terça-feira, 10 de março de 2026

Oração, Jejum e esmola sempre

 


                         Oração, Jejum e esmola sempre


                  “O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe.”


Sejamos enriquecidos com o Sermão do bispo São Pedro Crisólogo (séc. V), que nos ajuda na melhor compreensão dos exercícios quaresmais:


“Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantêm a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude.


São elas a oração, o jejum e a misericórdia. O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe.


Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente. O jejum é a alma da oração e a misericórdia dá vida ao jejum.


Ninguém queira separar estas três coisas, pois são inseparáveis. Quem pratica somente uma delas ou não pratica todas simultaneamente, é como se nada fizesse. Por conseguinte, quem ora também jejue; e quem jejua, pratique a misericórdia. Quem deseja ser atendido nas suas orações, atenda as súplicas de quem lhe pede; pois aquele que não fecha seus ouvidos às súplicas alheias, abre os ouvidos de Deus às suas próprias súplicas.


Quem jejua, pense no sentido do jejum; seja sensível à fome dos outros quem deseja que Deus seja sensível à sua; seja misericordioso quem espera alcançar misericórdia; quem pede compaixão, também se compadeça; quem quer ser ajudado, ajude os outros. Muito mal suplica quem nega aos outros aquilo que pede para si.


Homem, sê para ti mesmo a medida da misericórdia; deste modo alcançarás misericórdia como quiseres, quanto quiseres e com a rapidez que quiseres; basta que te compadeças dos outros com generosidade e presteza. Peçamos, portanto, destas três virtudes – oração, jejum, misericórdia – uma única força mediadora junto de Deus em nosso favor; sejam para nós uma única defesa, uma única oração sob três formas distintas.


Reconquistemos pelo jejum o que perdemos por não saber apreciá-lo; imolemos nossas almas pelo jejum, pois nada melhor podemos oferecer a Deus como ensina o Profeta: Sacrifício agradável a Deus é um espírito penitente; Deus não despreza um coração arrependido e humilhado (cf. Sl 50,19).


 Homem, oferece a Deus a tua alma, oferece a oblação do jejum, para que seja uma oferenda pura, um sacrifício santo, uma vítima viva que ao mesmo tempo permanece em ti e é oferecida a Deus.


Quem não dá isto a Deus não tem desculpa, porque todos podem se oferecer a si mesmos.


Mas, para que esta oferta seja aceita por Deus, a misericórdia deve acompanhá-la; o jejum só dá frutos se for regado pela misericórdia, pois a aridez da misericórdia faz secar o jejum. O que a chuva é para a terra, é a misericórdia para o jejum. Por mais que cultive o coração, purifique o corpo, extirpe os maus costumes e semeie as virtudes, o que jejua não colherá frutos se não abrir as torrentes da misericórdia.


Tu que jejuas, não esqueças que fica em jejum o teu campo se jejua a tua misericórdia; pelo contrário, a liberalidade da tua misericórdia encherá de bens os teus celeiros. Portanto, ó homem, para que não venhas a perder por ter guardado para ti, distribui aos outros para que venhas a recolher; dá a ti mesmo, dando aos pobres, porque o que deixares de dar aos outros, também tu não o possuirás.” (1)


Vivamos intensamente o Tempo da quaresma, cada vez mais empenhados na prática dos exercícios quaresmais: oração, jejum e esmola.


Que estes exercícios sejam acompanhados de aprofundamento e compromisso com o Tema da Campanha da Fraternidade 2026 “Fraternidade e Moradia” e com o seu lema – “Ele veio morar entre nós.”(cf. Jo 1,14).


Seja para nós o Tempo da Quaresma, o tempo da favorável de reconciliação com Deus e com os irmãos, em sincera conversão individual e interna, social e externa como nos ensina a Igreja, na prática fecunda dos exercícios quaresmais.


Deste modo, o jejum bem vivido será a expressão de amor e solidariedade para com o próximo, de liberdade diante de tudo que foi criado (bens materiais) e, acima de tudo, abertura para o Mistério Absoluto e indispensável: Deus.
 
Finalizando, vejamos o que nos diz o Catecismo da Igreja Católica:
 
- Apresenta o Jejum como seu quarto mandamento:
 
“Jejuar e abster-se de carne, conforme manda a Santa Mãe Igreja” – determina que os tempos de ascese e penitência que nos preparam para as Festas Litúrgicas; contribuem para nos fazer adquirir o domínio sobre nossos instintos e a liberdade de coração (n.2043).
 
- O Jejum evangélico é necessário para a participação no Banquete Nupcial:
 
“A fim de se prepararem convenientemente para receber este sacramento (Eucaristia), os fiéis observarão o Jejum prescrito em sua Igreja. A atitude corporal (gestos, roupa) há de traduzir o respeito, a solenidade, a alegria deste momento em que Cristo Se torna nosso Hóspede” (n.1387).
 
Como vemos, o Jejum é mais do que atual, é bíblico, necessário, e se  bem feito, é certeza de que a paz brotará como fruto da justiça, expressão de amor verdadeiro!
 
Jejuemos livremente em solidariedade àqueles que jejuam forçados!
 

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