa infinita majestade um Reino eterno e universal: Reino da verdade e da vida, Reino da santidade e da graça, Reino da justiça, do amor e da paz...”

Oremos:

Ó Deus, nós Vos suplicamos a necessária discrição, para que nossa vida seja marcada pelo “amor e humilhação”, de tal modo que,  mais que enraizados em nosso coração, sejamos libertos de toda petrificação da sensibilidade, e não nos sejam roubadas a ternura e a Paixão pelo Reino. Amém.

  

(1)   Ditos anônimos dos Padres do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n.222 – p.166 

Rezando com os Salmos - Sl 64 (65)

 


Elevemos cantos e louvores a Deus


“–1 Ao maestro do coro. Salmo de Davi. Cântico.

–2 Ó Senhor, convém cantar vosso louvor
com um hino em Sião!
–3 E cumprir os nossos votos e promessas,
pois ouvis a oração.

– Toda carne há de voltar para o Senhor,
por causa dos pecados.
–4 E por mais que nossas culpas nos oprimam,
perdoais as nossas faltas.

–5 É feliz quem escolheis e convidais
para morar em vossos átrios!
– Saciamo-nos dos bens de vossa casa
e do vosso templo santo.

–6 Vossa bondade nos responde com prodígios,
nosso Deus e Salvador!
– Sois a esperança dos confins de toda a terra
e dos mares mais distantes.

–7 As montanhas sustentais com vossa força:
estais vestido de poder.
–8 Acalmais o mar bravio e as ondas fortes
e o tumulto das nações.

–9 Os habitantes mais longínquos se admiram
com as vossas maravilhas.
– Os extremos do nascente e do poente
inundais de alegria.

–10 Visitais a nossa terra com as chuvas,
e transborda de fartura.
– Rios de Deus que vêm do céu derramam águas,
e preparais o nosso trigo.


–11 É assim que preparais a nossa terra:
vós a regais e aplainais,
– os seus sulcos com a chuva amoleceis
e abençoais as sementeiras.

–12 O ano todo coroais com vossos dons,
os vossos passos são fecundos;
– transborda a fartura onde passais,
13 brotam pastos no deserto.

– As colinas se enfeitam de alegria,
14 e os campos, de rebanhos;
– nossos vales se revestem de trigais:
tudo canta de alegria!”

O Salmo 64(65) é uma Solene ação de graças em Sião, que significa a cidade celeste (Orígenes). Trata-se de uma ““Exortação a louvor a Deus no seu santuário, onde ele concede o perdão das culpas e outras graças. O salmista louva o poder divino manifestado na criação e agradece a Deus pela abundante colheita.” (1).

Unamo-nos ao salmista, elevando a Deus nossos louvores por sua presença e ação em nossas vidas, por nos conceder a  graça, o perdão e a força necessárias para o bom combate da fé, ancorados na esperança que não decepciona, abertos a acolhida do Seu amor abundantemente derramado em nossos Corações (Rm 5,5).

 

 

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – pág. 778

“Perdoai-nos as nossas ofensas”

                                                

“Perdoai-nos as nossas ofensas”

Ao rezarmos a Oração do "Pai-Nosso”, comumente, dizemos: – “... Perdoai as nossas ofensas...”.

No entanto, na fórmula que traz o Missal (Dominical e Cotidiano), temos: – “... Perdoai-nos as nossas ofensas...”.

Sobre isto, a Professora Jamilia Elias Piera, afirma que ambas as formas estão corretas, uma vez que o verbo “perdoar” contempla três argumentos: o sujeito (quem perdoa), o complemento direto (o que se perdoa) e complemento indireto (a quem se perdoa).

Deste modo, quando se diz a segunda forma, “perdoai-nos as nossas ofensas” — ambos os complementos do verbo estão presentes; tanto o complemento direto — “as nossas ofensas” como também o indireto — “nos”.

Na primeira frase — "perdoai as nossas ofensas" —  a omissão do complemento indireto é legitimada pela presença do possessivo “nossas”, que nos dá essa informação (“perdoai as nossas ofensas” = “perdoai as ofensas a nós”).

O fundamental é que não rezemos apenas repetindo as palavras, sem a devida atenção e conteúdo.

Quando pedirmos perdão, que seja de coração sincero, para que o perdão, a Deus pedido e alcançado, frutifique, em nosso coração e em nossa vida, sinais de amor, alegria, partilha, comunhão, solidariedade.

Vale ressaltar, porém, que devemos optar pela forma que o Missal nos apresenta, por tratar-se de uma ação litúrgica: – “... Perdoai-nos as nossas ofensas...”.

Conferir: https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a sintaxe-do-verbo-perdoar/23746

“As três ou quatro Palavras” que o Senhor nos ensinou..."

                                                         

“As três ou quatro Palavras” que o Senhor nos ensinou..."

Nas passagens bíblicas do Evangelho (Mt 6,7-15; Lc 11,1-4), Jesus ensina os discípulos a rezar.

Para o aprofundamento da referida passagem, ofereço esta reflexão do poeta e cristão Charles Péguy (1873-1914):

"Eu sou o Pai deles, diz Deus.
Pai nosso que estais nos céus (...)
Sabia bem o que fazia aquele dia meu Filho que os ama muito.
Quando colocou esta barreira entre eles e mim.

Pai nosso que estais nos céus, estas três ou quatro Palavras.
Esta barreira que minha cólera e talvez a minha justiça não transpõem nunca.
Bem-aventurado aquele que adormece sob a proteção destas 
três ou quatro Palavras.
Essas Palavras que caminham na frente de qualquer oração,
como as mãos de quem suplica caminham diante de Sua face...

Estas três ou quatro Palavras que avançam como uma ponta aguda
na frente de um pobre navio.
E que fendem a onda da minha cólera
E quando essa ponta aguda passou, o navio passa, e atrás dele toda a frota.

Agora, diz Deus, é assim que os vejo...
Como a esteira de um belo barco vai se alargando até desaparecer e perder-se.
Mas começa com uma ponta que é a ponta mesma do barquinho.
Assim a esteira imensa dos pecadores se alarga até 
desaparecer e perder-se.
Mas começa com uma ponta, e é esta ponta que vem na minha direção...
E o barquinho é o meu mesmo Filho, 
carregado de todos os pecados do mundo.
E a ponta do barquinho são as duas mãos juntas de meu Filho.

E diante do olhar da minha cólera e diante do olhar da minha justiça, esconderam-se todos atrás dele.
E todo este imenso cortejo de orações, toda esta esteira imensa se alarga até desaparecer e se perder.
Mas começa com uma ponta e é esta ponta que está voltada para mim.
Que avança em minha direção.

E esta ponta são estas três ou quatro Palavras:
Pai nosso que estais nos céus;
Meu Filho na verdade sabia o que fazia...
Pai nosso que estais nos céus.
Evidentemente quando um homem assim começou...
Depois pode continuar, pode me dizer o que quiser.
Vós compreendeis, estou desarmado.
E meu Filho o sabia bem.
Ele que tanto amou estes homens”. (1)

A Oração do "Pai-Nosso", quando rezada com o coração sincero, alcança imediatamente o coração de Deus, pois são as Palavras ditas pelo próprio Filho, e nós suplicamos em comunhão com o Espírito Santo e por meio d’Ele, pois “O Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8, 26).

Bem afirmou Santo Agostinho, grita em vão “Abbá” qualquer pessoa sem o Espírito Santo.

Agora, rezemos juntos as “três ou quatro Palavras” que o Filho nos ensinou:

“Pai nosso que estais nos céus...”

(1) O Verbo Se faz Carne - Raniero Cantalamessa - Editora Ave Maria - 2013 - p. 692-693 

No “Pai-Nosso”, tudo que precisamos, encontramos

                                                               


No “Pai-Nosso”, tudo que precisamos, encontramos

Sejamos enriquecidos por este texto da Carta a Proba, de Santo Agostinho, bispo (Séc. V), sobre a oração do “Pai-Nosso”.

Quem diz, por exemplo: Sê glorificado em todos os povos, assim como foste glorificado em nós (Eclo 36,3) e: Sejam reconhecidos fiéis os Teus profetas (Eclo 36,15), o que diz senão: Santificado seja o Teu nome?

Quem diz: Deus dos exércitos, converte-nos e mostra Tua face e seremos salvos (Sl 79,4), o que diz senão: Venha o Teu reino?

Quem diz: Orienta meus caminhos segundo Tua palavra e nenhuma iniquidade me dominará (Sl 118,133), o que diz senão: Seja feita Tua vontade assim na terra como no céu?

Quem diz: Não me dês indigência nem riquezas (Pr 30,8) o que diz senão: O pão nosso de cada dia dá-nos hoje?

Quem diz: Lembra-Te, Senhor, de Davi e de sua mansidão (Sl 131,1) ou Senhor, se assim agi, se há iniquidade em minhas mãos, se paguei o bem com o mal (cf. Sl 7,14), o que diz senão: Perdoa nossas dívidas assim como perdoamos a nossos devedores?

Quem diz: Arrebata-me de meus inimigos, ó Deus, e dos que se levantam contra mim liberta-me (Sl 58,2), o que diz senão: Livra-nos do mal?

E se percorreres todas as palavras das santas preces, em meu parecer, nada encontrarás que não esteja contido nesta oração dominical ou que ela não encerre. Por isto cada qual ao orar é livre de dizer estas ou aquelas palavras, mas não pode sentir-se livre de dizer coisa diferente.

Sem a menor dúvida, é isso que devemos pedir na oração, por nós, pelos nossos, pelos estranhos e até pelos inimigos; uma coisa para este, outra para aquele, conforme o parentesco mais próximo ou mais afastado, segundo brote ou inspire o sentimento no coração do orante.

Sabes, agora, assim penso, não apenas como rezar, mas o que rezar; não fui eu o mestre, mas aquele que se dignou ensinar-nos a todos nós.

A vida feliz, a ela temos de tender, temos de pedi-la ao Senhor Deus. O que seja ser feliz tem sido muito e por muitos discutido. Nós, porém, para que irmos atrás de muitos e de muitas coisas?

Na Escritura de Deus, com toda a verdade e concisão, se diz: Feliz o povo que tem por Senhor o próprio Deus (Sl 143,15). Para sermos deste povo, chegar a contemplar a Deus e com ele viver sem fim, a meta do preceito é a caridade com um coração puro, consciência boa e fé sem hipocrisia (cf. 1Tm 1,5).

Nestes três objetivos, a esperança corresponde à boa consciência. Portanto a fé, a esperança e a caridade levam a Deus o orante, aquele que crê, que espera, que deseja e que presta atenção ao que pede ao Senhor na oração dominical.”

De fato, nada encontraremos que não esteja contido na oração do Senhor, o “Pai Nosso” (cf. Mt 6,7-15; Lc 11,1-4).

Portanto, devemos rezá-la sempre com amor e confiança, procurando viver o que rezamos no cotidiano, nas pequenas e grandes ações de nossas vidas.

“Pai Nosso que estais nos céus...”

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