segunda-feira, 8 de junho de 2026

Sejamos Hóstias de Deus

                                                             

Sejamos Hóstias de Deus

 “O homem humilde é uma Hóstia de Deus

Retomo parte da Carta do Diácono e Doutor da Igreja, Santo Efrém (Séc. IV), a um discípulo seu, sobre a humildade que Deus espera de cada um de nós:

“Não existe medida para a beleza do homem que é humilde. Não há paixão, qualquer que seja, capaz de aproximar-se do homem que é humilde, e não há medida para a sua beleza. O homem humilde é uma Hóstia de Deus.

O coração de Deus e de Seus Anjos descansam naquele que é humilde. Ainda mais: quando os Anjos O glorificam, existe uma razão para que Ele tenha alcançado todas as virtudes, mas para aquele que se revestiu da humildade não será necessária nenhuma razão, além do fato de ter-se feito humilde”. (1)

Oremos:

Ó Deus de bondade, rico em misericórdia,
Concedei-nos que a humildade esteja presente
Em nossas palavras e conduta,
E seja afastado qualquer resquício de paixão
Que de Vós nos afaste.

Assim revelaremos, como Hóstia Vossa,
A presença de Jesus, Vosso Filho,
Que recebemos na Eucaristia,
E com Ela, o Vosso Espírito
Sobre ela invocada e presente,
Piamente cremos
Amém.

(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes – p.473

Que nossa alma seja vigilante

                                                         

Que nossa alma seja vigilante

O Comentário sobre o Diatéssaron, de Santo Efrém (séc. IV) muito nos ajuda na preparação para o Natal do Senhor e à Sua segunda vinda gloriosa, e assim teremos a alma iluminada pela luz divina.

“Para impedir que os discípulos O interrogassem sobre o momento de Sua vinda, disse-lhes Cristo: aquela hora ninguém a conhece, nem os anjos nem o Filho. Não vos compete saber o tempo e o momento (cf. Mc 13,32-33).

Ocultou-nos isso para que ficássemos vigilantes e cada um de nós pudesse pensar que esse acontecimento se daria durante a nossa vida. Se tivesse revelado o tempo de Sua vinda, esta deixaria de ter interesse e não seria mais desejada pelos povos da época em que se manifestará.

Ele disse que viria, mas não declarou o momento e por isso as gerações e todos os séculos O esperam ardentemente.

Embora o Senhor tenha dado a conhecer os sinais de Sua vinda, não se vê exatamente o último deles, pois numa mudança contínua, esses sinais apareceram e passaram e, por outro lado, ainda perduram. Sua última vinda será igual à primeira.

Os justos e os profetas O desejavam, pensando que se manifestaria em seu tempo; do mesmo modo, cada um dos fiéis de hoje deseja recebê-Lo em sua época, pois ele não disse claramente o dia em que viria.

E isto, sobretudo, para ninguém pensar que está submetido a uma determinação e hora, Ele que domina os números e os tempos.

Como poderia estar oculto Àquele que descreveu os sinais de Sua vinda, o que Ele próprio estabeleceu? O Senhor pôs em relevo esses sinais para que, desde o primeiro dia, os povos de todos os séculos pensassem que Ele viria no próprio tempo deles.

Permanecei vigilantes porque, quando o corpo dorme, é a natureza que nos domina e nossa atividade é então dirigida, não por nossa vontade, mas pelos impulsos da natureza.

E quando a alma está dominada por um pesado torpor, como por exemplo, a pusilanimidade ou a tristeza, é o inimigo que a domina e a conduz, mesmo contra a sua vontade. Os impulsos dominam a natureza e o inimigo domina a alma.

Por isso, o Senhor recomendou ao homem a vigilância tanto da alma como do corpo: ao corpo, para que se liberte da sonolência; e à alma, para que se liberte da indolência e pusilanimidade.

Assim diz a Escritura: Vigiai, justos (cf. 1Cor 15,34); e também: Despertei e ainda estou contigo (cf. Sl 138,18); e ainda: Não desanimeis (cf. Jo 16,33). Por isso não desanimamos no exercício do ministério que recebemos (2Cor 4,1).”

Permaneçamos vigilantes e orantes; vigilantes na prática da caridade, no cuidado da frágil e indispensável esperança que nos impulsiona a dar passos mais ousados, avançando para águas mais profundas, ousando na fidelidade ao Senhor, carregando confiante e corajosamente nossa cruz de cada dia, sem jamais vacilarmos na fé, nem esmorecer na esperança e tão pouco esfriar na caridade.

Seja para nós, o Tempo do Advento, tempo favorável para o revigoramento das virtudes teologais, e a vivência da Palavra seja o fundamento divino de que precisamos para ser sal, fermento e luz para acolher no Natal a Verdadeira Luz do mundo.

Luz que se acolhida não permitirá que caminhemos nas trevas, mas que tenhamos a Luz da Vida (Jo 8,12). Vem, Senhor Jesus!

Luzes para nossas famílias

                                                         

Luzes para nossas famílias 

Urge que solidifiquemos e santifiquemos nossas famílias; bem como redescobrir a sua importância, como espaço de novos relacionamentos e amadurecimento em valores sagrados que não podem ser esquecidos ou relegados à indiferença.

Neste sentido, oportuno o Hino escrito pelo Diácono e Doutor da Igreja, Santo Efrém, o Sírio (séc. IV): 

Família que se encontra e reza, é de fato, uma Igreja doméstica, e nela, a luz de Deus brilha mais forte.

Proponho um exercício espiritual em família: cada um escolhe uma estrofe, e compartilha em diálogo orante, num enriquecimento mútuo.

“1. Veio o Mestre de todos, em Seu amor pelos obstinados, e permaneceram em sua obstinação. Embora Ele os tenha advertido, perseguiram sem inteligência ao tesouro das inteligências.

2. Maravilho-me de Tua misericórdia, que derramaste sobre os maus; de como empobreceste Tua glória para enriquecer nossa pobreza; para que sejamos, com nossos tesouros, companheiros dos anjos.

3. Tão perfeito é em Sua bondade, que, além de ensinar, pagava um salário ao aflito Adão, a quem curou. Curou-lhe, e assim Adão aprendia. Aquele que aprendia recebeu o salário, o que aprendia quando era curado.

4. Levou a humanidade à Sua perfeição com tudo o que teve que suportar. Quando era ferido, ensinava; quando sofria, fazia promessas. Foi capturado como uma ovelha, para assim confirmar Suas promessas.

5. Aquele que julga os juízes foi interrogado e julgado, no lugar de quem havia feito o mal. Na verdade, no lugar dos ímpios foi interrogado o Justo. Glória ao que Lhe enviou!

6. Quando o Bom, em Seu amor, entrou para ser julgado em lugar dos maus, este foi o prodígio: que condenaram a Ele, em vez de a si mesmos. Eles, com Suas próprias mãos, crucificaram-Lhe, em vez da sua maldade. 

7. Quando Se entregou a eles, para que vivessem por Sua morte, foi como o cordeiro no Egito, que dava vida porque era símbolo de seu Senhor. Assim também Ele foi morto, e, em Seu amor, redimiu aos que Lhe matavam.

8. Como Adão se extraviou pecando no paraíso, na terra das delícias, o justo, em seu lugar, foi arrastado ao tribunal, na terra dos suplícios.

9. Vede! O Bom veio para levar os justos à perfeição, que foram portadores de seus símbolos. É Ele, com sua plenitude, quem levou em seu corpo a perfeição para seus irmãos como a membros seus.

10. Assim como Adão em seu corpo matara aos viventes, assim, conforme Aquele modelo, mediante o corpo d'Aquele que a tudo aperfeiçoa, os justos alcançaram a perfeição, e os pecadores encontraram misericórdia.

11. O Vitorioso desceu para ser vencido, mas não por Satã. A este o venceu e lhe afogou. Foi vencido pelos que O crucificaram: Ele venceu com Sua justiça, e foi vencido por Sua bondade.

12. Venceu ao Forte, e foi vencido pelos fracos. Crucificaram-Lhe, porque Se deu a Si mesmo, e foi vencido para assim vencer. Venceu em Suas tentações, e foi vencido por Suas entranhas de amor.

13. Venceu a Satã no deserto, quando veio a provocar-Lhe. Foi vencido por Satã na terra dos homens, quando Lhe crucificou. Mas ao ser morto, o matava, para vencer-lhe até em Sua própria derrota.

14. A Sabedoria que a tudo aperfeiçoava, que brincava com os meninos, fazia perguntas aos simples, e disputava com os escribas, deu a todos inteligência, em todos semeou a verdade.

15. A Sabedoria de Deus desceu para viver entre os néscios. Com Sua instrução, oferecia sabedoria, com Sua explicação, iluminava. Em paga de Seus auxílios esbofetearam-Lhe as faces.

16. O Bom, em Sua bondade, desceu aos maus. Pagou Aquele que não tinha dívidas, cobrou o que não tinha emprestado. Foram-Lhe ingratos nas duas coisas: pois Lhe despojaram, e também Lhe pagaram.

17. O Bom assumiu a carga e carregou a outros, ambas as coisas são um prodígio: Enquanto Ele nos carregava com a verdade, carregou nossa iniquidade sobre Si mesmo. Os necessitados carregaram com suas riquezas, e lhe carregaram com os seus pecados.

18. O Bom mostrou Seu carinho aos crucificadores em Seus filhos, que Ele havia levado nos braços e abençoado. Um só foi o símbolo de todos eles: Quando recebeu o beijo, morderam-No com a boca do ladrão.

19. O erro daquele povo radica na esperança, e tem colocado seu olhar nos sacrifícios. É uma impiedade que, depois daquele Cordeiro de Deus, ainda sigam oferecendo sacrifícios”.

Fundamental que cada vez mais nossas famílias bebam das divinas fontes da Tradição da Igreja, bem como se nutram da Palavra Divina e também participem da Comunidade, na Ceia da Eucaristia, sobretudo aos Domingos e Festas de preceito, pois a Eucaristia é o centro e fonte de toda a vida cristã.

Famílias orantes resplandecem a luz divina

                                                     

Famílias orantes resplandecem a luz divina
 
A família, como Igreja Doméstica, precisa ter momentos de oração para que mantenha sua solidez, comunhão e vida plena (duradoura), e a luz divina resplandeça, iluminando os relacionamentos e a sua história.
 
É sempre tempo de graça para solidificação e santificação de nossas famílias; de redescobrir a sua importância, como espaço de novos relacionamentos e amadurecimento, em valores sagrados que não podem ser esquecidos ou relegados à indiferença.
 
Iluminador para nossas famílias em oração, o Hino escrito pelo Diácono e Doutor da Igreja, Santo Efrém, o Sírio (séc. IV).
 
Proponho um exercício espiritual em família: cada qual escolhe uma estrofe, e compartilha em diálogo orante, em enriquecimento mútuo.
 
“1. Veio o Mestre de todos, em Seu amor pelos obstinados, e permaneceram em sua obstinação. Embora Ele os tenha advertido, perseguiram sem inteligência ao tesouro das inteligências.
 
2. Maravilho-me de Tua misericórdia, que derramaste sobre os maus; de como empobreceste Tua glória para enriquecer nossa pobreza; para que sejamos, com nossos tesouros, companheiros dos anjos.
 
3. Tão perfeito é em Sua bondade, que, além de ensinar, pagava um salário ao aflito Adão, a quem curou. Curou-lhe, e assim Adão aprendia. Aquele que aprendia recebeu o salário, o que aprendia quando era curado.
 
4. Levou a humanidade à Sua perfeição com tudo o que teve que suportar. Quando era ferido, ensinava; quando sofria, fazia promessas. Foi capturado como uma ovelha, para assim confirmar Suas promessas.
 
5. Aquele que julga os juízes foi interrogado e julgado, no lugar de quem havia feito o mal. Na verdade, no lugar dos ímpios foi interrogado o Justo. Glória ao que Lhe enviou!
 
6. Quando o Bom, em Seu amor, entrou para ser julgado em lugar dos maus, este foi o prodígio: que condenaram a Ele, em vez de a si mesmos. Eles, com Suas próprias mãos, crucificaram-Lhe, em vez da sua maldade.
 
7. Quando Se entregou a eles, para que vivessem por Sua morte, foi como o cordeiro no Egito, que dava vida porque era símbolo de seu Senhor. Assim também Ele foi morto, e, em Seu amor, redimiu aos que Lhe matavam.
 
8. Como Adão se extraviou pecando no paraíso, na terra das delícias, o justo, em seu lugar, foi arrastado ao tribunal, na terra dos suplícios.
 
9. Vede! O Bom veio para levar os justos à perfeição, que foram portadores de seus símbolos. É Ele, com sua plenitude, quem levou em seu corpo a perfeição para seus irmãos como a membros seus.
 
10. Assim como Adão em seu corpo matara aos viventes, assim, conforme Aquele modelo, mediante o corpo d'Aquele que a tudo aperfeiçoa, os justos alcançaram a perfeição, e os pecadores encontraram misericórdia.
 
11. O Vitorioso desceu para ser vencido, mas não por Satã. A este o venceu e lhe afogou. Foi vencido pelos que O crucificaram: Ele venceu com Sua justiça, e foi vencido por Sua bondade.
 
12. Venceu ao Forte, e foi vencido pelos fracos. Crucificaram-Lhe, porque Se deu a Si mesmo, e foi vencido para assim vencer. Venceu em Suas tentações, e foi vencido por Suas entranhas de amor.
 
13. Venceu a Satã no deserto, quando veio a provocar-Lhe. Foi vencido por Satã na terra dos homens, quando Lhe crucificou. Mas ao ser morto, o matava, para vencer-lhe até em Sua própria derrota.
 
14. A Sabedoria que a tudo aperfeiçoava, que brincava com os meninos, fazia perguntas aos simples, e disputava com os escribas, deu a todos inteligência, em todos semeou a verdade.
 
15. A Sabedoria de Deus desceu para viver entre os néscios. Com Sua instrução, oferecia sabedoria, com Sua explicação, iluminava. Em paga de Seus auxílios esbofetearam-Lhe as faces.
 
16. O Bom, em Sua bondade, desceu aos maus. Pagou Aquele que não tinha dívidas, cobrou o que não tinha emprestado. Foram-Lhe ingratos nas duas coisas: pois Lhe despojaram, e também Lhe pagaram.
 
17. O Bom assumiu a carga e carregou a outros, ambas as coisas são um prodígio: Enquanto Ele nos carregava com a verdade, carregou nossa iniquidade sobre Si mesmo. Os necessitados carregaram com suas riquezas, e lhe carregaram com os seus pecados.
 
18. O Bom mostrou Seu carinho aos crucificadores em Seus filhos, que Ele havia levado nos braços e abençoado. Um só foi o símbolo de todos eles: Quando recebeu o beijo, morderam-No com a boca do ladrão.
 
19. O erro daquele povo radica na esperança, e tem colocado seu olhar nos sacrifícios. É uma impiedade que, depois daquele Cordeiro de Deus, ainda sigam oferecendo sacrifícios”.
 
Urge que nossas famílias bebam das divinas fontes da Tradição da Igreja, bem como se nutram da Palavra Divina e se fortaleçam dia a dia na participação das Missas e celebrações, bem como das diversas atividades pastorais de nossas paróquias e comunidades.

Renovemos a nossa fé

                                                       

Renovemos a nossa fé

Retomo um trecho da Carta do Diácono e Doutor da Igreja, Santo Efrém (Séc. IV), a um discípulo seu, em que faz uma profissão de fé:

“Cremos em um só Deus, o Pai todo-poderoso, e em seu Filho único, Jesus Cristo, nosso Senhor, por quem se fez o universo, e no Espírito Santo, ou seja, na Santíssima Trindade, que é a divindade integral.

Ele é Deus, Ele estava em Deus, Ele é a Luz que vem da Luz, Ele é o Senhor que vem do Senhor.

Ele foi gerado, não criado. Foi gerado como homem. Ele não é algo criado, é Deus.

Foi gerado pela Santíssima Virgem Maria, a mulher que trouxe a Deus em seu seio.

Ele assumiu a carne do homem para o nosso bem, (desceu) à terra, e elevou-Se dela.

Escolheu pregadores para Si, aos Santos Apóstolos, cujas vozes, de acordo com o que está escrito, ouvem-se em toda a terra.

Foi crucificado. Foi atravessado pela lança. Dali veio nossa salvação, Água e Sangue, a saber, o Batismo e o Sangue glorioso, pois aquele que não recebeu o Sangue não foi batizado” (1)

Exorta o discípulo a manter a fé, para que Deus esteja com ele, concedendo a salvação e libertação e a paz em todos os seus dias.

Dirigindo-se ao discípulo como filho querido no Senhor, proclama a Salvação que está no Senhor, pedindo que este recorde dele também no Senhor, a quem pertencem a glória e o poder, pelos séculos dos séculos.

Que também esta seja a nossa profissão de fé, que nos faz intrépidos na fé, renovados na esperança e inflamados na caridade.

(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes – pp.473-474

“Eu te amo, Senhor Jesus...”

                                           


“Eu te amo, Senhor Jesus...”

“Eu te amo, Senhor Jesus, minha alegria e descanso, com todo o meu coração, com toda a minha mente, com toda a minha alma e com todas as minhas forças; e se vês que não te amo como deveria, ao menos desejo amar‑te, e, se não o desejo suficientemente, pelo menos quero desejá‑lo desse modo [...].

Ó Corpo Sacratíssimo aberto pelas cinco chagas, 
coloca‑Te como selo sobre o meu coração 
e imprime nele a tua caridade!

Sela os meus pés, para que saiba seguir os teus passos; 
sela as minhas mãos, para que realizem sempre boas obras; 
sela o meu peito, para que arda para sempre em vibrantes atos de amor por Ti.

Ó Sangue preciosíssimo, que lavas e purificas todos os homens! 
Lava a minha alma e põe um sinal no meu rosto, 
para que não ame a ninguém senão a Ti” (1)

 

(1)Card. J. Bona, El sacrificio de la Misa, Rialp, Madrid, 1963, p. 164‑165

Somente a misericórdia divina cria laços fraternos

                                            


Somente a misericórdia divina cria laços fraternos
 
"Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o Amor Divino cria o bem na criatura amada" (Santo Tomás de Aquino)
 
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5, 20-26), que se trata de uma parte do desdobramento do Sermão da Montanha (Mt 5,1-12).
 
No versículo vigésimo, Jesus nos diz: “Se a vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus”.
 
Contemplamos o Projeto de Salvação para a humanidade, mas somente na fidelidade ao Senhor e aos Seus Mandamentos é que alcançaremos vida plena e feliz.
 
Por isto, Jesus dá exemplos em que o amor verdadeiro e puro tem que falar mais alto, se sobrepondo a qualquer sentimento de ódio, indiferença, ira, posse, condenação, falsidade.

Importa fortalecer as relações fraternas acompanhadas da contínua necessidade da reconciliação; fortalecer os relacionamentos na sinceridade e na confiança, tornando os relacionamentos sadios e edificantes.

Em todo o tempo, firmemos nossos passos em nosso itinerário marcado pela penitência e conversão ao Senhor.

Somente deste modo, não seremos sal insípido, sem gosto, que para nada serve, como já nos alertara o Senhor.
 
Deste modo, para quem quiser viver na dinâmica da Boa-Nova do Reino de Deus, não basta o cumprimento rigoroso e escrupuloso da Lei, seguindo a casuística das regras da Lei.
 
É preciso que se tenha uma atitude interior nova, que revele um compromisso verdadeiro com Deus, envolvendo a pessoa toda, transformando seu coração, suas escolhas, seus relacionamentos, sua postura diante do Criador e Suas criaturas.
 
Não será o cumprimento das regras externas que nos levará ao alcance da felicidade e de uma religião a Deus agradável, mas antes a atitude de adesão interior a Deus e à Sua Proposta, e como podemos afirmar “o amor é querer o bem do amado”. 
 
O amor fraterno, preocupado com a reconciliação, torna frutuoso e agradável o sacrifício que oferecemos a Deus.
 
E ainda, o Senhor nos alerta que quem comparecer diante do divino Juiz sem haver perdoado será condenado a pagar até o último centavo (v.24).
 
São iluminadoras as palavras do Missal Cotidiano:
 
A oferenda da própria vida em oblação a Deus (1 Cor. 13,3) e o próprio sacrifício eucarístico não são aceitos por Deus, se não procedem do amor e da paz recíproca” (1).
 
Deve-se procurar a justiça através do perdão e do amor, um amor novo, gratuito que vai além dos méritos; uma justiça que leva em conta não somente as ações em si, mas suas retas intenções.
 
Em relação a Deus, sejamos filhos e filhas, em relação ao próximo, sejamos fraternos e solidários.

Somos remetidos a dois grandes Santos da Igreja, São Tomás de Aquino e São João da Cruz que, respectivamente, assim disseram:
 
“Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada" .
 
"O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do Amor, tornar aquele que Ama semelhante ao amado."
 
Reflitamos:
 
- Cumprimos os Mandamentos da Lei Divina por medo ou amor?
 
- O que podemos evitar para que sejamos fiéis ao Senhor, considerando que para Jesus, “não matar” é evitar tudo aquilo que cause dano ao próximo (egoísmo, prepotência, autoritarismo, injustiça, indiferença...)?
 
- Em que as afirmações dos Santos da Igreja, citadas acima, nos ajudam para que vivamos as Bem-Aventuranças e sejamos sal da terra e luz do mundo?
 
- Fazemos dos Mandamentos Divinos sinais indicadores no caminho que conduz à vida plena?
 
Eis o grande desafio para nós, discípulos missionários do Senhor: O Sermão da Montanha foi e continua sendo ouvido na montanha, mas é preciso que desçamos à planície do cotidiano. 
 
Na missão de ser sal da terra e luz do mundo, torna-se necessária a invocação da Sabedoria Divina, a Sabedoria do Santo Espírito, para que sejamos uma Igreja no coração do mundo, e ao mesmo tempo homens e mulheres do mundo no coração da Igreja. 
 
(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - pp. 198-199

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