quinta-feira, 30 de julho de 2026

Ser Catequista à luz das sete parábolas do Senhor

                                         

Ser Catequista à luz das sete parábolas do Senhor

“Naquele dia, saindo Jesus de casa, sentou-Se à beira-mar. Em torno d’Ele reuniu-se uma grande multidão. Por isto, entrou num barco e sentou-Se, enquanto a multidão estava em pé na praia. E disse-lhes muitas coisas em parábolas.” (Mt 13,1-3).

Sete Parábolas saíram dos lábios do Senhor, e chegam aos nossos ouvidos e nas entranhas do coração, que tão somente Deus pode conhecer plenamente.

Sete Parábolas: do semeador, sua Palavra e nosso coração; do joio e do trigo; do grão de mostarda; do fermento na massa; do tesouro escondido; da pérola preciosa e da rede lançada ao mar (Mt 13,3-50).

Nisto consiste a missão do(a) Catequista: acolher a Palavra, a melhor semente no próprio coração; e discípulo missionário do Divino Semeador, Jesus; e, também, no coração dos catequizandos, a semente da Palavra lançar, na esperança da acolhida em férteis terrenos do chão do coração, com os frutos a produzir, por Deus sempre esperados.

Perseverança e paciência ao lançar as sementes do bem, do amor e da verdade, com ousadia e coragem ainda que o inimigo venha semear as sementes do mal, do ódio, da mentira e da pseudofelicidade, pois a autêntica, somente Ele, o Senhor, pode nos alcançar.

Catequese é como um grão de mostarda: ainda que pareça tão pequena e insignificante, pela graça de Deus, faz crescer e florescer, frutos produzir, ainda que não os vejamos e os frutos não saboreemos, mas outros com certeza o farão.

Catequese, fermento que leveda a massa: fermento do amor que faz toda a diferença: tão somente o amor é capaz de gerar o novo em cada um e em cada uma de nós. Há que se apresentar e levedar a humanidade com o eterno fermento do amor que jamais acabará, tão pouco jamais passará (1Cor 13).

Tesouro encontrado e a pérola preciosa de nossa vida é o Senhor Jesus, com a Sua Palavra, Pessoa , e com Ele, a alegria do Reino de Deus entre nós presente. Por este tesouro e pérola, nossas renúncias nada são, ainda que muito o façamos, incomparável valor, por isto tão somente este Tesouro e Pérola fazem nosso coração crepitar com chamas eternas de amor.

Ser catequista é lançar as redes, sem medo, nas águas mais profundas (Lc 5,1-11), para resgatar do mar da vida homens e mulheres, para que entrem na comunhão com o Senhor, do Reino parte façam, e o coração transborde de alegria.

Catequista, acolha as palavras do Senhor ao final das sete Parábolas:

"Entendestes todas essas coisas?’ Responderam-lhe: ‘Sim”. Então lhes disse: ‘Por isso, todo escriba que se tornou discípulo do Reino dos Céus é semelhante ao proprietário que do seu tesouro tira coisas novas e velhas.” (Mt 13,51).

Ser Catequista é, com a presença e ação do Espírito, rezar e viver da Palavra de Deus, em permanente leitura, meditação, oração, contemplação, colocando-se como barro na mão do oleiro, porque imperfeitos e inacabados todos o somos, para que mais imagem e semelhança de Deus o sejamos. Amém.

Paixão pelo Reino de Deus

                                                 


Paixão pelo Reino de Deus

Reflexão à luz das passagens do Evangelho de Mateus (Mt 13,44-46; Mt 13,47-53).

Com as Parábolas do tesouro escondido encontrado, da pérola preciosa procurada e da rede lançada ao mar, Jesus nos fala do Reino de Deus.

Tesouro, pérola e rede, imagens tão simples usadas por Jesus, que saem de Seus lábios e têm como destino o coração dos pobres e simples, que as compreendem e se alegram, porque aceitam o convite à conversão e ao acolhimento do Reino de Deus, que vem e está se manifestando ao mundo.

Oremos:

Ó Senhor, o que nos ofereceis possui um valor infinito, não tem preço: a alegria de participar do Vosso Reino como alegres discípulos missionários.

Renovamos nossa prontidão na renúncia a tudo pela conquista da Salvação que nos vem de Vós, como dom Vosso e compromisso nosso.

Ó Senhor, ajudai-nos na melhor decisão da acolhida do Vosso Reino, não desperdiçando as ocasiões sagradas oferecidas, em contínua conversão, para que não sejamos contados entre os maus, no fim dos tempos, quando vierdes com Vossos Anjos para o julgamento final.

Suplicamos, ó Senhor, a Vossa sabedoria para que descubramos o tesouro da Lei de Deus como guia de nossa vida, pois somente vivendo a Lei maior do Amor, temos garantidas a vida e a felicidade.

Ó Senhor, que, em tempos de perseguição e dificuldades, estejamos  prontos a deixar tudo para segui-Lo; ajudai-nos a derrotar o mal com Vosso poder, crendo na força que nos vem de Vossa Ressurreição, com a presença e efusão do Vosso Espírito, que nos acompanha, fortalece, aquece nosso coração, abre nosso olhar para o horizonte do Reino.

Iluminai e fortalecei nossos passos, dai-nos coragem para carregarmos nossa cruz cotidiana, com renúncias necessárias, confiantes em Vossa Palavra, pois tudo concorre para o bem daqueles que Vos ama.

Ó Senhor, concedei-nos a graça de, no trilhar do caminho da fé, escutar, acolher e viver a Vossa Palavra sem jamais declinar de nossos sagrados compromissos convosco e com a humanidade, para que a alegria e a vida nova do Reino possam estender suas raízes, e saborosos frutos possam ser colhidos.

Enfim, ó Senhor Jesus, intercedei junto ao Vosso Pai de Amor, fonte de sabedoria, para que nos envieis sempre o Vosso Santo Espírito para descobrirmos o tesouro escondido e a pérola preciosa do Reino.

Concedei-nos o discernimento do Espírito, para que saibamos apreciar, no meio das coisas do mundo, o valor inestimável do Vosso Reino, sempre prontos a qualquer renúncia para conquistarmos os Vossos dons, dando verdadeiro e pleno sentido ao nosso existir, somente assim mais humanos e fraternos seremos.

Predestinados a ser a Vossa imagem e semelhança, nos sintamos contemplados pelo Vosso Amor, e Vos agradeçamos por nos ter chamado para trabalhar em prol do Vosso Reino, por nos ter justificado pelo Sangue Redentor e, por Vossa morte e Ressurreição, nos alcançado a glorificação. Amém. 

A misericórdia divina espera nossa conversão: choremos nossas culpas

                                                  

A misericórdia divina espera nossa conversão: choremos nossas culpas
 
“Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo” 
(Mt 4, 17)
 
Para aprofundamento da passagem do Evangelho (Mt 4,12-23), proclamada no 3º Domingo do Tempo Comum (ano A), voltemo-nos para o Sermão de São Cesário Arles (séc. VI).
 
“Enquanto nos era lido o Santo Evangelho, caríssimos irmãos, nós escutamos: ‘Convertei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus’. O Reino dos céus é Cristo, de quem nos consta ser conhecedor de bons e maus, e juiz de todas as coisas.
 
Portanto, antecipemo-nos a Deus na confissão de nosso pecado e castiguemos, antes do juízo, todos os erros da alma. Corre um grave risco quem não procura corrigir por todos os meios o pecado. Sobretudo devemos fazer penitência, sabendo como sabemos que teremos de prestar conta das causas de nossa negligência.
 
Reconhecei, amadíssimos, a grande piedade de nosso Deus para conosco ao querer que reparemos através da satisfação e antes do juízo, a culpa do pecado cometido; pois se o justo juiz não cessa de prevenir-nos com os Seus avisos, é para não ter um dia de recorrer à severidade.
 
Não é sem motivos, amadíssimos, que Deus nos exige torrente de lágrimas, a fim de compensar com a penitência o que perdemos pela negligência. Pois Deus bem sabe que nem sempre o homem é constante em seus propósitos: peca rotineiramente no agir e vacila no falar. Por isso lhe ensinou o caminho da penitência, a fim de que possa reconstruir o destruído e reparar o arruinado.
 
Assim, o homem, seguro do perdão, sempre deve chorar a culpa. E mesmo quando a condição humana encontre-se exercitada por muitas dificuldades, que ninguém se desespere, porque Deus é paciente e dispensa com liberalidade a todos os enfermos os tesouros de sua misericórdia.
 
Porém, é possível que alguém do povo se diga: E por que hei de temer se não fiz nada de mal? Escuta o que sobre este detalhe diz o Apóstolo João: ‘Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos e não somos sinceros’.
 
Que ninguém vos engane, amadíssimos: o pior dos pecados é não compreender os pecados. Porque todo aquele que reconhece os seus delitos pode reconciliar-se com Deus mediante a penitência, e não existe pecador mais digno de lástima do que aquele que crê não ter nada do que lamentar-se.
 
Por isso, amadíssimos, vos exorto a que, conforme o que está escrito, ‘vos humilheis sob a poderosíssima mão de Deus’, e visto que ninguém está livre do pecado, ninguém se creia isento da obrigação de satisfazer. Pois já peca por presunção de inocência o que se acredita inocente.
 
Pode ser alguém menos culpável, porém inocente? Ninguém. Certamente existe diferença entre pecador e pecador, mas ninguém está imune de culpa.
 
Portanto, amadíssimos, os que forem réus de culpas mais graves, peçam perdão com maior confiança; e os que se mantêm isentos de faltas graves, receiem para não macularem-se, pela graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, que com o Pai e o Espírito Santo vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém”. (1)
 
Este Sermão é propício para que reconheçamos nossa condição pecadora: limitações, fragilidades, imperfeições e pecados cometidos por pensamentos, palavras, atos e omissões.
 
Ressoem, também, as palavras de Santo Agostinho: (séc. V) em um de seus Sermões:
 
“... Deus Se fez homem para que o homem se tornasse Deus. Para que o homem comesse o Pão dos Anjos, o Senhor dos Anjos Se fez homem...
 
O homem pecou e tornou-se culpado; Deus nasceu como homem para libertar o culpado. O homem caiu, mas Deus desceu. O homem caiu miseravelmente, Deus desceu misericordiosamente; o homem caiu por orgulho, Deus desceu com a Sua graça...
 
Só nasceu sem pecado Aquele que não foi gerado por homem nem pela concupiscência da carne, mas pela obediência do Espírito”.
 
Quanto mais formos capazes de reconhecer nossos pecados, mais os choraremos, e muito mais ainda recorreremos à misericórdia divina, confessando-os, de modo sublime no Sacramento da Penitência, que a Igreja nos oferece em todo o tempo.
 
Choremos nossas culpas e nossos pecados; confessemo-los diante da misericórdia divina, num contínuo processo de conversão, alegrando-nos com a presença de Jesus em nosso meio.
 
Deus nos ama para nos fazer melhores, pois é próprio do verdadeiro amor gerar o bem no coração do amado. Deus quer gerar sempre o melhor d’Ele em nós, quando nos deixamos fecundar pela Sua Santa Palavra.
 
Deus rico em misericórdia, é bondoso e compassivo e espera incansavelmente nossa conversão, sobretudo quando ao Sacramento da Penitência recorremos.
 
Urgee revermos caminhos, para que favoreçamos o resplandecer da luz divina por nossas palavras e ações.
 
(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes 2013 - pp.120-121
 

Crescimento espiritual permanente

                                                            

Crescimento espiritual permanente

O Presbítero São Vicente de Lerins (Séc. V) apresenta-nos uma reflexão sobre o desenvolvimento do Dogma na religião cristã.

“Não haverá desenvolvimento algum da religião na Igreja de Cristo? Há certamente e enorme. Pois que homem será tão invejoso, com tanta aversão a Deus que se esforce por impedi-lo?

Todavia deverá ser um verdadeiro progresso da fé e não uma alteração. Com efeito, ao progresso pertence o crescimento de uma coisa em si mesma. À alteração, ao contrário, a mudança de uma coisa em outra.

É, portanto, necessário que, pelo passar das idades e dos séculos, cresçam e progridam tanto em cada um como em todos, no indivíduo como na Igreja inteira, a compreensão, a ciência, a sabedoria. Porém apenas no próprio gênero, a saber, no mesmo Dogma o mesmo sentido e a mesma significação.

Imite a religião das almas o desenvolvimento dos corpos. No decorrer dos anos, vão se estendendo e desenvolvendo suas partes e, no entanto, permanecem o que eram.

Há grande diferença entre a flor da juventude e a madureza da velhice. Mas se tornam velhos aqueles mesmos que foram adolescentes. E por mais que um homem mude de estado e de aspecto, continuará a ter a mesma natureza, a ser a mesma pessoa.

Membros pequeninos na criancinha, grandes nos jovens, são, contudo, os mesmos. Os meninos têm o mesmo número de membros que os adultos. E se no tempo de idade mais adiantada neles se manifestam outros, já aí se encontram em embrião. Desse modo, nada de novo existe nos velhos que não esteja latente nas crianças.

Por conseguinte, esta regra de desenvolvimento é legítima e correta. Segura e belíssima a lei do crescimento, se a perfeição da idade completar as partes e formas sempre maiores que a sabedoria do Criador pré-formou nos pequeninos.

Mas se um homem se mudar em outra figura, estranha a seu gênero, ou se se acrescentar ou diminuir ao número dos membros, sem dúvida alguma todo o corpo morrerá ou se tornará um monstro ou, no mínimo, se enfraquecerá.

Assim também deve o Dogma da religião cristã seguir estas leis de crescimento, para que os anos o consolidem, se dilate com o tempo, eleve-se com as gerações.

Nossos antepassados semearam outrora neste campo da Igreja as sementes do trigo da fé. Será sumamente injusto e inconveniente que nós, os pósteros, em vez da verdade do trigo autêntico recolhamos o erro da simulada cizânia”.

A vida cristã não é estática, precisamos fazer contínuos progressos, até que mereçamos adentrar na plenitude da glória eterna.

Pelo Batismo, nos tornamos discípulos missionários e a partir deste momento, pomos num contínuo peregrinar, em que precisamos fazer progressos espirituais permanentes.

Vivendo o Batismo, temos que fazer da nossa vida uma missão, que por sua vez, revela-se no dom total de si mesmo, num aperfeiçoamento de nosso viver: pensamentos, palavras e atitudes.

Este progresso somente é autêntico quando não temos medo de fazer renúncias cotidianas, abraçando nossa cruz, em incondicional fidelidade ao Senhor.

Também deve se dar em todos os âmbitos: pessoal, familiar, comunitário e no mundo, para que discípulo do Senhor sejamos, sem recuos, vacilações na fé, esmorecimento da esperança, e esfriamento da caridade, que deve estar sempre acesa e inflamando nosso coração.

Isto somente se faz possível quando nos deixamos modelar pela mão divina, como barro na mão do oleiro. 

Ninguém alcançou ainda  a maturidade almejada, estamos sempre a caminho; importa é não recuar ou desistir, pois “Os mestres espirituais lembram que, na vida de fé, quem não avança, recua.” (Mensagem do Papa Bento XVI  Quaresma 2012).

Presbíteros enamorados por Cristo, Presbíteros felizes

                                                          

Presbíteros enamorados por Cristo, Presbíteros felizes

É sempre oportuno retomar o que ouvimos no dia do Sacramento da Ordenação:

“Transmite a todos a Palavra de Deus, que recebeste com alegria. Meditando na Lei do Senhor, procura crer no que leres, ensinar o que creres, praticar o que ensinares. Seja, portanto, a tua pregação alimento para o Povo de Deus e a tua vida, estímulo para os fiéis, de modo a edificares a casa de Deus, isto é, a Igreja, pela palavra e pelo exemplo”.

Com o passar do tempo tomamos consciência da implicação, profundidade e exigência destas palavras.

Cada vez mais o Presbítero deve se configurar a Cristo, o Bom Pastor, porque fez o encontro com Sua pessoa, e por isto deve cultivar a amizade e intimidade com Ele, para levar a tantos outros ao mesmo encontro e amizade.

Tendo a Sua Palavra na mente, porque antes impregnou toda sua vida e criou raízes no coração, fazendo dele o homem da Palavra e um homem de palavra, por isto a Palavra a ser proclamada deverá antes ser interiorizada, por meio da escuta e da meditação, para partilhar ricamente o Evangelho com todos.

Faz parte de sua missão ensinar não a sua sabedoria, mas com a  Sabedoria do Verbo de Deus convidando a todos à conversão e à santidade; sendo assim, mais que um anunciador da Palavra, precisa ser uma testemunha viva e eficaz desta Palavra.

Sinal do Bom Pastor, torna-se amigo dos pobres para gozar de predileção e amizade de Deus, pois os pobres são por excelência os amigos de Deus.

Empenha-se continuamente em somar com o outro em comunidade, rompendo barreiras que impeçam a luz divina resplandecer.

Consciente de que é barro na mão do Oleiro, procura trabalhar suas limitações e imperfeições próprias de todo ser, contando com a graça divina que vem em nosso socorro quando a Ela nos abrimos.

Portanto, por estar sujeito a todas as virtudes e fraquezas da condição humana, é necessário que cultive a vigilância ativa, sem perder o horizonte da santidade, que não é algo para amanhã, mas para cada instante.

Nesta vigilância ativa, busca o equilíbrio afetivo, sexual, psicológico, a maturidade humana e espiritual, na superação das instabilidades, reveses, crises e tentações inerentes ao seu estado de vida e ministério;

Movido pela caridade pastoral, mantém acesa permanentemente a chama profética, consumindo-se pelo que é essencial sem incorrer em ativismo estressante, “esvaziador” de suas forças, fuga de si mesmo ou de algo que o perturbe ou o inquiete.

O Presbítero enamora-se permanentemente por Cristo e assim não sabe fazer outra coisa se não possibilitar ao Povo de Deus a mesma experiência; Cristo Homem Deus, o mesmo da Cruz que, à direita do Pai, glorioso está.

Enamora-se de Cristo não como expressão de evasão, alienação, distanciamentos, fugas, solidão empobrecedora, muito pelo contrário; o faz Presbítero Profeta e na vivência da missão profética coloca-se incansavelmente contra todo jugo de opressão que ceifa vidas, culturas, valores e povos; como um eterno aprendiz da linguagem do Espírito, uma linguagem inteligível somente pelos simples, como bem disse Santo Antônio: 

“Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência.”.

Por isto é imprescindível que se alimente da Eucaristia, para edificar a comunidade a ele confiada, tornando-a uma comunhão de fiéis,  com gratuidade, humildade no que fala e faz, do menor ao maior compromisso.

Concluindo, todo o agir do Presbítero, assim como de todo cristão, deve ter apenas uma motivação: o amor; com os olhos fixos em Jesus, coração com Ele em perfeita sintonia; tão somente assim encontra a profunda e verdadeira liberdade que procede do Espírito.

"Buscar primeiro o Reino de Deus” Que bela e maravilhosa Missão!

                                                       

"Buscar primeiro o Reino de Deus”
Que bela e maravilhosa Missão!

Como nos preocupamos com as exigências do dia a dia, muitas vezes sem colocar em primeiro lugar a busca pelo Reino de Deus, confiando no Senhor.

Esta é a essência da mensagem da Liturgia da Palavra do 8º. Domingo do Tempo Comum (ano A).

O Profeta Isaías, na primeira Leitura (Is 49, 14-15), nos ensina que Deus nunca nos abandona, mas nos trata com verdadeiro amor de mãe:

“Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta? Não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? E mesmo que ela o esquecesse, Eu não te esqueceria nunca.”

Com esta belíssima comparação, o Profeta nos fala de Deus tomando a imagem do amor maternal: amor instintivo, avassalador, eterno, gratuito e incondicional, mas elevado ao grau infinito. Elevado à enésima potência tendendo ao infinito, se matematicamente pudéssemos dizer...

O Profeta, homem da confiança e esperança, é aquele que ajuda o Povo de Deus a perceber a presença divina em Sua aparente ausência, despertando para resposta amorosa a Ele. Ajuda o Povo de Deus a perceber a face oculta de Deus revelada na ternura, misericórdia, compaixão...

Relacionar-se e corresponder a este Deus, somente assim o futuro tornar-se-á promissor... O Profeta, com a Palavra Divina em seus lábios, faz reacender a chama que não fumega no coração daquele que crê. Sempre precisamos de Profetas assim.

Quando tudo parece mais nada, há alguém que nos aponta o Todo Poderoso, Onipotente, Aquele que para o qual nada é impossível: “Tudo podemos n’Aquele que nos fortalece”, nos dirá mais tarde o Apóstolo Paulo ( Fl 4,13).

Esse mesmo Apóstolo na segunda Leitura (1Cor 4, 1-5), fala da autenticidade de seu Ministério, de “simples operário de Cristo e administrador dos Mistérios de Deus”, o qual exerce com muita fidelidade, com os olhos fixos no essencial que é a proposta de salvação/libertação que Jesus veio realizar. Somos apenas veículos desta mensagem, imprescindíveis porque assim Deus o quis.

O Evangelista Mateus (Mt 6, 24-34) nos revela que Jesus ensina a darmos o devido valor às coisas, colocando Deus em primeiro lugar: “Não podeis servir a Deus e a riqueza”.

E também convida a nos abandonarmos completamente à Providência de Deus: “Não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis, nem por vosso corpo, pelo que vestireis.”

Não entendamos confiança como sinônimo de passividade ou de comodismo: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a Sua justiça e todas estas coisas vos serão dadas em acréscimo.”

Insisto, a Ação Divina não dispensa a ação humana, muito pelo contrário, eleva-a como possibilidade de participação na construção do Reino. Haverá responsabilidade e graça tão belas quanto essas?

Quanto maior for nossa confiança em Deus, tanto mais cresce nossa responsabilidade. Também poderemos dizer que a responsabilidade é diretamente proporcional à confiança que temos em Deus.

Santo Inácio de Loyola diz de forma límpida e contundente: “devemos confiar como se tudo dependesse de Deus e nos empenhar como se tudo dependesse de nós.”.

“Buscar o Reino de Deus” com absoluta confiança em Deus, como meros instrumentos, veículos de Sua Mensagem. Lembremo-nos que continuamos a refletir o desdobramento das Bem Aventuranças, a Missão de ser Sal e Luz (Capítulos 5 e 6 de Mateus).

Sendo assim, concluindo, podemos afirmar que ser Discípulo do Senhor é ter encontrado uma Pessoa que mudou nossa vida, e que ela só tem sentido e conteúdo quando em relacionamento contínuo e íntimo, renovado no Banquete da Eucaristia.

É preciso trilhar o caminho da santidade empenhados na construção do Reino, com total confiança em Deus e em Sua força, com disponibilidade, fidelidade, alegria e com muito amor a fim de que correspondamos ao Amor Divino que jamais nos falta.

Somente assim comunicaremos luz da Fonte de Luz nas mais diversas situações obscuras, nas "cavernas sombrias e escuras" da existência.

Em poucas palavras... (Santo Inácio de Loyola)

 


Oração de Santo Inácio de Loyola
 
“Tomai, Senhor, e recebei
toda a minha liberdade,
a minha memória também.
 
O meu entendimento
e toda a minha vontade.
 
Tudo o que tenho e possuo,
Vós me destes com amor.
 
Todos os dons que me destes,
com gratidão Vos devolvo;
disponde deles, Senhor,
 segundo a Vossa vontade.
 
Dai-me somente
o Vosso amor, a Vossa graça.
 
Isto me basta,
nada mais quero pedir!
Amém.” (1)

 

(1)        Santo Inácio de Loyola, Memória celebrada dia 31 de julho.

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