quarta-feira, 3 de junho de 2026

A humildade: mãe e mestra de todas as virtudes

 


A humildade: mãe e mestra de todas as virtudes

Reflexão à luz dos Livros "Moralia" sobre Jó, escrito pelo Papa São Gregório Magno (Séc. VI)

Ouve, Jó, minhas palavras e escuta tudo o que digo. A ciência dos arrogantes tem isto de próprio, que eles não sabem comunicar com humildade o que ensinam e não conseguem apresentar com simplicidade as coisas boas que sabem.

Vê-se bem, pelo modo como ensinam, que se colocam, por assim dizer, em lugar muito elevado e olham de cima para os discípulos, postos embaixo, à distância, e não se dignam examinar juntos a questão mas apenas se impor.

Com razão disse deles o Senhor pelo Profeta: Vós os governáveis com severidade e tirania. Governam, na verdade, com severidade e tirania os que não se apressam em corrigir seus súditos, expondo-lhes serenamente as razões, mas em dobrá-los com aspereza e predomínio.

Bem ao contrário, a verdadeira ciência foge pelo pensamento, com tanto maior ímpeto desse vício da soberba, quanto com maior ardor persegue com as setas de suas palavras o próprio mestre da soberba.

Cuida de não apregoar por suas atitudes o vício que procura extirpar do coração dos ouvintes, mediante as palavras sagradas. Esforça-se por mostrar a humildade, que é a mestra e a mãe de todas as virtudes, tanto com as palavras quanto com a vida. Deste modo procura transmiti-la aos discípulos da verdade, mais por seu modo de ser do que pelas palavras.

Por isso, Paulo, falando aos tessalonicenses, como que esquecido das alturas de seu apostolado, disse: Fizemo-nos pequenos no meio de vós. Também o apóstolo Pedro ao dizer: Preparados sempre a dar satisfação a quem vos pede explicações sobre a esperança que tendes, afirma o dever de, na própria ciência da doutrina, manter a virtude do que ensina, acrescentando: Mas com modéstia e temor, em boa consciência.

Quando Paulo diz ao discípulo: Ordena e ensina com toda a autoridade, não fala de um domínio, mas se refere ao dever de persuadir pela autoridade da vida. Com autoridade se ensina aquilo que se vive antes de dizê-lo, pois não se tem confiança na doutrina quando a consciência impede a fala. Por conseguinte, Paulo não lhe sugeriu a força de palavras soberbas, mas a confiança da vida reta.

Sobre o Senhor está escrito: Ensinava como quem tinha poder, não como os escribas e fariseus. De modo singular e essencial foi ele o único a pregar o bem com autoridade, porque nunca cometeu mal algum por fraqueza. Com efeito, pelo poder da divindade, possuía o que nos ministrou pela inteireza de sua humanidade.” (1)

Peçamos a Deus o dom da ciência e jamais sejamos soberbos ou nos falte a necessária humildade que é mãe de todas as virtudes como afirmou o Papa:

“Esforça-se por mostrar a humildade, que é a mestra e a mãe de todas as virtudes, tanto com as palavras quanto com a vida. Deste modo procura transmiti-la aos discípulos da verdade, mais por seu modo de ser do que pelas palavras.”

(1) Liturgia das Horas – Volume III Tempo Comum – Editora Paulus - p.270-271

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