terça-feira, 5 de agosto de 2025

Paixão, fé e cruz (03/08)

                                                             

Paixão, fé e cruz
“Coragem! Sou Eu!
Não tenhais medo”

Ouvimos, na terça-feira da 18ª semana do Tempo Comum (ano par), a passagem do Livro de Jeremias (Jr 28,1-17) e a passagem do Evangelho de  Mateus (Mt 14,22-36).

Somos convidados a refletir sobre duas figuras de extrema importância na Bíblia: Jeremias e Pedro. Ambos em tempos diferentes, com fragilidades próprias, tiveram o coração pelo Amor de Deus seduzido. Cada um ao seu modo abraçou a missão por Deus confiada.

Encantamo-nos ao meditar sobre a vocação de Jeremias: predestinação desde o ventre materno, chamado divino, resposta corajosa, sedução, apaixonamento, missão profética, e a escuta da voz de Deus.

Experimentou a perseguição, cadeias, abandono, solidão, provações, sofrimentos e muito mais que se possa dizer, mas foi fiel à missão abraçada.

Foi tido como o “Profeta da desgraça”, traidor, ignorado, caluniado, incompreendido. Nem por isto deixou ou retrocedeu na missão, e teve que reacender a chama da confiança e da esperança em Deus, em absoluta e incondicional fidelidade à Aliança divina, pois somente Deus pode assegurar a vida, a liberdade e a paz.

Assim deve viver todo cristão discípulo missionário do Senhor, tendo Jeremias como modelo e inspiração de vida na fidelidade ao Senhor.

Tenhamos sempre diante de nós a vocação de Jeremias, sobretudo nos momentos mais difíceis de incompreensão, abandono e  desilusão.

Também o Apóstolo Pedro e os discípulos foram desafiados  diante das tempestades e da travessia sobre as águas turbulentas  a professar sua confiança na presença divina, como ouvimos na passagem do Evangelho.

A súplica dos discípulos deve ser também a de todos nós sempre nas inúmeras travessias das águas turbulentas que a vida nos oferece – “Senhor, Salva-me!”. E, a advertência de Jesus ressoará a Pedro, ressoará sempre em nossos corações – “Homem fraco na fé, por que duvidaste?”:

 “A confiança na presença divina na vida é a base indispensável para procurarmos ser cristãos, e, portanto, pessoas maduras e responsáveis [...] confiar em Nosso Senhor Jesus Cristo significa dar crédito à veracidade da sua Palavra, à autenticidade positiva dos valores que ela exprime.

E se a comunidade, todos os que se sentem chamados ao discipulado cristão, ou seja, a Igreja, não viver fundamentado efetivamente sobre tudo isso, bem depressa sentirá medo do presente e do futuro, entrincheirar-se-á na defesa das suas posições humanas e mergulhará nas dificuldades históricas sem remissão possível”. (1)

Em nossas limitações e fragilidades experimentamos a força e poder de Deus. No testemunho da fé, como rebanho do Senhor; nutridos pela oração e de modo sublime pela Eucaristia.

Seja a nossa glória a Cruz de Nosso Senhor, para que, como Jeremias, não fraquejemos na missão profética, e tão pouco retrocedamos ou descuidemos do rebanho, como Pedro tanto nos inspira.

A paixão de Jeremias, a ousadia e o progresso na fé de Pedro e a Loucura da Cruz Paulina nos acompanhem ontem, hoje e sempre.


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - pág. p.58

A travessia do mar tempestuoso(03/08)

                                                        

A travessia do mar tempestuoso

“Coragem, sou Eu. Não tenhais medo!”
(Mt 14,27)

Vou singrar o mar tempestuoso deste mundo,
Até um dia alcançar o porto feliz da eternidade.
Enfrentando os ventos contrários que não são poucos,
E, por vezes, me fazem sentir o medo do naufrágio.

Vou singrar com a esperança da desejada vitória,
Revendo, retrospectivamente, o caminho feito,
As marcas deixadas...
Com a coragem de assumir os erros e os acertos.

Vou singrar o mar revoltoso, agitado pelas ondas,
Certo de que a calmaria há de vir no tempo oportuno,
Com a confiança na força da Palavra do Senhor, que Se faz presente,
E para quem todas as forças e poderes são submetidos.

Vou singrar olhando para o novo horizonte da história,
Sem me entregar aos aparentes sinais de derrota,
Com a fé no Cristo, glorioso e Ressuscitado,
Que me envolve com Sua presença, graça e ternura.

Vou singrar corajosamente o mar revoltoso do  mundo,
Sem reclamar das dificuldades e desafios surgidos,
Amparado, em todo o tempo, pela mão poderosa do Senhor
Sempre pronta, a quem estender em confiante súplica.

Navegarei de mar em mar, incansável e corajosamente,
Travessias necessárias e possíveis a serem realizadas
Fortalecido pela Palavra que dos lábios divinos emanam,
Saciado e revigorado pelo Pão recebido na mesa da Eucaristia.

Singrarei com a certeza de que não navegamos sós, mas
Com a presença de irmãos nesta nau que segue em frente,
Jamais à deriva, porque sabem em quem confiam:
“Coragem, sou Eu, não temais” (Mt 14,27).

Amemos como Deus nos ama (04/08)

                                                            

Amemos como Deus nos ama
“Para colaborar com Deus é
necessário amar muito, como Cristo”.

Assim diz o Missal na reflexão da primeira Leitura (Jr 30,1-2.12-15.18-22), proclamada na terça-feira da 18ª Semana do Tempo Comum (ano par):

“Ainda hoje, enquanto os homens odeiam e destroem, Deus ama sempre e está em ação para reconstruir; enquanto forças ou tendências antagônicas se digladiam, Deus faz sempre algo novo, porque Sua obra é obra de amor. Para colaborar com Deus é necessário amar muito, como Cristo”.

Isto nos remete às palavras do Papa Francisco ao longo da XXXI Jornada Mundial da Juventude (Cracóvia):

“Uma só palavra gostaria de dizer para esclarecer. Quando eu falo de “guerra”, falo de guerra seriamente, não de “guerra de religiões”: não. 

Existe guerra de interesses, existe guerra pelo dinheiro, existe guerra pelos recursos da natureza, existe guerra pelo domínio dos povos: esta é a guerra. 

Alguém pode pensar: 'Está falando de guerra de religiões': não! 

Todas as religiões, queremos a paz. 

A guerra, a querem os outros. Entendido?”.

Por tudo isto, a Boa-Nova de Jesus e o Mandamento do amor a Deus e ao próximo, por Ele dado e também vivido, é o caminho para a construção de uma nova civilização, a “civilização do amor”.

É preciso repensar as relações e fortalecer tudo quanto possa criar elos entre as pessoas, edificação de “pontes de fraternidade” e não muros que isolam ou "trincheiras de guerra", seja de que nome for.

Portanto, ou pomos o fim a todas as guerras, ou colocamos em risco o próprio futuro da humanidade, e podemos contar com o irrenunciável amor de Deus e Sua ação que faz novas todas as coisas, porque, verdadeiramente a Sua obra é uma obra de amor, e o amor jamais passará (1 Cor 13).

Rezemos pela paz, comprometamo-nos com ela, a partir dos pequenos gestos cotidianos, em nível local, até em sua máxima expressão, em nível global, com matizes mundiais.

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

“Dai-lhes vós mesmos de comer” (01/08)

                                                         


“Dai-lhes vós mesmos de comer”

Viver a Vocação como dom de Deus, exige de nós a máxima atenção para a árdua missão evangelizadora que o Senhor nos confiou, e que nos convida a voltar os nossos olhos à realidade que nos cerca, multiplicando gestos de amor e solidariedade, como expressão autêntica da compaixão que deve marcar a vida dos discípulos missionários do Divino Salvador, que inúmeras vezes Se compadeceu da multidão, que parecia ovelhas sem pastor, como retratam as passagens narradas pelo Evangelista Mateus (Mt 9, 36; Mt 14, 14).

Como Igreja, não podemos nos omitir diante da realidade clamorosa por vida digna. Portanto, mais do que nunca, é tempo de fazermos da nossa Comunidade uma casa do Pão da Palavra, do Pão da Eucaristia e do Pão da Caridade.

Se partilharmos nossos pães e peixes (Mt 14,13-21), ainda que aparentemente poucos e insignificantes, mas com amor, por Deus serão mais que abençoados, serão “eucaristizados” e, por isto, multiplicados; e ainda teremos as sobras, sem esbanjamentos e desperdícios indesejáveis, sem acumulações, todos serão saciados.

Deste modo, é oportuno e necessário conhecer a Doutrina Social da Igreja e a prática das obras de misericórdia corporais (dar de comer aos famintos, dar de beber aos sedentos, vestir os nus, acolher os peregrinos, dar assistência aos enfermos, visitar os presos, enterrar os mortos), que por sua vez não se separam das Obras de Misericórdia Espirituais (aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência as fraquezas do próximo, rezar a Deus pelos vivos e defuntos).

Somente assim, nossas Paróquias se tornarão espaços de formação, missão, solidariedade e comunhão, a serviço da vida e da esperança.

Precisamos renovar permanentemente nosso encontro com Jesus, para sermos no mundo sinal da Sua compaixão e da solidariedade, para que a vida seja mais bela, confiantes em Sua presença e Palavra.

Neste sentido, não podemos ignorar que a Vocação à vida familiar acontece em meio a uma desafiadora realidade: perda de valores e desestruturação da família. Comovidos profundamente com esta situação, e movidos pelo sentimento de compaixão, promovamos encontros, formações na solidificação e santificação de nossas famílias, verdadeiros santuários da vida. 

A compaixão evangélica será mutilada se também nos omitirmos, ou nos tornarmos indiferentes à questão social, de modo especial com o compromisso político, a fim de que esta seja a expressão da promoção do bem comum, uma sublime expressão da caridade. 

É sempre tempo de nossas comunidades se desinstalarem, reavivando o ardor e revigorando a chama missionária que deve nos acompanhar, desde o dia de nosso Batismo.

Urge acreditar e investir na juventude, que mora no coração da Igreja e é fonte de renovação da sociedade. O jovem deve tornar-se, antes de tudo, evangelizador de outros jovens, que ainda não conhecem Jesus e o Seu Evangelho.

Uma comunidade com rosto jovial somente será, na fidelidade ao Senhor e ao Seu Espírito, se souber colocar-se a serviço da sacralidade e beleza da vida, e, com alegria, anunciar a Boa-Nova do Evangelho, indo corajosamente ao encontro daqueles que ainda não ouviram a Palavra, e que ainda não fazem parte de nossa vivência comunitária: uma Igreja genuinamente sinodal e missionária, sem o que acaba esvaziando a sua razão de existir.

Concluindo, vivamos autenticamente a nossa Vocação, renovando a alegria de termos sido chamados para trabalhar na vinha do Senhor, que é regada pelo Seu Sangue derramado na Cruz; redimidos e fortalecidos pelo Pão da Eucaristia, sejamos no mundo sinal de sua presença: discípulos missionários do Divino Mestre da Compaixão.

Não podemos nos tornar indiferentes e omissos diante de tantos clamores que sobem aos céus, e, assim, nenhum sentimento de impotência ou qualquer desculpa apresentemos, mas nos empenhemos, em todos os âmbitos, para que o Reino de Deus se torne, efetivamente, presente entre nós.  

Transfiguração do Senhor: descer à planície e irradiar a luz divina (06/08)

                                                     


Transfiguração do Senhor: descer à planície e irradiar a luz divina

Reflexão sobre a Transfiguração do Senhor à luz da passagem do Evangelho de Marcos  (Mc 9,2-10).

Contemplando Jesus, que Se transfigura diante de Pedro, Tiago e João, a fim de conceder aos discípulos um suporte da fé, quando virem, pouco depois, o aparente fracasso da Sua morte na Cruz, sejamos enriquecidos pelo Sermão do Diácono Santo Efrém (séc. IV):

Naquele tempo, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, seu irmão, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E foi transfigurado diante deles; o Seu rosto brilhou como o sol e as Suas roupas ficaram brancas como a luz.

Ele os levou até a montanha para mostrar-lhes a glória de Sua divindade, e lhes ensinar que Ele era o Redentor de Israel, tal como já tinha revelado por Seus profetas; e também para prevenir todo escândalo à vista dos sofrimentos que livremente iria sofrer por nós em Sua natureza humana.

Eles, de fato, o conheciam como homem, mas ignoravam que fosse Deus; conheciam-nos como filho de Maria, um homem que vivia com eles no mundo, mas sobre a montanha revelou-lhes que era o Filho de Deus, e o próprio Deus.

Eles O tinham visto comer e beber, fatigar-Se e descansar, cochilar e dormir, apavorar-Se até gotejar de suor, coisas que não pareciam estar em harmonia com Sua natureza divina, nem convir à Sua humanidade. Por isso os trouxe sobre a montanha, para que o Pai O chamasse de Seu Filho, e lhes mostrasse que Ele era realmente Filho d’Ele, e que Ele era Deus.

Ele os levou sobre a montanha e mostrou-lhes Sua realeza antes de sofrer, Seu poder antes de morrer, Sua glória antes de ser ultrajado, e Sua honra antes de sofrer a ignomínia. Assim, quando fora tomado e crucificado pelos judeus, Seus apóstolos compreendessem que não foi por fraqueza, mas por consentimento e de plena vontade para a salvação do mundo.

Ele os levou sobre a montanha e mostrou-lhes, antes de Sua ressurreição, a glória da Sua divindade. Deste modo, quando ressuscitasse dentre os mortos na glória de Sua divindade, Seus discípulos reconheceriam que não recebia esta glória em recompensa de Suas aflições, como se precisasse delas, mas porque já Lhe pertencia bem antes dos séculos, com o Pai e para o Pai, assim como Ele mesmo lhe disse ao aproximar-se voluntariamente de Sua Paixão: Pai, glorifica-me junto de Ti, concedendo-me a glória que tive contigo antes que o mundo fosse criado.

E então, na montanha, Ele mostrou aos Seus apóstolos a glória de Sua divindade, oculta e escondida por Sua humanidade. Porque eles viram o Seu rosto brilhante, como um relâmpago, e Suas roupas brancas como a luz.

Eles viram dois sóis, um no céu, como de costume, e um incomum; um visível no firmamento e iluminando o mundo, e outro, a Sua face, visível somente a eles”. (1)

Contemplando a Transfiguração do Senhor no Monte Tabor, não fixemos tendas, mas desçamos à desafiadora planície, no seguimento de Jesus, com plena confiança e incondicional fidelidade ao chamado que Ele nos fez, carregando nossa cruz com coragem e ousadia.

Também nós podemos, em cada Eucaristia que celebramos, contemplar dois sóis, um no céu, sem maiores dificuldades, e o outro, o Sol Nascente, que nos veio visitar, Aquele que Se Transfigurou no alto do Tabor, revelando toda a Sua glória, a plena realização da Lei e da Profecia: Jesus.

Assim como precisamos da luz e do calor do sol, muito mais precisamos da radiante Luz que nos vem do Senhor, para nos aquecer e iluminar, sobretudo em nossas noites escuras, frias e aparentemente intermináveis, marcadas pelas dificuldades, provações, inseguranças, tentações, fragilidades.

Contemplemos  o Cristo glorioso, como um sinal do que poderemos contemplar eternamente, mas não sem antes viver o Mistério de Sua Paixão e Morte na Planície, assim como fizeram Pedro, João, Tiago e muitos outros ao longo da história.


(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes 2013 - pp. 59-60

domingo, 3 de agosto de 2025

“Buscai as coisas do alto” (XVIIIDTCC) (02/08)

                                                               

“Buscai as coisas do alto”

A Liturgia do 18º Domingo do Tempo Comum (Ano C) nos convida a refletir sobre nossa atitude frente aos bens deste mundo. 

Não podemos fazer deles deuses, a tal ponto de determinar nossa vida. É preciso usar as coisas que passam e abraçar as que não passam, as coisas do alto, as coisas celestiais e não as terrenas.

A passagem da primeira Leitura do Livro do Eclesiastes (Ecl 1,2; 2,21-23) que, por seu caráter sapiencial, nos faz pensar, rever nossa conduta, questionando nossas falsas seguranças e saberes:

“Não é um Livro onde se vão procurar respostas, mas onde se denuncia o fracasso da sabedoria tradicional e onde ecoa o grito de angústia de uma humanidade ferida e perdida, que não compreende a razão de viver”. (1)

A mensagem é explícita: somente Deus dá sentido à nossa existência. A vida somente pelos bens materiais conduz à falência, quem vive por si e para si não encontra saída e sentido para sua vida. É preciso o humilde reconhecimento de nossa impotência diante da onipotência divina, que se manifesta como misericórdia, amor, bondade, alegria, vida e paz.

Não podemos colocar a nossa esperança em coisas falíveis e passageiras: “A nossa caminhada nesta terra está, na verdade, cheia de limitações, de desilusões, de imperfeições; mas nós sabemos que esta vida caminha para a sua realização plena, para a vida eterna: só aí encontraremos o sentido pleno do nosso ser e da nossa existência”. (2)

A passagem da segunda Leitura da Carta de Paulo aos Colossenses (Cl 3,1-5.9-11) nos convida, como homens novos pelo Batismo, a abandonar os falsos deuses, identificando-nos com Cristo que nos basta para a nossa Salvação. 

A comunhão vivida entre nós com o Cristo Ressuscitado exige que tenhamos esta identificação, como o próprio Paulo dirá em outra passagem aos Gálatas – “Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim “(Gl 2, 20) e aos Filipenses –“Tenhamos em nós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus “ (Fl 2,5). E nisto consiste buscar as coisas do alto, as coisas celestiais.

Vivendo o Batismo, renascemos a cada dia como homem novo, e assim verão Cristo em nós. O batizado revela a face de Cristo para o mundo, por seus pensamentos, palavras e ação.

A passagem do Evangelho (Lc 12,13-21) nos apresenta a “Parábola do rico insensato”, com uma mensagem essencial para nossa vida: o perigo de uma vida voltada apenas para os bens materiais.

Jesus não é contra a riqueza, e tão pouco contra o progresso e o crescimento do nível de vida. O perigo é torna-se rico para si mesmo tão apenas, deixando-se aprisionar pelo dinheiro. A vida de uma pessoa e o seu valor real não são medidos por suas riquezas.

A lógica do Reino é diferente da lógica do mundo – é preciso usar as coisas e não ser usado por elas. O acúmulo de bens sempre pode levar ao esquecimento do outro, inclusive de Deus, da família, dos irmãos da comunidade...

A ambição e o egoísmo esvaziam o coração humano do essencial e, deste modo, é preenchido daquilo que não lhe dá sentido, incorrendo num consumismo com consequências empobrecedoras, tornando-nos escravos da lógica do lucro que escraviza e não nos faz verdadeiramente felizes.

A ânsia da ascensão social pode conduzir ao declínio, ao esvaziamento, ao desmoronamento da vida pessoal e da própria família, de todos com os quais se convive.

Em nome do acumular cada vez mais, quantas famílias são sacrificadas e privadas do mínimo essencial para sua dignidade e felicidade! É o perigo da deificação da riqueza, tornar os bens como deuses (aqui a idolatria encontra campo fértil). É preciso tomar cuidado com os falsos deuses não deixando que o acessório, o transitório nos distraia e nos afaste do fundamental para a nossa vida.

Urge que nos libertemos deste desejo de acumulação que nos torna cegos e indiferentes às necessidades do outro, e abramos horizontes na perspectiva da partilha e da solidariedade, do desapego e da liberdade diante das coisas terrenas, pautando a nossa vida pelos valores eternos que jamais passam.

Reflitamos:

- Quais são as nossas falsas e verdadeiras riquezas?
- De quais devemos nos esvaziar?

- De que modo avaliamos a nossa vida, ou seja, atrás do que corremos, nos consumimos?

- De que modo trabalhamos sem a perda do sentido da vida?
- O que nos preenche e nos dá alegria?

Concluo citando mais uma vez Santa Teresa D’Avila e Santa Teresa dos Andes, respectivamente:

“Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa, Deus não muda, a paciência tudo alcança; quem a Deus tem nada lhe falta: só Deus basta.”

“Só Deus nos basta para sermos felizes. Apalpo a cada instante o que é ser toda de Deus e parece-me que, se agora me fosse necessário passar pelo fogo para consagrar-me a Ele, não titubearia em fazê-lo, pois todos os sacrifícios desaparecem diante da felicidade de possuir a Deus só”.


(1) cf. www.dehonianos.org.br
(2) Idem.

Oração para o mês vocacional (01/08)

 

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