domingo, 22 de março de 2026

Palavras e atos para bem celebrar a Páscoa do Senhor (VDTQA)

                                                 

Palavras e atos para bem celebrar a Páscoa do Senhor 

Sejamos enriquecidos por uma das Cartas Pascais escritas pelo Bispo Santo Atanásio (Séc. IV), em que nos convida a Celebrar, com palavras e atos, a Festa do Senhor que se aproxima, e que esperamos de coração contrito e humilhado (cf. Sl 50). 

“Está próximo de nós o Verbo de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, que Se fez tudo por nós, e promete estar conosco para sempre. Ele o proclama com estas palavras: ‘Eis que Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo’ (Mt 28,20). 

E porque quis fazer-Se tudo para nós, Ele é o nosso Pastor, Sumo Sacerdote, caminho e porta; e é também a nossa festa e solenidade como diz o Apóstolo: ‘O nosso Cordeiro Pascal, Cristo, já está imolado’ (1Cor 5,7). 

Cristo, esperança dos homens, veio ao nosso encontro, dando novo sentido às palavras do salmista: ‘Vós sois a minha alegria; livrai-me daqueles que me cercam’(cf. Sl 31,7). 

Esta é a verdadeira alegria, esta é a verdadeira solenidade: vermo-nos livres do mal. Para tanto, que cada um se esforce por viver em santidade e medite interiormente na paz e no temor de Deus. 

Os Santos, enquanto viviam neste mundo, estavam sempre alegres, como em contínua festa. Um deles, o bem-aventurado Davi, levantava-se de noite, não uma, mas sete vezes, para atrair com suas preces a benevolência de Deus. 

Outro, o grande Moisés, exprimia a sua alegria entoando hinos e cânticos de louvor a Deus pela vitória alcançada sobre o Faraó e sobre todos os que tinham oprimido o povo hebreu. Outros, ainda, dedicavam-se alegremente ao exercício contínuo do culto sagrado, como o grande Samuel e o bem-aventurado Elias. 

Todos eles, pelo mérito das suas obras, já alcançaram a liberdade e celebram no céu a festa eterna. Alegram-se com a lembrança da sua peregrinação terrena, vivida entre as sombras do que havia de vir e, passado o tempo das figuras, contemplam agora a verdadeira realidade. 

E nós, que nos preparamos para a grande solenidade, que caminho havemos de seguir? Ao aproximarem-se as festas pascais, a quem tomaremos por guia? Certamente nenhum outro, amados irmãos, senão Aquele a quem chamamos nosso Senhor Jesus Cristo, e que disse: ‘Eu sou o caminho’ (Jo 14,6). 

É Ele, como diz São João, ‘que tira o pecado do mundo’ (Jo 1,29); é Ele que purifica nossas almas, como declara o profeta Jeremias: ‘Parai um pouco na estrada para observar, e perguntai sobre os antigos caminhos, e qual será o melhor, para seguirdes por ele; assim ficareis mais tranquilos em vossos corações’ (Jr 6,16). 

Outrora, era com sangue de bodes e a cinza de novilhas que se aspergiam os que estavam impuros, mas só os corpos ficavam purificados. Agora, pela graça do Verbo de Deus, alcançamos a purificação total. Se seguirmos a Cristo, poderemos sentir-nos desde já nos átrios da Jerusalém celeste e saborear de antemão as primícias daquela Festa eterna. 

Assim fizeram os Apóstolos, que foram e continuam a ser os mestres desta graça divina, porque seguiram o Salvador; diziam eles: ‘Nós deixamos tudo e Te seguimos’ (Mt 19,17). 

Sigamos também nós o Senhor; preparemo-nos para celebrar a Festa do Senhor, não apenas com palavras, mas também com nossos atos.”

Nossas comunidades multiplicam, nestes dias, reuniões para a devida preparação da Semana Santa, o que é absolutamente necessário: roteiros, proclamações, reflexões, cantos, pequenos e grandes detalhes, que não podem ser esquecidos e que não devem ser improvisados. 

Também se multipliquem momentos sagrados, como Vigílias, Sacramento da Penitência, Vias-Sacras, Grupos de Reflexão (novena) sobre a temática da Campanha da Fraternidade, momentos de oração em família, Missas e Celebrações. 

Tudo isto é fundamental, mas como o Bispo exorta, “preparemos não apenas com palavras, mas também com nossos atos”. Aqui é oportuno lembrar a vivência fecunda dos exercícios quaresmais que a Igreja nos propõe, de modo especial neste Tempo da Quaresma: oração, jejum e esmola.

Verdadeiros discípulos missionários do Senhor que desejam segui-Lo, portanto, jamais poderão:

-  Separar palavra do ato, o crer do viver, o anúncio do testemunho, as verdades professadas das ações acompanhadas;

- Reduzir a fé a discursos teóricos, vazios de conteúdo, porque não acompanhado das obras, o que os condenaria à morte, como nos lembra São Tiago em sua Carta (Tg 2,26);

-  Ser sinal de esperança no mundo, se esta não for acompanhada da ação, da participação, em total confiança em Deus, que não nos infantiliza em imobilismos estéreis;

- Reduzir o Mandamento do Amor, que o Senhor nos ordenou, a meros e passageiros sentimentos do coração, mas fogo abrasador que não se apaga, que inflama a alma, o coração e todo o nosso ser, dando matizes Pascais ao nosso existir. 

Vivendo a fé, dando razão de nossa esperança contra toda falta de esperança, e amando o nosso próximo como Jesus nos ama, caminhamos para a eternidade.  

Concluamos com as palavras do Papa Francisco, na introdução de sua Mensagem para a Quaresma de 2017, uma exortação à prática da misericórdia e solidariedade para com o outro, vendo neste, um dom de Deus, para ser amado, acolhido, valorizado e promovido: 

“A Quaresma é o momento favorável para intensificarmos a vida espiritual através dos meios santos que a Igreja nos propõe: o jejum, a oração e a esmola.  

Na base de tudo isto, porém, está a Palavra de Deus, que somos convidados a ouvir e meditar com maior assiduidade neste tempo. Aqui queria deter-me, em particular, na parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31). 

Deixemo-nos inspirar por esta página tão significativa, que nos dá a chave para compreender como temos de agir para alcançarmos a verdadeira felicidade e a vida eterna, incitando-nos a uma sincera conversão”.       

Quaresma: tempo favorável para aprendermos com os que nos antecederam (patriarcas, Profetas, Santos e Mártires) a entrelaçar mais intensamente o que celebramos e o que vivemos, para exultar de alegria na Páscoa do Senhor que se aproxima. 


Em poucas palavras... (VDTQA)

                                                        


A oração de Jesus na ressurreição de Lázaro

Na segunda oração referida por São João (Jo 11,41-42), antes da ressurreição de Lázaro:

“A ação de graças precede o acontecimento: «Pai, Eu Te dou graças por Me teres escutado», o que implica que o Pai atende sempre o que Lhe pede; e Jesus acrescenta logo: «Eu bem sabia que Tu Me atendes sempre», o que implica, por seu turno, que Jesus pede constantemente.

Assim, apoiada na ação de graças, a oração de Jesus revela-nos como devemos pedir: Antes de Lhe ser dado o que pede, Jesus adere aquele que dá e se dá nos seus dons.

O Doador é mais precioso do que dom concedido, é o «tesouro», e é n'Ele que está o coração do Filho; o dom é dado «por acréscimo» (Mt 6,21.33).” (1)

 

(1)  Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2604

“E Jesus chorou” (VDTQA)

                                                             

“E Jesus chorou”

Ao ver Marta, e os que com ela estavam, chorando a morte de Lázaro, Jesus estremeceu interiormente e ficou profundamente comovido (Jo 11, 34).

E Jesus chorou” (Jo 11,35) a morte do amigo Lázaro, e alguns disseram – “Vede como Ele o amava”. 

Quão profunda e intensa dor estampou em Seu rosto!

Mas também ouviu: “Este, que abriu os olhos ao cego, não podia também ter feito com que Lázaro não morresse?” (Jo 11, 37).

Jesus ficou mais uma vez interiormente comovido (Jo 11, 38) diante da caverna fechada por uma pedra, onde jazia o corpo do amigo.

Este momento nos revela que Jesus, em Sua humanidade, viveu plenamente na história e nos afetos da comunidade, e cremos que assim como participou da atroz e autêntica condição humana, também Ele Ressuscitou, e todo aquele que n’Ele crer e viver, não morrerá para sempre (Jo 11,26).

Vivendo este Tempo Quaresmal, tempo de intensa e profunda oração, contemplemos e, como que, ouçamos o choro de Jesus diante de tantos “Lázaros” em seus túmulos.

Mas Jesus tem a Palavra: “Lázaro, vem para fora” (Jo 11,43).
Contemplemos a comoção interior do Senhor e o Seu choro:
A perturbação momentânea por Ele sentida...

Seu choro é expressão de humanidade com dor cortante;
Indignação diante do mal que parece reinar sobre nossa humana condição.

Seu choro não é de desespero, mas de participação na dor humana,
Pois tudo que nos diz respeito e nos fere, não é indiferente a Ele,
Que é verdadeiramente homem, verdadeiramente Deus.

Jesus chorou, porque amou verdadeiramente a todos.
Chorou, porque é próprio da condição humana comover-se e chorar.

Ele experimentou o sofrimento interior, o doloroso aperto do coração,
O vazio angustiante da mente, 
quando invadida pela morte de quem se ama.   

A lágrima que corre na face do Senhor, 
e intensa é a Sua dor, 
comoção e compaixão diante da morte do amigo.

Mesma a morte bem perto de nós ou mesmo dentro de nós,
Que nos ameaça em suas múltiplas expressões:
Divisões profundas, marginalizações de tantos nomes,
Desesperos por motivos diferenciados,
Corrupção e pulverização de direitos adquiridos.
A violência contra a existência humana, em sua dignidade e sacralidade,
Bem como a violência contra a casa comum em que habitamos: a Terra.

Mas como, diante da morte de Lázaro, 
Jesus pôde remover a pedra do túmulo.
Desatar-lhe as ligaduras, 
devolver-lhe a vida, 
também cremos em Sua Eterna Palavra,
Que tem poder e nos cumula de esperança.

A miséria de nossa condição mortal, pela Sua infinita misericórdia,
Será redimida por Sua Morte e Ressurreição,
E seremos revitalizados pelo Seu Espírito, 
que nos revivifica e nos renova.

O choro de Jesus é um não à cultura da morte e do ódio que nos cerca,
Que vidas de inocentes e empobrecidos vorazmente devora,
Para que, decididamente, participemos da cultura da vida e do amor,
Onde cada entardecer, será como que sementes plantadas,
Para um novo tempo, um novo e desejado amanhecer. 

Cristo, Ressurreição para nossa vida... (VDTQA)

                                                  

Cristo, Ressurreição para nossa vida...

A Liturgia do 5º Domingo do Tempo Quaresmal (ano A) é um canto, uma poesia, um hino em favor da vida! A morte não tem a última palavra (cf. Jo 11,1-45).

A Ressurreição é Jesus em pessoa: “Eu sou a Ressurreição e a Vida! Quem crê em mim, mesmo que esteja morto, viverá!” É ele quem vem nos buscar, é na força d'Ele que seremos erguidos da morte, é n'Ele que nossa vida é salva do absurdo, do nada, do vazio: “quem vive e crê em mim, não morrerá para sempre!”, como Ele próprio diz no Evangelho.

Não podemos desistir dos empenhos múltiplos em favor da vida. É precioso aos nossos ouvidos e coração o que disse Santo Agostinho sobre o choro de Jesus quando da morte de seu amigo Lázaro: “Cristo chorou: chore também o homem sobre si mesmo. Por que chorou Cristo senão para ensinar o homem a chorar?”

Esta semana choramos, e haveremos de chorar ainda, não somente pelos nossos pecados, para que voltemos à vida da graça pela conversão e pelo arrependimento. Não podemos e nem temos o direito de desprezar as lágrimas do Senhor que chora por nós, pecadores.

Acolhamos as palavras de São Josemaria Escrivá: “Jesus é teu amigo. – Amigo – Com coração de carne, como o teu. – Com olhos de olhar amabilíssimo, que choraram por Lázaro… E tanto como a Lázaro, quer-te a ti”.

Como Discípulos Missionários do Ressuscitado, crentes que somos, ardorosos e alegres arautos da esperança, porque pessoas de fé que se concretiza na caridade vivenciada de diversas formas e em todos os lugares, ajudemos os muitos Lázaros que estão no sepulcro esperando por quem grite: “Lázaro, vem para fora!”. 

Um filho de Deus, um cristão que não deseje evangelizar, “já cheira mal, pois há quatro dias que ele está aí…” (Jo 11,39), está na tumba em estado cadavérico. Não sejamos “coveiros” entristecidos, mas alegres Arautos da Ressurreição!

Assim também nos enriquece o Missal Dominical:

“Enxertados em Cristo pelo Batismo, vencemos nossa morte na Sua morte; ressuscitamos no Cristo Ressuscitado. É a vitória de cada homem batizado sobre a morte.

É a vitória de toda a história sobre a morte, história que na perspectiva cristã, não caminha para o caos final, mas para a ressurreição final. É a vitória da criatura sobre a morte; ela escapa à condenação na perspectiva dos céus novos e terra nova.

Essa perspectiva dá à vida tranquilidade, serenidade interior, paz profunda, confiança e esperança. Em Cristo não há uma parcela de vida, por menor que seja, que não se destine à Ressurreição”.

Também retomemos parte do Prefácio da Missa do 5º Domingo, da Ressurreição de Lázaro que não somente resume o sentido do fato, mas irradia luzes para nossa existência, em que o sepulcro não tem a última palavra, mas a glória eterna, o céu:

"Verdadeiro homem, Jesus chorou o amigo Lázaro; Deus e Senhor da Vida, o tirou do túmulo; hoje estende a toda a humanidade a Sua misericórdia e com os Seus Sacramentos nos faz passar da morte à Vida".

Acolhamos com coragem estes questionamentos:

“Concretamente, nesses últimos dias: a quantas pessoas vamos fazer a proposta de que tenham uma vida cristã comprometida? A quantos dos nossos amigos convidaremos a fazer uma boa confissão?

A quantos companheiros de profissão insistiremos para que participem conosco de algum meio de formação cristã? Por quantos familiares estamos fazendo penitência para que durante essas celebrações quaresmais e de Semana Santa tenham um encontro com Deus?

Eu quero números. Não podemos conformar-nos com aquele ditado que reza assim: “o importante é a qualidade, não a quantidade”. Eu protesto!

A quantidade também é importante! A Igreja Católica não é uma espécie de oligarquia, de gente selecionada porque seria o melhor da society, de gente chique e inteligente que forma um gueto de iluminados. Não! Na Casa de Deus cabem todos.” (Pe. Françoá).

O choro de Jesus acompanhado de Sua compaixão, ação misericordiosa, e Sua promessa de imortalidade para quem n'Ele crê são âncoras que nos dão segurança nesta, por vezes, triste, perigosa, misteriosa, dolorida travessia até a outra margem – a eternidade. Amém!



PS: Fontes de pesquisa: Missal Dominical, Mensagem do Papa para a Quaresma de 2011, site: www.presbiteros.com.br.

Ressuscitando Lázaro, Jesus ressuscita a fé dos discípulos (VDTQA)

                                                       

Ressuscitando Lázaro, Jesus ressuscita a fé dos discípulos

Ouvimos no quinto Domingo da Quaresma (ano A), a passagem do Evangelho de João (Jo 11,1-45), em que Jesus ressuscita o seu amigo Lázaro.

Sejamos enriquecidos pelo Sermão de São Pedro Crisólogo, Bispo e Doutor da Igreja (séc. V).

“Regressando do além-túmulo, Lázaro sai ao nosso encontro portador de uma nova forma de vencer a morte, revelador de um novo tipo de ressurreição. Antes de examinar em profundidade este fato, contemplemos as circunstâncias externas da ressurreição, já que a ressurreição é o milagre dos milagres, a máxima manifestação do poder, a maravilha das maravilhas.

O Senhor tinha ressuscitado a filha de Jairo, chefe da Sinagoga, porém, o fez restituindo simplesmente a menina à vida, sem ultrapassar as fronteiras do além-túmulo.

Ressuscitou da mesma forma ao filho único de sua mãe, porém o fez detendo o ataúde, como que se antecipando ao sepulcro, como que suspendendo a corrupção e prevenindo os maus odores, como se devolvesse a vida ao morto antes que a morte tivesse reivindicado todos os seus direitos.

Mas no caso de Lázaro tudo é diferente: sua morte e sua ressurreição nada têm em comum com os casos precedentes: nele a morte desenvolveu todo o seu poder, e a ressurreição brilha com todo o seu esplendor. Inclusive me atreveria a dizer que se Lázaro houvesse ressuscitado ao terceiro dia, teria esvaziado toda a sacramentalidade da Ressurreição do Senhor, pois Cristo voltou à vida ao terceiro dia, como Senhor que era; Lázaro foi ressuscitado ao quarto dia.

Mas para provar o que acabamos de dizer, examinemos alguns detalhes do relato evangélico: As irmãs mandaram um recado a Jesus, dizendo: Senhor, Teu amigo está enfermo. Ao expressar desta forma, intencionam sensibilizá-lo, interpelam ao amor, apelam à caridade, tratam de estimular a amizade recorrendo à necessidade. Porém, Cristo, que tem mais interesse em vencer a morte do que em repelir a enfermidade; Cristo, cujo amor radica não em aliviar o amigo, mas em devolver-lhe a vida, não proporciona ao amigo um remédio contra a enfermidade, mas lhe prepara imediatamente a glória da ressurreição.

Por isso, quando ouviu – disse o evangelista – que Lázaro estava doente, ficou ainda dois dias no lugar onde se encontrava. Observem como cede lugar à morte, licença ao sepulcro, como dá curso livre aos agentes da corrupção, não põe obstáculo algum à putrefação nem à fetidez; consente em que o abismo arrebate, traga a si, possua.

Em uma palavra, Jesus atua de forma que se esvai toda humana esperança e a desesperança humana atinja suas dimensões mais elevadas, de modo que aquilo que se dispõe a fazer percebe-se ser algo divino e não humano.

Ele se limita a permanecer onde está em espera do desenlace, para dar Ele mesmo a notícia da morte, e anunciar, então, Sua decisão de ir à casa de Lázaro. Lázaro, disse, está morto, e me alegro. Isto é amar? Cristo Se alegrava porque a tristeza da morte logo se transformaria em alegria da Ressurreição. Alegro-me por vós. E por que por vós? Justamente porque a morte e ressurreição de Lázaro já era um esboço exato da morte e Ressurreição do Senhor, e o que logo acontecera com o Senhor antecipa-se no servo. Era necessária a morte de Lázaro, para que estando Lázaro no sepulcro, ressuscitasse a fé dos discípulos”.   (1)

Destaco duas partes em especial que me levaram à meditação:

- “Inclusive me atreveria a dizer que se Lázaro houvesse ressuscitado ao terceiro dia, teria esvaziado toda a sacramentalidade da Ressurreição do Senhor, pois Cristo voltou à vida ao terceiro dia, como Senhor que era; Lázaro foi ressuscitado ao quarto dia”;

- “As irmãs mandaram um recado a Jesus, dizendo: Senhor, Teu amigo está enfermo. Ao expressar desta forma, intencionam sensibilizá-lo, interpelam ao amor, apelam à caridade, tratam de estimular a amizade recorrendo à necessidade”.

- “Lázaro, disse, está morto, e me alegro. Isto é amar? Cristo Se alegrava porque a tristeza da morte logo se transformaria em alegria da Ressurreição”.
- “Era necessária a morte de Lázaro, para que estando Lázaro no sepulcro, ressuscitasse a fé dos discípulos.”

 Concluo professando a fé:
Creio em Deus Pai todo-poderoso...” 


(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp. 68-69

Morte: o eterno descanso

                                                      

Morte: o eterno descanso

A morte nos inquieta e nos acompanha, irremediavelmente, desde a concepção: nascemos e inevitavelmente morreremos.

A morte consiste no fim da vida terrena, mas, para quem no Senhor vive e crê, prolonga-se na eternidade: d’Ele viemos, nos movemos e somos, e para Ele haveremos de voltar.

A morte é o apagar das luzes. Porém, ainda que vivamos sob as sombras da morte, um dia na luminosidade plena estaremos: céu.

Quando fugirem os últimos lampejos da vida, a morte, então será o eterno descanso para quem viveu em permanente combate, sem cansaços e esmorecimentos.

Ainda que do leito de morte não possamos nos livrar, poderemos viver o último sono, o sono dos mortos, mas despertos ao passar pela porta do céu.

Morrer é não mais estar submetido aos dias da semana, mas viver o “sábado eterno” do descanso em Deus, quando tudo foi consumado, a última cortina foi fechada, porque se exalou o derradeiro alento.

Quando sentirmos as asas da morte roçar-nos, frias, pela fronte, que seja o nosso ir para o céu; e indo para Deus, o desejado encontro no Seu tempo, orante e, vigilantemente, preparado.

Há o tempo de viver, há o tempo de morrer... Há o tempo para alar-se rumo à mansão celeste, tendo caído no seio frio da morte, e dormido o sono da noite sem hora, o sono do verdadeiro repouso, na mansão dos justos.

Que na hora da morte, no soar da hora fatal, durmamos em Deus e descansemos em paz, rumando para o céu, tendo todo esforço feito para não termos trilhado para o inferno, o lugar do não amor, da não vida, da não luz.

Cientes de que teremos que comparecer perante o tribunal de Deus, que não tenhamos vivido dias avaramente contados, empobrecidos e empobrecedores.

Quando a derradeira pulsação de vida se der com a morte, que o Senhor Se compadeça de nossa alma.

Quando tudo for consumado, e o canto do cisne seja o início de um canto de que não conhece fim, com todos os Anjos e Santos na eternidade, com palmas nas mãos, louvaremos e glorificaremos Aquele que tem poder sobre a vida e a morte: Jesus. Amém.

Em poucas palavras... (VDTQA)

 


“Cremos na Ressurreição da carne”

“Nós cremos e esperamos firmemente que, tal como Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos e vive para sempre, assim também os justos, depois da morte, viverão para sempre com Cristo ressuscitado, e que Ele os ressuscitará no último dia (Jo 6,39-40). 

Tal como a d'Ele, também a nossa ressurreição será obra da Santíssima Trindade:

«Se o Espírito d'Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós» (cf. Rm 8, 11; 1 Ts 4,14; 1 Cor 6,14; 2 Cor 4,14; Fl 3,10-11).

 

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo 989

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