sábado, 26 de setembro de 2026

Nos passos do Servo Sofredor

                                               


Nos passos do Servo Sofredor
 
“O Cristão é aquele que segue Cristo,
primeiro nos sofrimentos; depois, na glória.”
 
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 9,43b-45).
 
Depois do primeiro anúncio da Paixão do Senhor e da confissão de Pedro, o Evangelista nos apresenta as consequências que os discípulos deverão assumir no seguimento de Jesus, “O Filho do Homem que vai ser entregue nas mãos dos homens” (Lc 9, 44).
 
Nesta afirmação de Jesus, encontramos a união de duas imagens do Filho do Homem e do Servo:

- “Filho do Homem” – revela a transcendência de Sua origem celeste (Dn 7,13);
- “entregue nas mãos dos homens” – entregue à morte, traído – Servo de Deus, como vemos na passagem do Livro do Profeta Isaias (Is 53,8).
 
Assim lemos no Comentário do Missal Cotidiano:
 
“Na Páscoa está o grande momento da Salvação, mas os apóstolos não compreendem a associação de dois títulos para eles contraditórios. Compreendê-lo-ão somente após a Ressurreição e a descida do Espírito Santo, então, compreenderão melhor ainda a própria missão. O Cristão é aquele que segue Cristo, primeiro nos sofrimentos; depois, na glória.” (1)
 
Como discípulos missionários do Senhor, renovemos a alegria da missão que Ele nos confere, pedindo a Deus a graça necessária para segui-Lo, testemunhá-lo, com fé sólida e coragem criativa, sobretudo, nos momentos de provações que marcam nossa vida.
 
Não corremos atrás de aplausos, elogios e aclamações, como o Senhor nunca o fez; e assim deve ser marcado o nosso discipulado.
 
Por ora, vamos carregando nossa cruz, em comunidade, alimentados pela Santa Eucaristia, e conduzidos pela Palavra divina, para que jamais esmoreçamos na fé, vacilemos na esperança e tão pouco esfriemos no essencial e que nos distingue como discípulos do Senhor, a prática do Mandamento do Amor a Deus e ao próximo.
 
Concluo com as palavras do Bispo São Basílio Magno (Séc. IV):
 
“...A vinda de Cristo na carne, os exemplos de Sua vida apresentados pelo Evangelho, a Paixão, a Cruz, o Sepultamento e a Ressurreição não tiveram outro fim senão salvar o homem, para que, imitando a Cristo, ele recuperasse a primitiva adoção filial.
 
Portanto, para atingir à perfeição, é necessário imitar a Cristo, não só nos exemplos de mansidão, humildade e paciência que Ele nos deu durante a Sua vida, mas também imitá-Lo em Sua morte, como diz São Paulo, o imitador de Cristo: 'Tornando-me semelhante a Ele na Sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos' (Fl 3,10)”.
 
 
(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus – 1995 – p.1319 - Esta passagem é proclamada no sábado da XXV Semana do Tempo Comum.


Discípulos da Divina Misericórdia

                                                           


Discípulos da Divina Misericórdia

Sejamos enriquecidos pela carta de São Policarpo de Esmirna (séc. II), sobre a Carta aos Filipenses, em que nos apresenta Jesus Cristo que nos deixou um exemplo em Sua própria Pessoa.

“Que os presbíteros tenham entranhas de misericórdia e se mostrem compassivos para com todos, tratando de trazer ao bom caminho aqueles que se extraviaram; que visitem aos enfermos e não descuidem das viúvas, dos órfãos e dos pobres, antes, que procurem o bem diante de Deus e diante dos homens; abstendo-se de toda ira, de toda acepção de pessoas, de todo juízo injusto; que vivam afastados do amor ao dinheiro e não se precipitem crendo facilmente que os outros tenham agido mal, que não sejam severos em seus juízos, tendo presente a nossa natural inclinação ao pecado.

Portanto, se pedimos ao Senhor que perdoe nossas ofensas, também nós devemos perdoar aos que nos ofendem, já que estamos sob o olhar de nosso Deus e Senhor, e todos compareceremos diante do tribunal de Deus, e cada um prestará contas a Deus de si mesmo.

O sirvamos, portanto, com temor e com grande respeito, conforme nos ordenaram tanto o próprio Senhor como os Apóstolos que nos pregaram o Evangelho, e os profetas, aqueles que antecipadamente nos anunciaram a vinda de nosso Senhor.

Busquemos o bem com dedicação, evitemos os escândalos, afastemo-nos dos falsos irmãos e daqueles que levam o nome do Senhor de forma hipócrita e arrastam ao erro os insensatos.

Todo aquele que não reconhece que Jesus Cristo veio na carne é do anticristo, e aquele que não confessa o testemunho da Cruz procede do diabo, e o que interpreta falsamente as sentenças do Senhor segundo suas próprias concupiscências, e afirma a inexistência da ressurreição e do juízo, esse tal é o primogênito de Satanás.

Por conseguinte, abandonemos os vãos discursos e falsas doutrinas que muitos sustentam e voltemos aos ensinamentos que nos foram transmitidos desde o princípio; sejamos sóbrios para entregar-nos à oração, perseveremos constantemente nos jejuns e supliquemos com rogos ao Deus que tudo vê, a fim de que não nos deixe cair em tentação, porque, como disse o Senhor, o espírito está pronto, mas a carne é fraca.

Mantenhamo-nos, pois, firmes em nossa esperança e a Jesus Cristo, recompensa de nossa justiça; Ele, carregando nossos pecados, subiu ao lenho, e não cometeu pecado nem encontraram engano em Sua boca, e por nós, para que vivamos n’Ele, tudo suportou.

Sejamos imitadores de Sua paciência e, se por causa de Seu nome temos de sofrer, O glorifiquemos; já que este foi o exemplo que nos deixou em Sua própria Pessoa, e isto é o que nós cremos.” (1)

Na fidelidade a Jesus Cristo, como discípulos missionários, sigamos Seus passos, elevando a Deus orações, para que todos os presbíteros “tenham entranhas de misericórdia e se mostrem compassivos para com todos...”

Assim, também, toda a comunidade mantenha firme a esperança no Senhor, imitadora da paciência do Senhor, e se acaso vier o sofrimento, que seja motivo para glorificá-Lo com fé, em expressão viva de caridade. Amém.

 

(1)         Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp.158-159

Presbíteros da Divina Misericórdia

                                                      

Presbíteros da Divina Misericórdia

Na fidelidade a Jesus Cristo, como discípulos missionários, sigamos Seus passos, elevando a Deus orações, para que todos os presbíteros “tenham entranhas de misericórdia e se mostrem compassivos para com todos...” (São Policarpo de Esmirna (séc. II).

Assim, também, toda a comunidade peregrinando na  esperança, viva com paciência e a mesma fidelidade ao Senhor, vencendo todos os desafios, e se acaso vier o sofrimento, que seja motivo para glorificá-Lo com fé, em expressão viva de caridade. Amém.

Rezemos por nossos presbíteros

                                                                


                  Rezemos por nossos presbíteros

Sejamos enriquecidos pela Carta que o Bispo e Mártir São Policarpo (séc. II), escreve aos Filipenses:

“Sejam os presbíteros inclinados à compaixão, misericordiosos para com todos, reconduzam os que se desviaram do caminho, visitem todos os enfermos; não se descuidem da viúva, do órfão ou do pobre. Mas sempre cheios de solicitude para o bem diante de Deus e dos homens (cf. 2 Cor 8, 21), evitem a cólera, a acepção de pessoas, o julgamento injusto. 

Repilam para longe toda a avareza; não deem logo crédito contra alguém, não sejam demasiado severos ao julgar, certos de que todos nós somos devedores do pecado.

Se, portanto, suplicamos a Deus perdoar-nos, devemos também nós perdoar. Pois estamos diante do Senhor e dos olhos de Deus e teremos todos de comparecer perante o tribunal de Cristo, e cada um prestará contas de si (Rm 14, 10.12).

Desse modo sirvamo-Lo com temor e todo o respeito como nos ordenou Ele e os Apóstolos, que nos anunciaram o Evangelho, como também os Profetas, que predisseram a vinda de nosso Senhor.

Atentos, façam todo o bem, afastem-se dos escândalos, dos falsos irmãos e daqueles que usam o nome do Senhor com hipocrisia e induzem ao erro os homens superficiais.

Todo aquele que não confessar ter Jesus Cristo vindo na carne é um anticristo (cf. 1Jo 4, 2.3; 2Jo 7). E quem não testemunhar o martírio da cruz, vem do demônio. E quem fizer servir as palavras de Deus a seus desejos e disser não haver ressurreição nem juízo, este é o primogênito de Satanás. Por isso, deixando de lado a futilidade de muitos e os falsos sistemas, voltemos à doutrina que nos foi entregue desde o início, vigilantes na oração (cf. 1Pd 4, 7) e fiéis aos jejuns.

Elevemos preces a Deus que tudo vê, para que não nos deixe cair em tentação (MT 6, 13), conforme disse o Senhor: O espírito na verdade é pronto, mas a carne é fraca (MT 26, 41).

Perseveremos sem cessar em nossa esperança e penhor de nossa justiça, que é Jesus Cristo:  Em Seu corpo carregou sobre o madeiro os nossos pecados, Ele que não cometera pecado nem se encontrou engano em Sua boca (1Pd 2, 24.22); mas, por nossa causa, para que vivamos n’Ele, tudo suportou.

Sejamos, por conseguinte, imitadores de Sua paciência e, se sofrermos por Seu nome, nós lhe daremos glória. Foi este o exemplo que nos deu em Si mesmo, e nós cremos”.

Inspirados nas palavras de São Policarpo, oremos por todos os presbíteros:

Senhor Deus, rezamos por todos os presbíteros para que:

- Nos passos de Jesus Cristo, contando com a ação e presença do Espírito Santo, vivam o Ministério como instrumentos da compaixão divina, e sejam misericordiosos para com todos;

- Tenham sabedoria para reconduzir os irmãos que se desviaram do caminho, e reencontrando o caminho da comunidade, sintam-se acolhidos e amados por todos;

- Em meio a tantas atividades, consigam visitar todos os enfermos, na solicitude com os que mais precisam, sobretudo os mais empobrecidos, e os mais fragilizados;

- Sejam cheios de solicitude para o bem, diante de Vós e de toda a comunidade, dando o melhor de si, incansavelmente, não obstante as dificuldades e naturais cansaços;

- Libertos de toda cólera, jamais façam acepção de pessoas, e tão pouco incorram em julgamentos injustos, e afastem toda atitude de avareza;

- Afastando-se do mal, evitem os escândalos que possam fragilizar a comunidade a eles confiadas, embora tenham a fraqueza própria da condição humana;

- Vigilantes e orantes não caiam nas tentações das quais ninguém está livre, sobretudo do ter, poder e ser; ou seja, acúmulo, domínio e prestígio;

- Deem testemunho cotidiano das virtudes divinas: fé comprovada; esperança no Senhor; zelosos na prática da caridade que jamais passará.

Enfim, Senhor Deus, rezamos por todos os Presbíteros, para que cresçam cada dia na devoção à Virgem Maria, para que, na imitação de suas virtudes, vivam cada vez mais frutuosamente a graça da vocação, reavivando sempre no coração a chama do primeiro amor. Amém.

“Somos morada de Deus”

                                                  

“Somos morada de Deus”

Com o Tratado sobre os Salmos, do Bispo Santo Hilário (séc. IV), aprofundemos sobre a graça do Batismo recebido e seus efeitos tão fascinantes:

“O rio de Deus enche-se a transbordar; e o trigo sois vós que o preparais; deste modo preparais a terra (Sl 64,10). Não há dúvida quanto à significação do rio. Pois o Profeta diz: O rio impetuoso alegra a cidade de Deus (Sl 45,5).

E o próprio Senhor diz no Evangelho: Quem beber da água que Eu lhe der, de seu seio brotarão rios de água viva, que jorra para a vida eterna (Jo 4,14).

E de novo: Do seio daquele que crer em mim, como está escrito, jorrarão rios. Queria com isto significar o Espírito Santo que iriam receber aqueles que n’Ele cressem (Jo 7,38-39).

Portanto, este rio de Deus transborda de água. Pelos dons do Espírito Santo somos inundados e, correndo daquela fonte de vida, o rio de Deus cheio de águas se derrama em nós. Encontramos também o trigo preparado. 

Que trigo é este? Certamente aquele que nos prepara para o consórcio com Deus, pela comunhão do santo corpo, que nos insere, em seguida, na comunhão do santo corpo.

É este o sentido do Salmo que diz: O trigo sois vós que o preparais; deste modo preparais a terra. Com este trigo, embora já sejamos salvos no presente, preparamo-nos para o futuro. 

Para nós, renascidos pelo Sacramento do Batismo, é imensa a alegria quando percebemos em nós certas primícias do Espírito Santo, quando se insinua a compreensão dos Sacramentos, a ciência da profecia, a palavra da sabedoria, a firmeza da esperança, os dons de cura e o domínio sobre os demônios vencidos.

Qual gotas de chuva tudo isto vai nos penetrando e aos poucos aquilo que germinou se multiplica em frutos copiosos”.(1)

A graça do Batismo recebido nos concede as primícias do Espírito Santo, renovando-se em todo instante copiosa e abundantemente.

Pelo Batismo Deus faz em nós morada, para nos comunicar pelo Seu Espírito o que de melhor possui, para que nossa vida a Jesus seja conformada, na fidelidade e resposta ao Seu infinito amor.

Renovemos a alegria de sermos batizados e templos do Espírito Santo,  reconhecendo em cada pessoa, a imagem e semelhança de Deus.

Uma das mais belas Notícias que o cristianismo pode dar ao mundo: cada pessoa é morada divina, com sua sacralidade e dignidade, da concepção ao seu declínio natural.

Cada notícia de violência contra a vida, em pequena ou grande dimensão, é uma agressão e um atentado ao próprio Deus que nos criou por Amor, para que construamos relações mais humanas, justas e fraternas.

É mais do que tempo de vivermos esta verdade: somos morada de Deus.

(1)Liturgia das Horas -Vol. IV - Tempo Comum - p.268-269
Memória celebrada dia 13 de janeiro

“Divino fogo abrasador”

                                                    


“Divino fogo abrasador”

A passagem da Sagrada Escritura: 1ª Carta de São João (1Jo 4,6):

“Nós somos de Deus. Quem conhece a Deus nos ouve; quem não vem de Deus não nos ouve. A partir disto distinguimos o espírito da verdade, o espírito do erro”

Vejamos o que nos diz Santo Agostinho, o Bispo de Hipona, no seu Comentário sobre esta passagem: 

“O desejo da visão: a Fé.
O desejo da posse: a Esperança.
O desejo do amor: a Caridade.
Pela espera, Deus faz crescer o desejo.
Pelo desejo, ele cava nas almas.
Cavando nelas, Ele as torna mais capazes de recebê-Lo.”

Desejo, espera e cavar.
Fé, Esperança e caridade.
A visão, a posse, o amor.

Mistério da Trindade, um só Deus,
Três Pessoas na pleníssima comunhão:
Pai e Filho e Espírito, igualmente adoramos.

Mistério encontrado, tudo por encontrar.
Pelo Divino Amor dos Três, somos envolvidos,
Santificando em nós os humanos sentidos.

Em nossa alma, entranha o “divino fogo abrasador”,
Nossas lágrimas enxugando; todo o pranto consolando,
Do abismo da morte nos tirando, ressuscitando...

Sim, tudo isto e muito mais de Deus para nós:

“O desejo da visão: a Fé.
O desejo da posse: a Esperança.
O desejo do amor: a Caridade.
Pela espera, Deus faz crescer o desejo.
Pelo desejo, ele cava nas almas.
Cavando nelas, Ele as torna mais capazes de recebê-Lo.”
Amém.

Em poucas palavras (Súplica pelo Papa Leão XIV)

                                                                     


Uma súplica pelo Papa Leão XIV)


“Vós, que confiastes ao nosso Papa Leão, a solicitude por todas as Igrejas,


– concedei-lhe uma fé inquebrantável, uma esperança viva e uma caridade generosa.


R. Senhor, nosso refúgio, escutai-nos!”


(1) Oração das Vésperas – Liturgia das Horas.


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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG