quinta-feira, 18 de junho de 2026

“Rezemos com amor e confiança...”

                                              


“Rezemos com amor e confiança...”

Na Santa Missa, quantas vezes ouvimos o Padre dizer: “Rezemos com amor e confiança a Oração que o Senhor nos ensinou”.

Neste sentido, é fundamental o aprofundamento sobre a Oração do “Pai-Nosso”, a partir do Sermão do Bispo e Doutor da Igreja, São Pedro Crisólogo (séc. V).

“Pai nosso que estais nos céus. Quando digas isto, não penses que Deus não Se encontra na terra nem em algum lugar determinado; medita antes que você é da estirpe celeste, que tens um Pai no céu e, vivendo santamente, corresponde a um Pai tão Santo. Demonstre que és filho de Deus, que não se mancha de vícios, mas que resplandece com as virtudes divinas.

Santificado seja o Teu nome. Se somos de tal estirpe, também levamos o Seu nome. Portanto, este nome que em si mesmo e por si mesmo já é Santo, deve ser santificado em nós. O nome de Deus é honrado e blasfemado de acordo com as nossas ações, pois escreve o Apóstolo: o nome de Deus é blasfemado por vossa causa entre as nações.

Venha o Teu Reino. Por acaso Deus não reina? Aqui pedimos que, reinando sempre por seu lado, reine em nós de modo que possamos reinar n’Ele. Até agora imperou o diabo, o pecado, a morte, e a mortalidade foi escrava durante longo tempo. Peçamos, pois, que reinando Deus, pereça o demônio, desapareça o pecado, morra a morte, o cativeiro seja feito prisioneiro, e nós possamos reinar livres na vida eterna.

Faça-se a Tua vontade assim na terra como no céu. Este é o reinado de Deus: quando no céu e na terra impere a vontade divina; quando somente o Senhor esteja em todos os homens, então Deus vive, Deus obra, Deus reina, Deus é tudo, para que, como diz o Apóstolo, Deus seja tudo em todas as coisas.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Quem Se deu a nós como Pai, quem nos adotou por filhos, quem nos fez herdeiros, quem nos transmitiu Seu nome, Sua dignidade e Seu Reino, nos ordena pedir o alimento cotidiano.

O que busca a humana pobreza no Reino de Deus entre os dons divinos? Um Pai tão bom, tão piedoso, tão generoso, não dará o pão aos filhos se não o pedirmos? Se assim fosse, por que Ele diz: não vos preocupeis pelo alimento, a bebida ou a veste?

Manda pedir o que não deve preocupar-nos, porque como Pai celestial quer que Seus filhos celestiais busquem o Pão do céu. Eu sou o Pão vivo que desceu do céu. Ele é o Pão nascido da Virgem, fermentado na carne, confeccionado na paixão e colocado nos Altares para ministrar cada dia aos fiéis o Alimento Espiritual.

E perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos nossos ofensores. Se tu, homem, não consegues viver sem pecado e por isso buscas o perdão, deves perdoar sempre; perdoa na medida e quantas vezes queiras ser perdoado. Já que desejas sê-lo totalmente, perdoa tudo e pensa que, perdoando aos demais, perdoas a ti mesmo.

E não nos deixeis cair em tentação. No mundo a própria vida é uma prova, pois o Senhor nos garante: a vida do homem é uma tentação. Peçamos, portanto, que Ele não nos abandone ao nosso arbítrio, mas que em todo momento nos guie com piedade paterna e nos confirme no caminho da vida com moderação celestial.

Mas livra-nos do mal. De que mal? Do diabo, de quem procede todo mal. Peçamos que nos guarde do mal, porque, caso contrário, não poderemos gozar do bem.” (1)

Esta é a Oração que o Senhor nos ensinou, quando os discípulos pediram para que Ele os ensinasse a rezar.

Não basta ter aprendido e decorado a Oração: importa que compreendamos o conteúdo de cada palavra que o Senhor nos comunicou e não meçamos esforços para viver o que rezamos.

Não podemos rezar a oração que o Senhor ensinou como uma mera repetição, sem ressonâncias concretas em nossa vida, seja em relação a Deus, seja em relação ao próximo.

A Oração que o Senhor nos ensinou, se rezada com autenticidade e prolongada na vida, nos fará melhores, tornando todos e tudo ao nosso redor melhor, pois Deus, que tanto nos ama, merece que sejamos cada vez melhores, e somente o seremos se a Oração for, na exata medida, a sede que Deus tem de dialogar conosco, e nossa sede de dialogar com Ele, para que nossa vida seja mais conforme a Sua santa vontade, e assim seremos plenos de alegria, comprometidos com a novidade do Reino, empenhados na construção de um novo céu e uma nova terra, rumo à eternidade.


(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 – pp.686-687.

“Pai-Nosso”: “Nossa voz entrelaça-se com a Igreja”

                                                         

“Pai-Nosso”: “Nossa voz entrelaça-se com a Igreja”

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 11,1-4; Mt 6,7-15), em que Jesus ensina Seus discípulos a rezar, atendendo ao pedido por eles feito:

“Todas as vezes que recitamos o Pai-Nosso, a nossa voz entrelaça-se com a Igreja, porque quem reza nunca está sozinho. Cada fiel deverá procurar e poderá encontrar na verdade e na riqueza da oração cristã, ensinada pela Igreja, o próprio caminho, o seu modo de oração... portanto deixar-se-á conduzir... pelo Espírito Santo, O qual o guia, através de Cristo, para o Pai” (1)

Jamais poderemos empobrecer a Oração que o Senhor nos ensinou, reduzindo-a a um intimismo e individualismo que nos distanciaria de Deus, que é “Pai-Nosso”, e consequentemente, de nosso próximo.

“Nossa voz entrelaça-se com a Igreja” quando rezamos o "Pai- Nosso": com quantos nos unimos, quando elevamos a Deus a Oração que o Senhor nos ensinou?

Com quantos nos unimos: alegres ou tristes, angustiados ou cheios de esperança, saudáveis ou enfermos, entre nós ou na glória?

Consideremos, portanto, que esta Oração que o Senhor nos ensinou, o “Pai-Nosso”, é o Evangelho abreviado, o Evangelho em Oração, um manancial vivo do Evangelho que brota da boca d’Aquele que é o Evangelho em pessoa; é um espelho do Evangelho; é um modelo de oração, um arquétipo, um gerador e inspirador de oração, e não se pode rebaixá-lo ao nível de uma oração que rebaixe todas as outras; como afirma Raniero Cantalamessa (2).

Deste modo, não podemos recitá-lo de qualquer modo. É preciso ser rezado com todo o amor e confiança, para que as Palavras não apenas saiam de nossos lábios, mas sejam emanadas de nosso coração, e cheguem até Deus, acompanhadas de sagrados compromissos, em viver o conteúdo divino que nela se encontra.

“Pai Nosso que estais nos céus...”


(1)  Citado pelo Papa em “Um Caminho de fé antigo e sempre novo” – Pregações para o Ano Litúrgico – Ano C – p.530
(2) O Verbo Se faz Carne – Raniero Cantalamessa - Editora Ave Maria – 2013 - pp.684-693

“Pai-Nosso...”

                                                               

“Pai-Nosso...”

Na Oração que o Senhor nos ensinou, em atenção ao pedido dos discípulos, invocamos a Deus como “Pai-Nosso”.

Sejamos enriquecidos por este comentário:

“É belo recordar que a oração do Senhor Jesus nos é dada pela Igreja como um dom no dia do Batismo, porque, a partir desse momento, quem se tornou cristão, não ‘deve’, mas ‘pode’ dirigir-se a Deus chamando-lhe ‘Pai’.

A vida inteira não bastará para compreendermos o Mistério da ternura escondido nesta palavra. Para o descobrirmos de verdade teremos de esperar pelo abraço definitivo com Deus que nos espera além da morte”. (1)

Como é bom podermos nos dirigir a Deus como “Pai-Nosso”, “Abba”, “Papaizinho”, como o próprio Jesus nos ensinou, em plena confiança, intimidade de relacionamento.

No entanto, isto implica que:

- Vivamos como irmãos e irmãs, estabelecendo vínculos de comunhão e fraternidade;

- Saibamos criar relacionamentos de partilha e solidariedade entre nós, porque sendo “Pai Nosso”, somos todos irmãos e irmãs;

- Estabeleçamos com Deus uma relação de confiança e intimidade plena, assim como nos ensinou e viveu Nosso Senhor;

- Sendo “Pai nosso”, devem ser superadas todas as formas de violência, exclusão ou quaisquer outras práticas que violem a sacralidade da vida de nosso próximo, pois somos irmãos e irmãs uns dos outros;

- Como “Pai nosso”, nos confiou a todos, sem exclusão, a Casa Comum, nosso Planeta, para que dele cuidemos, para que todos possam nele bem viver e habitar, de modo que ninguém fique excluído deste direito sagrado e inalienável de moradia;

Concluindo, cremos que um dia O veremos, tal qual Ele é, que nos espera sempre para o abraço definitivo, que só poderá acontecer com a passagem, a morte, e assim, nos envolver para sempre com Seu amor e ternura.

Por ora, rezemos, com amor e confiança, a Oração que o Senhor nos ensinou:

“Pai nosso que estais nos céus...”

(1) Lecionário Comentado – Vol. Quaresma/Páscoa – Editora Paulus – Lisboa -  2011 – p.75

Na Escola de Jesus aprendemos a rezar...

                                                            

Na Escola de Jesus aprendemos a rezar...

Aprofundemos a mais bela de todas as Orações, o "Pai-Nosso", a Oração que o Senhor nos ensinou.

A verdadeira oração é um diálogo face a face com Deus, que pressupõe humildade, reverência e respeito de nossa parte para com Deus acompanhado de ousadia e confiança na resposta divina, como constatamos na oração de Abraão em Gênesis (Gn 18, 20-32).

Vemos que a vontade de Deus em salvar é infinitamente maior do que a vontade de perder: se grande é a confiança abraâmica em Deus, infinita é a benevolência divina!

Abraão dialoga com amor e sem temor (medo). Uma Oração confiante, insistente, e assim ele nos revela um rosto de Deus que nos convida, inapelavelmente, à alegria e ao deleite da oração.

A oração abraâmica, como vemos é humilde, reverente, respeitosa, confiante, ousada e esperançosa.

Na passagem do Evangelho de Lucas (Lc 11,1-13), vemos que é preciso que revisitemos a Escola de Oração de Jesus para aprendermos a verdadeira oração que consiste num diálogo confiante com o Pai: insistência e confiança são evidências da madura e frutuosa oração.

O homem novo que somos tem necessidade da oração em todos os momentos, como expressão da intimidade e encontro com o Pai, em estreita relação de amor, comunhão...

Somente o homem velho fossiliza-se na autossuficiência e indiferença no relacionamento com o Seu Criador.

Na Oração do Pai Nosso, que o Senhor nos ensinou, quando dizemos: 

- “Santificado seja o Vosso nome” - afirmamos que Ele  é Salvador de todos os povos;

"Venha a nós o Vosso Reino”  - suplicamos a vinda de um mundo novo marcado por relações de amor, verdade, justiça, liberdade e paz;

"O Pão nosso de cada diz nos dai hoje" - suplicamos o pão, trata-se do pão material e do Pão espiritual;

- "Perdoai-nos as nossas ofensas..." - suplicamos perdão e liberdade nos relacionamentos.

A Oração do Pai Nosso carrega no mínimo três grandes desejos humanos:

-  Que Deus seja reconhecido como Deus;
-  Que o Projeto de Amor de Deus venha ao mundo;
 - Que os 03 pedidos sejam respondidos: pão para viver; perdão para amar; liberdade para permanecer de pé.

Finalizando, a Oração exige de nós paciência e renúncia.
Se o Espírito pedirmos, Ele nos será dado!
O que mais nos faltará?!

Na Escola de Jesus, e somente nela, aprendemos a rezar,
no Senhor de coração confiar e infinitas graças alcançar!
Amém.

“Pai-Nosso”: uma Oração íntima e confiante em Deus

                                                     


“Pai-Nosso”: uma Oração íntima e confiante em Deus

Nas passagens do Evangelho (Lc 11,1-13; Mt 6,7-15), vemos que é preciso que revisitemos a Escola de Jesus para aprendermos a verdadeira Oração, que consiste num diálogo confiante com o Pai: insistência e confiança são evidências da madura e frutuosa Oração.

O homem novo que somos tem necessidade da Oração em todos os momentos, como expressão da intimidade e encontro com o Pai, em estreita relação de amor e comunhão.

Somente o homem velho fossiliza-se na autossuficiência e indiferença no relacionamento com o Seu Criador.

Na Oração do "Pai-Nosso", que o Senhor nos ensinou, tem conteúdo indizível quando dizemos: 

-  Santificado seja o Vosso nome” - afirmamos que Ele é Salvador de todos os povos;

- “Venha o Vosso Reino” -  suplicamos a vinda de um mundo novo marcado por relações de amor, verdade, justiça, liberdade e paz;

"O Pão nosso de cada dia nos dai hoje" -  suplicamos o pão (pão material e do Pão espiritual);

- "Perdoai-nos as nossas ofensas..." - é a súplica do perdão e da liberdade nos relacionamentos.

A Oração do Pai Nosso carrega no mínimo três grandes desejos humanos:

- Que Deus seja reconhecido como Deus;
- Que o Projeto de Amor de Deus venha ao mundo;
- Que os 03 pedidos sejam respondidos: pão para viver; perdão para amar; liberdade para permanecer de pé.

Finalizando, a Oração exige de nós paciência e renúncia.
Se o Espírito pedirmos, Ele nos será dado! O que mais nos faltará?

Na Escola de Jesus, e somente nela, aprendemos a rezar,
no Senhor de coração confiar e infinitas graças alcançar!
Amém.

Em poucas palavras...

 


Viver no céu

“Viver no céu é «estar com Cristo» (Cf. Jo 14,3; Fl 1,23; 1 Ts 4,17). Os eleitos vivem «n'Ele»; mas n'Ele conservam, ou melhor, encontram a sua verdadeira identidade, o seu nome próprio (Ap 2,17):

«Porque a vida consiste em estar com Cristo, onde está Cristo, aí está a vida, aí está o Reino» (Santo Ambrósio).”  (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica n. 1025


Rezando com os Salmos - Sl 63 (64)

 


A intervenção divina em favor dos justos

 

“–1 Ao maestro do coro. Salmo de Davi.


“–2 Ó Deus, ouvi a minha voz, o meu lamento!
Salvai-me a vida do inimigo aterrador!

–3 Protegei-me das intrigas dos perversos
e do tumulto dos obreiros da maldade!

–4 Eles afiam suas línguas como espadas,
lançam palavras venenosas como flechas,

–5 para ferir os inocentes às ocultas
e atingi-los de repente, sem temor.

–6 Uns aos outros se encorajam para o mal
e combinam às ocultas, traiçoeiros,

– onde pôr as armadilhas preparadas,
comentando entre si: ‘Quem nos verá?’

–7 Eles tramam e disfarçam os seus crimes.
É um abismo o coração de cada homem!

–8 Deus, porém, os ferirá com suas flechas,
e cairão todos feridos, de repente.

–9 Sua língua os levará à perdição,
e quem os vir meneará sua cabeça;

–10 com temor proclamará a ação de Deus,
e tirará uma lição de sua obra.

=11 O homem justo há de alegrar-se no Senhor
e junto dele encontrará o seu refúgio,
e os de reto coração triunfarão.”

 

O Salmo 63(64) é um pedido de ajuda contra os perseguidores e se aplica, de modo especial, à Paixão do Senhor, como nos fala Santo Agostinho:

“O justo busca em Deus proteção e defesa contra os ímpios. Deus frustra os planos dos maus e os fere com as flechas da sua justiça; sua intervenção será compreendida e glorificada pelos justos.” (1) 

Confiemos em todo o tempo na proteção, defesa e intervenção divinas em favor dos justos, daqueles que têm fome e sede de justiça, pois assim nos falou o Senhor Jesus Cristo: 

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois eles serão saciados” (Mt 5,6). Amém.

 

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – pág. 778

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