‘Eterna é a Sua misericórdia!’” (Sl 117,1)
terça-feira, 18 de março de 2025
“Dai Graças ao Senhor” (18/03)
“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom!
‘Eterna é a Sua misericórdia!’” (Sl 117,1)
‘Eterna é a Sua misericórdia!’” (Sl 117,1)
Com estas palavras do Salmista, faço um breve agradecimento...
Dou graças ao Senhor pelo Sacramento da Ordenação Episcopal hoje recebido.
Dou graças ao Senhor pela minha nomeação para Bispo da Igreja, feita pelo nosso querido Papa Francisco, no dia 21 de dezembro do ano passado.
Dou graças ao Senhor pelos Bispos Ordenantes, Dom Walmor Oliveira Azevedo e Dom Edmilson Amador Caetano e Dom Emílio Pignoli. O primeiro, por ser o Arcebispo que me acolherá como Bispo auxiliar em Belo Horizonte – MG; o segundo, por ser o atual Bispo da Diocese em que fui Ordenado Presbítero; e o terceiro, Dom Emílio Pignoli, Bispo da Diocese de Mogi das Cruzes, quando Guarulhos pertencia a esta Diocese.
Dou graças ao Senhor por todos os Bispos aqui concelebrando, ou unidos conosco em oração.
Dou graças ao Senhor pelo Presbitério da Diocese de Guarulhos e da Arquidiocese de Belo Horizonte, pois é inconcebível a realização presbiteral como se fosse uma ilha no desafiador mar da história.
Dou graças ao Senhor pela Arquidiocese de Aparecida, nas pessoas de Dom Raymundo Damasceno e Dom Orlando Brandes, que abriram as portas e o coração deste Santuário Nacional do Brasil, para a realização da minha Ordenação Episcopal, certos de que atenderam ao desejo e à atitude de nossa querida Mãe, que sempre abre a porta de sua casa para seus filhos e filhas.
Dou graças ao Senhor pela Diocese de Ji-Paraná, onde fui acolhido por três anos pelo Bispo Dom Antonio Possamai. Foi um tempo fecundo e marcante para o meu Ministério Presbiteral.
Dou graças ao Senhor pela presença dos religiosos e religiosas e seminaristas, que fizeram parte desta história, com a oração e a comunhão vivida nos diversos trabalhos pastorais.
Dou graças ao Senhor pela presença e participação de cristãos leigos e leigas, com os quais tivemos a graça e a coragem de lançar redes em águas mais profundas.
Dou graças ao Senhor pelos amigos e amigas que Deus me concedeu ao longo destes anos, e que haverão de permanecer e somar com muitos outros que Deus, com certeza, em Sua infinita misericórdia, haverá de me conceder.
Dou graças ao Senhor por todos aqueles que fizeram parte da minha história, e que estão no descanso e na luz eterna: bispos, padres e tantos irmãos e irmãs que poderiam ser lembrados.
Dou graças ao Senhor por todas as Equipes, sem nenhuma omissão, por todas as pessoas que não mediram esforços para a beleza e a harmonia deste acontecimento, fazendo reluzir o esplendor da Sagrada Liturgia.
Finalmente, dou graças ao Senhor pela minha família, santuário da vida e berço das vocações. Sou agradecido a Deus pelos meus pais, já na glória de Deus, por terem plantado a semente da fé no dia do meu batismo, e por terem me transmitido os mais belos e sagrados ensinamentos, que têm como fonte a Sagrada Escritura, e na sadia religiosidade, como pude testemunhar, na devoção a Nossa Senhora, e, de modo especialíssimo, Nossa Senhora da Conceição de Aparecida, desde a minha concepção e nascimento.
“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom! ‘Eterna é a Sua misericórdia!’” (Sl 117,1), mais uma vez repito, pedindo perdão se me esqueci de fazer menção a alguém, e ainda que o tenha feito, jamais serão omitidos e esquecidos por Deus, mas ricamente recompensados.
Peço que orem, incessantemente, para que, no exercício do Ministério, eu tenha graça, sabedoria e luz para viver o Lema Episcopal que escolhi: “Mihi vivere Christus (est)” – “Para mim o viver é Cristo” – (Fl 1,21), sendo um eterno aprendiz do “sim” que um dia Maria deu ao anjo no Anúncio da Encarnação do Verbo, que Se fez Carne e habitou entre nós.
“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom! ‘Eterna é a Sua misericórdia!’” (Sl 117,1).
Muito obrigado! E que, pela intercessão de nossa querida Mãe Aparecida, o Senhor nosso Deus cumule a todos de bênçãos e graças.
PS: Mensagem de agradecimento ao final da minha Ordenação Episcopal, no dia 18 de março de 2017, no Santuário Nacional de Aparecida.
A graça do segundo ano de Ministério Episcopal (18/03)
A graça do segundo ano de Ministério Episcopal
Ser Bispo tem sido para mim a graça de cuidar do rebanho como pai, amigo e pastor, animando e corrigindo, quando necessário; estreitando laços de conhecimento de novas pessoas, novas experiências.
“Para mim o viver é Cristo” (Fl 1, 21)
Glorificando a Deus pelo segundo ano de Ministério Episcopal, retomo as palavras do Apóstolo Paulo, para expressar meu carinho e gratidão à Diocese de Guarulhos, pela minha história escrita, da qual o povo de Deus desta cidade teve e tem grande participação: “Assim, meus irmãos, a quem quero bem e dos quais sinto saudade, minha alegria, minha coroa, meus amigos, continuai firmes no Senhor” (Fl 4,1).
Alargando os horizontes do meu amor pela Igreja, desenvolvo o meu ministério como Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte – MG, que conta com aproximadamente cinco milhões de habitantes; quase trezentas Paróquias; quatro Regiões Pastorais e uma Região de missão; trinta Foranias; com setecentos presbíteros; além de um imenso número de religiosos, religiosas, cristãos leigos e leigas, que vou conhecendo cada vez mais, e animando-os na caminhada de fé.
Diante das comunidades, nas Missas que presido (feriais, dominicais, Crismas, Ordenações, Festas de Padroeiros); nos diversos encontros de formação; reuniões de encaminhamentos pastorais, de modo especial no acompanhamento das Pastorais Sociais da Arquidiocese, sinto o carinho do Povo de Deus, que procura na pessoa do Bispo a Pessoa de Jesus Cristo.
Ser Bispo tem sido para mim a graça de cuidar do rebanho como pai, amigo e pastor, animando e corrigindo, quando necessário; estreitando laços de conhecimento de novas pessoas, novas experiências.
Nesta nova realidade, com os desafios acentuados pelo momento nacional de incertezas no âmbito da política; alguns com pouca esperança ou crédito no mundo da política; com a diminuição e esfriamento da chama da profecia no coração de alguns, me empenho na missão evangelizadora, buscando ser um instrumento de ânimo e encorajamento na caminhada de todos, pois, é na adversidade, sobretudo, que devemos dar razão de nossa esperança e multiplicar espaços e grupos de reflexão, para que não nos evadamos do sagrado compromisso da construção do Reino, que passa, necessariamente, pela vivência da caridade, e a Igreja nos ensina que a política, no seu sentido mais autêntico, é a sublime expressão da caridade.
Concluo assegurando minhas orações pela Diocese Guarulhos, que completa 38 anos de existência, para que continue, com amor, zelo e alegria, proclamando a Palavra de Deus nesta Cidade, e ao mesmo tempo, peço que rezem por mim, para que, no cumprimento do ministério, eu seja fiel no tríplice múnus de santificar, ensinar e governar a Igreja, dando sentido ao meu Lema Episcopal, que deve guiar a minha vida e ação como bispo da Igreja: “Para mim o viver é Cristo” (Fl 1,21).
Rogo à Virgem Maria, sob o título de nossa Senhora da Piedade, Padroeira de Minas Gerais, que abençoe a todos, para que permaneçamos firmes no Senhor.
PS: Escrito em 18/3/2019, quando celebrei o segundo ano de Ministério Episcopal.
domingo, 16 de março de 2025
A posse do 4º Bispo da Diocese de Guarulhos: “Ouvimos e vimos com nossos olhos” (16/03)
A posse do 4º Bispo da Diocese de Guarulhos:
“Ouvimos e vimos com nossos olhos”
Assim começa extasiado o autor da Epístola sobre o Verbo encarnado e a comunhão com o Pai e o Filho: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com nossos olhos, o que contemplamos, e o que nossas mãos apalparam do Verbo da vida, porque a Vida manifestou-se: nós a vimos e dela damos testemunho e vos anunciamos esta Vida eterna, que estava voltada para o Pai e que nos apareceu” (1Jo 1,1-2).
Também nós ouvimos e vimos com nossos olhos um inesquecível momento, quando da realização da Celebração da Missa de posse do quarto Bispo da Diocese de Guarulhos - SP (2014).
Ouvimos e vimos, nos momentos que antecederam a Missa, a expectativa, a acolhida ao Arcebispo Metropolitano de São Paulo Cardeal Dom Odilo Scherer e, ao seu lado, o Bispo Dom Edmilson Amador Caetano, que tomaria posse; o coral afinando suas vozes e instrumentos; o povo de Deus sentado nas arquibancadas ou nas cadeiras próximas ao altar, ou mesmo em pé; a ausência das flores, em perfeito cumprimento das rubricas quaresmais, como também o roxo dos paramentos litúrgicos da Missa.
Entretanto, não a ausência de beleza, percebida e contemplada nas pedras, nos galhos e folhagens que decoravam o ambiente, assim como o painel com a Cruz e o lema Episcopal de nosso Bispo, “Deus providenciará”, dando um colorido profético ao evento.
Ouvimos e vimos os murmúrios e conversas trocadas na alegre espera do grande acontecimento, que revela a bondade de Deus que não nos deixa desamparados, como ovelhas sem pastor. Deus, em tão curto tempo da Páscoa de nosso terceiro bispo, providenciou alguém para sucedê-lo em seu pastoreio. Vimos mais uma vez ser cumprida a Palavra do Senhor: “Não vos deixareis órfãos. Eu virei a vós ” (Jo 14, 13).
Ouvimos e vimos a efusiva acolhida da assembleia, com palmas que expressavam o contentamento incontido no coração, tão fortes como o brilho e a emoção de saber que o báculo logo teria mãos firmes e seguras para tanger o rebanho sequioso de um pastor.
Outros ouviram e viram, pela TV e internet (instrumentos preciosos quando bem utilizados), as primeiras imagens da posse, com a mesma alegria e comoção por todos os cantos.
Missa iniciada, vimos e ouvimos os cantos, os primeiros rituais da posse, cumprindo o protocolo previsto, de um Bispo diante do rebanho, pela Igreja a ele confiado, como presença do Cristo Bom Pastor.
Vimos e ouvimos a Liturgia da Palavra de Deus da Missa do Domingo da Transfiguração do Senhor; Palavra que foi ressoada e encarnada em nossos corações com a breve, mas a clara e objetiva, homilia de nosso Bispo.
Com emoção, exortou a todos para viver a vocação para a santidade, colocando nas mãos de Deus as fragilidades e limitações a serviço do Reino, num autêntico e corajoso testemunho de fé (referindo-se ao exemplo de Abraão – Gn 12,1-4a) , fruto da escuta atenta à voz do Filho Amado (Mt 17,1-9).
Vimos e ouvimos as preces pelo fortalecimento de nossa missão evangelizadora na cidade de Guarulhos, na pura expressão da confiança na divina providência, com sua força e presença.
Vimos e ouvimos as palavras da Liturgia Eucarística, e com elas a graça do Mistério da Fé celebrado e proclamado, Pão e Vinho consagrados, “eucaristizados”, verdadeiramente, Comida e Bebida para nos fortalecer, sustentar no bom combate da fé, e os compromissos sagrados no cotidiano prolongar.
No encerramento, vimos e ouvimos o Bispo dirigir palavras de ânimo, reavivando a chama batismal no coração de todos, para que, sem recuos, avancemos para as águas mais profundas, com coragem e ousadia, vivendo também a graça da vocação e da profecia.
Logo após, vimos e ouvimos as conversas, os cumprimentos, as saudações, os encontros e reencontros... Por fim, a volta para casa com uma alegria transbordante no coração.
Verdadeiramente, o Senhor veio e o Seu Espírito pairou sobre todos, no acompanhamento da Diocese de Guarulhos, seu Pastor, padres, religiosos e religiosas, seminaristas, o Povo de Deus e todas as pessoas de boa vontade.
Que a ação evangelizadora, assim animada e assistida, leve a todos a contemplar coisas belas para se ouvir e também belas para se viver.
Se atentos ao Sopro do Espírito, e à sua voz, muito mais ouviremos e contemplaremos, pois é nesta comunhão fecunda de amor que somos inseridos; é nesta comunhão que nos tornamos fecundos, para fazer florescer e frutificar as mais belas sementes de alegria, vida e paz.
sábado, 8 de março de 2025
A Misericórdia divina nos acolhe e nos perdoa (23/03)
A Misericórdia divina nos acolhe e nos perdoa
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de São João (Jo 8,1-11), sobre a adúltera perdoada por Jesus.
Somos convidados a nos colocarmos de pé, vivendo de maneira diferente, acolhendo a Palavra de Jesus que foi dirigida à pecadora surpreendida em adultério: “vai e não tornes a pecar”.
É sempre tempo de nos colocarmos num dinamismo de conversão, voltando-nos para um Deus que nos ama e nos desafia a romper as escravidões que nos afastem de Seu Amor e nos colocando a caminho numa vida nova, até que alcancemos a Ressurreição.
Temos com este acontecimento narrado pela passagem do Evangelho, a revelação de um Deus de Misericórdia que age por meio do Filho, Jesus.
O cenário de fundo nos coloca frente a uma mulher apanhada em adultério, e de acordo com o Levítico (Lv 20,10) e o Livro do Deuteronômio (Dt 22,22-24), a mulher devia ser morta (lapidada).
Aplicar a Lei ou não, eis a questão colocada para Jesus. Jesus é posto em face à Lei e, ao mesmo tempo, em face de uma mulher adúltera.
Jesus não rejeita a Lei, pede tão apenas que escribas e fariseus se voltem para sua própria vida antes de olhar a mulher e de sentenciar a condenação.
Que se vejam “no espelho” e também vejam quão pecadores também o são. E, assim, a partir dos mais velhos retiram-se.
A ação de Jesus diante da questão posta revela que a Misericórdia Divina não condena, não elimina, não julga e não mata.
A lógica divina é sempre a possibilidade de uma vida nova. De fato, o amor liberta, renova e gera esta vida nova que tanto ansiamos.
Embora nossa vida pareça, por vezes, um deserto árido, Deus se apresenta como a Fonte de Água Viva, por Seu Amor faz surgir um rio de Água Viva. A aridez do deserto é vitalizada pela intervenção divina, que nos acompanha e nunca desiste de nós, apesar de nossas infidelidades.
Somos interpelados a rever a lógica sobre a qual se organiza a sociedade, passando da eliminação sumária à reeducação e a reintegração daquele que pecou, ainda que o caminho pareça mais difícil, mais longo.
Somos desafiados a viver a lógica da misericórdia que é criativa. É preciso superar a lógica simplista - “errou, pagou...”. A lógica divina é infinitamente superior: “errou, dê conta do erro e não peques mais, e entre num caminho comunitário de conversão”.
É sempre tempo de revisão de nossa caminhada de fé, reconhecer nossos pecados, e confessá-los diante da Misericórdia de Deus, sobretudo, através do Sacramento da Penitência.
Vigilantes cuidemos melhor de nossos “telhados de vidro”, sem conivência com o pecado do outro, mas crendo que a Misericórdia Divina é a possibilidade de vida reconciliada, de vida nova para todos.
A alegria de Deus é a conversão do pecador. Deus abomina o pecado e ama o pecador. Ele não quer que ninguém se perca e naufrague no mar imenso de pecado.
É preciso que esvaziemos nossas mãos das pedras, sempre prontas para as lapidações sumárias do outro. Por vezes estas pedras se encontram em nossa língua e em nossos gestos, se nosso coração estiver cheio de rancores, ressentimentos, autossuficiência, soberba...
Libertemo-nos das pedras, revistamo-nos da Misericórdia Divina que em Cristo nos reconciliou e nos fez novas criaturas.
quinta-feira, 6 de março de 2025
Quaresma: a prática da misericórdia nos faz fraternos (23/03)
Quaresma: a prática da misericórdia nos faz fraternos
Reflexão sobre a passagem do Evangelho sobre o julgamento final, ao qual seremos todos submetidos (Mt 25,31-46).
A Palavra proclamada, escutada, acolhida, meditada e vivida, nos propõe e nos inspira a um balanço de nossa vida cristã, na vigilante expectativa da última vinda do Senhor, servindo-O na alegria, fazendo frutificar o amor que vence no dia do juízo final.
Jesus nos fala do juízo final, nos revela qual será o fim daqueles que se mantiveram ou não vigilantes e preparados para a Sua vinda vitoriosa “... para que Deus seja tudo em todos)” (1Cor 15,28).
Lembremo-nos do contexto da comunidade de Mateus, que é de desinteresse, instalação, acomodação, rotina. É preciso despertá-la para uma atitude vigilante e comprometida na espera do Senhor que vem. Vigilância para o juízo final.
O critério de julgamento será o amor ou a indiferença vivida para com os pobres (famintos, sedentos, doentes, presos, estrangeiros, nus). Somente o amor concreto e a solidariedade ativa nos credenciam para a eternidade.
Somente o amor na simplicidade e na gratuidade nos eterniza. Quem vive a misericórdia, o amor, a solidariedade ativa não tem motivo para temer o julgamento final (Tg 2,12-13).
Os discípulos têm que amar Cristo e viver como Ele. Deus não quer condenar ninguém. A autoexclusão de Seu amor está em nossas mãos. Não há lugar para egoísmo e indiferença na construção do Reino de Deus, como Jesus nos falou através de diversas Parábolas.
Cabe a nós, como discípulos missionários, edificá-lo na história através do amor concreto, em solidariedade ativa até que Ele venha e instaure o Reino definitivo, na realização da Parusia.
Jesus também reconhece que existe um cristianismo autêntico mesmo fora da Igreja visível, e que aqueles que não O conheceram mediante o Evangelho, nem por isto ficam isentos do Mandamento do Amor, que se estende a toda a humanidade, nem da sua manifestação na solidariedade ativa.
Reflitamos:
- Como vivemos o amor e a solidariedade ativa?
- O que fazemos para que o Reino de Deus deixe de ser uma imagem e seja, de fato, o Reino do amor, da verdade, da graça, da liberdade, da santidade e da vida?
- Fazemos da religião um ópio que nos anestesia, nos entorpece ou ela é, de fato, a expressão e o revigoramento de nosso compromisso com os empobrecidos, na verdadeira adoração a Deus?
Vivendo a Quaresma, mais configurados a Jesus Cristo no Mistério de Sua Paixão e Morte, contemplemos a Cruz de nosso Senhor: O Seu trono.
Contemplemos Sua coroa, a coroa de espinhos dada pelos homens, a Coroa da Glória dada pelo Pai.
Fixemos nosso pensamento e abramos nosso coração ao Seu Novo Mandamento, o Mandamento do Amor.
A Sua Lei seja a nossa Lei: o amor, vivenciado na mais bela página das Bem-Aventuranças. Que ela seja nosso programa de vida para que um dia também participemos do Reino definitivo, quando Ele vier em Sua glória.
Sejamos armados em Seu exército com a arma do amor.
Testemunhando nossa fé,
damos corpo e conteúdo à caridade no coração inflamada,
e somos movidos pela fé na Ressurreição.
A solidariedade, a fraternidade, o amor à vida,
a paixão pelo Reino nos consome,
e nos sentimos fascinados por Sua Palavra,
em nosso pregar e viver,
e somos movidos pela fé na Ressurreição.
A solidariedade, a fraternidade, o amor à vida,
a paixão pelo Reino nos consome,
e nos sentimos fascinados por Sua Palavra,
em nosso pregar e viver,
provocando o mesmo fascínio
naqueles que nos ouvem.
naqueles que nos ouvem.
PS: Oportuno para reflexão sobre a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 25,31-46)
segunda-feira, 3 de março de 2025
Quem é Jesus para nós? (XDTCB) (07/06)
Quem é Jesus para nós?
A Liturgia do 10º Domingo do Tempo Comum (ano B) nos convida a refletir sobre a identidade de Jesus e a comunhão que Ele deseja viver com aqueles que quiserem se tornar seus discípulos.
Na passagem da primeira Leitura (Gn 3,9-15), refletimos sobre o pecado, o mal, e a necessária vigilância, para não cairmos na tentação do Maligno, simbolizado pela serpente.
Também se faz necessária a superação da tendência humana de se desculpabilizar, desresponsabilizar e autojustificar, como vemos na passagem, nas atitudes de nossos primeiros pais.
Nesta vigilância, estamos numa luta constante contra a “serpente”, e esta será derrotada pelo Rei-Messias, Jesus, como vemos em várias passagens do Novo Testamento – (Rm 16,20; Ap 12,9; 20,2).
Na releitura cristã, a sentença divina em relação à “serpente” apresenta-se como profecia de luta de Jesus Cristo, descendente da mulher, contra o mal e contra o seu autor, descendente da antiga “serpente” simbólica” nesta passagem apresentada.
Oportuna são as palavras do Papa Francisco sobre a ação do demônio:
“Não se dialoga com o demônio […] A vida cristã é uma luta permanente. Requer-se força e coragem para resistir às tentações do demónio e anunciar o Evangelho. […] Não pensemos que é um mito, uma representação, um símbolo, uma figura ou uma ideia. Este engano leva-nos a diminuir a vigilância, a descuidar-nos e a ficar mais expostos. O demônio não precisa de nos possuir. Envenena-nos com o ódio, a tristeza, a inveja, os vícios. E assim, enquanto abrandamos a vigilância, ele aproveita para destruir a nossa vida, as nossas famílias e as nossas comunidades, porque, “como um leão a rugir, anda a rondar-vos, procurando a quem devorar” (1Pd 5,8)” (Gaudete et Exsultate 158.161).
Na passagem da segunda Leitura (2 Cor 4,13-5,1), o Apóstolo Paulo é para nós exemplo para vencermos as tribulações do cotidiano, na vivência da fé, mantendo vivo o ardor missionário, a confiança em Deus e sobretudo a confiança e esperança da vida eterna:
“A atitude de Paulo diante das tribulações serve de modelo para os cristãos de todos os tempos, como atitude a conservar diante das provas e tribulações, quer derivem do exercício dos diversos ministérios na comunidade eclesial, quer se refiram a tantas outras situações que derivam do próprio ‘ser cristãos’ no mundo contemporâneo. É antes de mais uma atitude de fé e de confiança que tem a eternidade como fim bem visível” (1)
Paulo é um exemplo no exercício do Ministério a serviço da Igreja, não para a sua glória pessoal, e, com seu Ministério Apostólico, gera novos cristãos.
Vemos que o Apóstolo tem a esperança de estar para sempre em união perfeita com Cristo, bem como, no tempo presente, deseja ardentemente a comunhão com a comunidade, e isto o impulsiona em toda a sua missão.
Na passagem do Evangelho (Mc 3,20-35), temos revelada a identidade de Jesus – “Quem é Jesus?”.
Vemos que Ele não pactua com o Demônio, ao contrário, vem para libertar homens e mulheres de todos os tempos, e nisto consiste a realização da vontade de Deus, uma comunidade de libertos do Maligno, e de realizadores da vontade divina.
A verdadeira questão da passagem é sobre a identidade de Jesus, e o não reconhecimento d’Ele como enviado do Pai, assim como o não reconhecimento de Sua identidade divina; é o pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo, e este não tem perdão.
Portanto, para fazer parte da família de Jesus, é preciso que vivamos em total obediência à vontade de Deus, tendo a mesma atitude de Jesus na realização da vontade do Pai: o método para estabelecer uma relação de familiaridade com Jesus passa necessariamente pelo Seu seguimento, pois Ele é o primeiro a fazer a vontade de Deus, ainda que enfrentando a incompreensão e rejeição, e o Mistério da Paixão e Morte de Cruz.
Supliquemos a presença do Espírito Santo, para que, vigilantes na fé, não sucumbamos diante do poder do Maligno.
Procuremos em todos os momentos e lugares fazer a vontade de Deus, assim como Jesus o fez, para que sejamos membros de Sua família.
Tão somente assim, poderemos rezar a Oração que Ele nos ensinou, de modo especial, ao dizermos: – “Seja feita a Vossa vontade”; “Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”.
Em poucas palavras... (IXDTCB) (07/06)
“O Filho do Homem é Senhor do próprio sábado”
“O Evangelho relata numerosos incidentes em que Jesus é acusado de violar a lei do sábado. Mas Jesus nunca viola a santidade deste dia (Mc 1,21; Jo 9,16). É com autoridade que Ele dá a sua interpretação autêntica desta lei: «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado» (Mc 2, 27).
Cheio de compaixão, Cristo autoriza-Se, em dia de sábado, a fazer o bem em vez do mal, a salvar uma vida antes que perdê-la (Mc 3,4). O sábado é o dia do Senhor das misericórdias e da honra de Deus (Mt 12,5; Jo 7,23). «O Filho do Homem é Senhor do próprio sábado» (Mc 2, 28).”
(1) Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n. 2173
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